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[Música] TV Câmara Campinas bom bom dia a todos todos todas sejam todas e todos bem-vindos ao seminário de educação antirracista eu sou Guida Calisto Sou servidora monitora de educação infantil na prefeitura de Campinas e também assumo a tarefa de vereadora na cidade e atualmente eu tô como presidenta da comissão de educação e esportes então Eh diante de um de uma necessidade tão importante que é debater a educação e também pensando no tema central que a que a Secretaria Municipal de Educação está pautando aqui para o nosso município a nossa pensou em em debater em discutir em fazer um seminário que possa discutir esse tema que apesar de já tá bastante tempo com obrigatoriedade Federal ainda a gente tem uma certa dificuldade de de desenvolver e por ser um tema da educação a gente sabe que não tem data de validade né Isso precisa a todo momento ser renovado quero agradecer a presença das pessoas de todos e todas presentes aqui mas antes da gente iniciar de fato Eu quero ler Um Conto de Uma escritora uma mulher negra que ela ela relatou para nós uma seguinte a seguinte situação que em épocas de de eleição apareciam por lá candidatos a votos e juravam que fariam alguma coisa por nós que a lei uso capião existia que nós não sairíamos de lá nunca se votá-la os rostos e olhos daqueles candidatos que antes nunca havíamos visto e que depois não veríamos mais principalmente se vencesse nas urnas persegui-los o tempo todo tornavam-se então íntimos de nós estavam espalhados por todas as partes as mulheres e as Crianças da Favela ficavam votando de brincadeira nos candidatos que elas achavam de roços mais bonitos um dia apareceu um candidato negro espalhou também seus seus papeizinhos pouco escutavam o que o homem dizia a dizer diziam que ele não não ganharia nunca parecia ser pobre como nós no concurso de beleza ele obteve poucos votos Conceição Evaristo bom então vamos dar abertura ao nosso seminário de educação an ista antes da gente eh iniciar os debates e passar toda as as informações e os detalhes desse dia que eu espero que seja um dia bastante proveitoso eu quero chamar para poder fazer aqui uma abertura porque nós merecemos né somos mulheres na sua Ampla maioria tem alguns Alguns homens aqui mas na Ampla maioria somos mulheres trabalhadoras trabalhadores homens também eh e que tem todo o direito de ter acesso a um bom momento cultural e que também é um espaço de Formação né a cultura nos forma também então eu quero chamar aqui a cantora Marília Correia que gentilmente atendeu o nosso apelo que eu fiz por estar aqui nesse sábado de manhã e pra gente apreciar o trabalho dessa mulher maravilhosa obrigada María acho que não tá ligado ligou o microfone ei [Música] ah cheguei muito bom dia gente é uma honra est presente aqui num dia com uma pauta tão necessária eu acho que a gente já precisa dialogar isso há muito tempo né então quando a as coisas começam a acontecer e é uma felicidade poder compartilhar tudo isso com vocês e para iniciar eu gostaria de começar com o poema autoral que fala justamente sobre mulheres pretas preta como a noite preta ancestralidade filha de Dandara preta aquela que incomoda quando ocupa espaços e quando mete a cara representatividade Com certeza importa pras minorias poderem sonhar se projetar olham na minha cara não sabem a minha história mas a cor da minha pele hum a cor da minha pele essa sim incomoda e o preconceito sem conceito não me impede de voar lutar e conquistar o meu espaço e o meu lugar preta aquela que levanta e anda não espera acontecer independente e forte a preta de quebrada que vocês vão aprender a respeitar trajetórias vitórias lutas conquistas vai ter mulher tem mulher aqui hoje eu gostaria de ouvir a voz das mulheres tem mulher aqui hoje sim tem mulher aqui hoje sim e é sobre isso e vai ter mulher preta ocupando tudo em todo lugar resistência resistência resistência muito [Aplausos] [Música] obrigada do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do gueto do [Música] Gueto trabalho o dia inteiro Todo dia não vê a do dinheiro que é absurdo que é agonia seu filho tá na escola aprendendo a ser um pequeno cidadão Ness a grande hipocrisia Josias é um grande cidadão que alimenta sua vida com a bebida e rebeldia Josias é um grande cidadão que alimenta sua vida com esperança e anarquia Josias hum cidadão cidadão cidadão brasileiro sem carteirinha ah ah Josias uhum cidadão cidadão cidadão brasileiro ó nossas vidas tentam ser manipuladas nesse governo nas tvas todos os dias ees entre sua mente consomem derrubam scrach com toda a ironia Josias cidadão cidadão cidadão brasileiro sem carteirinha Josias cidadão cidadão cidadão brasileiro ah uh [Música] uh aham aham mus calejadas nasceu no gueto debaixo do mesmo teto o sonho O Pesadelo a fome e a vontade o alimento e a coragem nome da honra da dignidade identidade de quem superou os açoites atravessou os desertos saltos e baixos dias e noites e a recompensa de volta para casa coloca alimento na mesa cidadão brasileiro Guerreiro por Excelência a nossa origem nossa essência Nossa Raiz e quem diria do submundo pro mundo do submundo pro mundo do submundo pro mundo do submundo pro mundo submundo pro mundo Esse é um som de Gueto Esse é um som de preto Esse é um som Esse é um som de preto Esse é um som de Gueto Esse é um som de preto Esse é um som de gueto do gueto do gueto do gueto do [Música] Gueto muito muito muito [Aplausos] [Música] obrigada Josias era um caraá da minha Vila Bela Vila Castelo Branco Mas eu prefiro Vila Bela e um dia ele chegou e contou essa história para mim que ele era um cidadão brasileiro que ele trabalhava pagava com pagava todos os seus impostos mas na hora do retorno não tinha nada acontecendo de Positivo na vida dele e aí quando eu cito um cidadão brasileiro sem carteirinha a carteirinha nada mais era que o seu título de eleitor porque ele foi considerado não cidadão brasileiro por não ter um título apesar de cumprir com todas obrigações então Josias veio da Vila Bela Ela Partiu partiu e nunca mais voltou não voltou não ela sumiu sumiu e nunca mais voltou não voltou não daria um filme uma negra e uma criança braço solitária na floresta de concreto e aço veja olha outra vez o rosto na multidão a multidão é um monstro sem rosto e coração Ei São Paulo Terra de arranha céu Garoa rasga carne é a Torre de Babel família brasileira dois contra o mundo mãe solteira de um promissor vagabundo luz camerin são gravando a cena Vai um bastardo mais um filho Pardo sem pai Ei Senhor deen eu sei bem quem você é sozinho você não aguenta sozinho você não aguenta peça disse que era bom e a Sua Vela ouviu também tem whk Red Bull tenis Nike fuzil admit seus Car é bonito r e eu não sei fazer internet víde cassete uns carro louco atrasado eu tô um pouco sim Tom eu acho só que tem que seu jogo é sujo e eu não me encaixa Eu sou problema de montão de carnaval a carnaval vim da selva sou leoa demais pro seu quintal problema com escola eu tenho mil mil fita inacreditável mas seu filho me imita no meio de vocês ele é o mais esperto Xing fala gira gira não dialeto esse não é mais seu R subiu entrei pelo seu rádio tomei você nem viu mas é isso aquilo que você não dizia seu filho quer ser preto que ironia cola o pôster do tio PC aí que tal que você diz sente o negro o drama Vai tenta ser feliz Ei bacana quem te fez tão bom assim o que você deu o que você faz o que você fez por mim eu recebi seu tique é dizer que te escota céu aberto e pare de madeirite de vergonha eu não morri tô Firmão Esme que você não você não passa quando o bar vermelho Abrir eu sou a mina dura do Gueto ra Oba aquela louca que não pode errar aquela que você odeia amar nesse instante pele para doso funk e de onde vem os Diamante da Lama valeu mãe negro drama Trama Ela Partiu e nunca mais voltou não voltou não ela sumiu sumiu e nunca mais voltou não voltou [Aplausos] não gostaria de pedir a ajuda de vocês agora nessa canção que é pra gente ficar todo mundo juntinho na mesma vibe na mesma sintonia ela começa assim com as palmas ó um sorriso negro um abraço [Aplausos] negro traz felicidade nego sem emprego fica sem sossego negro é a raiz da Liberdade um sorriso negro um sorriso negro um abraço negro traz felicidade nego sem emprego fica sem sossego negro é a raiz da Liberdade vem comigo quero ouvir a voz um sorriso negro aí um abraço negro negro negro negro traz felicidade negro sem emprego fica sem [Música] sossego negro é a raiz da Liberdade negro é a raiz da Liberdade negro é a raiz da Liberdade uh muito obrigada obrigada obrigada obrigada muito muito muito obrigada Quero Agradecer mais uma vez o convite por estar aqui hoje e tenham um dia incrível que seja necessário e que a gente consiga de fato começar a mudar as coisas obrigada você vai embora Bom vamos lá então né Depois dessa apresentação maravilhosa agradecer mais uma vez a María E vamos então começar os trabalhos os debates aqui desse seminário de de dia inteiro primeiro mais uma vez agradecer a presença de todas vocês de todos vocês aqui nesse debate importantíssimo na parte da manhã Esse seminário vai debater A Lei 10.639 e a sua atualização com a lei 11.645 que trata sobre a a obrigatoriedade do ensino da cultura e história africana e afro-brasileira né aqui no no Bras e nós teremos conosco O Adriano Boeno que é um pesquisador da área inclusive militante do movimento negro e na parte da tarde nós teremos mais duas mesas que vai falar sobre as boas práticas da educação antirracista com Wilson Queiroz Daniela Caetano e Elisandra Camilo e depois a gente vai ter uma última mesa que são propostas para uma educação antirracista com representante da Secretaria Municipal de Educação acho que nós teremos dois representantes aqui que vai debater também conosco né vai falar um pouco do que aeduc do que a a própria secretaria está pensando sobre quando traz esse tema como tema central né de de obrigatoriedade também teremos a Márcia naeto também é uma pesquisadora e também especialista profissional da rede o Leonardo Sacramento que é um que é um professor pesquisador do Instituto Federal de Sertãozinho se eu não me engano que eu nunca sei se se é de Ribeirão ou se é de Sertãozinho Mas enfim ele transita por ali mas também é professor da rede lá de educação e escritor enfim um cara muito também envolvido com com essa agenda com essa paa então o seminário é é de dia todo nós vamos emitir certificado para os participantes já vai passar uma lista de presença muitos falaram assim que não poderia ficar o dia todo enfim aí como que nós resolvemos a situação então a gente pede para as pessoas quem fica o dia todo assinar as duas listas manhã e tarde que nós vamos emitir o certificado para vocês posteriormente a gente vai enviar com a jornada de Horas de 8 horas né E se for só a parte da manhã ou só a parte da tarde a gente também emite o certificado com as horas né que participou parcial eh e bom acho que é isso então eu vou se ah a gente vai ver eu vou pedir pro pessoal da assessoria passar para vocês eh locais aqui próximo que tem de almoço tá porque às vezes o pessoal não quer ir para casa porque pode não não dar muito tempo eh a outra coisa que eu queria falar com vocês deixa eu ver bom certificado eu falei então peço que vocês assinem a lista Deixe os contatos mas qualquer coisa todo mundo tem meu contato entre em contato comigo se faltar enfim se precisar de mais informação algo também eu eu eu posso resolver quem tá sentado aí se quiser sentar mais próximo aqui fica à vontade tá eu fico muito feliz quando essas mesas estão ocupadas por trabalhadores trabalhadoras que fazem a luta principalmente que nós que estamos aqui que lutamos por uma educação pública de qualidade pode se sentir à vontade sentar aqui ou sentar nessa outra fileira aqui mais próxima também tá bom bom então acho que é isso eu vou chamar o nosso debatedor Então gostaria de chamar para ocupar a mesa aqui conosco Professor agora Professor posso falar Adriano Boeno que é professor de Educação Básica na Secretaria Municipal de Educação ncei Raio de Sol Adriano Obrigada pela disponibilidade de estar aqui conosco o Adriano por muito tempo ele foi eh funcionário da Secretaria de Cultura né Adriana é militante do movimento negro do mnu eh e agora há pouco tempo ele assumiu na aqui na rede Municipal então a gente tá muito feliz porque agora o Adriano vai vai sabador e a delícia que é ser professor na nossa rede né meninas Professor monitor agente de educação infantil vai saber o que é trabalhar numa rede Municipal como a nossa tão complexa tão contraditória né e e poder nos ajudar aí nos enfrentamentos eu já tô tentando eh tô cantando ele para ele vir pro pro movimento Sindical de fato mas vamos lá Adriano Obrigada e e é contigo legal bom dia a todas e no feminino também cumprimentando os companheiros que estão aqui a minoria né mas a gente sabe que a educação é um lugar de protagonismo das mulheres então já tô até acostumada a Guida foi no Café ali e falou assim meninas vamos lá eu já saí junto também porque a gente já se habituou e na maioria das escolas é é assim então pode falar no no feminino que eu já me sinto contemplado Sem problema nenhum E ontem primeiro eu queria cumprimentar todo mundo que tá aqui num sábado de manhã cedo assim Ontem foi um dia bem difícil três ventiladores ligados e a criançada gritando e eu cheguei em casa sem voz e eu pensei será que amanhã eu vou conseguir falar mas tô tô com voz e acho que eu sei exatamente e como é o trabalho de de de todas aqui então é mais do que nunca valoriza esse trabalho Ué agora depois de 20 anos como assistente administrativo faço esse essa mudança radical de me tornar um professor eu falava assim eu passei no concurso as pessoas falavam para mim assim você vai eu dizia eu vou faltando uma semana para mim sair da Secretaria de Cultura me disseram assim olha você assume lá na teu cargo na educação a gente puxa você aqui de volta e te dá uma chefia de setor para você ficar com uma uma remuneração igual e eu olhei para eles e falei assim não eu vou ser professor tô decidido a ser professor né então aqui Aqui estamos e e eu queria Eu me formei em 2010 mas eu trabalhava na Secretaria de Cultura e fiquei trabalhando na Secretaria de Cultura tava confortável lá e mas eu queria exercer minha profissão né Então essa semana comecei essa semana na terça-feira na quinta-feira foi o meu primeiro dia sozinho com com as crianças né sem nenhuma sem N sem a a a outra professora que tava fazendo a a transição e como vocês podem ver sobrevivi tô aqui deu tudo certo né Eh bom eu queria a Ah uma coisa que eu queria dizer também acho importante dizer essa mesa ela teria paridade né era para tá anselma Sales aqui também com a gente infelizmente anselma teve um problema de de agenda e não pôde estar com a gente aqui mas queria registrar que Originalmente A ideia era que a mesa tivesse paridade né Guida e que a anselma tivesse aqui com a gente ela que é uma querida também né Eh eu eu milito movimento negro desde de de adolescência comecei no hip hop cantando rap e depois me filiei ao mnu movimento negro Unificado e que eu milito até hoje sou do movimento negro Unificado aqui em Campinas quando fui fazer graduação em em pedagogia Eh meu TCC foi sobre o Hip Hop depois no mestrado fui estudar lei 10.639 agora no doutorado também estudo educação antirracista E então eu tenho eu tô nesses dois lugares né o lugar do movimento negro mas o lugar também da academia e da pesquisa nessa área eh eu eu vou passar um uns slides aqui mas para ilustrar o que eu tô falando obrigado tá bom não tem muito muito texto são algumas imagens e e até para orientar a minha fala um pouco né Eh vou dividir a minha fala em dois momentos num primeiro momento vou falar um pouco sobre a história do movimento negro contemporâneo quando eu falo movimento negro contemporâneo eu tô falando do movimento negro que se organiza nacionalmente logo após o Fim da Ditadura né antes Tinha movimento negro mas durante eh a ditadura militar era muito difícil você fazer muitas ações que começaram a ser feitas após a a decadência da ditadura né então tô falando ali de um recorte a partir do final dos anos 70 para cá né movimento