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[música] Essa rúia eu tenho um sorriso lindo, né? Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Se estamos, estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara por aqui, né? Hoje é sexta-feira, dia 16 de janeiro. O tema de hoje é delicado, é necessário e é profundamente humano. [música] A gente fala hoje sobre a gratidão entre os pais e os filhos, até que ponto é amor e quando essa gratidão vira obrigação. A gratidão é frequentemente descrita como um sentimento nobre, ligado à felicidade e ao [música] fortalecimento das relações humanas. Mas dentro da família, especialmente entre pais e filhos, [música] ela pode se tornar complexa. Enquanto muitos vem [música] a gratidão filial como um valor essencial, outros já questionam se é justo tratá-la como uma obrigação moral. Onde termina o amor, onde começa a cobrança? Hum, até que ponto o cuidado gera vínculo e [música] quando vira é dívida emocional. E a gente já começa pedindo a sua participação. Mande sua mensagem pra gente. Você já sentiu cobrado a ser [música] grato? Ou você já sentiu que deu tudo e não foi reconhecido? Como é essa relação [música] de gratidão aí na sua família? Conta pra gente, nós queremos te ouvir. As nossas convidadas já estão no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las. Enquanto isso, vai mandando a sua mensagem através do nosso WhatsApp, porque a nossa produção também já está apostos. 19 978293776. Enquanto você manda sua mensagem, vamos atualizando algumas informações, a previsão do tempo e já já nós voltamos ao nosso tema central do estúdio Câmara de Hoje, você que está procurando uma oportunidade de trabalho ou conhece [música] alguém que está em busca de emprego, presta atenção nessa dica, porque pode ser a chance do começo do ano, viu? Na próxima segunda-feira, gente, dia 19, o CEPAT vai fazer uma seleção presencial [música] para 77 vagas de emprego nas áreas de saúde, tá? E também área administrativa. Essa é uma parceria com o Hospital [música] São Luís. Então, o atendimento eh vai ser das 8 da manhã até às 3 da tarde. Acontece no CEPAT, na Avenida Campos Sales, 427, bem no centro de Campinas. As vagas são para quem tem nível médio, técnico e superior. Entre os cargos com mais oportunidades estão [música] almo eh almoxerife com 15 vagas, jovem aprendiz com seis e tem várias funções com cinco vagas cada, [música] como técnico de enfermagem, técnico de laboratório de análises clínicas, enfermeiro, mensageiro, recepcionista hospitalar, copeiro de hospital, ajudante de farmácia, entre outras. uma oportunidade, né, para participar. Tem que ir pessoalmente ao CPAT, levando documento com foto, carteira de trabalho físico ou digital, currículo atualizado. Lá as equipes [música] fazem a triagem, o encaminhamento para as entrevistas de acordo com o perfil de cada vaga. Então já anota aí e convida também, né, as pessoas que você conhece que estão em busca de emprego e que cumprem todos esses requisitos. Segunda-feira, dia 19, 77 vagas no CAT Centro, das 8 da manhã às 3 da tarde, repetindo para você endereço, Avenida Campo Sales, 427. Vai lá, boa sorte para você. Mais informação chegando. A Secretaria de Saúde divulgou o terceiro alerta Arbovirozes Campinas de 2026, com 24 bairros em alto risco de transmissão de dengue, gente. E as ações contra Weds Egipt vão ser intensificadas. O mosquito também transmite zica em chicungunha. E entre as áreas em alerta estão bairros das regiões leste, noroeste, norte, sudeste, suleste, [música] como o jardim lópolis, Parque São Quirino, Vila Nogueira, Valença, Ouro Verde, Campo Belo, São Bernardo, [música] entre outros. Bom, o recado é direto. A maior parte dos criadouros está dentro de casa, então sua atitude faz toda a diferença. E quando o agente bater na sua porta, receba e ajude, porque a eliminação dos criadouros depende do acesso às casas. Agora, se você ficou em dúvida se o agente é mesmo da prefeitura, você pode ligar um 56 de segunda a sexta e nos finais de semana e feriado 199, tá? E se você quiser conferir a lista completa dos bairros em risco, procure o hotsite Dengue Campinas no portal da Prefeitura de Campinas. [música] Cada um precisa fazer a sua parte. Vamos bora. Previsão do tempo para hoje. Opa, para o final de semana. Afinal de contas, hoje é sexta-feira, mas vamos lá. Sol hoje com muitas nuvens, então tempo nubladão. Pancadas de chuva à tarde e à noite, assim como foi ontem. Temperatura mínima 19, máxima 30. Final de semana, sábado, previsão do tempo para sábado é com muitas nuvens e pancadas de chuva à tarde e à noite a previsão é de temporal aqui na cidade de Campinas, tá gente? Mínima 19, máxima 30. Para domingo a previsão do tempo é de sol, com algumas nuvens, tá? Eh, e aí à tarde tem temporal novamente. Mínima 21, máxima [música] 26. Recado dado. Agora sim, vamos ao nosso tema central. e a apresentação das nossas convidadas, a gratidão. Será que é um presente que a gente tem eh por amor ou será que ela virou uma nota promissória que os filhos precisam pagar pelo resto da vida, né? A gente cresce ouvindo assim, ó: "Devemos tudo aos nossos pais". Mas onde termina o reconhecimento saudável e começa aquela dívida emocional que acaba sufocando? Então vamos lá para conversar com a gente sobre esse tema. Eu recebo aqui Simone Coelho, psicóloga. Seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua presença. Bom dia. Bom dia. Bom dia a todos. Obrigada, Rúbia. Obrigada a todos, né, da produção e eu fico muito feliz de estar aqui novamente. Muito obrigada pelo convite e a gente dividir informação. É sempre muito importante. Prazer é todo nosso. Seja bem-vinda. Para completar a nossa dupla de hoje, Maíse Helene Martins. Ela é psicóloga especialista em adolescentes e desenvolvimento humano. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Muito obrigada. Muito obrigada a todos pelo convite e esperamos colaborar aqui com um pouquinho de informação. Ai, que maravilha. Vocês trazem muita informação pra gente, nos ensinam, né? eh sobre muitas situações que são situações do nosso dia a dia, que a gente vive em casa, mas a gente tem aquela, eu costumo dizer que a gente tem aquela visão micro sobre determinada situação e as nossas convidadas trazem a visão macro e uma visão assim que de repente a gente consiga olhar também eh eh com essa visão macro e virar a chave em um momento específico da nossa vida. Vamos lá. Então, a gente cresce ouvindo que a gratidão é quase um dever de casa, mas no dia a dia entre a briga pelo controle remoto ou então o apoio nas horas difíceis, esse sentimento, gente, acaba ganhando camadas muito profundas, né? Então, Simone, do ponto de vista da psicologia, como que a gratidão é definida dentro das relações familiares? Ela é emoção, ela é valor, aprendizado, expectativa? O que que é essa tal da gratidão entre a nossa família, principalmente quando a gente fala pais e filhos? Ai, que ótimo. Quando você fala sobre sentimento, e a gratidão é um sentimento e é a partir da experiência. Então, quando esse cuidado ele vem com afeto, com carinho, com amor, eh, a retribuição ela é automática, ela não tem uma exigência, não tem essa cobrança. Então, na gratidão, que é o sentimento nobre, né? Ser grato é você ser valorizar e reconhecer aquilo que as pessoas te oferecem de valor ou de conquistas que você tem ou que as pessoas podem te doar. Mas quando isso traz eh em obrigação, isso vira na na pensando na psicanálise, inclusive é uma sensação, é um sentimento de cobrança e de exigência que gera uma culpa. Exatamente. Agora, Maíse, ela ela nasce onde essa essa gratidão em relação de pais e filhos? Porque é natural eu ser grato eh por algo que alguém me fez e e eu recebi. Enfim, gratidão pela vida, gratidão pela sua amizade, né? Você me fez um algo que fez a diferença na minha vida. Gratidão também. É, é uma coisa natural da gente. Agora, a gratidão entre pais e filhos, se a gente parar para analisar, ela tem um certo peso. Não sei, porque é natural a mãe e o pai fazer algo em prol do filho, né? Mas aí o filho ele precisa ser grato por isso. Então, na verdade, Freud fala que a os filhos eles têm uma criação narcisista. Uhum. Então, quando nós falamos de crianças, né, desde a sua desde o nascimento, eles vêm achando que o mundo é deles. Por quê? Porque os pais estão prontos para atendê-los, prontos para acolhê-los. Ele chora, a mãe vai lá e socorre e atende as suas expectativas. Então, ah, quando a gente fala na psicanálise de uma criança narcisista, se nós suprirmos, e aí está o nosso desafio como pais, né, e como mães que somos, eh, se nós suprimos todas as necessidades dos nossos filhos sem que nós ensinemos para eles o que nós estamos fazendo para conseguir suprir essas necessidades e essas expectativas e não ensinarmos também a famosa frustração. Uhum. E o tédio não existe, porque não vai existir gratidão, porque a gratidão é um sentimento ensinado. Nós temos que ensinar que existem compromissos, existem responsabilidades e existe o momento da frustração que nem tudo na vida ela vai, a vida não vai nos gerar todo momento de lazer ou de coisas boas. e vai existir também a frustração. Então, quando nós, em certo momento nós temos aí a questão de conseguirmos algo muito importante para nós, desde criança, nós temos a gratidão, nós começamos a ver que nós transpusemos a frustração, nós transpusemos as expectativas e aí vem o sentimento da gratidão com consciência. Excelente. Agora, eh, tem aquele momento em que a gratidão, gente, ela deixa de ser espontânea, né, e começa a ser obrigatória. Poxa vida, eu tenho que ser grato, né, porque senão eu vou decepcionar aquela pessoa. Então, a todo tempo eu tenho que mostrar que eu sou grato. Eu sou grato. Eu sou grato. E às vezes a pessoa fica falando até, né, fica repetindo: "Sou grato, não, gratidão, gratidão. Obrigada, obrigada, tal". Então, eh, o que que muda emocionalmente nesse processo, Simone? É quando a gratidão ela deixa de ser espontânea e ela começa a ser obrigatória e aí a pessoa ela fica se eh cobrando, cobrando, ó, lembra que você tem que ser grato, lembra que você tem que ser grato. E aí isso aí passa tá falando de um peso emocional quando a gratidão ela vira controle, né? Tem uma frase que muitas famílias falam, gente, é um assunto extremamente delicado quando a gente fala de gratidão familiar. Uhum. Que muitas famílias falam, mas depois de tudo aquilo que eu fiz por você, então isso soa muito mais sobre o controle, sobre a gratidão, porque quando eu ofereço para esse filho, eu ofereço sempre de retribuição. Uma das maiores presentes que eu acredito que um pai ou uma mãe pode ter é um filho com autonomia. É ele nascer sem ele ter pedido para nascer, mas ele viver com autonomia e ter uma vida livre. Quando ele passa a sentir obrigação de ter que retribuir, ele passa a ser cobrado o tempo inteiro. E mesmo na vida adulta, é como se esse pai e essa mãe tivesse na cabeça dessa pessoa cobrando, exigindo que ele tenha que retribuir. Ou seja, essa dívida é uma dívida impagável e é uma dívida eterna sobre esse ponto de você ter que fazer o tempo inteiro para essas pessoas. Exatamente. Agora, quando a gente fala de família, a gente sabe que adolescência é um ponto crítico, né? Nossa, como é um ponto crítico. E aí essa essa gratidão, né, que que muitas vezes eh os pais eles não eh não pedem essa gratidão assim espontaneamente, mas eh uma atitude, uma fala em algum momento. O adolescente pode receber isso como forma de que, nossa, tá me cobrando, né? Eu não pedi para nascer, tá me cobrando porquê, vai ter que me criar assim, [risadas] né? A gente já ouviu isso, né? E adolescente é uma fase crítica, gente. E aí, como que é essa essa questão eh eh mais da da adolescência, né, com os pais e filhos, quando a gente coloca em cheque aí a