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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Manhã de quarta-feira, dia 18 de fevereiro. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Vamos lá, então, já começando com a primeira pergunta para você aí de casa. Você já percebeu como o celular se tornou companheiro inseparável de muitos idosos. É o que muitas vezes parece apenas uma distração ou uma forma de amenizar a solidão pode estar escondendo um vício silencioso e perigoso. No programa de hoje, nós vamos entender porque o uso excessivo de telas pode impactar a saúde mental, comprometer as finanças e até colocar em risco a segurança de quem já passou dos 60 anos. Um debate necessário para as famílias e fundamental para quem deseja envelhecer com qualidade de vida, autonomia e consciência digital. E você faz parte dessa conversa. Conta pra gente como é que é na sua casa. Volvo, tá todo mundo conectado, né? Quanto tempo eles passam no celular? Ah, você não percebeu. Então, às vezes eles passam tempo demais e a gente precisa de uma educação digital, não só para os nossos jovens. não só para os nossos adultos, mas também para os nossos idosos, que hoje a maioria deles têm um celular e estão conectados. É sobre isso que a gente fala hoje. Manda sua mensagem pra gente. Tem alguma dúvida? Os nossos convidados já estão aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Então, enquanto isso, vai mandando a sua mensagem pelo WhatsApp que já está na sua tela. 199729377. a sua participação é muito importante pra gente. E agora a gente atualiza algumas informações. Já já apresentamos então os convidados de hoje. Nós vamos falar sobre a dependência digital idosos. Bom, informação chegando para você. A Câmara de Campinas realiza hoje, quarta-feira, a partir das 18 horas, a quinta reunião ordinária deste ano, com análise em primeira discussão de dois projetos de lei completa, eh que são complementares a pauta principal e também homenagens e denominações. Bom, um dos projetos que devem ser votados é o projeto de lei 136 de 2025, de autoria do vereador Luiz e Abico. Ele obriga empresas de telefonia, internet, TV a cabo a agendar atendimentos técnicos domiciliares com uma hora exata escolhida pelo cliente, proibindo turnos genéricos, como de manhã ou à tarde. Esse projeto também exige 24 horas de antecedência, três opções de horários, rastreamento em tempo real do técnico e um aviso prévio de 2 horas para remarcação e também desconto de 10% na fatura seguinte em caso de descumprimento, tá? Tem multas progressivas se eh esse projeto de lei não for cumprido e chegam aí a 10.000 o fix, unidades fiscais aqui de Campinas, com recursos eh que serão a eh levados ao fundo municipal do Consumidor. Bem interessante. Você pode participar dessa votação, né? você pode também dar a sua opinião eh participando da reunião ordinária que acontece hoje no plenário da Câmara, que também estará em discussão eh o projeto de lei 34 de 2025 do vereador Herbert Ganém, que altera o estatuto de proteção animal para proibir confinamentos que impeçam mobilidade natural, que causem lesões ou estress, garantindo espaços adequados às necessidades físicas, mentais de cada espécie, né? Tem penalidades aí que incluem multas eh de 100 a 3.800 unidades fiscais, apreensão de animais e cassação de alvaraz para empresas reincidentes, ressalvando aí o transporte em caixas apropriadas. A sessão da Câmara ocorre ocorre hoje no plenário, tá? Tem transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas, no YouTube também e tem mais outros itens que inclui diplomas de honra, denominações de ruas e salas. Então, eh, uma pauta para você dos trabalhos de hoje da sessão eh no plenário a partir das 18 horas. Agora a gente fala de saúde porque a Secretaria de Saúde de Campinas recomenda que adultos de 15 a 59 anos atualizem sua caderneta vacinal nos centros de saúde, pois o calendário não se limita só à infância. Você sabia que nós temos aí algumas doses para serem tomadas. Entre as doses indicadas para adultos, tem a do sarampo cachumbe rubéula, né, a SCR. São duas até 29 anos, uma de 30 a 50 anos, tem a da febre amarela, tem a hepatite B, tem a DT, que é difteria e tétano, além da gripe também da COVID para grupos grupos prioritários, né? Então, eh, quem tem registro completo mantém apenas reforço, né? Então, sem documentos, eh, não tem problema. Você pode chegar lá no posto de saúde, mais próximo da sua casa, e, eh, pedir a orientação e fazer a sua vacinação. Ruben, não tenho carteirinha, não tem problema. Importante, gente, manter-se vacinado, né, e atualizado para que a gente possa ter a nossa saúde em dia. Você pode consultar os detalhes no site campinas.gov. sites, vaccina, idade e grupo, tá bom? A imunização previne doenças e é eficaz. Vamos lá, previsão do tempo para hoje. Já já a gente apresenta então os nossos convidados. Vamos falar da dependência digital nossos idosos, mas antes a gente atualiza a previsão do tempo. Mínima 20, máxima 28º. Que chuva foi aquela ontem à tarde, hein, gente? Vocês viram o que aconteceu lá na Lagoa do Taquaral? Então, e hoje a previsão é sol entre nuvens e chove rápido durante o dia, mas não com tanta intensidade como foi ontem. De acordo com informações, ontem tivemos aí eh 66 mm de chuva em pouco eh eh tempo e o que ocasionou alguns transtornos na cidade, né, por conta eh dessa chuva intensa, que é uma chuva de fim de tarde de verão, mas que veio com muita intensidade. Bom, tudo certo agora 8:11, vamos com a apresentação, né, dos nossos convidados. Mas antes a gente fala dos estudos, né, que foi tem um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais que diz que a dependência das telas está ligada a problemas como estresse, depressão e ansiedade. Para idosos, o quadro ainda é mais preocupante, já que muitos enfrentam isolamento social antes mesmo de desenvolver essa dependência de conforme o IBGE em 2019, apenas 44,8% dos idosos usavam a internet. Já em 2024, esse número disparou para 69,4%. Então são 11 milhões de novos usuários, mas esse acesso traz eh desafios, né? Ambulatório de dependências tecnológicas do HC diz que antes a o público era jovens e agora está recebendo pacientes com mais de 70 anos. a gente precisa