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Campinas após quase ser dizimada pela febre amarela passa a ter um novo Capítulo e entendimento sobre as questões de saúde nessa segunda parte sobre a saúde pública em nosso município o Memórias da Cidade mostra a evolução da política nacional sobre o tema o advento do SUS o programa nacional de vacinação modelo de gestão a pandemia da covid-19 e os desafios para os próximos anos em saúde pública [Música] a febre amarela mudou a história da cidade a cidade era uma cidade de potencial inclusive de ser a capital do Estado era um local onde você tinha grande riqueza você tinha grande produção de riqueza na época que era principalmente o café né haviam grandes fazendas e grandes produções de café e a nossa cidade ela foi atingida de maneira muito marcante em relação são a febre amarela muitos médicos morreram eh as famílias que puderam enviar suas famílias embora para São Paulo principalmente E por que São Paulo porque o clima de São Paulo naquela época era completamente diferente era um era um era um ambiente tanto que São Paulo até hoje todo mundo chama de São Paulo da Garoa que não tem mais quase a garou em São Paulo né mas porque eh São Paulo Ficava muito ficava não ainda fica muito próxima da da Mata Atlântica não é E com isso você tinha uma menor possibilidade uma temperatura mais baixa de ter o ciclo do mosquito muito mais rápido e muito mais ágil né então a a fêmea amarela marcou a cidade marcou a cidade a partir daí a a houve uma H houveram inúmeras mudanças no país por exemplo o regime passou de monarquia paraa república e Campinas teve uma importância muito grande o interior de São Paulo como um todo teve importância e Campinas também nesse novo regime hoje eu entendo depois de ter sido 8 anos secretário de saúde de Campinas porque Campinas é sempre um alvo muito preferencial da de todas as epidemias a gente viu isso no passado e estamos vivenciando e vendo isso no presente porque a nossa cidade é uma cidade que é um grande Entroncamento uma cidade que que você tem grande mobilidade urbana você tem uma grande quantidade de pessoas que chegam que ficam que saem que transitam então além de uma população relativamente grande você tem grande mobilidade você tem um grande Entroncamento aeroviário um grande Entroncamento rodoviário Ferroviário e assim por diante Então a nossa cidade é uma cidade muito vulnerável exatamente por essa condição de ser uma cidade de passagem para muita gente e uma aglomeração Urbana muito grande na febre amarela a situação era um pouco diferente porque Ah nós tivemos uma febre amarela que não existe mais hoje em dia que é a febre amarela Urbana Então o aeds egipte que é o mosquito transmissor da dengue chikungunha zica que todos conhecem na época ele também era transmissor da febre amarela e hoje não mais hoje curiosamente a febre amarela é uma doença Silvestre a saúde pública dos tempos do império até meados deste século XX eu diria até no período do de do pós-guerra da primeira guerra e e e até o começo da segunda guerra era um contexto de de saúde completamente diferente muito ligado à filantropia muito ligado à benemerência não é a igreja católica as santas casas tanto que a nossa Santa Casa ela hoje tem eu não não sei exatamente mas per de 200 anos eu Eu me formei dentro da Santa Casa né a santa casa ela albergava pacientes mas não só pacientes nós temos que entender que a medicina até a Segunda Guerra Mundial ela era muito diferente do conceito de medicina que tem hoje ela era um conceito muito mais assistencialista de assistência social propriamente dita do que assistência à saúde ou cuidado à saúde como nós entendemos hoje então o buom da Medicina moderna da Medicina científica da medicina baseada em evidência e outras eh e da gestão e saúde também saúde pública eh a nossa o o nosso SUS vamos chamar entre aspas que ainda não era SUS é muito recente né e houve um grande movimento sanitarista um grande movimento para que a medicina e que a saúde pública se