gratidão? Bom, falando de adolescência, eh, antes da gente falar de gratidão, eu acho que é muito importante a gente falar sobre o luto que existe entre a infância e a gratidão. Existe uma fase de luto tanto daquela criança que está em fase de transição, passando pra adolescência, ou seja, o mundo o servia, agora não serve mais. [risadas] Então, [suspirando] e o luto que também existe entre os pais em relação aquela criança, porque aquela criança até então obedecia, estava totalmente pelo controle dos pais. Uhum. E agora não está mais. Então, quando a gente fala da transição da criança para adolescência, primeiro a gente encheu um caminhãozinho. Eu gosto muito das figuras de linguagem. a gente enche um caminhãozinho da criança. Se nós, pais suprimos aquela criança com a educação da gratidão de frustração e de conquista, de superação e de conquista, de responsabilidades e de conquistas, a gente encheu aquele caminhãozinho, o processo da adolescência vai ser um processo muito mais tranquilo. Por quê? Porque você vai retomar tudo aquilo que você já alimentou naquele caminhãozinho, tudo aquilo que você encheu aquele caminhãozinho. Mas a questão de quando os pais pedem e exigem tal gratidão é que mostra uma falta nos pais. Uau! E aí não é sobre a criança ou sobre o adolescente, é sobre aqueles pais que não conseguem visualizar todo o trabalho que foi feito de construção de tijolinho a tijolinho e que existe um processo que o adolescente vai buscar lá fora validar todo o ensinamento que ele recebeu em casa. Então nós não, nós pais de adolescentes que a Simone tá passando por essa fase, [risadas] né, Simone? A gente tem que pensar que se eu fiz a coloquei no caminhãozinho daquela criança valores e ensinamentos sólidos, a adolescência é a hora dele fazer a o uso lá fora e validar esse uso lá fora para depois na vida adulta ou do jovem adulto trazer novamente e fazer uso dessa análise. perante a sua família, perante a sua rede social e perante a comunidade. Eu eu queria também complementar isso falando desse amor maduro. O Eric Fron, ele fala desse amor maduro, aonde esse pai e essa mãe, ela tem condição de oferecer para essa relação. Esse equilíbrio eu te dou, mas você vai viver a sua vida com liberdade. [limpando a garganta] Eu não espero que isso seja retribuído, porque dentro da psicanálise, né, dentro do processo, o Freud fala, as figuras parentais, os pais, eles são importantíssimos na estrutura psíquica do dos seus filhos. É ali que eles vão compreender o amor, o afeto, o carinho, o limite, né? a a culpa também, mas dentro dessa relação familiar que depois ela expande para outros lugares. Mas quando você tem, voltando para esse amor maduro, essa relação ela fica um pouco mais equilibrada, porque eles sabem que algum momento os filhos vão voar, eles precisam sair dessa relação eh mínima ali familiar para ir para outros lugares prontos para outras relações. Então esse é o amor maduro. é uma transição bem delicada, desafiadora, né? E quando a gente fala de gratidão, Simone, eh tem impactos emocionais que que os filhos sentem eh quando eles entendem que eles estão sendo cobrados, né, por algo, né? Então eles estão sendo cobrados por uma gratidão que eles devem aos pais. E aí isso afeta autonomia, escolha de vida, eh como que que afeta o o crescer, né, dessa dessa criança, desse adolescente? A gratidão, ela tem um impacto muito significativo na vida nossa, na vida das pessoas, porque tem os aspectos positivos, né? Eh, quando você é grato por situações que você recebe, esse reconhecimento ele acontece. Isso vira em relação com o seu bem-estar emocional, que tá ligado à felicidade. Então, tem pessoas que são adeptas para esses hábitos, como a psicologia positiva fala sobre isso e tem estudos norte-americanos que falam sobre isso, as pessoas elas têm uma possibilidade de ter um controle sobre a vida, de ter decisões com mais muito mais autonomia. Tem estudos também em Harvard que falam sobre as pessoas que lidam com a com a essa gratidão. Ela consegue inclusive ter eh diminuição de problemas de saúde, porque essa defesa autoimune, né, a imunidade ela aumenta, então ela consegue estar grato e se recuperar eh em certas condições de saúde física. Agora, saúde emocional Uhum. Quando você é grato, você consegue tomar decisões, né? Então, o que que vem sobre essa felicidade? Até ver felicidade no trabalho, a felicidade nas relações, tanto familiares como nos seus relacionamentos, a gratidão ela, a pessoa tem um pouco mais de resiliência, a frustração. Então, ela consegue eh nessas conexões de relacionamento eh esperar do outro. Uhum. entender um pouco mais o que que o outro tem a dizer, saber que ela tem esses limites também para se reconhecer nesses lugares e na relação familiar também. Então, ela entende desses pais, das limitações desse desse pai e dessa mãe, sabe que a partir dali ela pode criar outras possibilidades, outros encontros, né? Uhum. mas eh mantenha a mesmo nível de cuidado com essa relação. Excelente. A gente falou um pouquinho antes só para complementar sobre essa relação que a gente escutou muito na rede social das festas de final de ano. Ah, sim. Aham. Verdade. Muitas pessoas não querendo ir pros encontros familiares e hoje é mais fácil as pessoas não quererem, elas não vão, elas vão para outros tipos de encontro. Isso é uma preservação dessa desse controle emocional, dessa autonomia emocional. Ela pode querer não ir e tá tudo certo. Nossa. É, então é uma preservação, né, dessa autonomia, desse controle emocional, mas que também de repente não desperta um gatilho naquela pessoa que estava esperando. Como é que a gente age desse jeito? E isso também é uma questão de gratidão, se a gente parar para analisar, né? Eh, de repente você não quer ir em algum lugar, eu tô falando de família, gente, né? E as famílias, vamos, vamos aqui eh ser assertivos e não hipócritas, porque família é família. São pessoas que