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Olá, vocês conhecem Piro Nura Brasilienses? Aposto que com esse nome não, mas não é o bicho de hoje, vocês vão conhecer a Ariranha, ou melhor, o Arini. Quem vai explicar um pouquinho então sobre essa espécie pra gente é o médico veterinário dos Santos Sirino, que já está aqui ao meu lado. Seja muito bem-vindo. Imagina. Bom, Everton, essa espécie é conhecida como lontra gigante. Isso é fato ou é um mito? Isso é fato. [risadas] Eh, a ariranha ela é o maior dos mostelídeos que a gente tem na face da Terra, né? E o mais um dos mais conhecidos é a lontra. Ele é muito muito próximo, né, no parentesco aí, né, evolutivo. Então ele também pode ser chamado de lontra gigante como um nome comum, um nome vulgar mesmo, tá certo? E hoje vocês têm é o Arini aqui no zoológico. [música] Isso. A gente tem o Arini, né? É um é um exemplar macho que veio do Acre pra gente, né? da bacia amazônica. Ele foi resgatado lá de uma vila de pescadores, inclusive, né? Eh, eram dois irmãos, um apareceu eh supostamente morto por condições, né, estranhas. Então, [música] o pessoal da dos órgãos ambientais preferiram fazer o resgate, a remoção desse animal e transferir até por interesse genético, né, [música] para pro ambiente exito, né, fazer um projeto de conservação fora da natureza, tá? Então, a gente eh trabalhando junto à Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, junto a ISIM Bill também com os planos de ação [música] de conservação, a gente recebeu esse exemplar aqui no nosso zoológico, certo? [música] É, eu queria que você explicasse um pouquinho, falasse um pouquinho sobre as curiosidades, né, dessa espécie, [música] as características, primeiramente do Aini, tá? o a ariranha é uma espécie, né, eh, brasileira, tem ocorrências em outros outros países também, mas a gente conhece bastante, principalmente pelo Pantanal, né? São animais de regiões de água, de alagadiço, principalmente lagos, eh, alguns [música] rios e eles tendem a ficar principalmente no barranco, onde eles cavam locas, né, fazendo os abrigos deles. Os ninhos se alimentam estritamente de peixe, tá? eventualmente pode ter uma predação de alguma outra espécie animal, mas a dieta deles basicamente é a base de peixe, tá? São animais que podem chegar a 1 m, 1,7, aí quase 2 m de comprimento, [música] tá? São animais que pesam bastante também. Eh, geralmente convivem em grupos sociais, em média de quatro a oito indivíduos. Existem alguns relatos que podem chegar até 20, mas a média mesmo natural é até uns oitos indivíduos, tá? costumam ter um casal eh reprodutor principal e os outros são jovens geralmente que ficam acompanhando eles ali e ajudando, auxiliando e às vezes até aprendendo também esses esse cuidado materno, né, do do início [música] aí deles. Eh, gestação em torno de dois meses, um pouquinho mais ali. E geralmente nascem dois exemplares, tá? Pode chegar até uns quatro indivíduos, mas a média é dois exemplares. E qual é a perspectiva [música] assim de vida deles? eles vivem bastante. Então, eh, o pessoal não tem muito ainda fechado alguns dados, tá? Mas, eh, existem e informações de 12 a 15 anos, né? E alguns relatos que podem chegar eh eventualmente há 20 anos, mas nada muito comprovado ainda, tá? Então, a gente trabalha nessa [música] estimativa de até uns 12, 15 anos, certo? E eles são e essa espécie, né, mais diurna, noturna, como que é esse o o habitar dele mesmo? Eles eles são bem [música] diurnos, são animais que estão ativos durante o dia, né, principalmente nas horas mais frescas, tanto no início da manhã, no finalzinho da tarde, mas eles [música] estão bem eh ativos durante o dia. À noite eles se reservam, realmente se escondem e eles emitem sons assim quando eles querem alguma [música] coisa. como que é essa relação, né, do pessoal que cuida vocês, né, como médicos veterinários e os tratadores também, eles [música] sentem a presença, eles reconhecem? Sim, sim. Uma das características da airanha é o sistema de vocalização [música] deles, né? Eles emitem diversos sons em diversas intensidades [música] para cada comportamento que eles têm, tá? comportamento de ameaça de território para eh mostrar que eles estão na presente, eh ameaçar um opositor, tá? Eles fazem um tipo de vocalização, o filhote faz uma vocalização, eh, atraindo o parceiro, eh, eles têm uma [música] gama muito variada de vocalização. É sempre um tipo de açubio ali, uma [música] um um uma vocalização mais, né, da garganta, mas é bem intensa, né? E a gente aqui acompanhando o dia a dia, né, o tratador, a equipe