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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o Estúdio Câmara hoje, quinta-feira, dia 4 de dezembro. Que legal, né, ter você com a gente. Vamos para mais um tema super importante. Para começar o nosso programa, eu preciso trazer uma referência que muita gente conhece para falar do nosso tema. Quero falar do filme Divertidamente, né? a animação que mostra de um jeito simples e profundo como as nossas emoções convivem dentro da gente e como cada uma delas tem um papel muito importante no nosso dia a dia. Sem dar spoilers do filme, o que chama atenção é e é a ideia de que sentir é necessário e que entender nossas emoções pode transformar a forma com que a gente reage à situações e como no a gente se relaciona com as pessoas. É exatamente [música] esse ponto que a gente vai explorar hoje aqui no nosso estúdio Câmara. [música] Afinal, para que servem as emoções? o que elas querem nos dizer e como esse entendimento pode melhorar a nossa vida. Então, participa com a gente. WhatsApp está aberto para você, tá? Manda a sua mensagem, conta pra gente aí, eh, você costuma expressar o que sente ou você guarda tudo para se acha difícil nomear as emoções, né? [música] Ou então você já buscou ajuda para poder lidar melhor com elas? Mande pra gente o WhatsApp. Tá aí, ó, na tela. 978293776. nossa convidada também já no estúdio. Eu vou atualizar algumas informações. Daqui a pouquinho vamos apresentar a psicóloga que vai conversar com a gente sobre as nossas emoções, quais são elas, o que fazer com elas, sentir ou não sentir. Então, bora com a informação e já já direto ao nosso tema do estúdio Câmara de hoje. A Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de Campinas realiza hoje à 1 da tarde uma reunião extraordinária para discutir o projeto de lei 380 [música] de 2025, que trata do orçamento do município para 2026. O valor previsto é de 11,7 bilhões, somando a administração direta e indireta, a educação recebe a maior fatia, 2,64 bilhões distribuídos entre a Secretaria Municipal e a Fumec. Para a saúde, o orçamento proposto é de 2,36 bilhões, incluindo a rede Mario Gate. [música] A reunião é aberta ao público no plenário da Câmara, transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e também pelo canal do YouTube da emissora. Você também pode participar lá presencialmente, tá bom? Deê uma passadinha lá na Câmara a sua participação e a sua presença é muito importante. Mais informações chegando do legislativo. A Câmara de Campinas abriu o edital de doação de bens, tá? é o número 1 de 2025 para repassar às entidades de interesse social diversos itens considerados inservíveis, como computadores, mobiliário, mobiliário, aparelho de ar condicionado, equipamentos de audio e vídeo e materiais de escritório. Segundo o diretor de materiais e patrimônio, Júlio Favinha, a é a primeira vez que a Câmara realiza a doação diretamente a entidades após mudança na legislação que autorizou esse procedimento. Podem participar associações de bairro, entidades sem finsativos, cooperativas de reciclagem e instituições que atendem crianças adolescentes, mulheres, idosos, pessoas com deficiência e demais grupos da população. A manifestação de interesse deve ser enviada até o dia 9 de dezembro por e-mail com formulário e documentação jurídica e fiscal. Caso mais de uma entidade concorra ao mesmo lote, a escolha será feita por sorteio público conduzido pela Comissão Permanente de Contratação com previsão de recursos, conforme o edital. Mais informações no site da Câmara de Campinas. Participe. Previsão do tempo para hoje. Como é que fica o tempo aqui na metrópole? Campinas tem sol entre nuvens. Mínima 18, máxima 28º. Um ótimo dia para você. Hidrate-se. E vamos lá tentar entender as nossas emoções. Vamos falar de algo que está com a gente o tempo inteiro, mesmo com quando a gente não tá nem percebendo, né? Porque o nosso cérebro insiste em senti-las mesmo quando parecem bagunçar tudo. E porque algumas pessoas mal conseguem identificar o que sentem. É sobre isso, a função das emoções, o que ela faz por nós e o risco de ignorá-las. Nós vamos conversar hoje com a nossa psicóloga que está aqui no estúdio. A gente já dá as boas-vindas para ela. E Eda Lourenço, seja muito bem-vinda. Bom dia. Bom dia, Iara. Tá, Iara, tá escando aqui. Iara Lourenço. É isso. Iara Lourenço. Bom dia. Seja bem-vinda. Bom dia, Rúbia. Bom dia a todos. Olha, gente, vamos lá então falar das nossas emoções, tá? As emoções humanas, elas podem ser classificadas, eh, Iara, com primárias ou básicas e secundárias, né? Você pode explicar pra gente quais são as quais são as emoções que nós sentimos assim todos os dias e quais aquelas que elas existem e às vezes a gente deixa bem guardadinha lá no fundo e a gente insiste em não senti-las? Primeiramente eu queria agradecer muito, Rúbia, porque quando me chamaram para fazer o programa sobre emoções, eu quase tive uma síncope. Eu falei: "Meu Deus, que [risadas] alegria poder falar sobre isso". Muito bom, porque tem muita gente na psicologia, por exemplo, estudantes, que vão perguntar para profissionais: "Ai, o que é essencial? O que a gente não pode deixar de saber para ser um bom psicólogo?" Então, a minha opinião é emoções, elas estão aqui e a gente vai ter que lidar com elas. Então vou começar essa, né, essa questão emocional, vou começar bem do simples pra gente ir desdobrando e trazendo coisas mais complexas, né? Eh, primeiro, o filme ele se baseia numa teoria, eu esqueci o nome do autor da teoria, porque tem alguns autores que falam sobre emoções. Alguns colocam como primária e secundária, outros colocam eh como emoções, tem emoções terciárias. Eu costumo gostar de fazer uma baguncinha com elas no [risadas] consultório pra gente ir entendendo de onde elas vêm. Vamos lá. Então o que eu quero falar para você, eu vou pegar o filme como base. O filme Divertidamente, ele tem cinco emoções base, que é alegria. Uhum. Tristeza, nojo, medo e raiva. Alegria, tristeza, nojo, medo e raiva. Raiva. O primeiro filme. Aham. Essas são as emoções básicas. Então são as emoções que a gente vê inclusive na natureza. A gente vê que alguns primatas têm essas respostas emocionais. Então são as emoções que a gente diz assim, todo mundo tem, vamos dizer, comuns, todo dia a gente vai senti-las em algum momento, tá? As emoções secundárias, como você disse, são as derivações dessas emoções. Eu costumo brincar, por exemplo, raiva com tristeza acaba sendo frustração. Rivai com trist. Uau, frustração. Vai depender da dosagem