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[Música] Olá, minha gente. Começando com mais um Se Liga na profissão. E olha só, esse profissional ele tem muito a ver com a música, com movimentos e, é claro, tudo isso precisa estar muito bem coreografado para encantar a todos que estão ali à sua volta. Eu vou falar com o profissional de dança, neste caso, a Sofia Fará, é a nossa profissional de hoje. Sofia, conta pra gente como que a dança entrou na sua vida. Nossa, eh, a dança entrou na minha vida com 3 anos de idade. Eh, foi tudo e graças à minha irmã, porque a minha irmã fazia aula aqui no conservatório e de iniciação artística e eu queria muito entrar, mas eu era muito novinha para entrar. Dau eu tinha que estar na turma dos babies. Só que na turma dos babies a mãe tem que estar junto e a minha mãe não conseguia ficar junto comigo. Então ela esperou eu fazer três anos da ela me colocou aqui e daí só pra frente assim subindo, subindo, subindo, trabalhando ainda mais na técnica para chegar onde eu tô atualmente. E é legal porque assim, você começou meio que com um lazer, uma atividade infantil, né, que é muito comum, né, muitos pais, muitas mães gostam de ver o filho ali fazendo uma apresentação na escola, né? uma aula de balé e de repente você se tornou uma profissional de dança, né? Hoje você trabalha com isso todos os dias. E como que é, né, quando a gente pensa assim, bom, um profissional de dança, dar aula de dança, você tem um grupo específico, você atende todas as idades? Eh, eu atendo todas as idades, tenho muitas turmas que são muito misturadas, eh, de pessoas tanto mais jovens quanto mais adultas. Normalmente as turmas de adulto, né, em algumas escolas são assim. Então eu tenho uma turma que tem desde 16 anos até assim 50 anos na mesma turma. E eu, por ter feito o Conservatório Carlos Gomes, por ter feito o curso técnico, por ter ido atrás de diversas modalidades, eu dou aula de tudo. Eu dou aula de sapateado, de hip hop, de jazz, de balé, de contemporâneo, eh, e assim vai. E aí é interessante a gente contar pro público, porque assim, muitas vezes as pessoas até assistindo, né, aos programas televisivos, vê ali alguns concursos, algumas disputas de dança e pensa assim: "Bom, então se fulano é bailarino, então ele também pode ser professor." Isso segue a regra ou não? Não, isso não segue a regra. Eh, para você ser professor, você tem que entender que existem diferentes jeitos de você ensinar a mesma coisa e que os alunos, dependendo da idade, dependendo eh de outras coisas, sendo às vezes você tem algum aluno eh com um déficit de atenção maior, você tem um aluno que ele é mais carente, você tem um aluno que é mais agitado, você tem que acabar ensinando essas coisas de forma diferente que todos aqueles alunos se sintam envolvidos. Então você não, para você ser profissional da dança, no caso do professor, você não pode só saber dançar, você tem que saber ensinar também, o que é totalmente diferente. E hoje em dia, quais são e dentro desse mercado, né, de dança, quais são as danças mais procuradas que as pessoas vêm em busca de falar: "Olha, eu quero fazer aula de dança". O balé é muito comum, a gente sabe, mas tem surgido outras danças, né? A contemporânea, como você falou. Eh, o balé pras crianças menores ainda é aquele sonho de mãe ver a sua filhinha de 3 anos com Titi dançando com a minha calça, com a sapatilhazinha ou coque. Então o balé ainda assim é muito procurado. Inclusive, atualmente, é, tanto por pessoas mais velhas, acabam existindo aulas de balé que a gente chama de balé clássico livre, em que você não precisa se ater a uma metodologia do balé em específico, que é muito legal para quem gosta dessa dessa dança e quer voltar depois de muito tempo. E mas eu também tenho visto muito procura pelo contemporâneo e pelo hip hop, principalmente na parte das crianças. As crianças que têm agora muita energia, gostam de coisa muito animada, o hip hop tá muito em alta para elas. O profissional