negro tem desde que o primeiro negro colocou o pé aqui no Brasil né mas eu tô falando do movimento negro contemporâneo aqui hoje e então eu vou fazer um histórico do movimento negro debate antirracista dentro do movimento negro Até chegar na lei 10.639 depois vou fazer algum debate sobre essa formulação do movimento negro o que que o movimento negro propôs durante todo esse tempo a Nilma Lino eu vou citar várias mulheres aqui hoje a maior parte das autoras que que eu trabalho são mulheres nilm Lino Angela Davis Bel hooks Lelia Gonzales E por aí vai né Tem muita mulher refletindo eh a educação antiracista não só no Brasil nos Estados Unidos também principalmente né mas eh a Nil Malino ela escreveu um livro chamado movimento negro educador e eu antes desse livro eu tinha um olhar pro movimento negro eu achava que o movimento negro reivindicava coisas né reivindicava uma educação antiracista mas não que o movimento negro educava Como assim o movimento negro educador né E esse livro da Nilma quando eu li ele mudou totalmente a minha perspectiva porque o que ela vai mostrar é que o movimento negro ele é sujeito de uma nova epistemologia e ele vai formular uma educação antiracista né Então ninguém aqui precisa começar do zero a gente precisa estudar os debates que o movimento negro fez porque muito do do acúmulo que a gente tem hoje é um acúmulo que foi produzido por uma intelectualidade negra que estava atuando no movimento negro eh eu vou falar mais sobre isso no mais para frente aqui eh então para começar primeiro dizer o seguinte nós estamos num país que é fora do continente africano a maior concentração de população negra do mundo o Brasil tem a maior concentração de população negra no mundo a gente olha PR os Estados Unidos como se fosse um país muito negro né o cinema nos induz um pouco a pensar dessa forma né mas os negros nos Estados Unidos eles são em torno de 13 14% da população tem mais latinos nos Estados Unidos do que negros né ah enquanto que no Brasil nós somos a maioria da população O que é legal mas que mas expressa também a nossa tragédia né Nós somos um país de maioria Negra nós recebemos aqui mais da metade das pessoas que foram retiradas do continente africano para o trabalho escravo nas Américas mais da metade dessas pessoas vieram pro Brasil eh se a gente contar também o continente Africano o Brasil só tem uma população negra menor do que a Nigéria o Brasil tem hoje a segunda maior população negra do mundo só a Nigéria tem uma população negra maior do que a população negra que nós temos aqui no Brasil então com tudo isso é muito trágico que a gente precise de uma lei que nos obrigue a contar essa história nas escolas né tanto tempo após a abolição mais de um século após abolição a gente precisa de uma lei que nos obrigue a contar essa história nas escolas e mais do que isso quando a gente fala de políticas públicas de promoção da Igualdade racial nós estamos falando de políticas públicas que em todos os outros lugares do mundo são políticas de Proteção Para minorias né No Brasil a gente faz política de minoria para uma maioria da população que é muito trágico também né então algumas questões pra gente refletir pra gente pensar sobre nossa situação no Brasil e para que a gente possa despertar para essa discussão uma discussão que o movimento negro sempre fez mas que agora começa a ser institucionalizada vamos dizer assim a nossa Constituição eh já mencionava depois a LDB mencionou mas a lei 10.639 avançou um pouco eh eu vou mostrar isso daqui a pouco né Então esse é o Brasil a cidade de Campinas deve ter aí entre 450.000 500.000 pessoas negras aproximadamente segundo o último censo com tendência a aumentar não porque a taxa de natalidade entre negros e negras esteja aumentando mas porque o nível de consciência de raça está aumentando Então as pessoas pessoas estão se identificando enquanto negras e isso tem feito o de modo geral no Brasil e isso se reproduz em Campinas eh o percentual de pessoas negras na população está aumentando né ele vai tendendo a aumentar então aí um símbolo é um sancova né é um símbolo que a gente gosta de de trabalhar porque remete à memória é uma ave olhando para trás né remete ao ao passado mas ela se volta para trás para pegar uma semente com bico né então ela essa essa é uma imagem que tem muita simbologia esse símbolo é um símbolo ainca dos povos Acã e na África e a gente costuma usar tem vários professores que usam no no carimbinho na hora de colocar na recados na na agenda dos alunos usam esse símbolo aí que eu sei né dentro do conepa tem tem várias companheiras eh aqui uma foto para começar um pouco a contar essa história uma foto que é muito simbólica né quando a gente quer pensar assim Como assim o movimento negro sempre fez esse debate eu gosto dessa foto é uma foto icônica e porque ela expressa ela é a comprovação material de que essa pauta sempre foi uma pauta do movimento negro né essa foto Ela tá no arquivo Edgar lewen Rod aqui na Unicamp ela é foi feita durante uma manifestação numa reunião da sbpc sociedade brasileira pelo progresso da ciência em 1981 pouquinho a eh eh no comecinho dos anos 80 né ali é muito simbólico tem um garoto negro à frente ali segurando uma faixa onde tá escrito pelo ensino da história e cultura Negra né então sempre foi uma bandeira de luta do movimento negro nessa foto tem algumas figuras históricas do movimento negro entre elas o que mais se destaca do lado esquerdo ali o Hamilton Cardoso militante do mnu movimento negro Unificado mnu que foi fundado alguns anos antes em 1978 então gosto muito dessa foto vocês procurarem vocês vão achar muito texto sobre ela na na internet eh aqui como eu tinha falado ail Malino né movimento negro educador é sujeito político produtor e produto de experiências sociais diversas que ressignificam a questão étnico-racial em nossa história desde o princípio lá atrás logo depois da Abolição já era uma preocupação do movimento negro trabalhar a educação inicialmente Para incorporar a as crianças negras na educação porque elas não tinham acesso né Então as primeiras a do movimento negro eram montar escolas para as crianças negras poderem estudar a frente negra brasileira tinha escola aqui em Campinas teve escola ali perto da onde tá a mãe preta onde hoje acho que é uma creche eu não sei se ela está em atividade do lado da igreja de São Benedito ali foi uma uma escola para crianças negras uma das primeiras da da cidade né E então sempre foi uma preocupa a partir do momento que as crianças negras vão sendo incorporada que a gente consegue universalizar o acesso à educação a gente começa a se preocupar com a pauta da da educação antirracista eu li um livro da Bell hooks que me me marcou muito onde ela fala sobre o processo de dessegregação nos Estados Unidos ela diz o seguinte que ela passou pela segregação racial que Ela estudou numa escola que era separada escola para crianç para crianças negras e tinha escola para crianças brancas depois do movimento pelos direitos civis as conquistas dos anos 60 nos Estados Unidos a escola é dessegregação racial E aí ela fala dos eh desafios nome desse livro se não me falhar memória aqui ensinando a transgredir ela fala dos Desafios dessa escola da dessegregação né acho que a Elizandra tá com livro na mão já veio armada muito bem que coincidência hein que sintonia e E aí eh ela vai dizer que você na escola pras crianças negras se trabalhava a identidade negra na escola pras crianças crias brancas se trabalhava a identidade Branca né quando junta todo mundo numa escola O que foi feito basicamente nos Estados Unidos foi pegar as crianças negras e incorporar na escola das crianças brancas né Aí elas deixaram de ter acesso a essa identidade negra que elas tinham na escola segregada então não basta também juntar todo mundo dentro de um prédio isso não resolve o problema isso é é o primeiro é a primeiro o primeiro passo né A partir disso você tem que repensar o currículo a formação dos professores a prática pedagógica em sala de aula né então todos esses desafios se colocaram para os professores nos Estados Unidos e isso me marcou muito porque aqui eh a gente não tem uma segregação eh estipulada através de uma legislação como tem teve nos Estados Unidos na África do Sul mas a gente tem uma segregação basta olhar para uma foto do de uma turma de formandos de Medicina e uma turma de de um grupo de garis que a gente percebe o o o contraste a segregação tá posta no Brasil sem precisar de uma legislação que é ainda mais cruel né os mecanismos que se se criaram aqui para garantir essa essa segregação e E aí eh a partir do momento que as crianças negras também vão sendo incorporadas na escola a luta passa a ser a educação antira né que educação nós vamos dar garantir para essas crianças eu não acho que a educação por si só vai resolver todos os nossos problemas às vezes colocam esse peso sobre a educação e a gente sabe que é um fardo que a gente não tem como carregar sozinhos cada um tem que fazer a sua parte né mas a educação ela é estratégica paraas mudanças então sem sem mobilizar a educação pro enfrentamento ao racismo a gente também vai ter dificuldade de de Combat e superar o racismo no Brasil né então a gente precisa fazer o debate na educação o movimento negro sempre teve esse olhar e essa preocupação eh aqui algumas datas históricas que é bom a gente ter em mente né 1978 é o ano da fundação do mnu uma reação a um caso de de racismo atletas negros do Clube Pinheiros em São Paulo foram impedidos de entrar no clube que eles defendiam pelo seguranças do clube E isso gerou uma reação logo em seguida tem um um caso do Robson que foi torturado no numa numa delegacia isso gerou ainda mais indignação movimento negro faz um ato com milhares de pessoas em frente ao teatro lá em em São Paulo e a partir disso é fundado o movimento negro Unificado a gente tem essa data como um Marco fundante do movimento negro contemporâneo eh Depois vieram outros grupos outras organizações tem a o negro tem a conem a Pastoral do negro dentro da estrutura da igreja católica e os quilombolas né enfim aí um monte de outras organizações ONGs e tal né mas o mnu acaba sendo eh esse Marco de fundação vamos dizer assim não de fundação acho que de reorganização do movimento negro a partir da decadência da ditadura então a partir de 78 movimento negro começa a se mobilizar em 88 tem um momento muito importante pro movimento negro que é o debate sobre a constituinte o movimento negro organiza um seminário que se chama o negro e a constituinte nesse seminário é feito debate sobre eh a política de igualdade racial de modo geral mas principalmente também a educação antirracista eh eu quando eu fui ver a contribuição do movimento negro para Twin tive dificuldade Mas eu achei uma pesquisadora que estudou eh esse período a Natália Neres e acho que a Flávia Rios também e E aí elas já tinham feito um mapeamento das sugestões específicas eh que o movimento negro trabalhou então só tive o trabalho de pegar essas sugestões e olhar o recorte da educação antirracista né infelizmente o que tava proposto paraa educação antirracista não passou não entrou na constituinte tivemos algumas vitórias né Eh titularidade de terra para Comunidades Quilombolas eh o a questão do crime de racismo se tornou inafiançável tivemos alguns avanços na constituinte a Benedita da Silva era da bancada do PT e representou o partido dos trabalhadores dentro na mesa da Assembleia constituinte numa bancada que tinha o luí Inácio Lula da Silva e outros figurões do partido dos trabalhadores Mas quem representou o PT na mesa foi a Benedita da Silva uma uma algo que foi muito significativo pro movimento negro na época e logo no ano seguinte nós tivemos o centenário da Abolição governo sarnei se organiza para comemorar a abolição e o movimento negro se organiza para questionar a comemoração da Abolição né então o movimento negro vai dizer bom 100 anos de Abolição Abolição para quem Abolição de que forma né E será que somos livres realmente E aí teve samba enredo de escola de samba e todo um debate da sociedade um monte de Atos foram dois anos de muita mobilização pro movimento negro 88 e 89 muito acúmulo né Eh nos dois casos agendas abertas pelo Estado no debate sobre a constituinte e no debate do Centenário da Abolição em seguida a gente vai ter a marcha Zumbi dos Palmares aí não é uma reação do movimento negro é uma agenda criada pelo Estado aí é o movimento negro pautando a sua agenda né o movimento negro brasileiro se unifica e se organiza para fazer uma marcha a Brasília em 95 porque 300 anos da morte de zumbi movimento negro reivindicava 300 anos da imortalidade de Zumbi dos Palmares né então 20 de novembro de 1900 95 30.000 pessoas do movimento negro em Brasília surpreenderam o sociólogo Fernando Enrique Cardoso havia uma expectativa que ele de repente pudesse ser sensível à causa porque era um sociólogo porque fez pesquisa sobre Relações raciais porque foi orientado pelo florestan Fernandes que sempre foi um aliado do movimento negro chefe de gabinete do do florestan Fernandes era um cara do mnu negro e o florestan sempre foi numa época em que mesmo a esquerda queria discutir só políticas universalistas não queria discutir especificidades o florestan Fernandes era um cara que se aliava ao movimento negro no debate do sobre as especificidades né E no entanto o Fernando Henrique não teve essa sensibilidade mas quando ele viu 30 pessoas lá na na em Brasília ele se assustou e ele teve que receber a organização da Marcha então ele vai receber a organização da Marcha E aí ele vai dar uma resposta 30.000 perdão e aí ele vai dar uma resposta criando um grupo de trabalho inter eh interministerial o GTI esse grupo de trabalho não conseguiu implementar muitas políticas Mas ele foi muito importante porque ele mapeou no governo tudo que tinha de política antiracista e todas as fragilidades né então o que se desenvolveu depois tem muito a ver com o que foi diagnosticado por esse GTI nesse momento né Foi não deixa de ser uma conquista eh tímida mas foi uma conquista agora por incrível que pareça o sociólogo que a gente que o movimento negro tinha uma uma expectativa maior acabou sendo eh meno ele ele eh eh deu menos respostas ao movimento negro do que o Sarney que era um cara eh ligado a à ditadura e que eh pelo menos criou a a fundação Palmares né naquele momento dos debates da constituinte do Centenário da bolição a fundação Palmares eh foi um avanço mas tinha um problema ali né a gente queria um órgão que discutisse a política pública antirracista pro conjunto do governo não só para uma área né e mas havia uma percepção de que política para a população negra seria tinha que ser no ministério da cultura apenas né como se a gente tivesse que ter só esse tipo de de política voltado para essa população e mas enfim foi um avanço a Fundação Cultural Palmares e ela cumpre um papel também né agora eh depois vai ser criada a cpir a secretaria de políticas de promoção da Igualdade racial no governo Lula um órgão que não tem semelhante não quando foi criado não tinha outro parecido em nenhum outro l lugar do do planeta né foi uma inovação brasileira eh depois em 2000 a gente tem a campanha outros 500 o Fernando Henrique Cardoso resolve comemorar os 500 anos do descobrimento né então era 500 anos do descobrimento o movimento negro junto com o MST e com os povos indígenas vai articular uma campanha chamada Brasil outros 500 para tentar mostrar o outro lado da da dos do chamado descobrimento se organiza para fazer um enfrentamento lá em Porto Seguro o movimento o Fernando Henrique Cardoso organizou comemorações tinha uma Caravela eh uma réplica de uma Caravela para fazer a comemoração a caravela afundou a caravela afundou vocês podem Buscar notícias da Folha de São Paulo da época é engraçadíssimo e o movimento negro os povos indígenas e o MST não conseguiram chegar no local onde estavam as comemorações porque o governo Fernando Henrique Cardoso reprimiu violentamente os movimentos populares nessa repressão um militante do emenu chamado edmilton da Bahia ele caiu e ele não conseguiu correr e um Policial do Choque pega o edmilton pelos dreds para arrastar ele e ele foi