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Olá, [música] muito bom dia para você que sintoniza a TV Câmara. para Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do nosso [música] estúdio Câmara ao vivo. Hoje é quinta-feira, dia 22 de janeiro e hoje o nosso tema é sobre algo que está literalmente na palma das nossas [música] mãos. Nós vamos falar sobre as fobias modernas e os transtornos causados pelo uso excessivo da tecnologia. Você sente ansiedade quando a bateria do celular está acabando? Tem aí um medo irracional de atender uma ligação telefônica [música] ou sente que está perdendo algo importante sempre que está offline? É, a dependência digital criou novas patologias que afetam [música] a nossa saúde mental e também o nosso social. Vamos entender como identificar e principalmente como tratar esses sinais. Então participe com a gente pelo nosso WhatsApp que já está na sua tela, 199729377. Você participa conosco e conta pra gente o seguinte: você, o seu celular, ele está no silencioso ou está no vibra ou está ainda para tocar? Você sente algo ruim quando seu telefone toca? E as suas mensagens no WhatsApp, elas têm um alerta ou você olha de vez em quando somente? [música] Tem fobia? Então conta pra gente. 19978293776. A nossa produção está postos para atender você, para eh repassar a sua pergunta pra gente, para os nossos convidados que já estão aqui no estúdio. Daqui a pouquinho nós vamos apresentá-los. Vamos embora porque temos informação [música] aqui no nosso estúdio Câmara. Atenção você que mora na cidade de Campinas. A prefeitura realiza hoje, quinta-feira e amanhã, eh, o terceiro mutirão de limpeza do ano. As equipes vão passar pelos bairros Jardim Santa Genebra, Vila Vicente Curi, Vila Costa e Silva e Alto Taquaral. O foco principal é a roçagem de praças, canteiros, centrais, ruas e avenidas, mas [música] tem serviço importante para o morador, tá? Dá para colocar em frente de casa, gente, materiais inservíveis que os caminões do catatreco vão recolher. Então você pode descartar móveis velhos, eletrônicos, [música] pneus, pedaços de madeiras, latas e outros objetos sem uso, tá? Para essa ação, a prefeitura ela mobilizou 12 caminhões, [música] tratores, retroescravadeiras e pá carregadeira. Ao todo são 300 trabalhadores envolvidos. Então, atenção a você, morador, aproveite o mutirão, faça o descarte [música] correto e consciente e ajude a manter a nossa cidade mais limpa. Dado o recado, agora a gente vai falar com você que gosta de cultura. Entre os dias 23 e 25 deste mês, né, de janeiro, o Teatro Castro Mendes recebe mais uma etapa da Campina, da Campinas de Popularização do Teatro. O espaço [música] vai contar com diversos espetáculos de diferentes estilos e linguagens com classificação indicativa variada. A proposta é aproximar o público da arte com ingressos a preços acessíveis, tá bom? [música] A programação completa você confere no site campinas.sp.gov.br/eventos. Vamos com a previsão do tempo para hoje. Como é que fica o tempo aqui em Campinas? Você sentiu frio? Pois é, eu dormi de coberta. Que maravilha. Muito bom. E a previsão para hoje, olha só, indica [música] sol com muitas nuvens e pancadas de chuva à tarde, né? Um dia típico de verão, mas com uma temperatura meia ã delicadinha, né? Porque tá um pouquinho friozinho. À noite o céu segue nublado, mas sem chuva, tá? Então, olha só, a temperatura para hoje tá aí na sua tela. Mínima foi de 16, máxima de 27º. Então não vai esquentar muito não. Isso de acordo com a previsão do tempo, né? Então [música] essa é a previsão para hoje, quinta-feira. Agora vamos ao nosso tema central, né, do programa Estúdio Câmara. A tecnologia veio para facilitar a nossa vida, mas o excesso da conexão está gerando desconexão com a realidade. Gente, a dependência de dispositivos eletrônicos deu origem a nomes novos para sentimentos antigos, né? a ansiedade e o medo. Hoje, eh, termos como nomofobia e fomo, já fazem parte do vocabulário clínico. E para explicar sobre essas fobias, trazer orientações práticas, a gente recebe aqui dois convidados especialistas em saúde mental. Pelo Zoom, a psicóloga Isabela Miranda. Muito bom dia para você, Isabela. Seja bem-vinda. Bom dia, Rúbia. Muito obrigada. Muito bom. Para completar a nossa dupla de hoje, aqui no estúdio com a gente psicanalista clínico Rodrigo Guedes. Seja muito bem-vindo, Rodrigo. Bom dia para você. Bom dia, Rúbia. Bom dia, Isabela. Bom dia, equipe. O assunto de hoje é muito pertinente, porque à medida que o tempo avança, a medida que a tecnologia avança, as fobias novas vão nascendo na nossa sociedade. Então, hoje teremos um assunto bem interessante para lidar. Exatamente. E um assunto bem interessante que acontece comigo, com você aí de casa. Claro que sim. algo que acontece conosco. Somos seres humanos, estamos aí abertos à tecnologia e consumindo isso diariamente, mas isso tem afetado a nossa saúde mental e a gente vai entender agora. O Isabela, conta pra gente como que a psicologia tem encarado esse fenômeno da nomofobia. Esse comportamento, ele já pode ser considerado ah como assim um um sintoma de que novas doenças mentais estão surgindo por causa das transformações tecnológicas. Ah, Rubê, eu acho que primeiro é importantíssimo a gente pensar que somos sujeitos do nosso tempo, né? Então, a gente vai adoecendo conforme nos é capaz, conforme nos é possível no momento, né? Então eu acho que a gente precisa começar a olhar para as telas, não só como um progresso, mas como alguma coisa que viu fando um lugar muito importante, né, de nós, né? Exatamente, né? E e as telas fazem parte do nosso dia a dia, não tem como negar. A gente trabalha com tela, né? Ah, os filhos estudam com tela e a gente precisa ter aí uma um limite, mas nós não aprendemos ainda. Rodrigo, essa a produção ela nos trouxe um dado bem importante. Olha só, o medo é herança genética, mas a fobia é um distúrbio, distúrbio, perdão, psiquiátrico. Vamos lá. Qual que é o ponto exato onde o medo natural se transforma em fobia? Porque a gente tem medo, né? De repente você tem medo de