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[Música] [Música] Está começando mais um programa em pauta e hoje a nossa convidada é a vereadora Guida Calisto. Ela que está no seu segundo mandato consecutivo aqui na Câmara Municipal de Campinas. é a atual presidente da Comissão de Legislação participativa do Legislativo e também é membra de quatro comissões, a comissão de educação e esporte, a comissão da mulher, a de defesa dos direitos da criança, do adolescente, da juventude e também a comissão das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Até o dia desta entrevista, a vereadora protocolou neste ano de 2025 9 requerimentos, 56 indicações, 10 moções, seis projetos de lei ordinária e dois projetos de lei complementar. Vereadora, muito obrigado pela sua disponibilidade de poder vir aqui participar do programa em pauta, né? Pra gente começar, eu queria que a senhora falasse um pouco sobre esse seu trabalho no seu segundo ano consecutivo aqui no Legislativo Campineio. Bom, primeiramente eu quero agradecer o espaço, né, que o programa Em Pauta sempre disponibiliza para quem é parlamentar dessa casa, agradecer a todos que têm acompanhado aí a programação. Eh, dizer que a gente não mudou muito, né, do que era eh a o primeiro mandato. Nós temos um trabalho intenso, um trabalho que tá sempre voltado para bandeiras de luta que a gente se propõe a fazer, né? Então, a gente tá sempre pautando aí uma cidade que seja mais humana, uma cidade que tenha um programa, um projeto de bem-estar social para o povo dessa cidade. uma cidade que possa ser democrática em todos os seus espaços, nos espaços do do legislativo, do executivo, no serviço público, que a população possa ter acesso aos aos serviços aqui, né, na cidade, até porque quem eh quem financia o serviço povo, o serviço público, é o povo que mora aqui. Então, nós estamos sempre fazendo com que o nosso mandato possa atender essas agendas, essas pautas. é muito vinculado à população que mais precisa. Como eu falei no início, a senhora está presidindo a comissão de legislação participativa aqui da Câmara, né? A importância desse grupo de trabalho, né? A expectativa eh dessa comissão já aconteceu, já tiveram tivemos algumas reuniões, né, vereadora? Sim, essa comissão é uma comissão que muitas vezes fica esquecida, né? a gente percebeu que mesmo que na legislatura passada, no meu mandato passado, essa comissão praticamente não funcionou. Eh, então nós já começamos, eu eu comecei esse ano na presidência dessa comissão e justamente pautando um projeto que eu acho bem interessante, que é um projeto que ele democratiza as discussões da cidade do ponto de vista principalmente eh da zeladoria e das necessidades das demandas nos territórios. O que que é isso, vereadora? Assim, muita gente sabe que o prefeito quando ele ganha a eleição, quando ele se assume, né, como chefe do executivo, ele acaba compartilhando, distribuindo as áreas que ele tem ali do serviço público para seus aliados. Então, aqui na cidade de Campinas, por exemplo, a gente sabe que as administrações regionais, que são os equipamentos públicos municipais responsáveis por garantir a zeladoria de todo a de toda a cidade, ela é compartilhada com esses aliados. O que que nós pensamos a partir dessa comissão? Nós apresentamos um projeto de lei em que em cada território nós temos acho que em torno de 15 ARs e três subprefeituras, quatro subprefeituras, né? quatro, acho que é quatro, são quatro. Eh, subprefeituras, gente, me corrija depois se eu tiver falando besteira, porque é muito na minha cabeça. E aí, o que que nós fazemos? Nós eh vamos em cada AR, a gente vai ter um conselho eleito pela população, que esteja presente também funcionários públicos e também indicados, né, do poder executivo para que possam discutir a demanda daquele daquela região. Eu vou dar um exemplo. Por exemplo, lá no Parque Universitário, por exemplo, eh se lá no Parque Universitário nós temos demandas ali, falta de creche, falta de centro de saúde, eh falta de médico, eh buraco nas ruas, uma ponte que precisa ser feita, esse conselho vai sentar e vai deliberar qual que é a obra que precisa ser feita com mais com mais urgência. Porque o que que acontece muitas vezes? Muitas vezes quem tá à frente do serviço público, ele tem um olhar que não é o olhar que