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Olá, muito bom dia para você que tá aí ligadinho com a gente na TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara, primeira segunda-feira do inverno. E aí, como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Hoje, dia 22 de junho, vamos conversar. Bom, gente, hoje nós vamos conversar então sobre o quê? Aquele caso que ganhou repercussão em todo o país e chamou atenção pela complexidade dos fatos e pelos questionamentos que levanta sobre comportamento humano e saúde mental. Um caso muito bom pra gente conversar aqui no programa e pra gente ter entendimento e consciência. A mulher de 37 anos, que teria assumido a identidade de uma criança e sustentado essa história durante mais de um ano, conquistou a confiança de uma família adotiva e de diversas pessoas ao seu redor. O episódio gerou surpresa, indignação e muitas dúvidas. O que leva uma pessoa a criar uma identidade falsa tão elaborada? A gente tá diante de um transtorno psiquiátrico, de um comportamento criminoso ou de uma combinação de fatores psicológicos e sociais. Casos como esse despertam curiosidade, mas também, gente, oferecem uma oportunidade pra gente discutir temas importantes, como o transtorno factício, a mitomania, a manipulação emocional e os limites entre o sofrimento psíquico e a responsabilidade pelos próprios atos. Então, é sobre isso que a gente vai conversar hoje. Nós temos aqui duas entrevistadas especialistas, uma psicanalista, pedagoga, a outra psicóloga. daqui a pouquinho vamos apresentá-las. Eu gostaria que você participasse com a gente. Se você tem alguma dúvida, se você quer falar sobre esse assunto conosco, eh se você tem uma experiência, né, eh, de uma situação que aconteceu com você, eh, referente a esse transtorno factício que nós vamos conversar hoje, mande a sua mensagem pra gente. O WhatsApp tá na tela. A gente conversa com você daqui a pouquinho. Nossa produção já tá apostos para receber a sua mensagem. Pode participar, sua participação é muito importante pra gente. Vamos lá. Manhã de segunda-feira, inverno, sei que você tá com preguiça, mas o sol tá lindo e o céu tá maravilhoso lá fora, tá bom? 1997829377. Bora que bora participar com a gente e daqui a pouquinho a gente começa a interagir com você e também, claro, apresentar as nossas convidadas. Mas agora precisamos atualizar algumas informações. Vamos falar de reuniões que acontecem hoje na Câmara de Campinas. A comissão de educação e esporte da Câmara de Campinas vai realizar hoje, segunda-feira, às 2 da tarde, a quinta reunião ordinária para analisar 15 projetos de lei. Entre os itens da pauta está o projeto de autoria do vereador Roberto Alves, que institui o programa afroempreendedor no município. A proposta tem como objetivo fomentar o crescimento sustentável de negócios geridos por afroempreendedores por meio de implementação de políticas públicas de incentivo, capacitação e fortalecimento da atividade econômica. Entre os objetivos da iniciativa estão a ampliação do acesso a oportunidades de negócios, o estímulo a parcerias comerciais, a troca de experiências e o incentivo à participação em feiras, eventos e ação de empreendedorismo. A reunião é aberta ao público, será realizada no plenarinho da Câmara também, claro, você pode participar com a gente, tá? É só chegar lá na Câmara, fala que quer participar da reunião, você sempre é muito bem-vindo. Também hoje às 2 da tarde, mais uma reunião, dessa vez da Comissão Permanente de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara de Campinas, que é presidida pelo vereador Dr. Ianco. E essa reunião será realizada no plenário José Maria Matozinho. Ela vai discutir o tema cidade inteligente, cadastro multifalitário, tá? A, o encontro vai contar com a participação da empresa ECON, especializada em soluções para governos e cidades inteligentes, que vai apresentar experiências voltadas à integração de dados para aprimorar a gestão pública. E logo mais, às 17 horas, tem a primeira parte da reunião ordinária. Às 18 horas tem reunião ordinária. Você pode participar presencialmente no plenário, também pelo canal do YouTube da TV Câmara Campinas. Aproveito para convidar você para acessar o nosso site, tá? da TV Câmaracampinas, tvcamaracampinas.com.br. Você acessa lá, tem todos os programas, eh é muito legal, você pode participar, sugestões de pauta, eh mandar comentários, fique à vontade para acessar, combinado? Bom, depois de muitas informações, vamos à previsão do tempo e já já a apresentação das nossas convidadas enquanto isso, vai mandando mensagem pra gente, combinado? Vamos lá, gente. Previsão do tempo para hoje. Céu azul. Eu adoro o sol, o céu do inverno. Ele tem um azul magnífico, né? Então eu costumo falar que é céu azul de brigadeiro, bom para voar. Quem trabalha na aviação sabe que esse céu é maravilhoso quando tá assim, né? O sol tá, olha, brilhando lindo lá fora. Então tudo para que você tenha um ótimo dia, que você faça decidir um dia maravilhoso. Mínima de nove, máxima de 27. E vamos tentar entender aí esse caso, né? É o caso que chamou a atenção do país da mulher de 37 anos que foi presa em Santa Catarina após, segundo a Polícia Civil, se passar por uma adolescente de 12 anos. Gente, ela tem 37, ela passou por uma adolescente de 12 anos. Isso por 14 meses, então mais de um ano. Aí se pergunta, mas como é que a família não descobriu, não viu, não teve eh nenhum ponto que pudesse chamar atenção, né? Essa essa família ela acreditava estar ajudando uma menor em situação de vulnerabilidade. Então o caso levanta discussões importantes sobre identidade, necessidade de pertencimento, vínculos afetivos, saúde mental e os limites do sofrimento psicológico e o comportamento manipulador. É sobre isso que a gente vai falar então com as nossas convidadas. Eu quero agradecer a presença e dar as boas-vindas a Sinara Cordeiro, psicanalista e pedagoga e também orientadora parental. Seja muito bem-vinda. Bom dia para você. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Bom dia. Bom dia a todos. Muito obrigada. Com a gente também a participando pelo Zoom, nós temos a psicóloga Érica Luz. Érica, seja bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia. Muito obrigada. Muito obrigada a todos. É um prazer para mim estar aqui com vocês e poder trazer um pouco do meu conhecimento pra gente trocar ideias. Ai que legal, vocês, né, que estudaram, que conhecem a questão da psicologia, a mente humana, né, o desenvolver da nossa mente. É muito bom ter vocês com a gente porque vocês sempre nos orientam. Nós costumamos falar aqui que esse programa é um momento de psicoeducação. Quero lembrar que já tá disponível no YouTube. Você pode acompanhar ao vivo no YouTube, pode repassar, compartilhar para as pessoas que são do seu círculo de amizade, da sua família, porque o conhecimento, gente, quando ele é repassado, ele transforma vidas. Então, a gente já começa perguntando para Sinara. Casos como esse costumam gerar perplexidade na sociedade. A, quem vê fala: "Nossa, mas como? Mas a gente precisa entender o ponto de vista da saúde mental, né? Então, para você assinar, o que mais chama atenção nessa situação? Bom, é um caso que causou essa esse espanto, né, para para as pessoas, por o tempo, né, o tempo que demorou para descobrir. No entanto, falando e se tratando da saúde mental, existe, nós estamos falando de um transtorno, sim, né? de um transtorno onde a pessoa conta uma história, conta uma uma mentira, tem todo um enredo, né? Ela simples, ela conseguiu convencer, né? Tem então tem toda uma nuance por detrás disso. E nós sabemos também que a mentira ela traz ali um glamor, né? um certo um certo posicionamento ali pra pessoa, aonde que ela entende que pera aí, eh, contou-se uma mentira, contou-se uma história e de repente quem ouviu se se sente tocado por ela. Então, a questão aí é muito mais complexa do que se imagina, que às vezes as pessoas ficam assim, mas como que alguém vai acreditar? Porque a mentira ela traz assim esse envolvimento. A pessoa acreditou porque tinha uma história por detrás disso. Ela contou um enredo, ela contou ali eh uma algo que quando uma pessoa escuta, ela fica como ouvida. Então, quem ouve, não, eu preciso ajudar, eu preciso falar com essa pessoa, eu preciso salvar essa essa adolescente. Pois é, essa moça, ela tem tanto poder de persuasão que assim, se a gente for parar para analisar, a discrepância de uma pessoa de 37 anos para uma pessoa de 12 anos é gente, é uma diferença muito grande, né? Então, tanto o tamanho, quanto as atitudes, quanto é tudo, você consegue distinguir. Agora, a família não conseguiu, a família acreditou estar ajudando uma criança que era vítima de violência, né? uma criança que ela estava exposta ao mundo cruel e terrível e ela precisava de eh um conforto, um acalento e de alguém que a protegesse. Então, Érica, eh o que na sua avaliação, o que que pode levar uma pessoa a criar e sustentar uma entidade, uma identidade falsa durante tanto tempo, mesmo convivendo eh com outras pessoas? Porque se se a gente analisar eh eh a grosso modo, se você cria uma identidade falsa, mas você não tem a convivência diariamente com tantas ou outras pessoas, fica, entre aspas, tá, mais fácil você de repente manter. Agora imagina, você cria uma identidade falsa e você tem que conviver todos os dias na mesma casa, no mesmo ambiente e você tem que estar repetindo a aquele personagem que você criou. você tem que ter um enredo, um poder de persuasão muito forte. Então, na sua avaliação, o o que que acontece com ã quem tem, não sei se eu posso chamar de poder de persuasão, se é poder de manipulação, o que que é isso? Eh, eu acho que em primeiro lugar a ela desenvolveu isso, né? Essa família onde ela ficou mais de um ano, não foi a primeira família com quem ela fez isso, né? Então, ela veio treinando e aprimorando a sua técnica. A gente, enquanto profissional, em qualquer área, a gente vai treinando e aprimorando o nosso eh o nosso trabalho. E me parece que foi um pouco isso que ela fez, né? Ela teve em outras famílias, em outros estados antes e ela foi refinando, né? Então, eh, eu entendo que existe sim, eh, uma toda uma manipulação que ela fez pelos ganhos que ela tinha com isso e ao mesmo tempo, porque eu acho que nunca é ou é sempre e, né, a gente vai somando as coisas. Uhum. Eh, os ganhos que ela foi tendo, foi fazendo com que ela se sentisse muito confortável ali. Ela foi se identificando com aquele personagem e realmente eh entrando nele, né? Ah, e por outro lado, pelo lado da família, eu vejo que hoje tenho um desejo e uma necessidade muito grande das pessoas em se sentirem cuidando, acolhendo. Também tem esse outro lado todo, né? Exatamente, né? A família se sentiu na necessidade, de repente de acolher, né? que é uma família que já trabalha com acolhimento, então viu ali uma vulnerabilidade muito grande e se sentiu na necessidade de acolher. E em contrapartida, a pessoa que foi acolhida, como disse a nossa psicóloga, ela já tava treinando, né? Então tudo que se alimenta cresce, você vai treinando, você vai treinando, você vai ficando experto. Se você treinar aí a sua profissão, você vai ficar experto no que você faz. E a mesma coisa parece ter acontecido com essa essa mulher. Agora, Sinara, até que ponto esses comportamentos de regressão que a gente viu, né, dessa pessoa, infantilização também ou a busca por assumir assumir aí o papel de uma criança, eles podem estar relacionados a necessidades profundas, traumas, dificuldades de adaptação, eh problemas específicos de saúde mental. Existe um evento, né, no nosso cérebro e o In Coach, ele traz muito isso na nos seus estudos. Eh, o a criança, um modo geral, a criança quando ela passa por um evento de trauma, ela tem ali um ciclo interrompido. Estou falando de uma criança 5 até 8 anos. E pode ser que quando ela passa por um processo de adoção, ela venha apresentar uma regressão. No entanto, esse essa regressão, ela existe uma janela, ela tem ali uma regressão, ela tem um comportamento infantilizado. No entanto, quando a família acolhe esse comportamento infantilizado, ele se encerra e a criança continua com seu desenvolvendo desenvolvimento natural. No entanto, no caso em si, essa essa mulher de 37 anos, existe aí uma questão por detrás que ela estudou muitas coisas que foram achado algumas coisas no celular dela, eh, sintomas ali de uma crise de uma criança que tem autismo. Então, ela foi, como a Érica bem mencionou, ela foi estudando também como ela ia se apresentar. Então, eh, causa ali um espanto. Mas esa aí, ela ela usava um capuz, eh, uma blusas, eh, roupas de moletom, ficava mais aquela vozinha mais assim adocicada, né? Aquela coisinha bem infantil, suave. No entanto, o que mais assim assusta, e aí mais uma vez a gente volta na questão do quanto que ela envolve, a mentira, ela envolve e quem escuta essa mentira quer quer o quê? salvar, proteger, porque ela contou várias histórias, ela trouxe várias questões que ela tinha aquele corpo desenvolvido. Por quê? O o pai biológico eh eh deu a ela remédios que hormônios que ela para desenvolver, porque ela sofria abuso sexual. Então teve ela tinha respostas para tudo. Não era simplesmente: "Ah, eu sou uma