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Olá, bom dia. Seja bem-vindo, seja bem-vindo. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar ao vivo para você. Quarta-feira chuvosa aqui na Metrópole, dia 24 de junho, dia do jogo do Brasil, né? Mas hoje a gente não vai falar de jogo, não. A gente vai falar hoje sobre um tema que é delicado e ao mesmo tempo muito presente na vida das pessoas, né? Será que é possível morrer de tristeza? Então, a perda de alguém que amamos está entre as experiências mais dolorosas da nossa vida, né? Quando um companheiro de décadas morre, eh, não desaparece apenas aquela pessoa querida, muitas vezes desaparece uma rotina inteira, um projeto de vida, uma fonte de apoio emocional, talvez, e até uma parte da identidade de quem fica. Por isso, ao longo da história, surgiu a expressão morrer de tristeza. Uma frase que até parece poética, clichê, mas que hoje encontra respaldo na ciência. O sofrimento emocional altera o sono, a alimentação, a imunidade, aumenta os níveis de estress sobrecarregar o sistema cardiovascular. Existe inclusive uma condição médica chamada síndrome do coração partido. Essa condição, ela é capaz de provocar sintomas semelhantes aos de um infarto e que pode surgir após uma perda traumática. Mas afinal, é possível morrer de tristeza? Onde termina a dor emocional e começa o risco físico? Hoje nós vamos falar sobre isso aqui no estúdio Câmara. Nós já estamos com as nossas convidadas apostos. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las a vocês, mas eu gostaria que você participasse com a gente. E aí, você tem alguma experiência que você teve a sensação de não conseguir continuar mais por conta de tanta tristeza? E o que que você acha dessa frase clichê, né? É possível morrer de tristeza? Ah, tá morrendo de tristeza. Você acha que isso faz sentido ou não? Conta pra gente a sua experiência ou então manda pra gente a sua pergunta, eh, a sua dúvida, né? O WhatsApp tá na tela, 19979377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Já já vamos apresentar as nossas convidadas de hoje. Vamos lá. A Prefeitura de Campinas promove mais uma edição do multirão gratuito de castração e microchipagem de cães e gatos. Entre os dias 15 e 19 de julho, o castramóvel vai ficar em frente ao Departamento de Proteção e Bem-estar Animal de Campinas, o DBBeia, lá na vila Bela, eh, na Vila Bela Vista. Serão disponibilizadas eh mais de 1000 vagas para tutores residentes em qualquer região da cidade, tá? As inscrições já estão abertas pelo site castrapet. com.br. Além da castração, todos os animais atendidos vão receber microchip de identificação gratuitamente se não tiverem, tá? Para participar é necessário cadastrar o animalzinho no Sistema Nacional de Cadastro de Animais Domésticos, os Simpatinhas, e em seguida agendar data e horário no portal Castrapet, tá bom? Informações, você pode entrar em contato pelo 19992846219. Ou então acesse o portal Animal Campinas. E hoje tem jogo do Brasil. Bora que bora, né? É, pela fase de grupos da Copa do Mundo. A seleção brasileira vai enfrentar a Escócia hoje às 7 da noite. E aí, até agora está mantida a transmissão da Arena do Torcedor na Praça Araltos da Paz aqui em Campinas, tá gente? Mais pode ser que mude, a gente não sabe como é que vai ficar o tempo, mas assim você vai acompanhando a programação aqui da TV Câmara Campinas que a gente vai avisando você. Mas como está mantido para facilitar o acesso do público, a INDEC eh vai operar a linha especial 901, que é o ônibus temático, né, de verde amarelo e tal, que vai fazer o trajeto entre o terminal central e a arena do torcedor a partir das 5:30 da tarde com intervalos de 24 minutos. A linha especial liga o terminal central, a praça Araltos da Paz, atendendo os pontos de parada ao longo do percurso nos dois sentidos, tá? A transmissão da partida será realizada em um telão instalado lá, que recebe os torcedores para acompanhar mais um desafio da seleção brasileira na Copa hoje às 19 horas. Então já se prepara, bora que bora e torcer para o Brasil. Vamos com a previsão para saber se vai rolar ou não, né? aquela festa que a galera sempre faz aí quando tem eh jogo do Brasil e principalmente se o Brasil é campeão. Olha, hoje a gente precisa se atentar que nós temos aí um dia muito chuvoso pela frente, né? Agora de manhã a chuva diminui um pouquinho, mas a tarde tende a aumentar e à noite também. Então, gente, se atente. Você que tá no trânsito, eh, você que de repente tá se preparando aí para curtir o jogo também, a gente sabe que eh tá todo mundo empolgado, então a gente precisa prestar muita atenção, porque a empolgação, mais chuva, mais trânsito, eh, é, é algo que chama atenção e precisa de um alerta, tá bom? Mínima 14, máxima 17º. 17º é clima típico de inverno. Vamos bora fazer desse dia cinza um dia colorido, né? Vamos lá. E aí, gente, falando em dia colorido e dia cinza, a gente tem aí algo que nos chama atenção, que é a questão da tristeza, né? Será que a gente consegue contornar a nossa tristeza? Será que esse negócio de tristeza é frescura? Como a gente ouve ouvia? Ainda bem que agora as coisas estão ficando eh tendo maior entendimento, né? Mas aí falando da tristeza, eu te pergunto, será que é possível morrer de tristeza? A ciência, gente, vem demonstrando cada vez mais que a mente e o corpo funcionam de forma integrada. Quando a gente passa por situações extremas de sofrimento, o nosso cérebro ele desencadeia uma série de reações hormonais que afetam diversos órgãos do nosso corpo, né? Em alguns casos, essas alterações podem resultar em ansiedade severa, depressão, agravamento de doenças crônicas e até problemas cardíacos importantes. Então, pra gente começar, nós vamos eh trabalhar na questão da psicologia com a psicóloga Paula Brito. Ela já tá aqui com a gente no