a população está priorizando. Às vezes a população entende que é melhor dar uma esperadinha, talvez no asfalto e e garantir que o centro de saúde saia logo e garantir que se contrate o mais rápido possível médico pro pro posto de saúde. Tá faltando pediatra, tá faltando ginecologista, enfim. Então, é um conselho que vai discutir o território, porque se a gente não tiver vinculado com o território, a população não vai ter acesso aos aos serviços, né, e aos serviços de forma com qualidade e e de direito, né? Então, muitas vezes a gente olha assim, a gente acha, ah, melhor eu eu não que tudo é é óbvio que se tiver espaço para fazer todos esses serviços, tem que ser feito o mais rápido possível, mas esse conselho, ele é importante para que não só decidir quem vai ser feito primeiro ou não, a obra, a demanda que vai ser atendida primeiro ou não, não é isso, mas é um é um conselho que vai discutir o território onde as pessoas moram, onde as pessoas vivem, onde as pessoas estudam, onde as pessoas têm convivência, onde as pessoas produzem cultura. Então, vai ali a partir do território eh se discutir esse conselho e ficar muito interado das questões todas. E e é um conselho extremamente importante, porque você ficar sabendo a você vai ter acesso ao orçamento, você vai saber quanto que Campinas arrecadou, quanto que tá disponibilizando para os serviços públicos, para os serviços essenciais, qual que é o projeto ambiental para aquele território, enfim. Então, eh, a partir dessa comissão, eu fiquei bastante contente quando a gente pensou esse projeto, que é de compartilhar, que é de democratizar com toda a população e chamar a população para a participação. Vereador, você também neste B tá como presidente da comissão especial de estudos para discutir a importância do fim da escala 6 por1 da jornada de trabalho. Qual que é o objetivo dessa comissão especial de estudo? Bom, esse é um tema de relevância nacional. né? Eh, de tempos em tempos na história do povo brasileiro, na história do dos trabalhadores brasileiros, a pauta da reedição da jornada sempre teve eh um objetivo especial, né? Porque as pessoas querem ter direito à vida também. Não dá para só trabalhar hoje. As escalas de trabalho elas são e desumanas, né? Elas são escalas eh exorbitantes, muito altas. Você pensa, por exemplo, numa numa mulher que trabalha fora de casa, né? Cumpre uma uma jornada de seis dias. Essa mulher tem que chegar em casa porque todo mundo sabe que toda o que todo o trabalho do cuidado culturalmente é cumprido pelas mulheres. Então são as mulheres que tm que cuidar da casa, são as mulheres que tem que cuidar dos nossos filhos. São as mulheres que cuidam dos idosos, dos doentes, né, de uma casa. São as mulheres que têm que dar conta eh do filho na escola, das tarefas escolares. Então você imagina uma mulher que trabalha semana seis dias e aí ela só vai ter um dia na semana de descanso, só um dia, só o domingo para cuidar disso tudo. Isso é desumano, né? Isso é desumano. Então, eh, a e a e o que a gente tem acompanhado nacionalmente também os debates com relação à saúde mental, nós temos um nível altíssimo de trabalhadores que estão sendo impactados pelo estress no trabalho. Então, eu sempre falo, sabe aquele ditado que fala: "O trabalho dignifica o homem?" Calma, pera lá, né? Vamos pensar que tipo de trabalho é esse, em que condições, se for nessas condições exaustivas, isso não, isso tem acarretado cada vez mais doenças mentais, cansaço, estress e isso tem impactado muito a vida eh das pessoas. Eu falei das mulheres, obviamente, porque sou uma mulher, né, com com idade média de 50 anos e são as que mais são impactadas, né, por essa agenda. Mas também eu posso falar da juventude trabalhadora. A juventude hoje ela precisa estudar e precisa trabalhar para sobreviver. De que jeito, gente? Com uma com uma jornada dessa exaustiva, exorbitante, cada vez a gente vai ter mais jovens em postos de trabalho precarizados. Então, por que que eu fiz essa comissão? Aí você pode falar assim: "Ah, é uma pauta nacional, sim, né?" Mas todo debate nacional ele tem e efeito é na cidade, é aqui na cidade que a gente vivencia essas políticas públicas que são votadas a nível federal. Então, por isso que o debate federal é muito importante a gente acompanhar. Então, a e essa comissão, ela