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SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA - TARDE
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SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA - TARDE

111 views Publicado 05/03/2024 HD · 4:34:35

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TV Câmara, Campinas. Vamos lá então, pessoal. Boa tarde a todas e todos. Vamos agora para a etapa da tarde do nosso seminário de educação antirracista. Gente, tenho uma imensa honra de recebê-los aqui, recebê-las. Na parte da manhã, nós fizemos um debate bem legal, com a participação do professor Adriano Bueno, que é professor de educação básica aqui na rede. Falou conosco sobre o debate da Lei 10.639. E agora, na parte da tarde, a gente vai começar a mesa aqui falando sobre o tema das boas práticas de educação antirracista. Para isso, a gente tem uma imensa honra de receber aqui os profissionais que desenvolvem o trabalho. Mas antes de eu chamá-los aqui para compor a mesa, eu quero fazer aqui umas informações gerais, que aí, quando eles virem para a mesa, a gente já começa. Primeiro, mais uma vez, agradecer a participação, a disponibilidade de vocês estarem aqui. Lembrando que após essa mesa, a gente vai ter mais uma mesa, que é a mesa Propostas para Educação Antirracista, com alguém representando a Secretaria Municipal de Educação. Também teremos a Márcia Anacleto, que vai formar essa mesa, e o professor Leonardo Sacramento, que está aqui também acompanhando o debate desde de manhã. Está passando uma lista de presença, então, quem participou de manhã, Eu vou pedir para assinar novamente, para a gente poder depois enviar o certificado das horas aqui. Então, quem participou agora no período da tarde, vai receber o certificado da tarde. Quem participou o período integral inteiro, vai receber o certificado com a totalidade das horas participadas aqui. Que a gente está computando em torno de oito horas. Então, vamos lá? Eu vou, então, chamar os nossos debatedores aqui, as pessoas que vão compor a mesa conosco, os nossos palestrantes, na verdade. Quero, já de antemão, agradecer a disponibilidade de estar aqui conosco, dessa parceria. E agradecer também, pode ser uma coisa meio óbvia, mas agradecer também o papel que cumprem dentro da nossa rede, que fortalece a discussão desse tema, tão necessário e ainda tão pouco desenvolvido. Que foi um dos pontos que nós conseguimos apurar na parte da manhã. A necessidade que se tem ainda de ampliar e de fortalecer essa discussão e o cumprimento da lei na nossa rede municipal de educação. Então, eu quero chamar, primeiramente, para compor a mesa, A professora, eles colocaram tudo assim, tá, gente? Eu sei que eles são mais coisa, mas eles fizeram de gracinha, que eu vi. Eles colocaram só assim, ó, educadora, educador. Mas a gente já sabe que eles são educadores, mas tá bom. Depois, na apresentação, eles detalham melhor quem são eles para nós. Eu quero, então, chamar aqui para compor a mesa a professora Daniela Caetano, que é educadora da Rede Municipal de Educação. Eu quero chamar também o professor Wilson Queiroz, que também colocou aqui que ele é educador da Rede Municipal de Educação. O mais conhecido. E quero chamar também a nossa professora, deixa eu ver como é que ela colocou aqui. Elisandra Camilo, educadora da Rede Municipal de Educação. Bom, mais uma vez agradecer a presença dos professores aqui dizer que é uma honra recebê-los e que a gente espera que a gente possa ter uma boa mesa, um bom debate agora com o tema das boas práticas de educação antirracista. Vou passar já imediatamente para o professor, não, professor não, a professora, a professora Daniela, que vai iniciar conosco. E obrigada mais uma vez, querida. Isso, liga aí. Ligou? Ficou vermelhinho? Não? Não? Coloca a força, amiga. Isso, agora ficou. Só avisando, gente, agora à tarde, não vai ser transmitido direto. Eu acho que eu havia falado de manhã e depois, enfim, o pessoal aqui da TV me esclareceu que não. Mas está sendo gravado e depois, assim que a gente conseguir a gravação, a gente pode disponibilizar. É isso, Leandro? É. Talvez entre também. Acho que depois que a gente entrar na programação da TV, nós vamos ter... Vamos ver se a gente consegue ter acesso também para compartilhar. porque é um importante material de formação que a gente precisa rememorar sempre. É isso. Obrigada, gente. Vai lá, Dani. Bom, em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer o convite de Guida, que é uma querida, uma parceira de muito tempo. Agradecer a presença de todas, todos, todos aqui. Acalentam o nosso coração nesses momentos em que a gente se pretende partilhar Não é só uma partilha do discurso, mas uma partilha de práticas, uma partilha de afetos. Então, é algo que deixa o coração quentinho. Eu gostaria de iniciar a minha fala trazendo como proposta uma ruptura com o modelo acadêmico, comum. O que é esse modelo acadêmico comum? É onde a gente prepara a nossa fala, a gente traz as nossas referências e aí a gente faz aquela leitura e eu confesso que esta semana eu fiquei muito incomodada em reproduzir essa forma. Se a gente vai falar de boas práticas em educação antirracista, a gente tem que começar rompendo com algumas formas que são cristalizadas e ditas como certas. Por quê? Porque o racismo, ele é cristalizado também. E sendo cristalizado, para ser antirracista, eu preciso provocar rupturas. Então, sendo eu uma convidada a palestrar, como que eu vou reproduzir o mesmo modelo de sempre? Então, eu peço licença para vocês, para dizer que a minha fala partirá de uma fluidez, que não deixa de ser acadêmica, porque é o que eu sou. Eu sou uma doutoranda, eu sou professora, eu sou orientadora pedagógica. No entanto, isto não significa que eu vou me amparar no modelo tradicional. Eu vou fazer do meu jeito. Peço desculpas de antemão se cometer erros, gafes, mas eu sou humana. Como pessoa humana, eu posso errar e eu posso acertar. Sem essencialismos. Tudo bem? Isto posto pensando o tema dessa proposta, que é práticas de educação antirracistas. Eu fiquei pensando, boas práticas. As nossas concepções de bom e de mal, ou ruim, elas estão alicerçadas no nosso modo de ser no mundo. Desde ali da nossa construção de subjetividade, quando a gente está no ventre da nossa mãe e nasce, e vai para a escola depois, e cresce, e se relaciona. E nós vivemos um mundo que tem um processo civilizatório fundamentado na brutalidade. Nós vivemos num mundo que vive uma fantasia, ou que tem uma consciência, o que o Dúcio chama, de uma consciência mitificada. Então, eu crio uma consciência sobre quem eu sou sobre o mundo que eu vivo, sobre as relações que eu texto com as pessoas, eu crio uma história, porque nada foi dado. Se a gente retoma ali ao iluminismo, ou ao processo de modernidade, a gente vai entender que houve o quê? Uma elaboração teórica, científica, cultural do que é bom, do que é certo, do que é civilizado. E a gente deixa de conhecer outras formas de existir no mundo. A gente deixa de olhar para os diferentes povos africanos e suas culturas, povos asiáticos, os povos originários. E a gente assume como sendo bom e belo o que foi construído por um determinado povo. E não à toa. A intencionalidade é a expansão marítima, o mercantilismo, posteriormente o capitalismo e o que nós vivemos agora, esse neoliberalismo. O racismo como tecnologia de submissão de opressão, ele foi criado. Então, como é que eu vou lucrar? Como é que eu vou usar da energia, da mão de obra, de um determinado grupo ou de vários grupos sociais, sem antes reduzir essas pessoas à não condição humana? Eu preciso de uma justificativa para isso. E nós sabemos que essa justificativa tanto foi amparada por questões de ordem religiosa, tanto pela razão. E qual é essa razão? Qual é essa consciência? A consciência de que nós, europeus, precisamos civilizar o mundo. Nós precisamos civilizar as pessoas. Então, o que as pessoas tinham não era a civilização? Os nossos povos originários não são civilizados? A ideia de civilização em si, ela não é neutra, porque não existe uma, existem várias. A nossa lógica é muito cartesiana, ela é unívoca. Nós precisamos pensar lógicas pluriversais. se eu vou realizar uma prática uma boa prática de educação antirracista antes de tudo eu preciso pensar qual é o processo civilizatório que eu vivo e qual é o que eu quero e qual é a minha parte na construção desse processo não podemos descartar que somos seres políticos então obviamente existe a necessidade de que A nossa política, ela vai ao encontro dos anseios do povo. Agora, se a gente tem também nos nossos locais de trabalho, nos nossos espaços, a possibilidade de também fazer a nossa parte, por que não? Mas como que eu vou fazer qualquer coisa se eu não tenho conhecimento? E aí, quando se fala, eu não tenho conhecimento sobre isso ou aquilo, revela-se o mundo que vivemos. Qual é o nosso Brasil? Qual é o nosso país? E aí o Emílio César, ele é um poeta martinicano, eu gosto muito, porque o Emílio César tem um discurso sobre o colonialismo, que é um tapa na nossa cara, porque ele vai falar assim, Uma civilização que se revela incapaz de resolver os problemas que o seu funcionamento suscita é uma civilização decadente. Uma civilização que prefere fechar os olhos aos seus problemas mais cruciais é uma civilização enferma. Uma civilização que trapaceia com os seus princípios é uma civilização moribunda. É só um trecho, mas para ilustrar o quê? Então, a gente vive um processo civilizatório arraigado na necropolítica, a política dá para a morte. E isso não toca? Isso não comove? É claro que, para a gente, é uma alegria que, por exemplo, o nosso sistema municipal de educação venha com a proposta da educação antirracista. É uma alegria, mas é uma necessidade urgente que poderia ter sido feita muito tempo atrás. Tá, não vamos chorar o leite derramado. Então, vamos começar daqui, para alguns. Para a gente que já está aí há alguns anos com trabalho em africanidades, em educação antirracista, em negritude, em pensar a educação das relações étnico-raciais, nos cabe a continuidade. É importante frisar que um ano não dá conta, não dá conta de 500 anos de opressão, de morte, de extermínio, de genocídio dos povos originários das populações negras. Um ano é pouco para a gente superar todo o mal que o racismo nos faz. Ele molda as nossas subjetividades. Ele diz quem vai viver e quem vai morrer. Ele diz quem eu devo ser na sociedade como mulher. Mulher negra, você vai ser isso e aquilo. As nossas crianças, quando chegam nas escolas, logo na educação infantil Têm os cabelinhos menos lavados do que as outras Como é que a gente se pretende ser uma civilização Que se pauta na dignidade humana Para além do discurso, porque o discurso é bonito Mas as práticas são contrárias Basta ver a nossa presença nos espaços. Quantos nós somos na SME? Do quanto nós somos, quantos de nós ocupam lugares de chefia? Ou lugares hierarquicamente considerados de administração, altos cargos? A gente tem um sistema municipal de educação que é fruto de uma história Assim como a nossa vivência, assim como a nossa cidade Mas a ruptura com essa lógica de que alguns são mais capacitados ou habilitados para exercer certas funções ela precisa ser realizada, porque senão não haverá boa prática que dê conta. Não haverá, nem fazendo milagre. Eu também gostaria de pontuar que a gente que está na educação, a gente tem muitos desafios. São desafios cotidianos, seja em qual função a gente ocupe. Mas urge começar de um lugar. E urge que a gente estude. A gente não pode parar de estudar. A gente tem teóricos estudiosos da questão negra e intelectuais produzindo o tempo todo. Nós estamos produzindo o tempo todo com as nossas boas práticas dentro da nossa escola. Às vezes a gente não sistematiza, mas a gente tem também produções. Então é importante a gente se colocar em constante movimento. Porque o dia que Exu estiver nas escolas, como diz a Elza Soares, e não for um choque para todo mundo, nesse dia a gente pode dizer que a gente conseguiu dar alguns bons passos em direção a uma civilização que abarque a todos e que não choque bom, eu vou deixar por aqui a minha fala vou permitir que os meus companheiros e companheiras meu companheiro e minha companheira coloquem aí as suas experiências e depois eu acho que a gente vai abrir para um debate. Tá bom? Obrigada. Obrigada, Dani, Daniela, Caetano. Vou passar então, rapidinho, pode ser o Wilson. Então, o Wilson aqui, que é educador da rede. E aí ele vai poder se apresentar, se quiser. Boa tarde a todas. Eu tenho feito exercício de fazer no feminino, pelo sentido da representatividade das mulheres na educação. E sempre peço e oriento que os homens não mudem de orientação sexual por causa de um artigo. Que continuem sendo e se afirmando na sua orientação sexual de maneira cada vez mais bem resolvidas. E aí, vou repetir, boa tarde a todas. Eu estou lembrando aqui, a primeira vez, isso do tempo que eu comecei a trabalhar com essa temática, a dignidade que a gente trouxe para essa casa, quando tivemos sentados aqui, 32 alunos do Ozeal. É uma das lembranças que carrego comigo, 2004, 2005, se não me engano. Primeira discussão que nós tivemos com os alunos da escola. E aí a Gui falou da nossa apresentação. Sim, a gente tem um conjunto de títulos que fazem com que a gente poderia estar rotando aqui competência. Mas eu acho que o título que me dá dignidade para poder estar aqui é o fato de ter conseguido e estar conseguindo trabalhar com os alunos cotidianamente há 14 anos, num bairro, para quem não conhece, é uma das maiores ocupações da América Latina. e a revelia do sistema da barbárie e do racismo. Lá, a gente tem colhido frutos, semeado bons. E aí eu fiquei pensando no adjetivo boas práticas. Se sua prática, do ponto de vista, eu vou usar o termo africanidades, se sua prática, do ponto de vista das africanidades, não for boa, ela é racista. Então a gente vai tomar aqui o antagônico e a redundância de ser boas práticas antirracistas Se não são antirracistas, é crime, é criminosa E aí a gente precisa assumir essas responsabilidades E quando, eu sou difícil de lidar com o protocolo, mas eu preciso Então, quando eu vi aqui a apresentação do seminário, eu preciso agradecer a Guida, a vereadora Guida, que assume esse debate, essa construção e que a gente já tem uma parceria e a importância dela em estar abrindo esse espaço. Então, se no primeiro momento foi 33 alunos, agora a gente, de novo, apresenta uma outra dignidade. São mulheres assumindo essas cadeiras, não como cota, mas como sendo a totalidade da possibilidade de nos representarmos aqui nesse espaço. E esses vidros é um pouco de como a gente, ao transparecer, revela a distância do lado de lá com o lado de cá. E é uma construção muito recente. E aí, além da guida, agradeço, fiquei muito feliz, e aí eu vou citar nominalmente, porque de manhã teve a apresentação do Adriano Bueno, não pude participar, mas a gente partilha, eu acho que a gente conseguiu construir um coletivo que ele é institucional e que ele não reconhece, pelo menos nos nossos diálogos cotidianos, a nossa inviabilidade. Nós somos viáveis e no coletivo chamado Conepa, coletivo negro com práticas pedagógicas em africanidades, nós sonhamos, nos sonhamos e nos permitimos construir, nem que seja filosoficamente, os nossos anseios do ponto de vista de que escola, de que história da África, de ensino afro-brasileira, A gente é merecedor numa relação de humanização dessa aprendizagem. Eu vi, nesses dias, passou uma reportagem de um prefeito, acho que vocês vão ligar o nome à pessoa, que comprou bonecas horripilantes para entregar para as crianças. Mas pagou caro. Antigamente era preço de banana, agora paga-se caríssimo. por materiais que não nos representam. E aí a gente precisa entender como que as barbáries que o racismo nos apresenta, eles agora estão também ficando caros, ainda assim, para não fortalecer, não apresentar o ensino de história e cultura africana. E aí eu volto a repetir, o que não é boa prática é racismo. O que não for, se você tiver dúvida, se a escola tiver dúvida, Se a política tiver dúvida do material e da abordagem e da construção que está sendo feita, se ela não for boa, ela é racista. Então, eu acho que a gente precisa, nesse sentido, tomar as africanidades como uma área de conhecimento que a gente não pode partir do eu acho, eu penso assim, eu quero que seja assim. Então, na escola é um lugar para a gente produzir, trabalhar e construir uma prática de ensino de história e cultura africana, onde a potencialidade da população negra conjugue e comungue das relações que a educação tem por obrigação de executar. E aí aqui ainda tem a Elisandra, Elisandra Camilo e a Daniela Caetano, que aqui somos educadoras, mas também tem um currículo e uma prática e uma vivência que faz parte do coletivo, onde a gente se permite humanamente sonhar sobre nós mesmos. E aí, para finalizar, vai ter a apresentação da Márcia Anacleto do Leonardo Sacramento. Eu não estou lembrando do Leonardo Sacramento, mas ainda assim eu acho que é bacana a gente ter uma mesa onde tem várias perspectivas para poder discutir as africanidades e a educação antirracista. Eu cheguei aqui e a gente tem se permitido ter materiais. e aí eu sei que de manhã teve todo um capricho todo um cuidado para ser feito mas na nossa escola sempre foi assim e acabou sempre foi até que a gente mude então as coisas que precisam ser mudadas a partir do ensino de africanidades, elas se constituem no cotidiano então eu lembro bem que um dos incômodos que nós tivemos nesses 14 anos de trabalho, era o logo da prefeitura. E nós colocamos dentro do logo, tiramos a águia e colocamos o pensador africano. Só que eu não trouxe essa imagem para vocês hoje. Mas ela está disponível nos materiais que a escola desenvolveu e foi trabalhando ao longo dos anos. E, além do logo da prefeitura, o logo da Unicamp. A gente também se permitiu modificá-lo. E no logo da Unicamp, além dos três círculos que representam as áreas de humanidades exatas e biológicas, nós inserimos também o pensamento africano para poder incidir sobre aquele conjunto de conhecimentos, até porque universidade sem conhecimento de história e cultura africana não é universal, é gueto. Então, a gente precisa ampliar as escolas e o conhecimento que é gerado e aprendido e produzido na educação de uma forma mais pluriversal, como disse a Dânia. E aí vocês receberam um material que é o Informa Africativo. O Informa Africativo está na edição 56. E ele tem a intenção de ser um material que circula entre os estudantes de uma forma, eu vou usar alguns termos que eu acho que já é, do ponto de vista do meu entendimento talvez não para todos aqui pelo tempo que trabalha ou estuda essa temática pedagógico então a gente tem buscado um pedagógico e um didático sobre a temática que só se faz no cotidiano é um bóton com as cores da independência africana que o aluno faz questão de me mostrar e dizer professor já entendo o que é isso e aí ele traz para a gente aquela bonequinha ali ele está com uma florzinha, que é de uma sobrinha que eu peguei, eu achei que estava legal, que ornava, eu falei, eu preciso desse acessório. E aí os meus alunos, a gente já tem uma tradição de fazer as abaiomins, e desde o ano passado, eu estava com o dilema, eu queria colocá-las em pé, eu queria colocá-las em pé. E parecia óbvio, mas eu já tinha pensado de várias maneiras, até que um insight, mas talvez uma obviedade me apareceu e o Cone se fez presente. Como professor de matemática, o Cone resolveu o meu problema. Mas enfim, e aí a gente agora está num processo de, ah, o tecido que estava era legal, mas tem outros tecidos. e a gente precisa diversificar, porque um dos problemas que a gente tem em vereadora, dona do dinheiro e da Câmara do Orçamento, e do orçamento, é a inviabilidade financeira. A gente precisa determinar, assim que foi determinado que vai ter o ensino e a educação antirracista, o quanto vai ser gasto com isso, porque senão a gente vai ficar no campo da retórica e a política, a gente sabe que a política não nos representa, precisa junto com aquele decreto, o adendo. Quantos por cento vai ser investido e qual o critério para a gente não correr o risco, como foi feito em São Paulo, na compra das bonecas, mas a gente sabe que a gente não está falando da compra das bonecas, quem é que vai falar sobre nós? Entendeu? Quem vai falar sobre nós, com que qualidade? Qual é a qualidade? Qual é o critério de qualidade para fazer uma educação antirracista, para a gente não ser redundante em boas práticas? Como é que a gente vai ter confiança e responsabilização pelas más práticas? Se a gente achar que pior do que o racismo, a gente ainda pode ter uma prática ruim, sendo explicada, eu acho que vai ser insuportável ver escolas fazendo mal feito sobre nós e querendo se defender e não assumir a perpetuação do crime e da prática racista que a escola institucionalmente vem se comprometendo. E aí, quando a gente fala de práticas racistas, inclui o silenciamento, Inclui a negação do ensino de história e cultura africana em afro-brasileira, porque eu acho que não precisa. Porque eu acho que os negros são os piores racistas. Porque eu acho, e achar todo mundo pode. Mas conquistar o direito à dignidade humana já passou da hora de ser um achismo da educação. E aí tudo bem, eu agora vou fazer um breve histórico, porque eu queria apresentar para vocês o prêmio Educar com Equidade Racial e de Gênero. Ele acontece a cada dois anos, é promovido, sem dúvida, da avaliação que eu falo, pelo melhor grupo que tem esse debate como parte do seu processo de luta e de existência. O CERT, Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades, coordenado, idealizado pela psicóloga Cida Bento, que foi considerada recentemente, em 2018 mais ou menos, 2020, não me lembro a data, como sendo uma das 50 melhores personalidades mundiais no trato dessa questão. E que coincidência é essa? Em 2002, quando eu comecei a trabalhar, o curso Educar para a Igualdade Racial aqui em Campinas foi promovido em parceria da Secretaria Municipal de Educação com os educadores que atuavam naquela época. E uma das aberturas que foi extremamente importante é que não ficou restrito aos professores de História, Português e Artes, como na legislação já ficou ultrapassado. Hoje já é sabido que numa nova revisão, ou num novo posicionamento legalista, o currículo tem que ser trabalhado por todos, porque biologia, química, física, filosofia, todos os conhecimentos têm muito a contribuir a partir da referência das africanidades, que é o termo que eu chamo, que eu uso, porque foi o termo que a gente