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[música] [música] Estamos Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Hoje é sexta-feira, sextamos, dia 7 de novembro e a nossa conversa hoje é sobre algo que muita gente anda sentindo. Aquele cansaço que não vai embora mesmo depois da gente dormir, descansar ou tentar dar um tempo. Vivemos cercados de telas, notificações, reuniões online, informações o tempo todo. A gente acorda e já olha o celular, trabalha, responde mensagem, assiste série, rola o feed e quando a gente percebe o dia já acabou. Mas será que esse estilo de vida hiperconectado está estar sempre ligado, né, não está deixando a gente mais cansado do que produtivo? né? Hoje estúdio Câmara convida você a fazer uma pausa para [música] pensar sobre o que significa viver em modo OM o tempo inteiro. [música] E você que está com a gente, né, se sente ligado, mas raramente descansado, manda sua mensagem. Nosso WhatsApp tá na sua tela e a nossa produção já está com o WhatsApp aberto aqui para receber a sua participação. De repente, eh, você vai dar o seu depoimento, a sua dúvida, quer conversar conosco, porque as nossas convidadas já estão no estúdio. Daqui a pouquinho a gente apresenta elas para você e você já vai mandando a sua dúvida, vai interagindo conosco e você sabe que já a gente conversa contigo, tá bom? 199729377. [música] Muito bem, vamos com informação agora para você. Bom, em alusão ao novembro azul, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de próstata e a promoção da saúde integral do homem, o vereador Paulo Hadad, presidente da Comissão de Política Social e Saúde, promove uma roda de conversa intitulada Papo de Homem, com foco em prevenção, diagnóstico, cirurgia e tratamento da doença. O encontro será realizado na terça-feira, dia 11 às 5:30, no plenário José Maria Matozinho, entrada pela Avenida Engenheiro Roberto Mes, número 66, no bairro Ponte Preta. O evento conta com o apoio do científico do sonho e oncologia Hematologia. A iniciativa busca quebrar tabus e incentivar os homens a manterem uma rotina de cuidados [música] preventivos e exames regulares. Além da roda de conversa, as fachadas da Câmara nas entradas da Avenida da Saudade e da Avenida Engenheiro Roberto Mandei estarão iluminadas de azul durante todo esse mês, reforçando a campanha internacional iniciada em 2003 na Austrália e que chegou ao Brasil em 2008. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o Inca, o câncer de próstata é o tipo mais comum entre homens, depois do de pele e com cerca de 71.000 novos casos anuais no país. Então você, homem, cuide-se, aprenda a se cuidar, né? Vá ao seu médico de confiança regularmente. Muito bem, mais informações chegando para você [música] aqui na TV Câmara Campinas, no nosso estúdio Câmara. E vamos lá. Frente Parlamentar pelo Meio Ambiente e Enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas da Câmara de Campinas, vai realizar amanhã, sábado, o encontro COP 30 e as cidades a partir das 9 horas no Sind 15, na rua Dr. Quirino, 594, no centro. O objetivo é debater o papel dos municípios no enfrentamento da crise climática, [música] inspirando-se na agenda da COP 30, né, a conferência da ONU sobre o clima que está sediado em Belém. Participam do evento especialistas da Unicamp. O vereador Wagner Romão, que é presidente da Frente Parlamentar, eh ressalta que a proposta é aproximar as as discussões globais da realidade das cidades brasileiras, incentivando políticas públicas locais que unam sustentabilidade, justiça social e inovação. O evento é aberto ao público e voltado a pesquisadores, gestores, entidades e cidadãos interessados em construir soluções locais para um futuro sustentável. Muito bem, previsão do tempo chegando para você. Vamos lá, porque olha, final de semana, hum, teremos chuva, né? Vamos ver. Hoje, sexta-feira, gente, o sol aparece entre nuvens. Previsão eh é de um tempo aí meio nublado agora de manhã, mas no fim da tarde a gente pode ter chuva, tá? As temperaturas hoje variam entre 15 e 29º. No sábado, o tempo muda, chuva forte pela manhã, à tarde e à noite a chuva ameniza, mas continua chovendo. Então, mínima de 16, máxima de 26 para sábado. [música] No domingo, o sol volta a aparecer, porém entre nuvens, mas sem chuva prevista, tá? Mínima de 16, máxima de 29, opa, máxima de 26 no domingo. E sim, [música] eh, Campinas pode ter vento forte hoje, de acordo com, eh, o alerta que recebemos, né? Eh, tem rajadas previstas para a tarde e à noite por conta de uma frente fria. Além de ventos, a chance de chuva de rai chuva com raios e granizo também. Então, muito atento aí à previsão do tempo, principalmente no fim da tarde de hoje, né, e amanhã durante todo o dia. Bom, vamos ao nosso tema central. [música] Vamos refletir sobre a nossa hiperconectividade, né, e o nosso descanso. Então, para refletir sobre isso, a gente tem duas convidadas que entendem e muito sobre o assunto. Vamos dar as boas-vindas, então, Adriana Mancini, psicanalista, que vai nos ajudar a entender o que o inconsciente revela quando o corpo e a mente pedem descanso. Muito bem-vinda. Bom dia para você, Adriana. Bom dia, Rúbia. Muito obrigada pelo convite. Maravilha. Vamos conversar sobre isso porque a gente tem a Iara Barros para completar o nosso time dessa sexta-feira. E aara é psicanalista e vai falar sobre os impactos da hiperconectividade no humor, no foco e na qualidade de vida. O que que a gente pode fazer para resgatar esse equilíbrio? Seja bem-vinda, Iara. Bom dia para você. Bom dia, Rúbia. Obrigada. Prazer estar aqui. Prazer é todo nosso. Vamos lá, então. Você de casa, manda pra gente a sua mensagem. Vamos conversar essa nossa conversa. Adriana Iara, é uma alegria ter vocês aqui com a gente. Vamos lá. A gente vive num tempo em que estar sempre ligado virou quase uma obrigação, né? Parece que se a gente não responde rápido, se a gente não posta, se a gente não acompanha tudo, a gente tá ficando para trás. Mas estar conectado o tempo todo não significa que a gente esteja bem. Às vezes o nosso corpo está em movimento, mas a nossa mente tá esgotada e a alma, hum, no modo silencioso. E é sobre esse esgotamento que a gente fala hoje. Então, Adriana, para começar, o que que a psicanálise pode nos dizer sobre essa fadiga mental e emocional que vem crescendo tanto? O que que acontece com a gente quando a gente tá sempre