estúdio. Quero agradecer mais uma vez a sua presença tão cedo, com chuva, com frio, você aqui com a gente, que satisfação te receber. Obrigada. Bom dia. Bom dia. É um prazer estar aqui. Obrigada pelo convite. Eh, muito importante a gente falar sobre, então é uma satisfação. Muito bem. Então, já vamos eh perguntar para você, Paulo, assim, quando uma pessoa ela eh o ápice da tristeza, se a gente para para analisar, a gente pode falar que o luto seria o ápice da tristeza humana, né? E se for quando a gente perde uma pessoa, um companheiro da vida inteira, né? é um ente querido. O que que acontece psicologicamente nos primeiros dias e semanas após essa perda? Porque a gente é acometido por uma tristeza muito profunda e tem casos de pessoas que não conseguem sair desse luto e essa tristeza vira algo muito crônico. Então o que que acontece com a gente nessa fase dessa perda extrema que nos eleva a essa tristeza muito grande? Bom, o processamento de dor, né, tanto física e emocional, vai exigir muito eh eh como você colocou, né, o corpo, o ser humano, ele não se separa. Então, quando a gente perde alguém, a gente costuma dizer que o impacto ele é biopsicossocial, porque a gente sente na nossa parte biológica, psicológica e na nossa vida cotidiana. Eh, as pessoas que vivem muito tempo na presença de outra, elas são sincronizadas. Não é que o cérebro vai eh operar de forma idêntica. Isso é impossível, né, que os seres humanos são únicos, mas se desenvolve uma sincronia. Perfeito. Então, parceiros de longa data, um tem no outro ambiente emocional. A ausência desregula o corpo também, né? A produção de hormônios. Eh, então é é muito grave a perda, é muito difícil um luto, principalmente por ter uma perda definitiva. Então, é necessário olhar e e e dar uma atenção devida. É normal sofrer, mas esse sofrimento prolongado, impactando a vida cotidiana, precisa ser olhado de perto. Muito bem. Agora, tem pessoas que conseguem, né, eh, se reorganizar emocionalmente com o passar do tempo, enquanto enquanto outras pessoas elas elas se permanecem assim profundamente abaladas durante anos. Por que isso acontece? Eh, esse essa tristeza de quem carrega esse luto por um tempo indeterminado, ela não passa por quê? Porque a pessoa ela não entende que o luto ele precisa acabar ou porque realmente essa pessoa ela precisa de um apoio eh eh de terapia de repente para poder entender, trabalhar essa dor e de repente conseguir sair de uma forma mais, se a gente pode colocar essa palavra confortável. Olha, eu diria que tem vários motivos eh para que as pessoas tenham dificuldade de processar esse luto. A gente costuma usar o termo elaborar o luto. É preciso viver esse luto, eh, passar pelas fases dele. Eh, tem gente que, primeiramente, se recusa a sentir, tenta colocar a dor embaixo do tapete. Isso é péssimo, porque as dores que a gente precisa viver mais cedo ou mais tarde irão nos encontrar se a gente não trabalhar. Eh, então sim, tem gente que vai precisar de ajuda. o o luto normal que a gente considera é o é o sofrimento, é sentir saudade, é chorar, mas é conseguir viver a vida e ter momentos de alegria, mesmo estando em um processo de dor. Uhum. Agora, quando a pessoa não consegue ter momentos de alegria, né, vive ali entregue à dor, a gente tá falando de um luto patológico que precisa ser olhado de perto. Olha aí, gente, importante eh nós entendermos essa questão do luto patológico, porque é algo que vai trazer o quê? Vai trazer a depressão, né? Porque a tristeza, eh, ela pode ser sentida, ela precisa ser reconhecida, precisa ser nomeada, né? Sim, estou sentindo uma tristeza, estou triste. E aí, se você passa por esse momento de luto, vive o seu luto, né? Eh, a gente precisa viver porque a gente tem que entender o que está acontecendo e trazer para fora. Quer chorar, chora. Quer ficar triste, fica. Quer conversar, conversa. Esse essa é uma forma de viver o luto, né? Sim. E aí isso precisa passar, é natural que passe, mas quando não passa, claro que precisa sim de um atendimento eh e uma orientação, porque essa tristeza vai virar uma depressão e a depressão ela vai mexer sim com o nosso organismo como um todo. Claro que cada história é única, né? Mas quando, por exemplo, em um relacionamento, eh, alguém ocupa um espaço central na vida de alguém, essa ausência pode provocar uma ruptura assim, eh, que é um pouco difícil de mensurar, né? Agora, a questão da depressão, quando a gente percebe que eh essa tristeza, ela já está se desencadeando para uma depressão, e o que que essa depressão ela que vem através do dos nossos sentimentos, né, na nossa mente ali, mas ela vai trazer reflexos no nosso corpo. E aí, como que a gente pode agir diante disso? Porque as pessoas que têm depressão, eh, elas tendem muito a se retrair e com isso vão ficando quietinha, vão ficando deitadinhas ali. Se não tiver um olhar atento, elas vão eh definhando. É mais ou menos essa palavra que a gente pode utilizar, não é? Sim, sim. Eh, o lutum ele começa, eh, o, né, se tornar patológico quando a gente tem o comprometimento da vida cotidiana. Uhum. E aí o estado depressivo ele vai se instalando por meio de alguns comportamentos, por exemplo, isolamento social. Isso. Eh, tem eh, então assim, tem os sintomas que são do luto e aqueles que demarcam quando se inicia um processo depressivo. Eh, é normal em ambos os casos alteração de sono, de apetite, a pessoa deixa de se cuidar e aí com isso ela tem um agravamento de condições que ela já tem ou desenvolvimento de outras doenças que a gente vai falar um pouquinho daqui a pouco, né? as cardiovasculares. Eh, e a depressão ela começa a se instalar quando a pessoa perde o sentido da, eh, ela não vem mais sentido na vida, né? Então, são os principais sintomas de depressão, anedonia, né? E a volia, que é ausência de sentido, perda de interesse