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Olá, muito bom dia para você que tá ligadinho aqui na programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara ao vivo, manhã de quinta-feira, dia 11 de junho. Olha, é um prazer ter a sua companhia, viu? Hoje nós vamos conversar, vamos conversar sobre algo que eu tenho, você tem. A gente de repente ativa esse sentimento e não sabe nem o que fazer com ele. Estamos falando da vergonha. Quem nunca passou por uma situação constrangedora e ficou revivendo aquele momento durante dias? tropeçar em público, esquecer uma fala durante uma apresentação, errar uma palavra, ser rejeitado por alguém, falar algo e imediatamente se arrepender. Algumas situações comuns, mas que muitas vezes provocam uma reação intensa. O rosto esquenta, o coração acelera, as mãos suam, a vontade é de desaparecer. Pois é, a vergonha é uma emoção humana universal e necessária, mas quando ela passa a comandar escolhas e comportamentos, pode impedir pessoas de falar, de se relacionar, de buscar oportunidades e até de realizar sonhos. Hoje vamos entender o que é a vergonha, porque ela dói tanto, como ela afeta o cérebro e o corpo e a sua relação com a ansiedade e quando esse sentimento deixa de ser natural para se tornar um problema emocional. Participe com a gente. Já sei, tem vergonha, não é? Manda sua mensagem. Você tem vergonha de quê? O que que você sente quando a vergonha ataca? E como você reconhece a vergonha? O que você faz com ela? você acolhe ela, você se julga, você sente culpa. A gente vai aprender tudo isso. As nossas entrevistadas já estão aqui no estúdio. Daqui a pouquinho nós vamos apresentá-las. Enquanto isso, vai mandando a sua mensagem pra gente. Tá aqui, ó. Opa. Tá aqui. Aí, ó, bem certinho. 199729377. Mande sua mensagem compartilhando com a gente um momento de vergonha ou então eh uma experiência que você teve. Quer saber sobre a vergonha? Tem dúvida? Manda aí que daqui a pouquinho nós vamos interagir com você. também através da sua mensagem. Enquanto isso, vamos atualizar algumas informações, porque a Copa do Mundo começa hoje. Campinas terá uma arena gratuita para torcer pelo Brasil. Olha, para quem quer acompanhar os jogos da seleção brasileira em clima de festa, a Arena do Torcedor será uma das opções aqui na cidade, tá? Co entrada gratuita. O espaço será já está montado, né, na Praça Araltos da Paz no Taquaral e vai contar com telão de LED, área de alimentação, banheiros, posto médico e esquema de segurança. Na primeira fase serão transmitidos aí os jogos contra Marrocos no dia 13 às 7 da noite, Haiti no dia 19 às 21:30 e Escócia dia 24 às 7 da noite também. Caso a seleção avance, a Arena seguirá exibindo as próximas partidas. Além das transmissões, o público também pode aproveitar food trucks, barracas gastronômicas e atrações especiais durante o período da competição. E claro que com o início da Copa, a TV Câmara Campinas reforça a cobertura especial com o Câmara na Copa, uma programação dedicada a mostrar como Campinas vive a emoção do torneio. A cobertura traz entrevistas, reportagens especiais, entradas ao vivo, curiosidades, receitas temáticas e acompanhamento da movimentação na Arena do Torcedor instalada na Praça Araltos da Paz Taquaral. Ao longo da competição, estamos preparando conteúdos que vão além dos jogos, destacando personagens, histórias, iniciativas que movimentam a cidade durante o período da Copa. O especial Câmara na Copa está na programação da TV Câmara Campinas e também nas plataformas digitais da emissora, levando informação, entretenimento e o clima de competição para o público. Acesse o site da da TV Câmara Campinas, tá? O YouTube da TV Câmara Campinas também. e acompanhe a nossa programação aqui pela emissora. Agora vamos com a previsão do tempo. Vamos ver o que acontece hoje, né? É, amanhecemos aí com chuva, temos chuva forte agora pela manhã. No decorrer da tarde as nuvens diminuem, o sol pode aparecer, mas o que prevalece é a chuva aqui na metrópole. Mínima 15, máxima 20º. Bora que bora então. Vamos. ao nosso tema central. Vamos falar dela, que de repente preenche todo o nosso dia e alguns dias depois de senti-la também. É a vergonha, gente. Ela acompanha o ser humano desde os primeiros anos de vida. Está ligada a uma forma como a gente enxerga nós mesmos e como a gente acredita que somos vistos pelos outros, né? Em nível saudáveis, a vergonha ela até ajuda na convivência social e no respeito aos limites, mas quando ela se torna excessiva, ela pode gerar isolamento, insegurança, autocrítica exagerada e medo constante do julgamento. Tem pesquisas da área da neurociência que mostram que experiências de rejeição social e vergonha ativam regiões cerebrais que são associadas à dor emocional. E o que ajuda, é o que ajuda, aliás, a explicar porque certas situações constrangedoras permanecem vivas na memória da gente por tanto tempo. Então, a gente precisa de especialistas para nos explicar sobre a vergonha. É por isso que a gente recebe duas especialistas. Quero dar bom dia à psicanalista e facilitadora de patwork, especialista em espiritualidade e autoconhecimento, Camila Aragazi. Seja bem-vinda. Bom dia, Camila. Bom dia, Rúbio. Bom dia. Bom dia para você também. Bom dia, pessoal em casa. É mais uma vez um prazer estar aqui com vocês. Vamos falar um pouquinho sobre vergonha, né? Como que ela acaba cortando a nossa espontaneidade, né? A gente tem tanta coisa boa para oferecer pra vida, pro outro, pro mundo e corta isso por conta desse sentimento tão difícil, né, de lidar. Então, vamos explorar um pouquinho sobre isso hoje. Vamos lá. Para completar a nossa dupla de hoje, a gente recebe a psicóloga, psicanalista, professora universitária, mestrando em psicanálise, saúde e sociedade. É isso mesmo. Seja bem-vinda, Aline Moraes. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Bom dia, Camila. Muito obrigada, né, pelo convite. Acho que esse é um tema bastante importante, como você bem colocou na entrada, abrange acho que muita gente, né? E vamos entender até que ponto que a vergonha ela é aceitável, saudável e que ponto ela pode ser patológica, perigosa e a gente precisa olhar com mais carinho. Muito bem. Olha aí que legal, olhar com carinho para a nossa vergonha. Muito bem. A gente começa então com a Camila, porque a gente precisa entender o que é vergonha, né? A gente tá falando de um sentimento, de uma emoção ou de uma resposta psicológica diante de determinadas situações. O que é a vergonha? A vergonha, ela é um sentimento que abrange tudo isso, né? Na verdade, ela é um sentimento eh que tá muito ligado a culpa, tá muito ligado ao medo da rejeição também, né? Tá muito ligado ao sentimento de inadequação. Então, a culpa ela traz tudo isso no seu rastro. A vergonha traz tudo isso no seu rastro. Eh, a vergonha também abrange a nossa cognição, né? Os nossos pensamentos. Então, a forma como a gente se percebe, a forma como a gente se vê, demonstra uma rigidez muito forte, né, com relação a a como a gente se percebe. Então, eh, não posso errar, não posso mostrar que eu errei, né? Então eu eu me puno muito fortemente quando eu erro ou quando eu sinto que eu errei. É uma percepção, inclusive até imaginativa, né, que eu percebo, eh, eu imagino que o outro tá olhando para mim, eu sou transparente, então o outro tá vendo tudo que existe dentro de mim. Então, eh eh abrange também essa questão e também é muito relacional, né? A forma como eu me relaciono com o outro, como eu me protejo do outro a partir da vergonha. É, então é é um complexo de de coisas, né, de pensamentos