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Saúde Agora | Sono Após o Almoço
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Saúde Agora | Sono Após o Almoço

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Resumo editorial

O programa aborda o crescimento alarmante de doenças inflamatórias intestinais no Brasil, que aumentaram cinco vezes em 13 anos. O gastroenterologista explica as causas associadas à urbanização, industrialização e consumo de alimentos ultraprocessados. Discute sintomas de alarme, impacto na qualidade de vida e importância do diagnóstico precoce para melhor resposta ao tratamento.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

Em 13 anos, o número de diagnósticos de doenças inflamatórias intestinais cresceu cinco vezes no Brasil, com prevalência saltando de cerca de 30 para até 158 casos a cada 100 mil habitantes. O gastroenterologista Alexandre de Souza Carlos, da Federação Brasileira de Gastroenterologia e do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que a urbanização, a industrialização e o consumo de ultraprocessados alteram a microbiota intestinal e favorecem a doença de Crohn, que pode atingir da boca ao ânus, e a retocolite ulcerativa, restrita ao intestino grosso. Diarreia com mais de um mês de duração, sangue nas fezes e perda de peso são sinais de alerta para buscar diagnóstico precoce.

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Olá, está no ar o Saúde Agora, trazendo muita informação de qualidade para você. E no quadro de hoje, vamos falar sobre um tema que acende um alerta na saúde pública. O impressionante avanço das doenças intestinais. Em apenas 13 anos, o número de diagnósticos de doenças inflamatórias intestinais cresceu 5 vezes no Brasil. Para entender o que está por trás desse aumento e saber como se proteger, convidamos o Dr. Alexandre de Souza Carlos, ele que é gastroenterologista, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e também médico do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Doutor Alexandre já está conectado, seja muito bem-vindo, obrigada pela sua participação. Olá, Cassiane, olá a todos, é um prazer estar aqui para podermos divulgar a boa informação. Tá certo, bom, doutor Alexandre, para começarmos então, né, por que o número de casos de doenças intestinais tem crescido aí de forma tão acelerada aqui no Brasil, né? O que podemos falar sobre as doenças intestinais inflamatórias? Isso, Cassiane. Então, as doenças inflamatórias intestinais, que compreendem a doença de Crohn e a retocolite serativa, a gente tem vivenciado uma transição epidemiológica. Na última década, tem aumentado muito o número de casos na América Latina e, inclusive, no Brasil. Então, a prevalência tem passado de valores de 30 para valores até maiores, em torno de 150, 158 a cada 100 mil habitantes, e isso é um motivo de preocupação, porque isso impacta na estrutura da saúde para conduzir esses pacientes com doença inflamatória intestinal. E o que a gente pode falar, doutor Alexandre, sobre esse aumento expressivo em relação à nossa alimentação, por exemplo, realmente tem interferência esse consumo de alimentos ultraprocessados, essa nossa dieta hoje, fatores externos também, isso contribui para esse crescimento? A gente acredita que, na verdade, é o maior fator relacionado ao aumento desses casos. A gente está vivendo agora no Brasil o que a Europa Ocidental e os Estados Unidos viveu lá na época da Revolução Industrial. Então, devido à urbanização, à industrialização e os malefícios, a gente tem aumentado diretamente o número de casos. Então aí entramos a dieta ocidentalizada e com isso a gente está estudando e muito a questão dos produtos industrializados, os produtos ultraprocessados como um grande vilão em alterar a nossa microbiota que é uma aliada para a nossa imunidade como um todo. E doutor, falando sobre as doenças, já comentou um pouquinho sobre as principais doenças inflamatórias, o que diferencia cada uma delas? Quais são os sintomas, quais são os sinais de alerta que a gente precisa tomar cuidado realmente para identificar que de fato é uma doença? Elas são doenças parecidas, mas existem algumas peculiaridades A retocolite ulcerativa, ela é exclusiva do intestino grosso, a gente chama de colo E a doença de Crohn pode pegar o colo, mas também pode pegar outras regiões mais superiores Como intestino médio, intestino delgado, como estômago e até o esôfago Então a gente fala que a doença de Crohn pode acometer da boca até o ânus E o quadro clínico dessas duas doenças é basicamente uma diarreia crônica, a gente fala conceitualmente que passa de um mês de diarreia, tem que investigar, essa diarreia pode vir acompanhada ou de sangue nas fezes ou de uma secreção esbranquiçada, que a gente chama isso de buco, e além disso podemos ter dor abdominal, cólicas, dores abdominais constantes e em alguns pacientes uma perda de peso. Então, quando a gente encontra um paciente com esse quadro clínico, a gente tem que pensar sempre a doença