[música] [música] Olá, muito bom dia para você que tá aí ligadinho com a gente na TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar. Seja muito bem-vindo. Seja muito bem-vinda. É, gente, cestamos, né? Que maravilha, que bom que já estamos aí na sexta-feira. E hoje, eh, eu quero convidar você para conversar, gente, vamos conversar sobre algo que a gente precisa entender, né? Nós vamos falar sobre envelhecimento, [música] vamos falar sobre o envelhecimento da população LGBTQ a mais. Então, eu gostaria que você mandasse a sua mensagem pra gente, [música] gostaria que você conversasse conosco. Se de repente você tem eh um amigo, né, ou alguém da família que está passando por essa fase da vida e que de repente se sente um pouco perdido, né, e você também. Por quê? Porque você não sabe por onde começar. O envelhecimento é uma nova fase e a gente precisa de orientação [música] para que a gente possa ter um envelhecimento saudável. E quando a gente fala da população LGBT, Q a mais, a gente sabe que tem muita história, [música] tem muita história para chegar no envelhecimento e é importante a gente conversar sobre isso. Então é por conta dessa importância e por conta de que nós precisamos de conhecimento, que nós temos aqui duas pessoas que vão conversar com a gente, vão nos orientar e eu gostaria que você participasse conosco. WhatsApp tá na tela para você, 19979377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações e daqui a pouquinho nós vamos apresentar a vocês os nossos entrevistados de hoje. Olha, gente, falando em informação, eu quero lembrar que hoje tem o jogo do Brasil, é, e a Arena do Torcedor na Praça Araltos da Paz em Campinas vai receber hoje a transmissão do jogo Brasil e Haiti pela Copa do Mundo. partida será exibida em um telão de alta definição às 21:30, [música] né? A entrada, claro, é gratuita, a programação começa às 5 da tarde, inclui atrações culturais, atividades juninas, arraiá e show musical. Às 7 da noite, [música] a cantora Lorena Alexandre vai apresentar um tributo à Marília Mendonça. Então, para facilitar o acesso, preste atenção, você que vai circular ali aos redores do Taquaral, a INDEC vai disponibilizar [música] uma linha especial 901 que vai ligar o terminal central à praça da Paz, tá? E aí vai ter um esquema especial no trânsito, a segurança reforçada da Guarda Municipal, suporte médico para o público. Olha, tá muito 10. a gente participou na no último jogo. Eu acredito que é um lugar de bastante interação. É, tá bem gostoso mesmo de participar. A Arena do Torcedor é uma parceria entre [música] a Prefeitura de Campinas. No primeiro jogo, você eh, só para atualizar, eh, o espaço recebeu cerca de 7.000 torcedores, gente. Olha só que legal. Então hoje participe também um lugar bem legal para você interagir e assistir aí o jogo do Brasil. Vamos bora, cestamos. E olha, tem mais informação para você porque a Câmara de Campinas, olha que interessante isso. A Câmara de Campinas, por meio do da Elecamp, que é a Escola do Legislativo de Campinas, claro, está com inscrições abertas para o curso básico de língua brasileira de sinais Libras. A capacitação será realizada presencialmente lá na Câmara, no plenarinho, e as aulas serão ministradas pela professora Keila Ferrari Lopes, que ela é especialista em surdez e Libra. Esse curso, gente, ele é gratuito, oferece certificado de participação e tem uma carga horária total de 21 horas que são distribuídas em sete encontros presenciais, tá bom? Sempre das 9 da manhã até o meio-dia. As aulas, gente, vão ocorrer, olha só, anota aí na sua agenda, tá? Eh, nos dias 24 de junho, né, primeira, eh, deixa eu ver, eh, primeira, dia 1, dia 3, dia 8, dia 15, 17 e 21 de julho. É isso. Então, dia 24 deste mês, dia primeiro, dia 3, dia 8, dia 15, dia 17 e dia 21 do mês que vem. Essa iniciativa tem como objetivo apresentar os fundamentos das Libras, incluindo vocabulário básico, gramática, identidade, cultura surda. Essa proposta é promover a inclusão, ampliar a acessibilidade da comunicação e contribuir para um atendimento mais eficiente, humanizado nos diferentes espaços institucionais. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo site da Escola do Legislativo, tá? Mais informações, você pode acessar o e-mail lá, manda e-mail para
[email protected]. [música] O telefone que é o WhatsApp é o 193736130. Participe. Conhecimento, gente, conhecimento e acessibilidade. Isso é muito importante. Previsão do tempo para hoje. Vamos lá. Sexta-feira, sexta, sábado e domingo, né? Vamos embora. Então, olha só, previsão para hoje, dia de sol entre nuvens, temperaturas mínima 13 e máxima 23. Amanhã, olha, muita atenção, amanhã, o sábado continua, né, manhã fria, eh, à tarde esquenta um pouquinho, só que à noite a gente tem previsão aí de tempestade. Então, mínima 14, máxima 24. graus. No domingo, o tempo é estável, sol entre nuvens em temperatura aí variando entre 13 e 21º. Essa é a previsão do tempo. De acordo com os meteorologistas, a gente vai passando para você aqui. Só vale lembrar que é uma previsão, né? Não preciso. Tá bom? Vamos embora. Então, vamos eh pro nosso tema central, apresentar os nossos convidados. Mas antes vou lembrar do que a gente vai falar com você hoje. O Brasil está envelhecendo. [música] Exatamente. Segundo o IBGE, a população idosa, ela cresce em ritmo acelerado e já representa aí uma parcela cada vez [música] mais significativa da sociedade. E dentro dessa realidade tem [música] diversidade de histórias que nem sempre aparecem nas estatísticas ou nos debates públicos. Entre elas estão as trajetórias, né, as histórias de vida das pessoas LGBTQI a mais que chegaram aos 60, aos 70 e até 80 anos de idade, carregando experiências de resistência, superação, [música] conquista. Então, a gente precisa falar sobre envelhecimento, sobre diversidade, porque falando sobre isso, a gente tá falando de saúde, de direitos humanos, relações familiares. E a gente precisa discutir esse tema importante que [música] acredito que seja pouco discutido, né? A gente precisa falar mais sobre envelhecimento e hoje nós vamos falar do envelhecimento LGBTQ a mais. Por isso convidamos o Ariel Alves, ele é psicólogo e palestrante LGBTQI a mais. Seja muito bem-vindo. Bom dia, Ariel. Bom dia, Rúbia. Obrigada novamente pelo convite. É uma honra estar aqui de volta. Satisfação é toda nossa receber você. E para completar então eh a nossa dupla de hoje, nós recebemos o médico geriatra, ele é o André Fator e ele é participante do ambulatório LGBT 60+. Doutor, seja bem-vindo. Bom dia. Obrigado, Rúbia. Muito obrigado pela recepção. Nós