construiu no diálogo com os estudantes. Então, ele acontece a cada dois anos. E o objetivo? Identificar, apoiar e difundir boas práticas pedagógicas e ações de gestão escolar comprometidas com o antirracismo e equidade de gênero, com vistas a concretizar com qualidade o direito ao pleno desenvolvimento escolar das crianças, de crianças, adolescentes e jovens negros, brancos e brancas, indígenas e de outros grupos étnicos e raciais. Aí tem como o prêmio funciona, são as cinco regiões. Aí está sendo localizado a distribuição de cerca de 300 práticas exitosas. E por que eu estou trazendo esse prêmio? porque, no ano de 2015, eu fui reconhecido como uma das cinco melhores práticas da categoria professor na temática, com esse material que é um... Uma vez uma professora falou para mim que ele é um trava-línguas, e é mesmo. Eu acho que a gente precisa, ao falar de gênero, ao falar de raça e ao falar de condição social, pobreza, dobrar a língua para ver se não está tropeçando nela. Então, ao invés de falar de maneira atabalhoada, eu acho que uma das coisas que o antirracismo ensina é pensar um pouco mais se o que você vai falar é suportável para quem vai ouvir, se é razoável para quem vai ouvir. Então, no começo, lógico que a gente faz as leituras. No começo, esse trava-língua poderia ser entendido como se tanta coisa fácil para dizer, e ele inventou uma palavra, informa-africativo. Mas o cuidado com a língua é uma das demandas que a temática exige, não é opcional. Ao dizer que eu acho, em que fundamento você se baseia? A terra é plana, eu acho. Aí meu aluno não merece. no espaço onde a ciência deveria ser o princípio. Você saber que tem colegas, não sei se dá para elevar a categoria de colegas, porque eu acho que a gente precisa, e está em tempo de separar o joio de trigo, e esse lugar do eu acho, é um dos lugares mais temerosos que a gente pode ter do ponto de vista da questão racial. Então, os meus alunos, eu começo, uma das dinâmicas que a gente faz é, elabore uma pergunta. E aí vamos construir a resposta para essa pergunta. Não vou responder, não vou trabalhar e me recuso a aceitar os achismos que, recentemente, praticamente tomou conta das discussões políticas, partidárias, filosóficas, até transcendentes sobre o ser humano. Então, ao transcender, vamos produzir, pensar cientificamente, porque é de obrigação do lugar da escola. Se você estiver no culto e estiver celebrando a Terra Plana, que a natureza lhe proteja. Se você estiver no fluxo, e lá a terra for plana, mas na escola é inadmissível. E aí, as responsabilizações precisam... O orçamento e as responsabilidades precisam ser pautas para esse ano antirracista. E não se iluda, nós não queremos anos. Ou melhor, não queremos ano. Quero a nossa existência. Então, a minha existência exige um currículo sobre, com e para mim. Que não precisa ser narcísico, mas onde eu esteja. Então, esse é o prêmio, a localização. Deixa eu me ver. Eu gostei desse brinquedo. Não vou passar, são 305 slides. a gente tem a orientação de todo o processo. Em 2015, a gente recebeu o prêmio no Dia dos Professores, e eu recomendo tanto que vocês divulguem. Esse material está disponível, vou passar para a Guida, e, se ela puder, entendo o contato, passar. Aí tem a Lei de 1639, que é anterior a 11.645, mas que eu costumo ter dito que, assim, a LDB, sem a Lei nº 10.639, é a LDB que não nos representa. E, com a Lei nº 10.639, ela assume o papel que deveria ser da LDB. Sim. Há pedidos? Alguém sabe o que é TAC? Tem TOC e TAC. TOC é Transtorno Obsessivo Compulsivo. Sabe aquele professor que a gente está tentando dizer para ele que a história da África é importante? E ele diz que não, isso é TOC. passível de tratamento na área de saúde mental não que os psiquiatras mereçam tratar desse tipo de gente mas eles que se aventuraram a isso, então o TOC é isso e o TAC o TAC é a justiça de quem pratica o TOC na área política então o TAC é termo de ajustamento de conduta ah tá, você está dizendo que é louco ué, então tá bom, você tem que cumprir uma legislação específica que representa 60% da população, e isso tem sido uma recorrência do movimento negro na área jurídica para que os municípios façam cumprir essa legislação. E aí, dentro desse processo, dá até para fazer uma letra de música pensando nas últimas que tem na parada de sucesso aí. Mas, enfim, o toque e ataque são duas dimensões desse trabalho. Então, provavelmente, eu não tive acesso ainda, Campinas provavelmente também deve estar sendo convidada, além do toque, ataque. Responder juridicamente e com práticas exitosas, e volto a repetir, boas práticas é redundante, é da brecha para o inadmissível. Não sendo boa a prática, ela é racista. E aí, lógico, que hoje, e aí eu estou trazendo uma referência, onde o CERTE acumula 4 mil inscrições de trabalhos. Mas não é só a quantidade, é a variedade de possibilidades de como esse trabalho pode acontecer. E para finalizar, ficaria aqui a tarde toda, porque hoje a gente tem a tranquilidade de ter construído 55 jornaizinhos numa comunidade que a gente sabe. Eu fiz uma poesia uma vez e escrevi Aborto Social. As favelas no Brasil são isso. O Estado não conseguiu, mas tentou. e quando a gente dá as condições para que essa população se reinvente, se ressignifique, aí a gente consegue ter esse resultado. Aí vocês vão dizer, nossa, mas ele está falando isso porque não está na sala de aula. Quatro sextas séries, dois sétimas, qual o motivo da graça, professor? Então, desculpe, eu errei. São quatro sextos anos. São quatro sextos anos. E aí, a gente sabe o que é estar em uma ocupação, a gente sabe o que é estar no sexto ano. A gente sabe o que é estar no sexto ano, sendo professor de matemática e tendo que trabalhar com as africanidades. E nesses 14, 15 anos, um aluno disse para mim e me ensinou que o que eu faço é matemáfrica. E aí, para finalizar a minha tese de doutorado, eu trabalho com esse material e problematizo o conceito de africanidades, de matemáfrica e do informafricativo. E aí, assim, tenho a satisfação de dizer que o Ozeal é uma escola que, revisitando os índices, os indicadores e os parâmetros de qualidade, é, sem sombra de dúvida, a melhor escola da rede municipal de Campinas. Porque a gente tira leite de pedra, a gente faz, dá nó e pingo d'água e a gente consegue, diante da barbárie, fazer coisas inimagináveis. E não é milagre. É pedagogia, é didática, é consciência social e política que faz com que a gente olhe para aqueles alunos e diariamente retorne. E tem uma característica muito interessante lá. Tem professores do Osiel que estão lá de longa data. E aí eu peguei já na transição para o Gourmet. Então, tem professores que relatam que quando chegaram, era escola de lata, e as pessoas que se rebelavam contra a cidade para permanecer lá, alguns corpos eram parte do cenário para chegar na escola. Aí depois evoluiu para ter asfalto só por onde os professores passavam. Ou seja, o caminho para ir na escola, para o carro não atolar. Aí conquistou a dignidade de ter asfalto para todo mundo. Agora o que acontece? O bairro, a pobreza, continua persistindo nas bordas das bordas. Então, eu não tenho mais ideia da população exata. Mas o que eu quero dizer é o seguinte, tem a parte que está hoje, vamos dizer assim, melhor estruturada, mas a pobreza, a extrema pobreza, continua prevalecendo lá. Então, só para dar uma dimensão de que o que a gente faz lá é muito suor de professor, muito suor de professora e um pouco de insanidade. Obrigada, Wilson. Muito bom. Vou passar, então, a palavra para a professora Elisandra Camilo, que também é uma educadora da Rede Municipal de Educação. Som. Ui! Bom, boa tarde a todas, fazendo coro aí a explanação que o Wilson fez. De manhã eu saldei a todas, todos e todes, e agora eu vou saudar a todas, todas as pessoas aqui presentes nessa tarde com a gente. Primeiramente, eu vou fazer uma breve apresentação Como a vereadora aqui disse, que a gente se apresentaria Eu quero ser muito breve E depois eu vou trazer para vocês uma benção A benção da prosperidade E já antecipo que eu quero pedir licença e ao sono do mais novo Que está presente nessa casa mas a gente pede para o volume não ser tão elevado. Um fofo que está ali. Eu sou Elisandra Amara dos Santos Camilo, mãe do Iori, 21 anos, Moara, 7 anos, Cássio Aio, que eu costumo chamar de o mais intruso dos três, de quatro anos de idade. Dito isso, eu preciso também dizer a minha origem materna e paterna, porque sem, principalmente, a minha mãe, eu não estaria aqui nesse momento. Sou filha de Benedita Avelina dos Santos Camilo, uma mineira, nascida em Palmeiral, e também de Gino Geraldo Camilo, que em 2012 foi para outro plano, me deixando com muita saudade. Graças a minha mãe e meu pai, eu tive a possibilidade, mesmo com todas as dificuldades que nós tivemos que enfrentar nessa vida, a minha infância foi uma infância com muita riqueza, de brincadeiras, liberdade, mas também foi muito dura por conta de racismo, por conta de ter pai e mãe tendo que trabalhar o dia todo e a gente ter que, muitas vezes, se virar sozinhos em casa lá na década de 80, sendo muito crianças. Mas estamos aí, com alegrias e tristezas, chegamos até aqui. Preciso dizer também que hoje eu sou uma pesquisadora da Unicamp, Faculdade de Educação da Unicamp, e que eu chego nesse estágio da minha vida, 22 anos depois de ter concluído a minha graduação e sendo mãe de três filhos. Que nada disso seria possível sem a presença e apoio da minha mãe, que desde quinta-feira está com os meus filhos, meu filho e a minha filha menores, possibilitando eu estar aqui nesse seminário tão importante no dia de hoje. Tá? Tenho que dizer também, não posso deixar de esquecer de dizer isso, que quem escolheu o meu projeto de pesquisa, um projeto antirracista pautado em boas práticas pedagógicas antirracistas, foi a professora doutora Ângela Soligo, uma mulher branca que desde o início da década de 80 se propôs a levar para dentro dos espaços acadêmicos as relações étnicos-raciais. Então, eu tenho uma orientadora integralmente antirracista. agradeço demais essas mulheres, além da minha mãe sendo membro da minha família, eu tenho também uma tia, também idosa, que junto com a minha mãe ali, dá conta de acalentar e cuidar das minhas crianças. Então, a Tati, logo depois do nosso almoço, ela falou assim, Elisandra, agora dá uma agitada lá, dá uns gritos. Mas eu prefiro fazer a bênção. Eu quero aqui que vocês se atentem a um vídeo de uma jovem mulher, preta, lésbica, conhecida como Bia Ferreira, que tem um histórico de vida fenomenal, uma artista multicultural. E que, gente, quem me apresentou Bia Ferreira foi a Moara, com dois anos de idade. Moara é a minha filha de sete anos. Quando ela tinha dois anos de idade, um dia eu na cozinha, lavando louça, e ela com o controle na mão, vendo desenhinho no YouTube. Dois anos de idade. Eu não sou radicalmente contra a criança na frente da televisão, não. E a Moara me provou que não precisa ser. Aí eu lavando louça, ela mexendo, caiu na música Cota Não É Esmola. Pela primeira vez, há cerca de cinco anos atrás, eu escutei aquela música. Eu dei uma olhadinha, fui assim, olhei. quando terminou, eu falei assim, deixa a mamãe pôr de novo ela deixou, eu fui lá coloquei de novo, sentei do lado dela e fiquei ouvindo, a partir daquele dia passei a ser seguidora da Bia Ferreira e posso assim dizer a grande maioria, eu conheço a grande maioria do repertório musical dela e são todos muito potentes e pensando em toda essa trajetória desse fundamentalismo que se instaurou aí nos últimos tempos nesse nosso país. Eu quero trazer aqui para vocês o clipe oficial da bênção da prosperidade. Música Hoje em dia tem conhecimento, as amigas do lado Riqueza pra mim hoje em dia tem conhecimento, conhecimento, conhecimento E quando cê pensar em discordar, olha só o que que eu vou fazer Seu filho vai ter que estudar, tudo que eu acabei de dizer E quando eu falar, o céu e a terra vão tremer Vai ter que respeitar, sapatona preta é o poder Eu escrevo essas linhas sem medo de como você pode interpretar Um chamado, tá tudo acordado, o bonde tá forte, nós veio cobrar Do ouro ao conhecimento, não vai ter lamento e eu vou te mostrar Minha história é contadora, aumente, não adianta cê querer afagar De boca a boca nós vamos contando, levante e armando para dominar Seus livros, seus filmes, sua casa, seus filhos e a televisão que cê vê no seu lar Mexendo com gentes, plantando sementes, de... terminando mentes, logo vai brotar Vira floresta, não vou deixar pressa pra nossa história você contestar Entrei nas escolas e nas faculdades, igrejas não vão mais me silenciar Aqui na teu culto, nem... congregação, nessa mata fechada cê não vai entrar Fazendo esse alate, pois não sou covarde, não vai nem dar tempo, o plano tá em ação Ação direta, sai da minha reta, é mais do que só gritar revolução Psicopreta, tomei sua caneta, sou bem mais que teta, bunda e corpão Lente afiada, festa tá armada, fogos de artifício, seguro rojão Psicopreta, tomei sua caneta, sou bem mais que teta, bunda e corpão Frente a piada, festa tá armada, fogos de artifício, seguro rojão E olha o que que eu vou fazer Seu filho vai ter que estudar na escola, tudo que eu acabei de dizer E quando eu falar, o céu e a terra vão tremer Vai ter que respeitar, se a batona preta é um poder Contando os plaquês de ser, é prosperidade Prosperidade Prosperidade Contando os plaquês de ser Falar, estilhaça, a máscara, o silêncio Você é louco, seu som é mil grau, caralho Você é louco, mano Seu som é mil grau, mano Você é doido, mano Bota pra foder, Bia Bota pra foder nesses cu, caralho Gostaram? Bia Ferreira é essencial para pautar o antirracismo e toda a luta que a gente ainda precisa travar. Só para concluir, a Moara, quando ela completou 5 anos de idade, a gente estava vivendo o segundo ano da pandemia, ela queria festa. Eu falei, filha, não dá para fazer festa. Ela, ai, mamãe, queria tanto uma festa da Bia Ferreira. Aí, o que eu fiz? Eu entrei em contato com uma gráfica, fiz alguns copos, um banner, peguei uma imagem da Bia Ferreira, uma da Moara. A Moara se pintou como a Bia Ferreira. Eu fiz uns rolinhos de dois, a gente chama aqueles penteados de rolinho de dois, e ela ficou muito parecida. Então, fiz imã de geladeira, fiz copo e um banner. E comemoramos eu, Moara, Iori e Cassiuaia, os cinco anos da Moara em casa com a decoração de Bia Ferreira. Pus nas minhas redes, marquei a Bia Ferreira, a Bia Ferreira mandou um vídeo para a Moara. E aí, nessa comemoraçãozinha nossa em casa, ela falou assim, mamãe, eu quero dar um copo para a Bia Ferreira. Eu falei, a gente guarda e um dia a gente dá. No ano seguinte, a Bia Ferreira veio num evento aqui em Campinas. Liguei para a Dinda da Moara, falei assim, estopa aí comigo e com a Moara. Não, vamos. A Bia Ferreira vem em Campinas, a Moara tem que ir. Fomos, ela conseguiu entregar para a Bia Ferreira o copo, o imã da geladeira e uma cartinha. Então, eu gosto muito de relembrar essa história, porque as práticas antirracistas, eu comecei desde cedo com os meus filhos em casa, filhos e filha. Dito isso, vamos lá para as práticas antirracistas Eu trouxe aqui três obras que, para mim, são fundamentais Na elaboração dos meus planejamentos de aula Porque o que a gente ouve hoje em dia Ah, e a BNCC? A BNCC de fato é antirracista? Eu não vou responder. Mas quem é professora, professor, educador, sabe. Então eu tenho aqui, como o Adriano citou de manhã, Bell Hooks, ensinando a transgredir a educação como prática de liberdade. Um livro que ela traz as vivências dela Logo na introdução As vivências dela naquela escola segregada Que tinha nos Estados Unidos Na época que ela cursava o fundamental E ela tem uma frase aqui no livro Frase esta que eu tive o prazer de trabalhar com um primeiro ano, que o ano passado eu comecei a trabalhar aqui em Campinas. Segunda vez na minha carreira como professora que eu tinha atuado numa sala de primeiro ano. Eu tenho pavor dos pequenininhos, gente. E foi assim uma turminha que ao longo de quatro meses Me trouxe muitas realizações e, mais uma vez, me provou como é lindo trabalhar o antirracismo desde pequenos. Era primeiro ano A, e a gente, no processo da alfabetização, eu resolvi propor para ele, para a turma, um nome, porque na creche, no SEI, eles já vêm com um nome. Aí, normalmente, é nome de algum personagem É turma, eu vou falar aqui Uma das turmas que o meu filho fez parte Turma dos Peixinhos E naquele momento, trabalhando com o primeiro ano A Trabalhando aí o processo da alfabetização Eu sugeri primeiro a alegria Eles abraçaram, gostaram E ficou primeiro alegria. E nesse livro, na introdução, a Bell Hooks traz a vivência dela nessa escola, onde as professoras negras trabalhavam ali, a educação antirracista, promovendo o empoderamento das alunas, dos alunos negros ali. E ela diz assim, num dado momento da introdução do relato que ela traz, da vivência dela nessa escola. Naquele momento, estudar era uma alegria. E como bem disse o Adriano, quando ela passa a frequentar a escola não mais segregada de brancos, ela passa a perder o gosto, essa alegria pela escola. Porque todo aquele empoderamento que eles vivenciavam na escola segregada, se acabou. Eram poucos professores negros que ali continuavam, davam continuidade àquele empoderamento, e os professores brancos, em sua maioria, minando tudo aquilo. E isso me faz lembrar também a fala do deputado Renato Freitas aqui nessa casa, quando ele veio aqui, também trazido pelo mandato da vereadora Guida. Quem não ouviu o Renato Freitas, ouça, porque ele é mais um representante extremamente importante que eu sonho que um dia vê-lo e que seja 2026 governando esse país porque ele tem qualificação para isso isso sou eu falando tá gente ele conta também que ele foi expulso da escola e ele foi expulso da escola, porque a escola mantinha aquela fala, aquele papel de dominação do povo preto. Então, é uma violência isso. Então, a gente precisa, de fato, trabalhar a decolonialidade dentro dos espaços escolares. Descolonizado nós já fomos. Então, não é mais descolonização, é educação decolonial. E como que a gente faz isso? pegando obras como essa, para elaborar nossos planejamentos de aula. Aqui também tem como ser um educador antirracista da Bárbara Carini. Ela não só escreve diversas obras para nos instruir, Ela também, junto com algumas parceiras dela, fundou a primeira escola afro-brasileira nesse país. E que eu recebi a notícia alguns meses atrás, a Escola Maria Filipe, lá em Salvador, e agora vai ter uma outra unidade no Rio de Janeiro. Eu já sonho, quando me aposentar, fazer um pé de meia e fazer uma escola Maria Filipe em Campinas. E vamos que vamos, vamos junto. Então, isso é pensar uma escola antirracista, decolonial, que vá de encontro com as boas práticas antirracistas, exitosas, que vão romper com a mesmice que perdura há séculos e séculos. O Wilson mencionou aqui os vidros, que nos separam e tal, e que foi recente. As salas de aula são o quê? Carteiras enfileiradas, espaços apertados. Teve um dia que eu falei para as crianças, as crianças reclamando de calor dentro da sala de aula eu fiz um comparativo eu falei para as crianças imaginem como que era dentro das senzalas e não tinha ventilador então eu faço o tempo todo esse tipo de fala porque a gente não precisa apenas dizer assim a BNCC traz ali alguns autores os livros PNLD, garante, garante nada, gente. Se a gente não pegar materiais assim, a gente não garante a educação antirracista. E aí eu apresento aqui, para quem não conhece, Cida Bento, com o Pacto da Juventude, e eu vou até pedir licença para ler uma parte da introdução que ela traz aqui para a gente desse livro, contando uma experiência que ela viveu com o filho dela de 10 anos um dia voltando da escola com um amigo branco após uma aula sobre escravidão no Brasil. Vou ler. Certa vez, quando meu filho Daniel Teixeira tinha 10 anos, chegou em casa muito irritado, dizendo que não voltaria à escola, pois não queria participar das aulas de História sobre Escravidão. O responsável por aquele comportamento era um colega de sala branco. que, enquanto voltava para casa com Daniel, apontou para alguns garotos negros, limpando para-brisas no semáforo, em troca de algumas moedas, e disse de maneira debochada. Aqueles meninos também são descendentes de escravos. É uma vergonha, né? Ao ouvir esse relato, fiquei em silêncio, matutando. Naquele dia, dormi atormentada. Mesmo depois de uma aula de história em que o tema era escravidão, o menino dizia que era uma vergonha ser descendente de africanos escravizados. Mesmo depois de ouvir sobre as violências e os abusos incessantes sofridos pelos negros, de ver retratos de navios negreiros abarrotados de seres humanos em condições brutais, com o corpo marcado a ferro, de ler que o trabalho que exerciam ao chegar ao Brasil era forçado, o garoto branco disse que ser negro era motivo de vergonha. Daniel não podia acreditar naquilo. Por isso, no dia seguinte, decidimos fazer uma lista, incluindo os feitos tanto dos escravocratas quanto dos escravizados pelo nosso país. O lado dos escravocratas incluía expropriação de trabalho, violência física e psicológica, estupros, invasões, exploração de recursos naturais e tantas outras barbaridades. Já do lado dos escravizados era curto. Vieram à força a um país desconhecido para trabalhar, sem remuneração, produzindo riquezas para o colonizador em troca da própria vida. Não havia por que se envergonhar por ter antepassados escravizados, ao contrário, apenas ter orgulho do que construíram, apesar das adversidades. Daniel ficou mais tranquilo, mas eu não. O colega de sala do meu filho não conseguia perceber que enquanto branco e com comentário daquele tipo, ele perpetuava um estigma muito antigo, que desde cedo cria diferenças e hierarquias nas narrativas sobre negros e brancos. O menino não via que eram pessoas do grupo racial a que ele pertence, branco, que haviam protagonizado a escravidão dos negros. E isso, sim, poderia ser motivo de vergonha. Então, esse depoimento... Desculpa, a Guida falou aqui que eu falei no... A gente fica ansiosa para falar e comete as gafes. Corrigindo aqui, a Guida disse que eu falei o pacto da juventude. É o pacto da branquitude, tá, gente? Correção feita com ressalva mesmo. O pacto da branquitude. pacto este que é feito naturalmente por aqueles que não querem abrir mão dos seus privilégios então ouvir esse depoimento que a Cida Bento nos traz nos chamam mesmo aquilo que a Dani traz na fala dela que civilização Que civilização nós queremos? Eu vou querer uma civilização onde haja um pacto que privilegie um grupo reduzido? Porque nós sabemos bem a cor desse país. Os