ligado? E esse sempre ligado começa a ficar a virar sempre cansado. É um cansaço que a gente dorme e não descansa. Pois é. Esse é o mal-estar da civilização dessa década, né? Desse desse século. Sim. 1930. Freud se preocupava com aquilo que ele chamava do mal-estar da civilização, que dizia a respeito do indivíduo não poder eh viver o seu desejo, né? Justamente porque a civilização eh estaria o tempo todo cobrando isso, né? Então o indivíduo eh se escondia, né, da manifestação dos seus prazeres. E hoje nós temos essa oportunidade, muitas vezes, de viver o prazer, porém a civilização também nos cobra de uma outra maneira, de dar conta de tudo ao mesmo tempo, tenhamos ou não resistência física, emocional ou saúde mental para isso, né? Então esse é o grande mal da civilização nesse tempo que nós estamos, né? E também existe uma certa marca narcísica para isso, né? O indivíduo se identifica com essa performance toda, né? De eh poder sempre responder, estar sempre presente, porque ele tá em busca de validação. Então, se ele se destaca, ainda que esteja sobrecarregado, né? E ele está o tempo todo ativo, sempre correspondente. E essa é a grande demanda que a psicanálise acompanha na clínica. Uhum. Eh, o indivíduo que ele não para e como você mesmo disse, né, ainda em descanso físico, a mente não descansa porque ela não tem tempo de revisão, não tem tempo de pensar a a sobre si, sobre os seus atos ou aquilo que é prioridade, né, o que tá consumindo, na verdade o estado emocional, inclusive e mental do indivíduo, né? Então essa é a grande busca do momento, tentar descansar, gente, é impressionante. A gente tá tentando descansar nesse mundo super hiperconectado. Agora, Iara, você atende muitas pessoas que vivem aí essas múltiplas telas, demandas com interrupções eh eh o tempo todo. como é que esse ritmo acelerado e a falta de pausa, né, eh, impactam no nosso humor, no nosso foco, na nossa motivação. A gente tá estressado, fim do dia, tá todo mundo estressado. Para ir para casa, o trânsito é uma beleza, né? Aí você não sabe o porquê de tanto estress, mas eh eh é dá pra gente entender se a gente parar para analisar, sim o que que a gente tá vivendo, né? A a psicanálise ela lê esse esse cansaço como um sintoma. Uhum. E o que que esse cansaço tá querendo dizer sobre o sujeito contemporâneo, né? Então, se a gente pensar, eu vou até fazer aqui, convidá-los para fazer um passeio no tempo, né? Tem uma expressão em alemão que eu gosto muito, que chama Zist Geist, né? Que é o espírito do tempo. O que que é o espírito do nosso tempo aqui? É, é essa hiperconectividade, essa aceleração, essa multitarefa. A gente tá o tempo inteiro ligado, tá fazendo uma coisa, já tá pensando no outro. você abre o seu celular para responder uma mensagem, passou uma hora e você não respondeu aquela, né? Eh, Jorge Forbes, um psicanalista brasileiro, ele dividiu a terra em terra um, terra dois. Terra um foi o que a gente viveu por 2800 anos, né? aquela sociedade vertical em que tinha um líder, tinha o chefe no trabalho, tinha o padre, o pastor na igreja, tinha o pai em casa, tudo muito definido ali, meia dúzia de de profissões que você sabia que ia seguir, tudo muito muito estável, muito organizado, muito previsível. O que que aconteceu com o advento da internet, isso a gente tá falando de algo muito recente, mais ou menos 40 anos, deu um salto, né? A gente passou de uma sociedade vertical para uma sociedade horizontal, né? Então, e foram rompidos muito, muitos paradigmas. Houve aí uma série de de rupturas, por exemplo, profissões. Outro dia eu tava lendo que a gente tem mais de 160 cursos de graduação possíveis, né? Isso causa uma angústia, um desbusolamento. E se você pensar na pandemia, aí então tudo misturou, porque a gente deu um salto carpado duplo, né? começou a misturar trabalho com com vida pessoal, com profissional, a gente fazia home office, houve toda uma série ali de de eh mistura, né, entre espaços. E isso gerou o quê? Gerou essa hiperconectividade. E o que que e nós estamos num ponto agora que a gente tá se questionando o o cansaço como um sintoma. O que que esse cansaço tá nos dizendo? Que não dá mais, que este corpo não suporta. Por isso, muitas vezes, a gente chega na clínica pessoas eh muito adoecidas, com uma psicossomática ali, o corpo transbordando uma dor que elas não estão tendo tempo de falar, de elaborar. E aí a pessoa vai para um pronto socorro achando que tá tendo um ataque cardíaco e é uma angústia no peito, né, de algo que não teve tempo de elaborar. Então, o que a gente tá falando aqui é de uma pausa para o tempo psíquico. Não é só descanso físico, é o tempo psíquico para poder elaborar as dores, os sentimentos, as experiências que a gente vive. Excelente, né, Adriana? Até porque a gente não para para pensar muito, a gente só vai realizando. O nosso cérebro, a nossa mente, ela não tá tendo tempo mais para parar, para, de repente a gente sentir a nossa respiração para saber quem somos, onde estamos, o que queremos e para onde vamos. A gente só tá indo agora, ninguém sabe para onde. É curioso que parece que o o tempo nunca dá, nunca dá. E ao mesmo tempo a gente nunca se desconecta. Então é meio que é eh desequilibra porque tá, você não tem tempo, então desconecta. Não, mas eu não posso me desconectar. E aí não se trata só de dormir mais quando você vai descansar, mas de viver de um jeito diferente. Agora explica pra gente, tem diferença nesse descanso eh descanso físico, descanso mental e descanso emocional. Quando a gente fala dessa hiper hiperconectividade, esses limites aí entre os descansos ficam confusos. Como é que a gente identifica que esse cansaço ele já passou do ponto, virou um estado crônico, porque dormir não significa descansar, não é? Uhum. Realmente é uma diferença entre as três condições, né? Eh, o cansaço físico ele se renova a partir do descanso, o dormir, né? Eh, então é uma questão de tempo, então se é um cansaço físico, o corpo vai descansar com uma boa noite descanso ou com férias, então você volta com seu corpo renovado. Mas e se o cansaço é um cansaço mental, ele precisa de pausa de informações, que é para ele, o nosso inconsciente voltar a se organizar, a produzir ali com novas informações, eh, um um novo bloco, né, de de funcionamento. Então, é a pausa. Não tem outra forma a não ser pausar as informações para rebobinar aí o nosso inconsciente, né? Agora, o