ali, quanto de tristeza e quanto de raiva que a gente tem. Excelente demais. alegria com alegria, euforia. Então a gente vai, a gente consegue desdobrar essas emoções em muitas vertentes. Então a gente tem muitas derivações. Uma questão que eu vi ali no que você falou, que eu acho importante a gente colocar é o cérebro não sente as emoções. O cérebro produz as emoções. É diferente. emoção é para a psicologia, paraa psiquiatria, paraa neurociência uma resposta fisiológica, ou seja, uma resposta do nosso corpo a um evento ativador, seja ele interno ou externo. Então, emoção é fisiologia. Uau! Então, a gente já começa por aí. Alguém vai escolher não sentir uma emoção, sendo que ela é uma resposta fisiológica? Então, a gente sente. A gente sente, não tem. Então, a gente tem que sentir e a gente vai sentir. O que a gente pode fazer a partir daí é entender como lidar com essas emoções quando elas aparecem. Como é que a gente administra uma emoção forte quando eu tô com muita raiva, quando eu tô muito triste? Eh, por que que eu choro quando eu tô triste? Por que que eu choro quando eu tô com raiva? Eu sou uma defensora do choro, tá? Que o choro é um grande regulador emocional e ele é muito injustiçado pelo vista como fraqueza. sendo que ele é de fato um dos melhores reguladores emocionais que a gente tem no nosso corpo. Então é bom chorar. É bom chorar, gente. Olha que coisa maravilhosa e libertadora. Liberado. Tá liberado [risadas] chorar. A psicóloga liberou chorar. Que maravilha. E a gente pode expressar essas emoções de maneiras diversas. O que a gente faz dentro da psicologia com os nossos pacientes é ajudá-los a administrar melhor essa expressão emocional. Uhum. Claro. Então você chegou em casa, seu marido, sua esposa jogou a toalha molhada em cima da cama. Nossa, já desce aquela coisa assim que você fala: "Meu Deus, eu vou ter um surto". Aí vamos supor que o seu dia no trabalho foi um dia ruim. Uhum. Você passou 8 horas ali, o chefe brigou, deu errado, você não conseguiu fechar contrato, você chega em casa e você vê aquela situação com uma pessoa que você já tem intimidade, qual que é a sua tendência? explodir, passe, fez pela 30ª vez, mas a raiva ela é uma emoção que desconecta relações. Sim, porque ela é uma emoção de segurança. Então a gente coloca um muro na frente quando a gente tá com raiva, porque a gente tá tentando se sentir seguro. Uau! Essa é a função da raiva, segurança, gente. Interessante. Então, assim, eh, essas emoções, na verdade, elas têm uma função paraa nossa sobrevivência, né? É isso. Exato. Aliás, você já já deu o spoiler, porque tem duas funções principais das emoções. Aham. A primeira é a sobrevivência, porque a gente vai pensar no nosso desenvolvimento lá desde o começo dos neundertes, né? Aqueles indivíduos não tinham l nem linguagem ainda, como a gente tá falando aqui agora, mas eles já tinham reações fisiológicas para preservação de sobrevivência. Então, se tivesse lá um, sei lá, um leão, um tigre dente de sabre, ele precisaria ou se defender ou precisaria fugir, que nos dá nossas respostas básicas. Não sei se você percebeu, mas tudo na nossa vida está baseado em três respostinhas básicas. Luta. Uhum. Fuga. Congelamento. Uau, gente. Já viu aquela pessoa que passa por uma emoção muito forte, congela. Aham. Exato. Ah, eu quase fui atropelada. Não tem reação nenhuma. Pá, parei. Esse é o congelamento. Basicamente tudo na nossa vida a gente vai reagir com essas três funções que são de sobrevivência. E aí a e a outra, já que você foi bom em descobrir a primeira, você é bom em descobrir [risadas] a segunda, qual é a outra função da emoção? Função da emoção, sobrevivência e e e não sei. Vamos lá. Sim. Poxa, a vida, hein? Me pegou agora. Pois é. Sobrevivência quê? Adaptação. A gente precisa. uma palavra muito boa, mas não é necessariamente isso. Adaptação é o que a gente faz com as emoções. Mas pensa só, você chegou em casa, você é casada? Não, já fui. Já fiz já foi quando você era casada. Ah, meu pai, vamos. Era marido ou esposa? Hã? Era marido ou esposa? Homem ou mulher? Você era casada? Ah, sim. Mulher, homem. Então você era casada. O seu ex-marido colocou a toalha molhada, encharcada em cima da cama. Uhum. Você olhou para aquela toalha, ele tava na sua frente, ele olhou pra sua cara, ele vai lá correndo pegar a toalha. Desculpa, amor, eu ai, eu esqueci, etc. Que que ele fez? Ele leu a sua emoção. Sim, porque tava na cara que eu tava com muita raiva. Já [risadas] deu para ver que você não gosta da toalha molhada em cima da cama. Exato. Então assim, a emoção tem a função de socialização de contato com os outros. Então se você chegar em casa, seu marido, sua esposa, seu filho tiver meio amoado, vai falar: "I aconteceu alguma coisa". Ah, perfeito. Se você chegar em casa e tiver uma música alta, tiver dançando, etc. Aconteceu alguma coisa boa. Tá tudo bem, pessoa? Tá bem. Então, a as funções básicas das emoções são a socialização e a sobrevivência. Gente, anota isso. As funções básicas das emoções, socialização e sobrevivência. É óbvio. Agora, psicóloga falando, explicando pra gente dessa forma tão, tão lúdica, tão importante, a gente percebe que a gente tem que ter a uma regulação das emoções pra gente socializar com as pessoas, né? De repente você tá meio nervoso, você vai sair agredindo todo mundo verbalmente, ah, expressando a sua raiva. Não é assim, a gente precisa regular. E a sobrevivência é que se a gente não regular, a gente não sobrevive, né? Mais ou menos por aí. Ex. E a gente também não vive sem essas emoções, né? Hoje a gente tem uma sociedade muito desenvolvida. Eh, a gente tem comida perto, né? Tem um supermercado, a gente não tá mais sendo ameaçado por bichos, por outras tribos. Então, eh, de uma maneira assim genérica, né? Porque assim, se tá, se você tá numa situação de guerra, por exemplo, as suas emoções estão num estado totalmente diferente do que a gente aqui no Brasil. Luto fuga. Se eu se eu moro num lugar tranquilo, num bairro bom, eu tenho cuidados totalmente diferentes do que se eu moro numa periferia num bairro violento. Uhum. Hum. E isso tudo é regulado por emoção, por percepção de ameaça, porque se tem uma coisa que aciona o nosso sistema de luta, fuga, congelamento, é a nossa sistema simpático, parassimpático, que é o sistema de ameaça. Então, se eu me sentir ameaçado e gente hoje na sociedade contemporânea, a gente precisa entender que a ameaça ganha outras nuances, não é mais ameaça de vida, é ameaça de perder o emprego, perder a casa, perder a esposa, não pagar as contas. Então, se a gente