criança, então quem perguntava, quem questionava, não é, eu sou assim porque eu tomei hormônios". Então acaba que a resposta é: gente, é isso. Ah, mas não procura, eu não tenho documento, porque senão esse genitor ele vai me encontrar e é pior e eu tô estou em risco. Acaba que ela deixou também a família sem muita reação inicialmente, mas sempre tem alguém que fica observando. Então nada passa assim tão ilesas, ileso e despercebido. É verdade. Agora quando você fala da família, eu vou passar paraa Érica, porque Érica, além da pessoa que constrói, né, essa identidade, mas podem ser os impactos psicológicos paraa família, né, que acreditou na história, desenvolveu laços afetivos e aí de repente se depara com uma situação assim que é um pouco meio que difícil de explicar para quem não tem o entendimento da psicologia igual vocês têm. Então, qual o impacto psicológico isso causa pra família? gera um impacto muito importante para todas as pessoas, né? O trauma ele pode acontecer a qualquer momento. Essa família sofreu um trauma porque ela estava se colocando disponível para fazer um um atendimento, um trabalho, um cuidado. E ali ela a toda a família sofreu um trauma também, né? tinha toda uma predisposição ali de negação, eh, de procurar olhar pro que de bom poderia ser feito. E aí quando vem a constatação dessa realidade, isso já para essa família, né? Como cada um vai lidar com isso, depende muito da personalidade de cada pessoa envolvida, né? Mas essa família precisa ser cuidada também. Ah, porque eu acho que uma coisa importante a gente pensar que assim, de uma forma geral as pessoas têm o desejo de cuidar e de ser boas, né? A gente vem vendo isso na sociedade, o quanto é bom eu poder fazer o bem pro outro, o quanto me faz bem fazer o bem. Uhum. E quando eu descubro que isto na verdade é alguém que está fazendo mal para mim, isso tem um impacto muito grande, né? Exatamente, né? Você pode completar. E tem uma questão, eh, completando a fala da Érica, a família ela reagiu da forma como num primeiro momento ela precisava reagir, que era proteger. Uhum. chega uma pessoa que fala que conta uma história, sofreu inúmeras situações de de abusos, perigo, não sem documentos. Ela, ou seja, tudo tudo que foi questionado, ela laçava. Uhum. E essa família com essa intenção, deixa eu proteger, deixa eu cuidar, deixa eu fazer alguma coisa, acaba que realmente começa a confiar e e nesse processo. Então, as famílias, né, quem está aí acompanhando, se já viveu uma situação como essa, vocês fizeram, reagiram como tinha que reagir. No entanto, aí que entra uma questão, né, assistindo também outras reportagens que ela já fez isso também no Rio de Janeiro. Eh, tem sempre tem uma pessoa que tem ali um olhar mais atento, que ela se envolve, mas é um pouco mais racional, falando: "Pera aí, isso aqui tá incoerente, calma, não é bem por aí". E é a envolvida, né? Ela também estudava essas pessoas. Tanto que nos relatos dessa dessa conselheira tutelar lá do Rio de Janeiro, ela traz essa essa fala de que quando ela era abordada e questionada com algum algumas situações, ela já ficava mais assim reativa, estimulava ali uma crise, ela calma, eu estou falando com você, eu preciso dessa resposta. Ou seja, existe também todo um estudo também do comportamento do outro. Então, para a família que viveu essa situação, dá aquela aquela sensação assim, poxa, eu fui enganada, como que eu permiti isso? No entanto, eh, diante de todo esse cenário, a fala que eu tenho é: "Vocês fizeram para aquele momento? Reagiram da forma como tinha que reagir. Vou proteger, vou proteger." No entanto, no decorrer do tempo, vão se descobrindo outras coisas. Isso vai, pera aí, não está tão coerente. Ó, muitas pessoas começam a rir, né? Mas é entender que a mentira ela é sedutora, ela é envolvente. Exatamente. E a moça, a mulher lá de 37 anos, ela mentiu tanto que ela acreditou na própria mentira, né? Muit das vezes estava ali se passando por uma uma criança mesmo e fez com que as outras pessoas também acreditassem. Agora, eh, depois desse episódio começou a a falar muito sobre mitomania, né? Então, ganhou repercussão o caso e as pessoas começaram a falar sobre mitomania, querendo saber o que significa esse termo. Então, eh, gostaria da que a Érica explicasse pra gente eh qual que é a conexão dessa dessa situação dessa moça de 37 anos com a mitomania. Érica. Ó, eh, eu queria começar só esclarecendo uma coisa. Eu não vou aqui fazer um diagnóstico, porque um diagnóstico psicológico psiquiátrico é um diagnóstico ah que exige muito cuidado, muita atenção, não é algo que a gente faz porque tá vendo o caso acontecendo, né? Isso eu acho que é uma psicoeducação muito importante, porque como hoje a gente tem acesso a muitos a a muitas informações, todo mundo tá aprendendo muito a fazer diagnóstico sozinho, né? E isso é um risco muito grande, porque um diagnóstico real, ele exige uma série de intervenções, inventários, são muitos instrumentos que a gente precisa usar para chegar a um diagnóstico. Por que que eu tô falando isso? Porque há um tempo atrás a gente começou a falar em depressão e aí todo mundo passou a ter depressão. Aí a gente foi compreendendo o autismo, aí todo mundo classifica qual o nível de autismo que tem. Depois isso virou pro nessismo e eu tô tendo cuidado aqui de trazer a essa informação para que a gente não saia eh classificando as pessoas de mitomaníacas aí pela cidade, pela vida da gente, né? Uhum. Então a mitomania ela é um transtorno de personalidade, tá? Os transtornos de personalidade, eles hoje são compreendidos dentro de uma escala de leve, moderado, a grave, né? Ah, ela é um transtorno em que a pessoa sim, ela mente compulsivamente, ela mente durante muito tempo por muitas coisas. É uma tendência que essa pessoa tem de personalidade, né? Assim como existem outros transtornos de personalidade que podem estar envolvidos aí, eh, psicopatia, eh, é difícil a gente compreender o caso dela, né? Mas a mitomania tem esta característica. Então, e tem outra coisa, os transtornos de personalidade eles acontecem, eu até peguei os dados aqui para trazer para vocês, de 9 a 15% dos adultos apresentam algum transtorno de personalidade. E em pacientes psiquiátricos, essa prevalência passa para de 45 a 51% dos casos. Então, as comorbidades também são muito frequentes, né? Ah, então eu acho que todos esses dados são muito importantes pra gente compreender que não é acerca de uma única coisa. Uhum. Né? Eh, envolve várias questões da vida dessa dessa moça, desde a sua infância até as experiências que ela viveu e como ela realmente foi aprendendo e desenvolvendo