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No Brasil colonial, a educação começou com jesuítas. No início, o Estado não era responsável pela educação escolar da população. Nesse período, o letramento era direcionado somente aos homens. As mulheres não tinham acesso aos colégios e eram educadas somente para a vida doméstica e religiosa. Com a independência, o conceito de educação pública passou a existir, mas ainda era acessível às famílias ricas e as dos senhores de terras. No início da República, ela se fortaleceu como um direito público e a obrigação do Estado. Neste contexto, desde a vila de São Carlos até a Campinas da atualidade, a Câmara Municipal sempre esteve ativa, atendendo as demandas relacionadas ao tema. Neste documentário de Memórias da Cidade, vamos mostrar as ações do legislativo do município até o final do século XIX, em que a Câmara se mostra presente em muitas iniciativas para promover a educação. [Música] Quando a gente tem a chegada da família real portuguesa no Brasil em 1808, nós teremos a realidade, a gente não vai ter uma mudança tão grande na questão educacional do Brasil. Além dessa questão das ordens cuidarem, e um ponto que eu queria destacar é que quando nós temos eh antes ainda da vinda da família real o governo de Dom eh Dom José I com Marquês de Pombau, a gente tem a expulsão dos jesuítas do eh não apenas do Brasil, mas de todo o território imperial português. Com essa expulsão, outras ordens vão acabar se responsabilizando pela educação. Então, a gente ainda tem essa questão das ordens religiosas católicas eh com um papel muito importante dentro da educação. No caso do Brasil, nós teremos, além das ordens também, eh, a contratação de tutores, em especial por famílias mais abastadas para eh que esses tutores tomassem conta da educação dos filhos desses grupos de elite. Durante esse período da vinda da família real portuguesa pro Brasil, a gente vai continuar tendo esses padrões, principalmente a questão das primeiras letras, né? Eh, questões ligadas à matemática, educação religiosa, né? Então, a questão ali da moral cristã, religiosa, e que também tava muito vinculada aos próprios, enfim, processos ligados à Igreja Católica também. E junto a isso, a gente vai ter algumas outras disciplinas, como por exemplo, o latim, eh, que permitiam também a circulação desses sujeitos de elite para, por exemplo, universidades em Portugal e em outras regiões. Vale lembrar que com a venda da família real Portuguesa pro Brasil, a gente começa também a ter abertura de universidades aqui, né? E consequentemente paraa entrada nessas universidades, esses currículos, por exemplo, o domínio de latim era algo necessário, coisa que também era ensinada por esses tutores que eram contratados. Quando vamos falar de documentação do período colonial, a gente tem que pensar em diversas coisas. São documentos bastante diferentes dos documentos que a gente tem hoje em dia e eles existem em uma quantidade menor. Então, muita das muitas das informações que a gente encontra ali, pra gente entendê-las, a gente acaba ficando muito no campo das hipóteses. é um pouco difícil de determinar, olha, é exatamente isso que está acontecendo, porque são poucos documentos num contexto já passado e que fazem referência a questões que às vezes não estão acontecendo aqui no Brasil, que estão acontecendo em Portugal, já que o Brasil ainda era uma colônia neste período, né? No caso deste tributo, eh, bom, primeiro lugar, estamos falando de um termo de vereança, né? O que que é um termo de vereça? termo de vereça, entendemos com o que hoje em dia nós chamaríamos de uma ata, né, registrando o que foi discutido em uma sessão da Câmara ali. Neste caso, então precisava-se discutir a a elaboração de um tributo para se financiar ensino, né? A nossa hipótese é que isso eh diga respeito a uma correspondência de algum tempo atrás em que se buscava dar uma o que a gente entendeu ali como uma estrutura mínima para paraas cidades, né, paraas vilas do paraas vilas brasileiras. O que também podemos pensar, horas eh estão se dirigindo à Câmara, que é a instituição responsável por administrar todas as questões ali do âmbito local. Então, a Câmara precisa pensar de onde vão tirar estes fundos para se financiar essas questões no período colonial. Quando nós olhamos pro todo esse universo em relação à educação, o que que a gente encontra na realidade é uma educação voltada para grupos da elite, principalmente. E essa educação, ela vai ter eh eh na realidade o controle, quem