sente isso, o nosso sistema de ameaça entra em ação. E o que que ele faz? Ele libera neurohormônios pra gente ficar num estado de luta fuga. Uhum. Hum. Sim. Então, tem gente que tá muito estressada com trabalho, que o trabalho é num ambiente ruim, o chefe, sei lá, o chefe é abusivo, etc., que tá com esse sistema de ameaça ligado o tempo inteiro. E aí a gente pula pro estresse, porque o que que é o estress? Que a gente fala que tá estressado, geralmente a gente tá falando que a gente tá com raiva, né? socialmente, digamos assim, é parecido com a raiva, mas o estress, na verdade, é tudo que tira o nosso corpo do da do que a gente chama de basal, ou seja, da condição normal dele, sem estar com as emoções ativadas. Então, você tirou esse corpo desse basal com com alguma ameaça de alguma natureza. Entenda, pode ser uma ameaça, mas pode ser uma coisa boa também. Como é que você fica antes de viajar para uma viagem que você quer? Ah, super empolgada, feliz, arrum ansiedade gostosa, né? É, então, mas você já não está no seu basal, você já tá, o seu corpo já está em estress. Mas é um estress bom, é um estress que vai passar, mas tem gente que trabalha em ambientes muito ruins, que vive em famílias muito ruins, que fica com estress ativado o tempo inteiro. Então, é um estress cronificado e isso vai dificultar na regulação emocional. Nossa, gente, quanto ensinamento. Era, que coisa maravilhosa. Nossa, obrigada, viu? Muito obrigada, porque isso é muito importante. A gente precisa aprender sobre as nossas emoções, de onde vem e como que a gente trabalha tudo isso, porque a gente, quantos tipos de de emoção você sente por dia, né? Se a gente parar para analisar, é é emoção o tempo todo. E aí, como é que a gente regula essas emoções? Como que a gente faz para regular isso? Porque é tão fácil falar: "Ah, vamos lá, vamos se autorregular, vamos regular as emoções." Como é que regula isso? Pois é, é o grande desafio da clínica psicológica. Eu diria que eh todo mundo vai na na psicóloga procurando alguma ajuda para tratar de questões que estão ali incomodando. Então, todo mundo até hoje na minha clínica entrou ativado emocionalmente. Sim, né? Hum. Ou tá triste ou tá com fala que tá estressado, mas é angústia, ansiedade, cansaço, etc. Então, todo mundo tem uma ativação emocional. Qual que é a grande questão? Eu acho que no nosso mundo a gente perdeu a capacidade de perceber, né? a gente tá muito acelerado. As redes sociais elas têm os seus benefícios, mas o uso excessivo traz muitos malefícios e cada vez que a gente usa mais as redes sociais, que que é um algoritmo feito para viciar, né? Então, quanto mais a gente usa, mais a gente ensina o nosso cérebro a não tolerar nada, não tolerar frustração, não tolerar a espera, não conseguir ficar calmo, não conseguir desativar o nosso cérebro para ele descansar. Então, olha como é importante a maneira como a gente se comporta com as coisas. Uhum. Então, a pessoa tá lá trabalhando, vamos supor que você tá trabalha no escritório, você tem um chefe ruim, você tá o tempo inteiro sob pressão, você chega em casa, primeira coisa que você faz, abre o Instagram, TikTok abre qualquer coisa que você tem que passar muito rápido, abre a Bet, né? Porque hoje em dia é um grande problema pra gente o vício em Bet. Por quê? Por que que você não consegue sair desses desses eh instrumentos, digamos assim, de redes sociais? Eles são feitos para você ficar lá. Tem uma coisa que se chama reforçamento intermitente. Então assim, ele te dá uma coisa boa, boa, ruim, aí você abaixa a sua, vai um outro neurohormônio vai jogar você lá para baixo. Aí boa de novo, boa, boa, ruim, boa, boa, ruim. Ele ensina o seu cérebro que ele vai querer sempre esse, quando a gente fala reforçador, é algo que faz o nosso comportamento se manter, então se repetir. Uhum. Uhum. Então, se eu chegar aqui para você, você tá brava comigo? Uhum. Falou, Rúbia, trouxe aqui um bom. Qual que é o bom que você gosta, Rúbia? Eu gosto um ouro branco. Pode ser. Olha, olha, desculpa, eu trouxe um ouro branco para você. Sim. Aí no outro dia, a mesma coisa. Eu trouxe um ouro branco para você. No terceiro dia, eu trouxe um ouro branco para você. Na quarto dia, quando você tiver brava comigo, você vai falar o quê? Cadê meu ouro branc? Cadê meu ouro branco? [risadas] Por quê? Porque você entendeu que isso é conseguir associar dois estímulos. Uau! Você vai pensar que agora para eu ficar calma eu preciso do ouro branco. É basicamente de uma maneira bem simplista. É o que acontece nas redes sociais. Qual que é a consequência disso pro nosso cérebro? A gente vai desaprendendo a tolerar as coisas que são mais lentas. Nossa, olha, realmente esse programa está uma aula. Eu tô aqui de boca aberta porque para conversar com Aar. Eu estudei um pouquinho sobre as emoções, mas a gente saiu totalmente do nosso roteiro, porque a gente tá tendo uma aula aqui de eh aprender, entender e gerir as nossas emoções e também tomar cuidado, né, eh eh como a gente expressa elas eh no nosso dia a dia. Gente, isso aqui tá maravilhoso, bom demais. Eh, nós falávamos antes do início do programa eh sobre essa questão, a gente não pode deixar de falar. Eh, essa semana nós trouxemos um programa, a Iara, falando eh sobre o ciclo da violência, né? E aí você de casa fala assim: "Nossa, Rub, mas tá falando de emoções e o que que tem a ver com o ciclo de violência, né?" E na abertura do programa do ciclo de violência, eh, nós trouemos aqui uma advogada e uma psicóloga para explicar pra gente toda essa situação, né? Eh, eh, e, e, e como que a gente identifica os ciclos de violência, a do conjugal, né? Conjugal. E aí o que que acontece? Eu conversando com a Iara agora, antes de entrar no programa, eh, ela disse para mim, R, eu gostaria de tocar no assunto da violência contra as mulheres, porque isso tá assim, sempre aconteceu, infelizmente, mas tá muito em ascensão, gente. Eu não sei o que que tá acontecendo. E aí, ah, eu falei, mas nesse assunto e a ela disse: "Sim, porque está ligado às nossas emoções." Então, já que nós estamos falando das emoções, eh você tá explicando pra gente como funciona, né, a questão aí do nosso cérebro, da das emoções que sentimos, como geri-las, como entendê-las. Eu gostaria então que você falasse sobre esse assunto para explicar pra gente, paraa gente poder tentar eh compreender o que que tá acontecendo eh ultimamente com essa elevação de violência contra a mulher, de feminicídio. O que que as emoções têm a ver com isso? Eu vou falar para você, Rúbia, que as emoções têm tudo a ver com