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MEMÓRIAS DA CIDADE - ESCRAVIDÃO EM CAMPINAS
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MEMÓRIAS DA CIDADE - ESCRAVIDÃO EM CAMPINAS

799 views Publicado 24/09/2024 HD · 52:12

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[Música] a posse do homem pelo homem os três séculos de escravidão africana em nosso país acabaram por se revelar fundamentais e marcantes na própria Constituição da sociedade e da cultura brasileira em Campinas já no final dos anos de 1770 uma pequena população de escravos inferior a 50 pessoas é registrada na cidade ainda Vila de São Carlos neste documentário de Memórias da cidade conheça alguns fragmentos deste período marcado pela escravidão que tinha a câmara municipal como administradora da cidade e responsável pelas leis e normas de convivência daquela [Música] época é a riqueza é a principal forma de riqueza do século X é tão importante eu tenho um outro estudo sobre hipotecas hipotecas é um é um crédito que tu concede alguns capitalistas se chamavam mesmo capitalistas é o emprestador de Capital dinheiro esses capitalistas eles emprestavam por meio de um registro de hipoteca a hipoteca exigia que o devedor aquele que é o tomador do empréstimo tivesse uma garantia dma garantia a principal garantia eram os escravos eram os escravos e tava lá no contrato de hipoteca Se algum desses escravos vier a falecer ele deverá ser substituído pelo por um outro escravo com as mesmas características o escravo ele é a mão de obra para lavoura para todo para Tod toda toda a roça a lavoura da cana a lavoura do café fé eh o a criação de portos a criação do de gado que é muito importante para de Moares enfim fora isso dentro do comércio na cidade Campinas não existia Campinas começa a existir no século XVI e mais em função das minas de Ouro de Goiás e Mato Grosso e que é 1720 1700 E aí começa a primeira sesmaria doada que terras doadas para senhores é de 1723 1740 o Capitão Mor o Floriano Camargo Penteado ele se filia a outros proprietários para trazer escravos da África Então esse outro proprietário que é o o barão de Guap né que é o antô da Silva Prado que nem é de Campinas mas tem ele vai fazer uma grande expedição para trazer escravos da África a cultura que exige escravo em primeiro lugar é a cana e Campinas foi grande produtora de cana e em segundo lugar a partir de 1840 é o café que a gente tem é através dos inventários os inventários são documentos judiciais que são produzidos com o falecimento um de uma pessoa que tem a propriedade para serem distribuí para ser partilhada primeiro registo que a gente tem é de 1793 93 Então porque antes tu tem todo um registro que é feito em Jundiaí porque Campinas pertencia a Jundiaí a escravidão em Campinas começa com engenho de açúcar é o açúcar que traz o escravo né Essa necessidade mão de obra e daí é o o escravo africano né O que que descreve dos escravos um nome pelo nome a gente sabe o sexo a idade o que ele faz Qual é a ocupação se é roça ou se é lavoura ou se é trabalho na casa ou se é trabalho no engenho é da África então é do Congo é Benguela é Angola Moçambique então todas ou vem de Pernambuco vem do Rio Grande do Sul vem de Pelotas vem enfim né são eh não necessariamente são africanos mas que vieram primeiro para uma localidade e depois eles são vendidos para Campinas por exemplo ele chega do da África eh às vezes eles falam seu nome vão traduzir para um nome aportuguesado né então é o o como é João Moçambique João Benguela João rebolo jo e assim variava dependendo da região que ele vinha que ele toma nota do nos livros dessa dos escravos 1872 que é o primeiro senso do império é o primeiro e único Censo que faz Campinas tinha 14 1.635 escravos isso aí representava mais ou menos 50% 56% da população tá então é é uma escravaria muito importante Campinas foi o principal centro escravagista da província de São Paulo o código de postura ele era pensado pelos vereadores ele era criado pelos vereadores mas para ele passar a valer ele precisava da sanção do governo provincial né como acontece hoje no nosso processo legislativo a câmara ela ela aprova o projeto e manda paraa sanção do prefeito nessa época não existia a figura do prefeito então a autoridade acima da Câmara era o governo provincial então eram eles que aprovavam o código de posturas aí uma vez que eles publicavam tava valendo no início do século XIX a principal atividade econômica em Campinas era a cana então a gente tinha vários engenhos