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Estúdio Câmara | Infertilidade e queda da natalidade: saúde, emoções e desafios do Brasil
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Estúdio Câmara | Infertilidade e queda da natalidade: saúde, emoções e desafios do Brasil

38 views Publicado 13/01/2026 HD · 55:21

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A queda da natalidade e a infertilidade conjugal são temas cada vez mais presentes na vida de casais brasileiros — e, ainda assim, continuam cercados de tabus, desinformação e sofrimento silencioso. Nesta edição especial do Estúdio Câmara, a TV Câmara Campinas promove um debate profundo, necessário e atual sobre os desafios da fertilidade no Brasil e no mundo, reunindo ciência, saúde mental, cultura e políticas públicas. A sociedade moderna enfrenta uma crise global de fertilidade. Segundo dados internacionais, a taxa ideal de fecundidade para reposição populacional é de 2,1 filhos por mulher, mas países desenvolvidos e em desenvolvimento já operam abaixo desse índice. No Brasil, a taxa atual gira em torno de 1,57 filho por mulher, o que traz impactos diretos na economia, no mercado de trabalho, na previdência social e na organização das famílias. Para compreender esse cenário complexo, o programa recebe especialistas que analisam o tema sob diferentes perspectivas: 🎓 Talita Azevedo – Pesquisadora, antropóloga e fundadora da UNÁ, que integra criatividade, cultura, dados e tecnologia. 🩺 Luis Guillermo Bahamondes – Professor emérito da Unicamp, ginecologista e presidente do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas (Cemicamp). 🧠 Thamires Marina – Psicóloga com prática clínica em Terapia Cognitivo-Comportamental e Terapia de Aceitação e Compromisso, com foco em saúde da mulher. Ao longo do debate, os convidados explicam a diferença entre infertilidade conjugal e baixa fertilidade, desmistificando dados e esclarecendo que apenas cerca de 8% dos casais são, de fato, inférteis. O que cresce de forma significativa é o adiamento da maternidade e da paternidade, influenciado por fatores como carreira, escolaridade, insegurança financeira, desigualdade social e transformações culturais. 💔 Impactos emocionais e psicológicos A conversa também destaca o impacto da infertilidade na saúde mental. Ansiedade, frustração, culpa e luto simbólico fazem parte da realidade de muitos casais. A psicologia surge como um pilar fundamental no acompanhamento desses processos, ajudando a lidar com expectativas, frustrações e pressões sociais que recaem principalmente sobre as mulheres. 🏥 Desigualdade no acesso à saúde reprodutiva Um dos pontos mais sensíveis abordados no programa é a inequidade no acesso aos tratamentos de reprodução assistida. Embora existam avanços científicos, a maioria das técnicas ainda é inacessível para grande parte da população que depende do SUS. O debate levanta reflexões importantes sobre planejamento familiar, políticas públicas, métodos contraceptivos, prevenção da gravidez não planejada e a necessidade de ações integradas entre saúde, educação e assistência social. 🌱 Cultura, maternidade e escolhas femininas Sob o olhar antropológico, o programa discute como a maternidade deixou de ser um destino obrigatório para se tornar uma escolha — muitas vezes atravessada por pressões culturais, econômicas e raciais. A romantização da maternidade contrasta com a realidade de mulheres que enfrentam sobrecarga, solidão e falta de apoio estrutural. 📌 Este episódio do Estúdio Câmara reforça que a questão da fertilidade não é apenas biológica, mas também social, emocional, econômica e política. Um debate essencial para quem deseja entender as transformações da família brasileira no século XXI. 💬 Participe nos comentários 👍 Curta o vídeo 🔁 Compartilhe essa informação Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, muito bom dia, seja muito bem-vindo. Estamos chegando aqui na TV Câmara Campinas com mais uma edição do nosso estúdio [música] Câmara. Hoje, terça-feira, dia 13 de janeiro. Hoje a gente aborda um tema delicado, complexo e que ainda é um tabu para muitas [música] pessoas. Infertilidade conjugal, baixa fertilidade. A sociedade moderna enfrenta uma crise mundial de fertilidade causada por fatores biológicos e socioeconômicos. Para ter uma ideia, a taxa de fecundidade necessária para a reposição populacional, de acordo com as pesquisas, é de 2,1 filhos por mulher. Isso segundo a Organização das Nações Unidas. [música] Países desenvolvidos e e em desenvolvimento tem registrado taxas aí abaixo eh desse mínimo em torno de 1,5 filhos por [música] mulher. No Brasil, a taxa atual é de 1,57 filhos por mulher. Um novo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico aponta que o declínio das taxas de natalidade vai alterar permanentemente a composição demográfica das maiorias, das maiores, aliás, economias do mundo na próxima década, [música] né? Se as previsões se confirmarem, 2064 será o primeiro ano da história moderna, em que a taxa de mortalidade global vai ultrapassar a taxa de natalidade. [música] Bom, para entender esse momento complexo, a gente já está aqui com os nossos convidados no estúdio, mas antes de apresentá-los, a gente atualiza algumas informações, a previsão do tempo e daqui a pouquinho eu gostaria que você mandasse a sua mensagem pra gente, participasse desse debate tão importante, eh, para falar sobre a baixa fertilidade, né, que que tem acontecido e a gente precisa desmistificar isso, falar um pouco mais sobre eh essa questão. Então, manda pra gente aí 1997829377. Nós estamos aguardando a sua participação, tá? E daqui a pouquinho a gente e apresenta os nossos convidados para você. Agora, eh, vamos atualizar algumas informações. Você que tem criança ou adolescente em casa, atenção a esse alerta de saúde. Mesmo com mais de 55.000 doses aplicadas, quase metade do público alvo ainda não completou a vacinação contra a dengue aqui na cidade de Campinas, né? Entre abril de 2024 e dezembro de 2025, mais de 65.000 jovens de 10 a 14 anos estavam aptos a receber vacina. Pouco mais de 34.000 tomaram a primeira dose. Então, eh, outros 10.563 [música] 563 a estão com a segunda dose em atraso e 2726 [música] jovens ainda aguardam o intervalo mínimo entre as aplicações. Então, com a