isso, né? Quando a gente tá falando de violência e principalmente violência de gênero, a gente tem eh eu sei que é um termo clichê batido, mas a gente tem muitas camadas. É um assunto muito complexo, né? Desde questão social, distribuição de renda, eh de educação formal, de acesso à saúde, habitação. A gente tá falando de um tema extremamente complexo. Uhum. Mas no que concerne as emoções, sim, primeira coisa que a gente precisa distinguir é que eh homens e mulheres são socialmente autorizados a sentir emoções diferentes. Uhum. Pra mulher, tudo bem se ela tiver triste. Pro homem ele é um fraco. Uau! Para pro homem tudo bem se ele reagir com raiva. Pra mulher ela é louca. Então, socialmente, eh, fazendo um corte bem superficial, a gente estruturou as nossas emoções de acordo com o gênero. E quando chega uma pessoa que tá numa relação, e aí a gente tem que falar de violência infantil, pra gente falar violência de gênero, a gente tem que falar de violência infantil. Uhum. Porque muitas vezes esses homens vieram de lares desestruturados, totalmente violentos. Eles próprios podem ter sofrido muitas violências. Uhum. E aí eles reproduzem esse padrão em outras pessoas. E no geral não são só em pessoas da família. Esse homem vai ser violento em todos os lugares. Vai ser violento no trânsito, ele vai ser violento nas relações profissionais. Às vezes ele não vai chegar a bater. Uhum. Mas ele pode chegar sim a ser agressivo, pouco assertivo. Por quê? que tem uma raiva não tratada, não resolvida internamente, que vem de uma vida muito provavelmente com assim uma negligência eh parental e da sociedade absurda. Isso não é uma justificativa, porque tem muita gente que passa pelas mesmas circunstâncias e consegue lidar com isso de uma outra forma. A vítima, a mulher, ela não é responsável, não importa o que aconteça. Não importa se ela tiver nua na frente de um homem, se ela disser não é não. Então não há dúvidas de em quem é a responsabilidade. Mas olhando para por trás desse homem, a gente vê uma série de negligências e abusos que ele desde criança sofreu nessa vida, sociais e parentais. Então ele vai reproduzir na família dele o que ele aprendeu. E ele não validou nenhuma emoção, só raiva. Porque socialmente o homem pode sentir raiva. Tá tudo bem o homem sentir raiva. Tem uma frase da novela da Odet Heutman, que é Vale tudo, né, que a Débora Block fez maravilhosamente bem, que ela fala que ela era considerada aquela mãe fria que não. Ela falou assim: "Eu adoraria ser pai". E ela falou assim: "Porque se eu fosse pai, eu ia ser considerado um excelente pai, porque eu sou mãe, aí eu sou considerada uma péssima mãe." Nossa, qual é o recorte que ela tá fazendo? Ela é uma mulher dura, fria, que que prioriza o trabalho em detrimento aos auxílios, etc. Socialmente é vista como uma mãe ruim. Mas por que que um pai pode ser bom sendo da mesma forma? Então a gente tem e não adianta vir com discurso que todos somos iguais. E uma balela. Existe um recorte de gênero na nossa sociedade e isso também tem um recorte emocional de gênero. Tanto que se a gente for puxar para um outro assunto que tem a ver com emoções também, o luto. Uhum. Como é que a mulher expressa o luto? Geralmente chorando. Chora, às vezes se desespera. Como é que o homem expressa o luto? se fecha, fecha. Então, a gente precisa ensinar os nossos meninos lá na base da família que eles também podem sentir tristeza, frustração, angústia. Como é que ele regula isso? Quem regula a criança é o adulto. Uhum. Então, se você é um adulto disfuncional, você tá desregulando seu filho também. Você precisa se cuidar. Por isso que o autocuidado é tão importante. Vá para a terapia. Não precisa nem ser comigo, hein? [risadas] Vá procurar ajuda, vá procurar um lugar que vai te dar um sentido para você mudar essas questões. Nosso cérebro é plástico até o final da nossa vida, é lógico, em menor proporção, mas a gente consegue mudar esses padrões. Agora, o que não pode é acontecer, como esses movimentos de red pills, sim, que usam uma fala eh extremamente misógena, preconceituosa contra as mulheres para validarem essa frustração, essa autoincerteza de não conseguir ter uma parceira. Olha isso, você precisa trabalhar emoções para você ter uma parceira, ser uma pessoa decente, conseguir eh promover um relacionamento saudável. Eu tenho certeza disso. Tenho certeza que quando a gente ensina os nossos meninos a tratar bem, as mulheres, os homens, todas as pessoas com respeito, com dignidade, saber ouvir, saber falar, saber explodir, a gente vai ter uma sociedade muito melhor. Tem que ser da base. E a violência de gênero, ela vem da base. Perfeito, né? né? Faz a gente parar, pensar, analisar, voltar lá atrás como que nós fizemos, o que que a gente tem que melhorar, para onde que a gente tem que levar tudo isso. E a gente vem de uma cultura, né, que a a mulher é o sexo frágil, o homem é o machão e aí o homem não pode chorar, né? Quantas vezes a gente já ouviu isso que eu digo eh eh pessoas da minha idade, né? Eu não sei hoje como é que tá, porque eu não convivo mais com crianças. Então eu não sei, mas na minha época de de criança, eu ouvia muito isso, né? Homem não chora, né? Engole o choro, né? Homem não chora. E aí, eh, a gente consegue fazer uma conexão com isso que você trouxe para nós, eh, eh, desse, dessa, dessas emoções que não foram expressadas, que não foram resolvidas dentro, no caso, a gente tá falando, né, do ser masculino, né? E por que que a gente tá falando isso? por conta de que a gente precisa tentar ã não é tapar o sol com a peneira, mas alguma coisa tem que ter sentido, porque se a gente olha tudo que tá acontecendo hoje, você fala assim: "Mas eu não consigo entender porque tanta maldade, porque tanta ruindade, porque tanto ódio no coração? Não sei se é isso que se tem, mas quando a gente olha e não entende eh eh sobre o psiquê humano, como funciona, né, o nosso cérebro, como regular as nossas emoções, de onde vem tudo isso, a gente fica pensando, poxa, mas será que é só raiva, né? O que que o que que fez essa pessoa? Ela é tá possuída, porque não tem outra outra coisa para dizer que não seja isso. E aí a a Iara trazendo essas informações pra gente, faz a gente eh pensar na responsabilidade que temos na criação dos nossos filhos, das pessoas que estão sob nossa responsabilidade, né? Porque a gente é responsável sim pelo jovem, pelo adulto e com certeza isso vai refletir lá na frente. E se você não quiser ver as coisas eh voltando a acontecer, a gente precisa mudar na base. E esse é um programa que a gente fala