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Estúdio Câmara | Misoginia e violência contra a mulher: informação, leis e apoio
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Estúdio Câmara | Misoginia e violência contra a mulher: informação, leis e apoio

146 views Publicado 19/01/2026 HD · 1:01:24

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O Estúdio Câmara desta edição aborda um tema urgente, necessário e extremamente atual: a misoginia, o ódio, o desprezo e a violência contra as mulheres — manifestações que ainda fazem parte do cotidiano, seja no ambiente doméstico, no trabalho, nas ruas ou nas redes sociais 📱. A misoginia não começa com a agressão física. Ela se inicia em comentários, controle, humilhações, ameaças, assédio e julgamentos constantes. E, na sua forma mais extrema, termina em violência e feminicídio 🚨. 📊 Dados alarmantes mostram a gravidade do cenário: Apenas no primeiro semestre do último ano, foram registrados 718 feminicídios no Brasil, uma média de quase 4 mulheres mortas por dia por razões de gênero. No mesmo período, mais de 33 mil estupros contra mulheres foram contabilizados. Segundo a ONG SaferNet, 67% das vítimas de discurso de ódio online são mulheres, e 70,5% dos casos de exposição íntima por vingança atingem o público feminino. O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio, segundo a ONU. Diante desse contexto, o programa propõe uma conversa direta, informativa e acolhedora, com o objetivo de reconhecer sinais de violência, entender o que sustenta a misoginia e orientar sobre como pedir ajuda e apoiar outras mulheres. 🎙️ Para aprofundar o debate, o Estúdio Câmara recebe duas convidadas com vivências e olhares complementares sobre o tema: 👩‍💼 Débora Abreu, consultora tributária, empresária, representante da ONG Mulheres Sobreviventes da Violência Doméstica e sobrevivente da violência doméstica. Débora compartilha sua trajetória pessoal, explica o ciclo da violência, fala sobre a importância das redes de apoio, da autonomia financeira e do acolhimento sem julgamentos. 🧠 Maitê Ferreira, psicóloga, especialista em Gestalt-terapia, com anos de experiência em escuta clínica e acompanhamento de mulheres. Maitê analisa os impactos psicológicos da misoginia, do discurso de ódio, da culpa e da vergonha, além de explicar por que muitas mulheres permanecem em relações abusivas e como a terapia pode ser um caminho de reconstrução. 💻 O programa também aborda o crescimento de discursos misóginos no ambiente digital, como o fenômeno dos chamados “red pills”, conteúdos que incentivam o ódio às mulheres, especialmente entre jovens e adolescentes, reforçando estereótipos perigosos e normalizando a violência. ⚖️ Outro ponto central da conversa é a importância das leis de proteção às mulheres, como: Lei Maria da Penha Lei do Feminicídio Lei Carolina Dieckmann Lei do Minuto Seguinte Lei Joana Maranhão As convidadas explicam como denunciar, quando buscar medidas protetivas, e reforçam que violência contra a mulher não é assunto de casal — é crime e responsabilidade coletiva. 📞 Se você está em risco ou conhece alguém que esteja, busque ajuda: 190 – Emergência 180 – Central de Atendimento à Mulher ✨ Este episódio é um convite à reflexão, à empatia e à ação. Informação salva, rede de apoio salva. Compartilhe este conteúdo com outras pessoas — você pode estar ajudando alguém a romper o silêncio e iniciar um recomeço. 💬 Deixe seu comentário, 👍 curta, 🔁 compartilhe e ajude a ampliar essa conversa tão necessária. 🔗 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara ao vivo. Hoje, segunda-feira, dia 19 de janeiro, e o tema de hoje é necessário, é urgente e, infelizmente é muito atual. A gente vai falar sobre misogenia, é aversão, desprezo e o ódio contra as mulheres. E antes que alguém pense: "Ah, isso é exagero ou já tenho eh eh que convidar você para olhar pro cotidiano, tá? Vamos lá. Comentários, controle, humilhação, ameaças, assédio. E na ponta mais grave de tudo isso, a violência. Para você ter uma ideia da gravidade, o mapa nacional da violência de gênero aponta alta nos casos de feminicídio em todo o país. Só no primeiro semestre do ano passado foram registradas registrados, aliás, 718 feminicídios no Brasil. Isso dá uma média de quase quatro mulheres mortas por dia, tá? Em razões de gênero. No mesmo período foram contabilizados 33.900 1999 estupros contra mulheres, uma média de 187 casos por dia. Esses dados são do Observatório da Mulher contra a Violência ligado ao Senado Federal e fazem parte do mapa nacional da violência de gênero. E aí eu gostaria que você participasse com a gente desse programa. É um tema um pouco pesado, segunda-feira de manhã, né? Mas você sabe que a gente precisa falar sobre isso. Então conta pra gente. Você já presenciou uma situação de misogenia no trabalho, na rua, na escola, nas redes sociais, principalmente? Manda pra gente sua mensagem, compartilha a experiência, a sua dúvida. O nosso WhatsApp tá na sua tela, 19979377, tá? Nós queremos conversar com você. Nós estamos aqui com duas pessoas, duas mulheres convidadas que vão falar com a gente sobre esse tema. elas que têm uma visão ampliada, né, sobre essa questão. Eu tenho certeza que vai ser um programa de muita entrega, muita seriedade e muita urgência, até porque ontem nós presenciamos, né, eh, tanto nas redes sociais quanto na TV Nacional, é uma situação bem delicada de importção sexual que aconteceu eh em um programa. Eu acho que todo mundo já sabe, né? já virou eh eh é ponto específico da mídia hoje. E, infelizmente, se isso acontece diante de um local onde tem inúmeras câmeras filmando, você imagina em um local onde só estão duas pessoas, né? Então, mais uma vez, isso reforça a urgência eh da gente falar sobre essa questão da violência contra a mulher e do ódio contra as mulheres. Bom, vamos em frente. Vamos lá. Eh, tem notícia chegando para você agora. Campinas já tem uma nova lei para prevenção e combate à obesidade. A lei é 16.868 1868 de 2026, que cria um programa municipal com foco em informação, hábitos saudáveis e diagnóstico precoce. A proposta é dos vereadores Igor Diego, Paulo Hadad e Dr. Ianco e prevê ações como campanhas educativas, orientação nutricional e atividade física em escolas e unidades de saúde, incentivo ao deslocamento ativo, como andar mais, usar mais bicicletas, né? protocolos para identificar a obesidade e comorbidades bem cedo, né, como prevenção, além de acompanhamento multiprofissional. A gente vai