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Olá, [Música] muito bom dia para você. Seja bem-vindo, seja bem-vinda. Estamos começando mais uma edição do nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Hoje é terça-feira, dia 7 de outubro e hoje nós vamos falar sobre um tema que faz parte da realidade de muitas famílias. Vamos falar sobre aquela família grande, né, a família extensa, também chamada de família estendida ou ampliada. Sabe quando o casal passa a dividir o mesmo teto com os pais, sogros, irmãos, avós, sobrinhos? Essa é a chamada família extensa, uma estrutura familiar que vai além do modelo tradicional, formado apenas por pais, mães e filhos. E aí, como vamos equilibrar o convívio sem perder a privacidade? Como manter o respeito e o amor sem deixar que as rotinas virem motivo de conflito? Hoje o nosso bate-papo é um convite à reflexão, como transformar o desafio de viver em família ampliada em uma oportunidade de crescimento e de união. Fica com a gente, participe. Nosso WhatsApp já está na sua tela. Nossa produção está aguardando a sua participação. Conta pra gente como é que é a sua convivência aí na sua casa. A sua família é estendida, né? E como que vocês convivem? Você já teve essa experiência? Deu certo? Não deu certo? Manda pra gente a sua mensagem. tem alguma dúvida, quer compartilhar conosco? Então manda aí o WhatsApp tá na tela 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente vai atualizando algumas informações, a previsão do tempo. Daqui a pouquinho nós vamos apresentar os nossos convidados que já estão conosco para falar sobre a família estendida. Muito bem, vamos às informações. A Comissão de Constituição e Legalidade da Câmara de Campinas realiza hoje, às 2 da tarde a 49ª audiência pública para debater o projeto de lei complementar 49 de 2025 de autoria do executivo, que trata da concessão do alvará de uso das edificações e do certificado de licenciamento integrado por meio do sistema Rede SIM do programa Via Rápida da Empresa da Jusesp. A proposta atualiza a legislação municipal sobre licenciamento, substituindo normas anteriores e integrando as exigências legais dos órgãos licenciadores, vigilância sanitária, corpo de bombeiros, CETESB, Secretaria de Agricultura e Prefeitura em um sistema único que vai certificar a autorização para funcionamento. De acordo com o texto, além de modernizar o marco regulatório, a iniciativa também busca desburocratizar e agilizar os processos de licenciamento, garantindo segurança jurídica tanto para os empreendedores quanto para o poder público no processo de autorização de funcionamento dos imóveis. A audiência será realizada no plenário da Câmara Câmara, transmissão ao vivo pela TV Câmara Campinas e pelo canal da emissora no YouTube. Você também pode participar presencialmente ou enviar manifestações pelo link disponível na página inicial do portal da Câmara de Campinas. Muito bem, vamos para mais uma informação. Agora falando sobre vacinação, a campanha nacional de mulvacinação já começou aqui na cidade de Campinas. teve início ontem e tem como objetivo atualizar a caderneta vacinal de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, ampliando a cobertura vacinal e, claro, prevenindo doenças que podem ser evitadas com a imunização. Nesta edição, a campanha também inclui a vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos dentro da ação de resgate iniciada em agosto, que busca alcançar aí cerca de 30.000 adolescentes que ainda não receberam o imunizante. As doses estão disponíveis em todos os centros de saúde de Campinas, com exceção das vacinas contra a dengue e tuberculose, tá? A, que são aplicadas exclusivamente em unidades básicas. Para se vacinar é preciso apresentar documentos com foto e, se possível, a cadeneta de vacinação, mas se não tiver também não tem problema, tá? Crianças e adolescentes devem estar acompanhadas de um responsável legal ou portar autorização. A população de 0 a 14 anos em Campinas é estimada a 190,8.000 pessoas e a meta é revisar a caderneta de cada uma delas, aplicando doses que estiverem faltando ou atrasadas. A campanha segue até o fim deste mês. Aproveite. Vamos lá atualizando a sua carteirinha de vacinação. Ah, não tem carteirinha, não tem problema. vai lá no posto de saúde, no centro de saúde e faz a sua imunização. Tá bom? Previsão do tempo para hoje. Todo mundo percebeu que o tempo tá meio nublado, tá ventando. É, gente, a frente fria chegando. Terça-feira hoje de sol com muitas nuvens, período de céu nublado, né? Hoje não tem eh possibilidade de chuva. Hoje, tá, mas amanhã o tempo já vira. E olha, hoje tá mais fresquinho. Mínima de 18, máxima de 27º. Essa é a previsão do tempo aqui para a nossa metrópole. Muito bem, vamos lá então ao nosso tema central. Vamos falar de família estendida. Em alguns casos, essa convivência acontece por necessidade, né, gente? seja financeira, de saúde, apoio emocional, em outros casos por escolha, uma forma de manter as gerações mais próximas, compartilhando cuidados, experiências e afeto. Então, a gente vai eh entender como funciona e como é viver em uma família estendida, né? O nosso bate-papo é sobre isso, os limites, as possibilidades e os aprendizados que surgem quando várias gerações vivem sob o mesmo teto. Para conversar com a gente sobre esse tema tão atual, delicado, eu recebo então os nossos convidados. Vamos dar as boas-vindas para a psicanalista Denise Santos, que fala com a gente pelo Zoom. Oi, Denise, muito bom dia. Seja bem-vinda ao estúdio Câmara. Bom dia. Eu agradeço a oportunidade de falar de um tema tão delicado, complexo e ao mesmo tempo bonito, né? Porque com o envelhecimento da população é natural que as pessoas precisam conviver também por mais tempo juntas. Então, agradeço. Um bom dia para quem nos assiste, um bom dia para vocês que estão aí no estúdio. Maravilhosa. E para completar o nosso time hoje aqui no estúdio comigo, o psicólogo Wilson Montevec. É, muito bom dia, seja bem-vindo. Gente, esses sobrenomes eu fico. É isso, não é isso? Bom dia, Wilson. obrigada pela sua participação. Eh, bom dia. Primeiro, né, agradeço imensamente aí o convite de estar, né, com vocês aqui. Eh, é uma reflexão profunda, né, falar de relacionamento humano e a gente tá aqui para contribuir naquilo que a gente puder oferecer. Muito