essa técnica. chegar a conseguir eh tanto tempo levar as pessoas a acreditarem na história. Uhum. E o grande desespero também dos pais, eh, que eu acompanho muito esses pais, eles falam: "Meu Deus, meu filho agora começou a mentir". E acaba que eles vão pegando essas informações e querem assim acabar com essa mentira. Mas vamos separar um pouquinho, né? que faz parte do desenvolvimento infantil, de uma de uma fantasia que a criança vai contando. E às vezes também sem que ela sem que a criança perceba, ela começa a usar a mentira como autoproteção. Meu filho, você quebrou esse copo? Não, porque tem medo da reação do pai. E na cabeça do adulto fica: "Meu Deus do céu, não quero que meu filho se torne aquele mentiroso e começa a desenvolver outras coisas". Então é importante nós enxergarmos também a situação, reagir de uma maneira a fim de ajudar essa criança a resolver o problema e se desvincular, né, dessa questão. Ai, eu vi na televisão, será que meu filho já está desenvolvendo? Porque, como a Érica bem disse, existe um um histórico desconhecido por nós dessa dessa pessoa de 37 anos que foi se desenvolvendo desde a infância. No entanto, existe aí também um ganho, né, um ganho psicológico, porque ela recebia ali uma atenção, recebia um acolhimento. Nós não nós não devemos a eh tirar isso de lado. A mentira, ela trouxe ali um ganho para ela, uma atenção, uma família, ela ganhou uma festa de aniversário. Então é importante observar todo o cenário. Meu filho contou ali uma história, pera aí, faz parte do desenvolvimento. É uma fantasia. Ela, ele tá criando. Ah, não, ele mentiu porque ele não quis devolver, pegou alguma coisa do coleguinha e não quis devolver. Então nós, enquanto educadores, pais, nós precisamos reagir a fim de resolver a situação. Eu vou te ajudar a resolver isso. Eu vou te ajudar a lidar também com essa verdade. Lembrando que a verdade ela causa um desconforto porque exige de nós uma responsabilidade. Você vai precisar, usando aqui um termo aí muito comum da cara à tappa e falar assim: "Olha, eu preciso lidar com essa com essa verdade". Então, é importante também entender como eu vou acolher, como eu vou reagir quando o meu filho conta uma verdade para mim, de que forma que eu vou ajudá-lo a lidar com a consequência daquilo que foi criado. Isso tudo cabe também o de alerta aos pais para saber lidar quando surgirem aí uns episódios de mentiras. Muito bem. Agora, quando você fala que tem toda uma história, é importante a gente salientar que assim, eh, nós aprendemos aqui no programa que, né, eh, em vários programas, quando a gente fala eh eh da questão da psicoeducação, vocês eh profissionais da psicologia, da área da saúde mental nos explicam que tem algumas situações que nós vivemos hoje que nós trouxemos lá da infância. E se a gente para para analisar a situação dessa mulher de 37 anos, que se passou aí por uma criança de 12 por mais de um ano, né? Eh, é importante a gente pegar um gancho de o que essa pessoa viveu na infância. Qual que é a sua avaliação sobre isso, senor? Olha, eh, com certeza, né, assim, olhando pelo todo o histórico, o cenário, ela viveu pode alguns impactos, sim, na infância, algumas negligências, porque existe aí um padrão de comportamento, uma falta que, lógico, né, diante de várias análises para entender todo esse cenário, mas eh olhando para toda a história, você percebe que existe ali uma situação que trouxe esse adoecimento. psíquico. Uhum. Porque ela repete, ah, mas tá aperfeiçoando, mas olha só como ela consegue agora enganar, porque existe, mais uma vez, existe um ganho. Ela começou a perceber, tem até um filme, o contador de histórias e num em um conta história de um adolescente que ele foi para uma casa na época era FEB, né? E lá ele descobriu que quando ele falava que ele tinha uma doença, ele ganhava dois pedaços de carne, ele ganhava doce. Até que um dia ele ele trouxe ali uma doença que não tem no homem. Eu estou com a doença do útero. Aí ele aí alguém falou com ele: "Não, mas esa aí, homem não tem útero". Ou seja, ele percebeu que quando ele trazia uma situação de vulnerabilidade, as pessoas olhavam para ele, as pessoas o reconheciam ali de uma forma diferente e trazia ali um um afago. Então, esse ganho, existe ali um ganho, ainda que meu Deus do céu, por que que ela faz isso? Não é melhor falar então que ela está sentindo falta. É muito difícil para quem vive uma situação e se conectar com essa realidade, porque o cérebro acaba protegendo, né, criando ali uma uma proteção para esse indivíduo sobreviver, porque às vezes lidar com a dura realidade causa também uma uma um outro tipo de adoecimento. Então, para ela aprender a suportar, aí ela vai costurando dessa forma. No entanto, assim como eh o filme traz ali uma ilustração muito clara de que aquele adolescente do filme, ele queria uma atenção, mas para que ele conseguir essa atenção, ele precisava falar que estava doente, que aí a pessoa parava para olhar para ele e ali oferecia mais uma coisa que ele ganhava. Hum. É um sistema de sistema de recompensa. É um sistema de recompensa. Ô Érica, essa questão do sistema de recompensa e toda essa repetição que foi eh realizada, né, por essa mulher de 37 anos, essa esse personagem que ela inventou, que ela criou, eh a gente pode trazer uma um alinhamento sobre consciente e subconsciente e consciente. Isso, isso é é algo consciente. Qual que o que que você traz pra gente sobre eh essas essas atitudes, né, eh elaboradas de uma forma tão assim eh brilhante? entre aspas, não tô romantizando e nem aplaudindo, mas a gente parar para analisar, tem todo um planejamento. Mas esse planejamento precisa de de muita inteligência, de muito estudo, como a Sinara muito bem pontuou aqui. E aí, como é que fica? É consciente? É subconsciente? Eh, o o que que é isso? Como que tá a a qual que é a avaliação que você faz sobre isso aí? Olha, eh, com essa sua pergunta, o que vem para mim é que, a princípio, provavelmente foi algo inconsciente, só que os ganhos foram ficando tão grandes que foi se tornando consciente, né? Mas assim, isso é uma hipótese minha, né? porque eu não tenho dados de fato, mas a minha hipótese é que provavelmente começou de uma forma inconsciente, mas que ao longo do tempo ela foi percebendo os ganhos, foi tomando consciência desses ganhos e aí aprendendo a se apropriar dos ganhos e então desenvolvendo toda a estratégia que ela desenvolveu para chegar a isso, né? Por isso que eu acho que assim, ah, existe uma responsabilidade muito grande, porque grande parte ali do que do que ela fez, ela tava consciente, né? Tanto que me parece que quando ela