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Olá, muito bom dia para você que está acompanhando a programação da TV Câmara Campinas. Seja muito bem-vindo. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara ao vivo. Hoje, quarta-feira, metade da semana, já, nossa, quase metade do mês, dia 14 de janeiro de 2026. Bom, o tema de hoje é forte, é necessário, é atual e é urgente. Sim, hoje nós vamos falar sobre a romantização da maternidade. Porque a maternidade ela é amor, sim, mas também é cansaço, é medo, é insegurança, é renúncia, é exaustão. E nem sempre existe espaço para falar sobre isso, gerar, parir, criar, maternar, enfim. Em meio a alegrias e expectativas, também temos angústias, limitações e esgotamento. Muitas mulheres passam pela gestação precisando reduzir a carga do trabalho, recebendo recomendações de médicos, repouso, eh pausando projetos pessoais e profissionais. E aí acabam se perguntando, né, por que ninguém fala sobre a maternidade real com todos os seus desafios? Cada mulher, gente, vive a maternidade de um jeito. Nós somos únicas. Existe as que amam estar grávidas, existe as que não se reconhecem no próprio corpo, existem aquelas que se conectam com o bebê desde o início. Existem aquelas que demoram a construir um vínculo. E é sobre isso que nós vamos falar. Nossas entrevistadas já estão conosco. Nós gostaríamos da sua participação. WhatsApp é aberto para você agora. Nossa produção também está contigo, esperando a sua participação. Conta pra gente como é que foi esse período, né, eh, que você viveu, ou se você ainda não viveu esse período, se você não é mãe ainda, se você quer ser mãe ou se você optou por não ter filhos, eh, você enfrenta julgamentos, tem alguma dúvida em relação à psicologia quando a gente fala desse tema? Então, manda pra gente a sua mensagem, eh, a sua experiência, né? 19978293776. WhatsApp aberto. Nossa produção aguardando a sua participação. Agora a gente atualiza algumas notas e daqui a pouquinho nós vamos apresentar as nossas entrevistadas para você, tá bom? Agora, você que frequenta clube, academia, condomínio ou até piscina de hotel aqui em Campinas, atenção a essa informação importante. A Prefeitura de Campinas sancionou a lei 16.800 1866, conhecida como lei Manuela, que estabelece novas regras de segurança para piscinas de uso coletivo na cidade. A lei, de autoria da vereadora Débora Palermo foi aprovada pela Câmara de Campinas e sancionada pelo prefeito Dário Saat. A partir de agora fica proibido o funcionamento dos motores de sucção enquanto a piscina estiver aberta ao público. Uma medida que busca evitar acidentes graves, principalmente envolvendo crianças. Os motores só poderão ser ligados durante a manutenção com a piscina interditada e aviso visível. Além disso, passa a ser obrigatória a instalação de dispositivos de proteção nos ralos, sistema de alívio de pressão e também botões de emergência ou desligamento automático. Os responsáveis por construção, reforma ou manutenção também deverão apresentar certificados de conformidade. A fiscalização será feita por órgãos municipais com foco inicial na orientação. Mas atenção, quem descumprir a lei pode receber multa a partir de 1500 fix, que são as unidades fiscais de Campinas, e a piscina e a e ter a piscina, aliás, interditada até regularizar a situação. Fico alerta, então, antes de entrar na piscina, observe se o local segue as regras de segurança, tá bom? E claro que a segurança é responsabilidade de todos nós. Mais informação chegando para você. Você que acompanha aqui o trabalho do legislativo, os principais projetos de lei protocolados na Câmara de Campinas em 2026 já começaram a tramitar e tratam de temas importantes da administração pública. As propostas foram encaminhadas pelo prefeito Dário Saad. Entre os destaques está o plano de cargos e carreiras e vencimentos do Campreve. também está em análise e atualização das regras de estudo de impacto de vizinhança para deixar mais claro quando o estudo deve ser exigido em obras, ampliações e regularizações, trazendo então mais segurança jurídica para moradores e empreendedores. Além disso, há propostas de vereadores, como o projeto que obriga a instalação de bebedouros nas estações do BRT e projetos que tratam da alienação e desincorporação de áreas de patrimônio municipal em bairros específicos. Agora, todos esses projetos seguem para análise das comissões permanentes antes de serem votados em plenário, tá? E a gente segue acompanhando, explicando e trazendo tudo para você aqui na TV Câmara Campinas. Vamos falar de previsão do tempo. Como é que fica o tempo hoje? Choveu essa noite, hein? Nossa, acordei que tava uma chuvona. Mirei pro lado e dormi de novo. Maravilha. Vamos à previsão então para hoje. O dia segue com sol entre nuvens, calor e a sensação de abafamento continua. Possibilidade de pancadas isoladas de chuva no fim da tarde. A mínima foi de 19, a máxima de 30º. E agora sim nós vamos ao nosso tema central, a apresentação então das nossas convidadas e a gente fala de novo. Maternidade, gente. Maternidade é atravessada pela história da vida, pela relação com a própria mãe, pelo contexto familiar, social, afetivo. É, independentemente, é, aliás, e independentemente do que a mulher esteja sentindo, ela nem sempre encontra acolhimento, porque a sociedade ainda não aceita que uma mãe possa não estar feliz o tempo todo, né? Para esse debate tão importante, a gente recebe aqui no estúdio as nossas convidadas, Rosângele Monteiro, psicóloga com atuação em psicologia perinatal e parental e também intervação intervenção precoce com bebês. Seja muito bem-vindo, obem-vinda. Obrigada pela sua participação, Rosângele. Obrigada, Rúbia, pelo convite. Acho que vai ser uma conversa muito importante e sensível. É importante e muito sensível, né? Para completar a nossa dupla de hoje é a Janaína Tamiose. Ela é psicóloga com atuação clínica voltada à família perinatalidade, parentalidade. Uau, seja bem-vinda. Bom dia, Janelin. Obrigada. Muito bom dia para todos. Eu diria que é um tema necessário, cada vez mais estarmos falando, principalmente com hoje a modernização das famílias, né? Hum. Gente, essas duas mulheres são especialistas quando a gente fala de maternidade, principalmente dessa romantização, né, Rosâele? Quando a gente fala em romantização de maternidade, do que exatamente que a gente tá falando e por que esse tema é tão necessário ser discutido, principalmente nos tempos de hoje, em que as mulheres elas estão entendendo ah o papel delas, realmente estão buscando eh eh