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Olá, [música] muito bom dia para você que tá aí ligadinho na TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o estúdio Câmara ao vivo para você nesta quinta-feira, dia 6 de novembro. Como é que você tá? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. O programa de hoje, gente, propõe uma pausa para pensar nas histórias que nos formam, que lembranças guardamos, o que escolhemos esquecer e como a tecnologia pode ajudar ou atrapalhar na construção da nossa memória coletiva. Hoje o nosso encontro é para falar sobre memória, tecnologia e inovação social. Um tema que atravessa o tempo, a identidade e as emoções. Então participe conosco, mande sua mensagem para o nosso WhatsApp que já está aberto. Produção, tá contigo já? Manda aí, vai. Conta pra gente, você costuma guardar as suas memórias, as suas fotos, né? Você conhece a sua história através de quê, né? De álbum de família, da história das famílias, ou você acabou perdendo as memórias, né, eh, da sua história? Ou então você guarda tudo aí, principalmente a nova geração, né? Guarda tudo no computador ou em um pen drive. Você já imaginou se esse computador, né, dá um piripacque, dá um piti ou esse pen drive some? Como [música] vai ficar a sua história? Então, a gente vai falar sobre isso, tá? WhatsApp na tela para você, manda sua mensagem. Agora a gente atualiza algumas informações. Enquanto você vai mandando a sua mensagem, daqui a pouquinho você pode conversar com os nossos entrevistados, as nossas entrevistadas, aliás, que já estão aqui com a gente. Daqui a pouquinho eu apresento elas para vocês, tá [música] bom? Vamos com a informação. Os vereadores eh de Campinas aprovaram na reunião ordinária de número 68, que aconteceu ontem, dois projetos de destaque: a ampliação do programa incentivos fiscais da área central próentro e a proibição do uso de anticoncepcionais em fêmeas de cães e gatos. O projeto do executivo amplia o próentro reduzindo o ISSQN para novos serviços como informática, estética, saúde e ensino e prorroga o prazo de adesão até 2028. Já o projeto do vereador Paulo Hadad proíbe o a venda e o uso indiscriminado de medicamentos anticil em animais, permitindo o uso apenas com prescrição veterinária justificada. A proposta busca evitar riscos à saúde das fêmeas e reforçar a castração com métodos como método seguro. O descumprimento da lei pode gerar multa de até 2000 o fix unidades [música] fiscais de Campinas e também a apreensão dos produtos. E olha só, mais informação chegando para você. Que legal, já estamos no Natal. É isso mesmo. Orquestra Sinfônica [música] Municipal aqui de Campinas abre a temporada de Natal amanhã, sexta-feira, a partir das 7:30 da noite, na Praça de Alimentação, alimentação, perdão, do Shopping Park Dom Pedro com entrada gratuita. O concerto marca a chegada do Papai Noel e celebra o tema ursos pelo mundo, levando o público a uma viagem musical por diversos países sobência do maestro Eduardo Pereira. A programação faz parte do Natal Caminhos dos Sonhos 2025, que inclui iluminação especial em vários pontos [música] da cidade e a tradicional parada de Natal na Avenida Francisco Glicério no dia 6 de dezembro. Muito bem, já vamos aí nesse clima natalino. Então, e a previsão do tempo para hoje, vamos conferir. Sol com algumas nuvens durante o dia, porém agora pela manhã não tão nublado. À tarde o céu mais nublado, mas não chove não, viu? Mínima 18, máxima 24. Bom, temperatura até que agradável aqui na cidade de Campinas hoje. Um ótimo dia para você. E vamos ao nosso tema central, né? O programa de hoje fala sobre que histórias? Você gostaria que nunca fossem esquecidas? Então, a gente dá as boas-vindas às nossas convidadas. Comigo aqui no estúdio, a pesquisadora independente que viajou por quatro estados brasileiros, percorreu 13 locais e desenvolveu o projeto Mapa Presente Histórico para resgatar a memória afobras. Seja muito bem-vinda, Talita Zevedo. Bom dia. Bom dia. Muito obrigada. É um grande prazer táar aqui. Quero agradecer o pessoal da Câmara, agradecer quem tá com a gente e vai embarcar nessa jornada [risadas] e dizer que eu tô muito feliz, muito grata. E de fato esse é um trabalho que a gente precisa discutir, principalmente nesse momento que a COP 30 tá acontecendo no Brasil, que a gente tá falando sobre desenvolvendo sustentabilidade, território, inteligência e obviamente muito protagonismo, né? maravilhosa. E para completar o nosso time, seja bem-vinda. Ela que vem pelo Zoom, a nossa psicóloga clínica Mariana Ferreira Alves, vai conversar conosco sobre como as memórias emocionais constróem nosso senso de identidade, pertencimento e o impacto quando partes da nossa história são silenciadas ou perdidas. Seja muito bem-vinda, Mariana. Bom dia. Bom dia. Obrigada. Um dia lindo pra gente conversar aqui. Muito obrigada pelo convite. Sensacional. E você de casa arque nessa viagem com a gente, né, gente? A memória. A memória é um filme invisível que costura experiências. Ela está nas histórias contadas pelos nossos avós, nas fotos guardadas no celular, nos registros digitais, nos nossos álbuns de foto. Você tem ainda? e até nas lembranças que a gente prefere não lembrar. Mas o que acontece quando essas memórias se perdem, né? O quanto perdemos, o quanto esquecemos. A Talita tem um projeto que nasceu de uma busca muito pessoal, um reencontro com as raízes maternas da Talita e com a própria história familiar. Quero perguntar para você, como é que foi essa jornada, o que te motivou a transformar essa jornada em um mapa interativo para memória afrobrasileira, algo que era pessoal para você e você conseguiu expandir, foi buscar e trouxe coisas assim, eh, fatos que a gente não tem nem registro disso. Se perdeu e você conseguiu resgatar. conta pra gente um pouquinho dessa desse início, dessa, desse início, dessa sua viagem, né, eh, em busca da história. Ah, que legal, que bonito ouvir assim, né? Eh, eu tenho 20 anos de estrada, assim, literalmente. A, para minha minha construção de identidade, ela é baseada muito na descoberta pessoal, física e regional. Então, eu sempre viajei muito, sempre gostei muito de viajar e eu decidi fazer essa pesquisa pelo convite e entender qual seria a funcionalidade, a contribuição, a colaboração prática e coletiva da do meu trabalho pro para com o mundo, pra sociedade como um todo. Porque veja, existe existem muitas estatísticas hoje no Brasil falando do resultado das políticas públicas que vem sendo implementadas há 20 anos, como as cotas, né? Eu sou uma um resultado também das políticas de de cotas na entrada do ensino superior e tudo mais. Então essa ascensão ela eu passei a construir a minha identidade, que é muito comum também hoje no meio corporativo, com base nos cargos, né, eh, que