eh trazendo para você informações aí da sequência, né, dessa lei foi sancionada e a gente acompanha então eh a sequência das ações contra a obesidade aqui na cidade de Campinas. Mais informação chegando. Você que é paciente da rede Mario Gate, agora o agendamento de retorno do ambulatório de especialidades pode ser feito online pelo WhatsApp, trazendo mais agilidade e ajudando também a evitar filas. O serviço é exclusivo para quem vai dar continuidade ao tratamento depois de passar pelo pronto socorro adulto do Mário Gate ou então pelo pronto socorro infantil do Mário Gatinho ou ainda para casos de internação, cirurgia ou encaminhamento por regulação, tá? O número do WhatsApp é 1932724419. Atendimento de segunda a sexta, das 8 da manhã às 6 da tarde. Anota esse WhatsApp aí que é muito importante para você, tá bom? Previsão do tempo para hoje. Vamos lá, então. Como é que fica o tempo para segunda-feira? Será que temos previsão de chuva, né? Como tem chovido, mas tá bom. É isso aí. Precisamos de chuva, né? por conta da da falta d'água e também para dar uma refrescada, dar uma normalizada aí no clima. Tomara que a chuva refresque mesmo, né? A previsão para Campinas hoje indica um dia típico de verão, né? Com sol, aumentos de nuvens e pancadas de chuva, especialmente a partir do fim da tarde e à noite também, mínima de 19, máxima de 25º. Essa é a previsão do tempo, de acordo com o climatempo para você que tá aí acompanhando a nossa programação Estúdio Câmara ao vivo. Vamos lá então, TP, vem comigo porque agora a gente precisa falar, né, sobre esse assunto muito importante, um assunto que traz um certo desconforto para falar, porque é algo um pouco pesado, né? Mas a gente precisa atualizar você no que está acontecendo, né? Não, não tem como não falar. Ao longo de 2025, a região de Campinas contabilizou 24 casos de feminicídio em 10 municípios, né, a região de Campinas, metropolitana de Campinas. E a violência não está só nas ruas ou dentro de casa, ela também está nas telas. Gente, de acordo com a ONG Safernet, 67% das vítimas de discurso de ódio em ambientes digitais são mulheres e 59 eh 59% são pessoas negras. O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial de feminicídio, segundo a ONU, né? E quando a gente fala de violência online, as mulheres também são as principais vítimas. 70,5% dos casos de sexosição de conteúdo íntimo por vingança atingem mulheres. Por isso, a nossa conversa hoje vai ser direta, vai ser informativa e útil, né, pra gente reconhecer os sinais, entender o que alimenta essa misogenia, saber como pedir ajuda e como apoiar alguém. Então, para aprofundar esse assunto, a gente dá as boas-vindas às nossas convidadas, né? A gente tem aqui a consultora tributária, empresária, representante da ONG Mulheres Sobreviventes da Violência Doméstica. Ela é sobrevivente da violência doméstica também, é a Débora Abreu. Seja bem-vinda, Débora. Que satisfação receber você. Obada. Bom dia. Bom dia. Bom dia a todos. Eu agradeço muito a oportunidade. É um tema dolorido, como já foi dito, mas extremamente importante. Então, eu espero que com essa esse espaço nós possamos orientar e trabalhar mais, né, esse assunto que acredito que hoje vem sendo eh não vamos dizer regra, mas a atualidade, né, da vida dessas mulheres, de nós mulheres, infelizmente, né? Aí para completar a nossa dupla de hoje, a psicóloga, ela é especialista em guestalterapia, 9 anos de experiência em escuta clínica e acompanhamento de mulheres. Maitê Ferreira, seja muito bem-vinda. Obrigada pela presença. Bom dia. Bom dia, Rúber. Obrigada. Também agradeço a oportunidade. Acredito que esse tema é responsabilidade de todos, da sociedade em geral. Então, é muito importante que a gente discuta isso aqui, porque não é só uma responsabilidade das mulheres ou desses homens que a gente vê nas notícias que cometem esses crimes, é de todos para que a gente possa mudar esse cenário. Exatamente. Informação, política pública, consciência, né? E antes da primeira pergunta paraas nossas convidadas, eh, eu quero trazer esse esse contexto de red pills, porque muito se fala e às vezes as pessoas não entendem o que é isso, né? Então é é importante a gente explicar que esse fenômeno tem crescido muito na internet. Os chamados red peculinista que faz eh referência ao filme Matrix, né? Segundo a visão, ao tomar a pílula vermelha, o homem estaria despertando para uma suposta realidade onde as mulheres seriam vilãs interesseiras, manipuladoras e que deveriam se manter em posição de sujeição aos homens. Esse tipo de conteúdo reforça estereótipos misógenos, alimenta o ódio e impacta diretamente o comportamento de muitos jovens, né? Vamos lá, Maitê, vamos começar, né? Como é que você define a misogenia hoje e quais são as formas mais comuns que ela aparece ã no seu dia a dia, né? Onde é que essa hostilidade se apoia? E por que que ainda é tão tolerado? A gente pode falar que isso é tolerado ainda por qual a sua avaliação que a psicologia traz pra gente sobre isso? Bom, eu acredito que pelos estudos e também pela clínica, a gente observa que essa ideia e até reforçada pelos redills é de que de fato as mulheres precisam estar eh servindo esses homens, né? E isso é uma questão cultural. a gente vem trazendo essa ideia ao longo do tempo de que a mulher ela está num lugar de cuidado, de serviço, seja do lar, dos filhos, desse marido. E por conta disso, o homem tem sentido a falta dessa mulher nessas posições, porque a gente tem tido uma mudança já há um tempo, as mulheres ocupam o mercado de trabalho e agora no Brasil mais de 50% dos lares são sustentados por mulheres. Então, a mulher não tá mais interessada e nem conseguindo ocupar esse lugar de cuidado. E aí eu acho que esses homens eles estão sentindo essa perda, sentindo essa competição, digamos assim, e estão desatendidos e muito incomodados com isso. É importante a psicologia, né, tanto para as mulheres quanto para os homens e a atualização, não é mesmo? Estamos em 2026, tá na hora de entender, né, o que somos, o que queremos, a importância que temos. Agora, Déborá, eh, na prática do dia a dia, na ONG, né, quais são os pedidos de ajuda mais frequentes que vocês recebem das mulheres e o que mais se repete nas histórias que chegam para vocês? Olha, eh, nós recebemos diversos depoimentos, né, e diversos pedidos de ajuda. E eu tento eh orientar conforme a situação de cada um, porque a violência ela é um ciclo onde existem vári várias fases. É como se o homem ele preparasse