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Olá, começa agora mais uma edição do El Bicho com um alerta sobre raiva em animais. Isso porque Campinas registrou o primeiro caso da doença em gato desde 2016. O animal foi encontrado no cemitério da saudade em Campinas, resgatado por protetores de animais e levado até uma clínica veterinária onde, infelizmente morreu. O diagnóstico positivo para o vírus da raiva, confirmado pelo Instituto Paster acendeu imediatamente o alerta máximo na saúde pública da região. O caso reabriu uma discussão sobre a cobertura da vacinação antirrábica para cães e gatos no município. De acordo com a coordenadora da unidade de vigilância e zonoses, várias ações de conscientização e protocolos de segurança são realizados para que notifiquem imediatamente o órgão municipal sobre qualquer caso de morte suspeita ou animal com sintomas neurológicos anormais. As primeiras horas após a suspeita são cruciais para evitar um surto comunitário. A gente faz um processo de vigilância permanente. Então, todo animal, cão e gato, animal silvestre, que vem a óbito, por sintomatologia nervosa, com algum sintoma nervoso, a gente faz o recolhimento desse cadáver, faz a coleta de material e manda pro laboratório. Então, foi nesse processo de vigilância que a gente conseguiu chegar nesse laudo. Ele foi recolhido no cemitério pelos próprios cuidadores ali do cemitério, encaminhado para uma clínica veterinária. Nessa clínica veterinária, ele veio a óbito. Como teve esse detalhe de que ele arranhou um profissional lá, então todo animal que às vezes acaba cometendo alguma algum algum acidente de arranhadura, mordedura e depois vem a óbita, a gente também recolhe. Aí foi aí a clínica acionou a gente, a gente foi lá, recolheu, fez a coleta de material e mandou pra necrópsia. Um dos protocolos mais rigorosos do Devisa o Departamento de Vigilância em Saúde, é a chamada buscativa. Agentes de saúde vão de casa em casa e visitam todos os estabelecimentos comerciais no entorno onde um animal foi encontrado. O objetivo é mapear no menor tempo possíveis contatos de moradores, protetores ou outros animais de estimação e de rua com a gata infectada. Esse trabalho de campo envolve coleta de dados, entrevistas com vizinhos e exame visual de outros animais que vivem soltos na rua. O desafio tem sido descobrir da onde veio esse animal, se ele foi abandonado, se ele era da região. Então, hoje de manhã a gente fez uma varredura ali ao redor do cemitério para descobrir se alguém mais conhecia esse animal. A gente passou as características. Então, era uma gata fêmea, jovem, com o dorso, a parte de cima tigrada, cinza e preta, e a parte de baixo branca, a parte da barriguinha branca. A gente foi de loja em loja, de casa em casa, provavelmente a gente vai continuar esse trabalho ainda nos outros dias para saber se alguém conhecia, se esse animal tinha dono e se por um acaso alguém sofreu algum acidente com ela para poder encaminhar pra vacinação. Os gatos são considerados atualmente animais de alto risco para a transmissão do vírus da raiva de linhagem silvestre aos seres humanos. Isso acontece principalmente devido ao seu comportamento natural, predatório e caçador, que os expõe diretamente a morcegos infectados que caem no chão ou pousam em locais baixos. A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, extremamente grave, o que ataca diretamente o sistema nervoso central dos mamíferos. O dado mais assustador é a sua taxa de letalidade, que é de quase 100% após o início dos sintomas clínicos. Não existe cura eficaz estabelecida, o que torna a prevenção a única arma real contra a doença. A gente faz um processo de vigilância permanente. Então, todo animal, cão e gato, animal silvestre, que vem a óbito, por sintomatologia nervosa, com algum sintoma nervoso, a gente faz o recolhimento desse cadáver, faz a coleta de material e manda pro laboratório. Então, foi nesse processo de vigilância que a gente conseguiu chegar nesse laudo. Então, nesse processo, foram os as próprias pessoas que identificaram, né, esse esse gatinho, que entraram em contato com vocês. Isso, ele foi recolhido do cemitério pelos próprios cuidadores ali do cemitério, encaminhado para uma clínica veterinária. Nessa clínica veterinária ele veio a óbito. Só como teve esse detalhe de que ele arranhou um profissional lá, então todo animal que às vezes acaba cometendo alguma algum algum acidente de arranhadura, mordedura e depois vem a óbita, a gente também recolhe. Aí foi, n, aí a clínicacionou a gente, a gente foi lá, recolheu, fez a coleta de material e mandou pra necrópsia. Certo? E Marcela, quais são então os primeiros assim