desenvolvesse isso não é aleatório o SUS não é aleatório ele não aconteceu por acaso ele aconteceu devido a uma série de de iniciativas algumas isoladas algumas já mais Integradas eh por exemplo O municipalismo que é muito importante de nós falarmos agora ele precedeu em muitos anos a instalação do SUS algumas cidades como Campinas Londrina Montes Claros e Niterói foram cidades modelo no no nos anos 80 e um pouquinho antes inclusive no sentido de criar atenção básica não existia os centros de saúde as unidades básicas de saúde Esses foram conceitos hoje quando você vai num numa uma unidade básica de saúde você tá numa unidade de saúde eh moderna nova com boas instalações etc naquela época era era um improviso Mas tudo bem era fundamental começar de alguma [Música] maneira começou esse movimento da da de redução da mortalidade infantil que foi importantíssima né Nós tínhamos uma mortalidade infantil de quase três dígitos E hoje nós temos uma mortalidade infantil de um dígito uma uma série de de de doenças infecciosas na década de 70 nós ainda havíamos a desnutrição acentuada nas crianças Eu via o que ele chama de qu your cor que é um uma criança com aspecto de de de como símil como se fosse um um um macaco assim de tamanha a magreza e tamanha a desnutrição da Criança e víamos muitas crianças morrer por desnutrição naquela época hoje a gente praticamente graças a Deus praticamente a gente não vê mais isso então Eh algumas coisas né o sarampo Hoje os médicos não sabem fazer diagnóstico de sarampo não sabem fazer diagnóstico de catapora aparelinho infantil foi Foi extinta no Brasil então o padrão de doença que nós tínhamos na década de 70 na década de 80 praticamente mudou Talvez o maior problema de saúde pública no mundo desenvolvido e no Brasil não é tão diferente assim é é são os casos de câncer a gente tá tendo uma frequência cada vez maior saúde pública é igual uma luta de box se você abaixar a guarda você leva um soco no queixo isso é assim então essas doenças que ainda não estão extintas no mundo Inclusive a paralisia infantil que ela tá extinta no Brasil mas ela não tá extinta na Índia inclusive países muito desenvolvidos como Canadá e outros ainda tem Parise infantil por qu porque existem comunidades que não acreditam na vac não vacinam ou sistemas de saúde tão desorganizados ou ou que o acesso não existe para todos onde você acaba tendo essas doenças o programa nacional de imunização fez com que a mortalidade infantil caísse dramaticamente que algumas doenças praticamente desaparecessem não é como é o caso da paralise infantil Eu tenho dois primos com paralise infantil Então as pessoas mais velhas era raro não ter pelo menos uma pessoa da Família com parálisis é uma das invenções mais importantes da humanidade né quantas eh crianças ou quantas vidas foram salvas com a vacinação nós tivemos a poliomelite que já foi erradicada nós tivemos a eliminação do sarampo que já levou a óbito tantas crianças né não é raro a gente conhecer uma pessoa que foi vítima da pólio no passado e tem as suas sequelas né ouvir os nossos pais e avós contando então sim as fake News né ou e o descrédito na vacina prejudica demais sim eh a a evolução ou a o resultado né compromete o resultado do Programa de imunização nós temos um município enorme de quase 1 milhão eh 150.000 habitantes e de uma ampla né área geográfica demográfica então a gente precisa contar muito com apoio das nossas equipes de saúde que estão nos territórios as equipes das unidades básicas do cadastro da população de cada território pra gente conseguir compreender onde que as crianças faltosas estão pra gente conseguir trazê-las para vacinação nós tentamos a partir do programa compreender eh como a gente pode chegar na melhor estratégia ou nas melhores nós já entendemos que não não se trata de uma única estratégia Então essa aqui a gente que eu acabei citar de oferecer a vacina durante todo o período de abertura da unidade de saúde é uma das estratégias isso para que a gente consiga garantir a rotina