entender esse cenário e aprender a lidar com toda essa situação. É por isso que nós convidamos e vamos receber o Dr. Humberto Calício. Ele é médico, psiquiatra e psicanalista, tá com a gente aqui. Dr. Humberto, seja bem-vindo. Muito bom dia. Obrigada pela sua participação. Agradeço, agradeço a oportunidade de estar aqui. Acho um assunto muito relevante, não é? Na mesma medida que a gente tem que cuidar das crianças, é como se o idoso se infantilizasse e a gente tem obrigação tomar esse papel de cuidado, né? Acho isso bastante relevante. Muito bem. A gente conversa também com a Dra. Sati Camisono, ela é médica geriatra. Seja bem-vinda, doutora. Bom dia. Bom dia. Muito obrigada, Rúbia, pelo convite. Tema muito importante, relevante, visto o envelhecimento populacional e a utilização adequada dos recursos tecnológicos, elas são muito positivas e muito bem-vindas. Entretanto, alguns alertas, algumas orientações para que esse uso seja sempre positivo e não danoso à saúde do idoso. Excelente. A gente precisa e entender como é que funciona esse mundo digital, principalmente para os nossos idosos. E a gente recebe aqui pelo Zoom direto de São Paulo. Ele é professor especialista em transformação e letramento digital. Professor Cláudio Marceline, seja bem-vindo, professor. Bom dia. Olá, muito bom dia. Saúde e alegria para você. Sem dúvida, um tema da atualidade. Agradeço o convite e defendo que quanto não houver de fato uma alfabetização digital continuada, a gente vai continuar com esse problema. Vamos aprender juntos. Então você aí de casa, aumenta o volume da TV, chama todo mundo paraa sala, já vai mandando mensagem pra gente. A gente já começa então a nossa conversa com o Dr. Humberto. O senhor considera eh o uso excessivo de telas por idosos um sinal de alerta paraa sociedade, doutor, do ponto de vista neurológico, né, eh o cérebro do idoso, especialmente o córtex pré-frontal, se torna mais vulnerável. É isso mesmo que acontece. explica pra gente. É, acho que tem duas questões. Uhum. A primeira é um artigo que eu li já de muito tempo, deve ter 30, 40 anos, que fala num olhar eh mais social e talvez antropológico, como é que surgiu as a demanda do diagnóstico de da doença de Alzheimer, que não não tem a ver com isso que a gente fala, mas talvez dê para entender o onde eu quero chegar, não é? Sim. Então, numa numa sociedade rural, o idoso tinha um de ser acolhido por famílias grandes, o idoso com demência e e aquilo não era um problema tão relevante, né? havia uma estrutura que de alguma forma dava conta do do idoso com alteração de comportamento, do idoso que demandava cuidados com a questão da da da diminuição da população rural, aumento da da das da das da população nas cidades e principalmente diminuição do número de das pessoas os núcleos familiares, não havia mais esse papel. E foi bem nesse contexto que começou a ter, né, estudos mais aprofundados e eh essa doença, especificamente, ela é uma doença que tem alterações eh eh visíveis de imagem, né, de fato existe, mas se surgiu exatamente concomitante com esse contexto onde o idoso não não mais cabia nesse núcleo familiar. Uhum. A questão do uso de qualquer tela e de tecnologia cabe na mesma que na minha tem na minha opinião a um paralelo, né? eh a solidão ou estar só o que fazer com tempo. É um é uma questão que tem que ser vista e e e nesse caso entendida se é um problema, passa a ser um problema eh se houver sofrimento na na impossibilidade de continuar com um ato ali às vezes repetitivo de tá na tela. Se a pessoa começar a procrastinar o início do sono por conta de de, né, da de ter que tá com submerso algum tipo de eh de alguma coisa de algo externo, passa a ser um problema se de fato aquilo eh eh tirar a pessoa do convívio familiar que que mesmo diminuído tem. Ou seja, a pessoa ela ela se priva de relações sociais, né, e passa a ser aquela forma predominante e sequer percebe que há um sofrimento quando se tenta se desvencilhar. Exato. É verdade. Nós falamos aqui muitas vezes no programa sobre a dependência digital de jovens e adultos, né? de acordo com informações, eh, é um processo biológico quando se torna a dependência, né, e que se assemelha a uma dependência de substâncias químicas. E o perigo é que quando a gente fala da dependência digital, essa dependência ela tá dentro de casa, muitas vezes sem que a família perceba. Agora, Dra. Sati, é Satier ou Sati? Sati. Sati. Tá bom, Dra. Sati, na prática clínica, né? Como que você diferencia o uso saudável do celular daquele que já causa danos à saúde física, né? Porque quando a gente fala de danos à saúde mental, pessoal fala: "Ah, mas é dependência e tal". Mas o celular também causa danos à saúde física, principalmente quando a gente fala dos nossos idosos, né? porque eh vai muito além, tem a postura, a as dores nas costas. Gostaria que eh você como médica geriatra explicasse pra gente os danos que o celular pode causar, principalmente aqui a gente tá falando hoje dos idosos. Uhum. Eh, acho que antes de falar dos problemas, eu vou, eu preciso reforçar os aspectos positivos das tecnologias, né? Sim, eu acho, acredito que o Cláudio vai falar, mas é importante reforçar que as ferramentas, a, a, o uso da tecnologia, ela pode ser também um uma ponte importante de aproximação das famílias, né? Às vezes, hoje, atualmente, são, é muito comum núcleo familiar composto de de um casal de idosos com filho morando em locais completamente distintos, às vezes em países diferentes. Isso é uma demanda que eu tenho no consultório, né, de idosos que moram sozinho na cidade, o filho mora em São Paulo e outros dois moram fora do país. Então, a tecnologia é uma ferramenta de aproximação. Esses idosos acabam conseguindo acompanhar o crescimento dos seus netos, o dia a dia da família. eh é uma é um ponto de conexão entre eles, né, os grupos de WhatsApp para combinar encontros e reuniões. Ah, o uso da tecnologia também de forma positiva, como alguns aplicativos de estímulo cognitivo, né, busca de viagens, de passagens. Então, assim, existem muitos recursos positivos quando são bem utilizados. Entretanto, quando a gente fala de risco, né, o risco físico ele não é tão importante, sabe, Rúbia? Eu acho que o principal aspecto de risco é no risco mesmo de