Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do estúdio Câmara ao vivo para você. Hoje, quinta-feira, dia 15 de janeiro. Bom, o tema de hoje é instigante atual e mexe com todo mundo, mas mexe mesmo a relação entre os filmes, as séries e as nossas emoções. Será mesmo que aquilo que a gente assiste interfere no que a gente sente? Filmes e séries tem um impacto profundo sobre a forma como a gente pensa, como a gente sente, como a gente interpreta o mundo ao nosso redor. Muito além da diversão, essas narrativas moldam nossa percepção sobre relacionamentos, sucesso, felicidade, conflitos e até mesmo, gente, sobre o que que a gente considera possível ou aceitável na nossa vida real. Você sabia disso? Quantas vezes você assistiu aí um filme e acabou chorando? Ou assistiu um filme e no final ficou muito triste ou então assistiu um filme e deu muita risada ou começou a assistir um filme e até dormiu, né? Então a gente quer ouvir você que tá aí do outro lado, manda sua mensagem pra gente, compartilha uma situação que você viveu através de emoções ao assistir um filme ou uma série. Já chorou, se identificou? se apaixonou por um personagem ou até mudou de opinião sobre algo depois de assistir uma história. É, nosso WhatsApp tá na sua tela, 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. As nossas entrevistadas já estão aqui. Daqui a pouquinho a gente apresenta elas para vocês e vai mandando aí a sua mensagem, vai falando sobre as suas emoções e os filmes, tá bom? Agora vamos atualizando informação para você. Você que está procurando uma oportunidade para voltar ao mercado de trabalho ou quer abrir o próprio negócio, na próxima segunda-feira, o CPROCAMP abre inscrições para mais de 2100 vagas em cursos gratuitos. Olha só, tem opções para padeiro, confeiteiro, cuidador de idosos, porteiro e até marketing digital. São cursos práticos com duração de eh 10 a 20 semanas, focados eh no que as empresas de Campinas realmente precisam. As inscrições devem ser feitas presencialmente na unidade onde você quer estudar, tá? Não esqueça de levar RG, CPF, comprovante de endereço e de escolaridade. Quer conferir a lista completa de cursos? Então acesse o site fumec.sp.gov.br/cprocamp. É a chance de começar o ano novo com uma profissão nova. E agora vamos falar de segurança e tecnologia. Campinas tem uma nova legislação para o monitoramento das nossas vias. A prefeitura sancionou a lei 16.865 865 de autoria do vereador Igor Diego. A norma estabelece, gente, que a partir de agora a prefeitura deve priorizar a tecnologia OCR na instalação de novos radares de velocidade. Essa tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres permite a leitura automática das placas dos veículos, ampliando ampliando muito a fiscalização do tráfego urbano. É, o ponto principal é dessa dessa lei é que todas as imagens capturadas por esses equipamentos, elas devem ser enviadas diretamente ao Centro Integrado de Monitoramento de Campinas, o SINCAMP. O objetivo é usar esses dados em ações de segurança pública, ajudando na prevenção de crimes e também de acidentes de trânsito. É a tecnologia sendo usada, né, como ferramenta estratégica para proteger a nossa cidade. Bom, previsão do tempo para hoje. Vamos ver como é que fica o tempo aqui na cidade de Campinas, né? Amanheceu o tempo meio diferenciado, tem um sol, tem uma nuvem, então a gente segue assim, tempo nublado agora de manhã, tá? E à tarde, de acordo com a previsão do tempo, podemos ter temporal e noite com muita chuva. A mínima hoje foi de 20, a máxima de 28º. Agora sim, vamos ao nosso tema central, a apresentação das nossas convidadas. E é claro, é muito fascinante como o cinema funciona como espelho da nossa vida, né? As telas elas traduzem nossos medos mais profundos, desde a finitude da vida até o pavor de crises globais, como a pandemia. Inclusive aqui no Brasil, pesquisas apontaram que o consumo de streaming cresceu de forma expressiva durante a pandemia, no isolamento. As pessoas buscavam histórias eh na buscavam nas histórias, aliás, uma forma de processar a solidão, a ansiedade e a incerteza. O cinema deixa de ser só pipoca e diversão para virar então uma ferramenta de saúde emocional e coletiva, ajudando a dar nome ao que a gente sente, né? Então lá, vamos lá. Seja amor, seja no luto, na raiva, na esperança, a gente precisa entender um pouquinho mais sobre eh como o cinema, né, os filmes, as séries, as novelas, enfim, mexem com as nossas emoções. Então, a gente recebe duas especialistas aqui hoje. A gente é dá as boas-vindas, aquele bom dia especial pra Juliana Fida, ela é psicóloga, clínica e terapeuta. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Prazer te receber, Juliana. Bom dia, gente. Muito obrigada pelo convite. É um grande prazer estar aqui. Prazer é todo nosso. Para completar a nossa dupla de hoje, Jéssica Coslique, neurologista, seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia. Bom dia. Muito obrigada pelo convite. Uma honra poder participar aqui com vocês. Honra é toda nossa para falar de um assunto tão interessante e que está presente no nosso dia a dia. E às vezes nós não temos a visão que vocês, né, t. Então hoje vai ser uma entrega bem interessante para você que tá aí do outro lado, que costuma assistir streamings, filmes, se apega naquela novela, sofre com o personagem. Juliana, o ser humano é por natureza um contador de e e consumidor de histórias, né? A gente gosta de falar de histórias, de consumir histórias, desde as pinturas rupestres até o streaming de hoje. Então, por que por que a gente se envolve tanto emocionalmente com os com os personagens que se a gente parar para pensar, eles nem existem, mas eles mexem com as nossas emoções. Uhum. Olha, Rúbia, primeiramente, porque existem muitos personagens, né, eh, que eles são construídos com uma complexidade tão detalhada, eh, que gera identificações das pessoas, né? Então, nós espectadores, a gente identifica no personagem características que nós mesmos temos, características que desejaríamos ter. Uhum. né? Eh, e também projeta, né, nesses personagens, eh, desejos, desejos de pessoas, desejos de companheiros, né, um biotipo, uma característica. Então, eh, esses personagens eles trabalham muito com as nossas identificações e projeções, né? Eh, e a arte faz isso com o ser humano, né? Essa é a beleza da arte, né? Porque a arte ela também nos traz é esse enriquecimento interior, né? Exatamente. Muito bem. Agora vamos para o ponto de vista neurológico. Jéssica, o que que acontece no nosso cérebro quando a gente assiste a uma cena emocionante? Vamos lá, de amor ou de perda ou de superação. Que áreas do nosso cérebro são ativadas? Eh, o nosso cérebro ele entende aquilo quase como uma como uma experiência real, porque a gente sente e sente muito. O que que acontece? Ah, pra gente ter uma uma ligação com o que a gente tá assistindo, com a música que a gente tá ouvindo, com o filme, a gente precisa, tem uns neurônios que a gente chama de neurônios em espelho. E esses neurônios em espelho, eles fazem o que a gente chama de empatia. Então, eles que fazem essa conexão com o que a gente tá vendo, com o que a gente tá ouvindo. Sim. E esses neurônios, eles foram descobertos há não muito tempo atrás, em torno de 2010, mais ou menos, foram quando eles foram descobertos. E eles fazem essa conexão, essa esse primeiro esse primeiro essa primeira liga eh em relação a essa emoção. Uhum. E além disso, a gente tem um outro uma outro sistema dentro do cérebro que a gente chama de sistema límico. E o sistema límbico é quem é o responsável pela regulação das nossas emoções. Sim. Então imagina comigo que a gente tá vendo uma cena, não necessariamente um filme, pode ser uma cena na praia, pode ser em qualquer lugar. Essa cena entra pelos nossos olhos e ela segue duas vias, tanto uma via curta, rápida, pra gente reagir rapidamente aquilo, seja no sistema de luta, de fuga, aquele sistema rápido. E a gente tem um outro sistema um pouquinho mais longo que vai direto no córtex visual. E desse córtex visual ele volta pra região do sistema límbico e aí ele modula o que que a gente tá entendendo, o que a gente tá vendo. Então assim, emoção como um todo é uma coisa extremamente fascinante. O sistema límbico por si só, ele não é, a gente tem algumas estruturas chaves, mas a depender do autor, da publicação, tem algumas estruturas a mais que são inclusas nesse sistema límbico. E aí a gente e daí a gente tem o medo, tem o amor, tem a o choro, a tristeza nessa, então é uma integração entre os neurônios e espelho e