Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, muito bom dia para você que está ligadinho aqui na TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o nosso estúdio Câmara na manhã chuvosa dessa terça-feira, dia 28 de outubro. Hoje a gente trata de uma situação, um papel silencioso, mas de um impacto muito grande, muito forte. Vamos falar quando a pessoa assume o papel de gestora da família, aquela pessoa que cuida dos outros, que resolve os conflitos, que acolhe as dores e a gente também aborda eh a situação quando essa pessoa adoece e aí a casa para, as responsabilidades se tornam pesadas. [música] a gente vai entender porque a maioria das vezes essa responsabilidade cai sobre apenas uma pessoa. Então o tema do nosso estúdio Câmara de hoje é o peso do gestor, né? O peso do gestor na família, aquele gestor emocional, aquele que cuida de todos. Participe com a gente, manda pra gente a sua experiência, [música] a sua dúvida, né? A sua mensagem. você é gestor emocional da sua família, você resolve [música] todos os conflitos, você é aquele cara que dá jeito para tudo? Então conta pra gente como é aí nós queremos saber porque daqui a pouquinho você vai poder interagir também com os nossos convidados que já estão aqui no estúdio. Daqui a pouquinho eu apresento eles para vocês, tá bom? Telefone tá na tela. Nossa produção já está com WhatsApp aberto para te receber. 1997829377. Enquanto você manda sua mensagem paraa gente, vamos atualizando algumas informações aqui do legislativo e também da nossa cidade de Campinas. Olha, a Câmara de Campinas é um dos pontos oficiais da arrecadação da campanha Natal sem fome 2025. Muito importante você participar, viu? Essas doações elas podem ser feitas na portaria da Avenida da Saudade 4, no bairro Ponte Preta. é a Câmara de Campinas chega lá, faz a sua doação. Nós aqui da TV Câmara Campinas também apoiamos esta [música] iniciativa. Vamos divulgar informações na programação e nos nossos canais digitais pra gente incentivar a participação da população. Essa campanha a gente segue até o dia 15 de dezembro. tem como prioridade atender famílias do programa Viva Leite. Dependendo do volume de arrecadações, os alimentos também serão destinados a rede socioexistencial do município. Lembrando que o dia D de arrecadação será no dia 8 de novembro, no passo municipal das 9 da manhã até às 2 da tarde. Podem ser doados alimentos não perecíveis como arroz, feijão, macarrão, óleo, leite, açúcar, farinha enlatados, café e biscoitos, desde que estejam dentro do prazo de validade e também com embalagens [música] em bom estado, tá? Então, se você puder levar a sua doação, a gente fica super agradecido e as famílias também, não esqueça, ponto de arrecadação, Câmara de Campinas. Mais uma informação chegando para você. Amanhã, quarta-feira, dia 29, começa a 11ª Semana de Negócios e Empreendedorismo aqui da cidade. [música] O evento traz uma programação cheia de palestras, trilhas temáticas [música] e também serviços gratuitos voltados a quem busca inovação, capacitação e novas oportunidades no mercado. A semana acontece no Pátio do Relógio na Vila Industrial com entrada gratuita, tá? Mas você precisa fazer uma inscrição prévia no site www.seman. semane.com.br. Todas as atividades são gratuitas, com exceção da rodada de negócios e para a rodada de negócios há inscrições também. As inscrições podem ser feitas até eh hoje, tá bom? Então, [música] é uma ótima oportunidade para empreendedores e profissionais que querem se atualizar e ampliar conexões. Muito bem, previsão do tempo chegando, não precisa falar muito, né? Mas a gente repassa para você. Tempo nublado aqui em Campinas. Eh, possíveis aberturas de sol, chuva leve agora de manhã, mas à tarde fique atento porque eh temos aí aumento de chuva e à noite de acordo com Sepagre e tem possibilidade de temporal, tá? Mínima 19, máxima 26º. [música] Muito bem, agora sim vamos ao nosso tema central, a apresentação dos nossos convidados. A gente fala que é importante ter em mente [música] que o papel de gestor emocional na família não é oficial não, viu? Mas é por ele que muitas famílias funcionam. E quando ele se quebra, o gestor se quebra, o impacto é para todos da família. Na maioria das vezes, essa função cai sobre as mulheres e elas nem sempre admitem que precisam de cuidado. Hoje vamos tentar entender essa dinâmica e também procurar caminhos para reequilibrar essa coisa de gestor emocional da família. Será que é isso mesmo que temos que ser? Vamos entender então e apresentar os nossos convidados. Eu apresento a psicóloga, especialista em terapia cognitivo comportamental, está com a gente aqui no estúdio. Bom dia, muito bem-vinda, Natália Brandão, obrigada pela sua presença. Bom dia, eu sou Natália Brandão, sou psicóloga dialética comportamental e tô muito feliz em estar com vocês aqui no estúdio Câmara mais uma vez pra gente falar desse assunto tão interessante. Maravilha. para completar o nosso time. Chega ele. Vamos dar as boas-vindas e o bom dia ao terapeuta, psicanalista, hipnólogo e programação neurolinguística, especialista, né, o Rudolf Lacerda. Bom dia, seja muito bem-vindo, gratidão. Bom dia. É um prazer estar aqui nesta manhã, um tema tão importante e um tema que abrange tantas famílias, né? agradeço pela oportunidade. Nós que agradecemos a presença de vocês e a sua presença. Você aí de casa, já vai mandando a sua mensagem porque vamos começar o nosso debate, né? E a gente começa pelo básico. Natália, como é que você define o papel de gestor emocional dentro de uma família? Bom, o papel ele vai se desenvolvendo. A pessoa não nasce com esse dom, né? A gestão emocional não é um dom que a pessoa nasce. Em geral, ela vai se desenvolvendo a partir de questões que vão acontecendo, questões familiares que às vezes vem de geração em geração, às vezes acontecem a partir de um evento, um episódio difícil, familiar, e uma pessoa entende que ela tem capacidade de organizar, de cuidar, de acolher melhor do que os seus familiares. Só que ela acaba fazendo isso de uma maneira que os seus familiares ficam um pouco codependentes dela e ela também não consegue se livrar muito dessa responsabilidade, o que faz com que ela tenha dificuldades de evoluir na própria vida. Exatamente. E você tocou numa palavra muito interessante que eu gostaria que o Rodolf explicasse pra gente e falasse sobre essa essa questão da codependência, né? Porque