saúde, eh, de saúde mental. Eh, em especial aqueles idosos que são mais fragilizados a esse tipo de exposição, né? Quais são os idosos que têm um perfil que podem ter problemas com o uso do aparelho do dispositivo celular? os idosos que são que moram sozinhos, né? Porque eles às vezes utilizando muito esse recurso, eles deixam de ter uma vida real, né? Eles deixam de ter o contato físico, sejam com amigos, seja com família, eh aqueles idosos que já têm um quadro depressivo, há estudos que correlacionam fortemente depressão e dependência do uso de celulares e e de uma via eh bidirecional, sabe, Rúbia? um reforçando uma outra a outra situação, né? Eh, e também eh o risco maior para aqueles idosos que já têm uma perda cognitiva ou um quadro demencial inicial, né? Esses idosos, por já apresentarem algum componente neurológico, eles têm eles podem piorar a questão da sua atenção, eles podem ter um pouco mais dificuldade de operacionalizar na hora de mexer o celular e saber também o momento de parar. Sabe essas redes sociais que t feeds infinitos, né? Então, é o é aquela questão de saber o momento certo de parar, né? E isso acaba perdendo o controle, principalmente quando você usa em qualquer momento o celular. Então, o idoso que já tem uma doença neurológica, ele já é muito comum ter associação de distúrbios do sono. E se esse idoso faz uso desse dispositivo celular no período da noite e o aparelho celular ele emite a luz azul que inibe a produção da melatonina, que é um hormônio fundamental paraa indução do sono, ele acaba tendo uma alteração do sono ciclo, o ciclo sono vigília, né? E isso só pode piorar a questão neurológica e cognitiva. Nossa, como é importante conversarmos pra gente poder entender. Você aí de casa deve estar igual eu, eles ficam falando e eu fico assim de boca aberta porque, gente, é algo tão natural e que abre uma lacuna para muitos problemas. E a gente precisa aprender a trabalhar com tudo isso. É por isso que o professor Cláudio ele defende que o letramento digital vai além do saber mexer no celular, né? Doutor, ô professor, como que essa falta de fluidez digital, essa falta de eh educação digital coloca o idoso em risco diante dos algoritmos que são desenhados, claro, para prender a atenção, não é bom? Primeiro quero parabenizar a doutora pelas colocações que ela fez a tecnologia a com recursos positivos pro iluso. Eu particularmente tenho um familiar com quase 100 anos. Uhum. Ele mora a 200 km mais ou menos da onde eu estou. E a minha a minha interação com ele hoje funciona muito bem, graças a, por exemplo, um aplicativo ah de conversação de vídeo e isso tem ajudado no bem estar vendo. Então existem de fato uma série de benefícios que é suí aí n mais um quarto séculos e a internet não se é um canal de entretenimento, bate-papo, proposta, pornografia, consumo pornográfico no mundo há muitos anos. Ah, eu defendo que a internet é um canal de geração de valor, informação, mas para que isso aconteça, você precisa primeiro ter uma alfabetização digital, que é a base do conhecimento. Depois o letramento. Eu vou eu vou dividir da seguinte forma, né? Muitas pessoas colocam como eh sinônimos e às vezes fazem confusão de um ou outro. A alfabetização digital é como se fosse o ensino fundamental. Uhum. Vocês estão me ouvindo bem? Sim, estamos. O letramento digital vem na sequência, ele é mais abrangente, é como se fosse o ensino médio. E por fim, você tem a educação midiática, que é o que engloba os outros dois primeiros, envolve mais o senso crítico, né? A capacidade de você entender o que que o impacto daquilo que você vai postar e consumir, né? enquanto o letramento digital tem mais a ver com, por exemplo, identificar uma fake news. O que acontece é que hoje você tem muitos dispositivos, né? É innegável que os últimos 30 anos a gente teve uma evolução maior do que nos últimos 3.000 anos e isso deve continuar. Porém, ao invés só da gente dar acesso aos dispositivos, hoje, em qualquer lugar do país, em qualquer lugar do mundo, do país mais rico ou mais pobre, as pessoas têm acesso a algum tipo de dispositivo, que antes era um desktop, o computador de mesa, e hoje você tem o celular na sua mão que virou o seu melhor amigo, é a sua vida. Você tem a sua rede social, você tem a sua conta no banco, você tem a sua chamada de vídeo com o o seu network e assim por diante, não é? acontece que essas pessoas que não tiveram essa alfabetização digital, eu vou colocar da seguinte forma, nós aqui representamos uma parcela muitíssimo pequena da sociedade brasileira. Então, todos nós, desde sempre, tivemos acesso a alguma tecnologia e mesmo sem eh digamos um curso de informática, né? Eu fui aprender informática lá no indício dos anos 90 no World Star. Eh, você acabou aprendendo aquilo em casa, meio que testando erros e acos. A maioria da população não teve isso. Por quê? Porque tava num ar isolada, vivia numa periferia, o o recurso era muito caro. De repente, essa população at um celular, com menos de 1000 cruzeiros, você tem um celular e essa pessoa abre um celular. Ele já vem com uma rede social pré-instalada que ela não sabe o que é. Ela ouviu falar um canal de vídeos para ela assistir que ela não sabe o que é. Ela pode assistir um vídeo educativo, né, aprender, sei lá, chinês. Hoje você pode estudar o que você quiser, só não faz se não tiver vontade. Aí ela acaba indo pro aonde? Pro lado da pornografia. Uhum. porque ela não teve esse processo de alfabetização, de letramento. Então eu defendo que se você não tiver essa capacitação adequada e para esse público principalmente continuada, a gente vai continuar vendo os índices crescerem, esses índices negativos, como a gente viu na última década, consumo de pornografia, aumento de golpes digitais, né? Ao passo que quando você aplica diferente, eu tenho um case no Centro-Oeste que a cidade foi a número um, a número um do país em consumo de pornografia. é uma cidade estritamente conservadora e parte desse consumo vinha de Wi-Fi público. Uhum. Depois de um ano de letramento digital customizado, né? Porque às vezes o que funciona pro idoso A não funciona pro B. Então não é jogar uma tecnologia e falar: "Se vira porque eu achei legal". Eu não sou referência. Nós aqui não somos referência. A