protocolos, né, quando a pessoa ela identificou um animal nessa situação? Quais são os primeiros sinais, né, que aquele animalzinho demonstra que pode estar com raiva? Hoje em dia a gente já não tem mais aquela raiva clássica, né, do animal babando, animal mordendo, animal que era raiva furiosa. Hoje a gente vê o modelo da raiva paralítica, né, a forma da raiva paralítica, então o animal fica mais prostrado, pode ter a cabeça mais pendente, são sintomatologias nervosas que podem se confundir com várias outras doenças. Aí que liga mais o sinal de alerta ainda pro clínico veterinário. Então, desconfiou de que pode ser a raiva animal, veio a óbito, chamar aqui a unidade de vigilância de zonos. E esse manejo que vocês têm, esse primeiro contato com o animal, tem todo um cuidado, né? Na prática, como que é realizado? Sim, na clínica veterinária a gente indica toda a utilização de equipamento de proteção individual para se preservar. Lá no laboratório, aqui com a gente também a gente usa máscara, gorro, touca, avental adequado para poder fazer a coleta desse material. Marcela, quais são eh os riscos, né, de transmissão nesse sentido, né? como que é feita a transmissão pro pro animal e também pro humano, né? Para deixar bem claro sobre esse alerta. O vírus ele tá presente na saliva, então você precisa ter o contato de dessa saliva com alguma parte do corpo, ou seja, com a pele, com algum machucado na pele, através de arranhadura, através de mordedura ou até próprio contato com mucosa, olho, boca, aí o vírus entra no organismo e vai direto pro sistema nervoso central. Então, por isso a gente fala, viu um animal que você acha que tá doente, não encosta, porque corre o risco dele te arranhar, dele te morder e você não sabe o que que ele tem. Aciona um veterinário clínico particular ou público para ele fazer o contato e o manejo adequado. Nele, a evolução é muito rápida. Então, a partir de que começam os sintomas, ele vem a óbito muito rápido, mas ele pode estar carregando o vírus já há um certo tempo e não manifestar a a doença. Então, às vezes o animal tá com o vírus, não tá manifestando, mas depois a hora que ele começa a apresentar os sintomas, é quando ele pode transmitir pra gente. A vacina antirrábica animal é obrigatória por lei para os petos a partir dos 3 meses de idade, com a necessidade de um reforço a cada 12 meses. Por outro lado, a versão humana da vacina não é disponibilizada para campanhas em massa. Ela é exclusivamente aplicada em unidades de saúde da rede pública, apenas em casos de mordidas, arranhaduras ou lambeduras de risco provocadas por animais suspeitos. Além disso, é utilizada de forma preventiva para profissionais altamente expostos, como veterinários, biólogos e agentes de zonoses. Quem toma vacina é quem está permanentemente exposto ao vírus. Então, por exemplo, os trabalhadores de clínicas veterinárias, nós que trabalhamos diretamente com os animais, com morcegos, que podem ter o vírus da raiva, então preventivamente são esses profissionais. Agora, depois que você passou por uma exposição, igual aconteceu com esse funcionário, aí todos eles são levados para fazer a vacinação. Para esse caso específico é se você acha que você entrou em contato com esse animal ou se por um acaso foi você que levou esse animal até lá, procura o centro de saúde ou aciona a gente aqui na OVZ. Agora, de uma forma geral, ao longo do ano, uma atividade constante ao longo de toda a vida, vacine seu animal, vacine seu cão, vacine seu gato contra raiva. Aqui na UVZ a gente fornece essa vacinação de forma gratuita ou procura o seu veterinário da sua confiança, mas não deixa a vacina atrasada. Não encoste em animais que você não conhece na rua. Não deixe seu animalzinho andar por aí. Ele pode pegar algum morcego, ele pode brigar com algum animal que possa estar doente. E se por um acaso você sofreu algum acidente com cão, gato, foi arranhado, foi mordido, procura o centro de saúde e eles vão fazer todo o encaminhamento. O último caso registrado de raiva humana no município de Campinas ocorreu no ano de 1981. Desde então, as autoridades têm detectado apenas casos isolados de raiva em morcegos dentro da área urbana do município. Segundo os dados oficiais divulgados pela Prefeitura de Campinas. Em 2015, a cidade havia registrado um caso de raiva canina e outro de raiva felina. Logo, no ano seguinte, em 2016, foi confirmado um caso de raiva felina. Neste ano, a unidade de vigilância em zonoses confirmou quatro casos positivos de raiva em morcegos na cidade. No total, já foram recolhidos 672 morcegos pelo serviço público de saúde, sendo que 338 deles ainda se encontram em fase de investigação laboratorial.