e sentimentos que trazem o sentimento da vergonha. Muito bem. E é interessante que a vergonha ela é tão comum que eu acho que a maioria das pessoas conseguem lembrar de alguma situação constrangedora, marcante aí da vida, por conta da vergonha, mas nem todo mundo reage da mesma forma. Tem pessoas que conseguir em frente depois de uma vergonha, mas tem pessoas que permanecem presas a essa experiência. aí junto com a culpa durante todo o tempo. Então, Aline, do ponto de vista da psicologia, por que que algumas experiências de vergonha permanecem tão vivas eh na nossa memória e aí continuam provocando sentimentos depois dessa situação de vergonha? É, é uma cena, né, Rúbia? Eh, isso vai dizer um pouco da nossa diferença subjetiva, né, enfim, singular. Uma cena para uma pessoa pode não significar muito, para uma outra pessoa pode ser algo muito marcante. Isso vai ter a ver com como isso vai reverberar em traumas. O que a gente chama de traumas. Traumas são marcas, são feridas. Então isso depende muito da cultura, né? a gente tem uma cultura que vai, né, colocar a vergonha num patamar, ã, de uma estruturação mesmo, né, de regras, de limites, de pode, não pode, de certo, errado, de feio. Então, a gente vem de uma cultura e é claro que cada cultura muda, né? No Japão a gente tem a questão, por exemplo, a cultura oriental muito ligado à honra, né? Um um uma pessoa da família que falha, reverbera nos demais, né? na cultura estantal um pouquinho diferente, né? Tem a ver muito com a humilhação e tudo mais. Então, as experiências da cultura elas refletem, mas também o modo eh as referências parentais, a criação, as repressões, as humilhações, os constrangimentos. você não pode, você não consegue. Olha só, aquilo que a criança vai escutando, isso vai ali amalgamando e vai transformando eh numa mensagem de como ela se interpreta e como ela interpreta o olhar do outro. Ainda que seja, eu acho que o outro pensa isso de mim, é o que eu penso de mim. Então isso vai trazendo aí pra gente um referencial de maior marca, menor marca, maior trauma, o menor trauma. Uau! Olha só, né? E novamente a gente vai lá pra primícia de que tudo tem início lá na infância, né? Tudo tem início na infância. Como é que tá a sua criança interior cheia de vergonha? Tem que acolher ela, viu? Agora, Camila, existe uma diferença entre sentir vergonha por algo que a gente fez e sentir vergonha daquilo que a gente acredita que as pessoas estão vendo sobre nós? Complexo, mas explica pra gente, porque às vezes eu tô com vergonha por algo que eu estou achando que a pessoa do outro lado está vendo e imaginando, mas isso está relacionado só comigo. A pessoa não tá nem aí para nada. Uhum. Sim. E isso acontece por um eh vou chamar de fenômeno na psicanálise que a gente chama de projeção, né? Então, se eu tenho uma imagem sobre mim mesma, se eu tenho uma crença, se eu me vejo de determinada forma, se eu me julgo de determinada forma, pela projeção, eu vou imaginar que o outro me julga da mesma forma. Uhum. Então, se eu me vejo inadequada, eu vou imaginar que o outro tá me vendo como inadequada também. Eh, às vezes, Rúbia, a gente, o outro não tá nem nos percebendo, sim, mas por uma, por um processo de espelhamento, eu olho pro outro e eu imagino que o outro tá me julgando. Então, às vezes o outro, sei lá, pisca diferente. Eu falo: "Nossa, não, a pessoa tá pensando tal coisa de mim". E a maioria das vezes a pessoa vai lá para casa, vai dormindo e vai lembrar que a gente existe, mas aí a gente fica com aquilo, remoendo aquilo, né? Então, porque a gente tem essa eh quando a pessoa ela tem muita vergonha, ela tem uma ideia de que a sua identidade é totalmente inadequada, é errada, eh não deve ser assim, né? E aí ela se retrai por completo e aí ela fica imaginando que os outros pensam isso dela. É muito diferente de, por exemplo, sentir vergonha de algo que eu fiz. Quando eu tenho vergonha da minha identidade, é muito mais fixo. Se eu fiz algo, isso tá muito mais ligado à culpa. né? Então, e e eu posso reparar quando eu faço algo errado, eu posso por um processo de reparação, aprender com aquilo e fazer diferente. Mas se eu acredito que eu sou inadequada, ã, o que se sucede depois é que eu vou tentar me esconder dos outros. Uhum. E aí com num processo de eh máscara, né, eu coloco uma máscara, eu me afasto dos outros, me isolo e tento ser perfeita. Só que a perfeição não existe aqui, né? Então, em algum momento eu vou ser espontânea e na minha espontaneidade eu vou acabar me punindo. Exatamente. Achando que eu fui inadequada na espontaneidade. Isso mesmo. Tem casos assim que a vergonha ela não tá relacionada apenas ao erro, mas com esse medo, né, da de sermos julgados, rejeitados, considerados inadequados, mas aí é tudo pelo outro, né? Então, Camila, eh, eu vou vou vou puxar pra Aline agora. A opinião das pessoas, ela tem um peso tão grande na construção da vergonha. Por que isso? E a vergonha, ela tá atrelada ao medo, a outros sentimentos. Uhum. É isso tudo que você falou, né? As questões que a Camila trouxe aqui, muito pertinentes. Eh, tem uma questão que é o pertencimento, né? a gente nasce numa condição de desamparo, a gente precisa de um outro que tem uma função de cuidado, normalmente a mãe ou outra figura que exerce essa função. E aí essa e essa figura de amparo, ela é essencial pro nosso desenvolvimento quanto pessoas. Então, pertencer a um grupo, pertencer a algum lugar, ele é fundamental pra nossa constituição, né? Vamos dizer assim, pra nossa saúde psíquica. Quando esse essa questão de não pertencer, ele fica ameaçado, isso eh entra ali no modo eu preciso me adequar, como a Camila bem falou, eu preciso eh atender os quesitos, né, éticos, morais, as exigências que eu imagino que eu devo ter, né, quem eu deva ser. Então, por exemplo, a Camila colocou a questão, né, da culpa e da vergonha. A culpa é isso, né? Eu errei, eu posso até me eu posso até ir lá e reparar. Então, eu cometi um erro. vergonha. Eu sou o erro. Uau. Então, se eu sou o erro, eu não eu não eu não sirvo. Eu tô inadequada. Eu tô ali num lugar que eu não posso me caber. Então, o que que eu faço diante disso? É quando eu me fecho, né? Até assim a gente chama, né, de narcisismo, não narcisismo patológico, como a gente vê na na linguagem médica, mas é algo que volta-se para mim. Eu sou um erro, eu não adequo, eu não sirvo, aí eu me fecho em mim. E aí onde vai trazendo essas questões de uma timidez patológica, né, de de um de um certo retirar, né, se retira, pessoa se retira do mundo. E o laço social é tudo que a gente busca, que a gente quer, o vínculo no fundo é que a gente precisa para seguir a vida. Uau! Olha só, né? E e eh é importante a gente falar da vergonha porque todo mundo sente, mas ninguém consegue de repente identificar, entender a vergonha e às vezes começa a ter eh essas situações que vocês pontuaram aí, tipo assim, um isolamento social, um não querer mais estar em algum lugar, né? Eh, uma tristeza, a gente precisa eh prestar atenção quando a vergonha ela ela começa a ser uma coisa patológica, né? Tem estudos que mostram que experiências de rejeição e vergonha elas ativam regiões cerebrais relacionadas à dor, a dor emocional, né? Por que que eh o a vergonha ela ela dói? Ela dói porque tem gente que sente dor no momento que sente a vergonha, né? O que que você traz pra gente, Aline sobre isso? É, nós somos um ser, né? Eh, biopsicosocial, espiritual, né? Eh, a gente, a mesma pele, né, do nosso tecido, do nosso do nosso sistema nervoso, tá ligado à nossa nosso corpo, né, mesmo a pele, então a gente