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Se Liga na Profissão | A rotina de um maestro e os bastidores da regência orquestral
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Se Liga na Profissão | A rotina de um maestro e os bastidores da regência orquestral

145 views Publicado 29/05/2025 HD · 18:20

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Você já se perguntou como é a rotina de um maestro? No Se Liga na Profissão de hoje, mergulhamos no universo da música erudita e da regência orquestral para entender como funciona o dia a dia de quem está à frente de uma orquestra. Nesta edição especial, recebemos dois convidados que vivem a música com paixão e excelência: o maestro Carlos Prazeres, regente titular da Orquestra Sinfônica de Campinas, e o professor Carlos Fiorini, especialista na formação de novos regentes. A regência é muito mais do que apenas mover a batuta. É preciso sensibilidade, liderança, conhecimento técnico e, principalmente, conexão profunda com a música e com os músicos. Neste episódio, nossos entrevistados revelam os bastidores da profissão, os desafios de interpretar obras complexas e conduzir dezenas de instrumentistas em perfeita harmonia. Carlos Prazeres compartilha como é estar à frente de uma das orquestras mais importantes do Brasil, desde os ensaios intensivos até os grandes concertos. Ele também fala sobre a preparação psicológica e emocional que a regência exige, além do compromisso constante com o estudo e a inovação artística. Já Carlos Fiorini aborda a importância da formação acadêmica, dos primeiros passos no mundo da regência e das oportunidades para quem deseja seguir essa carreira. Ele destaca o papel da escuta ativa, do respeito à partitura e da construção de autoridade sem autoritarismo — habilidades fundamentais para quem deseja liderar uma orquestra. Este episódio é um convite para conhecer os bastidores da música de concerto, entender a complexidade da profissão de maestro e se inspirar com histórias de dedicação, arte e superação. Se você é apaixonado por música, tem curiosidade sobre profissões pouco conhecidas ou busca se aprofundar no mundo da cultura, este conteúdo é pra você. Assista até o fim para descobrir: 🎼 Quais são as etapas de preparação para um concerto? 🎼 Como é o processo de escolha do repertório? 🎼 O que um maestro realmente faz durante um ensaio? 🎼 Quais são os caminhos para quem quer estudar regência? 🎼 Como se tornar um bom líder dentro de uma orquestra? Deixe seu comentário contando o que mais te surpreendeu sobre essa profissão, curta o vídeo e compartilhe com quem ama música!

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[Música] [Aplausos] [Música] Olá, minha gente. Se liga na profissão no ar. E olha, para desempenhar muito bem essa profissão, não é apenas fazer assim. É preciso ter bastante harmonia e ritmo, não é mesmo, maestro Carlos Prazeres. É preciso. Acho que harmonia e ritmo são as bases fundamentais de todo o processo, mas é preciso ter muita coisa também. Eu gostaria que o senhor contasse pra gente quais são as principais atividades do maestro, além de reger toda uma equipe. Olha, são algumas funções pré-definidas que o maestro tem, muito embora a profissão de maestro seja algo muito complexo, uma coisa muito mais latocenso do que as pessoas pensam. Mas vamos lá, vou tentar começar do início. O maestro ele dá o ritmo, ou seja, ele dá o andamento das peças. ao mesmo tempo, eh, ele também dá interpretação. Então, todo esse gestual dele vai fazer uma diferença muito grande. Não é à toa que as pessoas têm cinco, seis gravações de uma mesma música clássica, porque a quinta sinfonia de Beethoven com o Cláudio Abado, com o maestro Cláudio Abado, é completamente diferente da quinta sinfonia de Bethoven com Herbert von Caran, por exemplo. Então, eh, apesar de ser a mesma música, como o material da música clássica ele é muito fluido, então o maestro ele trabalha com esse gestual que tem um uma simbologia, mas ao mesmo tempo também tem um poder interpretativo. Se o maestro faz assim, o músico vai tocar energicamente. Se o maestro faz assim, o músico vai tocar de uma