bom, gente. Olha, você que tá aí do outro lado, seja muito bem-vindo. Mande pra gente a sua mensagem. Você já viu que o nosso programa de hoje tem a ver com você, não é? Então, vamos lá. Para começar, eu pergunto pro Wilson, que que é exatamente, Wilson? Uma família estendida, né? Uma família ampliada. E qual o papel cultural dessa família, especialmente aqui no Brasil? Que a gente aqui no Brasil é um pouco diferente, né? As nossas culturas e essa questão de juntar todo mundo em uma casa, família grande, vem lá de trás, é uma tradição que temos. qual que é o papel dessa família e o que significa assim viver dessa forma, né, em comunidade dentro de casa? Então, né, como você bem colocou, quando a gente fala de família, a gente precisa entender de que família nós estamos falando, porque existem vários modelos, existem várias perspectivas, uma delas é a família estendida. Uhum. Então, dentro desse cenário, a gente precisa entender, digamos, como é que essa construção se deu, né? Se são questões eh de que elas estão juntas, essas pessoas porque têm demandas em comum, tem necessidades em comum, tem afetos em comum. Então, quando a gente começa a entender um pouquinho melhor como é que essas eh formas vão se dando na prática, a gente vai entendendo de que maneira elas vão se estabelecendo na vivência concreta. Então, a gente tem uma tradição mais afetiva, né, por sermos latinos, estarmos juntos e como construir essas relações estando juntos de maneira saudável, de maneira onde a gente consiga, de uma certa forma estabelecer, né, ali algo no sentido mais saudável, que é o grande desafio, né, porque culturalmente a gente já tem essa perspectiva, mas criar eh modelos reais que possam colaborar para algo que seja funcional, esse é o grande desafio. Eh, deve ser um grande desafio mesmo, né? Você sabe que antes era eh eh há um tempo, um certo tempo atrás, eu não gosto de falar isso, ah, lá um tempo atrás, mas é isso mesmo, os tempos dos nossos avós, né? As famílias elas eram eh eh com bem maiores, né? E tinham tinha o costume de morar junto, né? Hoje já não é mais assim, mas ainda temos essa questão da família estendida. A gente precisa falar sobre isso, porque esse apoio é innegável, né? Mas a presença dessa família ampliada no dia a dia, de repente de um casal, eh convivendo com outras pessoas na mesma casa, pode trazer aí grandes desafios. E aí, eh, eu vou paraa Denise agora, né, para que você faça uma avaliação pra gente sobre essa questão da família estendida, mas quando a gente fala aqui de uma necessidade, de repente eh eh as duas pessoas se casam, mas aí elas se vem numa situação onde precisa agregar, né, com outras outros membros da família. E aí a gente fala que a convivência ela pode trazer alguns conflitos, né, que vão surgir nessa nova configuração familiar. Qual que é a avaliação que você traz pra gente, Denise? E quais os conflitos que podem surgir e por eles surgem? Uhum. Hoje a gente vê um a gente vê modelos de relacionamento que ao longo do tempo foram mudando também, né? Hoje a gente acompanha, por exemplo, pessoas que casam pela segunda vez, que aí trazem para essa nova relação o meu, o seu e os nossos. Isso também é um modelo de família estendida. Nós vemos e acompanhamos eh a faixa etária mais ou menos entre esse 40 e 50 anos, que hoje já se vê como cuidador de seus pais, então precisando incluir essa pessoa, essas pessoas numa nova configuração de família, num novo relacionamento. E a gente pode entender isso também como uma família estendida. Então, a gente vai acompanhando, porque nós somos um complexo e um emaranhado eh conjunto de algumas variáveis enquanto ser humano. Então, nós temos o aspecto biológico, a gente tem o aspecto psíquico, a gente tem o aspecto cultural e o social que vai permeando. Então, a gente também é fruto do meio, a gente é fruto de uma família, a gente é fruto desse conflito também. Então, é interessante notar que ao longo do tempo nós fomos acompanhando essas mudanças todas. E se a gente for olhar para trás, já que você fez essa abertura e e me dar essa licença poética, nós sempre tivemos conflitos em algumas em algum sentido, em alguma maneira. Talvez o que é diferente hoje é a possibilidade de encarar e de perceber ess eh essa conflitiva. Então, hoje a gente tem a possibilidade de falar mais sobre isso, de perceber quais são a as dificuldades deste convívio familiar. E por isso que temas como esses são tão importantes, porque as famílias individual de cada um vai atravessando esse dia a dia e muitas vezes pode ser de fato eh grandes empecílios neste convívio do dia a dia. Então, é interessante perceber que é um é um movimento social, cultural do nosso tempo, mas que que essa configuração também já existiu, como você bem contou, talvez nuns moldes diferente, mas sempre com essa possibilidade de incluir e de conseguir interagir com outro no movimento de não só de depender, ência, mas de interdependência, de relação e com possibilidade de troca. Então, quando a gente fala de o eu com o outro, é sempre numa possibilidade de troca, entendendo um limite e e podendo estabelecer então uma boa relação no sentido de eu não preciso dar tudo que tenho, mas a gente pode entrar num consenso, num acordo para conseguir conviver melhor, conseguir falar sobre o que te sente e aquilo que quer eventualmente. Exato, Denise. Muito boa explicação. Agora, o Wilson, eh, diante de tudo isso que a Denise falou, a gente eh é possível, né, nós eh oferecer para o outro que está chegando aquilo que está dentro do nosso limite e e tentar conviver em harmonia. Mas a entrada de um parente em casa, porque quando a gente fala de família estendida, são pessoas da nossa família que vem morar na nossa casa. Exemplo, parentes, né? tio, tia, sogro, sogra, sobrinho, de repente. Agora, a entrada de uma pessoa ou de mais pessoas, né, eh, na nossa família, ã, pode desestabilizar a hierarquia e a autonomia dessa família que abriu esse espaço, né? Como que a gente faz para entender isso e reafirmar o nosso espaço? sem parecer ingrato ou desrespeitoso com essa essa essa esse novo membro que está se integrando à nossa família. É dentro de uma realidade, né, que a gente vai precisar entender primeiro o contexto, né? Uhum. Por que que essa pessoa está ingressando ou retornando ou de uma certa maneira ela precisa estar, né, nesse