barata, né? Você tem medo eh eh de repente, vamos lá, de altura, né? É medo. Agora, qual a diferença do medo e da fobia? Ótima pergunta. Vamos lá. A fobia, ela caracteriza principalmente por um medo exacerbado de algo, né, que a gente na psicanálise vai falar de de algum objeto. E muitas vezes esse medo ele traz também uma somatização, uma reação física. uma reação neurológica muito próxima da dor, muito próxima de um desespero muito grande, né? Então, quando nós falamos da fobia, estamos falando de algo que passa, que está muito além desse dessa questão comum, como um medo de uma barata, o medo de um inseto, o medo da chuva. Uhum. A fobia ela caracteriza principalmente por essa questão fisiológica, por essa questão exacerbada da sensação no corpo humano. É. E e são sensações assim incontáveis, né? Porque quando você começa a sentir um medo exacerbado, quando você tem essa fobia, de repente a pessoa tem fobia do elevador, tem gente que tem fobia de elevador, é um medo que a pessoa não consegue controlar, você começa a suar, você começa a ter tremor, você começa literalmente passar mal. O Brasil hoje está no topo da lista da Organização Mundial de Saúde como o maior percentual de pessoas ansiosas, tá? São mais de 9% da nossa população sofrendo com transtornos de ansiedade e fobias gerais. Agora eu pergunto paraa Isabela Isa, eh, o que que define a linha entre o uso intenso da tecnologia, tá intenso e a fobia real? eh, é a quantidade de horas conectada ou é o nível de sofrimento que a falta do aparelho causa, que a gente pode dizer que isso acaba gerando uma fobia. Então, R, é interessante a gente pensar que esse afeto que a fobia produz na psicanálise, a gente entende como angústia. Então, o que assusta, o que deixa muito faltoso, não é necessariamente o celular. O celular é só um objeto, é o que ele representa. Então o mais interessante pra gente pensar é nível necessidade. Eh, essa pessoa tá celular diante da tela, não é uma pessoa que não consegue realizar atividades ou alguma atenção. Esse é eu acho que é o primeiro dos dos sintomas mais eh visíveis. Então, a falta de atenção em seguida, esses afetos muito eh profundos, doloridos que causam, como o Rodrigo disse, físicos. Eu acho que aí já dá pra gente começar a certo a Exatamente, né? E tem pessoas hoje que t pavor de atender o telefone. Ô gente, conta aí para nós. Olha, eh, o seu, a o seu telefone, ele fica para tocar, para vibrar ou no silencioso? Você sabe que eh quem tem pavor de atender o telefone, essa isso que a gente tem, porque eu tenho isso, é chamado de telefonofobia. Então, telefone fobia, telefonofobia, por a voz e o tempo real. Olha isso, gente. Você tem pavor de atender o telefone? Poxa vida, antes tínhamos telefones na sala, né, que era de discar, assim, quando tocava o telefone, todo mundo saía correndo para atender. Às vezes dava uma briga para atender o telefone, para querer saber quem é que tava do outro lado, que queria falar com a gente, né? Mas por que a voz e o tempo real se tornaram tão ameaçadores paraas gerações mais novas que preferem aí o controle das mensagens de texto? Como é que você define isso, Rodrigo? É tão estranho a gente pensar que tínhamos somente o telefone e ele precisava tocar e a gente esperava ansiosamente por esse toque. Hoje a gente tem fobia do toque do telefone. Não tô generalizando, claro, mas algumas pessoas já têm aí essa fobia. É uma pergunta muito pertinente. Antigamente nós tínhamos o telefone como um aparelho que estava ali na sala dentro das nossas casas, mas era um aparelho que ele estava out, né? ele estava fora eh dos nossos bolsos, da nossa mão. Então, hoje nós podemos pensar que as pessoas elas são mais ou menos como um Cborg, né? Eh, a parte tecnológica ela está ali muito aderida, né? Então, o celular ele passa a ser uma extensão da nossa vida, a os nossos documentos, a nossa conta bancária, a nossa vida social e pessoal está dentro do celular. E comumente esse acesso a nós, ele passa a ser constante. Uhum. Então, pessoas que trabalham com marketing, com vendas, que precisam fazer o uso do telefone a todo momento, muitas vezes chegam num estágio de burnout, um estágio de cansaço emocional muito grande ou pessoas até que sofreram um golpe, por exemplo. É comum hoje termos o o golpe do sequestro, golpes bancários que são aplicados por meio da tecnologia do celular. E antigamente o telefone ele era analógico, né? não, nós tínhamos uma interação mediática muito diferente. Então, essas pessoas elas passam a desenvolver um certo medo. Eh, se sofrer algum tipo de golpe, algum tipo de situação onde despertou nela ali um gatilho de ansiedade ou um gatilho de fobia. Uhum. Muitas vezes esse esse sintoma ele acaba se agravando. Nossa. E e como faz para tratar isso, né? Porque é algo que se a gente pensar é bem delicado, né, na parte da saúde mental, porque você acaba desenvolvendo aí um uma espécie de de ansiedade, um pânico, na verdade, ah por conta de ouvir o seu telefone tocar. Isabela, explica pra gente eh eh quais os sinais de alerta e por que a gente tem essa mania. O que que o cérebro indica pra gente? Que no meu caso, por exemplo, eu vou me colocar aqui pra gente não generalizar, mas eu meu telefone eu não deixo para tocar, eu não consigo, eu não gosto de ouvir o som do telefone, né, o o o toque do telefone. E se de repente acontece ele tocar, eu sinto uma uma palpitação, um negócio estranho, né? Como que a gente diminui isso ou em que momento que a gente entende que a gente precisa de buscar um acompanhamento pra gente ter uma autorregulação referente a essa fobia do da nós estamos falando aqui agora do telefone, né, de de ouvir o telefone tocar. Eu acho que é interessante a gente pensar, Rúbia, que lugar que convoca, então, eh, ao vivo, né? Não é alguma coisa que a gente não preparada, coloca a gente para um lugar que não tá no nosso controle. Começa a pensar nesse aspecto, coisa que vem de fora, é uma demanda. A gente não sabe se a gente vai conseguir atender, como vai ser. Então, eu acho que o principal, a principal dica para lidar com as telas