fotografado essa foto virou símbolo nacionalmente D violência dessa repressão quem fotografou edmilton foi uma pessoa aqui de campinas chamada João zinclar fotógrafo que muitos aqui conheceram né Essa foto virou cartazes no Brasil inteiro do edmilton sendo puxado pelos dreds lá na na na nesse Episódio né No ano seguinte a conferência da ONU o Fernando Henrique Cardoso ia organizar uma pré-conferência das Américas aqui no Brasil quando o movimento negro se organizou para enfrentar ele mudou de ideia foi transferida para outro país mas teve um debate de preparação para a conferência da ONU conferência eh terceira conferência da ONU eh contra o racismo a xenofobia intolerâncias correlatas né e o Brasil se organiza para participar da conferência foi um processo muito frutífero também de discussão de debate e a educação antirracista vai aparecer em todos esses momentos como prioridade mas a lei 10.639 Vai Ser aprovada em 2003 eh vários parlamentares fizeram proposições mas só em 2003 ela vai ser aprovada a última proposição foi aprovada no Congresso no na Câmara dos Deputados depois no Senado e ficou na mesa do Fernando Henrique ele poderia ter entrado paraa história no final do mandato dele ele não assinou ficou lá parado na mesa dele quando o Lula entrou em 2003 primeiro ano do Lula com 9 dias de governo ele assina sua primeira lei que foi a lei 10.639 né o Lula também eh eh a bola tava ajeitada para ele chutar Mas ele foi o cara que chutou né então merece todo mérito porque teve iniciativa para isso né se se eu tiver passando do tempo me fala porque eu sou meio prolixo aí eu fiz um mapeamento para mostrar eh como que esse debate aconteceu dentro do Parlamento né primeiro projeto lá em 83 do abidias do Nascimento um projeto extremamente eh bem elaborado previa até ensino de orubá nas escolas tá obviamente que não passou né mas foi uma iniciativa que gerou muito debate do abias do Nascimento depois o Paulo Paim tentou a Benedita da Silva duas vezes o Humberto Costa depois a Benedita da Silva depois Humberto Costa na verdade aquele primeiro do Humberto Costa é no estado de Pernambuco depois como deputado federal ele leva esse essa demanda pra Câmara dos Deputados depois o AB dias de novo aí já como Senador depois a Ester grossa e o Benhur Ferreira e por último José Carlos Coutinho apresenta um projeto igual da Ester Gross do Benhur depois ele retira porque já tinha o projeto da ster e do Benhur né o único cara de direita que que fez uma proposição foi José Carlos o restante é pt PDT são partidos de esquerda né sempre foi uma pauta que a esquerda minimamente eh assumiu e nessa lista me destoou Humberto Costa né quando eu fui meu orientador é o professor nton Brian da Faculdade de Educação alguns aqui conhecem e ele falou para mim assim mas por que que Humberto Costa tá aí ele é médico é branco não tem nada a ver vai investigar vai investigar vai investigar aí eu fui investigar Tentei contato com Humberto Costa pensei assim imagina Esse cara é Senador ele não vai me responder mas eu mandei uma mensagem de WhatsApp para ele numa sexta-feira ele não respondeu eu desencanei no sábado à noite eu tava em casa totalmente relaxado meu celular tocou e era Humberto Costa tomei um susto aí eu atendi o telefone o senador ele falou assim olha você tem que falar não é comigo você tem que falar com z Zé Oliveira que foi meu assessor um militante do mnu foi meu assessor foi ele que montou o projeto eu tinha estado com o Zé Oliveira pessoalmente uma semana antes no congresso do mnu em Recife e não sabia que era com ele que eu tinha que falar aí lá fui eu montar um Google Meet com Zé oliveir para tentar entender o que aconteceu e aí ele vai me contar uma história que lá no começo eh dos anos lá nos anos 80 aconteceu um encontro em Recife chamado negro e a educação proposto por militantes do movimento negro lá com participação de muitos figurões se Eli Carneiro muita gente boa e E lá eles discutiram e acumularam e a partir desse acúmulo eles fizeram uma proposta primeiro no est de Pernambuco que foi aprovada mas o governador não sancionou depois eles fizeram uma proposta também no no Parlamento no na Câmara dos Deputados em Brasília né então é é a lei 10.639 ela nasce em Pernambuco texto da Lei Ele nasce em Pernambuco tá a gente sempre que pensa no movimento negro a gente fica olhando São Paulo Rio né então é legal dizer isso que os pernambucanos tiveram esse protagonismo aí depois a Ester Gross professora o Benhur Ferreira militante do movimento negro os dois vão pegar o texto do Humberto Costa e vão reapresentar o mesmo texto e aí ele vai ser finalmente aprovado não foi aprovado antes porque não era tido como uma prioridade né mas ali já havia um acúmulo movimento negro mobilizava muito mais gente tinha muito mais Impacto conseguiu aprovar e a partir se fosse hoje a gente teria mais dificuldade porque a bancada evangélica entende a lei como uma porta de entrada para o debate sobre as religiões de matriz africana né Eh eu acho que hoje seria outro contexto mas naquele momento foi possível aprovar e uma conquista que resistiu né muitas vezes eu recebo ainda um WhatsApp que circulou na época do temer perguntando se é verdade que a lei tinha caído e a gente a mesma mensagem que ela continua aí circulando né e a gente diz não não caiu na verdade a reforma do ensino médio derrubou um artigo eh anterior ao artigo de que trata a lei que é 26 26 a 26b E aí um desses eh artigos Caiu né E aí por por conta disso essa confusão mas a a lei continuou valendo né a gente sempre orienta as pessoas nesse sentido eh Então a partir desse projeto de 99 da Ester grossa e o Benhur Ferreira é aprovada a Lei 10.639 aqui algumas iniciativas locais eh eu pensei como é que eu vou fazer isso né porque quando você vai pesquisar na Câmara dos Deputados no senado você acha tudo no site não precisa em Brasília né Abre o site tá tudo lá os arquivos os dossiês você consegue ver comissão onde passou parecer tudo nos dossiês nos municípios como é que eu ia fazer aí Achei um livro do édio Silva onde ele já tinha feito esse mapeamento trabalho todo eu só precisei recortar o que que era da educação antirracista dentro do livro dele né e enfim Então a primeira iniciativa 86 o o conselho da comunidade Negra governo montouro em São Paulo movimento negro conseguiu emplacar a partir disso surgem discussões E por aí adiante né Eh o tem na Constituição da Bahia desde 89 tem eh lá um um um dispositivo para tratar da educação antirracista desde 89 depois na lei orgânica de Belo Horizonte e outras câmaras municipais né Porto Alegre Belém Aracaju São Paulo Brasília Teresina eh por aí afora tá aqui a genealogia que eu já falei o projeto do Humberto Costa lá em Pernambuco depois ele leva pra Câmara Federal depois a Ester grossa e o Benhur Ferreira reapresentam e o texto é aprovado né a nossa Constituição o que que ela dizia sobre isso né o ensino da história do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro ou seja leva em conta né levea em conta é quase Tá quase que deixando a critério do do de quem quiser se não quiser também tudo bem né não tem problema leve em conta e a o texto da LDB ele vai no mesmo sentido né ó ensino de história do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro especialmente das matrizes indígena Africana e europeia levar em conta depois na lei 10.639 aí o termo a palavrinha mágica chamada obrigatoriedade né que aí muda tudo de patamar Altera a lei 9394 que é LDB de 20 de dezembro de 96 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática história e cultura afro-brasileira e da outras providências depois aqui a lei inteira ela é C tinha e Primeiro vai dizer que é Ensino Fundamental e Médio oficiais etic particulares né se tá falando que é Fundamental e Médio tá falando que também é educação infantil e Universidade né porque na educação infantil A gente prepara as crianças pro Ensino Fundamental se é obrigatório no ensino fundamental a gente precisa introduzir na educação infantil correto e se é obrigatório no ensino fundamental e no ensino médio no ensino superior a gente precisa preparar os professores que vão implementar no ensino fundamental e no ensino médio então na prática significa o seguinte tem que ter educação antiracista em todos os níveis sem nenhum tipo de exceção né Eh depois um parágrafo sobre o conteúdo programático e E aí não não é a história da África dos africanos A Luta dos negros no Brasil Cultura Negra brasileiro negro na formação da sociedade Nacional resgatando a contribuição do Povo negro nas áreas social econômica e política pertinentes à história do Brasil porque a gente não foi só eh sempre teve uma polêmica dentro do movimento negro se a gente devia ensinar sobre a escravidão se a gente devia focar nas coisas positivas o que que era melhor e a a resposta é sempre eh que a gente tem que fazer as duas coisas né Nós não vamos omitir Os horrores da escravidão as pessoas têm que saber mas nós também não vamos deixar de contar aquilo de positivo porque a gente não foi só escravizado nesse país né a gente tem uma contribuição na culinária né tem aí a a feijoada e as pessoas nem sempre sabem a origem nós temos uma contribuição na na linguagem né então eu quando o Museu da Língua Portuguesa veio fazer uma exposição temática em Campinas eu fui monitor Porque eu trabalhava na Secretaria de Cultura e foi muito legal aprendi muito né E aí os os quando a gente eh vai designar frutas e lugares no Brasil geralmente é uma palavra de origem indígena né em geral porque o europeu chegava aqui não sabia falar Eh que algo que ele nunca tinha visto né então ele aproveitava a maneira como aquele povo indígena se referia àquela fruta aquele lugar né E aí Como tinha muitos povos Então as vai ter coisa como a mandioca que num lugar é mandioca no outro é macaxeira no outro é a aipim Então não é por acaso cada cada povo tinha uma forma de de nomear né e e as palavras de origem africana Muitas delas eh associadas ao ao dia a Dio ao dia a dia e de conotação afetiva O que é muito legal pra gente na educação infantil principalmente né dengo cafoné né Por quê porque eram as amas de leite que iam cuidar das crianças né então esse esse vocabulário aí ficou todo influenciado por essas mulheres pelo pelo trabalho que essas mulheres faziam E então nós temos uma contribuição na música né Aliás quando a gente vai falar da identidade nacional brasileira do que que a gente tá falando né do Samba e do futebol né Hã o choro né então a gente tem uma ção muito vasta então a gente tem que falar do que aconteceu de ruim para que não aconteça para que não se repita conscientizar para que não se repita mas também a gente tem que falar daquilo de que aconteceu de de Positivo né porque eh também nós temos uma contribuição eh dada na construção desse país né aí depois vai falar que tem que ser em todo o currículo escolar não é só educação artística Literatura e história embora estas sejam as prioridades como que que eu vou trabalhar na educação física pode trabalhar com capoeira com hip hop né e na matemática pode trabalhar com éo matemática tem uma pessoa especialista nisso que vai falar aqui à tarde com vocês que vai pode falar sobre isso muito melhor do que eu e o artigo 79b colocou o 20 de novembro no calendário escolar Isso é o que é mais comprido né mais observado não tem o 20 de novembro não passa mais batido nas escolas né mas a gente precisa fazer o ano todo não pode ser só no 20 de novembro né Essa é a nossa luta agora é legal destacar aqui o ano passado foi aprovado como feriado nacional e essa é uma luta muito Vitoriosa do movimento negro porque há 40 50 anos atrás a gente comemorava o 13 de Maio a simbologia disso sempre foi construída como uma dádiva a princesa que assinou e nos libertou né descontextualizado as contradições da época os interesses da Inglaterra o capitalismo que tava surgindo então precisava de consumidores e a própria luta do movimento negro nos quilombos e e as lutas por liberdade que muitas vezes não entram na conta né Parece que foi só a Princesa Isabel que chegou lá e assinou a bondosa e na verdade eh o movimento negro um momento dos anos 70 parou e e e pensou assim bom vamos usar o dia 13 de Maio para reflexão crítica Mas nós vamos trabalhar com o 20 de novembro que é o vai ser o dia da consciência negra e e e Isso mudou totalmente a perspectiva Então hoje a gente tem um outro olhar para essas datas graças à luta do movimento negro e eu acho que eh transformar em feriado nacional coroa esse processo de mudança que levou décadas de luta né então quando a Nilma fala do movimento negro educador Olha aí né o movimento negro educando o nosso país ó Olha isso aqui aconteceu Legal A Princesa Isabel assinou a abolição mas nós temos que contextualizar tudo que aconteceu no dia 14 de Maio como é que a gente tava né foi uma transição não foi uma coisa automática né se a gente pegar lá em 1910 na revolta da Shibata o Almirante negro João Cândido o João Cândido se rebelou na Marinha se vocês pegarem a carta dos revoltosos tem na internet É fácil de achar a primeira linha fala fim da escravidão na Marinha o que que eles estavam lutando eles estavam lutando pelo fim dos castigos físicos contra os marinheiros negros 1910 22 anos depois da Abolição então o fim da escravidão é um processo né assinar uma lei no papel não resolve tudo de uma vez por todas e a gente tem heranças da escravidão até hoje né marca a nossa arquitetura no quarto pra empregada e a empregada é alguém que mora na nossa casa e 24 horas está à nossa disposição última vez que eu falei disso eu quase apanhei né Guida porque uma pessoa tava dando um curso e uma pessoa se ofendeu E aí ele levantou e soltou todo tipo de platitude que vocês puderem imaginar né ele falou assim imagina a minha empregada era um carinho que a gente tinha com ela para ela ter um de morar era um lugar para ela dar uma descansadinha e ela era como se fosse membro da nossa família e eu perguntei assim mas vocês colocaram ela no no Testamento se era membro da família eu quero ver o testamento se ela tá lá como herdeira do das Posses da família né e mas enfim e o elevador separado né e as heranças da escravidão a gente naturaliza e muitas vezes a gente não percebe mas quando a gente começa a estudar educação antirracista a gente muda o nosso olhar de um jeito que não tem mais volta a gente vai sentar no restaurante chique e a gente vai olhar em volta e vai ver quem são as pessoas que estão sentado comendo quem são as pessoas que estão servindo e isso vai começar a causar incômodo né E a gente vai começar a refletir sobre isso então desnaturaliza as relações né eu trabalhei numa biblioteca onde eu era assumi como trenador na Secretaria de Cultura e tinha uma funcionária que fazia o trabalho operacional que era loira e as pessoas entravam na biblioteca para falar com a coordenação passavam por mim e i até ela mesmo quando ela tava com pano limpando alguma coisa e eu tava na frente as pessoas passavam direto por mim Iam até ela falavam se dirigiam a ela e ela falava assim não o coordenador é ele aí a pessoa olhava para mim né um preto de trança totalmente fora dos estereótipos né e a gente precisa quebrar eh essa perspectiva dos lugares né e a gente inculca isso na cabeça das Crianças desde pequeno e a gente muitas vezes impede que eles eh atinjam todo o seu potencial eu não tô com isso dizendo que esse lugar é melhor do que outro né o que eu tô querendo dizer é que a gente tem que ter a possibilidade de estar onde a gente quiser estar se eu quiser ser médico se eu quiser ser professor o que eu quiser ser né eu tenho que ter oportunidade para isso talvez eu queira trabalhar na construição civil porque eu goste porque eu ache legal e não tem nenhum problema nisso é um trabalho Digno como qualquer outro né Mas se por acaso eu quiser ser um advogado eu tenho que ter o direito também de ser um advogado eu não posso ter a sociedade dizendo para mim que esse lugar é proibido para mim né que esse lugar não me pertence né então e isso começa desde a educação infantil que a gente vai inculcando e colocando isso na cabeça das crianças né eh a gente durante muito tempo lutou para mostrar que provar que o racismo existia e não