na vida. Então, ela começa a sofrer, não é só pela perda, ela começa a não gostar mais dela e da vida. Ela não vê sentido em viver e no futuro, então ela perde o interesse. E quando tem essa migração, a gente já não tá falando de luto, a gente tá falando de um estado depressivo associado a esse luto. Sim. Antigamente tinha toda uma confusão no num no manual diagnóstico e estatísticos estatísticos de doenças, o DSM, que trazia o luto como um tipo de depressão. Hoje em dia a gente separa, viver luto é natural, é esperado, mas se ele é intensificado e acomete a ausência de sentido da vida, a gente tá falando de de depressão se instalando. E depressão precisa ser tratada. Precisa ser tratada. E assim, e quando geralmente a pessoa ela está nesse estado, ela tem o isolamento social, né? E aí, eh, quais os principais pontos que a família deve se atentar e como deve ser a abordagem para essa pessoa que está com uma tristeza crônica instalada? Eh, e a gente deve abordar de que forma para que a gente seja não seja eh não tem uma comunicação violenta com essa pessoa porque ela já tá sensível, né? E aquele negócio, ah, vai passar ou então, ah, levanta daí, né? Você tem tudo na vida e esses comentários, esdrúchulos, né? Então, de que forma deve ser a nossa abordagem ou abordagem da família, os pontos que a família deve se atentar e qual o primeiro passo para a gente poder fazer com que essa pessoa tenha um olhar para si e entenda que ela esteja precisando de ajuda? Bom, primeiramente, eu diria que o acolhimento Uhum. Realmente é um processo muito doloroso e é o momento em que essa pessoa precisa receber carinho, cuidado e atenção, tal qual nas dores físicas, né? Quando a gente tem dor de cabeça, alguém entrega um remédio em nossas mãos, eu diria que muito acolhimento e eh ajudar essa pessoa pro despertar da consciência que ela começou a adoecer. Uhum. E esse adoecimento precisa ser olhado de perto, ser cuidado, né? Eu acho que uma das coisas que ajuda bastante é a gente pensar em quanto a gente honra a pessoa que se foi quando a gente cuida da nossa vida. Porque de alguma maneira eu gosto de pensar em amor, não como o amor de Romeu e Julieta, sim, né? Que se matam em nome do amor, né? Mas eu pensaria mais no amor como se fosse Titanic, né? Onde Leonardo de Caprio ali, o Jack, né? Diz para Rose: "Rose, eu quero que você morra velhinha e feliz em uma cama quentinha". Então, de alguma maneira, o amor ele deseja o bem, né? Ele quer que aquela pessoa encontre sentido na vida e volte a viver de uma forma boa, né? Então, acho que a gente despertar essa pessoa para essa consciência de honrar a memória de quem se foi se cuidando, porque se aquela pessoa nos amava, de alguma maneira é o que ela deseja pra gente. Exatamente. É verdade, né? a gente eh muitas pessoas que perdem, pessoas eh que amam, elas perdem a rotina, né, junto, os projetos, né, eh, e o sentido de pertencimento também, porque elas já sentem que não estão mais pertencentes também desse desse mundo, né? E esse impacto psicológico, ele vem em todas as áreas da vida dessa pessoa, né? Você imagina uma pessoa ativa, uma pessoa que trabalha, eh, uma pessoa que vive a rotina diária, né, da vida, aí passa por uma perda, passa por uma tristeza e essa tristeza é severa e ela começa a perder tudo que ela conquistou, né? Eh, isso é algo que agrava mais ainda essa tristeza, né? E nesse estado de tristeza avançado, a gente pode trazer que o coração ele sofre de um jeito diferente. Eh, tem aquela a o nome, né, que eles trazem, que é o síndrome do coração partido. Gostaria que você falasse um pouquinho dessa síndrome do coração partido. É outro, é, é outra frase assim que eh as pessoas podem falar: "Nossa, mas tá com coração partido, né?" Mas isso existe, gente. E a gente precisa falar sobre isso, porque a gente tem que entender e conhecer as nossas emoções para que a gente possa cuidar de nós e da pessoa que a gente ama. Uhum. Né? Como você bem colocou, não é frescura de forma alguma, né? Tristeza, sofrimento pode causar alteração fisiológica e a síndrome do coração partido, né? que a síndrome de tacotisto, ela prova isso, o quanto as coisas são eh relacionadas. Então, nessa síndrome, a pessoa tem sintomas muito semelhantes a um quadro de infarto. Uhum. E realmente tem a alteração fisiológica, né, do do coração. Eh, é uma é uma síndrome que ela é altamente tratável, mas para algumas pessoas têm risco de morte, né? eh acomete principalmente mulheres mais velhas, mas eh eu eu já tive paciente, homem jovem que desenvolveu essa síndrome. Ela acontece com em grandes rupturas, né? Eh, não só relacionamentos amorosos, amorosos, mas principalmente grandes perdas, pode ser um processo de luto também, alegrias, mas é muito raro, né? Eh, geralmente são eh emoções ruins. Uhum. E ali o coração meio que que se parte assim, né? Ele vai ter um espaçamento ali que e e a pessoa precisa realmente cuidar porque o corpo ficou doente, ela começa a ter risco. Eh, mas aí fazendo o tratamento eh com cardiologista e também com psicoterapia, porque essa pessoa precisa ressignificar essa perda, não é? Eh, não é frescura de forma alguma. A dor de amor, né, faz a pessoa ter dor física também. Então, eh, é preciso olhar, cuidar e tratar isso com devido respeito. Olha só, síndrome do coração partido. A gente daqui a pouquinho nós vamos trazer paraa nossa conversa uma doutora cardiologista pra gente poder falar o que que acontece com o nosso coração, né? De verdade mesmo. Coração, o coração que bate aqui que faz tum tum. É verdade. Ele ele sente, o nosso corpo reage. Agora, eh, a Paula trouxe algo interessante pra gente aqui, que é a questão eh dessa síndrome que acomete a o número de pessoas são mulheres, né? Por que que a gente tem essa essa essa discrepância, essa diferença aí? Eh, também nessa questão da tristeza com