contexto? Uma vez que você entende os motivos, a gente precisa entender que existe uma dinâmica, né? As calidades já estão acontecendo, elas já estão num fluxo, né, de relações e tudo mais. Então, na verdade, né, um dos pontos que a gente tem que tentar aqui, me parece, é que quando alguém chega, ele está, ele está de alguma maneira adentrando dentro de um espaço que já tem ali algumas definições, que já tem algumas regras, que já tem uma cultura, né, já tem ali uma forma de funcionar, né? Então, a primeira questão é que quando uma pessoa chega, ela tem que começar a entender onde ela está, né? começar a perceber ali a realidade e a partir daí construir um processo de adaptação, porque eh não tem nenhuma mágica em relação às relações humanas, é algo que a gente vai entendendo as possibilidades e a partir daí você vai construindo aquilo que é possível, né? E tem uma dinâmica, como você bem disse, tem ali uma hierarquia, tem uma maneira de olhar as coisas. Então assim, eh, a gente precisa ser muito cuidadoso dentro dessa adaptação, porque você tá entrando num espaço que já está ali consolidado, que já tem suas regras, que já tem seus limites. Então, isso vai precisar ser construído em conjunto. Ou seja, qual é a sua contribuição para esse conjunto aqui? Como é que você pode eh se estabelecer dentro daquilo que está colocado? E aí ele construindo aquilo que é viável, né, no sentido respeitoso do termo, no sentido, digamos assim, de construir a as possibilidades que tragam, né, para esse ambiente algo que acrescente no sentido de bem-estar, no sentido de, né, estarmos compartilhando ali em conjunto essas relações humanas. Muito bem, Wilson. Agora nós temos uma questão também que me chama atenção, que é a convivência entre gerações diferentes, né, que é um ponto de atrito frequente, porque gerações diferentes, pensamentos diferentes. Então, a gente precisa ter aí eh uma sabedoria para essa convivência. Aí tem a criação dos filhos, tem as finanças, os hábitos de casa, né? Tá vendo só como vai ampliando o negócio? Então, qual que é eh a chave, né, para que o respeito se prevaleça nessas diferenças e o choque das gerações eh nessa convivência? Vamos fazer um cenário, tá lá o casal mais um filho, né? Ah, pré-adolescente. Aí de repente precisa chegar um tio, mais uma criança e de repente mais uma pessoa que pode ser uma sogra ou um sogro. E aí, como é que a gente vai fazer, né? o choque de gerações ali, porque tem uma pessoa mais velha, né, uma pessoa intermediária ou uma criança e um pré-adolescente. Isso dá um um uma explosão aí de sentimentos, de emoções, de ações, não é? Sem dúvida, né? Por isso mesmo que eu estava há pouco trazendo a perspectiva da realidade, ou seja, eh, o que que nós temos, tá? Então, estão chegando pessoas de perspectivas diferentes, de gerações diferentes, de olhares diferentes. Como é que a gente traduz isso dentro de uma relação? Porque toda relação ela traz uma intenção, ela traz uma necessidade humana de de alguma maneira, né, construir significados. Então, ao estar diante, né, de pessoas que têm olhares diferentes, que têm idades diferentes, a gente vai precisar compreender esses valores, esses significados e construir algo que seja coerente no sentido de dizer: "Tá, você tem essa sua visão, você traz essa sua experiência, mas aqui nesse contexto, para que as coisas possam funcionar, a gente precisa estabelecer o que é comum, ou seja, aquilo que vai construir o respeito, porque é muito simples eu falar: "Ah, eu vim de uma outra geração Eu tenho outros pontos aqui e por isso vocês têm que eh entender só o meu lado e aceitar a minha perspectiva. Isso não faz sentido nenhum, até porque eh pessoas de gerações antigas ou mais novas, todas elas passam pelo crio de ter uma personalidade, de ter uma maneira de de conduzir as coisas. Então construir esses consensos, eu acho que é é o grande desafio, entendeu? Então, entender, olha, seus valores são esses, mas pro coletivo, para construir aqui uma relação minimamente respeitosa, o que que a gente vai ter que entender, abrir mão, construir juntos, ter um pouco de paciência? Ou seja, é a realidade é que vai dizer para nós quais são os desafios que a gente vai ter que enfrentar. Muito bem. A gente fala de família estendida, a gente pensa eh em criação de filhos, né? né? Muitos casais enfrentam aí interferência eh das pessoas que que vieram fazer parte do nosso dia a dia, da nossa convivência, né, Denise? Avós, tios ou outros parentes que aí acabou interferindo, né, nas decisões referente às crianças. E aí como é que a gente estabelece o limite de forma clara e carinhosa? Além disso, tem um desafio fundamental que é o espaço físico, a privacidade, porque morar junto significa a gente ceder, né? Agora, Denise, vamos lá, diante de tudo que nós falamos, até que ponto, quais os limites práticos precisam ser estabelecidos sobre intimidade? Quando a gente fala aí de uma família, vamos colocar um casal, né? Porque a gente desenhou aqui um casal onde as pessoas vão agregando a a aquele ambiente e se tornando uma família estendida. Então, eh, em relação à intimidade, ao uso comum da casa, eh, igual o Wilson trouxe, né, criação dos filhos, e a a questão financeira, gente, é muito amplo. É, e essa questão da família estendida. Então, Denise, eh, os limites e até que ponto, onde até que ponto eu posso ceder, né? Onde que eu preciso colocar uma bandeirinha vermelha, falar: "Opa, pare, a daqui paraa frente não pode passar", né? Como é que a gente deve agir diante dessa dessa nova realidade que muitas vezes as pessoas acabam tendo que enfrentar? Eu vou eu vou desmembrar sua pergunta porque ela é bastante ampla e eu vou é uma pergunta gigante e eu vou pegar o gancho do que o Wilson trouxe pensando no contexto. A possibilidade e a dificuldade desses novos combinados também vai ser influenciado diretamente pela qualidade desse vínculo anterior. Uhum. Uhum. Como era essa relação antes desse desse dessa nova configuração? Já era uma relação de de afeto, de vínculo, de troca, de comunicação, de entendimento de qual que é o meu limite? Então isso vai influenciar diretamente também nessa possibilidade. E aí eh é interessante pensar nesse contexto eh essa aproximação ou essa nova configuração se deu por uma necessidade que normalmente é assim que a gente também