hoje de emoções. E não tem como a gente não citar e todos esses acontecimentos que têm e eh sido noticiados, né, eh nos últimos dias. E assim, infelizmente tem muita gente que só se atenta quando os acontecimentos são noticiados, mas é bom lembrar que esse tipo de situação de violência eh eh de gênero, ele acontece todos os dias, ah, toda hora, em todos os lugares. Então, é por isso que a gente precisa falar sobre essa situação. E importante a gente trazer hoje é a conexão desses acontecimentos com as emoções, né, Rúbia? A cada 8 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Vocês têm noção do que é isso? A cada 8 minutos, enquanto a gente tá aqui no programa, a gente deve estar aqui ns 25, 30 minutos. Exato. Já quantas mulheres foram estupradas? A quarta vai ser estuprada daqui a 2 minutos. Uau! A gente precisa entender que a base social tem a ver com a cultura, tem a ver com o nosso recorte econômico, que onde a gente acumula muito dinheiro, alguns acumulam muito e outros têm muito pouco. Sim. Então a distribuição de renda tem tudo a ver com isso também. Uhum. Porque você não ter comida na sua mesa, você não poder comprar um tênis, você não poder ter uma roupa, se vestir com dignidade, também é violência. A gente precisa entender isso. A gente precisa ter consciência social e as emoções elas vêm porque imagina uma criança crescendo nesse meio onde ela é privada de tudo. Ela é privada de afeto, ela é privada de dinheiro, ela é privada de condições sociais favoráveis, ela é privada de eh às vezes um pai, porque tem muitos pais que abandonam os filhos. Então as mães solas ficam com toda a responsabilidade financeira, social, etc. de filhos, muitas vezes vários filhos. Então, tudo isso tem a ver em como essa criança vai se desenvolver. Quando a gente tá falando de emoções, a gente tá falando de desenvolvimento saudável, né? Elas vão vir de qualquer jeito. Às vezes, quando a criança é negligenciada, ela vai conseguir dar o jeito dela. Por isso que algumas conseguem sair desse ciclo de violência e ter famílias saudáveis, etc. E tem algumas que não conseguem, eu diria que a maioria, porque sempre multifatorial, Rúbia, sempre tem a ver com a cultura, com a sociedade, com o tempo que essa criança nasceu, com a família, com o tratamento dos pais. Às vezes essa criança vai ter todas as condições, como a gente já vê alguns, né? Vamos pegar um caso famosíssimo, a Susane Von Rofen. Exato. Ela tinha tudo, era rica, era bonita, era Não, é porque ela tá viva, né? mas eh de alguma maneira ela cometeu aquela violência horrorosa contra os pais, né? Então quando a gente fala de desenvolvimento emocional a gente tá falando de uma sociedade melhor, a gente tá falando de pessoas mais tolerantes, a gente tá falando de pessoas que conseguem conviver com as outras, aceitar as diferenças. A gente vê todos os preconceitos, um grande marco para as violências, né? Exato. Preconceito de gênero, preconceito sexual, preconceito eh de xenofobia, né, de lugar. Então, preconceito por cor de pele, o racismo, né? O que que fez lá atrás um branco considerar que uma pessoa com a pele da cor diferente da dela é é menor e inferior? Interesse econômico, interesse social, né? Precisava de mão de obra. E aí, como é que você vai, como um ser humano inserido dentro desse contexto, vivenciar coisas diferentes de raiva, repressão, culpa? Então, é muito complexo mesmo. O assunto que a gente tá abordando aqui daria facilmente um ano de programa aqui com você. Mas o que eu queria deixar aqui, eu acho que é importante a gente ter essa linha de base assim, é primeiro as emoções são fisiológicas, elas têm a função da sobrevivência e tem a função da socialização. Então, olha a importância. E a gente vai ter três reações básicas para quase tudo na nossa vida ou para tudo na nossa vida. Luta, fuga, congelamento. Uhum. Luta não é luta, tá gente? Não [risadas] é pancadaria. luta é enfrentamento. Então você pode enfrentar com tiro, Uhum. Que é péssimo para todo mundo. Ou você pode enfrentar com uma conversa. Você pode conversar com a pessoa sem você estar tão acionado na raiva, por exemplo, se você contraria. Ou você pode conversar com uma pessoa quando você tá triste, você tá frustrado, você tá ansioso. Então, todas essas nuances elas fazem com que a gente consiga, em maior ou menor medida, estabelecer boas relações e ter uma vida boa, socialmente falando. Uau, gente, que coisa interessante, né? Que importante demais. Eu quero lembrar que esse programa já tá eh no YouTube. E faz o seguinte, compartilha, compartilha com mais pessoas que você puder, com a sua família, principalmente agora que a gente tá no fim de ano, né? Aí as pessoas vão se encontrar mais, aí tem aquela galera que vai se reunir com os colegas de trabalho. Eh, nessas confraternizações, as emoções costumam pipocar, né? E aí é importante a gente entender um pouquinho sobre elas, porque quem sabe você eh possa fazer um pouquinho diferente do do que você fez no ano passado, porque a gente sabe quando tem reunião de família, reunião eh eh de uma galera assim que às vezes tá no dia a dia porque é diferente, né? São emoções diferentes quando a gente tá no trabalho, quando a gente tá falando, a gente tá produzindo, a gente tá, né, performando e quando a gente tá de boa lá que vamos se encontrar, vamos fazer uma confraternização, as emoções são totalmente diferentes e pode surgir aí aquelas emoções que não são tão boas assim. E aí com todo esse ensinamento que a Rara trouxe pra gente, você pode aprender a regular a sua emoção. Eu acho que é super importante a gente falar sobre essa questão de fim de ano, né? Sem dúvida. Eh, primeira coisa que eu queria dizer sobre o final de ano é que a gente geralmente associa de ano a família, presentes, mas a gente não pode esquecer das pessoas que não t família. Exato. Que perderam entes queridos esse ano. Eu tenho alguns pacientes que perderam e que o Natal tá diferente. Então, a gente também precisa lembrar disso, porque essas pessoas vão vivenciar o final de ano com de uma maneira com emoções completamente diferentes. É, né? Um luto, né? angústia, raiva, sentimento de injustiça. Então, existem muitas vertentes pro final de ano, final de ano, dia das mães, dia dos pais, sempre é complicado emocionalmente, porque tem pessoas que tm pai e mãe vivo, tem pessoas que não tem, que nunca tiveram, né? Então são pessoas que a gente precisa respeitar muito esse espaço dessas pessoas. E aí você falou de regulação emocional, né? Chega aquela tia no final do ano, que a filha tá estudando, sei lá, em