maneira muito mais suave. Então, mesmo que seja o mesmo andamento, o mesmo trecho, dois maestros podem fazer completamente diferente o mesmo trecho. Então isso é uma das coisas, né? você eh você pensar que a gente conduz o ritmo e a gente conduz também a interpretação do que tá sendo tocado. Agora, é claro, cabe ao maestro também organizar um ensaio, cabe ao maestro fazer a programação artística da orquestra sinfônica durante o ano. Cabe ao maestro ser um gestor de almas. Eu acho que cada vez mais a psicologia ela acaba também vindo ao encontro da profissão da regência. Eu acho que todo maestro que não é bom psicólogo, em algum momento ele acaba sucumbindo a sua função. A gente pode considerar que o maestro ali diante dos músicos, ele é o gestor da equipe? Eu acho que sim. A gente pode considerar que o maestro musicalmente ele é o gestor da equipe. Dentro de uma orquestra sinfônica, a gente tem outras funções, como por exemplo, o diretor administrativo e ele vai gerir a parte prática da coisa, que aí não cabe ao maestro, mas toda a parte musical vai ser gerida pelo maestro. E aí, uma curiosidade que o público tem, o maestro, ele precisa gostar ou entender somente de música clássica ou ele está aberto a todos os ritmos? Eu pensei que você ia me perguntar se maestro precisa tocar todos os instrumentos, que é uma das perguntas mais comuns e eu já adianto que não, tá? Não existe maestro que toca todos os instrumentos, mas eh eu acho que isso vai muito de maestro para maestro. Tem maestros que eu conheço que não gostam de qualquer interação com a música popular. Eu adoro, muito embora eu tenha para mim que uma orquestra sinfônica tradicional, como por exemplo é Orquestra Sinfônica de Campinas, tem que ter um limite para essas interações, que seja de, por exemplo, quatro a seis concertos por ano, quando a orquestra tem uma média de 50 por ano. Então ele, a a interação com a música popular, ela não pode descaracterizar o trabalho de uma orquestra sinfônica tradicional, porque afinal a gente está ali meio que unicamente no processo da da de levar a música clássica, né? Nós somos solitários nesse processo. Se a gente ainda vai substituir toda a música clássica por música popular, as as pessoas não vão ter aonde assistir uma sinfonia de Browns, assistir uma sinfonia de VJC, ouvir uma cantata de bar. Então acho que a orquestra executa com muita propriedade o repertório da música clássica. Você vai, mas ter interações com a música popular vai fazer com que ela consiga atrair uma maior quantidade de público. Isso é fundamental, porque uma orquestra ela tem uma potencialidade imensa e e e interagir com o POP é uma das suas eh características. Ela pode fazer isso e ela faz muito bem. E quando a gente fala do trabalho do maestro, muitas pessoas pensam da seguinte forma: "Poxa, mas o maestro ele só vai trabalhar diante de uma orquestra sinfônica ou tem a oportunidade de trabalhar em outras áreas com bandas, por exemplo. Como é que fica essa função do maestro? Não, de forma alguma maestro fica restrito a uma orquestra sinfônica. Eh, ele pode fazer orquestra sinfônica, ele pode ser um maestro de corais. Meu pai, por exemplo, era um maestro de corais. Ele só foi ser maestro de oresta sinfônica quase no final da vida dele, porque eh ele sempre trabalhou com corais. Ele pode ser um maestro de banda, que é uma coisa absolutamente diferente da orquestra sinfônica. Na banda não tem cordas. Ele pode ser, por exemplo, um maestro de escola de samba, sabe? Na bateria da escola de samba, a gente também tem ali o o mestre de bateria, ele é um maestro, sabe? E eu acho que o maestro ele tem uma uma gama imensa de possibilidades. Ele, por exemplo, pode ser um maestro que entenda disso, mas não atue e atue mais na área da composição. Eh, eu conheço vários maestros que não atuam regendo, mas são bons, excelentes compositores. Então, ele pode ser um maestro eh dentro de uma academia também, ele pode ser um maestro na universidade, ele pode ser maestro num conservatório para dar aula. Eu conheci também ao longo da minha vida muitos maestros que tinham eh pouca vontade de estar à frente da orquestra