chegada do período de maior circulação do vírus, né, que é entre março e abril, reforçar a vacinação é uma forma simples e eficaz de proteger as crianças e adolescentes. Então, não precisa agendar. Basta procurar o centro de saúde mais próximo, levar um documento com foto e a caderneta de vacinação, se você tiver. O atendimento segue eh o horário de cada unidade, então fica o convite, né? Verifique a sua a carteirinha do seu filho, conversa em casa, faça sua parte na prevenção da dengue, tem vacina disponível nas unidades de saúde, então é só você ir até lá e fazer a imunização [música] aí do seu da pessoa eh da sua casa que esteja eh com a o perfil e faixa etária, tá bom? Vamos lá, mais informação chegando. Olha, eh férias, férias escolares, né? H, cuidados com as crianças precisam ser redobrados. Então, para orientar pais e cuidadores, o Procon Campinas lançou a [música] cartilha Férias Desconectadas, que traz o alerta e dicas sobre o uso consciente de telas por crianças e adolescentes, né? [música] O tema integra eixos aí do programa da primeira infância campineiro PIC. [música] Entre os principais alertas estão o uso excessivo das telas, a falta de supervisão no acesso à internet e a exposição precoce à publicidade considerada inadequada para essa faixa etária. Já as orientações, incentivo a atividades como leitura, brincadeiras ao ar livre, contato com a natureza, com a rotina alterada e mais tempo em casa, muitos pais recorrem à televisão, a celulares, a tabletes como alternativa prática. Mas especialistas, no entanto, chamam atenção para riscos da exposição prolongada, que pode impactar o desenvolvimento físico, psicológico e social das crianças. Outro ponto destacado é a importância de controlar o conteúdo acessado, [música] já que a internet apresenta aí riscos e o o estabelecimento de limites, né, é fundamental para garantir a segurança [música] dos pequenos. A cartilha Férias Desconectadas está disponível para a consulta no site do Procom Campinas. Muito bem, agora vamos à previsão do tempo para hoje. Bom, terça-feira, 3 de janeiro. Que chuva, hein, gente? do céu, deu uma chuvona essa noite e a previsão do tempo diz que nós temos um dia aí com o tempo estável, expectativa de chuva ao longo do dia, né? 85% de chance de precipitação. A temperatura máxima deve chegar aos 29º e a mínima foi de [música] 19. Muito bem, agora sim vamos ao nosso tema central. Vamos conversar com os nossos convidados. a gente vai falar da queda de natalidade, que é um fenômeno global, mas quais são as causas? Vamos falar de um assunto que impacta casais, homens, mulheres e que precisa ser tratado com informação, acolhimento e ciência. Bom, é um prazer receber aqui no estúdio Câmara. Vamos apresentar a Talita Azevedo. Ela é pesquisadora, antropóloga e fundadora da UNÁ, que integra Criatividade, cultura, dados e tecnologia. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Muito obrigada, Rúbia. Obrigada a todo o pessoal do estúdio Câmara e muito feliz de poder aprender também com os meus colegas de mesa. Maravilha. Agora a gente dá as boas-vindas ao professor Dr. Luís Guilhermo Barrames, professor emérito da Unicamp, ginecologista, presidente do Semicamp, que é o Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas. Doutor professor, seja muito bem-vindo. Satisfação recebê-lo. Bom dia. Bom dia. Muito obrigado pelo convite. Muito bem. E para completar o nosso time de hoje, as boas-vindas e o bom dia para Tamires Marina, psicóloga com prática clínica em terapia cognitiva comportamental, terapia de aceitação e compromisso. Tá em foco em saúde da mulher. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Bom dia. Obrigada pelo convite. Um prazer estar aqui debatendo com vocês esse assunto tão importante e ainda tão pouco falado. Exatamente. Vamos lá. Vamos entender primeiro qual é a definição desse tema. É infertilidade conjugal, é baixa infertilidade. Doutor, professor, explica pra gente. Não, a infertilidade conjugal aqueles casos em que homens e mulheres não consigravar. Eso está estável no planeta. 8% dos homens e mulheres conseguem engravidar. Eles vão a conseguir 80% desse 8% conseguirão engravidar depois de 1 ano. Depois de 2 anos ficará um pouco mais e no final vamos a ter 8% de casais inféris. O que está acontecendo no planeta ou pelo menos no mundo desenvolvido uma queda da fertilidade. Sim. Ou seja, as mulheres estão tendo menos filhos do que deveriam ter para poder ter uma população de sua instituição. Se precisam ter entre 2,1 e 2,2 filhos por mulher para que a população se mantenha estável. Uhum. Você falou previamente, o Brasil está com 1.5 filhos por mulher, Portugal está con Espanha com 135, Itália está con 1.16. Isto significa, como você dijo, não vai ter quem pague a festa, não vamos a ter contribuintes das da seguridade social para pagar as aposentadorias e não teremos mão de obra para trabalhar nas fábricas, etc, etc. Então, a queda da fertilidade é um problema global, pelo menos no mundo desenvolvido. E Brasil não tem escapado a isso. Oxa, preocupante, né? preocupante. Agora, Tamires, como é que é o o diagnóstico da da queda, né, da fertilidade afeta a dinâmica eh das famílias, né? Porque a gente percebe como a fala do doutor foi muito bem clara, as mulheres elas não tão não estão mais engravidando, né? Então é uma queda de fertilidade. Na na sua avaliação terapêutica, como isso afeta o dia a dia das famílias? Porque a gente saiu um pouquinho do natural, né, que é ter filhos, não existe mais aquela mesa longa, né, no final de semana, as famílias diminuíram, só que isso vai impactar, já está impactando o mundo em si. Sim, sim, com certeza. Na verdade, eu acho que aqui a gente pode fazer diferenciação entre públicos, né? Se a gente tá dizendo sobre mulheres tentantes, casais tentantes, existe um impacto diferente daqueles que já de fato receberam o diagnóstico da questão da infertilidade. Mas de uma forma geral, a gente tá dizendo que a gente vai ter oscilações emocionais importantes acontecendo durante esse período e passam por angústia, passam por ansiedade, passam por medo, passam por frustração, passam por culpa. E quando não existe uma comunicação clara entre esse casal, essa família e um alinhamento das expectativas do que é esperado em relação a esse assunto, nesse