Stanford. Aham. você se formou ali na universidade aqui de Campinas. Aí ela falou: "Ah, fulano está em Stanford fazendo doutorado de haja paciência." É, aí você [risadas] vem aquela coisa, né? Você como é que você controla quando aciona a emoção? Queria saber. Hum. Isso é uma, isso é um treino, [risadas] gente. Ensina a gente. Então, vamos lá, vai, vamos aprender. Eu já vou, eu já vou adiantar para você que existem muitas técnicas, mas muitas mesmas assim. Então, na terapia, né? Eu sou da cognitivo comportamental, a gente usa muitas técnicas diferentes para fazer essa regulação. Mas vamos lembrar o seguinte, emoção aciona primeiro que a razão, porque o nosso sistema límbico, que é o nosso cérebro primitivo, que se costuma dizer que é o cérebro emocional, ele é muito mais rápido do que o nosso lobo frontal, que é onde fica, onde mora, entre aspas, a nossa razão. Então, os famosos 10 10 segundos, eles funcionam? Sério que funcionam? Muitas vezes eles funcionam. Conta até 10, gente. Então vai depender do nível da emoção. Se você percebeu, começou a ficar com raiva da tia falando do do do filho em Stanford, você pode dar uma respirada, contar, falar assim: "Eu não vou me apegar a esse pensamento, [risadas] eu não vou, olha, não é sobre mim, é sobre ela." Então você pode dar uma respirada maior. Por que respirar? Porque a emoção, lembra que eu falei que é fisiologia, ela vai ativar coisas no nosso corpo. Então você vai começar a ficar com raiva, você vai começar a esquentar, você vai perceber que a raiva é a emoção que muda a nossa temperatura do corpo. Então vai lá, lava a mãozinha, lava o pulso, se ficou com muita raiva, tem uma técnica de segurar gelo também, passa uma água na aqui no pescoço, nos pontos quentes do corpo, digamos assim. Sim. Mas vamos supor que a tia é muito chata. Uau, tia, não faz isso não, né? [risadas] E aí você ficou com muita raiva. Você tem três coisas para fazer. Se você lutar, você vai gerar um caos em família. Exato. Porque você vai xingar a tia. Uhum. Porque ela tá pisando no teu calo. Ela tá te acionando um gatilho. A gente já fala do gatilho. Você pode congelar, ou seja, fingir que não é com você, ignorar completamente, continuar pegando lá o seu pavê ou qualquer coisa assim. comendo e fazendo a cara de paisagem ou você pode fugir, pegar o seu prato, ir para outro ambiente. Então você tem maneiras de regular isso. Sim. Agora, o que que eu falo dos gatilhos? Gatilhos emocionais. Que que é um gatilho? Quando a gente fala, né? Eh, o gatilho é aquilo que vai despertar alguma coisa maior. Uhum. O gatilho na arma é o tiro, né? Sem engatilha para disparar. Exato. Então é mais ou menos isso. Se você tá engatilhado, se você não fizer alguma coisa, vai disparar. Disparar. Uhum. Então, quando a gente fala de regulação emocional no geral, Sim. é melhor a gente ter estratégias preventivas do que pós acontecimento. Dá para ter estratégias pós acontecimento, dá, mas como a gente, o nosso tempo é limitado aqui, então vamos se preparar para ter as estratégias preventivas, tá? Por exemplo, quando você tá triste, qual que é a função da tristeza, Rúbia? Eu adoro falar da função da tristeza. Então, a função da tristeza? Ah, não sei não. Pensa quando você fica triste, como é que você fica? Eu fico tipo e encolhida, eu vou para dentro, eu acho. E aí, como é que fica a sua cabeça? Minha cabeça, ah, fica cheia de pensamentos. Pois a função da tristeza é essa. A função da tristeza é fazer a gente pensar. Uau! Ol, é avaliar o que está acontecendo. A tristeza indica alguma necessidade de mudança ou de reparação ou de qualquer coisa, mas alguma mudança interna ou externa. Por isso que o luto é tão desafiador. Nossa, porque o luto ele vem, e eu tô falando de um luto de morte, porque a gente tem outros lutos, perda pet, eh, luto de perdi meu emprego, minha esposa me deixou, mudei de país. Verdade. Então, tem vários lutos, mas falando da morte, a morte é irreparável. Sim. Então você tem que aprender a viver a partir daquilo. Então eu costumo falar que o luto ele vem e desorganiza tudo. É como se ele puxasse a toalha da mesa e derrubasse tudo. Exato. E a tristeza, esse primeiro passo de tristeza é natural, porque você tem que reorganizar internamente quem você é sem aquela pessoa. E a tristeza vai fazer a gente e a tristeza vai ajudar a fazer isso. Olha, interessantíssimo. Então a gente tem funções. Qual a função da alegria? A alegria, vamos falar de uma coisa boa, né? Vamos lá. Alegria. Função da alegria. Ah, extravazar, ficar feliz. E aí, quando você está alegre, você se conecta mais fácil ou mais é mais difícil conectar com as pessoas? Bem mais fácil. Bem mais fácil. A a função da alegria é a conexão. Uau! Você vê que no filme ela quer oi. Todo mundo brincar que não sei o qu. Então ela consegue conectar todo mundo. Uhum. E aí tem uma que eu quero falar muito, que não dá pra gente deixar de falar, que eu queria muito falar, que qual é a emoção mais importante de todas, na minha opinião clínica, digamos assim, se você fosse falar assim, tem uma coisa que eu acho que todo mundo na vida busca, alegria, felicidade, vai um pouquinho mais alegria, felicidade. Gente, que todo mundo quer ser e amado. Amado. Eu falo que é a emoção mais complexa e mais desafiadora de todas. Não tem uma pessoa que chega no meu consultório que se a gente cavar no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, no fundo. Aham. É o amor que tá buscando. Nossa, gente, impressionante. Amor é vinculação. E vínculo é aquela coisa que existe e é forte. Não é um vínculo frágil. Uhum. É um vínculo que você pode ser tá feliz, tá triste, tá acabada, tá pobre, tá rica e a pessoa vai estar ali com você. confundem muito maternidade e paternidade com amor. Eu acho muito importante a gente fazer essa ressalva, porque a gente já falou aqui antes que existem maternidades e paternidades sem amor, então não é vínculo seguro. Uhum. E aparece muito na clínica psicológica o vínculo que é não seguro, que é instável, que você não pode depender dele. Isso influencia como a pessoa vivencia no geral a vida inteira. Uhum. para reparar isso é muito trabalhoso. E o amor é feito do quê? O amor essa da tela azul em todo mundo. Nossa, gente, eu tô aqui, não, eu tô tô tô tô toda hora [risadas] fazendo aí um tentando recarregar, tentando buscar, porque assim, gente, e esse programa de hoje ele tá muito, tá muito consultório, tá muito gostoso, [risadas] né? Mas eu não sei te responder não. Vai lá, vamos lá. Então, vamos pensar assim. São deve ser é são muitas coisas, né? é tudo o dia a dia, eh o