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Estúdio Câmara | Maturidade feminina: liberdade, recomeços e autonomia após os 50
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Estúdio Câmara | Maturidade feminina: liberdade, recomeços e autonomia após os 50

34 views Publicado 29/01/2026 HD · 56:50

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🌷 Maturidade não é fim. É recomeço. Nesta edição do Estúdio Câmara, a TV Câmara Campinas abre espaço para uma conversa profunda, necessária e transformadora sobre a maturidade feminina, os desafios do envelhecimento e a potência que surge quando mulheres passam a viver com mais autonomia, consciência e liberdade. 💬 Durante o programa, debatemos temas como: ✨ Envelhecimento feminino e quebra de tabus 💗 Saúde emocional e autoestima na maturidade 🧠 Pressões estéticas, comparação nas redes sociais e empoderamento 💼 Recomeço de carreira após os 50 🔥 Relacionamentos, autonomia afetiva e independência financeira 🌿 Menopausa, saúde mental e qualidade de vida 🤝 Rede de apoio entre mulheres e construção de novos propósitos 👩‍⚕️ Convidadas desta edição: 🔹 Paula Cavinatto – Psicóloga, psicanalista, mestre em Psicologia Educacional e doutoranda em Saúde Mental da Mulher 🔹 Cássia Gargantini – Jornalista, que compartilha sua vivência, reflexões e experiências sobre a maturidade feminina 📲 O programa também contou com a participação do público, com perguntas enviadas por telespectadoras sobre comparação nas redes sociais, recomeços profissionais e escolhas após os 50. 💡 A mensagem central é clara: Maturidade não é sobre perder tempo, é sobre ganhar vida. 📺 O Estúdio Câmara vai ao ar ao vivo de segunda a sexta, a partir das 8h, com debates atuais, informação de qualidade e temas que impactam diretamente a vida da população. 📌 Acompanhe a TV Câmara Campinas nas redes sociais: 📲 Instagram: @tvcamaracampinas 📘 Facebook: TV Câmara Campinas 🐦 X (Twitter): @tvcamaracps ▶️ YouTube: TV Câmara Campinas 🔔 Inscreva-se no canal, ative as notificações e acompanhe nossos programas ao vivo e sob demanda. 🏛️ TV Câmara Campinas | Informação, cidadania e diálogo

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Olá, [música] muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara na manhã desta quinta-feira, [música] dia 29 de janeiro. E hoje abrimos o espaço para uma conversa necessária e cheia de vida. Vamos falar sobre o tempo, mas não sobre o tempo que passa, e sim o tempo que a gente ganha com a maturidade. Para muitas mulheres, o envelhecer ainda é visto pela sociedade como um defeito ou um prazo de validade. [música] Mas será que não está na hora de desconstruir esses tabus e celebrar a liberdade que vem com os anos? [música] Relacionamento, saúde emocional, física e independência financeira sobre um novo olhar. É hora de entender que maturidade não é sobre o fim e sim novo e potente mês. Nossas entrevistadas já estão aqui no estúdio, daqui a pouquinho vamos apresentá-las. Enquanto isso, manda sua mensagem pra gente. Chegou na maturidade. Como é que você tá vivendo aí, hein? Eh, que que você tem feito [música] para recomeçar? Tá se reinventando ou tem alguma dúvida? Manda mensagem 1997829377. Daqui a pouquinho a gente já começa a interagir com você que tá aí do outro lado. Chama as meninas pra sala, toda a família, porque o papo vai render hoje, hein? Vamos falar de maturidade. Enquanto isso, você vai mandando mensagem. Eu vou atualizar as notas para você. Vamos lá. A Prefeitura de Campinas realiza sexta-feira, dia 30, amanhã, [música] o primeiro verão de emprego e oportunidade de 2026. O evento acontece das 9 da manhã às 4 da tarde no Palácio da Cidade, na Praça Guilherme de Almeida, no centro, com mais de 1000 vagas e participação de 16 empresas. [música] Os candidatos passam por triagem do CEPAT antes das entrevistas. Também haverá atendimento da Casa do Empreendedor com orientação ao MEI, além do SEBRAI e Banco do Povo. Destaque para eh saúde são 300 vagas de contratação imediata na área de logística para o Centro de Distribuição [música] em Itupeva. E os salários variam aí entre R$900 e R$ 5.500 [música] e sem exigência de experiência, hein? Então, para participar é preciso levar documento com foto, currículo impresso e carteira de trabalho. O Cepat eh centro e os postos [música] Agiliza Campo Grande e Agiliza Ouro Verde não vão funcionar então no dia do feirão, tá bom? Vai ficar concentrado [música] somente em um. Para mais informações, acesse lá o site do CEPAT e também da Prefeitura de Campinas. E a Câmara de Campinas, olha que legal, manteve o índice de transparência pública acima de 90% e recebeu selo ouro da Associação dos [música] Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, a Tricomon. O resultado é do quarto ciclo do Programa Nacional de Transparência [música] Pública, que avaliou 10.072 1072 portais de órgãos públicos em todo o país. [música] Ah, na edição de 2025 do Programa Nacional de Transparência Pública, a Câmara de Campinas alcançou 91,87% acima da média nacional dos legislativos e também da média dos legislativos municipais do estado de São [música] Paulo. No recorte de 10 maiores cidades paulistas com mais de 500.000 habitantes, Campinas ficou em primeiro lugar à [música] frente da Câmara de São José dos Campos. Muito bem. Transparência é [música] importante. Importante que você acesse o site, confira todas as informações. Câmara de Campinas. Agora a previsão do tempo para hoje. Como é que fica o tempo hoje, hein? E aquela chuva que deu ontem, hein? É isso aí. É [música] clima de verão, né, gente? Hoje nós temos sol com muitas nuvens e pancadas de chuva à tarde. À noite, de acordo com a previsão, ocorre temporal. A mínima de 19, máxima de 30º. E agora sim, vamos bora nosso tema central, apresentação das nossas convidadas e falar de maturidade. Maturidade é muito mais do que aquele número no RG que mostra que você já tá 50, 60, né? É um processo, gente, de desenvolvimento mental e emocional que nos dá ferramentas pra gente lidar com a vida de uma forma equilibrada e mais sensata. Hoje o Brasil tem mais de 300 milhões de pessoas acima de 60 anos. E a grande maioria é composta por mulheres que estão redefinindo o que é ser madura no século XX. Elas estão voltando pra faculdade, iniciando novos amores, cuidando da mente com uma prioridade que não tinham aos 20 anos. Você, mulher, eh, 50 mais, você aceitaria a proposta de voltar para os 20 anos agora? Eu não. Então, então vamos lá, vamos conversar sobre isso. A gente recebe para falar sobre esse universo a Paula Cavinato. Ela é psicóloga, psicanalista, doutoranda em saúde mental da mulher. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Bom dia a todos. É um prazer estar aqui para falar desse tema tão relevante e fundamental que é o que é ser mulher na atualidade? Caminhos e desafios. Uau, que delícia de bate-papo. Porque para completar ah o nosso time, que eu falo que isso aqui é um time grande, a Cácia Gargantini, jornalista e traz pra gente sua vivência e perspectiva sobre essa fase que a gente tá vivendo. Bom dia, seja bem-vinda. Bom dia, Rúbia. Bom dia a todas. Espero que vocês participem com a gente. É um papo muito legal e momento de se reinventar, né, gente? Não é momento de parar não. Então, maturidade é tudo de bom. Bora que bora. Então, a gente já começa perguntando pra Paula, porque a Cácia ela traz pra gente a vivência. É, ela hoje é a personagem do nosso programa, né? E a Paula vai trazer pra gente a questão da psicologia, né? Ô Paulo, por que que a mulher ao envelhecer ainda carrega tanto peso e pressão estética, né? Enquanto o homem ainda a o envelhecer do homem é visto como um charme, um ganho de experiência. Você acha que isso ainda existe ou isso já está caindo por terra? Esse esse tabu está sendo quebrado? Qual que é a visão da psicologia sobre essa maturidade feminina? Acho que é importante a gente ressaltar que envelhecimento não é sinônimo de de adoecimento. Amadurecimento é uma transição que as pessoas passam na vida. Então, é importante a gente ressaltar que ponto de vista psicológico, a gente vai ter marcadores que são influenciados pela parte biológica e pela parte social. Sabemos que ponto de vista social as mulheres carregam sim alguns pesos sociais, como o cuidado, a pressão estética aumentada. Então, a gente vai perceber, por exemplo, um homem eh grisalho é considerado um homem charmoso. Uma mulher que faz a opção de não pintar os cabelos e e deixa os cabelos grisalhos, é uma mulher que vai ser considerada relaxada, relapsa. Então, a pressão estética ainda é um dispositivo de de validação muito potente para as mulheres. Elas acabam sofrendo muito eh nessa relação com o espelho no processo de maturidade. Os homens também sofrem, mas muito menos. O dispositivo de validação masculina tá muito mais relacionado à produtividade, eficácia do que padrões estéticos. Então, a pressão estética para as mulheres ainda é maior e isso traz consequências emocionais. Exato. Parece que a sociedade impõe uma corrida contra o tempo e acaba drenando a energia emocional feminina, né? Agora, para falar dessa energia emocional feminina, a Cácia, jornalista, mulher na maturidade, trabalha, conversa, bate-papo com mulheres eh eh maduras, né? Como é que você percebe a sociedade eh mediante essa nova forma eh da maturidade feminina que vem surgindo? Então, Rúbia, eu penso que primeiro a gente tem que trabalhar um pouquinho essa palavra envelhecer. Uhum. Né? Porque o velho, eu conheço pessoas de 20 anos que são velhas e eu conheço pessoas de 70 anos que são extremamente jovens. Então assim, eu ouço um podcast assim semanal semanalmente que a primeira pergunta é quando a gente começa a envelhecer? Uhum. Então, entender isso que a gente começa a envelhecer, no meu ponto de vista, quando a gente para de sonhar, é o primeiro passo pra gente entender em que momento a gente tá, porque eu posso me sentir velha, como eu posso me sentir uma menina, dependendo do comportamento que eu tiver diante da vida, dos sonhos, do propósito. Então hoje, de acordo com a expectativa de vida que a gente tem, que aumentou muito por conta de cuidados, por conta da medicina tá atualizada, a gente tem uma expectativa de vida hoje, a mulher de 80 anos, então quando ela faz 50, ela tem mais 30 pela frente. Uhum. Aí ela tem que decidir se ela é velha ou se ela não é velha. E aí ela tem que parar e pensar eu, o que eu ainda quero ou eu não quero mais nada. E a sociedade não pode ser a mola propulsora disso, tem que ser uma coisa interna, tipo o que eu já vivi me permite ter uma construção melhor até os 80. E tem uma coisa também, a gente tem muita dificuldade de reconhecer o que a gente fez. Uhum. Então a gente acha que tipo, ai 50, 55, 60, nossa gente não tem mais tempo, tem tempo para tudo. Tá cheio de mulher, tá cheio assim, eu falo por mulheres porque é o meu público, é com quem eu trabalho e é quem eu percebo esse movimento de reinvenção de carreira, de vida social, de vida pessoal, reinvenção de comportamento. deixo de ser aquela mulher dura para est um pouco mais leve diante do que acontece. É o tal do fala com a minha mão, não tô a fim de me preocupar hoje, quero dormir até mais tarde, vou trabalhar, vou estudar. Eu percebo também, até por convivência, eh, que os homens não estão ainda despertando para isso. Exatamente. Quando a gente fala dessa desse despertar masculino, ã, a gente percebe que realmente e o homem, a, na verdade, a gente tem uma uma questão cultural, né, de que a mulher ela é o sexo frágil, o homem é o provedor e só que as coisas já não são mais assim, né? Quantas mulheres elas são por si só, elas sustentam família, elas trabalham, elas estudam e aí o universo masculino fica meio perdido nesse quesito, né? O que é ser mulher hoje em dia? A gente evoluiu bastante na sua na sua visão, Paula. tem muito que acontecer ainda, mas eu acho que a visão da mulher, a mentalidade, ela tem evoluído muito, né, nessa nessa situação aí de de maturidade e de vamos lá, eu consigo, eu vou, eu posso, eu faço. Claro, nós estamos enfrentando uma transição de cultura, o que é algo muito importante da gente ressaltar. Então, a mulher, se a gente pensar na figura feminina, 150 anos atrás, uma mulher de 45 anos, que é a minha idade, eh, já não tinha muita perspectiva, né? Já tinha criado seus filhos, nós não tínhamos carreira, nós não estudávamos, nós éramos estimuladas para o casamento. Então, o padrão de beleza extremamente ali eh pontuado, porque se você não for bela, você não vai ser escolhida. Se você não for escolhida, você não vai construir uma família. Se você não construiu uma família, você não vai ter filhos e você não é uma