é diferente dos homens, o que que acontece com a gente? Olha, eu diria que a mulher ela é tá na tá na cultura, tá na história. A mulher ela é criada para sentir mais, para expressar mais. De alguma maneira eh paraa mulher tem um peso maior relacionamento na vida do que para homem. Uhum. Então, eh, as perdas são mais devastadoras e também porque a mulher permite sentir, permite expressar, o que também ajuda no processo de elaboração e na construção de resiliência. Biologicamente, eh, a mulher não é mais fraca ou mais forte, mas ela tem mais acesso à emoção, então ela sofre mais, só que ela também trabalha mais e aceita melhor. Olha só, né? E aí, eh, nós mulheres com mais sensibilidade, né? Eu acho, só que, né, eh, existem existem casos de homens também que sofrem com essa situação. E você trouxe, né, eh, e eu gostaria que você ressaltasse a nossa outra convidada, a doutora, já tá chegando. Ela daqui a pouquinho a gente conversa com ela, que ela é cardiologista e ela vai falar sobre essa questão do coração. Mas eu gostaria que você trouxesse antes, Paula, eh, os homens, os homens eles têm uma coisa assim que eu não consigo entender, a gente já trouxe aqui no programa, essa turma não vai pro médico, né? Eu acho que tá tá se quebrando esse esse tabu, mas ainda ainda existe ali um um uma barreira, né? Os homens eles só vão ao médico quando eles não aguentam mais, né? Precisam ser fortes. Quem disse, né? Tudo bem. Eh, para terapia. Hum, será que vão? Não sei. Me diga. E qual que é a importância eh de desse do público masculino reconhecer a sua vulnerabilidade, estar vulnerável e procurar um atendimento, porque você disse que você atendeu uma pessoa que estava com essa essa esse coração partido, com essa tristeza exacerbada. Uhum. Para alguns homens ainda buscar ajuda é relacionada à expressão de fraqueza. Mas veja, já foi provado que o caminho para a força é acessar a vulnerabilidade. Todos nós temos isso, porque biologicamente nós somos iguais homens e mulheres no sentir. Eh, já atendi eh homens que têm vergonha de chorar pelo luto, que sentem só ali no setting terapêutico permitidos. Mas veja, amor é a nossa expressão mais bonita, humana. Eh, e sentir uma perda é natural, isso não diminui o valor como homem. E pelo contrário, quando você acessa isso, você começa a crescer. Então, homens, não tenham vergonha, vocês também sentem. E sentir é uma coisa muito boa. É, é lindo, né? É isso. É verdade, né? A gente tem que quebrar esse padrão, quebrar esse tabu, né? Quem é que diz que precisamos ser fortes o tempo todo? E é isso, gente. Vamos lá, então. T vem comigo. Olha só, eh enquanto a psicologia observa os impactos emocionais da perda, né, como a Paula trouxe pra gente, a medicina ela também acompanha as consequências físicas desse sofrimento e elas podem ser muito mais sérias do que a gente imagina. Então, pra gente falar um pouquinho sobre o nosso coração, a gente recebe a cardiologista Dra. Cíntia Helena da Mata Fernandes, que entra agora pra nossa conversa. Doutora, seja muito bem-vinda. Ela fala com a gente através do Zoom. Muito bom dia. Satisfação em receber a doutora aqui no estúdio Câmara. Bom dia. É um prazer falar com vocês hoje sobre esse tema tão interessante, né, que é a síndrome do coração partido. Produção, eh, a gente não está ouvindo a doutora, então é, entra em contato com ela, por gentileza, né, e vamos ver se a gente consegue ajustar o áudio dela, porque é muito importante a participação da doutora com a gente, porque a gente vai tá falando dessa questão do coração e o nosso coração precisa ser cuidado, o nosso corpo e a nossa mente. É tudo interligado, gente. Vamos lá, vamos tentar agora. Vamos ver então. Doutora, bom dia. Vamos ver se eu consigo te ouvir. Seja bem-vinda. Muito bom dia. É um eh sobre esse tema agora. Muito bem. Então, olha só, a gente tá aqui com a Paula, a Paula da parte da saúde mental, da psicologia, explicando pra gente, né, que sim, que a tristeza precisa ser olhada com muito carinho, explicando pra gente que sim, que a tristeza ela de forma exacerbada, ela leva a uma depressão e a depressão leva a outros problemas físicos e mentais. E aí nós chegamos até a síndrome do coração partido. Doutora, agora eu quero perguntar pra doutora como que o estress emocional intenso ele afeta o organismo e consegue interferir diretamente no funcionamento do nosso coração? Eh, ou no nosso coração, ele tá diretamente relacionado com o nosso cérebro, né? né? Então, como eh já foi já foi falado, o stress, as emoções fortes, o luto, eles podem eh de uma maneira muito intensa produzir os hormônios que a gente chama de adrenalina, cortol, noradrenalina, eles estão diretamente, é o que a gente chama do eixo cérebro, coração. Esses hormônios, eles agem aumentando a frequência cardíaca, aumentando a pressão arterial, eh com toda eh essa quantidade de de hormônios, acontece um aumento também do consumo do oxigênio pelo coração. Uhum. Isso pode levar tanto uma deficiência na contração do coração, produzir arritmias e numa última instância até mais grave diminuir a a contração levando à insuficiência cardíaca. Olha só, gente, que importante, né, a participação e a explicação da doutora, porque tem um estudo que fala sobre efeito viuvez. Eu acho que você, a gente, vamos falar de uma linguagem mais coloquial, sabe assim, você já viu alguma história de que tem a avó e o vô morando junto, né? Aí de repente o vô, infelizmente vem a falecer. 