caminha. Então, a gente se junta, não necessariamente porque nós gostaríamos, porque queremos, mas sim porque precisamos. E esse é uma configuração. E a outra configuração é o que que é interessante também a gente considerar e e o que você também contou na sua pergunta, é quando a gente se junta para ter rede de apoio. Então, é uma outra configuração também. E aí a qualidade disso tudo, a vida que eu estabeleci de forma pregressa este convívio, claro que vai influenciar. Se eu tenho a liberdade, por exemplo, de estabelecer bons combinados, esse senso comum, essa esse coletivo muito bem pontuado por pelo Wilson, vai ser melhor arranjado. Agora, se eu tenho e já dificuldades antes dessa convivência, eu tenho um caminho maior a percorrer para que essa adaptação se dê, vão se dizer, com menos atritos e e menos mortos e feridos, né? Eh, então isso também é interessante considerar. E aí, eh, pensando também nesse microambiente da família estendida, é interessante porque a gente vê esse movimento de múltiplas gerações trabalhando juntas no trabalho. Então, vamos pensar que essa família estendida é um grande laboratório também da convivência social externa. nas empresas a gente vê hoje gerações eh de profissionais que estão entrando no mercado de trabalho hoje, convivendo com aquele profissional que já tá bem estabelecido, já tem 20 anos de profissão, por exemplo, convivendo também com os mais mais velhos, né, aqueles com mais experiência profissional. Então é interessante que se esse combinado eh essa configuração familiar se deu pela necessidade de um convívio eh próximo, isso se dá assistente também na via profissional, na via social e na cultura. Então, se eu tenho dificuldade para esse microambiente, vamos pensar nesse estágio, eu também possivelmente vou ter problemas e dificuldade para lidar com as diferenças do estendido que acontece no trabalho. Então, é muito interessante a gente pensar nisso também. Então, se a gente encarar essa família estendida como a como uma possibilidade de estagiar eh e de pensar nesses bons combinados, eu vou também me beneficiar eh no mercado de trabalho, por exemplo. E aí eh eu li uma frase hoje de manhã que eu achei linda e eu acho que a gente consegue pensar de uma forma simbólica também sobre esse aspecto que cuidar. Eh, uma frase de do Alexandre Coimbra Amaral na revista Vida Simples, que ele fala que cuidar é escutar pressa. Uhum. Então, a gente também precisa nesse movimento de estabelecer bons combinados em prol de um coletivo, de um comum, de um convívio comum, que a gente possa abrir uma via eh o combinado não sai caro também. uma via de comunicação em que eu possa sim eh estabelecer limites, deixar claro que naquela, naquele ambiente familiar já existe uma dinâmica estabelecida, que ao mesmo tempo ambos ou todos estão disponíveis, abertos e recetivos para que essa nova configura coração se estabeleça também. Então, que tipo de concessões cada um é capaz de fazer, o que cada um é capaz de estabelecer numa nova configuração, falando mesmo, escutando o outro, se colocando disponível para que, bons combinados se estabeleçam. Excelente. E aí, assim, a gente viu muito na pandemia isso, né? Sim. Ah, cada um também é influenciado no meio que vive. Uhum. Então, se eu tenho espaço para receber, espaço físico mesmo para receber e para eh abrigar confortavel, com privacidade, essa família estendida, eu tenho uma configuração. Agora, se eu tenho por necessidade, se eu precisar morar numa casa de dois quartos e e viver em 10, eu tenho uma outra realidade, uma outra necessidade e e muito provavelmente uma conflitiva maior. Então, a gente precisa entender também eh, e a gente vai se deparar com possibilidades e com uma intenção que não necessariamente pode ser atendida naquele momento. Muito bem. Agora, Wilson, eh, se a gente imagina uma família estendida, né, a gente pode imaginar conflitos. Quando o conflito se instala, a Denise bem pontuou, né? A comunicação é sempre a melhor saída. Mas como a gente vai ter uma conversa franca, né, sobre as insatisfações eh dentro de casa sem causar eh mais atrito, como que a gente deve se comunicar, qual que seria a forma correta, né, da comunicação ã de forma não agressiva, né? Porque geralmente quando o conflito se instala, eh, os ânimos eles estão todos, eh, exacerbados e aí precisamos nos comunicar. A gente sabe, é sempre a a melhor saída. Mas como ter essa conversa franca? Então, dentro do que eu percebo, né, dentro da minha ótica, a comunicação, ela é realmente, né, o grande ponto aí, né, pra gente poder refletir. Na prática, a grande maioria das pessoas, no meu olhar, elas não têm o hábito de ter uma troca, de ter uma conversa. Elas agem muito de maneira indireta. elas acabam apontando uma coisa, elas acabam falando de algo que não necessariamente tem a ver diretamente com alguma coisa e fica meio que colocando no ar situações para que o outro dê cfre, né? né? Para que o outro, ah, ele vai entender, ela vai entender. Então, me parece que essa comunicação, né, para mim é a chave, né, você precisa criar o hábito de de tempos em tempos sentar, conversar, entender o que tá acontecendo, verificar as dificuldades. Então, eh, me parece, né, que o conflito ele tem duas dimensões, né, uma dimensão negativa, né, que é o confronto onde as pessoas estão se acusando, brigando entre si. E tem uma outra perspectiva do conflito que é a que eu que eu gosto, que é explicitar as diferenças, explicitar as dificuldades e a partir delas começar a construir algo concreto. Ou seja, olha, você tá fazendo uma coisa aqui que tá incomodando o ambiente, como é que a gente pode resolver isso? Como é que a gente pode criar alternativas e aí ser realmente mais direto no que tá incomodando? Mas para isso precisa ter o hábito, para isso precisa ter a abertura. E a grande maioria das famílias, infelizmente, elas não foram, né, de uma certa maneira incentivadas a construir isso. Então, elas vão de maneira indireta, vão trazendo situações que ao invés de deixar claro o incômodo, ele agrava, né, ele amplia a dificuldade. Então, investir na comunicação, investir nesse hábito, né, de construir eh, digamos, um conflito que enfrente as dificuldades, me parece ser um caminho razoável, né, para lidar com essas adversidades. Son, na sua avaliação como psicólogo, né, por que que nós temos essa