visou muito fazer esse esse esse debate aqui, ter um espaço aqui na Câmara Municipal que a gente pudesse debater essas questões para a cidade de Campinas. Nós trouxemos especialistas da própria Unicamp. Nós temos aqui o Ifich, o Instituto, o a gente tem o Instituto de Filosofia e o Instituto de Economia, né? Eh, nós trouxemos, geralmente aqui veio bastante pessoas do Instituto de Economia que estuda essa pauta, que estudam esse tema e sabem que é possível. É possível. O acúmulo de trabalho que nós temos a nível de Brasil é exaustivo. Tem sim, não vai quebrar ninguém. Pelo contrário, você vai ter outros espaços, espaços de lazer, espaço de convivência com a família, vai ter outros momentos que podem potencializar também outras atividades, como a atividade do do turismo, do comércio, enfim. Então eu acredito muito nessa luta, eu acho ela importantíssima, porque o nosso povo e está já exausto com uma jornada na escala 6 por1 que é desumana. Ô Guida, você também tá presidindo duas frentes parlamentárias, né? A de educação do município de Campinas, né? Qual que é o objetivo dessa frente, a expectativa pros trabalhos dessa frente parlamentar? A Frente Parlamentar eh de educação, ela tem o objetivo de discutir os grandes temas da educação, né? Por exemplo, nós temos vários temas importantíssimo. Nós temos a pauta da educação especial, por exemplo, nós temos essa pauta é a pauta da inclusão para que as nossas escolas estejam preparadas para atender os alunos atípicos. Quem são os alunos atípicos? alunos que são autistas, alunos que são deficientes. A escola, isso é lei nacional, né? Por isso que eu falo o quanto as leis nacionais impactam a a nossa vida. É uma lei nacional, foi sancionada ainda na época do do governo Lula, a importância de você garantir que os espaços da escola sejam espaços inclusivos. Eu sou educadora, eu sou contra que a gente tenha escola eh exclusiva, específica de gente deficiente. Por quê? Porque nós aprendemos com o outro nas relações, na interação, né? Eu interagindo com você, eu aprendo inclusive a falar melhor, porque você fala muito bem, você é um jornalista fala muito bem. Então eu eh é nessa interação, né? nessa interação com as pessoas eh que que a gente nesse convívio que as pessoas aprendem. Se você confinar crianças eh autistas, crianças deficientes somente em espaços exclusivos, isso muitas vezes não pode servir de estímulo para essas crianças desenvolverem. Então, nós temos que garantir que o ensino regular possamos estar com estrutura eh aprovada, né, em condições de atender os nossos alunos. Esse é um grande tema, mas nós temos vários outros temas para debater. A gente temas que discute a questão do Plano Nacional de Educação, né? Nós temos metas a alcançar, nós temos discussões a fazer sobre o número de vagas por de alunos na sala de aula. Nós temos temas a a discutir sobre a violência nas escolas. Nós temos o tema a discutir sobre a questão do uso de tecnologia, né? O quanto isso é importante ou não. Nós temos temas a discutir sobre a carreiras dos profissionais, sobre educação integral. A gente quer de fato uma escola com educação integral ou a gente quer só com tempo integral? A gente quer uma escola que seja uma escola inclusiva, atrativa, eh gostosa, alegre. um espaço de bastante aprendizagem ou você quer apenas um depósito de alunos? Enfim, são os grandes temas que a gente discute na pauta eh na Frente Parlamentar de Educação. E tem uma pauta agora também bem bacana que é sobre os cursinhos populares, né? Para quem não sabe, nossas Campinas tem muitos cursinhos populares organizados pela sociedade civil para que o o aluno da escola pública, o aluno pobre da periferia possa se formar, se capacitar e tenha condições de acessar a universidade pública. a universidade pública tem que parar de ser o espaço somente de do dos filhos dos ricos, né, que tiveram condições de ter um um bom aprendizado no ensino fundamental, na educação básica e tem condição de fazer um vestibular e tirar uma boa nota. Nós sabemos que o que falta para a população pobre, para os nossos alunos, é oportunidade. Então, os cursinhos populares fazem esse trabalho também. E nós acabamos há pouco tempo de receber uma informação de um projeto de um de um edital pelo MEC do CPOP, que vai contemplar vários cursinhos populares, alunos