foi confrontada a por um delegado, uma delegada que já conhecia a história precedente, ela mudou a a voz, mudou tudo. Então, ela tinha uma consciência, né? Existem transtornos que são inconscientes e outros que são conscientes. Nesse caso, me parece que tem uma consciência. Sim. Muito bem. E você é e e também tem uma outra questão que às vezes as pessoas falam: "Ah, mas não é só diagnosticar esse transtorno e resolver. Esse transtorno ele é ele é de difícil diagnóstico." Não é algo assim que por quando eh esse esse paciente, né? Esse indivíduo, ele é identificado, assim como a história, quando a família descobria, o que acontecia? Ela mudava de cenário, mudava de cidade. Uhum. Então, sempre quando alguém começava a desconfiar, fugia. Existia ali uma fuga, já tinha esse comportamento de fuga. No entanto, eh, como a Érica pontua, né? Eh, esse sofrimento psíquico, essa fala, esse comportamento diante de alguém que, ó, já conheço sua história. Então, vem a consciência, é, foi descoberto. Uhum. Mas até chegar nesse ponto, ela conseguiu também eh eh mudar de cidade, eh, encontrar outras pessoas, aperfeiçoar esse esse roteiro e, claro, encontrar pessoas dispostas, disponíveis para ajudar. Muito bem. Agora, diante dessa situação, né? Claro que é, como vocês muito bem posicionaram, a a o nosso propósito aqui não é falar sobre o diagnóstico e tal, não. É, a gente eh é como o caso ganhou a repercussão e trata do comportamento humano, é interessante que a gente comece a buscar informações, a estudar sobre o comportamento humano, porque o ser humano ele é uma caixinha de surpresas, né? Então é é muito legal quando você começa a entender como funciona e aí de repente você eh olha para si e fala: "Oxe, pera aí, eu preciso de uma terapia para entender como eu estou funcionando, para entender algumas coisas que não estão fazendo sentido para mim". E aí, a partir desse momento você começa aí em eh uma imersão, né, dentro de uma terapia para um eh um autoconhecimento. E isso é muito importante, tá? Quando você começa nessa nessa pegada de autoconhecimento, você vai ver que isso não tem fim. Nós estamos em eh constante mudança, porque a vida é movimento. Então eu pergunto para você, Érica, eh o o que que a gente pode trazer pro nosso aqui agora? para o nosso conhecimento. Essa situação, esse caso vivido por essa mulher, por essa família, o que que a gente pode acender o alerta referente à saúde mental e o comportamento humano? Que que a gente pode trazer disso pro nosso dia a dia? É, acho que essa pergunta é fundamental porque eh é isso, né? A gente hoje tá aprendendo a olhar paraa saúde mental. a gente tá aprendendo a compreender. Esse caso, é um caso extremo de a uma pessoa que tem a sintomas graves, né? Mas até tiver esses sintomas, quantas pessoas não passam dentro de casa por situações menos graves, mas que são muito difíceis também, né? A saúde mental hoje a gente já compreende que ela faz parte da saúde. Saúde envolve, né, o físico, o mental e o social. Então, eh, cada vez mais a gente tá compreendendo a importância do a de promover a saúde de uma forma integral, o físico e o mental, como através da psicoeducação, que é isso que vocês estão promovendo aqui, que eu acho maravilhoso, né? Ah, e também do cuidado, tanto o cuidado preventivo quanto o tratamento, né? Ah, eu hoje falo que a psicoterapia para mim é como se for a fosse a ginástica pro corpo. Uhum. Né? a gente vai paraa academia, a gente cuida do corpo físico, a gente tem um instrutor para isso, para poder manter o corpo físico com saúde. A psicoterapia é o caminho disso pra saúde mental, porque, por exemplo, nesse caso, né, a questão do afeto, essa essa moça é uma pessoa que provavelmente tem um teste afetivo muito grande, porque ela consegue sair de uma família para outra e tá tudo bem, porque os ganhos para ela são suficientes. E por outro lado, pra família, ela desenvolve um afeto tão grande que ela não consegue enxergar o que tá acontecendo, porque o afeto que ela desenvolveu é tão grande, a o comportamento daquela criança, né, eh gera um afeto tão grande que eles só querem cuidar. Então, eh, poder olhar para o meu afeto, paraas minhas questões psicológicas, é muito importante, porque eu só consigo enxergar o outro completamente se eu conseguir me enxergar. E a gente nega um monte de coisa da gente, a gente eh não vê eh por por defesa mesmo. Então, quando a gente vai paraa psicoterapia, a gente consegue enxergar um monte de coisas que tão inconscientes e que nos auxiliam tanto no cuidado da gente como no cuidado do outro de uma forma mais inteira. É verdade, a gente costuma falar aqui no programa e isso são fala eh falas de psicólogos, né, que a gente precisa cuidar primeiro da gente para depois a gente transbordar o cuidado, né, Sinara? Exatamente. E tem uma frase que eu acredito que é de conhecimento de todos. A infância é o chão que a gente pisa. Então você tá trilhando aí, tá construindo sua história sobre a sua infância e o nosso inconsciente ele vai regendo tudo isso, os nossos comportamentos. Então eu gosto de usar, de exemplificar da seguinte forma. Imagina um quarto escuro. Se você entra e não acende uma luz, você tropeça em algumas coisas. E se você continua insistindo em não acender essa luz, você vai continuando tropeçando. E a terapia, a análise, você tá eh está ali com alguém que vai te ouvir, você começa a acender as as lanterninhas, umas luzinhas, oferecer ali uma claridade para você enxergar. E aí você descobre algumas coisas você precisa retirar dali, outras você aprende a conviver, outras você vai compreendendo para depois decidir o que você vai fazer com essas informações. Mas é importante trazer luz para essa caixinha escura chamada inconsciente, pra gente aprender a ter esse autocontrole, aprender a lidar com as nossas emoções e também aprender a entender o que é do outro, né? Porque a família passou por um processo aí de luto, de pensão, eu idealizei um cuidado, idealizei um adolescente, eu eu ofereci tudo que eu tinha para cuidar, para proteger e de repente não era nada daquilo que foi apresentado. Então é um sofrimento também, né? Entender enxergar essa realidade, como eu vou lidar com essa realidade. Aí vem todas aquelas fases do luto, a negação. Ah, eu não aceito. Nossa, como eu pude aceitar isso dentro da minha casa? e já começa a ter aquela desconfiança. Agora eu não confio em mais ninguém. Ninguém mais vai fazer isso comigo. Mas você cri criou-se um registro e agora é aprender a lidar com tudo isso, buscando esse apoio psicológico, entendendo ali todo o cenário e também descobrindo, né, o que o que me faz me movimentar