mulher. Pronto. Então, tava definido o que era ser mulher, para que servia uma mulher, para cuidar, para para eh maternar, né? Então, tinha todo um papel social muito restrito ao ambiente de casa. as mulheres não saíam eh das suas casas para estudar, as mulheres não tinham autonomia em relação ao próprio direito, ao próprio dinheiro. Isso não era possível para as mulheres. E de acordo com a evolução dos tempos, os movimentos organizados de de mulheres e as lutas dos mesmos t sim conseguido eh direitos importantes e fundamentais. E nós vemos hoje as mulheres estudando, garantindo direitos, trabalhando. Bom, a questão do voto já é antiga, né? Mas a partir de muita luta também. Então, a gente tá vendo o que num primeiro momento as mulheres eram muito mais objetificadas, não no sentido corporal, sexual, só quando uma mulher não é considerada um sujeito de desejo, um sujeito que fala, um sujeito que escolhe, um sujeito de autonomia, essa mulher não tá sendo considerada como um indivíduo, e sim como um objeto do desejo de outro, como um objeto da cultura. o que pode ou não pode fazer uma mulher. Então nós mulheres, assim como os estudos científicos, temos avançado bastante nessa ocupação de espaço e nessa apropriação desse lugar que é nosso por direito. Rúbia, eu vou até seguir. [risadas] Eu participo de um grupo de mulheres, aliás, eu tenho vários grupos de mulheres de discussão. E essa semana a pergunta foi sobre utilidade. E aí você falando sobre isso, Paula, me traz exatamente isso. Aí me fizeram a pergunta: eh, você quer ser para um, você quer ser útil para um homem? Eu falei: "Mas é óbvio que eu não quero ser útil para um homem. Mas que que questão é essa de utilidade? [risadas] Aonde que tá vindo isso?" E vem de toda essa história. Então, a mulher também ela não se sentia bem enquanto ela não fosse útil, salvadora, servidora do homem, dos filhos, da família. Não que não precise. Então a gente precisa deixar muito claro que são questões de escolha também. Se uma moça hoje jovem quer se casar e viver paraa família, tá tudo bem, tá tudo bem, é decisão dela. Mas não existe mais essa obrigatoriedade. Então, mulheres a partir dos 50 e eu li ainda esses dias, elas estão cada vez mais pedindo divórcio. Verdade. Porque é uma geração que entendeu que não não faz sentido, não agrega, não tem propósito ser útil. Você tem que ser amada, você tem que ser respeitada, você não tem que ser útil, você não tem que lavar roupa. Você até pode lavar roupa, mas se for uma troca produtiva, mas não, eu não vou ficar casada porque eu sou útil para ele. Eu vou ficar casada se eu tiver sim sendo amada, sendo querida, sendo admirada. Todo mundo quer ser admirado. A questão da escolha, né? E aí me vem também essa coisa, os divórcios aumentando, as mulheres querendo eh estar um pouco sozinhas, aí passa um período, elas já querem de novo uma relação e aí elas começam a descobrir homens que fragilizaram. Então a gente passou do papel da frágil para forte e eles passaram do papel de forte para fracos. Que que você acha? Paula, tô errada. [risadas] Não, não está. Toda vez que a gente tem uma transição de cultura, marcadores culturais em transição, nós vamos eh experimentar mudanças psicossociais em homens, mulheres e na sociedade como um todo. Num primeiro momento, a função social da mulher, como eu falei anteriormente, era extremamente restrita. E nós estamos vindo com tudo aí, não só do ponto de vista da luta do movimento organizado de mulheres, mas das pesquisas científicas em relação à história das mulheres. Se a gente pega a história das mulheres aí nos últimos 1000 anos, é uma história triste. É uma história triste, de submissão, de subseviência. É uma história onde as mulheres não foram consideradas enquanto sujeitos. Neste momento da cultura que nós avançamos, os homens parecem ter ficado um tanto quanto perdidos, né? Então, um tanto quanto fal: [risadas] "Ah, que delicada!". Ou seja, antigamente as mulheres queriam alguma coisa. Queriam o quê? encontrar um marido, de preferência provedor, para que elas pudessem ficar ali nas suas casas fazendo as funções pelas quais a sociedade tinha definido que elas serviam. Úteis, úteis. Utilidade, né? Por isso que eu falo muito da relação sujeito, objeto. Se eu sou um sujeito, eu sou respeitada como um ser humano de desejos, de autonomias. Se eu sou objetificada, eu sou útil. Eu sirvo para que está a favor de quem essa ideia social de que a mulher pertence a alguém? Então hoje no consultório os homens, mulheres falam: "Paula, mas o que que tá acontecendo? As mulheres não querem mais se casar?" Sim, as mulheres querem se casar. O que mudou? O estilo de vida e de casamento e de expectativa que as mulheres têm. O que as mulheres querem? Se casar por amor. Não se casar para sair da casa dos pais. como acontecia antigamente, não se casar eh para servir, não se casar para ser dominada. As mulheres querem se casar, mas querem ter autonomia financeira, querem ter autonomia em relação aos seus desejos, ao seu dinheiro, a ir e vir, querem ter autonomia para educar os seus filhos. As mulheres não querem só obedecer, as mulheres querem existir, né, enquanto sujeitos de si mesmas. E é isso que está complicando, o que é papel do homem, o que é papel da mulher. É importante que a gente entenda que nós não estamos aqui eh disputando. Esse é um assunto que interessa toda a sociedade. Nós vivemos numa cultura com marcadores sociais, patriarcais, machistas. Tá aí o índice de feminicídio, de violência contra a mulher. Eh, pra gente comprovar isso, nós estamos sim numa transição de cultura. Inicialmente a mulher muito independente, muito dona de si, não era bem vista. Uhum. Socialmente falando. Hoje isso tá mudando. Mas vejo ainda os homens muito perdidos. Os homens querem aquela referência antiga e as mulheres a negam completamente porque já acordaram, Rúbia, já despertaram. Exatamente. Aí vem aquela coisa, né? Eh, independente da idade da mulher. Eh, a minha geração, por exemplo, ela vem do que você falou, eh, de histórias muito mal vividas. Uhum. Então, eu acredito, tá, não vou falar sobre isso aqui, mas eu acredito sim que a gente traz dor de ancestralidade, sim. Uma coisa de tá sempre lutando para sobreviver. Uhum. Eh, durante muitos anos, as mulheres, a minha mãe, por exemplo, ela não entendeu isso, então ela só lutava, então