sempre a atualização, né, buscando eh ser mulheres empoderadas. E aí a gente fala de romantização, de maternidade. Qual que a importância desse tema e o que realmente é essa romantização? Você mãe é maravilhoso. É maravilhoso, mas eh a gente tem sempre um outro lado, né? Em todas as situações da nossa vida, né, Rúbia? A romantização da maternidade, ela tem a ver como se nós tivéssemos um préolde de algo que a mulher vive. nessa experiência da maternidade e isso não permite a singularização dessa experiência. Então, é como se todas nós fôssemos eh absolutamente realizadas num primeiro momento. É como se tudo fosse muito simples, natural, ela dá conta, ela sabe o que tem que fazer, ela tá feliz. E na verdade tudo isso pode existir sim, mas ao mesmo tempo pode haver haver muito conflito, muitas dores, muita tristeza, porque um puerpéreo, quem passou por isso sabe que a tristeza é um componente que já praticamente chega, né, com o bebê na figura do baby blues, na experiência do baby blues, que é um fenômeno absolutamente comum, onde 80 85% das mulheres t essa experiência que é uma tristeza. Uhum. não é uma depressão, não é nada que a gente possa chamar, né, de um já de um quadro patológico, mas é uma experiência que muitos associam à queda de hormônios que tem realmente esse fator, mas não é só isso. A gente tá se despedindo de uma série de questões, então um luto muito profundo tá sendo vivido. Como que a gente romantiza uma experiência como essa, não é, Ruber? Exatamente, né? Então, a romantização é essa expectativa de que a mulher está bem, ela tá no lugar dela, ela tá feliz, tá realizada e isso tudo pode ser muito real. A gente só não pode esquecer da outra parte. Exatamente. Agora, Janaína, historicamente, a figura da mãe, né, ela é associada à imagem da mulher perfeita, da mulher sagrada. como é que essa herança cultural ainda influencia a nossa a nossa sociedade, né? E e como que qual é a visão das pessoas, qual que é a sua avaliação da visão das pessoas sobre as mães de hoje? Porque hoje a gente tem muito julgamento. Eu acho que antes tinha também, mas não era tão explícito assim. E hoje existe muito julgamento. Então, a gente traz uma cultura, né? a mulher ela tá em plena mudança e aí a gente em contrapartida tem o julgamento. Então, qual que é a avaliação que você faz sobre todo esse contexto? Eu acho que é importante até entender como que vem esse conceito de a mulher mãe, né? Quando a gente olha no nosso tempo histórico, antigamente as mães elas tinham os filhos e eram entregue à amas de leite, né? e não tinha esse vínculo materno com as crianças. E com o tempo, devido a muitas questões, eh foi sendo aderido ali na fala dos médicos a necessidade dessas crianças estarem junto às mães. Então foi construindo uma imagem de que a mulher é maternal, de que existe esse amor implícito, esse amor incondicional, né? E aí foi carregando todo esse peso, né? pra mulher com essa construção da imagem da maternidade perfeita. Uhum. Hoje a gente lida com os tempos modernos onde a mulher ela tem vários papéis a serem desenvolvidos na sociedade e principalmente a parte profissional, porque a mulher está se realizando profissionalmente, né? Então, com tudo isso, a gente vê quantos papéis a mulher tem essa potência de desenvolver, mas ao mesmo tempo ela ainda é cobrada para ser a mãe perfeita. E a mãe real não é uma mãe perfeita. Então você tem ali a parte de você estar cuidando da sua casa, de você estar cuidando do seu filho, de estar cuidando do seu relacionamento quando você tá num relacionamento. E aí tem que ter uma entrega 100% profissional também diante do mercado. Tudo isso gera um peso muito grande. Como equilibrar todos esses pratos? Como que você pode se tornar perfeita 100% em todos os papéis? Essa perfeição não existe. Exato, né? E quando a Rosângele traz a questão de que a mulher ela ela quando ela tem um filho, ela está ela é uma confusão, porque se você para para analisar, você disse que a gente passa por uma situação de luto, mas ao mesmo tempo a gente celebra a vida, né? Então ela, a mulher ela tá se despedindo de dela para poder encarar uma nova forma de viver. Porque um filho, gente, o filho é para toda a vida. A minha mãe, eu a minha mãe até hoje ela pergunta se eu estou bem, ela e uma vez por semana ela liga para mim, ela quer saber como estou, se tá tudo certo, se tô precisando de alguma coisa, o que que é isso, sabe? E eu estou repetindo isso com a minha filha. Minha filha tem quase 30 anos e eu de manhã ligo: "Filha, tudo bem? Cuidado no trânsito, né? Você tá bem? Tá precisando de alguma coisa?" Então a gente continua sendo mãe, né? E aí no início disso tudo, com certeza cria-se uma confusão muito grande, porque a gente não tá preparada para isso. Ninguém explica pra gente isso. Quando você tá fazendo pré-natal, né? no pré-natal. Vamos ver a nossa saúde, vamos ver a saúde do bebê, a saúde física, mas a saúde mental. Na época, quando eu tive a minha filha, aí eu não tive um acompanhamento psicológico. Qual que é a avaliação disso? a necessidade do acompanhamento psicológico nesse momento. Hoje já é proposto às mulheres que engravidam ou que estão fazendo aí a programação para engravidar um tratamento psicológico antes de e eh de que aconteça a gravidez ou então, se aconteceu a gravidez, vamos lá, vamos fazer o pré-natal, mas também vamos fazer um tratamento psicológico para que você entenda o que tá acontecendo com a sua mente e com o seu corpo a partir de agora. Uhum. Como que acontece isso? está acontecendo. Eh, qual que é a importância eh eh desse tratamento? Uhum. Muito oportuna essa sua colocação, Rúbia, porque a gente tá no janeiro branco, né? Uhum. E o janeiro branco, para para aqueles que não tem essa informação, é um mês dedicado à conscientes. Então, também já aproveitando, né, para dizer que a fase perinatal ela comporta eh uma série de experiências da vida da mulher, da família, que começa lá no processo de tentativa de gravidez, de pré-concepção, passando pela gestação. Uhum. o parto como um evento, né, marcante ali, o pós-parto, puerpéreo e os primeiros anos de vida desse bebê. Uhum. Então veja, eh, quando você pergunta sobre a importância do acompanhamento psicológico, a gente pode pensar em prevenção de saúde mental, que é uma coisa que no nosso país ainda não é, já melhorou bastante. Eu tenho 31 anos de formada, já posso dizer que já melhorou bastante, mas ainda a gente não tem uma consistência na medida em que os profissionais que acompanham todos esses processos, né, da vida da mulher, eh poderiam