tentam viver em comunhão, em união e nem sempre dá certo, né? E tá tudo certo, tá tudo bem, nem sempre dá certo. E aí não deu certo durante o ano, mas como forma de gratidão, eh, eu vou, né, passar aí o final de ano, Natal, Ano Novo, não sei, com a minha família. E aí esse esse eh eu fazer pelo outro está caindo por terra. Então nessa sua fala, né, que você que muito bem falou que as pessoas estão escolhendo, né, se se voa ou não. É uma forma de preservar a autonomia. Qual que é a avaliação mais que você faz desse eh não ir para preservar a minha autonomia ou então de ir para eh agradar o outro, né? E dizer o sim pro outro e o não para mim. Então aí entramos na na questão bem limítrofe da da gratidão e da culpa. Nossa, [risadas] onde a gente tá aí? Tá bem, bem bem. E aí o que que acontece? Eu vou fazer também um retrocesso. Sim, por favor. Quando nós éramos crianças, pelo menos na minha família, nós fomos criados num contexto familiar aonde nós convivíamos, avós, tios, primos e toda uma pequena sociedade aonde a gente tinha o aprendizado da da de como as pessoas funcionavam. Uhum. Então, nós tínhamos ali um tio que era mais brincalhão, um tio que já tinha problema com bebida, uma tia que era solteira, uma tia que era mais triste, um primo que era mais eh eh dispersivo, que a gente conhece hoje como TDH, mas não tinha, não era denominado, um primo que era mais estudioso, muito mais inteligente. Então, a gente tinha um exemplo da sociedade ali. Quando nós tínhamos uma família mais organizada e que nós conversávamos a respeito da realidade de cada uma das pessoas, nós ensinávamos e éramos ensinados sobre o que nós viríamos na sociedade. Uhum. E aí nós víamos a questão da falta, dos desafios, das superações e do que nós tínhamos que agradecer. Hoje as famílias elas estão muito mais papai, mamãe e filhinho que são micronúcleos, aonde nós não aprendemos esta questão do que está lá fora. E aí fica mais difícil de nós aprendermos e e por isso que os consultórios estão cheios e procurando ajuda, porque não foi ensinado na base essa esse amadurecimento emocional. Quando a gente faz a escolha de ir para a festa, paraas festas de final de ano junto à nossa família, aquela família que não está tão conectada, nós não aprendemos que na grande sociedade existe essa desconexão. E aí fica muito mais fácil de nós fazermos festas com os nossos amigos afins. Só que mais uma vez, segundo Freud, nós buscamos o prazer. E nem sempre a vida é só prazer, porque nós temos este processo familiar também de aprendizado. Então, quando nós, pais, ensinamos a respeito da gratidão, das, mais uma vez da responsabilidade e de todo um processo de amadurecimento psicossocial, nós vamos colher dos nossos filhos essa reciprocidade e consequentemente uma gratidão. Não que ele vá fazer isso constantemente e como você falou, Rúbia, de constantemente falar, eu sou grato, grato, grato, grato, porque é o princípio da gratuz, né? [risadas] Boa, né? Aham. Verdade. Mas é o sentimento é muito bom estar perto do das da minha família, do meu núcleo de apoio, da minha rede verdadeira de apoio. E eu me senti querido, acolhido num porto seguro. Agora, se os pais exigem essa gratidão constantemente, não existe esse acolhimento, existe a culpa. Então, é aí a diferença entre a gente falar de rede de apoio madura, sentimentos maduros e desenvolvidos e falar da culpa que eu tenho que estar com pessoas que não são afins, porque elas me exigem uma postura que eu não gostaria de ter num momento que eu gostaria de estar comemorando, porque segundo as redes sociais Está todo mundo feliz, realizado, fazendo fotos e só eu estou sofrendo com a minha família. É isso mesmo. Pois é, né, gente? Quando a gente fala de família é é bem delicado, né? A gente precisa tratar isso com muita sabedoria. E aí quando a gente fala de gratidão entre pais e filhos, eh, quem já ouviu assim, ó, eh, eu te dei tudo, eu te criei, você estudou porque eu me sacrifiquei, então você me deve, mas eu devo o quê, né? é um meio que é um um contrato invisível, Simone. E esse contrato ele vai se perdurando. Ele vai se perdurando. E as duas pessoas, tanto aquela que exige, né, a gratidão e aquela que precisa ser grato, entram em um sofrimento, né? E esse sofrimento também pode eh eh vir a a a desencadear um rompimento, né, das conexões, não é mesmo? explicasse para mim. É, você fala do contrato invisível, são as as lealdades invisíveis. E é muito comum a gente ver lealdade eh invisível em famílias que estão eh pais que estão se divorciando. Perfeito, porque ele tem essas divisões todas com quem eu vou ficar, guarda compartilhada. Então, esses contratos, essa lealdade invisível, ela aparece. Mas eu fiquei pensando sobre eh o Nicot, ele fala de uma mãe com um pai de uma relação suficiente suficientemente boa. Aquela relação aonde eu escolho o cuidado, eu escolho o afeto para esse filho ou para essa filha. E ali eu ofereço tudo que é de bom, de carinho, de amor, de experiência boa. Então, como a gente fala que a gratidão ela vem pela experiência, pela experiência familiar, principalmente. É disso que a gente se propõe quando eu ofereço para esses filhos ou para esse filho, para essa filha esse carinho e esse amor, porque eh qual é o momento desse rompimento? Eu gosto de pensar assim como se fosse uma equação quando a gente pensa em gratidão saudável. Uhum. Gratidão saudável é quando ela tem uma troca possível. Gratidão exigida é culpa. Relação saudável é quando eu posso fazer aquilo que é é bom pros dois, para essa relação de troca dos dois. A relação eh quando ela é exigida, ela é culpa. É culpa, né? Ela tá ligada que eu preciso retribuir dentro dessa obrigação. Por isso que gera esse rompimento muitas vezes. Ex. Uhum. Sai do natural, né? Sai do natural. Vira uma obrigação mesmo. Eu tenho que fazer, eu tenho que retribuir. E muitas vezes não é financeiro. Como é que eu vou retribuir aquilo que eu