eu ia adquirindo. E aí eu comecei a esquecer um pouco do que me trazia pro meu eixo, né? Então, o que que fomentava a minha construção de identidade, a minha particularidade, a minha singularidade e o que que isso tinha a ver com a com a história do Brasil, né? Se hoje 56% da população é brasileira, a gente tem historicamente aí um tráfico de pessoas que vem para cá mais de 4 milhões só no Rio de Janeiro, né, no caso do Valongo, que é o maior porto de entrada da América. E e tava desconexo para mim. Eu eu ainda não consegui entender como as duas coisas eh andavam juntas, a história de um país de tamanho continental e a minha construção de identidade eh pessoal, profissional, enfim. E aí eu decidi fazer essa viagem. Ã, isso era já era 2023, passei a fazer assim, para mim a a o ambiente externo, ele sempre também foi uma resposta muito muito forte, né, para me trazer insumos e tal. saí da caixinha. Sim. E aí consegui começar a fazer essa expedição que para mim também era uma jornada muito pessoal. E aí eu fui entender pelos números, né, que que a grande parcela, a maior parte da parcela da população se assemelha eh a essa narrativa, né? E como essa filosofia trazida para cá, essa cultura que veio para cá, ela precisava estar no eixo principal da minha construção, eh, minha atuação política. no estado em que eu me coloco. Então, foi um lugar que para mim era uma construção, né, identidade e identitária muito forte, que passa a ser uma construção profissional e que nesse momento passa a ser uma ação mais política e filosófica, porque quando a gente vai falar de antropologia, de cultura, a gente vai falar de modo de pensar que que a cultura afro-brasileira vai dar muita régua e compasso, né, para tomadas de decisões eh mais colaborativas num movimento mais circular, não naquele naquela verticalização, né, de tudo que a gente faz. Então, excelente. Foi de fato uma viagem tanto. [risadas] Uau, hein? Já adiantando que tem um livro, né? Essa viagem aí se transformou em um projeto, se transformou em um livro e esse projeto ainda tem sequência magnífica. Agora, Mariana, olha só, as ciências da mente nos dizem que as memórias emocionais têm um papel central aí na construção da nossa identidade, né? Isso se conecta muito com o que a Talita falou. Eh, por que que é tão essencial a gente lembrar para saber quem somos? Olha, quando eu recebi esse convite e esse tema, eu falei: "Gente, não poderia combinar mais com o meu trabalho". Bom, quero contar um detalhe muito importante de mim. Eu me chamo Mariana Alves e o Alves vem, é um sobrenome comum, mas vem de uma pessoa muito importante pro nosso país, que é o escritor e educador Rubén Alves. Ele que contava histórias e ele que viveu ali, nasceu em 1933, onde não tinha, né, internet do jeito que tem hoje. Então ele teve um jeito todo diferente e especial de contar suas histórias. Mas hoje eu sou psicóloga clínica, tenho minha clínica aqui em Campinas do espaço Colia e sou mentora na superação da síndrome do impostor. Vocês conhecem a síndrome do impostor? Basicamente é uma insegurança. E lá na minha mentoria, eu bato muito, faço muito esse exercício de você ter que se conhecer muito bem, porque quando você sofre de síndrome do impostor, de insegurança, você tem uma deficiência justamente de conseguir lembrar da sua história para tentar ter isso muito rápido aqui, a força com que tudo que você já construiu, todas as suas autossuperações, tudo que você viveu, te traz essa a autenticidade que a Talita falou, quem é você, qual é o seu lugar no mundo? E você pode desenvolver uma autoconfiança a partir desse conhecimento da sua história, de tudo que você já superou, de tudo que você já conquistou, eh de todo esse movimento que você já fez ao longo da sua vida. Então, é como se o autoconhecimento ele fosse os tijolinhos da nossa fundação, da nossa casa. Uhum. Se a gente não se conhece, se a gente não gasta tempo olhando paraa nossa história, fazendo esse exercício, é como se a gente não soubesse bem qual é a nossa fundação. Então, a o nosso autoconhecimento é a gente ter essas memórias sobre quem a gente é, a gente conversar com os nossos ancestrais para entender a história deles também e como isso vai gerando esse ciclo de quem eram meus avós, quem eram meus bisavós, meus avós, meus pais. Quais são as tradições familiares, qual é a cultura dessa família? Como isso influencia em quem eu sou? como eu me comporto, como eu me sinto, seja positivamente, negativamente, isso faz toda a diferença. Então, conhecer a a nossa história bem, conhecer a dos nossos ancestrais também é muito rico. Inclusive, meu avô tem um livro muito, muito maravilhoso, que na época que ele escreveu ainda era bem criança, mas eu tive oportunidade de ler ele de novo para um movimento Ruben Alves que teve dois anos atrás, que chama Quando eu era criança. Uhum. E ele conta essa história de quando ele era menino, como era a vida. E uma das primeiras coisas que ele fala é: "Imagine o mundo sem internet". Uau! [risadas] Então eu lembrei muito dessa história quando eu recebi o convite, eu falei: "Nossa, olha como devia ser diferente, né, o o abismo que acontecia de quando não tinha internet. Meu avô vivia num lugar sem luz também, sem shopping. Ele vai contando tudo isso. É muito interessante de de pensar as diferenças pro mundo de hoje. Mas lá também o exercício era feito, claro, de forma diferente, com fotos físicas, com cartas, com cartões postais e hoje tudo na internet, né? Exatamente. Perfeito. Que conexão legal o programa de hoje, né? E quando a gente fala de memória, a gente fala também de de sentimento. Claro. E e nesse ponto que a tecnologia e o afeto, eles se cruzam, né? Não basta a gente guardar fatos, a gente precisa preservar as sensações, as vivências. É como você muito bem colocou na sua fala aqui, Mariana, a Talita também. Então assim, eh, no seu trabalho, Talita, você fala de apagamento histórico. Me chamou muita atenção apagamento histórico, né? A história do povo africano no Brasil que muitas vezes foi silenciada. Então aí eu te pergunto, como é que a tecnologia nesse contexto ela se torna aliada pra gente resgatar as narrativas? Há riscos de que a memória digital também se perca no tempo? E qual que é a importância desse resgate? da forma que você fez, indo em loco, né, buscando lá. Bom, aconteceu isso nesse lugar, eu vou lá, vou conferir, vou ver, vou fotografar e vou buscar o resgate físico, né? Porque a gente pode correr o risco aí da memória digital também se perder no tempo. Com certeza. Existe uma uma escritora, a Shimamanda, que ela vai ela vai falar sobre o perigo de uma história única. E e eu sempre me preocupei muito com essa responsabilidade eh de ser uma comunicadora, uma pesquisadora, uma liderança, enfim, de não trazer necessariamente o