que agradecemos. E a gente já começa então eh conversando com Ariel, porque quando a gente fala sobre pessoas idosas, LGBTQ a mais, a gente tá falando de uma geração que viveu períodos muito diferentes dos atuais, né? Eh, como que a história dessas pessoas, Ariel, ajuda a compreender os desafios que elas enfrentam hoje no momento que estão envelhecendo, né, Rúbia? a história dessas pessoas. É importante a gente entender que sempre vai ter os dois lados, né? Então, tem os potenciais, tem tudo aquilo que essa pessoa já enfrentou na vida, né? Eh, de tudo que ela precisou vivenciar e do que ela tá enfrentando agora enquanto os desafios, né? Porque envelhecimento é uma nova fase, é um novo momento da vida, né? Há um novo enquadre aí, né? Social, às vezes biológico, tem algumas necessidades que em outros momentos ela não tinha, né? Então tudo isso vai agregando aí a um lugar que a pessoa precisa realmente entender, né, tudo a carga, né, tudo o que ela já enfrentou na vida, né, que ela vai conseguir lidar e as e os novos desafios, né, quais são essas redes de apoio, o que que ela vai precisar enquanto suporte para esse momento. Muito bem. Agora, Dra. André, do ponto de vista da geriatria, né, tem necessidades específicas de saúde que precisam ser observadas quando a gente fala da população LGBT, que aí a mais na terceira idade, já nos 60 a mais. É, as necessidades de saúde dessa população, elas são as as mesmas necessidades que uma pessoa LGBT e QA PN mais tem em fases mais jovens da vida. O que acontece é que muitas vezes essa geração a 60 mais, ela carrega algumas experiências negativas eh com o próprio sistema de saúde, né, de não eh se sentirem eh acolhidas pelo sistema de saúde e como consequência elas deixam de fazer a prática de saúde, a prática de prevenção que deveria ser feita, mas as necessidades são as mesmas. que uma uma pessoa eh LGBTQ PN+ tem quando jovem, só que crescidas daquelas doenças, aquelas características que o envelhecimento pode trazer. Exatamente. E quando a gente fala de acolhimento, é importante a gente salientar que as coisas vêm evoluindo. E que bom, né, Ariel, que vem evoluindo. Mas eh se a gente parar para para analisar eh a população LGBTQ mais que hoje está já na fase eh eh de um envelhecimento, né, 60 mais, 70 mais, elas passaram por situações que o acolhimento era praticamente zero, né? a gente fala, quando a gente fala de saúde, eh, de respeito, do acolhimento em si mesmo, não é? Uhum. É, hoje a gente entende, né, como tá sendo um tema mais falado, um tema mais abordado, eh, socialmente, né? Então, a sociedade mudou, a cultura vem se modificando, né? A gente vem olhando para isso de um lugar um pouco mais humanizado, um pouco mais próximo, né? Os preconceitos, né, propriamente ditos, estão sendo discutidos, né? Então, por esse tema tá sendo mais abordado, ele preconceito não deixa de existir, mas agora ele é abordado dentro de uma outra esfera. Isso é importante, né? Porque durante décadas e essas pessoas elas precisaram se esconder, esconder aspectos importantes, na verdade, da própria identidade para preservar. Gente, analisa só você viver tendo que esconder, né, o que você é, quem você é, a sua identidade, porque você precisa sobreviver. Aí você tem que preservar os empregos, os vínculos familiares e até mesmo a própria segurança, né? Embora a sociedade, como a gente tá falando aqui, tenha avançado em diversos aspectos, algumas marcas desse passado ainda acompanham essas pessoas no processo do envelhecimento, né? Eh, e aí quando essa essas pessoas elas envelhecem, elas eh eu li um artigo que fala sobre isso, Ariel, então me corrige se eu tiver errada, que vocês têm mais expertize e ciência sobre o assunto, mas essas pessoas quando elas chegam 60 mais, 70 mais, elas têm uma tendência de esconder a orientação sexual novamente ou a identidade de gênero. Isso acontece mesmo? É verdade isso? E se for o porquê, qual que é a o impacto psicológico dessas pessoas que estão já nos 60, 70 mais? Uhum. Muitas vezes isso acaba acontecendo por questões externas. Uhum. Né? Dificilmente uma pessoa volta pro armário por um apenas por uma escolha. Ah, não é eh não faz mais sentido, né? Pode ser que para algumas pessoas isso se modifique da forma como ela se expressa de repente, né? Mas acho que esse voltar, voltar para o armário, acho que diz muito, né, de o quanto essa pessoa às vezes vai precisar se adequar dentro de um ambiente para que muitas vezes por sobrevivência, né, muitas vezes ali ter que eh garantir o emprego, garantir às vezes alguma, né, algum apoio, algum algum suporte, né, mas que isso tenha um preço, né, dessa solidão, dessa falta às vezes da própria existência da pessoa não conseguir ser quem ela é, né, por questões externas. apenas de pessoas não aceitarem, né, de pessoas não a respeitarem como tal. E mesmo com toda a informação, né, com com toda eh a quebra do tabu, ainda existem situações dessa dessa e eh dessa forma, né? As pessoas ainda estão passando por isso. Sim, infelizmente ainda é uma realidade, né? Até por conta, né, de de outras gerações, né? as gerações mais novas, né, conseguem ter uma abertura maior, um diálogo maior, mas às vezes eu sinto que às vezes há uma resistência ainda, né, de gerações mais antigas, de poder observar, olhar isso sobre uma outra ótica, poder questionar, né, os próprios preconceitos para que a gente possa ter um acesso maior. Muito bem. Muito bem. E Dr. André, eh, impactos emocionais e até físicos, né? Esse tipo de situação pode provocar na saúde de uma pessoa LGBT que aí a mais idosa, né, de de ser de repente obrigado pela sociedade ou pelo meio em que ela vive a voltar para o armário, assim como o Ariel colocou pra gente. É essa, [limpando a garganta] eu eu vou separar isso aqui em dois itens. primeiro essa essa questão do voltar para o armário. Então você tem muitos determinantes que fazem a pessoa voltar para o armádio, eh, a ou você esconder, né, a expressão da sua sexualidade na fase mais avançada da vida. Uma da da das coisas que acontece, eh, talvez isso seja mais comum eh entre as mulheres, tá? Eh, mais velhas, por quê? eh em determinada fase da vida, elas começam a ser cuidadoras. Você sabe que eh a gente tem uma tradição matriarcal que as mulheres cuidam dos pais, sim, né? Então os pais vão envelhecendo e essas mulheres se tornam cuidadoras. Quando elas se tornam essas cuidadoras, elas, algumas delas meio sublimam essa questão da sexualidade para um retorno para casa, um retorno pro lar para desempenhar esse papel de cuidadora, né? Então isso aí é uma coisa que acontece entre as mulheres. Eh, a