cansaço mental, eh, independente do descanso físico, independente das férias, independente da pausa das informações, ele vai continuar trazendo essa sensação até que o indivíduo ele possa revero que ele está fazendo para que ele se reconecte com um propósito. Então, se ele vive no automático, ele tá sempre repetindo as mesmas coisas, eh respondendo as exigências das quais ele não abre mão, ele vai estar produzindo um cansaço mental. E é esse, aliás, um cansaço emocional. Quanto mais esse cansaço emocional eh via eh eh inconsciente se manifesta, ele está mais próximo dos sintomas que a Iara falava agora, né, de desencadear esses sintomas, né? Então nós vemos uma onda de burnout imensa hoje na clínica, né? Porque eh como eu disse, o indivíduo até se identifica com isso, ele quer performar, ele não pode ficar para trás. Isso é uma característica do indivíduo, inclusive que precisa de validação, né? Aquele que precisa estar sempre sendo aprovado. Eh, e isso tem uma história, eh, que se remonta lá da sua infância, né? Então ele continua performando para que ele seja visto, para que ele seja validado, né? E esse é o maior perigo, porque não existe descanso que há que traga uma pausa, né? Não existe dormir ou tirar férias, ele precisa rever-se o que é prioridade, qual é o meu meu propósito de vida, né? eh para que ele possa voltar a ter produções eh positivas, porque aí ele entra num estado crônico mesmo de eh falta de descanso, né? Nada que ele faça, ele vai se sentir renovado, a não ser que ele realmente possa eh mudar a sua mentalidade em relação às demandas que ele vem assumindo, né? Nossa, agora mudar a mentalidade, né? [limpando a garganta] Iara, como é que a gente muda a mentalidade? como é que a gente dá um reset, como é que a gente para para descansar, porque pesquisas mostram que o excesso de estímulos digitais pode afetar o nosso cérebro e o nosso equilíbrio emocional. Então, eh, quando que a gente entende que a gente já tá no limite e que esse uso intenso de telas, essa essa nossa hiperconectividade, a nossa correria já está prejudicando a nossa saúde mental. E e que que você traz paraa gente eh para completar essa fala da Adriana? A gente precisa aprender a parar, mas parar de verdade, porque assim, eu vou descansar, vou dormir, tive um dia cheio, então eu vou deitar, vou descansar, caminha gostosinha, uma cobertinha lá e tal, mas eu vou pegar o meu celular e eu vou dormir com o celular na mão. Aí quando eu acordo, eu acordo cansada e assim vira um ciclo vicioso e passa um mês, dois meses, um ano depois da pandemia isso se assentou e muito. Como é que a gente descansa de verdade? Esse é um grande desafio, desconectar atualmente pra gente tem sido um um ato de coragem, vamos dizer assim, até revolucionário, né? Hum, mas eu gostaria até de pegar antes um gancho da fala da Adriana sobre a síndrome do burnout, né, que é muito importante. Em 2019, a Organização Mundial de Saúde reconheceu o burnout como uma doença ocupacional, ou seja, né, do trabalho. E em 2000 e acho que 22, se não me engano, virou CID, né? Ou seja, ali ela tá sendo colocada como [limpando a garganta] uma doença, né, no registro internacional de doenças e precisa ser olhada. Então, o que que a gente tem hoje em dia? a gente tá tendo um um processo muito lento, ainda incipiente, mas de fato acontecendo, que é eh ser olhado também esse esse cuidado com o burnout no ambiente de trabalho. Eh, isso traz pra gente uma, eu me lembro um pesquisador psicanalista e psiquiatra inglês, Christopher de Jur, né, que ele ele trabalha muito com a psicossomática, não trabalho, é um pesquisador. Ele fala que leva em torno de assim de 10 a 50 anos para que aconteçam mudanças, né, no ambiente de trabalho positivas, como por exemplo, século XIX, criança para de trabalhar e tal. Qual que é meu ponto aqui? Está tendo movimento, sim, da gente de uma conscientização desse excesso, né? é hiperconectividade, é o excesso de trabalho, é essa questão de ter que produzir, ter que entregar, ter que superar, se cobrar, né? Porque hoje em dia o a gente acorda não é só devendo boletos, mas devendo expectativas também. O que que eu posso fazer para superar, para melhorar? Então, mas esse cansaço crônico, isso já é um tema, estamos aqui falando sobre ele, já está sendo questionado, né? Quando você não consegue lembrar o nome da própria mãe, e eu já vi um caso assim, era um jovem executivo tão assim, eh, multitarefas que um dia ele foi falar o nome da mãe e não lembrava. Por quê? Porque o cérebro foi jogando para trás o que não era imediato ali. Então, quando você começa a ter essas falhas de memória acentuadas, quando você tá ali, mas você não consegue produzir, é um paradoxo, né? Você tem que ser alta produtividade, mas muitas vezes você tá lá totalmente conectado, levando e trabalho para casa. e você não tá produzindo a contento. E a gente hoje tem também o presenteísmo, né? [roncando] A pessoa está [tosse][limpando a garganta] lá, mas ela não consegue produzir. Você vai identificando sinais, né? Chega uma hora que você eh eh eh percebe, né, que que você não está reagindo mais da mesma maneira. você consegue, começa a sentir mal-estar físico, mal-estar psíquico, contínuo, você dorme, acorda cansado, você tem desânimo. Isso aí não é eh não é preguiça, é uma é um mecanismo de defesa contra o excesso. E aí é tá na hora de parar e reavaliar e ressignificar até o sentido de eh produtividade e sucesso. Sucesso é o quê? Sucesso é você acordar bem e você conseguir dar sentido paraas coisas que você faz. terminar o dia bem, ter tempo de encontrar as pessoas que você ama. É isso. É isso. Você falou assim, algo que toca no nosso profundo, né? descansar, acordar bem, ter tempo para eh compartilhar com as pessoas que você ama, trabalhar, eh pagar seus boletos, mas estar em paz, estar descansado de verdade. E é interessante que mesmo sem uma doença visível, muita gente se queixa de um cansaço constante, né? aquele esgotamento que o sono não resolve, que é o que a gente acabou de falar aqui. E no trabalho, gente, a gente sabe que as exigências elas são cada vez maiores, multitarefas, disponibilidade constante, resposta imediata. Isso vai afetar a nossa psiquê, a nossa capacidade de desligar também, porque, Adriana, nós temos aí eh eh duas questões pra gente poder equilibrar. Bom, eu quero desligar, mas aí eu tenho cobranças, eu tenho