dados nos mostram. E mesmo nos matando diariamente, nós continuamos sendo maioria. Então, a escola tem sim responsabilidade, não só a escola, obviamente, mas a escola tem, sim, grande responsabilidade na ruptura desse sistema escravocrata que impera. Quem me acompanha nas minhas redes sociais vê que estou sempre postando algumas práticas das quais eu desenvolvo. E eu tenho um projeto comigo. Educação antirracista tem que ser do começo ao fim do ano Tem que ser no primeiro dia de aula Tem que ser nas reuniões pedagógicas Tem que ser nos momentos de formação E quando não é citado nada, principalmente nas formações A gente precisa lembrar que essa pauta tem que fazer parte Dito isso, eu gostaria de compartilhar uma experiência Que nós da escola, professor André Tozelo Uma escola localizada lá no Jardim Aeroporto Esse bairro, Jardim Aeroporto, é um bairro muito interessante Todas as ruas do bairro tem nomes indígenas Eu e uma professora, professora Adriana, que não pôde estar aqui hoje, a gente fala em desenvolver um projeto para buscar o histórico desse bairro. Tem aqui as camaradas que são de lá também, sabem. De a gente procurar um dia fazer uma pesquisa, um estudo, para entender por que, como. Enquanto a gente vê diversas ruas, praças, homenageando bandeirantes A gente tem torturadores, é isso mesmo? A gente tem um bairro dentro de uma gigantesca região, que hoje é um distrito, em Campinas, que todas as ruas têm nome indígena. Então, é mais um trabalho que a gente vai ter que se debruçar, estudar, pesquisar para desenvolver. Mas também uma coisa, muito também baseadas na referência que o Wilson coloca, e eu faço coro também à fala do Wilson, o Oziel, é a escola, para mim, também referência de educação antirracista, Muito baseado na marcha que também são os pioneiros, hoje tem outras escolas que também fazem a marcha zumbi. No caso da nossa escola, do André Tozzello, nós começamos a fazer em 2022, começamos fazendo com quatro salas de aula do ciclo 2, quartos e quintos anos. Somos uma escola que tem 10 salas, do primeiro ao quinto ano, duas salas de cada ano. Então, temos projetos específicos para cada ano, que também procuram trilhar esse caminho da identidade, da valorização, autovalorização, a não discriminação, mas também a gente, uma equipe de professores empenhadas, a Mayara está ali, trabalha lá com a gente também, a gente está sempre tendo esse olhar. Infelizmente, na maioria das vezes, parte de professoras, professores negros, esse interesse, mas a gente também consegue atrair e trazer junto professoras e professores não negros também, que acabam abraçando. Então, nós começamos em 2022 com a Marcha Dandara Zumbi e combinamos que cada ano vai ter um tema. Em 2022, o tema da nossa marcha ficou Vidas Negras Importam, porque a gente queria abrir a marcha reforçando essa bandeira que veio a partir da morte do George Floyd e que nós precisamos pautar ainda nos dias de hoje. E a gente até ignorar todas as vidas em porta, mas nós estamos falando aqui das vidas de quem mais é exterminado nessa sociedade e também massacrado dentro das escolas. Fizemos, com quatro salas, um percurso curto da escola até a Praça da Juventude, pegando uma linha reta, porque por quatro turmas na rua também é uma responsabilidade muito grande. Se acontece qualquer coisa, é um BO gigantesco, mas contamos com o apoio da INDEC e da Guarda Municipal que acompanhou o percurso e foi assim para mim uma das melhores experiências que eu vivenciei estando aí nessa empreitada. Um percurso com cartazes e algumas falas, palavras de ordem, vidas negras importam, vidas negras importam, uma graça, e chamou a atenção de muitos que passavam pela rua tirando foto, elogiando, aplaudindo. Em 2023, o ano passado, a gente vai vivenciando a experiência e a gente quer ousar mais, né? Bom, vamos fazer qual tema? Aí, Adriana, Adriana é toda emocionada, eu vivo dizendo isso para ela, né, Mayara? Ai, eu quero trabalhar a música Girasol, do Cidade Negra, E fomos lá pesquisar a origem da música, é muito linda a origem, tem a ver com irmandade, amizade, né, que a partir de uma situação do Garrido com um casal de amigos, ele fez essa música, daí a Adriana já quis plantar girassol e trabalhar o girassol, fizemos tudo isso, né. Mas o girassol, gente, o plantinho é difícil para brotar, a gente acha que é fácil, né? Inclusive, para esse ano, eu falei para ela, você não venha com ideias mirabolantes, porque eu não quero mais ficar me frustrando. Bom, enfim, o que foi rico? Todas as outras turmas, as professoras falaram, nós queremos ir para a marcha também. só duas turmas que não fecharam por conta por particularidades delas com a turma e tudo mais mas daí ficou dito o seguinte, não, ninguém pode ficar de fora, então a gente vai fazer o seguinte, essas duas salas a gente vai deixar a critério da família e daí o familiar vem junto com a criança que for participar e quem quis participou Só que daí a gente falou assim, não, mas não dá para ir só com as palavras de ordem, nós vamos fazer um percurso maior, nós vamos passar na frente de algumas escolas, nós não vamos só até a Praça da Juventude. Só não passamos em mais escola Porque no dia era a época daquele calor intenso A gente já tinha várias limitações E era perigoso também E aí a gente conseguiu fazer com carro de som A gente falando no microfone e tudo mais Esse ano a gente vai levar Junto com essa marcha Segunda-feira eu acho que vai ser batido o martelo se o projeto vai ser aprovado ou não. Estou ansiosa para que chegue segunda. Nós vamos levar o grupo de Afoxé e Leogum, porque a gente quer a batucada na marcha. E daí a gente vai... Estamos aí discutindo a temática, mas a gente está estudando Abdias do Nascimento com os nossos alunos. Provavelmente vai fazer alguma referência a esse grande homem que aqui esteve presente e nos deixou um legado. Fiquei sabendo, ano passado, quando eu estive no Quilombo dos Palmares, dia 14 de julho, eu não sabia dessa informação. As cinzas deles estão lá, no Quilombo dos Palmares. Então, a gente está aí, diariamente, nessa luta, não podemos abrir mão, já recebi aqui o papelzinho para eu finalizar, eu tinha muito mais coisas para falar, mas é sempre assim. E a gente está aqui para isso, não dá mais para a gente ficar errando, a gente precisa mais acertar do que errar. E agora que nós comemoramos a maioridade da Lei nº 10.639, não dá para ouvir assim, mas eu não sei o que fazer. São duas décadas, mais um ano que a lei está aí e não dá mais. material temos, tanto para a qualificação dos professores, dos educadores, quanto material rico que dá para a gente levar para dentro da sala de aula e trabalhar com as crianças. E temos que tomar também muito cuidado, isso é uma coisa muito importante, não dá para material nenhum chegar dentro da escola sem ter passado antes por uma inspeção. E eu não vejo isso acontecer em nenhuma das duas redes que eu trabalho. O material chega. A partir do momento que está lá nas prateleiras, o professor que tem tempo, quando tem tempo, que vai pegar e vai ver. Daí a gente vê o quanto de aberração tem. Tá bom? Obrigada. Obrigada, Elis. Pessoal, a gente vai abrir, então, um pouquinho para vocês fazerem algumas questões. Quem quiser fazer questão... Acho que a Érica está aí. Está por aí? A Érica está com o microfone. Eu vou pedir para quem quiser fazer fala, pergunta, que seja bem breve, porque aí eu quero retornar para eles. E às quatro horas a gente vai ter a outra mesa, a segunda mesa, com os debatedores que já estão aqui, tá bom? Quem quer, e aí, erguendo a mão, quem quer fazer o uso da fala, a Érica está aqui, ela leva o microfone. Enquanto vocês vão erguendo a mão aí, só lembrar a professora Ivone, que está indo tomar água. Professora, essa casa votou essa semana um projeto de lei aqui, baseado no seu projeto de ter trazido as crianças da educação infantil aqui para conhecer o espaço. É um projeto que já tinha, mas tinha com crianças maiores. A professora Ivone foi, ou usou, e trouxe as crianças de educação infantil. Até saiu uma figurinha minha de uma criança agarrada no meu pé aqui. A criança não largava do meu pé assim agarrada. Ele sabe que eu sou monitora, não tem jeito. A professora trouxe as crianças junto com as famílias para participar aqui desse projeto. O pessoal da Elecamp, eu quero agradecer a Érica, foi maravilhosa, que nos ajudou muito. E toda a equipe, fez de tudo para acolher, foi maravilhoso. Eles entraram no meu gabinete, um segundo, viraram no meu gabinete e botaram a cabeça. eu fiquei super feliz desenharam, me desenharam escreveram um monte de coisa e foram embora e largaram tudo foi muito bom então agradeço, Vivone muito obrigada, valeu essa rede tem realmente professores muito potentes a gente agradece muito e com certeza a população de Campinas merece os professores que tem obrigada e quem que vai falar? Ninguém? Nossa! A Jane. Pessoal, a lista de presença está por aí, está rodando. Eu peço que, mesmo quem assinou de manhã, por favor, assine novamente, para a gente poder enviar depois o certificado. E aí a gente pede para a Jane. Vamos lá. Boa tarde, pessoal. Só me apresentando novamente, para quem não estava aqui de manhã. Meu nome é Jane Minha formação é serviço social Eu sou assistente social Ex-conselheira tutelar do município de Campinas Da região sudoeste E a minha pergunta é muito breve Porque eu acho que me estendi muito no período da manhã Faço mil desculpas É para o professor Wilson Eu fiquei muito, mas muito, mas muito curiosa de saber como é ensinar matemática com toda essa questão da africanidade. Como é que o senhor faz isso? Eu realmente gostaria, se fosse possível, que o senhor nos desse um exemplo. Muito obrigada. Quem mais? rapidinho, para a gente poder retornar depois para a mesa. É que de manhã a gente estava com bastante tempo, a pessoal falou bastante, por isso que talvez... Olá, boa tarde. Sou a Daniele. É um prazer imenso estar aqui. Faço parte de uma comissão que trata de trazer assuntos étnico-raciais, gêneros, dentro de uma escola. Não sei se cabe aqui a pergunta Eu não estive de manhã, infelizmente Mas a grande dúvida é Como cobrar isso Da instituição Essas colocações Porque a gente começa a verificar Que a gente começa a querer trazer Letramento, querer trazer a educação Trazer os assuntos E isso vão sendo literalmente Empurrados, justificativas E você consegue permear Todo esse sistema institucional. Então, como tomar algumas ações mais contundentes, por exemplo? Eu posso até dar um exemplo. Tivemos uma grande dificuldade de implementar só livros que tratam autores negros, mas fica numa biblioteca em que os alunos do fundamental ou página não podem frequentar. Então, é isso aí. E aí, se baseiam na pedagogia. pedagogia. É uma pedagogia Waldorf. Dizem que ela é eurocêntrica. No entanto, nós temos pedagogias Waldorf aqui, inclusive São Paulo Capital, que já apresentam a brasilidade nisso. Porque você permeia de acordo com o país e região que você está junto com a época. E aí você entra em um debate em que não anda. Então, eu só queria entender isso. Como ser, né? Mas... Obrigada. Obrigada, professora. Eu só vou pedir na segunda mesa, se a gente tiver representantes da SME, que questões como essa eu posso retornar, tá? É importante porque de manhã apareceu questões como essa, então na próxima mesa se tiver representantes da SME é importante que eles ouçam esses questionamentos, esses conflitos essas inquietações que a gente tem sofrido cotidianamente nas escolas quem mais? Mais ninguém? Márcia Anacleto. Eu vou descontar do seu tempo depois, viu? Brincadeira. Eu não fiz isso com a Elis. Boa tarde. É uma alegria ouvir companheiros, educadores, pessoas com quem eu também eu me vejo em vocês. E eu acho que vocês também me constituem. Então, eu estou muito feliz e na escuta, e nesse evento especificamente, como professora por 13 anos em Campinas, como OP, Orientadora Pedagógica, esse ano, e uma pessoa que entrou, uma professora que entra em Campinas em 2009, e visualizei muitas vezes essa possibilidade desse debate numa rede que esse ano coloca como eixo central a educação antirracista, eu quero provocar, na verdade, acho que é mais provocar, com a Elisandra, ela trouxe a Bárbara com a perspectiva da educação antirracista, então, queria que você falasse um pouquinho sobre essa dimensão, Porque nós estamos falando em educação antirracista e esse conceito, esse termo, enfim, paira aí uma pergunta sobre o que ele significa. E a Bárbara traz uma dimensão até com a Escola Maria Filipe, que é da educação afrocentrada. E, enfim, queria que você falasse um pouquinho sobre isso, porque a gente não está falando ainda de educação afrocentrada, mas é nesse caminho. E, na verdade, provocar todos da mesa para falar, até porque o Wilson com as práticas e Daniela quando fala das dimensões da necropolítica, e aí a gente está falando de conhecimento, então é uma provocação. esse povo gosta de provocar não, ela gosta de provocar e a nossa amiga e a nossa amiga imagina se fosse inimiga responde sim responde como que você é professor de matemática e faz isso bom, mais alguém? a gente pode passar aqui para a mesa mais alguém? eu não estou olhando para todo mundo A gente pode passar aqui para a mesa, então? Então, tá. Vamos lá. Quem que quer começar? Matemática? Matemática? É que eu sou de português. Eu vou começar, porque aí eu monopolizo o tempo. Então, assim, eu acho que quando a gente está nesses movimentos, e é importante, eu vou falar o nome de três professoras agora que eu acho que passaram pela escola, conhece um pouco do nosso trabalho e das dinâmicas que é trabalhar no Ozeel. Eu sempre me comprometo a usar o nome da escola. Eu tenho um estandarte aqui que eu levo para os eventos. Porque não é fácil, gente. Eu preciso, assim, Eu acho que quando eu cheguei no Osiel, há uma dimensão da barbárie que está ali cotidianamente, que a gente lida e que não dá para banalizar. A desigualdade entre o bairro mais rico e o Osiel é de 490 vezes. Salvar uma vida no Osiel é salvar um mundo. Não é simples. Então, eu vou aqui fazer referência à professora Janete, à professora Valéria e à professora Valdirene, que inclusive me antecederam as duas. Quando eu cheguei, a gente podia dizer que já estava numa condição mais plausível de estar naquele espaço. Então, é sempre importante, eu acho que uma da dimensão do que acontece na educação e com a temática racial, das desigualdades de gênero, é quem nos antecedeu para poder a gente estar falando desse lugar hoje. E aí eu tenho um colega de grupo, o professor Vidal, que está aqui, que já também mandou foto para o meu orientador. E aí eu acho que é importante também eu fazer referência ao professor Guilherme, porque eu acho que é uma característica, em sendo um gueto, a Unicamp, existe uma fissura, que é o grupo de terça do GPEC, onde a gente entra, apresenta o que é possível fazer e vai sendo orientado, recebendo, aprendendo academicamente alguns aspectos para lidar com a educação. E eu acho que essas duas referências do estudo de africanidades e do estudo acadêmico se somam ao que a gente aparenta ser fácil, mas que demanda uma certa ciência. E aí a professora me perguntou sobre tanta coisa. Eu tinha separado só um texto aqui da Laquiz para dizer do encerramento. Mas uma prática que eu tenho feito é que os alunos elaboram questões. Eu peço para uma das dinâmicas, geralmente quando eu vou fazer formação, é pedir para os alunos elaborarem uma questão. Eu tenho por volta de umas 600 questões levantadas por alunos e professores que demandam para a gente conseguir pensar o quão denso e amplo é o trabalho de construir as africanidades na educação. Então, eu já ouvi que eu não dava aula de matemática, e aí depois o aluno respondeu que realmente não é de aula de matemática que os alunos precisam apenas. E aí as rupturas, se não forem feitas, a gente fica batendo na tecla das impossibilidades. Então, quando nós pensamos, sonhamos e efetivamos o Conepa, ele tinha esse objetivo. a Elisandra fala assim eu estou pensando em fazer aí a gente já não duvida, vai lá e faz vai lá e faz e aí você precisa ter esse suporte por enquanto no campo da virtualidade a Dani estava comentando aqui, a gente fofocando e ela falando como que a gente se sintoniza porque em se conhecendo a gente não se sobrepõe mas a gente entende que a dimensão dos aspectos que cada um traz, cada uma traz, se somam, mas não necessariamente harmoniosamente ou naquela vibe paz e amor, meio que patológica. É um amor e uma fé consciente. Então, tudo isso se soma. Então, das coisas que as africanidades me ensinou, primeiro eu fiz um curso de licenciatura em matemática e entrei na escola. Eu não tenho dúvida que a melhor formação pós o curso de licenciatura que me permitiu passar no concurso e entrar na escola foi o curso oferecido Educar para a Igualdade Racial aqui em Campinas. Porque aí a gente estava com o que melhor tinha de formação e concepções que tirava da gente as certezas impostas pelo racismo. E aí você começa a construir na dúvida. E aí é interessante porque a prefeitura não vai ter álibi que ela distribuiu para todas as escolas as 18 obras do Paulo Freire. Em lendo uma delas, já não dá apenas para dizer das impossibilidades. Aí a prefeitura entregou em todas as escolas 18 obras do Paulo Freire. Então, esse conhecimento, essa leitura comprometida, ele vai dando ali, porque às vezes a gente quer a fissura ou ver a barragem romper por completo. E no grupo de pesquisa lá, a gente aprende também que uma fissura numa barragem é tão perigosa e que a gente às vezes não tem a dimensão. Então, às vezes, eu queria um grupo de professores para trabalhar com as africanidades. Isso aí é a nossa utopia. Mas um professor com um aluno, e aí eu vou ler o que a Laquiz me disse, para eu poder entender o como a gente, porque eu acho que tem a dimensão do coletivo, mas tem a dimensão do indivíduo, que a gente sai do campo das impossibilidades e começa a ver as possibilidades. E volto a repetir, eu estou diante da barbárie. E diante da barbárie, qualquer mínimo esforço e indicação de uma ação já é importante. Então vamos lá. A Laquiz, ela escreveu para mim, eu já estou pensando e falando como encerramento. Laquiz Machado dos Santos, 2016. Estou completando o ensino médio este ano de 2016 na EE Parque Osiel, que compartilha o prédio da EMEF Osiel Alves Pereira durante 13 anos. Eu pude estudar nesta escola ou nestas escolas. Escrevo este texto para relembrar o que aconteceu no meu processo de aprendizagem e que acredito que também marcou e marca a história de muitos estudantes que passaram por esta escola. Lembro que na oitava série, no ano de 2010, a sala que eu estudava foi uma das primeiras a participar do projeto Africanidades, que naquele momento era o começo de um trabalho sobre preconceito, bullying e racismo. No começo não foi nada fácil e continua não sendo. Acredito que a maioria das pessoas, principalmente os estudantes, eu professor, não sabia o Enquanto o combate ao racismo era importante para a construção da igualdade racial e para melhorar a educação das pessoas, naquela época a escola funcionava em quatro períodos e eu estudava no horário das 15 às 19. Nossa sala tinha por volta de 35 alunos, um adendo. Às vezes não dava para limpar uma sala na transição com a outra, ou limpava a sala ou limpava o banheiro. Não esperávamos que um professor de matemática abordasse esse assunto de uma forma tão incrível e que teria tanta repercussão que hoje percebemos ter, em toda a escola e com todos os estudantes. Foi uma ação desafiadora e interessante. E de lá para cá, muita coisa mudou. A escola hoje publica um jornal escolar que trata especificamente da temática das africanidades. Desde o primeiro exemplar, no jornal Informa Africativo, que aconteceu em 2012, nós estudantes temos a oportunidade de nos informar de diferentes maneiras sobre africanidades. Não vou ler a carta inteira, e aí o que eu queria dizer para vocês é o seguinte, a contribuição, quando esses textos chegam para mim, como professor de matemática, é fazer adequação. Então, por exemplo, eu tenho obrigação de alguns termos que não é de conhecimento deles, eu intervi na construção do texto. Então, um dos temas que eles reproduzem, às vezes, sem o devido conhecimento do campo das africanidades, é o todos somos iguais. Eu acho que o princípio é que eles entendam as especificidades e o valor das diferenças. então às vezes tem uma tendência fizemos um texto bem bacana mas na última frase somos todos iguais graças a Deus não é sobre isso não é sobre isso o sangue que corre na veia é todo vermelho não é sobre isso a dimensão das especificidades de ser negro, da negritude da história da África e tem um filme muito interessante chamado Curra que ele faz dar um nó na nossa cabeça e que o que antes era só inferioridade passa a ser a referência onde discutir a apropriação cultural não é mais observar se tem uma pessoa no metrô com câncer usando um turbante é entender que a pizza é egípcia Ele podia ficar aqui falando a tarde toda Eu já falei Ele foi meu professor no oitavo ano Imaginem a idade Brincadeira Eu sempre faço essa piada Gente, ele vive comigo há quanto tempo? Não sei, mas todo lugar que eu vou, eu faço essa piada e ele fica com vergonha. Então, é meu jeito de dar o troco. Na idade que estava ela aqui. Então, vamos lá. Eu vou começar pela fala. eu não anotei o nome da professora, mas que participa de comitês, tem um comitê, a Daniele, quase me achará, eu sou a Daniele, é uma comissão voltada para as questões étnico-raciais. Bom, teoricamente, eu trago à luz, claro, a gente não vai fugir de quem a gente é, da nossa escrevivência. Um teórico que eu estudo, que é o Henrique Dúcio, argentino naturalizado mexicano, estudo no âmbito da ética. E aí ele vai falar que, dentre a metafísica primeira no ramo da filosofia, a gente tem o dever de prover o direito à vida. Então, primeiro, eu não vou olhar para a ontologia. Como que eu vou traçar uma ontologia se eu não tenho um ser vivente? Então, essa é a ética primeira. E essa ética primeira, ela diz muito sobre a responsabilidade de cada um. Quando a gente fala em educação antirracista, a gente vai falar de algo que muita gente não quer saber. E nem quer fazer. E nem quer ouvir. É meter o dedo na ferida. E isso cabe uma responsabilidade. Então, é claro, você é nomeado o professor chato, o professor que só fala de coisa de negro, o professor que vai diferentão. Mas, gente, nós temos legislação. Então, essa é uma postura. A gente tem a LDB, a nossa maior lei de educação. A gente tem a Constituição. E aqui no Brasil é interessante, A gente tem vários aparatos de regulação, mas a gente não tem