quando a gente tem um gestor na família, realmente é uma codependência que tem ali naquele ambiente, Rudolf. Sim, na verdade, eh, ocorre duas situações, né? A primeira situação aonde a pessoa ela se coloca no lugar eh de protetora familiar, de salvadora da pátria, né? Eu costumo brincar falando que a Ave Maria cheia de graça, ela resolve os problemas de todo mundo. E a segunda situação e que também ainda tem a ver com a primeira, é uma situação de um aprisionamento emocional. Toda família ela tem uma formação ou centrífuga ou centrípeda, ou seja, o núcleo dela, alguém, a família gira em torno deste eh sujeito. Uhum. Esse sujeito muitas vezes às vezes ocorre causando uma demanda emocional em todo o familiar. Por que muitas mulheres, né, dentro disso, eh, por conta que nesta formação familiar, muitas vezes ocorre que uma mãe, talvez, segundo a visão da psicanálise, de uma estrutura eh estriônica, ela elege uma das filhas como a ovelha negra da família, né? e o outro, os outros filhos, como o privilegiado, o tesouro do Kiko, né? Então, dentro disso, essa dependência e codependência, né? A codependência sempre será no sentido da Ave Maria cheia de graça, da salvadora de da família. É uma codependência emocional de quem? daquele que é o centro da família, que às vezes é a matriarca ou o patriarca desta família. Todos sofrem, sofre a o patriarca ou a matriarca que está monopolizando emocionalmente o familiar, especialmente aquele que está preso nessa demanda. Interessante, né, essa questão de de uma pessoa específica que toma conta, que que tem uma responsabilidade sobre tudo que acontece na família. Vamos decis, uma decisão de compra, eh uma decisão de viagem, uma decisão em questão de saúde, é tudo essa pessoa específica, né? E essa associação entre o cuidado e o papel feminino, né? tem raízes históricas e culturais no Brasil, como em outros lugares, a multidão de tarefas invisíveis, emocionais e domésticas, ela recai sobre a mulher. E aí quando essa mulher a adoece, a estrutura familiar ela ela treme, né? Então, quando a mulher ela assume o papel de cuidadora e gestora emocional, mas ela não se permite ser cuidada, né? Isso acontece. E e como que a mulher ela deve olhar para si mesma, Natália, com autocompaixão, com carinho, cuidado e entender que ela cuida. Mas a gente tá falando aqui eh eh não específico da mulher, mas já que isso cai sobre a mulher, então vamos dizer aqui o que que acontece com a mulher quando ela tá nessa situação e como ela deve se olhar. Bom, você tem toda a razão. A gente vive numa sociedade em que a mulher ela é colocada nesse papel de cuidado. As famílias são majoritariamente femininas. A gente tem muito mais chefes de família, mulheres do que homens. Então, naturalmente, a gente vai ter muito mais esse papel associado a mulheres. Claro que homens podem eh ocupar esse lugar e podem eh partir dessa mesma estrutura, mas a gente vai sempre acabar falando do feminino porque é o que a gente tem majoritariamente na sociedade. Sim. Uhum. Ah. O que acontece? uma mulher que ela é colocada a cuidar por motivos específicos. A gente pode ter uma mulher que foi irmã mais velha e precisou dar conta dos irmãos e ajudar uma mãe mais jovem a dar conta desses irmãos. A gente pode ter uma mulher que se casou e ficou muito dependente desse marido, que não tinha o próprio dinheiro. Então, ela vive eh gerindo esses filhos para respeitarem esse marido. A gente tem vários motivos que vão levar uma mulher a fazer esse gerenciamento. Mas por que que essa mulher não se permite ser cuidado? Porque esse papel gerencial, ele é um papel muito ansiogênico. Ele é um papel que que gera ansiedade. Aham. Então ele nos leva a prever as coisas, a tentar adivinhar o que vai acontecer, estruturar isso da melhor maneira possível para que ela aconteça de uma maneira fluida. E dessa forma, para que eu esteja atenta e preparada para dar conta de tudo, eu não posso ser frágil. Exato. Então, se alguém cuida de mim e eu me fragilizo, é como se eu perdesse o meu super poder. Uhum. Eu não tenho mais o poder de adivinhar o futuro. Então eu abdico do meu cuidado em nome do cuidado geral. É mais ou menos essa a dinâmica que acontece. Uau! E uma frase que eh acontece em vários lares, né? E ela é dita principalmente por mulheres eh Rodolf: "Eu não posso ficar doente." É mais ou menos isso, né? E será que é isso mesmo? Eu não posso ficar doente? Porque esse sentimento ela já trouxe, né? A Natália já trouxe pra gente, mas eu gostaria que você explanassem um pouco mais, porque esse sentimento, gente, eu não me permito, eu não posso adoecer, eu não posso ficar doente, eu tenho que estar firme, eu tenho que estar aqui, eu sou uma mulher maravilha, eu preciso cuidar da minha família, porque se eu não cuidar de todas as situações que envolvem a minha família, a minha casa para. É pesado, não é? Realmente o sujeito que traz já essa fala: "Eu não posso ficar doente", já está doente. Uau, né? Já está doente porque está ocupando um lugar que não lhe é devido, um lugar de salvador, um lugar que vai também asfixiar o restante da família. Então, por exemplo, a pessoa que ocupa este lugar de eh salvadora, de resolvedora, na verdade eh 50% é culpa dela. Quando nós atendemos os nossos pacientes do consultório, eh, eles chegam com a sua demanda. Olha, eh, eu não tenho, eu não tenho tempo para fazer as minhas coisas particulares, eu não tenho tempo para fazer as coisas que eu quero. Estou sempre demandando das coisas do lar, demandando das coisas do trabalho, meu filho, meu esposo, minha família. E na verdade, quem colocou você neste lugar? Isso. Claro que para o outro é confortável. Uhum. É uma doméstica gratuita que eu tenho em casa. Mas a pessoa também ela se predispõe a se colocar e ela já está doente. É importante o que fazer? Buscar terapia. Uhum. E nessa busca pela terapia, ela vai desagradar inúmeras pessoas. primeiramente ela mesma, porque ela vai ter que confrontar o ganho secundário, confrontar o que que ela está ganhando por detrás desse malefício, né? A dor traz um gozo, traz um prazer e muitas vezes não queremos abrir mão deste desta dor por conta do prazer secundário que está por detrás de tudo que isso me dá. Eu eh sofro porque demando a casa toda, tomo conta da casa toda, porém eu me sinto útil, porém eu me coloco num lugar de importância. E é interessante, acontece muito na terapia que chamamos de resistência. O que que é justamente