caso a gente tá dizendo de um sofrimento emocional muito significativo, que cada uma das pessoas que estão ali dentro desse núcleo familiar, seja o casal ou as pessoas mais próximas, vai experimentar de uma forma diferente, mas que se não olhado com atenção e com cuidado podem implicar significativamente em termos de saúde mental. Exatamente. É outro ponto que chama a atenção, né? Agora, Talita, a infertilidade ou a baixa fertilidade, além de ser um desafio médico psicológico, é um fenômeno profundamente cultural, né? Muitas famílias e comunidades brasileiras tem uma pressão muito forte pela continuidade da linhagem, né? A figura do filho ainda tá ligada à validação social, ao casamento, né, ou ao casal em si. Ah, você como estudiosa, antropologia, como é que ela ajuda a gente a entender esse esse se é que a gente pode chamar de peso cultural? Sim. Eh, bom, eu vou trazer esse recorte sociológico, antropológico e tal, pra gente pensar quais são os desejos que agora existem no debate, na discussão da mulher no contemporâneo, né? Então, os movimentos do último século contribuíram para que o leque de opções em que a mulher possa atuar no mundo mudassem. Eh, eu não não tenho uma base científica, uma evidência de fato do número de filhos que existia. Eu vou ter um recorte muito pessoal, muito familiar, mas eu me lembro que a minha avó teve sete filhos. Isso era muito comum, né, nas famílias. Então, gente com 10, 15, sete filhos. E aí isso foi diminuindo conforme geração em geração. A Vog no ano passado eh divulgou uma matéria que eu lembro que existia um debate muito grande que eh diziam que uma mulher sem com o namorado era cringe, né? Então, todo esse esse debate, esse discurso eh na contrapartida, na contramão da geração Z, que cresceu com os filmes mostrando que seria uma mulher bem-sucedida, que ela teria casa, filhos, um marido e tal. E a gente tem um movimento acontecendo agora em que o mercado publicitário diz à mulher: "Olha, não sei se é tão legal assim, né, ter filho. Eh, o movimento feminista também abre leque para que as mulheres tomem outras decisões que por muitas vezes eh essa maternidade, falando do Brasil, ela vai ser desenvolvida de maneira solo." Então, existe também um movimento eh de protagonismo e apropriação das mulheres dos seus corpos, escolhando não terem filhos pelo lugar contemporâneo. e cultural, né? No que que isso vai acarretar na vida enquanto uma responsabilidade que por muitas vezes vai ser desenvolvida eh de um solo. Exatamente, né? Para ter uma ideia da complexidade do assunto que nós estamos falando, né? que abaixa fertilidade. Junho é o mês da conscientização sobre a infertilidade, uma data que é importante para discutir, informar, combater e o esse estigma, né, de eh em torno dessa dificuldade de engravidar. A infertilidade afeta cerca de 15% dos casais, né, ou eh eh são as causas tanto masculina quanto femininas. E chama atenção paraa importância da saúde reprodutiva e dos tratamentos disponíveis. Agora eu pergunto pro professor, o Dr. Luiz, a medicina reprodutiva, ela consegue hoje compensar o fator da idade? Tem limites importantes para que precisam ser comunicados de forma clara aos casais? Tem muita gente buscando essa medicina. Como que funciona hoje a medicina reprodutiva, doutor? Sem querer contradicerla. Sim, por favor. A infertilidade afecta no 15%, 8% dos casais. Perfeito. Eh, o problema hoje existe uma inequidade na sociedade brasileira. Eh, por um lado, as clínicas de fertilização vitro, medicina reprodutiva, acham que todo se resolve com fertilização em vitro. Esto se convirtiu um gran negócio e os casais que antes podiam beneficiar-se com tratamentos tradicionais, por dizer assim, indução de ovulação, etc, para engravidar, hoje as clínicas de invitro consideram que a única solução é invitro e a desigualdade é que só tem acesso quem tem dinheiro. E a quem afecta mais infertilidade, os ricos ou os pobres? não afecta muito mais aos pobres. Por quê? Porque tem mais doenças de transmissão sexual, com o qual tem mais obstruções tubárias, com o qual tem maisos permia nos homens. E isso são os casais que precisam de procedimentos de reprodução assistida e não têm acesso na rede pública. Uhum. Então, e aqueles centros que diz que dá acesso na rede pública para esses casais também não é verdade absoluta, porque tem que pagar as drogas, que é o mais caro, tem que pagar insumos descartáveis que caro então o único que não pagam é profissionais. Então, na realidade isto é um problema de inequidade. Essa mesma inequidade que na anticoncepção, aquelas mulheres que têm dinheiro, têm dinheiro para ir um médico privado a colocar-se um implante ou um di hormonal. Aquelas mulheres que não têm dinheiro, não têm acesso a esses métodos anticoncepcionais na rede pública. Por quê? Porque as prefeituras não compram. E por que não compram? Porque os prefeitos não se compraram uma calculadora. Porque se você faz a conta quanto custa para a prefeitura de Campinas cada gravidez cada nascimento depois de que o SUS pagou gravidez parpério, escola creche, material escolar, prazas, lugares de esparcimento, etc. Tudo cai na conta da prefeitura cada gravidez não planejada cai na conta do prefeito, não cai na conta do SUS. Se as prefeituras colocaram métodos anticoncepcionais de longa duração ao alcance de mulheres de baixa renda, reduziríamos a taxa de gravidez não planejada. Brasil vive um paradoxo. Ten una taxa de fertilidade de 1.55 fillos por mulher. Entretanto, 62% das gravidez no Brasil son planejadas. As muleres se engravidan cuando no querem engravidar. engravidam quando não querem engravidar porque não têm acesso aos métodos anticoncepcionais. Então, o problema do Brasil não é a infertilidade conjugal, essa fertilidade, essa gravidez não planejada, esse não acesso aos métodos anticoncepcionais, é a não preparação de profissionais para brindar métodos anticoncepcionais, é deixar o planejamento familiar nas mãos dos médicos, que equívoco, hay que incorporar enfermeiros no planejamento familiar. Exatamente, né? Eh, é uma visão ampla e diferenciada de uma pessoa que tem toda a expertise quando a gente fala em reprodução, quando a gente fala em família, quando a gente fala em baixa fertilidade. Caraires, muitos casais que buscam a reprodução assistida, assim