a prática. Então, esse é um caminho. Mas já entendendo que o lugar do professor antirracista é o da denúncia, é o da promoção de práticas e da divulgação dessas práticas, é o do conhecimento. Então, saiba que é o tempo todo, em toda reunião, como diz a Elisandra, em toda aula, em todo planejamento, em todo momento, a gente precisa começar a ver as africanidades dentro da transversalidade que ela se propõe. Então, eu vou falar lá da política e eu vou olhar, por exemplo, questões de necropolítica, de biopolítica, de políticas públicas para a população negra. eu vou falar de geografia eu vou falar das populações que estão nas áreas periféricas e qual a cor dessas populações no IBGE eu vou questionar a questão do quesito raça-cor eu vou falar de biologia e eu acabo com a teoria do racismo científico é estudo é trabalho é árduo, não é dado não existe receita, é construção e aí já emendando na questão da Marcia que eu adorei, eu brinquei que ela é minha amiga, imagino se não fosse, mas brincadeira. Também muitos anos, né, Márcia? A gente se conhece, tenho muito respeito pelo trabalho da Márcia, minha filha mais nova, Janaína, está na escola em que ela é OP. Falando um pouco sobre a provocação, e ela falar da educação afrocentrada, eu adorei. Por quê? Porque tem um filósofo que eu sou apaixonada, apaixonada, acho que todo mundo tem lá os seus preferidos, que se chama Chilimibembe, que é camarones. Então, ele vai lançando as obras e eu vou lendo, devorando e fico, assim, uns cinco anos só falando. Mentira. Pelo menos um ano inteiro falando daquele título. O último que ele lançou, que eu tenho contato, é o Brutalismo. E aí, no Brutalismo, ele vai falando de como é uma a construção de perfuração de vidas, de corpos, de dureza, mas ele traz, em dado momento, o devir africano do mundo, conjuntamente com outros. A gente viveu e vive séculos e séculos de um modelo eurocêntrico. Deu certo? É tão óbvio. Não deu certo. então a gente precisa olhar a partir de outros devires a gente tem o Ailton Krenak falando gente, o homem branco com a sua cultura, o seu modo de ser o seu modo de operar não deu certo a gente tem o Achille Mbembe falando olha, vamos olhar para o devir africano no mundo, vamos olhar para as sociedades matriarcais porque aí a gente também olha a questão de gênero, né, essa possibilidade, ela vai nos ampliar, vai ampliar os nossos repertórios, as nossas formas de ser, para a gente atuar na perspectiva da educação antirracista, primeiramente, reconhecendo o que é racismo, né, a gente tem que saber o que é racismo, a gente vai lá ler o Silvio de Almeida, a gente lê toda a coleção dos feminismos plurais, a gente lê o Cabemguelê Munanga, enfim, tem tanta, a Petronilha, a Nilma, a Bell Hooks, enfim, a Grada Quilomba, a Conceição Evaristo, a gente tem tanto repertório para iniciar ou para continuar uma educação antirracista, e aí com bastante formação e bastante vontade, vontade, muita responsabilidade pelos nossos atos, porque quem não tem essa responsabilidade não trabalha com as questões raciais na escola, é racista, como diz o Wilson, quando fala que uma prática, se não é boa, ela é racista, a gente dá um pontapé para se pensar dentro de outras formas de transformação, que esses devires africanos, dos povos originários, entre outros, chegue até nós, porque senão a gente vai morrer. Nós vivemos uma civilização de escassez de recursos naturais, de pandemias. Não haverá planeta se a gente não aprender, não só se relacionar de um modo melhor, mas também de relacionar e respeitar as forças da natureza, o que nos seca, e pensar para além da questão de superstição ou da intolerância religiosa, a gente vai deixar de existir. E vai todo mundo para o mesmo balaio. Quer dizer, depois da vida, eu não sei se vai, mas o fim será inevitável. E aí, para fechar minha fala, eu gostaria de trazer a Conceição Evaristo. Quando a gente vai ler os livros de literatura, eu sou professora adjunta de língua portuguesa e também orientadora pedagógica, mas quando a gente vai ler os livros de literatura voltadas para as africanidades, a gente, ou então filosofia, a gente tem um traço comum nas narrativas ou na escrita, que é o falar de si. A gente começa falando de nós mesmos e depois a gente vai falando das nossas experiências e dentro dessa perspectiva da escrevivência da Conceição Evaristo, ela fala assim, a nossa escrevivência não pode ser lida como histórias para Ninaros da Casa Grande e sim incomodá-los em seus sonhos injustos. Fim dele. Obrigada, Dani. Agora vamos lá, Elisandra. Suas considerações. Respondendo a primeira, a Daniele. É Daniele e depois a afrontosa da Márcia. É, Daniele, eu também fico perplexa com situações assim, né, eu sou dessas e sou dessas porque contribuíram para que eu fosse assim, então eu já teria metido o pé, porque o ano, metido o pé, assim, no bom sentido, tá, não é? Não é no literal. Não é chegar lá na porta da biblioteca e abrir para os alunos que não têm acesso. Mas, assim, é questionar mesmo. Como assim? Tem o material, o material está trancado. Biblioteca. Eu já passei por diversas escolas. O meu foco da pesquisa são livros, então eu preciso ter acesso a livros. E assim, eu ia por um caminho de trabalhar as obras positivas e as obras negativas, dentro das relações étnicos-raciais. Como eu tenho uma orientadora muito boa, ela falou, não, você vai pegar as suas práticas e as obras positivas, As representações sociais positivas. E dá-lhe Moscovici na veia, que é o carro-chefe da minha pesquisa, mas, obviamente, eu vou trazer as autoras e autores negros que tratam essa temática. Então, eu cansei. E o que eu tenho é meu, ninguém tira de mim. que eu compro, que eu ganho, são livros, obras, todas extremamente positivas dentro de uma mala. Tem uma mala vermelha, fiz questão que fosse vermelha, de rodinha, e não carrego todos os dias para a escola, não, mas, assim, quando eu preciso ter uma biblioteca, eu tenho a minha biblioteca móvel, porque realmente cansa. Mas é óbvio que eu não sou louca de falar para todo mundo que tem o problema na escola com a biblioteca fazer isso. Mas a gente tem que pressionar para que essa biblioteca seja aberta e acessível. Também não dá para ter uma biblioteca abarrotada, e eu espero mesmo que tenha alguém da Secretaria da Educação agora no segundo momento, porque não dá para chegar diversos materiais, sabendo que a escola não tem lugar para guardar esses materiais, e que a escola também não pediu. Tem coisa que chega que não tem serventia para nós. E quais são os lugares que vão ser estocados esses materiais? Biblioteca, sala de informática. então eu meto o pé eu falo eu falo abertamente, eu falo dentro da escola eu falo quando eu tenho oportunidade de falar, porque não é assim, a revoltada é um pouco é a revoltada mas assim, a gente se revolta porque até quando vai dessa forma essa semana eu ouvi que esse ano eu estou menos atacada, porque eu me propus a mais me calar do que falar. Mas não é porque eu estou cansada de ficar dando murro em ponta de faca, não. É por questão de sanidade mental. Porque eu sei que eu não posso mudar o mundo sozinha. E eu não mudo. E eu não vou mudar. Mas, daí, a pessoa vira para mim e fala assim, ah, esse ano você está menos atacada. Aí, eu já... Eu falei assim, ah, não, então... Então, eu não quero. Não quero ser menos atacada. E eu sou assim, de gesticular, de falar alto mesmo. Então, eu não quero. Se as pessoas me verem menos atacada, eu vou para o ataque. Então, não dá. É lutar mesmo. A gente precisa. E está errado. E apontar a gente. Não tem lógica ter o material e o material não ser acessível. Então, se eles não podem, se as crianças, os adolescentes, não podem entrar na biblioteca, a biblioteca vai sair e chegar nesses adolescentes. Então, diariamente, de tal hora a tal hora, a gente vai tirar da biblioteca e levar para um espaço. e deixar disponível lá para os estudantes, as estudantes terem acesso a pegar, ler, a gente trabalhar, porque é insano achar que livro é para estar guardado, trancado, sem poder ser utilizado. A Márcia falou que a perspectiva da Escola Maria Filipe é afrocentrada. E começa naquilo que eu falei, nos nomes das turmas. Então, cada... E isso começa lá na educação infantil. Gente, quem não conhece, veja, tem muita coisa no YouTube, tem coisa... Aqui, ela traz, ela conta o histórico da Maria Filipe, e como que é a organização dessa escola. Ela traz, sim, muita coisa do afrocentramento. A começar pelo nome de cada turma. Então, tem a turma do Reino de Daomé. Gente, eu levei para a sala de aula do meu quinto ano de Indaiatuba, porque agora que chegou o material didático, a primeira unidade de língua portuguesa é mitologia grega. Só que daí o que eu fiz? Eu peguei um defeito de cor. Lá tem uma... Trabalhando autobiografia, Lá tem um mito, um mito da mitologia Yorubá, que trata dos reis e as rainhas, porque é isso que a mitologia traz, os deuses gregos. Eu falei, não, mas antes de chegar nos deuses gregos, a gente vai trabalhar as rainhas, as deusas, os reis, os deuses africanos. Então, eu li para o meu quinto ano um mito que tem um defeito de cor. esse ano. Está registrado e vai para a minha dissertação, vai para o meu projeto do CERTE desse ano. Então, isso é afrontamento. Porque eu me recuso a abrir a primeira unidade tendo que trabalhar mitos gregos. E eu falo isso abertamente a Jo, é da rede, ela sabe. É, mas está lá, né? era aposentada de lá, gente, é isso. Então, é o tempo todo. E o professor, a professora que tem essa visão de que o negócio está errado, e que vai lá, está estudando, está se formando, informando, ele vai ter esse olhar. O outro que está lá para bater a famigerada meta, atingir o índice, o que ele vai fazer? Vai seguir do começo ao fim do ano com aquele material. Nós temos uma unidade nos Ciências Desumanas, a primeira unidade do quinto ano dos Ciências Desumanas é a gestação do Brasil. Adivinha sobre o que vai falar? A partir de 1500. E o que eu faço? Eu fiz isso em 2022, quando eu tive um quinto ano e trabalhei esse material. Ainda não comecei esse ano. Nós vamos fazer um X vermelho. Isso é ser transgressora, o que a Bell Hooks traz, nos ensinando. Eu leio essas autoras, gente. Aquilo que a gente lê, a gente vai praticar. Então, eu falo, vamos riscar isso daqui. E a gente vai pensar em outro nome. Porque eu já começo o ano, independente do material ter começado, eu já começo o ano trabalhando os nativos, quem foram os primeiros a estar aqui, como foi o processo da colonização, como chegaram, de que forma. E sem aquela... Tem gente que já me falou assim, Nossa, mas é muito, é violento demais as crianças ouvirem isso, no caso de estupros. Eu falo violento, é a gente continuar reforçando e referendando todo esse processo brutal. E digo mais, trabalhando isso, a gente motiva a criança também a caminhar para se defender de possíveis abusos que elas enfrentam dentro de casa. E nós temos aqui uma pessoa que trabalhou, não trabalha mais no Conselho Tutelar, mas que, na região que eu atuo, que é a Sudoeste, aqui em Campinas, e eu sei que tem diversos casos. Então, são coisas que a gente não pode... É violento falar isso para a criança. Violenta é deixar essa criança passando por racismo, com sutilezas, como o Adriano falou aqui hoje de manhã, velado. Nós não podemos mais. E eu tenho uma frase que eu digo, do primeiro ao quinto ano, porque é o público-alvo que eu trabalho. gente, a minha esperança não está nesses adultos homens e mulheres a minha esperança está em vocês e vocês são privilegiados de encontrar professoras professores que tragam a história verdadeira, porque eu tive que me automutilar com nove anos de idade porque eu era chamada de cabelo de enrola bosta um dia cheguei em casa, não tive dúvida, deixa eu tirar os enrola-bosta, passei a tesourinha no meu cabelo. Quando a minha mãe chega do trabalho, minha cabeça estava cheia de buraco, ela cortou mais ainda. Então, eu conto isso como exemplo. Não tenho orgulho dessa história, mas eu tenho orgulho de poder ser a pessoa, uma das, que vai motivar, incentivar as nossas crianças negras de cabelos crespo que o cabelo dela não é duro, não é ruim, não é bombril, não é assolano, não é miojo. Não é enrola-bosta. Né? Então é isso. Bom, então a gente vai finalizando aqui essa mesa. Quero mais uma vez agradecer a Elisandra Camilo, que é uma educadora da rede, o professor Wilson, que é professor de matemática da rede. Também a Dani pela mesa aqui. Quero... A gente vai finalizar aqui e, em seguida, a gente vai chamar a próxima mesa, tá? Os debatedores, eu já estou vendo aqui, todos estão presentes. Então, a gente, daqui a pouco, vai abrir a próxima mesa, que é Propostas para uma Educação Antirracista. Lembro vocês que está passando aí a lista de presença. Quem assinou de manhã, por favor, assine novamente para que a gente possa emitir o certificado posterior para vocês. Obrigada, professores. E valeu. Mais uma vez. Ô, Guida. eu vou te entregar simbolicamente uma coletânea dos 55 jornaizinhos que nós publicamos na escola e nós vamos publicar isso na nossa página muito obrigada a primeira versão a gente fez capa dura a segunda mas ainda vai vir agora a terceira Obrigada. É, vai achar que eu vou agarrar o outro. Tá, eu vou lá. Só vou pegar o xixi. Amém. Legenda Adriana Zanotto E aí E aí E aí Podemos, pessoal, novamente? Vamos lá, para a gente aproveitar bastante o tempo? Bom, vamos então para a nossa última mesa. A partir da Comissão de Educação, nós, eu sou presidente da Comissão de Educação aqui da Câmara Municipal de Campinas, vereadora Guida Calisto, a gente está fazendo um seminário sobre educação antirracista. A comissão pensou na importância de se realizar esse seminário Até porque na Secretaria Municipal de Educação A pauta da educação antirracista virou o tema central desse ano E por isso nós pensamos em fazer esse seminário Para debater, enfim, para reunir os educadores aqui E fortalecer essa pauta Na parte da manhã, às 9 horas da manhã Nós realizamos o debate uma mesa que falou sobre a lei 10.639, com o professor Adriano Bueno. Agora, à tarde, nós realizamos uma outra mesa que falou sobre as boas práticas da educação antirracista, com o Wilson Queiroz, Daniela Caetano e Elisandra Camilo. E agora nós vamos para a última mesa desse sábado, desse seminário que é propostas para uma educação antirracista. para isso nós temos aqui a presença nós temos a presença aqui do professor e secretário adjunto da Secretaria Municipal de Educação, Luiz Mariguete que eu peço que suba e ocupe aqui a mesa, por favor Obrigada, professor. Peço também que possa vir compor a mesa aqui conosco, a professora Márcia Anacleto. A Márcia está aqui como diretora da rede municipal. Ainda não. Ainda não? Mas colocaram... Não, é que colocaram aqui que o povo já antecipou. Orientadora pedagógica. E envias aí de virar diretor. Bom, já passou no concurso. E também a gente chama aqui o professor do Instituto da Rede Municipal de Ribeirão Preto e também do Instituto Federal de Sertãozinho. Lembra que eu falei que eu estava em dúvida se era Sertãozinho ou se era Ribeirão Preto? Eu e minhas dúvidas. Por favor, professor Leonardo Sacramento. Obrigada mais uma vez ao Leonardo, à Márcia e ao Luiz Marguete pela presença. O Luciano vai subir? Ah, tá. Eu vi que o Luciano estava aí, mas eu não sabia se ele ia subir. Então, Luciano, por favor, vem aqui. A gente gosta de vocês aqui. A gente precisa pressionar vocês, abraçar vocês fortinho. O Luciano Reis, que é diretor do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação. A gente agradece, muito bom tê-los aqui. Também é muito bom ter representantes da Secretaria de Educação para que a gente possa fazer um diálogo mais completo. Tudo bom? Obrigada, viu? Quem quer falar primeiro? Bom, eu, mais uma vez, agradecer. Agradecer a presença também das pessoas, dos educadores que estão aqui, monitores, professores, que estão aqui presentes, participando o dia todo. Então, a gente vai agora para a última mesa. E aí a gente vai abrir aqui para a Secretaria Municipal de Educação, que de uma certa forma, nesse momento, nesse ano, foi quem também impulsionou esse debate na rede, tendo em vista que divulgou e está orientando toda a rede municipal de educação a trabalhar com essa temática, que apesar de ser obrigatória já faz 20 anos, ainda, já, 20 anos, nós ainda sabemos muito bem, e discutimos isso na parte da manhã, inclusive, que ainda é um tema com muito desafio, ainda dentro da rede municipal. Então, agradecer mais uma vez. E eu passo a palavra, então, ao secretário adjunto da Prefeitura Municipal de Campinas, da pasta da educação, professor Luiz Marighelli. Boa tarde a todos e a todas e cumprimento aqui na figura da vereadora Guida todos os membros da mesa Márcia, Luciano meu conterrâneo lá de Ribeirão Preto também já tivemos algumas oportunidades de dialogar sempre muito bom dialogar com o Leonardo. Então, seja bem-vindo de novo a Campinas, embora eu seja de Ribeirão também, mas acho que posso te dar as boas-vindas aqui, em nome da Secretaria de Educação. E queria começar parabenizando o mandato da vereadora Guida e à Comissão de Educação e Esporte da Câmara por esse debate de hoje, que, com certeza, acho que também nos ajuda a ir encontrando os trilhos para o trabalho que a gente está propondo para começar em 2024. Então, muito bom para a gente estar discutindo aqui. Tem uma apresentação ali, ela é bem simples, é mais para orientar a minha memória, porque vocês sabem, depois dos 30 anos, a gente começa a ter dificuldade de lembrar das coisas, então é mais para a gente ir lembrando o que vai falar. Pois é, 30 e alguns. Então é mais uma orientação. E acho que a ideia é fazer uma fala rápida e depois a gente poder discutir um pouco. Só que tem alguns... Vou tentar isso aqui. Depois dos 30 e poucos, a tecnologia é uma certa dificuldade. A gente vai tentando aqui. Está certo. Tem alguns apontamentos iniciais que acho que são mais importantes do que a própria apresentação em si, para poder situar um pouco o lugar que eu e o Luciano e a secretaria estamos para fazer essa discussão. Então, primeiro, deixar claro que eu não sou militante e nem pesquisador dessa área. Acho que isso é bastante importante. Então, nós fizemos esse mesmo debate ontem na Faculdade de Educação e comecei com esses apontamentos. Acho que é importante deixar claro isso. Não é um movimento que está associado à questão da militância A gente, na verdade, conta com a militância para nos orientar no caminho Portanto, a fala é uma fala institucional É um movimento institucional Não é um movimento que propõe ocupar o espaço da militância e nem dos estudiosos da área. Isso é bastante importante deixar claro. Segundo apontamento importante, a Guida trouxe um pouco na fala dela, há 20 anos que a gente tem essa obrigatoriedade, e é importante deixar claro também que nós não estamos começando essa discussão nem na Secretaria de Educação e nem em Campinas agora. tanto a cidade conta com um movimento bastante representativo nessa discussão há bastante tempo e mesmo na educação também evidente que em alguns momentos isso ganha mais corpo em outros momentos isso precisa avançar mais como qualquer movimento mas não é algo novo então estou deixando claro já que quando a gente lança isso como temática porque esse ano nós não estamos propondo iniciar um trabalho. Tem outro propósito que eu vou falar na apresentação, já, já. A gente tem uma longa trajetória de trabalhos, mesmo na rede municipal, associados à questão das relações étnico-raciais, letramento racial, a questão de combate ao racismo, um movimento bastante importante. Então, nós não estamos iniciando esse trabalho agora. e o terceiro apontamento também bastante importante nós não estamos divulgando uma política de educação antirracista porque nós não temos o movimento ele propõe iniciar o debate com vistas a construção dessa política então nós não estamos divulgando aqui uma política de educação antirracista, parece uma diferença sutil, mas não é não bastante importante Nós temos ações que são desenvolvidas já há algum tempo, ações que estão sendo propostas agora, mas a ideia é que essa política de educação antirracista, de maneira mais robusta, ela seja construída, comece a ser construída agora. Portanto, também não é um movimento que se inicie e se encerre em 2024. Isso também é bastante importante deixar claro. A questão é que a gente chama para o debate, em 2024, essa temática, como um movimento mobilizador. Depois, na apresentação, acho que eu consigo deixar um pouco mais claro isso. A ideia é mobilizar a rede para essa discussão. Por quê? A Secretaria de Educação, nos últimos anos, sobretudo nos últimos três anos, sofreu uma mudança bastante grande de estrutura, de organização. Nós tivemos um investimento bastante forte na educação infantil. Acho que não vou ficar citando isso aqui, porque acho que todo mundo aqui sabe disso. Também investimentos no ensino fundamental. Nós estamos para lançar um número bastante grande de escolas de ensino fundamental para poder concluir a meta de escolas de tempo integral. e investimentos de outra ordem também. Vou passar uma listinha aqui bem rápida. A intenção não é discutir, nem fazer a divulgação dessas informações, mas é só por orientar a fala do porquê que a gente está agora discutindo essa questão da educação antirracista. Então, tem uma pequena lista de itens que a gente veio desenvolvendo nesses três anos. Todas essas ações que estão ali São ações que estão ou concluídas Ou estão em curso Eu não estou falando de projeto De proposta Estou falando de ações que ou já foram desenvolvidas Por completo Ou que estão já em fase de desenvolvimento Então nós temos a construção de unidades De educação infantil Reformas de unidades A gente tinha aí várias décadas Um saldo de várias décadas das escolas sem reformas, condições estruturais das escolas muito ruins. Isso avançou bastante, quer dizer, uma série de investimentos ali, inclusive em pessoal. E aí nós começamos a discutir, a partir daí, o processo de organização da gestão democrática das unidades, incremento de recursos e autonomia para as equipes gestoras. E começamos, então, a preparar secretaria e esse era o papel, por isso eu trago essa lista para mostrar que, a partir desses itens, a gente começou a preparar a secretaria para discutir a questão da função primordial de uma secretaria de educação, que é a questão da aprendizagem. É nisso que a minha fala, a nossa fala da secretaria de educação está centrada. Na questão da aprendizagem das crianças, dos alunos. Então, A partir desses elementos, a gente começou a discutir quais são os principais desafios da secretaria para o restante da