sobre isso? É aonde o sujeito ele vai eh entrar num campo desconhecido no seu psiquismo, que é o quê? Eh, é uma nova fase. Se eu abrir mão deste comportamento, se eu olhar para este meu comportamento e tratar isso, eu vou para um campo do desconhecido que é: "E agora, quem eu sou? Qual é a minha importância? Qual é o meu papel nesta família? Se não for tratado isso, ela vai envelhecer, os filhos vão envoirar. Uhum. vai sobrar ela ou o esposo e aí entra com a síndrome do invazio, entra com uma depressão, uma crise de ansiedade e vai gerar outros problemas aonde essa pessoa agora é o cerne concentrado de toda a família, né? Ela vai movimentar todos ao seu redor para não sair deste lugar de utilidade na família. Forte, né? Um lugar de utilidade na família. Me chamou atenção também eh o que você colocou, quem que você disse quem colocou, quem elegeu essa pessoa como gestora emocional da família? Qual o momento que ela pegou toda essa bagagem e colocou nos ombros? A gente consegue apontar isso? E eh às vezes acontece por um motivo ou outro, né, na questão familiar, na convivência, mas não seria interessante dividir essas funções, Natália, demandar, né? De repente, se você tem uma expertise, chama, né, todo mundo ali da família, olha que tal, você fica com essa função, você fica com essa, você fica com essa e eu assumo essa, né? Se você tem a expertise, tem a liderança, não seria legal a gente eh eh fazer com que as pessoas da família possam ajudar também, né? Mas não, a pessoa quer tudo para ela, né? Em que momento isso acontece e por isso acontece? Bom, como o colega falou, eh, a gente tem um ganho secundário nessa prática, né? Eu acho difícil de mencionar quando isso começa. Eu acho, que é uma sequência de acontecimentos de um histórico. Em algum momento uma coisa deu certo, em outro momento outra coisa deu certo. E eu vou entendendo que aquele papel me cai bem. Uhum. Né? ao mesmo tempo que a família também faz parte disso. Um um gestor emocional não se forma sozinho. Tem muitos gerenciados que se beneficiam disso, mas eh o gestor ele nasce da do sucesso, do sucesso das coisas que ele faz. Então naquele momento eu acolhi e as pessoas ficaram felizes comigo e eu gostei daquele papel. Humum. Gostei de quem eu fui ali. Ah, aquela pessoa tá querendo dar um passo, mas ela não vai dar espaço sem pedir o meu aconselhamento. Olha que legal. Olha que gostoso isso. Verdade. Então assim, dá uma massageada no ego, não é? Quando o colega falou de papel de ganho secundário, é isso aqui, é esse prazer que a gente sente de ser importante, de ser útil, de ter a sua opinião validada. E a gente sente que se eu não der conta de tudo, eu vou perder esse lugar, eu vou perder esse papel. Então é uma prisão, porque ao mesmo tempo que é muito difícil, muito cansativo, é muito pesado, eh eu tenho esse valor agregado que às vezes é muito difícil de abdicar. Uhum. Perfeito. E agora, eh, para quem recebe esse cuidado, né, para as pessoas da família que estão vivendo aí numa zona de conforto, né? Ah, deu um problema, chama ele ou chama ela que resolve. Ah, não, nem esquenta, vai lá, resolve. E aí, como fica, né, a pessoa que que vive sendo cuidada por esse gestor, seja emocionalmente, eh, eh, enfim, eh, financeiramente, né? Ela entra numa zona de conforto, mas isso traz para ela também um desequilíbrio, Rudolf? Sim, vai trazer sim esse desequilíbrio. Por quê? Porque ela vai perder a autonomia de gerenciar a si próprio e a autonomia de gerenciar os conflitos pessoais. Ou seja, sempre vai ter o que vai ser o mediador dessa família e que vai ser o recurso principal. Então, quando você não tem este mediador, obrigatoriamente você vai ter que encontrar uma solução pro seu problema e vai ter que demandar esse esse conflito, né, seja de qualquer ordem familiar. A questão é que essa pessoa que vai eh exercer essa mediação familiar, ela vai acabar podando também, né, por osmose, né, a capacidade do outro resolver os seus próprios conflitos, seja ele qual for. E é, olha que interessante, eh, não é da noite pro dia, né? Eh, mas é tratado, é criado, é cultivado na cultura familiar. Então essa mãe, né, digamos que seja, né, o feminino, cuidando e fazendo este papel de mediação, né, que culturalmente, como falamos, né, acaba carretando esse papel, ela vai criar os seus filhos e os seus filhos vão crescer neste lugar, que é uma terra fértil para se cultivar nesse sujeito, neste filho, um comportamento narcísico, um comportamento egoísta, um comportamento de não olhar para o outro, porque sempre terá uma mediação. E olha que interessante, este filho quando crescer, este essa esse familiar quando entrar no lugar de marido ou de pai, ele vai buscar uma parceira que ocupe esse lugar materno, que ocupa esse lugar de mediação, de resolvedora dos seus problemas. e aonde essa esse sintoma vai se passando por geração em geração nessa cultura familiar. Como resolve isso? Eh, em algum momento, e eu volto a falar, a importância de nós fazermos a terapia, essa pessoa, ela vai precisar tratar essa demanda, olhar para o que faz com que ela tenha este comportamento para tomar atitudes, desde analíticas no seu processo de transformação, quanto também comportamental nas suas atitudes. E o que é muito comum acontecer é que quando nós fazemos terapia, nós mudamos milagrosamente, o mundo muda ao nosso redor. Uhum. A pessoa, ela chega depois de algumas sessões de terapia e às vezes até questiona o terapeuta, olha, você está falando com o meu marido, você está conversando com os meus filhos? Fala, não, de maneira nenhuma. Por quê? Porque eles mudaram. Por que eles mudaram? Porque você mudou. Exato. O mundo mudou ao seu redor. As pessoas compreendem que você não é mais, não está ocupando mais aquele lugar. Muitas vezes desagrada. Uhum. Tira o conforto do colega, tira o conforto do marido, tira o conforto dos filhos, mas as pessoas vão saber se organizar novamente e você vai descobrir o lugar maravilhoso, o paraíso do bem-estar emocional e de vida na sua casa. Exato. Eh, Natália, esse papel, né, quando esse papel de gestor emocional ele se dissolve, assim como o Rodolf colocou paraa gente agora, né? Eh, isso vem acompanhado de perdas, isso vem acompanhado, se a gente pode dizer, de um luto que vai precisar ser superado, né? E como é que a gente encara tudo isso? Além, claro, de fazer a terapia, de entender que você precisa, mas eu estou dizendo quando a dissolução