não tá todo mundo convencido ainda mas a gente avançou bastante a ponto de hoje a gente se debruçar sobre como qualificar o racismo né então o debate vai se aprofundando e a gente discute o racismo estrutural basicamente é dizer que o racismo não é um ponto fora da curva né então Eh quando tem um caso de racismo não é porque é uma questão moral é porque aquela pessoa que praticou o racismo não presta não o racismo é sistemático o racismo é estrutural estrutura a nossa sociedade e aquela pessoa está reproduzindo algo que organiza o conjunto da nossa sociedade parece uma coisa pequena mas não é lá nos Estados Unidos quando Jorge Floyd foi assassinado e os o movimento foi pra rua eh a resposta do estado norte-americano foi dizer olha tá bom nós vamos punir os policiais que mataram George Floyd e o movimento olhou e falou assim não nós vamos continuar na rua porque nós queremos que vocês fechem o Departamento de Polícia e nós queremos rediscutir a segurança pública por quê é a perspectiva do racismo estrutural Então não é só pegar aquele policial que que matou o George Floyd como se fosse um problema localizado nós queremos discutir o todo né então eh racismo institucional tivemos recentemente um vídeo da prefeitura com a guarda municipal Municipal abordando só pessoas brancas todo mundo pessoas negras perdão os guardas brancos vestidos com a a fardamento da da guarda municipal abordando pessoas negras só pessoas negras no vídeo né E aí depois de muita briga Eles tiraram o vídeo do ar editaram o vídeo colocaram no ar um outro vídeo onde onde tinha pessoas brancas sendo abordadas também se tinha por Não colocaram desde o princípio né porque é a construção da imagem que só o negro é que tá nesse lugar do criminoso né E nós tivemos uma iniciativa por parte do mnu a Guida também através do mandato entrou eh com uma ação no Ministério Público gerou um taque um termo de ajuste de Conduta e a Prefeitura vai ter que desenvolver uma série de políticas de formação pro departamento de comunicação recursos paraa Coordenadoria que trata das políticas de promoção da Igualdade racial e retratação Pública pelo vídeo uma série de iniciativas que a gente conseguiu ganhar na justiça contra a prefeitura racismo institucional é quando a instituição é que mobiliza né e o racismo Recreativo que é o que mais acontece nas escolas que parece inofensivo mas não é porque o racismo estrutural o racismo institucional ele começa e se reproduz no racismo Recreativo né o garoto que chama o outro de macaco e faz piada brinca com cabelo cabelo de Bombril na minha época era Bombril agora eles falam Assolan né cabelo de Assolan cabelo de assolan e E aí eh esse tipo de de piada é a reprodução do racismo essa criança vai crescer um dia ele vai ser o cirurgião que vai decidir se ele dá uma anestesia ou não numa mulher negra e ele pode pensar assim não as mulheres negras Elas têm mais força física né porque é o que se dizia durante a escravidão que os negros eram mais apto ao trabalho que eles eram mais resistentes e o branco podia cuidar da chefia porque era intelectualmente superior né E isso tá ainda até hoje na inculcado nas nossas cabeças nosso na nossa consciência né Então essa criança que faz o pratica o racismo Recreativo um dia ele vai ser um policial e vai ter que decidir se ele atira ou não numa pessoa que às vezes tá portando um guarda-chuva né E não uma arma então a gente precisa refletir sobre isso eh não dá para tratar o o racismo Recreativo como uma coisa que não seja importante né Eh o racismo ambiental e aí nós estamos falando eh do lugar onde as pessoas moram de como as políticas de como a política pública é organizada muitas vezes nós temos um documentário do Spike Lee sobre quando os Dick se romperam E onde ele vai mostrar em New Orleans quando passou o furacão lá como que o prefeito se organizou para proteger as áreas onde a população negra eh a população branca residia e as áreas onde a população negra morava ficaram alagadas né então o racismo ambiental é a gente olhar quem são as pessoas que estão na área de risco quem são as pessoas que estão morando no no estão sofrendo mais com inundação e com outros problemas ambientais e que o estado porque o estado muitas vezes vai olhar para um determinado lugar e vai pensar se é relevante ou não né E aí na hora de decidir se é relevante ou não se são as pessoas negras que estão naquele lugar aí né Tem coisas que acontecem e com pessoas negras que quando acontece com uma pessoa branca tem uma repercussão totalmente diferenciada né então uma questão pra gente pensar e e o racismo algorítmico né quando quando não sei se já fizeram exercício de entrar no Google lá escreve lá cabelo bonito e vê que tipo de cabelo vai aparecer trança bonita ou escreve cabelo feio e vê que tipo de de cabelo que vai que vai aparecer lá né E aí as pessoas perguntam como que faz para lavar o o dreed a trança como se a gente não não lavasse o cabelo tem um cara lá em Souzas quando eu era coordenador da biblioteca toda vez que ele entrava na biblioteca ele me perguntava como que eu lavava meu cabelo e um dia eu perdi a paciência tem um amigo lá do cursinho Herbert de Souza que agora foi embora para Minas que é o Zeca ele dava uma resposta ele tem dreed E aí eu copiei a resposta dele e eu falei sabe como que eu lavo eu pego abro o chuveiro começa a cair a água assim aí eu entro embaixo espero molhar aí eu vou eu pego o shampoo Aí eu expliquei detalhadamente assim uma coisa que óbvia né aí porque ele ficou tão constrangido nunca mais ele me perguntou mas era era horrível toda vez ele me perg uma vez ele falou assim no meu tempo era era tudo definido mulher usava cabelo comprido e homem usava cabelo curto agora virou essa bagunça eu falei assim como era chato no seu tempo né era muito sem graça a vida devia ser muito chata né e enfim o racismo algorítmico o algoritmo eh a internet funciona a partir de dados que são coletados da experiência humana se se os seres humanos são racistas a internet vai reproduzir a inteligência artificial também viu Eh porque ela vai se apropriar daquilo que os seres humanos produzem Então vai aparecer também o racismo na Inteligência Artificial eh aqui um quadro que vai falar um pouco da ideologia e eu gosto sempre de trazer Porque se vocês olharem vocês vão ver lá a ideia lá atrás a política do branqueamento né a ideia de que eh a raça negra era um problema pro Brasil a gente tinha que branquear a população para melhorar o nosso povo e porque nós éramos um povo viral lata né com essa mistura de raças e depois vai surgir lá o Gilberto o Gilberto Freire O próprio Jorge Amado na sua literatura eles vão colocar uma visão diferente né dizendo que a a nossa essa isso era uma riqueza era uma vantagem Nossa e não um problema né mas aí eles criaram uma outra um outro problema também que é o mito da democracia racial que também não é algo legal né que é a ideia de que as Relações raciais eram harmoniosas no Brasil a gente sabe que não é verdade mas enfim lá atrás a visão era essa né uma senhora Negra retinta uma filha que já não é tão retinta uma criança branca no colo porque fruto de um relacionamento interracial se vocês olharem vocês vão ver que no do lado esquerdo é terra do lado direito já tem pedras né no chão então é é como se fosse um progresso né da senhora retinta até o homem branco do lado direito né que o Brasil isso é um projeto no Brasil né se estimulou a imigração de europeus pro Brasil com políticas para receber esses europeus onde morar como se estabelecer onde trabalhar o que não foi feito com aqueles que tinham saído das szalas que muitas vezes continuaram fazendo exatamente o mesmo trabalho que faziam no dia 13 no dia 12 de maio continuaram a fazer no dia 14 de Maio né E então isso foi um projeto né E esse quadro ele ele representa isso muito bem eu sempre trago mas para passar uma mensagem positiva também eu acho que é legal eh trazer essa imagem porque ela mostra o quanto a gente evoluiu né porque eu na minha infância eu ia numa mercearia para comprar um chocolate que tinha um garoto negro simulando que tava fumando e isso era uma coisa totalmente natural né hoje em dia quando a gente olha para isso nos causa um asco tão grande uma repulsa tão grande né Isso também significa que a gente mudou então a luta ela não é em Glória né a luta nos fez avançar né não tá resolvido nada ainda temos muito por por avançar mas eu acho que a gente já tá bem melhor do que isso aí né isso daí já não é mais naturalizado no Mundo no Brasil que a gente vive hoje em dia tá por isso que eu gosto de trazer isso agora esse chocolate agora ele é uma caixinha de lápis né mudou completamente a a perspectiva uma citação da Bell hooks a experiência de aprender quando as nossas experiências são consideradas centrais e significativas e sobre como Isso mudou com a dessegregação quando as crianças negras foram obrigadas a frequentar escolas onde elas eram vistas como objetos e não como sujeitos tá uma uma questão paraa Nossa reflexão Bell hooks que vai usar como inspiração o Paulo Freire ela vai dizer que muito do que ela formulou ela vai se inspirar nas ideias do Paulo Freire assim como a Angela Davis veio aqui foram perguntar para ela que que você indica pra gente ler e ela falou assim lei uma lélia Gonzales né então a gente tem uma produção Nacional aqui que precisa ser valorizada né os às vezes os gringos valorizam mais do que a gente né o Paulo Freire a a Bel hooks é uma pessoa na crista da onda nos Estados Unidos leitora do Paulo Freire e aqui a gente fica satanizado o o Paulo Freire no Brasil né um amaldiçoado né uma um sujeito que causa eh um monte de de reações adversas no Brasil um negócio maluco né Eh aí uma palavra que também tá na moda a questão da decolonialidade eh a colonialidade está relacionada à estrutura de poder que se mantém em funcionamento mesmo com o fim da colonização formal né e e importante discutir a decolonialidade mas a gente precisa saber também o que que isso significa porque todo mundo gosta de falar da pedagogia decolonial Será que a gente tá sabendo efetivamente o que isso significa né quando a gente vai falar da cosmovisão grega a gente vai olhar lá pra mitologia grega quando a gente vai falar da cosmovisão Romana a gente vai falar da perspectiva eh da mitologia romana né a gente tá prepar para falar da mitologia africana nas escolas e no que nos compete considerando que quem veio para cá principalmente foram os bantos e os nags e os jejes né E falar da cosmovisão africana é falar da mitologia das da religiosidade de matriz africana né Nós estamos preparados para tratar disso em sala de aula não para doutrinar nem para converter Ninguém ao candomblé a umbanda né mas mas para mostrar a visão de mundo que era a perspec a cosmovisão africana né É estamos preparado para isso no dia seguinte vai aparecer uma mãe lá para dizer olha não é para ensinar macumba eu minha filha fez capoeira num num numa creche que era mantida com recursos públicos Mas e a a era uma entidade religiosa uma entidade religiosa que e cara eles proibiram de bater o o atabaque ela fazia capoeira sem atabaque toda reunião era uma briga porque tiraram o atabak da prática de de capoeira né e o que mostra também a força do do atabak né que é Esse instrumento de comunicação que fala com a gente que nos nos mobiliza né às vezes eles percebem mais do que nós a força Desses desse desses instrumentos né E então quando a gente fala quando a gente fala da colonização a gente tá falando basicamente o qu de um projeto que Quem tocou né inicialmente foram os Jesuítas né é uma perspectiva religiosa também se a gente quer trabalhar o decolonial a gente precisa equilibrar as coisas como é que a gente faz né O Henrique do céu vai dizer ó a única categoria com a devida honra de ser reconhecida como outro da Europa ou ocidente foi o Oriente não os índios na América tão pouco os negros da África estes eram simplesmente primitivos sob essa condição das relações entre europeu e não europeu raça é sem dúvida categoria básica o homo sapiens surgiu aparece no continente africano hoje isso é comprovado né E aí dali vai se espalhar pelo mundo todo mundo aqui é descendente de africano em alguma medida em cada lugar do mundo se ser humano vai tomar uma aparência física de acordo que isso tem a ver com o clima basicamente né o a textura do cabelo formato do olho formato do nariz né se tem umidade se é frio se é quente Então um esquimó vai ter um aparência diferente de uma de um etíope né basicamente quem precisa ter melanina na pele quem vai tá em contato com o sol né por isso que muitas vezes um alemão dinamarquês vem no Brasil e tem mais mais resistência que a gente ao frio e a gente tem mais resistência que eles ao calor porque o nosso organismo se preparou para isso né Então as diferenças que existem entre nós são diferenças de adaptação aos lugares onde a gente viveu agora eh essa ideia de raça foi construída historicamente politicamente né então não basta agora se foi usado para nos perseguir para escravizar para violentar agora que a gente quer usar essa concepção para tentar corrigir os problemas gerados aí não dá para dizer agora não não vamos falar mais em raça né quando a gente estava debatendo cotas não vamos mais falar em raça vocês estão racializado a sociedade não quem racializar atrás né Nós estamos trabalhando com uma perspectiva que foi criada pelo racista para corrigir o o o problema né então o do céu foi um dos principal teórico talvez aí da da do debate decolonial né Então temos muito em comum com o continente Africano durante muito tempo foi mais fácil sair de São Paulo do Rio de Janeiro para ir para Angola do que entrar para dentro do do interior do do Brasil com mata fechada com animais e e doenças e eh povos indígenas que às vezes eram hosti né E então a gente tem muita troca hoje em dia dia eh a gente sabe que tem nós temos muito em comum tem um documentário que chama Atlântico negro na rota dos orixás é muito legal eh eles fazem eles fazem uma viagem à África para ver conversar com o pai de santo lá na África colocam dois pais de Santo um africano e um brasileiro para conversar eles se emocionam E aí eles descobrem lá no continente africano uma igreja do Nosso Senhor Do Bom Fim Como assim tem uma igreja do Nosso Senhor Do Bom Fim aqui na África a gente veio aqui para pesquisar a religião de matriz africana Encontramos uma igreja do Nosso Senhor Do Bom Fim aí eles descobriram que um grupo de eh africanos que eh depois que foram libertos no no Brasil Eles resolveram voltar pro continente Africano Mas eles já tinham se convertido ao catolicismo então eles decidem construir uma igreja lá agora tem cultos eh de matriz africana que foram extintos no no continente africano e que foram preservados No Brasil existem no Brasil né então é essa riqueza que a gente precisa olhar para ela e tentar entender o que aconteceu eu acho incrível que um terreiro de candomblé tire Uma cantiga hoje em dialeto africano sem ter um dicionário na mão sem ter uma Bíblia escrita orientando isso através da oralidade é uma resistência muito potente né uma coisa muito muito é como você pensar no no culto grego azeus eh Apolo eh sendo feito na atualidade né porque é o que a gente vê quando a gente vai num terreiro não tô agora assim como o professor de filosofia quando ele ensina e cita Zeus e Apolo épo ele não tá querendo converter a os alunos a religião grega né ele tá problematizando uma cosmovisão na numa uma perspectiva filosófica então é a mesma coisa que a gente precisa fazer no Brasil em relação à religiosidade de matriz africana mas é Um Desafio porque gera controvérsia né enfim são os desafios que a gente tem que enfrentar eh por fim para falar um pouco dessa epistemologia do que que é essa perspectiva que o movimento negro vai formular né uma coisa que que é interessante a gente observar eh euo aqui como afrocentrado em alguns lugares vai aparecer como afrocentricidade Mas é a mesma coisa se vocês digitarem no Google afrocentrado vai aparecer um monte de relacionamento entre pessoas negras porque é uma apropriação popular do termo né mas esse é um conceito científico acadêmico eh do mlef k assant onde ele vai dizer o povo e a cultura africanos