vai ter o controle dessa educação vão ser principalmente ordens religiosas. Destaque para a ordem jesuíta. Os jesuítas, eles vão ser muito importantes, eles vão ser responsáveis também por abrir uma série de colégios dentro do Brasil colonial. Inclusive, até mesmo a questão ali das primeiras bibliotecas no Brasil e assim por diante, é quem trouxe, quem acabou constituindo também foram em grande parte os jesuítas. Eh, durante o período colonial, a gente não pode dizer que não existia uma educação pública. A educação, na realidade para de acordo com eh eh Portugal, de acordo com a metrópole, era de responsabilidade dessas ordens. Então o estado delegava essas ordens religiosas, jesuítas, carmelitas, essa função da educação, da administração da educação. Quando nós temos a proclamação da independência, nós teremos dentro da legislação, sim, toda uma discussão em relação a eh expansão da oferta de educação no Brasil. Só que ainda assim, mesmo com essas discussões e até mesmo com algumas legislações sendo criadas, a educação ainda assim era bem restrita e também muito vinculada a essa questão tanto do tutor, né, desse professor contratado, quanto do surgimento ali de das chamadas escolas isoladas. A noção de educação pública gratuita para todo mundo, ela só vai acabar surgindo de fato, aparecendo de fato dentro da, enfim, da pensamento, da mentalidade das discussões do Brasil, apenas durante o período republicano, em especial ali em fins da década de 20, década de 30, mais ou eram escolas que se tinha um professor como responsável, principalmente voltado pro ensino primário, alfabetização inicial e eh os alunos das mais diversas idades conviviam na mesma classe, né? Então, se tinha eh eh um ensino para todas aqueles estudantes ao mesmo tempo e o professor ia dando, enfim, organizava toda a questão das aulas a partir desse, desse modelo de que era todo mundo junto e misturado. Este documento de 24 nos traz novamente, eu acho, a preponderância do papel da Câmara para resolver questões de âmbito local. A gente tem, então, uma previsão na Constituição, né, de que haja a instrução pública, porém eh nós temos um problema, então, na então vila de São Carlos, não temos professores para prover essa essa instrução pública, como eles chamam. E a Câmara como responsável pelas questões locais precisa tomar providências ou buscar uma forma de se de se prover essa instrução. É muito interessante ver um documento como esse, né, que demonstra também eh articulação dentro do próprio município ligado a essas discussões sobre a educação, a necessidade também de professores e eh como no final das contas essa elite ligada a Campinas também via, pensava a educação e se preocupava com esses processos. [Música] que a Câmara tá pensando em administrar a vila naquele momento. E se nós temos essa questão da necessidade de prover a instrução, a Câmara vai se colocar ali. esse documento da do aviso do professor, né, de que vai encerrar suas atividades, se não me falha a memória, é um de vários documentos em que a gente tem essas essas trocas, essas comunicações relacionadas à educação, à atuação dos professores ali na aqui na Vila de São Carlos hoje, Campinas, né? Eh, então essa comunicação deles com a Câmara tratando de questões eh muito palpáveis ali, horas, vamos ter, não vamos ter este professor aqui, né? E a Câmara precisa ter ciência disso e eventualmente tomar providências a respeito. Provavelmente havia também a questão das subvenções ligadas à questão dos professores para que eles conseguissem também atender esses grupos de elite, essas regiões que havia também eh eh fornecimento de eh ensino para esses grupos de elite, né? Quando a gente olha também paraa história de Campinas, são pontos que são muito pouco estudados ainda, né? Eh, então a gente tem uma ênfase muito grande nas discussões sobre educação em Campinas, principalmente a partir de 1850. [Música] [Música] Nós temos também, no caso, por exemplo, dos estudantes, uma circulação muito grande em relação a estudantes, eh, a partir principalmente de internatos, né? Essas regulamentações, né? né? E essas questões ali de contratação de professores, ligação de professores, passavam também por escolas que eram administradas por outras instituições, né? Então, esses controles também eram estabelecidos como uma forma de eh padronizar também determinados aspectos curriculares, determinadas questões ligadas também ao ofício. vinda de professores, no caso, me parece esse documento, da maneira como foi exposta a problemática