desse papel de uma forma eh natural, assim, a família tá ali se construindo, né? E aí tem a gestora emocional da família, mas de repente, como num passe de mágica, cada um toma o seu caminho. O ninho ficou vazio e aí essa pessoa se olha o espelho e ela vê uma desconstrução de tudo aquilo que que ela projetou. Aí vem o luto, vem a frustração, o que fazer nesse momento? como ela deve se olhar, como ela deve se acolher, porque se você planejou algo, se você gestionou eh eh uma família, é porque você tinha uma expectativa de um retorno, não sei, não consigo entender qual, mas tinha, né? porque senão você não ia aplicar toda a sua a energia, a atenção, expertise, ingestionaram a família, mas é natural que essa família ela vá diminuindo, as pessoas vão encontrando o seu caminho e seguindo a sua vida. E aí vem o luto, vem a frustração, vem o desespero, vem o nenhum vazio e pode ser que venha junto com isso uma depressão também. Sim, muito, sim. Hum. Eu diria que nesse caso esse processo não aconteceu, ele foi eh foi acontecido, né, digamos assim, a pessoa ela tá diante de uma situação na qual ela vai precisar trabalhar essas questões, ela pode trabalhar ou não. Tem pessoas que não trabalham isso e a gente vai ter um processo depressivo importante, pessoa, um isolamento social, uma frustração muito grande, muita lamentação. a acusações de ingratidão, de que as pessoas não devolveram para ela tudo que ela ofereceu ao mundo, mas num processo terapêutico ou talvez, né, num processo individual, para que eu possa passar por isso sem que isso me deprima, nem que is que isso me derrube, eu preciso inevitavelmente olhar pro espelho, olhar para mim mesmo. O que acontece em todo esse processo de gestão emocional é que eu deixo de cuidar de mim para cuidar do outro. É que eu deixo de olhar para mim, paraas minhas necessidades, pro meu trajeto, pro que é importante para mim, para direcionar o outro. Eu escolho passar grande parte da minha vida nesse lugar de o grande conselheiro, o porto seguro de todo mundo e o a grande questão do Porto Seguro é que ele nunca vai ser mar. E nessa hora você pode esperar ficar deprimido no seu porto ou você pode se jogar pro mar. Então a gente tem duas possibilidades, né? Aí o que a gente oferece num processo terapêutico nesse sentido, é esse confronto, é esse finalmente olhe para você o que você precisa, o que você escolhe para você. É hora de ter novos projetos, desenvolver novos sonhos particulares. Então é um período muito difícil, mas que pode ser engrandecedor também. Muito bom. Pode completar, Rodolfo. Muito bom. Pode ser engrandecedor também, né? né? Uma libertação. Seria isso, sim. Esse processo, ele é um processo que no início causa muito desconforto. Uhum. Né? Porque você vai estar de encontro ah aquilo que você não quer ver. da psicanálise, nós chamamos do recalque. É aquilo que o meu ego não dá conta, é aquilo que eu não mensuro, mas está gerando um sintoma. Então, quando nós olhamos, né, eh, para este conteúdo, eh, a gente encontra muitas vezes ali a nossa versão que não gostamos, a versão de nós mesmos, que não era o que nós pintamos, né? é um falso self que criamos de nós, né? Então, este processo é como eh arrumar a sala de casa, né? Você vai pintar, vai arrumar, as paredes estão sujas e para você arrumar a sala não tem como. Você vai tirar os móveis de lugar, vai tirar os quadros da parede, você vai bagunçar, vai cobrir com lona, vai começar a pintura e naquele momento não dá para chamar ninguém para tomar um café. Exato. Porque está uma bagunça na sua casa. Assim também o nosso mundo emocional. Quando nós iniciamos esse processo terapeutico, para que nós possamos arrumar, precisamos primeiro criar uma um desconforto dentro de nós, olharmos para aquilo que passávamos batido todo o tempo, mas agora reparamos que a parede está suja, que existem questões quebradas e precisam ser arrumadas. Mas depois que esse primeiro processo ele é passado, ele é atravessado, processo terapêutico, a pessoa ela consegue dar conta, porque a terapia, eu costumo dizer que a terapia é para todos. Uhum. Mas nem todos dão conta, porque ele é um processo doloroso, de autoconhecimento. A gente sempre quer passar um pano em nós mesmos. E aí depois que tudo isso é organizado, a pintura é realizada dentro de nós, a gente vê o que tira, o que presta, o que não presta, coloca os móveis novos dentro de nós, aí sim você verá que a nova versão é maravilhosa, é agradável. Então esse é um processo necessário eh de tratamento, seja em qual momento da sua vida, mas ele é fundamental. Se o quanto antes melhor. Muito bem. Nós estamos aqui no estúdio Câmara hoje com dois profissionais de saúde mental. Nós estamos falando sobre você, né, que tá em casa, que é gestor emocional da sua família, você que cuida de tudo e de todos, você que não pode ficar doente porque senão a sua casa para, né? Como que vai fazer para encaminhar tudo que tem que tem que encaminhar aí no dia a dia, né, da sua família? Se você adoecer, será que é isso mesmo, gente? A gente precisa parar, analisar e entender, né, essa essa dependência da família. Será que a família está dependente de você ou será que você está dependente da sua família? A gente tem que parar e analisar sobre isso. 8:35. Produção, tem perguntas? Se tiver perguntas pode mandar, porque nós temos alguns relatos aí. que o pessoal tá participando com a gente. Inclusive tem relatos de colegas, né, que que até comentaram quando estávamos desenvolvendo essa pauta, Rodolf e Natália, que eh situações de que assim a a tia ficou doente e a família parou, entendeu? E agora a gente vai fazer o quê? Para onde a gente vai? Como é que a gente vai agir? Quer dizer, não sabe nem desenvolver uma ação para cuidar daquela tia, né, daquela daquela pessoa que está doente, porque eles não souberam como desenvolver isso, porque quem só fazia isso era ela. Isso é um grande problema, não é, Natália? É um grande problema. Eh, faz parte desse mecanismo. Eh, a gente fala muito do gestor, mas você tocou agora a pouco nesse nesse tema da pessoa que fica do lado de lá, que ela também sofre, ela é tolida de sua capacidade de gerir problemas, de resolver as próprias questões. Então, nesse momento, isso fica escancarado e é um sofrimento, uma sensação de incapacidade muito grande, de que eu não consigo resolver as minhas coisas sozinho e de que o que vai ser da minha vida se essa pessoa não estiver