de dança pode se especializar em diferentes estilos de expressão, como balé clássico, jazz, danças folclóricas, hip hop, ou, por exemplo, a dança contemporânea, que tem suas particularidades. O contemporâneo ele acaba sendo um uma modalidade muito particular do professor, porque não existe algo que vai denominar que o contemporâneo ele é realmente aquela técnica, porque o contemporâneo ele é uma fusão de várias técnicas e vários passos dentro de uma pesquisa em específico daquele profissional de dança. Então, uma coisa que já aconteceu aqui, por exemplo, é, eu já passei uma vez uma sequência de contemporâneo pros alunos e quem é a professora de contemporâneo não sou eu. Então, eles acharam muito diferente da professora de contemporâneo. E daí a gente teve essa conversa, essa discussão, porque dentro do contemporâneo a gente pode trazer muitas outras coisas. a gente pode trazer um passo de hip hop, uma textura do hip hop, uma textura do balé, um salto do balé, mas daí um corpo do jazz e tudo isso acaba sendo pesquisado e se membrando para formar o contemporâneo. Então acho que o contemporâneo ele é muito procurado em específico por ser algo mais livre, algo menos quadrado. Para Sofia, o mercado de dança tem seus desafios. É um processo, é muito difícil viver da partir do momento que você escolhe isso, você tem que entender que você vai passar por vários processos. Eh, infelizmente aqui no Brasil a dança é a arte mais desvalorizada e só que é uma arte que ela é desvalorizada na base do profissional do bailarino, porque se você pensar, muita gente, muitas mesmo, assim, mais de 50% da população, eles vão atrás de gastar o tempo livre deles na dança, porque a dança vem como um hobby muito gostoso, porque ela traz muitas muitos, muitos benefícios, não só essa questão de manter o corpo ativo, né? Porque atualmente existe muitos estudos da dança preventiva. Então, como você utilizar a dança para você manter o seu corpo ativo de uma forma segura, além de trazer esse convívio. Então, você tá numa sala, você fazer aquelas amizades e você acabar fazendo tudo com aquele grupo é um senso de coletividade, é um, é um espaço gostoso que você vê assim as os alunos mesmos, os meus alunos, você vê eles indo para fora da sala, não só aquele convívio dentro de sala. Então, a dança traz muito para todo mundo, mas ainda assim é um processo muito difícil que todo mundo tem que entender isso. Inclusive, tá tendo um debate sobre isso, sobre eh uma lei para regularizar realmente a dança, né, os profissionais de dança. Eh, a gente tem um registro de trabalho que é o DRT. E dentro da RT várias categorias, seja coreógrafo, bailarino, ensaiador, assistente de diretor. Diretor tem uma específica de balé que chama eh Maitre de balé, que é quando você alcança, né, aquela posição de professor de balé, realmente reconhecido pelas escolas de balé que existem no mundo. É, então assim, você tendo isso, prova com prova, porque pr você ter isso, você precisa ter passado por uma prova, você precisa ter passado por anos de experiência, eh, comprova que você está apto para fazer aquilo. Então, muito, mas o legal da dança é que mesmo enquanto você ainda está se profissionalizando, é você testar tudo isso. Então você é colocado nesse nesse lugar de coreografar, de pensar em como poderia ser um espetáculo, de criar uma ideia para uma coreografia, de ensinar um passo diferente. Então tudo isso tá envolvido. A música é uma das principais parceiras da dança e como diz o provérbio, quem não dança segura a criança. O legal de quando você dança é que você coloca todo o seu sentimento lá. Então, se você tá com raiva, você consegue expressar isso. Se você tá feliz, você consegue expressar isso. Se você tá apaixonado, você consegue expressar isso. E a música acaba sendo um estímulo muito importante, além de que ter essa noção musical enquanto profissional da dança é essencial para você sempre que for apresentar um espetáculo, tá certinho na música junto