de uma ausência, de uma falta de professores. [Música] Era uma forma de conseguir também chegar na base. Então, o que que acontece? a gente tem a partir mais ou menos da década de 30, eh, o estabelecimento da responsabilidade pela educação por parte das províncias. E as províncias, lembrando que quando a gente fala do império, a gente não fala de estado, a gente fala de província. Então, província de São Paulo, província do Rio de Janeiro e assim por diante. As províncias elas estabeleciam também as suas regulamentações próprias e, eh, enfim, eh eh traziam todas as formas também de administração. No caso da província de São Paulo, havia parte dos processos de fiscalização, de levantamentos e assim por diante, eh, eh, atribuídos ao município, à câmaras municipais, para fazerem essas vistorias. Esse documento nos permite pensar, em primeiro lugar, que Campinas ou a Vila de São Carlos não é uma ilha, não era e não é uma ilha isolada, né? A gente tem relações com o governo da província, a gente tem relações com outras vilas também, com outras cidades, né, que tão expressas nos documentos ali. E novamente é uma questão local, né? Então, o provimento de uma vaga no ensino ali, mas que na visão destes vereadores pode ter sim repercussões para outros espaços. E aí, inclusive fica como um argumento para que se crie, para que se tenha essa vaga que olha a importância de se ter, não só paraa gente aqui na vila de São Carlos, mas também para outros espaços. [Música] Um ponto muito interessante é que antes de 1870 no Brasil, a gente não vai ver notícias de colégios com arquitetura especializada. eram construções adaptadas, edifícios que, por exemplo, eram alugados e eram adaptados para se tornar escolas, no caso, por exemplo, de colégios religiosos ligados à arquitetura dos mostiros e assim por diante. Na a partir de 1870, a gente começa a ter uma discussão de fato da estruturação de uma arquitetura escolar especializada. é algo que altera toda essa base da constituição da arquitetura escolar e isso acaba sendo levado também pro período eh republicano. Glórios. [Música] A gente vai ter, por exemplo, em 1872, no primeiro e único senso geral do império, eh, que as pessoas que sabiam ler e escrever era extremamente reduzido. Então, 83% da população no Brasil não sabia nem ler e nem escrever, né? Quando a gente olha a situação em relação a homens e mulheres, a situação era para as mulheres ainda pior, né? 86% das mulheres não tinham esse domínio da educação. No caso de Campinas, é interessante que há um contraste, porque dentro da população campineira, o quadro era de 68.45% 45% da população livre não sabia ler e escrever, enquanto os homens era 61% e as mulheres 77%. Então, quando a gente compara de 83 para 68, Campinas, na verdade acaba tendo também uma vantagem nesse processo educativo, né, que demarca também uma preocupação também da região, né, do da cidade em relação a essa questão da própria educação. Quando a gente olha pro caso de Campinas, não apenas de Campinas, mas de outras regiões, toda essa questão da necessidade também de estabelecer currículos, principalmente voltados para eh pras universidades, como, por exemplo, o Largo Direito São Francisco. Então, quando a gente fala de gramática latina, dentre outras eh eh disciplinas, isso tá muito vinculado a os chamados exames parcelados que tavam relacionados com a entrada da desses grupos de elite nessas eh eh instituições que serviam tanto pro pro poder da elite, né, da da própria elite nacional, quanto para eh fornecer ser quadros paraas instituições administrativas burocráticas. Então, por exemplo, questão de formação depois de juízes de paz e assim por diante, isso passava pelo Largo Direito São Francisco. Essa necessidade da educação e desses tipos de currículos tava muito vinculada também a isso. Então sim, de fato é interessante a gente ver realmente em Campinas essa preocupação em 1844, mas quando nós olhamos de fato o que que a gente acaba encontrando ainda assim colégios, por exemplo, dentro de fazendas, a gente vai encontrar também essa questão do ensino específico com também tutores, só que esses currículos também passavam por autorizações ligadas a a a fiscal fiscalização das câmaras e assim por diante. [Música] Estes pedidos de que se ateste a presença, se ateste a frequência nas aulas, né, seja de professor, seja de alunos, eh são um exemplo e é um exemplo muito recorrente na nossa documentação ali, né, então do professor pedindo que seja atestada a frequência de nas aulas para