aquele calendário básico aquele que a gente sabe que a criança começa lá desde que nasce recebe uma vacina ao Nascimento que é BCG daí com dois com quatro com seis meses um ano tem os reforços e retornos e tudo mais eh então é uma estratégia a gente precisa garantir as vacinas da rotina quando a gente não consegue alcançar as metas a partir das estratégias de rotina a gente lança a mão de estratégias que nós chamamos Extra muro ou de campanhas Então essas estratégias elas vêm complementar o que a gente muitas vezes não consegue na rotina e a única coisa que faz essas doenças não voltarem é você vacinar você vacinar adequadamente não é eu sou do tempo de v tétano hoje hoje não não tem sentido ter teta no Mais primeiro porque os cuidados da Saúde mudaram muito e segundo que a vacina é extremamente eficiente mesmo a febre amarela não tem sentido mais ter febre amarela e isso não é de hoje a vacina de febre amarela já tem décadas é uma vacina muito antiga muito eficiente não é moderna na sua concepção como por exemplo algumas vacinas que a gente tá vendo mas a doença não deveria existir no município de Campinas nós não tivemos de febre amarela nós tivemos no entorno cidades vizinhas né Pedreira Serra Negra essa região com só que a gente tem um histórico município de Campinas ele geograficamente do ponto de vista epidemiológico e Ecológico ele tem uma continuidade de áreas de Mata que pode sim fazer com que o vírus saia de lá e de Pedreira né de outras cidades que estejam circulando e venham para essa nossa região eh a vacina da febre amarela ela faz a proteção individual então Eh diferente de outras vacinas que quando eh a gente vacina um um quantitativo de pessoas ela faz aquela imunidade de rebanho a imunidade coletiva A da febre amarela ela faz a imunidade individual então cada uma pessoa que não esteja nada ela tem um alto risco sim de adoecer e uma doença Com tamanha gravidade como é a febre amarela Sarampo circula muito né na América do Norte na na Europa e nós temos voo direto pra Disney nós temos voos direto para pra Europa para Portugal e tudo mais então sim é muito preocupante e é a forma da gente se proteger é a vacina não tem outra forma nós temos idade acabar com o câncer de colo uterino da mulher se vacinarmos contra HPV certo Quer dizer é o primeiro câncer que a gente pode exterminar com vacina a meta né de cobertura vacinal para pólio é de 95% isso é um mínimo que nós precisamos garantir de cobertura pro nosso município Vamos pensar que essa essa a cada 5% não vacinado que eu vou acumulando ano após ano em algum algum período em algum ano eu vou ter um um cumulado de pessoas que são suscetíveis Ou seja que podem sim contrair o vírus da pólio porque não estão vacinadas Então isso é fato a gente tendo acúmulo de pessoas não vacinadas outra questão que torna a nossa cidade como bastante nos preocupa muito é que nós temos um aeroporto internacional de pessoas e de carga né e e nós sabemos que o vírus da pólio circula endemic gente né como a dengue é endêmica na região de Campinas o vírus da pólio é endêmico nas regiões do Afeganistão né outras regiões na África e tudo mais e a gente recebe pessoas dessas regiões seja pessoas a passeio pessoas desembarcando ou pessoas que acompanham inclusive os voos de carga e sim é uma grande ação no município então nós temos alta circulação de pessoas um aeroporto importantíssimo economicamente para o Brasil América Latina inclusive nós temos eh coberturas a quem da expectativa e do esperado e isso sim pode conferir aí um risco aumentado pro nosso município a gente não consegue atuar sobre os diversos eh determinantes para a doença na questão da do controle de migração nada disso mas na questão das V da vacina da oferta de vacina a gente tem apostado muito e a gente sabe que é o é o caminho porque hoje a gente tem criança faltosa com esquema de vacina mas nós temos as crianças matriculadas em escola então uma das estratégias que a gente vem sim apostando Desde o ano passado é além de oferecer a vacina nas