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Olá, muito bom dia para você que tá aí ligadinho na programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara hoje, feriado, 17 de fevereiro. E você que tá com a gente, seja bem-vindo. Vamos tratar hoje de um tema que desafia a lógica e a moralidade. A gente vai falar sobre a hibristofilia. Por que criminosos violentos despertam paixões avaçaladoras? Por o vídeo de um crime brutal, em vez de afastar atrás centenas de admiradoras para o agressor. Hoje nós vamos entender o que acontece na mente de mulheres que buscam relacionamentos em presídios e porque muitas vezes o medo é confundido com desejo. As nossas convidadas já estão aqui no estúdio, a gente passa agora a previsão do tempo para você e daqui a pouquinho a gente vai ao nosso tema central, que é muito importante e a gente precisa falar sobre essa questão da hibristofilia. Previsão do tempo chegando. Como é que fica o tempo para hoje, hein? Você que vai curtir o carnaval aí, ó. Sol com muitas nuvens durante o dia, períodos de céu nublado, noite com muitas nuvens. Então, de acordo com a previsão, hoje não chove, né? A mínima 21, a máxima 28º. Agora sim, vamos ao nosso tema central, apresentação das nossas convidadas. Mas antes eu quero trazer alguns dados para vocês. Olha, em julho do ano passado, o Brasil assistiu ao vídeo de um homem desferindo mais de 60 socos em sua companheira em um elevador. O que chocou o país não foi só o crime, mas o desdobramento. Esse agressor, ele recebeu mais de 1500 de mulheres interessadas em conhecê-lo. Especialistas apontam que isso pode estar ligado a um fenômeno onde o cérebro confunde o medo e a adrenalina com excitação sexual. Além disso, muitas mulheres que foram vítimas de traumas familiares buscam o homem perigoso, entre aspas, na tentativa inconsciente de controlar o perigo ou exercer o papel de redentora. Profundo isso, né? pra gente conversar então sobre esse tema bem complexo e a gente precisa entender do que se trata. A gente recebe aqui Marcela Cesnique, psicóloga especialista no atendimento a mulheres com foco em autoestima e traumas de relacionamentos abusivos. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Bom dia. Muito obrigada pelo convite, né, por por eu estar aqui. Espero que seja um bate-papo muito legal e espero também trazer, né, a partir da minha experiência dentro da clínica, junto com o conhecimento aí da psicologia, mais informações sobre esse tema, né, tão triste, né, e ao mesmo tempo polêmico. Exatamente. triste e polêmico, mas que precisa ser dito, ser falado e esclarecido por profissionais assim como vocês. E hoje para completar a nossa dupla, nós recebemos aqui a Rafaela Fiore, psicóloga, psicanalista com formação emergências psicológicas e psiquiátricas. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia. Obrigada. É bom tá aqui novamente, né? Acho que é um tema que que conversa muito bem com a psicanálise, conversa muito bem com a psicologia social, eh porque a gente fala de um fenômeno e eu acho que quando a gente trata tantas demandas de gênero, de sexualidade, até através disso, a gente vê que existe algumas complexidades que são rejeitadas, mas que estão, acho que cada vez mais existentes no nosso cotidiano. Então, a gente precisa falar sobre isso, porque assim, se a gente for parar para pensar manego do parque, né, esses criminosos aí eh eh de renome, né, que estão eh presos, eles recebem, gente, cartas de mulheres querendo se relacionar. Aí você para e fala: "Poxa vida, mas o que que uma mulher vai querer relacionar com a pessoa que está lá preso, né, e que tem um futuro incerto? a gente não sabe, sem julgamentos aqui, mas vamos parar para analisar o que acontece nesse contexto, né? Então a gente começa perguntando paraa Marcela, né? A hibristofilia é uma escolha consciente? A gente tá falando de um impulso biológico incontrolável, a gente tá falando de uma patologia? O que realmente é a ibristofilia, Marcelo? Vamos lá. A ibristofilia não é uma patologia, né? as o que a gente entende como patologia hoje são as parafilias, né, que tem lá no DSM5TR, que é o livro mais recente, eh, que a gente entende essas patologias existentes na atualidade. Eh, e por que a ibristofilia não é uma patologia? Por conta que ela é mais voltada para o emocional, né? essas mulheres que que têm esses desejos, essas fantasias eh dentro da minha abordagem que é a TCC, é muito relacionada a esses padrões de comportamentos eh conhecidos por elas, né? Eh, se tem estudos que feito com primatas que as primatas fêmeas elas têm preferência pelos primatas machos que são mais agressivos, que são mais impulsivos. Então, a gente tem um padrão comportamental ali do que é aprendido, né? Então, esse emocional dessas mulheres, muito provavelmente elas já sofreram abusos, né? Então, elas entendem muito o amor relacionado diretamente com perigo. E quando a gente olha esse agressor, eh, esse criminoso, né, ela vê como uma pessoa que ela vai ser capaz de mudar, uma pessoa que vai ser capaz de cuidar dela e ainda, né, tem o fato de que essa pessoa tá presa. Então, como que essa pessoa vai abandonar ela se essa pessoa tá presa? Exatamente. Então elas traz se entende, né, que essas mulheres têm o ato eh consciente do que elas estão fazendo, mas inconsciente do emocional que tem por trás de tudo isso. Uau! Olha só, é um ponto crucial pra gente entender que nem tudo é uma questão de caráter, né, mas de psiquismo. Vamos lá, Rafaela. Como que a psicanálise explica o fato de mulheres que já foram vítimas de violência, né, repetirem esse ciclo buscando homens criminosos presos? Uhum. Eh, eu acredito que não necessariamente só mulheres têm esse tipo de comportamento, mas a sua grande maioria, como ela não é fechada com uma patologia, com uma parafilia, a gente não tem um número exato, mas hoje eu acho que cerca de 80% das pessoas