inflamatória intestinal como um diagnóstico diferencial importante desse caso. Então, esses são os principais sinais de alerta, né, para não confundir apenas uma dor abdominal, passageira, tem que observar o tempo que fica essa dor e quem já apresentar, Então, no caso, o quadro de diarreia, prestar atenção no tempo que isso vai se estender, né, doutor? Isso mesmo. Na gastroenterologia, a gente fala que alguns sintomas de alarme nos despertam a investigar de forma mais rápida. E sintomas de alarme são dores abdominais frequentes, constantes, que não está melhorando com os remédios habituais. Sintomas noturnos, então aqueles sintomas que você está dormindo e acorda ou por uma diarreia ou por uma dor abdominal, tem que ser investigada. A pílida de peso sem nenhum motivo aparente. Então, quando qualquer sintoma gastroenterológico vem acompanhado desses sintomas de alarme, a gente precisa investigar o mais rápido possível. E quais são os principais exames realizados nesses pacientes, doutor Alexandre? a gente lança a mão alguns exames de sangue para documentar se o paciente tem anemia como é que está a questão das vitaminas se elas estão sendo absorvidas existem alguns marcadores que dá para a gente mensurar a questão da inflamação, se está muito inflamado ou não, além disso tem um exame de fezes que é muito importante, chama-se calprotetina fecal, que ela tende a estar alterada quando a doença está ativa e lançamos mão de mais dois exames. A colonoscopia, que de todos é o mais importante, porque a gente vai ver por dentro do intestino. E a gente tem que ver esse intestino, se ele está inflamado ou não. Se vai ter erosões, se vai ter algumas fissuras, úlceras no intestino, que é o protótipo da doença. E lançamos mão também de alguns exames de imagem, como a tomografia ou a ressonância, para avaliar o intestino delgado. E aí, com isso, a gente tem um mapeamento melhor da doença inflamatória intestinal, quais segmentos eles estão acometendo. E essas doenças, elas têm cura, doutor? Ou são condições aí para a vida toda do paciente? Ele precisa realmente se adaptar com esse diagnóstico e com essa condição? Isso. Até o momento, ainda não descobrimos a cura para as doenças inflamatórias intestinais. Então, elas são consideradas doenças crônicas. mas que muitas delas a gente consegue ter o controle da doença, que a gente chama o termo de remissão. E quando o paciente está remissão, ele tende a levar uma vida o mais próxima do normal possível. Então ele não vai ter complicações, não vai necessitar de internações frequentes, de cirurgias. Então a gente, como médico especialista, sempre vai buscar a remissão do nosso paciente para quem tende a levar a melhor qualidade de vida possível. E o tratamento, doutor, então, para esse paciente, o que é recomendado? São medicamentos, uma dieta balanceada, quais são essas recomendações para que então ele tenha essa qualidade de vida e não interferida pela doença? Então, cada vez mais a gente tem que pensar, cada paciente é um paciente e de uma maneira mais holística. Então, a gente sabe que aquele paciente que já tem uma imunidade alterada no intestino, tem uma microbiota provavelmente alterada, a gente precisa ter um estilo de vida o melhor possível. Então, a gente fala assim, uma dieta boa, uma dieta equilibrada, com uma boa qualidade, prática de atividades físicas, uma boa, o controle do sono, a gente chama boa higiene do sono, tentar controlarmos e gerenciarmos o estresse. Isso aliado ao tratamento medicamentoso, na grande maioria das vezes, ou tratamento cirúrgico, ou os dois ao mesmo tempo. Então, o tratamento é personalizado, vai depender de cada paciente. Não temos até hoje a melhor droga, a gente tem várias medicações que podemos utilizar, mas a gente não tem ainda a melhor de todas. Então, cada paciente, baseado no perfil dele, a gente vai indicar um ou outro medicamento. Algumas condições, quando já estão complicadas, a gente até opta por um tratamento cirúrgico primeiro e depois o tratamento medicamentoso. Mas como eu falei, isso vai depender de caso a caso. E doutor, falando sobre esse crescimento, existe uma incidência em mulheres, homens ou também alguma faixa etária onde as doenças são mais comuns? Qual que é o principal grupo de risco? Na prática, a gente não vê muito essa predileção por sexo, mas a gente vê a questão de faixa etária, geralmente acomete mais a faixa etária jovem, que a gente fala ali dos 20 ou 40 anos. Mas temos casos desde recém-nascidos até casos nos idosos. De forma geral, a grande média ali é entre os 20 e 40 anos. Ainda, né, fala-se sobre, então, como foi mencionado já aqui, essa relação que não tem ainda, né, uma causa aparente, né, ainda tem estudos e alguns levantamentos, né, científicos mesmo falando que há uma previsão até 2035 de um aumento mesmo de casos, né, doutor? Então, isso ainda engloba muitas pesquisas, né, até mesmo na medicina, para tentar minimizar um pouco, né, esses fatores aí externos também que podem influenciar nas causas, né, no