outra coisa é que em termos de relacionamento, você imagina que são pessoas que viveram a década de 80, 90, viveram aquela fase aguda da Aides e e que a a expressão da sexualidade ela quando a pessoa eh era LGBT chegava a ser quase criminosa, né? Assim, a gente você tinha o câncer gay. que se falava, tudo isso mudou. É de hoje é outro tempo, isso é outra, mas essas pessoas [limpando a garganta] eh não desenvolveram relacionamentos, vínculos afetivos duradouros, então hoje são pessoas sozinhas, né? Então, eh, não é nem às vezes que ela volte para dentro do armário, mas elas não tiveram uma expressão eh de construção de lar, de família, de unidade e se encontram sozinhas hoje, né? Então, existe sim realmente algumas pessoas que têm eh um essa volta pro armário no sentido de serem cuidadores, desempenhares outros papéis familiares e outros que vivem uma questão de solidão mesmo, porque não tiveram a construção do de um de um relacionamento. Uhum. em relação à saúde, existem coisas específicas, mas que não é bem a questão da volta pro armário. Sim, né? Eh, o que a gente observa é que pelas características psicológicas das mulheres, pelas características psicológicas dos homens gays, eh, e as experiências negativas que eles tiveram em determinado momento da vida, eles deixam de procurar o sistema de saúde para fazer a prevenção. Sim. Então, por exemplo, ah, você tem que fazer o exame eh eh de próstata, fazer screening de exame de próstata, você tem que fazer eh screen de eh câncer de mama, papa nicolau, essas coisas. Quando as experiências no sistema de saúde são negativas, existe uma tendência de deixar de fazer esse rastreio. [roncando] Fala: "Não, eu a minha experiência não foi boa, eu não fui bem tratada. Eh, eu não consigo falar da minha sexualidade, então eu não, eu prefiro não ir, não prefiro não eh procurar." E isso é um problema eh grande, é um problema premente assim. E é um problema que eh hoje ele ainda é constante, doutor, ou as coisas têm melhorado nesse quis? [limpando a garganta] em cidades grandes, quer dizer, se a gente pega Campinas, por exemplo, as pessoas têm um hábito maior de procurar o sistema de saúde, mas o fato de procurar o sistema de saúde não quer dizer que ela vai conversar sua sobre a sua sexualidade. Então, né, ela fala assim: "Olha, eu preciso fazer meu minha minha mamografia, preciso fazer eh exame Papa Nicolau, mas isso não quer dizer que ela vai se abrir em relação às experiências sexuais que ela vive. E isso eh acaba eh inibindo a procura de certos métodos preventivos, né, de de ISTS e outras coisas que eventualmente poderiam estar disponibilizados. Eh, agora, conforme você vai caminhando mais pro interior, eh, a vida dessas dessas pessoas LGBT, QPN, mais elas ela tende a ser mais escondida, né? E a procura pelos métodos de rastreio, eh pelas práticas de saúde, ela se tornam mais difíceis do que num grande, eh, centro urbano. Exatamente. Quando o doutor fala eh eh das pessoas, elas eh a vida, né, eh tende a ser mais escondida, principalmente eh no interior, em cidades menores. Eh, essa e esse isolamento, né, é uma das preocupações aí apontadas por pesquisadores de envelhecimento, que eles dizem que o risco do isolamento social eh das pessoas, né, da da comunidade ou enfim, da população LGBTQ mais idosas, é muito expressivo. Agora, se a gente para para analisar eh o que determina realmente esse isolamento, né? Será que de repente seria a falta mesmo de um apoio a falta de eh aquele acolhimento, Mariel, ou a pessoa que realmente ela, como ela não teve eh durante toda a vida eh o apoio, né, o entendimento, ela resolve mesmo se isolar, porque ela, sabe assim, quando você cansou de levar porta na cara, mais ou menos [limpando a garganta] isso aí. Então, poxa vida, já que não dá mais, eu vou ficar quietinho aqui e pronto. E aí tem a questão psicológica. Se a pessoa ela já vem de um processo que não foi muito bom, aí chega no envelhecimento, né, também não tem apoio, como que fica a questão psicológica dessa pessoa? O que que nós temos hoje eh no sistema de saúde? Vamos colocar o SUS, né, aqui em cash, eh, em relação à saúde mental da população e da população idosa LGBTQ mais. Uhum. Eh, em Campinas nós temos o serviço, né, do Centro de Referência LGBT, né, de Campinas, que é o primeiro serviço público, inclusive, né, do Brasil que iniciou lá em 2003, né, para um serviço de acolhimento de fato à população, eh, adivindo mesmo dos movimentos sociais e hoje, através do serviço mesmo público na Secretaria de Direitos Humanos, eh, e, e, e pessoas com deficiência, ele as pessoas são acolhidas nesse serviço, né? Então, existe esse serviço aqui eh específico mesmo paraa população. Eh, e esse sofrimento, né, quando você fala desse sofrimento psíquico, ele de fato, né, quando a pessoa não tem essas referências, não entende, eh, não teve esse esse suporte, né, por falta mesmo, né, de esses recursos, falta de um suporte familiar, uma rede de apoio, né, de fato, essa pessoa tende-se, né, tende a fazer, ficar nesse isolamento maior, né, buscar um acolhimento, quando há uma procura, geralmente já tem um agravamento, né, desses sintomas. a prevenção, infelizmente, ela acaba, né, se revertendo por um processo mais paliativo, né, dependendo de outras questões que aí vai envolver a questão psicológica, mas geralmente já vem também questões, né, físicas também já envolvidas, outros adoecimentos, né? Então, e quando a gente fala de idoso, da população idosa, né, nós estamos no junho roxo, né, que chama atenção paraa violência contra a pessoa idosa. Nem sempre, gente, é importante a gente salientar que essa violência ela é física, né? Eh, ela pode aparecer de de várias de diferentes formas, abandono, negligência, tem a questão da humilhação. E, doutor, eu gostaria que o doutor explicasse pra gente quais os sinais que eh que podem indicar que uma pessoa, principalmente eh eh da população LGBT, QI a mais, ela tá passando por eh esse essa violência, né, que não seja física, mas a violência psicológica, enfim. E se ela estiver passando por isso e se você conhece de repente alguém aí que esteja passando por isso, qual que é o primeiro passo, doutor? Como é que a gente faz para identificar, ã, para procurar ajuda, de repente para denunciar? Como que funciona todo esse sistema da violência da pessoa a pessoa idosa, no caso que a gente tá falando hoje da eh população LGBTQ a [roncando] tá? a gente pensando em níveis diferentes de violência, você tem e aquela violência física praticada. Eh, o que não é muito comum a gente encontrar dentro desse grupo LGT LGBT e 60 mais, eu