para cuidar do outro. Porque às vezes as pessoas, a gente fala, tem uma frase, né? Ah, eu cuido de todo mundo, eu pego todas as as funções, mas esa aí, e você pare para para cuidar de você, pequenos cuidados, uma atividade física, cuidar da sua saúde mental, fazer coisas que você gosta ou é sempre o outro? Então, é importante fazer essa pausa, essa reflexão. Eu estou cuidando de mim porque eu preciso cuidar de mim para depois cuidar de quem está à minha volta. Exato. Sinar, e você falando, a sua fala me chamou atenção na questão da família, né? Claro, gente, sem julgamentos. Aqui, nós estamos conversando e trazendo visões psicológicas diante de um assunto muito complexo, que existe aí eh eh necessidade de uma imersão, né, de de profissionais nesse assunto para levantar diagnóstico. Então, a gente tá conversando apenas sobre essa situação, a questão da família, né? a família eh estava ali eh para oferecer um conforto, oferecer um apoio, mas será que ela não foi envolvida em um conforto em um apoio? Será que o negócio não não ficou um pouco distorcido? A família pensando que estava dando o apoio e o conforto pra menina, mas será que aquele comportamento da menina não seria um apoio e um conforto que a família a família precisa e nem sabe que está precisando disso? É, é muito complexo, não é? Muito complexo. E me veio aqui uma, eu gosto muito desse, de alguns exemplos. Se alguém chega e fala assim: "Gente, eu preciso salvar fulano". Tá acontecendo ali um incêndio. Você olha que às vezes as pessoas que não t nenhum trabalho, não sabe nem como lidar com isso, num impulso, ela vai salvar o outro. Ela entra, pega e cuida e salva. E quando eu chego a ser entrevistada, não, na hora eu nem pensei, eu só fiz. Uhum. Então, ter essa consciência agora, como nós estamos tendo, é porque diante de muitas reflexões e e aí chegou na internet, as pessoas começam a ridicularizar essa família, essa família ela merece ser acolhida. Porque ela fez, ela deixou fazer e não não pensou, não ficou ali analisando. A gente, as pessoas colocam uma distância porque estamos ali de fora. Então nós nós nós não estamos eh blindados a uma situação como essa, seja um telefonema que às vezes a pessoa vai conversando, conversando, de repente passa a senha do banco, você fala: "Meu Deus, o que que eu fiz?" Eu fui envolvido por uma história. De repente você faz compras ali. Não, mas ela falou que era tão bom. De repente você compra, depois vem a lucidez. Meu Deus, como eu pude fazer isso? Então todos nós estamos susceptíveis a uma situação como essa. Então é ter assim uma empatia, enxergar e acolher. Infelizmente já caiu na rede, virou meme, mas eh ter esse olhar também de pera aí, e se fosse comigo, o que eu poderia ter feito de diferente? O que eu faria de diferente? Porque nós estamos falando ali de um de um socorro imediato, de falar: "Eu preciso de ajuda, eu estou sofrendo, estão me procurando e aí como eu vou reagir? Eu vou começar: "Não, pera aí, deixa eu analisar aqui primeiro." Não, primeiro você vai querer vai querer ter trazer ali para si, deixa eu proteger, deixa eu cuidar, deixa eu exercer o que eu já faço, porque ativa ali esse lado de deixa eu salvar essa pessoa, deixa eu cuidar. É, só que temos que tomar tomar cuidado com essa questão da síndrome do Salvador também, né? Porque a gente tem que parar, analisar com cautela, não é isso, Érica? Eh, eh, eu acho que aí tem dois pontos importantes. Um é que eu entendo que hoje nós estamos muito carentes eh de uma experiência mais comunitária, né? A gente hoje vive ah em grupos tão pequenos, tão uma vida tão corrida, de uma forma geral, que a gente perdeu esse vínculo de comunidade. E eu acho que isso nos torna mais vulneráveis a esse tipo de de situação também, né? E aí também entra esse desejo da síndrome do Salvador. Sim, porque é muito gostoso, né? Eu tinha dito isso antes, é muito confortável eu poder ajudar. Eu me sinto muito bem comigo quando eu posso fazer o bem. Uhum. Mas a questão é o como, né? Então, é o poder, ah, eu acho que aí existe uma questão do enxergar o outro, que é, o que eu tava dizendo sobre eu preciso me conhecer para eu conseguir enxergar o outro, porque senão eu projeto no outro aquilo que é a minha carência e vou oferecer para ele aquilo que vai me satisfazer. Muito bem. Olha só, é, então a síndrome do Salvador entra um meio por aí, né? Ótimo, gente. Quanto conhecimento compartilhado, né? É importante a gente falar sobre isso, porque é é conhecimento de como funcionamos, né? Mas se você quiser aprofundar um pouquinho mais, busca um atendimento psicológico, né? Faz uma imersão sobre quem você é, qual que é eh o que que você tá fazendo aqui nesse mundo, tenta descobrir, isso é muito bom. E eu vou te falar que você começa a descobrir, só que você percebe que durante todo o tempo, né, dia após dia, você tem coisas novas, porque é movimento, a gente está em pleno movimento, em plena descoberta. E a psicologia é maravilhosa porque ela traz esse conhecimento pra gente. Agora o pessoal de casa tá com perguntas. Vamos colocar na tela, então, as perguntas e direcionar pras nossas entrevistadas, a assinária e a Érica. Vamos lá. Juliana Rocha do Jardim Guanabara. Eu fico pensando como alguém consegue sustentar uma mentira por tanto tempo. A mente cria mecanismos para diminuir a culpa. Sinara, vamos lá. Existe eh não oferecendo um diagnóstico, mas existe ali nessa nessa no indivíduo uma intenção. Então não tem nemum espaço para sentir culpa. Uhum. Existe ali uma intenção. Ela ela deseja conquistar algo, adquirir: "Eu quero uma família, eu preciso criar uma história." Então não tem espaço para falar: "Não, mas espera aí, mas se a família descobrir?" Não, ela tá focada, tá no hiperfoco ali. Eu preciso construir uma história, eu preciso aperfeiçoar, ver o que deu errado na outra família que eu já saí e e costurando essa esse cenário. Então, não tem um espaço para falar: "Nossa, agora eu me sinto culpada porque eu estou causando". Mas uma vez existia um ganho que é muito maior que ela não não cabe a culpa, cabe a intenção. Eu preciso construir isso aqui porque eu vou ter o que eu desejo. Uau! Uma mente destinada a um planejamento, né? E que não tem espaço paraa culpa. É isso mesmo. Olha só, Érica. É, é, é exatamente isso, né? Porque a culpa ela tá diretamente ligada ao afeto. Então, eh, eu sinto culpa quando eu sinto afeto, né? Se eu tô desvinculada do afeto, não, não tem culpa. Uhum. Muito bem. Olha só, a gente tá vendo troca de informação, de conhecimento e realmente é é algo assim de se pensar, né? A pessoa executar esse plano e não ter culpa, né? Aí a gente