conquistei dentro da do âmbito familiar? ou uma família numerosa ou filho único. Como que eu retribuo? Eu não sei. É uma dívida eterna, impagável. Isso. Uhum. Um contrato invisível sem fim, né? Ele segue, ele segue. Você falou de eh o Winicot, né? Você sabe que eu tava estudando, ele fala de parentalidade saudável e diz que eh essa parentalidade saudável ajuda eh a fazer que com que o filho se torne um sujeito e não uma extensão dos pais. Eu achei bem interessante isso, porque eh tem aquela questão que as pessoas falam assim: "Não, meu filho, mas você tá criando alguém que vai voar, você tá criando alguém para o mundo, né? E a gente precisa cuidar eh para que o filho ele não seja o nosso projeto, não é? E aí quando a gente pensa que o filho ele é o meu projeto, aí vem essa questão. Se é meu projeto, eu vou trabalhar nele, mas ele vai me dar algum retorno lá na frente. E quando a gente, eu já ouvi muito isso também em conversas, né, com pessoas e tal e depoimentos de que assim, nossa, eu agora preciso me formar, preciso trabalhar e eu preciso ã ajudar a minha mãe e meu pai. Pô, que legal, que legal se você fizer isso de coração, né, de sentimento puro e leve. Agora, quando você torna isso uma obrigação, porque os pais ah contribuíram para que você se profissionalizasse, exemplo, fizesse uma faculdade, aí é delicado. E aí a gente volta para aquela questão, meu projeto de vida. Exatamente, né? explica pra gente, mas filho não é projeto de vida da gente. A gente precisa fazer com que o filho tenha liberdade para voar, porque é isso que vai acontecer. É isso aí. Bom, eu trabalho muito com a psicologia de pontos fortes. Então, Clifton, ele fala que nós somos 8 bilhões de seres humanos diferentes com um DNA de talentos naturais que se conectam. Então, quando eu, pai e mãe, eh, juntos geramos um novo filho, nós temos a geração de um novo DNA de de diversos, né, de de DNA corpóreo aí, fisiológico e de talentos. Quando nós falamos que ele é um projeto meu e ele vai, ele vai ser médico como eu, ou ele vai ser advogado como o avô, ou ele vai ser, nós minamos os talentos que eles têm naturalmente. E ele e nós não estamos criando um indivíduo, nós estamos criando uma réplica. Isso no consultório ele é muito trabalhado. Por quê? Porque nós, o que que nós criamos eh eh queremos dentro do consultório é que o indivíduo se veja como indivíduo e que ele também enxergue o pai e a mãe como indivíduos, como seres únicos. E quando eu fortaleço aquele ser humano com as suas com os seus talentos e com as suas responsabilidades sociais e individuais, ele se vê como um indivíduo. E aí está na relação da parentalidade madura. Porque se eu, pai e eu mãe, me preparo antes da de ter um filho, eu me vejo como indivíduo único e uno os meus talentos com o meu parceiro ou com a minha parceira para juntos gerarmos um ser humano. Você entende que essa essa relação de cooperação, ela já está intrínseca na família? E aí não vai existir a questão da necessidade da gratidão. Por quê? Porque você não me deve nada. Isso, porque nós somos, nós estamos ali num processo de cooperação e isso vai muito além da nossa família, porque eu tenho a minha responsabilidade social, se eu tenho os meus talentos e se eu, como ser humano, eu tenho ah como usar isso tanto dentro da minha família quanto fora da minha família, eu tenho essa responsabilidade social conforme eh Ah, Frankel fala na logoterapia, nós temos que ter um sentido da vida e esse sentido da vida é dentro do nosso pequeno núcleo e do nosso grande núcleo. E aí a nossa gratidão, e eu acho que isso é eh é eh é fundamental a gente pensar que dentro de uma força maior que é denominada, conhecida como Deus, a gente tem dentro dos mandamentos honrar pai e mãe. E o honrar pai e mãe é dentro deste processo de de cooperação e não de culpa e não de dívida e não de de de comparação. Eu vejo isso muito claro dentro da logoterapia de Frankel e da psicologia de pontos fortes de Clifton. Excelente. Nossa, vocês são maravilhosas, né? Agora, quando existe exige existe, aliás, muito essa essa pressão, né, dessa cobrança, eh, às vezes é algo que a gente tá falando aqui dos pais, né, que que exigem aí a gratidão, mas às vezes é algo que eles nem percebem que estão fazendo, eles nem percebem que eles estão exigindo essa gratidão, né, que essa gratidão venha dos filhos. Tem algo interno aí, tem algo que vem de longa data. E como que a gente entende o que tá acontecendo com esses pais que não perceberam que eles não não têm que exigir a gratidão de um filho? A gente precisa fazer pelo filho aquilo que é natural, né? a proteção, eh eh dar a formação e querer que o filho voe e que ele seja o que ele quiser e tá tudo bem, continua sendo meu filho, né? Mas o que tem ali no lado do pai, o que tem no pai, na mãe, qual que é a história de vida? Isso influencia muito nesse comportamento da exigência de uma gratidão pela criação? É isso é bem delicado mesmo, Rúbia, e depende da história familiar também. Eu vou dizer de uma história que talvez o pai e mamãe tenha muita ansiedade para saber que aquele filho tem que dar certo. Uhum. e que esse projeto de filho que eu deduzo, que é um projeto de filho, ele pode ter ou a mesma profissão que a minha que eu escolhi, ou de algum alguma coisa que eu imagino que possa ser melhor para ele. Mas essa ansiedade é que faça aquilo que eu tô dizendo, que isso é o que é mais importante. Então, tem essa redução de encontrar esse desejo único ali que, eh, a pessoa não pode ter desejos únicos. E quando ela passa a não ter desejos, ela esquece que ela pode fazer escolhas. E ela vive sempre na escolha do outro. É, quem vive na escolha do outro muitas vezes não é um adulto que não sabe falar não paraas pessoas. vivem relações ruins muitas vezes e que não consegue sair dessas relações. Relações que eu tô falando de relacionamentos, de casamento, de namoros, de de relações conjugais, porque elas não