receber o salário. Isso sendo apresentado por uma comissão de vereadores, a comissão analisando e eh dizendo se pode ou não pode. Eu acho que estes documentos eles são muito interessantes, entre outras razões, porque através deles a gente consegue ter um panorama de quem são esses professores, como eles estão atuando, onde, em que situações e quais que são os posicionamentos da Câmara ali, né? se você vai fazer algum tipo de inspeção, que tipo de informação a Câmara tem sobre este assunto e é muito recorrente na documentação do do império esse tipo de assunto, professor, pedindo que lhe seja atestada a frequência. A primeira primeira escola é muito difícil de dizer, porque a própria documentação em relação a Campinas, por mais que nós tenhamos uma documentação farta, delimitar, estabelecer qual foi de fato a primeira escola, é um ponto delicado, justamente porque a gente encontra realmente atividades escolares em fazendas, atividades escolares próprias, colégios internos e assim por diante. Mas eh quando a gente olha para os registros, uma das primeiras escolas que nós temos realmente e eh dentro de Campinas, a gente pode citar o Colégio Cesarino, que tem uma eh ou colégio Perseverança, que tem inclusive uma história muito interessante. Era um colégio que foi formado por eh uma família de pessoas negras que eram livres e eles atendiam inclusive as meninas das famílias mais abastadas da cidade. Esse colégio ele acaba durando até ali finais do século XIX, depois acaba fechando. Outro colégio que a gente pode citar é o caso ali na década de 1860 já, que é o colégio Florense que foi criado por Carolina Krug Florence, esposa de Arculi Florense, o criador da fotografia, inclusive, eh, no caso do Colégio Carolina Florense, ela estudou inclusive na Europa um método pestalose, trouxe inclusive esse método e aplicou em sua escola e a gente vê um uma estrutura curricular dentro do colégio Florense, ligada a até mesmo educação científica das meninas, uma coisa que pro período era revolucionária. [Música] A gente encontra inclusive diálogos entre o Colégio Florense e a Câmara Municipal, porque o colégio Florence ele ficava próximo do Largo do Jorumbal, atual Largo Corredio de Melo, que é onde fica o atual terminal mercado no centro de Campinas, né? Que que acontece? A área, o Largo do Jurbeval, ele na verdade era um brejo e era um local utilizado para depósito de lixo, coisa que gerava um problema também pra escola por conta do mau cheiro, questões de higiene e assim por diante. O que gerou o com que os pais que possuiam filhas no colégio Florence, até mesmo o próprio Hércul Florense, eles enviassem cartas pra Câmara Municipal pedindo que aquela área fosse, enfim, urbanizada, tivesse realmente ali reformas na área. E na Câmara Municipal traz toda uma discussão em relação a isso. Então, é interessante ver esses movimentos desses colégios que começam a surgir com essas atividades também e as discussões que passam a ter na Câmara. [Música] Em 1873, mais ou menos, vai ser de fato inaugurado junto também mais ou menos com datas próximas o colégio internacional. A gente vai ter em Campinas as diversas ondas eh de febre amarela, os colégios eles acabam fechando. O colégio Cultua Ciência não era o único, né? Como eu cheguei a citar, a gente vai ter o colégio internacional, mas que a gente vai ter também a migração do colégio pra região de Lavras, né? Eh, mas nós teremos também colégios populares, colégios ligados a grupos de elite, mas direcionados eh eh para ou enfim pro pro para extratos menos abastados da população. Dois desses colégios, a gente pode citar o colégio Correia de Melo, a escola Correia de Melo, que ficava no que acabou sendo construída no Largo do Jorumbal, a partir de uma série de discussões que aconteceram na Câmara Municipal, porque Joaquim Correa de Melo, que a a escola acaba levando o nome, ele era um botânico campineiro, ele acaba falecendo e a Câmara decide prestar uma homenagem. Inicialmente pensou-se numa num constituição de um buso para ele, só que depois isso foi alterado paraa construção de um colégio que foi colocado eh no Largo do Jorumbal, no atual Largo Correia de Melo. Na década de 60, esse colégio ele acabou ele já tava fechado e acabou sendo demolido, mas ele funcionou por um longo período de tempo. a gente tem as notícias de que ele foi um dos primeiros colégios de fato municipais de Campinas durante o período republicano junto com a escola Ferreira Penteado. No caso da escola Ferreira Penteado, ela foi criada pelo Barão de