dificuldade da comunicação? Porque a gente falando de família estendida, você trouxe algo que é é bem legal a gente montar aqui uma cena, né? eh, e, e imaginar, a, a pessoa, ela não fala diretamente, ela de repente eh emite sinais, não é? e acha que o outro vai entender por isso acontece. O que que leva a gente a não ter a decisão e a assertividade de de repente expor o que nós estamos pensando, passando, entendendo, qual a nossa maneira de avaliação daquele momento, o que acontece, porque essa esse muro e eh eh de de comunicação entre as pessoas, a gente fala aqui da família estendida, mas isso serve pro nosso dia a dia também. Muitas vezes você se depara aí com uma situação eh no seu trabalho, em casa, eh eh com seus amigos, que você não fala, mas você faz algum movimento achando que a pessoa vai entender o que você tá querendo dizer. Mas gente, não é assim, não é mesmo? Uhum. O que que acontece? Por que que a gente faz isso ao invés de nos comunicar? Então eu tenho duas hipóteses, né, dentro dessa perspectiva da comunicação. Uma hipótese, ela tá mais ligada ao aspecto cultural, ou seja, eh nós não fomos incentivados desde muito cedo a dizer o que a gente sente, a dizer o que a gente pensa. Muitas vezes, quando a gente traz, né, esses conteúdos da nossa maneira de ser, da nossa maneira de pensar, nem sempre é acolhido, né? Então, as pessoas ficam, né, eh, digamos, mais retraídas porque não entendem que aquilo que elas são, aquilo que elas pensam, recebe um acolhimento que poderia, digamos, de uma certa maneira, criar, né, uma confiança da pessoa em trazer, em comunicar e tudo mais. Então, existe uma cultura que não propicia. Ou seja, toda vez que você tenta ser você, que você traz aquilo que, né, faz sentido, muitas vezes não é acolhido, porque muitas vezes as pessoas acham que você não deve trazer muito do que você pensa, porque isso vai explicitar as diferenças. E aquilo que eu falei, né, para mim as diferenças elas são fundamentais pra gente construir alguma coisa autêntica, mas culturalmente não se enxerga muitas vezes dessa maneira. Então essa é a primeira hipótese. A segunda tem a ver com a própria o próprio desenvolvimento de cada um de nós. Existem famílias nas quais o diálogo já é construído desde cedo, onde as crianças participam numa conversa, onde elas podem trazer, onde os pais também, né, discutem as suas dificuldades. Ou seja, há uma troca, né? E quando essa troca é estimulada, as pessoas começam a desenvolver. Então, dentro daquilo que eu falei no aspecto pessoal, vai depender muito do ambiente que você está, né, se isso vai proporcionar ou não essa perspectiva. Existe uma cultura, né, que também não favorece muito a autenticidade do ser humano. Então, esses dois elementos vão impedir, na minha visão, né, uma comunicação, uma abertura ou até uma assertividade, né? Porque se você traz dentro de si aquilo que faz sentido para você e você comunica, você consegue traduzir muito melhor uma série de elementos que você tá vivendo naquele momento. Mas quando a gente não permite isso e aí a coisa fica truncada e e aquilo que eu falei anteriormente, né? E aí a comunicação vai ficando por códigos, vai ficando de maneira indireta e isso só agrava, né, as relações existentes. É, a convivência fica um pouco um pouco mais delicada do que já é quando a gente fala de uma família estendida, porque a comunicação é sempre a melhor saída, não é, Denise? Com certeza. Eu vou colocar mais uma camada neste molho. Vou vou colocar aqui a a pitada da psicanálise para as relações e dizer que às vezes a gente não consegue ser claro naquilo que sente, naquilo que quer, naquilo que magoa, inclusive porque é inconsciente para nós. Então, nessa inconsciência eu também não consigo verbalizar, nomear, dar nome mesmo pro que eu sinto. E aí a coisa fica meio indigesta e as relações familiares principalmente caminham muito facilmente pro não dito. Então fica aquela indireta, sabe aquele fogo no parquinho nas festas de final de ano. Então eu me magoo com você. Eu não reconheço isso em mim. Eu não consigo nomear a isso que me atravessa. E aí a maneira que isso que escapa muitas vezes é uma indireta, é uma ironia, é uma coisa maldita, né? Maldita no sentido de mal verbalizada, mal vista. Então, também tem essa camada que é muito intrínseca nas relações, principalmente nessas nessas familiares. E um e por conta disso também, eh, às vezes eu nego aquilo que o outro faz, mas sem querer eu repito, isso é muito parecido. Então, tem aquelas famílias que assim, o filho reclama dos pais, mas quando se juntam são todos iguais. Então, então você vê aquela coisa meio eh a família que uma hora tá brigando, aí todo mundo briga, todo mundo grita, aí passa meia hora, tá todo mundo no churrasco. E quem tá de fora, longe desse movimento e desse marenhado de afetos, olha e e vê com estranheza, né? porque nossa, estavam brigando até agora. Então eu acho interessante pensar na família estendida, nesses que vão chegando enquanto agregados, o papel que cada um pode exercer e ocupar dentro dessa dinâmica. Quando as pessoas são muito parecidas e chega esse externo, será que as pessoas também não precisam de alguém que coloque água quando a fogueira tá tiver levantando? Será que alguém dessa família estendida esse agregado não vai fazer possivelmente eventualmente um papel mais conciliador, mediador? esse alguém que é capaz de trazer esse não nomeado para uma superfície mais consciente. Então, eu acho interessante também considerar que família estendida é a possibilidade de a gente trazer para perto esse diferente. essa pessoa que vive junto, mas não necessariamente está influenciado, contaminado por essa família de origem. Então, essa diferença, essa inclusão eu também acho muito positiva em alguns aspectos. Excelente. Muito bem. Então, nós iniciamos o programa falando da família estendida, né? O início, a a o primeiro passo dessa desse casal. que nós colocamos aqui, que começa a receber aí os agregados e aí nós fomos para os problemas, daí nós fomos para a comunicação assertiva, a comunicação não violenta, que é muito importante, né? O entendimento das famílias e aí de repente ã essa união familiar pode ser temporária, né? E aí tem a transição de volta ao núcleo familiar menor. Então, a partir do momento que você tá com a família estendida, você recebeu