a vida era meio mais complicada ainda. Mas agora a essas gerações vai de 50, 60, elas já entendem que elas têm que mudar esse padrão de comportamento. Uhum. E aí elas vão procurar, exatamente o que você falou, que foi super interessante, elas querem ser amadas. Uhum. Eu acho que o homem não percebeu ainda esta mudança de comportamento para ele, então ele não sabe dar esse amor. Por que que eu tô te falando isso? Porque eu tenho uma mentoria que é focada só para mulheres. Eu tenho um monte de homem que me procura. Eu tô pensando em produzir um em fazer um produto, mas assim, eu não tenho, né, aquela coisa de voz de fala, eu não tenho a vivência de um homem. Então, como é que eu vou ensiná-lo? como é que eu vou trabalhar o comportamento dele? Eu tô pensando muito nessa possibilidade de criar um produto de comportamento para homem, para tipo mesmo, não é mais uma disputa, ninguém quer competir com vocês. A gente só quer que mesmo jeito que a gente tá ressignificando posicionamento na sociedade, vocês também façam isso. Entendam o que é o amor verdadeiro, sem esperar que a mulher seja só útil e sem se assustar. com a mulher que não precisa de você. Uhum. E vou falar que isso é com 30, 40, 50, 60, porque aí eu trago um recorte legal, que a mulher de 60 que está sozinha, ela quer encontrar um amor ainda. Uhum. Muitas vezes ela teve um casamento fracassado por falta de humor, então ela ainda tem aquela expectativa, não, eu vou encontrar alguém que me me cuide melhor. Isso não é fragilidade, tá? Isso não é carência. Eu não entendo isso como carência nem fragilidade. Eu entendo isso ainda como propósito de vida. Uhum. Tipo, eu ainda quero viver curtindo com alguém que seja um bom companheiro. Uhum. E aí a gente tem que trazer essa construção de mudança de comportamento pro homem também, porque senão a gente não vai sair da zona de guerra. Claro, porque a gente fica no papel de tá cobrando deles alguma coisa. Não tô te cobrando nada, só queria que você fosse gente. Uhum. Né? Sim, acho que aquela coisa, só queria que você compreendesse que relações são troquas. E eu falo isso no campo emocional, mas também no profissional. Uhum. E resumo isso tudo a uma palavra. Os homens precisam, a sociedade precisa respeitar a mulher, a mulher precisa se respeitar, precisa parar de competir com a outra para poder ter uma força maior de representatividade. Toda mulher traz consigo uma uma história, uma emoção única e rara que é do amor. Mulher pronta, mulher sempre foi pronta para amar. Por isso que ela é pronta para ter filhos, por isso que ela é pronta. E assim, essa mudança do papel dela de útil para viver um amor, ela precisa ser entendida por todos, até pelas próprias mulheres. Claro, é importante ressaltar que os a transição de cultura favorece a toda a sociedade, homens e mulheres. A nossa cultura detona emocionalmente tanto os homens quanto as mulheres. Os homens porque não podem chorar, porque não podem se fragilizar, porque não podem pedir ajuda, porque tem que ter dinheiro, tem que ser eficiente, tem que ser viril, tem que tem que tem que ser uma série de coisas. Assim como a mulher tem que respeitar ali uma cartilha social gigantesca. Então, o que que a gente tá percebendo? A sociedade prepara os homens para amar muitas coisas, inclusive uma mulher, enquanto a sociedade prepara a mulher para amar um homem. Uhum. Ah, perfeito. Então, nós temos aí uma questão complexa. Ao longo do processo de maturidade, este homem, ele tem muitas coisas. Ele tem a roda de amigos, ele tem o futebol, ele tem o jogo dele, ele tem várias coisas, hobbies, possibilidades, né, de lazer, de prazer, enquanto a mulher ainda tem uma sobrecarga de trabalho doméstico, de cuidados que que a sobrecarregam e isso também impacta fundamentalmente na saúde mental. Então, o que que está acontecendo? Nós mulheres, a partir dos estudos, a partir do avanço dos movimentos organizados de mulheres, a partir das informações que hoje circulam nas redes sociais, na minha juventude eu precisaria ler no dicionário, na Barça, né? [risadas] Estávamos em outro marcador de cultura. Então, eu penso, eu sempre dou um exemplo para as pacientes e e para os pacientes. Se antigamente quando eu queria falar com alguém, eu precisava ou telefonar no telefone fixo ou eu enviava uma carta. Hoje nós não fazemos mais isso porque nós temos evoluções acontecendo na sociedade. Se eu preciso enviar uma mensagem para alguém, eu posso pegar alguém que tá na China e enviar um WhatsApp. Quer dizer, se tudo está avançando, por que é que existe uma resistência tamanha e entender que a mulher também hoje demanda uma outra atenção, ocupa um outro lugar na sociedade e faz história tanto quanto os homens? Isso não é uma disputa, como a gente vinha falando, isso é uma necessidade de atualização. E mais uma vez, não é só sobre a o amor, o amadurecimento, ele não traz pra mulher a necessidade só do amor de homem e mulher. Quando eu falo de necessidade de amor, é para as mulheres despertarem que elas podem descobrir diversas [risadas] paixões da maturidade. Claro. Inclusive os estudos comprovam que quando as pessoas se vinculam, quando existem vínculos, quando essas mulheres estão em rodas de mulheres, em atividades, elas ficam melhores do ponto de vista da saúde mental, da saúde física. Ou seja, amores. Eu posso amar muitas coisas. Eu posso amar as minhas amigas, eu posso amar a minha família, eu posso amar a minha carreira, eu posso ter um hobby. Se eu envelheço e amadureço com propósito, com sentido de vida, com projeto, eu vou amadurecer melhor, eu vou envelhecer melhor, eu vou adoecer menos. Agora, esse projeto de vida tem relação com esses marcadores de cultura e nós precisamos então enquanto sociedade atualizar esses marcadores sociais. É muito importante que não vejamos mais a mulher como alguém que é fragilizada, que precisa de um homem, que precisa de um outro. Isso não significa que a independência e a autonomia eh não fazem com que a mulher deseje. Então, a mulher pode desejar um companheiro, desejar um parceiro ou parceira, enfim. Eh, a mulher ela pode o que ela quiser e a sociedade tem que tá preparada para acompanhar essas mudanças fundamentais. São mudanças, né? Mudanças. Quando você fala em mudanças, e a gente tá falando da maturidade, tem as mudanças emocionais, as mudanças físicas que a mulher