escolas e em alguns períodos ou aproveitando alguma campanha a gente não vai por exemplo agora que nós estamos né acabou de finalizar campanha da pólio a gente não vai só para ofertar apóio a gente vai leva todas as vacinas do calendário e no momento que a gente identifica uma criança que tá faltosa para pólio mas também pra Trips viral que é a vacina que protege contra sarão caium birro Belo a gente também já Aproveita a oportunidade vacinal Além disso dessas ofertas Extra murindo na escola a gente tá com uma parceria bastante importante com a Secretaria de Educação Então mapeando as crianças matriculadas em quais escolas e cruzando com os relatórios dos nossos sistemas de vacinação E aí a gente então tá conseguindo agora mapear que por exemplo a Dayane que é uma criança faltosa de uma ou mais vacinas está matriculada na escola municipal XY Z E aí a gente consegue ser mais assertivo a gente hoje com esse cruzamento com essa aposta a gente tá procurando ir aonde essas essas crianças faltosas estão como mais uma estratégia aí então de alcançar as coberturas vacinais quando a gente pensa numa grande campanha né de forma geral inclusive pra população adulta a gente vinha de uma campanha vem de uma campanha anual para gripe né E aí depois a gente teve a grande campanha em relação a covid-19 e recentemente tivemos aí esse apelo da campanha pra vacinação contra queria que você falasse dessas grandes campanhas e se isso gera uma procura ou se não gera essa procura esperada pela população de Campinas quando a vacina está eh disponível a todos Sim ela de fato gera procura eh de maneira inclusive significativa é um momento em que o tema vacina ele passa a circular muito e a gente consegue sim sensibilizar as pessoas o idoso ele eh o idoso não perdão os adultos ele tem né uma indicações de vacina nós temos um calendário da do adulto do Adolescente e quando eh essas campanhas grandes campanhas elas estão acontecendo a gente também aproveita a oportunidade para colocar a situação de vacinação desse adolescente do adulto do idoso em dia né então sim a gente conta a Apesar de que a gente o nosso desejo né é de que as estratégias da rotina fossem capazes de dar conta da necessidade de vacinação de Qualquer público mas hoje a gente sabe que não a gente Inclusive tem pensado né a gente fala no programa de imunização precisamos pensar fora da caixinha porque a gente precisa levar a vacina onde a população está porque o movimento da população vira a vacina que já foi de grande sucesso no passado hoje a gente observa que não tem tido muito resultado o SUS é uma conquista Brasileira é uma joia brasileira ele ele sofre como subfinanciamento esse é um problema que que já nasceu com o SUS o o SUS antes de nascer ele teve uma série de iniciativas né o pró assistência um pró assistência do os sudes no Estado de São Paulo antes da constituição que já era um modelo pro SUS então quando o SUS foi pra constituição foram cinco artigos da constituição que criou o SUS ele ele ele apenas do anos depois é que ele foi regulamentado então o SUS nasceu realmente quando ele foi regulamentado e a partir daí ele veio evoluindo que as duas políticas públicas as duas políticas públicas mais importantes pro país foi o plano real e o SUS né na minha visão é isso só que quando o Real nasceu ele tomou 30% do SUS então a economia toda passou por um determinado valor e o SUS perdeu cerca de 30% então nó nós tomamos uma Tung na virada da moeda que prevalece até hoje e a partir daí tem tido percentualmente uma uma redução muito grande da alocação de recursos do governo federal pro SUS os governos de estados Tentando Manter o seu percentual de 12% que é constitucional os municípios muito acima disso o nosso município chegou a ter ano com 30 31% todos os países europeus têm algo que se assemelha muito ao SUS ou o SUS tem algo que se assemelha muito aos sistemas europeus Mas nenhum país tem 200 milhões nenhum país tem 100% da população com acesso ã Universal gratuito ao sistema importante que a classe