referência é o usuário. A tecnologia tem que ser pensada nele. Uhum. Muito bem. Um ano depois, essa cidade atingiu o o índice educacional número um do estado e saiu do ranking de pornografia. Muito bom como exemplo. Excelente. Agora veja só, doutor, como é importante, né, esse esse letramento, essa educação. E aí eh me vem à cabeça a questão de das pessoas, principalmente os idosos, né, que de repente estão nos assistindo agora, né, pensam: "Poxa vida, mas eu vou vou aprender a lidar com o celular, mas eu já sei mexer com o celular, né? E não é bem assim que funciona. Tem uma questão também que as pessoas eh quando ouvem a nossa conversa aqui pode pensar assim: "Não, então o celular tá me fazendo mal, vou eu vou tirar o celular de uma vez". A gente precisa falar dessa dessa dependência e desse medo que as pessoas têm de, principalmente os idosos, de ficar sem o celular, que tem um termo aqui que as pessoas usam, que eu acho que é um termo, né? Eh, é o termo monofobia, esse termo que nomofobia é como mo nomofobia, nomofobia, né, que é o medo de ficar sem celular. E de acordo com pesquisas, esse eh eh essa essa nomofobia já atinge aí os 60 mais. Então, eh quais os sintomas físicos, o que que pode acontecer e quando esse medo de ficar sem celular ele aparece, né? E é importante a gente aprender a lidar com o celular, no caso dos idosos, ou então diante desse alerta que a gente tá passando aqui, a pessoa fala assim: "Não vou mais usar o celular". E abandona o celular. Qual que é o ponto de equilíbrio? O que que deve ser feito? Qual que é a sua avaliação sobre tudo isso que a gente fala aqui? Essa ideia de dependência, né? Uhum. que eh é como toda dependência tem na sua base a tolerância e abstinência, que são critérios básicos. A gente pode fazer um contrapartida, pensar em eh como seria a abstinência e a tolerância com esses aparatos tecnológicos e com a informação. Porque entend eh eh quando a gente fala na homofobia Uhum. A não é só o medo eh eh extremo e de não ter acesso ao aparelho, é não ter acesso à informação. Exato. Não não é é não é aparelho não é só o que aparelho, mas é o que ele proporciona ou qualquer aparato. Então tem a ver com o acesso à informação. Uhum. E muitas vezes é uma informação, precisa ter acesso a qualquer informação, não é que de fato há uma demanda pontual que naquele momento ela ela é necessária. Você precisa est envolvido num num contexto quase para com se não pudesse lidar com os próprios vazios, não é? Aí essa informação de quando não não de qualidade de fato, é qualquer um. Então, a a gente pode pensar abstinência para sujeito ter sintomas físicos mesmo de mal-estar, de ter tremores, taquicardia, ter uma cefaleia, já via pessoas terem quase uma crise de pânico, sem que ser pânico, na impossibilidade de ter acesso a esses aparelhos. Esse é um critério então de dependência. Uhum. Né? E a e a tolerância, que é mais fácil da gente entender, por exemplo, uma pessoa que abusa de de álcool, quer dizer que com o tempo do uso abusivo, ela vai ter que beber mais para que aquela para ter o efeito que tinha naquela quantidade inicial que ingeria. É, a ideia é a mesmo, né? a pessoa ela vai ter que eh para que haja liberação de neuro de hormônios cerebrais, dopamina, que que no idoso já está mais diminuído pelo próprio processo de envelhecimento e são hormônios de recompensa, ele vai vai ter que haver um estímulo maior, não é? Vai ter que a a pessoa vai ter que despender mais tempo. Uhum. Para ter o mesmo estímulo do que tinha. Então tem daí são duas questões, a repetição e a questão eh no caso eh do envelhecimento do do te nervoso. Olha isso, né, gente? Quando a gente fala desse estímulo maior, estímulo maior e buscar mais, buscar mais, arremete essa questão dos jogos online, né? Porque eh é algo que já tá tudo preparado, tudo pronto ali para que você fique cada vez mais no celular. Então esse estímulo maior, cada vez mais, cada vez mais. E pro idoso que tá lá, analisa, né? Ele tá sozinho, né? E de repente a família longe, hoje crescendo mais idosos que que moram sozinhos, né? São independentes, mas aí acabam ã sendo dependentes do celular. Aí eu pergunto pra doutora, esse esse vício, né, em jogos aparentemente inofensivos, né, porque você tá ali, o idoso tá se divertindo e tá tendo estímulos, eh, impacta na rotina de cuidados básicos, porque quando o doutor fala que ele precisa de mais e mais e mais, a gente imagina. Então ficou lá 6 horas por dia no celular e nem percebeu que o tempo passou. Só que aí ele vira à noite e ele vira e e vai pro outro dia. E quando a gente fala em jogos, a gente sabe que é tudo preparado para que prenda a pessoa. Qual a relação, doutora, eh, dos idosos com esses jogos online e o impacto na nos cuidados básicos do dia a dia? a gente precisa se atentar a isso. É, é, eu acho que Rubi, assim, quando a gente fala dessa questão, seja de jogos, seja de redes sociais, né, ou seja de vídeos, né, como o o professor Cláudio falou, eh, de pornografia, eh quando a gente lida com o idoso capaz, né, o idoso que está eh, do ponto de vista cognitivo normal, eu acho que cabe muito o papel da família quando identificar, de tentar buscar ajuda profissional ou tentar eh eh entender um pouco mais assunto para abordar esse idoso e levar para um direcionamento, um acompanhamento, porque esse idoso ele vai precisar de um acompanhamento de um profissional que lida com dependência, né? Como você citou, o ambulatório do HC de dependência eh digital, que antigamente era basicamente jovens, agora a gente já tem uma predominância aí de idosos, muito menos do que jovem, obviamente, até pela questões dopaminésicas, como o Dr. Humberto falou. Eh, então assim, quando a gente lida com esse perfil de idoso, importante a família sem tentar. Há um problema, vamos buscar ajuda, né? Quando a gente está falando dos idosos já com comprometimento cognitivo ou com demência, aí é um ponto que a família, ao perceber é importante que comece a a a utilizar alguns recursos tecnológicos, que eu acho que o professor Cláudio vai poder até falar melhor, que são os cont os controles parentais de de uso de tecnologia. né, começar a monitorar, ver o tempo que tá ficando em redes sociais, o tempo que tá utilizando jogos, que tipo