é que a gente possa criar vida fora delas. Uhum. Quanto mais vida fora das telas, menos elas vão ocupar esse lugar de demanda, menos elas vão ocupar esse lugar ã de alguma coisa que nos convoca o tempo todo, né? Então, eu acho que o mais importante é vida fora da tela e colocar o máximo que puder de limitação, né? Então aquele momento em que a gente tá na na fila esperando alguma coisa, esperando o banco, esperando o ônibus para que a gente possa evitar sair de si e provocar a presença. Quanto mais presença a gente tiver, mais a gente vai poder combater esses sintomas de ansiedade, de pânico. E se é alguma coisa que provoca um sofrimento muito intenso em mais de uma área da vida, é indicado que a pessoa procure um atendimento psicológico, atendimento psiquiátrico, para que ela possa falar daquilo. E é exatamente aonde o clínico vai atuar na história daquela pessoa com aquele sintoma na vida dela. Excelente, né? E e a Isa trouxe algo bem interessante, que é a questão do controle. Eh, a gente tem a sensação, você de casa tem a sensação de que, eh, as pessoas podem te controlar através do celular, né? Eh, hoje com eh eh esses grupos igual eh WhatsApp, né? Tem tem várias eh eh aplicativos de mensagem, as pessoas mandam mensagem pra gente a hora que querem e aí eh eu já não tô mais nessa, mas houve um tempo em que eu me sentia na obrigação de responder a mensagem na hora. Por que que a gente sente isso, né? Que negócio estranho é esse, Rodrigo? E a pessoa lá do outro lado também, ela tem algo nela que, tipo, ela quer que você responda na hora e se você não responder na hora pode gerar também um conflito. O que que é o esse desequilíbrio? Por que aconteceu isso? É interessante pensar que pelo fato do celular ser uma parte nossa, ah, é como se uma mensagem que chega ali e fica naquele popup, naquela caixinha, é quase como uma invasão da nossa privacidade. É. puxa da pessoa um mecanismo de necessidade de resposta. É como se fosse um compromisso que você não deu cheque. Isso. E isso acaba gerando um processo de ansiedade muito grande em algumas pessoas que já tem aquela estrutura onde ela é mais obsessiva, ela precisa cumprir todos esses cheques, deixar tudo respondido, tudo organizado. Uhum. E por conseguemente a gente fica ali num processo muito ansioso em relação a deixar tudo organizado, deixar tudo cumprido, né? Exatamente. É isso. E você falou isso agora, não tinha nem me tocado, né, me atentado, mas eh no aplicativo de mensagens tem lá, né, um check ou dois checks. Então é, olha só que interessante isso. É tudo pensado mesmo para eh envolver o nosso psicológico, o nosso emocional. E a gente fala aqui hoje das fobias, né, das fobias modernas, da tecnologia. Nós falamos da fobia do telefone, né, de ouvir o telefone tocar, de se sentir aí invadido com a questão de alguém estar te ligando. Poxa vida, mas tá me ligando agora, né? Antes não era assim. Antes a gente aguardava uma ligação e hoje, como temos na palma da mão, isso se tornou eh algo que faz parte do nosso dia a dia. Acho que faz parte até ahã do nosso corpo, porque se você para para analisar, você vai sair de casa, você deixa o celular em casa, você vai voltar, não vai? Ah, vai. Se você não voltar na hora, você vai lá no teu compromisso, fala: "Eu preciso voltar em casa porque eu esqueci meu celular". Então é algo que fica eh igual você falou um Cborg, né? É, é, a gente é algo que tem que tá tá com a gente. E aí quando a gente recebe uma ligação ou um chamado ali, você acaba se sentindo invadido, né? Isso acho que é o início para um o caminho de do desenvolvimento de uma possível fobia. Bom, agora vamos falar do termo fomo, né? O fomo, eh, o medo de estar perdendo algo. Então, se eu tô com fomo, eu tô com medo de perder algo. Quando a gente fala em medo de perder algo, a gente potencializa esse medo por conta das redes sociais, percebe? Pois é, quando você chega, você começa a rolar feed e aí, se você não tá fazendo isso, você tá perdendo a atualização de alguma coisa, né? onde a vida de todo mundo parece ser mais interessante que a nossa nesses feeds. Isso pode gerar um estado de alerta constante no nosso cérebro e a gente acaba ficando também de uma maneira em alerta o tempo todo, querendo ver isso o tempo todo. Então, Isabela, como é que é essa essa fomo, né, esse medo de ficar de fora, seja das informações, das fofocas, enfim, como é que isso altera a nossa percepção de felicidade e de satisfação com a nossa própria vida? Porque a partir do momento que você tá desesperado para você ficar olhando o que tá acontecendo lá na vida do outro, você acaba perdendo a satisfação da sua vida. a gente tem aí o termo da comparação, né, que pode que dá um peso muito grande nessa nossa fala. Com certeza, Rubé. Eu acho que esse é um dos prejuízos mais intensos pro nosso psiquismo, né? Porque a gente muitas vezes esquece que o que estamos vendo ali no celular é um recorte. Uhum. Aquilo não é a totalidade da realidade, né? Então, a gente sempre vai ver uma vida mais bonita que a nossa, uma vida mais interessante que a nossa, um trabalho menor, melhor que o nosso. E eu acho que é super importante contar que esse tipo de estímulo provoca na gente uma reação muito natural, que é a inveja. A inveja, que é esse afeto que todo mundo tem vergonha de dizer que sente, mas a comparação é fruto da inveja, né? Então, na inveja tudo o que eu tenho não é bom, não presta e o que é bom tá no outro. Então, tá sempre fora. Então, a gente sempre tá buscando fora, buscar ver o que tem de melhor no outro, o que o outro tá fazendo, o que o outro tá produzindo. Isso acaba se tornando muito empobrecedor da vida psíquica, da vida real. E é importante a gente saber que não fomos feitos para estar dentro de tudo o tempo todo. É natural que falte, é natural que a gente não possa comparecer em algumas vezes, é natural que a gente precise deixar alguns compromissos de lado para estar em outros, né? Então essa presença constante do celular tira da gente muito da vida real, muito da vida cotidiana, que faz parte e que é fundamental para uma vida de