passa, eh, a mesmo com tudo isso que a gente já vem falando aqui da maturidade, eh, do desenvolvimento, né, desse novo processo, essa nova forma de viver, a gente precisa lembrar que para chegar nessa maturidade, a gente passa por um longo caminho e um caminho desafiador. E a gente eh tem a questão da saúde mental, que é fundamental pra gente ter esse desenvolvimento quando a gente está na maturidade, né? Porque você precisa é ter o autoconhecimento para você saber quem você é, para onde você quer ir e como você vai lidar com seus monstrinhos internos. Porque ser mulher é desafiador. Não pensa aqui que estão vendo três mulheres plenas falando sobre a maturidade. Não pensa que nós não temos desafios, não temos sim e são muitos. Só que todo esse processo envolve o autoconhecimento. E aí quando eu falo da saúde emocional, da saúde física, eu pergunto para você, Paula, a questão da menopausa, que é um dos pontos que é um marco da mulher, é uma fase que encerrou e tá iniciando outra e essa menopausa vem com a maturidade e aí vem um conflito que não são todas as mulheres que estão preparadas. Claro, a gente tá falando aqui do desenvolvimento da mulher, que a mulher ela tá voando, show. Só que esse é um ponto crucial onde a saúde física e a saúde mental, elas precisam estar conectadas para que a gente possa controlar esse voo aí tão almejado por todas nós, não é? Gostaria que você falasse um pouquinho sobre. Claro. Bom, a menopausa é um processo desafiador para todas as mulheres, porque envolvem mudanças biopsicossociais. Então nós vamos ter mudanças no corpo físico, mudanças biológicas, mudanças fisiológicas, quedas hormonais que provocam outros sinais e sintomas. Eh, eu costumo dizer que a menopausa é a fase em que a mulher eh perde a capacidade reprodutora e não a capacidade produtora, produtiva, né? Então, eh uma mulher antigamente que chegava na menopausa estava velha. Uhum. estava praticamente no fim da vida, estava praticamente aposentada inclusive de seus projetos pessoais. Hoje sabemos que não. Embora a menopausa seja um processo de atravessamento importante que passa aí, como eu falei, por marcadores biopsicossociais, eh você tem condição de atravessar essa fase de diversas maneiras. Hum. Você pode construir uma terceira idade eh interessante a partir do momento que você se cuida. Nós sabemos que alimentação adequada, baixa ingestão de açúcares e gorduras, atividade física, vínculos, afetos, que tudo isso compõe a saúde mental da mulher. Porém, quando ela chega na menopausa, ela vai experimentar muitas vezes, pela primeira vez, sintomas deprimidos, confusão mental, memória, então dificuldades para dormir. Então, existem uma série de sintomas e sinais que atravessam essa fase da vida da mulher. Então, como eu falei anteriormente, eh, a menopausa, ela é marcada por uma ausência de possibilidade reprodutiva e não produtiva. Então, nós precisamos pensar, obviamente, buscar atendimento médico para ver a necessidade de realização de exames, de ver a questão de reposição de hormônios, enfim, toda a parte eh biológica, mas é importante que nos cuidemos do ponto de vista emocional. É uma fase desafiadora, mas não é o fim da linha. Muito pelo contrário. Qual a parte boa de uma mulher madura? A mulher madura, ela já não está mais muito preocupada com o que os outros vão dizer, com o que os outros vão pensar. Ela já tá mais em posse da própria história, ela tem mais condição de integrar e se orgulhar da caminhada que ela fez até aqui. Então, nós não podemos vincular a menopausa como fim da linha. muito, pelo contrário, tá aqui a Cásia maravilhosa, né, para ser comprovação disso. Então, a menopausa não é o fim, a menopausa é uma transição da vida da mulher, mas nós precisamos nos preparar para isso. É a a boa notícia, Paula, é que passa. Olha que maravilha. Como que como que você passou por essa fase assim, eh, o encerramento de um ciclo e início eh de um novo ciclo na vida. Foi horroroso. Foi horroroso. Não tem o que falar. Assim, tem mulheres que dizem que passam de uma maneira natural, mas paraa grande maioria e a gente se sente assim totalmente fragilizada. A gente se sente, a gente tem dor, a gente, algumas durante a menopausa tem muitos sangramentos, eh, e é aquela coisa que é instável. Então, aconteceu comigo, como acontece com várias. Às vezes você acha que já parou de menstruar e você tá no meio de um evento, de uma situação e é super constrangedor. E aí mais uma coisa que pega muito nesse momento, quando você tem aquele folgate, aquele calor assim e você tá numa reunião que aconteceu comigo com um monte de homens ar condicionados a 100º e você pingando de suar vermelha, ainda mais eu que sou branca, você fica extremamente constrangida. Verdade. A você fala e é por quê? Porque o olhar deles é assim, tá na menopausa. Uhum. E assim, é um olhar de repressão. E aí eu não falo só saúde mental, porque eu não tenho propriedade para isso. Eu falo sobre comportamento. Como que a gente se comporta? A gente ainda se comporta com vergonha. Como se fosse um momento de uma doença tem que se esconder, ficar isolado, né? Porque então, tipo assim, passa. Eu entrei na menopausa com 49, com 51 eu tirei útero. Uhum. E o que eu acho que do ponto de vista de saúde mental pode ser complicado é a mulher realmente entender que ela parou de ser reprodutiva e tem dois viés de olhar. Isso pode ser uma bênção. Uhum. Né? Você não é mais produtivo e a partir daí você tá livre para sonhar. [risadas] Ou você pode transformar isso numa dor. Eu preferi transformar numa bênção. E foi libertador, né? Faz assim mais de 10 anos. que eu já saí da menopausa, mas eu faço reposição hormonal até hoje e aquilo não ficou para mim, mesmo eu não tendo rede de apoio para entender que não era definitivo, eu trabalhei muito a minha a minha disposição a reposição hormonal, eu fui buscar médicos, eu fui buscar especialistas que pudessem me ajudar, mas hoje eu encontro muitas mulheres que ainda não vão vão atrás de ajuda, que ainda acham que é uma coisa, ah, eu tenho que passar por isso. Não, a Paula falou, tem suporte psicológico, tem suporte biológico, hoje tem médicos incríveis para te ajudar a passar por isso. E sobretudo vai passar. E quando passar você vai se sentir tão plena para ir paraa praia o dia que você quiser, para namorar com quem você quiser, para fazer