que apresentam esse tipo de comportamento são mulheres. Uhum. Então assim, eh, a gente sabe que a figura feminina ela já vem marcada e atravessada por inúmeras violências sociais e de um lugar e de um lugar e de um discurso, eh, como você trouxe também, Ruben, um discurso que salva, um discurso que eh que causa redenção, é um discurso que busca mudar um homem, eh um homem do qual às vezes a única coisa que tem oferecer naquele contexto é a violência. é é esse comportamento afetivo, esse sentimento distorcido. Então assim, aquilo que ela tá vendo como perigo, ela entende como uma intensidade afetiva. E será que cabe numa relação tão perigosa quanto essa? Então assim, é comum também das mulheres eh não só procurarem eles quando estão presas, mas também seguir casar, ter um relacionamento eh e uma relação do qual só ela consegue acessar ele para ela. Mas até quando, né? Em que momento que aquilo pode se tornar agressivo para ela? E eu acho que outro ponto também é é as mulheres que buscam os homens que vão viver ali encarcerados, porque aí ele também não favorece ou não fornece um risco a ela porque ele tá preso. Então aquele encontro intenso, eh, perigoso, né, que que desencadeia muitos, muitas demandas naquela mulher, eh, não são demandas de agora, né? agora eu estou sentindo isso e é prazeroso e é intenso. Não, eu sinto, né, e tento resolver algo que vem antes dele, porque existe uma fragilidade ali para essa busca acontecer e para esse encontro eh de fato se concretizar. eh um comportamento repetitivo, né, que parece que é uma tentativa eh da mente de dar um final diferente para um trauma antigo, alguma coisa que aconteceu lá no passado, mas aí a mente, o nosso cérebro, ele ele ele repete, né? Então, eu gostaria que a Marcela eh trouxesse pra gente essa questão da da síndrome da salvadora e por que o nosso cérebro tende a repetir situações que a gente viveu lá no passado e aí a gente não conseguiu quebrar o padrão e a gente acaba repetindo novamente. Eh, o nosso cérebro ele foi programado para viver em modo de sobrevivência. Então ele prefere passar por uma coisa que mesmo abusiva ele já sobreviveu do que por uma nova vertente que ele não sabe se ele vai sobreviver ou não. Isso explica muito também do das relações abusivas, né, que aquelas mulheres elas repetem padrão e como a Rafa trouxe, né, não é não são só mulheres que vivem essas situações, mas em grande maioria sim, ainda mais porque infelizmente a gente vive num mundo muito patriarcal ainda. Então, a mulher ela ela ainda é muito imposta, né, nesse nesse papel de submissa, né? Então, traz muito isso. E quando a gente fala desses padrões, eh, muito provavelmente é o que aquela mulher conhece. Eu sempre gosto de trazer o exemplo paraas minhas pacientes, né? Como que elas vão saber o gosto da fatia do bolo inteiro se elas só receberam migalhas até hoje. Uhum. Então elas entendem a migalha ali como certo. Então se elas viveram essas questões abusivas, o perigo relacionado com o amor eh sendo certo, vai ser muito difícil para ela trazer essa diferenciação, né? Então, eh, esses padrões é o que ela já conhece. Por isso que a gente tende a repetir eh quando a gente fala das crenças eh que estão enraizadas, que é o que a gente aprendeu desde quando é muito pequenininho, eh é o que a gente tem de ensinamento dentro da nossa casa, com os nossos amigos, com a nossa escola, esses meios sociais onde a gente é primeiramente inserido no mundo, né? como a gente se enxerga eh dentro desse desse padrão. Então, por isso essa repetição e por isso a dificuldade tão grande de sair desse ciclo, porque é muito difícil quando a gente olha para dentro da gente, né, entendeu? Mas é isso mesmo que tá que tá acontecendo. Eu tô repetindo um padrão que foi aprendido e como que eu vou fazer para criar uma coisa nova? como que eu vou fazer para viver aquele incerto que dá medo, que traz angústia, que eu não sei o que que vai acontecer e desencadei a ansiedade? Então, por isso que a gente usa também muito do dos nossos colegas psiquiatras, né, para fazer esse acompanhamento geralmente com essas mulheres que sofrem da ebristofilia eh no contexto multidisciplinar que a gente chama, que traz essa ajuda, esse contexto que muitas vezes sozinha ela não vai conseguir enxergar esse outro padrão que pode também ser aprendido. Excelente. É, é, se a gente parar para analisar, é a crença, né? crença de que o amor pode transformar, né? Isso pode ser uma armadilha também, Rafaela. Eh, uma raiz evolutiva nisso existe, tipo a ideia de que o homem dominante, né, traria proteção, mesmo que ele seja o próprio agressor. Qual que você já trouxe isso na sua fala passada, mas o que que acontece no cérebro, eh, na nossa cabeça, na nossa mente, quando a gente tem essa ideia fixa, né? o homem dominante, então ele ele vai me proteger, mas ele é o agressor. Mas não tem problema, porque ele é o perfil que eu vejo como protetor. O que que tá por trás de tudo isso? Sim, quando a gente pensou que tá por trás, a gente pensa em vários eh fios condutores, né? Tanto a nossa herança, né? Eu acho que genética evolutiva, porque a gente fala de uma pessoa que eh por mais que a hibristofilia no geral não seja uma patologia, mas é uma pessoa que ela é atravessada por uma patologia, um transtorno dependente, um transtorno de personalidade, alguma coisa se fragilizou durante seu processo de formação, eh, que ela entende e olha e ela olha para essa possibilidade como uma possibilidade de afeto. isso no sentido mais orgânico, mais físico. Mas quando a gente fala de traumas, quando a gente fala de influência social, a gente fala de uma narrativa que a gente viveu durante toda a nossa vida. Então assim, eh quando a gente pensa na nossa infância, nas coisas que a gente assistia, eh era o príncipe que se tornava príncipe. Ele não era inteiramente, ele podia começar como um vilão, mas ele