saúde, né? Exatamente. E essa essa tecnofobia, essa nomofobia, essa fobia ou então essa vontade exacerbada de ficar ã vendo o que tá acontecendo, né, ali no seu vizinho, na sua rede de vizinho, no seu colega. Às vezes a pessoa tá do seu lado, você tá lá vendo o story dela. Poxa, vida, o que que é isso, né? O que que tá acontecendo com a gente? qual que é a sua avaliação sobre essa questão de de rolagem de feed, dessa dessa eh desse desespero constante de eh estar atualizado o tempo todo, mas é uma atualização, né, que não chega a ser a atualização que a gente precisa, porque a gente sabe que são recordes. Exatamente. É interessante pensar, eu sou jovem já há um tempo, então na minha época era o work coach, o bate-papo do wall, e ali o objetivo principal, a engenharia do software era para interação. Uhum. Então você tinha ali uma interação com pessoas que você muitas vezes não via, no máximo era foto e tudo mais. A medida que a tecnologia vai avançando, o software ele é desenhado, ele é projetado para liberar uma descarga dopaminérgica muito grande nas pessoas. Então, olha que interessante, quando você pega o Instagram, o mesmo gesto que você faz para discordar de algo é o que você faz para concordar com algo, que são os dois dedinhos na tela. Hum. Eu não gostei de uma coisa, dois dedinhos na tela. Eu gostei muito de uma coisa, dois dedinhos na tela. E aquilo vai fazendo com que o seu cérebro se condicione e libere dopamina a todo momento. Porque a própria rolagem do feed, ela já é feita de uma coisa muito fácil, muito fluída, muito mais agradável de se estar do que ficar trocando de página. Uhum. Pós pandemia, depois da pandemia, o que eu percebi na clínica é que aumentou bastante, porque a pandemia vem e ela causa uma clausura, né? uma força maior que causa uma clausura no mundo. A pessoa fica ali dentro da casa dela com a expectativa de viver algo, né? E o o fomo, termo fear of mis, né? O medo de perder alguma coisa a todo momento, ele é ampliado com esse desejo de viver. Estou perdendo minha vida aqui no sofá, preciso fazer coisas. E o Instagram ele traz a a vida perfeita, a vida que todos nós queremos ter, né? São passeios, são viagens. que muitas vezes a pessoa desabafa um pouquinho ali, né? Mas na verdade ela mostra uma perfeição de vida que faz com que aquela pessoa que está ali consumindo a todo momento sempre de uma forma muito mais rápida, vídeo de 10 segundos, 15 segundos, 7 segundos, 5 segundos e faz com que a dopamina a todo momento, mal termina um ciclo, já começa outro. Então acaba gerando esse vício e também esse medo de estar perdendo a vida. E é antagônico, né? Porque eu estou perdendo a vida, porque eu tô conectado ali. Sim, exatamente. Mas ao mesmo tempo eu não saio muitas vezes para viver o real. É, a gente acaba eh fica, quanto tempo você fica conectado aí no seu celular rolando vídeo, hein? Tem que dar uma olhadinha, né? Tem que viver um pouquinho mais o aqui, o agora, o real. A gente vai aprendendo. A gente aprende todos os dias e isso é é sem julgamentos, tá? Mas é importante a gente se atentar, virar chavinha, largo o celular. Eu já tenho comigo uma estratégia. Eu desligo o celular, desligo, porque se ele ficar ligado do meu lado, eu vou pegar só para dar uma olhadinha, para olhar que horas são e vou acabar indo rolar feed. Então eu desligo de uma vez e vou lá para fora, faço alguma coisa, vou andar com cachorro e aí eu acabo esquecendo. A gente precisa ter estratégias pra gente poder dar uma minimizada nessa questão aí da tecnologia que tem nos ajudado muito, mas também tem afetado muito a nossa saúde mental. Agora falamos do telefone, né? Falamos do celular e tal. Agora a gente fala da tecnofobia. Tecnofobia aí tecnologia e fobia. Percebe? Ah, mas eu não tenho isso, Rúbia. Gente, tecnofobia ainda existe ou ela se transformou em um medo moderno da inteligência artificial e da substituição do trabalho humano. Agora, entendeu o que que é tecnofobia? É isso, gente. Olha só, a Organização Mundial da Saúde incluiu o transtorno de jogo na classificação internacional de doenças. Isso mostra que o vício em games ou telas não é apenas um hábito ruim, mas uma patologia que prejudica as áreas sociais e familiares. Então agora a gente vai falar da questão da inteligência artificial e também vamos falar dessa desse vício em jogos que tudo isso vem através das telas. Agora, a essa esse medo da inteligência artificial também tá virando uma fobia, Isabela. Tem muita gente achando que a inteligência artificial vai tomar o lugar de trabalho eh eh do ser humano. E aí tem gente que entra em desespero porque acha que, poxa vida, o que vai ser do meu futuro? tem a ver mesmo. Eh, eh, isso existe, você tem eh casos em que você pode falar de pessoas que realmente sentem uma ansiedade, uma fobia, um medo exacerbado referente à inteligência artificial. Rupe, eu acho que primeiro é importantíssimo a gente dizer que nada nunca vai substituir o humano. Então, é importante que a gente também não coloque a tecnologia num lugar demonizador, né? Então, nem como alguma coisa que vai solucionar completamente as nossas vidas e nem também algo que vai eh transformar completamente como nós vivemos e entendemos o mundo, né? Eu acho que esse é o ponto principal e sempre eh entender que é muito mais como uma ferramenta, né, que vai ajudar a gente a depender do trabalho, automatizar processos e tudo mais, mas que o pensamento, a troca, a conexão, isso continua sendo humano, isso é absolutamente insubstituível. Mas é comum que em pessoas mais velhas que tem uma certa ã dificuldade às vezes de compreender como aquilo funciona, como aquilo é feito, eh, é alguma coisa que pode provocar bastante angústia. Então, essa sensação de ser substituído, essa sensação de que as coisas não são mais como as mesmas, elas podem acontecer, mas eu acho que é importante a gente poder dar um lugar para isso, né? Então, nem demonizar, mas também não achar que isso vai resolver completamente as nossas vidas, né? Exatamente. É buscar um ponto de equilíbrio, né, Rodrigo? Mas quando a gente fala de