dos cursinhos populares, porque os alunos dos cursinhos eles têm muita dificuldade com relação aos custos, né? Porque gasta-se muito com transporte público. A gente tá falando de uma cidade que tem uma tarifa altíssima do transporte público. Então eles precisam desses recursos e o governo federal vai fazer aí um programa de repasse para os alunos dos cursinhos. Então na nossa frente a gente discute todos esses temas. A outra frente que a senhora também tá presidindo é a Frente Parlamentar pela Justiça Social e Trabalhista, né? Qual que é a proposta dessa frente? Bom, a gente acabou fazendo um nome bem amplo, né, para isso, mas a gente quer discutir os grandes temas mesmo, eh, jurídicos, eh, da do direito do trabalho, né, que que a gente precisa lutar para que seja um direito com justiça social. Nós temos várias pautas aí e engana-se, né, quem acha que a justiça do do trabalho ela não tem lado. Ela tem lado sim, não é o nosso, não é o lado do dos trabalhadores na maioria das vezes, mas a gente disputa essa justiça também, como a gente disputa tudo, né? A gente disputa todos os espaços. E na justiça do trabalho, nós temos temas ali muito relevantes. Por exemplo, essa questão da pejotização. Eh, a pejotização, ela vem no sentido de fraudar o contrato de trabalho. Os trabalhadores brasileiros, eles têm uma carta que é uma uma é um conjunto de leis, que é a consolidação das leis do trabalho. E nessa e nessa e nessas leis tem lá direitos, então direitos ao fundo de garantia, direitos ao recolhimento previdenciário, né? Por exemplo, se um repórter carregando uma dessas câmeras, como tem vários aqui, eh se cair ali, se machucar e ele tiver que se afastar, ele tem o direito a ficar afastado e recebendo salário, né? Recebendo o benefício, porque ele se acidentou trabalhando, né? tão eh tem direito à férias, porque é um absurdo as pessoas trabalharem sem ter direito a férias, a descanso. Isso é uma questão de saúde, é uma medida de saúde pública, inclusive. Então, eh, nós queremos discutir esses temas e a PJação, várias empresas se utilizam e o próprio TSE, TST, né, o próprio TST, o Tribunal Superior do Trabalho, ele soltou uma uma súmula eh validando a a pejotização. Então veja, você coloca o você obriga o trabalhador a se tornar uma pessoa jurídica para ser contratado por uma empresa sem ter os direitos. Então se esse trabalhador PJ cair ali, machucar, ficar afastado, ele não vai ter o direito de receber o benefício, né? Então é essa frente também para discutir essas questões. Questões, por exemplo, sobre a terceirização. A terceirização, principalmente nas grandes empresas e no serviço público, é para precarizar, né? Os donos das empresas, eles têm que saber que eles têm o risco do negócio. Se eles se propuseram a abrir o negócio, eles têm que ter risco. E qual que é o risco? Vários, inclusive pagar direitos. Esses caras reclamam demais. Reclamo, reclamo, reclamo. Porque na verdade o que que eles querem? Eles querem lucrar em cima da da precarização. Então eles querem eles precarizam o salário, pagam pouco, né? Temos aqui aqui na cidade de Campinas, no próprio município, profissionais que ganham menos de um salário mínimo. Gente, isso é vergonhoso. Isso é vergonhoso. Profissionais de educação que lidam com crianças PCDs. Então também nós queremos debater a terceirização e todos os elementos, todos os temas que envolvem o direito do trabalho. Vereador, agora sobre as emendas impositivas que a senhora fez orçamento de Campinas para este ano de 2025, a área da saúde foi a prioridade nas emendas impositivas. Elas forem estabelecidas em uma parceria com o Movimento Popular de Saúde que consultou quase os 70 conselhos locais da área, os 68 centos de saúde. Isso é é o MOPS, né? O movimento popular de saúde. É o MOPS. É um movimento muito antigo, é um movimento que participou ativamente da construção do que é o Sistema Único de Saúde hoje do SUS. E é um movimento que fortalece muito o SUS. O que que a gente entende? Eh, as emendas impositivas, ela é um recurso muito importante para que o vereador possa apresentar projetos, indicar recursos, não passa nada pela nossa mão, tá gente? Não passa nada. Apenas a gente a gente indica para que a secretaria, para que a prefeitura, né, através das suas secretarias eh indiquem, né, orientam eh eh recursos para