lá as pessoas que foram agregadas à sua família, você passou por diversas situações, vocês conseguiram se entender, está tudo na perfeita ordem, cada um no seu cantinho, tudo tudo perfeito. E aí você se acostumou com aquela situação de uma família grande que tem aí os seus erros, os seus acertos, os seus conflitos, a sua assertividade, né? E aí de repente, como tudo na vida é temporário, essas pessoas que vieram a agregar a a sua a sua família, elas começam cada uma, né, se ajustar e ir para um local diferente. E é hora de essa família acabar se desintegrando. E isso também vai causar uma sensação diferente para aquelas pessoas que abriram o espaço para os agregados, não é, Wilson? Como lidar com essa sensação, né, que vai ser uma sensação de, entre aspas, ninho vazio. Você já parou para pensar que às vezes você, eu, por exemplo, quando vou na casa de minha mãe, o que acontece? Junta todo mundo, irmãos, tios, uma família enorme, né? É aquela confusão generalizada, deliciosa, que a gente gosta. É muita gente falando e tal, corre criança, corre cachorro. Poxa vida, aí acabou. Cada um vai pro seu canto. Quando a gente vai falar com a mãe, com a tia, elas dizem: "Poxa vida, que silêncio, eu não sei como lidar com isso. Como que essas pessoas que receberam esses membros que tornaram-se uma família estendida na hora eh de finalizar essa essa ação, né, que aconteceu? vão se sentir e como lidar com esse, entre aspas ninho vazio acontece, não é? Sim, com muita frequência, né? Até porque, digamos, é um processo natural da vida mesmo, né? a gente está num contexto coletivo, as pessoas vão se desenvolvendo e aí cada uma muitas vezes entende que ela quer se desenvolver num espaço, né, mais voltado paraas suas demandas, paraas suas necessidades. Então essa é uma realidade. Ou seja, uma vez que essas famílias, né, como você bem disse, elas estão integradas, convivendo, com todas suas contradições, mas no momento que elas, né, acabam deixando de existir nesse molde, né, elas acabam ficando talvez um pouco mais esvaziadas, né, como você colocou, eh traz, né, essa perda de que existia uma dinâmica, ela fazia sentido, de alguma maneira as pessoas tinham uma convivência, né, e agora tem um novo desafio que é conviver a partir da distância. que é construir novas relações de apoio, a estar com outras pessoas, enfim, é manter esses laços, né? talvez não com a mesma intensidade que já houve no passado, mas manter a qualidade dessa relação, de estar sempre em contato, de estar sempre de uma certa maneira eh mantendo acesa essa chama do afeto, do querer bem, do querer estar juntos, porque querer manter uma coisa artificialmente, ou seja, ah, eu quero que esteja sempre todo mundo aqui, que seja, né? Não sei se é uma realidade que todo mundo consegue dar conta. Então, o que que a gente tem? Tá? A gente tem essa perspectiva de agora ter que estar um pouco mais distante, mas manter a qualidade, mesmo que a gente não possa ter essa intensidade, mas que a gente possa manter ali quando juntos o melhor possível e quando separados o melhor possível. Muito bem. É isso mesmo, Denise. Esse cenário, né, que nós montamos aqui no no nosso bate-papo de hoje é bem interessante porque é cercado de desafios, né? Eh, são desafios para o início dessa família estendida, são desafios para eh a sequência, né, dos dias mediante essa família estendida e mais desafio quando essa família se desintegra novamente, porque é natural cada um seguir o seu fluxo. Então, de repente, ah, legal, deu certo por um tempo e cada um procura eh eh seguir a sua vida da melhor forma. E são desafios que a gente precisa eh eh estar atentos porque mexe com a nossa saúde mental, não é? Sim, com certeza. E na impossibilidade de estabelecer esse laço, apesar da distância, como diz o Wilson, eh avaliar que é necessário fazer luto também. Uhum. fazer luto simbólico dessa relação, dessa configuração que já existiu, mas que porventura não existirá mais. Então, o que eu deixei e o que eu posso fazer a partir disso, então o que eh que tipo de laço, que tipo de vínculo eu posso fazer a partir disso que não tenho mais. E isso influencia sim, eh, inclusive em adoecimento psíquico, inclusive em eventual depressão, por exemplo. Então, a gente precisa considerar que sim, em muitos casos eu preciso fazer luto disso que não tenho mais. É importante, é importante conseguir avaliar que tipo de saudade eu tenho. Eh, não só de desafios, as relações são feitas, é sempre uma relação ambivalente. Eu sempre tenho o avesso da coisa. Uhum. Então, era uma muvuca, era um desafio, era um caos quando estamos juntos, mas quando eu não tenho também fico com o vazio. Então é preciso também olhar para isso que me falta. Excelente, muito boa sua colocação, sua pontuação e a gente vai aprendendo, né, todos os dias aqui. Eh, são dias de grande aprendizado aqui no nosso estúdio Câmara. Hoje a gente fala de família estendida e é natural sim, né, que a família estendida eh em algum momento a os membros eles da da das famílias eles vão cada um indo pro pro seu, né, pro seu desenvolvimento da vida. Isso é natural. E aí você precisa lidar também com essa situação da dissolução dessa família que foi estendida. Agora 8:49, a produção me avisando aqui, nós temos algumas perguntas, estamos com o Wilson e também com a Denise, né, para falar sobre família estendida e você que tá mandando aí a sua dúvida ou de repente eh a sua experiência pra gente, agora a gente fala com você. Vamos lá, produção, pode colocar na tela, por favor, o que que nós temos aqui? Pode mandar pra gente o pessoal que tá aí participando do estúdio Câmara. Muito obrigada, viu, pela audiência, pela companhia. A Patrícia Moura do Jardim Flamboiã. Trabalho e moro com meu parceiro e às vezes tudo se mistura. Ah, tá. Como manter o equilíbrio entre o tempo do casal e o tempo pessoal de cada um? Ô, Patrícia, bom dia para você. Obrigada pela sua participação. Vamos lá, Wilson. Ela tá dizendo que trabalha e mora com parceiro, às vezes tudo se mistura, então fica aí um pouco de falta de equilíbrio. E ela quer saber como que mantém aí o equilíbrio entre o tempo do casal e o tempo pessoal de cada um. Fica meio bagunçado mesmo, né? É isso que eu ia dizer, né? Nas relações humanas isso é bem comum, né? A gente se misturar, né? Dentro das demandas principalmente