já explico porquê. A [limpando a garganta] violência psicológica, a violência social. Social, isso, né? Então, ah, você imagina que essas pessoas elas têm construções de vida eh solitárias, né, na fase avançada, né? Então, existem alguns amigos, alguns contatos que se mantém, né, depois do dos 60 anos, mas eles não são muitos, né? E a solidão é um aspecto que eh predomina muito eh tanto no envelhecimento não LGBT quanto no LGBT. Mas entre as pessoas LGBT você não tem uma construção familiar, né, de suporte. Ah, é muito comum eh pessoas que foram mandadas para fora de casa na adolescência, na juventude, que desconstruíram as relações familiares e acabaram ficando sozinho na velice. Então, a solidão é um é algo que que pega muito. Uhum. Eh, outros, então assim, a gente vê a questão da violência física mais naqueles idosos que estão inseridos no contexto familiar. que é a agentes da própria família que imprimem essa questão da violência física. Uhum. No caso das pessoas LGBT, Q mais, você tem uma violência social que é eh a falta de inserção de trabalho durante a vida, a precarização da do sistema previdenciário para essas pessoas. Eh, muitas delas acabam eh dependendo eh de receber benefício do Estado na fase mais avançada, porque não conseguia uma inserção eh legal de trabalho durante a vida, principalmente vamos pensar as o grupo de maior risco aí, que são as pessoas trans, que tem uma inserção eh de trabalho dificílima, né? E aí, eh, eh, quando chega na na fase avançada da vida, você não tem um amparo previdenciário, por exemplo. Então, você tem uma fragilização social e econômica eh enorme, né? Então, é uma violência social e econômica que acabou sendo imputada para essas pessoas por causa de preconceito. Olha só, preconceito presente o tempo todo. a gente para para analisar, mesmo diminuindo, mesmo assim a gente eh falando mais, né, acolhendo mais, entendendo mais, o preconceito existe e quando a gente para para analisar friamente, o preconceito ele ele está na ponta da pirâmide e e está lá, porque se a gente, igual o doutor falou, a questão eh eh de uma aposentadoria de repente, né, para para um idoso LGBTQ a mais se eh pra comunidade eh que que que não é LGBTQ mais já é difícil. Você imagina para quem ah enfrentou, né, todas essas circunstâncias, esses desafios da vida e aí chega no momento de se aposentar Uhum, né, leva de novo uma virada, né, de de costas e e um não. E aí vai fazer o quê, né? viveu a vida toda assim, eh, sofrendo o preconceito, lutando contra o preconceito e quando chega o momento da aposentadoria também enfrenta o preconceito, mas o preconceito que é aquele de cima que vem lá de cima e de onde não deveria vir, né? de onde eh espera-se um acolhimento. E aí quando a gente fala de acolhimento, me vem a questão do conceito da família escolhida, que quando eu tava estudando um pouquinho para conversar com vocês aqui sobre toda essa questão. Eu até eh deixo uma dica aqui. Se você eh não entende um pouco, não entende sobre esse assunto de envelhecimento da comunidade da população LGBTQ a mais é interessante se dar uma estudada porque é algo que às vezes passa desapercebido. a gente não fala muito sobre isso, mas é bem complexo e é legal que a gente possa entender, porque se você daí de repente tem alguém, né, na sua comunidade, alguém próximo a você que está passando por essa situação de envelhecimento, você pode, de repente eh ser um orientador, né, dar uma orientação para que essa pessoa dê um primeiro passo para buscar ajuda psicológica, para de repente buscar uma ajuda na questão dessa da aposentadoria também, porque a gente precisa precisa entender e falar mais sobre o assunto. E se nós não entendemos, tá tudo bem, mas a gente precisa nos abrir para entender. E é por isso que nós temos aqui duas pessoas que entendem sobre o assunto, que estão conversando com a gente hoje, de um tema que é bem complexo e bem delicado mesmo. Agora, quando a gente fala da questão do acolhimento e e de família, né, família escolhida, isso é é um ponto que eu achei bem interessante porque tem ganhado espaço nos debates sobre a diversidade, também sobre o envelhecimento LGBTQI. Mais eu gostaria que você, Ariel, explicasse pra gente qual que é a importância desses vínculos afetivos paraa qualidade de vida, né, eh dessa dessa população que já envelhecendo, né, 60, 70 mais LGBT, Q a mais da família escolhida, porque ah, você ser o sangue, tá tudo bem, mas o que é família na verdade, né? ser meu sangue, mas me maltratar [limpando a garganta] ou ser uma pessoa que não é meu sangue, mas que me acolhe, que tá junto comigo, que me apoia, que me orienta, que me chama atenção, que me dá um ombro, que me dá um abraço, né? Eu gostaria que você trouxesse isso pra gente, por favor. Sim. Esse tema da família escolhida, ele começou, né, teve assim um um recorte muito legal, importante na década de 80 e 90 nas balrooms, né, que eram os bailes que aconteciam, né, começaram lá em Nova York, né, das casas de baús, que são bailes que acontecem, né, aconteciam eh em espaços, né, para pessoas LGBTs, eh, de pessoas LGBTs, né, e aí essas famílias que se falavam, então, eh, essas famílias iam se formando através desse espaço mesmo, né? Então, pessoas vulnerabilidade estavam na rua. E aí essas mães dessas casas que chamam das Barons são essas pessoas que acolhiam essas pessoas, né? Não era apenas um grupo, né? E aí nesses espaços das Barro eles vão lá disputam, né? Então tem os desfiles, tem os desafios, né? Então tem desafio eh de dança, desafio de performances e as casas iam disputando, então quanto um espaço mesmo de pertencimento que até então na época não existia. E aí essa cultura ba veio, né, né, veio de lá para cá. Então em Campinas inclusive tem um movimento muito interessante, várias casas de Buns que caracteriza isso, né? Então essas casas são essas famílias, né, dessas pessoas que às vezes não t essas referências familiares com sanguíneas e aí acabam se unindo, né, dentro desse lugar de afeto, de apoio, de suporte, né, alguns até mesmo financeiros a pessoa ter onde ficar, ter onde ser acolhida, né? Então essa característica. Então, essa família é isso, é com quem a gente pode contar, com quem eu posso, eh, quando eu tô num problema, né, numa situação muito difícil, para quem eu ligo, ou se eu tenho uma notícia legal, conquistei alguma coisa, com quem eu compartilho, né, com quem eu tenho esse espaço para poder fazer isso. Então, eh, a família escolhida é isso, né? Com quem a gente sabe que a gente pode contar, né? E a gente faz isso de uma forma espontânea, de uma maneira, né, de