aquele ambiente. Então, nós nos deparamos com mulheres que estão no processo de incômodo, incômodo da violência por um xingamento, ã, uma violência psicológica e outras que já estão no estágio da violência física, né? E muitas delas não têm a estrutura familiar que já foi afastada neste momento, né, que também eh faz parte do ciclo, né, o afastamento dos amigos. e da família e ficam procurando, né, assim como procuram a ONG, estabelecer um um porto seguro para que elas possam ser ouvidas e elas possam ser ajudadas. Excelente. Agora a gente fala da ONG, né? E é importante a gente salientar aqui que a Débora, a Débora é uma mulher que foi vítima, né, de de violência e hoje eh ela colabora com as mulheres vítimas de violência. gostaria que você resumisse um pouquinho pra gente para que as pessoas te conheçam, né, aqui pela TV Câmara e para que as pessoas entendam, né, eh, a importância dessa informação que a gente tá trazendo aqui hoje. Eh, eu vivi durante 8 anos a violência doméstica e eu não consegui identificar. Uhum. Muitas pessoas eh me perguntam, questionam, mas por que 8 anos? Uhum. Por que você ficou 8 anos vivendo toda essa esse drama, todo esse contexto, todo toda essa história que você conta? Eu gosto de usar um exemplo que eu já escutei em alguns lugares que é muito simples. Quando vai invadir um país, as pessoas eh são limitadas da comida, são limitadas de água. primeiro eh se limita ao poder e aí depois se toma. E é exatamente assim que eu me sinto, que eu me senti. Eu fui limitada eh das minhas redes de apoio da da minha família. Eu fui limitada eh eh das informações, né? Porque quando a gente vive o ciclo da violência doméstica, eles não querem que a gente tenha informações sobre o que a gente tá passando. E também aquele ambiente familiar que toda mulher sonha em ter, né? Eu tive, eu tenho filhos, eu tenho, sou mãe de quatro filhos, três do meu primeiro casamento e a minha filha desse, dessa, desse segundo casamento. Então, como eu já tinha um casamento que não deu certo, eu queria muito que esse desse certo. Mas para isso eu tive que passar por por longos anos dessa violência que chegou a ser uma violência não só eh psicológica, que é assim que tudo começa, né? Claro que eu não casei com um príncipe encantado, né? Eu fui descobrindo eh a nesses 8 anos tudo que tava sendo me apresentado e vivi isso, né? Então, pelos filhos, eh, eu acabei ficando, né? Mas quando eu realmente identifiquei que aquele não era o lugar onde os meus filhos deveriam estar e eu deveria estar, que eh eu poderia ser morta e eu algumas vezes não fui por socorro e por Deus também. Eh, eu comecei a a tomar força e ciência. Não foi fácil. Que bom ter você com a gente. Que bom. gostaria que você, a sua visão psicológica, trouxesse paraa gente algo referente ao depoimento dela, por gentileza. Sim, claro. Bom, como a Débora comentou, o ciclo da violência ele não começa com já uma violência física e também é muito difícil a saída dessa relação, porque a relação oferece coisas boas, coisas positivas, momentos de muito amor, de fraternidade. Só que junto com isso existe aquele comportamento de crítica constante, algo que vai fazendo você se sentir podada nas suas competências, na sua individualidade. aquele ciúme disfarçado de amor. E isso tudo vai minando, realmente, tirando o poder dessa mulher e fazendo com que ela se sinta até em dúvida sobre ela mesma, se de fato não é ela que tá causando aquela situação. E também esse afastamento dos amigos, da família, de informação enfraquece ainda mais. E aí quando isso acontece, a mulher já se vê numa situação de vulnerabilidade com dificuldade de sair. E essa duração da relação abusiva, ela acontece justamente por isso, porque além desse afastamento, tem o a retirada também da questão financeira. Muitas vezes essa mulher é colocada para fora do mercado de trabalho, que também invalida, dificulta a saída dela, essa autonomia financeira que é importantíssima para que você saia da situação. Então é por isso, não é porque as mulheres gostam ou até preferem, pelo contrário, não é isso. que todo um cenário que ocasiona a dificuldade de saída e também porque é colocado sobre a mulher a questão do valor de sustentar uma família, de manter os filhos próximos a esse pai. Eh, e aí isso também coloca uma culpa nessa mulher de sair de uma situação que é prejudicial para ela. Exatamente, né? Se a gente para para pensar, a gente tem leis, né? Leis de proteção. Vamos lá. É importante a gente lembrar que existem leis no Brasil para proteger as mulheres. Ó, lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica familiar. Lei Carolina Dickman, que criminaliza a invasão de dispositivos eletrônicos. Lei do minuto seguinte, que garante atendimento imediato à vítimas de violência sexual pelo SUS. a lei Joana Maranhão que ampliou os prazos para denúncia de abuso sexual contra crianças e adolescentes, né? E a lei do feminicídio, que torna o assassinato de mulheres por razão de gênero, um crime qualificado. Todas essas leis, o que que acontece com a sociedade que ainda protege o o agressor? E vi e eu não consigo entender realmente eh o que que acontece com a sociedade que ainda protege o agressor e acaba vigiando a vítima, né? Na sua avaliação, é algo assim que a gente não consegue entender, as leis são brandas demais ou o agressor ele simplesmente tá nem aí pro que diz a lei? O que que é isso na na sua avaliação, por favor? Olha, eh eu acredito que é muito estrutural a violência contra a mulher, ela é uma estrutura muito forte hoje. Os homens, eles sentem o domínio sobre os nossos corpos. Eh, quando nós precisamos de um ambiente seguro, o que nós vemos de pessoas até próximas, porque eu passei por isso. Uhum. Né? escutar da família do agressor. Não vá, não vá fazer boletim de ocorrência. Coitado dele, ele pode ser preso. É. E nós, mulheres, continuar com esse ciclo de violência, se obter do socorro, porque nós vamos prejudicar um agressor. Então, essa cultura que não vem só dos homens, tá? Nós vivemos isso dentro das famílias, eh, dentro de pessoas envolvidas que acham que a mulher ela tem que passar por isso ou sozinha ou quieta, né? Não permite que que o socorro venha. E é isso que precisa ser mudado. A voz ela precisa ser dada, ela as mulheres precisam ser ouvidas e existe também eh a punição. Então, os homens estão sendo punidos, mas ainda é muito pouco dentro do do cenário que nós vivemos. É mínimo. É muito pouco. É mínimo, né, Débora? Eh, quando a gente toca