sabem se desprender emocionalmente dessas relações. Então, elas ficam ali ocupando esse lugar, né, sempre ali, porque não consegue sair. E ela também passa por uma questão porque tem uma o ressentimento dentro da gratidão existe a culpa, mas a culpa ela tem um lugar ali pro ressentido. O ressentido é aquele que sente culpado. A a Maria Rita Kel, ela tem um livro que fala sobre ressentimento dentro da dentro da psicanálise. E ela fala que esse ressentimento é é o ressentido, ele tá sempre se apontando como culpado, porque ele não dá conta de oferecer aquilo que era possível para oferecer. Então esse projeto dos pais, ele vira eh um desconforto, porque eu gostaria que fosse e a pessoa ela não vai bem nem no trabalho, nem na relação, nem com ele mesmo. E essa frustração ela fica constante ali. Exatamente. É uma necessidade, né, Maí? uma necessidade para que a pessoa ela faça o filho, né, na verdade, faça por você o que você fez por ele. Mas eh de repente é algo que vem lá de trás. E por isso que eu digo que às vezes é imperceptível, a pessoa faz sem perceber. Só que a grande questão é essa necessidade, essa exigência da gratidão. Muitas vezes ela pode eh ocasionar o quê? Pode ocasionar um rompimento, né, de laços. E aí a gente precisa eh de um apoio. A gente precisa de buscar de repente um apoio psicológico, né? Uma psicoterapia. E aí, tá tudo bem você pedir o apoio, tá tudo bem você chegar no consultório, falar: "Olha, eu cobrei, cobrei, cobrei meu filho e agora ele se foi e tem seis meses que eu não, que ele não fala comigo". E isso é um sofrimento inenarrável, né? Maí e Simone, é isso aí. Bom, a questão de deste rompimento, ele já sabe quando a gente estica o elástico? Sim. a gente vai esticando, esticando e aí ou um solta, o outro solta, ou os dois estão tensionando tanto que ele se rompe. Sim. É, mas é exatamente isso. Exatamente. Exatamente. Então, quando nós eh temos essa visão de de educação, educar a ação, o nosso processo não é de ensinar a alfabetizar, não é ensinar a ser um profissional. A nossa expectativa, ela tá muito voltada pro capitalismo, mas nós temos que ensinar a ser ser humano. E dentro das morais, dentro da do do que é a base social, que a gente quando quando as pessoas falam assim: "Ai, o ser humano tá perdido, mas eu conheço muito mais pessoas boas do que ruins, né? o meu filho, aquela pessoa que eu criei, será que ele é um ser humano bom ou se ele era um ser humano ruim? Por quê? Eu ensinei para ele responsabilidades. Eu ensinei para eles a autoesponsabilidade, o amar ao próximo como a si mesmo. Eu ensinei ele que ele tem que se amar primeiro. Eu ensinei ele que ele só tem que me amar. Ele tem que me agradecer, que ele tem que ser grato a mim, que eu fiz, eu que o fiz, porque nasceu uma criança, nasceu um filho, mas nasceram pais. Uhum. Será que nasceram pais maduros ou pais imaturos? Será que esses pais também se prepararam para educar aquele filho, para dar uma educação e encher aquele caminhãozinho de forma que ele possa voar? ou que ele vai ter que ficar aqui preso no meu pé e mamãe, papai, eu sou eternamente grato. Porque como a Simone falou, se ele, se essa relação ela for uma relação de interdependência imatura, não vai, ele não vai voar, ele não vai ter essa autonomia. E essa autonomia, ela está relacionada à sua autorresponsabilidade e as ferramentas individuais para ganhar o mundo, para falar sim, para falar não, para fazer as suas escolhas. inclusive a escolha de ser grato e ver todo o trabalho de tijolinho a tijolinho, de sacrifícios, mas não sacrifícios eh eh ah de muita de da palavra sacrifício, né? Eu fiz em prol de você, em prol do seu crescimento. Não foi um sacrifício. Eu usei os meus instrumentos internos, as minhas ferramentas internas para que você seja um ser humano digno. Agora, se você vai ser médico, professor, se você vai ser advogado, ou se você escolher qualquer profissão, mas que seja um ser humano digno. Uhum. que você colabore com outras pessoas e que tenha nos seus talentos naturais a empatia de colaborar no seu pequeno núcleo ou no seu grande núcleo. É isso que importa. Uau, gente, como a gente aprende aqui nesse estúdio Câmara. Se Amanda ver, vamos lá, Simone. É porque assim, nós estamos falando de histórias de vidas e cada um tem a sua. Famílias numerosas, né? vão pensar antes, pessoas, famílias com 9, 10 filhos, às vezes esses pais não tinham tempo, tinham que trabalhar bastante para cuidar dessas dessas pessoas. Eu não dava muito tempo para conversar, não dava pra gente poder analisar ponto a ponto famílias menores, uma relação de hoje, trabalham-se todos muito nessa correria e muitas vezes não dá tempo de falar sobre o que eu sinto, o que que tá acontecendo nessa nessas relações. E quando eu não elaboro essas frustrações, realmente a psicoterapia ela é muito importante, porque ali eu vou entender por que não, porque eu não dou conta, quais os limites possíveis dentro dessa relação, qual é o momento que a minha gratidão a esses pais que me criaram, que me deram amor e afeto, foi suficientemente boa para essa relação ou não houve falhas e eu consigo considerar essas falhas? sabendo a limitação dessas pessoas e mesmo mantenho essa gratidão pela vida, né, pelo que essas pessoas de certa forma conseguiram oferecer até esse momento. Depois eu tenho que trilhar meu caminho. Mas a psicoterapia, né, ela trabalha justamente essa posição, onde eu estou e para onde eu quero chegar. Se eu eu olho sempre pro passado, eu só vejo faltas, falhas. Uhum. dificades, frustrações. Se eu me projeto para esse futuro na psicoterapia, eu consigo conviver com as minhas faltas, com as minhas falhas, que a gente não conserta e essas o que faltou, mas a gente cria nova chance de reconstrução de uma vida possível. Então eu vou me casar e vou falar assim: "Bom, aquilo que eles erraram comigo, eu não quero errar, então eu quero fazer diferente. Olha, eu já dei um passo na