de aplicativos estão baixados, né? Claro que isso numa condição ainda leve, a gente precisa tomar um pouco de cuidado, porque isso pode gerar um certo conflito entre familiar e o próprio paciente. Mas importante entender que é sempre desafiador, mas isso é muito papel da família também de olhar por isso, né? e com tempo e colocando alguns limites de tempo, limites de horário. Eh, e o importante quando a gente lida eh com a dependência digital é de fazer isso tudo de forma muito lenta e não imediata. Me dê o seu aparelho celular porque está tendo problemas. Aí a gente pode entrar numa crise de abstinência importante e ter problemas físicos, inclusive relacionados a isso. Importante dica, né? Você que tem em casa, tem avó, vô, aí tá todo mundo usando celular, que legal, né? Que bom, porque antes tinha uma resistência, né? Eu me lembro quando eu fui dar o celular paraa minha mãe, ela ela não queria, ela falou: "Não quero isso, não sei mexer nisso". Hoje ela só se conecta com a gente através de de de WhatsApp. Então, assim, é tudo muito bom essa evolução. Só que a gente precisa eh nos atentar porque a família é a rede de apoio. Ah, mas ele mora sozinho. Dá uma pesquisada, vai lá, faz uma visitinha, né? e tenta se aproximar um pouco mais para que a gente possa ter essa questão da educação, né, com a tecnologia. O Cláudio, ele menciona que a tecnologia pode humanizar o aprendizado como o pensamento computacional. E aí, como que esse pensamento computacional pode ajudar o idoso a recuperar a autonomia no dia a dia? Quando a gente fala eh do celular? Professor, olha eh em primeiro lugar eu vou voltar naquela tecla da questão da da capacitação. Uhum. Porque o pensamento computacional ele só vai ocorrer de fato, veja, por mais que a doutora colocou muito bem, hoje você tem ferramentas aí de controleum, né? Então você na sua casa pode controlar o que as pessoas ali acessam da onde você estiver. Olha, eu não quero que esse site seja acessado. Eh, você pode eh limitar o conteúdo de acesso. Porém, se qualquer que seja a pessoa e principalmente o idoso, ele não entender que a tecnologia tá ali como uma ferramenta para agregar na vida dele, para isso ele precisa do conhecimento, precisa desenvolver justamente o pensamento computacional. Na minha humilde opinião, eu acho que tem dois fatores críticos. O primeiro, eu absorvi, eu eu pude acompanhar muito bem tanto na criança e no idoso, onde eu tenho alunos de EJA, né? o aluno de EJA eh pré-alfabetizado ou não alfabetizado, quando ele convive com a família e ele descobriu lá o celular, eu muitas vezes vio, eu frequentei casa de alguns alunos, o idoso num cantinho enterrado num celular. A mesma cena eu vi numa família com uma criança, uma criança que no nosso tempo ia brincar na rua, andar de bicicleta, ela tá sentadinha no celular, sabendo se lá faz o quê nesses joguinhos que são uma indústria, né, para prender a pessoa ali, como vocês todos colocaram muito bem. A pessoa, eu eu eu tenho a sensação que a família fala: "Olha, tá ali, ó, como se fosse um enfermeiro, olha, tá ali, deixa ele quietinho, não tá, não está nos dando trabalho." Eu tenho essa humilde opinião que muitas famílias se acomodaram nesse processo. Ao invés de dar uma atenção, eu vou assistir o meu futebol, deixa lá o meu avô com o celular dele. OK? Na outra ponta, a gente tem há 30 anos governo em nível federal, estadual e municipal, fazendo investimentos bilionários em tecnologias. Eu conheço o país de ponta a ponta, só não trabalhei no Acre. Em todas as regiões que eu fui, das mais afastadas as mais desenvolvidas. Existia um sinal de internet, por mais precário que fosse, existia algum recurso tecnológico. Mas por que que aquilo não funcionava? Porque a indústria quando ela vai vender um produto, um software ou um hardware, que são os dispositivos, né? Hoje a gente tem o tablet, você tem o celular, lá atrás, o computador de mesa e o e o notebook. Ela não faz aquilo para mim ou para você. Ela produz aquilo largo em escala, desenvolve em laboratório, faz uma campanha brutal de marketing e empurra aquilo através de mecanismos comerciais. Então, quando o contratante compra, ele não faz muitas vezes a menor ideia do que ele tá comprando. Eu, mais de 300 municípios, eu não vi um município que tinha tecnologia pensada na customização. Porque quando eu falo que a pauta aqui, eu não posso esquecer que eu tenho um idoso que ele tem um pensamento mais desenvolvido, eu tenho um idoso que ele tem uma condição melhor. Tem um idoso que tem algumas limitações, não é, diferente. Então, a tecnologia ela tem que ser pensada nesse público com uma capacitação também customizada. O problema é que isso leva tempo e a mão de obra de alto nível, principalmente no setor de tecnologia, ele é ela é muito escassa. O indivíduo que tem essa competência técnica, ele vai trabalhar numa multinacional fora do país, receber em dólar, ele não vai desenvolver um projeto específico para um para um idoso. Então, esses dois pontos, me permita dizer, o comodismo, que muitas famílias se acomodaram numa situação. Eu assim, eu eu faço essa análise crítica porque eu vi isso acontecer na minha casa com a minha filha. Hoje ela é quase adulta. Quando ela era criança, todo mundo tem uma vida agitada. da minha não é diferente, assim como a de vocês. E quando eu chegava em casa, ao invés de eu investir um tempo na minha filha, ela tava num celular e eu passava o dia cuidando do filho dos outros, orientando. E na minha casa faltava e ela teve a nomofobia, né, uma da cyber sickness que tem hoje. Então ela até para dormir ela precisava ter o telefone do lado. Qual a diferença dela para um idoso? a a idade cronológica, né? Porque o o os dois estão cada um tá numa ponta e foi um processo para tirar ela dessa dependência. Na outra ponta, enquanto não tiver essa orientação pro idoso, falar: "Amigo, olha só, isso aqui você vai ter, você vai conseguir uma inclusão social, você vai conhecer outras pessoas por aqui, você vai você pode utilizar isso como um canal de geração de valor, não só entretenimento, não é? Então eu acho que essa, esses dois extremos, eu acho que potencializaram esse cenário que a gente vê hoje, onde os idosos eles não são em números absolutos, né, porque não é a faixa