entendimento, ã, a paciência, eh, são tantas coisas para você poder juntar, para se transformar em amor. Eu acho que é mais ou menos isso, né? É uma emoção complexa, como eu disse, sabe como eu costumo comparar o amor? Eu falo que, sabe aqueles prédios que tem os pilares e a garagem aí embaixo? Sim. Então, eu costumo falar que é um prédio daquele. Uhum. Né? Você tem o respeito, você tem a confiança, você tem a fidelidade, você tem a lealdade, você tem o admiração, o afeto. Afeto não é amor. Importante a gente separar. Tem o afeto, você tem o cuidado, você, o seu amor é só seu. Você precisa descobrir o que é o seu amor. Uhum. Só que uma coisa é assim, acontece com todo mundo. A gente tem os nossos pilares de amor e o prédio tá em cima. O prédio do amor tá em cima. Se você tá numa relação e a pessoa marreta um pilar que não é tão importante, o prédio fica danificado, mas se sustenta. Agora, se ela marreta um pilar que é fundamental, o prédio cai. E aí a gente precisa descobrir o que que acontece que eu me sinto amado, o que é o meu amor para mim, em que momento eu sinto numa relação, falo: "Poxa, nesse momento, nesse dia, eu estou me sentindo amado." Menina, quais são os seus pilares? E quais são os pilares que a pessoa não pode bater? Para alguns é admiração, para alguns é a fidelidade. Uhum. o respeito. Exato. E você entende porque a violência de gênero é tão prejudicial? Porque ela pega esses pilares e ela detona eles todos. Aham. E tem gente que ainda vive nos escombros, que são geralmente as mulheres que têm dependência emocional, que aí qualquer escombro serve, desde que ela não precise sair dali, porque provavelmente uma vida também de muita violência e etc, etc. E é melhor o caos conhecido do que você arriscar algo novo e o novo dá medo, né? E paralisa, né? O novo paralisa, é desconhecido. Nossa, gente, te juro que eu ficaria aqui o dia o dia inteiro conversando com você, porque assim, eh, a gente saiu totalmente do roteiro hoje, né? É só lembrar aí a nossa produção, pessoal que tá em casa, porque gente, é tanta entrega e aqui se transformou num consultório e você tá ensinando muito a gente. Eu até saí aí da minha posição, né, e e e de apresentadora, de de tipo assim, de conduzir e deixei você entregar e deixei você entregar porque, gente, isso é maravilhoso. Obrigada por tanta entrega, obrigada por nos ensinar tanto sobre as nossas emoções. Eu acho que a gente precisa disso. E e eu sempre falo que o conhecimento bom é o conhecimento compartilhado, né? E é maravilhoso. Às vezes as pessoas não têm noção da importância eh eh de desse conhecimento que vocês, né, psicólogos, têm e dessa visão ampliada que às vezes nós não temos, né? você fez perguntas para mim aqui que, tipo assim, eu fiquei tipo, vou responder o quê, né? Mas é isso, é isso aí que tá o negócio, sabe? Despertar na gente aquela vontade de buscar algo que às vezes a gente pensa que sabe, mas não sabe, né? E e fazer essa visão macro, essa visão ampliada sobre um determinado assunto. E hoje nós estamos aqui falando sobre as nossas emoções. Que aula, mulher, adorei, gente. O que é isso? 8:56 já. Olha só, 8:56 passou muito rápido. A produção falando aqui que nós não, até a minha forma de sentar mudou, né? Eu tô aqui, [risadas] daqui a pouco eu tô deitada assim, parece que tô num divan. Vamos lá, gente. Que maravilha. Olha, olha isso, né? Eu tô impactada com o programa de hoje, de verdade. E a produção tá me falando que nós temos alguns algumas perguntas. Vamos ver se a gente consegue pelo menos duas, produção. Pode ser, pode ser. Coloca pra gente aí. Vamos ver os que o que os nossos telespectadores eh estão falando sobre as nossas emoções. Se tem alguma dúvida, de repente, se tem eh alguma experiência compartilhada conosco. Pode colocar lá, por favor. Henrique 857. Vamos ver. Juliana Peixoto do Botafogo. Vejo muitas técnicas de respiração nas redes sociais para controlar emoções. Elas funcionam mesmo ou só ajudam momentaneamente? Hum, importante. Juliana, obrigada pela sua pergunta que vai ajudar a cobrir um gap meu. Emoção tem duração curta. Ah, emoção dura quando está ativada de 15 a 25 minutos. Se você fica alimentando essa emoção, ela vira estado emocional. Então vem uma interpretação da emoção, da fisiologia que vai estendendo essa emoção. Então, pensando que a emoção tem essa duração curta, as técnicas de respiração ajudam muito, tá? principalmente para emoção de ansiedade, desconcentração, quando você tá naquele dia tá mais agitado, você pode usar a respiração diafragmática, que é uma técnica que você jogar no YouTube tem 500 vídeos, que é você respirar geralmente em quatro tempos, segura um e solta em seis tempos. Então você inspira mais rápido do que você inspira, repete isso 10 vezes e tem muitas variações. Elas ajudam sim e são técnicas importantes para você usar em momentos do dia a dia que às vezes você não vai poder sair. Eu tô numa reunião com o meu chefe. Meu chefe fez uma pergunta igual eu fiz aqui com você, Ruber. Te coloquei na berlinda. Eu fui, meu chefe fez uma pergunta. Eu falei: "Que que eu faço agora?" Você pode fazer essa técnica de respiração, respirar um pouco mais fundo. Isso vai ajudar a regular a emoção. Sim. Uau! Vamos lá. Mais uma pergunta pra gente, por favor. Quantas emoções nesse programa de hoje, né? Muito bom. O Ricardo eh Furrian do Jardim Santana. Por que algumas emoções como tristeza e medo parecem mais fortes do que alegria? Elas têm funções diferentes no corpo ou são apenas percebidas de outro modo? É uma pergunta complexa do Ricardo, né? É, Ricardo, vou tentar explicar brevemente aqui. Eh, não é que a tristeza e o medo são mais fortes do que a alegria. É porque para algumas pessoas, e aí depende da personalidade, do temperamento, da vivência, as emoções que são ditas desconfortáveis, não são negativas, são desconfortáveis, que é medo e angústia, tristeza, etc., elas são reforçadas. O nosso cérebro, naturalmente, pela sobrevivência, tende a reforçar as emoções negativas, desconfortáveis. E aí a gente tem que ativamente colocar o nosso cérebro nas emoções positivas também. Ah, então aconteceu uma circunstância no seu trabalho. Poxa, meu chefe veio e fez uma crítica para mim, que droga, tô me sentindo péssima, etc. Mas pera aí, você também pode se sentir falar: "Poxa, obrigada, porque aí eu vou poder melhorar. O que que eu posso fazer em cima disso?" Então você traz a emoção de uma outra maneira, você mesmo pode começar a trabalhar essa emoção. Eu queria falar da função da do medo. Qual que é a função do medo? O medo é uma proteção. A raiva