vários Canaviais que usavam mão deobra escrava num naquele momento Em 1815 houve uma denúncia pra Câmara dizendo que houve o roubo de cana por pessoas escravizadas então a câmara ela vai eh se colocar a favor dos Senhores que tiveram a cana roubada proibindo a compra dos de produtos de escravizados exatamente para evitar que as pessoas comprassem o que foi roubado né a gente sabe que a o comércio realizado por pessoas escravizadas era uma forma também deles conseguirem fundos para comprarem suas próprias alforrias então era comum que nas nas cidades nos Espaços urbanos eles vendessem doces vend sem produtos da sua própria produção inclusive para conseguirem esses Fundos E aí então a gente tem duas funções né nessa proibição a proibição por causa dessa desse roubo desse suposto roubo de cana mas também uma forma de evitar que esses escravizados conseguissem aí lucrar eh com esse trabalho de venda eram sempre criadas posturas que falavam sobre proibição de jogos proibição até de que eles frequentassem o comércio por mais tempo além do necessário para compra e venda de produtos para evitar que eles tivessem essa socialização era uma forma de reprimi-los para evitar que eles se organizassem E aí eles pudessem tomar alguma atitude sobre o que eles estavam vivendo Então nesse caso o delegado percebe que os jogos eram uma forma desses escravizados se reunirem e pede à Câmara que criasse uma postura para ir poder proibir que a gente percebe de diferença aí entre 58 e 66 eh principalmente em as penalidades as penalidades dos eh escravizados em 58 São muito físicas então é a previsão de açoites é uma previsão de um castigo físico quando a gente já vai para 66 essas penalidades mudam também porque existia uma discussão entre os os senhores uma discussão entre aquelas pessoas que possuíam escravizados de que eles entendiam que o estado mandando açoitar significava que a o estado estava interferindo num bem particular como escravizado ele era visto como um bem aí ficava aquela coisa quem pode mandar castigar fisicamente eu que sou proprietário ou o Estado então já tinha toda uma discussão política sobre o liberalismo e aí isso também vai se encontrar nessa discussão sobre o escravizado não era visto como uma uma forma mais humana de penalizar mas era visto como uma questão de propriedade de novo né então era o o problema de sempre de ser eh de ver a pessoa escravizada como um bem como uma um objeto é uma forma também de escapar dessa discussão do que que é privado e do bem privado ou não privado ali Como que o estado tá interferindo nisso então era uma forma de burlar isso outra questão que a gente pode perceber é que eles estão novamente falando sobre os mesmos problemas digamos assim né sobre as mesmas situações os jogos a as reuniões em comércios então a gente percebe que apesar das posturas provavelmente esses comportamentos estavam acontecendo eh na na região na cidade então a gente percebe a partir a gente consegue interpretar a partir desses documentos que havia ainda uma uma resistência a esses essas demandas essas leis a gente percebe em várias posturas várias normas que a câmara vai produzindo que tratam do trabalho escrav dos escravos que fala um pouquinho sobre uma penalidade pro para cada um deles então quando a gente vê a penalidade é sempre muito diferente as pessoas Livres tinham uma penalidade geralmente mais Branda e às vezes eh na maioria das vezes não tinha uma penalidade física não sofria uma pena física enquanto os escravizados eles sofriam a gente percebe também esse quando a gente fala já do século X após a independência durante o império a gente vê que já existia um código penal que já existia leis imperiais que proibiam por exemplo a pena de morte Mas elas tinham algumas eh qual que é a palavra eles ainda consentiram a pena de morte para as pessoas que tinham que fossem escravizadas então alguns crimes cometidos por pessoas pessas escravizadas elas sofriam a penalidade de morte já os Livres não a lei Imperial ela já proibia mas quando se tratava de escravizados era liberado isso porque a pessoa escravizada ela não era vista da mesma forma que as pessoas Livres né então existia elas eram tratadas como bens Inclusive a gente vê em processos essas pessoas tratadas como bens tratadas como uma mercadoria Campinas o regime de escravidão aqui era tido como Mais Cruel isso é Pacífico por exemplo tem um senhor de um um café cultor o Francisco Teixeira Vilela ele vai trazer 168 escravos de de Castro de uma fazenda