década. Dois principais desafios. Estão ali dois eixos. Nada do que eu estou falando aqui é novidade para ninguém aqui e para ninguém que milita na educação. É só por orientar a mesma fala. Primeiro grande eixo, desafio, a educação especial. Acho que todo mundo que está na educação sabe que tem sido bastante desafiador para as redes de ensino, a educação especial, em função da necessidade de construir um espaço que garanta aprendizagens significativas e atendimento com dignidade para profissionais, mas, sobretudo, para as crianças, alunos e para suas famílias. Tem sido bastante desafiador. Então, esse é um desafio bastante importante da secretaria hoje. Coloquei alguns itens ali, acho que também todo mundo sabe. A questão dos professores de apoio, os processos inclusivos, acho que hoje é o principal desafio, mas a gente tem outros. A questão da acessibilidade de maneira geral. Então, vários desafios associados à questão da educação especial. Acho que em qualquer cidade do Brasil, se a gente for discutir educação, hoje esse é um item importante. O outro desafio, que ele já estava presente, mas ele começou a ficar muito urgente e a gente começou a discutir, na saída da pandemia, é a questão da aprendizagem mesmo. Ou, se a gente pode chamar assim, da garantia da aprendizagem. E estou dividindo isso em três itens principais. Primeiro, a questão da insuficiência mesmo das proficiências que a gente imagina ou convencionou que as crianças de ensino fundamental, estou falando de ensino fundamental porque é onde a Secretaria de Educação atua, as proficiências que a gente espera das crianças dessa faixa de idade, no ensino fundamental de nove anos. Então, hoje, nós temos indicadores insuficientes em relação às proficiências, língua portuguesa, leitura escrita, matemática, nos nove anos de ensino fundamental. Esse é um elemento fundamental que está dentro dessa questão da garantia das aprendizagens. O outro elemento é ainda uma questão a ser discutida e aprofundada, embora Campinas seja referência nesse debate, Campinas foi uma das primeiras cidades em São Paulo que começa o debate dos ciclos de aprendizagem tem muito estofo para discutir isso a Secretaria de Educação servimos inclusive de referência para muitos outros municípios a questão dos ciclos de aprendizagem mas embora isso tenha ocorrido nós ainda temos presentes na rede uma cultura bastante consolidada da reprovação e evasão de alunos. Então, esse é um elemento muito importante que ficou, que a gente, claro, tinha clareza, mas que ficou muito mais evidente durante e na saída da pandemia. Estou considerando a saída da pandemia o momento que a gente está vivendo ainda agora. Porque, embora a pandemia tenha acabado, mas os efeitos que ela trouxe para a área da educação estão presentes ainda hoje. Então, esse é um elemento importante. E o outro elemento, indicadores que revelam uma profunda desigualdade quando a gente está falando de aprendizagem entre as nossas escolas. E eu posso colocar todas as categorias de escolas ali. Escolas mais periféricas, menos periféricas, escolas de tempo parcial, de tempo integral. Nós não conseguimos padrão em relação aos indicadores de aprendizagem e nesse elemento que entra para nós a questão da necessidade da construção de focar os esforços na construção de uma escola para todos, porque para nós é esse o debate que está por trás desse elemento. A dificuldade da gente enquanto rede, mas também de nós enquanto sociedade de entendermos em definitivo que é necessário a construção de uma escola para todos. Então, embora dois eixos, vocês podem perceber que eles estão dentro da mesma categoria. Bom, um pequeno recorte de dados que a gente traz aqui para entender um pouco por que a gente está falando. Quando a gente vai olhar para a questão da exclusão dos alunos, a gente tem aquele dado ali, mais de 80% dos alunos de famílias que ganham até Então, um e meio salário mínimo, esse é o índice de crianças excluídas. Então, a pobreza marca esse processo de exclusão. Por que eu estou falando isso? Porque, quando eu falo na questão anterior da cultura da reprovação e da cultura da evasão, nós não estamos falando de qualquer criança. Essa é uma questão importante de a gente separar no debate. Nós não estamos falando da reprovação de qualquer criança, de qualquer aluno. Nós estamos falando de crianças pobres, e aí o próximo recorte, população de 4 a 17 anos fora da escola por raça. Esses são os dados no Brasil. Em relação ao PNAD de 2015, precisaria pegar os dados mais atuais para a gente confrontar. Acho que não tem esse microdado ainda. Então, isso aí, essa apresentação, inclusive, eu roubei, preciso dar o crédito, de um curso que o pessoal, o nosso pessoal fez no Guelé 10, que, aliás, aproveito para agradecer, que vocês vão ver na apresentação, que já era uma preocupação nossa no ano passado, e a Guida intermediou uma oferta do Guelé 10 para uma formação em relação a dados educacionais. Nós encaminhamos 17 servidores para fazer o curso. e aí eu levantando os dados isso estava em um dos módulos então emprestei, estou dando o crédito aqui, mas o importante é a informação ali, por quê? só para fazer o recorte da discussão que eu fazia anteriormente quando a gente fala da cultura da reprovação e da evasão, é importante deixar claro que nós não estamos falando de reprovação e de evasão de qualquer criança, nós estamos falando da reprovação e evasão de crianças pobres predominantemente crianças pretas disso que a gente está falando aí vai embasando um pouco de como que a gente constrói a necessidade e a lógica de tematizar em 2024 a educação antirracista bom, então ali alguns princípios construção de uma escola para todos para o enfrentamento passa pelo enfrentamento ao racismo. Acho que não preciso mais explicar por quê, porque a discussão anterior já deu conta de dizer onde a gente está ancorando o debate. Mas acho que é importante alguns princípios ali. O primeiro dele é o seguinte, partido de alguns reconhecimentos. O primeiro reconhecimento é que nós somos uma rede, e ali está eu estou colocando no genérico redes escolares mas é evidente que eu estou falando da rede municipal de Campinas também é que é uma característica das redes escolares no Brasil mas nós estamos falando de Campinas nossa rede é uma rede elitista esse é um primeiro reconhecimento que precisa ser feito é uma rede elitista, o que está por trás esse argumento, o que que significa isso? Há ainda na cultura das pessoas que estão atuando na educação. É evidente que eu estou fazendo um discurso generalista, então, por favor, eu estou falando de maneira geral, mas há ainda uma cultura embrenhada nas pessoas de que a escola não é para qualquer um. A escola não é para todas as pessoas. Escola não cabe para todas as pessoas e que tem algumas pessoas por qual a escola não foi feita. Então, um determinado aluno não adianta, a escola não é para ele, ele vai mesmo reprovar, isso aí ele não aprende e é assim que é. Essa é uma primeira questão, isso é uma marca do elitismo, é uma marca das pessoas que estão na rede, mas a sociedade também, de maneira geral, uma marca social. Então, primeiro reconhecimento, somos sim uma rede elitista. Isso fica claro quando a gente vai discutir durante a pandemia, veja, durante 2020, e aí aqui eu não estou para discutir erros e acertos, eu estou só para apontar alguns dados para a gente refletir, que é o seguinte, quando a gente vai discutir com uma rede, num ano em que, evidentemente, que não é por culpa dos trabalhadores da educação, mas se não é culpa dos trabalhadores da educação, é muito menos culpa das famílias e dos alunos? Muito menos? Então, quando a gente vai discutir com o conjunto da rede, que é impraticável que a gente proceda com reprovação de alunos em 2020, e a gente enfrente para isso, para fazer esse debate enfrentamento contrário, isso é uma marca de que nós estamos falando de uma rede juriditista. Está certo? Isso ocorre em 2020, um ano em que, grande parte do ano, nós ficamos sem atividades e quando conseguimos desenvolver algum tipo de atividade, atividades do ponto de vista do que nós estamos acostumados a fazer na escola, atividades precarizadas. Com toda uma roupagem de angústia, inclusive para os profissionais, que tinham que lidar com o ambiente novo e também com a preocupação de cuidar das suas próprias vidas e de suas famílias. Nós vivíamos um momento pandêmico, onde as pessoas estavam morrendo. Mas se todos nós sabíamos disso, era de se esperar que nós não tivéssemos dificuldade em discutir que era um ano onde a reprovação não poderia ocorrer. E não foi assim. 2021, a mesma coisa. 2022, a mesma coisa. Hoje nós estamos concluindo o período de reordenamento curricular, que foi a opção que nós fizemos na rede. E hoje esse enfrentamento é um pouco menor, mas ele ainda está presente. Isso é o que marca o nosso caráter elitista enquanto rede. Então esse é o primeiro reconhecimento. Segundo, de que nós somos uma rede antidemocrática. Como todas elas são, precisamos aprofundar no debate da gestão democrática em todas as esferas, seja na gestão central, na secretaria, mas seja também nos coletivos, entendendo a democracia como espaço amplo de todos os debates, e não só daquilo que eu entendo que seja importante discutir. Isso também é uma questão importante. Então, o reconhecimento do caráter antidemocrático da rede é fundamental. O outro elemento é que nós somos uma rede machista. Muitos casos ainda envolvendo as questões associadas a gênero gênero e, sobretudo, a questão de relações bastante difíceis em relação às questões de gênero e sexo. Então, somos uma rede bastante marcada pelo machismo, embora esse debate em Campinas também é muito antigo e também tenha servido de referência para muitas outras cidades. e tudo isso bom, e aí o último elemento que eu acho que não precisava falar, mas é evidente somos uma rede racista e esses dois elementos últimos, a questão da misoginia, do machismo e do racismo nós começamos a experimentar um recrudescimento a partir de 2018 com aumento de casos envolvendo crianças alunos, mas também adultos casos envolvendo profissionais na relação de poder ou não isso é importante também, na relação de poder ou não e mais quando a gente implanta os protocolos, porque eles são também protocolos que tem já um tempo a gente pode discutir a pertinência se eles são adequados, se estão servidos ou não mas eles estão colocados quando a gente implementa os protocolos de acolhimento das pessoas que são vitimizadas por isso a gente experimenta em alguns momentos um movimento contrário por exemplo, movimentação passeata das pessoas que entendem que acolheu alguém que foi vítima de racismo por um determinado ato numa determinada escola é equivocado porque, enfim, não cabe Então, um recrudescimento bastante importante. Nós temos forças conservadoras hoje na cidade. Acho que eu não preciso fazer o debate nacional para discutir isso, acho que todo mundo sabe do que estou falando, mas nós temos forças conservadoras na cidade que pautam essa resistência como bandeira. Isso também é importante considerar. Então, esses são os princípios para a gente discutir o nosso movimento. Então, a escola enquanto espaço de diversidade. Foco no que nos une, que é a questão da aprendizagem, então, porque nós estamos admitindo que nós não somos especialistas e nem devemos ser, enquanto instituição, no debate do racismo e das relações. Nós somos um ator, nós não vamos ocupar o espaço de ninguém, como eu falei no início da minha fala, e necessidade de ampliar a ação para além das fronteiras tradicionais da Secretaria de Educação. Também temos clareza que não é um debate que a gente vai conseguir enfrentar com ações da Secretaria de Educação, mas a gente precisa ter parceiros na sociedade civil, mas também outros atores da própria administração para atuar isso, sobretudo os atores de garantia de direitos, Ministério Público, conselhos tutelares, e também os órgãos que atuam com assistência. É bastante importante isso. Entramos para a questão da estratégia que estamos usando. Depois, tem as meninas aqui que coordenam o GT, a Márcia também está aqui participando do GT, podem complementar, porque é o recorte que eu estou fazendo para organizar a minha fala. A estratégia da política do ano, então, passa pela organização de um grupo de trabalho que foi composto por um número bastante, está composto por um número bastante grande de servidores, que se inicia com servidores que participaram dessa formação em IGL10, para discussão de dados, num momento, inclusive, que a gente se deparava com dados importantes na Secretaria de Educação. A gente começou a discutir a nossa base de dados no ano passado e a gente observava que ela era insuficiente para que a gente pensasse em políticas para atender essa diversidade de alunos. nós não conseguíamos na nossa base de dados nem saber quantos alunos pretos ou pardos nós tínhamos na rede com segurança essa é a realidade não é a realidade também só de Campinas e esse é o principal elemento que a gente começou a debater nesse momento foi oferecida a formação em Gueredes que tratou entre vários itens desse elemento então essas pessoas que participaram da formação compõe o grupo e a gente começou a ampliar esse grupo de trabalho como estratégia para começar a construção de uma política de educação antirracista. E ali a gente tem alguns eixos temáticos que esse GT vai trabalhar, está se organizando para trabalhar, formação de gestores, quadros administrativos para equidade, esse é um elemento, ampliação de ações formativas com foco na educação para as relações étnico-raciais então embora esse trabalho seja um trabalho perene que a Secretaria de Educação realiza mas a ideia é que a gente amplie o trabalho construção de protocolos de trabalho, trabalhos intersetoriais na educação falei já um pouco disso formação por incremento da coleta e análise de dados e indicadores educacionais Não é possível fazer política pública com eficácia sem ter clareza de dados. E aí, como eu disse, quando a gente olha para uma região da cidade periférica, e lá nós temos que 70% das crianças de educação infantil são brancas, acho que alguma coisa precisa parar e rediscutir, porque tem alguma coisa de muito errado. manutenção e esse é o principal elemento do GT, a manutenção do debate público do racismo estrutural e do racismo pedagógico já aproveito para explicar o que estou chamando e é uma definição minha ela não tem nada de científica nem acadêmica, então se eu estiver falando alguma coisa muito equivocada vocês por favor perdoem mas é a maneira como eu particularmente enxergo algumas dificuldades que a gente tem tido Então, acho que o debate público precisa ser mantido, é importante que a gente abra o ano falando disso, mantenha o ano falando disso, estimule as escolas, através do projeto pedagógico, falarem disso o ano todo, para que a gente discuta o racismo estrutural e todos os fenômenos que estão associados a ele, mas discuta também o racismo pedagógico. O que eu estou chamando de racismo pedagógico? Por que crianças pretas e pardas aprendem menos? Quais são os elementos que estão por trás disso? A gente tem um pouco de dificuldade de fazer essa relação direta com os efeitos tradicionais do racismo estrutural. O que eu vou chamar de efeitos tradicionais? Mas veja, de novo, levando lá para a minha fala inicial, não sou militante e nem sou estudioso dessa área. Então, entendimento. O que eu estou chamando disso? Quando a gente tem uma situação direta de racismo, de injúria racial, ela fica bem evidenciada. e os protocolos para tratamento disso também estão evidenciados. A questão, para mim, é quando isso não está presente. Não está presente. Eu não tenho esses atos ocorrendo, mas, ainda assim, eu tenho essas crianças sendo as crianças que reprovam e tenho essas crianças sendo as crianças que evadem. Está provado, já, que a política, a forma tradicional de atender, não dá conta dessa questão. É preciso discutir isso para a gente entender quais são os fenômenos que estão por trás disso. Discutir com o nosso corpo de profissionais da rede, para que o nosso corpo de profissionais entenda isso. Quando em uma sala eu reprovo, eu tenho em uma sala de 35 alunos, 5 alunos que reprovaram ou evadiram, não são quaisquer 5 que reprovaram e evadiram. Esse debate que precisa ser feito é isso que eu estou chamando de racismo pedagógico. Mobilização para ações escolares voltadas para o debate da diversidade a partir dos projetos pedagógicos. Quem é de Campinas sabe que a questão fundamental para nós há muito tempo é a questão do PP. Então, a gente começa o debate sempre por ali. Aqui uma lista do que um pouco o GT está se propondo organizar, e aí eu concluo a fala. Levantamento de acervos de pesquisas, que são realizados por profissionais da nossa rede, análise de materiais curriculares, levantamento de dados de reuniões das RPais, que é bastante importante, porque por ali dá para a gente entender um pouco o movimento das escolas. Dados e indicadores é um elemento fundamental para a gente mudar a nossa base de dados, tanto coleta como leitura desses dados a questão da intersetorialidade levantamento de demandas por ações formativas e a questão do itens pedagógicos ações que já estão em curso eu vou parar por aqui, mas formação para gente de administrativos a gente está começando esse movimento já ciclos de palestras que estão associados aos 250 anos de Campinas então qual que é a nossa contribuição nos 250 anos de Campinas palestras associadas às questões de uma educação antirracista essa vai ser a nossa contribuição formação para coordenadores pedagógicos e supervisores formação, formações do MIPID o GLEDES, a gente está discutindo uma ação junto com o GLEDES e enfim tem várias ações que entram aí termino a fala aqui espero que eu não tenha sido muito rápido e que tenha dado para deixar um pouco claro como que a gente está organizando o ano de 2024 para discutir educação antirracista com vias em construir uma política de educação antirracista para a rede de Campinas. Não sei se o Luciano quer falar, Guida, se eu encerro. Aí, se você quer presidente aqui, nossa, se oriente, por favor. Mas eu agradeço também o espaço que estou à disposição. para o debate que vocês acharem que eu possa discutir. Obrigado. Obrigada, secretário. Luciano, quer fazer uma complementação? Fique à vontade, só puxar o microfone e apertar quando ficar vermelhinha, porque você pode falar. Boa tarde. Boa tarde a todas, boa tarde a todos. primeiro quero agradecer a vereadora Guida pelo convite e pela relevância do tema que nós fomos convidados a falar aqui quero cumprimentar também a Márcia, o professor Leonardo Luiz é um momento muito importante da secretaria conforme o Luiz muito bem disse, o que é muito peculiar do Luiz é essa clareza na fala, porque consegue deixar bastante explícito quais são as ações e nunca deixando de mencionar o que já foi falado, o que já foi trabalhado, o que já foi produzido na rede, o que é muita coisa. Ao longo desses anos, todas as ações na secretaria com relação às questões étnico-raciais têm sido trabalhadas já há bastante tempo e com muito sucesso. Somos referência, conforme ele disse. Nas reuniões de departamento, para esse ano, nós temos o plano de trabalharmos com os supervisores e CPs nessas formações que foi mencionado pelo Luiz, mas não só nessas reuniões, para que a gente consiga formar e dar os encaminhamentos necessários para que nas escolas a gente consiga fazer com que as disciplinas, os componentes curriculares, eles estejam todos permeados, não só nesse ano, mas de forma perene ao longo daqui para frente. Então é um trabalho bastante grande que já vem sendo feito e a gente escolheu esse ano para potencializar. Nós começamos o ano com a formação, na abertura do ano letivo, lá no centro de eventos, com a juíza Flávia, e tem outras ações. Eu estou falando isso porque para a gente foi muito importante ouvi-la, como sensibilização, como um momento de podermos refletir de forma mais leve o tema que é muito tenso. então esperamos que a gente consiga e tenho certeza que conseguiremos fazer um trabalho muito bom ao longo desse ano e que ele seja perêmetro por muito tempo, tudo isso estartado pelas ações que a gente já faz e em especial o final do ano passado com o curso lá em Guelé 10 o Luiz e eu tivemos a oportunidade de ir no último dia e foi muito, muito, muito legal, então quero agradecer oportunidade por isso também, Guida. Obrigado. Então é só. Obrigado. Obrigada, Luciano. Bom, vou passar rapidinho aqui para a Márcia e depois passar para o Leonardo, porque o Leonardo tem um teto de tempo, porque ele não mora aqui, ele vai ter que pegar o ônibus, então, vou passar aqui e aí, para o final, a gente deixa o Leonardo. Boa tarde, eu cumprimento as pessoas da mesa, as pessoas que estão aqui conosco eu vou iniciar a minha fala já diretamente para eu ganhar há um tempo aí. Quando fui convidada para essa mesa, fiquei pensando qual era o sentido, qual era a dimensão de pensar propostas para uma educação antirracista. E compreendi que a mesa trazia a mim um desafio muito grande, que é pensar para além, com e para além da escola. Então, pensar essa dimensão em constituição na nossa rede que é de pensar uma política de educação antirracista e aí eu fiquei pensando nossa, mas peraí eu como estudiosa e enfim professora nas escolas pelas quais passei procurei trazer essa atuação na perspectiva da educação antirracista eu fiquei pensando, nossa, mas Como assim? De onde a gente vai? Do que a gente está falando quando a gente fala em uma política numa amplitude tão grande para além das escolas? E aí eu revisitei todas aquelas e todos aqueles ícones desse pensamento. E aí eu fui lá nos nossos documentos nacionais e nos seus pensadores e produtores. que nada mais é do que falar do nosso movimento negro. Então, eu fui lá na Nilma Lino Gomes, e aí eu voltei, eu gosto muito da definição que ela dá, para o movimento negro enquanto movimento educador. E aí a gente vai pensar, nossa, mas eu lá na minha escola, eu como estudiosa, será que eu sou do movimento negro? Eu, enquanto mulher negra, não carrego nem toda a minha história, carreguei bandeiras, fui ali para a luta, enfim. E aí a Nilma traz uma definição muito interessante sobre esse lugar chamado movimento negro e esse conjunto de agentes na história do nosso país. E aí ela define, entende-se como um movimento negro, as mais diversas formas de organização e de articulação das negras e dos negros, politicamente posicionados na luta contra o racismo e que visam a superação desse perverso fenômeno da sociedade. Participam dessa definição grupos