é segurança no sentido de nos proteger. O medo é uma proteção no sentido de nos preservar. Então vamos fugir, vamos fazer alguma coisa, porque aqui tá perigoso. Então essa é a função do medo, tá? Que mais que ele perguntou? Rúbi, desculpa. Coloca lá na tela pra gente, produção, por favor, de volta, por gentileza. Tristeza e medo parece mais forte do que alegria. Eh, elas t funções diferentes, sim. Cada emoção tem uma função específica, né? O nojo nos ajuda a evitar contaminação. Lembra que a gente vem lá dos neandertes, homo sapiens, homo sapiens, sapiens? Então, a gente tem uma função de regulação e e até emocionalmente, né? Porque aquela pessoa que você tem ranço, o [risadas] que que é o ranço? É um nojinho, é um nojinho com raiva, né? Então você tem assim, tipo, é um ranço, é uma contaminação emocional, digamos assim. Olha isso. Então elas, toda emoção tem uma função. Se as pessoas quiserem eh assistir o filme, eu acho que é uma boa. Existe um livro de criança muito bonitinho que se chama Emocionário, que é um dicionário das emoções. Ele é uma boa referência para quem quer conhecer um pouquinho mais. E aí tem alguns que são mais complexos, como por exemplo, a mente vencendo o humor, que é bem famoso, ele é bem, ele é uma linguagem popular, ele é feito para as pessoas lerem mesmo e conseguirem aí regular um pouco mais as emoções. O pensamento ajuda a regular a emoção e a emoção ajuda a regular o pensamento. A gente não pode esquecer e os dois ajudam o comportamento. Uau, gente. Ah, tá me avisando aqui que eu tenho que encerrar. Então eu vou perguntar uma última coisa aqui que acontece e que aconteceu também com pessoas que a gente conhece. Eh, uma questão. Olha só, eu caí na rua Uhum. né? E aí mistura as emoções. Uhum. Eu choro, eu dou risada, eu fico com vergonha. Como é que eu vou reagir mediante a isso? Da maneira que o seu corpo achar melhor, ele vai tentar regular a emoção. Você falou que você chorou. Então ele tá tentando regular. Você deu risada. Riso também é regulador. Ah, é, né? Tem gente que fica nervoso e então o riso também é regulador. Ah, eu senti vergonha. Vergonha é a emoção. Olha só, por causa da emoção vergonha, você sentiu tudo isso. Você tentou se regular de várias maneiras. Que que a vergonha faz? É como se tivesse colocando uma luz sobre você, um holofote. Ups, estou em evidência, fui pego. Ah, então quando você cai, que é uma situação que você considera e olha, você tem uma percepção, você interpreta como ridícula, é isso. Então você aciona a vergonha porque você se sente exposto. Muito. E aí pode chorar, pode rir, pode falar: "Ó, gente, eu já caí ali no taquaral". Inclusive trinquei minha costela no tava correndo, caí. E aí teve um casal que me ajudou e na verdade falei: "Nossa, eu não vi", tal. Então fiquei meio desnorteada ali. Eles me ajudaram, mas eles não riram, eu não ri. Então cada um vai reagir de uma maneira diferente. O que importa não é falar: "Ai, não foi nada, tem mãe que faz isso, né? A criança começa a chorar, não foi nada". Foi sim, a criança caiu, doeu, ela se sentiu exposta. Vai lá e acolhe essa criança. Ah, se você vê um idoso, uma pessoa cair na sua frente, vai lá ajuda, oferece ajuda. Essa pessoa tá tendo, além da questão física, que às vezes pode machucar, etc., tem uma questão emocional ali por trás também. A gente precisa tratar uns aos outros com mais gentileza. Uau, maravilha. Olha só, né? Importante demais. A gente precisa encerrar o programa. A gente tá entendendo e tá descobrindo que essas emoções que a Iara muito bem trouxe não são falhas, não são problemas, elas fazem parte da nossa natureza, né, da nossa natureza cognitiva, social. Sentir faz sentido e aprender a sentir, nomear, acolher e regular faz parte de viver com equilíbrio. E é sobre isso que a gente falou hoje. Nossa, só gratidão. Gratidão é a minha emoção. [risadas] Gratidão. Obrigada demais demais pelo programa de hoje. Super adorei. Eh, você ensinou muito a gente. Então, gratidão mais uma vez. Eu que agradeço a oportunidade, porque esse tem um tema que eu assim que eu sou realmente apaixonada e que eu queria muito trazer aqui para vocês era emoção. Como eu falei, dava pra gente fazer uma série aqui extensa, né? Mas como a gente tem uma hora, espero que tenha trazido pros nossos telespectadores aí algo para eles pensarem. Importante pensar, identificar, validar, sentir e o qualquer emoção, porque a gente tende a gostar só das boas, né? Mas as ruins, as as desconfortáveis também fazem parte da nossa natureza e elas também precisam de espaço. Uau, que delícia de programa. Tá disponível lá no YouTube. Aproveita, ó. Vai lá, compartilha com toda a sua família, com as pessoas que você ama e com as pessoas que você também não tem aquela, sabe assim, pode compartilhar, faz parte, né? Eh, da a gente aprender sobre as nossas emoções, tá bom? Então, agradecemos você pela audiência, pela companhia, a Iara, mais uma vez pela participação brilhante aqui no nosso estúdio Câmara. E amanhã a gente volta, amanhã a gente volta a partir das 8 da manhã e a gente fala eh de um tema que muita gente confunde [música] e que interfere diretamente no bem-estar emocional, terapia ou atividades terapêuticas, yoga, meditação, dança, artes, tudo isso ajuda, mas substitui [música] o acompanhamento psicológico quando uma prática é terapêutica e quando ela precisa caminhar junto com a psicoterapia, né? Então, amanhã a gente tenta esclarecer aí essas diferenças para você entender por onde começar e o que realmente funciona [música] para você cuidar da sua saúde emocional. E eu super indico assistir todos os programas Estúdio Câmara, porque todos eles trazem [música] assim insites maravilhosos pra gente e nos ajuda muito, tá bom? [música] Um grande abraço, um grande beijo, fique bem. Daqui a pouquinho a ÍRa tá chegando, trazendo para você informações aqui do legislativo, do estado, eh, de Campinas, claro, Brasil e Mundo. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com informações do Legislativo Campineiro, também informações aqui de Campinas atualizadíssimas [música] para você. A nossa programação sempre feita com muito carinho, muita responsabilidade, especialmente da nossa equipe [música] para você que tá aí do outro lado. Então, mais uma vez, obrigada pela sua companhia. Valeu, beijo grande para você. Fique bem, cuide das suas emo emoções, né? Descubra, perceba, cuide delas, regule, vai dar tudo certo. A gente sempre consegue no final, tá? Grande beijo, fique [música] bem, até amanhã. [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]