estar talvez mais atentos, fazer os devidos encaminhamentos, mas aí a gente tá falando de alguém que já demonstra algum tipo de sofrimento psíquico. Uhum. Veja, sofrimento psíquico não é um necessariamente um diagnóstico, é algo que eh talvez anteceda, no caso da depressão, por exemplo, da mulher, né? Ela talvez tenha o baby blues, como eu havia mencionado. Sim. E e depois ela realmente pode mostrar uma dificuldade maior e entrar num quadro de depressãoperal, pós-parto ou perinatal. São todos termos que a gente usa para designar, para falar sobre a o mesmo quadro, né? Uhum. Quando a gente fala em prevenção, a gente tá pensando então que a família e os profissionais, ao menor sinal de detecção de um sofrimento desta mulher, podem dizer: "Olha, você já pensou em buscar uma ajuda, né? Humum. Isso não precisa chegar num nível de de dificuldade maior. Normalmente, né, Janaína, as pessoas nos buscam num momento de extrema dor, né? Chegam no extremo quando já não estão mais dando conta, quando os sintomas são muito expressivos. Uhum. Então nós não precisamos, né, deixar chegar neste ponto, porque para chegar até este momento, né, até essa situação, a mulher já sofreu muito, né, o casal já sofreu muito, se o bebê já chegou, esse bebê, ele tá envolvido, né, nesse processo. Então, é muito importante que esse acompanhamento seja feito, principalmente por validar a importância. Hoje, acho que hoje as pessoas estão mais conscientes da importância da saúde mental, né, em todos os níveis, né? Sim. Mas eh e isso nos eh desloca deste deste conceito da romantização. Uhum. Temos um sofrimento aqui. Exato. E isso desconstrói a romantização. Entende, Rúber? Como é importante isso, né? É super importante isso. A gente para para analisar. você que tá em casa, né, e que já tem o seu filho, sua filha, a importância e a diferença que iria fazer eh no seu momento gestacional ali se você tivesse um acompanhamento psicológico, né, mesmo que você estivesse, bem, não estivesse precisando, mas um acompanhamento psicológico para direcionar e para que para fazer que você possa entender as suas emoções, Janaína, porque A a gestação, todo mundo fala, né, que a gestação ela vem com um turbilhão de emoções. A minha foi um turbilhão de emoções. Tem dia que você tá feliz, tem dia que você tá triste, tem dia que você quer pegar alguém pelo pescocinho, tem dia que você quer sair correndo e a gente não consegue lidar com essas emoções. E o sofrimento já começa aí, já começa a ir. E aí o que acontece? A gente vai consequentemente passar esse sentimento pro bebê. E tem aquelas situações que a mãe é mãe solo. Tem aquela situação em que além de ser solo, ela é literalmente sozinha, sem família nenhuma. Tem aquela situação que a mãe ela não tem uma saúde boa, né? E ela tá com a saúde debilitada e ainda está grávida. Então assim, são n situações que ah nos faz parar para analisar essa questão da romantização da da da maternidade, né? Ser mãe. Que legal. Mas pera aí, será que a sociedade tá preparada para entender que é sim, né, ser um filho? Tudo bem, a gente mas é uma situação em que a mulher ela fica muito vulnerável. Você tem uma palavra que pode acompanhar muito bem a maternidade, eu diria ambiguidade, né? Ambiguidade de sentimentos, porque é muito do que você falou. A gente tá feliz porque quando você olha eh toda essa possibilidade que a maternidade carrega, né? sobre você ter o seu filho, sobre você prospectar um futuro, sobre você se realizar quando é o desejo da mulher ser mãe. Ao mesmo tempo vem o sofrimento, né? Porque quando a gente fala em sofrimento, ele ele carrega muitas questões ali. Você tá tratando muitos lutos, né, na sua vida. Os lutos eles são eh parte importante da nossa vida, porque não é só na maternidade, mas você como ser humano ao longo da vida vai enfrentar muitos lutos. Lutos, eh, que não necessariamente quando a gente fala em luto, são lutos concretos da perda de uma vida de alguém, mas são lutos simbólicos, né? Então, eh, tem três fases na vida da mulher que são fases muito marcantes. A primeira é a menarca, a segunda é a maternidade e a terceira depois vem a menopausa. Então, a maternidade ela traz muita transformação e a gente precisa compreender qual é o contexto histórico dessa maternidade, em que momento da vida dessa mulher aconteceu isso, era algo que ela desejava? ela teve o apoio, o acolhimento, o suporte de pessoas com quem ela se sinta confortável, né, de família, amigo, porque a gente também hoje tem eh muitas famílias nômades, né? Então, eu nasci aqui em São Paulo, em Campinas, mas eu e meu marido ou eu sozinha por conta da minha profissão, fui morar fora do Brasil, fui morar em outro estado e eu não conheço ninguém. Então, cadê a rede de apoio? Rede de apoio é algo essencial para suportar a maternidade, né? Tem até ali o ditado africano, né, que a gente fala, é preciso uma comunidade inteira para cuidar de uma criança, para criar uma criança. Você não consegue dar conta desse papel sozinho. Ter a rede de apoio é extremamente necessário paraa manutenção também da saúde emocional, da saúde mental dessa mãe, dessa família. Então, quando a gente fala em maternidade, são muitas questões a serem consideradas e desde a gestação, esse acompanhamento ele é essencial. Temos hoje muitas profissionais, Rúbia, que são psicólogas perinatais e parentais, que propõe aí um pré-natal psicológico, que seria exatamente você olhar para todas as questões da maternidade desde ali, como a Rua falou, antes da tentativa, quando é o desejo dessa mulher engravidar, né, com um desejo muito forte. E aí tem toda uma questão de preparo que muitas vezes a vontade é tão grande que você não consegue engravidar. Sim. Depois tem toda essa gestação. Como que vai transcorrer essa gestação? Como que tá a saúde física e mental dessa mãe? Em que momento da vida dela tá acontecendo essa gestação? E durante o pré-natal psicológico você consegue ir abordando temas importantes como o cuidado da saúde mental. Uhum. a rede de apoio, o papel do pai diante dessa gestação e na vida, né, depois com o nascimento dessa criança. Eh, os avós, a avosidade também é algo que atravessa muito essa maternidade, que pode est atravessando o papel dessa mãe em desenvolver a sua própria maternidade. Então, veja quantas questões a gente precisa olhar quando fala em tema maternidade. Não é simplesmente, ah, a mulher ficou e grávida e eu já chego toda feliz cumprimentando. Você sabe como que foi essa gestação? Se para ela realmente é algo grato? Verdade. É, é algo assim que você tocou agora que acho