inteligência artificial, a gente tá observando aí que a galera tá perdendo a mão, né? O pessoal tá perdendo a mão e tá brincando com coisa séria. A inteligência artificial, gente, ela vem para nos eh ajudar de repente a otimizar um trabalho, a otimizar uma pesquisa, mas a gente não pode confiar em tudo que a gente vê, né? E é uma inteligência, analisa o nome, inteligência, super inteligência, mas é artificial. E aí, ah, com a notícia da inteligência artificial, que é recente, né, vamos falar aqui que é recente, isso causou um alvoroço em nós, seres humanos. E muitas pessoas que que trabalham eh em alguns setores pensam: "Puxa vida, mas e você substituído por robô?" E agora gera um medo? É um medo generalizado, na verdade, se a gente for parar para analisar, não é? Exatamente. A, a Isabela, ela pontuou bem que algumas pessoas não têm intimidade, né, com o a tecnologia e e nós temos um fator interessante, assim, no setor fabril, no setor muito mais braçal, mecanizado, é comum que haja a substituição de mão de obra humana por mão de obra eh artificial, pela inteligência artificial, por coisas mais mecânicas. Entretanto, quando nós vamos falar da inteligência artificial, nós temos uma questão que é muito importante nos atentarmos, que é muitas pessoas hoje com o advento do chatt e outras mídias terceirizam o pensamento. Hum. Então, a a Isabela apontou muito bem que assim, a inteligência artificial ela é uma ferramenta, ela está para nos servir. Entretanto, algumas pessoas utilizam para que a inteligência artificial pense por elas. E eu creio que isso eh na nossa profissão, a Isabela como psicóloga ou como psicanalista, né, obviamente nós não temos o medo de sermos substituídos porque isso é impossível. Tivemos até recentemente muitas matérias que saíram sobre suicídios e coisas mais agravadas de pessoas que fizeram, né, a a sua, entre aspas, ali terapia com a inteligência artificial. E é muito perigoso isso, né? Então, nós temos de pensar que a inteligência artificial ela é uma ferramenta que possamos usar de uma forma inteligente, moderada, mas não terceirizar a nossa capacidade cognitiva, o nosso pensamento e a nossa forma de expressar. Exatamente, né? Então, nós até falamos aqui eh no programa, foi tema do programa mesmo, essa questão da inteligência artificial, de pessoas fazendo terapia com a inteligência artificial, de pessoas terceirizando, né, o seu trabalho através da inteligência artificial e de muita coisa que deu errado também através da inteligência artificial. Então, a gente precisa se atentar com isso, que ela é uma ferramenta que veio para nos auxiliar, mas não resolver 100% dos nossos problemas, né? E aí quando você fala assim: "Ah, mas vai substituir o ser humano?" Ô gente, eh, você percebe que a partir do momento que você faz uma terapia com a inteligência artificial, você mesmo está substituindo o ser humano pela inteligência artificial? É interessante a gente pensar sobre isso, né? Exatamente. E colocando ali eh em um a inteligência artificial, ela ela é moldada para muitas vezes servir a pessoa. Eh, ela não tem o ato analítico, ela não tem o silêncio proposital, né, Isabela? Ela não tem todo o manejo que nós como profissionais da área da saúde mental estudamos anos, temos artigos cotidianamente para poder fazer um trabalho com excelência. Então fica aí a dica do perigo de se consultar com algo que não é para ser feito. Excelente. Agora falamos da inteligência artificial, vamos falar dos jogos, né? Dar uma pincelada nessa questão do jogo online, que é algo que tem sido bem comentado, algo que tem sido bem preocupante, né, Isabela? Eh, quando a gente fala em fobia, a gente pode colocar também a questão eh dos dos jogos online que tus aí muitos problemas, infelizmente também eh eh situações em eh eh suicídios e e pessoas desesperadas, mas isso se tornou um vício, né? né? Então, eh, e a pessoa que consegue passar por essa fase do vício e voltar e a ao normal, entre aspas, ela acaba criando também uma fobia muito grande ã da tela. Eu gostaria que você comentasse sobre sobre essa questão dos jogos online. Eh, a questão dos jogos onlines, ela é muito delicada, né, Rúbia? eh, acaba mexendo em dois temas muito eh sensíveis a todos nós, né, que é dinheiro e esperança. Uhum. Então, os jogos onlines, eles trabalham fazendo uma conexão entre essas duas coisas, sempre ã trazendo essa esperança de que na próxima é possível ganhar, de que se a gente tentar mais um pouquinho, a gente pode ter a sorte. Então, é alguma coisa que a gente chama de reforço intermitente e isso provoca no nosso cérebro uma fantasia de que se a gente continuar em algum momento aquilo vai ser ã vai ser retornado para nós. E a gente tem visto, né, casos absurdos de pessoas que perderam muitas coisas em suas eh em suas vidas, tanto financeiro quanto famílias, né, vínculos que acabam sendo destruídos por conta do jogo online mesmo. Então eu eh eu acho que a regulamentação pública ela é fundamental para ajudar a gente nesse sentido mesmo. É uma questão de vício mesmo. É, e algo que infelizmente a gente tem visto muito, né, Rodrigo. Exato. É importante pontuar que, né, nós temos duas vertentes aí. Ah, temos aqueles jogos como Fortnite, que é um jogo mais de pertencimento, né, Isabela? é aquele jogo onde eh a a as pessoas elas querem pertencer a um grupo ou uma determinada sociedade, elas querem um status a ali dentro de uma comunidade, né? E nós tivemos há muitos anos atrás o Second Life, né, que era um jogo onde a pessoa simulava a a vida real dentro do ambiente digital. Então são jogos produzidos por empresas gigantescas e que muitas vezes tem o campeonato ali mundial. As pessoas querem participar porque tem a questão financeira, mas tem a questão do pertencimento. E outros são os jogos projetados por uma engenharia de software para descarga dopaminérgica e com a intenção de reter a ali, como a Isabela bem pontuou, a atenção e o dinheiro da pessoa. E nós tivemos aí recentemente, né, a CPI das bets, eh, muitos blogueiros, muitas pessoas, né, eh, divulgando jogos de azar aí deliberadamente