técnica também, quando a gente passa, a [música] gente chama ele pelo nome, às vezes faz algum tipo de de som para chamar a atenção dele, ele interage muito bem também com a gente, responde muito bem, vem para perto. Eh, até [música] por essa condição do hábito dele, geralmente a gente prende no final da tarde, né, para ele ele dormir mais preservado. Então ele já sabe mais ou menos o horarinho que a gente tá aqui, ele já começa a nadar, procurar a gente e aí ele quando a gente vai lá pro setor para resguardar ele, ele vem [música] certinho e já já sabe que tá no horarinho de de dormir dele. E aqui vocês têm todo esse cuidado mesmo, né, de ter a periodicidade do do alimento, mantém uma rotina, como que é essa rotina? Assim, sim, sim. Eh, os hábitos alimentares desse desses animais, eles podem chegar a [música] se alimentar 4, 5 kg de peixe por dia, né? Então aqui a gente mantém uma regularidade. Geralmente ele recebe uma dieta de manhã e uma dieta à tarde também, [música] tá? Então logo que amanhece o tratador já vem para cá pro recinto, já solta ele no lago de do [música] hábito do ambiente dele, põe o peixe, né? Fornece o peixe na água e ele vai nadando para manter as características, procurando esse alimento e pesca. né? Eh, mesmo sendo uma uma presa já abatida e no final da tarde a gente faz a o mesmo tipo de procedimento, mas no setor de cambiamento, é um setor [música] restrito a funcionários. Então, o tratador chega também eh no no meio da tarde ali, vai para pro setor ali, põe o alimento no setor, num tanque que a gente tem, né, uma piscininha que que ele tem lá para para cuidados dele também. E aí ele entra, vai buscar já o alimento dele, tá certo? E quais são os tratamentos assim na parte mais de saúde, né? Vacina, como que é? Porque [limpando a garganta] muita gente tem dúvidas, né? de que quando a gente fala em animais, o pessoal remete muito só a cão e gato que precisa de vacina, mas esses animais, né, dificilmente o pessoal eh entende ou sabe. Então, pra gente passar um pouquinho dessa curiosidade, né, como que é esse tratamento. Esses animais eles têm t um um risco de doenças infecciosas também muito [música] muito acentuado, porém a gente não tem muita linha de pesquisa de vacinação prévia nesses animais, então a gente evita fazer, né? Porque as vacinas que a gente [música] tem comercialmente prontas são para espécies mais domésticas mesmo, de cão, de gato, de aves domésticas. [música] Então a gente evita fazer, mas a gente faz todo um acompanhamento. A gente faz uma uma monitoração de saúde, um acompanhamento preventivo realmente, principalmente com exames de sangue, alguns exames de imagem, como ultrassom, raio X, que possam eh instruir a gente, como que tá a saúde desse [música] animal, exame de feeses, né? A preocupação também que a gente tem que ter é parasitológico, tá? Então, a gente pode fazer um exame dees. [música] Em casos eh que tenha alguma presença ali de parasita, a gente faz um tratamento também medicamentoso. Então, a gente vai acompanhando ele além do dia a dia, pelo menos uma periodicidade de um ano assim, a gente tenta fazer [música] todos os exames e acompanhar a fundo a saúde desse animal. Uhum. Então, tem essa periodicidade [música] também dos exames clínicos, né, Everton? E o Arini, ele tá com quanto tempo aqui com vocês? Quantos anos ele [música] tem o Arini? Ele tá completando 3 anos esse ano, né? Ele ele nasceu em 2023, né? Em em ambiente natural, [música] foi [limpando a garganta] resgatado e veio veio aqui com a gente no segundo [música] semestre 2023. E ele vem sendo acompanhado desde então também, tá? é um exemplar macho, como eu falei, e existe grande interesse da presença dele no projeto de conservação, exatamente por conta dessa variabilidade genética que ele vai trazendo da [música] natureza. Legal. Certo? E bom, agora a gente falou um pouquinho da alimentação, falou dessa questão toda, né, do das características, uma informação assim que gerou uma dúvida se realmente ele é dócil, caracteriza como dócil ou não, ou ele é um animal silvestre, como que pode se dizer que [música] ele até espanta a onça, né? O pessoal diz muito isso desse dessa espécie. É, ariranha é um animal silvestre e tem um hábito muito territorialista, né? Então é um dos poucos animais que confronta a onça no ambiente natural, tá? Então a gente tem que tomar cuidado. É um animal [música] eh até por conta da predação dele, ele tem eh o a dentição dele é bem forte e faz bastante [música] machucado, tá? Os caninos são proeminentes, a dentição, [música] a mordida dele é