respostas que eu preciso dar imediatamente. Isso acaba deixando a gente num estado de alerta. É, é, é isso. Mais ou menos. Porque assim, eh, um exemplo, olha que bem legal. No sábado ou no domingo, por exemplo, vamos na semana, vamos desenhar aqui a semana, celular não para, você tá lá conectado e vamos e vai e vai, todo mundo fala e responde e vamos. Tá beleza. Sábado diminui um pouco, mas você ainda tá conectado, você ainda tá respondendo. Domingo, de repente para o nosso cérebro sente falta. Quantas vezes vezes você de casa já as pegou no domingo abrindo o celular, olhando o WhatsApp para ver se não tinha nenhuma mensagem. Então a gente acaba ficando meio que dependente desse mundo frenético da hiperconectividade que entra aí num contraponto que a gente quer desconectar, mas quando a gente pode desconectar a gente não desconecta. É meio que parece que a gente tá entre aspas, me perdoe a palavra, me corrije se eu tiver errado, mas meio que viciado nessa hiperconectividade. A gente sente necessidade de alguém estar nos chamando e pedindo que a gente realize alguma coisa o tempo todo. É isso mesmo? O que que que a psicanálise traz pra gente disso? É meio estranho até falar exatamente essa esse mal-estar da hiper exigência que nós nos eh colocamos, né? eh, faz com que o indivíduo ele esteja 24 horas ligado. Estado de alerta constante. Estado de alerta constante. Até porque quando iniciam esse esse ciclo de exigências, né, eh, tudo parece suar em forma de um alarme, né, em forma de eh uma emergência, né? Então, isso ativa adrenalina. Ah, sim. Muito bem. com a adrenalina ativada, eh, tudo dali para frente passa a estar num módulo atenção constante. E quando o indivíduo ele entra nesse ritmo de atenção constante, eu preciso responder, eu não posso falhar, eh eu preciso dar conta de tudo, eu não posso levar nada para casa e deixar eh sem conclusão. Ele está desenvolvendo cada vez mais esse indivíduo, um processo eh frenético. E isso vem também de uma forma química no seu cérebro para continuar essa manutenção desse estado de alerta. O que que acontece? Nós vamos produzir cortisol constantemente. Então, por isso que chega lá no domingo, ele continua procurando alguma coisa para fazer, porque o cortisol continua ali também nessa nessa frenesia, né? Então, eh, o que vai acontecendo é que esse estado de alerta constante, de vigilância, que não acontece, eh, aliás, esse estado de alerta, de vigilância, de estar o tempo todo atento, né, eh, vai desencadear em algum momento também uma crise, porque esse cortisol constante no organismo do indivíduo, ele vai começar eh gerar agora sintomas, né, porque ele não descansa, a mente não tem tempo para se rever, né? Então ele vai entrar num estado de ansiedade, num estado de pânico e aí que começam se desencadear essas doenças que nós estamos vivendo, né, em todo tempo, somatizando no corpo. É interessante que eh o corpo muitas vezes grita para que o indivíduo veja o que está acontecendo. Eh, e aí desencadeiam doenças do tipo, eh, úlcera, gastrite, enxaqueca, doença de pele, né? Porque é uma forma da nossa mente gritar: "Olha, para, presta atenção, tá tudo errado, você precisa se rever, não tá saudável", né? E dando esse esse esse alerta no corpo, o indivíduo começa a correr atrás do que que tá acontecendo, até que ele descobre, ó, não tem nada, né, que se justifique fisicamente. Você precisa buscar uma ajuda com terapia, uma ajuda com um psiquiatra, porque você tá sofrendo nesse momento eh provavelmente um transtorno de ansiedade, né? Então, uma coisa leva a outra. Eh, essa esse esse cortisol em excesso no organismo vai vir com seu preço eh mais cedo ou mais tarde. A conta chega e a conta chega adoecendo o físico e a mente. Exatamente. Essa adrenalina fora de hora, né? No domingo, principalmente, hoje é sexta, então hoje tá todo mundo na adrenalina do sextou, né? Amanhã bora que bora. E aí, domingo, fora do trabalho, aquele tempo que deveria ser de descanso, acaba virando estímulo, né? Domingo, vamos lá, rede social, né? Eh, séries, ou então você se culpa por descansar. Iara, essa culpa da gente descansar, poxa vida, não, porque eu não posso parar, eu não posso descansar não. Domingo tô lá, eu eu acho que eu vou dar uma olhadinha na agenda da semana, porque eu já vou adiantando alguma coisa, né? A gente precisa ter um descanso, mas um descanso de verdade, um descanso ativo. Quais os benefícios que o descanso traz pra gente e como que a gente tenta fazer esse desligamento. A nossa culpa do domingo, eu não vou poder curtir o domingo porque eu tenho que resolver. Quem diz que você tem? A gente que organiza a nossa agenda. E se eu quiser pegar a agenda e deixar de canto, tá tudo bem, não é? é legitimar a pausa, não como fraqueza, mas como um cuidado, né? O que a gente esquece é que abrir esse espaço para o vazio, né? É, é habitar este vazio, preencher este vazio, onde a gente se desconecta e a gente abre espaço pro novo acontecer, né? a gente sabe que que no descanso, que no bem-estar psíquico surgem eh espaços para criatividade, para novas maneiras assim de você até enxergar soluções onde você não via, quando você habita aquele lugar de vazio e não fica preenchendo com as notificações do celular, é até interessante quando você tiver lendo um livro, não deixar o celular do seu lado. É impressionante. teve um estudo eh do qual eu não me lembro aqui a a origem, mas ele dizia assim: "Se você estuda ou trabalha com o celular do lado, você fica numa luta interna para focar atenção no que você tá no que você está fazendo e não desviar pro celular". Então assim, além de estar focando no que você tá fazendo, você ainda está gastando uma energia para não olhar no seu celular. Então a gente tá tão condicionado que eles, eu escutei isso, né? recomenda-se deixar o celular em outro ambiente para que você consiga focar. Tal é a força que tem esse hábito nosso de ficar rodando ali o feedzinho. Então, o que que é uma uma sugestão até prática, viável e uma uma tentativa é se desconectar mesmo, tentar fazer uma experiência de, por exemplo, você ir para uma academia e deixar o celular em casa. Outro dia eu me chamou atenção na rua mãe passeando [limpando a garganta] com carrinho do bebê olhando o celular, pessoas passeando com cachorro olhando o celular. E o que que tá acontecendo ao seu redor, né? O o sol e a cor do céu, o o vento nas árvores e a