tinha justificativas complexas. eh sofrimento, vulnerabilidade e o que que eu transformava sempre o amor. Então assim, não tem como descolar do social porque anda junto. A gente foi atravessado e como cada uma vai em em, como posso dizer, interpretar, né, se conectar com essa camada, vai depender da própria história e do curso que conduz. Então assim, muitas, todo mundo teve acesso ao mesmo conteúdo, mas como ele foi compreendido por nós, depende do ambiente que a gente cresceu, depende eh do do afeto que a gente recebeu pelos nossos pais ou o que faltou desses pais ou desses cuidadores. Eh, é não é só aquilo que se tem em excesso, mas aquilo que se é faltado nesse momento. Perfeito. A questão do sistema límbico, né? Às vezes a gente ignora as leis, né? modernas e responde a instintos da sobrevivência ancestral, que é o que vocês trouxeram pra gente agora, né? Porque às vezes é é algo que tá lá enraizado e aí é o instinto da sobrevivência. Eh, muitas dessas mulheres nesse instinto de sobrevivência acabam se envolvendo, né, nessa situação e acabam hã eh escondendo da família por vergonha. tem isolamento social, mas tem um forte vínculo com o detento. Então, eh eh eu gostaria que você trouxesse pra gente eh, Marcela, essa questão do isolamento social, eh, da família, como que uma mulher que tá vivendo um romance com uma pessoa condenada, criminosa, vai falar isso pra família, já tem um sofrimento aí. ou a pessoa que tem essa eh ibilia, ela não tem o olhar para que o que os outros, né, o que minha família vai pensar, como eu vou apresentar esse meu novo romance paraa minha família, como que é o o psiquê, a questão psicológica disso tudo. Bom, quando a gente olha para essas relações, vamos olhar pro pra figura do criminoso. Uhum. O cara é um criminoso que comete crimes muito graves, muito provavelmente uma pessoa extremamente manipuladora. Pessoas manipuladoras tendem a resumir aquela pessoa que ela tá vivendo o relacionamento numa bolha, porque se ela tiver contato com a família, com os amigos, com a internet, ela vai entender que aquilo não tá tão certo assim que ela tá vivendo. Então entra esse fator da manipulação. Quando a gente olha para essa relação eh da mulher com o agressor, eh traz algo dentro dela que geralmente, né, não é uma regra. Mas geralmente traz algo de vergonha, né? Como que como que vai ser? Eu não vou ter o apoio que pai, que mãe, que vai querer que a filha eh se relacione eh ali com o homem que matou, que abusou, que enfim. Eh, então esse isolamento dela é para ela ter o mínimo de afeto que ela que o agressor oferece ali para ela naquele momento. Então, se ela vem de um padrão onde a mãe ou a cuidadora, né, eh faltou com carinho, faltou com atenção, faltou com amor, eh, o pai ou cuidador da mesma forma, ela ela tá recebendo daquele agressor tudo aquilo que ela não teve. Hum. Então, fica muito confuso isso na na cabeça delas, inclusive, né? como que esse homem já fez tão mal a outra pessoa e tá me trazendo tão bem aquilo que me faltou. Poxa, então, então fica algo muito confuso até para ela entender que aquilo não tá certo. Nossa, gente, é impressionante. Ô, Rafaela, acaba criando eh uma bolha, né? Se a gente parar para analisar de nós, tipo assim, a a pessoa e o criminoso contra o mundo. Uhum. E aí é difícil romper essa bolha e esse afeto entre os dois, ele começa a se fortalecer ainda mais, porque somos nós contra o mundo. É mais ou menos isso, Rafaela? Sim. Eh, eu acho que a gente viu essa comoção acontecendo até dessa temática agora com a série Tremen Bé, né? E a gente vê, né, a vida afetiva deles fluindo e casando e tendo relacionamentos. Eh, e aí não é uma um discurso antiocialização, mas é um discurso realmente do que que essas mulheres ou esses homens buscam eh que só encontram ali naqu naquela narrativa de dor, né? Então assim, existe algum tipo de identificação distorcida de afeto e ali se encontram, tem filhos, casam, constrói uma família. Eh, mas aí quando vem a primeira denúncia, né, parece que tá todo mundo esperando, olha lá. Então, assim, são circunstâncias desafiadoras, eh, porque elas reforçam aquele discurso do amor prometido, né, daquele objeto de desejo que eu alcanço quando entrego tudo aquilo que eu sou. Uhum. não é saudável, né? O que que a gente precisa realmente entregar para além de nós mesmos, né? Além daquilo que a gente é para para um para uma relação. É isso mesmo, gente. Se a gente for parar para analisar, tem o caso do Maníaco do Parque, né? Eh, até o caso do goleiro Bruno também. E aí tem outros casos que eles recebem centenas de propostas de casamento. A gente tá, quando eu falei do do da do cidadão que desferiu os 60 socos no rosto da mulher, ele recebeu eh eh mais de 1000 e-mailos de mulheres querendo se relacionar. Agora tem outras situações que eles recebem cartas de mulheres que já querem, além de se relacionar, namorar, elas querem casar também, né? Sem julgamentos. Mas eu queria entender ah o que que o homem que está encarcerado, que é um criminoso, ele oferece que um homem comum parece não oferecer a essas mulheres. Seria então de repente a certeza de que ele está lá encarcerado e que eu tenho ele para mim e tá tudo certo? Qual qual que é a avaliação que vocês profissionais de saúde mental fazem referente a essa eh a essa troca, né, entre homem e mulher? Eu acho importante trazer um contexto de que muitas vezes a mídia romantiza o agressor. Uhum. E a vítima fica em segundo plano. Então isso isso é é muito muito muito muito exposto em várias coisas. Eu nunca tinha parado para fazer a analogia eh do príncipe, da princesa, né? Mas é mais uma das analogias que a gente trem em outros diferentes filmes, enfim. Eh, então eles têm muito essa romantização também do do agressor e não que isso vá eh fazer com que a a pessoa desenvolva, né, ali a a bristofilia, mas pode ser um reforçador. Uhum. Para aquilo que ela já