no centro da sua produção uma material e simbólica né Eh o shik an diop vai dizer que eh a a a humanidade o homo sapiens aparece no continente africano e muito daquilo que é a nossa Matriz civilizacional surge no continente africano e ele não consegue nem publicar a pesquisa que ele fez isso há 70 anos atrás hoje em dia o o Arari que escreveu homo homo sapiens homo isso uma breve história da humanidade é um bestseller né ele vai dizer a mesma coisa que o shak an diop disse há 70 anos atrás mas ele não foi levado a sério precisou um branco de Israel dizer para as pessoas darem importância Mas é a mesma coisa que o diop já tinha dito lá atrás né e enfim tem uma uma coleção história da África que foi publicado foi feita uma tradução no Brasil é um grande instrumento que a gente tem que se apropriar dele que tem vários textos vários estudos do do Sheik Ant diop e enfim pensar o que seria essa afrocentrada né nossa educação é uma educação eurocêntrica muito pautada nos valores numa perspectiva europeia né nó o o europeu como esse sujeito Universal o negro é o outro os povos indígenas são os outros né E o Europeu é esse sujeito Universal E então trabalhar numa perspectiva eh afrocentrada na verdade é mudar um pouco essa perspectiva não para inverter a relação e dizer que o o negro é que é o sujeito Universal e o branco é que é o outro né Não mas para equilibrar o jogo e dizer olha a Nós temos muitas civilizações eh Cada uma com a sua contribuição Vamos estudar todas entender todas e porque cada uma tem o seu valor agora a gente precisa dar uma importância maior para para aqueles que forjaram o povo brasileiro né povos indígenas eh povos afrodescendentes e e os europeus por não né mas a gente precisa olhar eh com mais carinho para esses grupos aí porque eles forjaram o povo brasileiro então a gente precisa se entender entender de onde viemos né E até para forjar uma identidade nacional porque nós tem povos milenares né E aqui depois da da invasão portuguesa a gente tem praticamente um pouco mais de cinco séculos de história dos quais quase quatro foram vividos num regime escravocrata né então a gente tá engatinhando ainda na na Liberdade e esse é um processo que a gente precisa debater e e e refletir então ah já falei demais né Guida você nem me interrompeu Mas é isso queria concluir eu acho que fico muito feliz de queria agradecer a Guida por ter me convidado Fico muito feliz de est aqui esse tema me apaixona eu me debruço sobre isso desde a minha adolescência eu fui estudar isso na academia mas antes da academia eu já li sobre isso já me interessava sobre isso porque eu queria eu queria escrever letras de rap sobre isso né Elizandra a Elisandra também cantava rap ela não nem nem todo mundo sabe né mas a Elisandra também cantava rap eu conheci ela não como professora conheci ela como Mc E então a gente queria botar isso nas nossas letras de rap e mas depois quando tive oportunidade de estudar eu fui estudar esse tema também é um tema tema que me apaixona eu fico muito feliz de ter sido convidado agradeço vocês pela atenção de vocês aqui vou abr Obrigada Adriano eh Vou passar uns recadinhos aqui mas a gente pensa em Abrir tá porque eu a gente não consegue fazer nenhuma discussão sem abrir sem ter essa como que vocês estão vendo enfim como que vocês estão interagindo aqui com o debate eh aqui me parece que só tem um banheiro aqui funcionando é isso Mariana é só tem um banheiro aqui funcionando caso enfim não não dê para utilizar É só vocês entrarem aqui que tem outro banheiro aqui tá tem banheiro aqui de de mulheres e banheiro para para homens Eh aí a gente tá a gente tá passando uma lista de presente quem não assinou por favor assine tá e a gente vai enviar depois o certificado Qualquer coisa se não chegar o certificado para vocês por favor vocês me falem quem a gente tá assinando a lista justamente para ver quem ficou o dia inteiro porque várias pessoas falaram para mim que poderiam ficar só uma parte e pra gente poder garantir que todo mundo que participou o tempo inteiro tenha à 8 às 8 horas de participação tá bom bom antes de finalizar depois quando a gente passar aqui a a segunda parte aqui da fala pro expositor a gente fala um pouco sobre o entorno quem for quem for ficar por aqui para almoçar a gente dá algumas indicações aqui bom então eu gostaria de falar com vocês quem tiver quem quiser fazer alguma questão quem quiser fazer alguma pergunta a gente vai pedir pra Cecília a Cecília tá aqui com o microfone é só levantar a mão que ela vai até vocês se vocês quiserem fazer alguma questão lá atrás você não ela vai até você pode eu eu ia falar para vir aqui mas é que seria bom vir aqui porque pegaria a câmera né ou não pega aqui também então tá pode falar daí mesmo porque é bom porque essa essa primeira parte do seminário ele tá sendo só gravado tá à tarde a gente vai transmitir direto mas a gente não vai compartilhar o link que a gente quer que o pessoal venha Vai lá bom dia fale o nome por favor tá dando para ouvir bem sim sim eh Bom dia a todas todos todes né Eh é um prazer poder estar aqui nessa manhã né depois de uma semana intensa né de duplo triplo trabalho e eu gostaria de Primeiramente parabenizar né essa comissão de educação e esporte pela iniciativa de um seminário tão importante né para quem é professor professora trabalha nas gestões da da das escolas pais mães né Eh estudantes também porque a cada dia a gente vê o quanto é necessário a gente abrir essa pauta né do antirracismo porque não nos dão paz não nos dão sossego um dia de nossas vidas né Eh parabenizo o Adriano né por essa excelente explanação dessa lei que para nós é imprescindível né tanto pro nosso dia a dia em sala de aula Quanto paraa nossa qualificação mesmo né pessoal profissional é necessário eh Adriano com tudo isso que você coloca aqui eu fico pensando né fiquei pensando aqui o tempo todo nós somos né Nós que nos propomos a pesquisar a estudar a nos qualificar diante dessa temática tão necessária eh Ainda temos no nosso dia a dia de trabalho e daí eu vou me eh me colocar aqui na posição de professora trabalho nas redes municipais de Indaiatuba completo 21 anos em abril nessa rede e aqui em Campinas esse mês de março eu completo 15 anos como professora adjunto um né um cargo tão sofrido e eu tô vendo colegas aqui né de luta e de parceria aí nesses trabalhos eh tão eh um cargo tão massacrado E é assim que eu defino esse cargo né Eh acolhi com muito com com muito carinho eh eh essa obrigatoriedade que a Prefeitura Municipal de Campinas trouxe esse ano de 2004 paraa educação agora eles reforçam ao obrigatoriedade dessa lei nas escolas como bem falou o Adriano não é uma questão que a gente trata lá no mês de novembro né Eu tenho um projeto que eu tô desenvolvendo com uma turma do 5to ano em Indaiatuba que eu denominei Educação antirracista do começo ao fim do ano esse projeto eu vou inscrever no CRT no nono prêmio educador né do CRT eh se for premiada vai ser uma alegria se não for tô lá mostrando um dos trabalhos que a gente tem como assim Eh necessário pro nosso dia a dia mas falando um pouco mais de Campinas dentro aí dessa obrigatoriedade que nos foi trazido para desenvolver para trabalhar nesse ano eles apresentam vários dados né eh vários percentuais e mostrando ali pra gente qual é o grupo étnico que tá mais eh defasado na educação né no desenvolvimento ali da aprendizagem então é muito importante a gente refletir sobre isso né ou a gente vai trabalhar com aquele preceito colonizador de que a população negra eh é inferior intelectualmente né mas nas práticas diária do dia a dia a gente é capaz de entender também porque que essas crianças estão lá na rabeira do conhecimento né Elas são discriminadas sim por professores por profissionais da educação dentro da escola a gente não pode dizer ah lá na minha escola tá acontecendo a temática tá acontecendo de qual que é jeito em muitos lugares né então esses momentos é momentos pra gente sim refletir se autoavaliar e pensar né Eu só tô batendo meta ou tô de fato trabalhando paraa transformação da sociedade né porque eu tenho para mim e cada vez mais isso fica forte para mim que a meta não é só a garantir lá os conteúdos de língua portuguesa matemática para chegar lá eh dentro dos processos de avaliações internas externas que acontecem né E isso eu não falo só das redes eu falo do sistema educacional que a gente tem nesse país ou eu quero uma meta de transformação para qualificar pesso crianças negras e não negras e mostar para Essa sociedade que a gente pode caminhar para um futuro melhor né E diante disso eu gostaria de fazer uma pergunta pro Adriano talvez não seja eh não tenha uma resposta pronta mas assim pra gente refletir mesmo né você sendo um pesquisador doutorando da Faculdade de Educação eh recentemente aí defendeu a sua ação né com trazendo aí pra gente todo um estudo uma pesquisa da Lei 10639 e vendo né que ainda nós precisamos caminhar bastante com isso diante de tudo isso a pergunta que eu faço é assim como a gente poderia de fato pensar uma educação antiracista porque a ouve assim racista Eu não sou mas a gente não quer o não racista a gente quer o antiracista e o antirracismo ele não precisa só das pessoas negras né Nós precisamos da das pessoas não negras também né E como que de fato junto com os nossos pares seja professores qualquer profissional que esteja dentro da escola no chão da escola porque não é só qualificar Professor nós precisamos qualificar Quem tá lá preparando a comida das nossas crianças nós temos que qualificar quem tá cuidando da da limpeza do ambiente da nossa escola Quem tá lá na porta né os vigias que nós temos Quem tá lá na porta das das nossas escolas eu fui extremamente hostilizada no o retorno das aulas desse ano por uma cuidadora que a partir de uma fala depois da gente ter visto o vídeo do Luciano eh eu fiz uma fala dizendo assim eu fico muito contente por a nossa escola cada vez mais tá se movimentando e se debruçando em cima dessas temáticas o ano de 2023 nós recebemos no primeiro al no primeiro ano um aluno negro que é de uma religião de matriz africana em 2018 no 5to ano eu dei aula pro irmão desse aluno um menino de 5to ano pertencente a uma religião ao cando blé e ele ele se escondia o anos depois o irmão dele de 6 anos chega na escola e o tempo todo falando eu sou o hered da floresta eu sou e ele foi falando várias coisas daí eu chamo o professor dele e falou assim Esse menino tá emponderado né E a gente não pode ignorar aí a cuidadora Fica incomodada e cuidadora vocês sabem que estão dentro da sala de aula eu sou o professor adjunto que circulo nas salas que tem na escola e eu elogiando e achando muito legal essa criança não se esconder eu sou hostilizada por ela que faz uma fala dizendo o seguinte você fica ensinando essas religiões para eh paraas crianças eu não sou de nenhuma religião eu tenho as minhas crenças sim e dentro da sala de aula eu trabalho a cultura a a história dos povos africanos dos povos indígenas tô no início mas também não deixo de pautar E aí eu fiquei e até né pedi pra escola ela não pode sair daqui porque normalmente o que fazem Empurra a sujeira por debaixo do tapete muda de lugar a pessoa e lá ela vai continuar reproduzindo essas teiras nós temos que formar né então eu tô no aguardo de uma formação com todos da escola onde as cuidadoras também estejam participando né a gente tá em defasagem com essas profissionais na nossa rede sabemos que é empresa terceirizada né Eu não sei como funciona porque em alguns momentos quando não tem aula elas tão informação não sei com o tipo de Formação que tem mas é uma das coisas que precisa acontecer né então Adriano o que que nós podemos fazer além disso né cobrar né Eh nós eh eh eh como eu cobrei nós não podemos transferir ela de local a gente tem que qualificar Então como que nós podemos trabalhar essas formações eh na nossa rede aqui de campinas né porque o tempo todo a gente é atacado e Atacado de forma eh desqualificada né Obrigada alandra quem mais por favor Andreia de stef eh Bom dia Bom dia eh meu nome é Andreia Eu Sou professora PEB 3 de educação física e e a minha escola atual é o caí Professor mfe Professor Zeferino Vaz lá na Vila União eh eu quero começar saudando E agradecendo não só a comissão presidida pela Guida mas o mandato da Guida que tá eh muito empenhado nesse trabalho de aproximação eh das lutas que a gente tem que necessariamente encarar na condição de trabalhadoras trabalhadores eh aqui a gente sabe como é complicado ser trabalhador da educação e trabalhador da Educação Municipal também não é menos menos difícil do que trabalhar fora né Eh então eu eu acho que assim momentos como esse aqui são fundamentais a gente precisa se apropriar desse espaço tá aqui colocar a nossa voz eh aproveitando que o Mandato abre esse espaço pra gente a gente tem mais aqui ocupar mesmo e teve uma parte da fala do Adriano falando sobre a Lei destacando as contribuições eh da cultura do povo negro paraa formação do nosso país né da nossa ideia de nação eh e eu gostaria de colocar aqui uma das maiores contribuições que o povo negro nos deu que foi a organização e a resistência em torno do Quilombo dos Palmares eu tenho eh 51 anos e eu esperei 50 anos para tomar ciência desse tipo de análise ou de pensação sobre o quilombo foi a maior luta de resistência de explorados contra exploradores e sistematicamente isso vem sendo apagado a gente ouvi falar do Quilombo como um lugar bonito você vai lá na serra visita conhece se sensibiliza chora mas eu acho que esse lado de luta de resistência de explorados contra exploradores precisa ser colocado na pauta diariamente porque nos diz respeito né como que como que a gente que é explorado Oprimido a gente é tratado normalmente inclusive às vezes nos Marcos da da prefeitura E então eu gostaria de de destacar a existência do Quilombo como esse movimento tirar desse apagamento Porque como professor a gente percebe esse apagamento no nosso cotidiano Inclusive a minha escola é uma escola de educação integral uma emfi uma Escola Municipal de Ensino Fundamental e educação integral nesse momento nós temos sete na rede eh na jornada Nossa a gente tem um tempo de formação continuada que é dentro da nossa jornada eh a gente pode dizer que a educação integral eh cumpre entre aspas a lei do piso né que a gente tem 1/3 do da nossa jornada fora da sala para se ocupar de outros tempos que não eh a relação di área pedagógica cotidiana com a criança com o estudante e essa é uma luta nossa para que isso se Estenda pra rede toda né que não fique eh como uma uma coisa que nos separa que passe a ser uma coisa que nos junta né porque às vezes olha paraa educação integral e fala ah os privilegiados não é a questão de Privilégio é uma questão de luta para eh todo mundo a rede toda poder usufruir dessa eh questão que é uma questão legal assim como a lei cuja eh sobre o conteúdo o Adriano veio falar a gente tem a lei do piso que também tá sendo silenciada né então é importante que isso eh aconteça na educação integral mas como um modo da gente estender isso pra rede toda lá na escola eh a gente percebeu esse silenciamento sobre o racismo que nos assola eh diariamente a partir do silenciamento dos professores e das professoras porque diante das ocorrências dos acontecimentos a pessoa prefere silenciar porque não sabe como lidar né a eu não sei como falar eu não sei nem se eu posso usar esse termo eu não sei se eu devo punir eu não sei se eu devo educar eu eh ano passado por conta dessa percepção a escola se organizou e a nossa formação na jornada teve o tema da eh do pensamento negro radical relacionado com a educação então a gente passou um ano eh se debruçando e a partir dos dos clássicos das autoras e dos autores produzindo alguns protocolos pra escola eh saber como trabalhar pro professor pra professora saber como lidar Porque de fato era isso a gente tinha a os fatos as coisas aconteciam às vezes com criança bem pequena né bem pequena e a pessoa prefere fazer de conta que não viu ai ah porque não sei o que eu tenho que fazer então esse espaço da formação foi eh utilizado pensando nessa possibilidade a gente a gente enfrentou algumas dificuldades do ponto de