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[música] Saruê ou gambá. Esse animal típico da fauna brasileira. O que muita gente não sabe é que ele pode ser um aliado pra natureza. E o mais curioso, importante até para nós seres humanos. E isso tudo a gente vai saber aqui no El Bicho. Eles estão por toda parte, nos desenhos infantis e também nas áreas urbanas. São bonitinhos e diferentes. Então o saruê, na verdade, esse é o nome que a gente dá, é o apelido que a gente dá pro gambá brasileiro, né? O apelido aqui do estado de São Paulo. Se a gente for para outros estados na Bahia, por exemplo, eles são conhecidos como Sariguê, [música] Micurê, mucura, caçaco, timbu. Então, cada região do Brasil ou estado específico, [música] eles são conhecidos por um nome, mas na verdade eles são os gambás brasileiros mesmo, né? E a gente tem no Brasil, na verdade, quatro espécies diferentes. Aqui na nossa região, em Campinas a gente tem principalmente o defes albiventres, que é o gambá de orelha branca. E de vez em quando aparece também aquele mais marronzinho, que é o gambá de orelha preta, o defesa aurita. Todos os seres vivos têm uma função importante, né, onde vivem no ecossistema. E oso tem muitas funções, eles são incríveis mesmo, né? Por isso que é uma espécie que a gente faz muita questão, né, de de dar voz a esses animais. Primeiro, eles são muito importantes para o meio ambiente. Então, assim, eles predam uma série de animais, eles são presas de uma outra série de animais, então tem uma função importante na cadeia alimentar, eles fazem controle de certos animais muito [música] importantes, né? E eles gostam, eh, eles são grandes, eu falo que eles são plantadores de florestas porque eles ajudam a dispersar sementes. Eles gostam muito de fruta e eles acabam comendo a fruta e defecando em um lugar distante e as sementes estão ali dentro. As sementes ficam dormindo, a gente fala em dormência, né? Passam pelo sistema digestivo que ajuda a acordar elas quando cai no solo, [música] elas brotam, né? Ou às vezes eles até levam assim porque eles gostam de pegar uma manga aqui e não vai comer ali. Eles vão levar para outro lugar para ninguém chegar perto, né? Então eles são plantadores de florestas e uma coisa muito importante tanto pra natureza quanto pro homem, né, na saúde pública, que é eles são predadores de algumas de várias espécies que são consideradas pragas ou de interesse médico pro homem. Então a primeira delas é o que a gente tá tendo um surto agora de escorpião. Então eles predam escorpião que é uma beleza, né? Então a mesma coisa cobra as pessohentas. Eles já t uma, eles, como já estão muito tempo evoluindo, eles conseguiram desenvolver uma certa imunidade a venenos, né, a peçonha, então animais, pessoas, esse veneno de cobra, de escorpião, de algumas aranhas, né? Então, eh, eles conseguem, tem um estudo aí que foi feito, que teve um gambazinho adulto que sofreu 80 picados de uma cobra cascavel. Um único gambá adulto pode comer até 4.000 carrapatos por semana. Então, olha como eles são incríveis. né? Eles comem animais, eles predam filhotes de camundongo, de rato também, que as pessoas não gostam, barata, eles são oportunistas, eles vão comer de tudo, entendeu? Inclusive, às vezes a ração de cachorro e gato que eu falo que é o que atrai ele na casa das pessoas e pode levar acidentes, né? Outra estratégia de defesa maravilhosa do saruê é fingir de morto, né? Agora tem até uma figurinha, um videozinho do Iá aí fazendo uma morte muito dramática, mas não é bem assim, mas é chama tanatose, né? É uma condição muito legal [música] que o próprio corpo, corpo dele fisiologicamente reduz o batimento cardíaco, [música] a frequência respiratória. Então ele pode ficar até por 2 horas praticamente sem nenhum movimento ali, sem com mínimo do mínimo, né, das condições básicas ali paraa sobrevivência. E como é que que acontece? Da onde que vem isso, né? Diante de um predador que ele se sente acuado, ele faz isso. Porque nãoente o predador, ele gosta de caçar. Quem é [música] o predador de verdade assim, né? Ele gosta de