dos Carmelitas e esses que eram escravos dos Carmelitas que estavam saindo de uma fazenda que eles comandavam porque os Carmelitas deixavam tá eh que os escravos comandar cada dia cada semana elegia se um escravo que ia ser o comandante daquele né seria espécie de organizad dor das tarefas dos escravos quer dizer e dessa situação Eles vieram para cá era um horror eles fizeram uma revolta em Castro que é estudada essa revolta e por causa dessa dessa ideia de sair dessa situação para uma da de Campinas a gente percebe muito nas documentações aqui da câmara que existi um grande medo de levantes escravos a gente tem registros de levantes que aconteceram e que as pessoas vieram à Câmara pedindo ajuda e a Câmara acabava até pedindo ajuda pro governo provincial que seria o equivalente ao nosso governo estadual para conseguir pessoas para eh conter essas esses levantes essas rebeliões e a gente percebe nos documentos que havia muito medo dos vereadores das pessoas havia vários ofícios que chegavam com relação a esses levantes eram sempre tentativas de reprimir os avisados para evitar que eles se organizassem e se rebelassem a gente sabe que por algum tempo Campinas teve uma população muito grande inclusive quando a gente compara com cidades como São Paulo no mesmo período só que a gente vai notar a população a maioria da população em Campinas era escravizada enquanto em São Paulo por exemplo a maioria era livre E essa era uma preocupação porque eles viam que eles estavam Em menor número e que se essa população escravizada se organizasse e fizesse um levante eles poderiam ser bem-sucedidos nesse levante então era sempre a câmara pedindo uma ajuda pedindo uma forma de trazer mais pessoas pra guarda ou então evitar que as pessoas que aqui vivessem fossem participar da Guarda Nacional não fossem recrutadas exatamente para tentar manter a cidade eh mais segura do medo que eles tinham dos escravizados porque aqui nunca existiu uma rebelião por conta desse at não aconteceu antes e não aconteceu depois então eu acredito que aqueles exam serviu para colocar tenor medo e toda a escravatura que existia com cidade esse esse local Talvez seja o marco mais o testemunho o marco mais importante de Campinas porque ele está antes da fundação mesmo de Campinas né ele era um cemitério Bento um local de sepultamento na época dos tropeiros Bem antigo mesmo isso em 1750 53 a gente já tem testemunho de um cemitério nessa localidade esse cemitério servia para ser sepultado pessoas de menor poder aquisitivo e geralmente também os escravos os poucos escravos que existiam aqui então e também os desgraçados digamos né aqueles que não tinham direito a ser sepultados numa igreja mas era um cemitério Bento um cemitério Bento digamos com autorização eh da cúria né era um cemitério com autorização do próprio Bispo para ser para funcionar mas é um cemitério que ficou às margens digamos da história mesmo estando dentro do rossil dentro da área pública ele ficou Às Margens da estrada antiga que é hoje a Morais Salles o Caminhos da eh caminho da Campinas velhas das Campinas velhas eh mas também foi um local que foi serviu também para o sepultamento dos escravos os escravos de nação o rossil era uma área pública uma área eh administrada pela câmara a câmara municipal Então os vereadores tinham um território específico para poder garantir a sobrevivência da população local quando a gente fala de sobrevivência é o que por exemplo o mais básico possível o fogão deles né o fogão é a lenha Aonde eles conseguem a lenha dentro do rossil porque é uma área permitida é uma área pública ou senão pastagem para os seus burros cavalos era no rossil que você conseguia ou senão terreno para construir a concessão de datas que vem de dadas né dadas terras dadas pela câmara municipal ela tinha que est dentro do ril o r era uma légua por uma légua era um quadrado e as o seu referencial o seu pivô era o Pelourinho o pelouro que era um Marco da administração pública da Câmara Municipal que ficava do lado da Câmara Municipal ali no Largo do do Pelourinho que hoje é a praça em frente ao Jockey Clube a hora que vai ter uma quantidade de escravos no em Campinas eh para atender a cultura da cana de Açúcar que exige uma mão deobra muito maior eh eles vão fazer esse comércio do escravo justamente ao Largo do cemitério Bento porque ficava afastado da cidade aonde eles faziam um leilão uma espécie de leilão onde seria hoje o campo da Alegria ou Dom Pedro I A Praça Dom Pedro I era o local de