como o doutor muito bem pontuou aqui, eh são casais de alto poder aquisitivo, mas esse alto poder aquisitivo, ele não deixa eh de hã trazer a questão psicológica, que seria essa montanha russa emocional, né? Porque tem a esperança, tem a frustração, eh, que se alteram a cada ciclo, né? Então, eh qual que é, suporte psicológico especializado ao longo dos tratamentos? Você veja bem, quando a gente fala dessa questão da baixa fertilidade e da questão da pessoa do casal ir buscar, né, um tratamento para poder engravidar, já tem a psicologia que precisa estar embutida nesse tratamento para que possa dar o suporte emocional, porque é uma oscilação, é uma montanha russa, tem dias de alto, tem dias de tem dias que que vai ter aí uma uma baixa também. Qual que a importância desse tratamento em conjunto? Olha, eu diria que é um tratamento fundamental, porque não há dinheiro, não há condição econômica que seja capaz de fazer com que a gente não sofra com processos que são processos humanos, com processos emocionais que são muito próprio da nossa existência. Então, ainda que existam as diferenças econômicas e os recortes sociais, econômicos e históricos são sim muito importantes, não há nenhuma garantia de que não haverá algum tipo de sofrimento independente do caminho que esteja sendo tomado. Então, é um processo em que se oscila muito entre emoções como esperança, como uma espécie de uma alegria, de uma espécie de uma euforia e logo em seguida uma frustração muito grande, um medo muito grande, uma ansiedade muito grande. Quando a gente não tem a compreensão desses processos e não existe validação emocional, a gente tá dizendo da intensificação de um sofrimento que já tá presente ali, mas que vai acabar eh se ampliando muito mais e que pode conduzir para patologias, para processos psicológicos aí que se tornam mais agravantes e mais complicados. Então, é muito importante a gente ter um caminho de nomeação dessas emoções, de compreensão dos processos que estão envolvidos em toda essa esse caminho, esse percurso que é feito, né, durante toda a tentativa da gestação para que possa existir acolhimento, validação emocional, nomeação emocional e então a gente crie condições de lidar com essas emoções, de lidar com essas quebras de expectativas, com esses rompimentos sociais de uma forma que seja assertiva, que seja importante e que faça com que não se agr grave aquilo que já vem sendo delicado, aquilo que já vem sendo difícil para essa família, para esse casal. Poxa vida, complexo demais, Talita, vamos lá. Avanço da reprodução assistida, né? O peso cultural de ter filho de sangue ainda é forte. Como é que você avalia a a visão da sociedade brasileira sobre a adoção, né? E o caminho paraa parentalidade, o que precisa mudar culturalmente pra gente desmistificar e facilitar de repente esse processo da construção de uma família? Diálogo. [risadas] Eu sou uma grande otimista entre o diálogo e as políticas públicas, assim como o doutor trouxe na importância da prefeitura atuar eh nesse debate ou como a Tamires também pontuou, porque essas experiências humanas elas nunca vão ser individuais. Uhum. Eh, e é um tema muito legal da gente estar aqui hoje conversando sobre isso, porque ele não é assistido, ele não é dialogado e tem um um distanciamento muito grande. Eu sempre tento olhar muito epistemologicamente esse tema do que é fertilidade. Quando a gente, eu vou sair um pouco da sua pergunta, tá R? Sim. Vai lá, vai lá, fica à vontade. Mas quando a gente pensa sobre o conceito de fertilidade, por exemplo, a cidade de Campinas tem como padroeira a Nossa Senhora da Conceição, que ela vai ser sincretizada em Oxum, que é uma orixal, uma divindade eh presente no movimento da diáspora africana, uma divindade urubá de um de uma etnia nigeriana, que vai falar sobre a fertilidade enquanto esse poder de criação e prosperidade e que não necessariamente vai tá ligado à criação do filho, mas o lugar da mulher enquanto gestora e geradora de vida. E aí a gente vai dialogar de uma maneira um pouco mais romântica do que propriamente o que você traz, né, enquanto adoção, enquanto filhos humanos. Mas aqui eu chamo atenção também pra gente reavaliar a forma como a gente tá constituindo eh esse lugar da mulher, né? ela vai ser uma geradora, ela ela vai maternar, ela vai ela quais são as escolhas que vão estar disponíveis e como é que o poder público vai conseguir contribuir para esse debate. Até porque é muito latente eh esse lugar da gravidez na adolescência. Uhum. E eu venho de uma geração também em que e esse debate ele ficou tão presente e aí talvez a a Tamir também vai conseguir elucidar, mas ele ficou tão presente na gravidez da adolescência que hoje a gente tem uma geração dos 30 anos que tem medo da gravidez da adolescência. Então, o quanto que esse fator cultural da liberdade sexual da mulher, da escolha em ter ou não filhos, ele acarreta traumas geracionais que acabam impossibilitando essa decisão, né, de olha, será que eu vou decidir, por exemplo, ser uma mãe solo? Não, eu vou querer escolher um parceiro, então como que isso vai acontecer? Excelente. Agora, doutor, eh o acesso, o senhor pontuou na na sua fala anterior, o acesso, né, a à questão das técnicas de fertilização, o senhor é experto no assunto. Eh, o Sistema Único de Saúde, não, a gente não tem no Brasil uma lei que determine que o Sistema Único de Saúde eh eh ofereça esse tratamento. mesmo quando, vamos lá. Eh, nos estudos de eu tive que estudar muito, gente, para poder debater com essas pessoas que são expertos no assunto. a cirurgia bariátrica. Eu vi que a cirurgia bariátrica, automaticamente o médico ele ele precisa eh dialogar com o paciente para ver se ele tem, né, a a vontade de ter filhos e aí consequentemente eh se sugere um congelamento de semen, assim que fala, né, pra mulher, o óvulo. Aí quando a gente fala da cirurgia bariátrica, a gente vai lá, remete ao SUS, né? E aí a gente para para analisar que o SUS ele de repente não dá esse amparo e não tem esse diálogo com esse paciente. Na questão do câncer, a quimioterapia também, né, se sugere que se a pessoa ela ela queira ter filho, que seja eh congelado esse óvulo, esse seme. Eu queria saber da sua avaliação, se isso tudo que eu falei ele faz sentido e e o senhor como um doutor, né, e