15 dias depois a avó também falece. Então esse é o efeito viuvezv e esse estudo sobre esse efeito mostra o aumento da mortalidade após a perda do cônjuge, né? Então, doutora, o que explica esse fenômeno, essa questão eh principalmente quando a gente para para olhar de pessoas, né, que que vivem juntas por um longo período e quando uma se vai, daqui uns dias a outra vai também. Isso pode estar interligado com essa questão do nosso coração também, doutora? Pode, com certeza pode. Eh, a gente fala que o que o coração e o cérebro, as emoções estão diretamente relacionadas ao coração, né? Então, uma pessoa, um cuidador que tem aquele aquele vínculo, aquela função, né, de tá envolvido naquele cuidado e de uma hora para outra isso acaba, eh, esse processo vai assim, o próprio coração eh recebe esse estímulo do cérebro, né, de hormônios. que vão atuar ali diretamente ali produzindo essas alterações, eh, de uma forma brusca, ele pode simular até o infarto, né? Então, eh, é esse o cuidado que a gente tem que ter em relação às emoções e acolher e essa essa pessoa com com um luto, eh, com uma perda importante, porque isso pode de fato eh gerar um estress, um quadro de ansiedade e todo esse quadro gera produção desses hormônios em cascata, como a gente comentou, né? o cortisol, adrenalina, noradrenalina que vão atuar diretamente ali no coração. Muito bem. Olha só, importante, né, a participação da Dra. Né Paula para nos orientar sobre essa questão. A Paula trouxe eh o coração partido, doutora. E aí a a Paula citou que o nosso coração quando ele fica partido e que realmente isso existe, essa síndrome, né, eh causa um um tipo de espaçamento. Como que funciona na síndrome do coração partido? Você sabe que às vezes as pessoas têm costume ainda está acabando, diminuindo, acabando não, diminuindo isso, né? Falar que tristeza é frescura e aí quando ai meu coração tá partido, meu coração tá doendo, ah, o coração não dói, você levanta daí, né? Para, vamos sair, tá um sol lindo lá fora, você não precisa ficar triste. Mas eu gostaria que a doutora trouxesse pra gente nesse olhar de cardiologista, doutora, eh sobre a síndrome do coração partido. A Paula trouxe a questão psicológica, né? Agora, eu gostaria que a doutora falasse paraa gente sobre essa síndrome e como que a gente precisa se atentar, quais o o os eh o que que a gente sente, né, quando de repente a gente tá passando por essa situação. Uhum. Eh, quando a gente é um quadro eh todo esse quadro emocional, né, é o que pode predispor a essa síndrome do coração partível, né? ah, uma vez identificada sintomas como dor no peito, mal-estar, falta de ar, esses são os sintomas em comum eh com o infarto. Então, é muito importante que esses sinais de alerta eh a pessoa procure o médico para poder diferenciar em relação ao coração partido. O que que acontece? Eh, ele pode simular o infatto porque através dessa liberação desses hormônios, a o organismo ele a a ele recebe como uma como um alerta. E aí ele tem um aumento da frequência cardíaca, o aumento da pressão arterial. O coração ele vai trabalhar, né, o primeiro momento de uma forma mais intensiva, né, e depois ele pode levar a uma insuficiência, eh, é um, uma diminuição do funcionamento, né? Então, a gente chama como o coração atordoado. Muitas vezes ele pode eh num período de 5 a 7 dias ele pode retornar à normalidade, mas no em formas mais eh graves, ele pode demorar até 4 semanas para voltar o seu funcionamento normal. Então, quando eh a gente identifica essas pessoas vulneráveis, pessoas com ansiedade, estress, o luto, eh, ou a própria depressão por um luto, né, a gente tem que acolher e não eh e não menosprezar, né, se eventualmente ela apresentar esses sintomas, a gente tem que eh identificar se é um pode ser um infarto ou até um diagnóstico diferencial que a gente chama da síndrome do coração. compartido, né? Isso de fato ocorre e não é tão benigno, né? Eh, a gente tem aí uma taxa de mortalidade até em torno de 5%. Então, eh, tem que dar devida importância aí porque, eh, a tristeza e a emoção, elas podem impactar diretamente aí o coração. Muito bem, Dra. Cíntia, cardiologista, conversando com a gente sobre o tema do programa de hoje, se é possível morrer de tristeza. Aí com a gente também a Paula que deu uma aula pra gente agora, né, antes da da entrada da Dra. Cintia, agora a gente conecta essas duas mulheres. Por quê, gente, essas duas profissionais? Porque é importante essa conexão, né? É importante a gente cuidar do nosso corpo, é importante a gente cuidar da nossa mente. E quando a gente tá nesse momento de tristeza e a gente não consegue identificar muito se essa tristeza é aquela tristeza que passa ou é aquela tristeza que vai se acumulando e vai se agravando e vai crescendo, eh, sem a gente ter noção da dimensão disso, é hora de buscar ajuda. E aí a importância é dessa desse apoio, né Paula, esse apoio de eh multiprofissional, é assim que vocês falam, né? Então o o apoio multiprofissional, o apoio da família, isso vai trazer de repente um acalento e e uma possibilidade de reversão desse quadro? É possível, né? Sim, sim. É altamente tratável. Eh, e é importantíssimo associar, eh, vai precisar fazer o acompanhamento, né, com com cardiologista e também a psicoterapia, porque o que acontece? A gente costuma adicionar um sofrimento extra devido à interpretação que a gente dá, né? Porque a síndrome eh do coração partido não acontece somente mútuo. Então, às vezes você tem términos, rupturas, divórcios, eh, e a pessoa também vai parar, né? vai, pode desenvolver essa condição. Então, é preciso prestar atenção, monitorar os sintomas, eh ter um olhar bem eh detalhado, né, principalmente ali nos primeiros as primeiras semanas, os primeiros meses. Eh, a gente tem vários relatos sobre isso na história, né? Tem, por exemplo, um casal famoso, eh, Johnny Cash, Junor Carter, e tem um filme, é, é uma história bonita, eles eram músicos e eles eh o Johnny morre logo na sequência, como você colocou, esses casos de avô e avó, pessoas que, né? Então assim, é preciso olhar porque às vezes a pessoa não está apenas processando um luto, ela já adoeceu. Então a gente precisa prestar atenção nisso. Olha só a importância