com os outros bailarinos ou quando você for ensinar você saber como passar exatamente o passo ou a coreografia em cima daquela música pros seus alunos. E para que você esteja ali de acordo com a coreografia, é importante você ter algumas técnicas, algumas teorias. Então, agora a gente vai entender como é o curso para se tornar um profissional de dança como a [Música] Sofia. Ao meu lado está aqui a coordenadora e professora do curso de dança, Sara Dias. Sara, quando a gente vê o pessoal dançando, a gente pensa assim: "Bom, a aula de dança é só dançar e tá tudo bem ou não?" Tem a parte técnica? Tem muita parte técnica. Eh, e tem também o nosso curso é ele é prático, ele é essencialmente prático, mas ele tem aulas teóricas, inclusive. Então, para citar, né, a nossa carga horária hoje, ela é composta da técnica de dança contemporânea, de danças urbanas, do balé clássico, jazz, sapateado, danças folclóricas, mas a gente também tem a aula de história da dança, anatomia, sinesiologia do movimento, eh introdução musical para bailarinos, gestão e produção cultural, né, para que eles aprendam a realizar e produzir os seus próprios espetáculos. Então, eh, a gente tenta abranger o máximo de competências e habilidades que esse bailarino, mas que também vai poder ser professor ou produtor possa desenvolver. Pensando no curso no pré-técnico, qual é o tempo de de duração? Quanto tempo o aluno precisa se dedicar para que ele consiga eh completar o curso? Esse o pré-técnico é um curso de um ano, né? Normalmente a pessoa faz e a matrícula para cursar durante aquele ano com o objetivo de fazer a seletiva lá no final do ano e ingressar no curso técnico no ano seguinte. Eh, ele é composto por duas disciplinas, que é o balé clássico e o jazz. E a gente espera que ele durante esse curso ele tenha eh exercite as habilidades eh necessárias para passar na seletiva. A gente só não garante isso. Então a gente deixa bem claro que vai depender muito também eh dessa habilidade que ele já traz com ele. A gente deixa bem claro que a gente, tanto no nosso pré-técnico quanto no nosso técnico, a gente não vai ensinar a dançar. Não dá para chegar aqui sem nenhuma técnica e a gente vai começar do zero. Não, porque é um tempo muito curto para que a pessoa tivesse toda essas, né, adquirisse toda essa habilidade. Então, a pessoa vem e a gente e avalia por meio de seletivas, de avaliações, o que que ele tá precisando para eh passar nessa seletiva no final do ano, por exemplo, e depois ingressar no técnico e conseguir completar os dois anos eh eh de uma maneira satisfatória, né? Porque se ele entrasse, né, no caso, se fosse uma pessoa sem nenhuma experiência que chegasse aqui, a gente não garantiria que em dois anos ele saísse com a técnica necessária pro mercado de trabalho. Quando a gente pensa em cursos, né, de um modo geral, a gente pensa muito na graduação, né? a gente imagina ali como são os cursos dentro de uma universidade, tratando-se de um curso de dança, você mesmo comentou que tem a parte teórica, né? Eh, é interessante então que esse aluno que pensa em se tornar um profissional, ele tenha passado por alguma outra modalidade, talvez um formato livre de um curso livre, mas já para ter alguma téc alguma familiaridade com a dança. Exatamente. Ele pode procurar isso, né, em qualquer na idade que ele está se interessando pelo nosso técnico. Mas o que acontece com mais frequência é uma pessoa como o caso da Fara, a da Sofia, que que já está na dança já faz bastante tempo e descobre que ele quer seguir isso ela, né, quer seguir isso como profissão. Então é um caso maior das pessoas que já estão há muito tempo fazendo aula e aí sim querem fidelizar isso, né, tornar isso como profissão e vir para o técnico. Mas senão a gente aconselha essa pessoa tá fazendo aula eh no paralelo também. é outra outra coisa que a gente incentiva, não só buscar o conhecimento aqui dentro do conservatório. Então, eu estou no pré-técnico ou estou cursando o curso