que a gente precisa estar atento, né? Você encontra uma amiga que você não via há um tempo e ela está grávida. Aí você chega e: "Ah, que legal! Tá grávida, já vai com a mão na barriga e tal. Será que é esse tipo de acolhimento que ela tá precisando no momento, né? E só que a gente precisa aprender a falar também, né? A gente precisa aprender a externalizar aquilo que a gente tá sentindo. E a mulher quando ela tá grávida, ela costuma, acho que por conta até de toda essa cultura que se criou, né? né? Mulher grávida, mulher forte, você tá linda, grávida. A mulher ela ela acaba não falando o lado não tão bom que é ou o sentimento não tão legal que ela tá eh tendo ali naquele momento. E ela acaba por eh criar uma máscara por conta do que a sociedade impõe nesse momento que para muita gente é aquele momento de glamor. Para quem tá do lado de cá, poxa vida, olha aí, né? Mas e para quem tá realmente vivendo esse turbilhão de emoções, para quem de repente tá sozinha, para quem de repente tá vivendo um sonho, mas não tá entendendo, né, a proporção desse sonho que ela está vivendo. E sem contar isso, a gente tá falando de saúde mental, né? Agora, sem contar com toda eh a alteração, o processo físico que envolve uma gravidez, né? O corpo da mulher vai mudar, ela vai sentir dores eh eh no já quando tiver próximo de ganhar o bebê, as costas, gente, acabam, você não consegue dormir direito, você tem sensações estranhas, eh, de repente dá uma azia, dá uma digestão, dá um negócio estranho, é tontura. Então assim, olha só tanta situação, quanto sentimento físico e e psicológico, né, e que que acontece com a mulher nesse momento. E aí por isso que a gente traz esse tema hoje, romantização, né, da gravidez. Que legal, tô grávida. Tá, mas e agora, né? E agora? Essas mulheres, elas são condicionadas a se sentirem completas se não forem mães. Eu fiz uma pesquisa e eu encontrei essa essa essa situação de mulheres que se não conseguem engravidar, elas eh acabam não se sentindo eh mulheres de verdade. E aí vem aquela questão do tema que nós trouxemos ontem, que é a fertilização, que é a busca, né, pela maternidade. E aí quando conseguem engravidar, entram em um um momento de estress e de frustração, porque não imaginavam que a gravidez seria da forma de repente que ela está vivendo. Então, Rosâelo, explica pra gente essa questão. A mulher, ela necessariamente ela tem que engravidar? Que cultura é essa? Hoje a gente tá vivendo momentos diferentes, né? E não ser mãe também está tudo bem. Qual que é a sua avaliação sobre essa questão? Sim. É, a gente vai voltar sempre paraa experiência singular, né, de cada mulher. Então, a sua decisão você sustenta. Você não sustenta uma decisão que não seja a sua. Uhum. É claro que se a gente, então, a gente pensa numa situação já, né, muito do casal, por exemplo, às vezes a gente tem casais que tão num dilema. A mulher quer e o homem não. O homem quer e a mulher não. Ou quando vai ser isto, né? Então mexe demais com as emoções, não é? Sim. Sim. Então, eh, a gente nunca vai ter muita convicção de que é o momento certo, de que eu tô preparada, de que, né? Então veja quantos eventos a gente tá se referindo aqui sobre o externo, a expectativa do outro, a expectativa da sociedade, a transmissão cultural que a gente traz sobre gênero, né? Se a gente entrar em cada uma dessas dessas questões, a gente vai encontrar uma série de coisas que sustentam essa romantização da maternidade, né? Mas a decisão ela precisa ser singularizada, porque não tem um outro caminho que sustente, né, o desejo por eh um filho precisa tá muito consistente e claro para esta mulher, porque como ela vai vivenciar todos esses processos que a gente tá descrevendo aqui sem ter este desejo sustentando. todas essas dificuldades. Então, pensa que quando você quer muito alguma coisa, você quer um trabalho novo, você quer fazer uma viagem, você quer comprar uma casa, um carro, qualquer outra coisa que seja, você tá movido pelo desejo. E é isso mesmo, movido. Aquilo te faz caminhar, né? Então, quando você vive qualquer situação que você construiu uma casa e você morou na casa, foi morar na casa, você descobriu que a torneira não funciona, você descobriu que o piso lascou, levantou. Uhum. Se você não tá sustentado pelo desejo de estar naquela casa, você vai viver esses desconfortos, essas surpresas, essas frustrações de uma maneira completamente diferente. Tudo isso para dizer examente que o desejo precisa nos sustentar. Então, se você é uma mulher que não tem certeza, eu já tive n situações em que as mulheres me buscaram, as mulheres me buscaram no consultório para ter essa elucidação, sabe, Rúbia? Uhum. Então, é um percurso onde você, num processo terapêutico, você vai olhar profundamente paraas suas questões. Exato. Né? sobre o desejo e o não desejo, sobre o conflito, porque hoje a gente fala muito mais sobre maternidade, né? E as mulheres têm uma noção, né, maior do que é, por exemplo, esse luto, do que são esses desafios. Então, aí vem a pergunta: "Mas será que eu tô preparada?" Então, e a gente nunca vai ter essa resposta, porque essa resposta a gente só tem vivendo processo. Exatamente. Então isso é da ordem de uma aposta. Uhum. Eu é isso, eu arrisco, né? Porque eu não tenho uma certeza. E aí a gente emenda numa outra situação que é eh da irreversibilidade da maternidade. Uhum. Você não devolve um filho pra fábrica. Exatamente. É isso mesmo. Agora vamos lá. Nós falamos eh da gestação, da gravidez toda, né? Aí não teve esse preparo psicológico e aí vamos pro parto, né? É outro momento delicadíssimo. O medo vem. Ah, não, mas é maravilhoso, né? Vai ter o filho, vai parir lá. Aham. O medo vem, gente, não adianta. Você já você já viu o tamanho da agulha que é colocada aqui na espinha da mulher, na coluna, não, né? É, então é delicado. Você já imaginou qual é a dor de um parto normal? Também não, né? Então, e aí você romantiza isso. E aí depois que essa mulher passa por tudo isso, ela pega o filho nos braços e ela olha aquela criança que ela idealizou tanto e ela fala: "E agora?" Mundo mudou, tudo mudou. A mulher vai amamentar o filho, o bico do seio racha, dói, sangra e ela precisa amamentar aquela criança. Ela precisa alimentar aquela criança, né? Ela às vezes está lá, foi o parto normal. Ah, parto normal. Ganhou nenê hoje, amanhã você já tá lavando fralda, né? Quantas vezes ouvi isso, né? Ah, fez uma cesárea. Ah, não, mas tá tudo bem hoje em dia. Não é assim. Como que a gente vai lidar com esse pós? né, com tudo isso que nós falamos até a a o parto em si. E