desse atendimento, né, multiprofissional. Eh, doutora, eh, qual que é a avaliação que a doutora faz sobre eh estar alinhado, né, eh, a, a mente, o corpo e esse atendimento, né, do cardiologista e também de uma terapia, um psicólogo, para poder fazer com que a gente também entenda, né, o poder que as nossas emoções têm sobre a nossa mente e sobre o nosso corpo também, correto? Eh, é importante a gente eh identificar, né, essas pessoas mais vulneráveis, né, os idosos, os cuidadores. Eh, hoje a gente sabe também que um um a mulher no período da menopausa, ela também é uma eh é um uma pessoa vulnerável. Enfim, a queda do estrogênio, ela pode est diretamente relacionado também à síndrome do coração partido, porque o estrogênio ele é um um hormônio protetor, né? Então a gente precisa estar atento para prevenir, né? Ah, toda essa condição aí, principalmente no nessas pessoas que têm esses fatores aí predisponentes aí desenvolver essa síndrome do coração partido. Muito bem. Agora 8:42. Produção, me avisando aqui que nós temos algumas perguntas. Nós vamos até às 9 da manhã aqui com a Dra. Cin também com a nossa psicóloga Paula falando sobre eh a síndrome do coração partido. É possível morrer de tristeza, a importância de nós reconhecermos as nossas emoções, nomearmos todas elas e aí buscar ajuda. Se a gente percebe que está fora, né, do nosso controle. A gente precisa entender sobre isso e eh ter a informação e repassar também para as pessoas que estão à nossa volta, porque é importante ter o conhecimento, tá bom? Vamos lá. Pode colocar a primeira pergunta na tela, produção, por gentileza. Vamos ver. Ana Paula Ribeiro de Barão Geraldo. Eu evito falar da pessoa que morreu porque tenho medo de desabar. Guardar tudo em silêncio pode piorar o sofrimento com o tempo, Paula? Sim. Eh, por mais que seja difícil, é necessário sentir, é necessário aprender a nomear, a de repente dar uma nova interpretação. Eh, por muito tempo evitou-se falar sobre suicídio, acreditando que faria aumentar os índices. Os índices aumentaram mesmo assim. E hoje a gente entende que é preciso falar sobre eh campanha do Maio Laranja, tem que ensinar as crianças sobre sexualidade para evitar abuso. E sim, no caso do luto, por mais difícil que seja para você, Ana Paula, é preciso falar sobre, é preciso sentir para que você elabore, senão de um jeito ou de outro, essa dor volta a te revisitar. É exatamente falar, nomear, sentir, processar para que possa passar, né? É, é um, é um processo, na verdade, e a gente precisa passar por ele. Agora 8:44. Pode colocar mais uma na tela, por favor, produção. Vamos ver quem tá conosco. Fernanda Lima, do Jardim Proença. Olha só isso aqui pra Dra. Cíntia. Doutora, quando uma pessoa idosa pede o companheiro, a família deve ficar mais atenta à pressão, remédios e consultas médicas? Sim, deve. Porque ah, como a gente comentou, né, essa tristeza, esse luto, eh, são fatores que podem produzir os hormônios e e isso diretamente relacionado ao coração, que pode aumentar tanto a frequência cardíaca, pode aumentar a pressão arterial. Então, essas consultas regulares de prevenção são importantíssimas nesse momento, porque vão identificar se eh ele precisa de um apoio psicológico, se ele precisa de um apoio farmacológico, se precisa mudar algum tipo de medicação. Então isso é imprescindível nesse momento. OK, doutora, muito obrigada. Vamos lá para mais uma pergunta. Nós temos mais uma para cada e aí vamos conversar, falar um pouquinho sobre a questão da menopausa, que me chamou muita atenção e a gente também precisa falar sobre isso. Eh, João Batista, eh, do São Bernardo, tem gente que mantém o quarto, ah, as roupas e os objetos da pessoa exatamente iguais por ano. Isso ajuda a lembrar ou pode prender a pessoa no luto? Boa pergunta, João Paula. E aí, como faz? Pois é, é uma pergunta que divide. Eh, veja, cada um tem um jeito de processar. Eh, já foi uma recomendação que a pessoa se livre de tudo, eh, mas para algumas pessoas não é tão simples, então cada um vai ter o seu jeito particular. Eh, basicamente, eh, uma coisa que eu gosto sempre de deixar claro pra pessoa é que quando você perde de alguém, você vai reaprender a viver sem essa pessoa. Então, neurocientificamente você está acostumada, são cheiros, eh, tudo evoca memórias. H, eu particularmente acredito que seja mais fácil se livrar daquilo que possa eh eventualmente te trazer memórias. você está em um processo de de aprendizagem, então de repente facilitar esse processo seja melhor para preservar você. É muito bem, cada um sente de uma forma, né? Mas de repente, será, né, que é interessante você ficar toda todo momento se deparando, né, com aquela lembrança? Sim. Mas é eh a gente deve fazer da forma que a gente acha que convém, né, pra gente, porque cada um sente de uma forma, mas eu tive já esse esse experimento, essa sensação. Eh, e é, eu vou falar um negócio para vocês, é muito, mas muito ruim. É, para mim foi assim uma sensação horrível, né? Quando perdi minha avó, nós voltamos do sepultamento e eu fui direto pro quarto dela e quando eu abri o guarda-roupa, que eu vi tudo aquilo lá assim, me deu, gelou, gente. Eu senti um gelo no coração. É uma dor muito profunda, né? Então eu optei de repente por eh deixar a da forma que estava e e seguir a minha vida com a lembrança daquela pessoa que eu amo, né, tanto. Então assim, cada um tem uma forma de trabalhar com essa situação, mas que é delicado é e muito, gente, e muito. E precisa falar, viu? precisa falar, precisa conversar, porque falando você tá de repente tirando, sabe aquela coisa, aquela angústia que fica dentro de você. Falar, conversar sobre é muito importante. 