nesse assunto assim, abre um leque muito grande, né, para várias pontuações e que precisam ser vistas e revistas com muita atenção e urgência, porque o que a gente tem observado é um crescimento eh eh gigantesco. É é muito é muita é muita violência e a gente não consegue entender, mas por tanto ódio, né? Frases como mulher de respeito não faz isso que você faz. né? Ou ah, ela que pediu, ou então, ah, ele é assim mesmo. Ou então, mas também olha a roupa, olha a roupa que você colocou. Você percebe que tudo isso acaba educando a sociedade a proteger o agressor e controlar a mulher. Você percebe isso? Ah, mas aconteceu isso porque você tá com a roupa curta. Pera lá, calma aí. Olha o que a sociedade tá falando, né? Agora eu pergunto pra Ma, como é que esse tipo de discurso sustenta a violência? Por que ainda existe esse tipo de discurso? Isso é algo machista? Isso é algo cultural que a gente carrega? E o pior, você sabe o quê? A gente tá falando aqui da violência contra as mulheres, mas o pior que tem mulher que fala isso da própria mulher. Ô, gente. Sim, é isso. Eh, a como a gente tem falado aqui, a gente tá falando de cultura. e cultura é algo passado eh pela questão verbal, a maneira como a gente educa as crianças. Então, a gente tem uma sociedade em que os meninos são educados para ter certas funções, certos papéis e as meninas outro. E isso já vem daí, essa questão dos meninos se sentirem eh restritos a certas atividades que socialmente também pela cultura a gente reconhece como mais importantes, mais valiosas e as meninas em outro campo. Então toda vez que a gente fala esse tipo de frase, a gente tá sim também permitindo que a violência se perpetue, porque a gente coloca um contexto em que ela fica naturalizada. Voltando um pouco paraa questão das leis, acho importante colocar que a lei ela atua já numa situação extrema, que é a do crime, que é a da violência, mas a prevenção da situação, ela vem na mudança, no questionamento, na crítica dessas questões culturais, do que a gente fala, como a gente educa meninos e meninas. Como a Débora comentou, as mulheres também replicam comportamentos machistas. A gente precisa reconhecer isso em nós individualmente e enquanto sociedade para que esse cenário mude. Exatamente, né? A gente precisa eh nos atentar um pouco mais, né? E o julgamento, né? O julgamento ele é terrível. Eh, eh, poxa, a sociedade julgando uma mulher pela roupa que ela usa. Exato. E no momento mais frágil de uma mulher é que vem esse julgamento. Então, é muito difícil para uma mulher se levantar, né, ter a sua autoestima devolvida. Se todo um conjunto, toda uma sociedade vem com o julgamento, né? não dá o apoio, não traz a verdade sobre sobre o que ela tá vivendo. Eh, nós temos que tomar muito cuidado quando nós falamos de outras pessoas, né? Se não se nós não entendermos, até porque, Núbia, existe eh diversos tipos de histórias, né, dentro do de uma violência doméstica. Existe aquela história que a mulher ela ainda não identificou. Então nós temos que ter um um tato, né, um contexto melhor para chegar até ela. Exato, né? E e também já existe aquela mulher que já desistiu da vida, como eu também passei por esse momento, falei: "Eu imagina, eh, nós temos aí, eh, mulheres que dependem financeiramente do homem, mulheres que não querem abandonar a família, os lares por causa dos filhos e mulheres que que não estão dispostas a sair daquela cúpula." Uhum. porque vão enfrentar o quê? O julgamento. Exatamente. Então é uma força que é difícil de ser encontrada. E sem que falar desse sonho que a gente carrega. Eu sou uma dessas que carreguei um sonho de ter uma família, sabe assim, domingo, né? Você fazer um almoço, tá todo mundo junto reunido ali, né? Filhos e ter um, dois, três filhos para ter aquela aquela coisa que foi plantada na gente, porque foi, isso é cultural. Eu me decepcionei, eu também não consegui, eu tive que me libertar, eu também sofri e doméstica, entende, gente? Então, é algo que a gente precisa eh tentar enxergar. Eu também não enxerguei no momento que eu precisava enxergar. Demorou muito tempo para eu entender. Sofri, sofri, chorei, chorei, mas tô aqui. A gente consegue, porque é essa questão, a gente precisa eh se juntar mais, se unir mais. A gente tem que parar com esse negócio de julgar, julgamento contra as mulheres, julgamento de mulher para mulher, porque de julgamento a gente já tá cheia. E aí quando você precisa eh de um apoio, de um abraço, de um conforto, você a a mulher, né, a outra pessoa que tá ali podia se colocar no seu lugar, não, ela tá te julgando. Então isso é muito dolorido. Às vezes nem a família te dá o apoio que você precisa e aí você fica meio que sem saber para onde vai. Mulheres, estudem, estudem, façam cursos online de graça. Tem muito, procura no Google, tem. Vamos se atualizar, vamos se informatizar, porque legal se você quer cuidar da tua família, mas a gente não sabe o dia de amanhã. E muitas mulheres ficam dependente. Por quê? Porque elas vão sair e daí elas não estão preparadas pro mercado de trabalho. Eu ouvi de uma pessoa assim, gente, vou dar meu depoimento aqui, isso é forte, isso, isso eu trago comigo, mas assim, aconteceu, aconteceu, mas que bom que eu consegui sair. Com salário que você ganha, você vai passar fome. Não dou três meses para você estar de volta, OK? Isso é o quê, né? Então, é é delicado. A gente precisa entender que a gente pode, mas a gente precisa também eliminar o julgamento, principalmente entre nós mulheres. Se a gente se juntar, a gente consegue. De repente a gente ainda tá deslizando aqui, ali, porque falta a união entre nós, né? A gente não pode estar competindo o tempo todo umas com as outras. Agora vamos falar de um negócio online, porque tem crescido e muito. Um pedaço muito atual desse tema de misogenia é e é é a questão online. A gente vê crescer aí conteúdos que ensina menino a odiar menina, né? E o homem a tratar mulher como inimiga. A a competição entre eles, né? Entre entre os gêneros. Aí, Maitê, por que que esses discursos conseguem eh eh capturar tanto jovens e adolescentes? Eu acho que é a maioria, né? O que que tem por trás disso? E essa questão de de o menino odiar a menina pelo fato dela ser menina. a gente vê isso em filmes, eh tá tudo tão, eh, explícito, ã, no nosso dia a dia, a gente precisa ter um olhar mais atento sobre isso. Por que esse ódio, por incentivar e por que que os adolescentes eles captam isso com mais eh rapidez e e levam isso como se fosse algo