olhar para quem de fato preciso, com quem eu posso contar e e aí a gente vai agregando, né, construindo então uma rede de apoio que às vezes a família tradicional ali é inicial não ter foi capaz de fornecer para essa pessoa. Que gostoso isso, né? E, doutor, faz toda a diferença, né, essa essa rede de apoio. Eh, e aí não é só na questão do envelhecimento, né? Acho que pr pra vida isso é é importante, faz a diferença e tem um impacto psicológico nesse momento em que você de repente precisa e aí você encontra apoio nessa família escolhida. Sim, essa questão da da solidão é um é um evento muito marcante no envelhecimento e ela é mais e intensa, né, ela mais pronunciada entre as pessoas LGBTs, né, em idade avançada. Eh, eu acho que assim, a, de um modo geral, as experiências eh de pessoas LGBT hoje, né, o o seu descobrimento, a sua compreensão, já lá na adolescência, essa passagem, ela tá um pouco mais facilitada do que era no passado, né? Mas não é nenhuma maravilha, né? Então, ah, você tem famílias que vão sentir aquele trauma, né, inicial, fala: "Poxa, será que meu meu filho ou a minha filha é uma pessoa LGBT ou uma pessoa trans, né? Eh, mas que consegue trabalhar isso no sentido de aceitação e promove, né, não quebra o vínculo familiar. Sim. Eh, agora o as pessoas mais velhas, elas experimentaram muito a quebra do vínculo familiar, pessoas que colocaram elas para fora e que agora na fase avançada da vida, ela ela eh tem poucos amigos, né? Então, imagina só, vou vou criar uma situação que a gente pode eh eu posso vir lá no meu ambulatório, por exemplo, se você tem um uma pessoa LGBT que tem uma doença terminal Uhum. tá? que eh olha, infelizmente assim, a gente diagnosticou, você tem eh um tempo de vida que, infelizmente é um pouco limitado. E esse seu final, você pode precisar de auxílio, eh, como respirador, né, como uso de sondas, necessidade de eh massagem cardíaca, procedimentos invasivos. E a gente quer saber o que que você gostaria que fizesse quando chegasse lá, que chegasse esse momento, se você gostaria que fizesse isso ou se você preferia ser respeitado e e que não se fizesse nada. Essa pessoa pode compartilhar isso com alguns amigos. E só que a ausência do vínculo familiar eh faz com que essas decisões se tornem menos respeitadas. Entendi. Uhum. E aí você chama, né, a família original dessa pessoa que ainda tem eh traços de eh de da desvinculação. Uhum. Né? Ela vai chegar e falar assim: "Não, olha, eh eu quero que ele seja enterrado. Não vai, você não faz nada. Eh, não chama o companheiro. Não tem companheiro, não tem companheiro coisa nenhuma, não tem ninguém. Quem vai decidir é a gente. Ele falou com a, mas é um amigo só. Nós somos familiares, a gente que vai decidir por ele e enterra e e pronto, acabou. Uhum. Eh, então o que acontece e é que as últimas vontades, o amparo, eh o carinho, cuidado, afeto, o respeito das relações que eventualmente existam, as vontades que foram expressas pros amigos, não sejam respeitadas ali, né? e que venha alguém que nunca conviveu com ele, passe por cima, tome as decisões e não respeite as vontades finais dessa pessoa LGBT, que passou uma boa parte da vida sozinha. Olha só que complexo. Eh, complexo, eh, triste, né? Triste. E se a gente for analisar, é tudo por conta da não aceitação, do preconceito, da falta de entendimento, não é, Ariel? Fala pra gente. É tudo isso, eh, acaba acarretando, né, um resultado de toda uma vida, né, de tantas faltas de acesso, de respeito, de acolhimento, né? Porque para uma família, né, de uma pessoa LGBT, né, como o André tava falando, né, e é um desafio também, né, porque eh às vezes essa família, essa pessoa também não teve referência, né, enquanto um cuidado, né, de como eu faço, se se acontece, né, porque às vezes é isso. Ah, eu tenho um amigo, né, uma pessoa de fora que é LGBT, não, uma super amiga, uma pessoa parceira, uma pessoa super bacana. Uhum. Quando acontece dentro de casa, quando acontece com os seus, tem um outro peso, tem uma outra questão, né? Porque aí é uma coisa que a pessoa vai ter que se envolver, vai ter que se implicar, muitas vezes vai ter que eh olhar para as próprias questões, porque todos nós em algum certo nível tem um certo nível de preconceito com algo, né? Isso aí é um pouco meio inerente ao ser humano. Mas o que eu faço com esse preconceito? O que eu faço com isso que eu sinto, com essas dificuldades que eu tenho, né? E se a gente toma isso como uma verdade absoluta e simplesmente ah, a pessoa vai ter que se adequar ao que eu acho que ela tem que ser, né? Aí fica muito difícil mesmo, né? conseguindo estabelecer um vínculo saudável, um vínculo onde a pessoa consiga ter um suporte, né, no ambiente, mesmo que a família às vezes não concorde com as ações, não concorde com a o a forma, né, de vida que essa pessoa tem, a orientação sexual, aquela identidade de gênero, mas conseguindo conviver, né, pautado em respeito ali, né, respeitando essas diferenças e conseguindo dar esse suporte, né, dentro do que cada um consegue oferecer, mas estando do lado, né, aí quando isso não existe mesmo, né, essa quebra de vínculo familiar, eh, fica muito mais complexo. E aí tem essa questão consanguína que, por um lado, né, como o doutor colocou, tem uma uma certa implicação em algumas questões, né, quando envolve aí, né, saúde ou algumas decisões dessa pessoa, mas no dia a dia essa família não acompanha, não sabe o que essa pessoa enfrenta. É situação delicada, mas eh sempre há momento de aprender, né? Então você que tá em casa, tá acompanhando a gente daqui a pouquinho, 8:44, então tá bom, pode colocar as perguntas na tela que daí depois eu quero perguntar pro doutor sobre o consultório dele, que o doutor atende, né, a população LGBTQI a mais 60 mais. É isso, né, doutor? Então, e aí eu gostaria de saber depois se eh como que tá, se o pessoal tem buscado o atendimento, né, e como que é o fluxo de atendimento e doutor deixar aí também para os os espectadores eh qual o caminho que deve ser seguido, tá bom? Pode colocar na tela 8:45, faltando 15 minutinhos para as 9 da manhã, estamos ao vivo. TV Câmara Campinas. Hoje, sexta-feira, a gente tá falando do envelhecimento da população LGBT, que aí a mais. Rogério Lima do Jardim Proça. Algumas pessoas idosas LGBT mais eh parecem evitar grupos e festas por medo de julgamento. O acolhimento começa mais pela escuta ou pela presença? Vamos lá, Ariel. Bom, eh, a escuta ela é necessária, ela é importante, né? De repente quando você fala de presença dessa pessoa, às vezes o estado, né? Não sei se é se é se é isso, mas o estado de presença de estar