8:47, mais uma perguntinha. Vamos ver quem é que tá conosco. Vamos lá. Essa pergunta a gente direciona pra doutora e a gente já fala da menopausa, que também traz uma tristeza profunda e a gente precisa entender sobre isso. A Denise Almeida do Jardim Leonor. Tem gente que acha que dor emocional não mata. Mas o corpo parece sentir tudo. Quais sintomas físicos nunca devem ser ignorados no luto, doutora, por gentileza? Então, eh, a palpitação, dor no peito, falta de ar, um um mal-estar, né, muitas vezes inespecífico, pode sim já ser alguns alguns sintomas que podem fazer a gente pensar na síndrome do coração partido. os sintomas se confundem, mas ah é importante a gente ter essa atenção, principalmente nesses pacientes que sofreram luto, uma grande perda, né? eh essa eh fraqueza, eh todos os sintomas que podem levar a pensar eh em pressão alta, uma dor de cabeça que não passa, uma palpitação, uma dor forte no peito. Eh, são sintomas que não podem deixar passar despercebido. a gente precisa pedir ajuda, eh, ou uma reavaliação cardiologista, porque isso sim pode ser alguma alteração cardíaca aí secundário a esse estress eh intenso. Então, acho que fica a dica, né? É, o que a gente pode levar do programa de hoje é que eh a partir de um estress intenso, de uma perda, de uma dor, uma sensação de tristeza muito grande, além de procurar terapia, é importante você procurar um cardiologista para fazer um checkup, para ver como é que tá o seu coração, porque realmente sim, né, o o a tristeza, ela vai interferir no nosso corpo físico e o nosso coração vai sofrer. É a síndrome do coração partido. Agora, faltando 10 minutinhos paraas 9, a gente tem aí uns 10, 15 minutos ainda pra gente poder falar sobre algo bem interessante, importante, que precisamos falar, que também vem eh que acomete uma tristeza, que é a questão da menopausa. As mulheres estão passando por essa fase hoje, ainda bem, podendo conversar sobre, podendo falar sobre, podendo se expor, se permitindo a sentir e a contar o que estão sentindo. E isso é muito bom. E quando a gente puxa a questão da tristeza, a menopausa ela traz uma tristeza que você não sabe de onde vem, né? Você tá triste, toma. Por quê? Não sei, né? Paula, o que que acontece eh na pré-menopausa e na menopausa que a mulher ela é acometido sim, acometida sim por uma tristeza além da condição hormonal, né? Porque a condição vira uma bagunça, uma confusão generalizada. Mas aí a gente tá falando dos hormônios. Mas se você perceber, os hormônios vão afetar a nossa saúde mental e muito. E a gente precisa cuidar com isso, por favor. Com certeza. É um é um período delicado e hoje o que a ciência diz é que cada mulher precisa ser olhada individualmente, se vai ter reposição hormonal ou não, enfim. Ã, né? Mas cada mulher precisa ser olhar em suas questões subjetivas. Existem mulheres que começam a ter um sofrimento psicológico muito grande e elas vão sim precisar de de um outro de um acompanhamento eh personalizado, eh com reposição. A psicoterapia é um braço muito importante porque tem uma perda de sentido. Eh, muitas mulheres perdem algumas funcionalidades, ganham um novo estilo de vida, enfim. Então são vários processos que acontecem, né, no no corpo biológico. Uhum. E na esfera psicológica. Então, precisa ressignificar. Eh, a mulher tem a alteração de de aparência física, então, toda todas essas coisas pesam bastante, não é? Eh, frescura. Mais uma vez, é importante dar essa devida atenção. Eu recebo muitas mulheres eh que começam a se sentir tristes, com aparência ou com mudanças ou com cortes e rupturas da vida. E a gente precisa olhar com carinho para isso. Exatamente. Até aquela questão de de se ver no espelho, né? você começa a entender e perceber que sim, você está envelhecendo, que o tempo está passando e que você está próximo ou já está eh na menopausa. E aí, mais uma vez, né, tem pessoas que hoje ainda eh dizem: "Ah, mas é menopausa, vai ter que passar por isso?" Sim, vou ter que passar por isso, mas que bom que eu posso passar por isso com entendimento, com confiança, sabendo quem eu sou, tendo eh eh um um diagnóstico, né, sobre o corpo e também sobre como está funcionando a minha saúde mental para que eu possa seguir aí eh nessa nova fase com mais entendimento e menos sofrimento, porque é uma fase que traz sofrimento, traz tristeza. Agora eu trago a Dra. Cíntia para falar pra gente sobre essa questão da menopausa, doutora, porque essa bagunça, né, dos hormônios que acontece quando a mulher está nessa fase, ela pode causar uma tristeza muito profunda e a gente precisa eh ter o entendimento para poder tentar equilibrar essa situação nessa fase da vida, não é, doutora? Por gentileza. Sim. Eh, nessa fase da vida, né, essa queda do estrogênio tem uma relação diretamente com as alterações cardiovasculares, né? Nessa fase, ela tem a queda do estrogênio, ela aumenta o risco cardiovascular, ela já tem um um risco por si só de ter um infarto, né? Então, isso é real em termos hormonais. E além disso, eh, a queda do estrogênio também pode predispor também a síndrome do coração partido. Por essa queda do estrogênio, que antes era protetor, ah, a produção desses hormônios, eh, cortisol, adrenalina, eh, eles vão ter um peso ainda maior, né, ali no coração. Então, quando a gente eh observa eh o número de mulheres que tm a síndrome do coração partido, acima de 90% tão na menopausa, então mostrando aí essa relação direta com a queda do estrogênio, né? Então a gente tem um um risco duplo aí tanto de fato do infarto e também eh em relação aí a a síndrome do do coração partido. Muito bem, doutora. Agora sobre a menopausa, eh é natural que a gente vá em busca de um médico, né? E aí tem mulheres que podem, outras que não, mas quanto à reposição hormonal e o risco, né, de doenças eh eh cardiovasculares, tem essa essa essa conexão, essa possibilidade, a gente tem que se atentar com a reposição hormonal também, doutora, referente a à doença do nosso coração. Tem aí um uma conexão? Sim, tem