e são jogos que a pessoa joga ali muitas vezes sozinha e provoca esse essa expectativa, esse desejo de ganho constante, mas eles são projetados exclusivamente para isso. Enquanto que o o os games muitas vezes que muitos adolescentes jogam pelo computador, muitas vezes e ele vem de uma inclusão social, ele vem de um desejo de pertencimento e ali, né, se se não tiver uma dinâmica por trás do dos pais olharem isso, dos pais poderem eh monitorar, acaba se tornando algo que exclui a pessoa da sociedade. É, eu gostaria de comentar que é interessante que na Netflix ela lançou um documentário há um tempo atrás que é a fantástica vida de Belim. É, e é muito bonito, é um documentário que mostra de um menino, eu acho que ele é dinamarquês o Mets, e ele tem uma doença congênita, né, de de atrofia corporal. E ele encontra ali então no no ambiente dos jogos, né, no eu acho que é World of Aircraft o o jogo e ele tem um personagem chamado Belim e ele encontra ali o toda uma comunidade onde se torna o mundo real para ele. E aí é interessante pensar que mesmo que ele tenha se tirado dessa vida social forçosamente por uma questão de uma doença, ele encontrou ali um lugar de acolhimento. O que seria diferente, né, de desse game disorder que a Organização Mundial da Saúde em 2018, né, inclui ali, né, como um transtorno mental. Uhum. Então é importante olhar por esses lados, né? Isso. É verdade, é verdade, né? É, é. Na verdade assim, a internet, a tecnologia, né? Tudo tem aí as duas vertentes, os dois lados. A gente precisa de tentar equilibrar, porque tudo que você alimenta cresce. Se você alimentar pro mal, claro que vai crescer e pro bem também. A gente precisa ter um equilíbrio. Agora você fala de jovens, né? Então, olha só, dados da USP mostram que 10% das crianças e adolescentes terão algum transtorno de ansiedade, né? Então, quando a gente fala de tecnologia, eu pergunto para vocês como as fobias digitais eh estão impactando o desenvolvimento eh escolar, psíquico, social, eh, dessa nova geração? Qual que é a avaliação que vocês fazem? Começando pela pela Isabela, né? Qual que é a avaliação que você faz dessa questão aí dessa nova geração e eh da do uso exacerbado das tecnologias? a gente sabe que tem uma data certa para que a gente possa dar o celular paraa nossa criança, mas a gente sabe também que às vezes o celular é a única maneira que a mãe encontra num momento específico de que aquela criança fique, entre aspas, confortável, né? Então, qual que é a sua avaliação, Isabela, referente às novas tecnologias, a questão dessa fobia e essa nova geração que vem surgindo? Olha, Rub, eu acho importantíssimo a gente fazer uma diferenciação entre um uso esporádico, que é esse que você tá comentando, né? Então, em algum momento aquela mãe precisa de uns 5 minutinhos, uns 15 minutinhos para fazer alguma coisa, ela coloca a criança para assistir e ali ela fica. Então, temos esse uso esporádico, mas temos o uso nocivo. Eu acho que é importantíssimo a gente eh comentar que para crianças de até 2, 3 anos não existe o uso eh tempo de tela seguro, né? Então, para uma criança, para um bebê, sempre vai ser melhor que ele possa estar junto de um adulto fazendo alguma coisa do que estando na tela, porque nesse momento, dos dois aos tr anos, a gente tá desenvolvendo uma tarefa muito importante pro nosso desenvolvimento psíquico, que é a tarefa de ficar só na companhia do outro. Então, eh, cenas que eram muito comuns antigamente, né? Da mãe tá passando uma roupa e a criança tá no chão brincando com seus brinquedos, da mãe tá cozinhando, da mãe ou cuidadora, né? Eh, tá cozinhando e a criança poder estar ali entretida com coisas da casa, com coisas da vida. Então, nesses primeiros anos, é importantíssimo dizer que a tela é sim prejudicial. Então, quanto menos a gente puder, ã, dar telas para os nossos bebês, melhor, né? Então, a interação humana sempre vai ser melhor nesse sentido. Já diante de crianças maiores, é interessante que a gente pense que não tem como evitar ã que elas tenham esse contato. O que é interessante é a gente pensar numa limitação, numa limitação de tempo, numa limitação do que aquela criança vai assistir, sempre tá atento ao controle parental, porque é alguma coisa que nós ainda estamos aprendendo a lidar e já estamos vendo muitos prejuízos, né? Então, é, ultimamente a gente tem visto muitas escolas que aderiram a livros digitais, perceberam nesses últimos anos que o rendimento das crianças vem caindo e que é prioritário que a gente volte a usar papel e caneta. Então, eu acho que essa é uma analogia muito interessante pra gente pensar ã em que momentos a gente deve usar tela, em que momentos a gente deve usar papel e caneta. Excelente. Eh, faz diferença, né, a tele, o papel e a caneta. Faz quanto tempo que você não pega um papel? Tem uma caneta aí na sua casa, onde está, né? Você sabe onde tem uma caneta? Quanto tempo faz que você não escreve? Não é? Se a gente para para analisar toda essa questão que a Isabela falou eh dos do futuro dos nossos das nossas crianças, né, Rodrigo, com essa questão da tecnologia, a gente pode entender que é o seguinte, a tecnologia ela vem na velocidade da luz, ela tá eh a cada dia é uma atualização e a nossa educação tecnológica, ela não tem acompanhado, então a gente tá aprendendo todo dia, né? Então, eh eh somos um autodidata da tecnologia, tipo assim, como é que eu vou conviver com isso tudo? E a gente precisa aprender. E nessa questão das crianças com as telas, isso precisa ser levado muito em consideração, porque como a gente tá falando hoje aqui de fobia da tecnologia, imagina uma criança aí com 2 anos de idade já com o celular, vamos colocar aí que ela utiliza esse celular por 5, 6 anos. É óbvio, gente, que vai acontecer alguma coisa. Por quê? Porque essa criança ela vai ela vai ficar exacerbadamente no celular. E gente, infelizmente eu não sou aqui especialista para falar, mas vai chegar um momento em que vai saturar. Concorda comigo? em gênero, número e grau. É importante nós pensarmos que no desenvolvimento infantil, né, nas