meu olhar para as coisas. Então, é assim que funciona e e todo mundo vai entrar nessa caixinha e vai fazer exatamente isso. Sim. E como uma certa teimosia, [risadas] eh, para mim era importante esse lugar do V, né, do V que a gente fala, né, popularmente do V para crer. Exato. Então, para mim era importante entender e entrar em contato com o que a minha subjetividade ia me trazer a partir do confronto com essa narrativa e apagamento histórico para quem tá assistindo a gente e e nunca ouviu falar dessa terminologia também, que é muito comum no meio acadêmico e tudo mais, é de fato o apagamento, né, de uma de uma vertente, de uma narrativa da daquele contexto histórico no geral. Uhum. E não é eh um um lugar de muito, não sei a melhor palavra para falar aqui, mas de muito acolhimento, né? apagamento histórico, porque a gente tá falando aí historicamente de um movimento violento que tem como objetivo, inclusive eh apagar, silenciar, excluir eh outras narrativas, principalmente as narrativas de grande formação, a construção eh ideológica do do país. Então, quando eu fui fazer essas viagens e todo esse esse turbilhão de sentimentos, de novas narrativas, né, de novas percepções de trazer aquilo, eu comecei a reinterpretar também o conceito de tecnologia, porque para mim a tecnologia era muito o modo ocidental como a gente vê a coisa, que é o celular, o computador, uma câmera, uma câmera, perdão. Mas quando e a gente tá dentro dessa filosofia banto eubá que são, né, o os maiores povos na no tráfico de pessoas no país, existe o conceito de tecnologia na forma de sabedoria. Então, o falar como teógico, o conhecimento das plantas como um ato tecnológico. E isso começou a me despertar um um um olhar mais amplo pro campo do olha, veja, não é só a minha narrativa, a minha percepção, mas aqui a gente tá falando de contexto de tecnologia, como a interação do indivíduo com o mundo. É, e é algo assim. E aí eu, gente, eh, não é porque nessa vida eu vim negra, mas assim, [risadas] é, é um, como a Mariana falou, né, é um processo do autoconhecimento como uma formação, né, de identidade, de construção, mas de fato você começar a olhar todas as ferramentas que estão disponíveis pro seu processo de de crescimento, desenvolvimento enquanto indivíduo. Então, para mim, a tecnologia eh ocidental, né, ela era importante pra gente ampliar, que é o que a gente tá fazendo aqui agora, ampliar a discussão. Mas as tecnologias analógicas, até as tecnologias ancestrais, elas são primordiais para que esse conhecimento ele aconteça. Então, que é a comunicação, que é a viagem, é a pesquisa. Eu fiz muita anotação em caderno, então que são recursos tecnológicos, mas de fato eles são muito mais simples, né? A gente a gente articula com isso o tempo todo. E aí esse contexto mais digital ser um amplificador, mas das memórias que a gente tem ali, se precisar num caderno, como era o caderno de receita, né, que que existia antigamente. Maravilhoso, né? Uma delícia. Olha ali. É mais ou menos essa essa muito bom. Muito bom. Excelente, né? Agora, essas memórias que a gente fala, eh, elas podem ser dolorosas, né? Podem ter traumas, rupturas, perdas, porque você vai buscar uma história e essa história a gente tenta buscar ela da forma que a gente entende que seja melhor, né? Seja em fotos guardadas, em álbuns, ou então sentar lá com a avó e com o avô, né, e bater um papo, conversar. Então, eh, Mariana, o que que acontece com a nossa estrutura emocional e com o nosso senso de continuidade quando a gente começa, eh, a percorrer um caminho em busca da nossa história? Porque assim, quando eu vou na casa da minha mãe, tem o álbum lá da minha avó, que era da minha avó, então tem as histórias, aquelas fotos, né, preta e branca e tal, e tem um monte de gente ali, aquela foto da da família, né? E aí eu vou perguntar. E tem histórias que não são tão eh boas de se ouvir, né? Então, como que isso mexe na nossa estrutura emocional e com o nosso senso de continuidade por esse mundo? Tem um conceito na psicologia cognitivo comportamental que são as crenças. A gente pode ter crenças como algo que a gente crê, que a gente acredita. Então, a gente pode ter crenças a nosso respeito positivas ou negativas. Tem as famosas crenças limitantes, que são frases que nós mesmos vamos repetindo para nós, até muitas vezes a um nível menos consciente, mas que limitam a gente de um comportamento. E semana passada eu tava numa sessão com uma cliente e ela me contou uma coisa que eu acho bem interessante para ilustrar essa pergunta. Ela falou que a mãe dela sempre repetia para ela a frase: "A sua vida não é interessante para ninguém e a vida de ninguém é interessante para você". Isso pensando no contexto, por exemplo, das crenças limitantes, falei para ela: "Nossa, me pareceu ter uma função importante paraa sua mãe e que de repente se a gente fosse entender como essa história vem viajando, a mãe dela pode ter aprendido esse valor, esse conceito com alguém e passar isso de uma forma nobre. Mas para essa cliente o que que estava acontecendo? tava cravando ela porque ela absorveu o quê? Da frase: "Eu não sou interessante, eu não posso contar da minha vida, eu não posso postar um conteúdo, eu não posso registrar a minha história online, por exemplo." E aí a crença que limita, aí gera o quê? bloqueio na sua autenticidade, na sua continuidade. Então, quando a gente pensa na história dos nossos ancestrais, como ela se mistura com a nossa, é uma coisa muito importante pra gente tentar perceber a nível de autoconhecimento quais são esses valores que se transformam em frases e podem virar uma crença, tanto uma crença positiva quanto uma negativa. Porque se acontecer algo parecido com o que aconteceu com essa cliente, isso tava bloqueando ela de uma camada de um papel muito importante para ela. Porque se ela aprendeu se ela, a vida dela não é interessante, como é que ela vai se conectar com a história dela? Qual é o nível de motivação para ela olhar para essa história, mas principalmente para ela reproduzir, para ela passar essa história adiante? Isso empobrece a nossa cultura, tanto familiar, tanto transgeracional, como um todo. Porque se a gente parar de contar a nossa história, como você conversou com a Talita ali, a história vai se perder, a gente vai perder cultura no meio disso tudo. Então, a crença limitante é algo que a gente precisa sempre criar esse nível de consciência. Eu tô repetindo uma frase de quem é essa frase? Quem eu escuto é a voz falando essa frase. Isso é meu? Isso é dos meus ancestrais. Porque as novas gerações, elas sempre podem vir com essa função de o que que veio de repente de uma história de sofrimento, o que que dentro da história do nosso Brasil, que é tão diverso e cheio de culturas, eh pode ter vindo de um lugar de sofrimento, de