uma conexão direta, né? Nem toda mulher ela ela pode fazer essa reposição hormonal. É importante ela fazer uma avaliação cardiológica, fazer um checkup anterior a a essa reposição, porque eh você de fato tem um risco maior aí de alguns eventos, né? Então, a mulher, se ela já tem um histórico de AVC, se ela já tem um histórico de um infarto prévio, muito provavelmente isso é uma condição aí que já dificulta essa reposição. Então, essa avaliação cardiológica prévia a reposição é de fundamental importância para para ela seguir esse tratamento. Ótimo, doutora eh Cíntia, né, conversando com a gente sobre essa questão aí do nosso coração. Então, sim, temos a síndrome do coração partido. Sim, nós sofremos e muito de tristeza e a gente precisa de orientação. E é isso que nós estamos fazendo aqui hoje, né, com a Paula, com a Dra. Cíntia, uma falando da questão psicológica, outra falando do nosso coração, que precisa ter um olhar assim bem atento, porque ninguém merece sentir dor, né? E realmente é uma dor que dói, né, Paula? Sim, dói muito, né? Como a gente colocou, a gente não separa o ser humano. Eh, o que é psicológico dói no corpo. A gente tem diversos quadros, né? Ansiedade que tá aí, né? eh, deixa bem ilustrado tudo isso. Então, a gente precisa se cuidar, dar um novo sentido. Eh, então, se você perdeu alguém, eh, e tem maneiras de você dar um novo sentido, ressignificar, continuar vivendo. Eh, como eu coloquei no início, eu acredito que quando a gente faz isso, a gente honra a vida do outro. Eh, não é fácil, mas é possível. eh se permita, se permita continuar vivendo. Eh, e aos poucos a gente vai aí no caminho da superação, que a gente não vai esquecer, não é sobre esquecer, mas é sobre conseguir continuar caminhando mesmo com o coração doendo. É, gente, ressignificar, né? Bom, a gente vai encerrando por aqui agora 8:57. Eu quero agradecer a Dra. Cíntia, né, que disponibilizou um pouquinho do seu tempo para nos orientar, nos ensinar sobre o o nosso sistema, né, o nosso coração, que também sofre e muito e a gente precisa se atentar a esse sofrimento. Ô, doutora, obrigada pela sua participação, pela sua orientação, né, de trazer aí tanta informação precisa nesse tema de hoje, que é a pergunta, né? O tema é, na verdade, uma pergunta. é possível morrer de tristeza. E a gente percebeu aqui, se a gente não cuidar, pode ser que estamos eh eh eh predispostos a a vai acontecer essa situação, doutora, até meio estranho falar, mas é possível morrer de de tristeza? É possível. É possível. É possível sim. É real. Aham. A doutora falou, eu fiquei meio assim de falar, porque é possível morrer de tristeza, mas vai morrer sim, é possível. A gente é possível e a gente precisa ter um cuidado especial. É para isso que nós temos profissionais, assim como vocês. Então, doutora, quero agradecer demais a sua participação. Obrigada pela sua orientação. Obrigada. Eu que agradeço. Ten um bom dia e e vamos estar atento, porque é possível sim morrer do coração. Vamos deixar isso eh deixar nosso coração aí cuidadinho aí para evitar que a gente sofra por essa por esse problema. Muito bem, doutora. Obrigada. Você vê como é estranho até de falar, né? Eu queria, é possível morrer de tristeza. Mas é, gente, é possível morrer de tristeza. Mas claro que a gente pode reverter toda essa situação cuidando do nosso coração e da nossa mente. Paulo, eu quero agradecer você pela sua participação mais uma vez, viu? Gratidão por nos orientar tanto e eh com essa troca de conhecimento eh que você trouxe pra gente, viu? Obrigada. Muito obrigada. Eu agradeço também. Foi um prazer. Prazer é todo nosso. E você que tá aí do outro lado já sabe então que sim é possível morrer de tristeza. Gente, a dor, né, a dor da perda, ela faz parte da nossa condição humana, mas ela não precisa ser enfrentada em silêncio e nem em solidão. Reconhecer o sofrimento, buscar ajuda, aceitar apoio. São atitudes que podem fazer toda a diferença no processo de reconstrução, né, da nossa vida. Quando a gente cuida da saúde emocional, a gente também tá protegendo o coração e todo o nosso organismo. Então, cuidando da saúde emocional, cuidando da saúde física, a gente consegue seguir aí com mais tranquilidade e não morrer de tristeza, né? Então, olha, um grande abraço para você, fique bem. Daqui a pouquinho nós temos a Íria chegando com informações atualizadas. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia, tem o Câmara na Copa, temos o jogo do Brasil também. Então, boa sorte Brasil, bora que bora torcer. E a no próximo estúdio Câmara, amanhã a gente vai discutir um fenômeno que preocupa pais, educadores, psicólogos e profissionais da saúde. As crianças, vamos falar sobre as crianças e a questão estética. A obsessão pela estética está chegando cada vez mais cedo à infância. Meninas de 4, 5 anos já reproduzem rotinas complexas de skincare com produtos inadequados paraa idade. Pois é, enquanto isso, eh, muitos meninos passam a desenvolver também uma preocupação excessiva com a aparência, influenciados por celebridades, até atletas e influenciadores digitais. Então, até que ponto vai a vaidade infantil? A gente precisa falar sobre isso, porque criança precisa ser criança e aproveitar esse momento da vida em que o que ela precisa é brincar e estudar e aprender. É só isso. E tá tudo bem para uma criança, né? E a gente tem que cuidar com essa questão aí eh da adultização, se assim podemos dizer. Então a gente fala sobre isso amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Agora 9:1 a gente agradece você. Vamos entregando e a IRA está chegando por aí. Beijo grande, fique bem, até amanhã e bora torcer para o nosso Brasil, hein? Ó, vamos assistir o jogo. Bora que bora. Amanhã a gente fala também sobre o resultado do jogo de hoje. Grande abraço, boa sorte para nós e até amanhã. Ciao