primeiras idades, a plasticidade cerebral, o quanto a criança aprende, o quanto ela capta de informação, é muito importante até pra definição da personalidade da criança, do desenvolvimento psicossocial. E o celular, o tablet, ele virou a nova mamadeira, a nova chupeta, né? o o muitos pais por uma questão social, por uma questão de trabalho ou até mesmo de conforto dão para as crianças ali o acesso irrestrito à tela. E isso vai fazendo com que a a até a plasticidade cerebral da da criança vai entendendo ah aquilo dentro de uma proposta de que é uma parte minha, né? H. E aí o que acontece quando a criança precisa ser tolida, quando o pai retira, seja para colocar em castigo ou seja, porque não pode usar, gera na criança. E estudos eh neurocientíficos já demonstraram que por meio de ressonância magnética, quando você tira o celular de determinadas crianças, a a mesma parte do cérebro que reage é a mesma parte da dor física. Olha isso. É como se provocasse uma dor física de se machucar. É como se promovesse ali no cérebro da criança eh uma sensação de desespero enorme. Por isso aquele choro desesperador de muit Examente. como se você tivesse tirado parte daquela criança, porque no entender da criança é e à medida que se avança na idade, né, como a Isabela também pontuou muito bem na na fase ali da adolescência, né, quando a criança ela sai daquela eh microinteração que é eh eh é o ecossistema dos pais, da família, dos primos, dos amigos, e vai pra escola, onde é um ecossistema maior, ela tende de interagir, entra a questão do pertencimento, entra a questão de quem tá mais rypado, de que tem mais informação e aí fica um pouco mais difícil controlar esse acesso, mas é muito importante que haja aí uma conscientização. Eh, muitos países da Europa, da Ásia, já estão retirando os celulares, os meios digitais e e promovendo a escrita, a mecanização da escrita, o raciocínio mecanizado ali, porque precisa passar pelo corpo. Uma coisa é você digitar aqui, né, a as palavras, promover um texto. Outra coisa é você precisar pensar, elaborar, formatar e mecanizar por meio da escrita. aquilo que você pretende colocar no papel, né? Excelente. A gente precisa escrever mais, né? Tem gente que pega a caneta, vai escrever, fala: "Nossa, tá doendo o meu punho. Faz quanto tempo que você não escreve?" Vamos lá, vamos, vamos escrever, gente. Sem contar na questão do do da das telas, a fobia que a gente tá falando aqui, não tem como a gente não citar eh os estudos da neurociência que indicam que a luz azul e o fluxo infinito de informações, eles inibem a produção de melatonina e aumentam o cortisol. Olha só como o nosso corpo responde, né? O resultado, o que que é? Uma sociedade que dorme mal, vive em constante estado de estress e alerta, gente. Estress e alerta. Você já parou para pensar isso? Sem querer? E eh a gente fica estressado e às vezes você só tá com o celular na mão e você tá num strress assim que nível hard, né? Mas por quê? Será que é essa hiperconectividade que acaba afetando a nossa concentração e também a nossa memória, né, a curto prazo no dia a dia, né? Então, a gente precisa, de repente, fazer um detox digital. Eh, será que é possível fazer um detox digital? Vamos imaginar Campinas aqui. Campinas é uma cidade super conectada, né? O trabalho, serviço, gente, eh, vamos colocar uma porcentagem, 80%, 90%, depende do celular, da tecnologia ou 100%, né? Então, como é que a gente vai fazer para ter um detox digital onde a gente vive eh 100% conectado e precisa dessa conexão para trabalhar e para sobreviver? Que que você me diz? É um assunto delicado, né? [risadas] Inclusive para nós profissionais da área da saúde mental, né? Eh, depois que entrou a pandemia, boa parte dos consultórios eles adentraram formato online e até pro terapeuta, o tempo de tela ele é muito maior, o tempo de atendimento é maior. Eh, houve uma uma atualização, uma ruptura naquela questão do do paciente entrar em contato com analista ou com o psicólogo no momento da sessão. Hoje é constante. Então é comum que quando você está atendendo o paciente no formato online, o telefone tá tocando, chega mensagem no WhatsApp, e e fica aquele hiperestímulo. Aham. Hoje boa parte da sociedade vive e depende do do celular, mas é interessante colocar num modo silencioso, é interessante dormir longe do celular, colocar ali, voltar para um despertador mais analógico, mais antigo, mas poder até pela frequência de herz que você fica ali a a todo momento acessando quando você está com aparelho próximo, né? Muitos estudos indicam isso, que é importante que nós possamos, inclusive tem até retiros hoje que promovem um um outdo celular, né? As pessoas vão para retiros que elas precisam deixar o celular ali na recepção, ele fica de uma certa forma guardado para que a pessoa possa ter uma interação maior com o real, né? Com a vida real. Pois é, gente, precisamos, né? O real aqui, o agora e claro, tecnologia vem para melhorar, né, a nossa vida. é o nosso trabalho, mas a gente precisa eh aprender a equilibrar tudo isso. E a gente aprende todo dia, né? Não tem como, não fomos ensinados. Isso não tava na escola lá. Eu não aprendi na escola que eh em 2026 e até uma mega tecnologia que nós íamos ter inteligência artificial. Não. Então a gente tá aprendendo dia a dia e a gente precisa aprender a equilibrar toda essa questão pra gente ter uma saúde mental aí mais tranquila também. Agora faltando 10 minutos para as 9 da manhã. Ah, produção avisando. Vamos lá então com as perguntas dos nossos telespectadores. Pode colocar na tela, por gentileza. Vamos simbora produção. Natália Lopes da Vila Industrial. Trabalho no computador o dia todo e mesmo assim chego em casa e vou direto pra tela. Não é só você, Natália. Como criar uma rotina de descanso de verdade. Vamos lá então, Isabela, responder a nossa telespectadora, por gentileza. Eu não tô conseguindo ver o nome da da tela aquiadora, mas isso, Natália. Então, Natália, eu acho que o mais importante é a gente pensar o que esse tempo de tela em casa está te roubando, no sentido de que outras coisas