medo, de punição e pode estar influenciando o nosso dia a dia hoje e que eu posso me separar disso se eu criar esse nível de consciência. Acho que essa é uma reflexão bem importante pra gente não sofrer essa descontinuidade, paraa nossa história ser fluída e o mais autêntica que a gente puder. Excelente. As crenças que limitam, né? Às vezes a gente esquece que o silêncio também das lembranças pode custar muito caro. O esquecimento pode aparecer como uma defesa, né? Mas também ele pode afastar a gente das partes importantes do que a gente é, né? A Talita, fala pra gente, Talita, durante sua viagem aí foram 9 meses, 13 locais. Quais foram as memórias que mais te tocaram? Teve assim algum encontro ou um local que mudou a sua for a forma de como você entende a sua própria história? O que que te impactou assim quando a gente fala eh dessa viagem, dessa busca pessoal mesmo? Você e a história que você estava buscando? Eh, eu fiz toda a costa, né, saindo do Rio de Janeiro até Salvador. E aí depois disso comecei a a a expandir para pro interior paulista. Eh, definitivamente Salvador é um marco na vida de qualquer pessoa, principalmente uma pessoa, né, que se reconhece próximo à eh, afro-brasileira. Uhum. Então, é a cidade mais negra fora, né, do continente africano e, de fato, é um grande marcador para entender como o ambiente se articula em um local em que essa cultura e essa essa narrativa, essa interação com com o que vinha antes, né, eh, de mim, é muito naturalizado. Então, a gente vai ter uma cidade em que eh existe uma alagoa ali com várias estátuas de orixás. E para mim aquilo foi um grande choque, né? Porque venho de uma, eu nasci em Campinas, eu sou campineira, em que as manifestações eh afroreligiosas elas ainda tão começando, né, a a aparecer aqui. Eu fui na lavagem da escadaria em 3 de maio e tudo mais. Então, Salvador interage de uma maneira diferente com a negritude numa perspectiva não só de identidade, mas de construção social. A cidade se comporta numa perspectiva eh mais próximo dessa cultura. E e para mim Ilhus, né, e Tacaré, então são cidades eh mais ali da costa, Caraíba, que tem uma aldeia indígena, né, reserva Porto do Boi. Então, entender a a história do Brasil, lugares que foram marcantes, né, na essa narrativa de construção e ver aquilo para mim foi um grande marcador de entender e começar a reinterpretar a relação com tempo e espaço para não ter aquela narrativa que a gente vai olhar, né, e fala: "Ah, isso foi há muito tempo atrás, né? E aí isso fica solto". Quanto tempo foi? A gente não consegue medir, né? É, de uma maneira como a gente interage com a, talvez a relação que eu vou ter com o mês vai ser diferente da sua, que vai ser diferente da Mariana, mas pisar naquele lugar, naquele espaço, faz com que essa quebra do tempo acontecesse para mim. E aí eu começasse a revitalizar as memórias e e criar essas narrativas que possivelmente as pessoas que vieram antes de mim vivenciar estiveram ali fizesse com que eu conseguisse a ideia é como o autoconhecimento ser um processo de você calçar os seus o seu colocar o seu calçado e ter esses territórios, principalmente a Bahia, para mim era uma forma de começar a aprender como amarrar esse cadarço e conseguir andar sem tropeçar. Então, definitivamente o nesse mapeamento, né, no próprio livro, vai ter algumas fotos do Rio de Janeiro, eh, aqui da cidade de de Campinas também, mas a Bahia é [risadas] a Bahia, gente. Olha aí, foi o marco, então foi o que te impactou mais nesse processo aí de busca, né? Sim, eu cresci com meu avô falando também da Bahia, né? Ele ele ele nasceu em Jequé, que é uma cidade do interior. Então, para mim, e ele sempre trazia muito, né? Eu quero voltar para Bahia e tal. E eu falava: "Mas gente, o que que isso tem? Que que esse lugar tem?" [risadas] E aí estive na Bahia, eu falei: "Eu quero voltar pra Bahia também". Muito [risadas] bom, muito bom. Olha só que legal, né? Eh, Mariana, porque a gente vive cercado de registros digitais, né? E vídeos, fotos e que é coisa que a gente acha que vai guardar para sempre, né? né? Uma biblioteca digital que acaba mudando a forma com que a gente lida com afeto, com o passado e nada melhor do que a gente tá lá, né, presente, assim como trouxe muito bem a Talita, né, esse mundo digital que a gente vive hoje ampliou as nossas possibilidades, mas também ã colocou um pouquinho em em, vamos colocar assim, eh, um povo um desafio pra gente, né, porque a gente precisa escolher eh, o que a gente vai guardar e acreditar que aquilo vai ficar guardado para sempre. Eh, gostaria que você explicasse pra gente, conversasse com a gente, Mariana, sobre até que ponto a gente precisa entender que esse mundo digital ele está realmente presente nas nossas vidas, né? E quanto vale e você abrir um álbum de fotografias e fazer uma viagem de volta ao passado? Ai, vale muito, né? Porque ativa na gente esse trollback. Vamos voltar para trás, vamos olhar paraa nossa história e com certeza o físico quando a gente só vê com os nossos olhos, quando a gente não pega, a gente tem um sentido a menos trabalhando ali. Nós temos cinco, seis sentidos, né? Mas o o tato, quando a gente tá pegando uma coisa, ele também remete a esse, nossa, eh, a gente se reunia aqui para ver fotos. Que delícia. Isso traz uma outra afetividade que o vídeo nem tanto, mas eh fazer esse esse mergulho no nosso passado, ele ativa então o nosso afeto, tanto coisas positivas quanto negativas. E com certeza ativa essa memória de quem a gente é, onde a gente tá, essa reconstrução narrativa que a Talita fala de forma tão linda e que é tão importante pra gente. Mas a gente realmente pode repensar na questão de tudo estar na nuvem, na rede social. Eu já já fui essa pessoa que perdeu coisas que tava num computador e só no computador. O maior prejuízo você tem que sair pedindo ou tem coisa que você não sabe mais que perdeu. É muito ruim. E uma coisa que eu fiquei chocada, que eu fiquei, eu vi um vídeo de uma atriz na semana passada, eu fiquei chocada em saber é que toda essa tecnologia da nuvem, porque você já parado para pensar, tá, a gente compra hoje um espaço na nuvem, mas o que que é essa nuvem onde a gente armazena? Essa nuvem não é a nuvem do céu. Existem data centers, lugares gigantescos onde tem os computadores que armazenam isso para você. É uma nuvem metafórica, mas na realidade você precisa, alguém precisa ter esse espaço. Inclusive estão cotando o Brasil para ser uns o center maior do mundo ali, porque nosso espaço é grande e aí é sustentável. A a moça falava que a cada pergunta que a gente faz pro chatt, tá? Ele ele consome equivalente a uma caneca de água para conseguir processar aquilo. Então assim, será que a gente ter acesso a todos esses benefícios vai ser sustentável para nós mesmos? Será