e é uma pessoa que é experto, tem toda aí autonomia para falar desse assunto. Gostaria que o senhor colocasse pra gente, explicasse algo que eh às vezes é mistificado, é um tabu, quase não se fala sobre isso. então nos ensina como fazer, como proceder e de repente dê aí uma sugestão, né, de política pública para que a gente possa melhorar essa questão. O problema é assim. Nos países que existem sistemas nacionais de saúde, como esse SUS brasileiro, o NH esse na Inglaterra, etc. Precisam priorizar. O dinheiro é curto e a demanda é grande. Exato. Então que prioriza hoje o SUS no Brasil digo independente de câncer, gravidez, parte o Susaria de pagar cirurgia bariátrica, trasplante, cirurgia de epilepsia e cirurgia de catarata. Por quê? Porque a catarata deixa cego, porque a epilepsia perde dias de trabalho, porque a porque a obesidade leva a outras morbidades como hipertensão, diabetes, etc. E porque o transplante também afecta a qualidade de vida. Então, se você resolve esses quatro problemas, você está tirando do sistema nacional de saúde uma carga econômica forte. Uhum. queo que carrega forte para o sistema nacional de saúde ou para o país a infertilidade zero. Ou seja, qual é a carga económica que leva ao país a infertilidade conjugal? Zero. Ou seja, como aita disse da infertilidade, obviamente que leva a carga emocional, social, etc. Não, ninguém duvida disso, mas não tem uma carga económica para o sistema nacional. Então, o que é o que acontece? Os sistemas de saúde precisam priorizar. Obviamente que você não pode deixar o paciente com câncer sem quimioterapia, tem que pagar. Ou você não pode deixar o paciente e que teve um acidente sem cirurgia da perna, tem que pagar. Perfeito. Consequentemente tem que fazer decisões e a decisão nos sistemas de de de fertilização assistida público passa por outros lugares também. A fertilização assistida implica trabalhar sábados, domingos e feriados. La pregunta es quién paga as horas extras o salario lo que sea peso envolvido en laboratori médicos, biólogos, etcétera, de fines de semana e festivos trabalhando nos laboratórios de invitro num sistema público. Imagine a Unicamp, a Unicampi já teve fertilização em vitro, só que o sistema se negava a pagar as horas extras e os dias trabalhados em finas de semana. e em e em feriados do pessoal do laboratório, do pessoal que tem que ir todos os dias a fazer ultrasonido destas mulheres, do pessoal que tem que ir a a transplantar eh a a a transferir, perdão, embriões, etc, etc. Então, quando você fala do pessoal com câncer que tem direito a congelar semmeno ou a congelar óvulo, você tem razão. A pergunta também que se faz hoje é que faz o Brasil? Que faz o Brasil? com os milhes de óvulos e embriões congelados que ninguém fala que están aí, que ninguém fala que faz os casais que congelaram em algum momento e que hoje disse: "Não sabem que eu tenho dois filhos, estou confortável, não me importa mais o que está congelado aí, não a manter ninguém dice que se estáendo conoiste uno, legal, a pesar que existem já regulamentações, existe um backw legal e por outro lado, o sector público não quer gastar miles miles de reais para favorecer poucas pessoas quando pode gastar esses miles de reais para favorecer muitas pessoas em outros aspectos. Ou seja, eh você dirá que eu estou colocando a equação na penas em dinheiro, mas os dinheiros sempre são curtos. a a a a a a manta sempre escurta. Então essa belha história de cubre o peito e deixa livre os pés. E esta a situação não do Brasil, esta a situação dos países que têm sistemas nacionais de saúde, Francia, Itália, eh Reino Unido, Espanha, eh, está a situação é diferente dos Estados Unidos. Não existe sistema de saúde. Se você não tem num plano de seguro, um plano de de assistência, você tá destinado a morer. Que existe na Suíça. Na Suíça não existe saúde pública. Todos os suízos têm que ter um plano de saúde pago, porque senão não será assistido. Não existem hospitais públicos, não existe saúde pública. Mas Brasil não. E pense assim, 74% da população brasileira depende do SUS. 74% de 205 milhões de habitantes. Exatamente. Complexo. É complexo. Complexo. Quer pontuar, [risadas] por favor? Tava aprendendo também. Tá aprendendo também, né? Você viu, gente? Olha como é bom, né? a gente poder conversar com pessoas que têm essa experiência, a expertise abre um um leque de pontuações na nossa cabeça. Porque quando a gente primeiro que nós falamos aqui de infertilidade conjugal, o doutor trouxe pra gente que é a baixa fertilidade, né? Eh, o a infertilidade seria aquele casal que não pode ter filhos, mas que não pode mesmo, não é abaixa fertilidade, é que não pode. A, a partir de que momento é considerado uma pessoa infértil, a partir de quanto tempo eh o casal um ano mantendo relações sem nenhum tipo de contraceptivo, né? Então aí se não conseguiu e tentando engravidar, se não conseguiu engravidar aí é considerado, mas o ideal é considerar 2 anos. Dois anos. Aham. Se você considera un ano, você tem números um pouco maiores. Exato. Mas esse casal se espera um ano mais Aham. Pode ser que E aí no final dos 24 meses que sobra sobra esse 8% que podem ser considerados inféris. Que acontece? Vivemos uma sociedade do imediatismo. Exato. As pessoas leem no jornal no celular. Uhum. As pessoas querem querem todo para ontem. Então o que é o que acontece? As pessoas casam vai morar juntos. Uhum. Deixa de usar anticoncepcional. Se meses não engravidou, vamos a consultar. E o problema que existe esse vamos a consultar. O profissional de saúde tem a obrigação de dizer: "Não, senhora, não, senhor, volta para sua casa". Uhum. Vaia, tenha sexo sem protecção, tenha sexo no meio do ciclo, tenta engravidar. esquece de mim e volte de cá 18 meses. Uhum. O problema é que não são acolhidos e não deveriam. E isto que eu digo não deveria. Parece que eu gostaria de deixar os casais inferte de lado. Não deveriam ser acolhidos quando precisam ser acolhidos e não antes disso. Porque se nós estamos acolhendo casais que vão engravidar sozinhos, está cheio cheio de casais com um par de gêmeos de invitro. Sim. e y 14 meses depois o nascimento de por por coito natural. Por quê? Porque foram para invitro precocemente. Isso está cheio no Brasil está cheio o planeta. Uhum. E qual a avaliação que