que mais consome, mas são o são as vítimas mais procuradas para sofrerem golpes digitais. Eu trabalhei em muitos casos onde o a quadrilha se especializou em dar golpe em idoso. Que tipo de golpe? principalmente envolvendo o financiamento. O idoso, ele é aposentado, ele retém um recurso. Muitas vezes esse criminoso tem acesso a uma massa de dados, não é? A gente vive numa era que os dados são o o ativo, um ativo precioso e ele já vai direcionado para aquele público, oferecendo produtos, né? produtos que aquele indivíduo vai consumir sem saber que, na verdade, são uma fraude. Exatamente. Quando a gente fala eh de golpes, né? Aí, vamos lá. Nomofobia, eh vítima de golpes, eh de repente tá lá apostando eh eh em nas bets, o Banco Central revelou que os idosos gastam em média R$ 3.000 por mês em apostas online, né, doutor? a o impacto paraa saúde mental, como que se trata um um idoso que está com essa dependência digital e que de repente tem além da dependência digital sofrido com as consequências, né? os golpes que estão aí, infelizmente, cada vez mais eh essas pessoas que aplicam golpes, elas estão eh eh eh com um poder de persuasão muito forte e que acabam sim levando o idoso a cair nesses golpes e a perder dinheiro. Enfim, qual que é o impacto na saúde mental desses idosos e como se trata, como temos que fazer, qual que a importância da família? Você quer que eu fale um pouco de jogo patológico? É isso que é um outro, é uma um pode ter uma coincidência com a a homofobia, mas não necessariamente o é, que existe em outros contextos.Um, mas como ficou muito fácil, não é, apostar nessas plataformas digitais, eh, se faz isso em qualquer lugar. Uhum. Eh, já tem de pessoas que que me lembro de duas ou três que vieram buscar com dívidas de chegando na na casa de mais de 1 milhão, R milhões deais perdidos nesses jogos. Aí teve um caso ou dois que a pessoa conseguiu parar ganhando, mas é muito raro, sim, até porque a toda a dinâmica do jogo é feita para que ela continuem jogando, né? Eh, é uma e aí é eh se cria eh um outro mecanismo adictivo, né, muito grave, que traz questões eh, como eu disse, financeiras e às vezes familiares. Esse dinheiro geralmente de um dos casos não envolve a família como um todo, né? Eh, e isso não tem só a ver com o esclarecimento de tem pessoas esclarecidas e que tenham um conhecimento eh de como transitar entre, né, essas essas questões, mas a partir do momento que começa, ele se liga um gatilho que é o gatilho da da da dependência, que mesmo sabendo que é algo danoso, a pessoa continua. Uhum. É, você pode falar para uma pessoa, sei lá, que usa cocaína, você pode falar para ela, olha, você não tem benefício fazer tabaco, não tem benefício nenhum usando isso, não agrega nada. Eh, eh, você só vai trazer problemas ou agora ou daqui um tempo, mas é a pessoa fala: "Mas eu gosto". Ela ou em algum momento teve prazer, mas ela tem associação que gosta, ela não vai parar, sabe que faz mal. Uhum. Desse jeito. Não é o convencimento de dizer o que não faz bem. Então essa questão do da de bet, jogo patológico, nesse sentido, é é mais ampla, vai além do idoso, mas aí eu acho que idoso ele fica eh ele fica um tanto mais a exposto, porque eu acho muito mais difícil ele saber que tem ajuda para isso, né? Saber como procurar. Então, sim, eu acho que é absolutamente relevante. E o tratamento, doutora, eh é um tratamento que quando a família, né, eh entende que precisa de de ajuda, esse tratamento para essa dependência, ele costuma eh eh ser de quanto tempo? Como que funciona? Assim, tem há diversos tipos de tratamento, né? Sim. Às vezes precisa usar algum tipo de medicação para controlar impulso, né? Uhum. Eh, que daí são classes de medicações diferentes, às vezes antidepressivos, às vezes até anticonvulsivantes, antipsicóticos, são remédios de classes diversas que podem ajudar a controlar os impulsos e esses pensamentos reverberativos, um inativos. Eh, mas isso certamente não retira a causa, ele tenta diminuir o sofrimento e tenta quebrar um pouco essa repetição. Na maioria das vezes, o que a gente fala de padrão ouro de tratamento, é a associação de psicoterapia, né? Uhum. A podendo estar usando a a medicação como esses exemplos que eu vinha vinha, enfim, que eu trouxe há pouco. Excelente. Excelente. Agora, Dra. Cê eh interessante quando a gente analisa eh a situação como um todo e aí a gente quando finaliza na questão eh que o Dr. Humberto trouxe, né, da medicação, da de todo esse tratamento, a gente precisa da rede de apoio, a gente precisa da família. Esses idosos, eles precisam estar monitorados, mas monitorados de uma forma que não seja aquela monitoração incisiva, né? algo assim que a família ela precisa eh estar sabendo o que tá acontecendo, mas eh de uma forma um pouco suave para também não eh causar um impacto tão grande na vida desse idoso, que como a a doutora muito bem trouxe, eh utiliza o celular, tem várias situações que você utiliza o celular, o idoso pode estar lá querendo fazer uma viagem com os amigos e tá utilizando o celular. Mas como a gente tá falando aqui da questão da dependência digital, a gente precisa sim de um monitoramento familiar, né, doutora? Eh, é assim, o monitoramento eh quando a gente tá lidando com um idoso capaz, completamente apto, com autonomia, independência, eh eu acho que cabe muito mais uma psicoeducação, né? Eh, a família tá próxima, tá sempre alertando de golpes. Volta e meia a gente não recebe pelo WhatsApp, ah, novo golpe na praça, encaminha, dá uma ligada, fala: "Olha, você leu sobre aquele assunto". Então, eu acho que o papel da família nesse perfil de idosos é muito mais estar próximo, sinalizar o risco, né? dá os alertas e olha, se aparecer alguma coisa, você tiver dúvida, se coloca à disposição para ajudar esse idoso. É, a gente sabe que a vida moderna hoje o tempo é exígo, os núcleos familiares cada vez menores, né, para para conseguir dedicar esse tempo, né? Eh, como o professor Cláudio falou agora a pouco, né? Eh, chega em casa todo mundo cansado e não quer ter o terceiro, quarto turno de trabalho. né, que seja no final de semana ter essa conversa, sempre sinalizados do em relação aos riscos, né, o idoso comprometido, que esse sim precisa de uma supervisão um pouco