que de repente a gente vai ter que começar a imprimir porque não vai ter água no planeta pra gente salvar tudo na nuvem e nem espaço de repente num futuro mais distante? É importante a gente pensar sobre isso, porque a gente consome isso de uma forma menos crítica também. A hora que eu vi isso, eu fiquei chocada. Eu falei: "Nossa, acho que eu vou voltar a imprimir algumas fotos mesmo." Olha só. Olha aí. E quando a gente fala em guardar na nuvem, como você muito bem colocou, né? até que ponto essa nuvem vai aguentar, né? Mas o que aguenta é isso aqui, ó. Aqui. Isso aqui é maravilhoso, né? Você pegar, você folhar e você ler sobre história. História de vida. É uma viagem de milhares de anos. Esse é o livro, né, que a Talita escreveu por conta dessa, desse resgate histórico, por conta dessa viagem que ela fez em busca eh de resgatar a história dela e que ela acabou trazendo história do povo afrodescendente, que ela acabou trazendo história do Brasil, que ela acabou, que ela não acabou, ela ela continua, esse projeto continua, fala um pouco pra gente desse livro, né? E que legal essa conexão, né, da Talita, com você, eh, por conta, né, do Ruben Alves, que também é, né, magina, um escritor, tem eh, muitos livros aí. Então, acho que a gente tá num momento bem legal de conexão. Então, gostaria que a Talita explicasse um pouquinho pra gente dessa maravilha aqui, que isso aqui, ó, isso aqui não tem nuvem nenhuma [risadas] que passe por isso aqui, gente. Isso aqui é isso que a gente precisa, tato físico aqui, ó. Guardar, poder olhar, poder ler, poder folhar. Aí depois você guarda, depois você pega de novo, ó, o tempo passa e isso continua. O digital é legal, mas a gente precisa desse toque aqui. Pelo menos esse é o meu ponto de vista, né, Tal? Ah, com certeza. Eh, eu queria muito escrever um livro que fosse uma fonte de pesquisa e consulta também. Então, é um livro que vai trazer de uma maneira minimamente mais aprofundada o que começa como um banco de dados, né? Então, e aí vem esse livro. Para mim é muito importante o cenário desse debate, que a gente comece a entender não só o resgate histórico ou apagamento histórico, porque isso e e para mim foi um grande processo também começar a dividir até onde eu vou, né? Então assim, até onde eu vou no passado, e e em quanto tempo eu fico no passado também. Sim, isso é importante, né? E a Mariana falou de de traumas, de crenças, né? Então, o passado me parece que é um quarto ali da nossa casa que precisa existir também outras outras realidades, outras interferências, enfim, tudo coexistindo. E para mim escrever esse livro e e me devolver ao passado também é uma forma de começar a a reinterpretar as minhas crenças, o que que eu acreditava, o que que pode ser bússola. Tem uma, o começo do livro, eh, existe uma, uma Oroboros, que é aquele, aqu, por favor, pode mostrar, por gentileza. Eu tô aqui olhando o livro, já achei os pontos muito bons aqui, adorei. Olha isso, pode mostrar lá. Eu sempre fui muito ligada a a arquétipos, né, e onde vai falar muito sobre isso e tudo mais. Eh, trazendo num lugar mais h não sei se popular seria a melhor palavra, mas eh o tarot, por exemplo, são conjuntos de arquétipos, né? Hum. E aí aqui a Oroboros, ela vai ser vai representar sempre para mim essa ideia da cobra, muito na ideia de trocar de pele, né? E e me parece que a vida é muito tempo pra gente ter uma pele só, né? Vestir a mesma roupa, usar o mesmo cabelo e tal. E aí essa ideia simbólica da Ouroboros que começa a nortear com uma bússola essa jornada, é para que a gente comece a questionar também qual é o alimento que a gente tá se dando, porque é uma cobra que vai comendo, deixa eu trazer aqui, que ela vai comendo o próprio rabo. Então ela é a responsável por fornecer eh, né, e energia, nutrição a si própria. E quando a gente tá falando de história, é o que nos nutre também a a nos motivar a ter novos sonhos, ambições, né, realizações. E para isso o contexto que a gente tá inserido, que aí aqui eu abordo algo que hoje o presente histórico é algo maior do que eu e precisa ser. Sim. É porque a gente tá falando de um país, né? Não da Talita, mas inicialmente era uma pesquisa de de começar a entender a árvore genealógica, de formação de identidade, de construção de autoestima. As pessoas que me antecedem, qual que é a narrativa que elas têm, né? Como que eu vou conseguir também eh cocriar isso? um sentido também que a Ana Su vai falar isso, né, da do da solidão e que a gente para sempre seremos indivíduos solitários, né, porque a gente tá preso ao nosso próprio corpo. Então, como essa construção também da nossa ancestralidade, dessa revitalização histórica, faz com que a experiência mundana ela seja mais colaborativa também. Pode ser até uma fantasia, Mariana, por favor, me corrija. [risadas] Mas, mas realmente não é porque veja, muito tempo de vida, a expectativa de vida, longevidade eh é crescente no país, no mundo como um todo. Isso acaba sendo até um ponto de política pública. E aí, tá, eu vou passar esse tempo todo aqui fazendo o quê? Para quê? Então, essa construção histórica faz com que a gente comece, principalmente vai ter um capítulo no livro que vai que se chama Mulheres Históricas Estão Vivas. Legal. que comece a a construção do nosso legado nesse tempo, porque quando eu debruço nessa pesquisa de apagamento histórico, a gente tem a revitalização de grandes líderes do passado, né? Maria Quitéria, Maria Felipa, principalmente na Bahia. E a e foram mulheres que a própria dandara dos Palmares aqui, né? Eh, muita gente vai falar do zumbi, mas pouca a gente vai falar da dandara. Então, começou a me preocupar eh principalmente na figura feminina, né? como a gente começar a testar esse essa construção de legado e e beber, né, da da nossa própria nutrição, das nossas conquistas, eh, em primeira pessoa. Uau! Legal. Então, eu acho que e eu acredito muito que essa jornada aqui eu vou fazer, o meu instrumento vai ser a viagem, né? E e mais do que a viagem, vão ser as pessoas, né? São as pessoas que me trazem essa nutrição também de eu começar a colocar as minhas caixinhas, organizar a minha casa. Mas esse processo de movimento, ele é fundamental principalmente para tomadas de decisões. A gente tá falando final de ano, né? Todo mundo vai escrever metas pro próximo ano. Então talvez eh a viagem, a pesquisa, elas possa ser uma bússola para algo mais assinado assim, sabe? Mais autêntico. Olha só um ponto que eu achei interessante aqui do seu livro. tava folhando aqui, eh, Mariana, e olha que encontrei voltar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro. A reconexão com as referências do passado, isso aqui é maravilhoso, gente, né? E aí, eh, de repente você tá aí parado olhando pra gente falando: "Nossa, eu acho que eu perdi algum tempo da