tá interligado. Não tem como você falar de um psiquismo que não afeta um corpo e um corpo que não afeta um psiquismo, né? Então, eh, essa relação direta a o nosso corpo a todo momento tá comunicando algo, como você falou, né? A gente fica vermelho, a mão soa, a gente tem tremedeira e as questões psíquicas, né? a gente vai desenvolver uma fobia social, a gente vai desenvolver um pânico, até uma, né, um um um sintoma persecutório de achar que o outro tá te vendo, o outro tá olhando, o outro tá te julgando. Então, tá muito interligado e esse mundo interno, como a Camila bem colocou, introjetei algo, aquilo que eu fui escutando na minha vida, certo, errado, tá dentro de mim. Quando eu não suporto isso dentro de mim, eu ponho para fora, eu faço uma projeção. Então, o que tá dentro de mim vai lá fora. Só que isso volta em forma de sintoma. Que que é o sintoma? É um sofrimento, é uma dor e é uma comunicação de um corpo, seja um corpo psíquico interno, seja um corpo físico, que a gente chama de psicossomático, uma conversão no corpo, que vai trazer pra gente essa dor completa, né, nesse ser inteiro. Então, tá tudo interligado. Muito bem. Olha só, né? Se a gente para para analisar o que vocês estão dizendo, eh, Camila, eh, eh, é certo dizer, então, que quando a gente sente uma vergonha, a gente ativa o nosso cérebro naquela situação de ameaça, onde é luto e fuga, e aí começa um turbilhão de emoções, de sentimentos. E impressionante que a gente não consegue dominar. Por que isso? Imagina você de repente tropeçar, cair na rua, aí você levanta assim, você não, ó, tem gente que tem sentimentos e e situações diferentes. Tem gente que corre, tem gente que chora, tem gente que paralisa, tem gente que, tipo, fica bravo, né? alguém vai ajudar e aí não quero, não preciso de ajuda. Então, e esses sentimentos, essas essas ações, elas eh são meio que do inconsciente. A gente tá consciente quando a gente tem essa reação, ao de repente tropeçar na rua, a a reação disso é consciente? Na maioria das vezes, não. Na maioria das vezes é uma reação bastante automática que acontece, né? E como a Aline trouxe, é um sentimento de ameaça mesmo quando a gente acredita que a gente não vai ser, não vai pertencer à aquele grupo, que a gente vai ser rejeitado por alguém que faz parte desse grupo, né? Então, eh, o nosso corpo ele ele vai respondendo a tudo isso e responde inclusive à nossa imaginação, né? Então, é de uma forma mais sutil, mas ainda responde, né? Então, eh, quando a gente tá vivendo no dia a dia e reagindo às nossas emoções, é porque a gente não tá percebendo e nomeando essas emoções, né? Então, às vezes, assim, no sentimento, quando vem o sentimento de vergonha, eh, ficar atento e nomear o sentimento, né, e falar para si mesmo: "Ah, eu tô com vergonha aqui". Uhum. Né? E porque geralmente o o pensamento que vem assim como plano de fundo que a gente não presta atenção é como eu sou inadequada, mas na hora que eu coloco isso na minha consciência e aí eu nomeio, falo: "Não, eu tô com vergonha aqui ou eu tô com medo aqui da rejeição, eu tô com medo de da forma como o outro tá me olhando, eu já me distancio um pouco. E aí eu não sou o sentimento, eu sou quem observa o sentimento. E aí eu tenho muito mais, vamos dizer assim, controle da situação, né? Então, fico muito mais consciente do que tá acontecendo e aí eu saio do automatismo. Muito bem. Vale a pena a gente parar para analisar que quantas eh oportunidades a gente pode perder na vida por conta da vergonha, né? Se a gente para para ver aqui o a algo bem eh do cotidiano é a vergonha de falar em público, né? Tem gente que, bom, falar em público é uma coisa, tá gente? Falar com o celular aí depois postar é outra, né? Vale a pena a gente lembrar isso, né? falar em público, tem gente que perde oportunidades porque ao momento de de se conectar, de de falar eh em público, a pessoa ela ela dá um branco, a pessoa não consegue, ela começa a suar, ela começa a tremer. E aí, como nós colocamos aqui, eh, essas sensações, a gente não tem controle delas, não tem o que fazer. Imagina você aí no meio de uma palestra, né? E aí você perde a noção do que você estava falando, você perde o raciocínio, você começa a suar, começa a escorrer suor, você começa a tremer, a boca seca e você não consegue dar sequência, né? Então assim, é importante a gente parar, pensar e estudar um pouquinho sobre a vergonha e tentar aprender como a gente faz para autorregular isso, porque acredito que tenha sentido essa autorregulação, né? E essa questão de conversa, falar em público, o que que acontece, por que que trava, né? A a sensação que a gente tem é que o mundo caiu e a gente não vai conseguir levantar ele. Mas isso é questão de segundos. Por quê? Alum. É, a gente tem uma uma questão que é isso, né? Até como a Camila colocou, você falou, só fazendo um complemento que eu acho legal até para introduzir, é, a gente não controla a emoção, o afeto, né? é aquilo que nos afeta. Então, quando vem o afeto, normalmente numa situação de despreparo, como eu caí, eu caí, eu tô despreparada para aquilo, aquilo a vergonha vem, eu não controlo o afeto, o que que eu controlo o comportamento, tá, né? O que que eu faço com aquilo? Porque normalmente aqui a psicoterapia vai ajudar a gente, né, a entender o que causou aquilo, como eu lido de outras formas com aquilo. Eh, todas as situações de surpresa que nem, né, hoje eu tô aqui, eu ia aqui, de repente tô falando uma coisa, eu cometo bagumico, sei lá, tropeço, falar uma coisa errada. É claro que eu vou sentir vergonha porque tem uma expectativa que não sei quantas, né, pessoas estão me vendo. Eu falo: "Poxa, não atendi uma expectativa da Rúbia, né? Eu passei constrangimento frente a Camila, frente frente a um público que eu não conheço. Então vou sentir vergonha porque é algo novo para mim. Por mais que eu me preparei, por mais que eu tenho um repertório, eu tô usando eu como exemplo para poder falar de uma vergonha que a gente reconhece em nós, eh isso vai me gerar um certo desconforto. Eu não tô super confortável aqui, não tô sentada assim, né? Eu tô numa certa posição de atenção e cuidado. Então, quando a gente tá numa situação do novo, do despreparo, né, e o e o novo pode ser o público, o que eu acho que esse público espera de mim, o que eu acho que a Rub espera de mim, como que eu devo me importar nesse programa, isso vai gerar uma atenção. E de acordo com cada pessoa que vai ser mais ou menos tímida, tem mais ou menos vergonha, tem um narcisismo maior ou menor, isso vai interferir, né? Mas é importante a gente pensar o quanto que poder reconhecer também a vergonha ela é importante. Se eu cometi uma gaf aqui, gaguejei, eu falo muito rápido aqui, eu tô segurando um pouco mais minha fala, gag. Ai gente, desculpa, né? O quanto que isso também gera uma empatia em relação ao sentido assim, eu também posso errar isso, também posso falhar. Tanto que pessoas, a gente pode falar depois se for, né, se der o tempo de falar de rede social, como que a rede social traz tanta oportunidade de falar e depois eu apago se eu falei algo que não devia. posso ser cancelado ou eu posso pagar um mico que ninguém viu e eu vou lá diante da do sei lá do do da rede social e fala: "Gente, paguei um mico hoje". Porque isso gera vínculo, isso gera empatia, né? Mas respondendo a pergunta inicial, toda condição que tem o novo, que tem a surpresa, que tem algo que eu não sei, eu me coloco em mais ou menos tensão. E essa mais ou menos tensão, ela tá ligada com a ansiedade, porque gera uma ansiedade. A vergonha ela gera uma ansiedade, gera