tem. Então, quando a gente olha pro pro homem que que é preso, que cometeu crimes, eh, a gente olha para uma, além da figura agressiva, daquela figura que eu vou poder mudar primeiramente e daquela figura que vai poder me proteger. Então, se ele foi capaz de cometer um crime, ele vai poder cometer outro também para me proteger. Então, a gente tem várias vertentes ali, né? Então isso precisaria ser mais estudado a partir do indivíduo que a gente tá falando. Mas a gente tem muitas muitas vertentes da questão de me proteger, né? Da questão de que ele não vai fugir porque ele tá ali e da questão de eu salvar ele. Então esses são os três principais fatores que englobam essa diferença do homem comum, vamos se vamos se dizer assim. até porque podem existir também eh esses homens comuns que não chegaram a cometer nenhum nenhum crime do tipo, mas serem pessoas extremamente manipuladoras, serem pessoas extremamente agressivas psicologicamente e essas mulheres ainda quererem se envolver com eles, né? Então, eh, a, a gente fala que quando o sentimento é muito elevado, a razão é baixa. Uhum. A adrenalina, a paixão, são emoções, né? Então, quando a gente tá com essa adrenalina no auge, o o sentimento ele vai o a emoção ela vai est muito baixa. E quando a gente tem esse pico de adrenalina, é muito difícil a gente conseguir isso em relações estáveis, porque uma relação estável você não vai ficar em estado de alerta o tempo inteiro, é tranquilo, é calmo. Então, ela não vai te dar esse pico de adrenalina, né? Então, a a aquela pessoa que tá vivendo essa relação, ela vai precisar entender que ela vai poder viver diferentes outros tipos de adrenalinas, que uma relação saudável, tranquila, eh, vai poder ser uma relação legal, mas ela é uma relação tediosa no quesito de ficar em estado de alerta o tempo inteiro, porque ela, aquela que aquela pessoa te proporciona e é uma coisa saudável, é uma coisa que não tem controle, que não tem agressão, que não tem eh essa manipulação como um todo. Perfeito. Além de estar em estado de alerta o tempo todo, tem a idealização do perigo, né, que que parece que tá preenchendo um vazio existencial, né, que a rotina normal, Rafaela, ela não alcança, né, porque a adrenalina, o perigo, aquela coisa toda, eh, acaba sendo um, uma maneira de preencher algo que esteja faltando. Sim. essa essa busca, né, de preencher vazios, né, e do quais não se identifica com clareza da onde que vem e talvez também não queira identificar o que falta, né? E aí ela vai de encontro com a pessoa que tá ali transgredindo a lei e por quê, né? O que que levou ela a isso? Então, quando a gente fala, né, de relações que surgem dentro desse contexto, a gente não fala de uma relação eh natural, né, que fluiu, porque aquela pessoa que mandou a carta, que mandou o e-mail, o que ela vai buscar? Ela vai buscar a figura. Uhum. Não é a pessoa, não é a história de vida, não é quem ela é de verdade, não é se foi ou não um erro. Ela quer aquele personagem que ela tá vendo na TV, que ela tá vendo na série, eh, que ela ouviu falar do nome. Então, não existe um afeto genuíno de algo que nasce de uma máscara, que nasce de algo superficial e problemático, porque ela entra nessas outras demandas. Então, assim, eh, é a o conteúdo, por exemplo, hoje temos muito conteúdos voltado a esse tipo de temática. Como ele deve ser produzido? com responsabilidade, eh, não romantizando demais o criminoso, mas sim contextualizando aquilo que ocorreu dentro daquele cenário. Porque quando a gente romantiza, a gente abre margem, abre margem para as mulheres estarem vulneráveis em situações como essa. Há homens também que se casam, se colocam e se submetem nesse tipo de relação eh a ganhar ali um espaço, eh, um espaço até de criatividade. Uhum. Em que ele vai ter uma relação com aquela pessoa e aquela pessoa vai atender os desejos, vai proteger e ser protegida. vai ser a razão de um afeto que na verdade não existe, não se sustenta pelo que o outro é, mas sim pelo que o outro representa. Eh, às vezes você de casa tá aí pensando, né, nossa, olha que tema complexo, né, mas você sabe que eh é algo que acontece sim, de repente você não sabe, você não não viu isso porque não chegou até você, porque de repente a mídia a imprensa não noticia isso, né? Mas se você parar para analisar, em uma porta de cadeia existem, a maioria das pessoas que estão lá, infelizmente são mulheres, né? Mulheres que estão lá, primeiro por conta que a mulher ela é protetora, que a mulher ela tem aquela aquela questão do apoio, né? E outro, porém, é por conta dessa situação aí de uma paixão que nasce de forma repentina por um personagem, assim como muito bem trouxe a Rafaela, e aí nos arremete aos filmes, né, dos príncipes e as princesas, mas a gente eh eh nós somos pessoas aqui na vida real, né? Então, a gente precisa se atentar referente a esse assunto. Agora, Marcela, você atende mulheres que passaram por traumas familiares, né? Eh, tem uma correlação direta entre a falta de proteção na infância e aí a busca por um parceiro violento na vida adulta. Isso que a gente tá falando aqui, gente, porque o nosso tema de hoje é a ibrofil ibristofilia, né? Então, por isso que a gente tá eh encaminhando aí nesse contexto, tá? Então, essa essa essa falta, né, eh, da infância, essa questão eh de algo que faltou lá, tem essa correlação mesmo por essa busca eh de um parceiro violento na vida adulta. E a gente pode mudar isso de alguma forma? Com certeza. Eh, quando a gente olha para crianças que sofreram eh agressões, abusos ou vivenciaram coisas muito violentas, a gente tá falando de uma criança que ela foi exposta e ela não foi protegida emocionalmente como ela deveria ser, ou seja, a gente criou um sobrevivente. Uhum. Então, essa criança, ela aprendeu a sobreviver e não viver, né? E esse estado de alerta, ele vem desde a infância. Então eu preciso estar em estado de