comércio dos escravos para ficar distante para eles ficarem de quarentena porque se caso falecesse já septaria no cemitério Bento agora Cemitério dos cativos e aí você imagina o sepultamento desses escravos eram feitos em valas comum um sobre o outro eh com uma pad cal para só dividir porque às vezes você acometia uma Digamos um um falecimento de vários né desses elementos e esses esses cativos nem tiveram a chance de de sobreviver dentro da lida ou do trabalho né então esse cemitério acabou ficando com uma fama digamos porque com esse seut momento que nem respeita os sete palmos de profundidade e a sobreposição acaba-se revelando na época de chuvas de chuvarada ele acabava Eh socorrendo esses problemas de sepultamento não só do Comércio de escravos de nação mas também para casos de eh de suicídio que não era aceito no cemitério eh católico nem no no cemitério do eh cemitério Bento da da câmara mas também eh também aos escravos que eram condenados ou os mesmos condenados por morte que eram condenados a forca então a forca vai acabar sendo localizada justamente no campo da alegria e esse nome de Campo da Alegria também tem a ver com os escravos de nação porque é como se a morte tivesse livrando né Eh essa alma ou retomando a sua terra natal livrando de um de uma condição né da da Morte né da a condição da do Desterro digamos desses escravos E aí é como se eles pudessem voltar em espírito paraa África original é aonde estaria exatamente a creche Bento pirino então a a creche Bento Quirino está sobre o cemitério Bento e a a seria digamos a casa paroquial da igreja de São Benedito estaria num pedaço desse cemitério e ela acaba o a capela mesmo do me kior acaba encostando no Cemitério dos cativos em 1820 quando Campinas começa a crescer 1820 1830 o cemitério cedia os escravos mas não os escravos condenados e os escravos de nação não católicos era o cemitério ao lado da Igreja do Rosário mas no momento que é desativado esse cemitério né ali do na na frente do Palácio da Justiça uma das das alas e todos esses corpos vão ser transferidos pro pro cemitério dos [Música] cativos que mandou mandou pentar acorda mandou fazer o são que é com negro D do do que fez o facão para 16600 que reo tem tudo livre p a câmera que comprou tudo isso V mandar fazer a forca e a forca foi feita tem uma ata aqui da câmara e dat dizendo o seguinte que a a porca teria de ser instalada entre a igreja e o barracão de guarentena então eu entendo que se a igreja está ali barrão de quarentena devia ser mais ou menos perto da ho Rua maor Sol então CMO aquele espaço aqui reta E aí foi feita a instalação e tinam dois dois e determinação dia seguinte a forca teria ser instalada dois dias antes da execução e tirada dois dias depois ela foi instalada um mês antes que a câmera mandou e foi tirada 30 anos depois aí de lá ela veio aqui p lado são benedeto e chicou mais um tempo aí uma noite a população foi lá e tocou F foi é na cadeia onde o eletrão foi preso e a ca era B chão tem um documento aqui na câ dizendo que tinha mandar fazer um assapão mas se o féo era só t e o primeiro andar tinha fazerão baixo uma cela que ficava preso e e o show a forca o facão elas faziam parte das funções da Câmara de organização da cidade né é uma organização até um pouco triste da gente ver mas era como funcionava a sociedade daquela época a pena do lesb veio por uma ordem judicial a câmara ela tinha que criar meios de cumprir ela cuidava do por exemplo da cadeia então todas as penas elas eram cumpridas pela câmara também né então a gente teve eh a gente olha aí que teve essa preocupação em criar a forca em procurar os meios para para apenas ser conduzida ser cumprida Porque ela tava nessa função realmente de organizar a cidade a mãe do luí José de Oliveiro que foi assassinado o senhor deenho a o o inventário da mãe dele então ela ela é uma senhora de muitas Posses ela tinha 86 8 quatro eu contei agora o número de escravos que ela tinha a lei o o código criminal que é o código de crimes né os processos crimes e eh dessa época já não institui a forca nem o a morte como pena máxima então é é uma coisa que de fato foi ao arrepio assim Total eh da Lei e aí fori enforcado mais gente ali no lar medi também tanto lá no L como no L também for as pessoa que aou continuou da mesma maneira tambou participando desse tipo de coisas tanto o cemitério dos cativos como a capela do do meor também vão entrar em ruína né então os do as duas situações começou a ficar ruinosa e suspeita criando um