políticos, acadêmicos, culturais, religiosos e artísticos com o objetivo explícito de superação do racismo, da discriminação racial, valorização e afirmação da história e da cultura negras no Brasil. E aí ela segue. E por que eu fui nessa busca? Nossos documentos federais que dizem dos caminhos para a construção de uma educação antirracista, eles estiveram em diferentes lugares na história, pelo menos no século XX, trazendo toda essa discussão que nós fazemos em 2024. Então, se a gente olha e revisita os documentos, essa discussão que a gente está fazendo, ela inclusive antecede 2003 e aí a gente volta lá, por exemplo, em 78, na Constituição do Movimento Negro Unificado, do MNU, onde todos esses debates, e inclusive numa generosidade muito grande, logo ali em 78, do movimento negro, em trazer para o Estado uma espécie de como pensar uma política de educação antirracista. que atravessa a dimensão curricular das escolas, mas que também vai apontando algumas questões que nós temos debatido e vivenciamos hoje. E aí, nessa semana, por coincidência, eu ouvi uma fala da jurista promotora de justiça, doutora Lívia Santana Vaz, quem acompanhou se trata de uma jurista que o movimento negro estava indicando para ocupar uma vaga do Supremo Tribunal e aí ela diz em uma de suas entrevistas produzindo aí uma reflexão para a gente pensar sobre política de educação antirracista no sentido de que no planejamento o sentido da democracia é o que ela nos traz, então ela diz em uma de suas entrevistas produz uma reflexão sobre o sentido da democracia quando no planejamento de políticas públicas nos processos de monitoramento e também de avaliação quando nesses lugares no planejar no monitorar e no avaliar inexistem pessoas negras ela vai falar de representatividade e ela vai falar de ações afirmativas ela afirma não é possível pensar uma sociedade democrática sem representatividade se ao pensar as políticas públicas não houver pessoas negras de forma representativa que possam participar efetivamente na construção monitoramento e avaliação de como as ações verdadeiramente alcançam 54% da população brasileira, permaneceremos na reprodução de desigualdades raciais nas diferentes instituições e na sociedade como um todo. Então, hoje, o nosso debate envolve pensar onde estão, quem é que planeja, quem é que participa desse monitoramento, se ele existe, e dessa avaliação dessas políticas em diferentes esferas. Aqui a gente está falando de educação. E aí ela diz, como pensar saúde se quem pensa saúde, inclusive para pessoas negras, são pessoas brancas? Como pensar educação se quem pensa educação lá nas escolas e inclusive as políticas são sempre marcados por lugares e por pessoas, por pessoas brancas, por pessoas que não são negras. Então, a jurista traz esse debate, e é um debate que está efervescendo e que a gente está falando também da política de cotas. Pensar a política de educação antirracista é pensar sempre em uma dimensão da transversalidade, como foi apontado aqui. E aí ela vai para a escola, lá no chão da escola, mas ela está muito além desse lugar. Por quê? Porque o racismo, esse racismo estrutural, ele transversaliza toda a dimensão da nossa sociedade. E aí quando a gente está pensando em educação, a gente está pensando as relações que se dão com os estudantes, E aí é interessante pensar a dimensão mesmo da questão da aprendizagem, como o Guilherme 10 nos colocou. E aí também, em Guilherme 10, a gente tem um olhar que aí ele chega para além da escola, que é pensar não só no tema, no negro tema. vamos conhecer a cultura vamos conhecer a história da população negra africana, etc mas no negro como um sujeito de direitos e aí nós ali que estávamos em Guilherme X nós estávamos enquanto pessoas responsáveis por pensar a política a política passa pela formação, mas ela é para além desse lugar E aí, ao pensar a política, novamente, é dialogar e se voltar também para aquilo que já existe do ponto de vista normativo. E aí eu fiz esse movimento também. Então, o que significa pensar o negro como sujeito de direitos, bem concretamente? Significa pensar o direito a permanecer na escola. desde a educação infantil e aí é o meu lugar e aí na educação infantil a gente não tem índice a gente tem relações, tem brincadeiras tem muitas interações então olha como o fenômeno do racismo na educação ele é complexo porque aí como que a gente vai medir porque que a criança em um determinado dia fala para o homem que ela não quer ir para a escola e aí qual é o lugar dessa escola diante disso. Estou falando de uma criança negra. Sabemos que o direito ao acesso está estabelecido na legislação e há uma política de obrigatoriedade de frequência à escola a partir dos 4 anos de idade. Então, ingressar não é mais o nosso grande problema. Agora, como é para crianças negras permanecerem numa escola eurocentrada? Como aprender a andar, falar, desenhar, brincar, conviver escrever, ler, compreender os conhecimentos num espaço que é hostil ao corpo negro onde estaria aí o que o Luiz chama de racismo pedagógico se eu entendi assim onde apenas referências de mundo europeu ou branco são apresentados e aí é real gente, vou contar uma história minha como orientadora pedagógica em janeiro estava na minha escola e fui, houve uma reforma na biblioteca e eu fui, retirei os livros e depois fui colocá-los novamente. E aí eu fiquei em choque com a quantidade de livros de contos de fada que havia naquela biblioteca, onde eu já tinha feito anteriormente um olhar. Uma quantidade, assim, talvez muito proporcional aos outros livros. Então, olha que história que a gente tem nas nossas escolas. dessa avalanche histórica de histórias de princesas brancas para além do que vem junto com essas histórias que a gente vai falar do lugar da mulher enfim, da menina então, se vocês revisitarem suas escolas olha onde mora também o racismo que é quando a gente fala do epistêmico, do epistemológico dos conhecimentos então e as crianças negras nesse lugar? Pensar o negro sujeito de direitos na educação significa olhar para 54% da população brasileira e em Campinas, eu busquei recentemente, saiu ano passado esse dado, 39,3% da população. Pensar em criar ou aperfeiçoar os indicadores onde categoria raça atravessa ingresso, aprendizagem, evasão. e aí o nosso grande desafio e esse é bem difícil, Guilherme nos trouxe isso no curso, é pensar o processo porque é isso lá na escola apesar de um de um consenso de que é importante trabalhar a educação antirracista tendo em vista situações vividas etc e tal, nós vamos viver os enfrentamentos de pessoas que não vão fazer. E está no projeto pedagógico. E o projeto pedagógico é o grande documento da escola. Então, como que a gente monitora isso? Eu acho que aí é pensar a política. Como que a gente avalia, monitora e encontra os caminhos para que, lá na escola, as pessoas que se recusem a fazer, entendam que elas estão ferindo uma dimensão ética. A função político, social e a ética presente ali. Então, esse é um desafio, porque a gente estabelece os caminhos, pensa a construção, e aí a questão do processo de ficar nessa escola e como que essas relações se dão nas suas diferentes esferas, é um grande dificultador do alcance, lembrando a doutora Lívia, da democracia e dos direitos. Eu vou citar aqui três documentos que eu busquei, onde já estão desenhados, na verdade, dois só. Caminhos para a gente pensar propostas e uma política. E que vão também nesse caminho, e que bom do que o GT tem pensado. em 2003 tem a lei 10.639 em 2004 nós temos o parecer da lei e aí o parecer, eu gosto muito de indicar o parecer para quem quer estudar sobre o tema porque ali, integrantes do movimento negro, acadêmicos pessoas que alcançam ali o ministério, que tem alguma esfera decisória elas vão dizer como fazer. Orienta dentro de uma perspectiva de um pacto federativo, onde, tanto do ponto de vista nacional, o país tem um compromisso, o Ministério da Educação, o Conselho Nacional, quanto os estados e os municípios. Está lá. E aí, nesse documento, são ditos alguns caminhos muito explícitos. Então, se trata de a gente, na verdade, inventar de fato. Está tudo muito documentado. E eu acho assim, acho não, considero que é um exercício de uma... Vejam como o movimento negro atua na nossa sociedade. Denuncia o racismo, está ali na escola, está estudando a temática racial e propõe uma política. Como fazer uma política de educação antirracista? Aí eu destaquei alguns pontos rapidinho. E mais dois minutinhos e eu já termino. Ele diz o seguinte, para que nas escolas ocorra a educação das relações étnico-raciais, sistemas de ensino e estabelecimento de educação básica, educação infantil, ensino fundamental, médio, enfim, até o ensino superior, precisarão providenciar registro da história não contada dos negros, Campinas precisa fazer isso, levar para as escolas, A gente tem uma história, é isso que a gente está se colocando. Apoio sistemático aos professores para a elaboração de planos, projetos, seleção de conteúdos e métodos de ensino, com foco em história e cultura afro-brasileira e africana. Quantas vezes nós, professoras, estamos lá tentando fazer e na esfera da gestão a gente não tem apoio? Estou falando porque é real. Né, gente? Então, olha a importância do lugar do gestor escolar nessa atuação. Então, é isso, como foi colocado, os gestores são também aqueles que vão precisar de formação, né, enfim. articulação entre sistema de ensino estabelecimento de ensino superior centro de pesquisa, NEAB escolas, movimento social visando formação de professores para a temática é um compromisso de todos nós de todas nós instalação de grupo nos diferentes sistemas de ensino e aí sistema de ensino é quem pensa e implementa a política de grupo de trabalho para discutir, coordenar planejamento execução de formação de professores, aí tem vários pontos, mas destaquei alguns aqui. Esse é interessante. Inclusão em documentos normativos e de planejamento dos estabelecimentos de ensino de todos os níveis, estatutos, regimentos, planos pedagógicos, planos de ensino, de objetivos explícitos, assim como de procedimento para a consecução, visando o combate ao racismo, discriminações, reconhecimento, valorização e respeito da história e cultura afro-brasileira e africana. Previsão nos fins, responsabilidades e tarefas dos conselhos escolares e de outros órgãos colegiados, do exame e encaminhamento de solução para situações de racismo e discriminações. Campinas pensa agora um protocolo antirracista nas escolas eu acho que também contribui inclusão de personagens negros em cartazes e outras ilustrações sobre qualquer tema abordado na escola e aí eu coloco aqui também como que a gente comunica a cidade sobre isso é educação antirracista da cidade agora eu vou falar um último ah, esse aqui é importante identificação, coleta, compilação de informações sobre a população negra com vistas a formulação de política pública de Estado ou seja, a gente trabalhar na educação e para além, na transversalidade e intersetorialidade com a coleta do quesito cor-raça está aqui, 2004 garantia pelos sistemas de ensino e entidades mantenedoras de condições humanas, materiais e financeiras para execução de projetos com o objetivo de educação das relações étnico-raciais, estudo de história e cultura afro-brasileira e africana assim como organização de serviços e atividades que controlem, avaliem e redimensionem sua consecução que exerçam fiscalização das políticas adotadas e providenciem correção de distorções. Eu destaquei este último porque ele fala de algo importantíssimo e que é um desafio quando a gente fala de algo tão importante que atravessa a sociedade, gente, que é pensar como que a gente lida com as questões de financiamento das ações. então acho que é isso quando a gente vai pensar a política de educação antirracista não é acho eu, está aqui nos documentos nacionais nós também vamos encontrar no plano nacional de promoção da igualdade racial de 2009 as determinações muito semelhantes então esses documentos nacionais na perspectiva do chamado pacto federativo acho que é importante a gente pensar nessa dimensão, elas nos colocam quais os caminhos para pensar as propostas, e no caso, a política de educação antirracista, na dimensão do negro como sujeito de direitos. E não só pensarmos, ah, porque eu não sei como fazer, etc., então vamos fazer formação. mas como que a gente lida com os índices de aprendizagem e com a permanência das nossas crianças nas escolas eu encerro por aqui e obrigada pela escuta obrigada Marcia agora a gente vai passar rapidamente para o professor Leonardo Sacramento obrigada Leonardo eu que agradeço Bom, boa tarde a todos e a todas. Eu, primeiramente, gostaria de agradecer o convite da vereadora Guida, por meio do Leandro. A gente, em certo sentido, até estabeleceu uma parceria com o Centro. Eu venho ministrando alguns cursos, acabamos um recentemente, sobre conservadorismo brasileiro, Estudos Críticos sobre o Conservadorismo Brasileiro, que é uma pesquisa que eu... Minha pesquisa de vida, na verdade, é o que eu realizo atualmente no âmbito do Instituto Federal. E... Isso, né? E, inicialmente, participei aqui nesse espaço mesmo, numa discussão sobre a relação entre neonazismo e ataque às escolas. invasão e ataque às escolas isso no ano passado, ano retrasado principalmente, aliás o tempo passa, né olha só bom, eu vou entrar rapidamente no tema acho que eu vou até complementar o que foi falado aqui antes pelos meus antecessores e E achei muito interessante a apresentação, porque eu acho que vai dar para complementar, inclusive estabelecendo alguns paralelos e algumas análises mais críticas em relação a alguns conceitos. quando eu vi o tema tive o mesmo problema bom, propostas sobre educação antirracista e acho que um dos grandes problemas que existem hoje na luta antirracista, na contemporaneidade consiste justamente em classificar classificar o racismo, conceituar, categorizar racismo. Parece uma coisa simples, mas, nos últimos dois, três anos, vem acontecendo uma remodelação ou até mesmo uma captura desse conceito por parte de algumas organizações e de alguns movimentos vinculados a grandes empresários, digamos assim, e que isso acaba se instituindo também no âmbito das secretarias e do próprio Ministério da Educação, que está muito vinculado a uma reação conservadora sobre a instituição de políticas públicas antirracistas, ou mesmo o mero debate sobre antirracismo do ponto de vista da institucionalidade. Então, eu vou falar também um pouco com a perspectiva de ser um servidor, sou do Instituto, mas o meu trabalho basicamente é também ter relação com o Ministério da Educação. Então, eu vou falar também a partir dessa posição. Então, a primeira coisa, acho que a premissa que nós temos que estabelecer aqui é que o racismo, que acho que a categoria principal que nós devemos ter como premissa, é que o racismo é algo positivo. Se não fosse positivo, não existiria Se não cumprisse função social, não existiria Quer dizer, positivo não de bom Positivo no sentido de encontrar respaldo Nas relações sociais E ser um elemento de reprodução das relações sociais Cumpre tarefas e a gente tem que entender que para quem pode ser racista porque não são todos que podem ser racistas para quem pode ser racista o racismo como mecanismo político, econômico e social cumpre função social então não é um mero adorno comportamental ou não é um desvio psíquico como normalmente é apresentado. Porque quando se instituiu o debate sobre racismo estrutural, houve uma dada reação, que eu acho que não foi muito bem percebida por todos nós do movimento negro, e acho que ainda não é bem percebida, no sentido de se apropriar o conceito de racismo estrutural e de reconfigurá-lo como se fosse algo meramente psíquico que poderia ser curado a partir de uma educação antirracista. E que acaba também desconfigurando a próprio conceito de educação antirracista que está instituído na Lei nº 10.639. Como se o racismo fosse um problema meramente comportamental e de etiqueta, e que uma vez que a pessoa cumprisse os requisitos daquele comportamento antirideal, ela não seria mais racista, porque ela teria passado por um processo de sensibilização e isso, a meu ver, traz problemas muito sérios quando a gente vai discutir isso no âmbito das políticas públicas porque como foi apresentado aqui, o mecanismo é um dispositivo de exclusão, de reprodução da desigualdade e traz um outro problema também muito sério, porque se assim o for toda e qualquer pessoa pode ser antirracista e se toda e qualquer pessoa pode ser antirracista inclusive as pessoas mais ricas desse país que lucram justamente com o racismo também podem ser antirracistas eu sempre dou esse exemplo o nosso orçamento é capturado pela dívida pública então metade do orçamento vai para pagamento de juros da dívida pública e a gente paga juros com orçamento. O orçamento é feito com tributos e taxas e imposto. Aqui no nosso país é regressivo. Quem tem menos, paga mais. E quando a gente vai analisar os dados da Receita Federal, quem paga mais são trabalhadoras negras. Proporcionalmente são trabalhadoras negras. Pagam até um pouco mais da metade do que recebem em tributo, muitas vezes, dependendo da região. ao passo que desse sistema da dívida 80% da dívida é paga para bancos fundos de investimento e fundos de pensão e quando a gente vai analisar a propaganda quando a gente vai ver a propaganda por exemplo do Itaú que talvez seja o principal detetor dos papéis da dívida pública brasileira você vê toda uma construção de representatividade sobretudo em relação à mulher negra, à trabalhadora negra. O problema de tudo isso é que nessa perspectiva só existe um meio para superar o racismo, que é o processo de sensibilização do indivíduo, porque o racismo não passa mais a ser estrutural, ele passa a ser individual e a estrutura como é pensada por essas grandes organizações é como se fosse uma estrutura cognitiva, uma estrutura psíquica, uma estrutura neurológica. Subjetiva e não mais objetiva. Só que essas grandes organizações têm grande influência nas secretarias do MEC. Aliás, muita influência Eu diria hoje que Por exemplo, a Fundação Lema Nunca teve tanta influência no Ministério da Educação Em toda a sua história Contando com, desde o Paulo Renato Aqui da Unicamp Até hoje E isso acaba fazendo com que nós tenhamos uma não política sobre essa questão. E não acho que isso seja acidente ou seja um mero esquecimento. Acho que esse é um projeto. É isso que eu estou querendo dizer. Isso é um projeto porque todas as intervenções que são pensadas no âmbito do Ministério da Educação e das secretarias são intervenções no sentido quase que exclusivo da formação. porque tudo seria também uma questão de formação e não de instituição de política pública ou enfrentamento a grupos conservadores o que faz parte do processo político então quando a gente vai pensar hoje o que resta a fazer em relação à luta antirracista nessa perspectiva, o que resta, porque é o que é possível fazer hoje, porque não há estrutura minimamente compatível, é uma universalização de uma espécie de pedagogia dos projetos. Que não é um problema em si. O problema é ter só o projeto como alternativa de política pública. isso é um grave problema porque a partir do momento que você tem um projeto como alternativa única de política pública você delega ao professor que está realizando o projeto o enfrentamento na escola enquanto que as secretarias e o Ministério da Educação ficam preservadas politicamente desse processo de enfrentamento esse é o ponto então nós estamos discutindo aqui política pública política pública eu até ouvi alguns slides ali eu até peguei os verbos porque eu formulei, reformulei plano municipal de educação de Ribeirão Preto então eu acostumei a fazer esse tipo de documentação então por exemplo, os verbos que foram escolhidos formação, ampliação, construção formação de novo, manutenção, mobilização, mas isso não é um problema daqui, que é um problema generalizado, que eu estou só explicitando o ponto. Quando os verbos deveriam se instituir, sistematizar, aplicar, baseado em um determinado orçamento, é preciso ter um currículo sobre isso. E quando eu digo currículo, é um currículo tradicional mesmo. Tradicional. Se possível, até apostilado, para quem não tem aversão a isso. Para o professor que tem aversão a esse tipo de pauta. Porque tem que ser obrigatório. Não pode ser voluntário. Não pode partir da premissa da adesão do professor. então se tiver que ter uma apostila igual da professora Branca caminho suave, que tenha tem que ter um como fazer e acho que faz sentido mesmo, porque o Brasil é um país grande tem 5.500 municípios tem 26 estados, distrito federal não é do tamanho de Portugal tamanho do Uruguai então isso precisa ser instituído Isso precisa ser instituído na secretaria, no município dos grandes, precisa ser instituído. Não pode deixar na base do voluntarismo da adesão individual. Não pode fazer apenas programas de formação para que o professor se sensibilize e depois de um processo, sabe-se lá quantos anos, isso possa durar, porque ele pode não se sensibilizar. Acho que é o mais provável, inclusive. aí se ele conseguir se sensibilizar depois de 5, 6 anos aí ele passa a aplicar então isso é um problema de política pública porque é uma não política é uma não política e é uma não política que fomenta um determinado mercado privado de formação ligado a essas grandes fundações de direito privado que hoje oferecem cursos no âmbito de muitas secretarias como o Instituto Itaú Social fazem, à base de uma pauta muito cara ao movimento negro. Então, acho que esse é o ponto, quando a gente vai discutir proposta, é a gente entender bem o contexto que nós estamos partindo, o contexto político da coisa. E nesse contexto político, eu não vejo outra solução, senão uma política que institua. Então, se vai discutir uma política antirracista no município, é preciso ter uma política antirracista que institua, institua um currículo, um currículo, se possível, tradicional, que dê, inclusive, dimensões étnicas da população negra brasileira. brasileiro. Como se faz com a população branca? No interior paulista, enfim, nós somos de Ribeirão, é muito comum você ver em livros de história, você dar a composição étnica da população branca da cidade. Você reforça, inclusive, esse pertencimento racial da população branca. Então é preciso, inclusive, refinar, do ponto de vista curricular, da maneira mais tradicional e mais simples, instituir uma política que não seja voluntária. Que tenha orçamento. que obrigue todas as escolas a cumprir um currículo mínimo. E que aí sim, como de forma