o que você quiser e você já não tem mais aquela situação difícil que você carregou. Difícil vai para muitos que você carregou uma vida inteira. tava brincando com uma amiga esses dias e eu falei para ela assim: "A menstruação é um processo eh que só quem vive, só as mulheres para saber, porque você passa s dias menstruando, aí você passa quatro dias bens, depois você já começa, seu corpo já começa a se preparar de novo." Ou seja, metade do seu mês você está ali instável do ponto de vista do ciclo feminino. Menopaus é libertador. [risadas] É só um período de dificuldade, mas é libertador. E que bom você falar que vai passar. Vai passar. Eu tô aqui, gente, eu acabei de fazer 60 anos. Eu sou uma mulher mega feliz, cheia de propósito, cheia de vida, porque eu não deixei o que me aconteceu ser a mola propulsora da minha vida. Não, o que me aconteceu que foi difícil, tive quatro miomas, passei muito mal, fui internada de emergência, fui operada de emergência, isso tudo durante a menopausa, não dormia à noite. Uhum. Queria morrer, não queria. Sexo para mim era o vilão da minha vida. Gente, é tudo biológico quando você passa e você olha para trás, fala: "Não, pera lá, isso aconteceu e passou". Uhum. Agora eu vou fazer da minha vida agora eu sou livre daquele peso hormonal. Sim. É que até chegar nesse ponto, né, Rúbia? Atravessar um deserto. É um deserto, não é uma estrada, né? e logo em breve vou vou ficar alena, [risadas] vai atingir. E acho um ponto importante a gente ressaltar também, meninas, dessa questão da menopausa, que a gente vê muito nas pacientes em clínica, é o seguinte: nessa fase aonde a mulher vai experimentar e essas mudanças importantes no corpo, ela também eh quando mãe, geralmente está vivenciando aquele momento que os filhos estão caindo fora isso, os filhos estão crescendo, saindo de casa, indo estudar ou se casando, enfim. E a mulher fica tanto com sintomas da menopausa, quanto com a questão social de mudança de rotina, mudança de papéis. Ah, o que que aconteceu comigo? Para que eu sirvo agora? Então, é importante a gente marcar que para além das questões biológicas, essa costuma ser uma fase de grande mudança social também na vida das mulheres. Passou por isso, Cásia? passei e acho que a boa notícia que a gente tem hoje é que a gente tem rede de apoio para passar por isso, tá? Então o que acontece na época que eu passei pela minha menopausa, a internet não era uma coisa tão importante na vida da gente. Hoje você pode procurar por meio da própria internet possibilidades de grupo de mulheres de apoio, de mentorias, como que eu faço? Você pode procurar médicos especializados, você tem, então assim, você não precisa passar por isso sozinho. Eu passei pela síndrome do ninho vazio. Olha só que interessante, tá? Eu passei pela síndrome do ninho vazio faz uns 10, 12 anos, quando os meus filhos saíram de casa, foram morar em São Paulo. Mesmo morando em São Paulo, não foi uma coisa muito difícil que eu me adaptei. Então, a gente ia, voltava, fui morar numa casa onde eles podiam vir todo final de semana. Então eu fui me reorganizando para continuar com eles e agora eu tô exatamente no momento que eles estão indo embora do país, os dois ao mesmo tempo. Então agora, aos 60 anos é que eu parei para pensar, agora é só comigo. Uhum. Então agora eu tô passando por um processo difícil de me encontrar. Uhum. Né? Aquela coisa assim, puxa vida, eu não tenho mais que preparar minha casa para eles virem. Eu não tenho mais que fazer compras porque eles estão chegando. Eu não tenho mais que organizar a minha vida em função deles. Exatamente. Olha a mudança biopsicosocial. Nós não estamos falando só de uma mudança biológica e sim de uma mudança de contexto de vida. Não é só durante a menopausa que isso vai te acontecer. A vida é uma montanha russa de emoções. Se você não olhar paraa vida com este olhar positivo e não procurar ajuda para passar por isso, porque a coisa mais nobre e o começo eh de um bom tratamento de cura é reconheci dor, né, doutor? Claro, claro, sem dúvida. Quando você fala de positividade, do olhar positivo, é claro que quando a gente tem um olhar entusiasmado, um olhar positivo, eh fica mais fácil, mas até que a gente encontre esse olhar positivo, né? a gente não pode trabalhar com a positividade tóxica também, aquela coisa da plenitude, porque isso a gente sabe que é utópico. Então, para eu conseguir chegar, né, a olhar para um processo de maturidade, de envelhecimento, com o olhar positivo, inicialmente eu preciso acolher as minhas dores. Acolher que não está fácil, acolher que não é simples envelhecer, acolher que o corpo padece, que o corpo tem um outro ritmo. É muito importante, eu falo isso direto para as pacientes, que quando nós nos entendemos no capítulo 50 do nosso livro da vida, é complicado que no capítulo 50 a gente ainda queira escrever as mesmas coisas do capítulo 30. Impossível. Então eu fico ali compando e aí eu vou me sentir deprimida, eu vou me sentir muito mal. Por quê? Porque eu estou querendo continuar uma vivência que tava ali no capítulo 30, no capítulo 35, sendo que ao 50 eu não posso me comparar com quando eu tinha 30, porque eu vou me sentir muito mal. Então, cada capítulo da nossa vida, cada fase de maturação, é uma fase específica. A gente não pode entender o envelhecimento, o amadurecimento como um declínio e sim como uma transição, né? E nem a baboseira da melhor idade também, né? Porque senão a gente fica romantizando o envelhecimento e as pessoas não se sentem acolhidas nessa dor de se ver de outra forma, de se ver diferente, de encarar o espelho, de encarar o social. Não é simples. Então, isso que você falou faz muito sentido, né? Eh, a positividade ela se constrói a partir da da nossa necessidade e da aceitação da busca de cura. Uhum. Então, a gente tem que procurar cura naquilo. Eu falo que a vida da gente é construída por três tripés, né? O emocional, o físico e o espiritual. Então, eh, eu hoje sou uma mulher absolutamente feliz, mas eu garanto para você que assim, pelo menos umas duas vezes por semana, eu choro bastante. Uhum. Por quê? Porque eu preciso passar pelo processo de cura de um monte de coisa. Eu faço terapia. Uhum. Eu tenho uma, eu tenho uma, uma busca espiritual muito grande. Eu leio, eu participo, eu faço, eu cuido da minha saúde física, eu faço exercício. Então