incômodo aos vizinhos então eles começam a questionar e ao mesmo tempo a irmandade de São Benedito começa a procurar um terreno para construir a sua Capela pedindo pra Câmara Municipal eles concedem vários terrenos só que a irmandade de São Benedito não consegue construir a tempo porque se ela não construísse em um ano ela Perdia o direito da concessão do terreno então mudou-se várias vezes essa situação da Capela de São Benedito até que aparece o mestre Tito o mestre Tito ele foi escravo da família Camargo eh Ferreira só que ele era um escravo muito especial ele é um escravo de nação ele tem esse nome mestre porque ele era especialista em fazer chapéu de fibra de coco então ele vendia esse chapéu para vários ele conseguiu muito dinheiro ele tinha autorização de seu senhor que era da família Camargo Ferreira de ele fazer esses chapéus e botar à venda e ele conseguiu o dinheiro para comprar sua própria eufora Apesar de que o seu senhor deixou em Testamento a sua própria liberdade mas ele queria muito mais ele queria comprar toda a liberdade de todos os seus parentes então de todos os seus parentes mais próximos e ele foi adquirindo essas essas cartas de alforria com o tempo e ele vai eh concentrar suas energias paraa Irmandade de São Benedito que nunca conseguiu um local para construir a sua Capela aí ele vai fazer uma campanha própria ele vai se unir e vai fazer aquela campanha que que se você coloca um exvoto no pescoço uma uma Capelinha um cofrinho e vai pedir de casa em casa esse Dona ele era amigo do Dr Ricardo cental Dal que era um dos primeiros historiadores de de Campinas e é o que fazia a história da Capela do meior e ele vai ter apoio dele também né E aí que que vão fazer vão tentar fazer uma carta bem elaborada para a câmara pedindo a concessão da Capela do me kior o o mestre Tito ele vai conseguir um um certo dinheiro e vai conseguir esse convencimento da câmara paraa concessão e ele também pediu para subir a sobrinha do do m kior a concessão da Capela Porque ela foi a única herdeira Aliás ela pediu autorização também para sepultamento na capela porque em determinada época a câmara já não tava permitindo seputar na capela porque era um privilégio absurdo ele não conseguiu esse feito foi muito difícil e ele pediu também se ele fosse se ele falecesse que ele fosse sepultado na na capela como foi a sobrinha do meu kior mas a câmara não permitiu ele foi sepultado no Cemitério novo isso em 1882 né 81 82 ele teve que ser sepultado lá no Cemitério da Saudade ele teve ajuda de Ana Gonzaga que fez uma campanha era uma uma senhora de um médico importante aqui ela também era muito rica eles vão ela vai conseguir fazer uma campanha muito mais assídua com os ricaços da da cidade então ela vai conseguir coletar uma quantidade de dinheiro suficiente pra reforma da Capela para transformar numa igreja é nesse momento que a câmara concede não só o direito sobre a capela de transformar em igreja mas com concede um terreno na frente e o outro atrás para fazer a ampliação dessa Capela para se tornar um prédio mais satisfatório e a a Ana Gonzaga junto com Miranda eles vão conseguir eh um arquiteto importante na época Essa é uma das primeiras obras do Ramos de Azevedo do Francisco Ramos de Azevedo que já tava começando a despontar em São Paulo então ele vai fazer um projeto até é suntuoso pra fachada da do São Benedito né vai fazer na ordem eh no estilo neor românico uma uma fachada muito curiosa e vai fazer no no seu fundo pra Capela m para poder iluminar melhor porque as paredes fechava esse quadrilátero eh vai fazer um zimbório uma cúpula pra iluminação Até hoje ainda tem esse zimbório uma cúpula no uma espécie de transepto da Capela O Cemitério dos cativos teve que ser desativado porque não não já dava mais condição muitas reclamações de vizinhos vizinhos até importantes eh mas e Edis também eram vereadores então eles mesmos já mostrava esse essa proibição esse impedimento mas eh já tínhamos vários cemitérios ali pro lado da da Vila Industrial inclusive alguns também foram sepultados em volta do eh da Capela principalmente na época da crise eh da febre amarela então eles não tinham onde sepultar no cemitério já não tinha quadra suficiente para isso os antigos então eles acabaram sepultando aqui sepultando Aqui em volta da da Capela era uma terra feita de ossos eles falavam na época e quando dava a chuvarada Leopoldo Amaral dá esse exemplo né que ele passava aqui do lado e via a a Como chama a projeção do corpo humano em ossos e