gente perdeu essa capacidade de observar. Mães que amamentam os bebês olhando no celular. É terrível. Vocês não sabem o impacto emocional que tem na criança, porque ela precisa da conexão emocional. E a mãe tá aqui, ó, na tela e o olhar não tá no bebê. A gente sabe hoje que isso traz danos assim enormes pra constituição do eu psí dessa criança que essa falta desse olhar eh materno. Então é fazer esses pequenos gestos de de cotidianos, de estar focado naquilo que você está fazendo, sem ter que brigar com o celular. tira o celular um pouquinho de perto de você, se organize de maneira que você não tem que ficar olhando toda hora ali, né? Eh, não é fácil é quebrar paradigmas, mas tem que começar de algum jeito. Exato, Adriana. É um exercício constante, né? Porque como a Iara muito bem pontuou, eh essa essa sua fala da mãe, né, amamentando o bebê e olhando o celular, gente, se a gente parar para analisar, isso é chocante, né? A que ponto nós chegamos. E aí você tá tá andando pela rua, tem pessoas que estão atravessando uma avenida movimentada, né? né? E ela precisa prestar atenção no sinal, na faixa de pedestre e estão conectadas no celular, às vezes nem percebem o movimento que está ao redor. Tem pessoas que estão dirigindo, estão conectadas no celular, então assim, eh, estão hiper conectadas, na verdade, porque a gente tá conectado no mundo, a gente, né, a gente precisa prestar atenção em tudo. Só que essa conexão das telas, essa essa conexão que tira o nosso foco do aqui e do agora tem sido muito preocupante e tem causado eh uma questão aí de saúde pública até se a gente parar para analisar, porque pra gente desconectar dessa hiperconectividade que nos leva a esse cansaço crônico, a gente tem que fazer um exercício diário. percebe que não é do dia pra noite que a gente vai conseguir desconectar o que que o que que aconteceu conosco, né? A que ponto a gente deixou chegar essa dependência? É isso. Uhum. Pois é. É uma dependência. O cortisol, como eu falava anteriormente, é viciante e assim a dopamina também, né? Rápida. Uhum. Eh, eh, tudo aquilo que me dá feedback, que eu tô esperando, que eu tô na expectativa, gera essa dopamina rápida. E aí o o corpo, a mente se vicia nisso, né? Uhum. Então, ah, nós precisamos aprender, sim, produzir pausa. Precisamos aprender a viver o ócio criativo. Óscio criativo. Precisamos aprender que esse óscio é estar offline, né, para fazer aquilo que não se faz. Conectar-se, sim, mas com a natureza, com o outro, com os filhos, né? Eh, com as relações interpessoais. né? E muitas vezes as pessoas reclamam do tédio, né? Eh, ainda mais desacostumadas ao silêncio, né? Mas é no silêncio, é no tédio que a nossa mente se reorganiza para que ela possa novamente produzir pensamentos, possa novamente produzir e criar eh novos ambientes, novas ideias, né? Então, a aparentemente e e de cara, né, não fazer nada pode gerar uma sensação eh ruim, mas é nesse silêncio que a gente se reorganiza para pensar, para retomar, né? E e se nós não sairmos desse frenesi, eh, as pessoas vão ficando cada vez mais incapacitadas. Olha que interessante quando as pessoas reclamam que meu Deus, eu gostava tanto do que eu fazia, eu gostava tanto do meu ambiente de trabalho. Eh, eu criei, por exemplo, né, aquele escritório com todos os detalhes, é o meu negócio próprio, mas eu não consigo entrar lá dentro, não consigo mais ter prazer. Por quê? Que que aconteceu? Esse excesso constante levou o indivíduo, inclusive a não gostar mais de tudo aquilo que já foi paixão, né? principalmente quando ele entra nesse estado de burnout, eh, as coisas começam a ficar indesejadas, mas aí vira uma obrigação. Eu preciso dar conta, eu preciso continuar fazendo o que eu estava fazendo. E na verdade o indivíduo, ele precisa agora retomar eh esse interesse por tudo aquilo que ele tinha, mas de uma outra forma, né? eh, reorganizando a sua mente para isso. Então, até as coisas que eram prazerosas se tornam em algum momento, por conta do desencadear de todos esses sintomas, inclusive algo indesejável. Excelente. Agora, a gente falando de tecnologia, de hiperconectividade, é interessante a gente também olhar pra tecnologia ã de uma outra forma, né? A gente tá falando aqui do cansaço crônico, Iara. A gente tem opções, né, na internet, aplicativos, eh, que nos ensinam também a descansar. Então, a gente de repente pode utilizar eh a tela, né, não para responder um WhatsApp ou não para poder estar performando, mas sim para ter uma uma educação pra gente poder entender como é que a gente faz para dar uma minimizada em todo esse movimento frenético que a gente deixou a nossa vida virar. Tem aplicativos, tem eh aquela questão de meditação, tem algumas coisas que a gente pode utilizar a nosso favor também, né? Tem muitas. Eh, a gente fala, né, que a tecnologia veio aí para para fazer uma parceria, né? É como assim, vamos lá, uma faca, né? A faca pode ferir ou pode cortar o alimento. É o uso que você vai fazer. A gente tem sim coisas maravilhosas acontecendo e que a gente pode fazer uso, né? tem acesso a um monte de informações, a conexões, a hoje a gente tem até a, né, Adriana, o atendimento online que faz com que os sujeitos que não tinham uma logística que possibilitasse ir até um consultório fazer uma psicoterapia, possam passar para um atendimento online. E sim, a gente tem muitos aplicativos que nos ajudam, inclusive assim, a você monitorar até o bem-estar psíquico, né? Aí é a questão de cada um, como você vai fazer essa essa autogestão, né? Eh, acionar a tela e ficar naquilo, né? Porque a questão do celular é que você pegou o celular, se tem ali um aviso de notificação, você já você ia pro aplicativo ali para te trazer um um horariozinho de meditação, de repente você fica ali naquele embate para ver se vê uma notificação. Mas sim, a gente pode ver o copo meio cheio ou meio vazio, né? E sem dúvida a tecnologia veio para ficar. Eu até acho, Rúbic, que a gente tá num momento em que começamos a a indagar esse excesso, já não estamos compactuando com essa maneira de ser. E esse cansaço, a psicanálise entende como um questionamento. O que que este cansaço está aqui para nos dizer? Então, a gente já começou nessa fase de se questionar. Eu sou uma otimista por natureza. Eu acho que estamos aí começando a não querer mais compactuar com esse jeito, né, hiperconectado no sentido eh negativo, excessivo. Já