alerta, porque se meu pai e minha mãe brigar, eu preciso estar ali para proteger ou para me proteger. Então são esses padrões aprendidos, né, que a gente fala. Eh, existe uma técnica que a gente faz na clínica que chama técnica da cadeira vazia. Uhum. Então a gente coloca o paciente frente a ele criança e ele conversa com esse eu criança. E quando a gente vai olhar, quando eu olho assim e lembro, né, dos meus pacientes fazendo essa técnica, a gente vê muito a criança se culpando. Então a criança ela se culpa por que que ela não conseguiu se proteger? Por que que ela não conseguiu proteger a mãe ou proteger a família ou se responsabilizar pelo divórcio dos pais? Então a gente vê uma culpa muito grande, né, dessas mulheres depois na vida adulta. Então elas precisam ser perfeitas, elas precisam alcançar isso, eh, porque se ela não conseguiu, é culpa dela. E já que é culpa dela, ela precisa viver as consequências disso. Então, quando a gente olha para essas mulheres que sentem essa fantasia, esse desejo por por bandidos, né, por criminosos, eh a gente tá falando de mulheres que elas elas precisam alcançar isso para que elas entendam e tirem essa culpa delas. E se der errado, a culpa vai ser delas mesmo assim, né? como que ela vai trazer ali para uma rede de apoio e e se a rede de apoio não apoiar e se a rede de apoio não acolher ela como nunca acolheu? Então, com certeza tem referência a essa infância e geralmente de crianças nessa infância que não tiveram essa proteção emocional. Porque quando a gente fala de uma proteção de criança, a gente não tá falando só de alimentar a criança, de cuidar da criança, a gente tá falando de proteger a criança emocionalmente também, né? Eh, a quando você olha qual o entendimento que uma criança de 5, 10 anos tem sobre a vida. Uhum. É praticamente nenhuma. Ela tá entendendo ali como funciona a vida. E quando a gente coloca essa criança, expõe essa criança num num meio social extremamente vulnerável, a gente tá ensinando essa criança a sobreviver e é assim que ela vai refletir na vida adulta dela. Excelente. Agora, a nossa mente, ela tenta encontrar no perigo uma forma familiar de afeto. Quando a gente fala dessa questão da ibristofilia, ibistrofilia, por mais distorcido que isso seja, a gente tá falando aqui de pessoas que se relacionam com criminosos, né, eh, que estão presos, mas também tem aquela questão até que que tem em em filmes e tal, eh, a questão, vamos lá, vamos colocar um uma cena aqui, né, um sequestro e aí a pessoa, a vítima do sequestro acaba, ã, convivendo com o sequestrador, se apaixonando por ele e esse sequestro vira um caso de amor. Isso, isso é cena de filme, isso acontece na vida real. E essa questão é eh ibstrofilia também, Rafaela, ou tem algo a mais aí? Não, essa questão se trata eh da síndrome de Stalcom, que é bem conhecida também. Ela ela é um cenário em que a vítima eh exposta aquele ambiente, aquele cenário com o agressor, ela passa a desenvolver sentimentos afetivos. Claro que como uma forma de defesa diante daquele cenário para suportar ou sustentar. Uhum. Eh, até o próprio Estocolmo, ele vem eh vem do nome, né, de uma cidade que passou por essa situação com alguns criminosos e eles também desenvolveram esse esse sentir com relação a eles. Então, quando a gente fala nesse contexto, né, a pessoa não escolheu, ela tá ali vítima de um sequestro, vítima de alguma situação, eh, que que ela não foi ali buscá-la, ela foi surpreendida com aquilo. E às vezes esse desenvolver sof desenvolver sentimento, eh, traz possibilidade de suportar aquilo. Então, eu acho, tem um caso muito famoso, né, que foi de uma filha de um apresentador de um programa de TV que ela foi sequestrada, passou alguns dias e aí quando ela volta, ela volta extremamente positiva, que eles eram tranquilos, que foi tudo bem. Então assim, foi algo que ela teve que tratar, eh, porque foi como ela sustentou aquilo, porque talvez se ela tivesse se dado conta, se conectado com aquilo que era real, ela não ia suportar tamanho sofrimento. Então, é uma estratégia, mas é algo que a gente percebe que há uma diferença da da pessoa que ela realmente sente atração, ela consome aquele conteúdo, ela busca tá perto daquela pessoa eh por vontade própria, entre muitas aspas. Excelente essa essa essa diferenciação que você trouxe pra gente, porque sou lega no assunto, né? Então, eh, a gente consegue, eh, fazer aí a ter a diferença, porque eh eh a questão da vítima, né, que não teve a opção, né, ela foi vítima, ela está naquele cenário e a questão da pessoa que tem aquela paixão fervorosa por um criminoso que está preso. É bem interessante eh a gente falar sobre isso e e é uma questão que a gente quase não fala. Isso é visto como um tabu pela sociedade. Qual que é a avaliação que você faz sobre isso? Por que que não se fala muito sobre isso? A gente vê filme, né? De repente a mídia noticia algo eh referente a esse tema que a gente tá trabalhando hoje aqui, mas eh a gente percebe que não é muito divulgado, né? É um tabu, as pessoas têm medo de falar. Qual que é a sua avaliação? Eu nem sei se a gente poderia considerar um tabu, mas eu acho que as pessoas elas não entendem a gravidade do que acontece. Perfeito. Eu acho que isso seria mais por esse lado assim, né? Hoje a gente normaliza tantas coisas que quando a gente a gente traz por esse lado, eh, eu acho que não é compreendida a gravidade disso. Perfeito, né? Então, eh, para essas mulheres que ou homens, né, que sofrem, acredito eu que seja um medo mesmo, né? O medo do julgamento, o medo do preconceito, o medo de não ser acolhido, o medo de não ser ajudado ou até a falta de entendimento do quão grave é aquilo também. E eu acho que dentro da sociedade, eh, eu acho que não é entendida essa gravidade do que acontece, né? Porque quando a gente tá vivenciando eh essas situações, a nossa cabeça eh ela acredita naquilo que a