surgimento dessas doenças. Realmente, até 2035, a gente pode ter novos casos, então? É, isso é preocupante porque a gente vê realmente uma curva ascendente de número de casos E qual é o grande problema? É uma doença que felizmente a mortalidade não é alta Então isso vai onerar a estrutura de saúde Então a gente precisa, o nosso grande desafio é estruturarmos o serviço de saúde Para podermos manejarmos o nosso paciente de uma forma melhor, mais prudente Então, a gente deixou de ser considerado uma doença inflamatória intestinal rara no passado, para uma doença não mais rara, e com isso a gente precisa alertar toda a população, todo o sistema único de saúde e a estrutura de saúde como um todo, para controlarmos bem a doença inflamatória intestinal. E a doença intestinal, ela se confunde, né, os sintomas com outras causas também, e isso acaba dificultando um pouquinho também esse diagnóstico precoce, doutora Alexandre? Sim, nós da sociedade, inclusive a gente trabalha isso arduamente na educação continuada, então a gente precisa alertar os nossos colegas médicos, não só nós especialistas, mas também os colegas que estão na linha de frente, os clínicos, geriatras, ginecologistas, pediatras, médicos que trabalham nos postos de saúde ou nas emergências, que a doença existe. Óbvio, o diagnóstico diferencial é grande, então tem outras doenças que simulam. Mas, na presença da gente chama de bandeira vermelha, red flags, a gente tem que pensar na doença de Crohn. Então, é aquela diarreia que está passando mais de um mês, é uma presença de sangramento nas fezes, é uma perda de peso. Existem algumas situações que é a presença de fístulas, que é uns túneis, uns orifícios ali na região do ânus, que tem que lembrar do colega de pensar e investigar a doença inflamatória intestinal. E isso acaba causando também, doutor, uma situação de constrangimento muitas das vezes para esse paciente, né? Porque ele não tem esse controle, principalmente em um ambiente, assim, externo, no ambiente de trabalho. Então, isso também tem que ser trabalhado com esse paciente, né? né? Sim, a gente sabe que todo paciente com desinformatório intestinal vai ter algum problema em algum momento da sua doença, na questão de saúde mental, a gente precisa acompanhá-los adequadamente, pacientes, alguns deles tentem ficar mais embotados, isolamento social, por todos esses problemas que você tá falando, né? Então, vai pro lugar público, ele já tenta ver onde tem um banheiro adequado, limpo, mais próximo, então tudo isso impacta, né, do ponto de vista de saúde mental do nosso paciente, que precisa ser acolhido, então a gente precisa entender seus problemas, suas dores e tentar, junto com ele, melhorar e amenizar infelizmente esses transtornos. E falando sobre, só pra gente contextualizar um pouquinho em relação ao tratamento, como já foi mencionado, mas existe uma gravidade para essas doenças, né, se elas não forem detectadas imediatamente, doutor? Sim, a questão do retardo no diagnóstico é um problema, sim, de saúde pública em todo o mundo, tá? Não só no Brasil, mas a gente sabe que quanto mais tempo de retardo no diagnóstico, maior a chance daquele paciente responder pior a medicação, ou mesmo de já precisar de um tratamento cirúrgico. Diferente daquele que trata desde o início, tem uma chance um pouco menor de ir para um tratamento cirúrgico. Doutora Alexandre, gostaria de agradecer a sua participação e gostaria também que você deixasse essa recomendação, uma orientação, então, sobre essas doenças, o que o pessoal, a população, os pacientes e até mesmo outros profissionais de saúde precisam fazer para tentar acolher esses pacientes nessa situação. Isso mesmo, então com todos esses dados que temos atualmente, a gente não pode encarar mais a doença de Crohn em retocolite serativa como uma doença rara, é uma doença que ela pode estar no nosso meio, então todos nós, tanto da área de saúde até a população leiga, precisa entender que na presença de sintomas de alarme, quer seja dor abdominal frequente, sangramento nas fezes, diarreia que passa de um mês perda de peso tem que procurar uma ajuda médica porque tem que investigar várias outras doenças, inclusive a doença de Crohn e retocolite serativa e caso você tenha um diagnóstico calma existe, os tratamentos estão cada vez melhores, então a gente consegue tratando de forma adequada de forma mais rápida possível conseguir o controle da sua doença e com isso você tem uma falar de vida o mais próximo do normal possível. Tá certo, doutor Alexandre, muito obrigada pela sua participação e pelas explicações sobre esse tema tão importante aí, e um tema que envolve toda a saúde pública. Muito obrigada. Muito obrigado, eu que agradeço a oportunidade. Bom, o nosso quadro Saúde Agora fica por aqui, você pode acompanhar esse conteúdo na íntegra pelas redes sociais e também pelo portal tvcameracampinas.com.br. Continue na programação da TV Câmara, nos vemos na próxima edição. Até lá!
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