assim, não sou uma mulher perfeita, não, muito pelo contrário, mas eu tenho a busca por viver melhor. Esse é o start. Então não é não sofrer, não é só ser positiva, é você estar com você e olhar que nem nesse momento, puxa, eu passei os últimos 40 anos da minha vida vivendo pros meus filhos. Agora, definitivamente eles vão continuar precisando de mim, mas definitivamente eles estão fazendo a vida deles. Então assim, quem sou eu agora? Eu podia sentar na minha cama e chorar, chorar, chorar e não sair disso? Não, eu tô procurando entender quem sou eu para ter os próximos 20 anos da minha vida sem ser um peso para eles. Sim. Porque a mulher também tem que entender que o filho não é tábua de salvação, né? Um filho ele não é, você não pode ser uma mala sem alça para um filho. Isso aí para mim é muito claro. Então essa busca por estar bem, envelhecer bem e ser positiva é muito pessoal. O que eu acho que favorece nesse momento esses grupos de apoio. Claro, porque antes você tinha que fazer isso sozinho e tal. Então você ou você comprava um bom livro, os livros de autoajuda começaram há pouco tempo também e também nem acho que é o caminho. Mas assim, quando você ouve outras mulheres falando que já passaram, que já fizeram e com essa verdade de falar, eu choro sim, eu tenho que cuidar da minha criança interior todos os dias, porque ela ainda continua sendo mimada e procurando um monte de coisa. Uhum. Não é porque eu tenho 60 anos que eu já curei isso não. Lá atrás a gente trouxe um monte de coisa e vai se informar, vai procurar saber, procura grupo de apoio, procura terapia. Olha que mulher, como ela fala bem sobre tudo isso, como ela pode te ajudar. Tem mulher que ainda me responde: "Para que que eu vou fazer terapia para ficar falando, falando, falando sobre os meus problemas." Amiga, aprende. É falando, é pondo para fora que você entende o que tá doendo. Terapeuta é uma ferramenta que te permite abrir esse olhar. Então, ser positivo para mim hoje não é sorrir, acenar sempre, mas é olhar pra vida buscando alternativas para ressignificar o seu propósito depois da maturidade. O propósito não é mais ter filhos, criar, manter casamento, nem construir carreira. Depois dos 50 anos, o seu propósito tem que ser se fazer bem. Uhum. Cuidar de você, porque tudo vai ser fazando. Eu tenho 60, meu pai já faleceu, minha mãe tá num caminho também difícil, com 88 anos. É um outro trabalho que eu tenho que fazer. Que que eu vou fazer, meu Deus? Ficar sem a minha mãe vai ser o fim para mim. Sim. Essa questão dos lutos. Então, uma mulher que vai amadurecendo, ela passa por perdas, então ela acumula lutos de pessoas queridas, de pessoas amadas. Existe o luto do próprio corpo, existe o luto pela própria jovialidade, existe, existem crises de identidade. Por exemplo, quando a mulher tem um filho, ela sente um luto pela pessoa que ela foi, que ela não é mais. Quando uma mulher passa pela menopausa e os filhos crescem, ela não é mais tão necessária, né, na vida dos filhos, ela pode ter uma outra crise de identidade. Porque afinal, quem sou eu agora? O que eu faço agora a partir desse novo momento da minha vida? A Cácia falou coisas importantes, mas acho que é relevante a gente ressaltar o seguinte. Hoje, eh, todas as mulheres que estão aqui nos ouvindo, eh, para uma classe social que tem mais informação, mais privilegiada, a gente sabe que o acesso é muito mais simples, mas é importante a gente não perder de vista a mulher periférica, a mulher que tem ali muitas vezes é o é a chefe de família. O Brasil é composto, em sua maioria por mulheres que sustentam suas casas, que são chefes das suas moradias, das suas famílias. Então essa mulher, ela precisa buscar apoio na rede pública de saúde. Eh, toda e qualquer faculdade de psicologia oferta uma clínica escola com atendimentos sem custos paraa população. Então hoje a gente consegue mesmo no o público dos convênios, do privado, mas também a gente tem condição de buscar o atendimento no sistema público de saúde, de buscar o atendimento nas faculdades de psicologia que ofertam atendimentos via clínica, escola. Ou seja, eh precisamos ter em vista também que nem todas as mulheres têm acesso, né? Tem informação suficiente para buscar recursos. Então, é importante, relevante a gente marcar aqui, tem eh possibilidade de cuidado e autocuidado para todas, seja na rede pública, seja na rede privada. Excelente. Olha, 8:51. Produção tá avisando. O papo tá tão bom, mas tá acabando. Não, gente, quando junta mulheres, né, é delicada a situação. Você tá vendo como é que a gente comanda o negócio, porque assim, se ninguém me avisar que tem que encerrar, a gente só vai. A gente só vai. E olha, detalhe, a gente precisa encerrar eh 9 horas, mas nós temos algumas perguntas. Então, o que que a gente vai fazer? Vamos responder aí uma pergunta cada uma pra gente poder fazer as considerações finais. Eu sei que vai ficar aqui três pontinhos que tem muito a ser dito ainda. De repente a gente repete a dose desse programa de vocês, tá bom? [risadas] Então vamos lá. Pode colocar na tela, produção, ao menos duas, pra gente dar aquele bom dia, né, para você que tá aí do outro lado, tá assistindo a gente, quer conversar conosco, a Carolina Pires do Cambuí. A comparação no Instagram da da Gatilho Real, que estratégias práticas ajudam a reduzir esse impacto sem abandonar as redes sociais? Eh, Carolina, a comparação é terrível. A gente vai então acho que pra psicologia, né? Vamos lá, por favor. Que que a gente faz para parar de se comparar? Isso não é bom. Isso não é bom. As mulheres são estimuladas à rivalização por conta dos marcadores sociais. Se eu preciso ser bela para ser escolhida por um homem, eu rivalizo e eu fico me comparando com as outras mulheres. Vamos entender o seguinte. A cultura coloca que somos poderosas a partir do quanto a gente pesa, a partir do nosso, da nossa cor de pele, a partir da nossa religião, quanto de dinheiro a gente tem na nossa conta, quantas viagens internacionais a gente fez. Esses são padrões que não dizem do seu valor, mulher. O empoderamento é um poder que vem de dentro para fora, que consiste justamente em negar esses padrões sociais impostos para que eu sinta que eu tenho valor. Então, a cor da minha pele, o quanto eu peso, o quanto eu tenho na minha conta, que religião eu sigo, isso nada diz