Itatiba na frente do Palácio dos Azulejos e inclusive tem no seu frontício ao povo eh consagra Joaquim Ferra Penteado, né, o Barão de Itatiba, escrito, né, no frontpício do colégio. Esse colégio ele a princípio e eh vai atender também toda a questão da educação primária, vai trazer a questão do método João de Deus, que era um método português de alfabetização. E mais pra frente, após a o falecimento da Baronesa de Itatiba, o colégio passa pro município. [Música] Os republicanos, eles defenderam muito a educação popular, que seria essa educação para o povo, né? Então, assim que se proclama a república, vários estados brasileiros começam a fazer reformas da instrução pública, renovando a instrução, renovando nas instituições, renovando nos métodos de ensino e, principalmente investindo na expansão. Então, nós temos um movimento de intensificação dessa educação pública, né, que ela não atinge todo mundo efetivamente, mas é o início, assim, uma intensificação, não é o início, mas uma intensificação desse dessa intenção de expandir a escola pública e levar a educação para as diversas camadas sociais. [Música] Neste caso, nós tínhamos a resolução ali, nós começamos a fazer uma seleção de resoluções, porque nós temos bastante normatização relacionada a escolas no período republicano, a gente tem bastante correspondência relacionada à escola. no período republicano, mas neste caso eu acho que vamos requerer pesquisas mais aprofundadas para conseguir entender um pouco melhor essa essa situação. A Câmara Municipal de Campinas teve uma atuação muito presente em relação à educação, né? Ela fazia subvenções, isenções de impostos, né? E mesmo criação de escolas. Então, Campinas tem no período imperial todo aquele movimento do culto, a ciência, escolas para o povo, inclusive escolas para escravos, né, pessoas escravizadas. E aí, nessa transição do império paraa República, a Câmara então retira isenções, aqueles subsídios que ela dava ao culto ao Science e transfere para a escola Correia de Melo. Ela era uma escola particular e que havia sido criada por uma um grupo, né, de fazendeiros paulistas aí com ideais muito progressistas, mas ela era uma escola particular. relatório da comissão de justiça da Câmara, que faz, então, justifica por retirar a subvenção ao culto ciência e transferi-la para Correria a escola Correia de Melo. A escola, a intenção era refundar a escola Correia de Melo, né, que ela foi fundada pelo botânico Correia de Melo em 1880. Então, era refundá-la como uma escola pública para crianças pobres, tanto do sexo masculino quanto do sexo feminino. E era esse ideal. Eu acho que a Câmara estava sintonizada com esse ideal de valorização da educação pública, sabe? E aí retirar essa subvenção era uma forma, né? [Música] A gente pode pensar, na verdade, em uma no início de uma reordenação geral da do funcionamento da administração da cidade, né? nós passamos a ter as intendências formadas e a ter uma intendência que vai ter a sua atuação mais voltada a educação, né, a instrução pública, se não me falha a a memória. No período, no início do período republicano, nós temos uma uma transformação significativa no funcionamento da administração da cidade. a gente passa, por exemplo, a ter tipos normativos, né, a ter normas mais parecidas com que a gente tem, com as que a gente tem hoje. Então, resoluções e leis e a, então, o funcionamento da cidade passa a ser reorganizado, mas ainda é muito atrelado à Câmara, né? a gente começa a ter o desenho de um poder executivo ali através das intendências, mas que ainda é algo que vai eh vai se transformar bastante, vai se modificar bastante até os anos 30. não é uma mudança total. São várias mudanças que vão ocorrendo e se transformando. E é difícil de a gente ter um marco ali, até porque a gente tem estes entendentes, mas eles estão muito atrelados à Câmara, né? Eles estão sempre prestando contas ali à Câmara, respondendo a Câmara. Então a gente, a gente costuma brincar que é uma relação que tá se que vai se transformando ali em 1891. A a a São Paulo, o governo do estado de São Paulo faz uma lei geral pro estado, regulamentando os municípios, como deveriam se organizar os municípios no estado de São Paulo, tá? Então essa lei estadual ela prescreve, né, ela estabelece que os municípios poderiam criar escolas públicas, eles poderiam auxiliar na inspeção do ensino, eh como deveriam ser organizadas a o sistema municipal de ensino. Então todas essas regras. E aí no ano seguinte a Câmara Municipal de Campinas faz a