aqui. Sim. Então é um momento muito importante, muito conflitante para uma família quando ela vivencia isso. Mas é importante que a gente olhando para isso, consiga perceber que então abdicar um pouco dessa gestão, como você falou agora a pouco, delegar um pouco para cada um, é dar ao outro a possibilidade de exercer suas próprias potências, de encontrar as suas qualidades, entender fulano é bom nisso. Ele é muito bom naquela área e o outro naquela outra. E assim a gente pode ter uma família às vezes com muito mais potência do que se uma pessoa só fica tentando organizar tudo sozinho. É porque de repente se essa pessoa falta as outras pessoas que estão ali no no ambiente, que são da família, eles não vão conseguir suprir necessidade nenhuma de ninguém. É um grande problema, Rodolfo. Sim. Eh, aquela pessoa, né, que está ocupando este lugar de de salvadora da família. Precisamos olhar também outro questão. É um é um lugar narcísico que o sujeito ocupa, né? Só eu sou capaz de fazer. Hum. Ninguém faz melhor do que eu, ninguém faz como eu, ninguém faz um bolo como eu faço. Ou no caso do homem, ninguém gere como eu e eh eh a minha casa, ninguém resolve os problemas como eu resolvo. É um lugar narcísico e tóxico, familiar. Uhum. Então, dentro dessa toxicidade, né, eh, é importante ver duas situações. Primeiro ponto, aquele que está confortável neste lugar tóxico. Sim, porque demanda a atenção de todos à sua volta, né? é um lugar estriônico aonde quer chamar atenção para si mesmo, reclama, mas usa de esse artifício como ferramenta para conseguir monopolizar as pessoas em sua volta, né? Você eh está me deixando doente, você olha, estou sentindo mal por conta, fulano quer me matar, né? usa desses artifícios como um elemento, uma ferramenta tóxica para aprisionar as pessoas à sua volta. E aí ela usa, utiliza disso, né, suas falas para falar: "Olha, eh, se eu faltar, a casa não mais funciona. Se eu faltar, as coisas não funcionam direito. E é um lugar é confortável para essa primeira pessoa, para essa primeira colocação, porque ela tem ganhos, ela tem atenção, ela tem importância de tal maneira em que a família não pode fazer talvez uma viagem se não convidá-la, não pode comprar um bem se ela não aprovar. Então ela ocupa esse lugar gigantesco e cômodo e tóxico. Há uma outra pessoa que ocupa esse lugar de salvadora, eh, porque elegeram ela, não porque ela quis também, mas porque elegeram. Então, é uma situação o quê? Ela é uma filha entre, sei lá, três, quatro, cinco outros irmãos. Todos os outros irmãos têm liberdade para construir a sua vida, fazer o que quiser, mas ela foi eleita. por todos os familiares, especialmente por um patriarca ou matriarca, como o bode expiatório, como aquele que tem que parar o seu trabalho para ir resolver o problema do outro, parar o seu trabalho para ir no banco, parar o seu trabalho para ir no cartório. E aí esse é um lugar de dor, é um lugar de sofrimento. O primeiro o lugar que é o narcisse não vai pra terapia fala: "Olha, eu estou aqui para me tratar porque eu estou monopolizando a minha família, estou sendo tóxico." Ele não vai, porque o narcisista dificilmente vai procurar terapia, ele já é best. Mas o segundo eh eh eh caso que é o bod expiatório, é esse que vai paraa terapia trazer a queixa. Olha, eu não estou dando conta mais desse peso. E aí que nós precisamos fortalecer emocionalmente essa pessoa, a sua, elevar a sua autoestima, colocá-la num lugar de autonomia para que ela tenha uma qualidade de vida. Excelente, né? Quanto ensinamento a gente tá recebendo aqui na manhã desta terça-feira e falando de um tema que parece simples, mas que é bem complexo, é a pessoa gestora emocional de uma família, né? Vamos lá então, produção 8:41. Se tiver perguntas pode colocar na tela, por favor. Vamos lá. Oba! A Carla Menezes do Jardim Chapadão. Desde pequena me ensinaram a cuidar de todo mundo. Hoje me sinto cansada, mas culpada quando penso em descansar. Como quebrar esse ciclo sem me sentir egoísta? Carla Menezes, bom dia. Obrigada pela sua participação. Natália, ela tá se sentindo egoísta, mas é isso mesmo. Então, eu gosto muito da forma como ela constrói a pergunta. Como quebrar tudo isso sem me sentir egoísta? E se eu fosse traduzir, eu diria que ela tá dizendo: "Como é que eu posso quebrar isso sem sofrer?" Hum. Não dá, não dá para fazer isso sem sofrer. se sentir egoísta é uma percepção ilusória que você vai ter do desconforto no momento que você tá mudando a configuração das da forma como você lida com os seus problemas e com os problemas da sua família, porque se construiu também nesse panorama ilusório de que só você era responsável, que só você era capaz de ajudar, só você podia fazer daquele jeitinho que tudo ia dar certo. Uhum. E por mais que você tenha usufruído dessa da parte boa, também teve a parte ruim, senão você não tava se sentindo tão cansado. É isso mesmo, né? E aí, nesse cansaço, quando a gente pensa, ah, eu quero me libertar, a gente tem pessoas mal acostumadas ao nosso redor, tem pessoas que que usufruíram do benefício do nosso cuidado e parece que a gente vai tá fazendo mal a elas se não tiver oferecendo aquilo. Mas na vida isso não se mostra verdadeiro. Isso é uma percepção que a gente tem. Na vida, quando eu deixo de ajudar uma pessoa e essa pessoa precisa sozinha caminhar com suas próprias pernas, o que vai acontecer é que ela vai desenvolver o mesmo repertório que você tem. E não seria ótimo se todo mundo tivesse esse repertório e pudesse cada um cuidar de si mesmo? Então, apesar de dar uma sensação muito ruim de que eu tô sendo egoísta, na maior parte das vezes a gente tá fazendo uma coisa boa. É claro que a gente tem que olhar para essa pessoa, não tô falando de uma criança. Eh, é claro que a gente tem que olhar para essa pessoa e entender até onde ela consegue ir e ter a paciência de aceitar o que ela consegue me oferecer, porque tem isso, ninguém faz como eu. Mas será que o do outro também não é bom? Pois é. Ah, ninguém faz um bolo de chocolate como eu, mas não quer dizer que o bolo de chocolate do outro não é gostoso. Então, a gente poder oferecer ao outro a possibilidade de eu me oferecer algo, mesmo que seja diferente, e ver valor no que o outro oferece. É uma forma de sair disso com menos dor do que de uma maneira muito abrupta. Mas não dá para sair sem dor. Sempre vai ser desconfortável, sempre vai ser frustrante saber que a gente não é a