coletivas, né? que às vezes os dois precisam tá dando conta, os cuidados da casa, a vida profissional, enfim, tem várias demandas aí. Eh, uma sugestão que eu daria, né, para pra Patrícia, é que ela possa, além, né, de ter momentos de diálogo, momentos onde ela possa, junto com seu companheiro, trazer, né, as os sentimentos, o que tá pensando, o que tá sentindo, não só questões do cotidiano, ou seja, trazer um pouquinho como é que ela percebe algumas coisas, olhar a relação, né, de uma maneira a tentar, né, entender ali o momento e tudo mais, mas principalmente ente, a sugestão que eu daria para ela é eh ritualizar momentos, ou seja, eh colocar na agenda o momento onde o casal vai ter o seu tempo, sabe? Ah, eu tenho tempo para cuidar das crianças, do meu trabalho. Então, qual é o nosso tempo, né? Criar um espaço. Eu falei algo no sentido ritual, ou seja, na qual os dois possam estar juntos para olhar a relação, para entender o que tá acontecendo, colocar na agenda, sabe assim? Uhum. No mesmo momento pode parecer meio que artificial, mas na verdade é construir esse espaço para que ele possa fluir junto com as demandas já existentes. Excelente. Excelente. É isso mesmo. Tem que dar atenção, né, para para esse momento tão especial que precisa sim ser vivido pelo casal. Vamos lá, então. 8:51. Mais uma pergunta pra gente, produção, por favor. A gente passa pra Denise agora. Vamos ver quem está conosco e qual é a dúvida ou então compartilhamento de informações. Vamos lá. Rafael Diniz de Barão Geraldo. Morar com pessoas de gerações diferentes é bonito, mas exige paciência. Como evitar que pequenas diferenças virem grandes brigas? Ô Rafael, bom dia. Obrigada pela sua participação. A Denise, por gentileza, vamos aí tentar responder o Rafael. Denise, eh, eu gosto muito dos ditados populares e pro bem da convivência, eu sempre fico pensando se em alguns momentos eu não posso ter paz no lugar de ter razão. Uhum. Então, será que sempre para conviver com essas pessoas de diferentes mundos e e gerações? Será que eu não vou precisar eh equilibrar melhor no sentido de ceder também muitas vezes? E aí isso eu tô dizendo não só para aquele que é o mais velho, que muitas vezes tem a visão de mundo muito mais enraizada, né, de de um pensamento mais rígido, tipo o que eu penso é convicção e e aquilo que eu digo que tá escrito na pedra. muitas vezes e nem pro jovem que é alguém talvez mais impaciente com esse que já viveu mais tempo. Então, pro bem comum, as duas pessoas, os dois extremos para conviver bem vão precisar ceder, senão o adolescente ou esse mais jovem vai ficar só dentro do quarto para não conviver e não interagir. E esse mais velho, por exemplo, vai ser desacreditado, né? Então, a gente não ouve tanto porque eh é alguém que ficou para trás, né, que aquilo que a gente diz já é uma tem uma visão retrógrada da vida. Então, quando a gente consegue abarcar extremos e a diferença, eh, é sempre um convite para ceder, muitas vezes não ter a necessidade ou a a o desejo de querer eh ser o dono da razão, porque com certeza isso é um caminho para muito conflito, para muita impaciência. e para um caminho menos frutífero enquanto convivência familiar. Muito bom, muito bom. Então, se eu cedo um pouquinho, você cede um pouquinho, a gente consegue harmonizar toda a situação e tentar conviver da melhor forma possível. Excelente. Vamos, ó, pega a visão aí, cada um cedendo um pouquinho pra gente viver com mais tranquilidade, mais leveza. Agora 8:54. Pode colocar a produção, acho que mais duas, né? Mais uma para cada um e a gente já vai sim para as considerações finais, tá? Vamos lá, então. Renan Lopes da Vila Industrial. Moro com pessoas que pensam ao posto de mim sobre política e religião. Como manter o respeito sem transformar cada conversa em briga? Poxa vida, hein? Vamos lá, vamos ajudar o o Renan Wilson. Vamos fazer, né? eh essa esse negócio de de conflito de de de pensamentos é bem delicado, não é? É bastante, né? Dentro da minha formação, né? Eu, além de ser psicólogo, sou professor de filosofia. Uhum. Então, eu lido com isso diariamente, né? principalmente na sala de aula, no meu consultório, ou seja, pessoas que lidam, né, de maneira a muitas vezes não sentir que a sua perspectiva é acolhida dentro do espaço e, né, muitas vezes isso acaba gerando aí uma série de dificuldades. O que eu posso trazer pro Renan é o seguinte, eh, não existe apenas uma perspectiva, né? Existem perspectivas, acho que no plural, né? Talvez a gente falar de uma verdade, a gente pode falar de verdades no plural também, né? Eh, de uma certa maneira, cada um vai trazer aquilo que faz sentido para si mesmo. Uhum. Então, a partir do momento que isso tá colocado, ou seja, que existem perspectivas, por mais que o seu ambiente não seja acolhedor, por mais que o seu ambiente não seja eh dialógico no sentido de ouvir, de trocar, né, de estabelecer ali uma relação bacana, mas que você não deixe de entender que o seu olhar tem uma relevância para você. Então, se nesse contexto você não consegue, né, traduzir muitas vezes o que você pensa, o que você sente, não quer dizer que você tem enquanto verdade seja menor ou maior do que aquilo que os outros têm. Então, talvez seja um ambiente que realmente não favorece, né? Mas existem verdades. Seus familiares têm as deles, você tem a sua, e cada um construiu ela a partir, né, de possibilidades que a vida foi oferecendo. Então, não tem melhor, nem maior, nem pior. Existem diferenças. E a partir daí entender isso vai facilitar bastante, né, a compreensão de que em alguns contextos às vezes é melhor você, né, não trazer alguns conteúdos porque você sabe que não vai ser acolhido. Em outros você já vai poder abrir mais. Então é entender o ambiente para que você possa traduzir melhor aquilo que você pensa sem deixar de acreditar naquilo que faz sentido para você. Muito bem. Olha aí, pega a visão, nosso professor psicólogo Wilson, trazendo pra gente aí eh eh grandes eh eh pontos pra gente parar, analisar e levar paraa nossa vida para ficar tudo mais tranquilo nessa convivência aí com várias pessoas. E quando a gente fala de família, nós estamos aqui hoje falando de família estendida. 