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[Música] Olá, minha gente. Começamos com mais um Se Liga na profissão e um curso que envolve muito as ciências humanas, né? Na verdade, a profissão de hoje é cientista social. Ao meu lado está o professor André Caisel e ele vai falar pra gente, né, contar pra gente sobre esse curso. Professor, muito obrigada por me receber. Eu que agradeço, Carla, a você e a TV Câmara pela oportunidade. Bom, e acho que esse curso também é uma oportunidade para pensar assim no futuro das pessoas, né? Quem trabalha com isso pensa muito no cotidiano do próximo, né? conta pra gente um pouquinho desse curso. Cientistas sociais são profissionais voltados ao estudo, eh, a pesquisa e ao ensino, eh, além de, eh, consultorias técnicas, envolvendo as ciências que estudam a vida humana em sociedade. Esse curso, ele costuma ser um curso e de período integral, é um curso de Uno? Nós temos duas ofertas, integral e noturno. Integral tem aulas à tarde e de manhã, depende da disciplina. Bom, e o noturno, claro, à noite para os estudantes que trabalham. E isso eu gostaria de enfatçar. Acho muito importante a a Unicamp tenha quase 30 anos, cerca de 30 anos, desde meados dos anos 90, tem ofertado o curso eh nos dois períodos, antes era só o integral e já há cerca de 30 anos, desde a segunda metade eh dos anos 90 a gente oferece também no noturno. E isso é muito importante porque, eh, nós queríamos e queremos contemplar aquelas e aqueles estudantes que precisam trabalhar, que é uma missão da universidade pública também. acolher eh estudantes trabalhadores. Para ingressar neste curso, é importante que o estudante tenha um determinado perfil que fará total diferença nas práticas profissionais. Primeiro, dá para ver pelas disciplinas que eu mencionei que ele pode ser bem variado. O curso cobre uma ampla gama de interesses. Agora, de maneira geral, é um curso voltado para aqueles que têm interesse justamente em eh trabalhar com eh com as ciências humanas, né? Eh, obviamente é um curso de ciências humanas que contempla também, é bom dizer habilidades eh de outras áreas, habilidades matemáticas. Por exemplo, nós temos disciplinas de estatística muito requeridas tanto na sociologia como na ciência política, como na demografia em particular, né, que costumam inclusive assumir eh essas disciplinas aqui. H, mas obviamente estatística nesse caso voltada para o estudo da sociedade, né, como ferramenta de eh de pesquisa. Então, é um curso que requer, eu diria, uma disposição de olhar criticamente para o mundo em que vivemos e desnaturalizar, né, a vida em sociedade, as suas suas manifestações, com seus conflitos, suas hierarquias, né, ou pelo menos ter a disposição de, porque esse é um processo também que os alunos aprenderão aqui dentro nas disciplinas de sociologia, de política, de antropologia. eh de demografia, estudos populacionais que v que forem fazer. Além dessas, é bom dizer que nós temos disciplinas de história, temos disciplinas de economia e de filosofia, até porque o IFI oferece cursos de filosofia e história também, como outras graduações, os alunos podem tomar disciplinas aqui dentro, assim como disciplinas em outros institutos eh faculdades da Unicamp. Acrescente-se aí as disciplinas que a Faculdade de Educação oferece como parte da formação em licenciatura das futuras professoras, dos futuros professores, né? Então, tem uma ampla gama aí de interesses, mas eu diria que ao longo desse processo os alunos aprenderão a olhar criticamente o mundo que o cerca, as suas relações familiares, as as relações de gênero, as relações de classe, a desigualdade social, eh, enfim, as relações raciais, todos esses esse conjunto, perdão, de relações ou de estruturas que moldam a sociedade em que nós vivemos. Então eu diria que essas são algumas das habilidades e competências que a gente requer e algumas que também nós desenvolvemos aqui dentro. Maravilha, professora. Eu agradeço a sua participação e agora a gente vai conversar com a Nara para saber como é o dia a dia de um cientista social. Bom, então, como eu disse a vocês, a gente vai saber agora como funciona o dia a dia do profissional com uma profissional, uma cientista social, que é a Nara Sales, né? Conta pra gente, Nara, como é que funciona o dia a dia de um cientista social. Olha, eu diria que é um dia a dia bem dinâmico e também bem criativo. Eh, há várias atividades dentro das ciências sociais, mas essa de pesquisa do meu dia a dia, ele demanda você criar