essa atenção. Agora, a gente precisa aprender a identificar a questão eh dessa ansiedade gerada pela vergonha e e saber quando que ela é considerada uma ansiedade natural do dia a dia que a gente sente mesmo. E quando ela passa já a ser uma ansiedade que vai prejudicar, Camila. Uhum. Sim. Eh, a ansiedade ela tem a ver com as expectativas que eu coloco, né, sobre mim e também sobre como os outros vão me receber, como os outros vão me olhar, como os outros vão me aceitar. né? Eh, ansiedade normal, todo mundo sente, não tem como não sentir ansiedade. Na verdade, não tem como sentir nenhum sentimento. A gente sente todos os sentimentos, né? Eh, o importante é a gente saber aceitar esses sentimentos, lidar com sentimentos de modo que eles não dominem a nossa vida, né? Então, a partir do momento que a ansiedade domina a minha vida, eu passo a viver de acordo em torno desse sentimento. O medo domina a minha vida, eu passo a viver de acordo com com o medo, com, né, de acordo com esse sentimento. Então, eu deixo de fazer coisas eh porque eu tenho medo de fazer e aí eu não me dou a oportunidade de explorar a fantasia do medo, né, por exemplo, porque a ansiedade, o medo, eles sempre vão pintar as piores possibilidades. Sim. Se eu não vivencio a situação, eu não desmistifico elas, né? Então, tem sentimento que só a gente passando pelo sentimento mesmo para poder aprender a lidar com eles. Uau, muito bom. Você sabe quando a gente fala de vergonha, de ansiedade, de medo? Claro que todo mundo vai lembrar do Divertidamente. Acho que foi bem assertivo, né, o filme porque eh trouxe de uma forma lúdica como eh é são os nossos sentimentos. Eles acabam brigando entre si, né, Aline? Tipo, um quer dominar mais que o outro. E aí a gente precisa ter um autocontrole. Como ter autocontrole diante desses sentimentos que nós temos e que às vezes eles são eh transbordados de uma forma exacerbada, no caso que a gente tá falando aqui, a vergonha. Como é que é aquele controle? como é que a galerinha trabalha aqui dentro e como que a gente faz para poder controlar isso, sentir, mas ter um auto uma autorregulação, autocontrole, assim como vocês dizem pra gente. É, você falou do Divertidamente, né? É um filme muito bacana que por mais que ele seja colorido e ele atinge muitas crianças, ele é um filme feito para adulto, né? Foram ali neuro neuropsicólogos, enfim. E porque é isso? para mostrar o quanto que eh as emoções, né, com divertidamente dois são 10 emoções, o quanto que essas emoções fazem parte de nós. É claro que você falou a como que eles brincam lá dentro. É um conflito, né? A gente vive em constante conflito, a gente é ambivalente, a gente é contraditória, a gente ama e odeia. Então dentro de nós passa assim, a gente brinca, né? Uma esquisitice. E aí a gente tava conversando um pouco antes de começar o programa, né? às vezes vem uma coisa, falo assim: "Uau, é humano, tudo que é humano não surpreende. Tem coisa que assusta, tem coisa que você Então assim, eh, a gente, né, um trabalho pensando na psicoterapia, não é o único caminho, existem outros. É um trabalho de reconhecer, como a Camila anteriormente falou, reconhecer as emoções. No caso, a vergonha é reconhecer eh da onde que ela vem, né? Qual a história por trás disso? Há uma cena, há uma experiência, há um uma rigidez, há um ideal de eu, né? A gente chama em psicanálise de supereu. É um, é um juiz interno que fica dizendo pra gente certo ou errado que nos pune. Tem um superior, um juiz interno que é mais maleável de acordo com a educação que eu tive e tem outros que são tirânicos, são cruéis. Isso a partir daquilo que a gente, como a gente falou, aquilo que eu introi. Então, reconhecer, pensando num ponto de vista psicoterapêutico, reconhecer aquele afeto, qual a origem dele para conseguir, vamos dizer assim, educar esse juiz interno para lidar de uma outra forma. Pensando fora do contexto psicoterapêutico, né? Como que é aprender a trabalhar com ridículo? O brincar, né? A gente não brinca mais, né? A gente vai pra rede social ali e fica ali. A gente não brinca. quantas formas de brincar, seja com seus filhos, sobrinhos, num jogo, né? Eh, algumas pessoas vão fazer teatro, porque que que é um teatro? O que que é, né, uma condição eh que você se põe eh no brincar, é a condição do ridículo, é a condição do improviso. Então, quais outras formas que a gente pode encontrar de deixar mais maleável esse juiz interno, né? Então, assim, existem alguns caminhos. Agora, como eu falei anteriormente, a gente não controla o afeto, a gente controla o que a gente faz a partir daquele momento. Se eu tô no trânsito, então opção de buzinar e xingar quem me cortou, eu falo: "Respira fundo, isso não vai me trazer nada de bom e segue em frente". É o Não é o que eu senti. Nos dois casos, eu senti raiva, mas o que diferencia é o que eu faço com aquilo. Uau! Inclusive o que a gente faz com a vergonha, né? Menina, do céu, é ruim demais sentir vergonha, né? Então, a gente precisa colocar a vergonha no lugarzinho dela. Mas é importante a gente sentir, porque a partir de que você eh sente, você consegue nomear. A gente pode falar assim, Camila? Sim. Eh, inclusive é uma é uma grande importância nomear, né? Então, é como a Aline falou, né? Não tem como a gente não sentir, mas a gente pode aprender a lidar com o sentimento a partir do momento que a gente reconhece sentimento. Porque se a gente não reconhece, como é que eu vou lidar com uma coisa que eu nem tenho consciência que tá ali, né? Então, tanto a vergonha como qualquer outro sentimento, né? Como a Aline trouxe a ideia da raiva, por exemplo, se eu sinto a raiva, mas eu não reconheço a raiva, a raiva vai atuando aqui. Eu não tô nem vendo que a raiva tá atuando. Se eu tô com vergonha e eu não reconheço a vergonha, ela vai atuando aqui. Eu não tô nem entendendo que ela tá atuando. A partir do momento que eu percebo que eu tô com vergonha e falar: "Ah, ok, eu tô com vergonha aqui, eu dou um nome para isso, eu fico muito mais consciente e aí eu posso escolher agir a partir dela ou não, né? Porque a ação eu posso ter uma escolha, o sentimento vai continuar ali e tudo bem, eu tô de olho nele, eu tô sabendo que ele tá aqui, mas aí eu vou tomar atitudes que eu posso ter outras escolhas. Quem é maior que quem, né, Camila? A raiva, a raiva, a vergonha maior e ela me impede, ela me trava, ela me congela ou não. Eu tenho vergonha, eu reconheço isso, mas eu sou maior que ela. Então também tem esse esse essa luta, né, gente? Que luta, que fuga, que tudo, que vergonha, né? Percebe? É, é algo muito complexo, mas se a gente segue o direcionamento aqui das nossas especialistas e eh em saúde mental, a gente consegue ah começar a entender o porquê de tantas sensações quando a gente sente vergonha. E tá tudo bem sentir vergonha, tá tudo bem ter as sensações, porque somos seres humanos e a gente precisa sentir, né? Então a gente precisa, olha só que a gente aprendeu hoje, sentir, nomear, identificar, acolher e equilibrar. É isso, mais ou menos, né? Eu acho. Tá certo. Isso. Entender que a vergonha faz parte, ela também é uma proteção, né? O pudor ele é importante, né? O pudor ele guarda e a vergonha ela revela aquilo, ela desvela. Então a gente tem que ter um meiotermo entre isso. Tem que ter, a gente vive numa sociedade com regras, com leis. Eu não posso fazer tudo que eu quero, não posso dizer tudo que eu quero. Então, desde a nossa história, né? Seja pela perspectiva bíblica, Adão e Eva quando sentiu vergonha, tampou seus, né, suas partes íntimas, né, quando na história, né, do do do até a