gente pensa. Ela não sabe diferenciar o que que é um um pensamento real do que que é um imaginário, né? Então, por isso que a gente chora, por exemplo, em filme de drama, sente medo em filme de terror. Ele, a nossa, nossa cabeça, ela não, nosso cérebro, né, não sabe diferenciar o que que é real do que que é ficção. Então, quando a gente a gente traz essa paixão avaçalador, esse homem protetor, esse homem que eu posso mudar, o nosso cérebro acredita que realmente isso é alcançável. Uhum. Então aí se torna a gravidade. E eu acho que as pessoas que a mídia que enfim eh eles não entenderam o quanto isso coloca a vida dessas pessoas em perigo. Uhum. Em vulnerabilidade. Exatamente, né? Qual que é o papel eh eh da mídia, a Rafaela, porque a gente percebe que eh a mídia e o cinema contribui, né, para para erotizar a figura do marginal, do vilão, né? eh na sua avaliação, qual que seria o como é importante eh eh a mídia para de repente trazer eh uma educação referente a esse tema que a gente tá falando hoje e que me corrija se eu tiver errada, a gente quase não vê eh muita discussão sobre. Sim. Eh, acho que recentemente, né, eh, foi foi, como eu posso dizer, apresentado um projeto de lei que proibia, né, que o que as pessoas que cometeram esses crimes, elas eh ganhassem, né, financeiramente aquilo que foi arrecadado. Uhum. Eh, mas eu acho que tá, a gente tira esse polo e aí a gente tira o outro polo de falar sobre isso, não resolve, né? Acho que as pessoas continuam consumindo. Eu acho que o que seria o ideal dentro desse cenário, talvez uma regulamentação de como é exibido esse tipo de conteúdo. Quando eu falo de uma regulamentação, eu falo assim, não no sentido da censura, mas eh que que os meios, né, de comunicação que trazem esse tipo de conteúdo tragam com responsabilidade. Então assim, a gente fala desses crimes, mas a gente tem também alguns jornais, né, que trazem de forma totalmente sensacionalista e distorcido. Então assim, precisa ter o meio termo, porque a gente fala de uma vítima às vezes muito mais que uma, ou seja, uma vida ali teve consequências diante daquela daquele ato de transgressão. a gente tem um responsável ou mais de um, mas que que independente da sua narrativa pessoal que ela só deve ser utilizada como um contexto. Então aquela pessoa, ela tem que trazer o que aconteceu antes ou a história como um contexto, porque se a gente romantiza essas narrativas, a gente corre o risco eh de potencializar situações de risco como essa, de potencializar. E aí são outros cenários, pessoas que se inspiram nessas nesses personagens criminosos e fictícios e que reproduzem produz na escola, reproduz na família, se torna o próprio agressor ou se relaciona com esse com esse criminoso. Então, eu acho que existe sim uma necessidade de de responsabilizar os meios que produzem esse tipo de conteúdo, não para que seja extinto, mas que para ser para que seja feito de maneira correta, né? Sem sem potencializar ainda mais essas lacunas. Exatamente. Quer completar, Marcela? Eu acho que tá completamente certo, né? A gente traz muito essa romantização até mesmo na série Tremembé que foi feita agora. é muito romantizado e a gente sabe que na realidade não é assim. Então eu concordo completamente. Isso deveria ser trago de uma forma muito mais responsável. Eh, acredito eu, até que seja até antiético a forma que eles trazem. Uhum. Porque além de não ser real, você tá acionando vários gatilhos nessas pessoas e e outras mais vulneráveis, né, emocionalmente, socialmente, vão sofrer as consequências. Exatamente, né? Acionando gatilhos. Você sabe que eh a gente radicaliza, a gente julga, né? nós temos que que nos cuidar com essa questão do pré-julgamento, porque aqui nós estamos falando dessas mulheres que ou então dessas pessoas, né, porque a maioria são mulheres, mas então dessas pessoas eh que acabam sendo julgadas. Agora, se a gente for parar para analisar da forma correta, nós precisávamos de políticas públicas, porque no meu ponto de vista, né, claro, eu não posso dar opinião, mas eu vou ter que falar agora. No meu ponto de vista, essas mulheres elas precisam do quê? De um atendimento. Elas precisam de um acompanhamento. E vocês que trabalham com eh saúde mental, eh essas mulheres, essas pessoas que que que eh é certo falar sofrem, são acometidas por aífilia. Até difícil falar, gente, essa palavra. Elas são julgadas, mas em contrapartida elas não têm nenhuma assistência ali, né? Porque se a mulher, o exemplo, vamos lá, eu sou diretora da cadeia, aí vem uma mulher para se relacionar com o preso, então eu vou sa, ela vai ter que passar por ali. Então eu sei que essa mulher está indo se relacionar com o preso. Pera aí, mas alto lá, tem alguma coisa errada aí. Vamos lá então o estado, vamos cuidar dessa mulher. Isso existe, Rafael. Olha, eu acredito que não, né? A importância das políticas públicas com essa visão para algo que a gente tá trazendo aqui que é muito grave, muito. Eu acho importante trazer também eh que um grande fator que contribui para essas mulheres continuarem nesse relacionamento eh muitas vezes é a questão financeira. O abusador ele ele faz com que a mulher não tenha nenhum meio inclusive de sair daquilo, né? Um abusador, ele nunca começa sendo abusador. Isso é muito importante de trazer também. Ele começa sendo aquele cara romântico, aquele cara que dá atenção, aquele cara que acolhe, né? E depois ele vai ele vai mostrando as outras faces, tanto que a gente tem as fases de uma relação abusiva. Então tem a fase da tensão, tem a fase eh da agressão, do atrito, da briga de fato. Depois a gente tem a fase que o abusador se sente arrependido e a mulher acredita mais uma vez buscando eh aquela pessoa que ele talvez já foi um dia ou que ela idealizou na cabeça. Então, a gente entra na lua de mel e depois esse ciclo se repete. Então, eh, quando a gente olha para esse ciclo, muitas