aquilo escorria até a Praça Dom Pedro I que já não era não tinha mais a forca e já tava sendo arborizada e era um Terreirão também né Essa essa região e outras irmandades começaram a cobiçar esse Território que era público eles pensaram A Irmandade do Senhor dos Passos por exemplo queria fazer um uma um uma espécie de cemitério eh fechado com eh campas muradas né era um cemitério particular e e também o São Miguel e almas A Irmandade de São Miguel e almas a mesma coisa só que a câmara desistiu da ideia eles falaram Não agora vamos transformar Isso numa praça A até que eles concederam para pela Para a Sociedade Feminina de ajuda mútua de assistência às crianças pobres uma a construção de uma creche com a verba do Bento Quirino Bento Quirino deixou uma herança né Para que pudesse ser utilizado na construção de uma creche definitiva essa creche funcionava ao lado da igreja ela estava eh num num prédio improvisado E aí foi transferido para sobre o o cemitério dos cativos o movimento republicano que começa na década de 71 72 né quando a fundação do Partido Republicano Paulista eles não têm como linha primeiro a questão da Abolição por quê porque a maioria dos republ são proprietários de escravos tá eles são a favor da são assim e eh deixar o tempo passar o tempo o tempo trará Abolição é o que o campo Sales fez Campo Sales campineiro campineiro mas a terra que ele tinha Rio Claro banheirão que é uma fazenda ele tinha escravos em 87 o campo Sales é Republicano o campo Sales dária condicionada para os seus escravos dali há TRS anos a lei aura de maio de 88 tá ele daria a liberdade para os seus escravos existe um movimento abolicionista muito importante que alguns republicanos eram abolicionista eu vou te citar um Júlio Mesquita que foi o fundador da do jornal foi um dos fundadores do Jornal A província de São Paulo nascido em Campinas estudou no culto das ciências depois fez direito voltou para Campinas para trabalhar na província de São Paulo que tinha aqui é do Rangel Pestana a província daí o sogro dele que é muito rico e que depois foi vice presidente de São Paulo da província de São Paulo o Júlio de Mesquita ele eh trabalha e ele é dos clubes abolicionistas então ele dá cursos sobre liberdade sobre a Revolução Francesa para eles é não a Revolução Francesa tudo e a questão da luta pela Abolição o que que moviu o republicanismo o federalismo da Autonomia pra província de São Paulo a gente tem alguns registros de de debates a respeito do fim da escravidão a respeito do trabalho escravo eh um exemplo muito claro é o Francisco Glicério Francisco Glicério foi vereador entre 1881 e 1883 ao mesmo tempo que o Dr Ricardo que era um monarquista conservador e portanto a favor do trabalho escravo Então a gente tem algumas discussões entre eles por exemplo eh sobre a nomeação de uma praça então a praça ela era ele o Dr Ricardo Estava eh se posicionando a favor de dar o nome à praça de Largo do Pelourinho que era um nome antigo que se dava à praça e o o Francisco Glicério coloca que não que ele preferia então que o nome já que era para trocar o nome da praça que fosse Largo da liberdade e ele coloca como justificativa que estava mais de acordo com os novos tempos mais de acordo com os novos pensamentos ali a respeito da Liberdade ação de liberdade esse documento é é assim ele é Fabuloso por quê mostra eh principalmente a partir de 71 mas não é o problema do movimento abolicionista é o problema seguinte em 71 com a Lei do Ventre Livre foi criado o o fundo de emancipação e foi criada a possibilidade do escravo guardar pecúlio recurso pecúlio acumular algum recurso para ele comprar sua liberdade então o que que acontece dependendo da relação do escravo com seu senhor ele negociava formas de obter algum jeito de de acumular algum pecúlio para comprar a su liberdade tem uma ação de liberdade e daí o que que é ação ação é um documento do Poder Judiciário em que o escravo por meio do seu representante o seu representante normalmente é um advogado ou um solicitador solicitador é aquele advogado que não concluiu o curso Francisco Glicério Francisco Glicério não conseguiu concluir o curso de Direito pai dele morreu ficou com uma dívida enorme ele não podia mais eh cursar o o terminar São Francisco né a as Arcadas né a a faculdade de direito das Arcadas São Francisco bom o que que ele vira solicitador o irmão dele é advogado formado que é mais velho o Jorge de Miranda então o Francisco Licério ele foi ele é o que tem maior número de causas como