e mas entendiam muito bem do Mier e estavam sempre à frente da da de classes nas universidades e conservatórias. Está ótimo, maestro. Agradeço sua participação e agora a gente vai correr atrás e entender a outra parte musical da profissão maestra. [Música] Bom, como eu expliquei para vocês, agora a gente vai entender como é que faz para se tornar um maestro. Ao meu lado está o professor Carlos Fiorini, que é regente, aliás, já começa com essa dúvida, né? Professor, qual é o correto? Regente ou maestro? É a mesma profissão, a mesma função? Como que a gente pode definir? Regente maestro é exatamente a mesma profissão, só que a abordagem é diferente. Regente de fato é o é o nome da atividade, do que pratica atividade, como um médico, por exemplo. E maestro seria o tratamento, assim como nós nos dirigimos ao médico como um doutor. Então, doutor, fulano de tal, maestro, tal. A a profissão que eles exercem são a de médico e a de regente. Ah, legal. Muito bem. E aí a gente precisa entender, né, porque quando a gente fala eh dessa profissão, né, do regente, é importante ou é obrigatório que ele seja formado em música? Ah, a profissão do regente, ela engloba muitas atividades ao mesmo tempo e uma e uma ampla gama de conhecimentos. Eh, tem que eh é necessário conhecer profundamente eh os vários aspectos da música. como a harmonia, o contraponto, a forma, eh, os instrumentos como um todo tem uma excelente percepção auditiva. Não é necessariamente, não é obrigatório se ter um diploma eh universitário para exercer a profissão, tá? Assim como um engenheiro, um médico, tá? Muitas vezes não se pede esse diploma. No entanto, em uma universidade, em um curso superior, eh, é oferecido ao aluno, ao estudante, toda essa gama de disciplinas para uma formação completa de um futuro regente, né, além da prática de contato com os vários professores. Então, é sempre muito aconselhável ter de fato eh esse ensino superior para abarcar todo esse conhecimento. Interessante a gente falar também, porque assim, quando a gente fala de profissões mais comuns, como o de médico, por exemplo, sempre tem uma especialidade, né, que vem depois uma pós, especialidades, enfim, isso acontece também com o regente, por exemplo, ele fez ali a faculdade de música, ou talvez ele não fez uma universidade, mas fez bastante curso que o tornou regente. é ideal que ele tenha especialização, ou seja, é importante continuar estudando porque a música ela também vai se modernizando, né? Sim. Eh, aqui na Unicamp, por exemplo, nós temos a a graduação em regência e e ela abarca duas linhas principais, que é a regência coral, ou seja, na na qual o regente vai trabalhar com coros, né, com vozes e a regência orquestral voltada para a música sinfônica, música de câmera, mas a música instrumental. Existe outras especializações, como por exemplo, a a regência de banda. ou a regência para coros infantis. Então, de fato, existe diferentes campos, tá? E aqui na Unicamp nós preparamos para essas esses dois dois ramos, paraa regência orquestral e a regência coral. Agora, dentro de cada uma delas também existe especializações. O repertório é muito amplo, tanto para a música coral quanto para a música orquestral. Então, nós poderemos ter regentes que se especializam mais na música do século XVI, X, assim como outros trabalham mais uma orquestra voltada para a música do período barroco ou um repertório contemporâneo. E na música coral, da mesma forma, um couro grande que é capaz de fazer música do século XIX, século XX, ou coros de câmera, coros reduzidos com outra técnica vocal que se especializam mais na música do período renascentista, por exemplo, que é um período que nós temos uma vasta um vasto repertório, um número muito grande de composições voltado para a música vocal. Legal. Nós acabamos de acompanhar aqui uma parte de um ensaio, né, que o senhor teve aqui com os alunos. É importante que esse aluno, que esse futuro regente dedique um certo tempo do seu dia para se tornar regente, como se fosse, por exemplo, um estágio para ele. Sim. A a dedicação do do regente, ela deve ser diária, né? Eh, você acompanha aqui o final do do