correr atrás da caça. Ele não quer se alimentar de um animal morto, né? Para ele assim, instintivamente aquele animal pode estar doente, pode estar com algum problema. Então é essa estratégia. Se ele d gambá fingindo de morto e achando que tá morto, ele não, ele vai perder o interesse, né? Então é muito legal de ver isso e ao contrário do que muita gente pensa, não são ratos e não transmitem doença e nem raiva. O gambazinho, gente, ele é muito confundido, assim, eu costumo dizer que ele é historicamente e culturalmente incompreendido. Ele é completamente confundido com vários outros animais. Então o rato, por quê que ele é confundido até como uma ratazana, né? Porque ele tem um corpo afilado, né? O focinho comprido, o rabo bastante comprido também, [música] né? Então as pessoas e as e eles gostam de andar pelos forros das casas, né, quando eles estão em ambiente urbano, as pessoas acabam confundindo com o rato e também acabam tendo medo, né, que eles transmitam doenças, né, tem toda a questão do rato com a urina e a leptospirose. Então as pessoas também ficam com receio que o gambá vai fazer isso. Mas tem uma coisa muito interessante de diferença entre o gambá [música] e o rato, que é o rabo. O rabo do gambá, né, do saruê, ele é um quinto membro, então ele é a extensão da coluna, mas ele funciona como um quinto membro. Então ele é uma calda prenso, ela enrola no nosso braço, por exemplo, ela enrola, ela é feita para enrolar nos galhos, né, ou eh para ajudar no equilíbrio deles. Então eles são arborículas, eles são animais que vivem e se dão muito bem nos altos das árvores. Então eles correm, se locomovem, se alimentam, caçam, [música] se reproduzem lá. Então esse rabo ajuda não é para eles ficarem pendurados, mas assim no equilíbrio para para eles não caírem, né? Então é muito legal. E o do rato não, ele é bem comprido. Olha como as pessoas entendem, entendem já a doença da raiva, os sintomas da raiva com agressividade, né? E muitas vezes os sintomas da raiva, às vezes o animal ele vai est prostrado ou meio bobão, letárgico, nem é agressivo, tá? Mas então a pessoa já confunde com isso. Mas o que que acontece? Eh, a gente sabe, existem vários estudos, tá, sobre o saroê, que também é outra coisa interessante, perto de outros mamíferos terrestres, a temperatura corporal deles é bem mais baixa. Então, o vírus da raiva não sobrevive por muito tempo. Ele pode até ser contaminado, mas o ele morrer disso ou ficar carregando esse vírus por muito tempo é muito muito improvável. Então, eh, existem estudos, né, que se você for ver que também existem proteínas no sangue deles que ajudam a fazer essa parte de neutralização desse vírus. Então, essa proteína, ela vai quebrar pedaços do vírus e ele vai perder a funcionalidade, ele vai acabar morrendo. Então, é outro estudo que é feito também com o sangue dos gambá. Então tem estudos assim, se você pega um um sangue de um eh de um gambá que foi [música] infectado e no cula em outro animal, o animal não vai apresentar os problemas eh neurológicos, neurotóxicos que a o vírus da raiva tanto causa. Então é muito legal. O período de reprodução é entre julho e novembro. Quando as mamães gambá têm filhotes, elas ficam mais lentas e precisam andar mais para conseguir comida e ter energia para amamentar seus filhotes. É a época em que elas estão mais expostas a perigos e a maldade das pessoas. O hábitato natural desses animais, na verdade, até o de Delfies albiventres, né, o da Orelha Branca, ele é encontrado em todos os biomas brasileiros. Então ele vive nas florestas, né, em matas, em locais de campo, não seria na área urbanizada, mas como cada vez mais a urbanização tem crescido para dentro das florestas, né? Então as as florestas estão sendo destruídas por queimada, por especulação imobiliária, [música] eh questão de do de agropecuária, né? Os animais estão perdendo só as casas. E aí o que que acontece? O saruê, ele já existe há 4 milhões de anos, né? Nesses últimos anos assim da da era moderna, né? pós-merna. O que que tem acontecido com essa intensidade da urbanização? Eles têm se