que eles tinham têm que seguir pra vida. A gente tá provavelmente falando de educação sexual nesse momento, porque os meninos acabam replicando essa esse ódio, esse discurso de ódio, porque eles vêm as mulheres como objetos a serem conquistados e na medida que eles não conseguem fazer isso, porque de uma certa forma as meninas também têm mais acesso à informação, o assunto tá bem mais discutido e acessível de na internet, digitalmente, nas redes sociais, isso coloca as meninas em situação Então, na maior parte das vezes de proteção, elas estão mais críticas em relação ao comportamento que elas aceitam dos meninos e como consequência esses meninos estão se sentindo eh rechaçados, não desejados por essas mulheres numa cultura em que isso é sinal de fraqueza. Então, eles se sentem eh retirados de um poder que eles têm obrigação de ter. E é aí que esse ódio se estabelece. E é um ódio que mata, né? Um ódio que mata. Ô Débora, esses discursos, né, quando esses discursos viram assédio, perseguição, exposição e a violência, a violência digital, o que que a vítima ela pode fazer para se proteger? ela deve registrar um boletim de ocorrência. Eu sei que vocês eh eh dão eh eh orientação, né, para as mulheres vítimas de violência, seja qual tipo de violência for, quando vão até vocês, vocês dão orientação. Então, como que a vítima ela deve eh fazer para se proteger dessa situação? Principalmente quando a gente fala da misogenia, que é através do computador, né? Porque atrás da tela, né, o bichão fica o monstro, né? Todo mundo escreve o que acha, o que vem na cabeça. E aí quem está recebendo aquilo, puxa vida, ela é atacada de várias formas. Como faz para se proteger? Qual a orientação de vocês? Olha, eu achei muito proveitoso eh nós te termos um início de narrativa de leis que você propôs, eh, porque a Lei Maria da Penha ela é muito ampla, né? Eh, existe a Lei Maria da Penha e a lei do feminicídio. Então, a Lei Maria da Penha, ela vem exatamente para socorrer esses casos, né? A as vítimas que sofrem ameaças em qualquer ambiente, né? a as vítimas que sofrem a agressão dentro de casa, que sofrem eh eh essas violências dentro de redes sociais, existe uma lei para cada para cada tipo de violência. E a orientação é que essa mulher ela faça um boletim de ocorrência e que ao extremo, né, dependendo da situação, ela peça a medida protetiva, porque isso é um direito dela, né, se preservar, né, se manter segura e também eh ter o cuidado de se afastar, né, do agressor, se afastar dessa situação, o que muitas não conseguem, né, não é uma coisa imediata, não, não é um processo, mas precisa ser feito, precisa ser iniciado, né? para que ela consiga receber apoio, ela precisa realmente se expor. E não é uma exposição eh midiática, é uma exposição necessária. Ir a uma delegacia e contar com a medida protetiva, com o boletim de ocorrência, é algo necessário para que esse ciclo acabe. Então, existe o canal 0 eh eh 180, né, da denúncia para as mulheres, denúncias anônimas ainda, né? Então, ela pode contar com o anonimato e também pode se dirigir a uma delegacia de mulher ou não para fazer, né, esse esse amparo, né, ter esse amparo. Exato. Agora, Maitê, eh, essa fala da Débora é muito importante e a gente precisa incentivar, né? incentivar, porque a gente sabe que o que o que nós sabemos, o que a mídia mostra e hoje essa a tecnologia traz aí eh informação pra gente a todo momento, mas o que nós sabemos é o que é registrado, é o que é exposto, mas tem muita coisa que a mulher aguenta calada, né? a gente precisa incentivar essas mulheres, mas eh elas às vezes não vão por conta do medo, da culpa, porque a mulher ela sente culpa, né? Um exemplo, a gente tá falando de misogenia, a gente tá falando do ódio, né? Eh, contra a a mulher, o gênero feminino, quanto a ser mulher, eu odeio você porque você é mulher. A mulher vai se sentir culpada em algum momento. O que a gente faz com essa culpa? Porque por que a culpa, Rúbia? Vamos lá. Mulher foi importunada sexualmente, mas ela ela está vestindo um shorts, né, curto, uma blusinha. Aí vem alguém e fala assim: "Mas também, olha só a roupa que você colocou, né? Como é que você não quer que a pessoa mexa com você e aí vem a culpa? Como é que a gente trabalha isso? É importante o acesso à informação e também a gente conversou aqui o apoio das mulheres com as mulheres, essa briga e disputa entre as mulheres também é um instrumento de enfraquecimento do psicológico. A gente perde muito da rede porque é nada melhor que uma outra mulher para te entender, para te apoiar nesse momento, porque é a primeira pessoa que pode se identificar. Mas enquanto a gente ainda se vê como eh concorrentes num mercado que também coloca esse homem como um objeto a ser disputado e dá poder para ele, a gente enfraquece isso. Já em relação à culpa numa situação de eh violência psicológica, física, é importante sim buscar apoio terapêutico ou de uma rede que consiga te acolher nesse sentido. E muito importante ressaltar que não é sua responsabilidade, não é por causa da roupa que você utilizou, da maneira que você falou. Nada justifica que uma pessoa invada seu espaço, tire seu poder, tire seus direitos. Nada, nada justifica. A gente também tem que falar que as instituições muitas vezes não estão preparadas para fazer o acolhimento dessas mulheres, infelizmente. Então, por isso que esse assunto é tão importante, porque a gente tem que falar não só do individualmente, mas como sociedade, como instituições, como a gente tem que mudar esse atendimento às mulheres que sofrem violência. Então, às vezes, as mulheres se sentem envergonhadas de fazer essa denúncia porque da delegacia elas não são acolhidas, elas são revitimizadas quando elas são atendidas dizendo que a culpa é delas. Ou tem alguns questionamentos, mas por que que você não falou antes? Eh, por que que você tá nessa relação? Por que que você não se afastou? Mas o que que você fez para essa pessoa eh ter agido dessa forma com você? Não se deixe intimidar quanto a isso. Busque informação justamente para que você possa se sentir fortalecida para devolver esse questionamento. Ah, então tem algo que eu possa fazer que dá o direito da outra pessoa de me agredir psicologicamente ou fisicamente. E nisso você desvia o a conduta e consegue fazer a denúncia. É importante, gente, importante as as falas, né, das nossas convidadas. Eu é delicado a situação, né? A gente fala, fala, mas tá entalado aqui. Eu preciso falar o que eu vi no no reality