ensaio. Nós nós estávamos fazendo um trecho do concerto para violino e violoncelo de Johannes Bramas. A primeira parte do ensaio de hoje, nós fizemos a o ensaio para a sinfonia número três também de Johannes Brams. Então, desse período que foi de 3 horas de ensaio com intervalo de de 20 minutos, há uma movimentação constante, uma gesticulação e tudo isso muito voltado para a expressão musical. o regente faz uma comunicação para a orquestra, uma expressão para que ele faça essa transmissão não verbal, né? Então é necessário que essa movimentação seja controlada. Para tanto, o regente, ele precisa fazer por um longo tempo uma ginástica e manter essa ginástica, porque é um tipo de movimento que nós não fazemos no nosso dia a dia. Então, o aluno que começa a fazer esse gestual, ele necessariamente precisa ter o preparo físico para isso, né? Então, nós temos através desse preparo físico e e do suporte muscular é que nós podemos em cima colocar os movimentos de expressão, mas primeiro a musculatura tem que estar dominada. Além de tudo, tem uma outra uma outra questão que é diferente de todos os outros instrumentos. Quando se estuda um instrumento, toca-se e o som sai no violino, na flauta, no piano, no violão, tá? No caso do regente, né, o o maestro não tem esse instrumento. Então ele tem que ter o que nós chamamos de uma percepção auditiva. Ele tem que olhar a partitura, identificar os sons, mas ouvir aquilo que ele está lendo, né? Então essa é uma outra prática diária que é a habilidade de olhar a partitura e saber tudo que está suando. É importante que o regente saiba tocar porque uma orquestra tem diversos instrumentos, né? Então ele precisa conhecer o som de cada instrumento. É importante que ele saiba também tocar esses instrumentos? Sim, é importante. Não é necessário que ele toque o instrumento, cada um dos instrumentos, mas é importante que ele saiba como tocar. Porque quando nós falamos, por exemplo, para um couro, a música coral, trata-se de um instrumento que é a voz. Na orquestra há uma diversidade de instrumentos. Então, a forma com que o violino produz o som não é a mesma forma com que uma flauta produz o som ou o tímpano produz produz esse som. Então, o o regente, ele tem que ter uma uma ideia muito clara de como esse som é produzido e falar para o músico da orquestra na linguagem do seu instrumento para pedir exatamente o que ele quer de cada um para que no final a música saia de acordo com a sua ideia musical. com o estilo, com a época e com a estética que a música pede. Professor, para finalizar aqui as nossas informações, né, para os futuros regentes, quanto tempo leva pra pessoa se tornar um regente ou quem sabe fazer a faculdade de música? Quanto tempo leva esse curso? O o curso de graduação em regência, que engloba, como eu mencionei, tanto a regência coral quanto orquestral, tem a duração mínima de 5 anos. No entanto, se nós pensarmos do ponto de vista prático, um estudante que entra com 18 anos e vai cursar uma graduação até seus 22, 23 anos e achar que aos 23 anos ele já é um regente de orquestra, isso é irreal, né? Por quê? que também vai demandar uma experiência profissional muito grande. Aqui na Unicamp nós temos o privilégio de ter a Orquestra Sinfônica da Unicamp e a orquestra do departamento de música, nas quais o regente pode ao longo do curso ir praticando, tá? Mas isso demanda muita experiência e muita maturidade para comandar um grupo grande. Seria a mesma coisa que um aluno de administração sair do curso de graduação e achar que já vai ser o diretor de uma empresa, tá? Então, tem todos esses passos que que o estudante ou o aluno formado numa graduação em regência tem que percorrer ainda na sua vida para aos poucos ir adquirindo essa habilidade e essa maturidade para comandar um grupo. Tá bom, professor? Eu agradeço sua participação e por compartilhar seu conhecimento com a gente. Eu que agradeço. É um prazer compartilhar e mostrar um pouquinho do que é a atividade do regente e do estudante do curso de regência. Maravilha. Esse foi mais um Se liga na profissão. Até o próximo. [Música]
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