média e a classe alta usem o SUS para saber aliás usa é que não sabe quando vai num restaurante usa o SUS porque ele garante que a comida ali tá em ordem a vacina a grande massa da população vacina no SUS transplantes a grande massa da população que precisa de transplante faz isso no SUS você pegar transplante no Brasil 95% é feito dentro do SUS não é não é no sistema privado é o único sistema gratuito né porque na Europa mesmo sendo um continente de de grande componente socializado na saúde as pessoas pagam um pouquinho mas Pag o Brasil nunca nunca cobrou e nem vai cobrar dos seus cidadãos ou das pessoas que usem o SUS Campinas criou na sua lei orgânica ã um percentual superior aos 15% constitucionais governo estadual é 12% e o governo federal até hoje não existe um percentual as regras foram mudando do Governo Federal Não é que não existem regras mas elas não são regras que garantam um percentual mínimo do orçamento paraa saúde você tem eh eh várias formas de fazer isso foi mudando ao longo do tempo mas eu diria você que foi mudando no sentido de colocar cada vez menos né o percentual de alocação de recursos dos Municípios para saúde ele foi crescendo de maneira perigosa de maneira quase Proibída em que você avança muito na saúde e você não pode tirar dinheiro da educação por exemplo que da educação é um percentual de 25% eh definido constitucionalmente e por lei você tira dinheiro da zeladoria você tira dinheiro de governança da cidade então você vai ter uma cidade mais mal cuidada com asfalto não muito bom com eh água esgoto dificuldade jardinagem assim por diante os recursos da Saúde São infinitos eu posso dizer que se se pegar o orçamento inteiro de Campinas e alocar na saúde ainda vai faltar dinheiro Provavelmente porque nós vamos consumir com novos fármacos com novos procedimentos com transplante com com cirurgias de grande porta etc como a cidade Faz Campinas é uma cidade complexa que acaba fazendo tudo ninguém precisa sair de Campinas para fazer o que tem que fazer só que esses procedimentos que estão no topo da pirâmide são procedimentos muito caros né Campinas é uma cidade que tem vocação ela tem a vocação da liderança ela tem conhecimento para fazer e a a como é uma cidade pola claramente nós sempre vamos participar do atendimento dessas cidades vizinhas eu não vejo como você escapar dos eh escapar disso o SUS é universal o que eu acho que deve ser feito pelos poder Estadual H como Federal eh claramente você eh custear um pouco esse tipo de atendimento esse tipo ah de papel dessa cidade achar que nós vamos fazer isso ou não atender ou aparecer isso aí eu acho que claramente não tem nenhuma lógica de ser então eu vejo que Campinas faz parte de ter esse papel mesmo como cidade Polo é a nossa capacidade de formar pessoas e essas pessoas fazerem a participação do ponto de vista de de atendimento claramente Campinas eu acho que é uma cidade eh privilegiada do ponto de vista de de de pessoas que vem para cá do ponto de vista de estudar claramente nós temos que aumentar a resolutividade da saúde pública no sentido de fazer frente todas essas dificuldades nós temos que usar todas essas ferramentas novas que virão do ponto de vista de desse custeio da Saúde essas ferramentas novas entenda-se por saúde digital já que nós estamos em pleno funcionamento e e já temos grandes resultados do ponto de vista do digital não só a telemedicina mas todos os outros mecanismos que nós estamos lançando à mão em relação ao absenteísmo por exemplo que é muita falta da das pessoas que marcam exame que não aparecem no sentido de diminuir essa taxa de de faltosos tivemos um acompanhamento que foi uma coisa muito inteligente também dentro da Saúde digital que foi o acompanhamento de dengue e do ponto de vista da Inteligência Artificial que teve um sucesso enorme do ponto de vista de fazer detecção desse caso sentinelas para para pro indivíduo voltar pro centro de saúde reidratar ou seja ser atendido de uma forma ah melhor filas que ficaram de demanda reprimida da pandemia