vista da gestão porque esse espaço acabou se transformando num espaço de organização dos professores e das professoras Mas a gente não desiste fácil assim né a gente vai continuar eh brigando por isso então Eh no sentido até da fala da Elizandra eu acho que essa necessidade da gente se debruçar conhecer estudar estar aqui hoje num sábado eh se dedicando a se apropriar do que vem sendo produzido que vem acontecendo é fundamental pra nossa prática cotidiana na escola e fora da escola porque sim a gente eh enfrenta todo tipo de de perseguição perseguição a professora por causa da religião de Matriz eh africana perseguição a alunos e alunas eh negros negras isolamento eh casos de depressão por não não conseguir o adolescente não consegue reagir a esses processos de opressão que eles vivem na escola eh nesse sentido também queria destacar a presença da da Isa que é psicóloga do ecar o ecar é um projeto que tem acompanhado as escolas importantíssimo também tem uma luta para se fazer valer dentro do nosso espaço de educação e eu não tenho eh uma questão é mais uma reflexão o que aconteceu na escola foi que Em alguns momentos a gente esbarrava na discussão entre somos formadores ou vamos punir né foi eh ficou tenso às vezes né como é que a gente lida eh São casos previstos em lei então a gente pune o aluno a gente pune a família não eu acho que a perspectiva é de Formação Tá mas tem uma hora que passa o limite da formação né A questão aí já eh tá em outros em outros Ares então Eh se o Adriano o pessoal pudesse ajudar a refletir sobre eh formação e punição nesses nesses casos eu acho que pode ajudar a voltar pra escola com algumas luzes sobre esse pensamento obrigada obrigada Andreia Tem mais alguém tem a é bem rapidinho eu se apresenta fala o nome pra gente eu sou Eneida sou CP da Coordenadoria setorial de Formação sou funcionário da prefeitura eh eu queria perguntar é o seguinte eh diante da do que as nossas colegas acabaram de de de manifestar e diante de uma coisa que você falou sobre o racismo ser estrutural como que a gente pode agir ou propor ações que sejam impessoais que não seja assim punir o fulaninho punir aquela pessoa que fez aquilo mas criar uma condição de que aquela ação não aconteça dentro da escola né eu penso nisso Porque se o porque não é a pessoa é a estrutura que que que propõe e e e permite que se que essas ações aconteçam Então temos todos essa tem todo um contexto que que em que essa essa essas ações são cabíveis são consideradas normais como que a gente faz para que essas ações eh apareçam como uma coisa que não que é que não deve ser não deve acontecer a gente deve fazer um monte de lei e resoluções de como como Cada um deve agir dentro da escola como que a gente deve fazer fico pensando nisso Obrigada mais alguém aqui aqui embaixo tem não acho que lá também tem várias né acho que a gente vai precisar tem como ter outro microfone aí a Mariana vai ajudando a levar tem porque aí fica a cicília não precisa ficar correndo de todo é Acho que pode ser esse ô Mari depois você pega aqui ó Mariana depois você pega aqui ó aí você leva acho que tem uma se quiser vir aqui gente também para falar pode falar J eh Bom dia meu nome é Jane e eu sou assistente social de formação eh tive a experiência de estar no Conselho Tutelar do município de Campinas atuando na região Sudoeste eh fui da comissão de educação né do Conselho Tutelar e algumas questões assim eh nos provocam bastante eh ouvindo aqui vocês e também da experiência né nesse último ano né de 2023 eh havia um índice muito grande de evasão escolar nas demandas que chegavam né das famílias que atendíamos né na região Sudoeste eh uma das questões muito importantes né Muito relevantes que chegavam pra gente dentro dessa questão da evasão é o bullying e a questão do do ismo estrutural né então assim é é é é muito profundo né tudo isso que tá sendo trazido aqui e em paralelo a isso eu trago a vocês uma questão que também né nos incomodava e Continuará nos incomodando E será um grande desafio para todos nós que é a questão da primeira Conquista primeira etapa de conquista de você conseguir que seja promulgada uma lei né como eh tá sendo citada aqui né a a lei desculpa 10.639 né é isso isso is eh como também o eca né o Estatuto da Criança e do Adolescente né que eh esse ano completará 33 anos da sua promulgação né então Eh eu coloco aqui como a uma grande conquista a promulgação dessas leis e um grande contínuo no desafio que é a aplicação dessas leis né então a gente a gente tem esse desafio diário né Eh sei que hoje a a gente tem aí a possibilidade a perspectiva de ter assistentes sociais nas escolas eh espero que realmente isso aconteça porque é muito importante as demandas que foram apresentadas eh na prática à sociedade e digo também aos cons elos tutelares né então Eh o que eu coloco aqui né para pra mesa não sei se se isso já está sendo feito né mas eh eu penso que seria muito importante que houvesse um Observatório da da educação antiracista né porque senão a gente vai enfrentar os mesmos problemas de Desculpe se já existi vocês me digam né porque eu desconheço mas para que a gente saiba o que na prática tá sendo realizado né porque a gente precisa sim de de reflexões Onde Haja o que foi colocado aqui da da sobre o que é punição e o que é formação e o quanto que isso na prática realmente acontece né sobre a questão do do do do racismo estrutural onde a gente vê eh preto oprimindo preto né e isso é uma situação extremamente complexa inclusive né onde a gente vê eh pessoas né que que T um as suas convicções religiosas mas que não respeitam as outras convicções religiosas né então eu acho que a gente tem que pensar em tudo isso e aproximar né Eh tanto a população quanto a a a equipe né das escolas quanto também eh eu digo assim a assistência educação saúde né Eh porque realmente o isso acontece em todas as instâncias tá E aí uma vez que está já fazendo parte Assim espero do currículum escolar né O que está sendo sendo realizado de que forma está sendo realizado porque as crianças que eu atendi elas sofreram nas escolas elas levaram isso para casa tiveram depressões Profundas algumas de não conseguir sair do quarto porque não se aceitavam porque não aceitavam o próprio cabelo porque não aceitavam a cor da pele porque a os amigos eh chamavam essas pessoas de forma desrespeitosa e muitas vezes quando escrevi paraas escolas O que vocês fizeram com isso Qual o trabalho pedagógico que foi realizado isso né nas escolas eh tive algumas respostas interessantes mas outras muito evasivas então é é isso que eu coloco aqui obrigada já até me S demais Obrigada Jane por favor eu vou eu gostaria da gente se a gente puder ser um pouco mais eh rápido nas nas questões porque eu queria que o Adriano respondesse porque tem muita coisa aqui importante para responder pode falar se apresenta por favor tá bom dia a todas Tá sim Bom dia a todas e eu sou Viviane trabalho na rede Municipal de Ortolândia também sou professora Educadora e a minha fala eh na verdade é uma pergunta eh pro Adriano pra Guida Calisto né Não sei se eh existe condição de responder agora mas também pode ser levado para reflexão eh eu queria saber se existe algum mapeamento por exemplo na cidade eh na na educação sobre as as ações né o trabalho que se tem feito eh a partir da lei 10639 né porque a gente sabe que tem a lei a gente sabe que ela é uma lei que precisa ser cumprida eh entretanto quando a gente vai eh adentrar os espaços né de educação as escolas parece que a gente se vê num campo minado né então por exemplo eu sou professora eh tenho a a minha reflexão sobre antirracismo né me reconheço como mulher negra vou faço meu trabalho na escola entretanto Parece que fica muito subjetivo a a ao que eu sou né E aí você vê os colegas né no na mesma escola que não não não vê essa necessidade ou não vê essa importância porque de repente eh não não se vê Obrigado né mesmo com a lei né Às vezes você vê que tem uma escola pontual que faz muita coisa outra escola não faz nada eh e aí eh você vê que é muito ah a a diretora né a gestora Ela veste a camisa ela dessa pauta né então assim queria saber se existe algum algum algum mapeamento que tá sendo feito né para eh para talvez garantir né que que esse trabalho ele exista sem que seja eh porque fica essa linha tendo né ah é obrigatório mas parece que estão fazendo um favor Ah aquela pessoa aquela professora ela faz um trabalho né Mas e aí eh eu sou mãe né Tenho um filho de 6 anos que recentemente entrou no no no primeiro ano do Ensino Fundamental e eu fiquei muito preocupada em em Procurar escola que acolhesse meu filho negro né E H acabei encontrando uma escola que parece que foi assim achada a dedo mas em três dias de aula a professora o chamou de Zé ela né então assim quando eu fui questionar Marquei uma reunião ela falou que era uma brincadeira né Eu falei assim você você acha que isso é uma brincadeira né você acha que é que tudo bem fazer essa brincadeira uma criança de se anos que tá há três dias frequentando uma escola no município que que que ela não tava não vinha frequentando não né assim zé ruela é um Zé ninguém né e então assim e é ver de forma muito normal uma uma questão muito pesada né então esse mapeamento que talvez evitaria né essa essa essa coisa da punição né não não deveria ser punido se se fosse cumprido né Então queria saber se tem esse trabalho de mapeamento obrigada muito boa fala Adriana obrigada quem que a próxima você pega o microfone lá depois para distribuir pode falar se apresenta Oi boa tarde meu nome é Betânia eu sou adjunta de história atualmente eu tô no Osiel eh e eu queria acho que eh acho que eu consigo formular como uma pergunta mas enfim como a gente tá aqui falando em racismo estrutural estrutural mas essa estrutura tem gente não é uma estrutura racista que caiu do céu foram pessoas brancas que criaram essa estrutura racista então a como a gente pensa a a isio apontar o dedo na cara pessoas mas como a gente acho que é no sentido que o debate tá indo como a gente responsabiliza formando porque eu tenho muito medo que a gente caia nessa ideia de racismo estrutural e aí vira o que o o IBGE aponta né Brasil tem vários casos de racismo mas não tem racistas né acho que é interessante a gente botar olhar pra nossa pro que a gente faz muitas às vezes e pensar pera aí né quem que quem que tá sendo racista nessa grande estrutura que ela não é um negócio Divino ela foi criado por seres humanos eh e é sustentada exato acho que é perguntar um pouco isso também do do no sentido do debate como a gente eh eh responsabiliza e educa ao mesmo tempo mas para que porque é algo que às vezes eu penso é é eu vou finalizar mesmo eu tô Noel o professor Wilson vai falar a gente tem vários projetos pensando educação antirracista ou educação Negra Africana e no limite se existe algum professor racista dentro da escola é lei se a gente vai mudar o pensamento dele não sei mas é lei e ele tem que cumprir às vezes não vai o projeto pode não ficar tão maravilhoso com aquele professor pode ser mas é a lei ele vai ter que cumprir e é isso honestamente nem sempre eu penso que a parte mais importante é mudar a forma de pensar pensar de pessoas brancas ou racistas lá dentro da cabeça dela ela pode ser racista mas existe forma de abrir um processo de fazer um BO de botar uma de de com a lei 10.000 ou uma série de outras coisas que eu acho que é interessante a gente pensar Quais são as possibilidades que esses outros espaços e eh trazem e E aí você falou bastante das experiências norte-americanas e acho que foi a Janete que me disse isso esses dias Ah que a diferença é que nos Estados Unidos as pessoas têm muita Não tô dizendo que lá é melhor ou pior que aqui não é isso mas que as pessoas negras têm noção de que na verdade ela não quer ser necessariamente amiga das pessoas brancas ela quer poder dividir espaços de poder ah poder dividir outras eh eh espaços de poder nesse sentido de decisão etc e eu acho que é isso tem que ser Equidade não necessariamente conquistar uma convivência amigável acho que tem que ser na base de de cois oportunidades igais para todo mundo é mais ou menos isso obrigada quem é o próximo aqui bom dia bom dia o meu nome é josen eu sou de Indaiatuba Eu Sou professora aposentada mas eu faço parte do compir que é o conselho de promoção de igualdade racial e também da coni comunidade Negra Daiatuba e do da comissão de relação para educação étnico-racial no município e é a minha questão eh vai acho que na direção do que o pessoal tá discutindo né Nós vemos muitas ações voltada para os professores né E mesmo assim quando nós chegamos em algumas escolas a gente ainda tem aqueles professores que aderem seja negro ou não negro Mas adere a questão então do antirracismo e da Lei e faz um trabalho interessante e São às vezes perseguidos pelos gestores então eu gostaria de saber se já está sendo pensado eh ações mais efetivas para os gestores porque eles precisam trabalhar com a questão da obrigatoriedade da legislação inclusive para formação compra de material né li que a gente discute muito porque por mais que a gente discute Fale a maioria dos né quando você pergunta é Menina bonita Laço de Fita e a gente já tem combatido muito mas ainda é muito presente e Mas quem faz a compra desse material muitas vezes são gestores né e a atuação do do Coordenador pedagógico que tem que encaminhar as formações então a gente vê muita ação antirracista chamando os professores Mas eu ainda não vejo formação convocando os gestores e os coordenadores que precisam cuidar essa pauta nas escolas para que eles assegurem os trabalhos dos professores que estão fazendo e encorajem os que não fazem a fazer até para dar conta de quando chega queixas de racismo né acontecido nas escolas muitos não tomam paraa frente tanto que se a gente for pedir um mapeamento em conselhos tutelares né do que é encaminhado de situação de racismo não tem porque não é é tratado como bullying então é uma questão que eu gostaria que a gente debatesse obgada Obrigada e parabéns pelo evento quem mais aqui que quer falar se apresenta por favor Bom dia a todas eu me chamo tue eu sou mãe de um bebê de 1 ano e 7 meses eu não eu fiz pedagogia por do anos tranquei por motivos de racismo dentro de uma igual falou que é é ONG né nave mãe mas por pessoas idas evangélicas tal e aí por conta da religião acabei saindo da escola sendo mandada embora não fui adiante sofri muito preconceito venho de uma família uma geração de militância já tô na terceira geração e tô aqui muito bom as suas palavras a Guida admiro muito o trabalho que ela vem fazendo e tô aqui para representar também a juventude faço parte da Diretoria da executiva do memorial casa de laudelina de Campos Melo a atelier de artes Integradas D aniss Quintino uro que infelizmente virou uma ancestral não está mais aqui conosco mas a gente vem seguindo esse trabalho então hoje eu tô aqui para representar as mais novas também eh tudo que vocês falaram e trazer pro Adriano essa questão do racismo estrutural principalmente na escola meu filho vai numa creche que eu ele foi o ano passado começou o ano passado e eu como mãe negra até as professoras principalmente 20 de novembro chegar você a mãe a negra do ga o que você poderia trazer para agregar Então é isso também a minha pergunta da forma do estrutural eu não sei se curso palestras para professores para gestores entendeu como nós eh pais e mães Eu sou uma mãe que eu sou muito cada minha mãe trabalhava não não podia tá minha avó sempre estava então eu quero fazer diferente quebrar esse ciclo e tentar fazer diferente pelo meu filho então eu queria saber isso o que a gente pode estar fazendo para não sofrer porque sofre gente e aí às vezes eu tenho a impressão por a gente ser mãe preta a gente tem que levar isso pros professores então falta um pouco de preparo entendeu o racismo estrutural existe Eu já sofri é cabelo reciclado é cabelo de de Bombril Eu já sofri em serviço de eu perder serviço porque eu não podia ir com o meu cabelo black trabalhar porque você chama atenção alisa seu cabelo incomoda né não mas eu saio então tudo bem Eu não aliso meu cabelo eu mudo cada 15 dias então eu tô saindo mas assim é muito