minha vida, eu vou fazer diferente, porque isso já foi elaborado na psicoterapia. Eu já sei que dentro dessa construção, aquilo que não foi bom para mim, porque é um olhar para dentro, eu construo de forma diferente para outras pessoas. Se eu tenho filhos, aquela relação que eu tive não foi boa, então eu tenho a chance. Olha como é que isso é importante, de criar nova eh novos outros argumentos e ferramentas para criar filhos com mais autonomia, com mais eh liberdade para viver aquilo que eles querem sem a exigência de ter que retribuir, então financeiramente ou emocionalmente ou sustentar essa família emocionalmente ou financeiramente, eu posso fazer diferente. Para mim, essa é a grande chance e a gente pode reconstruir a vida assim. Uau, gente, que delícia de programa, de bate-papo, quanto troca, né? Quanto ensinamento. Agora 8:48 nós temos algumas perguntas, pessoal quer saber. Então, vamos lá, pode colocar na tela pra gente, por favor. Produção, vamos ver quem é que tá conosco, né? O Bruno Santos do Castelo. Bom dia, Bruno. Vamos lá. Em famílias onde ninguém fala de sentimentos, como o filho aprende a expressar gratidão sem virar obrigação e sem engolir tudo? Ah, falar é preciso, né? Mas falar é preciso. A, o vínculo familiar, ele está atrelado a essa, a esse ensinamento. Uhum. Então é muito difícil, Bruno, a gente eh aprender essa relação sem esta conversa. Por isso que é tão importante a psicoterapia para que você aprenda a falar e que dependendo da sua idade você tem a autonomia de fazer essa essa solicitação, de procurar um psicólogo, de procurar um psicanalista para que você possa desenvolver as suas ferramentas individuais dentro do do estoicismo. E aí a gente vai além das psicoterapias, a gente assume como responsabilidade a autonomia. Então, tudo que eu quero ver de transformação à nossa volta, sou eu que vou fazer esse movimento. Se o meu pai e a minha mãe não tiveram condições, e a gente fala hoje de psicoterapia de uma forma mais eh eh popular, antigamente você ir para um psicólogo ou procurar um psicoterapeuta é porque as pessoas eram loucas e não eram, né? Então hoje essa essa facilidade ela te permite essa busca individual, tá? Então é isso que eu eh te sugiro. Muito bem. E falar é preciso, né? A gente precisa falar porque falar cura. E aí de repente é a oportunidade que você tem de buscar aí um apoio, né, paraa sua saúde mental, que eu acho que vale super, super vale. Vamos lá, faltando 10 minutinhos paraas 9. Pode mandar mais uma produção, por favor. Vamos lá ver quem tá com a gente. Thiago Mendes da Vila Nogueira. Como criar uma relação mais leve entre gerações, olha aí, com afeto e reconhecimento, sem transformar tudo em cobrança, verdade, né? As gerações, né? Tem tem essa questão muito de de cobrança das gerações anteriores, né? Vamos lá. É o Thago Mendes. Simone, Thaago, obrigada pela pergunta, né, Thaago. Então, essa cobrança, essa relação de conflito das gerações, eh, muitas vezes acontece porque a gente não tem tempo de conversar, né? A gente tá sempre correndo e quando eu chego em casa, eu tô sempre no celular, pai ou mamãe. Isso é comum, né? a gente vê os eh grande quantidade de pessoas nos celulares e o nível de ansiedade justamente por causa dessas telas. Mas aí eu perco a chance de conversar com essas pessoas e esses conflitos também eles acontecem porque a gente não tem tempo. Quando a gente vai falar sobre algum ponto, Thago, por exemplo, é o que você disse, eh, já passou o prazo, eh, a situação já estourou, o conflito já está acontecendo. Então, o que que é importante? a gente antecipar. E eu gosto muito de pensar na nossa posição familiar tradicional, dos almoços em família, dos jantares em família, dos tempos que as pessoas têm para sentar e assistir filmes juntos comendo pipoca, por exemplo, que ali vocês conseguem eh eh traduzir isso nas reações, nas emoções, nas relações. Então, esses encontros eles só fortalecem as relações. Não é uma obrigação, né? É uma oferta. Então, façam um convite para as famílias de vocês. Vão marcar um almoço, um jantar, um encontro que seja gostoso para todo mundo, sem assuntos difíceis naquele momento, pra gente traduzir isso só em relação confortável e saudável. É aprendido pela experiência, Thaago. Então, a gente pode fazer isso sim. Excelente, né? E você veja como que em tempos modernos a gente precisa, você falou algo que me chamou muita atenção, fazer um convite para que a gente possa sentar todo mundo numa mesa para almoçar ou para jantar ou para jogar colchão na sala, pegar, estourar pipoca e assistir um filme. A gente precisa convidar porque a gente não tem mais tempo. Antes não, né? Em tempos passados e era a coisa mais natural do mundo, né? É, vamos todo mundo se reunir no almoço. Hoje as coisas estão mais atualizadas, mais modernizadas, eu não sei, é falta de tempo. Ou então até essa questão também da preservação, né, da sua autonomia, de dizer o não. Mas é bom sempre a gente parar, pensar, analisar eh até que ponto vale essa essa união, né? De repente as famílias estão se perdendo, mas a gente precisa se conectar novamente, né? A gente precisa resgatar, porque isso é maravilhoso. Só que nem nem não é de repente o que é bom para mim não é bom para você. Então a gente precisa fazer uma autoanálise aí e ter um autoconhecimento daquilo que a gente quer e para onde a gente quer levar. Mas quando a gente fala de gratidão é sempre muito bom, né? É sempre muito bom a gente ser grato. Eu acho que é um sentimento gostoso, é algo bom de sentir. E quem recebe a nossa gratidão também, ela ela sente isso muito bem, só que precisa ser de uma forma natural, tá? Não forçado e também nem inventado, né? Porque tem gente que ultrapassa eh dos limites, principalmente quando a gente fala aí de família. Agora 8:54, acho que dá tempo para mais uma, daí a gente já vai para pras considerações finais. Pode ser, produção? Vamos lá então. Tá bom. Vamos