foi um horror para nós nós estamos saindo dessa demanda dessa fila imensa que era porque nós paramos de atender tudo e a partir do momento que nós paramos de atender tudo aumentaram os quadros de paciente com ência renal necessitando de hemodiálise diabetes que foi mal foii mal controlado tudo isso apareceram doenças secundárias esse essa falta de atendimento foi a maior dificuldade da minha vida eu posso eu fui secretário 11 anos 8 anos de Campinas e 3 anos do estado e nunca tinha passado por nada parecido foi dramático realmente e o que aconteceu é que nós eh tivemos a a pandemia chegando tardiamente quer dizer mais tarde do que o que aconteceu então nós estávamos vendo o que tava acontecendo na China depois na Europa depois na América depois em São Paulo e É como se você tivesse no observando o mar e vendo bom o Tsunami vai chegar e chegou né Eh qual é a vantagem de de de ter chegado mais tarde pra gente é que a gente pode se organizar no sentido de leitos a gente quantos respiradores nós temos na cidade nós tínhamos que ter tudo na ponta do lápis tudo certinho quantos leitos O que é que nós podemos ampliar aonde nós podemos ampliar eh a a pandemia teve uma cinética que não foi homogênea ela começou mais na área privada começou em hospitais de da da da da área privada em pacientes com convênio depois foi evoluindo pra Periferia da cidade E aí e e e o tempo todo tendo que isso de um lado e de outro para tentar garantir e nós podemos dizer que Campinas não deixou ninguém para fora do hospital todo mundo Teve teve agora foi foi dramático nós tivemos sorte no sentido de que nós sorte ou talvez a percepção de que era necessário não faltou oxigênio na cidade nós tivemos 1000 relaxantes não faltou ao contrário emprestamos paraa área privada e concentradores de oxigênio chegamos a mandar 120 para Manaus na crise mais dura lá de Manaus respiradores nós tivemos uma necessidade pequena eh que nós contamos os respiradores nós tínhamos 750 respiradores na cidade Tinha alguns que a gente mandou arrumar e a gente achava que dava e no fim não deu Faltou um pouquinho então nós tivemos a ajuda do governo estadual e do governo federal com 35 respiradores pra gente poder abastecer todas as nossas áreas nós trans trans formamos brinquedoteca em UTI nós transformamos Zupa em em hospital nós tivemos um hospital de campanha Que que foi foi no cedido por uma ONG né e e que foi importantíssimo ela trabalhou 4 meses trabalhou 4 meses mas lotados 4 meses quando terminou os 4 meses a gente não precisava mais dela então nós tivemos uma enorme dificuldade de insumos né e a pandemia mostrou o quanto o Brasil é dependente então se nós tivermos juízo como país a gente precisa melhorar a indústria da Saúde porque quando nós temos um ambiente normal eh a gente consegue comprar importar da China Coreia Índia e da onde for num ambiente de pandemia você não consegue comprar de ninguém porque ninguém te vende nós chegamos a ter aviões arrestados nos Estados Unidos com respiradores que viriam pro Brasil e que ficaram o governo americano falou não esses respiradores não saem daqui nós precisamos deles e pronto e nós não pudemos fazer nada todo planejamento todo toda a solidariedade complementariedade entre o sistema público e privado fez com que a gente tivesse condição de ter enfrentado essa pandemia com dignidade com dando dignidade às pessoas inclusive mesmo sofrendo junto Porque nós nunca vimos morrer Tanta gente assim eh na nossa frente mesmo oferecendo tudo que havia de melhor pra época né Campinas foi uma cidade protagonista na na pandemia não só pelos cuidados da da doença em si também pela vacinação foi uma vacinação citada no Brasil inteiro e isso foi isso envolve todo não só toda a secretaria mas ela foi multietarias muita gente ajudando quando nós Assumimos em o e a gestão do do Dário ah o cenário em janeiro era ele era de bastante incerteza e nós tivemos o ano de 2021 extremamente complicado por conta da da pandemia nós enfrentamos Março e abril nós saímos em janeiro de 