minha história, né? a importância de você resgatar, a importância de você reviver isso, mesmo que seja doloroso, porque aí você consegue eh filtrar, você consegue organizar, você consegue, de repente quebrar as crenças limitantes que a Mariana tanto eh eh eh assertiva trouxe pra gente aqui, né, Mariana? Eu gostaria que você eh completasse essa fala tão bonita que a Talita acabou de de de fazer aqui paraa gente, porque eu acho muito interessante é que as pessoas entendam a importância desse resgate, não só ã de forma digital, né, na tecnologia. A gente precisa, me corrija até se eu tiver errada também, eu acho que a gente precisa voltar um pouquinho atrás e começar a olhar com olhos de amor e de carinho eh toda a nossa história, né? A gente não pode se perder. Com certeza. Eh, eu falo que na questão da síndrome do impostor ou ou quando a gente tá ali olhando pro presente, muitas vezes ai se com tomor muito autocrítico, dependendo de validação externa, o quanto olhar para esse passado nosso é importante pra gente entender os nossos padrões, entender como é que essa essas gerações, essa história, essa narrativa foi sendo construída impacta no nosso sofrimento. mental hoje, como eu expliquei dando o exemplo lá da minha cliente que criou essa crença, né? E claro que você entender essa dinâmica não vai te trazer uma cura imediata, mas diminui um pouquinho o chicotinho que a gente bate na gente de se culpabilizar por uma coisa que veio numa dinâmica e que eu gosto muito de uma frase que é assim: "Não começou em mim. Mas tem a chance de parar aqui. Uau! A gente fala muito de honrar a a história do nosso dos nossos passados, né? Fazer e criar o novo como uma forma de honrar aqueles que estiveram lutando antes da gente, que nos deram a oportunidade da vida. Então essa é uma forma de você conseguir honrar, de você olhar toda essa dinâmica que veio lá de trás e cara, eu tenho essa oportunidade, eu tô eu tô vendo essa live, eu tô vendo esse programa, eu tô tendo esse insight, eu posso de repente parar para olhar minha história, levar isso para um profissional para para analisar, escrever sobre mim, fazer diversos exercícios que me permitam entender e quebrar esse tipo de de ciclo. E e particularmente na história do indivíduo, quando a gente Talita falou das do das metas, né? É muito comum a gente entrar nesse mood de ano novo, vida nova e pensar nas metas e tudo mais. Então cada nova autossuperação eu falo que a gente também precisa enxergar como uma escadinha. Uhum. O objetivo final tá lá no último degrau. Só que se a gente não olhar pros degraus que a gente já percorreu, a gente perde força, a gente se desespera olhando lá para cima, aquilo ganha uma proporção, fica tão gigante que você fala: "Como eu vou honrar meus antepassados? Como eu vou continuar esse legado? Como eu vou conseguir esse objetivo, esse sonho na minha vida?" E a estratégia que eu falo é: não olhe tanto pro alto, olhe para trás, use sua história para se fortalecer, porque muitas vezes a gente tem a impressão de que a gente vai ter que reinventar a roda a cada novo desafio. E na sua própria história você acha muitas vezes mecanismos que você já fez ou que pessoas da sua família têm para te ajudar, para te mentorar, para te inspirar. Se você olhar para trás, você desespera um pouco menos, você fica um pouco mais fortalecido do que você só olhar lá pra frente e olhar pro próximo degrau, que aí a coisa diminui na proporção, a gente fica menos assustado ir para cima, construir sua própria narrativa, seu próprio legado. Então, é muito importante sim a gente ter esse olhar, olhar para trás com cuidado, claro, para não virarmos pessoas melancólicas que vivem do passado. usar o passado, nossa fer como uma ferramenta para nos fortalecer, pra gente resgatar tudo que a gente tem de legado nosso, da nossa cultura, dos nossos familiares como ferramenta que a gente pode usar, como inspiração e fortalecimento para pro que há de vir que a gente quer conquistar. Ai que legal, né? Eu parando, vocês conversando, vocês falando aqui, eu tava pensando, né? Eh, a Talita e tanto a Mariana também, a Mariana trouxe a algo de fim de ano, né? E eu me vi lá na casa da minha mãe olhando novamente os álbuns. Então, é uma oportunidade que você aí de casa tem, né? Porque final de ano a gente sempre visita, né, famílias. Que tal a gente mudar o tom da conversa eh nesse final de ano, né? Tá todo mundo sentado ali, vamos começar a bater papo, vamos buscar as nossas histórias de vida, né, de luta também, porque sim, a vida é desafio, né? Folhar os álbuns, querer saber quem é esse, quem é aquele, quem veio, quem amassou o barro para que a gente pudesse caminhar no asfalto, né? Eu acho que é muito importante. E quando a gente fala de tecnologia é legal também, porque essa geração que que está guardando tudo dentro do computador, na nuvem, no pen drive, eh de repente é um momento aí de você parar, falar: "Opa, vou fazer um álbum de fotos físico, né? físico, porque assim, quando eu tiver meus filhos, eu posso folhar, sentar e fazer esse movimento. De repente que a gente coloca aí pro fim de ano, pro pro Natal, pro ano novo, de se reencontrar, se reconectar e de repente pode ser o momento de quebrar, né, de quebrar as a aquele padrão, aquela coisa que vem, que a gente vem trazendo, vem trazendo e que não é legal. E aí você chega ali e fala: "Não, a partir de agora não vai ser mais assim. Eu entendo, aceito, mas agora, né, quem eh eh direciona e tem ali eh a guia do caminho sou eu. Acho que é importante a gente trazer esse eh esse debate para esse momento que a gente tá vivendo. Já estamos se encaminhando dois meses aí para para o ano novo, né? E é um momento de reconexão com a família, um momento que a gente para para se olhar, para olhar quem somos, de onde viemos e para onde vamos. E eu acho que esse programa veio assim, caiu como uma luva. Nossa, gratidão vocês duas. Que maravilha, que gostoso falar sobre isso. Gratidão também você que tá aí do outro lado. Olha só, nós temos algumas perguntas, a gente vai até 9:5, então vamos fazer o seguinte. Claro que tínhamos muito para conversar ainda, né? Mas é bom deixar aqui aquele gostinho de quero mais. Vamos atender os nossos telespectadores. Pessoal tá mandando pergunta para vocês. Então vamos lá. Produção, pode colocar pra gente, por favor, a primeira pergunta na tela. Vamos ver para quem é a pergunta e o que que fala. É para Talita. Vamos lá. O Daniel Figueiredo do Bom Fim. Talita, no seu olhar como antropóloga, o que mais se perde quando uma comunidade deixa de contar suas próprias histórias e tradições? Olha que legal essa pergunta, Talito. Eh, obrigada, Daniel, pela sua pergunta, né? eh, de uma maneira muito direta, autoestima e protagonismo. Acho que quando a gente e e quando a gente sai do