muito forte também. Então é um animal que a gente não pode bobear muito, não. Não pode levar na brincadeira. É um animal que oferece risco, [música] sim. Tá, principalmente quando tá em grupo. Uhum. E aqui vocês fazem também esse trabalho de de verificar a dentição [música] também das unhas. Sim, sim. Todo o o manejo preventivo a gente faz esse acompanhamento, né? Eh, observa durante o o manejo de de exames, a gente faz uma avaliação física, né, que vai avalia a dentição. Em alguns casos, a gente eh acaba tendo uma avaliação oftálmica também. avalia funcionamento cardíaco, [música] respiratório, né? Eh, trato digestivo, faz as análises laboratoriais também, tá? O análise podal que a gente fala, né, de toda a o o os membros, né, as extremidades de membro, a sola do pé, a mãozinha ali, os dedos para ver a parte ortopédica de movimentação, de de articulação, de joelho, de cotovelo, para ver se esse animal tá em condições boas de saúde, [música] de manutenção também, certo? Éton falando sobre a espécie em si mesmo, né, da airanha. Elas estão extintas, estão ameaçadas? [música] Como que é para vocês, né, essa relação com os animais aqui no zoológico? Sim, a airanha é uma espécie e com bastante risco de extinção, tá? A gente sofre bastante por questões ambientais, tá? Contaminação de de rios, degradação de ambiente deles. E a espécie ela é muito vista [música] por caça também, tá? Às vezes a caça eh simplesmente por conta de de ambiente, questão de pescador, às vezes que pode oferecer algum risco, eh o a presença ali da Iranha, que ou não tá roubando o o produto dele. Então às vezes tem [música] essa competitividade e até por conta da qualidade do pelo dele, né, da do do da pelagem dele, [música] já existem caças também, porque o pelo dele é denso, é aveludado. Então tem gente que eh com interesse do desse material acaba caçando também. Então ele é bem ameaçado, mas principalmente por questões ambientais, [música] certo? Eita, pra gente finalizar, né, para ela viver bem, né, a Ianha tem que [música] ter um espaço reservado, tem um um limite aqui de recinto, né, para ela ver, para ela viver bem, para nadar adequadamente. Vocês também preservam bastante esse [música] cuidado aqui em relação como vive, né, no recinto. É, a gente eh dentro da legislação federal, né, a gente tem os o as leis que direcionam os cuidados dentro do zoológico. Então, a gente tem dimensões [música] mínimas a para apresentar um um recinto. A maioria dos dos recintos nossos são acima dessa [música] do desse permitido já. Exatamente. Pensando em bem-estar do animal, tá? O recinto nosso de de ariranha é um dos mais bem vistos dentro do país. Por isso que também foi um atrativo de trazer esse animal para cá. Na época o o órgão ambiental junto com a Azab eh avaliaram e viram que é um dos melhores eh [música] recintos do país. Então eh teve esse interesse de trazer. A gente tem todo um cuidado de manutenção aqui com qualidade da água, a limpeza do recinto, né? tanto a a parte seca ali, como o ambiente onde o animal dorme, tudo para preservar a saúde dele, trazer qualidade de vida, trazer bem-estar. A gente frequentemente tem um grupo de estagiários que faz toda uma rotina das atividades de enriquecimento ambiental, que é uma quebra da rotina do animal em ambiente fora da da natureza, né? Então elas fazem aqui às vezes atividades onde escondem o alimento e então o animal passa mais tempo, [música] que a gente chama de forrageando, perambulando pelo recinto, né? Eh, atividades de que estimulam o sensorial. Então, eh, o animal, um dos hábitos da ariranha, por exemplo, eh a gente fala que ele se empana, então ele deita na terra e fica cavucando a terra, jogando pras costas dele, fica todo coberto de areia. Então [música] a gente faz esse tipo de atividade com com diferentes substratos, né, com com grama, com feno, a própria areia mais fina, que [música] ele tem essa interação, interação com com sensor de de olfato também, estimulando ele, vocalização, a [música] gente fazendo algumas vocalizações que pode eh ele associar com outros indivíduos também [música] causa uma quebra da rotina, uma um estado em alerta ali que é muito interessante pra fisiologia desse animal [música] e tudo isso visando o bem-estar dele. Então, quem quiser conhecer essa espécie de pertinho e o Arini tá aberto pra visitação aqui no Parque Ecológico, né? Sim, sim. O o parque ecológico aberto de quarta a domingo, das 8 da manhã [música] até às 16 horas, né? E o Arini tá todos os dias aqui com a gente também, interagindo e brincando também com a gente. [música]