agora, pós-parto, como vai ser? Como que eu vou dar conta de algo que não tem manual de instrução? Eu não sei. Aí tem pessoas que falam assim: "Ah, mas quando nasce um bebê, nasce uma mãe". Será que é isso mesmo? Será que a gente tá certo em falar assim, né, para uma mulher que acabou de ter um filho? E será que ela sabe o que ela vai fazer a partir daí? Mas Jana, gostaria que você trouxesse pra gente a situação psicológica de uma mulher nesse momento, né, pós-parto. E aí depois pra gente completar, eu gostaria de falar desse burnout maternal que eu achei bem interessante, li sobre e eu achei algo assim que é mais um tema pro programa. A gente precisa falar sobre isso, mas vamos lá, Janin no pós-parto, né? Vamos romantizar o pós-parto. Vamos lá. Olha só a primeira roupinha, né? E tal, olha que legal. Leva flores para ela. Olha aí que legal, mãezinha. Como estão as suas dores? Como está a sua mente? Você já sabe o que que vai acontecer com você daqui paraa frente? Foi preparada para isso ou é profundo demais? Não é não muito isso quando a gente fala num cenário perfeito, né, Rúbia? Que transcorreu uma gestação linda, o parto também aconteceu tudo dentro do esperado, mas existem as intercorrências. Nossa gente, não é? Às vezes durante a gestação você precisou ficar de repouso absoluto porque teve um descolamento de placenta, porque teve uma pré-eclâmpsia. Então a gente tem muitos fatores a considerar. Chega o momento do parto também, intercorrências acontecem quando a mãe e sem contar que temos outros eh diversos tipos de parto, né? O parto humanizado, ele não necessariamente é o parto natural, que é o parto vaginal. né? Eh, o parto humanizado é quando você respeita os desejos daquela mulher que está ali, que é protagonista deste cenário e não o médico, não os outros profissionais que estão envoltos. O protagonismo está da mulher que está parindo, né? Então, a gente precisa considerar todas as unidades. Por isso que existe um documento muito importante chamado plano de parto. Uhum. Hum. Nele, a mulher coloca ali todas as vontades para esse momento, né? Aquilo que é possível também e como que ela deseja que aconteça. Uma coisa é também considerar se ela vai aceitar ter a hipisotomia quando ela também for necessária, porque tem muitas eh profissionais que vão e dá aquele tiquezinho lá embaixo, né, no momento do parto normal e que não é necessário. Então você tá mutilando uma mulher. Existe algo que a gente precisa falar no momento do parto, que é a negligência com essa mulher e a violência obstétrica. Então, tudo isso a gente tem que falar, a gente tem que informar. Essa mãe tem que saber sobre todo tudo que pode acontecer nesse momento. Por isso que a gente fala sobre medo no parto. O parto é algo muito imprevisível, né? É para ser um momento quando muito desejado, bonito também. Não, a questão não é essa, né? Nós quemos sim que seja um momento importante de protagonismo e um momento que seja marcante de forma positiva na vida da mãe, do bebê e dessa família, né? E aí quando vem o por péo tem toda essa avalanche de questões. É um cenário rico para adoecimento psíquico. Por isso que é importante estar muito atenta, como a R colocou, o baby blues, né, ou a texteza materna é um período que naturalmente vem e se dissipa de forma natural também. quando não, a gente tem que atento ali para esse desencadeamento da depressão, que ela não necessariamente vai ser uma depressão pós-parto, mas pode ser algo que já tinha indício ali durante a gestação. Então, eh, quando a gente fala de olhar pro mental dessa mãe, olhar paraa saúde mental materna, nós temos que entender todo o contexto dessa maternidade, desde a gestação, desde a concepção, a transformação, que é o momento de passagem ali no paro. e depois olhar para esse porpério, como que ela tá sendo apoiada, como que foi essa experiência para ela e agora olhar para aquele bebezinho, né? Quando a gente pensa num cenário onde passou pelo parto, o bebê tá na mão da mãe e eu vou seguir a vida da maternidade ali, porque também existe, a gente passou pelo novembro roxo, né, que é o novembro que fala sobre a prematuridade. Então, temos mães de UTI. Eu sou mãe de UTI. Uhum. Eu passei por um parto que não era o que eu gostaria, que foi uma cesárea. Eu queria ter desenvolvido para um parto normal. E o meu bebê não veio pro quarto e muito tempo depois vieram me falar que ela tava na UTI no Natal. Então imagina para essa mulher que tá vivenciando toda essa transformação da vida e o bebê não tá ali também. Passou por todo um sofrimento durante o parque e não tem a recompensa que é o bebê, né? Eh, é muito importante ter toda essa informação e sempre o acolhimento para essa mulher, para essa mãe. Mas aí a gente vem para uma mãe que passou por um parto, tá com bebê na mão, tem a questão da amamentação, que é outra questão muito impactante, né? Porque todo mundo faz uma campanha linda de amamentação. Bebê nasceu, coloco o bebê ali no meu seio, amamento lindamente. Temos figuras públicas que fazem campanhas ainda. Uhum. Nem sempre é assim. Nem sempre é assim, gente. Às vezes o bico tá introvertido. Às vezes eu não tenho bico. O bebê não sabe pegar corretamente, o bebê não sabe mamar. Então é algo que a mulher tem que aprender e o bebê também tem que aprender. Não é nato, né? Não é simplesmente coloca aqui, pronto, amor, tá lindo. É todo um processo de aprendizado. Maternidade é aprendizado. Não existe manual. Por mais que a mulher já seja mãe de um, de dois, né, tenha outros filhos, cada momento é diferente, cada bebê é diferente, cada contato com essa maternidade é diferente. São reconfigurações na vida que a gente tem que considerar. Nossa, gente, é tão complexo o assunto, né? É algo assim, eh, que que eu vou dizer? Eu sou mãe, né? Eh, é algo maravilhoso ser mãe. Eu gosto de ser mãe. Eu cuidei muito do meu bebê, mas eu sofri bastante também. E, eh, no no tempo que eu passei aí, eh, com a minha filha, eu tive sofrimento, tive muito sofrimento e o sofrimento calada, né? Calada, porque tava tudo muito lindo externamente. Tava tudo muito lindo para quem me cercava, mas para mim não tava. Mas como eu vou dizer que não está, sendo que eu tô com meu bebezinho aqui no colo? Tá todo mundo feliz? E como é que eu vou externalizar que eu não estou bem? Aí a gente precisa acender um alerta. Aí a gente precisa sim de buscar uma ajuda psicológica, porque tudo pode melhorar. A gente só precisa eh acender o alerta, dizer: "Olha, tá tudo bem aqui, mas eu não estou me sentindo bem por conta disso e eu preciso de uma ajuda, porque