difícil e mesmo a gente tendo uma base dentro de casa é difícil combater o racismo o preconceito existe então pego na parte estrutural porque é dentro de casa é nas escolas a os nossos mais no precisam estar muito bem preparado porque senão vai ser difícil e é eu a juventude os nossos mais novos para mudar isso e muito bom as palavras Guida continue assim é a luta não tô dizendo só professores negros Entendeu o meu filho por exemplo eu sou de religião africana o meu filho eu recebi um bilhete ah a gente percebe que ele gosta de instrumentos de percussão ele não gosta de instrument de percussor ele toca o atabaque entendeu então você vai numa escola não tem entendeu Não pode falar por que que ele vai com uma fitinha vermelha já chegaram pedi para tirar e é uma escola pública então eu eu pego muito nisso no estrutural e no Recreativo porque as crianças brincam e não é fácil e existe criança que se deprime que não sai de casa que deixa de lutar entendeu eu parei uma faculdade por causa do serviço vou voltar agora mas eu fiz então assim é muito difícil e eu tô aqui também para convidar todos se vocês quiserem conhecer o memorial casa de laudelina de Campos melos que somos de mulheres negras e reforçando que ela falou também dos livros eu sempre estive boneca Negra Minha mãe sempre deu chegar e falar não posso aceitar essa boneca Branca porque como eu vou falar que ela é minha filha né mas a gente sabe que muita gente não não faz negros assim por quê Por causa dos bloqueios por causa do preconceito tudo é bullying tudo não a gente precisa criar eu não tô falando só dos negros o branco também ele precisa ter essa conscientização que não é né fácil e é isso deixo minha palavra aqui obrigada obrigada Tuane muito bom a gente ter uma mãe aqui né com a gente nesse debate Obrigada viu quem mais acho que seria último pra gente poder aqui né na fala com Adriana e ISS Bom dia a todos eu sou jursa eu trabalho com cultura eh também fiz magistério me formei Professor mas não exerço a função Porque eu sei que é uma responsabilidade muito grande né de formação das crianças formações das pessoas pro futuro e eu não quis pegar essa responsabilidade porque entendo que tem que ser uma profissão com muita dedicação e tem bastante carinho a minha pergunta que vai pra mesa para Adriano colega Adriano ano para Guida em relação do que foi falado sobre a questão do racismo estrutural né De não deixar ele passar em branco e punir as pessoas que cometem esse ti tipo de racismo Mas além disso também eu queria entender como que a gente protege também as pessoas que denunciam o racismo né porque muitas vezes quando a pessoa Professor denuncia na sala de aula quando Professor denuncia pra escola a questão do racismo ele passa a ser perseguido dentro da própria escola e não só os professores também os alunos né existe vários casos de alunos que quando denuncia a questão do racismo eles acabam sendo sendo perseguido com Cyber Bully eles acabam sendo eh desqualificado eh como vítima da situação porque os próprios professores até própria direção da escola não aceita isso e não entende que precisa trabalhar dentro do seu colégio da estrutura escolar em relação ao racismo que acontece naquele momento Então eu queria entender como que a gente passa a proteger a vítima também né desse tipo de de agressão Porque além ser vítima do racismo ela acaba sendo vítima de perseguição dentro aí do ambiente escolar também e até fora desse ambiente escolar obrigada então vamos retornar aqui pra mesa eh eu primeiro gostaria de falar um pouco bem rapidamente até passar pro Adriano também contar um pouco o que foi o nosso trabalho com relação ao ao material que o nosso mandato organizou que foi o HQ territórios negros nossos passos vem de longe foi foi o material organizado não só pelo mandato mas foi o material que teve muita eh contribuição do movimento negro aqui da cidade de Campinas que pensou que enfim discutiu com a gente a elaboração daquele material e inicialmente a gente não tinha nenhuma pretensão de que ele fosse pra rede que com da forma como ele chegou né na rede Municipal a ideia mesmo era mapear e homenagear e trazer um pouco desses territórios aqui da cidade de Campinas e e acabou tendo essa dimensão que foi muitos educadores entenderam que seria um bom material para poder dialogar dentro das escolas a gente viu isso como algo muito positivo nesse sentido de que o Adriano fala quando a gente vai discutir a pauta da educação antirracista ou quando a gente vai falar da pauta eh da da contribuição do negro para para a população brasileira para a nação brasileira nas escolas sempre se inicia pelo período de escravização do povo negro aqui no Brasil quando vai se falar da contribuição eh de de outras etnias né de outros povos faz toda uma digressão né muito antes por exemplo quando vai se falar da Grécia do povo grego para a contribuição para a humanidade Então traz todo aquela formação da daquele povo com muita com muita propriedade né com muito destaque e quando se vai falar a gente começa sempre de um momento eh de de muita dor Então não é fácil falar sobre esse tema né sobre o racismo não é fácil né você ter que abrir novas novamente as feridas não é fácil né Então até a gente encontra essa dificuldade entre nosso próprio povo Eu Sou monitora de educação infantil toda vez que a gente ia ol o me pide vai chegar aqui aí tinha as coleg Ai meu Deus lá vem de novo né é isso porque é você abrir marcas você abrir feridas Mas elas precisam ser abertas pra gente poder resolver de alguma forma né então a o HQ ele teve mais ou menos esse essa essa função esse objetivo de falar onde onde que estão esses territórios na cidade de Campinas qual é o debate Qual é a a discussão e tentar desmistificar isso né Eh como diz aqui a a alisandra falou eu também não sou religiosa de uma atriz africana muitos até acham que eu sou mas eu não sou eu aprendi muito nesse processo mas muito mesmo vocês não t noção quanto eu aprendi então Eh eu agradeço inclusive o movimento negro dessa cidade que como Adriano disse ele é formador ele ele é educador e ele está me educando todo todos os dias eu fui forjada no movimento sindical todo mundo sabe aqui né que eu sou arroz de greve né É tem R de festa tem R de greve eu sou R de greve toda vez eu ia lá e falava né vamos sair vamos mesmo em momentos que eu fui contrário a a fazer greve eu acatei a decisão da Assembleia vamos fazer a greve né Eh mas foram raro isso mas acho que aconteceu Talvez um momento não sei eh Enfim então Eh então eu tô eu também estou aprendendo E aí só para tentar responder algumas questões que foram colocadas antes de passar pro Adriano que ele que tem a a a o objetivo não a responsabilidade de responder tudo Não Sou Eu Eu Sou monitora eh ele que vai ter que responder eu faço isso de vez em quando eh sobre a questão do do Observatório o nosso mandato ele ele conseguiu fazer uma levar a Secretaria Municipal de Educação em uma parceria em uma parceria com gued para que pudesse fazer uma formação em que a em que a smme pudesse enviar gest gestores centrais para o guele 10 fazer uma formação no sentido de aprender a fazer indicadores aprender a fazer a a política de fato pensar fazer indicadores os dados para poder pensar a política dentro da da sme tá isso a gente conseguiu fazer numa Parceria a secretaria municipal enviou representantes daqui que fizeram em São Paulo essa formação eh eu não sei daqui assim de quando que acabou essa formação Qual é o resultado disso eu eu acredito que hoje à tarde nós seremos representantes aqui da secretaria de educação eh e aí eu acho que eles poderão nos trazer mais dados sobre isso sobre essa necessidade do do Observatório de constituir uma um grupo um comitê um Observatório pensante para poder fazer pensar os indicadores e poder avançar aí de Como de fato essa agenda pode estar inserida dentro do nosso município né e e é e é isso porque senão foi uma coisa que nós vimos muito fica muito na presença subjetiva né O professor que é e muitas vezes é o professor negro né na Ampla maioria que entende a a importância a necessidade vai fazer então eu a a acredito que que esse elemento dessa dessa parceria e as outras ações que nós temos feito como Adriano citou acionamento do Ministério Público a necessidade e obrigatoriedade das taxes dos termos de de ajustamento de condutas diante de crimes né institucionais de racismo institucional praticado pela própria prefeitura isso tá sendo importante para poder forçar a a Secretaria Municipal de Educação a prefeitura como um todo a de fato perseguir essa agenda não é uma algo que vai ser subjetivo o professor Wilson a professora que tá aqui na vontade dela fazer não é algo obrigatório também não é de obrigatoriedade só do professor de história Professor Wills por exemplo é de matemática né É É obrigatoriedade não é não tá lá na lei que é o professor de sociologia professor de história que vai vai desenvolver Então isso é uma é uma questão eu entendo que que todas essas questões que ficam mais do ponto de vista e da gestão nós vamos conseguir responder mais ela mais elas à tarde porque nós teremos pelo menos dois representantes aqui foi o que me prometeram dois representantes da Secretaria Municipal de Educação Tomara que eles não fujam de vocês diante das questões que vocês fizeram agora mas eles não estão assistindo porque não tá sendo transmitido Ainda bem então eh é isso então essas questões mais específicas da gestão da forma e eu acho que seria importante vocês refazê-los à tarde tá Seria extremamente importante essa coisa dos gestores dos especialistas quer dizer não barra só nos professores o nosso mandato tem acompanhado também com relação aos aos materiais comprados aos livros a gente tem recebido muito ess essa cobrança e quem que pensa esses materiais muitas vezes a gente vê na época da pandemia a gente viu muito né os materiais que são disponibilizados e que não foram discutidos com a com a Unidade Escolar não foi debatido lá então mas um belo dia o professor chega tem um um Calhamaço de livro lá e você não sabe né aonde foi discutido isso Qual é o trabalho que vai ser desenvolvido isso também passa pelo debate da gestão democrática que a gente tá tentando né levantar novamente Por conta desses processos que a gente tem vivido aí de muito mita autoritarismo também passa por isso mas enfim eu vou então passar rapidamente para o Adriano poder fazer a o retorno aí das questões e no final eu passo eu passo mais as as orientações aí do do seminário contigo Bom vamos lá então Grande Desafio aí vou tentar rapidamente pelo menos eh dá uma uma pincelada em cada questão que foi apresentada e e primeiro dizer que é muito legal ter esse momento de diálogo porque a gente sempre aprende também é sempre um aprendizado né a gente volta sempre mais mais rico né Eh queria começar dizendo que eh sobre citando né A lei 11.645 a gente sempre faz questão de mencionar eh eu não não me sinto eh eu não não quero eh falar de algo que Não tenho não sinto que eu tenho propriedade para para falar então eu tenho esse cuidado Mas a gente sempre menciona porque ela existe e ela não é menos importante que a lei 10.639 a única questão é que não dá pra gente trabalhar por analogia né O que a gente trabalha para pro pra Lei 10.639 automaticamente a gente trabalhar igual para 11.645 os povos indígenas tem a sua historicidade e a partir dessa historicidade que deve ser construída essa intervenção né então a gente precisa ter os momentos também de debate de aprofundamento de aprendizado sobre a Lei 11645 tá sobre o que a alisandra colocou primeiro dizer que sobre uma experiência pessoal sobre os professores adjuntos Acho que mais do que qualquer coisa fazer um relato pessoal que eu acho que tem muito a ver e vai de encontro com o que a Elizandra falou eu fui para ser Raio de Sol essa semana na terça-feira foi meu primeiro dia quando eu cheguei lá meu maior medo era chegar na na escola e já ir direto pra sala de aula sozinho e ter que me virar sem saber nem a rotina nem como fazer eu fui fazer meu exame admissional na semana anterior minha pressão tava 14 por10 na hora que me tiram chou eu pensei como é que vai ser isso meu Deus e aí eu cheguei na lá e fui recebido para uma professora de juntas chamada Gisele eu fiquei dois dias com ela na terça e na quarta na quinta-feira foi o meu primeiro dia sozinho com as crianças que ela foi voltou pr pra Base dela e Foram dois dias assim de aprendizado que eu vou ter gratidão com a professora Gisele pro resto da vida porque ela me passou toda rotina e eu não comecei do zero né e isso me passou uma segurança quando eu cheguei lá na na quinta-feira tava todo mundo assustado olhando para mim e aí como é que vai ser você precisa de ajuda eu falei assim não V deixa que tá tranquilo vamos lá Lógico que as crianças elas percebem que chegou uma pessoa nova e aí eles começam a testar o limite para ver vamos ver qual que é desse cara aí né então isso faz parte do do processo também né Mas enfim queria dizer que o o trabalho na na prática não tem diferença né o professor adjunto o professor eh as pessoas são capacitadas para fazer o o que fazem e eu queria dizer que eu aprendi muito com uma professora adjunta foi muito importante para mim tá eh sobre a questão da formação acho estratégico também tem que ser paraa equipe toda não adianta você eh querer as crianças querer ensinar os professores e o o o o zelador o gestor tá na na contramão daquilo que você tá tentando trabalhar na sala de aula não vai funcionar né a equipe toda tem que est preparada e sobre a formação queria dizer uma coisa o ano passado foi o primeiro ano que uma turma de pedagogia da Unicamp teve uma disciplina específica sobre história da África e uma disciplina específica de história dos povos indígenas a primeira vez no ano passado 2023 a lei 10.639 é de 2003 duas décadas depois da lei 10.639 a Unicamp começou a preparar os seus professores para o ensino história da África nas escolas mas é assim é uma luta e a gente vai tijolo um tijolo de cada vez a gente vai construindo o muro né formação é sempre estratégico eh queria fazer um relato pessoal que eu acho tem a ver um pouco com que a Elizandra falou eh ela falou sobre eh o garoto que tava empoderado né uma das minhas filhas minhas filhas num determinado momento da minha vida eu comecei a achar que as minhas filhas estavam muito desvinculadas da cultura Negra e eu passei a tentar levá-las para atividades e casas de Cultura para elas fazerem essa imersão né Aí passo um tempo elas estudavam no Artur Bernades tinha uma professora a Beatriz Ruela talvez alg alguns aqui conheçam e ela era monitora na época ela ainda não era professora e minha filha era aluna da Bia a Bia fez um trabalho em sala de aula Ela distribuiu fotos de casas de todo tipo casa de esquimó de gelo iglu né casa na árvore Casa de Pedra casa de tijolo casa de palha né a oca enfim e tinha muitas cas e ela pediu pras crianças cada uma escolher uma casa e fazer uma pintura né E aí a minha filha Eloá minha Caçula ela escolheu uma casa Africana e ela fez uma pintura num num quadrinho e e quando eu cheguei a Bia veio me mostrar e ela falou assim olha a sua filha tem esse repertório porque ela frequenta o grupo rucos puitas e kenges que é um grupo cultural que deu esse repertório para ela porque a escola infelizmente mente não dá e eu acho que a nossa luta é esse conteúdo que tem nas nas nos grupos culturais da cultura de uma atriz africana é que a gente consiga colocá-los dentro da sala de aula acho que essa é a nossa luta esse quadro que a Eloá pintou foi a maior discórdia na minha separação para ver quem que ia ficar com ele e mas a mãe levou essa eu perdi ficou com a mãe mas tá lá tá guardadinho não tem problema eu tenho uma foto dele guardada no meu Instagram tem uma foto dele né e bom André falou do Quilombo dos Palmares uma questão importante também a primeira vez que eu ouvi falar de Zumbi dos Palmares não foi em sala de aula foi no Rap do Taí dj1 e hoje em dia tá na lei 10.639 Então acho que a gente avançou né mas as crianças lá atrás não era na escola que a gente tinha esse primeiro contato né então a gente precisa trabalhar para que a escola faça essa esse essa