ali, né? Eh, esse fornecer para essa pessoa um eh um repertório interno mesmo, né? Assim, o interesse em estar com aquela pessoa, né? Que acho muito difícil, muito desafiador você chegar em um lugar que depende, né? Não conheço ninguém, não sei o que acontece e aí eu chego ali, nossa, será que, né? Vou vou ser bem acolhido, vou ser bem vou ser respeitado, né? E aí tem essa questão, né, do próprioarismo, dependendo em alguns espaços já é um desafio, né, para pessoas mais velhas, dependendo questão geracional, algumas cidades. Então, a insegurança às vezes é inevitável, é inerente ali, né? Então, eh, a escuta ela é importante poder entender, nossa, quem é essa pessoa, né? Espaços ali de socialização, né? E essa presença, essa pessoa poder ocupar também esses espaços, mas também conseguir entender, né? Estar com outras pessoas ali que a acolham, que a entendam, né? que a que a respeitem tal como ela é. É questão de reciprocidade também, né? Vamos lá. 8:46 pode colocar outra pergunta na tela pra gente, por favor, produção. Vamos lá. Quem é que tá conosco? Renata Oliveira do Parque Prado. Como quebrar a barreira de idosos LGBT mais, né, LGBTQ+ que evitam consultas médicas por meio de preconceito? Meu tio avô evitou o médico quase a vida toda. Olha aí, doutor. É, tem a gente a gente tem uma tradição, né, de eh algumas pessoas mais velhas têm uma tradição de não procurar o médico por achar que eh isso significa saúde, né? Ah, eu nunca precisei de médico na minha vida, não fiquei doente. Eu não vou vou procurar, né? Isso, isso é é um estigma que a gente tem. Temos mesmo. Agora, isso é agravado na população LGBT, né, por causa de experiências prévias que foram traumáticas, né? Eu eu vou fazer só uma analogia rápida, tá? Por favor, vamos imaginar eh você tem muita eh limitação às vezes eh de aceitação das pessoas LGBT por questões religiosas. Uhum. Né? Então, a a o o o vínculo religioso promove um certo julgamento prévio. Vamos pegar um um rapaz eh ele faz sexo eh antes do casamento e a família ela é uma família religiosa e que entende que ele deveria fazer sexo só depois do casamento. Eu tô falando de uma pessoa heterossexual. Uhum. Tá. Eh, [limpando a garganta] a família tem sente uma certa frustração por ele ter a relação eh sexual eh antes, né, que seria talvez errado, um um pecado, né? Então, eh eh algo que não era desejável dentro da expectativa religiosa daquela família. Agora, se você coloca eh que essa esse esse rapaz ele manifesta o afeto por um outro rapaz, isso toma uma dimensão muito maior. Uhum. Né? é chega a ser imoral, é ilícito, é é algo muito grave, a proporção disso é muito maior. E na verdade o que a gente deveria ver é o seguinte: "Olha, você fez algo que assim, do nosso ponto de vista familiar nós não gostaríamos, né? a sua ou seus vínculos não são como nós gostaríamos, mas isso não é o determinante da nossa relação familiar, isso é apenas um aspecto da sua existência, entendeu? Sim. Eh, do mesmo jeito que você não gosta que você essa família não gostaria que ele tivesse fizesse sexo antes do casamento, ela também não gostaria que ele tivesse relação com outro homem, mas tudo mas isso cabe a ele decidir e e o a família precisa acolher. Uhum. Infelizmente, esse tipo de avaliação, né, esse tipo de situação, ela se repercute no no nos postos de saúde. Existem pessoas eh fundamentalistas que acabam julgando a pessoa LGBT, quando percebem que ela é uma pessoa LGBT e fazem um tratamento diferencial, que não é o tratamento afetivo, não é o tratamento acolhedor. Uhum. Hum. Quando a gente pensa em unidade de saúde, quando a gente pensa no direito, na justiça, eh isso eh eh o olho, o olhar tem que ser acolhedor. Uhum. Né? E tem pessoas que não conseguem reproduzir isso dentro dessas unidades. Ah, o que faz a diferença, eu eh eu acredito, é um treinamento, né? para paraa pessoa que trabalha nesses lugares entenderem que elas não podem promover julgamentos, elas estão lá para acolher, independentemente de quem seja aquela pessoa, você não vai deixar de atender um presidiário. Inclusive eles têm prioridade, não é? Quando chega um, né, alguém que veio lá do do presídio no no sistema de saúde para tudo para que ele seja atendido, né? Então, a gente precisa ter um olhar mais mais humanizado, realmente, né? E atitudes humanizadas também. Agora coloca aquela pergunta de novo na tela pra gente, produção, só para eu ver quem é que tava falando conosco do tio avô que relutava em ir ao médico, né? Porque, ó lá, ó, como quebrar a barreira, né? Que ela diz: "Meu tio, o avô evitou médico quase a vida toda." Então, como que a gente faz para quebrar essa barreira, Ariel? É esse esse medo, né? É o receio, né? O medo, né? É o mesmo receio de repente de ir até um um lugar que tá lá para socializar. É o mesmo receio. Só que nesse nessa questão vai para poder cuidar da saúde, né? É mais ou menos isso, né? É uma insegurança, mas que que acontece. E como que quebra isso? Depende eh de quem isso? Como, qual que é o primeiro passo que, que essas pessoas podem podem dar para poder de repente começar a a destruir esse muro? Uhum. É, [roncando] acho que é bem como, né, o André colocou, acho que um espaço, né, garantir um espaço seguro para que essa pessoa chegue lá, né, acontece, tem esse essa instância importantíssima, né, a pessoa chegar lá bem amparada, mas também acho que um diálogo, vale muito um diálogo com essa pessoa de que, né, entender que embora haja essa, né, essa insegurança, tem esse, né, esse esse medo, mas em algum momento da vida, essa pessoa vai precisar, né, acessar esse serviço, né? Então, muitas vezes um diálogo, um diálogo aberto também sem julgamento, né? Também entendendo assim de um lugar de um acolhimento, né? Esclarecendo para essa pessoa o quanto ela precisa, né, daquele serviço, o quanto é importante ela poder cuidar da saúde dela de forma preventiva, né? De repente se oferecer, ir com essa pessoa, fala: "Não, vou lá com você, né? Vamos lá, já acompanho você na consulta". Dependendo, né? Que a depender de como a pessoa tá, o nível de insegurança, às vezes a pessoa não consegue nem falar, né? esse diálogo um diálogo aberto, né, um diálogo tentando entender quais são essas inseguranças dessa pessoa, o que que essa pessoa, né, qual que é seu medo, né, o que que o que que afeta, o que que você precisa, né, entender para que eh a gente possa, né, ajudar, auxiliar essa pessoa, né, que embora haja insegurança, haja o medo, mas se a gente consegue romper, né, com essas barreiras, a gente consegue estabelecer ser ali um vínculo mais saudável, né, até essa pessoa chegar lá no médico, conseguir