estamos trazendo questionamentos. A geração Z tá aí para nos dizer, eles não querem mais promoções eh de trabalho porque eles querem ter uma qualidade de vida. Então tem coisas acontecendo, sim. E eu acredito que temos aí grande possibilidade de de diminuir o uso excessivo e colocar tecnologia num lugar de parceria, né, e não com uso abusivo, fazer uma uma autorreflexão. É um processo lento, mas eu acredito sim que a gente já começou. É, exatamente. A gente eh tem dados que mostram, né, que é nos Estados Unidos, a gente até fez um programa aqui, um estúdio Câmara referente às telas. nos Estados Unidos, as pessoas eh de 40 a mais e pasmem, eh os jovens, né, eles estão optando trocar o smartphone por aqueles celulares que só faz e recebe chamada. Então isso é prova de que sim, a gente tá tendo aí um novo olhar, mas o que me preocupa é que nós chegamos ao limite. E quando a gente chega no limite não é bom. Mas o lado bom é que a gente pode sim, se a gente eh fizer aí uma autoalia, uma autoavaliação, a gente eh entender sobre essa toda essa questão aí da hiperconectividade e do cansaço que nos trouxe, a gente consegue mudar. Não é fácil, não. Não é fácil. Como a Adriana pontuou, o nosso cérebro se acostumou, né? a nossa mente ela se acostumou e ficou dependente disso tudo e o nosso corpo também, se a gente parar para analisar. Mas que bom que a gente pode falar sobre isso. O programa é um ponto bem legal que a gente traz aí as opiniões, né, dos profissionais e que vão nos ensinando, olha, não é por aqui, é por ali. Então, de repente a gente vira a chave e consegue seguir a vida aí com mais leveza, desconectar. Principalmente hoje, o programa, ó, caiu como uma luva, porque hoje é sexta-feira, então vamos desconectar. Agora 8:44 produção tá me avisando aqui, meninas, que nós temos algumas perguntas. Então a gente agradece você que tá aí do outro lado, tá? Obrigada por estar ligado com a gente. Eh, vamos lembrando então que nós temos ao meio-dia o Câmara Notícia com informações aqui do nosso legislativo campineiro e também da nossa metrópole. E a produção já pode colocar pra gente a primeira pergunta na tela. Estamos aqui com a Adriane, com a Iara. A gente tá falando dessa hiperconectividade, né? E esse descanso que nunca vem, esse cansaço crônico que toma conta da nossa vida. Vamos lá. Eduardo Faria do Jardim Flamboian. Ah, tenho notado que mesmo depois de férias tô voltando cansado em poucos dias. Isso pode indicar que o cansaço é mais mental do que físico. Vamos lá, então. Adriana, você pode responder o Eduardo, por favor? Eduardo, com certeza. Se você acabou de voltar de férias e continua se sentindo cansado, esse cansaço é mental. Uhum. Né? E nós falávamos aqui justamente sobre quais são as suas providências necessárias, né? Primeiramente você eh reconhecer, né, o que é demanda e o que é desejo da sua parte na sua agitação do dia a dia, nas suas prioridades, no seu trabalho, né? Então, é um cansaço mental e ele precisa ser cuidado, né? E com urgência, você precisa olhar para si mesmo, eh, dizer para você o que é mais importante, o que eu vou priorizar. Se eu fosse você, eu priorizaria a sua saúde mental e se cuidaria de perto. Tem várias opções para isso. Você pode fazer eh terapia, você pode fazer caminhadas, né? cuidar do corpo, você pode fazer eh M Fness, por exemplo, tem várias opções para você começar a cuidar da sua mente agora. Então, o meu conselho é trate urgente. Muito bem, Eduardo. É isso, né? Foi pras férias aí, não desconectou, voltou cansado e agora precisa voltar a trabalhar. Vamos cuidar da saúde mental. Vamos lá. 8:46. Mais perguntas, produção, por gentileza. [limpando a garganta] Desculpa, gente. O bichinho ã passou por aqui. Vamos lá. Pode colocar na tela. Patrícia Nogueira do Parque Prado. As redes sociais fazem parecer que todo mundo está produzindo o tempo inteiro. Essa comparação constante pode gerar uma espécie de culpa por descansar. Boa, Patrícia. A gente falou sobre isso. Iara, traz pra gente aí essa tal dessa culpa. Inclusive, até eu perguntei pra Iara, né, e a Iara falou dessa questão. A gente tá performando o tempo todo, só que a rede social, às vezes as pessoas que são influencers, eles produzem e vão eh publicam, mas eles não estão publicando o tempo todo. A máquina está fazendo isso para eles. A gente tem que parar com essa comparação, né, Iara? Sim. É, é, é um paradoxo, né? Porque a gente sabe que o que é [limpando a garganta] colocado na nas redes é uma é uma face, né, que por trás daquilo tem uma série de outros fatores e que é colocada ali só o melhor do bem bom, vamos dizer assim, né? Então sim, a gente tem essa culpa. Eh, normalmente o ser humano a gente funciona ali, opera muito próximo da culpa, né? culpa disso, culpa daquilo, culpa de comer, culpa de descansar, culpa de não ter dado um retorno. Eh, mas especificamente nesse recorte da culpa por descansar, a gente fica se cobrando. É como se ao parar a gente tivesse perdendo tempo nessa competição para algo que a gente nem sabe o que que é. Só que assim, o descanso, por exemplo, se você é um atleta, o tripé o tripé é alimentação, treino e descanso. Porque no descanso, vamos lá, já que você precisa performar e a gente tem que entrar no princípio da realidade aqui, porque a gente precisa trabalhar, precisa produzir, precisa manter o emprego. Isso é um fato, né? Se você começar a enxergar o descanso como um potencial potencializador, potencializador, [risadas] potencializador da sua capacidade, da sua criatividade, de você lançar mão de novos recursos, aí você começa a ressignificar essa culpa, né? O descanso é extremamente necessário em qualquer área da sua vida. É, se você não está descansando, algo está sendo feito de forma errada, mas sim, as redes sociais fazem com que a gente fique se comparando. Então, muitas vezes, uma ação curativa para esse estress, cansaço crônico, é dá um tempo das redes sociais, dá um tempo mesmo, voltar para ali para eh fazer o que é necessário, responder mensagens de trabalho, mas sair desse dedinho que fica correndo feed de notícias, onde a vida é perfeita, maravilhosa, né? e descansar para que você possa abrir espaço, soluções criativas sujam e que você se sinta aí mais disposto a enfrentar o seu dia. Exatamente. Você sabe que às vezes a gente nem percebe o tanto que a gente fica na rede social e isso também é é eh tema de estudo. E eu vi um