gente ser um hom sapiens, a gente andava ali, né, o nosso nossos antepassados ali de quatro patas, quando levanta os órgãos ficam expostos, então precisou esconder. É necessário esconder, né? E e esconder também tem coisas que são nossas. Tá muito ligado ao desejo. Tem um desejo, como a Camila falou no início, a gente parece que vira transparente, a gente tem vergonha de falar dos nossos desejos e a gente vive numa sociedade com uma lei que vai dizer: "Você não pode eh explorar esse desejo porque isso não é bacana, é isso é condenável". Então tem coisas que a gente vai esconder. Só que quando a gente acha que o outro tá vendo isso, né? Quando a gente acha que a gente tá transparente, a gente fica naoso, a gente fica escuro, porque a gente fecha até de nós a relação com o nosso desejo, com aquilo que a gente de certa forma é, né? Então tem que ter o meio termo, entropudor, de fato, não dá para aparecer aqui, né, sem roupa, mas na praia dá para você ir com biquíni. Exato. E não tem ninguém te olhando do jeito que você pensa, né? Tipo assim, vamos colocar 99% das pessoas que estão ali não estão te olhando do jeito que você pensa. É o que você pensa sobre você. Como a Camila falou, né? A gente não é a última pacote, né? embolagem do pacote. E é difícil lidar com isso porque tem a ver com o narcisismo, que é o narcisismo é aquilo que eu penso sobre mim, sobre a minha auto imagem, sobre o que eu deveria ser, sobre o ideal. Ideal, perfeição, não existe. Eu brinco que perfeito é aquele menininho com cabelo lambido, com gel, com suspensório, que não fala nada, que diz a mim para tudo. Esse menino ele sofre. Então também a gente precisa de certa forma, né? Ali não dá para ser o perfeitinho. A gente tem que ter um cabelinho bagunçado. A gente tem que ter um cheirinho de vez em quando, né? Uma roupinha com um rasgãozinho, porque a gente é assim, né? Essa nossa humanidade. Nossa, gente, que delícia esse bate-papo, essa conversa. Agora, eh, agora 8:42, já a gente começa a responder as perguntas dos nossos telespectadores. Produção, mas eu quero eh pra gente poder já ir para esse eh esse próximo passo do programa, falar das redes sociais que você pontuou. Foi o que achei bem interessante, porque a rede social é algo assim que as pessoas elas se apresentam de uma forma, os recortes e tal. Ah, se a gente olha, se fala assim: "Nossa, mas né, que coisa maravilhosa que será que a pessoa não tem vergonha, não erra, é perfeito e tal." Eu queria eh criar uma conexão aí entre, desculpa, gente, a vergonha e a rede social, né? Qual que é a avaliação que você faz, Camila, e Aline, sobre isso? A gente começa com você, Camila. Vamos lá. É, eu acho que assim, as redes sociais elas vendem uma ideia de perfeição. Uhum. Né? Então, é, são vitrines que a gente olha, igual a vitrine de um shopping que tá lá o manequim vestidinho certinho, bonitinho, e aí você olha para um story, você olha para um para um feed de um de uma rede social, tá lá tudo muito bonitinho, porque ainda mais hoje com as inteligências artificiais, né? Então a pele, você não vê nenhum defeito na pele, você não vê nenhum defeito na roupa, aí as pessoas vão lá e mudam o fundo da foto que daí tá em um lugar perfeito, maravilhoso. E não é nada disso, né? E aí se a gente começa a olhar isso e se comparar, se a pessoa já tem o sentimento de inadequação, vai reforçar ainda mais esse sentimento, né? Então a pessoa não mostra tanto os bastidores, né? Então, eh, vai gravar um vídeo, grava igual a Aline falou, grava 30 vezes, porque antes dela, antes dela falar que ela fala perfeita, ela já gaguejou um monte de vez, já falou coisa errada, já falou coisa que não, né? Então, é é só uma é uma grande ilusão, a gente ver. Precisamos tomar cuidado com a comparação, né? Porque as pessoas erram, a gente erra. Nós que trabalhamos com jornalismo já há há mais de duas décadas, né? A gente erra, é natural errar. E tudo que a gente vê nos recortes da internet, gente, aquilo lá não é a realidade, não é? E como é bom não saber às vezes, né? Às vezes você pode fazer uma pergunta aqui pra gente, a gente fala: "Nossa, a gente não não sei, né?" Porque é isso, a gente não sabe, a gente cada vez que a gente sabe mais, a gente sabe menos. E a rede social coloca esse lugar de que eu tenho que saber tudo, tenho que saber muito, tem que ser perfeito, né, Camila, como você falou. E assim, ela escancara a comparação, eh, escancara o ideal e vai colocar também, existe um termo, né, que não não é do ponto de vista psiquiátrico, psicológico, mas que é muito disseminado, que é o a síndrome do impostor. Que que é o impostor? Uma pessoa que tem uma capacidade, tem um conhecimento, tem um saber, mas ela acha que nunca lêu é o suficiente, né? Ela sempre tá ali no lugar de erro, no lugar de não adequação, no lugar de não pertencer, de não ser aceito, ser julgado. Então, acho que a rede social ela escancara muito isso, né? Ela coloca eternamente o ideal, mas a gente sabe muito bem que por trás há muito sofrimento, né? Então, ela é um lugar muito perigoso, que a gente tem que tomar muito cuidado, né? Até porque a própria intensidade de informação gera uma ansiedade absurda. Uhum. É, isso vai interferir na saúde mental da pessoa e trazer n questões. Então é um lugar, né? E a questão do cancelamento, acho que, né, por último, só pra gente falar, tem outras coisas para falar, obviamente, é, é um lugar mais fácil de cancelar. É aquela coisa assim, ó, ah, ainda bem que não fui eu, ah, que vergonha, né? Vamos compartilhar. Vergonha alheia, vergonha alheia, né? A gente fala morrer de vergonha, sem vergonha, vergonha alia são termos que a gente usa muito. Por outro lado, tem isso que a gente falou, que que lugar que ela pode ser? Eh, ou ela é para comédia, né? Às vezes vira um meme engraçado, a gente compartilha aquilo, nossa, sabe quando fala assim, nossa, já passei por isso gera essa ideia de vínculo empatia. Então, tem um lugar que é muito bacana, de identidade, de pertencimento, mas tem um lugar que é muito cruel, de cancelamento. A pessoa fez 10 coisas legais, falou uma coisa ali, ela é uma morte social, né? Então, ela é um niclamento social. Uhum. Então, a rede social é lugar de muita atenção, muito perigo, principalmente paraas nossas crianças, nossos adolescentes que se apresentam no consultório, assim, com uma autoestima baixíssima, com um sofrimento psíico enorme, em em razão de não atender, não pertencer. Olha só, gente. E é a questão vem tudo a partir da comparação, né? Eh, é, não tem como, às vezes você não tem aí um preparo psicológico, você não tem um autoconhecimento. E aí quando a gente fala disso, a gente pode eh levar lá pras nossas nossos adolescentes, né, que se a gente, nós adultos, às vezes não temos esse preparo psicológico suficiente para não fazer aí a comparação, você imagina um adolescente, né, que tá em fase de desenvolvimento e e acaba se comparando e aí pode sim se fechar, eh, ter o isolamento social, daí a partir disso vem a tristeza e vem outros sentimentos e pode vir uma ansiedade, pode vir uma depressão, Então, é importante a gente sempre estar atento aos nossos adolescentes, a reações, às emoções e se precisar buscar ajuda. E detalhe, não sentir vergonha de pedir ajuda. Por que que a gente tem vergonha de pedir ajuda se a gente não é perfeito, se a gente tá em fase de aprendizado o tempo todo? Se todos os dias nós vivemos em uma forma que a gente aprende, tudo que a gente falou aqui para mim é novo, a gente tá aprendendo, né? Então assim, nós aprendemos a todo momento e aí quando chega o momento de pedir ajuda, de