complementar, radicalize por meio de projetos. Enfim, uma política ampla. Bom, são 5h22, então eu vou encerrar por aqui, E para ter perguntas, a gente poder fazer um debate sobre. Obrigado. Obrigada, Leonardo. Pessoal, a gente vai fazer uma rodada de questões. A gente colocou o microfone ali para ser mais rápido. Quem quiser, já se posiciona ali. Aproveita que tem uma galera importante aqui para a gente poder fazer as questões. E eu peço também que as falas sejam mais rápidas, porque o horário... E aí a gente quer ouvi-los de volta aqui, o pessoal da mesa. E como o Leonardo também vai ter que sair, eu gostaria que ele tivesse a oportunidade também de poder responder e fazer as considerações. Daniela Caetano, por favor. Novamente, né? Bom, acerca de uma política de reparação, ou política antirracista, ou política afirmativa, e sua devida implementação, a gente entende a necessidade de extensão, por exemplo, em Campinas, do eixo de educação antirracista. Uma vez que um ano, como a gente disse anteriormente, não dá conta de todos os séculos de opressão, de violência, de brutalidade. Pensando nisso, há alguma intencionalidade da SME em intensificar esse trabalho para um período maior? Olha, outra questão que eu já vou aproveitar, porque eu tenho tempo, eu gostaria também de lembrar que nas conferências municipais de educação voltadas para a elaboração do Plano Municipal de Educação, no qual nós participamos enquanto Conepa Coletivo, a gente fez em vários momentos a indicação de um núcleo dentro da SEB que tratasse das questões da educação das relações étnico-raciais. E nós gostaríamos de ouvir um pouco de vocês, se há essa possibilidade, qual o entendimento sobre essa condição, porque havendo núcleo, a gente teria ali caminhos para essa política sendo implementada, sendo pensada, sistematizada, dando conta do currículo e de outras questões que são necessárias para a gente. É isso. Obrigada Dani Wilson Primeiro dizer da satisfação não conheci o Leonardo a Marcia a gente já se conhece já tinha ouvido algumas falas e aí eu acho que vai ao encontro, pensar sobre o que o Leonardo está propondo e recentemente nós recebemos uma quantidade significativa de livros da coleção Black Power, que eu acho que é uma iniciativa louvável. Mas aí, quando a gente vai buscar os pormenores e o pôr de estrais, é uma empresa de propriedade de um homem branco. E aí você vê o quanto foi investido da nossa cultura e com lucro para um empresário branco. Então, assim, dentro desse conjunto que está sendo discutido e proposto, não vou me delongar, mas é assim, qual é o processo de distribuição de renda do lucro gerado por nós, com a nossa cultura, e agora não vou nem me atrever a fazer adendo ao que o Leonardo está trazendo, e a Márcia citou as diretrizes, eu pareci as diretrizes, mas ficar nessa demanda. Quando o lucro chegará para nós também. Então, se vai discutir o orçamento e esse lucro, como é que está sendo pensado a sua distribuição? Obrigado. Obrigada, Wilson. Mais alguém? A Tati? Então, vai lá. Depois é você? Vocês não querem ficar na fila, né? Vocês fazem as crianças fazerem fila, depois não querem. Mentira. Eu sei que tu faz fila. Oi? Eu falo baixinho, ok? Eu sou a Tatiana, eu sou bibliotecária do Instituto Federal daqui do Campos de Campinas. E a minha pergunta é para saber como que, em 2010, a gente teve uma lei que instituiu a criação de bibliotecas em todas as instituições de ensino. Em 2010, tinha 10 anos para essa lei ser cumprida, de ter bibliotecários e ter a biblioteca na instituição, em todas as instituições. E aí eu queria saber se tem esse projeto da contratação de bibliotecários Porque até hoje a gente teve um relato de uma colega que as bibliotecas estão fechadas, tem demanda, com os colegas que eu venho conversando, que trabalham na área da educação municipal, que chega esses livros e não tem a consulta, os profissionais que estão atuando na área e ficam esses livros parados. E na biblioteca, a gente pensa em trabalhar dois ou três exemplares, não ter muitos exemplares na instituição. E se manda esses materiais, eu acho que precisa ter a finalidade, ou doar para os estudantes, ou esse material ficar em grande quantidade também, não é vantagem. Então, é pensar num direcionamento para esses materiais que ficam na biblioteca, não somente para os estudantes, mas para a formação de professores. Porque quando a gente fala formação, a Elisandra trouxe Cida Bento, trouxe Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez. Então, não só pensar na formação do estudante, mas também dos professores que têm, como o Wilson falou, o toque de não trabalhar a temática, mas ter esses materiais também disponíveis para esses professores. mas pautando para as pessoas que trabalham que pesquisam a área e esse acervo ser constituído a partir desses profissionais no Instituto, como Neabia a gente já tem feito esse trabalho de compor os acervos das bibliotecas então a minha pergunta é mais nesse sentido da construção dos acervos Obrigada Obrigada Tati, Elisandra Boa tarde mais uma vez eu sou professora Elisandra, professora de Junto 1 aqui dessa rede municipal parabenizo a disponibilidade de todas, todos que compõem essa mesa na tarde de hoje. E não posso deixar aqui de agradecer à Secretaria Municipal de Educação a estar se disponibilizando a nos ouvir nesta tarde. Já me sinto contemplada na fala aqui do Wilson com relação às coleções que chegam da editora Mostarda na escola. Eu não sei se o Mariguete se lembra de mim no final do ano passado no MIPID, eu fiz o apontamento do quão é duro a gente ver esses materiais serem entregues da forma que são na escola e como é recebido por muitos estudantes e familiares. Então, há de se pensar assim, porque a gente está lidando com o dinheiro do nosso povo, do nosso município, é dinheiro nosso, é público, e a gente precisa ter um retorno mais eficiente. Também, eu tentei lembrar aqui o nome de uma obra, porque desde 2020 a gente recebe diversos arsenais de livros nas escolas, e tem uma obra, que eu não vou me recordar o nome, mas depois eu posso solicitar, que a minha equipe gestora encaminha para a Secretaria da Educação, mas tem um livro muito ruim que chegou. E eu fico pensando assim, como eu falei na minha fala, será que não há dentro da secretaria as pessoas que estão para olhar esse material que vão ser levados para a escola? E, Tati, na minha escola esse ano, foi uma bibliotecária. Eu ainda não tive tempo de conversar com ela. Ela está lá algumas manhãs, acho que três dias no período da manhã, e eu ainda não consegui, não tive a oportunidade de chegar e conversar. Mas um dos pedidos que eu queria ver era a divisão desses livros étnicos raciais, porque quando a gente vai procurar, a gente não acha com facilidade. Eu sei que teve algumas reformas na biblioteca da escola onde eu atuo, mas eu não sei como está sendo, porque é um dos lugares que acontece aquilo. Chega um monte de material que a escola não solicita, mas chega e tem que chegar porque já foi comprado e está lá estocado na biblioteca. Então, nós temos que ter esse cuidado, sabe, Luciano e Mariguete? As coisas precisam chegar de acordo com as necessidades da escola. Então, uma das minhas perguntas também, eu falei no período da manhã, durante o debate que o Adriano nos trouxe, e parabenizo aí de pé essa fala do Leonardo, que a gente precisa conjugar os verbos na colocação adequada. Formação não, formar. E formar quem? Todos e todas que estão atuando, seja servidor público ou seja trabalhadores e trabalhadoras contratados pelas terceirizadas. É responsabilidade da Secretaria da Educação contribuir para a qualificação. Como eu disse de manhã, a gente sabe que entre as ADEs, e eu tive um problema gravíssimo com fala racista de uma ADE, no primeiro dia desse ano, na escola onde eu atuo, e eu solicitei que ela não seja tirada da escola, transferida para uma outra, mas que a escola leve possibilidades dela se formar para não falar besteira, para não destilar racismo como ela fez. Então, a gente precisa não só que a escola olhe para isso, mas que a Secretaria da Educação olhe para que tipo de empresa está sendo contratada para levar trabalhadora ou trabalhador para dentro dos nossos estabelecimentos escolares. Obrigada, Elisandre. Elisandre é cuidadora, no caso, que você teve uma questão. Cuidadora, está certo. Vai lá, meninas, rapidinho, para a gente poder... Olá, boa tarde. Meu nome é Valério, sou AP na Rede de Campinas. Em 2022, fiz parte do MIPID como articuladora. Como vim de outras redes, me encantei muito com o MIPID no começo, Mas depois, vendo a realidade da rede, eu vejo que o MIPID é um programa que cumpre uma certa função, mas que falta muito. Em 2022, na região sul, por exemplo, na Ede Sul, o MIPID conseguiu fazer duas formações só, só duas escolas. Porque é um processo de, o MIPID oferta e a escola, se quiser, aceita a formação. Então, pensar que no Ede inteiro, no ano inteiro, somente duas escolas fizeram formação com o MIPID, é muito triste se pensar nisso. é um coletivo, é um programa formado por maioria de mulheres pretas, que estão ali na luta é um trabalho que não é valorizado tem escola que marca a formação com o IPID, aí no horário não aparece porque esqueceu, que foi fazer passeio no dia que era a formação com o programa então a gente está falando muito em formação antirracista mas tem que dar um passo atrás qual que é o programa que representa a Secretaria Municipal de Educação que vai dar essa formação, é o IPID é um programa que é muito fragilizado e eu falo como uma mulher preta que foi articuladora desse programa então a minha pergunta é se a Secretaria de Educação está olhando para esse programa e se tem, pensa como fortalecer esse programa se vai passar do programa para o núcleo como é que umas articuladoras eu vi que agora saiu no edital o processo seletivo para as articuladoras do MIPID é uma dificuldade, ninguém quer fazer parte ninguém quer ser articuladora As meninas ficam caçando Por favor, divulgue para que tenha articuladora Por quê? Porque é um programa que não funciona A formação tem que ser online Porque se for presencial, sai do bolso A articuladora chega até uma escola Para poder fazer a formação Não tem condições, não é justo isso Não é justo uma mulher preta ter que tirar do bolso dela Para fazer uma formação sobre a questão racial Então tem que muitas coisas serem pensadas nisso Eu queria saber se passa pela secretaria Já passou esse pensamento em relação ao MIPID Porque é um programa muito fragilizado Que não está funcionando, né? É de suma importância, a teoria é bacana, mas a prática realmente não está funcionando. Então, a pergunta é essa. Muito obrigada. Obrigada, Valéria. Maria Fernanda. Boa tarde a todas. Eu sou Maria Fernanda, sou vice-diretora educacional na Rede. Quero primeiro parabenizar a Guida pela organização desse seminário. Acho que é significativo para nós que militamos na causa negra, que pesquisamos a educação das relações étnico-raciais, a gente ter a oportunidade de estar aqui desde de manhã até agora. Eu quero também parabenizar a Secretaria da Educação, porque muitas vezes trabalhar a temática racial é algo que está muito atrelado à militância e muitas vezes o professor Wilson a OP Daniela a OP Márcia nós acabamos sendo referência nos espaços e muitas vezes as pessoas dizem, olha, acho que é uma temática que você se interessa enquanto a gente pensar em ações de enfrentamento ao racismo é para a pessoa negra e para a pessoa não negra. Então, essa iniciativa da Secretaria, como bem foi falado pelo Mariguete, não é uma iniciativa de agora, mas trouxe uma amplitude diferenciada para essa temática. E aí, queria dialogar aqui com o Leonardo e entender um pouco mais quando ele fala desse currículo tradicional. e aí ele falou da apostila de um livro e vou dizer o porquê que eu gostaria de compreender eu acho que o Wilson fez uma observação aqui importante quando ele fala dos livros quem está por trás dos livros que são publicados e que traz menção a quem nós somos e muitas vezes esses livros nos trazem como o negro tema então traz a cultura traz a música traz, enfim, ns aspectos. Então, me preocupa um pouco a gente, talvez, pensar na adoção de um material, porque muitas vezes vai engessar a prática desse profissional, pode contribuir para um estigma ou para um estereótipo. Então, eu queria entender um pouco melhor o que você colocou. Obrigada. O Adriano e depois eu vou passar para aqui. Vou segurar na mão porque eu cresci mais do que a mente. Bem rapidinho. Exibido. Nem sempre isso é bom, viu, Guida? Às vezes é bem ruim. Mas, assim, queria dizer, primeiro, queria mencionar que eu acho um acerto o mandato ter definido como tema do seminário Educação Antirracista e eu fiquei muito feliz de ter ouvido essa expressão aqui durante todo o dia porque eu acho que dentro da academia formou-se um nicho acadêmico que se consolidou como educação para as relações étnico-raciais. Só que educação para as relações étnico-raciais pode ser qualquer coisa. O que a gente tinha antes da lei 10.639 era uma educação para as relações étnico-raciais. Para que tipo de relações étnico-raciais? Com ou sem subordinação? Com ou sem privilégio? Quem está no poder? Quem está fora do poder? Quem está subordinado nesse processo? Eu gosto muito mais de educação antirracista, acho que pensando de uma forma dialética, educação antirracista expressa melhor qual é a nossa posição aí, se nós somos tese ou se somos antítese nesse processo todo. Então, acho que é um acerto do mandato e que bom que a gente tem a Guida como vereadora para puxar esse debate. E, em cima disso, queria dizer, na mesma linha, que acho que a escola é um lugar de contradição. Antes da lei 10.639, a gente tinha uma hegemonia posta dentro da escola, mas a gente tinha lá as pessoas que estavam nadando contra a corrente e pautando firmemente o debate lá dentro, não é, Wilson? Mesmo diante de adversidades, e a coisa estava acontecendo também, porque a escola é esse lugar de contradição, não é um lugar homogêneo. Da mesma forma, após a Lei 10.639, não quer dizer que a lei resolveu todos os nossos problemas, né? Quem preferia como era, como foi tradicionalmente, continua lá, lutando para que continue a ser como era. E não é difícil, né? Porque quando você luta para manter o status quo, você vai, o gestor chama, faz um debate, fala que é uma prioridade, você finge que está ouvindo, né? Depois você vai embora para casa e está tudo certo. Pergunta se tem certificado, se tiver certificado você vai se não tiver certificado você não vai abrir mão dos seus outros compromissos e vai deixar de ir e assim a vida funciona a gente sabe quem são as pessoas que tem efetivamente o compromisso com essa bandeira e agora a gente, e aí pensando em tudo isso e tendo ouvido todas as falas, dialogando com as falas dessa mesa também eu acho que a gente precisa pensar quais são os instrumentos que vão fortalecer quem está disposto a pautar esse debate e gerar constrangimento para quem não está disposto. E é isso, e fazer os enfrentamentos necessários. Então, quais são esses instrumentos? No sentido de endossar algumas falas aqui, que tem que ter uma política bem definida e tem que ter recurso para isso. Política sem recurso, sem orçamento, tem que ter concretude, senão a gente fica só na declaração de intenção. Mas é legal a disposição da Secretaria de Educação de estar aqui, de ouvir. Eu acho que esse diálogo é frutífero e a gente avança com ele. É isso. Obrigada Adriano eu vou passar então primeiro para o Leonardo que ele já tem o horário apertado porque teve uma questão que foi direcionada para ele, enfim, mas para ele poder responder as questões aí e fazer suas considerações aí eu volto aqui com o senhor secretário não, não, assim não senhor secretário não sinto velho demais bom eu acabei, foram tantos que eu não peguei o nome, desculpa Valéria? Maria Fernanda. Maria Fernanda, eu... Eu parto segundo o pressuposto. Não ter nada significa ser educado pela branquitude, porque a branquitude é o senso comum. Então, Então, mesmo tendo algo que para nós estaria aquém do que nós gostaríamos, é algo que pelo menos o indivíduo ou o grupo vai poder ter como ponto de partida para algo. E política pública é isso, muitas vezes. Sobre a questão de deixar engessado Eu acho que Tendo em vista Porque, olha só Foi falado aqui hoje Acho que foi de manhã Foi você, se não me engano Que o Adriano Foi ano passado Esse ano, não me lembro Que a Unicamp incluiu uma primeira disciplina sobre questão racial, sobre o negro, afrodescendente, afro-brasileiro, a história da África, enfim. Então, são 20 anos, porque foi em 2003 que foi instituída a lei. E nós estamos falando da Unicamp, que é uma instituição que tem autonomia relativa, então ela já poderia ter feito antes, ela poderia ter feito. E é uma instituição que, em tese, está na ponta ponta do sistema de ensino brasileiro. O sistema de ensino brasileiro foi pensado como uma pirâmide, literalmente. As universidades foram criadas, sobretudo as universidades paulistas, foram criadas por formação da elite paulista. Isso, inclusive, está na lei de criação da USP em 1934. A USP é criada para formar a elite paulista, para guiar a nação brasileira ao desenvolvimento, porque caberia a elite paulista guiar o Brasil. A Unicamp vem com outro projeto, mas ela acaba reproduzindo esse ideário, porque é o ideário paulista. Da classe dominante paulista, melhor dizendo. E eu acho que não dá para deixar... Eu acho que para quem não quer fazer, que é mais de 90%, Tem que engessar mesmo Entendeu? Esse que é o ponto Porque não vai fazer A gente tem que partir da constatação Que não vai fazer A gente não vai conseguir convencer Não é uma questão de sensibilização E muitas vezes é uma questão De puro boicote mesmo Envolve questões religiosas Envolve racismo Envolve... Pouco importa O que importa é que na formulação da política pública isso é um dado, não vai fazer. Então, cabe ao Estado instituir, dentro do princípio da escola moderna, que é uma escola pública, universal, gratuita e laica. No sentido napoleônico mesmo, digamos assim. Ela institui para todos, porque todos devem ser formados sob uma dada cidadania. Se a cidadania é boa ou não, é uma outra questão. Assim que foi colocado no Código Civil francês. Então, tendo em vista que tem que ter, tendo em vista que tem que ser obrigatório, tendo em vista que tem que ser universal, eu entendo que, do ponto de vista curricular, levando em consideração que há uma quantidade muito significativa de profissionais de educação que boicotam eu entendo que o currículo ele deve instituir dentro do princípio da constituição da identidade dessa criança desse jovem uma dimensão histórica material e que dê também um sentimento de pertencimento a um grupo social. E isso se faz, como a branquitude faz, com a história. Eu não estou inventando a roda, eu estou basicamente copiando o que já é feito. É feito assim. Até que, normalmente, quando um sujeito que reforça esse laço, você fala não, porque minha família chegou aqui no final do século XIX, E aí, nós éramos muito pobres, não sei do que Vamos vencendo Conseguimos uma terrinha Minha família é lá daquela região Não sei de onde Então, meu avô era assim Então, tinha ligação ainda Não sei, com uma família de lá Então, vai reforçando essa questão Então, eu acho que a gente tem que saber Não é uma crítica Então, por exemplo O Abdias do Nascimento Ele, corretamente Ele ficou muitos anos falando Da questão do Egito Por quê? Porque no final do século XIX No começo do século XX no Brasil O Egito era muito utilizado Pelos frenologistas e eugenistas Para provar que os negros Não tinham capacidade de estabelecer Uma civilização Então a única civilização que teria existido na África Seria a branca E isso seria uma prova irredutível De que os negros não teriam capacidade cognitiva para constituir uma sociedade avançada. Isso o Nina Rodrigues falou sobre, o Afrânio Peixoto, que, por sinal, foi no Congresso Mundial da Saúde em 1910, 1911, em Londres, para depender que em 2012 não existiriam mais negros no Brasil, era uma política pública. Isso era uma premissa. Então, faz sentido que na década de 40, 50, 60, o Abdias tenha se debaixado muito sobre essa questão. Mas, etnicamente, os negros brasileiros não têm relação com os povos daquela região, do próximo chifre da África. Nós temos relação com o outro lado. Então, no mínimo, nós temos que saber conhecer minimamente os povos que vieram para cá. Para, inclusive, dar significado à nossa cultura. Porque não adianta falar... Bom, porque tem o samba, mas tem que entender que samba vem de um idioma congolês, que vem do sambé. Sambé quer dizer umbigo. Por isso que toda dança, toda música é baseada no umbigo. Umbigada, roda. Então, é preciso saber disso, saber de onde vem, saber o significado, saber falar, pelo menos algumas palavras. Precisa dar dimensão étnica para a população negra. então um currículo mínimo mínimo para a população negra seria nesse sentido é óbvio que poderia ser aprofundado etc, mas eu estou levando em consideração pessoas que não querem fazer eu não estou levando em consideração pessoas que querem fazer porque se as pessoas querem fazer, tudo bem eles vão aprofundar vão ampliar mas o problema é o boicote não é quem faz É nesse sentido Não sei se eu respondi Mas é nesse sentido que eu penso Só para terminar Eu acho Que tem que ter livro Bem sequenciado Terceiro ano Primeiro ano, segundo ano, terceiro ano Quarto ano, quinto ano, sexto ano Livro de história, geografia, matemática Sequenciado mesmo Tem que colocar capítulos literalmente Mesmo os livros gerais A minha formação inicial em pedagogia, a minha pesquisa Era em filosofia da educação e história da educação E quando a gente vai analisar a história do sistema de ensino brasileiro É basicamente a instituição de regras gerais Aquilo que foi tentado de maneira mais voluntária, não pegou E mesmo a projetos que são muito famosos, como o do Paulo Freire talvez a gente fala muito do Paulo Freire mas se a gente for pensar, pensar mesmo é, então tem escola tal, que coloca, escola tal escola tal, não sei do que, rede tal, rede tal mas como nunca foi instituído com uma política né na prática onde está o método Paulo Freire? Onde é aplicado? Na prática mesmo qual município? Qual escola? Então sempre tem um professor um projeto tal uma coisa esparça, sabe? e eu estou falando do Paulo Freire que em tese tese não, é o patrão da educação e o maior nome da educação brasileira então eu acho que a gente tem que instituir uma política acho que esse é o verbo, instituir obrigar, impor uma política, eu acho que esse tem que ser a premissa, o debate