post bem interessante que mostrou o dedo, o dedo mindinho, porque daí quando você tá deitado lá, você fica com o celular e o dedo mindinho ele fica com o peso do celular. Então, faz um teste agora na sua casa, dá uma olhadinha no seu dedinho e vê se ele tá torto ou se ele tem um calo. Eu olhei o meu, gente, e o meu tem um calinho aqui, [risadas] né? Isso acontece com todo mundo. O meu tem um calinho aqui. Quando eu vi isso, eu falei: "Não tô acreditando que eu tô nessa também". Então, assim, estamos, tá? Acontece comigo? Sim. Acontece com você, sim. O que que a gente tá fazendo aqui? A gente tá tentando entender o que acontece e aprender como a gente vai fazer para mudar isso. E a gente pode mudar. Eu tô me cuidando, eu tô atentando para isso também. Coloco o celular lá na cozinha, deixo ele quietinho, às vezes nem olho o celular, guardo na bolsa, já tô conseguindo ficar mais longe, né? né? Então assim, isso é importante e a gente precisa comemorar as pequenas vitórias porque é importante que a gente aprenda a se desconectar, gente. Ah, preciso do celular para trabalhar, legal, eu também preciso. Acho que isso faz parte da nossa vida, mas isso não define, né, quem somos. E eu acho que a gente precisa aprender conectar. Olha o seu dedinho aí e depois você fala para mim, tem calo ou tá torto? É, tá vendo só? Isso faz o quê? Você pensar o quê? Quanto tempo eu fiquei com o celular nas mãos para ter um calo nos meus dedos, né? Então isso é eh é importante a gente parar para analisar. Tá bom? Agora faltando 10 minutinhos para as 9 da manhã. Nós temos mais duas perguntas. Então vamos lá com mais perguntas para as nossas entrevistadas. A Bruna Ferreira do Jardim Flamboian, ela diz assim: "A famosa soneca depois do almoço realmente ajuda a aliviar o cansaço mental ou acaba atrapalhando o ritmo do dia?" Hum. Essa soneca aí, hein, Adriana? E aí? A gente dorme, dormir meia hora faz bem? Faz o que que a gente faz na hora do almoço, né? Almoça e faz o quê? Fica no celular. Pois é, né? Como é que você tá ocupando o seu tempinho ali de sobra, né? Eh, meia hora vai fazer diferença assim, né? Não vai atrapalhar em nada. Eh, porque é uma pausa paraa sua mente. Você conseguiu silenciar e desplugar completamente, né? Não é porque meia hora faça alguma reposição química ou ã qualquer outra coisa grande em termos de renovação, mas é a pausa que aconteceu ali. Essa pausa ela é positiva, né? Eh, o corpo também ele vai de alguma forma reagir positivamente, mesmo que seja só 30 minutinhos. Não é todo mundo que tem essa condição, mas eh ela faz diferença. Exato. Faz diferença. E é interessante também que se você pega, faz aí eh a prova 30 minutos de descanso, você realmente descansa, vai para um lugar, né, e fica lá quietinho, descansa sem celular. E aí no outro dia você pega esses 30 minutos e fica no celular. E aí depois você faz o comparativo, o que que aconteceu eh no dia que você realmente eh fechou o olho, descansou e o no outro dia, eh, que você ficou conectado, como é que foi o seu rendimento depois do almoço e aquele sono que dá depois do almoço também? É interessante, gente. Também já fiz isso e vou te falar que ficar quietinho num lugar, olhando, de repente, você tem embaixo de uma árvore, fica contemplando ou então não faz nada, fecha os olhos e só respira. Para ouvir e fazer o exercício da respiração. É maravilhoso, é muito bom. Faz aí o comparativo, um dia com celular, um dia sem. Desses 30 minutos, você vai ver a diferença, tá bom? 8:53. Vamos lá, mais uma pergunta pra gente. Dessa vez a gente direciona pra Iara. Vamos lá então. A Luía Martins do Taquaral, até nas horas de lazer, como assistir algo? Ah, tá. Até nas horas de lazer, como assistir algo, sinto necessidade de estar em Ah, é, é em duas telas mesmo tempo. O cérebro se acostuma a esse excesso de estímulo? Quem nunca, né? Tá lá televisão ligada, celular na mão. Iara, que que é isso? Sim. Eh, [risadas] Luía, a gente está completamente eh sugado pelo por essa maneira de ser, né? Você tá na mesa do barzinho, você tá com celular ali, como a Adriana falou, é como se a gente quase tivesse potencializando cortisol, né? Você tá assistindo o filme, você dá uma checada no celular, né? você tá fazendo um trabalho ou você tá ali olhando alguma coisa no seu tablet a mais. Então sim, a gente começou a ficar fragmentado até. Não, nós não somos multitarefas, somos multitarefas, mas barra, estamos fragmentados. Então, a nossa atenção está dividida. Ela e quando você divide a sua atenção, você tira você tira a atenção profunda de algo. Então, a gente assiste um filme com a mente rodando em outro lugar. você vai estudar, a sua mente eh exige muito mais esforço porque ela tá querendo outros tipos de gratificação. Essa questão dos feedzinhos, né, dos dos vídeos cursos, TikTok ali, o Instagram, eh, isso acostumou a nossa mente a a essa gratificação do prazer, né? Eles já associam a vício mesmo, né? Já tem eh terapias especializadas, isso, nesse detox digital. Por quê? Porque ficamos condicionados. Então sim, eh, começa a ver os áudios, a gente tá passando mais rápido. Alguns vídeos que a gente assiste, a gente põe numa velocidade mais rápida, duas telas, tá com amigo, tá no celular, tá no trânsito, parou no sinal, pega o celular. Então a gente ficou condicionado. Agora a gente tem que fazer um esforço para se descondicionar. E no começo de toda a mudança é muito difícil, você imediatamente quer lançar a mão daquilo. Mas segura, tenta tenta estar eh completamente atento àquilo que você tá fazendo. No começo já era um estranhamento, mas com o tempo isso é muito bom. A sua profundidade naquilo que você tá vendo vai ampliando e vai te promovendo novos sentidos e novas aquisições para aquilo que você tá fazendo. Excelente, né? E é verdade, muita gente assistindo a gente agora e com o celular, né? Ou então ouvindo o que estamos falando e olhando a tela do celular, né? Então somos multifunções, multitarefas, gente. Precisamos nos eh ver, nos olhar com mais carinho e dar uma acalmada. Quando eu digo que precisamos, é para mim também e é para você aí de casa, tá bom? 8:56, a última pergunta então do nosso programa. Vamos lá então, produção, pode colocar na tela pra gente, por favor. Estamos aqui falando de você hiperconectado, do do cansaço excessivo. Você nunca descansa. Marina Castro do Taquaral, sinto que até o descanso virou uma tarefa de