determinadas políticas. Neste caso, nós entendemos que o MOPS é um fórum importantíssimo e ilegítimo para saber onde que deve ser destinado esses recursos. Então, não sou eu, né, a vereadora, eh, que vou olhar para aquele lugar somente para o meu curral eleitoral, né? Ah, a vereadora tem bastante presença, sei lá, Barão Geraldo, aí só vai destinar recursos para lá. Eu sou vereadora da cidade, né? E a gente precisa olhar a cidade. Na cidade nós temos trabalhadores, nós temos a população que precisa ter um acesso à saúde pública com qualidade. Então eu não posso olhar e querer destinar somente para para um bairro, porque eu tenho voto ali para outro. Eu tenho que olhar pra cidade como um todo. Eu sou uma vereadora que defendo o serviço público, defendo que o serviço público seja universal. Então, se eu defendo isso, eu preciso dialogar com quem tá no dia a dia discutindo saúde na cidade. Quem discute isso é o MOPS, né, que é o movimento popular de saúde. Então, nós dialogamos com o MOPS. O MOPS eh teve um diálogo muito muito importante com todos os conselhos locais do centro de saúde que apontaram para onde deveria ser destinado esse esses recursos. É dessa forma que a gente entende, porque a gente pensa na saúde para toda a população e e o e o recurso não é do vereador, o recurso é público, né? É dinheiro público, é orçamento público, então tem que ser voltado para aquele que com aquele que paga, né? Sabe aquela coisa, quem paga, quem paga escolha, quem paga a banda escolhe a música. Então, para mim é o povo que tem que destinar para onde tem que ir esses recursos. paraa Secretaria do Clima e Meio Ambiente, a senhora destinou 50.000 para as protetoras independentes para a castração dos animais domésticos. Sim. O que que acontece muitas vezes a agenda da da proteção animal? Eh, tem muitas ONGs e ONGs que tem muitos recursos, ONGs que tem muito, muitas pessoas que investem, né? tem muita estrutura, tem muito conhecimento político, inclusive elas conseguem ter acesso principalmente a esse processo de castrar os animais. E nós temos um grupo muito grande de protetoras independentes, geralmente são mulheres que usam dinheiro do próprio bolso para comprar ração, para comprar medicação, para poder socorrer os animais que estão abandonados pelas ruas. Você sempre vê uma protetora parando o carro, catando um, né, um cachorro, recolhendo um cachorro, né, no sentido de que ele não seja atropelado, que não sofra acidente, o cachorro para cuidar, né? Enfim. Então, eu entendo que essas protetoras precisam ter esse apoio também, né? Elas precisam porque elas estão cumprindo inclusive algo que deveria ser o município fazer, né? que é uma política pública obrigatória do município. Cuidar dos animais é algo que você eh tá atendendo uma política pública importante, inclusive de saúde. Por isso eu entendo que essas protetoras precisam ter esse olhar. Então nós destinamos sim recursos para que elas possam utilizar quando elas precisarem com os animais que elas recolhem. E na área da cultura foram destinados 90.000 para estruturas e cachê artísticos das atividades culturais, periféricas, cultural e e do meio ambiente. É, a gente tem feito isso, a gente tem sempre também pautado eh aonde a gente entende que precisam ir os os recursos. A gente não pensa nos grandes shows, é óbvio, né? todo mundo tem direito de assistir um grande show, de um bom artista, não é isso que a gente tá falando. Mas a gente com dessa forma que a gente tem orientado os nossos esses recursos das emendas impositivas, é no sentido de fortalecer quem faz cultura no território. Então nós temos muita gente fazendo muita coisa. Nós temos senhoras que se organizam, né, que fazem artesanato, que fazem bordados num sentido de terapia para socorrer outras mulheres que estão com problema de saúde mental, mulheres que sofrem violência doméstica. Então, e esse tipo de atividade precisa ser potencializada. Nós temos uma juventude aí que tem feito eh muita cultura nos territórios. Por exemplo, a gente tem as batalhas de rimas, coisas assim chique. Eh, eu falo chique porque, eh, gente, eles são muito inteligentes. O que eles são, eles são poetas e o que eles falam nas suas letras é discutir a realidade da onde eles moram. Muito desses jovens, muito desses meninos são vítimas de violência, são alvos