adequação, né, da do seu sistema municipal de educação, vamos dizer assim, em conformidade com essa lei número um. E ela é lei número um, porque ela começa novamente a eh numerar a legislação, né, porque havia essa lei anterior aí do estado prescrevendo a ordenamento dos municípios paulistas. Naquele momento nós tínhamos a única etapa do ensino obrigatório era a escola primária, primeira, quarta série, corresponderia hoje do primeiro ao 5inº ano, né, fundamental. Então essas, mas só que o grupo escolar era uma escola moderna, né? uma escola considerada de melhor qualidade que o Brasil instituiu no período republicano. Era uma escola com várias salas de aula, com vários professores, uma organização muito racional, um diretor, né, materiais inovadores, com método de ensino intuitivo. Então, o grupo escolar era assim um modelo, uma escola modelar, como a gente diz. O intendente, ele teve o papel de fazer proposições, mas veja bem, e cuidar administrativamente da da educação municipal, tá? Mas era a Câmara que fazia todas as decisões, passava pela Câmara, os projetos, os programas, toda essa subvenção à escola, subvenção, eh, isenção de impostos a escolas particulares, inclusive, né? eh era passado pela Câmara, mas o intendente tinha essa, vamos dizer, esse trato mais administrativo. [Música] O governo do estado não aceita a a oferta da Câmara Municipal de Campinas, mas eh estabelece aqui a criação do primeiro grupo escolar, que foi o Francisco Glicério. Então, a pedra inaugural da do prédio é de 1895, mas a instalação da escola em 1897. Então, a partir de 1800, veja, nós tivemos 1897, a criação do primeiro grupo, o a vinda da escola normal, que foi a escola complementar em 1902, ela continua sendo uma escola municipal, ela e o Ferreira penteado. Então, a a Câmara eh custeava, né, ou mantinha escolas rurais, algumas escolas na zona rural. primárias na zona rural e essas duas escolas na sede. A Câmara tentou inclusive apresentar em 1891 um projeto para o governo do estado, municipalizando as escolas de Campinas todas. Não foi aprovado, né? Mas a Câmara continuou envidando esforços assim para promover a educação pública na cidade. Então durante esse período, eles tentam eh apresentam propostas paraa Câmara Legislativa de São Paulo, né? Eh, para criar uma escola modelo, para criar uma escola complementar, que seria uma escola normal, para criar o primeiro grupo escolar. E aí eles eh fizeram essa tentativa de oferecer o prédio do Correia de Melo para o estado criar aqui ou uma escola modelo ou um grupo escolar. E isso depois vai resultar na criação do primeiro grupo escolar, que é o o Francisco Glicério. Continuamente, como a Ferreira, a Correia de Melo tinha um prédio próprio, continuamente a Câmara oferecia esse prédio para o governo do estado para fazer funcionar ali mais uma escola pública, né? porque a demanda era muito grande. Campinas tava crescendo muito, havia uma demanda enorme de por escola, né? Uma demanda de vagas, uma procura de vagas. E a cidade precisava então ampliar o número de escolas públicas. O que a Câmara fez foi no sentido de eh buscar ou negociar com o governo de estado formas para a expansão dessa dessas escolas públicas. [Música] Lendo as atas da Câmara Municipal, o que mais me impressionou foi essa mobilização política, essa articulação mesmo, esse vai até São Paulo, eh, traz político aqui, eh, oferece dinheiro, oferece terreno, oferece um prédio que já tem ou aluga, né, a Câmara Municipal, o poder municipal alug alugou eh o prédio paraa escola complementar, a escola normal, alugou o prédio do Artur Segurado. Então assim, havia toda uma mobilização política mesmo, no sentido de fazer valer. E nos jornais, o que a gente percebe é essa negociação política forte, porque Campinas tinha, né, vamos dizer assim, essa tradição republicana aqui nasce junto com ITU, o partido republicano, os republicanos campineiros tiveram uma presença muito forte na república, né, na proclamação da república. Então eu acho que Campinas era a foi a primeira cidade do estado mesmo antes de São Paulo, né? E depois quando na transição pro século XX ela se torna a segunda maior cidade, o maior polo, eh, de produção do café, né? Então, ela tinha toda essa, eu diria, um poder político forte. Nós vamos ter preceptores eh em fazendas ainda, né? né, em algumas fazendas, mas o foco passa a ser a educação pública, né? Havia, por exemplo, muitos artigos em jornais eh discutindo a falta de vagas. Então, pais que ficavam em filas, que eh faziam abaixo assinado, procurando