pessoa mais importante do planeta. sempre vai ter coisas negativas e positivas, mas no final das contas, se eu não me sinto extremamente cansada, é porque eu venci o processo. Uhum. Ótimo. Maravilha. É isso mesmo, né? E é assim, para você consertar, você precisa desconsertar e aí e você se sentir egoísta faz parte da baguncinha que você vai ter que fazer, porque depois você vai arrumar e vai ter que passar por isso, né? Muito bom. 8:45. A gente falando aqui, me veio à mente uma frase de crenças limitantes, né? Eh, que é bem feito, faça você mesmo. Você lembra disso? Quem é que lembra disso, né? Que é bem feito, faça você mesmo. Vai lá e faz tudo. Pega tudo para você, porque você faz bem feito. Olha, gente, isso limita e a gente precisa se libertar disso. Principalmente você que tá aí eh gerindo, né, a sua casa. Daí você fala: "Nossa, olha o que que a R tá falando para mim. Pois é, gente, não sou eu que estou falando, né? Eu estou só completando aí eh o que dizem os nossos profissionais de saúde mental. É isso mesmo. A gente precisa se libertar. Por favor, Natália. Você vê como essa frase é incapacitante? Você consegue perceber? Se você quer uma coisa bem feita, faça você mesmo. Ou seja, ninguém é capaz de fazer nada bem feito, só eu. Ao mesmo tempo que é, nossa, como eu sou importante, olha esse aprisionamento. Ninguém é capaz. e olhar o outro como incapaz é esse narcisismo que o que o isso que o Rudolf tá trazendo. Então, disfarçado no meio desse processo, tem uma percepção de que o outro não tem capacidade de resolver as coisas. E se eu me liberto disso, eu também liberto o outro. O outro se torna capaz a partir do momento que eu abdico desse narcisismo. Que lindo, né? Imagina isso assim em filme, em desenho, passando na sua cabeça, você se libertando, você libertando o outro e uma grande libertação aí de todas as gerações. A gente precisa porque isso limita, não é, Rudo? Realmente é é essa situação. Quem disse, né, que a gente faz bem feito? É quem, né? Quem quer bem feito faça você mesmo, tá? Mas quem disse, né, que você tá fazendo bem feito? Eh, talvez aí esteja por detrás a o medo de descobrirmos que nós não fazemos bem feito, que somos imperfeitos. Medo de descobrirmos que tem alguém que faz melhor do que nós. Aham. Então, eu paraliso, eu monopolizo, eu impeço que o outro prospere, né? Já imaginou que eh inferno eh mental vive talvez uma pessoa que possa descobrir que o o a esposa faz melhor do que o marido ou o marido faz melhor do que a esposa, ou pior ainda, descobrir que o nosso filho tem muito mais capacidade de nós mesmos, né? Então o que que eu faço? Eu vou tulir a capacidade dele falar: "Não, ninguém faz melhor do que eu". Na verdade, eh, é o meu medo por detrás disso daí, né? De, eh, eu descobri que do meu lado tem alguém que é melhor, que faz melhor, que é muito mais capaz do que eu e eu tenho que dar conta do que eu posso, do que eu sou capaz. Então, eh, aí me vem a questão do supergo aí, né? o ego e o super ego. Porque se a gente para para analisar, seria tão natural você pegar uma pessoa que tá do seu lado, que faz algo melhor que você e aí você pensando, a pessoa pensando, o outro pensando, a gente junta isso, poxa, a vida vira um canhão, seja profissional, seja pessoal, familiar e e tudo, né, na vida. se a gente consegue agregar eh eh cada virtude, né, das pessoas que temos ao nosso lado, você imagina que canhão, né? A gente fica imparável, todos nós. Agora, infelizmente, nós temos essa questão aí do do ego, do superego e do narcisismo, que ultimamente as pessoas vêm desenvolvendo com frequência, [risadas] não é? E aí acaba limitando, mas a gente precisa eh entender e saber que a todo momento é hora de mudar, porque a gente vive em movimento. E que bom se a gente conseguir uma fala, uma frase, ir lá na cabecinha de alguém falar assim: "Poxa, tô passando por isso ah, eu acho que eu vou por aqui". Ó, já tá valendo muito a pena. Vamos lá, 8:49, mais uma pergunta pra gente. Agora a gente direciona para o Rudolf. Quem é que tá conosco? Produção, pode mandar, por gentileza. A Luciana Prado da Vila Vila Boa Vista. Existem sinais físicos ou emocionais que indicam que a pessoa está adoecendo por carregar fardos que não são dela? E aí, professor, a psicossomatização, né? Eh, não temos como separarmos o soma da psiquê, né? nós vamos estar interagindo. O problema emocional que eu estou sofrendo e o meu corpo ele vai sentir, né? e o problema físico que eu estou sentindo, que eu estou sofrendo, a minha alma vai sentir, ele vai reverberar disso. Então, o problema emocional que você está passando pode desencadear no seu corpo. E aí vem incidências físicas, desde as mais básicas, como o burnot, como a a fadiga, né, o cansaço extremo, a sonolência ou a insônia, até mesmo aí casos mais graves como a dermatites, como ã gastrites, úlceras, ã até mesmo poderíamos falar de doenças mais complexas que tenha aí o seu vié. emocional. E essas doenças e esses problemas físicos que vão aparentar, eles vêm, na verdade para alertar o sujeito, dizendo: "Olha, para, você precisa se cuidar, você precisa olhar para este conteúdo, olhar para este comportamento, olhar para este conteúdo que está recalcado, que está gerando um sintoma na sua vida. Então ele vem, se você não parar para olhar nisso, os sintomas, os problemas físicos, as doenças, as somatizações virão para te parar e param e paralisam mesmo. Nós fizemos até um programa com o tema doença psicossomática. Nós tivemos dois profissionais aqui que nos alertaram referente a isso e é muito sério, a gente precisa estar atento aos sinais que o nosso corpo emite, né? Porque a todo momento a gente tem sinais e esse negócio de aguentar tudo e engolir sapo, ô gente, o sapo ele escorrega, né? Então você não vai engolir uma hora, ele vai voltar. E é assim é o nosso corpo. A gente precisa estar atento aí porque as doenças psicossomáticas realmente elas nos paralisam. Vamos lá. 8:52 mais uma pergunta pra gente pode mandar, por favor. Estamos aqui com dois profissionais, saúde mental falando eh sobre você que é gestora emocional da sua família, a Isabela Faria do Jardim Nova Europa. Muitas pessoas acreditam que resolver os problemas da família é uma prova de amor. Em que momento o cuidado deixa de ser amor e vira sobrecarga, Natália? Bom, ele vira sobrecarga quando você fica cansado, quando aquilo te pesa mais do que deveria, do que quando você tá carregando mais peso