fica, nossa, mas como pode? Tá vendo só como precisamos ser estudados? Então vamos lá. 8:53. Pode colocar mais uma na tela pra gente, por favor. Vamos embora, produção. Letícia Barbosa do Swift. Quem eh quem descobre que foi enganado pode começar a duvidar de si mesmo? Eh, como tratar essa ah essa insegurança depois de uma manipulação emocional? Então, Érica, é, não tem espaço para culpa, né? quem executou o plano. Mas quem foi enganado tem espaço para insegurança, para insegurança, para culpa também tem espaço para uma série de sentimentos. Eu acho que a colega colocou um termo importante que essa família vive um luto, né? O luto da perda de tudo aquilo que ela eh projetou naquela relação que ela colocou muito a fé, a família colocou muito a fé. Então ela vai ser inundada por uma série de sentimentos que envolvem o outro, né? Não só insegurança, mas culpa, tristeza, raiva. Então essa família precisa ser muito cuidada e acolhida. Muito bem. E isso acontece nesta família de uma forma muito intensa. Uhum. Mas isso acontece com muitas famílias em intensidades menores e que elas também precisam ser cuidadas. Muito bem. E como, né, eh eh qual o primeiro passo para esse tratamento? Porque a gente sabe que a família de repente vai sentir culpa, está em momento de luto, pode sentir medo e aí vem uma questão que esses sentimentos se não tratados vai paralisar, porque de repente a pessoa também, a família também pode sentir vergonha de buscar um tratamento e explicar a situação, ensinar. É aí que entra o apoio psicológico, essa busca na terapia, porque é um ambiente ali terapêutico que vai promover uma escuta sem julgamentos, porque essa família ela já está enfrentando a culpa, né, de dentro para fora, os apontamentos das redes sociais, nesse julgamento. Então, falar sobre esse assunto, contar toda essa história para ela, ela vai querer, não, não quero nem lembrar, eu não quero lidar mais com isso. Só que por detrás o pensamento, aquele sentimento, eu fui enganada, como eu permiti eh, passar por isso? E aí vai gerando outras nuances. E no acompanhamento terapêutico é um ambiente seguro para falar na medida que ela conseguir, né? Porque ela não vai chegando, o paciente não chega contando, né, tudo. Ele vai contando na medida que ele dá conta, ele vai colocando para fora, até faz aquela pausa, não, não quero mais falar sobre esse assunto. E ele é respeitado. Então, a terapia ela vai ajudar a entrar nesse cenário, a lidar com essas com esses com essas emoções para ele conseguir também se fortalecer e seguir a vida, né, e criar trilhar seu caminho. Muito bem. Você sabe que quando você disse a questão da terapia, né, que o primeiro momento da terapia, você não vai chegar na terapia, vai chegar lá. Você acha que se você vai chegar lá e vai, ó, isso, isso, isso, isso, isso. Gente, eu vou contar algo para vocês bem pessoal. Há muito tempo eu iniciei terapia, né? E os meus as minhas primeiras sessões, acredite, só foram de choro. Eu não sei da onde eu tirei o choro, eu não sei de onde eu tirei a dor. Eu só sei que o choro e a dor eles vieram, eles transbordaram. Aí depois do do choro e da dor, que isso durou acho que 15 dias, depois eu comecei a buscar as situações, só que eu parava, na verdade, parava, não conseguia seguir. E ó, foram muitos, muitos dias e, e ah, eu vim pra minha consciência para poder entender que eu estava em um momento e um lugar que eu poderia falar sem ser julgada, que eu estava tendo uma escuta ativa e que a partir dessa escuta eu ia ter o quê? H, uma devolutiva que ia me ensinar a cuidar dos meus traumas, a ter uma compaixão comigo mesmo e, de repente seguir uma vida mais leve. Eu tô falando isso por quê? Porque é interessante você saber que é bom você fazer terapia, vai te orientar, só que não pense que você vai chegar lá e vai, no primeiro dia você já vai sair com os seus problemas resolvidos. Porque terapia não é para resolver problema, eu acho. Terapia é pra gente entender, alinhar as coisas para poder seguir a vida. ressignificar, não é isso, Érica? Exatamente. É a gente poder aprender a se conhecer e depois se instrumentalizar para lidar comas coisas, porque o mundo continua acontecendo, as coisas vão continuar acontecendo, mas quanto mais autoconhecimento eu tenho, mais instrumentos eu tenho para lidar com as situações que vão acontecendo, né? Ai, vocês são maravilhosas. Eu aprendo demais com vocês. E quando iniciei terapia, há uns 16, 17 anos atrás, eu não imaginava, né, que era tão importante pra gente poder ter um equilíbrio para poder entender a vida. Agora, faltando um minutinho paraas 9, mais duas perguntas e a gente já vai para as considerações finais. A ÍRA tá chegando aí daqui a pouquinho trazendo informações atualizadas para você. Sabrina Teixeira da Vila Nova. Algumas pessoas manipulam emoção fazendo os outros sentirem pena. Como é que a psicologia entende esse tipo de esse tipo de vínculo? Sinara, vamos lá. Aí entra naquele falando superficialmente. Uhum. Vai tocar em quem escuta. Olha, eu preciso de ajuda, eu preciso. Então entra na naquela questão. Eu preciso fazer alguma coisa para ajudar. Tem uma pessoa mal intencionada e tem outra disposta a ajudar, disposta a fazer alguma coisa. eles se encontram e, infelizmente vai ter aí esse desfecho, vai existir esse desfecho. Então, quando nós falamos essa, eu pera aí, foi construído um vínculo, foi contada uma história, não é nem um vínculo, é uma história triste, porque o relato desse caso, dessa mulher de 37 anos, inúmeros relatos, histórias tristes, comoventes, mais uma vez, a mentira ela envolve e a pessoa, nossa, meu Deus, que horror, e o outro vai, não, eu preciso fazer alguma coisa. Então, não é propriamente dito um vínculo. Conta-se uma história envolvente, triste, que o outro vai tomar uma atitude. Hum. Eh, então, gente, é, é, é, são pessoas manipuladoras e tem e e tem pessoas que são manipuladoras nível hard, né? A gente, e é por isso que é importante a terapia, porque você também consegue eh dentro da terapia um conhecimento para você de repente entender que você tá sendo manipulado, viu? Pode acreditar no que eu tô falando agora, pontualmente 9 horas. Manda mais uma pergunta pra gente, produção, por favor. Esse negócio de manipulação, a gente precisa de um programa especificamente para falar sobre manipulação. O ser humano é manipulador, gente. Todos nós temos aí um pouquinho de manipuladores, mas tem gente que vai além do limite, né? Lucas Andrade de Barão Geraldo. Quando uma pessoa vive se colocando como frágil, doente ou abandonada, a família deve acolher ou impor limites desde o começo. Ah, você tá dizendo