8:57. Vamos lá, produção. Pode colocar mais uma. Então, vai, vai lá paraa Denise agora. A Camila Ribeiro do Jardim São Gabriel. Quando minha sogra veio morar com a gente, percebi que comecei a me sentir hóspede na minha própria casa. Isso é normal ou sinal de falta de limite? Denise, parece, parece que é sinal de que ela sem querer querendo, ela se apossou um pouco, né? invadiu, esparramou um pouquinho, um bocadinho a mais, né, nessa nessa convivência. Mas eu não eu não digo que que não seja normal. Eh, é complexo a gente falar que aquilo que é bom, que é ruim, que o juízo de valor é sempre uma perspectiva daquele que olha, né? Então, acho que sim, Camila. Passou um pouquinho do limite. Você é melhor, é uma pessoa, a a melhor pessoa para dizer isso, né? O quanto isso incomodou? E aí, se te incomodou, sim, é um sinal de falta de limite. E se isso, se isso é normal ou não, eu ainda acho que é mais normal do que a gente imagina. Uhum. Então, nesse nesse sentido, se é mais normal e mais usual do que a gente imagina e se claramente você ficou incomodada com com eh com esse movimento de se esparramar, acho que você deveria ter ter conversado mesmo, né? Então, eh, para o bem comum da nação, será que a gente não pode reorganizar essa nossa convivência? O ruim, Camila, é quando a gente se vê incomodada. A gente se vê numa posição em que o outro toma algo de nós, como a sua própria casa, por exemplo, e a gente não faz nada com isso. A gente engole seco, que sabe aquela coisa que a gente sente, mas não consegue olhar ou não consegue ver? E a gente só vai alimentando isso sem fazer nada com isso. Então isso que eu considero algo eh que que não seja normal de fato. Então a convivência da sua sogra na sua casa é natural, normal. colocar, entre aspas, o que eu não vejo como normal ou como um normativa, é a gente se incomodar com a com a reação e a relação do outro que nos invade e não fazer nada com isso, no sentido de não necessariamente brigar, mas conseguir conviver de forma harmônica e de troca. e de um caminho de possibilidade viável de convivência. Então isso para mim é uma possibilidade eh pacífica de conviver, entendendo que eu tenho limites, entendendo que ela tem outro e que a gente pode fazer nesse meio do caminho. Muito bem, Denise. É a comunicação, né? Nós precisamos comunicar, né? Se não está bom, vamos lá, vamos comunicar. Se está bom, também comunique. Isso é importante, né? O elogio, eh, o agradecimento, a gratidão também faz parte. E é importante a gente comunicar quando tá legal e quando não tá legal, pra gente poder ir desenhando um cenário que a gente possa viver com mais tranquilidade, com mais leveza. Quando a gente fala eh dessas famílias estendidas, né? Esse foi o nosso tema de hoje e é muito importante eh toda essa troca que nós tivemos aqui porque são eh pontos estratégicos que nos ensinam a a seguir em frente com a nossa família estendida. É isso, gente. A gente quer agradecer a sua audiência, a sua companhia, eh as considerações finais, por favor. Denise, obrigada pela sua participação. Acredito que é sempre muito bom ter vocês. Vocês fazem, né, o programa o Estúdio Câmara com essa eh eh essa comunicação de vocês, essa visão, né, eh psicológica de vocês que eh nos ensinam todos os dias. Então, é só gratidão pela sua contribuição, viu? Obrigada. Agradeço mais uma vez você, Rúbia, TV Câmera, pelo convite. O tema é super interessante pra gente considerar como a gente tem convivido e fazendo laço com essa família estendida. Então, tema muito interessante. Agradeço o convite mais uma vez. Para quem nos ouve, um bom dia, uma boa semana e a gente se vê na próxima. Maravilhosa. Muito obrigada. Nós que agradecemos. Bom dia. Ótima semana para você também. Professor Wilson, nosso psicólogo, trouxe grandes ensinamentos pra gente hoje. Então, gratidão também pela sua participação. Muito obrigada. Considerações finais. Eu que agradeço, né, esse convite, agradeço o espaço, né, para trazer um pouquinho de algumas contribuições, das reflexões que a gente vai fazendo, né, durante aí a nossa trajetória e me coloco à disposição, né, caso eh entendam, né, que eu possa contribuir e eu estarei sempre aí disponível. Grande contribuição, Wilson. Eu acredito que vocês, né, profissionais, eh, nos ajudam a fazer uma psicoeducação aqui todos os dias de manhã na TV Câmara Campinas. Isso é importante porque a gente começa a entender, né, quem somos, o que queremos, para onde vamos e como a gente precisa eh conviver cedendo um pouquinho. Eu cedo um pouquinho, você cede um pouquinho, a gente consegue conviver em harmonia, combinado? Vamos lá, gente. Amanhã nós temos mais estúdio câmara. A partir das 8 da manhã a gente vai falar sobre doenças psicossomáticas. Eh, a linguagem silenciosa do corpo. Você sente dores físicas, mal-estar ou sintomas recorrentes, sem uma explicação médica clara? Já foi ao médico, daí não, você não tem nada, né? Tá doendo aqui, tá doendo ali, não, não tem nada. Então, a gente vai tentar desvendar essa profunda conexão entre a sua saúde emocional e a saúde do seu corpo. A gente precisa entender como o estress, a ansiedade e os conflitos não resolvidos podem se manifestar fisicamente. E o mais importante, a gente precisa aprender estratégias de cuidado para reequilibrar o corpo e a mente e entender quando o nosso corpo está pedindo socorro por conta de uma doença psicossomática. Amanhã a gente fala sobre isso, muito importante. Então a gente conta com a sua audiência, com a sua companhia para mais uma sessão aqui, um momento de psicoeducação aqui na TV Câmara Campinas com o nosso estúdio Câmara. Tá? Vamos ficando por aqui, agradecendo você por estar conosco, desejando uma ótima terça-feira. Lembrando que daqui a pouquinho a Íria chega da nossa central e ar de informações, trazendo informações do legislativo, eh eh Campinas, Estado, Brasil e também ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com informações do legislativo também e de toda a nossa metrópole. E no decorrer da programação, sempre, né, aquela programação preparada com todo carinho, especialmente para você que tá aí do outro lado curtindo e acompanhando a TV Câmara Campinas. Fique ligado com a gente. Tem muito para você ainda no dia de hoje, uma excelente terça-feira. Muito obrigada mais uma vez aos nossos convidados e amanhã a gente tá de volta a partir das 8 da manhã com mais uma edição do nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Fique bem e até lá. [Música] [Música] [Música]