discussão com as crianças né sobre o punir e formar eu acho que as duas coisas são estratégicas o grande barato da educação é que ela permite atuar antes do problema acontecer a prevenção né então porque a punição é é só depois que já já aconteceu o leite já derramou tem que ter porque a punição educa também de em alguma medida né tem que ter e mas eh na educação a gente pode trabalhar como na cultura também né a gente pode trabalhar de uma forma que a gente tente evitar que que aconteça o problema lá na frente né E porque as crianças não nascem racistas né Isso é cultural elas vão aprender na família na igreja no no clube que elas frequentam na rua com as outras crianças com as outras famílias enfim e mas a gente precisa trabalhar para evitar a reprodução do racismo sobre a questão que a ineida colocou eh sobre como fazer o trabalho impessoal acho que essa é uma questão importante a punição ela é sempre pessoal né Na hora de punir é sempre pessoal mas o trabalho que a gente faz na na educação ele é impessoal as políticas públicas de promoção da Igualdade racial elas são impessoais né e e eu acho que o debate é se o racismo é estrutural as políticas de promoção da Igualdade racial Elas têm que ser Elas têm que ter um caráter estrutural também Elas têm que ser estruturantes né Para dar resposta a um problema estrutural então não basta fazer um puxadinho ali na Secretaria de Educação Ah vamos comprar uns livros e tal não você tem que ter uma política que todas as escolas sejam cobradas e e e que sejam fiscalizadas né E daí eu toco na questão que a Vivi colocou sobre o mapeamento eu acho uma coisa importante falar eu acho que tem um grupo eh esse mapeamento ele é feito muitas vezes pelo movimento negro né na maioria das vezes nem sempre ele é um mapeamento institucional e tem um grupo chamado conepa coletivo negro eh com práticas pedagógicas em africanidades que faz esse trabalho faz essa cobrança vai nas conferências cobrar vai discutir eu acho que o conep é muito importante eu sou do conepa tem várias pessoas aqui a Janete Elizandra A Betânia eh Enfim acho que é importante mas tem também um artigo que eu vou eu acho que sempre válido recomendar que se chama a consolidação da Lei 10.639 no município de Campinas que é eh ele foi apresentado acho que num congresso da abpn na revista da abpn na Associação Brasileira de pesquis pesquisadores negros a a consolidação da Lei 10.639 no município de Campinas tá o nome da autora é Caroline Felipe Jango Carol Jango ela é da Faculdade de Educação e esse artigo É bem interessante ela fez uma pesquisa bem ampla para diagnosticar a rede aqui na cidade de de Campinas é bem bem legal Vale a pena ler eh sobre o que a Jane coloca o Observatório da educação antirracista sou totalmente a favor também espero que um dia o estado possa fazer esse trabalho enquanto não faz o movimento negro vai fazendo né na luta cobrando brigando Espero que um dia o estado possa fazer esse trabalho eh sobre a questão do do preto oprimindo preto eh a gente todo o racismo sendo uma ideologia todo todos nós vivemos né e somos criados e sempre assimilando essa ideologia Então a gente vai acabar reproduzindo e as pessoas negras não tão isentas né elas não tão fora disso é uma possibilidade mas é sempre legal a gente mencionar uma coisa o racismo é uma relação de poder tá essa é a diferença do bullying há uma criança que tirou sarro da outra criança por causa da roupa que a outra criança tava vestindo é uma criança não não corre o risco de morrer por causa da roupa que ela estava vestindo né a gente corre o risco de morrer por ser negro né Você pode morrer por ser negro estatísticas mostram né o racismo mata e então o racismo ele é uma relação de poder tem quem é prejudicado porque do outro lado tem quem se beneficia né então é bom a gente ter isso em mente para que a gente entenda o seguinte um preto quando ele tá reproduzindo o racismo ele tá reproduzindo mas ele não tá se beneficiando do racismo da mesma forma que uma mulher por exemplo quando ela reproduz quando ela reproduz o machismo de alguma maneira ela não vai se beneficiar daquilo no sistema de relações relação de poder que o racismo estabelece quem se benef quem eh reproduz pode ser o branco na maioria das vezes é o branco mas pode ser o negro em alguma situação mas quem se beneficia desse sistema é sempre o branco nenhum negro nunca vai ser beneficiado pelo racismo né então é bom a gente ter isso em mente porque é uma relação de poder não é apenas um um um Bullying como a gente muitas vezes eh caracter caracteriza o racismo Recreativo eh A Betânia falou sobre o racismo estrutural Concordo totalmente com ela eh eu acho que a gente caracteriza o racismo como Estrutural para que a gente entenda que não são casos isolados né que é um sistema que precisa ser combatido no seu todo mas isso não pode aliviar o lado pro indivíduo né porque aí o racismo é estrutural fica parecendo que é uma coisa que tá pairando sobre nossas cabeças né Ele é estrutural mas ele se materializa porque tem um indivíduo que pratica esse racismo e é quem deve ser punido e etc né então Concordo totalmente com a fala da Betânia sobre a a questão que Ela mencionou e do do IBGE tem um livro uma publicação dos anos 80 da Folha de São Paulo o nome é racismo cordial uma pesquisa que a folha de São Paulo fez ela entrevistava as pessoas e perguntava assim você acha que o racismo existe e tipo 80% das pessoas diziam Eu acho que o racismo existe aí em seguida perguntava Você é racista aí a conta invertia né 80% respondia Não eu não sou racismo existe mas eu eu não sou e é isso né o racismo cordial ninguém se vê como racista né eh e aí a pesquisa ia fazendo perguntas e na hora que ia avançando em algum momento a pessoa era flagrada né começava a per você contrataria uma pessoa negra para trabalhar para você ah eu contrataria E aí vai avançando né Aí chega uma hora Pergunta assim e se a sua filha quiser namorar com uma pessoa negra aí a pessoa já falar É aí eu já não sei se eu ia gostar não então em algum momento ali a pessoa ia tropeçar e e e ia ficar Evidente o racismo né é uma pesquisa que a folha de São Paulo fez porque o racismo brasileiro ele tem uma diferença por até por não ter uma legislação de segregacionista né Eh e também por sermos uma maioria né no caso dos Estados Unidos lá que tinha cucos clã e tal né a gente aqui Aqui tem um sistema que que é muito mais perverso porque ele tem o mesmo efeito mas ele muitas vezes não aparece com a mesma evidência né porque ele é mais Sutil então a pessoa te discrimina às vezes dando um tapinha nas suas costas né eu trabalhei com uma moça que ela falava para mim assim poxa Adriano você fica aí falando sobre racismo Ah não faz assim não você nem é negro você nem é negro Porque ela acha que na cabeça dela ela achava que ser negro era uma coisa muito ruim né que ela me consolava dizendo Ah você nem é negro você é moreno né era a forma dela me consolar porque ser negro é uma coisa muito ruim afinal de contas né ela achava que ela tava me fazendo um gesto de de carinho né e aquilo me violentava profundamente assim né horrível mas enfim é isso é assim no Brasil que as coisas funcionam nessas sutilezas né E aí é é mais problemático porque muitas vezes as pess pessoas não enxergam essa coisa que o bolsonaro inaugura agora isso é muito recente que é esse racismo mais escancarado né mais assumido isso é uma coisa recente é um fenômeno recente no Brasil porque o racismo ele sempre foi da sutileza disfarçada não aqui no Brasil imagina nós somos um país missen aqui não tem essa história de racismo não e eu minha empregada é negra minha babá era Negra e coisas e outras PL né e a Joseni falou dos gestores Concordo totalmente tem que formar todo mundo vai de encontro com o que a Elizandra falou aan apontou a questão do cabelo essa questão do cabelo é sempre muito muito o cabelo é uma questão para nós né então e contar eu acho que a conversa que a gente tem que fazer com os professores É no sentido de que olha sejam cuidados né e não vai Pô na mão né não pega de qualquer jeito não pega um um pente para ficar tentando tratar um cabelo crespo como se ele fosse um cabelo liso né porque muita criança sofreu na mão de professora na escola com pente fino né a gente tem outros outras formas de de de cuidar do nosso cabelo e não necessariamente ele precisa ser desembaraçado porque se um cabelo o meu cabelo eu posso embar ele perfeitamente vai passar 5 minuto e ele vai est novamente embaraçado né então porque ele é ele ele é para ser embaraçado é o jeito dele né por isso que a gente usa dreds né porque eles se formam mesmo se a gente deixar eles se formam naturalmente né então porque é da textura e do do do nosso cabelo né então a gente precisa ter esse cuidado agora eu entrei essa semana na na sala de aula e teve uma garota que ficou olhando para mim e ela ficava olhando para mim e ela ficava olhando para mim e ela não não parava de olhar para mim e eu fiquei pensando assim será que ela quer ir no banheiro e tá com vergonha e ela não parava de me olhar e não parava de me olhar e aí chegou uma hora que eu fui perto dela eu vi que ela era tímida e eu e eu falei para ela assim você quer falar alguma coisa para mim e ela falou para mim assim o seu cabelo é igual o meu e ela achou ela achou um barato porque ela nunca tinha visto um um cabelo um professor né com cabelo parecido com dela mas teve um garoto também que perguntou para mim você é professor homem eu falei assim é eu sou um professor homem tem isso também e além de de ser negro de trança ainda homem né E você falou do do racismo nas instituições escolares a primeira coisa que eu fui fazer pegar a lista de escolas que tinha para escolher identificar onde tinha gestoras negras para mim tentar ser acolhido onde eu fosse trabalhar aí vi onde o Bernardo trabalhava eu vi onde a no Raio de Sol tinha a Fernanda Maria Fernanda tinha a Márcia na Ceto no no caque mas alguém escolheu antes de mim não não deu para escolher o caí aí eu pensei minha segunda opção é a Fernanda a terceira vai ser o Bernardo se não se não der para ir pro raio de sol eu vou pra escola do Bernardo mas aí aí acabei acabei conseguindo Raio de Sol Quem sabe daqui uns anos a gente trabalha junto Bernardo e enfim e aí mas é isso a preocupação era ser acolhida e eu fiquei pensando assim imagina homem negro né Aí você de repente as famílias algumas pessoas vão começar a apresentar questionamentos e você tem uma gestão que não te te dar respaldo né como é que vai ser isso então essa foi não deveria ser essa a minha preocupação né eu deveria escolher a escola com mais liberdade e mais tranquilidade mas infelizmente eu tive que investigar onde tinha gestores que me acolheram e e passou uma semana depois da minha escolha A Fernanda me ligou e falou assim olha eu queria te dizer que eu fui chamado para trabalhar em outro lugar mas fica tranquilo que eu vou preparar as coisas para você aqui você vai ser muito bem recebido Eu garanto para você eu falei não Fernanda Fica tranquila pode ir que a gente se vira e aí ela conversou com a nova diretora e foi preparando o essa transição lá na na escola né enfim era para eu acho que era para mim tá lá era para mim tá lá de alguma maneira e o justa acho que é a última agora né o justa falou da questão da perseguição Concordo totalmente quem faz isso muitas vezes é o movimento negro né de eh acolher proteger orientar eu milito no mnu dentro do mnu boa parte dos militantes do mnu hoje são pessoas que sofreram um racismo Em algum momento da vida procuraram mnu para ter saberem como proceder em relação ao racismo denunciar e ter acolhimento Ecológico e depois em seguida viraram militantes do mnu porque se conscientizaram e passaram a atuar no movimento negro também né mas a gente tem eh no estado quem faz quem seja responsável por fazer esse trabalho né Tem um centro de referência tem uma Coordenadoria então a gente precisa cobrar que essas instituições funcionem né jursa que eles façam esse trabalho nem sempre funcionam a contento a gente precisa cobrar para que funcione né no caso centro de referência tem ajudado bastante a gente enam encaminha vários vários casos para lá para ja ajudar e tem as estratégias que a gente vai construindo né Uma das coisas que eu falo para a primeira coisa que eu falo para quem sofre discriminação não vai na delegacia vai no ministério público né porque a gente sai eu do do Você vai no banco é discriminado lá pelo vigilante doco banco aí você sai e vai na delegacia registrar um um boletim de ocorrência você é discriminado pelo escrevente pelo delegado né eu tenho uma vez uma delegada loira olhou para mim e falou assim não eu já passei por isso também eu já eu passo por isso também com frequência e eu fiquei indignado né E aí você muitas vezes sofre uma outra violência no lugar onde você deveria estar sendo acolhido para com aquela denúncia né então no ministério público a a gente tende a ter um tratamento um pouco melhor também não não tá livre eventualmente de ter problema mas é bem melhor do que ir na na delegacia infelizmente Até que a gente tenha delegacias que funcionem com outro olhar uma outra perspectiva né então a gente constrói também as estratégias a gente sabe onde estão os parceiros né e e a gente vai formando uma rede de solidariedade eu acho que essa é a maneira da gente reagir e proteger as pessoas que denunciam né agora eu sempre recomendo denunciar porque senão não vai quebrar o ciclo do racismo e e e eu acho também o seguinte para você se proteger de perseguição quanto mais barulho você fizer melhor né porque aí as pessoas começam a ficar com receio de te de te penalizar se a pessoa quiser te retalhar ela vai ficar com receio porque se acabou de fazer uma denúcia úncia a pessoa vai lá e tenta te tirar daquela escola para botar numa outra escola vai ficar muito Evidente essa Retaliação Então eu acho que fazer a denúncia é sempre legal porque você dá visibilidade pra Retalhação se ela vier em seguida né então sempre denunciar mas procurar um movimento negro para ter orientação para conversar porque é sempre um muitas pessoas chegam no movimento negro e se tornam militantes do movimento negro por esse caminho né porque sofre uma violência não sabem como proceder e vão procurar o movimento negro para reagir e eu acho que isso é muito legal eu acho que é isso Guida que eu tinha para eu acho que eu respondi todo mundo minimamente assim então é isso queria agradecer vocês pela atenção novamente agradecer a Guida pelo convite min companheira fui base da Guida no movimento sindical quando eu era da Secretaria de Cultura e agora no na educação Continuo sendo né E porque é é uma Sindicalista eternamente também né Muito bom obrigada Adriano eh bom pessoal a gente então finaliza agora essa parte da manhã quem não reforçar para vocês tem uma lista de presença por favor assinem quem não assinou tá pra gente poder enviar depois o certificado à tarde nós teremos duas mesas a primeira mesa é boas práticas de Educação de racista com o professor Wilson a Daniela Caetano e a Elisandra Camilo e depois às 16 horas a gente vai ter propostas para uma educação antirracista com representantes da sme me falaram que viriam vamos estô torcendo que vem e também a gente vai ter a Márcia na Cleto e também a gente vai ter o o professor Leonardo Sacramento que já tá aqui inclusive aqui assistindo com a gente Leonardo conheço o trabalho dele é Fantástico gostaria que vocês também pudessem a oportunidade de conhecer então à tarde a gente volta tá aqui na no no nossa programação às 13:30 tá Ó tem aqui aqui na rua aqui na na saída ali tem na esquina um restaurante tá que aceita aceita aceita Boa pergunta Aceita aceita aqui bem na esquina aonde palhoça palhoça a Palhoça também aceita eu não tenho mais Verocard e e Então aceita esses dois lugares tá tem também o armazém da cidade mas eu não sei se aceita lá Verocard Armazém da Fazenda olha eu tô falando da cidade eu troquei as áreas Armazém da Fazenda da Fazenda também aceita também a a Adega Santa Tônia aceita Verocard Aita a gente a gente só tá aceitando Bom enfim e aí a 1:30 a gente volta tá bom obrigada mais uma vez então até mais [Música] tarde TV Câmara Campinas