o senhor faz eh nas outras gerações, né, como a Talita pontuou e tal, que ã as nossas avós tinham ali 5, 6, 7, 8, 9 filhos. O que aconteceu com essa geração agora? O por essa diferença de fertilidade é alimentação, é modo de vida? Qual que é a avaliação que o senhor faz dessa? Quando eu cheguei na Unicamp, ano 77, em torno de 15% das mulheres que iam no ambulatório de planejamento familiar e se declaravam analfabetas, tá? Uhum. Se você vai hoje na Unicamp e você pergunta, senta agora no ambulatório e pergunta até que sé, não encontra um analfabeto. Sim. Então, Brasil mudou o analfabetismo, não air que desapareceu, mas se reduci de forma ostensiva. É verdade que existem muitos analfabetos funcionais. Uhum. Mas as pessoas foram na escola, as pessoas conseguiram trabalho e a mulher que trabalha não quer ter cinco filhos na casa. Perfeito. Quando eu era médico no México, a taxa global de fertilidade no México era sete filhos por mulher. Hoje nas cidade do México, nas áreas urbanas está em 2.3, nas áreas rurais ainda está alta, tá como quatro filhos por Então que acontece? As mulheres estudaram, foram na escola, conseguiram trabalho. E hoje você sabe que mulher que foi na escola consegue melhor trabalho. Mulher que evitou gravidez na adolescência tem melhor trabalho. Tem um estudo da grupo de epidemiologia de pelotas no Rio Grande do Sul que eles acompanham uma cororte de mulheres muito grande que engravidaram na adolescência. Sim. E essas mulheres agora já t mais de 30 anos. Uhum. Esas mulheres têm pior trabalho, ganhan menos, tiveram menor escolar porque engravidaram na adolescência. E que aconteceu com os garotos que engravidaram a essas adolescentes? Nada, nada. estudaron, conseguiron b traballos, t salario, porque para no aconteció nada a carga fueron as meninas porque quien engravida esa menina, quien cuida bebé, esa menina quien abandona escola, essa menina então como pode ser que a secretaria de saúde não conversa com a secretaria de educação, não conversa com a secretaria da mulher, etc, etc. etc. Prevenir gravidez não planejada não é tarefa da saúde, é tarefa da saúde, é tarefa da educação, é tarefa de muitos, de muitos. Não pode ser que que existam eh eh eh divisões dentro das prefeituras para tratar de X ou Y, tem que trabalhar em conjunto. Então, como pode ser de novo? No quiero tracer esta cifra porque es alarmante. 62% das gravidez no estado de San Paulo, una pesquisa da Unicampi reciente mostradas e porro lado temos 1.5 filhos por mulher em um país onde o aborto não existe. Então quer dizer que deve ter muito aborto clandestino. Sim. Sim. porque senão não não chegaríamos a esta a este paradoxo de muita gravidez não planejada e pouca fertilidade. É uma conta que acaba não fechando, né? E e acaba também eh trazendo uma crise eh conjugal, uma crise familiar, a uma crise pessoal, né? eh eh eh psicológica, um problema de saúde mental ã muito extenso, porque é algo que vai mexer com toda a estrutura, né? gostaria que você trouxesse uma fala sobre a a importância e a gente bate na tecla de novo quando o doutor traz eh eh que legal seria se toda se as ações fossem compartilhadas entre todos as todas as pessoas os pontos competentes, né, seja do município, seja do estado, para que dessem a assistência, para que a gente pudesse ter um equilíbrio que está num futuro. não tão distante assim. E aí juntando a educação, juntando a secretaria da saúde, a educação, a saúde, né, a a questão também eh do cuidado da assistência social das famílias e nessa assistência social a gente trazer eh o apoio psicológico. Uhum. [risadas] Uhum. Sim. Eu acho que a gente precisa começar falando sobre isso do ponto de vista de que isso é muito pouco falado. É verdade. Então quando a gente tá aqui debatendo sobre esse assunto e conversando e trazendo dados e informações, eu acho que aqui a gente já tá avançando de alguma forma pelo simples fato da gente dar viabilidade e voz para esse assunto. Do ponto de vista da saúde emocional, a gente tá dizendo que são pessoas que muitas vezes sofrem em silêncio. Uhum. são pessoas que vão ter um sofrimento não compreendido, não legitimado e que muitas vezes vão passar inclusive por um processo de luto muito significativo. E eu acho que aqui é importante a gente desmistificar a ideia de que luto é só luto por morte física, né? aquela pessoa que de fato não está mais aqui. A gente passa por lutos muito simbólicos no decorrer da nossa vida, seja de uma perda de um trabalho, de um animal de estimação, às vezes uma perda de um membro, por exemplo. E aqui a gente tá dizendo sobre um processo de luto muito significativo. E o fato da gente não conversar muito sobre esse assunto, da gente não debater muito esse assunto, não dá viabilidade para que a gente dê espaço para entender que essas famílias também estão enfrentando muitas vezes um processo de luto e que essas emoções vão oscilar e que vão existir momentos de muita dificuldade, seja pro casal ou seja pro núcleo familiar mais extenso. Porque quando a gente fala sobre um processo de uma gestação, de uma gravidez, de ter filhos, a gente tá dizendo sobre expectativas que são muito além só daquele casal. a gente tá dizendo sobre expectativas sociais, sobre expectativas culturais e sobre a família de uma forma geral. Então aqui a gente passa por um processo em que não existe eh uma espécie de uma validação mesmo de que isso tá acontecendo. E quando não existe espaço para ter validação, também não existe espaço para sentir. E se a gente tá dizendo que não existe espaço para sentir, não existe espaço para elaborar. e emoções que não são elaboradas são emoções que possivelmente vão trazer prejuízos bastante significativos para essas pessoas que estão experimentando e que aí a gente cai em mais um problema do ponto de vista da saúde pública, né? Qual é o espaço que nós profissionais da saúde mental temos para tratar, para acessar essas pessoas e para trabalhar com essas pessoas dentro do contexto da saúde pública. A gente sabe que a saúde mental ainda é um lugar muito mais hierarquizado, um lugar ainda em que a gente tem muito mais acesso de pessoas que têm condições financeiras para custear um tratamento, assim como o doutor estava dizendo num outro momento. Então, é um passo que a gente tem pessoas, um sofrimento muito