do tráfico, são alvos da violência urbana, da violência de estado também, da violência policial, porque muitos deles são negros. Enfim, então a gente precisa potencializar essa cultura no território, porque tem muita gente e a cultura ela precisava ser vista eh como uma necessidade essencial, como uma atividade necessária e cultural. Porque, por exemplo, na época da pandemia, as pessoas muitas vezes ficaram desesperadas porque não poderiam eh estar junto umas com as outras, não poderiam ir num show. Muitas elas ficavam assistindo show por lives. Eu lembro na época da pandemia, eh, na minha juventude eu nem era muito chegada no Raça Negra, mas a Raça Negra fez um uma live, eu assisti na live porque eu estava desesperada de ficar tanto tempo isolada, né, no isolamento social. Então, a cultura ele é algo importantíssimo e a gente precisa valorizar aquele que não tem condições econômicas de, né, fazer a sua arte e receber vultuosos recursos. Então, a gente potencializa sempre a cultura periférica. Guida, como eu falei no início do programa, né, até o dia dessa entrevista, a senhora protocolou 98 requerimentos, 56 indicações, seis projetos de lei ordinária, dois projetos de lei complementar e 10 moções neste ano de 2025, né? Vamos falar um pouco mais sobre isso. Eh, você tem um um PLO número 85 que institui o cadastro de identificação das pessoas com fibromalgia e a carteira de identificação da pessoa com fibromalgia no município de Campinas. É, a fibromialgia é uma doença eh que impacta seriamente as pessoas, né? Ela ela impede muitas vezes as pessoas até de trabalhar, de exercer as suas atividades cotidianas. E esse projeto de lei é nesse sentido para que a gente possa ter primeiro dado na cidade, de fato, quantas pessoas nós temos e a partir desse cadastro ela possa acessar direitos, né, inclusive direitos constitucionais, direitos eh legais, eh benefícios, porque tem uma série de patologias que atingem as pessoas que elas têm direito no no trabalho, inclusive até de se aposentar de forma especial e as pessoas não sabem. Então o legislador ele tem que ficar atento a isso. E esse é um projeto de lei que veio para nós, né? A fibromialgia é uma doença que atinge boa parte das mulheres também, eh, e que acaba, é impactando muito a vida delas, né, assim, de forma muito negativa, limita muito a vida das mulheres, as dores são insuportáveis. Então, a gente precisa ter esse olhar. E para ter esse olhar, a gente precisa ter esses dados. Com esses dados, com essas informações, a gente pode avançar em políticas públicas. Um outro projeto constitui o comitê de acompanhamento de assédio moral, com a finalidade de acolher, analisar e formalizar os relatos apresentados pelos servidores públicos municipais, assim como acompanhar as relações conflitantes no ambiente de trabalho, atuando na sua resolução e prevenção. É, Campinas tem uma lei, parece que foi instituída no governo Isalene, né, no governo Toninho Isalene sobre o ass moral. Na verdade, esse projeto, como você bem disse, é um comitê. E por que um comitê? Porque a gente precisa ter um espaço para que os servidores públicos possam chegar lá e relatar casos de assédio de moral. Muitas vezes eu eu sou procurada, né, porque eu sou uma servidora pública e pauto também essas questões, mas a gente precisa ter pessoas especializadas para poder atender. Esse comitê não é um comitê de pessoas que serão indicadas pelo governo, pelo contrário, é um comitê que vai que vai eh eleger pessoas indicada pelos trabalhadores, né, que possa estar ali eh recebendo esses esses relatos e apresentando políticas públicas e encaminhamentos. E a gente tem um serviço público muitas vezes que funciona de forma precária, né? Falta profissionais, falta condições de atendimento. E aí o que que sobra quando você não tem condições para trabalhar? Sobra sédoral, né? Então, eh, são questões importantíssimas que podem impactar muito o serviço público. Você vê situações de assédio pode levar ao suicídio, situações de assédio pode levar ao afastamento do profissional. Isso quem vai ser prejudicado é a população. Então a gente precisa ter esse olhar também sobre o assédio moral. O projeto 133 institui a campanha Junho Violeta para conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa no município de Campinas. Esse projeto foi