dos movimentos negros de uma educação antirracista que privilegie a produção de materiais, a instituição e a obrigatoriedade do uso e um dado orçamento sobre isso, um dado orçamento sobre essa política. Porque fora isso vai ficar, assim, essa é a história da educação brasileira, Fora isso, é voluntariado. Fora isso, é luta contra o sistema, contra a estrutura. Bom, é isso. Bom, vou me despedir também. Eu gostaria de agradecer o convite mais uma vez. Eu sempre fico muito feliz de vir para cá e poder debater essas questões, que são questões que, lógico, eu gosto muito de debater, mas são questões que eu considero vitais e fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e qualitária. Então, eu, quando recebo esse tipo de convite, eu sempre venho com um espírito muito aberto, muito renovado para o debate. Eu gostaria muito de agradecer mais uma vez essa oportunidade. Muito obrigado. Obrigada, Leonardo. E volte mais vezes. Valeu. Bom, então vamos... a gente pode passar aqui, Marcia, para a secretaria responder? Sim. Todo mundo quer ouvir. Bom. Queria começar primeiro esclarecendo que, quando ela fala o que vai passar para o senhor secretário, ela achou que era o Tadeu que estava aqui, esqueceu que era eu. Mas o senhor secretário e ele, eu não. Bom, eu anotei as questões aqui e vou tentar organizar alguns conjuntos. Deixa eu ver se eu consigo organizar aqui. Algumas dessas questões que estão colocadas aqui estavam anotadas ali para tratar. mas vocês viram eu tentei ser o mais rápido possível na apresentação para poder possibilitar o debate então talvez por isso que eu não tenha conseguido tocar vou começar pela questão que o Wilson traz e acho que a Elisandra traz uma questão que eu vou colocar no mesmo elemento ali porque embora ela explore sobre outros aspectos, mas está tratando da questão dos itens pedagógicos. E estou colocando itens pedagógicos porque estou colocando para além de livros. Vou começar respondendo a pergunta objetiva que a Elisandra faz. Não tem ninguém na secretaria para olhar a qualidade dos livros? Tem. A secretaria já tem algum tempo que só compra... Bom, primeiro assim, hoje eu posso falar pela secretaria há pouco tempo eu posso falar pela secretaria, até então eu podia falar pelo departamento pedagógico então desde que eu estou no departamento pedagógico, o departamento pedagógico somente adquire solicita compra de materiais com parecer pedagógico de servidores de carreira então não são servidores que têm função gratificada, cargo de confiança. O que eu estou querendo dizer com isso? Isso significa que é eficaz? Não. Estou querendo dizer que sim, tem quem olhe para isso. Significa que a gente sempre acerta? Não. Mas significa que é a maneira como a gente acreditava que, do ponto de vista ético, os itens deveriam ser analisados e adquiridos. Então, desde que eu estou no departamento pedagógico, tem sido assim. A secretaria, nesse período, adquiriu itens que não seguiram essa política? Sim, mas sem anuência do departamento pedagógico. Alguns, inclusive, ficaram públicos e foram discutidos, inclusive, na Câmara. Sem anuência do departamento pedagógico. Desde que eu estou como secretário de junta, e aí eu posso também falar pela Secretaria de Educação, aí eu amplio para além do departamento pedagógico. A secretaria não mais adquiriu nenhum item sem análise, parecer, por servidores de carreira. Bom, isso é uma política que foi construída já há um tempo. Mas, entendendo que ela não era suficiente, ela foi alterada depois de um amplo debate. Então, a gente tem vice-diretores aqui, OPs, diretores que participaram e vão saber do que eu estou falando. A gente começou, no âmbito dos conselhos consultivos, discutir uma nova organização de compras de itens da rede. essa discussão durou mais ou menos um ano e culminou com a publicação de uma resolução. Então, essa resolução sai o ano passado. A partir dela, só serão adquiridos itens a partir da análise pedagógica. E essa análise, tanto o encaminhamento dos itens como a análise, só se dará de maneira pública, por chamamento público. Foi a maneira que a gente entendeu que era o mais democrático possível. E aí entro na questão do Wilson. Wilson, de forma bem objetiva, para não... Não, essa questão acho que nunca foi uma questão pensada e acho que é extremamente relevante discutir. Nunca foi. De fato, eu particularmente não... E reconheço aqui essa incapacidade, mas essa era uma questão que eu não ponderei nunca. e quem era o proprietário da editora. Acho que é uma questão a ser discutida e acho que é um item inclusive que está ali entre elementos que o UGT vai trabalhar. Quais são itens que a gente precisa adquirir? E isso dialoga um pouco com o que eu ia falar das questões que o Leonardo levantou. Infelizmente ele precisou sair, mas seria bom se ele pudesse discutir, mas aproveito com quem intermediou o convite para ele, para convidá-lo para vir conhecer a Secretaria de Educação. Porque, inclusive, acho que várias questões que foram apontadas da nossa apresentação se devem a... Talvez seria importante que ele conhecesse como os fluxos se dão. Então, a ideia do GT é que a gente, de forma mais coletiva possível, que é um movimento histórico da nossa rede trabalhar, discuta que materiais vão ser adquiridos e isso é atrelado ao debate coletivo agora, mas também com indicativo público, porque isso tem que ser feito por chamamento público. Mesmo que o GT, por exemplo, indique itens, eles serão coletados e analisados por um movimento público, porque assim foi instituído a partir de meados do ano passado. Eu não sei dizer se isso corrige essa questão que você traz, mas eu acho que abre um caminho para possibilitar uma ampliação nesse debate, que de fato é importante, mas que a gente não fez. Eu não sei se em algum momento alguém fez. Estou colocando de forma bem honesta, porque, enfim. Então, a questão do Wilson e da Elisandra é isso. a questão da Daniela da extensão do eixo é que também eu falei bem rápido mas sim, Daniela a gente não imagina que mais ou menos é que eu ia fazer a comparação que a gente falou do reordenamento mas é um pouco assim quando a gente está lá pensando o que vai falar aqui é uma coisa, quando a gente chega aqui é outra mesmo escrevendo ali fica um pouco mais difícil não tem uma pretensão de achar que basta que a gente faça algumas atividades esse ano, algumas palestras então, como o Luciano falou a ministra Flávia abriu, a juíza Flávia abre, é bem bacana a gente faz mais algumas atividades organiza a rota afro e ok, não, não é disso que se trata a gente entende que precisa ter o espaço de debate coletivo por um período longo porque a gente começa a construir ações que atuem de forma um pouco mais profunda que as ações que a Secretaria desenvolvia até então, agiam, chegavam, é preciso disso, então é preciso de tempo, mas fundamentalmente para nós, e aqui também não tem nenhuma pretensão de estar certo ou errado, por isso que eu disse, não falo do lugar de militante nem de estudioso, Porque eu acho que esses segmentos precisam contribuir conosco para encontrar o caminho. Então, o fundamental para nós é manter o debate público. Justamente para uma questão que o Adriano traz no final, que eu achei sensacional. Acho que precisa constranger, gerar mesmo constrangimento. E isso precisa ser feito pela manutenção do debate público. porque a gente precisa falar disso o tempo inteiro. É evidente que não é só falar, mas eu acho que é importante que isso ocorra. Bom, a questão do MIPID. O MIPID precisa ser remodelado como uma das ações da Secretaria e ele não pode mais ser a única frente de atuação. Não temos dúvida disso. O MIPID precisa passar por reavaliação, precisa passar por ampliação, é necessário ampliar o número de articuladores, é preciso também organizar e fornecer condições materiais para atuação e é preciso, na verdade, repensar o lugar do MIPID na estrutura da Secretaria de Educação. Então, é sim isso. Muito apropriada a colocação, tanto da Valéria como da Maria Fernanda. Muito apropriado. Agora, o MIPID, e era um pouco isso que eu ia falar em relação à fala do Leonardo, ele não é um patrimônio... Porque, normalmente, quando a gente vai falar da secretaria, e eu estou falando a gente, porque estou me incluindo nisso, a gente coloca como se houvesse uma distensão aos servidores, trabalhadores e às pessoas que tomam decisões na secretaria, como se a relação fosse simples assim. E não é. Não é, pelo menos no caso de Campinas. O MIPID é patrimônio não da secretaria, de uma gestão de um secretário específico, de um diretor de um departamento específico. de um governo específico. O MIPID é patrimônio de um conjunto de pessoas da rede. Então, podemos dizer que o MIPID, assim como outros elementos que temos na rede municipal, são patrimônio da rede, foram construídos pela rede, são defendidos pela rede, e pela rede precisam ser debatidos. Por isso que, quando falamos da educação antirracista, ali apresenta o GT como a estratégia a estratégia da elaboração da política é por meio do debate coletivo então a gente acredita que é a partir da composição do GT que essa construção vai se dar e não a partir da instituição e aí é que com todo respeito a quem pensa diferente eu particularmente não acredito na instituição vertical de política. Isso não funciona, pelo menos não na nossa rede. Não dá certo. Você quer fazer a Denda? Sim. Precisa usar o microfone, senão não vai aparecer na gravação a sua pergunta. aí o pessoal vai achar que o Mariguete é um frankstein, está respondendo eu sei que não é um debate não deveria ter a réplica nem a tréplica, nem nada disso mas eu acho que é importante até para a gente ter uma confiança, uma credibilidade do que você diz, do ponto de vista de não ser militante nem pesquisador, mas o teu lugar político, talvez seja dos três o mais importante, então sobre esse lugar que você ocupa não tem álibi não ser pesquisador nem ser militante mas é ele quem sacramenta nossas mortes é sobre isso só para a gente não alivia a carga da responsabilidade da tua função, da tua palavra diante de um evento como esse ou de toda a temática então do ponto de vista político e aí a gente pode falar político filosófico ou político partidário a dimensão e aí se a gente quiser expandir para a religião em particular os cristãos, eles acreditam que no princípio era o verbo e o verbo é potente então o Bactinho vai dizer que não tem álibi e aí eu não estou te confrontando no sentido da pessoalidade, eu estou dizendo que com a qualidade do evento que a gente está fazendo ninguém aqui tem álibi para tropeçar na língua e nas ações. É sobre isso. Wilson, agradeço a sua colocação, porque me dá a chance de explicar. A ideia não era gerar álibi. Na verdade, a ideia é dizer que essa política precisa ser composta por um conjunto muito mais amplo de segmentos que hoje estão na rede do que os gestores da secretaria. É esse o entendimento. Então, não é... Tanto que eu começo a apresentação ali admitindo o caráter elitista, machista e racista da rede. Então, não faria nem sentido. Essas duas falas, elas nem conseguiriam estar no mesmo lugar. Então, concordo com você que não tem álibi, não. Mas eu acho que o movimento Precisa estar na discussão Da condição dessa política de educação antirracista E assim como a academia também Tanto que a gente tem os eixos colocados ali Então foi um pouco isso Obrigado pela ponderação Porque me dá a chance De explicar um pouco As falas A questão da Tati em relação às bibliotecárias mas eu acho que a Elisandra também acabou já respondendo. Algumas escolas estão recebendo estagiários, bibliotecários. A intenção da rede é constituir um corpo de bibliotecários. Há uma dificuldade, porque nós não tínhamos cargos de bibliotecários criados para isso. criamos os cargos e ingressamos todos os bibliotecários que estavam em lista de concurso então esses bibliotecários que chegaram, que hoje compõem um corpo foram todos os bibliotecários que puderam ser, que puderam ingressar, que estavam em concurso aprovado então logo a gente consiga realizar o próximo concurso E aí, claro, que a partir de uma organização de um fluxo de ingresso, porque há uma prioridade no ingresso, a gente deve constituir sim um corpo de bibliotecários para cumprir com essa constituição desse corpo de bibliotecas. Então, é sim a intenção nossa fazer isso. Eu acho que eu falei de todas as questões que foram, levantadas aqui. E queria só finalizar, Guido, se você me permite, mais um minuto, em relação ao seguinte. Acho que, em relação à apresentação, algumas questões foram colocadas que é importante a gente pontuar. Acho que talvez isso não seja muito importante para quem está aqui, porque eu estou vendo que a maioria das pessoas que estão aqui são da rede mas acho que é importante pontuar sobretudo porque a Guida acabou de lembrar para nós que está sendo gravado o evento então para que a gente documente o primeiro eu acho que tem algumas décadas que nós não realizamos trabalho de formação com grandes instituições Unibanco, Fundação Leman em nenhuma organização desse tipo. A gente se orgulha de ser uma rede que está aqui com erros e acertos, que é evidente que nós temos. Nós privilegiamos a formação por parceiros institucionais importantes que acreditam também na construção de uma escola pública democrática e de qualidade, e, sobretudo, por profissionais da nossa própria rede. Política que precisa ser revista? Com certeza, sempre precisa, precisa ser potencializada, mas a nossa política de formação é essa, não é outra. Nós não atuamos com grandes instituições. Significa que nós não poderemos nunca atuar? Não sei, não é disso que eu estou falando, mas não é a nossa prática. Nós não costumamos resolver as nossas deficiências formativas contratando cursos isolados de instituições. Então, quando eu falo de formação ali, independente do verbo que está colocado no slide, eu estou falando da política de formação da rede, que assim como eu falei do MIPID, é patrimônio da rede. Essa forma de fazer formação não foi construída por mim ou por qualquer outro secretário. É algo que foi construído de maneira histórica nessa rede. De outra forma também, vai fazer pouco eco para a maioria de quem está aqui, mas eu acho importante registrar. Nós não estamos falando de uma política de adesão, não é assim que a gente trabalha na Secretaria de Educação com essas temáticas. Há muito tempo não é, não posso dizer que nunca foi, mas não tem sido há bastante tempo e não é disso que a gente está falando. Da mesma maneira que a construção dos nossos documentos, eles se dão de maneira coletiva é assim que a gente acredita e isso tem sido feito há bastante tempo independente de que governo esteja à frente da prefeitura ou da secretaria de educação e essa é uma forma de construção que também é coletiva as nossas diretrizes curriculares com toda sorte de críticas que elas possam receber necessidade de revisão que evidentemente elas precisam ter mas elas são construídas por trabalhadores que atuam nessa rede, é assim que a gente faz então eu queria finalizar o debate dizendo que a gente veio aqui para discutir estamos abertos a discussão precisamos desse debate, esse debate para nós, não é que nós viemos para ouvir não, esse debate para nós é necessário mas a construção de uma política que atue na construção de uma escola para todos e que passa necessariamente por uma educação antirracista, é uma política que precisa ser construída de maneira coletiva por muitos agentes. Tá bom? É isso. No resto, agradeço, parabenizo de novo pela iniciativa e um ótimo resto de semana para todo mundo. Obrigado. Obrigada, secretário. Luciano, você vai querer fazer algumas suas considerações finais, por favor? Mais uma vez, então, Guida, obrigado pelo convite. E eu queria deixar registrado que os nossos debates, todos, na secretaria, na construção dos nossos documentos, coletivamente, democraticamente, todos são muito válidos, obviamente. mas a gente está tratando de um percentual da população de Campinas que está sobre a nossa responsabilidade, e que é um percentual pequeno comparado com a rede estadual, por exemplo. Não vou nem falar da rede particular, mas o sistema é muito grande. Então, também de forma, não poderia ser diferente, democrática, em determinado momento que será oportuno a nossa expectativa é de que as diretorias possam estar conosco, para que a gente possa ampliar isso para todas as crianças do município nós não sabemos exatamente nós não temos um cronograma que eu possa falar que agora vai ser no segundo semestre mesmo porque a nossa preferência pelas pessoas que compõem o GPT, se é que eu posso dizer que é preferência, talvez não seja essa expressão, mas é que o GT seja constituído como é, na sua maioria por mulheres, por mulheres pretas, porque a gente tem certeza que são vocês, mulheres, que poderão mudar isso. Assim como acontece na maior parte das famílias. Então, essa expectativa, pelo menos a minha, é muito alta, com que a gente consiga potencializar as ações para esse ano e que elas sejam perene ao longo de muito tempo e que nós possamos, a muitas mãos, estabelecer essa política de educação antirracista no município, não só na rede municipal. Estou sonhando? Acho que não. Acho que é possível. Então, mais uma vez, obrigado a todas e todos. Obrigado pela oportunidade. E contem conosco na secretaria. Obrigada, Luciano. E, finalizando aqui, com a Márcia. Eu quero agradecer a oportunidade, é sempre bom dialogar. Eu ouvi aí, a toda mesa, depois da fala do Leonardo, fiquei pensando que, quando a gente pensa para além do caso, de cada caso, e a gente está falando de racismo, é muito significativo essa dimensão do reconhecimento na nossa secretaria, porque a gente está falando de uma dimensão que diz respeito ao racismo institucional. E aí, falando lá da questão da transversalidade, essas relações e esse racismo, ele atravessa todas as pessoas negras que estão. Então, a educação antirracista, essa política, ela educa e ela tem esse olhar voltado para a permanência das nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos, mas lá no contexto dentro da escola e dentro da estrutura da secretaria, ela é motor de mudanças na forma de ver o lugar que pessoas negras ocupam na secretaria de educação. Então, eu quero terminar minha fala dizendo duas coisas. Pensar a educação antirracista é pensar a educação para além da dimensão formal da escola. A gente afeta todos os adultos que estão na escola e essa discussão, quando eu trouxe a questão da representatividade, é para mexer também dentro da estrutura. nós temos uma prefeitura com política de cotas em 2023 na esfera da gestão entraram orientadores e orientadoras pedagógicas negras eu sou uma delas e nós temos aí diferentes enfrentamentos em relação a isso porque nós temos pessoas negras ingressando em cargos de gestão e a gente não está falando ainda nem da dos departamentos, diretores e tal que vivenciam cotidianamente as questões do racismo. Então, é pensar... Por isso a educação antirracista, quando eu digo, ela transversaliza todas as relações. Ela está lá na moça que faz a limpeza e que aí uma pessoa negra estar ali é visto como algo muito... Aquele é o lugar. E aí, quando se trata da diretora que é negra ou uma orientadora pedagógica, há um conjunto de enfrentamentos e um racismo muito sutil colocados ali. Que vai um pouco na linha do que a Elisandra falou quando terminou a fala dela, acerca das dimensões de saúde mental, inclusive. Então, é a gente pensar, dentro dessa esfera da secretaria, sobre toda essa complexidade, quando a gente fala da questão racial. E uma coisa que eu aprendi lá no chão da escola é que, e aprendi com a Nilma também, é importante falar sobre. Não podemos nos calar, porque quando a gente fala sobre, a gente causa os constrangimentos e as coisas começam a acontecer. A gente chega a 2024 porque a gente foi falando, falando, falando. Então, nós estamos falando dessa dimensão bem complexa. Então, é uma longa jornada que conduz a uma série de encaminhamentos. Outro ponto é que nós temos o desafio de pensar o monitoramento, a avaliação e a reavaliação desse percurso. Ele tem que acontecer, seja na dimensão da escola, que aí está, estão lá as propostas ou os projetos, mas como eles ocorrem? E quem não faz? Como é que fica? e a escola ter esse respaldo, e aí a gente volta para olhar para isso, então, assim, é muito trabalho. Eu me lembrei que no nosso curso lá em São Paulo, no Guilherme X, uma prefeitura nos compartilhou conosco uma proposta muito interessante de Adema, do Observatório Antirracista, que é esse responsável por lidar com os indicadores por monitorar a política e fazer os processos de avaliação e aí é quando eu toco na dimensão do financiamento que aí é uma chave que a gente é importante a gente virar para pensar a política e nós fomos inclusive ali provocados a pensar como fica a nossa secretaria é Campinas, né gente nós somos grandes e a gente como que a gente vai fazer para monitorar porque que a gente não monitora então, são esses os avanços e essas são as discussões que estão colocadas eu novamente agradeço muito me sinto lisonjeada de estar aqui com o Luiz e o Luciano além da Guida aí que está com a gente também não conheci o sacramento, também gostei muito da fala e quero agradecer aí os colegas, os colegas da rede e as pessoas que estão com a gente nessa discussão então, muito obrigado uma boa noite bom pessoal, então acho que é isso, a gente está encerrando então a última mesa, agradecer aqui o secretário adjunto, o Luciano muito bem. É a primeira vez que ele vem nas minhas reuniões, viu, gente? Ele achou que eu não ia falar isso. É, nas minhas aqui é a primeira. Você viu? É, precisa convidar. Enfim, mas então vai sair novos convites, pode deixar. Então, a gente agradece no sabadão essa disposição de ter vindo aqui, disponibilidade de estar aqui conosco, dialogar com os educadores sobre essa pauta que para a gente é caríssima. agradecer a Marcia e os demais que compuseram as mesas o professor Wilson, a Dânia a Elisandra, o Adriano, Leonardo que já foi pedir para vocês quem não assinou a lista por favor assine que a gente vai emitir o certificado de participação está aqui com Silas, quem não assinou e é isso então a gente espera poder continuar o debate aí, poder continuar construindo e apoiando o que for possível e necessário pelo nosso mandato. Então, em nome da Comissão de Educação e Esportes da Câmara Municipal de Campinas, eu, Guida Caliço, presidente dessa comissão, declaro encerrada o Seminário de Educação Antirracista da Câmara Municipal de Campinas. Obrigada. TV Câmara, Campinas.
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