significativo. A gente não tem pessoas tendo esse sofrimento validado porque ele não é compreendido, possivelmente adoecendo ainda mais no decorrer desse processo e com uma assistência que muitas vezes vai ser insuficiente. Excelente, Tamires. Excelente. Agora vamos lá, Talita, eu parece que tô tô lendo o que você quer dizer, né? Porque quando a gente fala eh eh de não acesso, quando a gente fala da dificuldade do acesso, né? a gente vai lá naquela camada, eh, que, infelizmente hoje a gente ainda tem, eh, esse estigma, né, no Brasil, eh, mulheres negras, mulheres pretas. Essas mulheres são considerad fortes. Uhum. Essas mulheres são consideradas, foram consideradas ou são consideradas, me corrija se tiver errada, que você expertize nesse assunto, mas a mulher, ela, a mulher preta, ela vai pro hospital, ela vai ter um filho, então vamos lá que o parto vai ser normal, porque você aguenta, né? Vamos lá e tal. E aí a gente e por que que eu tô dizendo isso? Porque eu quero chegar no ponto que a Tamires falou, a falta de acessibilidade, doutor também pontuou assim assertivamente a falta de acessibilidade, a falta de de ã apoio, suporte, seja eh eh municipal, estadual, nacional. E eu gostaria que você trouxesse a sua visão na questão da antropologia, na questão eh eh dessa ainda, infelizmente, esse racismo que acaba, a gente acaba batendo na tecla mais uma vez e principalmente nesse assunto que a gente tá trazendo hoje. Sim, sim. Eh, Rúbia, eu eu tenho alguns planos para Talita do Futuro que eu não consele a emoção, a ciência. Por enquanto a Talita do Presente não consegue fazer isso. Uhum. E porque eu te digo, quando você traz, eh, me vem muito a uma pauta urgente, que bom que você trouxe, que é a violência obstetrícia, né? Muito latente para as mulheres negras. Eh, e o quanto que isso tá afastando também a nossa o nosso lugar da ancestralidade de como isso era feito antigamente. Eh, não muito distante, a gente vai ter as as doulas, que também tá sendo agora acessado por um outro grupo de mulheres, mas existe o lugar da socioeconômico para que esse acesso seja, assim como a saúde eh mental, né, seja feito ou das parteiras. Mas é é crescente o número de mulheres relatando esses casos de violência dentro do Sistema Único de Saúde, em que a mulher negra é a mulher que vai aguentar qualquer dor, é a mulher que por muitas vezes estatisticamente vai ser a pessoa responsável por lidar com essa geração dupla de maneira individual e o quanto que isso por muitas vezes não vai ser discutido enquanto uma política pública, enquanto um lugar de propagação de ideias, de divulgação, de troca de conhecimento e até mesmo de eh rede, né? Então, quais são as redes hoje que a gente tá falando eh sobre maneiras alternativas de gestação, maneiras alternativas? Olha, decidir ser mãe, né? Quais são os próximos passos? a gente não recebe essa cartilha, mas o que existe é essa pressão social de que olha, você precisa decidir isso logo, a pressão biológica que o seu corpo também aos 34 vai falar, você precisa decidir isso logo, e a financeira, né? Porque se a gente pensar numa linha mais ou menos uma pessoa que se formou no ensino médio aos 18, vai fazer um curso de graduação, ela vai se vai terminar ali seus estudos aos 24, 25, se ela quiser se especializar, são mais do anos, então a gente já tá aos 26. Se ela quiser fazer um mestrado, são mais quatro. É, então, eh, é muito comum que qualquer mulher hoje que você estiver num escritório, numa sala de aula, ela vai falar, essa mulher que escolheu ser mãe, ela vai falar dos desafios, porque por muitas vezes é, não só a pressão familiar vai ser grande, mas a pressão social de que ela precisa dar conta do recado, né? Então, eh, e eu acho que a gente ainda tá muito, muito primitivo nessa discussão, porque os banheiros, gente, se você vai num banheiro público, eh, o banheiro feminino vai ter um fraldário, o banheiro masculino, eh, dificilmente vai ter esse tipo de preocupação. Então, o que o trabalho que eu tenho feito agora na Unicamp também é reconsiderar como as filosofias presentes nos ensinamentos eh afrodiaspóricos, eles podem renomear esse lugar eh de autoconsciência e de autoestima da mulher negra dentro da sociedade. Porque se a gente olha pros números estatisticamente, ele é um pouco otimista. Uhum. Eh, a pauta de longevidade, ela tá crescente, foi tema da redação do Enem no ano passado, mas estatisticamente ainda a mulher negra eh não vai ter muitos prós para tomar eh eh essas decisões, ela vai ter mais contras. Então, como que a gente, à medida que essa mulher vai querer contrapor a o senso comum, quais são as ferramentas que ela vai conseguir ter uma saúde eh mental, financeira, social, para que isso seja de fato concebido da melhor forma possível? Uau! Que debate! Olha, 8:54. O tempo passa muito rápido, a gente só começou a falar. Imagina, vocês têm muito para entregar ainda, muito a nos ensinar. Principalmente esse bate-papo nosso com doutor aqui é é maravilhoso, porque a gente aprende, gente, a gente precisa falar mais, precisamos debater mais. E a produção tá me avisando, eu sei que vocês têm compromisso, mas a produção tá avisando, nós temos algumas perguntas, separar uma para cada um, tá? Só pra gente poder atender os nossos telespectadores que também estão interagindo com a gente. Produção, pode colocar na tela pra gente, por gentileza? Então vamos ver. Eh, Juliana Nogueira do Cambuí, alimentação, estress e rotina puxada podem afetar a capacidade de engravidar. Por mudanças no dia a dia, real pequenas, aliás, pequenas mudanças no dia a dia realmente fazem a diferença? Vamos lá, doutor, por gentileza, a Juliana tá com a gente nenhuma dúvida, nenhuma dúvida. Nenhuma dúvida. [risadas] Não quero dizer, as pessoas eh precisam ter uma boa saúde mental, sim, higiene, alimentação, etc. E engravida mais facilmente. É, né? Precisa cuidar mesmo, né? Para você poder e eh ter ali a saúde para você engravidar. Muito bem. Tá bom. Traz mais uma pra gente, produção. Vamos embora. Renata Pacheco do Jardim Flamboian. Para quem deseja ser mãe, mas enfrenta dificuldades para engravidar, como cuidar da saúde emocional durante esse processo tão frustrante? Vamos lá. Acho que dois principais pontos, rede de apoio Uhum. E acompanhamento profissional. Perfeito. Nenhum