aprovado já agora, foi votado. Eu tô muito feliz porque é um projeto de lei que vem em consonância à questão do idoso. Eh, Campinas nós temos o SIS9, que é uma plataforma que faz o recolhimento de dados sobre a violência. E a questão do idoso na cidade de Campinas é seríssima. Nós temos um alto número de idosos que sofrem violência física. Nós temos um alto número de idosos que sofrem violência de abandono. Nós temos um alto número de idosos que sofrem violência patrimonial. E nós temos um alto número de violência de autoviolência. O que que é autoviolência? De de idosos que se suicidam, que tentam se suicidar, né? Tentativas e que se suicidam. Por quê? Porque estamos numa situação de sofrimento gigantesca e não vê mais sentido para continuar a viver. os idosos que deram suas vidas, muitas vezes para nos cuidar, para cuidar dos seus filhos, cuidar da, né, de de suas famílias, hoje são abandonados ou sofrem violência pelos próprios filhos e netos, porque lá aponta também que o dado que eh o dado, né, colocado ali de quem mais agride o idoso, violenta, são netos e filhos, ou seja, é dentro de casa. Casa. Então o junho Vileta, ele vem nesse sentido de chamar a atenção das das autoridades, chamar a atenção eh da cidade, né? Tanto é que tem uma orientação que todo a cidade possa ter a cor violeta. Esses dias eu tava vendo uma uma entrevista e eu vi não uma entrevista não, era um vídeo de uma servidora denunciando a situação da campanha salarial dos servidores e ela fez na frente da prefeitura e tava a cor violeta lá, né, refletindo no prédio. Com certeza as pessoas que passarem lá e verem que o prédio tá com essa cor, né, violeta, vai perguntar por que tá iluminando. Aí vai procurar, né? Vai. E também não é só a cor, né, gente, o prédio que tem a cor violeta, mas que também todos os espaços públicos, as instituições, as escolas pautem essa questão. Não é possível que a gente possa registrar um dado tão vergonhoso como esse de violentar os nossos idosos. Vereadora, a senhora tem uma moção, a 69, que apela ao governador do estado para que reveja a estrutura atual do local de atendimento das farmácias de alto custo e tome providências necessárias para garantir que todos os atendimentos prestados aos usuários sejam realizados de forma qualificada e humanizada. Eh, as farmácias de alto custo é de competência do governo estadual, mas a gente sabe também que ela tem uma certa eh eu a gente acaba falando que é uma é uma competência meio que compartilhada, né? Por quê? Porque todo o SUS ele é dessa forma, ele eh tem que ser dessa forma, né? compartilhado entre município, estado e a própria união. Com relação às às farmácias de alto custo, o povo tem reclamado muito para nós. Uma que muitas vezes falta medicação, outra outras vezes é uma é a própria dificuldade de se acessar a a a própria farmácia, né, e a esse e a e a esses medicamentos. A outra é a questão falta de profissionais, gente, porque quando não, quando fala para mim desumanizado, com certeza deve ter um funcionário lá para atender todo mundo. Aí é uma fila gigantesca, né? Aí não consegue atender, aí tem tensão, tem estresse, aí tem briga, não tem como, né? Então, e isso é culpa de quem? Do gestor público que não tá ali fiscalizando, olhando, vendo se tem profissionais na quantidade e também com qualidade para atender necessária e enfim. Então, por isso que a gente fez essa essa moção. E o governo do estado tem falhado em muita coisa, viu? Essa questão da muita, mas muita coisa mesmo, essa questão da farmácia, mas também, por exemplo, o repasse pro SUS aqui estadual, do governo do estado, né, para para a cidade de Campinas é baixíssimo, é 4% só. Então, eh, é muito pouco. A gente sabe que o estado é um estado rico, é um estado que tem muito recurso no orçamento, que poderia olhar paraa população, principalmente do ponto de vista da saúde e poder atender melhor. Então, acho que a gente precisa fazer várias moções aí para o governo do estado. E o vereador, até o dia desta gravação, a senhora já realizou três audiências públicas aqui na Câmara, né? Sim, eu vou ver, vou ver se eu lembro, porque tanta coisa é uma audiência pública sobre os residentes. Eu fiz, né, uma audiência pública sobre discutir atuação e os impactos da residência multiprofissional que atende o SUS em Campinas. A outra sobre