estabelecer um vínculo ali positivo com a equipe de saúde, né, dependendo às vezes ali no serviço de saúde conseguir ser encaminhada para outros serviços, né, às vezes as serviços de saúde oferecem também às vezes alguns grupos, né, alguns encaminhamentos que às vezes vai auxiliar essa pessoa também para poder cuidar, né, de outras áreas ali, a própria questão social, né? Então, acho que sempre a abertura ao diálogo, né? Acredito que o diálogo ele é uma ferramenta potente, né? Embora um desafio, mas é muito potente pra gente conseguir eh fazer com que essa pessoa entenda também essas limitações e dar um suporte, apoiar essa pessoa para que ela consiga se cuidar, né? Alcançar esse objetivo da saúde. Muito bem, Ariel. Mais uma pergunta e aí a gente já vai para as considerações finais. Por favor, produção, pode colocar na tela, por gentileza. Nós estamos ao vivo aqui com você. Obrigada pela sua participação, viu? Você que tá aí do outro lado conosco, uma ótima sexta-feira. A Juliana Ferraz do Jardim Guanabara. Minha avó sempre fala de uma grande amiga que viveu com ela por anos. Como a família pode acolher uma história de amor que talvez nunca tenha sido dita claramente? Olha só que interessante. Eu também já ouvi uma conversa, uma história de de uma pessoa que hoje ela já é 80. 90 mais e ela não teve relacionamento com ninguém, mas ela tinha uma melhor amiga e quando ela ia para a praia, ela ia ficava na casa dessa melhor amiga, essa melhor amiga ficava com ela também na casa dela e vice-versa, enfim. E elas viveram eh por muito e muito tempo assim companheiras, amigas, né? Mas ah tudo muito escondido e viveram como melhores amigas. E no final era assim uma linda história de amor. E é parecido com a a a questão aí da da avó da Juliana, né? Eh, e aí, como que a família pode acolher uma história de amor? Algo que passou, né? A pessoa já tá eh 60, 70, 80 a mais e que ela nunca contou, né? e que de repente a família nesse momento entendeu que essa pessoa ela viveu uma história de amor fechada, presa, restrita pela vida toda. Olha isso, Ariel, né? Tem esse recorde social, né? Assim, como a gente estava colocando historicamente, como nós temos, né? Eh, tivemos muita repressão, né? a outros tipos de de relacionamento que não os heterossexuais entendidos como os relacionamentos normais dito, né, como os esperados. Eh, provavelmente ela teve aí, né, um grande desafio de conseguir eh vivenciar aquele amor, né, ou viveu ali de forma escondida. Então, acho que poder trazer falar: "Nossa, mas como é que foi isso, né? Quem era essa pessoa? Como que era essa, né, esses encontros? Como é que é esse afeto, né? Porque o amor ele se manifesta deas maneiras, né? Então se teve esse essa nuance poder também trazer, né? Assim, trazer esse interesse. Fal, nossa, que que legal, vó, olha só, né? Que bacana. E como que era esse esse esse amor, né? Então, às vezes não precisar às vezes problematizar aquilo, né? Trazer aquele negócio. Mas mas como assim, né? Quer dizer, dependendo algumas dependendo de alguma pergunta, se a gente não faz isso com um cuidado, com respeito, né? a pessoa já vai tender ali a entender que, né, já existia uma problemática e de fato, talvez na época, né, com certeza na época que sua que a sua avó tin estava lá, eh, havia várias problemáticas, haviam várias questões, né? Então, acho que esse lugar desse interesse, né, como estava falando assim, essa presença, né, de fato, conseguir ouvir isso de um lugar eh com naturalidade, que é o afeto, que é o amor, né? Isso, exatamente, né? trazer, acredito, né, doutor, trazer assim pro aqui e pro agora e e ter interesse sobre essa história, pode de repente eh validar essa história de amor que foi vivida, eh, fechada, né? Mais ou menos isso. É, eu tô eu tô impressionado com as perguntas que estão mandando, porque são perguntas eh com uma característica afetiva. Uhum. Né? Sim, o afeto ele cura tudo. Olha aí, né? Se você vai no posto de saúde, se você procura o sistema de justiça, se você procura a polícia, tudo que é feito com afeto, afeto, humanização, né, né? O afeto ele ele resgata todos esses problemas. Então essa eu eu acho legal que essas perguntas elas estão muito cheias de afeto. Sim. Que bom, fico feliz. Pode colocar na tela de novo produção pra gente, por favor. Ó lá, Juliana Ferraz. Exato. Essa essa pessoa, né, que que eh você tem uma coisa da de autodeterminação da vida das pessoas, né? Então, se elas acreditam, ah, essa pessoa idosa, ela não quer falar sobre isso, ela não quer se aprofundar, é um direito dela, é autodeterminação, a gente chama de [limpando a garganta] autonomia. Isso, isso precisa ser respeitado, né? precisa ser respeitado. Agora, um jeito, se você quer oferecer o acolhimento, né, para para ir para essa questão, é como o Ariel falou, faz a abordagem através de perguntas, ah, como que vocês se conheceram, como que foi? mostra esse esse afeto, né, sem preconceito para que essa história de amor ela venha se transbordar, ela venha se manifestar de uma forma bonita, né, de de ser olhada tanto para quem está eh ouvindo a história, tanto para quem tá contando a história. Mais ou menos assim é esse movimento. Exato. O, se a pessoa, se isso daí for aquela pessoa assim, em termos de ser mantida em segredo, talvez ela não se abra, mas a oportunidade houve, né? Eu acho que a questão é é afeto. Muito bom. Afeto, gente, humanização, né? Afinal de contas, somos seres humanos. Precisam precisamos ser humanizados. 8:59. Dá tempo para mais uma? Tem mais uma aí? Se der, beleza. Senão, só me avisa aqui que a gente já vai encerrando, tá bom? Opa, tem mais uma. Vamos lá. Caio Ribeiro do Taquaral. Como os profissionais de saúde podem perguntar sobre a vida afetiva e identidade sem parecer curiosidade ou invasão? Ô Caio, abraço para você, viu? Vamos lá. Você é profissional de saúde, que eu sei, hein? Vamos ver. Ô, ô, ô, doutor, e aí, como faz o doutor que tá, né, na linha de frente ali, tá trabalhando, tem um consultório, atende a a comunidade, a população LGBT, que aí a mais 60 mais, como faz, né, de repente a eh eh perguntar sobre a vida afetiva ou ou eh sem parecer invasivo também? Será que a pessoa quer falar? Será que a pessoa não quer? Deve perguntar ou não? Como dar uma abertura, um espaço? Como que é isso? A sexualidade faz parte da vida da pessoa, é um uma característica importante de ser explorada, né, na na saúde, só que eh de cara pode ser que a pessoa não se abra. E aí você tem, né, um sistema, nós temos um sistema de saúde público que se baseia muito na medicina da família e da comunidade. A medicina da família