do que consegue. Mas a gente não precisa medir isso pela sobrecarga, tá? A sobrecarga é um sintoma de excesso de que a gente já passou do ponto. Uhum. Quando é que deixa de ser amor? É onde a gente devia se perguntar. Sim. deixa de ser amor quando o outro tem competência de resolver aquilo sozinho. E eu resolvo por indulgência para porque eu posso. Então, digamos que a gente tivesse falando do nosso filho. Uhum. A gente ama o nosso filho. Sim. O nosso filho precisa aprender a falar em algum momento, mas se a gente não ensinar ele a falar, ele vai passar a vida apontando as coisinhas e a gente pegando para ele. Não tem aquele momento que a mãe precisa dizer como que é o nome disso se a criança não fala. aqui é o limite deixar de ser amor, aliás, para continuar sendo amor, para que eu ensine algo, para que eu faça com que essa pessoa cresça. Então, deixa de ser amor quando eu estou fazendo algo que vai impedir essa pessoa de crescer, que vai impedir essa pessoa de desenvolver algo em si mesma, que vai impedir essa pessoa de aprender algo sobre si mesma e sobre o mundo. Aí deixa de ser amor e com o tempo vai virando sobrecarga. Então a sobrecarga ela tá mais distante, não precisa ser sobrecarga. Antes de ser sobrecarga já deixou de ser por amor e já passou a ser por eu acho que essa pessoa não é capaz. Eu acho que essa pessoa não consegue sozinha. Se não for o eu, quem que vai ser? sou eu que resolvo tudo. Quando a gente começa a sentir uma frustração nessa realização, é um sinal de alerta de que a gente tá passando do ponto e de que essa essa questão pode ser resolvida em conjunto pelo menos ou individualmente pela outra pessoa, dependendo da situação. Excelente. Agora, essa questão do peso e da sobrecarga, gostaria de eh que você trouxesse pra gente eh Rudolf, a importância disso quando a gente fala eh do gestor emocional da família, né? Porque essa pessoa ela literalmente carrega um peso que não é dela. Quais são esses pesos? É todas as a as situações de todos aquelas pessoas pertencentes da família. Isso chega a ser injusto. É um peso muito grande. Como é que a gente começa a tirar esse peso e devolver o peso a que ele pertence? Muito bem. Eh, há muitas abordagens terapêuticas que vai trazer para você soluções eficazes de como eh resolver esses problemas, como resolver essa demanda, esse comportamento. No meu caso, como psicanalista, nós sempre vamos olhar para sua ontologia, sua história de vida. Uhum. Veja, eh, aquela pessoa que está se comportando como a salvadora, como a telespectadora, que disse: "Olha, eu me vou me sentir egoísta, talvez." Hum. Eh, na verdade, esse comportamento, algumas vezes, não é do adulto, mas da criança. Yung, ele fala a respeito da criança dentro de nós, que existe uma criança machucada, traumatizada em um certo momento da sua vida, em um certo evento. E o caminho para a psicanálise de solução deste comportamento inicia-se pelo olhar ao seu passado, descobrir em que momento da sua vida ficou essa criança em busca de atenção. Sabe, muitas vezes a pessoa ela tem este comportamento de ser a salvadora porque ela está reproduzindo uma tentativa de agradar a alguém. E a gente precisa olhar, você quer agradar quem? E na verdade ela está numa numa espiral familiar de marido e filhos, mas inconscientemente ela está tentando agradar uma mãe, está tentando agradar um pai que talvez na sua infância a desprezou ou não deu a atenção que ela queria ou deu a atenção, mas a criança percebe que não foi suficiente. E aí essa criança, ela tentava chamar a atenção dizendo: "Olha, eu sou capaz de fazer, eu também sou boa nisso, eu sou boa aquilo". E ela vai eh não é pensado, não é consciente, é inconsciente, agindo e vivendo dessa forma para sua vida amadura. E aí o que acontece? Primeiro passo dentro do set analítico é olhar para que momento e o que faz a sua criança eh querer essa atenção e atenção de quem? E depois desse princípio é adultecer essa criança, porque a gente não pode ficar com eh minimins andando para cima e para baixo dentro de nós. Nós precisamos amadurecer. e amadurecer essa criança é castrá-la, é angustiá-la, fazê-la entender que ela talvez nunca mais ou nunca terá esse reconhecimento, esse amor. E ela vai ter que dar conta disso. A partir do momento que ela olha para este conteúdo, a origem disso tudo, aí podemos partir também para o comportamental para falar: "Olha, e agora que vamos fazer a partir daqui? Gente, olha só, né? É uma simples questão que nós estamos trazendo aqui que acontece na família, na maioria das famílias, né? Sempre tem alguém aí que cuida de todos e que desenvolveu um programa de uma hora e tem muito que falar sobre. Eu acho bem importante a gente debater em assuntos que principalmente faz a gente olhar para si, sabe? Olhar para si. pegar os pesos que não são seus, devolver para cada um e está tudo bem. Vamos levar uma vida mais leve, pelo menos tentar, né? Agora 8:59, dá tempo para mais uma, né, produção? Tá bom, então vamos mais uma perguntinha e aí a gente já vai para as considerações finais. O Rodrigo Matos do Jardim Flamboiã. Me cobro demais por não conseguir resolver todos os problemas. Como entender que o erro também faz parte do aprendizado? Eh, Rodrigo, hein? Para de se cobrar, rapaz. Olha aí, autocobrança, né, Natália? É, faz como agora? [risadas] Ah, bom. Você se cobra demais para resolver todos os problemas. Todos os problemas é muita coisa, Rodrigo. É muito. A primeira coisa que eu tenho que te dizer é que todos os problemas é muita coisa, né? E como entender que o erro também faz parte do aprendizado? Eu acho que você sabe disso. Eu acho que você precisa entender como é que você lida com o orgulho ferido que dá quando as coisas não dão certo. Uhum. que aquilo que a gente estava falando do nosso ego, do nosso lado mais infantilizado, como o Rudolf tava trazendo, eh, quando as coisas não dão certo, é ruim, é frustrante, é chato e a gente precisa conseguir viver esse momento também. A vida não é feita só de coisas boas, né? Entender principalmente que o mundo não acabou. Então, quando as coisas dão errado, eu acho fundamental que a gente possa olhar ao redor e dizer assim: "Tá, e o que que aconteceu quando tudo deu errado?" E em geral não aconteceu muita coisa. Uhum. Aconteceu que eu vou ter que fazer de novo. Aconteceu que eu vou ter que fazer um um telefonema, que eu vou ter que falar com alguém, que eu vou ter que resolver uma