show, gente. É, eu tô rindo aqui, mas assim, é um ri de nervoso, é um ri de ai, de não entender, de de tristeza, sabe? É verdade. A casa mais vigiada do Brasil, como se dizem, né, por aí. E a gente teve aquela situação, nossa, eu, Débora, eu gostaria que você, a gente tava comentando sobre isso, acho que o Brasil tá comentando sobre isso, eh, hoje, né, e é uma questão de de importunação sexual, é uma questão de violência, é uma questão de o que, qual que é a sua avaliação, eh Débora, eh, referente à situação que aconteceu no reality show? Eu assim, eu vejo que essa normalização ela tá tão grande que olha a que ponto nós chegamos, né? Impressionante. Eh, em meio a tantas câmeras e assim uma um 24 horas de acesso a a ao programa acontecer eh um uma violência. Eh, isso é tão grave, mas isso é tão real e tão estrutural, isso é tão cotidiano. Nós estamos discutindo isso porque aconteceu lá. Uhum. Mas quantas não vive isso dentro de ônibus, transportes? Eh, enquanto nós estamos aqui falando, tem várias mulheres que estão em condições agora sendo ameaçadas, indo aos seus serviços, né? eh ou até em redes sociais. Então isso é muito presente, isso está dentro da nossa sociedade. Eh, como como foi falado, nós precisamos eh aceitar e entender que o passo que precisamos dar é ouvir dialogar e não eh agredir, né? Porque é tão doloroso quando nós procuramos ajuda e nós somos ridicularizadas, né? Então, e eu quero falar também sobre o apoio da saúde mental, porque eu estar aqui hoje conversando com vocês, é óbvio que eu não saí da violência e estou pronta para trabalhar o tema. Foi todo um contexto que eu precisei, né, passar falando eh sobre terapias, né? Eu tive que realmente me entregar a esse processo cuidadosamente, né? Eu fui ajudada e quero muito falar que eu fui ajudada pela Seamo, tá? Quando eh eu sofri a violência doméstica uma assistente social da escola da minha filha. A minha filha foi até a escola, né, falar sobre o assunto e a assistente social me procurou. Olha, olha que legal isso, né? E através dela eu fui orientada a ir para SEAMO. Lá eu recebi eh o acesso ao tratamento, né? Depois eu continuei no particular, porque eu acho que isso nunca é demais, todo mundo tem que fazer terapia, mas eh é importante, olha como é importante essa rede de apoio, né? Como é importante mulheres se falarem, em vez de uma julgar a outra, uma ajudar a outra. Eu agradeço muito a minha filha. Eu agradeço muito a assistente social que veio até mim para pedir esse socorro, porque se não fosse isso, talvez eu estaria ainda naquele ciclo, né? Então é importante, né, essa ajuda, esse acompanhamento para que todas nós, é difícil, é sim, eu não saí no meu momento mais forte, fiz inclusive um vídeo falando sobre isso esses dias, contando um pouco da minha história. Não foi no meu momento mais forte, mas foi no momento que eu decidi, né, sobreviver. E a gente precisa ter esse esses insites todos os dias. Eu preciso viver. É isso, reconstruir a segurança, autoestima, né? E e toda a saída é no momento fragilizado. Às vezes as pessoas pensam assim: "Ah, agora conseguiu, né, terminar o que legal, né? Você tá forte, você conseguiu. Quem é que disse isso?" A gente sai arrastada. A gente sai arrastada, mas é algo que tem dentro da gente que a gente fala assim: "Não, agora não, eu não permito mais, eu tô saindo". Mas a gente sabe que a gente vai passar por um momento muito doloroso e que isso pode demorar 1 ano, 2 anos, 3 anos, vai doer, mas você vai precisar continuar. E é por isso a importância sim da terapia, né, Mã? Sim. O espaço terapêutico, ele é para reconstruir essa confiança, autonomia, também para dar um suporte à denúncia, a estruturação da rede de apoio. Então essa mulher tem esse espaço sem julgamento. É importante. Muitas pessoas que conhecem a terapia já t essa noção, essa ideia de que a espaço, a terapia é um espaço seguro, sem julgamento, mas é sempre bom reforçar isso. De fato, essa mulher vai ser ouvida a partir da experiência dela. tudo tem eh valor, vai ser escutado e a partir dos recursos que essa mulher tem é que vai ser trabalhado. Se não houver nenhum recurso, ainda assim é possível reconstruir isso. Tem sim uma saída e o atendimento especializado, né, seja nos centros de atendimento, seja com profissionais da saúde, é importante porque é nesse espaço que você vai conseguir se restabelecer, se fortalecer para passar. É difícil sim, mas é super possível e manter-se na relação é adoecedor. Então qualquer movimentação que você faça no sentido de se fortalecer já é um passo paraa saída, paraa melhora e de se ajudar mesmo, né? É verdade. Você sabe que esse programa aqui é é algo que deve ser compartilhado, sabe? Porque de repente você vai compartilhar para uma amiga sua e você nem sabe o que ela tá vivendo. Mas esse programa pode ser uma virada de chave paraa vida dela, de repente para iniciar, né, um processo de volta, né, um processo de volta que eu digo que é um e a gente precisa voltar, né, quando a mulher ela sofre violência doméstica, ela precisa fazer um caminho de volta e é um caminho muito doloroso, mas a gente consegue voltar assim, tá? pode ter certeza disso. Agora vamos falar rapidinho da criação dos nossos meninos, né? A gente precisa eh se atualizar, ver sim essas informações que partem o coração, que dóem de repente para poder entender como é que a gente vai fazer agora para ensinar e educar os nossos meninos, né, Débora? Porque a educação é o X da questão. A gente precisa melhorar na educação com os nossos meninos. Sim. Eu acho que a educação ela é o princípio de tudo, né? É o princípio é a formação de um ser humano. Então, ã, as informações que nós passamos pros nossos filhos é essencial paraa vida dele, né? pro futuro dele. E eu falo de meninos e meninas também, porque eu sou mãe de de menino e meninas. Uhum. Ã, ensinar o seu filho a respeitar uma mulher e ensinar a sua filha que ela não precisa passar por violência. Então, é ensinar os nossos filhos, né, a ser respeitoso, né, a a saber o basta ou não, saber que a violência ela não é aceitável. Então, eh importante também eh eh informar essas mães que passam por violência dentro de casa que ficar é o é o é o pior cenário. Quando a gente fala: "Ah, eu vou ficar paraos pelos meus filhos". você pode trazer consequências muito piores, porque muito provavelmente que esses filhos convivendo com a violência vão ser crianças e adultos agressivos lá na frente. Então, a educação ela é o contexto de tudo, é o início e o princípio