como nós sabemos, né, a maternidade ela não vem aí com o manual e a gente vive cada dia uma coisa nova quando a gente é mãe. Então a gente precisa sim parar de romantizar, estender a mão. É importante você que é rede de apoio, observe, né? Porque às vezes como a mãe não externaliza, ela pode dar sinais e a rede de apoio nesse momento é muito importante para poder falar: "Opa, pera aí, tá acontecendo alguma coisa aqui e a gente precisa buscar ajuda, não é, Rosângela?" Com certeza, Rúbia. Eh, quando a gente fala em tristeza materna, em depressão, normalmente essa mulher se sente muito culpada. Uhum. Então essa eh esse silêncio, né, sobre o que ela está sentindo tem a ver com uma na cabeça da mulher uma impossibilidade dela falar dessa dor, porque as pessoas não compreendem, né, como é eh possível você tá triste tendo um bebê perfeito diante de você. Exatamente. Né? tendo um marido, uma casa, uma mãe, uma família, uma condição financeira. Então assim, a romantização ela tá em todo o contexto da mulher, né? Exatamente. Então, olha, eu olho pra sua vida e vejo o jardim do vizinho é sempre mais bonito, né? Eu olho pra sua vida e falo: "Poxa, mas porque é que você tá triste?" Uhum. tem essa situação, tem a situação da mulher tá com dificuldade no engate com o bebê, no relacionamento com o bebê, porque uma mulher que tá num quadro depressivo, que ainda não é uma depressão, ela pode, não necessariamente, mas ela pode ter uma questão no vínculo com este bebê, na construção do vínculo, porque se essa mulher ela tá entristecida, ela tá e outra Outra coisa que eu acho importante comentar, eu tenho visto muito mais situações de ansiedade no porpério eh do que eu via antes. Uhum. Antigamente a gente via, né, Janina, não sei se como você tem sido assim, eu a gente via muito mais comumente os quadros de depressão. Sim. Hoje a gente tá vendo um aumento expressivo de mulheres com ansiedade. Então, mulheres, por exemplo, que chegam o momento da amamentação, a hora que aquele bebê vem pro colo, ela tem crises de ansiedade. Poxa vida. Então, veja a implicação que isso tem na saúde mental desta mulher, no vínculo desta mulher com o seu bebê. Uhum. no processo da amamentação. Isso eh aflige muitos familiares que estão no entorno. É muito comum no perpério imediato nessa mulher tá com uma mãe, um esposo, uma irmã, uma esposa, enfim, seja como for essa configuração familiar. E eles ficam muito aflitos. Eu ainda ontem na minha rede social eu coloquei uma lista de situações que a família precisa observar em cada uma dessas etapas. Hum. Pré concepção, gestação, hiperpério, primeiros anos de vidas, de vida do bebê para a saúde mental da mulher, contemplando a saúde mental da mulher, porque é a família normalmente que vai, quando é um caso de depressão, é muito comum que a família entre em contato comigo. Exato. Olha, estou observando isso, é o caso. Ou então o profissional da saúde, tô com uma paciente assim, assim, é o caso de encaminhamento. Porque tanto a família como os profissionais da saúde precisam e est esclarecidos do que observar nesta mulher, porque ela mesma muitas vezes não dá conta de falar. Isso mesmo. De pedir socorro, né, Rúbi? Exatamente. É isso. E a gente precisa ter um olhar atento, né, para buscar ajuda. Agora 8:53. Nossa, já. Ah, mas tem tanta coisa que eu quero falar ainda. Nossa, é tanto aprendizado. Vocês são maravilhosas, viu? Que bom essa, que boa essa conversa esclarecedora, né? A gente falando aqui dessa questão da romantização da da maternidade e a gente percebe que eh são tantas coisas que envolvem isso e no dia a dia a gente não para para pensar nisso, né? E que bom que a gente tem vocês aqui para conversar com a gente. Agora nós temos perguntas e tem mais uma questão que eu queria entrar. Então, vamos dar uma resumida na questão antes das perguntas eh do burnout maternal que eu vi isso, achei interessante, não se falava isso antes também e que bom que a gente tá podendo falar, né, que são os anos iniciais aí, né, da da do filho e da mãe da da mulher como mãe e que envolvem muita coisa também, né, porque ela precisa performar, performar no trabalho, performar em casa, ela não vai dormir Porque a criança às vezes não não dorme, troca o dia pela noite, a noite pelo dia, enfim. E aí é uma adaptação da criança também. E aí vem aquele burnout maternal. Tem sido muito falado hoje em dia isso. Você tem diagnosticado essa questão? Eu acho que mais do que falado é vivido, né? Eh, aqui no Brasil a gente usa o termo barnal materno, porém no mundo afora a gente fala em baral parental, porque ainda é uma questão muito cultural de que no Brasil especificamente, né, a mãe, o filho é da mãe, né, então fica essa sobrecarga em cima dela. E o que que é o barnal? É essa exaustão, né? é a exaustão por esse extremo eh cuidado em cima do filho, em cima dessa obrigação que é o papel materno. Então, como você falou, Ruby, a mulher tem que performar, performar no trabalho, performar em casa, tem que tem que atender a todas as expectativas sociais e ela não dá conta disso tudo. Claro que não, né? Os primeiros anos de vida dessa criança exigem muito. Possível. É verdade. Uhum. Aí quando ela não dá conta e não tem essa rede de apoio que eh seja eficaz e que dê esse suporte para ela, naturalmente ela vai se desgastando. O nível de estresse se eleva, o nível de ansiedade se eleva, né? Porque a ansiedade é um s uma emoção comum a todo ser humano. Mas quando ela se torna patológica que tá elevada, é onde a gente tem que ter esse cuidado, porque daí ela começa a ter crises, apresentar sintomas e o burnal ele vai se encaixando nesse quadro. Então você vê um nível de estés, a mãe começa a ficar impaciente, começa a gritar com o filho, ela tá cansada o tempo todo. E aí isso prejudica a vinculação com essa criança, isso prejudica o cuidado. Não que ela não ame o filho dela. Uhum. Mas ela quando olha para ter que cuidar dessa criança e todas essas obrigações que ela tem que ter para cumprir durante a vida dela, né, durante os dias, e isso vai se tornando torturante e e exaure essa mulher. E aí ela desenvolve esse barnal que é um adoecimento. E aí isso tudo prejudica a relação mãe, filho, a relação família, o que lá na frente, na vida dessa criança, vai gerar um impacto muito grande. Olha só, gente, como é importante o esclarecimento, né? E isso é algo que vai perdurando, né? Vai perdurando, não tem não tem fim. E aí as pessoas que estão em volta vão se desgastando, a mãe, né, ali também. E essa criança possivelmente eh eh vai acontecer, vai ter problemas, né, lá na