isso dentro de repente da família, né? Saindo desse caso, ã, nosso aqui da mulher de 37 anos, eu acho que é bem legal a gente falar sobre isso. Vamos lá, Érica. Eh, as duas coisas, né? Eu acho que a pessoa que se coloca como frágil, ela tem uma fragilidade, então ela precisa ser acolhida. Mas é exatamente aquilo que você tava colocando sobre o autoconhecimento, é que faz a gente compreender qual é o limite. Não é o limite do outro, é o meu limite. Quando eu conheço o meu limite, eu coloco o meu limite pro outro e aí eu tô impondo o limite para ele, né? Então, eh, é esse caminho entre o acolhimento e o colocar o limite, é que é a arte do conviver, né? Então, não é sobre um ou outro, é como lidar com ambos. Muito bem. Ó, uma uma um exemplo bem legal que o Lucas eh Andrade colocou aqui que a gente pode trazer, levar lá pra infância, é agora inverno, né? Aí tá muito frio, a criança não quer ir pra escola, daí ela fica com dor de cabeça, daí fica com dor de barriga, ela está. E e se isso for eh eh uma situação de manipulação que pode ser que a criança não quer levantar, gente, tá calado, dormindo, quentinho, gostoso, aí olha lá fora, tá chovendo, tá frio, o qu eu vou pra escola? Não, mãe, eu tô com dor de barriga, mãe, eu tô com dor de cabeça. Aí ela se coloca ali como frágil, né? Mesmo assim, a gente precisa impor os limites, porque tudo, como nós falamos hoje aqui no programa, pode começar na infância. Então, a família ela deve acolher ou impor limites desde o começo ou desde cedo, né, Sinara? Precisa equilibrar o equilíbrio, né? Oferecer esse acolhimento, falar: "Meu filho, ok, vamos observar isso aqui. Vou mandar um bilhete na sua agenda, comunicar a professora. Eu vou ter esse retorno, porque a criança ela vai falar: "Ah, eu tô com dor de cabeça, dor de barriga, dor no dente, dor no fio de cabelo". No entanto, meu filho, é responsabilidade. Você precisa ir à escola e os pais ter essa firmeza. É uma firmeza com direcionamento. É observado. E nós sabemos quantos nossos filhos eles querem ficar quietinhos na cama. Então, ó, eu entendi. Você tá com dor de cabeça? Vou falar com a professora para te observar. E qualquer coisa nós vamos conversando e ver o que faz. É exigir, é colocar, apresentar essa responsabilidade, não é simplesmente, ah, então tá bom, não vai. Aí fica assim, semanas a semanas. eh aprender e ensinar também os nossos filhos a atuar com responsabilidade, porque isso vai refletir na escola, no trabalho, na convivência social entre os seus pares e e reflete a vida toda do ser humano. Tem uma uma frase, por favor, que eu me lembrei aqui. Diante da tempestade do outro, na terapia, eu aprendi a fechar a janela. Uau! Janelinhas fechadas. Olha isso. Tá vendo? É o limite. É exatamente, gente. É isso, ó. Compreender os transtornos mentais é fundamental para combater os preconceitos e ampliar o acesso ao tratamento adequado. Ao mesmo tempo, é importante refletir sobre impactos de determinados comportamentos, né, que podem causar aí eh na nossa vida, na vida do outro. E nós temos um desafio aqui, que mais uma vez a gente fala dessa palavra, é encontrar o equilíbrio. Equilíbrio. Aí no caso de hoje, equilíbrio entre acolhimento, responsabilidade, né, e informação. Porque hoje a gente tem tanta informação sobre tudo. Então, de repente tá num caso meio diferente assim, tenta buscar informação sobre a pessoa, sobre o que você tá vendo, sabe? Eh, busque informação, mas informação de qualidade. Tá bom, gente? É isso. Eu acho que nós entregamos aí um conteúdo bem legal. A gente conseguiu permear em várias nuances desse caso, né, dessa mulher de 37 anos, que infelizmente fez mais uma vítima e agora essa família vai ter que trabalhar, trabalhar com luto, trabalhar com a questão psicológica para poder seguir a vida com mais leveza. Só que vai demorar um pouquinho porque foi um impacto aí emocional muito grande. Eu quero agradecer a participação das nossas convidadas, começando pela Érica. Obrigada Érica, por estar com a gente aqui, por ensinar um pouco sobre o comportamento humano, viu? Gratidão. Boa semana para você. Eu que agradeço. Uma ótima semana para todos. maravilhosa. E completando também a nossa dupla que trocou bem legal informações aqui hoje no programa. A Sinara, agradeço você pela sua participação, Sinara. Obrigada por tanta informação, por tanto ensinamento e uma semana linda para nós. Eu agradeço também a participação e a presença de todos vocês aqui. Muito bem, gente. E você aí de casa, muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Segunda-feira começando, segunda linda para nós. Quero convidar você porque amanhã, a partir das 8 da manhã, nós temos mais Estúdio Câmara e amanhã a gente vai falar sobre um tema que exige atenção e responsabilidade. A gente fala da violência contra a pessoa idosa. A liberdade, a dignidade e o respeito não tem prazo de validade. Guarde essa frase com você. O Júnior Violeta alerta para uma realidade que muitas vezes acontece em silêncio dentro de casa e passa despercebida. É a violência física, psicológica, financeira, negligência, abandono e outras violações de direitos que afetam milhares de pessoas idosas todos os anos, né? Aqui em Campinas, somente nos cinco primeiros meses de 2026, foram registradas 680 denúncias de violações de direitos contra idosos. E no Brasil o número já ultrapassa 435.000 denúncias nos últimos anos. Então, quais são os sinais de alerta? Como que a gente identifica uma situação de violência? E onde a gente faz para buscar ajuda, para denunciar e o que pode ser feito por cada um de nós para proteger e garantir os direitos de quem ajudou a construir a nossa sociedade, né? Então, amanhã a gente fala sobre esse assunto no estúdio Câmara, conscientização e respeito à pessoa idosa. Quero convidar você para participar com a gente ao vivo a partir das 8 da manhã, entregando então agora 97. A ÍRA tá chegando aí, trazendo informações atualizadas. Ao meio-dia Gabriel Castro traz o Câmara Notícia e claro, vai ter Câmara na Copa porque o Brasil ganhou, né, no último jogo. É verdade, não posso deixar de falar. Uau, tem gente que fez bolão aí. Vamos ver o que que vai acontecer hoje. E à noite às 18 horas nós temos reunião ordinária. Então convido você a participar, ficar com a gente aqui na TV Câmara Campinas, também no YouTube da TV Câmara Campinas e ou então participar presencialmente lá no plenário. A sua presença sempre é importante e muito bem-vinda. Grande abraço para você. Fique bem. Uma ótima segunda-feira, uma semana linda para nós e até amanhã. Tchau, tchau. Cuide-se. Sì. เฮ
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