podem ser feitas pra gente pensar esse uso da tela como alguma coisa que pode ser limitado. Então, eu acho que a coisa mais saudável que a gente pode fazer em relação a uma rotina de descanso é ter uma limitação, evitar usar o celular na cama, porque como o Rodrigo tava comentando, né, existem mesmo muitos estudos a respeito do quão prejudicial paraa nossa saúde é toda essa conectividade, toda essa tela azul e os distúrbios do sono, eles são um dos indicadores mais importantes de prejuízo ã diante das telas. Então, se o seu sono tá comprometido, é interessante que a gente olhe para isso de uma maneira a limitar esse acesso do celular a você também. Excelente, Isa. Agora vamos lá. 8:51. Mais uma perguntinha na tela pra gente. Obrigada a você que tá participando, que tá conosco aqui na TV Câmara Campinas, estúdio Câmara ao vivo. Hoje falando sobre fobias, né, eh, digitais, essa tecnologia exacerbada e a gente que precisa ter equilíbrio. O Felipe Arantes do Swift, sinto um vazio estranho quando fico desconectados da desconectado das redes sociais. Esse sentimento tem relação com insegurança ou dificuldade de lidar com o silêncio? Nossa, silêncio, né? Silêncio faz bem, né? Não. [risadas] Vamos responder o Felipe. Vai lá, Rodrigo. Felipe, é importante você pensar em dois conceitos, solitude e solidão. Uhum. Solitude é você querer estar com você, querer estar sozinho, promover ali um tempo de autoconhecimento, de autogestão de si mesmo, até de regulação. E a solidão é aquela sensação de de estar só, né? Eh, eu estou descolado ali de uma vida cotidiana, de uma vida real, de uma vida com outras pessoas. O que é importante você pensar quando você dá o off das mídias, quando você dá o off das telas, é pensar assim: "O que eu quero promover para mim nesse momento, no real, é ir a um café, é fazer uma aula de dança, é praticar algum esporte, é promover algo que me alimente, algo que alimente a minha alma, algo que me deixe feliz." Então, o importante seria você olhar para uma forma de você aproveitar o seu tempo com você mesmo ou com amigos ou com familiares, mas que você possa fazer coisas no real, no presente e deixando um pouco esse ambiente digital de lado. É, é, é uma construção, né? É uma construção de um novo comportamento. Aos poucos você consegue, faz igual eu. Chegou em casa, fez tudo que precisar fazer no celular, desliga, né? Desliga porque ele tá desligado. Aí vai demorar para você ligar o seu cérebro. Vai falar assim: "Ah, meu Deus do céu, ten que ligar o celular". Então, acaba e deixa ele lá desligadinho. Vai fazer uma caminhada, vai cozinhar, vai fazer alguma coisa gostosa para você e pras pessoas que você ama. Tá bom? 8:54. Poxa, não dá tempo para mais nada. Temos que entregar porque a Íria, a nossa jornalista de inteligência artificial, tá vendo só como vem para agregar, né? tá chegando direto da Central e a de informações da TV Câmara Campinas, trazendo informação aqui de Campinas, do nosso legislativo Brasil e Mundo. A gente agradece você que acompanhou o nosso programa e agradecemos também os nossos convidados. Começando pela Isa. Muito obrigada pela sua participação, pela sua presença e pela sua entrega aqui no programa. Gratidão, Isa. Obrigada, Rúbia. Obrigada, Rodrigo. Valeu, Rodrigo. Obrigada, viu, pela sua troca e com a Isa, a entrega e tanta informação legal que é importante a gente, de repente absorver, né, 1 2% do programa de hoje pra gente levar pra vida, porque a tecnologia ela está em mutação constante, mas a gente também, não é? Exatamente. O Rú, eu agradeço o convite, agradeço a Isa, agradeço a você e é sobre isso, é sobre nos atualizarmos, mas de uma forma que possamos viver com a tecnologia de uma maneira saudável e não dependente. Exatamente. E você que nos acompanhou e repensou o seu uso das tecnologia, das tecnologias hoje, olha só, a tecnologia, gente, deve ser uma ferramenta de liberdade, né, e não uma céula invisível. Se o seu celular dita, o seu humor, a hora de desconectar, eh, para reconectar consigo mesmo, você precisa dar uma analisada, né? Parar um pouquinho, fazer uma autoanálise. A vida acontece onde a sua atenção está. Então, se você dá atenção totalmente para o seu celular ou então pro equipamento da tecnologia aí da sua casa, a vida vai acontecer ali. Então, experimente olhar pro clima, né? olhar lá fora, perceber o mundo além das telas, né? É algo assim que a gente para para pensar, falar: "Nossa, mas ó que você tá falando para mim, a vida é tão corrida, eu sei, a minha também é, né? Mas a gente precisa ser dono do nosso próprio tempo." É, é, é desafiador? Claro que sim, mas a gente consegue. Mas isso precisa ser 1% por dia, sabe? Não se cobre tanto, sem julgamento, mas é importante a gente tentar pra gente poder dar uma equilibradinha entre o mundo real e o mundo digital da tecnologia, tá bom? Um grande abraço para você. Amanhã estúdio Câmara ao vivo a partir das 8 da manhã. Amanhã, gente, convida todo mundo para assistir isso. Nossa, eu e a produção pesquisando sobre o tema de amanhã. Olha, tem muitos pontos importantíssimos que nós precisamos falar sobre a saúde masculina, mas falar sem tabu, sabe? É hora da gente quebrar estigmas e entender que o autocuidado é um ato de coragem, prevenção do câncer de próstata, saúde cardiovascular e mental. O homem que se cuida, ele vive mais e melhor. [música] Então a gente amanhã nós vamos falar com especialistas, tá? sobre a saúde masculina. Você sabe porque o homem ele é um pouquinho relutante em cuidar da própria saúde? Nós vamos falar sobre isso também. Então, fica com a gente. A programação da TV Câmara Campinas está excelente, [música] especialmente preparada com muito carinho para você que tá aí do outro lado. E não esqueça, o meio-dia Câmara Notícia com informações também do legislativo e de toda a nossa metrópole. E eu entrego agora pra Íria que ela vem chegando com informações direto da central de informações aqui da TV Câmara Campinas. [música] Beijo grande, se cuide e até amanhã. Ciao [música] [música] [música] [música] [música] [música] Ei, tá me ouvindo, Isa? Да.