coisa que não é tão gostosa e que eu vou ter que assumir pro espelho. Lembra do espelho que eu falei aquela hora? Que o meu bolo de chocolate não é tão bom assim? como a gente estava falando. Então, como que eu consigo lidar com os meus erros, permitindo que eles me machuquem às vezes? Uhum. E a partir desse machucado, aprendendo quem que eu serei, quem que eu consigo ser e como que eu vou me orgulhar de mim, apesar da imperfeição. Excelente. É, é entra em conexão com o que o Rudolf trouxe da nossa criança, né, interior, que a gente vai ter que ferir ela em algum momento e e dar um choque de realidade para que a gente possa melhorar. É isso, sim. É, é, é tudo isso que minha colega falou, né? Acho que foi muito perspicaz isso. É muita coisa, né? Resolver todos os problemas, né? E é um perfeccionismo exagerado, exacerbado, né? Eh, e quem é perfeito, né? Ninguém ninguém dá conta de ser o perfeito, né? De quem essa demanda, né, que está sobre você, né? que é a fala sobre a fala de quem que você está vivendo ou direcionando a sua vida, né? Quem disse que você tem que ser perfeito, né? A gente eh não cria isso por sozinho, não brota por sozinho. Alguém plantou alguma semente? Vamos olhar essa semente que foi plantada, a semente da perfeição, pra gente conseguir viver bem. E quando a gente tira a mão do objetivo de fazer perfeito, é quando as coisas dão certo. Excelente. É isso. 9:02. Gente, seguinte, olha, cuidar dos outros não precisa significar abandonar a si mesmo, tá? Ser gestor da família, né? é um gestor emocional é um papel de enorme valor, mas [música] é importante a gente salientar aqui que tem sim um grande peso e quando esse gestor adoece essa rede não só enfraquece, essa rede se rompe. Então você que assume esse papel ou conhece alguém que que assumiu esse papel, saiba que é possível redistribuir, é possível ser cuidado, é possível recomeçar. [música] A gente precisa entender que não somos perfeitos e que a gente não precisa dar conta de tudo e que cada um tem o seu papel. Sim. [música] Seja dentro da família, seja dentro da organização, cada um tem [música] o seu papel. Então, deixe que essa função, esse papel, esse domase e deixe que a outra pessoa também faça e cumpra o seu papel. Eu quero agradecer a participação dos nossos convidados. Natália, mais uma vez muito obrigada pela sua contribuição, a sua presença, a sua fala, sempre muito importante. Gratidão por ter vindo. Imagina, eu que agradeço a presença, a o convite de estar aqui com vocês. É sempre muito bom falar desses [música] temas. Eh, queria finalizar, né, deixando um recado pro público mesmo, de que [música] muitas vezes a gente fala aqui na televisão, então fica parecendo que é tudo muito fácil de resolver, fica parecendo que é uma grande bobagem eu sentir todas essas coisas. E é importante sinalizar que a gente está falando superficialmente [música] porque a gente tem pouco tempo, mas são questões que trazem muito sofrimento, muita dor, muita confusão familiar [música] e que é justo, é válido que você se sinta mal com isso e que você tente melhorar, tá? A gente sabe que isso é importante, sabe que isso causa um sofrimento psíquico [música] intenso. E se você sentir que isso tá passando do limite para você, não deixe de procurar ajuda. Excelente, perfeita colocação. Agradeço mais uma vez. Obrigada. E a gente agradece também [música] o nosso professor hoje, o Rudolf, que teve aqui com a gente, conversou, abordou, trouxe e acho que compartilhou assim eh palavras, né, frases muito importantes pra gente guardar, né, e virar a chave, de repente parar, pensar, analisar com mais carinho, com mais tempo e entender que somos imperfeitos e tá tudo bem. É assim mesmo, né? a gente não precisa dar conta de tudo. Muito obrigada, professor, pela sua participação e presença. Eu que agradeço. Foi uma um grande privilégio poder estar aqui com esse [música] público querido e como a nossa querida colega Dra. Natália trouxe aqui também, é importante, né, você buscar essa ajuda, né? [música] Eh, muito bom esse debate, muito importante para trazer uma conscientização. Mas a partir de agora é importante você pensar, olha, até quando eu vou viver dessa maneira, né? Eh, talvez agora parte do momento de você tomar uma atitude e começar o o o a mudança da história da sua vida e vai passar justamente pelo pela terapia, por essa autoanálise, por essa busca interior. Maravilha. Que bom o programa de hoje, terça-feira chuvosa, né, aqui em Campinas. E você entendendo que você precisa dar conta de tudo e está tudo bem. Amanhã, gente, amanhã, quarta-feira, amanhã a gente vai falar sobre expectativas, frustrações e como transformar o fim de ano em um período de renovação verdadeira. Quem é que já não se fez essa pergunta? Então, é Natal e o que você fez, né? O ano termina e nasce outra vez. Então essa pergunta da Simone, né, em seu clássico fim de ano, é é feita por quase todos nós, mas para muita gente chega essa essa época vem com um sabor amargo, né, o de não ter dado conta de tudo que planejou. É o famoso modo de espera quando as promessas são adiadas, os projetos engavetados e a frase deixo tudo pro ano que vem virá quase um mantra coletivo. Amanhã a gente vai falar sobre o poder de replanejar sem culpa e de encerrar o ano de forma mais consciente, [música] mais gentil com a gente mesmo e tá tudo bem, sem muita cobranças, né? Não vamos viver lá no futuro tanto não, porque isso não é legal, isso causa uma certa ansiedade. Então, amanhã a gente fala sobre isso aqui no estúdio Câmara a partir das 8 da manhã ao vivo. Eu quero agradecer a sua audiência, a sua companhia mais uma vez agradecendo aos nossos convidados. Lembrando que em instantes [música] nós temos eh a nossa central de inteligência artificial, a Íria, né? Ela vem da Central Iá, trazendo informações do legislativo, também informações aqui do estado de São Paulo, de Campinas, Brasil e Mundo. Ao meio-dia temos Câmara Notícia com informações do legislativo e de toda a nossa metrópole. E a programação da TV Câmara Campinas é feita com muito carinho, especialmente para você. Eh, não se esqueça, você pode rever esse programa no canal da TV Câmara Campinas do YouTube, compartilhar para quem você quiser e a gente fica muito feliz em ter você conosco, tá? Grande abraço, uma ótima terça-feira. Você não precisa dar conta de tudo. Pense nisso e até amanhã. [música] [música] [música] [música] [música] [música]