tornado o que a gente fala animais sinantrópicos. Que que são esses animais sinantrópicos? São animais silvestres que acabam começando a se acostumar com as atividades humanas. Então eles acabam se acostumando a viverem ambientes urbanizados. Então o que que a gente vai encontrar? Eh, [música] saruê se alimentando de de comida de gato e cachorro. se abrigando em forro de casa, se alimentando de frutas nos quinsais das pessoas, se alimentando de escorpiões também, que a gente pode falar disso, né, a importância deles e carrapatos nesses ambientes, mas a gente encontra muito mais e tá crescendo. Saiu recentemente uma notícia e de da cidade de São Paulo que aumentou em 70% o número de saro que precisam ser resgatados porque sofreram acidentes na cidade. E esse é um grande caos no Brasil todo. E aqui na cidade de Campinas não é diferente. Tem gente que abomina os gambá, acham que eles são do mal, que eles são animais agressivos, que vão transmitir doença, que é mal agouro, tem de tudo. [música] E tem pessoas que acham que são animais incríveis, que reconhecem que são dóceis, que eles têm grande importância, prestam serviços ambientais importantes, né, que a gente pode conversar um pouquinho também. E o que que acontece? As então quando é filhote é muito fofo, gente. É o que a gente fala às vezes da fofouna, né? Assim, os filhotes de saruê são fofouna. Eles são muito fofos e são assim muito vulneráveis. Então a pessoa acaba encontrando e o que que acontece muitas vezes na casa das pessoas? Eles eh eles são acontece acidente por ataques de cães e gatos, né? Os cães domésticos são um dos grandes predadores do saroê na zona urbanizada. Assim, é um dos grandes problemas. A ON Todo o bicho é bom faz a diferença cuidando e reabilitando esses animais. Na reabilitação eu vejo três caminhos assim, né? a reabilitação, esse processo de fortalecer as capacidades desses animais de voltar na natureza. E eu vejo em três, trabalho isso na nossa organização, nos cursos, né, que eu formo reabilitadores, em três esferas. A primeira é nutricional, a segunda é comportamental, né? Então, a primeira é nutricional, a segunda comportamental e a terceira é saúde física. Então, o filhote tem uma questão nutricional muito específica. cada fase do desenvolvimento dele vai ter uma alimentação específica, o comportamento também, que é aí que as pessoas erram, por esses animais são animais silvestres, é importante a gente falar, não são pets, né? Mesmo os que a gente manteve aqui na ONG, a gente são animais que não puderam voltar pra natureza porque eles apresentaram algum, já chegaram, né, com alguma deficiência desses acidentes e se fossem eh reintroduzidos, eles seriam condenados à morte, né? Então, eh, são animais assim que a gente tem o nosso nosso programa de bem-estar, são cuidados que a gente faz para eles se manterem bem, né, fora de dor, para eles terem uma vida eh alegre, feliz, né, assim, com dignidade. Mas eh quando a gente tá fazendo uma reabilitação, essa ideia é para os animais voltarem pra natureza, tá? Então, o comportamento é muito importante porque é um animal silvestre, né? não é um animal doméstico, um pet, ele tem uma teria uma vida livre na natureza. Então assim, eles já têm instintos e comportamentos naturais de escalar, que é muito importante porque eles são arborículas, de caçar, de procurar o próprio alimento, né, de se defender. E aí uma coisa muito importante também que eu acho que eles são estigmatizados, que é isso, né? Qual que é a grande defesa dos gambá, dos saruês, né? Às vezes as pessoas confundem com o kangambá, que é aquele que também foi traduz, é que emite o cheiro fedidinho, né? Que ele solta um spray fétido, aquele gambá preto e branco, que foi traduzido lá dos Estados Unidos como gambá também. Daí ficou tudo gambá, os saruês e os cangambás, tudo gambá, mas na verdade ele nem é parente do saruê, né? Então o cangambá existe no aqui no Brasil, no Nordeste, em parte do Sul também. E ele sim, o a defesa dele é soltar esse spray fedido para afugentar o predador, né? E o do saruê é são duas coisas principais. Primeiro