70 e 70 leitos de UTI e e passamos para 180 leitos de UTI para para covid então foi de muito trabalho de muita imprevisibilidade já que a pandemia por covid foi de muito imprevisível depois nós tivemos toda a passagem quando começa o ano de final de 21 começo de 22 começa a vacinação começa uma febre toda a polêmica por trás da vacinação ah começa a pandemia ela começa a se arrefecer começa outras patologi outras dificuldades e agora nesse ano de 2024 nós tivemos momento muito difíceis relacionado [Música] comen se você achar que você não teve acesso a algo que você julga que você tem direito você pode usar o sistema agora a judicialização é lá é um é um fenômeno que vem crescendo nos últimos anos nas últimas décadas e que enfraquece muito o sistema público e o sistema privado também por quê Porque a judicialização não é orçamentária então na medida em que você tem sei lá r$ 1 pra saúde e você perde 10 por exemplo paraa judicialização o teu orçamento se reduz a 90 e não a 100 Então os mas o poder judiciário ele também está preocupado com questão da judicialização e criou uma série de mecanismos de assessoria ao juiz ou aos juízes ou ao próprio sistema judiciário no sentido de de aquilo que é realmente justo necessário Eh ok aquilo que não é justo e necessário não não não não é porque a pessoa entrou na justiça que ela vai levar entendeu então eu eu eu acho que a judicialização mesmo sendo um instrumento democrático eu acho que ele é um um instrumento que enfraquece o sistema de saúde seja público seja [Música] privado elas se revelam extremamente complexo a o horizonte do ponto de vista de gestão ah a cidade em si ela não teve um grande aumento da população mas teve um grande aumento de usuários nós saímos de em 2021 de 625.000 usuários do SUS e nós estamos atualmente com 850.000 usuários quase 30% de aumento de usuários eh SUS isso nos arremete uma um futuro eh que nós temos que repensar o modelo de saúde ou seja hoje nós teremos claramente pelas dificuldades de financiamento que virão claramente o financiamento haverá uma dificuldade Campinas já é responsá por 77% financeiramente do financeiro próprio dinheiro próprio da prefeitura do ponto de vista para pra saúde os desafios continuam sendo praticamente os mesmos né Nós temos que continuar evoluindo nós temos que continuar aumentando oferecimento de produtos serviços procedimentos e assim por diante temos que tentar melhorar essa questão do subfinanciamento que é bastante grave né Ah temos que fortalecer muito a atenção básica porque uma atenção básica fortalecida e organizada você diminui muito a pressão sobre o sistema de emergência e você diminui muito a pressão sobre os hospitais important que 80% de toda a saúde pública ela seja feita na atenção básica que ela não necessite procurar postos de saúde hospitais por diante Isso é Um Desafio hoje é uma tendência Mundial que as pessoas procuram porta de hospitais voltar as pessoas e serem resolvidas dentro da atenção básica quando a gente fala resolver nós precisamos capacitar pessoas capacitar pessoas na saúde Principalmente nesse momento onde tem a a a formação das pessoas do ponto de vista pessoas que trabalham na saúde ele tá muito a desejar tem muitas faculdades de medicina que ela não conseguem formar as pessoas do ponto de vista de preparado então capacitar as pessoas capacitar as pessoas significam que as pessoas virão e serão resolvidas não fica aquele empurra empurra de vai para um lugar vai para outro e assim por diante uma fila única para fazer endoscopia para fazer colonoscopia para fazer um ecocardio ter uma fila única e ela ser transparente ela ser visível você sabe onde você tá vergonhosamente nós tínhamos uma fila de ultrassom que era imensa mas só 50% das pessoas apareciam para fazer o exame ficava vago 50% das vagas o tempo inteiro a redução desse absenteísmo via Inteligência Artificial via o mecanismo de whatspp São coisas que elas virão no sentido da gente aumentar a resolutividade não é que nós temos um sistema perfeito mas