projetos de pesquisa, então você observar, olhar pro mundo e ver, olha que coisa curiosa, não tô entendendo exatamente isso aqui. Nossa, tá acontecendo um fenômeno novo, né? Como eu posso estudar? como eu posso entender às vezes o comportamento do eleitor ou então eh alguma prática cultural de alguma comunidade específica ou algum comportamento que vem mudando, né? Por exemplo, aqui no CESOP a gente tem um banco de dados que reúne pesquisas de opinião e de comportamento desde os anos 60 no Brasil inteiro. É o maior até da América Latina. E na própria forma com que as pesquisas eram feitas e as perguntas elas eram elaboradas, a gente vê que o mundo mudou muito. Então, perguntas que antes, qual o seu parceiro ideal, ele pode ter essa característica física, pode não ter, que são perguntas que hoje não existiriam mais. Então, parte da tarefa do cientista social é ao se deparar com esse tipo de coisa, pensar, né, mas o que que mudou? como eu posso fazer uma uma pesquisa para explicar, como eu posso entender essa mudança, quais fatores estão relacionados, quais são as consequências dessa mudança, né? Então, o dia a dia passa por pensar essas pesquisas, conceber essas pesquisas, redigir esses projetos de pesquisa, buscar recursos para fazer essa pesquisa, então dentro da própria universidade, às vezes em algum outro, alguma outra agência, como a FAPESP, por exemplo, eh fundações de terceiro setor também costumam oferecer recursos para essas atividades e depois desenvolver essa pesquisa, né? E aí é um desafio também porque envolve montar uma equipe, coordenar as atividades dessa equipe, acompanhar e depois eh não só analisar os dados, coletar os dados, fazer a pesquisa, mas tornar essa pesquisa eh algo comunicável, não só dentro da universidade para outros pesquisadores, mas também pro público em geral, para toda a sociedade, né? então produzir materiais, livros, trabalhos, conteúdos de redes sociais, vídeos sobre as pesquisas realizadas e divulgar, né, para compartilhar aí esses resultados. Ou seja, tem toda essa parte teórica para então colocar a mão na massa e fazer o trabalho acontecer. Exatamente. É um trabalho que ele é todo fundamentado, né? Então, o perfil do cientista social para esse tipo de atividade, ele precisa tanto eh ter, né, essa dominar essa parte teórica, conhecer os estudos, eh estudar, né, para conseguir elaborar as pesquisas, como também, por exemplo, saber métodos, técnicas específicas para como você vai desenvolver as pesquisas, porque umas vão exigir que você faça às vezes entrevista em profundidade. grupos focais, outras já vão exigir que você faça uma análise quantitativa de dados, às vezes questões mais que que usam mais estatística, né, ou mais automatização. Então, eh, dominar todas essas técnicas também é uma tarefa, né, de pesquisa nas ciências sociais. O cientista social tem um amplo mercado de trabalho que vai muito além de dar aulas. Olha, eu acho que as ciências sociais ela é tem um campo muito amplo, só que a gente demora um pouco para entender, assim, eu mesma, eu acho que eu fui entender melhor esse campo, nossa, eu já tinha terminado o meu doutorado, porque até lá o que que eu imaginava? cientista social, vou ser professor universitário ou vou dar sociologia, né, no ensino fundamental ali nos anos finais ou no ensino médio. Então, para mim só tinha esses dois campos de atuação. E depois eu vi que não é verdade, né? Eh, esse próprio cargo de pesquisa dentro da Unicamp é diferente do cargo de docência, né, de dar aulas, mas é, mas também há muitos cargos eh semelhantes que envolvem pesquisa no setor privado. Então você pode trabalhar em outros institutos de pesquisa, desde institutos de pesquisa, quando a gente pensa nessa questão mais eleitoral, também é possível, né? Esses institutos que fazem eh pesquisa de avaliação de governo, de intenção de voto, podem trabalhar em outros setores, outros institutos como IVGE, como IPEIA, também pegam bastante esse perfil ou então em empresas mesmo, né, onde você precisa ali desenvolver estudos, relatórios, entender algum tipo de público, né, ou então propor eh algum tipo de política também. uma um outro campo, né, essa parte de assessoria, né, de legisladores, assessoria de representantes públicos também é uma possibilidade, né? Então eu acho que o campo das ciências sociais ele é um campo muito amplo e quem se interessar já ir sabendo que não é só dar aulas na universidade ou na escola, né, que tem muita coisa que pode ser feita com tudo que a