solicitador representante de um escravo que quer comprar a sua liberdade que também nós temos aqui no se de memória a correspondência passiva do Glicério as cartas que ele recebia e uma das cartas é um senhor de Rio Claro que pede pro Glicério eh eh eh eh ajudá-lo a alforriar uma escrava porque ela é Esposa de um ex-escravo que trabalha com ele como eh como cozinheiro e é um ótimo cozinheiro porque ele descreve Olha o Fulano eu não me lembro mais o nome do escravo do ex-escravo que é o cozinheiro ele é ótimo ele faz pratos franceses maravilhosos ele faz uma maionese deliciosa e a filha e a esposa ainda são escravas de um senhor de Campinas Será que você não pode nos ajudar a ver se ele faz um preço né uma avaliação mais em conta pro H pro Hilário não é outro nome para o o o o cruzin iro conseguir comprar né a urria eh da sua esposa e sua filha o Hilário conseguiu o seu pecúlio como ele foi juntando tudo que ele conseguia ele produzia o senhor deixava ele produzir milho daí ele vendia uma parte do dava pro senhor e outra parte ele vendia no mercado o Hilário negociou com que ele Hilário ia pagar os quatro credores do seu senhor ele pegou o pecúlio o dinheirinho que ele ia juntando pagava um credor pagou o outro pagou e os credores davam quitação da dívida do Senhor dele e com isso ele conseguiu a liberdade porque da aí o processo dele de ação de liberdade tá com toda a documentação dos quatro credores que davam quitação ao Senhor dele a maioria das alforrias que a liberdade que os escravos obtiveram em Campinas se deu pelo pecúlio não foi a alforria dada pelo senhor ocorria também no Testamento que são as últimas vontades do Senhor o que que aparecia o senhor queria Ah enfim agradecer aqueles que ajudaram ele b então ele vai em geral alforriar mulheres eh escravas que trabalhavam na casa como mucamas como ama de leite isso é muito comum isso tu encontras viu nos testamentos a ama de leite que vai ser a al forras em geral mulheres porque são aquelas que estão mais próxima mas às vezes até casais o Francisco Egídio vai eh alforriar três ou quatro casais por quê porque foram escravos bons ele diz isso que eles Me serviram Eles foram muito bons e assim é outra forma de alforria é uma eh solidariedade que vem da origem V dizer é uma é uma trajetória comum né que se encontra numa cala e daí um tenta ajudar o outro né então que é para amenizar os males não a gente tem em Campinas um Partido Republicano muito forte entre os republicanos havia uma discussão sobre a escrav a escravidão havia alguns republicanos que eram favoráveis à permanência da escravidão outros não que já tinha um olhar mais liberal a mesma coisa entre os monarquistas né a gente tinha também alguns monarquistas aqui em Campinas que eram a favor da eram os monarquistas liberais que eram a favor da do fim da escravidão de uma nova organização política e os monarquistas conservadores que queriam permanecer tudo do jeito que estava Então essas discussões elas Também vieram pra câmara e naquele momento a gente tinha a uma maioria de liberais que eram a favor do fim da escravidão e que queriam de alguma forma eh incentivar inclusive que os escravizados que os senhores escravizados libertassem seus seus escravizados a câmara ela era uma formada por pessoas de seu tempo então a gente percebe quando olha pros documentos mais antigos uma defesa muito clara da escravidão uma defesa muito clara dos Senhores então quando a gente vê os a forma como eles se posicionam em caso dos levantes escravos mas eh a gente sabe também que conforme as ideias da população da sociedade vão mudando e as discussões sobre o fim da escravidão também vão mudando isso também se reflete na Câmara Se você olhar o patrimônio a riqueza bruta desses proprietários mais de 50% é escravo é o valor dos seus escravos é assim é é a riqueza é a principal forma de riqueza do século XIX foi o livro criado muito próximo do fim da escravidão a gente sabe que tava tendo um movimento Federal também a favor da Abolição a gente já tinha passado pela lei do ventrí lei do sexagenários o fim do tráfico negreiro e aí a gente tem esse livro que é uma forma de eh homenagear aquelas pessoas que libertassem seus escravos que eh doassem fundos para conseguir essas libertações Mas muito em cima da hora né é muito próximo do fim da escravidão já é muito próximo da Lei Aurea e a curiosidade é que é um livro que não tem registros ele é um livro que ele tem ele é muito lindo muito glamoroso mas ao mesmo tempo não tem nenhum