de pedir um socorro, a gente tem vergonha e se fecha. Precisamos cuidar com isso também, né? Eh, Camila, com certeza, porque também quando a gente pede ajuda, a gente precisa assumir que a gente tem uma vulnerabilidade. Exatamente. E existem algumas ideias de perfeição de que assim, ah, eu dou conta de tudo, então se eu sou perfeita, eu vou dar conta de tudo. Se eu sou perfeita, eu não preciso de ajuda. Se eu sou perfeita, eu não sou vulnerável. é uma ideia imaginada de perfeição que assim e não se sustenta na realidade, até porque nesse mundo que a gente tá não existe ninguém perfeito, né? Então, e nem sei da onde que a gente tira assim o modelo de uma perção de uma pessoa, porque não existe, né? Então, é importante a gente, eh, eh, se humanizar, né? Se aceitar humano, eh aceitar as nossas vulnerabilidades. Todo mundo precisa de ajuda, até porque nós somos seres sociáveis, né? Nós somos seres biopsicossois, então a gente depende sim um do outro. Ninguém vive sozinho, ninguém sobrevive sozinho. A gente precisa de um ao outro, né? Então, eh, é muito importante ter essa humildade, porque isso também tá muito ligado ao orgulho, né? Eh, e esse orgulho narcísico que a Aline trouxe, né, de ah, eu sou autossuficiente. Ninguém é totalmente autossuficiente. Nem deve nem deve ser nem deve. Totalmente desnecessário. Totalmente. Então é importante de repente a gente aceitar e ser um pouco vulnerável. Tem uma nossa uma vulnerabilidade, vou colocar uma aspas aqui, não sei se tá certo falar assim, mas uma vulnerabilidade controlada, porque às vezes se você acha que você é tão súper, né, que você não aprende mais porque você já sabe tudo, você não precisa de ajuda porque você é sú e aí você não evolui para lugar nenhum. Então, a partir do momento, se a gente para para analisar, a partir do momento que a gente, de repente aceita uma vulnerabilidade saudável, se é que existe isso, né? aceita errar, eh, aceita ser corrigido, aceita aprender, a gente tá conseguindo equilibrar e e viver uma vida mais tranquila, sem precisar ser aquela coisa forte, aquele negócio que assim, ó, eu sou super master, porque ninguém consegue ã se manter dessa forma durante tanto tempo e se conseguir, a dor deve ser muito grande. Exige muita energia psíquica, né? E como a gente tá falando do corpo, né? O corpo inteiro trava. Uhum. É, a gente tava dizendo também anteriormente, né, o quanto que o corpo denuncia tudo, tristeza, alegria, vergonha, né? A gente brincou do orgulhinho, aquela carinha, né? Então assim, eh, e como que realmente a Camila colocou a questão da humildade, isso é essencial, né? sair do salto mesmo, falar: "Pera aí, hello, preciso de ajuda." Eh, e o e e aquilo que a gente tava falando anteriormente do brincar, né, do ridículo, do do num grupo de amigos, gente, um dia vocês não sabem o que aconteceram com aconteceu comigo e a partir daí virar risada, né? O amor tá a favor disso. É. Eí, como é gostoso assim poder, porque é isso que você falou, é a gente acabar e achando que sabe tudo e quando a gente acha que sabe tudo, a gente deixa de aprender. Exato. Então é totalmente desnecessário. Você pode buscar excelência, não a perfeição. Mesmo diante da excelência, você vai ser excelente em algumas coisas, vai ser mediano em outras, porque a gente não tem energia para dar conta de tudo e não precisa, porque a gente vai adoecer. Éí o que tá acontecendo, né? Todo mundo achando que pode dar conta de tudo, correndo para lá e para cá, tipo um ratinho na rodinha, né? quase nem dorme, quase não tem vida. E aí depois quando para para analisar, se olha no espelho e não se reconhece. E aí a gente pergunta, por quê? Estamos vivendo de uma forma mais equilibrada ou a gente tá querendo levar tudo nas costas e achando que somos superhumanos, né? Não, gente, vamos lá, mais calma, mais tranquilidade, aceitar vergonha, reconhecer ela, os sentimentos e bora pra vida que ela é maravilhosa. 8:51. A gente já falou bastante aqui, hein? Que delícia conversar com vocês, viu? E agora é a sua vez. você aí de casa mandando a sua pergunta, já mandou produção, já filtrou aqui, já passou pra gente algumas. Então vamos lá saber quem é que tá conosco para falar de vergonha. O Leandro Martins da Vila Esperança. Tem gente que evita pedir desculpas por vergonha de admitir, olha aí, ó, que errou e parecer fraca. Vamos transformar esse medo em uma vulnerabilidade saudável. É o que eu acabei de falar, se é que existe essa vulnerabilidade saudável, como é que a gente faz, né? pedir pedir desculpas por admitir que errou. É isso, Camila. É isso. Tem isso tem a ver exatamente com o que a gente acabou de falar, né? Também é o orgulho que tá por trás disso tudo, né? É o orgulho de achar que que sabe tudo, que pode tudo, que não deve errar. É o medo de admitir também alguma vulnerabilidade, né? Então, eh, todo mundo tem a sua vulnerabilidade. Nós somos seres humanos. Eh, todos os sentimentos, né? A gente falou agora a pouco também sobre a vergonha saudável. Todos os sentimentos têm um lado negativo, mas também tem um lado positivo, mesmo que o sentimento a gente não goste de sentir, mesmo seja um sentimento desagradável, né? Então, por exemplo, se eu tenho medo, eu não gosto de sentir medo, mas às vezes o medo é importante, né? Se eu tenho eh orgulho, não é legal, mas às vezes é importante também. Até o próprio narcisismo é importante que exista, porque senão não me cuido, não me olho, né? Eh, então assim, assumir a vergonha, como a Aline colocou hoje ainda, né, assumir a vergonha não é um problema. Então, por exemplo, uma das uma das palestras mais legais que eu já assisti, o palestrante começou: "Gente, eu tô com muita vergonha, mas eu vou falar". E aí é isso, sabe? é é assumir a sua vulnerabilidade que realmente existe. Eh, entender que o erro faz parte da humanidade e a gente precisa errar, porque eu costumo dizer, nós somos seres perfectíveis no sentido de que que a gente pode se aperfeiçoar, mas a gente não é perfeito. Então, com isso a gente vai aprendendo. É. E a gente só vai aprender se a gente errar, né? Tipo assim, errei, tá bom? E agora o que que eu faço com o meu erro? Aprenda porque daí você não comete mais aquele erro, mas se permita de repente errar novamente pra gente poder ir aprendendo ao longo da nossa caminhada. 8:54. Vamos lá, mais uma pergunta. Vamos ver quem é que tá conosco. A gente tá falando de vergonha. Você tem vergonha? Eu tenho vergonha, gente, e muito, vocês que não sabem, o Fábio Nogueira do Jardim das Flores. No trânsito, quando eu levo uma fechada, grito e depois sinto vergonha da minha reação. Ah, por uma cena pequena vira um filme na nossa cabeça. É aquele negócio consciente, inconsciente. A gente precisa entender sobre isso. Vamos lá, que que acontece com a gente, né? Faz e depois sente vergonha. É, nesse caso, né? Claro que cada caso é um caso. A gente pode pensar assim, como eu foi desnecessário, né? Que que a gente, quando a gente pensa na, a gente tá falando, né, da emoção e do comportamento, quando que é passível de vergonha, né, quando a gente percebe que o que eu senti o afeto, eu mantia desproporcional com a reação. Então assim, putz, eu fiquei com raiva, fiquei com raiva, mas aquilo, se eu me comporto de uma forma mais agressiva, né, essa raiva vai ficar acumulada em mim. Sim. Se eu tenho um tempo, né, por isso que a gente trabalha muito, né, em processo terapêutico, o tempo do pensamento. Se eu penso e eu elaboro aquilo, eu falo: "Não era necessário tudo isso, né?" Então, acredito que no caso dele, eh, passa por essa desproporção entre a minha reação, meu