e da comunidade, ela não vê a pessoa pontualmente, né? Uma vez é um médico, a outra vez vai ser o enfermeiro, a outra vez vai ser o agente de saúde e na sequência muda todo mundo. Não. Uhum. Você tem médicos que são que têm uma certa constância, enfermeiros e agentes de saúde que t uma certa constância e isso cria laços, vai criando um vínculo, né? Confirma. o laço é construído, você se sente mais à vontade de abordar isso de uma maneira eh tranquila. Então é muito isso aí eh é facilitado, né, pelo esse atendimento de medicina da família e da comunidade. Importante, né, Ariel? Porque realmente eh eh criar vínculos, né, e e laços e confiança para poder abordar, né, essa situação de repente da vida afetiva, né, eh eh de como tudo aconteceu, da história, sem parecer a curiosidade ou então a invasão, não é? É fundamental essa construção desse vínculo desse lugar, né? Porque quando uma pessoa se sente à vontade para conseguir fazer isso, né? De repente, não seja num primeiro momento, né? Mas eh naturalmente, né? Essa pessoa, se ela sentir esse espaço, né? Sentir que ela tá sendo acolhida de fato, ouvida de fato, né? Naturalmente isso vai aparecendo, né? Então caso houver, né? Você vê que construiu ali, você você consegue ter uma leitura, né? de quanto essa pessoa se abriu, o quanto que tá aí essa construção. Eh, com certeza vai ser um uma ferramenta importante para conseguir tratar ali, né, com humanidade. Muito bem. Agora, doutor, a gente já tá encerrando. Eu gostaria que o doutor eh falasse sobre os atendimentos, né, eh que o doutor realiza e e como que funciona. Nós temos um ambulatório que eh um ambulatório LGBT 60+. Isso eh o nome que é dado não é um desprezo à outras siglas. Sim, né? Mas acontece que eh exige uma certa especializ especialização, um certo conhecimento. Então, nesse primeiro momento, a gente tá atendendo pessoas LGBT 60 mais. Ele funciona no Hospital das Clínicas da Unicamp. Uhum. Eh, ele é vinculado a a a à superintendência ao Hospital das Clínicas da Unicamp. Ah, eles ele funciona uma vez por semana. O contato eh, o agendamento é feito por telefone 3521 7878. Muito bem. Vou eh 3521 7878. Uhum. A pessoa que se identifica com essa situação, LGBT 60 mais e que não consegue usar de uma maneira adequada o sistema de saúde, pode ligar e marcar uma consulta e a gente faz esse primeiro acolhimento. Olha só que interessante e muito bom, muito bom mesmo. Parabéns aí pela iniciativa, viu? Obrigado. E e você, Ariel, você trabalha, né, com toda essa essa população LGBT que a mais também como eh psicólogo e eh orientando, né, na questão da saúde mental, que também é algo que a gente precisa cuidar, né? E e como que a gente encontra você? Então, tem o serviço, né, acolho pelo Centro de Referência LGBT de Campinas, como eu coloquei, né, ele fica ali no bairro Botafogo. Então, também é um serviço que oferece, né, esse acolhimento, tanto de parte de assistência social, atendimento psicológico, né, o suporte, né, em união aí com os movimentos sociais, também pode ser procurado aí pelas redes sociais, ão, Centro de Referência LGBT de Campinas. Eu não vou saber dizer, acho que de cor aqui o telefone, mas dá uma pesquisada, né, na na no Google aí, dá um dá dá uma pesquisa que tem aí esse serviço, que também é um serviço público, né, de acolhimento, que também pode ser procurado aí eh atende toda a população em geral, né, e também familiares, né, consegue ter vários serviços aí, vários desdobramentos para acolhimento da população. Olha só, gente, dois serviços assim importantíssimos, humanizados e onde você encontra apoio, né? Então, se precisar já sabe que tem com quem contar. Quero agradecer demais sua presença, Ariel. Obrigada mais uma vez por ter participado com a gente, nos orientado, né, nesse tema tão complexo, mas complexo, mas tão preciso e que a gente precisa conversar sobre. Muito obrigada. Eu que agradeço, viu? Fico à disposição. Tá bom. Maravilha. Ô, doutor, obrigada pela sua participação. Primeira vez aqui no programa. Eh, a gente quer explorar mais o doutor, porque a gente vai convidar você mais vezes para vir, para poder nos orientar. nos ensinar e ensinar o pessoal de casa também, né, que que a gente precisa eh de orientação. E o conhecimento, um conhecimento que fica guardado na sua cabecinha aí, uma gaveta. Ele não não adianta de muita coisa, a gente precisa espalhar, passar pra frente, isso é importante demais. Muito obrigada, viu? Muito obrigado, Rúbia. Muito obrigado. Obrigado, Ariel. Ai, gente, que bom. E a gente encerra a semana, né? Encerrando aí a semana do nosso estúdio Câmara. Na segunda-feira a gente tá de volta. E é isso. Envelhecer com dignidade é um direito de todas, todas as pessoas. E quando a gente fala sobre pessoas idosas LGBTQ a mais, a gente tá falando de cidadãos que [música] ajudaram a construir caminhos de respeito, diversidade, cidadania, para que toda a sociedade possa eh viver eh com mais qualidade de vida e respeito. Se você para para analisar, eh, você hoje só está, eh, vivendo essa quebra de preconceito porque a população LGBTQ a mais precisou [música] sofrer e passar uma trajetória eh de muita dor para que hoje a gente possa estar iniciando uma caminhada com baseada no acolhimento, no afeto e no respeito. as diferenças. Eu quero agradecer a sua audiência, a sua companhia, convidar você para acompanhar a programação da TV Câmara Campinas e lembrar que na próxima semana, segunda-feira, a gente tem estúdio Câmara ao vivo e a gente vai discutir um caso que chamou atenção em todo o país e está levantando questões profundas sobre o comportamento humano e também da saúde mental. A gente vai falar daquela mulher de 37 anos que [música] teria se passado por uma criança durante mais de um ano, né, sustentando aí uma identidade falsa e conquistando a confiança da família adotiva. O que leva a pessoa a construir uma história tão complexa? a gente tá diante de um transtorno psiquiátrico, de um comportamento criminoso ou de uma combinação de fatores. [música] Então, na segunda-feira, a gente vai conversar sobre o transtorno fatício, a mitomania e os limites entre o sofrimento psíquico e a responsabilidade pelos próprios atos. Então, a gente espera você a partir das 8 da manhã, na segunda-feira ao vivo em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. [música] Um grande abraço, fique bem, cuide-se, aproveite o final de semana [música] ao lado de quem você ama, de quem eh traz propósito para sua vida e que faz sentido. E a gente vê, a gente se vê na segunda-feira. Valeu, tchau. Tchau. [música] [música] [música] [música] [música] [música]