do meu valor. Então, a primeira coisa que a gente precisa entender é isso, como os marcadores de cultura nos validam ou invalidam para eu poder conseguir analisar o meu cenário. E tendo em vista que a rede social é um recorte da vida. A vida real não está na rede social. Aquilo que a gente tá vendo ali é um recorte muitas vezes irreal, utópico, ilusório a respeito da vida do outro. Então, quando eu estou bem comigo, eu não preciso ficar aí me comparando. Gente, deixa eu dar uma contribuição bem breve e prática. Vai lá. Se as redes que você está seguindo estão te incomodando, procure outras redes para seguir. Se você procurar por mulheres interessantes, inteligentes, tem muitas na internet que você pode seguir que podem te ajudar a ressignificar tudo isso. Que o que a doutora falou é muito legal, mas tem muita mulher interessante na internet falando coisa boa e não só mostrando o corpo carimunda. Exatamente. É isso mesmo. Vamos lá. 8:54. A última pergunta para você. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá, produção. Pode colocar para Cácia agora e aí a gente já vai paraas considerações finais. Ivana Teixeira do Jardim Aurélia, recomeçar a carreira depois dos 50. Nem deu tempo da gente falar disso, né? O que vocês acham que mais ajuda, rede de apoio, coragem ou estratégia financeira? Cá, eu acho que precisa de uma rede de apoio para você entender o que você quer. Eu acho que precisa de discussões, porque assim, recomeçar a carreira depois dos 50 é um processo, tá? Não é uma coisa que você para hoje de trabalhar com RH e amanhã você tá trabalhando com flores. Você precisa de um processo, entender como é que você vai liderar isso, como é que você vai conduzir isso. Então, a princípio, uma rede de apoio, procurar a ajuda para poder entender como é que vai ser esse processo, procurar cursos onde você vai se aperfeiçoar no que você quer, aprender a se posicionar diante de uma nova carreira. Então assim, é mais do que coragem, é buscar realmente o alicerce para essa mudança, para você acertar e saber que vai ter acertos e erros. E tem muita oportunidade. Segue mulheres interessantes, gente. Segue, segue gente que tem coisa boa para falar. Usa a internet pro que te abastece de bom, não pro que vai te diminuir, suga, drena a energia. É verdade, é verdade. Tem tanta coisa boa. @cinquentinha [risadas] é o cinquentinha indica. Eu nem sei se eu sou interessante para vocês, mas tá aí o cinquentinha indica. Eu tento todos os dias fazer uma curadoria de boas notícias, de boas frases. Eu não trabalho com psicologia, eu trabalho com comportamento, mas todo dia tem alguma coisa para te motivar. Uhum. Excelente, gente. 8:55 a gente vai para as considerações finais com essas mulheres maravilhosas que contribuíram tanto em um programa de uma hora. Eu acredito que é é para compartilhar compartilhar informação boa, informação compartilhada. Então, eh agradecendo mesmo. Obrigada pela sua presença, Paula. Eh, gratidão pela sua contribuição, pelas suas falas. Eu acredito que a gente consegue virar chave, sabe, de uma, duas. Isso já tá valendo demais. Muito obrigada. Sem dúvida. Agradeço muito o convite, esse tema tão importante e que possamos entender que [música] a questão da mulher é de ordem de importância para todos nós, para toda a sociedade. Agradeço. Maravilha. A gente agradece você e você mais uma vez, linda, maravilhosa, falante, extravagante, toda, toda. A gente fica muito feliz em saber que isso passa e que a gente pode se reventar, a gente pode recomeçar quando a gente quiser, a gente pode fazer o que a gente quiser. Isso é maravilhoso e você é um exemplo sensacional. Produção, tá de parabéns e obrigada por ter aceitado o nosso convite. Deixa aí uma dica e um recado para essas mulheres que estão se gente. Virei sempre que vocês precisarem. Eu tenho aí um propósito hoje na minha vida realmente de ajudar outras mulheres a passarem pelo que eu passei de uma forma mais simples, né? Eh, de uma forma de enxergar que tudo passa, né? O que é bom passa também, tá? E o que é ruim passa, com certeza. Então, que a gente viva esse processo eh de amadurecer de forma saudável. [música] E tá aí o meu @50quentinha indica. Entra lá, fala comigo. Eu não disponibilizo o telefone por lá, porque realmente a rede é uma coisa que que traz coisas boas e coisas ruins. Mas me chama em box, vamos conversar e assim [música] o que você puder, seja você a mulher da periferia, high ticket, high societ, o que for, mulher é mulher, a dor é nossa. Então vamos junto com rede de apoio, com vontade de fazer dar certo, a gente consegue se ajudar. Exatamente. Juntas, né? Juntas somos mais fortes. Tem que cair por terra essa questão aí de competição feminina. Nós estamos juntas. Apoio, ó, #tamosjunto. É isso, gente. Que programa maravilhoso. A gente agradece mais uma vez os nossos convidados, você aí de casa que acompanhou o nosso programa, muito obrigada. Amanhã Estúdio Câmara mais uma vez ao vivo a partir das 8 da manhã e amanhã a gente desvenda o poder do mindset. Mas afinal o que que é isso, né? É. E a configuração mental? [música] Será que é isso? Bom, como você encara erros e desafios? A boa notícia, gente, é que o mindset ele acontece, ele existe, mas ele não é fixo. Nós vamos te mostrar como é possível a gente treinar e atualizar a forma com que a gente pensa e destravar resultados que a gente nem imagina. Você muda o seu mindset, você troca o erro pela coragem de crescer. E é mais ou menos sobre isso que nós falamos hoje. De repente tá precisando uma virada de chave aí no seu mindset para você encarar a maturidade com mais força aí também com mais leveza. Consegue entender o equilíbrio? É sobre isso que a gente fala amanhã a partir das 8 da manhã é ao vivo. Obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Daqui a pouquinho a ÍRA chegando direto da Central IA, trazendo informações atualizadas Brasil, mundo e também cotação de dólar, euro e tudo mais. Ao meio-dia Câmara Notícia. E a programação da TV Câmara Campinas sempre, né, muito precisa, com muito carinho, muita responsabilidade feita pela nossa equipe do grupo, mais especialmente para você aí de casa. Beijo grande, fique bem e até amanhã, se Deus quiser. Valeu, pessoal. Valeu, meninas. [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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