comportamento com aquilo que eu senti. Ou eu poderia dar um outro deslocamento, um outro lugar para aquele afeto, no caso, a vergonha, né? Então, eu fui inadequado, eu fiz uma coisa que não foi legal. É, tem um um referência que é assim, né? A gente briga assim, que que minha mãe ia pensar de mim? Então assim, é mais ou menos esse exercício. É claro que aqui ser uma brincadeira, mas pode ser outra figura. É isso, né? É uma desproporcionalidade assim, por que que eu me expuljo de uma forma que eu não precisava, né? Então acho que é é essa uma das possibilidades. É, se a gente parar para Olha, eu ó, gente, desculpa, vergonha. Se a gente para para pensar, contar até 10 super funciona, né? Por isso que fala conte até 10. Por isso, respira até 10. Isso. Respire. Conte até 10. Exato. Muito bom. Olha a gente aprendendo, né, e entendendo que funciona quando até 10, principalmente no trânsito, gente. Vamos lá. 8:56. Mais uma pergunta pra gente. Vamos ver quem é que tá conosco. Ã, vamos lá. Patrícia Duarte do Nova Europa. Algumas pessoas têm vergonha de dizer que não entenderam algo Uhum. Verdade. Simples, algo simples e finge em saber no trabalho ser perigoso, como é que acolher, como acolher essa insegurança sem diminuir a pessoa? Eh, principalmente no, no, no mundo corporativo, né? Aí você vai, participa de um curso, uma palestra, daí, entendeu? Sim. Daí é para executar, você não sabe nada, né? E aí faz como porque tem vergonha de dizer que não entendeu. E aí, Camila? É, eu acho que é importante a gente entender que não saber não é demérito, né? E inclusive numa sociedade que a gente vive hoje, que até quem não é especialista tem uma opinião formada nas redes sociais, por exemplo, e e parece que sabe tudo. Eh, sustentar esse lugar de não saber parece muito perigoso, mas é um lugar de muita dignidade. Se eu não sei, eu não sei. E simples assim, porque eu não, eu não sei de tudo mesmo. E existe uma coisa que é o efeito da Cugger, né, que quanto menos se sabe, mais você acha que sabe. Quanto mais você estuda, mais você percebe que não sabe. É verdade, né? Então, é, eu acho que assim, você não saber não é demérito, faz parte, porque a gente não sabe de tudo mesmo. Eh, quando você fala que, ah, a pessoa não sabe, não significa que você tá diminuindo a pessoa, né? Então, eh, a pergunta já traz um pouco esse sentimento, né, de de de que a pessoa é menos porque não sabe, mas na verdade não, né? Por exemplo, eu sei muita coisa de psicanálise, mas se me perguntar uma coisa de matemática, não vou saber nada, né? Então isso tem a ver também com a humildade, né? Com a entrega daquilo que eu que eu de verdade sou, né? Exato. E o maestar contemporâneo, ele passa por uma linha assim, ó, entre o exibicionista, exibicionismo, eu tenho mostrar que eu sei e entre o individualismo, eu me escondo pela vergonha de ser. Então parece que são dois extremos. Na verdade a gente pode caminhar por aqui, né? Então tem que tomar cuidado isso, porque hoje a sociedade ou exibe ou isola. Ou isola ou exibe. É como se a gente não tivesse uma saída. E a gente não tá falando de dois pontos, a gente tá falando de um caminho e a gente pode caminhar por ele, até porque uma linha reta tem muitas possibilidades de subidas e descidas, né? Ai, que delícia ouvir isso, gente. Como é confortante, né? ouvir que a gente pode errar, que a gente pode sentir vergonha e que tá tudo bem a gente não saber. Se a gente não sabe, a gente pode aprender, não é mesmo? Então tá tudo certo, né? Só tem que tomar cuidado, né? Porque daí você fala que sabe, depois você tem que executar e aí você não consegue. Aí você vai sentir vergonha e muita vergonha. Aí, nesse momento, vai ter que sentir todos aqueles sentimentos, aquele turbilhão de emoções e aí vai ficar complicado. Então, melhor falar que não sabe e aprender e seguir a vida, né? Tá tudo certo. 8:59, mais duas e aí a gente já encerra. Isso, produção? Então, vamos lá. Estamos aqui ao vivo falando sobre vergonha com duas especialistas em saúde mental e ensinando a gente a lidar e equilibrar a nossa vergonha e sentir e também nomear os nossos sentimentos. Ricardo Almeida do Jardim Aurélia. Eu chego a suar frio só de imaginar uma sala cheia olhando para mim. Meu corpo trava antes de eu entrar. Isso pode ser uma reação do cérebro. A vergonha, menino. Olha essa. Tem gente que sua frio, tem gente que treme, tem gente que não consegue andar, tem gente que trava, tem gente que esquece que que que tá ali no mundo, sente uma coisa, tipo assim, foi abduzido, né? É uma sensação muito ruim, então a gente precisa orientar o Ricardo Almeida. Vamos lá, Ale. É claro que é muito desconfortável, assim, como a gente já falou aqui, acho que a pergunta é bem pertinente, né, para esse fechamento, tem o lado da do que ele introjetou, daquilo, das exigências que ele tem para si a partir das vivências, a partir da cultura e da expectativa que ele acha que o outro tem, tem esse lado. Eh, e aí sendo sendo um pouco mais prático, talvez na experiência dele, talvez acredito que seja constante ou não a pontual, mas tem muito a ver com o preparo também, né? Quanto mais eu me preparo para uma situação, não quer dizer que eu não vou ficar nervoso, que eu tô com um Big Brother ali diante de mim, mas eh eu consigo minimizar esse impacto. E um terceiro ponto que eu diria que é experiência. Quanto mais você faz, mas você aperfeiçoa. Ou seja, a gente pode buscar excelência, mas nem em tudo a gente vai ser excelente. Então, eh, se isso para ele causa uma paralisia, né, como aquelas pessoas que têm fobia de pegar o avião, qual que é a fobia? Eh, é passível de olhar e cuidar, né? O processo terapêutico tá a favor disso para entender o que causa isso, para diminuir esse nível de rigidez e de desse juiz interno que fica ali, você vai errar, vai passar vergonha, vai pagar mico, vai ser feio. Então assim, tem isso, né? Então, é rever essa construção, re eh rever, quando a gente fala rever também, é desconstruir eh marcas ali que foram colocadas como tem que ser assim, não tem que ser assim, pode ser de 1407 outras formas. Uau! Esse juiz interno, Camilo, ele é terrível, né? Ele fica ali martelando e tipo assim, você não vai conseguir, você vai errar porque você não tá preparado e tal. E se a gente tem uma preparação antes, acredito que a gente consiga minimizar um pouquinho esse juízo interno, porque quando ele vem, você fala: "O quê? Tô preparado? Fica aí quietinho aí no seu cantinho que eu tô indo". Mais ou menos isso, né? Com certeza. E esse juiz interno, dependendo da pessoa, ele pode ser muito rígido, né? E muito punitivo também, né? Então, eh, a pessoa quando ela se prepara, ela fica um pouco mais tranquila. Não quer dizer que ela não vai ficar ansiosa, nervosa, mas vai diminuir muito essa ansiedade também, né? Nem quer dizer que não vai dar branco, né? Também não quer dizer que não vai dar branco, mas aí a gente aceita o branco também. Exatamente. Improva improvvisa, isso, faz humor com isso, né? Uma forma de uma forma, tipo, esqueci, enfim, que eu tava falando mesmo, né? Gente, me ajuda aí. É. Aí, ó. Tá vendo? E segue a vida. Continua seu raciocínio que eu te cortei. Vai lá. Não, mas é, eu tava falando sobre a questão do nosso supere eu, né, que é esse ser dentro da gente que fica acusando a gente quando a gente erra. e não permitindo que a gente erre, né? Então, a Aline tava falando sobre a experiência, né? Então, sempre quando a gente vai viver uma nova experiência, é como se a gente entrasse num novo território, né? E cada nova experiência que a gente tem é um novo território. E