vezes a mulher, ela até percebeu, mas e o financeiro? Às vezes tem filho envolvido, como que ela vai criar o filho? Então, hoje aqui em Campinas a gente tem o Seamo, não sei se você já ouviu falar sobre, mas ele acolhe essas mulheres, né, que que estão se percebendo nessas relações ou em relações abusivas, inclusive eles dão o apoio jurídico para essas mulheres também, porque grande parte delas já perceberam o que tá acontecendo, mas o financeiro prende muito também, né? E e esse quando a gente fala da ibistofilia, mesmo que o homem lá ele ele esteja preso, né, ele estejam na ele ele esteja na cadeia, eh ele ainda pode fornecer para ela algum tipo eh de sustento, às vezes um salário mínimo. Então é o que mantém aquela mulher com aquele filho, o que que ela vai fazer sem isso. Então é muito importante a gente trazer essa questão, eh, que mais uma vez a gente encontra ali a vulnerabilidade social. Triste, lamentável, né? É algo que a gente precisa falar, é importante a gente debater. Acho que a produção acertou em trazer esse tema. para mim muito complexo, não entendo disso, mas fui buscar informações e quando eu comecei a procurar e as informações começaram a vir, eu realmente fiquei de boca aberta, porque são várias situações, são vários casos, né, e e que quase não se fala sobre o assunto. E aí eu quero perguntar sobre a a Marcela trouxe a questão da vulnerabilidade social da mulher, né? A questão da baixa autoestima, Rafaela, contribui também eh nesse processo, de repente a perda da identidade, né, a baixa autoestima junto com a vulnerabilidade social. Na verdade, seria um pacote que direciona para esse, a gente pode chamar de fetiche perigoso, imaginário. Será que seria isso? Eh, quando a gente fala de uma situação como essa, a gente não fala, claro, de um fator isolado. Uhum. mas um conjunto de fatores eh que que possibilitam que situações como essa ocorram. Então assim, não tem como eu ter uma excelente autoestima e eu me colocar, me submeter a passar por esse processo, a não ser, né, que sejam em situações isoladas ali de realmente um afeto. Mas quando a gente fala da eh daistofilia, né, a gente fala de algo que não existia antes, que passa a existir a partir do momento, né, que aquela pessoa comete um delito. Então assim, o que eu estou buscando naquela relação, né? O que que é o possível? O que que eu não tenho em mim, que ali eu encontro sossego, afeto, até tudo muito misturado e distorcido. Então, assim, uma mulher ou um homem que se submete a essa situação, independente, né, do de qual intensidade ou qual caso, eh tá faltando assim um olhar para si mesmo, até porque ela deixa os holofotes pro outro. pro para aquela persona que ela idealizou, que ela viu a história, que ela viu o requinte de crueldade, que ela viu o quão desejado ele também é, porque ela não é a única. E e ali ela quer entrar também nessa narrativa de poder admirá-lo. Poxa, então existe existem vários adoecimentos ali junto. É bem complexa, né, a situação e importante importante a a busca de um acompanhamento. como fazer a busca de um acompanhamento se a pessoa que passa por isso, né, ela muitas vezes, como nós já colocamos aqui, tem a questão do isolamento social, da vergonha, né, do medo. Ah, medo, será essa mulher que vai em busca, né, desse, desse relacionamento, ela sente o medo? Porque a psicologia traz o medo é algo que faz parte da nossa vida para nos proteger e tal. E o medo dessa dessa pessoa que busca esse tipo de relacionamento, ele existe ou não existe? Ela consegue sobressair o medo? Como funciona, Marcela? Bom, conforme eu tinha trago, né? Muitas vezes a mulher ela tem consciência do que ela tá fazendo, mas não foi trago a consciência dela a parte emocional que ela tá sentindo, do por que ela sente aquilo. Uhum. Então, provavelmente nos momentos que que essa pessoa é agressiva com ela, que essa pessoa mostra ali, né, a o que ele é de verdade, com certeza ela vai sentir medo. Uhum. Mas entra naquele ciclo, porque depois do medo adrenalina é uma pessoa bondosa, é uma pessoa carinhosa, é uma pessoa afetuosa. Então a gente entra no ciclo, eu te ofereço perigo, mas eu te ofereço amor. Então isso se torna algo igual e não é muito diferente, né? a gente precisa ter essa diferenciação do que que é o amor, do que que é o perigo. Então, com certeza deve sentir medo e em em várias situações, mas depois do medo ela tem o acolhimento. Então, a pessoa que tem essa ibistofilia e a gente olha pro pro pros marginais, ao mesmo tempo que eles oferecem o medo, eles são a pessoa que acolhem ela daquele medo. Uhum. Nossa, é bem confuso, né, Rafaela? É bem confuso e e bem intenso também trabalhar esse esse esse assunto, não é? Sim. É algo assim que que não se generaliza, claro, né? Que vai ser da trajetória individual e pessoal daquela pessoa, mas que a gente embarca, né, em várias camadas sociais. Então assim, agora a gente tá falando assim dos crimes eh mais famosos, mais mediáticos, mas muitas músicas hoje em dia de não só de funk ou de trap ou de diferentes gêneros musicais vai exaltar aquele cantor como bandido, como poderoso, né, como aquele que comanda. Eh, e a gente eh até vê, né, citando algumas pessoas que são do crime. Então, assim, existem diferentes contextos em que isso pode se manifestar e e aí existe esse recorte também social, né, no sentido de qual classe que tá inserida, né, o que que é o criminoso de cada de cada lugar, né, que é essa pessoa transgressora e por que ela representa de certa forma um algo a se orgulhar. Exatamente. Olha, gente, ibristofilia, né? quando o crime vira desejo. Esse é o nosso tema do estúdio Câmara de hoje. Eh, então assim, eu quero eh conversar com você que tá aí de eh que tá aí em casa e gostaria de pedir paraas nossas convidadas, de repente se você aí de casa se identificou com alguma pontuação que uma das nossas eh eh psicólogas trouxeram eh aqui