frente de emoções, com as emoções, de sentimentos e vai precisar de um apoio. Agora, se essa mãe não teve o apoio, será que a criança terá o apoio? e como será eh eh o desenvolvimento dessa criança. Então, como é importante a gente parar para analisar tudo isso que nós estamos falando hoje, né? Vamos lá, produção. Produção tá avisando, tem perguntas. Vamos responder os telespectadores. Nossa, gente, tá tão bom. A conversa tá maravilhosa aqui. Pode colocar na tela agora 8:57. Vamos ver quem é que tá conosco. Olha aí, ó. A Vanessa Moraes do Parque Itália. Tive um bebê prematuro e ainda me sinto em alerta como se a UTI nunca tivesse acabado. Existe apoio para esse tipo de trauma? Rosâele, vamos responder a Vanessa. Que que você diz para ela? Olha, Vanessa, essa é uma experiência muito marcante, né? muito impactante e a gente pode pensar assim que isso é da ordem de um trauma, né? É uma palavra que eu gosto de usar com um pouco de cuidado, porque para não dar a impressão, sabe, Vanessa, de que você eh está determinada a carregar esse trauma pro resto da sua vida. Uhum. Então, é verdade, né? Acho que é uma experiência muito impactante pro seu bebê também. O bebê também, né, traz sinais, né, sobre essa experiência, porque é uma experiência que ele também passou. Uhum. Eh, e isso não precisa ser tratado de uma forma em que você ache, pense, tenha medo que nunca vá passar, né? Mas precisa cuidar, né, Vanessa, precisa cuidar da sua ansiedade, não sei qual é o seu sintoma, né? Uhum. Hum. Mas cuidado seus sinais ali. Eh, conversa com o seu bebê, fala para ele que já passou, que é verdade, aquilo tudo aconteceu, mas agora ele tá no seu colo. Ele tá com você, pelo que eu entendi, né? Ele eles já saíram. Sim. Sim. Eh, ele está com você, está aconchegado. Vocês estão seguros agora. Ele está seguro. Conversa com ele, você vai ver que vai te acalmar também, sabe? ressignificar essa experiência pro momento presente. Aquilo é passado. Agora se conecta com o que você tá vivendo agora com o seu bebê. Saúde para vocês. Ah, que linda. Agora 8:59. Mais uma perguntinha. A gente passa essa pergunta pra Janaína. Então vamos lá. Pode colocar na tela, produção, por favor. Juliana Rangel Barão Geraldo, por que tantas mães sentem dificuldade em pedir ajuda, mesmo estando exalt exaustas físicas e emocionalmente? É uma realidade, né? É uma realidade crua, né? E cruel. Eh, muito do que a gente falou, isso aqui também é porque existe essa expectativa de que a mulher tem que dar conta de que o filho é da mãe e ela precisa ser eh 100% nesse papel. Então, a gente também acredita no nosso colo essa expectativa da sociedade, né? Como que eu sou a mãe? Eu não sei cuidar do meu filho. Como que eu sou a mãe? eu me sinto tão exausta, por que que eu eu não posso me permitir a sentir tristeza ou sentir eh o esgotamento, né? Eu não posso validar os meus sentimentos, eu tenho que mostrar que eu sou uma boa mãe. E aí isso é um é uma coisa muito pesada, né, para nós mulheres. Por isso que a gente bate muito na tecla da rede de apoio, né? A rede de apoio também precisa est atenta em ver quando essa mãe tá sobrecarregada. E aí existe o papel do pai, né, quando a gente fala de uma família tradicional que ele a a criança não é só da mãe, a criança é dessa família. Então, dividir as atividades da casa, da dos cuidados com essa criança, com o filho, é extremamente necessário para que essa mãe não adoeça. E quando você perceber esses sinais, ofertar ajuda, às vezes o que ela precisa não é de uma ajuda física ou algo ali no ambiente, mas que ela seja ouvida sem ser julgada. Então você ter o momento de poder sair, descontrair um pouco, se permitir viver, né, estarem em roda de amigas, em falar sobre outros assuntos, isso alivia também essa carga materna. E sim, a gente precisa acolher os nossos sentimentos e nos permitir a falar abertamente sobre. É, é isso mesmo. Precisamos falar abertamente sobre isso e entender que está tudo bem, não está tudo bem, né? Porque a maternidade não é aquela coisa assim eh tão romântica, como dizem. A gente precisa falar o que a gente sente de verdade. Vamos lá. 92. Produção, dá tempo para mais duas? Será que dá? Se der, pode colocar, porque eu vi que tem bastante gente participando. Então, vamos lá. Eh, Roberta Cunha do Jardim Aurélia. Como a privação do sono constante pode afetar o emocional das mães ao a longo prazo, mesmo quando os filhos já cresceram? Vamos lá, a Roberta Cunha perguntando. Rosângele, essa privação de sono aí, ela segue, né? Perdura pela vida, né? Porque se a criança tá tá bebê, não tá bebê não dorme porque tá se adaptando ainda ou tem uma dorzinha aqui, outra ali. Aí depois é adolescente da minha mãe também não dorme porque o filho precisa cuidar do filho. Se tá com uma gripinha, um negócio, outro tá tá cuidando, depois quando cresce não dorme porque o filho saiu e não voltou ainda e aí continua não dormindo, né? a gente dá risada aqui para não ficar tão pesado, mas é uma realidade essa questão da privação do sono. Sim, muito importante, Roberta, né? Roberta, eu não sei eh do que você fala quando você fala em filhos crescidos, né? Não sei que idade seria esse, qual seria essa idade, mas assim, o fato é que a privação de sono causa danos cerebrais. Uhum. Perfeito. Isso olha só, vamos, se a gente partir desse princípio, né, Roberto? Uhum. Existe um prejuízo importante da ordem física, neurológica, né? Para além disso, e aí se a gente pensar na romantização, a gente naturaliza isso, não. A mãe acorda, né? A mãe acorda e fica bem, tá tudo certo, tá tudo bem. Não é assim, né? Eh, é claro que algumas mulheres têm uma, não sei se vocês viveram isso, mas às vezes a gente tem um uma um histórico, né, de qualidade de sono ou de perfil de sono, onde a pessoa não acorda por nada. O bebê nasceu, a o bebê abre o olho e parece que só o barulhinho do piscar nos olhos já nos acordam, não é? É verdade. Nem sempre é assim, mas existe uma tendência para ser assim, né? inclusive biológica, a gente recebe uma carga maior de hormônios que nos já no final da gravidez. Uhum. Que nos preparam para esse cuidado. Mas vejam, é cuidado, não é exaustão, a gente pifa. Uhum. Né? Então, Roberta, eh, você precisa ver quais foram os impactos dessa experiência na sua vida física, né? do ponto de vista físico, mas do ponto de vista emocional, porque você pode inclusive tá se sentindo muito invisibilizada na sua dor, né? Na na na dor. O que eu quero dizer é que eh ninguém viu o que você tava fazendo. Sim. É, é como se você se sentisse invisível, né, no seu no condição