técnico durante esse tempo, faça outras aulas, eh, continue a sua formação, porque é um período muito curto, né? Então, para que essa pessoa saia com com bom nível, para se tornar um profissional de dança é necessário então investir bastante tempo em danças diversas. Sim. Eh, isso aqui na tanto no Conservatório que oferece esse DRT, né, esse documento profissional, quanto na graduação, eh, a gente não se limita a uma disciplina só, uma modalidade só. Então, eh, o bailarino, esse candidato, ele precisa ser plural, né? Eh, é uma uma característica, inclusive, interessante dos nossos alunos que saem daqui, eh, como a Sofia, que eles têm a possibilidade de dar aulas de muitas disciplinas quando saem. É um profissional, um profissional que não é limitado a uma só. Então é mais eh mais proveitoso quando ele já chega com isso. Ah, eu gosto do balé, mas eu também gosto das danças urbanas, porque vai ser necessário isso, exercitar isso aqui ou quanto na graduação de dança também. A dança ela tem sido muito indicada inclusive para os mais velhos, né, até por conta dessa movimentação, né, e a própria alegria, né, que a dança traz até por conta da música. Mas existe uma questão que as pessoas comentam assim: "Para trabalhar com com dança tem uma idade limite." Você acredita que ainda o mercado pensa dessa forma? Então assim, ah, eu vou me formar em dança, eu vou durar ali tanto tempo no mercado, porque eu vou ser apenas uma professora e quando eu ficar mais velha eu não terei mais uma serventia pro mercado de trabalho. Você acredita que ainda existe esse pensamento? Ai, como que eu vou te explicar? Eu eu acredito que é possível dar aula, né, a vida toda. Temos o caso, por exemplo, do professor, né, o Rubén Terra Nova, que estava aqui. Ele tinha 70 anos, mais de 70 anos ainda dando aula, né? Nós temos professores com mais de 50 aqui no curso. Eh, é possível, mas o nosso corpo é perecível. Então, se for uma pessoa que se dedicou muito tempo numa técnica, de repente, de alta performance, uma técnica rígida, pode ser que o corpo, eh, comece a oferecer, aparecer, né, lesões, mais dores. Então, tem essa questão pessoal de por quanto tempo esse profissional vai conseguir dar tantas aulas, eh, para poder se sustentar fazendo isso. Mas tem um outro caminho também que é desse profissional que não é mais bailarino, né, ou bailarino da companhia, que ele começa a se transitar entre outras outras áreas da dança que vai ser que pode ser o coreógrafo, o diretor ou o que está ficando muito forte no mercado hoje, que é o produtor cultural. Então, a pessoa que vai escrever um projeto para poder eh criar eh apresentações, mas ele já tá ali naquela função mais administrativa ou ele vai dar aula em graduação, né, na na universidade. Então tem um caminho sim que é de tentar conciliar a dança com com outras funções, mas é possível. Se o se o professor falar, não é disso que eu quero viver também é possível. Uhum. E qual é a dica para quem se interessa em ser um profissional de dança? A parte boa é, eu eu sempre acredito isso, que eh a gente escolhe a dança, mas ela também nos escolhe, né? Ela é uma coisa que mexe muito com eh com uma escolha de bem-estar. Então, é experimentar, de repente, ver qual é a música que te toca, qual é o estilo que que você agrada e experimentar. Inclusive, tem várias escolas que oferecem isso, né? Venha fazer uma aula experimental para você ir lá. Tem eh tem um calendário da dança que eles são nas férias, né? Janeiro, às vezes dezembro, dezembro não, porque é época dos festivais, mas julho, onde as escolas se abrem para ter curso de férias e que você possa experimentar. Eu sugiro isso, que a pessoa experimente, veja aquilo que que mais se interessa e invista em vista tempo, dinheiro, disposição, né? Mas porque vale a pena, assim, eu é uma escolha que eu fiz para minha vida e que eu não me arrependo. Maravilha, Sara. Muito obrigada. Obrigada você que acompanhou o nosso Se liga na profissão. Então, dance. [Música]