ver aqui. Larissa Almeida do Jardim Campo Belo. Na adolescência eu me sentia sufocada e isso e e hoje isso ainda pesa. Como curar mágoas antigas sem romper totalmente a família? Eita, Larissa. Vamos lá, Maíse. Larissa. Bom, a parte da adolescência, ela é um momento bem desafiador. E quando a gente fala na clínica da existência da criança ferida, eh todo este processo que a gente vive da nossa formação. Então, quando a gente tem na vida adulta o sentimento da criança ferida, é que nós vivemos alguma coisa lá atrás que não foi resolvida. Uhum. Então, cabe aí uma autoanálise para que você descubra os seus as suas ferramentas internas, para que você possa entender o o processo de criação de que seus pais foram suficientemente bons e que você é quem você é, graças a essa dedicação dos seus pais. Então, apesar da adolescência ser turbulenta e de nós vivermos aquela aquele luto que eu comentei lá atrás daquela criança que era totalmente atendida, da adolescência que não era entendida. Uhum. e que você se tornou uma pessoa adulta ainda com esta dor, vale você conversar, porque a conversa ela cura de verdade para que haja esse entendimento e você tenha a autonomia para viver a sua vida de forma plena, junto com as pessoas que você ama. E que se nós considerarmos que essa união e essa cooperação nos fortalece, pense no que é um um tijolinho solitário. Um tijolinho solitário, você vai lá e quebra. Uhum. Um tijolo unido por cimento e sólido e com uma ferragem é muito mais difícil de ser destruído. Essa é a concepção de família. Essa é a concepção de que juntos nós somos muito mais fortes, apesar dos tijolos não serem totalmente iguais e muitas vezes não estarem tão bem alinhados, mas juntos nós somos muito mais fortes e com essa compreensão de si e do todo, você fica muito mais sólida. Uau, que coisa, hein? Muito bom. Eu você falando, eu imaginando ali o tijolo solitário, aí depois vem outro tijolinho, outro tijolinho, coloca um cimento e tal, fica mais forte, né? Como fica sólido, né? Isso é maravilhoso. Gente, 8:57. A gente já vai agradecendo então a sua audiência, a sua companhia. A gente falou aqui ah de gratidão, mas também falamos de culpa, de autonomia, de vínculo, cultura, afeto. E fica muito claro que a gratidão ela não pode ser moeda de troca, né? Amor não é contrato, gente. Cuidado não é investimento com retorno garantido. Filhos não são extensão [música] dos pais, são sujeitos em construção, que a gente possa aprender todos os dias. Adorei. Mais uma vez mais um programa com muita entrega. Vocês são maravilhosas. Simone, obrigada pela sua participação. Nossa, muito feliz estar aqui novamente. Obrigada pelo convite, [música] obrigada produção também e tá aqui conhecendo mais uma pessoa. É sempre muito bom. Novas conexões, né? Ai, que delícia. Que delícia. Muito bom. Mais uma vez muito obrigada. Sempre aquela entrega sensacional. [música] Quanto aprendizado no programa de hoje, viu? Gratidão. Gratidão a minha e é uma gratidão [música] plena, né? Verdadeira. Verdadeira mesmo. Então, o que o que vocês proporcionam é justamente essa [música] troca, é a conexão entre nós e a conexão entre o público em geral. Por quê? Porque juntos a gente é muito mais forte. Quando a gente fortalece os núcleos, né? A gente se fortalece também. Então, muito obrigada. [música] Obrigada, Simone. Obrigada, produção. Foi lindo. Ai, foi maravilhoso, gente. E essa é a gratidão verdadeira, né? E a gratidão verdadeira, ela nasce do afeto, do respeito, da liberdade. E quando ela é cobrada, ela deixa de ser amor e passa a ser [música] controle. Então, preste muita atenção. Como é que anda aí eh essa questão da gratidão [música] no seu vínculo familiar, né, na sua família. E se de repente você vê que não tá legal, chama a galera para conversar, vamos jantar, vamos almoçar, começa a reunir de novo, começa a reconstruir essa base forte, de repente esse pode ser um novo recomeço para você, tá bom? Que a gente possa repensar sobre isso. Bom, seguinte, hoje é sexta-feira, né? Então, segunda-feira tem programa novamente. Então, a partir das 8 da manhã, nós temos Estúdio Câmara na segunda-feira. E aí a gente vai falar de um tema, gente, que impacta, né? Nós vamos falar sobre a misogenia. a gente vai falar daquele sentimento, né, que a gente tem [música] observado muito, que é aquela questão eh do ódio contra as mulheres. O que que acontece, né? Ah, violência contra as mulheres. A gente tá vivendo uma epidemia de feminicídio com dados alarmantes e uma violência que parece não ter fim. Por que que as mulheres ainda são odiadas? Porque a culpa é sempre da roupa, do comportamento, da fala. Porque o patriarcado [música] insiste em colocar uma mulher contra a outra. Até quando a violência física verbal e online contra nós mulheres será tratada como normal, né? E por que existe eh esse grupo de pessoas que odeiam, mas quando eu falo odeiam, é odiar [música] mesmo. Que sentimento é esse? De onde vem? Por que isso acontece? É sobre isso que [música] a gente fala na segunda-feira. Pesado, né? Mas a gente precisa conversar, a gente precisa falar. Então vamos trazer esse assunto na segunda-feira a partir das 8 da manhã. Contamos com a sua participação, a sua presença com a gente aqui no estúdio Câmara. Um excelente final de semana, toma cuidado porque vai chover bastante, tá, no final de semana de acordo com a previsão do tempo. Então fique atento e de repente é o momento para você reunir a sua família para conversar um pouquinho mais sobre vocês, tá certo? Beijo grande, fique bem. Ao meio-dia eh nós temos Câmara Notícia, né? Ah, com informações do legislativo e de toda a nossa metrópole e a programação da TV Câmara Campinas excelente, [música] preparada com muito carinho e com muito profissionalismo de toda a nossa equipe do grupo Mais. Valeu, gente. Fique bem e até segunda, se Deus quiser. Ча [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]