vaga em escolas primárias para os seus filhos, né? havia um interesse muito grande. O colégio Cuta Ciência, ele surge como uma associação. Eh, por muito tempo se teve a vinculação do Colégio Culta Ciência como um colégio vinculado ao Partido Republicano de Campinas. Mas a coisa não é por aí. Quando a gente, o colégio de Culta Ciência, ele surgiu a partir da associação Cultência. E quando a gente olha quem fazia parte da Associação Culta Ciência, membros do Partido Liberal do Império, do Partido Conservador do Império e do Partido Republicano do Império, tinham eh pesos muito próximos. E é interessante a gente lembrar, eh, muitas vezes os esses liberais eles eram irmãos, primos, tios, vários eram vereadores, inclusive o Partido Liberal tinha um peso muito grande em Campinas, assim como o Partido Conservador. Então, por exemplo, o Barão de Itatiba, que tava vinculado a a ao Partido também Conservador do Império, ele vai acabar eh tando vinculado também a algumas dessas iniciativas educacionais, assim como, por exemplo, seus filhos, genros, cunhados e assim por diante, né? Então, essas relações de partido, elas na realidade eram suplantadas pelas próprias relações familiares. Você tinha os laços também de parentesco, algo que garantia a aproximação entre esses sujeitos, por mais que fossem de partidos distintos. Durante toda a primeira república se omitiu nas estatísticas brasileiras e locais a questão da raça, né? Então o que nós temos nas estatísticas é o número de imigrantes que estão na escola, mas não o pertencimento racial, étnicora racial. O que a gente pode perceber pelo nome dos alunos, pelos livros de matrícula, a profissão dos pais, é que há um há a presença de crianças negras nas escolas públicas de Campinas em menor número que as crianças brancas e as crianças filhas de imigrantes, né? Mas eles têm uma presença. Há uma movimentação popular que às vezes ela não é tão transparente [Música] com as sucessivas ondas de febre amarela. Voltando a falar do Corredio de Melo, Corredio de Melo ele chega a fechar por um tempo, se torna uma enfermaria, inclusive para atender os casos e depois ele acaba reabrindo. Em alguns momentos a gente vai ter associações de imigrantes cuidando do colégio, mas depois vai passar definitivamente para eh para Campinas. [Música] políticos aqui que tinha uma relação forte com não só o governo do estado de São Paulo, os políticos, né, que estavam governando o estado de São Paulo, eh, mas também em âmbito nacional. Então, eles têm essa força política para fazer trazer essas escolas. Mas tem uma demanda também. A gente não pode esquecer que a população de Campinas lutou muito para obter a sua ampliar a escolarização da população nos jornais. Uma queixa permanente da população, exigindo, reclamando. Então, na reivindicação você vê, né, que a pessoa vai até o jornal e diz: "Olha, nós do bairro estamos precisando da escola". e encontrei vários abaixo assinados da população, junto à Câmara, junto a deputados, pedindo escolas, mais escolas. [Música] Essa a defesa da educação e da defesa da cultura, né? Eu acho que isso sempre foi uma marca aqui da cidade, né? E mesmo essa elite eh campineira, ela é uma elite progressista nesse sentido, né? Então ela eh tinha suas escolas particulares de excelência, mas também havia as escolas para a população, né? A as escolas públicas, esse esforço de criação das escolas públicas. a gente vai ter eh um discurso comum por parte da elite campineira em relação a isso. Quando nós olhamos a a o caso do culto à ciência especificamente, eh ele foi idealizado pelo Antônio Pompa de Camargo, meu travô, né, que inclusive foi participou da Câmara Municipal de Campinas e eh ele era republicano. Acredito que muito por conta disso que o culto ciência foi amarrado essa questão do republicanismo, né, dentro, enfim, da história, das discussões da história mais recente. Mas eh o culto à ciência, ele chegou a receber subvenção também da de Campinas, do município, apoio do próprio município. mais paraa frente, eh, a Associação Cultência passou o o colégio também pro município e depois pro estado, né? E aí a gente tem também eh eh o ginásio do estado sendo criado em Campinas. A gente olhando hoje pro passado consegue ver tudo que se transformou, mas quem tá ali em 1890, 1892 não consegue ver o que viria pela frente de transformação e o tal o que o que ia se desenhar, né? Então a gente a gente mas a gente tá numa posição privilegiada de olhar essas mudanças e pensá-las. [Música] S glorioso [Música]