lugar de autor da própria história, a a o nosso processo de autoestima, né, de interferência na realidade que nos nos cerca, ele é fortemente abatido. Então, eh, pensar em na ausência de construção de memórias, de legado, de comunidades, de pessoas, coletivos, enfim, aqui a gente tá trazendo de nações, né? Uhum. Eh, carece muito do lugar de da autoestima. E a autoestima ela vai ser um grande catalizador de energia pra gente tomar decisões. Então, assim, eu consigo fazer isso, eu posso fazer isso, eu vou fazer isso. Então, eh, o que mais se perde, eu acho que é a ação, eh, da autoridade sobre o que você tá pode vir a contribuir. Perfeito. Muito bom. 853 pode mandar mais produção, por favor, pra gente? Vamos ver quem é que tá conosco agora. A Felipe Moura do Parque São Quirino. Mariana, as lembranças da infância influenciam na forma como reagimos emocionalmente na vida adulta, mesmo sem que a gente perceba? Com certeza são os populares gatilhos, não é mesmo? Muitas vezes a gente tá ali vivendo uma situação e vem um lampejo de memória. Às vezes só vem um sentimento ou bom ou ruim que pode ser seguido de um comportamento mais aberto de você rir, chorar, se desesperar, ter uma crise de pânico. Porque a nossa memória ela a gente fica ali com os nossos as nossas lembranças, ela não ficou o tempo todo no nosso drive ali operacional, no dia a dia, mas um alguma coisa que dá essa faísca de estímulo. Pode ser um cheiro, pode ser uma música, pode ser uma cor, pode ser um gosto, pode ser, sabe, qualquer órgão de sentido, eh, uma palavra. Ela faz com que a gente se remeta a uma situação que foi marcante. Às vezes a gente não consegue nem perceber logo de cara vem com sentimento e depois a gente elabora aquilo. Nossa, é verdade. A minha avó, meu avô, alguém gostava de de comer bolinho de chuva, por exemplo. [risadas] Nossa, podia até tempo que eu não vi um bolinho de chuva. Que delícia. Uma memória afetiva ou algo ruim também. Uhum. Eh, e aí a gente fala que são esses gatilhos porque são lembranças muito rápidas que vem se lampejo em frações de segundos. Quando a gente vê, a gente já tá conectado e aí depois, um pouquinho tardiamente a gente consegue interpretar. Mas é muito rápido e e a gente pode criar inclusive gatilhos do bem. Uhum. Que é o quê? você conseguir associar coisas boas a sentimentos bons, uma vivência boa. Então, eh, existem muitos atletas, por exemplo, que fazem ali, se dão tapas antes de entrar numa competição. Não sei se vocês já viram isso. Na em natação é muito comum isso, por eles vão treinando fazer isso no passado. vou entrar na piscina e antes de entrar eu bato no meu corpo, eu ativo o meu corpo. Isso me traz uma ativação, uma energia, uma coisa boa. Você pode puxar o arquétipo do guerreiro dessa forma, né, de ativar o seu corpo, deixar ele forte ali, preparado pro momento. E você pode usar inclusive o gatilho dessa forma. Ah, eu vou entrar aqui, eu vou entrar numa reunião importante, eu vou fazer o o gatilho positivo. Fica a dica. Uau, adoro gatilho positivo. [risadas] Muito bom. 8:56. Vamos lá, tem mais uma produção. Dá tempo, né? Acho que dá tempo para mais duas rapidinho. Vamos lá. Fernanda Ros do Nova Europa. Por que é tão importante que as novas gerações conheçam e valorizem as histórias dos seus antepassados? no seu ponto de vista, já que você foi em busca da sua história, né? Qual que é a importância da gente conhecer e valorizar a nossa história de vida? Eh, me parece, né, que que é o momento da gente começar a entender o contexto de onde a gente tá inserido. Então, eh, mais do que porque a valorização ela pode ser uma consequência, né? Mas a pesquisa ela é fundamental pra gente começar a entender o aqui em cima da nossa mesa, né? Quais são os ingredientes que a gente vai ter para preparar um jantar? Pensando em memória afetiva, né? Eu adoro comer, gente. Mariana amo [risadas] comer. Então vai ser o meu gatilho do bem. Então pensando nessa mesa posta, né, que também é o nosso nosso momento de autocuidado, de nutrição e e tudo mais, né? Quais são os ingredientes que a gente tem? Então, eh, preservar e buscar, eh, essa memória é muito importante, principalmente no momento que a gente tá de criação de identidade de arquétipos nas redes sociais. Brasil é um dos cinco países que mais consomem, né, nas redes sociais. A gente tá muito refém das telas agora com a ascensão da inteligência artificial. o nosso pensamento crítico, ele ele pode vir a sofrer interferências com isso. Então, essa construção examente e essa valorização dos nossos saberes faz com que a gente também se lembre um pouco do do nosso corpo, né, do nosso lado humano, da das outras emoções, das outras interferências que a gente pode ter, eh, que parecem muito básicas, mas elas sempre foram funcionais, né? a humanidade chegou até aqui com isso. Então, é um processo importante, principalmente pensando nesse contexto que a gente tá, em que eh o país é um dos cinco maiores consumidores de redes sociais. A gente tá falando de um mercado de marketing de influência muito grande que todo mundo tá falando para você como você é, qual é a narrativa que você vai seguir, né? O que que significa ser o que se parece com o que você quer se tornar. Enfim, então é uma construção que a gente começa a se olhar mais de uma maneira, ó, veja, eh, me parece que, eh, me vejo, me inspiro muito nessa pessoa, tenho ela como referência, mas ela não é a não representa totalidade do que eh eu tenho construído como identidade. Então, é importante. E pensando ainda num lugar de autoestima e território, o nosso país tem sido visto, né, foi reconhecido no festival de Câis, que é o festival da criatividade, como o país mais criativo do mundo. A gente tem o Oscar aí também reconhecendo a produção nacional, então é o momento de entender ver. Eh, tem muita coisa aqui e e eu [risadas] como e você, a Mariana, o pessoal que tá aqui com a gente, né? Eh, fazemos parte dessa construção de milhões de brasileiros. Então é o momento também da gente entender qual é a nossa a nossa gota nesse oceano todo, nossa contribuição, né? Verdade. Que é esse país, é? Todos contribuímos um pouquinho, somos importantes e únicos, né? A gente precisa ter esse olhar atento sobre nós. Com certeza. Vamos lá, a última pergunta, então. Vamos lá, produção. Pode colocar na tela pra gente. Rodolfo Mendes da Vila Industrial. Guardar objetos, fotos e mensagens ajuda a manter o vínculo com quem partiu ou apenas prolonga o luto emocional? Ô, boa pergunta, Rodolfo. Vamos lá para você, Mariana, por favor. Bom, pra gente pensar em um luto patológico, eh, que pra gente conceitualizar o que que seria bom ou ruim, um luto patológico é quando a gente realmente tem muitos prejuízos para além da norma, né, que seria de mais ou menos um ano de sofrimento mais intenso