registro da sua finalidade quando a gente abre ele a gente vê que não foi registrado nenhuma carta defora não foi registrado nenhum benemérito a favor da Abolição abolicionista mas a gente não sabe ao certo se ele só não foi registrado ou se não houve realmente alguma alguma movimentação que não houve esses fatos para serem registrados qual era a grande batalha ser indenizados quer ver o Visconde de Indaiatuba ele morreu em 84 o 84 daí ele tem 200 e tantos escravos a viúva que é Meira e que é inventariante ela faz a listagem mas esse e esse inventário demora demora vai sair só em 86 abre o inventário manda daí demora e daí vem o 86 ela lista todos os escravos com o valor que é o valor previsto para o preço dos escravos eh com aquelas idades segundo a lei dos sexagenários então o que que ela tá aguardando que a indenização que vier seja naquele valor que era previsto pela lei dos sexagenários que é de 85 então tem por faixas o valor de faixas etárias o valor dos escravos então é isso eu acho até o final eles estão prevendo e daí é o rompimento político com o império né porque eles não foram indenizados a cidade de Campinas era uma cidade que vivia basicamente da agricultura e o principal trabalho na principal mão de obra na agricultura era o trabalho escravo e por isso a gente sabe também que havia muita resistência local para que houvesse o fim da escravidão que houvesse eh a abolição do trabalho escravo Então por mais que a gente tenha dentro da câmara pessoas que eram a favor da Abolição que trabalharam muito por isso a gente sabe também que havia dentro da câmara como representantes de uma grande parcela de senhores que não queriam o fim desse tipo de trabalho porque era o que sustentava suas fazendas que sustentava suas propriedades o estado de São Paulo que traz migr 84 1884 antes da abolição o Martim o Martim Prado que é deputado e que era Republicano ele fez ele um projeto da imigração subsidiada que que é imigração subsidiada o estado no caso a província pagava a vinda do Imigrante né da Itália porque o que que tava ocorrendo por italiano porque tava uma tremenda crise na Itália e da do avanço do capitalismo então vem que tinha sobra de mão deobra os imigrantes entraram dia 14 de Maio de 1888 ficaram poucas famílias de ex-escravos que tu identifica pelo nome que são ex-escravos mas vieram 20 famílias de imigrantes para essa Fazenda Então essa substituição basta dizer que não teve crise de crise do café e de falta de produto que a safra caiu se não teve problema de da operação cafeira nessa fazenda de Santa da Sete Quedas que eles ficaram algum período eles ficaram até setembro outubro porque eu tenho um registro nos livros dessa Fazenda Mas acontece que depois eles vão embora eu acho que para ele era muito doloroso continuar naquele lugar podia ir pra outra Fazenda man não aquele onde ele foi escravo a câmara ela dá ciência quando há a assinatura da Lei Áurea a ciência de todos os vereadores de que houve a assinatura mas não tem um projeto do que fazer com essa população o que que foi a Lei são dois artigos está abolida a a escravidão revogo suas disposições ário que que se faz com isso um toda aqui em São Paulo na província de São Paulo tinha 107.000 escravos que que essa a gente vai fazer sem educação sem saúde sem terra porque o que eles sabiam era cuidar da terra sem terra porque não Dero Terra nas primeir o primeiro movimento evolucionista 80 se falava em distribuir terras pros ex escravos era isso tinha uma série de proposta educação eh terra para eles saúde nunca mas educação e Terra isso nada se fez então a gente não tem um projeto do que fazer para reparar esse período em que essas pessoas foram escravizadas O que fazer com essas famílias pilas se deve aos braços e as mãos dos escravos isso aí é uma longa trajetória começa lá né como lá em 1700 quando Campinas é fundada e que teve a principal população de escravos da província de São Paulo se isso aqui é um território tão sagrado tão significativo pra memória dos negros dos daqueles que não conseguiram avançar o mestre Tito conseguiu mudar essa realidade Aliás ele comprou várias alforrias de outros escravos quando ele conseguiu liquidar toda a libertação do seus escravos ele consegue comprar de outros se esse é um ponto tão importante pra cultura negra pra cultura afro-brasileira Por que esse essa creche não deveria ser transformada nesse centro nesse local especial pra gente entender a cultura Negra C
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