nós temos um sistema que garante acesso se a porta não é a melhor ela tá aberta então a pessoa tem condição de de chegar no sistema público de saúde nós temos o SUS nós temos que fazer dele sempre melhor sempre mais acessível sempre mais igualitário para todos saúde pública ela sempre foi um desafio é Um Desafio aqui é Um Desafio na França nos Estados Unidos no Canadá ela é Um Desafio no mundo não adianta achar que só o Brasil que é isso que é aquilo não é ela é Um Desafio no mundo inteiro e as pessoas precisam entender isso e parar de falar mal do Brasil nós estamos num sistema extremamente bem organizado o problema o grande problema assim nós somos um somos uma situação em que é é de o a o econômico nosso às vezes eles passam por dificuldades isso sempre eh eh nos atrapalha Mas o que eu vejo assim é um Horizonte na formação de pessoas eh em que nós temos que botarmos toda a nossa capacidade de formar pessoas mas capacidade de formar gestores hoje nós temos uma diferencia enorme de gestores na área da saúde A gestão é uma coisa importantíssima do ponto de vista de de de de estar aberto a novas ideias além de todos os movimentos que nós estamos fazendo na atenção básica eu também vejo que a gente precisa fazer alguns movimentos do ponto de vista de eh transformar alguma das nossas áreas hospitalares em procedimentos seletivos por vocação quando você transforma um hospital por vocação ele claramente ele vai produzir mais quando a gente começa a misturar muito serviço de Emergência com serviços eletivos elas umas se incomodam a outra você não faz nenhuma coisa direito claramente hoje eu acho que nesses próximos 10 anos nós vamos ter que uma área hospitalar exclusivamente para procedimentos eletivos procedimentos eletivos é o procedimento ortopédico são as próteses por ah cardiovascular são os oftalmológicos virar a uma linha de cuidados em que você alguém vou dar um exemplo que é mais simples de entender alguém é palpado um nódulo um nódulo de e de mama no mesmo local ou num lugar com veneno rapidamente faz a mamografia faz a punção faz anátomo patológico faz imunoistoquímica você no mesmo lugar você faz a o procedimento se é só procedimento cirúrgico se é procedimento cirúrgico qu quimioterapia ou radioterapia e a partir de momento você só é remunerado a partir do momento que acaba isso hoje é o que há de moderno extremamente difícil a a implantação mas eu não vejo outra saída hoje como você em áreas ortopédicas e oncológicas e até cardiológica do ponto de vista que não tem além de cuidado isso é moderno é é é duríssimo é mudança de paradigma mas eu acho que será a solução do ponto de vista que eu que eu acho que a bandeira que terá que haver que haver nesses próximos 10 anos que é a resolutividade eu sou um grande defensor do sistema público eh vejo que ele tem que ter mudanças ele já está vendo algumas mudanças alguns horizontes tem cabeças novas pensando isso é importante que a saúde tenha cabeças novas não fique só só com aqueles velhinhos pensando no tempo antigo hoje nós temos que mudar claramente nós temos que mudar e nós temos que estar aberto para mudança o SUS é é é um orgulho tem que ser um orgulho tem nós temos que cuidar de alguns de alguns vieses que e o mais importante é o do subfinanciamento que eu realmente não sei em que momento a gente vai mudar isso não é e ele é um sistema hierarquizado e lembrar que a saúde é sempre Vista pela população como um dos maiores problemas sempre porque é o teu maior bem individual Então as pessoas querem ter saúde querem que os seus entes queridos tenham saúde quer que a população toda tenha saúde como nós queremos também nãoé e isso eh exige um sistema de saúde pronto preparado arrumado e hierarquizado né e que tem a condição de você fazer ter desde a das medidas de hábitos saudáveis de vida e e que você desde cedo já começa a fazer prevenção de tudo até cuidados paliativos infelizmente para aquelas pessoas que não TM mais opção terapêutica mas que precisam ter qualidade de vida no seu fim de vida n