maior, né, mas sempre tentando respeitar e de certa forma a autonomia que esse idoso ainda com comprometimento cognitivo ainda tenha, mas respeitando um pouco o limite. Eh, exige tempo, exige atenção, exige cuidado, exige carinho, mas é necessário. É importante, né? É necessário, porque a gente precisa cuidar de quem a gente ama. E o celular, a gente sabe que você tá com a tela do celular, você tá exposto, né, a esse mundão infinito da internet. E tem o lado bom, mas também tem um lado que não é tão legal assim. E a gente precisa estar atento, principalmente essa rede de apoio aí e dos idosos. E que bom, se tiver uma rede de apoio agora e aquele idoso que mora sozinho, aquele idoso que já não tem mais a rede de apoio e que acaba a Dra. se afundando cada vez mais na questão do celular, porque para ele aquele é o mundo que ele vive, né? A gente tem algumas situações assim e isso preocupa bastante. Como deve, o que deve ser feito numa situação dessa. É quando esse perfil de eh de idoso que tem um isolamento importante, existe uma rede de apoio social exígua, né? Eh, é muito importante aí os centros de apoios, por exemplo, ah, nos, né? Então, tentar identificar a qual a unidade básica de saúde daquele bairro, sinalizar a equipe de saúde. Às vezes a equipe de saúde tem a equipe que vai no domicílio para poder fazer, existe recursos sociais que podem ser utilizados nesse sentido, né? eh o serviço social eh da dos municípi dos municípios das unidades básicas de saúde. Então, existe uma capilaridade aí de rede de apoio para poder, quando, por exemplo, você identifica um idoso em risco ah seja de violência, de abandono, então existe a delegacia do idoso que você pode acionar para tentar buscar apoio para esse idoso que é sozinho. Muito bem. Agora 8:51. A produção tá me falando que nós temos pergunta. Eu acho que dá para eh uma para cada um, né, produção? Então, tá certo. Vamos lá, então. Pode colocar a primeira pergunta pra gente na tela. Rogério Martins da Vila Industrial. O excesso de vídeos curtos e conteúdos rápidos pode diminuir a capacidade de concentração dos idosos ao longo do tempo? Vamos lá, então, professor Cláudio. Esses vídeos curtos, né, e conteúdos rápidos. pergunta muito interessante, uma pergunta muito interessante. Eu eu particularmente não tenho estudo eh especificamente para dizer que isso vai afetar a ao longo do tempo a concentração. O que eu posso te dizer é qualquer coisa em consumida em excesso, seguramente você vai ter uma alteração. E hoje essa questão de você cortar os vídeos, né, isso virou também uma indústria. Tem gente que vive disso, né? fazer recortes de vídeo e os algoritmos das ferramentas que são utilizadas aí nos principais canais, por exemplo, de redes sociais, aquilo vai gerando visualização. Essas pessoas que produzem esse conteúdo são monetizadas, recebem recurso por isso, sem perceber o vício. O que eu acompanho é que além do vício, um dado muito curioso. Ah, diferente do jovem, quando você pega um jovem, por exemplo, um adolescente da classe A e um da classe B, há uma diferença de discernimento no consumo ah daquilo que é oferecido na internet. Lembrando, falando do seguinte princípio, nenhum dos dois foi alfabetizado digitalmente. Uhum. Quando eu vou paraa classe dos idosos, não existe essa diferença. E quando ela existe, ela não é tão grande. Eu tenho casos envolvendo, por exemplo, professores, doutores de grandes universidades que tiveram problemas no consumo excessivo e também caíram em golpes na internet, tão quanto, por exemplo, um aluno de EJA. Uhum. Que nem alfabetizado está. Agora no tocante a concentração, eu vou deixar com os meus colegas, que eles são muito mais preparados do que eu, para falar sobre concentração com vocês. Muito bem, professor. Droberto. É essa questão da concentração, né? Eh, eh, da pergunta do nosso telespectador eh sobre vídeos curtos, rápidos, né? ele acaba diminuindo a capacidade de concentração do idoso, que já pode ser diminuída por uma questão do próprio envelhecimento do sistema nervocentral, né? Que é o que você me perguntava do do cox pré-frontal, eu acabei não falando, acho que tem a ver com controle de impulsos de de mecanismos de recompensa e de quebrar padrões repetitivos. Então isso no idoso por uma questão de envelhecimento aí, não é adoecimento, digamos que tá eh funciona não tão um pouquinho de uma forma não tão adequada quanto no mais jovem. Então sim, o idoso vai ter uma dificuldade maior de se descolar de algo, não é, e falar: "Eu quero parar com isso para ver outro conteúdo". Perfeito. Muito bem. Acho que e aí a atenção e a concentração elas vêm ficam muito deficitárias por conta disso. Uhum. É isso aí. 854 respondendo. Você que tá aí do outro lado mandando perguntas para os nossos convidados. Pode colocar mais uma na tela, produção, por favor. A Marta Regina do centro. Idosos que já têm pressão alta ou diabetes podem sofrer algum impacto físico maior por causa do sedentarismo ligado às telas? Dout. Sati. Sim, né? Mas assim, ente também levantar um aspecto em relação ao controle da pressão e diabetes. Idosos que são eh eh alfabetizados do ponto de vista digital, que tem smartphone e sabem utilizar, por exemplo, ele pode fazer o uso de recursos eh de dispositivos de monitoramento de glicemia continuada, né? Então assim, para um idoso fazer o autocontrole, a sua gestão eh do seu controle glicêmico, ele precisa ter um dispositivo celular, ele precisa saber ler a eh eh utilizar aquele aplicativo. Então, eh, é como eu havia comentado anteriormente, né, sempre o ônus e o bônus, né, dos recursos digitais, né, por outro lado, eh eh assim, quando você tem um idoso que acaba ficando mais sedentário pelo uso da tela, aí eu já enxergo como algo talvez patológico pelo uso excessivo do celular e não apenas o uso do celular por si só, né? Perfeito. Muito bom. Agora mais uma pergunta, então, produção 8:56, dá tempo para mais uma? Dá. E daí a gente já vai paraas considerações finais. É isso. Então tá bom. 8:56. A gente agradece você que tá aí do outro lado participando conosco. Estamos falando da dependência digital idosos hoje aqui no estúdio Câmara. A Eline Souza do Parque Prado. Quando o celular passa a ser principal fonte de prazer do dia, isso já é um sinal