de tudo. Exato. É, a gente tem que cuidar para não repetir, né, padrões e e cuidar também para que os nossos filhos não repitam esses padrões. E a gente tem que quebrar, eliminar isso tudo. Agora, eh, do ponto de vista da rede de apoio eh eh Débora e acolhimento, né? Como que a gente deve agir quando a mulher chega e diz: "Eu não aguento mais, só que eu ainda não consigo sair. Se chega um depoimento desse para você, o que que vocês fazem? Qual que é o direcionamento que vocês dão?". Olha, primeiramente é realmente uma rede de apoio especializada, no caso, uma terapia, um profissional que atenda essa mulher, né, que a oriente e que traga também um pouco de conforto, porque as as histórias assim, a a ONG, ela é ONG das mulheres, mas nós nós temos diversos tipos de ação social, então às vezes elas não se identificam muito com a ONG em si, com a história da ONG em si, mas eu venho tratando esse tema fortemente e a procura ela vem vem sendo, né, trazida para nós. Então, o primeiro momento é eh nós temos algum algumas amigas, né, trabalhamos muito a sororidade, as mulheres sobreviventes, ela vem para isso mesmo, para que o que mulheres se unam. Uh, e não tem só mulheres que que estão no ciclo ou que passaram no programa, no projeto. Eh, eh, são todos os tipos de mulheres, né? Só que uma ajuda a outra da maneira que consegue, que pode e que vai trazer verdade naquilo. O socorro ele vem numa orientação para um psicólogo e nós temos algumas amigas que trabalham na área, né? Então, nós temos também, importante falar a feira da mulheres sobreviventes. O que essa feira é? Nós queremos com essa feira não só trazer aquela mulher que tá dentro de casa eh e que não tem visibilidade, né, no seu serviço, vendendo qualquer tipo de produto, né, ou até o seu artesanato, mas também aquela mulher que está presa no relacionamento porque depende financeiramente dele. Então exato. Claro que talvez uma feira não vai trazer todo o apoio que ela precisa falando financeiramente, mas vai tirar ela do lar, vai trazer uma visão de que ela pode, né, ter outras oportunidades que vai tirar ela daquele ciclo e daquele lar agressor. É importante, né? pode completar, por favor. Tem uma consideração que eu fiquei pensando aqui, que é importante também comentar, que às vezes a mulher tá num estágio do relacionamento que se preocupa em sair, ela não deseja sair dessa relação, mesmo já identificando alguns itens, eh, alguns elementos que trazem essa questão da violência, um agravamento, né? Eh, também é importante considerar que a busca por terapia pode te ajudar a se instrumentalizar, vamos dizer assim, né? te trazer informação para que você questione esse relacionamento, até evite que ele siga num caminho de agravamento dessa violência. Não necessariamente você vai precisar sair da relação dependendo do estágio que ela tá. E ainda assim, se você não tá preparada para sair, a relação já tá gravada, você vai ter um preparo para conseguir fazer isso, tanto do ponto de vista psicológico, quanto do ponto de vista de rede social, de amizade, família e também financeiro. Existem centros eh de apoio, eh políticas públicas que estão pensando nisso. Então, o espaço terapêutico ou uma ONG que trabalhe nesse nesse assunto vai conseguir te ajudar se estruturando nesses vários pontos para conseguir realmente pensar sobre a sua relação com carinho, com cuidado e no seu preparo para eventualmente sair. Então, eh, e considere buscar esse apoio, mesmo se você ainda tem uma esperança, alguma questão assim de, eh, trabalhar sua relação, de não sair, é porque não não torne essa questão de vontade de se manter na relação impeditivo de buscar ajuda. Eh, o espaço de acolhimento tem que ser não julgador justamente por isso. A gente não vai questionar seu desejo de se manter na relação ou de se a relação ainda tem um lugar importante para você. A gente vai trabalhar com isso para que você se fortaleça e só então decida qual é o melhor caminho. Perfeito. Muito bom. Agora 8:48. Produção tá me avisando aqui. Nossa, gente, eu nem percebi, o tempo passou, né? Então a gente precisa atender os nossos telespectadores. Vamos ver quem é que tá com a gente. Vamos lá. Por gentileza, produção, pode colocar na tela, por favor. Hoje programa eh bem informativo, trazendo eh eh situações, né, que a gente precisa reconhecer, que a gente precisa entender, falar mais sobre. Renata Lima do Jardim Florence. Em casos de ameaça por mensagens, quais medidas imediatas a vítima pode tomar para se proteger e registrar tudo sem se expor mais? Ô Renata, vamos lá. Você pode orientar ela, posso sim, Renata. Nesse caso, eh, como eu disse, o registro do boletim de ocorrência é essencial, tá? Eh, entra na lei Carolina Digma um pouco, porque você está sendo, né, eh, aí através do seu celular ameaçada. Então, é importante registrar. Hoje as mensagens elas são provas, né, de ameaça. Então registrar o boletim de ocorrência e em casos extremos, né, dessa ameaça, até se tiver identificação do do agressor, eh, pedir a medida protetiva. Excelente. 8:49. Mais uma pergunta na tela pra gente, por favor, produção. Vamos lá. Pode colocar. Daniela Pires do Jardim do Lago. Depois de um relacionamento abusivo, por que vem a culpa e a vergonha? Quais passos ajudam a retomar a vida e confiar em pessoas novamente? Ah, confiança, né? E como a gente fica eh de um jeito diferente, vamos falar assim, né? A gente perde mesmo a confiança, né? É estranho isso, não é? Sim. A culpa e a vergonha vem porque a gente começa a se informar e aí vem aquela conscientização. Ai, olha aquele sinal, aquilo que eu não deveria ter tolerado. Mas a gente precisa ter compaixão com a gente mesmo. Muitas vezes aquilo que a gente hoje entende que é problemático, a gente não entendia naquele momento. Então, o importante é transformar essa culpa em autorresponsabilidade. Então, se responsabilizar pelo seu caminho para sair disso. E essa confiança, retomar a confiança nas pessoas também é um processo de entender que nem todo mundo vai se comportar dessa maneira, que agora depois dessa experiência você também vai estar mais preparada para identificar questões, seus limites, se se colocar eh a partir, né, desses limites nas relações, as relações vão melhorando. É, você evita que isso, que a relação inicie, se permaneça, porque você já tá mais pronta para perceber alguns sinais e colocar essa esses nos, falar esses nos. Então você busca relações melhores. E aí não é que você tá confiando mais, né? Você só tá mais eh esperta e dona de si mesma. E aí as pessoas que querem te fazer algum mal vão ter mais dificuldade e ainda assim o mal tá no outro, né? Exato. Exatamente. 