gente leva aí do curso e da graduação de ciências sociais. O cientista social, ele tem uma participação, digamos que próxima em relação às políticas públicas de uma cidade, por exemplo. Tem, porque muitas dessas eh pesquisas que podem ser feitas, elas podem aprimorar essas políticas públicas, elas podem eh dar ideias de novas políticas públicas, sugerir outras políticas públicas, tem um campo, né, de trabalho e de estudos que é de avaliação de políticas. Então, para ver se políticas que são implementadas pelos governos de forma geral, se elas são tão sendo legais, se elas estão sendo efetivas, se elas estão conseguindo, né, os objetivos para os quais elas foram lançadas. E além disso, dentro dessas outras áreas, se você é um cientista social que trabalha, por exemplo, numa agência relacionada a meio ambiente, né, você pode desenvolver pesquisas e fazer uma atividade que hoje é muito comum, que a gente chama de advocacy, né, essas essas essas fundações, terceiro setor costumam fazer muito isso, que é de tentar, né, emplacar ali projetos, tornar ali projetos, políticas públicas eh efetivas. Como que você considera o mercado de trabalho atualmente? Você acha que é um mercado promissor? Tem tido bastante oferta? Olha, eu acho que sim, mas eu acho que ainda é o mercado que tá mais restrito às grandes cidades, assim. Então eu acho que para você ter um tipo de experiência diferente da docência, seja eh no ensino fundamental ou médio ou nas universidades, né, com algum cargo de pesquisa em algum instituto ou fundação, hoje eles são mais em cidades maiores. Então eu acho que nessas grandes cidades, cidades médias e grandes, tem sim é bastante oportunidade, mas quando a gente pensa, né, nas cidades e um pouco menores, eu acho que é um mercado mais restrito e hoje mais vinculado mesmo ao serviço público lá do município. E pensando assim no seu dia a dia, eh, costuma ser uma carga horária, o comum que a gente conhece, né? Entre 8 horas da manhã, 5 horas da tarde. É um trabalho em que você fica mais interna, né, num escritório, numa em uma sala, você tem muito trabalho externo. Como que é essa realidade? Então, também é é bem dinâmico, né, esse cargo de pesquisa dentro da Unicamp. Acho que é a única universidade ainda no Brasil que tem essa que já tem essa carreira separada, né, da de docência, ela é entendida como uma atividade fim da universidade, ou seja, ela não é contabilizada em número de horas que eu estou aqui, né, na sala, mas sim no na quantidade, na qualidade dos estudos que eu tenho feito, das pesquisas que eu aprovei, que t sido aprovadas, que tm sido realizadas, né? Então esse é como a carreira ela é contabilizada, o dia a dia, vamos dizer assim. Então, não tem um horário eh fixo. Eu eu tenho para me organizar, mas é uma questão mais pessoal assim, né, de que você eh está que eu estou presencialmente aqui, né? Mas a minha rotina basicamente é estar aqui diariamente, mas sempre tem, né, essas leituras que a gente faz no final de semana, né, coisas que a gente escreve no final de semana. E basicamente é uma rotina que envolve muita leitura eh de artigos, de estudos, muita escrita de projeto de pesquisa também, né, de artigos para publicar com resultados de pesquisas que a gente vem feito. Eu atuo também muito na área da extensão, né? Então, eh, de fazer projetos que levem esses achados das pesquisas que a gente realiza aqui para fora, né, da universidade. Tem algum diferencial? no seu trabalho, na sua profissão, que você gostaria de compartilhar? Olha, eu acho que o que mais me chama atenção, que mais me atrai nessa atividade, é porque eu acho que ela tem muito espaço para quem é muito curioso, assim como e tem é muitas perguntas sobre o mundo, sobre as coisas. Então tem muito espaço para você desenvolver estudos que eh expliquem coisas que você quer mesmo saber, né? Porque às vezes você tá numa atividade que você não tem tanta liberdade, tanta autonomia assim, né? Você precisa mais executar coisas que são pedidas a você, né? E essa atividade não é isso, né? Essa atividade é de criar novos estudos, criar novos campos, realizar pesquisa. Então, para quem tem um espírito, né, criativo ou eh quem gosta, quem trabalha bem, né, com uma coisa mais autônoma, com mais liberdade, eu acho que é uma ótima escolha, um ótimo campo. Maravilha, Nara. Muito obrigada. Bom, eu conversei com o professor André Caisel e também com a profissional Nara Sales. Falamos sobre a a profissão cientista social. Até o próximo programa. C [Música]