quando a gente vai vivenciando aquele território vai se tornando conhecido. E se você for parar para pensar, né, toda nova experiência que você teve já, toda a experiência que você tem hoje, todo o território para você que é familiar, um dia não foi familiar. Verdade. Então um dia esse novo território se tornará familiar à medida que você vai conhecendo ele. É isso mesmo, né? Eh eh o amadurecer, o aprender, o seguir em frente, a gente vai por degraus, né? E a gente vai aprendendo. E aí o que de repente hoje é vergonha, amanhã é uma grande experiência. E você vai poder contar da sua vergonha como uma experiência que vai de repente alavancar alguém que tá te assistindo, tá te olhando e tá sentindo vergonha, né? E aí se inspira em você e segue a vida também. Vamos lá. 93. A última pergunta, então. Tá certo? Vamos, vamos ver quem é que tá conosco. A última perguntinha de hoje. Helena Duarte do Flamboiã. Algumas pessoas passam a vida tentando vencer a vergonha como se ela fosse um defeito. Dá para dominar esse sentimento ou ele sempre fará parte de nós? Então, eh, Camila, eles, a vergonha sempre tá aqui, né? Ela tá guardadinha, né? Numa caixinha, como sim. Como qualquer outro sentimento. Se a gente imaginar que um sentimento é um defeito, a gente vai ficar lutando contra ele. E não é assim que os sentimentos funcionam, né? Porque daí fica uma parte sua vivendo, tentando sobreviver e outra parte só brigando com você mesmo. E aí é uma luta eterna constante. Os sentimentos eles vêm como uma onda. Eles vêm, a gente sente e passa. Se a gente, se o sentimento vem, a gente briga com ele, a gente carrega essa onda no pico dela o máximo de tempo que a gente pode. E aí é muita energia de briga interna, né? Quanta energia psíquica que a gente podia estar oferecendo aí pra vida, fazendo outras coisas. a gente tá aqui brigando com a gente mesmo. Então, eh, não tente eliminar os seus sentimentos, não tente eliminar nem os seus defeitos, inclua ele, sabe? Eu acho que é um caminho muito positivo a gente incluir os nossos defeitos para poder transformar eles e não eliminar eles. Que delícia. A Clarissa, ele espect, ela, a gente faz uma analogia de defeito, né? Se a gente tira o defeito da estrutura, a gente pode derrubar a estrutura, né? Ela fala de uma outra forma, a gente se apropria, a gente usa sintoma, né, o efeito o sintoma, se a gente tira o sintoma muito abrupto, a gente desmorona. Uhum. Então, a gente tem tomar cuidado com essa estrutura, tem que ir lapidando, trocando uma pecinha e tal, para que ele continue funcionando e aliviando aquilo que tava eh inflamadinho, estragadinho, com eh enfim, quebrado e e assim com mofo e assim a gente vai cuidando e ajustando pra gente ser adequado, mas não nessa idealização de uma adequação. Sabe que eh com relação até só finalizando essa essa pergunta, né? Eh, a vergonha como qualquer outro sentimento, quando a gente acolhe isso e cuida disso com amor e com aceitação, eh, é como se a gente tivesse cuidando de uma parte nossa que ainda é um bebê, sabe? Então, quando a gente acolhe isso, isso aos poucos vai se transformando. Isso e aí a gente se trata com mais amorosidade também. É verdade. A infância é um lugar que a gente pisa a vida toda, diria, né? Uma poeta. Então, verdade. A gente aprende isso aqui com vocês. Isso é maravilhoso, aprender. É maravilhoso entender que a gente pode, a gente precisa se acolher, que a gente pode sentir que a gente pode ter medo, que a gente pode ter todos os sentimentos. A gente precisa sentir esses sentimentos para que a gente possa acolher eles, né? Os meus eu aprendi colocar nas caixinhas, né? Quando um puf, sabe aquela caixinha assim que tu sai assim o e sem esperar? Aí eu acolho, devolvo, volta lá, fica aqui, você faz parte de mim, mas fica no seu cantinho agora, porque, né, deixa, deixa eu trabalhar, fica aqui, outra hora a gente conversa sentimento, mas fica aqui comigo porque eu preciso de você. E é mais ou menos isso, gente. Que legal, que bom a gente poder aprender todos os dias e com profissionais excepcionais. uma professora mestre aqui hoje explicando pra gente a Camila, com toda eh eh a sua expertise, né, o estudo dedicado à saúde mental também. Acho que o programa ficou bem interessante, bem explicativo, tá disponível no YouTube já para você compartilhar com as pessoas que fazem sentido para você, porque a vergonha faz parte da vida, mas a gente precisa entender ela, né? E aqui a gente conseguiu entender um pouquinho sobre esse sentimento que todos nós temos em algum momento da vida ou então eh todos os dias em algum momento do dia a gente sente uma vergonhazinha, né? E tá tudo bem sentir. Quero agradecer demais a presença, Aline. Obrigada pela sua participação, ah, por tanta troca de conhecimento com a gente. Gratidão. Agradeço. Agradeço o público. Agradeço, Camila, pela parceria. Foi muito bom. para dessa confiança. Maravilhosa, gente. Olha, impressionada com tanto ensinamento que nós recebemos hoje. Camila, mais uma vez, obrigada pela sua participação. É, é bom demais poder eh ver essa troca, né, dos nossos entrevistados e o conteúdo que vocês deixam pra gente, o ensinamento que vocês deixam pra gente, é coisa pra gente levar pra vida. Obrigada. Eu que agradeço a oportunidade mais uma vez, Rub. É muito bom poder doar um pouco do que eu já recebi assim desse caminho da psicanálise. Obrigada, Aline, maravilhosa, pela pelo lugar, pelo espaço aqui da gente compartilhando. Obrigado pessoal de casa mais uma vez também pela confiança, por dar esse espaço para mim. Agradeço muito. Vocês são maravilhosas, gente. E é isso. Vergonha faz parte da vida, não precisa ser eliminada, né? Precisa ser acolhida. Só que quando ela passa a definir quem somos, limitar as nossas escolhas e impedir o nosso crescimento, aí é sinal que a gente precisa olhar ah para esse sentimento com mais atenção e buscar ajuda. Reconhecer a vergonha, compreender sua origem e buscar ajuda quando necessário. São atitudes que podem transformar sofrimento em aprendizado e permitir uma relação mais saudável consigo mesmo e também com os outros, né? Então acolha e reconheça sua vergonha. Daqui a pouquinho a iria tá chegando aí, trazendo informações atualizadas aqui de Campinas, Brasil e Mundo. Ao meio-dia temos Câmara Notícia, eh, trazendo informações também da nossa cidade, do legislativo aqui de Campinas. E amanhã, gente, amanhã é o dia dos namorados. Ai, que beleza. E o estúdio Câmara, então, vai encerrar a semana amanhã, né, na sexta-feira, discutindo os desafios da paquera nos tempos modernos. Hum. Por que tanta gente tem medo de iniciar uma conversa? Porque conhecer alguém parece cada vez mais difícil. Você já ouviu aquela a pessoa falando assim: "Nossa, tem preguiça de conhecer, tem preguiça de começar tudo de novo?" Qual o impacto das redes sociais, dos aplicativos e até da inteligência artificial na forma como a gente se relaciona? Será que tá faltando tempo para se relacionar ou tá faltando disposição para investir em conexões? verdadeiras. Já que amanhã é Dia dos Namorados, a gente vai falar da crise da paquera moderna, um debate sobre comunicação, relacionamentos e desafios de encontrar alguém em um mundo cada vez mais virtual e acelerado. A gente espera por você amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Valeu time. Vamos simbora. O programa, a programação da TV Câmara Campinas está maravilhosa, feita com muito carinho, especialmente para você. Uma ótima quinta-feira e até amanhã, se Deus quiser. Tchau, tchau. Copa começa hoje, hein? Bora que bora, Brasil. Vamos lá, gente. Valeu,