ag uma tarefa de agenda. Como voltar a ter momentos livres sem sentir culpa por não estar produzindo. Verdade, né? Coloca lá, que que eu vou fazer domingo? Descansar. Que que eu vou? [risadas] Quem folga na segunda fala: "Não, segunda-feira eu tenho que descansar pelo menos eh do meio-dia até às 2as da tarde". Bom, vamos colocar na agenda que a gente tem que descansar, né, Adriana? Pois é. É viver o ócio ao invés de colocar até o seu descanso na agenda. Despluga, né, no sábado, no domingo, né, principalmente se você não for trabalhar. Evite completamente os compromissos assim, ah, é verdade. Todos cheios de horário, né? Uhum. Eh, porque realmente se você deseja descansar, você precisa estar eh totalmente desconectada das obrigações. Precisa começar, como eu falava até anteriormente, né? Olhar para aquilo que é demanda e o que é desejo, porque esse desejo está viciado, né, a responder apenas obrigatoriedades. Comece viver o prazer de outros desejos, de fazer-se bem a si mesma, né? Então é o risco que a gente acaba eh correndo sim, né, quando a gente não se desliga em nenhum momento. Então não precisa ter culpa de descansar, muito pelo contrário. Eh quando a gente é consciente, a gente começa a se culpabilizar por não estar fazendo nada para produzir, na verdade esse descanso que é tão necessário, né? Então tira da agenda esses compromissos do descanso e passe a praticar algo bom e para você, por você mesma. Beleza? ressignificar, né, o culpa por não estar produzindo, que tal prazer de estar produzindo bem-estar psíquico, né? Então, colocar o descanso como um lugar de produzir bem-estar psíquico que possa te trazer aí um um bem viver e não somente funcionar. Ave Maria, hein? A gente tá funcionando. Você tá funcionando ou tá vivendo bem, né? É muito bom, gente, o nosso bate-papo de hoje. Eu acho que fica claro que o descanso, né, de hoje, assim, não é apenas físico, ele é emocional, ele é mental, ele é existencial e ele está pedindo uma escuta, tá? Não pede só remédio, não. Ah, vou descansar, vou tomar um remedinho para dormir. Não, cansaço não é preguiça. Também é um sinal, gente, quando você tá cansado, é um sinal de que você precisa parar e alguma coisa dentro da gente tá pedindo uma pausa e a gente tá conectado o tempo todo. Pode até parecer que a gente tá sendo produtivo, que a gente tá performando, mas na verdade pode ser até uma exaustão disfarçada, porque você tá exausto e você continua exausto e o cortisol tá trabalhando e você tá performando. Então vamos fazer uma pausa. Hoje é sexta-feira, né? Conclui aí todos seus afazeres e e no sábado, se você puder, descansa. Tem muita gente que trabalha no sábado, tem gente que não, mas enfim, vai trabalhar no sábado, já vai pensando assim, ó, que maravilha, quando eu chegar em casa, vou fazer uma pausa, eu vou descansar. Mas descansa mesmo, desconecta do celular, da televisão, vai, vai fazer uma caminhada, vai olhar as árvores, vai ouvir o som dos pássaros, tem tantos parques e e outra, vai chover também, né? É, tem mais essa. Vai chover aí no domingo. A previsão diz isso. Ouve barulho da chuva, né? Deita na sua cama, relaxa, descansa de verdade, tenta fazer esse exercício. Até estranho a gente falar que isso virou um exercício pra gente, mas a gente tem que aprender, né? Reaprender a descansar. Eu quero agradecer vocês, Iara e Adriana, começando pela Iara. Obrigada, viu, por trazer aí eh tanta tanta compartilhamento, né, de de eh falas que a gente para, analisa, entende aí a gente absorve. Vamos levar para essa vida nossa aí que a gente precisa de descanso. Obrigada, Eara. Obrigada, Rui, por trazer um assunto tão interessante, tão importante, tão gente em pauta. Um prazer tá aqui. Prazer é todo nosso. Adriana. Obrigada a você também, né, por compartilhar conosco experiências e nos ensinar, né, vocês duas aqui nos ensinando como é que a gente tem que fazer para de repente descansar num domingo, ensinar a descansar. É isso que vocês fizeram. Obrigada, Adriana. Foi um prazer. [música] Só espero que os espectadores, né, os telespectadores possam pôr em prática se permitir a começar descansar a mente. Foi um prazer. Prazer é todo nosso. E você aí de casa, obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. É isso, gente. Talvez o grande desafio do nosso tempo seja esse. Aprender a se desconectar, aprender a descansar e se reencontrar. Que coisa, né? Mas é isso, a gente vai aprendendo, aprendemos todos os dias. Segunda-feira Estúdio Câmara fala sobre etiqueta digital e a reputação profissional. Gente, o bicho tá pegando, hein? Como que a gente equilibra autenticidade e imagem no mundo conectado? A gente vai falar sobre os limites entre a vida pessoal e profissional nas redes sociais. O que a gente publica pode influenciar como os nossos colegas e os nossos chefes nos vem? E até que ponto, né? Até onde vai a liberdade de expressar quando tudo está tão visível e online? A gente também vai discutir da impulsividade, a necessidade de aprovação, o autocontrole emocional nesse mundo hiper exposto. E essa questão aí eh tudo que eu tô postando eh está repercutindo na forma em que os meus superiores me enxergam, me analisam. Eu posso quebrar, né, tudo que pensam, a visão que eu fiz por conta de uma postagem. E aí eles podem ficar me olhando, me seguindo. E aí, como faz? Gente, olha, eu vou falar um negócio para você antes do programa. Desconecta, [risadas] desconecte e descansa. Desconecta e descansa. Tá bom? Mas esse é o nosso programa aí de segunda-feira. A gente convida você. Daqui a pouquinho nós temos a Íria, a nossa jornalista de inteligência artificial, que atualiza tudo para você, tudo que tá acontecendo, as notícias Brasil, mundo, eh, estado de São Paulo, Campinas e Legislativo, ela traz para você daqui a pouquinho aqui na nossa programação. Meio-dia Câmara Notícia e final de semana, a programação da TV Câmara Campinas tá bem legal. A gente vai eh eh nós temos eh programas e quadros que falam de saúde, esporte, ação social. Então, tá bem legal também. se você puder, eh, assista, tá? E lembrando que segunda-feira a gente volta a partir das 8 da manhã com mais uma edição do nosso estúdio Câmara, agradecendo você, a sua audiência, a sua companhia, mais uma vez as nossas convidadas. Muito obrigada. Um bom fim de semana. Desconecta, descansa e até segunda. Ciao [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]