é mostrar os dentes. Então ele tem, ele vai mostrar os dentes, abrir bem a boca assim, a arcada dentária e e tem fingir que vai atacar. Então ele ele ele vai querer te afugentar. Se ele tá mostrando os dentes para você, vocalizando, né? parece se assemelha um rosnar mesmo que ele vai fazer ah com os dentões, significa que ele já tá com muito medo de você. Então assim, diferente do que as pessoas pensam que eles são agressivos, né? Na verdade eles são animais super dóceis, com muito medo de humanos, muito medo de predadores, né? Então eles têm isso, então às vezes eles podem ameaçar que vão pegar, mas eles não vão pegar as pessoas. Um benzinho é um caso justamente esse aí que foi eh bem vítima da urbanização, né? Ele foi deixado aqui na porta da ONG, fez um, vai fazer um ano agora em dezembro do ano passado. Ele não se movimentava com as pernas de trás, né? Ele tinha uma orelha toda machucada que ele acabou perdendo e ele tava muito desnutrido, né? Ele foi deixado por um morador aqui para para ser acolhido. A gente não sabe se ele foi atropelado, se ele foi espancado, mas não surpreendeu porque a gente achou que ele não ia sobreviver e ele voltou até a andar, né? Então ele ele faz parte, ele não consegue escalar, tá? E então ele ele não pode ser reintroduzido na natureza, ele faz parte do nosso programa de bem-estar animal aqui. Então ele passa por uma série de terapias eh integrativas também. Então ele tem tratamento com canabis para dor, ele faz eh ozônioterapia, laserterapia, mochoterapia, né? Uma série de semanalmente aí com veterinários, parceiros nossos, maravilhosos, que ajudam no bem-estar dele. Então assim, ele adora ficar solto, né? e vê assim, curtir essa parte da terra e à noite ele dorme no cantinho dele lá também acolhido contra outros predadores, né? Então a gente tem dois hoje também que a gente vai fazer a soltura, né? Então deles, o caso foi ele foi encontrado filhotinho numa república, todo atacado por um gato. Então ele já passou por todo o processo de reabilitação e agora está apto, passou por todos os requisitos e vai ser reintroduzido na natureza. E o outro também foi um filhote que, graças a Deus não tava machucado, né, que aí diminui um pouquinho a vulnerabilidade, mas ele era muito pequeno e foi encontrado sem a mãe. [música] Então aí essa parte do da questão nutricional foi muito importante para ele poder se desenvolver bem e seguir em frente aí de volta pra natureza. E se você encontrar um sarué na rua, sabe o que fazer? Anota aí. Uma última dica que eu quero deixar para vocês, que acontece muito, né? a gente recebe assim nessa época agora que é época de reprodução, né? Estamos agora julho, de julho até começo de março, a época de reprodução, né, dos sarues onde acontecem mais acidentes também. Então as mamães estão mais lentas carregando os filhotes ou nas costas ou no marúpio, acontece atropelamento, ataque por cães, essas coisas, né? Então o que que acontece? As fêmeas estão indo mais buscar, principalmente as mamães, alimentem os filhotes na casa das pessoas. E às vezes, que que eu faço? Se eu vir um saruê no meu quintal? Nada. Primeira coisa, se você tiver cachorro, se você tá ouvindo latidos do seu cachorro muito alto de noite, né? De noite principalmente, a gente pede para prender os cachorros, para guardar a ração de gato e cachorro, para não para não correr o risco desses animais irem buscar esse tipo de alimento e sofrerem acidentes, fechar bem os lixos, porque às vezes eles vão buscar alimento e lixo, né? Então é isso que você tem que fazer. Agora, ai, às vezes um saruê entrou dentro da minha casa ou tá no meu forro, eles são nômades também. Eles não ficam muito tempo no mesmo lugar. Mas uma dica que eu dou pras pessoas também que é você pode de noite colocar no alto do muro, por exemplo, frutas ou fazer uma carreira de frutas desde onde ele tá para ter um lugar fora. Aí depois que ele sai, você fecha aquele recinto. Você não precisou manipular, né? Não colocou, não estressou o animal também, não se colocou em risco, né? Então tem umas dicas aí. [música] [música]