dos dois se anula. Um não substitui o outro. acompanhamento profissional vai fazer com que você tenha espaço para expressar todas essas dificuldades, todas essas angústias, medos, ansiedades e encontre condições de lidar com essas emoções, mas de também continuar vivendo, porque a vida também está acontecendo enquanto esse processo está acontecendo. Então, acho que o suporte profissional ele viabiliza esse lugar e a rede de apoio vai alcançar aonde o suporte profissional não alcança. Eu costumo dizer pros meus pacientes que eu estou uma hora por semana na vida deles. Todo o resto eu não tô ali. Então, é importante que existam pessoas, seja dentro do núcleo familiar ou fora desse núcleo familiar, que deem espaço realmente para que essas emoções sejam viabilizadas, sejam comunicadas, sejam sentidas, para que se pense em estratégia de lidar com esse momento, para que exista expressão, compreensão, acolhimento, para que a gente consiga passar por esse processo de uma forma um pouquinho mais natural, de uma forma um pouquinho mais leve. Excelente. Muito bom. 8:56. Mais uma. Vamos lá, coloca na tela pra gente, por favor. Carla Figueiredo do Nova Europa. As novas gerações estão menos interessadas em ter filhos ou apenas estão adiando uma decisão por causa do cenário social econômico? Vamos lá, Talita, você consegue trazer pra gente a sua visão sobre essa pergunta da Carla? Com certeza, né, gente? [risadas] É porque tem um filho é um investimento, né? custa. E por muitas vezes, eh, pensando no mercado publicitário, isso foi tido de uma maneira muito romântica, né? Olha que linda essa família Doriana, né? Todo mundo cresceu dando comercial da família eh de margarina. Mas poucas vezes a gente debateu de fato numa planilha, quanto custa ter um filho, né? Olha, eu vou ter um método eh contraceptivo, eu vou ter um método eh real, enfim, como que eu vou fazer isso acontecer? O salário mínimo no reajuste agora é R$. Então, se a gente colocar ali eh minimamente na ponta do lápis, verdade, eh não é viável eh da maneira prática, da maneira ideal, né? Obviamente tem muita família fazendo isso acontecer, mas se a gente pensa o primeiro cenário, né, do que é a maior parte do do país hoje recebe, não é o suficiente para que essa decisão possa ser eh acometida. Então, os fatores sociais, os fatores eh mercadológicos, né, profissionais, os movimentos feministas também evidenciaram, emanciparam intelectualmente as mulheres para abrir outros leques, né, de realização, além de ser mãe ou ser mãe também, mas com ou outras frentes de atuação e eh de fato sociais, né? Então, a gente tem uma geração que tá cada vez mais tarde da casa dos pais, eh, que tá cada vez, eh, mais presente no uso de telas. Então, a gente tá falando também de uma forma de se relacionar, é, como maias astecas, né, gente, de humano [risadas] para humano. Então, a eu gosto até de chamar também atenção, a gente tá falando desse lugar eh de de firos e tudo mais. a palavra do ano pelo dicionário de Oxford no ano passado era parassocial. Então, muito essa ideia imaginária de como a gente tá se relacionando com personalidades que nem existem. Então, eu acho que aí é um outro passo antropológico que como a gente tá se relacionando com as outras pessoas, né? Então é de fato um grande desafio. Exatamente, gente, complexo, interessante, precisa ser mais falado, nós precisamos trazer mais debates eh referente a essa questão, né, eh eh de fertilidade, de maternidade. Eu quero agradecer, a gente tá encerrando o programa, quero agradecer imensamente a presença de vocês aqui hoje, né? Eh, presença, clareza, profundidade nas reflexões. Acho que a gente entregou bastante, vocês deram uma aula aqui pra gente. Dr. Luiz, muito obrigada pela sua presença. Gratidão eh pela sua entrega, pelo seu ensinamento, né? A gente aprendeu muito contigo hoje. Muito obrigada. Eu que agradeço. Muito obrigada. Maravilha. Vamos lá, Talita, mais uma vez muito obrigada pela sua presença, sempre entregando muito pra gente. Gratidão e um ano maravilhoso para você. Obrigada, Rub. A todos nós. Tamires, obrigada mais uma vez também. Agradeço e sinta-se convidada para mais vezes aqui no nosso programa. Acho que foi nota 1. Obrigada. Que bom. Obrigada pela oportunidade, muito bom estar aqui com vocês nesse dia. E a gente agradece você aí de casa e o que fica evidente é que o tema de fertilidade, de natalidade, é um espelho das transformações [música] da nossa sociedade. Não pode ser resolvido com soluções simples. a gente precisa de mais informação, de mais apoio psicológico, de mais políticas [música] públicas que entendam realmente a complexidade de um indivíduo e da família do Brasil no século XX, [música] né? Então a gente precisa falar mais sobre isso. Falando nisso, o debate continua amanhã. Amanhã estúdio de Câmara, a partir das 8 da manhã ao vivo. Vamos falar sobre o quê? Vamos falar sobre maternidade. A gente continua falando. Vamos falar sobre a romantização da maternidade e como ela contrasta com a realidade do nosso dia a dia. Como é de fato viver a experiência de ser mãe, celebrar esse papel e ao mesmo tempo a gente lidar com angústias, inseguranças, estranhezas, exaustão. Porque a maternidade ela é feita de amor, mas também de culpa, de cansaço, de desafios. Amanhã a gente segue falando então sobre maternidade de uma maneira um pouco mais diferenciada para você. Romantiza maternidade ou não? Qual é a sua eh a sua avaliação sobre isso? Então não perca amanhã ao vivo a partir das 8 da manhã mais uma edição do nosso estúdio Câmara. a gente vai entregando, agradecendo mais uma vez os nossos convidados, você que tá aí do outro lado participando, o programa está disponível no YouTube, então pode repassar paraas pessoas que acredito que é informação boa, é aquela informação que a gente repassa, informação que a gente compartilha. Ao meio-dia Câmara Notícia com informações do legislativo e também da nossa metrópole. Programação da TV Câmara Campinas sempre feita com muito carinho, especialmente para você. E amanhã, a partir das 8 da manhã, voltamos com mais uma edição do nosso estúdio Câmara ao vivo aqui na TV Câmara Campinas. Um ótimo dia, cuide-se e até lá. Ча [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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