de alerta para um quadro mais sério? Vamos lá, Dr. Humberto. Certamente, é, sem dúvida. Eu colocaria não só o celular, né, muitas coisas quando precisa, só aquela questão única, se é o o ápice de prazer no dia, já eu acho que já tem que trazer questionamentos, né? Mas quando isso está num num objeto e talvez tenha a ver com o que a gente falava de de abstinência mesmo, né? Porque o a a num certo momento a pessoa tem eh se sente gratificada, recompensada nessas redes sociais e qualquer coisa que tiver fazendo ali. Num certo momento, ela não está mais ali pelo prazer que tinha inicialmente. Na verdade, ela nem sabe porque está. Às vezes o que fica é não ter o desprazer que é da da de de não ter acesso à aquilo e não mais o prazer que tinha inicialmente. Então isso é é uma questão que é acho que é para ser pensada com bastante seriedade até porque eh se eu questiono se se de fato aquilo é a fonte de prazer. Talvez tenha sido em algum momento. Exato. Poderia só fazer uma complementação eh em relação a essa pergunta? Eu acho que sim, concordo com colega. É, é um sinal de alerta. Lembrando daquela referência que eu trouxe que existe estudos que mostram uma correlação forte da dependência do uso de celulares e depressão, né, e uma correlação bidirecional. Então, às vezes, isso pode ser um sinal de um quadro depressivo inicial ou até um um transtorno cognitivo leve, um quadro neurológico já inicial e por isso a maior dependência do uso do dispositivo. É, e precisa ser olhado com muito cuidado, muita atenção. 8:58, dá tempo pra última? Tá bom, vai lá mais uma, só mais uma pra gente poder encerrar. Então, a gente já vai para as considerações finais, tá? Fabiana Costa Nova Campinas. Como ensinar meus pais a desconfiar de mensagens urgentes, eh, que pedem dinheiro sem que eles achem que eu estou exagerando? Ô, Fabiana, vamos lá, professor. Como faz isso, hein? Como que ensina ao pai, a mãe, a avó, ao vô aí a desconfiar dessas mensagens que pedem dinheiro para eles, sem achar que a gente exagera, né? Porque às vezes a gente pega pesado daí. É, esse é excelente pergunta, é uma realidade. Eu costumo dizer para todos o seguinte: te ligou do número que você não conhece, chegou uma mensagem de quem você nunca viu, não responde. Por exemplo, eu tô aqui falando com vocês através de um celular, eu recebi três ligações de spam. Uhum. É um número que não tá na minha agenda. Eu não atendo, porque muitas dessas ligações hoje, por exemplo, a gente vive num país que a insegurança chegou a tal ponto que a gente tem medo de atender um número desconhecido, porque alguém pode gravar a sua voz e usar na na na como forma de ter acesso, né, a a dados bancários, utilizando a sua voz, né? Hoje você tem ferramentas de segurança que você dá o acesso por voz. Então, tem quadrilhas que gravam a sua voz, onde você ficar alô, alô, alô, elas produzem esse conteúdo com seu alô para acessar muitas vezes um um um dado bancário. Então, é não atender, não ouvir, não se manifestar quando essa mensagem chega por alguém que você não conhece, por um número que você nunca viu. Eu acho que é a melhor e mais simples recomendação. Muito bem. Agora pontualmente 9 horas, a gente precisa entregar o nosso estúdio Câmara, mas já agradecemos aí a sua audiência, a sua companhia. Eu acho que muitas dicas, muitos ensinamentos válidos aqui hoje pra gente poder orientar, né, os nossos idosos e montar a nossa rede de apoio de uma forma bem tranquila e de uma forma acho que bem eh didática, né, explicar, ensinar e aprender também. Eu quero agradecer a participação, Dr. Humberto, muito obrigada pela sua disponibilidade. Agradeço a oportunidade, viu? Obrigada. E Dra Sier, muito obrigada. Eu acredito que eh tem muito para ser dito ainda, mas vocês contribuíram de uma forma maravilhosa. Gratidão. Eu agradeço o convite e agrade e parabenizo o tema muito relevante. Muito bem. A gente agradece também o nosso professor eh o nosso professor Cláudio, né, que esteve conosco e contribuiu também dando aí orientações que a gente precisa repassar paraa nossa família. Muito obrigada, professor. Agradeço a todos vocês. Parabéns pelo programa. muito bem elaborado. Uma pauta aí atual, uma pauta atual que precisa ser discutida, falada, levada para casa, conversar, dialogar com a família sobre a dependência digital, não somente dos nossos jovens, dos adolescentes, mas principalmente dos nossos idosos, que acabam ficando vulneráveis, né, a tanta informação, a essa tecnologia que está na palma da nossa mão. Então, a gente precisa sim de inclusão digital, sim, é necessário, né? Mas a gente precisa eh de muita cautela quando a gente fala da inclusão digital dos nossos idosos. A gente agradece você que tá aí do outro lado. Mais uma vez, muito obrigada aos nossos convidados. Um abraço grande. Fique bem, uma excelente quarta-feira. E não esqueça que ao meio-dia temos Câmara Notícia com informações do legislativo. Daqui a pouquinho a ÍRA tá chegando direto da Central Iá, trazendo para vocês atualizações, né, informações aqui de Campinas, do estado de São Paulo, Brasil e mundo, cotação do euro, dólar e muito mais. E amanhã nós temos estúdio Câmara a partir das 8 da manhã. E amanhã a gente fala sobre a ditadura das agulhas. Então, elas prometem emagrecimento rápido, controle da fome. A gente fala das canetas emagrecedoras que mudam corpos, hábitos de consumo, cardápios de restaurante, vitrines da moda e até o mercado das bebidas alcoólicas. Mas o que acontece quando o dinheiro acaba e a aplicação é interrompida? A fome volta, o peso retorna, o efeito sanfona reaparece e quando o corpo muda de novo, o que acontece na autoestima? O impacto vai além da balança. É físico, é psicológico? É social? A gente tá diante da liberdade de escolher o próprio corpo ou de uma nova pressão estética sustentada por aplicações contínuas. E quando o dinheiro acaba? E quando você não consegue mais sustentar as aplicações, como fica a sua saúde mental e a sua saúde física? É sobre isso que a gente fala amanhã. A ditadura das agulhas é o nosso bate-papo a partir das 8 da manhã ao vivo aqui no nosso estúdio Câmara e a gente conta com a sua participação. Grande beijo 93. Fique muito bem e fique na programação da TV Câmara Campinas. Valeu, tchau. Tchau.