com a perda de alguém. pelo DSM, que é o manual eh de psicologia e psiquiatria, tá? Eh, então o o guardar os objetos pode ser saudável. O que que é uma coisa não saudável? De repente a pessoa falecer e você manter para sempre aquele quarto intacto. Ninguém entra aqui em rela, em nada. A gente tem que preservar aquilo. Mas, por exemplo, aqui no espaço Poliodia, minha clínica de psicologia, eu tenho um acervo do meu avô. Então, tem livros, tem prêmios dele, tem objeto pessoal, tem a linha do tempo dele. E nós temos uma uma coleção de corujinhas da minha avó. O meu marido tem uma um altarzinho da avó dele que já se foi também com objetos pessoais. E pra gente que não teve o luto patológico é um deleite ir lá. São gatilhos muito positivos que te transportam para memórias afetivas. Então o saudável e o patológico vai na observação do como tá esse apego com os com esses objetos, né? Mas é normal você, por exemplo, eu tenho, eu tinha uma caneca que a minha avó tinha me dado, que era a minha preferida e um dia eu deixei ela cair, quebrou. Eu fiquei muito triste, chorei. Mas isso não faz com que eu tenha um luto patológico por ela. Foi um momento de tristeza isolado, porque me chateou, né? Então, pra gente entender se é normal ou não, quais prejuízos esse apego tá trazendo, quão limitado você fica com ele. Mas no geral, você ter um objeto ou outro é muito importante. As minhas alianças são as alianças que eram da minha avó. Eu não abro mão disso. Para mim é uma coisa, o meu amuleto da sorte, não tem problema nenhum. eu tô introjetando ela, né, dentro de mim de um jeito poético e bonito e saudável, né? Então, pensando dessa forma, ter os objetos, alguma coisa ou outra que você gosta mais, fazer um altarzinho, pode ser super positivo. Ai, que coisa linda, que programa gostoso, gente, que delícia. Mas 9:2 a gente tá encerrando, né? A gente encerra assim com uma vontade de querer continuar, porque tem tanta coisa pra gente falar, né? Mas assim, eu quero agradecer a presença de vocês duas. Muito obrigada. Agradecer o pessoal de casa também, obrigada pela participação, obrigada por estar conosco, né? E quanta coisa gostosa nós falamos hoje. É importante, sim. A tecnologia nos ajuda a lembrar, claro, mas também nos desafia a escolher o que vale ser lembrado, né? A gente precisa entender que cada lembrança guardada em um álbum, em um mapa digital ou ah na fala de quem veio antes, é uma forma de a gente resistir, de continuar, de ressignificar. E recordar é reafirmar pertencimento, identidade e a nossa história também. Então, que a gente possa lembrar com coragem e viver com mais leveza. Eu tô aqui agarrada esse livro porque eu vou ler ele hoje, né? Então eu quero agradecer você. Obrigada, eh, Talita, por esse presente que é a sua presença e a sua história, né, que nos ensina muito. Então, gratidão pela sua participação [música] e pela sua presença. Obrigada mesmo, viu? Obrigada, obrigada, obrigada mais uma vez a toda a equipe. Obrigada a você que me permite estar aqui e trocar, né, de uma maneira muito ancestral, que é numa roda, né? É verdade, é verdade. Muito obrigado. E onde que a gente encontra seu livro? Se alguém quiser adquirir [música] no site, eh, livro. Olha, gente, eu sou formada em publicidade de propaganda, né? Então, realmente, ó, fazendo justo aí, ó. [risadas] Muito bom. Eh, você encontra o livro eh do [música] presente histórico tanto em ebook para quem eh também tá próximo essa tecnologia, né, de de tablet, Skindles e afim, mas também o formato impresso, a sessão do livro.presentehistorico.com.br. br. O mapeamento tá disponível também. Os artigos que eu tenho publicado também estão disponíveis em todo esse ecossistema e nas redes sociais eu sou a Zev do Talita junto e o trabalho continua, né? Ah, ele tá só começando. [risadas] Ah, maravilhosa. Maravilhosa também você, nossa psicóloga que nos ensinou bastante hoje. A gente agradece a sua presença, viu, Mariana? Eh, mesmo aqui eh eh pelo Zoom, é a tecnologia que nos aproxima, né? Mas a gente sente a sua presença aqui eh eh na posição das suas falas, né, nesse seu jeito assim tão carinhoso de falar eh referente a a à história, né, que a gente precisa manter viva pra gente entender quem somos. Então, muito obrigada pela sua presença, pela sua participação, viu? [música] Obrigada também. Foi uma honra estar aqui, trazer um pouquinho do legado pro meu avô, que é algo que eu sempre quero manter vivo. Trago ele comigo na minha produção de conteúdo. Inclusive vocês me acham pelo Sou Mari Alves s o O [música] Mari Alves no Instagram, no TikTok. Tô sempre trazendo Ruben Alves e conteúdos de superação da síndrome do impostor, [música] que é a gente reconstruir a nossa nosso autoconhecimento, a nossa autoconfiança para uma, uma postura de mais protagonismo [música] e mais felicidade, mais leveza e autenticidade, olhando muito pra nossa história. [música] Foi um prazer estar aqui. Muito obrigada. Sensacional. Eu que agradeço. Agradeço você de casa também. A gente vai encerrando por aqui. Lembrando que daqui a pouquinho está chegando a Íria, a nossa jornalista de inteligência artificial, trazendo para você eh informações atualizadas aqui do legislativo de Campinas, da nossa cidade de Campinas também, estado, Brasil e Mundo. Ao meio-dia temos Câmara Notícia com informações do Legislativo e da cidade de Campinas. E lembrando que a nossa programação é feita com muito carinho, especialmente da nossa equipe para você [música] que tá em casa. E o Estúdio Câmara de Amanhã traz mais um tema. Olha só, polêmico, né? Cansaço crônico e hiperconectividade. [música] Sempre ligados, sempre cansados. Como é que o excesso de estímulos está afetando o nosso foco e o nosso humor? Amanhã a gente explora como esse estilo de vida hiperconectado, excesso de telas, informações, múltiplas demandas e pressão por produtividade tem levado jovens e profissionais a um estado de fadiga mental e emocional contínua, muitas vezes confundido com preguiça e desmotivação. Tá passando por isso? Então, amanhã a gente conversa sobre essa hiperconectividade, [música] né? esse esse nosso dia a dia frenético aí. Às vezes a gente fica meio [música] devagar, meio preguiçoso, mas será que isso é preguiça mesmo? Vamos descobrir amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo em mais um Estúdio Câmara. Nós esperamos por você, agradecemos a sua audiência, a sua companhia, as nossas convidadas mais uma vez, nosso muito obrigada e esse livro maravilhoso que eu eh indico para você, né, acessar lá, adquirir esse livro aqui, que eu tenho certeza [música] que você vai adorar e também vai se inspirar e de repente buscar [música] a sua referência, buscar a sua história, tá bom? Beijo grande, fique bem e até amanhã. Ча. [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]