a naturalização da exploração do trabalho doméstico e e o racismo estrutural no Brasil. Sim. E a outra, a criação de comitê de acompanhamento de assédio moral no serviço público de Campinas. É, essa essa do comitê a gente já, né, falou um pouquinho agora, então vou falar sobre as outras duas. A a primeira foi sobre os as profissões multi a residência multiprofissional, né? Existe um programa do governo federal eh que acore residentes. Residentes são formados e esse é um é um curso, é um projeto de formação, de capacitação. São 10 profissões. Então, eh tem tem essa residência multiprofissionais, não tem médicos, mas tem residência de médicos também, mas essa tem enfermeiro, tem psicólogo, fonodiólogo, eh educador, educação física, enfim, vários profissionais, né? Esses profissionais são são atend eles eles são eles eles cumprem esse projeto no centro de saúde, só que muitos deles eh solicitam que o programa possa ser ampliado para que possa ter mais recursos para para poder suportar cumprir essa jornada de formação. Por quê? Porque são 60 horas semanais e eles precisam é cumprir, né, essa jornada numa cidade como a nossa, que muitas vezes não são daqui, são profissionais de fora, mas são profissionais que são formados pelo SUS, porque é é a melhor escola de formação é o SUS, né, do ponto de vista da saúde, é o melhor espaço é o SUS. E eles estão numa cidade, muita, muitos são de fora, né? Vários, muita gente daqui, mas muita gente de fora também, que vivem aqui e que a bolsa é é pouco, né, para poder suportar tudo que eles têm que desenvolver aqui do ponto de vista da pagar moradia, pagar transporte público. Então, nós fizemos uma audiência pública, eh, esse grupo de multiprofissionais fez uma carta para o próprio secretário e estão pedindo uma ajuda de custo aí. mínima assim paraa moradia, por exemplo, principalmente para os de fora, que poderia atender muito, apoiá-los muito nesse programa. Então, eu fiz essa audiência pública. A outra audiência pública foi sobre o caso de naturalização eh do desse processo de do trabalho análogo à escravidão. Que que é isso, né? Ah, a gente tá, nesse caso, nessa audiência, a gente usou muito o caso da Sônia. A Sônia é uma trabalhadora doméstica, uma mulher negra que foi retirada da mãe dela, muito pequena ainda, foi levada para uma casa e de um desembargador, desembargador do trabalho. Esse desembargador do trabalho mantém Sônia confinada na casa dele. Ela já tem 54 anos. Sônia. Sônia é uma mulher surda. Ela não teve direito à escolaridade, a a se a se alfabetizar, nunca teve direito a fazer acompanhamento médico e nunca teve salário. E por e ela trabalha, ela dorme no quarto junto com os empregados, né, numa sala, numa casa, né, eh fora da casa da família e ela permanece lá nessas condições. Então, eh, teve toda uma fiscalização do do MPT, do Ministério Público do Trabalho sobre esse caso, que investigou e constatou que Sônia estava num trabalho análogo à escravidão. Sônia foi retirada da casa, mas depois esse desembargador entrou com uma ação que deu causa ganha para ele e ele eh pôde levar a Sônia de volta paraa casa, pra casa dele. A família de Sônia, a mãe de Sônia, passou anos procurando a Sônia. A a mãe da Sônia, ela tinha até uma cirurgia em 2018 que ela cancelou com medo de morrer na mesa de cirurgia e não dá tempo de encontrar a filha. Só que ela já faleceu, a mãe a mãe da Sônia. E a família da Sônia tá tentando tirar a Sônia dessa situação. Então, a gente usou essa audiência pública para dar visibilidade o quanto o trabalho doméstico ainda preserva essa situação de mulheres pobres, negras, né, vulneráveis, que moram numa casa a troco de comida e de moradia, não recebem salário. E se não recebem salário e trabalham, esse trabalho é análogo à escravidão. Vedor, a gente chegou ao fim aqui ao nosso programa em Pauta, né? Muito obrigado pela disponibilidade da senhora mais uma vez de vir aqui poder falar sobre o seu trabalho aqui na na Câmara Municipal de Campinas. Eu que agradeço, agradeço em pauta e agradeço todos vocês que estão aqui, que fazem possível a realização desse programa. Muito obrigada. Obrigado mais uma vez, vereadora. E eu também agradeço você aí pela sua audiência, pela sua companhia. Até o próximo programa em Pauta. Um abraço. [Música] [Aplausos] [Música] [Música] [Música]