8:51. Bom, a gente já vai caminhando pro final. Eh, vamos lá. Eu quero sair, eh, queria, quero ir para um lugar mais sensível dessa conversa agora pra gente poder encerrar, né? Então, Débora, se você pudesse falar com a mulher que você foi no início da violência, o que que você diria para ela hoje? eh, que existe existe uma luz no fundo do do túnel. Realmente existe mesmo. No nós nos colocamos eh muitas vezes no cenário de que acabou ou de que nós não temos outro lugar, outra maneira de viver. Mas se você procurar ajuda, se você realmente se encontrar e transformar toda a dor em amor, porque é isso que eu faço todos os dias, não é fácil, é um processo diário que eu ainda faço. Já faz alguns anos que eu saí desse ciclo, mas eu ainda permaneço, tanto com a minha terapia em dia, quanto também, né, com o o meu autocuidado. Então, existe sim uma saída como para mim, assim para vocês, né, que passam por isso, procurem ajuda, não normalizem a violência e você tem o direito de sobreviver e viver feliz. Uau! É isso, Maitê. Quando uma mulher, a mulher que tá aí assistindo ou vai assistir esse programa, né? Eh, ela tá em silêncio, reconhecendo aí a própria história em tudo que a gente tá falando aqui. Que que você diria diretamente para essa mulher? que confie na sua percepção, na sua intuição e que de fato, né, se dê a chance de buscar apoio. E ao buscar esse apoio, escolha aquelas pessoas que de fato vão te ouvir, te acolher. Se o julgamento vier, repense e tente novamente. Você merece de fato ser feliz, tem possibilidade de transformação. Todos temos. Você não precisa passar e nem deve passar por isso sozinha. busque, ajude para que você possa se fortalecer e fazer os passos necessários para retomar sua qualidade de vida, sua saúde mental e física. Muito bem, gente. E fica aqui um um recado, né, muito direto para você que tá aí do outro lado assistindo a gente. Violência contra a mulher, gente, não é um assunto de casal, não. Não é, é crime e é responsabilidade coletiva. Se você está em risco ou conhece alguém em risco, ligue, tá? Anota aí. Se você não sabe de cabeça, anota, deixa aí com você. 190 emergência, 180 central de atendimento à mulher e procure ajuda com pessoas de confiança, tá? Não enfrenta tudo sozinha não, porque é muito delicado, é muito duro, muito dolorido para que você enfrente isso sozinha. Você, se você não tiver rede de apoio, busque, né? Eh, no centro de saúde, né? Aqui em Campinas a gente tem várias e eh vertentes aí, várias órgãos que podem te ajudar. Então não passa por isso sozinha e busque ajuda e principalmente denuncie, tá bom? Eu quero agradecer a presença de vocês. Então, Débora, obrigada, né, pela sua presença, pela sua entrega, eh, pelo seu compartilhamento. Acredito que é muito importante, né, a gente compartilhar esse tipo de informação. Obrigada. Obrigada. Eu que agradeço e espero realmente que eh esse tema se faça necessário em muitas outras oportunidades. Muito bom, Maitê. Obrigada você também, né, pela sua visão psicológica compartilhada aqui, por essa conversa tão importante e tão necessária. A gente precisa falar mais sobre isso. Sim, também agradeço. Acho que é bem relevante que a gente traga esses assuntos para não esquecer e pensar na nossa responsabilidade individual, coletiva, para mudar esse cenário. Muito bom. E você aí de casa, se esse programa te tocou, compartilhe, né, com alguém. eh informação salva, rede de apoio salva. E a gente tem aqui um conteúdo bem interessante, bem esclarecedor, que de repente pode virar chave na vida de muitas mulheres, tá? Quero lembrar que esse programa já está disponível no YouTube. Você digita lá o YouTube da TV Câmara Campinas e aí você consegue compartilhar esse e outros programas para quem você quiser, tá bom? E amanhã a gente tem mais estúdio Câmara ao vivo. A partir das 8 da manhã a gente tem um tema que mexe com muita gente. Questionar demais o futuro. Você se questiona muito, né? Você você pensa muito no futuro. E aí, o que a gente eh perde do presente? Os perigos do chamado efeito da vida paralela, né? O si. E se si. E se eu tivesse e si, né? Então, o arrependimento, a versão idealizada do passado, aquela versão, né, exacerbada do futuro e aquela pergunta que você faz assim, de repente no momento que você não tá legal, fala: "E se eu tivesse nascido em outra família? E se eu tivesse, ã, feito tal coisa? Como é que seria a minha vida se eu tivesse feito tudo certo, né? Eh, você fica meio que desconexo. Você já entendeu o que eu tô falando? Você já passou por isso? A gente vai falar sobre isso amanhã. Então, a gente te espera no Estúdio Câmara a partir das 8 da manhã ao vivo, tá? E antes de encerrar, eu quero falar diretamente com você que tá aí do outro lado da tela. Talvez você tenha se reconhecido em alguma fala ou em algum silêncio, né? eh, em alguma dor também que apareceu aqui hoje no nosso programa. Talvez você conheça uma mulher que esteja vivendo tudo isso agora. Eu quero dizer que a misogenia não começa com agressão física. Ela começa quando a mulher é desacreditada, desvalorizada, silenciada, quando dizem que é exagero, que é frescura e que a mulher provocou. Romper com isso, gente, exige, como vocês perceberam aqui, coragem. Mas também existe, exige rede, exige escuta, acolhimento. Nenhuma mulher deveria atravessar essa violência sozinho. Então, se esse programa acendeu um alerta, confie nesse sentimento, tá? Lembre-se que procurar ajuda não é fraqueza, é sobrevivência. Eh, se você vive isso, né? Então, seja parte dessa mudança. Acredite em você, intervenha, proteja-se, né? E quando uma mulher é protegida, toda a sociedade respira um pouco melhor. Então, a gente agradece você que tá aí do outro lado, a gente agradece você que é rede de apoio, a gente agradece você que é proteção nesse momento tão difícil eh da vida de uma mulher que precisa recomeçar, tá bom? Grande abraço. Obrigada pelo carinho da audiência. As nossas convidadas mais uma vez, muito obrigada pela presença, pela entrega. Segunda-feira, semana só tá começando e a gente já começa desse jeito, mas é importante a gente trazer essa informação e que essa informação fique registrada e sirva de alerta e que seja só o início do seu recomeço. Grande abraço para você, fique com Deus e até amanhã. Ciao. Ciao.
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