mesmo, né? E o sono, Roberta, ele vem como um um lugar de onde isso fica muito visível. Então, a mulher tá sozinha na madrugada, ela amamenta sozinha, ela põe o bebê para rotar sozinha, ela troca fralda sozinha. Quantas vezes essa mulher levantou? Eu eu isso já escutei de mulheres assim, já eu levantei essa noite 15 vezes. Então, veja, e você pode considerar que a noite foi o quê? das 11 às 6 ou 5 da manhã, mais ou menos, né? Levantar 15 vezes. Qual é o nível de exaustão dessa mulher? Então, muitas vezes a mulher se sente invisível. Então, Roberta, se cuida, tá? Um abraço para você. Muito bem. Agora 96 a gente já vai encaminhando para encerrar. Dá tempo para mais uma? Dá ou não? Se der, coloca mais uma pra gente, por favor. Vamos lá, daí a gente encerra rapidinho, tá bom? A Rafaela Torres do Parque Valença. Sou mãe solo. Como voltar a cuidar de mim com consistência, mesmo com rotina corrida, sem transformar autocuidado em mais uma obrigação. Rafaela, vamos lá responder ela. Janaína, olha aí o que que a Rafaela colocou pra gente. Rafaela, pergunta muito importante, considerando também a sua maternidade solo, né? Então, toda essa carga da maternidade está somente sobre você. E aí, mais uma vez, eu vou falar sobre rede de apoio. Quando a gente fala em rede de apoio, não é necessariamente apenas a família, né, eh, que é mãe, pai, irmãos, mas você pode constituir essa rede de apoio com profissionais, com amigos, né? E essa obrigação, né, que você coloca aí no autocuidado também não tem que ser uma obrigação, mas você tem que olhar como eh algo que isso vai trazer um benefício para você, porque você precisa estar bem, né, para que o seu filho fique bem. Então, olhar primeiro pro seu cuidado como um bem-estar, né, e não como uma obrigação para que você não adoeça, para que você se sinta inteira naquilo que você se propor a fazer, né? O autocuidado não é simplesmente você falar de algo estético, mas é você poder se permitir dormir, comer, você se permitir assistir algo que você goste, poder fazer um passeio que seja ao ar livre, fazer uma caminhada com seu filho também se permitir a viver momentos de prazer, né? Isso também é autocuidado, né? fazer algo que te dê prazer. E aí, claro, cuidando da sua alimentação, cuidando da sua saúde física, da sua saúde mental, é como qualidade de vida e não como obrigação. Mas recorra sempre a essa rede de apoio, que pode ser uma escola, que pode ser a ajuda de uma amiga, que pode ser a ajuda de uma vizinha nos momentos que você precisar, né? Nem que seja para você falar assim: "Olha, eu só preciso dormir um pouquinho ou eu só preciso ir ali cortar meu cabelo, né? Ou eu só preciso respirar, ou eu só preciso olhar pro nada". Uhum. Isso é autocuidado também. Uau, gente, que programa. Quanto ensinamento, quanto aprendizado aqui para mim, para você aí de casa. Vocês são maravilhosas. Obrigada, gente, maravilhosas. Rosângel, considerações finais. Obrigada pela sua participação, pela sua entrega. Acho que foi foi lindo. A gente precisa falar mais sobre isso. Obrigada. Eu que agradeço. Eu só queria dizer que a gente pode integrar, né, a alegria de ser mãe, eh, o aprendizado extremo que a gente tem, né, com a maternidade. É um convite pro autoconhecimento, à maternidade, sabe? Então, que a gente possa integrar, porque a gente tá falando de de desromantizar, mas a gente precisa dizer que é uma experiência realmente ímpar, incrível, né? Aprender a servir e a amar é algo muito importante. Uhum. Para aquelas que, né, quiseram entrar nessa empreitada, né? Então, agradeço muito seu convite, viu, Rúbia, para tá aqui e espero que as mães possam, né, se sentir acolhidos aqui com a nossa fala, né, Jan? Nossa, eu me senti acolhida, gente. É maravilhoso. Vocês são maravilhosas. Até o tom, né, da voz de vocês assim nos acolhe. Adorei demais. Janaína, obrigada pela sua participação, pela sua presença, pelo seu acolhimento, pelo seu aprendizado. Muito obrigada. Eu que agradeço e reforço aqui a fala da Rosângele, que a maternidade, além da transformação que é na vida da mulher, também é esse convite lindo pro autoconhecimento. Então, permita-se, eu gosto muito de falar, permita-se, que a gente precisa trazer isso como algo natural, se permitir a viver experiências, se permitir a falar sobre sentimentos, sobre emoções e viva sua maternidade da forma como você entende como ela deve ser e não com o atendimento de expectativa da sociedade. Perfeito. É isso, gente. Encerrando por aqui o nosso estúdio Câmara de hoje. E a romantização da maternidade coloca a mulher em um lugar impossível, o lugar da superheroína, daquela que aguenta tudo, que não cansa, que não falha. E quando ela não corresponde a esse papel, é julgada, criticada, incompreendida e muitas vezes se sente culpada. Mas fingir que tudo está bem não faz o problema desaparecer. Angústia, tristeza, estresse e solidão são sentimentos comuns na maternidade real. Precisam ser acolhidos, não silenciados. Seus desejos importam, seu cansaço é legítimo. Sua saúde mental é prioridade. A maternidade não deve aprisionar, deve ser compartilhada, respeitada e humanizada. Tá bom? Um grande abraço para você. Obrigada pela audiência, pela companhia, pela sua participação. Compartilha esse programa, já tá disponível lá no YouTube. E amanhã, quinta-feira, Estúdio Câmara traz um tema fascinante, como o filme afeta nossas emoções. É, é, filmes e séries não são só entretenimento, não. Eles moldam a forma como pensamos, sentimos e interpretamos o mundo. A gente vai falar sobre a corrida do Oscar com destaque pro sucesso brasileiro, agente secreto de Cléber Mendonça Filho e também a vitória de Wagner Moura no Globo de Ouro, né? Você já parou para prestar atenção? Quando você assistir um filme de ação, você fica todo elétrico. E quando você não tá muito bem, tá com uma tristezinha ali, vai assistir um filme que também é de drama, você termina o filme chorando. Ou então você vai assistir um filme e acaba chorando na metade do filme, você nem sabe por sim, o filme, né, ele mexe com as nossas emoções. Não é só filme, não, é novela, é tudo que a gente assiste na TV, na rede social. E amanhã a gente fala sobre isso. Quero te convidar para participar do programa de amanhã também ao vivo a partir das 8 da manhã, tá bom? Não perca então programação da TV Câmara Campinas incrível, preparada com muito carinho e responsabilidade de toda a nossa equipe do grupo mais especialmente para você. Ao meio-dia temos Câmara Notícia e seguimos com a programação. Beijo grande, fique bem, se cuide e até amanhã. Ciao. Ciao.