no programa, é importante que você busque ajuda, né? E eu gostaria que vocês deixassem eh uma dica, né, para as pessoas que estão nos assistindo e que de repente se identificaram com isso. Como que como é que eu posso ter certeza, como é que eu posso fazer, né? E o medo do julgamento, ã, eu falo para quem? Ã, eu tenho uma família que eu tenho certeza que não vai aceitar isso, como eu faço, né? Então, a gente começa aí com a dica da psicóloga referente a essa questão de ibristofilia, né? Para mim uma palavra bem diferente, bem nova e que tem assim um peso muito forte. A gente começa então por você, Marcela, por favor, deixa aí eh eh um uma dica especial, né, da psicologia. você que trabalha com terapia cognitivo comportamental, trabalha com mulheres, eu acho importante a sua fala pra gente finalizar o programa de hoje. Claro. Eh, primeiramente, dentro da das psicoterapias, você nunca vai ser julgada, você vai ser acolhida. Uhum. Eh, a gente não tá ali para julgar a tua história, para julgar a tua escolha, para julgar as suas decisões. A gente tá ali para acolher e para entender como que pode ser daqui paraa frente. Então, hoje existem vários canais, né, que eu acho importante trazer para essas pessoas também que não tm condição. Eh, uma delas é o SEAMO, fica ali no centro de Campinas, que é um um centro especializado em em fazer o acolhimento dessas mulheres. E, a gente tem o PSI também, que é uma plataforma onde eles oferecem a psicoterapia e de uma de uma forma social, de uma forma bem mais em conta. Eh, e o primeiro passo é você olhar para você mesma. Então, qual é o relacionamento que eu tô tendo? Se eu fosse a minha melhor amiga nessa situação, qual conselho eu daria para mim mesmo? Então, de trazer isso, de que você não vai ser julgada e que se você já entendeu onde você está e não consegue sair disso, é sinal de que você precisa de ajuda, que você sozinha não tá dando conta. E isso não é sinal de que você é uma pessoa fraca ou uma pessoa que não tem coragem. Muito pelo contrário, quando você vai buscar ajuda, é o maior sinal de coragem da vida, porque você vai olhar para você mesmo. Então esses seriam os meus os meus conselhos. Maravilhosa. Muito bom. Obrigada pela sua participação, pela sua presença, pela sua entrega e por compartilhar com a gente, né, informações assim tão preciosas que quase nunca são faladas, né, referente a esse assunto. Quero agradecer também a Rafaela mais uma vez, parceira da gente aqui no estúdio Câmara, sempre eh eh bem eh trazendo assim informações tão precisas e e que acho que nos acendem eh despertam vontade de estudar um pouco mais sobre o ser humano, né? E o que é melhor disso, gente, é que essas informações elas são sem julgamento. A gente tá trazendo aqui profissionais que estão nos ensinando sobre o assunto e hoje um assunto bem eh delicado que é a ibofilia. Então, Rafa, obrigada pela sua participação mais uma vez. Deixa um uma fala, né, pras nossas eh o pessoal que tá em casa, de repente se identifica com isso, tá tudo bem. A gente só precisa de o início, o movimento do caminho pra gente poder seguir. Uhum. Aí eu acho que é a mesma linha, né, que a que a Marcelo, no sentido de você conseguir se permitir, né, acessar espaços de cuidado, né, sem sem que isso eh te coloque numa posição de julgamento, nem que você não vá para resolver isso, mas que isso apareça durante o processo, se sinta acolhida. Uhum. se sinta percebida de uma forma diferente do que a anterior, mas são são necessidades que nós temos e elas vão se manifestando, porque essa relação ela não vai bastar. Assim como qualquer outra relação que te coloque em risco ou que te machuque de alguma forma, não basta, né? Eu eu acho que é um é um caminhar que exige também alguns momentos de conforto. E se eu estou perigosamente me colocando ali, eh, que conforto que eu estou conseguindo fornecer a mim mesmo? Então, eu acho que a psicoterapia, os acompanhamentos em grupo ou CAPS também, né, que já tem um acesso ali dentro da sua região, mas dê esse passo, né, e algo que é só seu e é um compromisso que é só com você. Então, muito obrigada por estar aqui mais uma vez, obrigada pela parceria e eu acho que são temas que ainda vão vão render, né, diálogos. É verdade, gente, rende muito o diálogo mesmo, porque assim, você para e pensa em um tema, né, com toda a redação aí, eh, com a nossa direção e depois você vai desenvolvendo ele, você vai falando: "Nossa, gente, que coisa deveríamos falar mais sobre isso, né?" E hibistofilia é algo que precisa ser falado, é, precisa ser discutido e também precisa ser amparado, né? Essas mulheres elas precisam de amparo, de conforto e de direcionamento. Bom, nós falamos hoje sobrefilia. Esse debate mostrou que é uma questão de saúde pública, sim, eh, emocional e que vai além dos muros das prisões, né? Entender as nossas feridas é o primeiro passo para não sermos reféns delas. Então, a gente agradece imensamente você aí de casa que tá conosco nesse feriado, bem cedinho acompanhando o estúdio Câmara. Falou: "Nossa, Rúbia, que tema é esse?" Até eu fui surpreendida pelo tema quando veio da nossa direção, da nossa produção. Mas é importante a gente falar sobre esses assuntos que quase ninguém fala e a gente tem a oportunidade de aqui estar com psicólogas, né, que estão fazendo pra gente uma psicoeducação através aqui da TV Câmara Campinas, através do nosso estúdio Câmara. Você aí de casa, aproveite seu feriado, cuide-se, continue ligadinho na programação da TV Câmara Campinas. A gente segue com a programação recheada de informações e também de entretenimento para você neste feriado. Aproveite ao lado de quem você ama, com as pessoas que você gosta, se cuide, tá bom? Se permita, mas mantenha o equilíbrio e a gente se vê amanhã a partir das 8 da manhã com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Beijo grande, fique bem e até lá. Ciao. Ciao.