o sistema limpo. Gente, que coisa mais linda, né, Juliana? Ela foi falando, a Jéssica falando aqui e eu imaginando o ser humano é a nossa mente é fantástica, né? O nosso cérebro funciona de uma forma maravilhosa. Que explicação linda que você deu e mexe demais com as nossas emoções. Gente, eu não, eu não presto para assistir filme porque eu saio chorando. Você sabe que até às vezes assistindo programa dominical na TV eh algo assim que não é tão emocionante, mas eu tô chorando. A filha olha para mim e fala: "Mas você tá chorando?" Eu: "Não, não estou. Eu não estou, mas eu estou chorando." Então assim, as emoções elas ficam afloradas. Agora tem um detalhe aí, eh, Juliana, da das nossas emoções. Depende também da situação que nós estamos vivendo, que a aquele aquela determinada cena vai nos afetar e isso vai paraa elevação, quanto vai tanto pro alto quanto para baixo também nas nossas emoções, né? Sim. Isso é uma coisa e importantíssima da gente ressaltar, né? Eh, aliás, a explicação que você deu maravilhosa, né? Super didática.É, eh, e só mostra assim a nossa complexidade, né? Como nós somos eh uma máquina perfeita, né? É impressionante. Eh, mas voltando à sua pergunta, né, Rúbia? É por isso que é muito importante a gente estar muito atento ao nosso momento de vida, né? Então, por exemplo, eu vou dar exemplos. Eu acho bacana a gente trabalhar com exemplos, né? Eh, eu me lembro que quando a minha filha ela, ela era adolescente, surgiu aquela série da garota que gravou ah as fitas de um eh um bullying que ela sofreu na escola, né? E coincidiu a idade dessa personagem, né? Eh, com a idade que a minha filha estava. Eh, então assim, eu fui assistir a série primeiro porque eh muitos adolescentes levaram essa série paraa clínica, né, porque foi uma série muito impactante, né? Eu acredito que a produtora dessa série foi a Selena Gomes, inclusive, que eles têm uma identificação muito grande, né? E também fui assistir por conta de ser uma mãe na época de uma adolescente, né? E aquela série assim, ela me pegou eh porque eu fui descobrindo, né, eh, coisas desses adolescentes que vivem hoje e que a gente não consegue ter muito acesso. Exato. E no fim dessa série, eh, já é sabido desde o primeiro capítulo, ela comete o suicídio, né? E e eu me lembro que assim eu fiquei em choque, né? Eu fiquei em choque assim de ver uma personagem que ela foi muito bem representada, foi muito bem escrita, eh, de achar que aos 14, 16 anos não tinha mais saída, né? Que aquela situação que ela vivia era irreversível, né? E aí, como os pais daquela personagem, eles não sabiam que o que tava acontecendo com ela, eles não tinham ideia do que tava acontecendo com ela, né? E aí, eh, trouxe a mim várias reflexões assim, será que eu tenho conversado o suficiente com a minha filha? Será que eu tenho eh buscado saber como que é a vivência dela no contexto escolar, né? Então eu acredito muito que essas experiências que nós temos, né, com a arte, qualquer tipo de arte, né, nós temos que aproveitar essas situações para fazer essa autorreflexão. Uhum. Né, para nós podermos amadurecer o nosso processo de autoconhecimento, né? Eh, e acho que essa é a beleza da arte, né? Eh, essa outra série, adolescência do ano passado, né? Como ela pegou todo mundo, muita gente, tá sendo super premiada, inclusive, né? Eh, por é um tema que mexe muito com a gente, uma criança, né, no no começo da vida, né, já passar por tudo aquilo, né? Eh, e a gente sabe, né, nós adultos, que tudo passa, sim, né, que tudo tem um jeito, não é? É verdade. Porque a gente vive na adolescência, a gente consegue processar na vida adulta, que a gente nunca mais vai encontrar aquelas pessoas, não é? É verdade. Faz todo sentido, né? E então, no seu caso, serviu como eh um alerta, né? Um um uma viradinha de chave, né? É assim, eh, será que o que que eu posso melhorar, né? E isso é interessante porque ativa um outro sistema, né, que é o sistema de você e alerta para você se olhar, para você e eh olhar pra sua relação, família Exatamente. Exatamente. Todas as experiências são válidas pro nosso crescimento. A gente precisa tá aberto. Então, eh, se você consegue ouvir uma música e daquela música extrair eh um sentimento, extrair uma reação, é sempre válida, sempre. Vale de uma conversa num cafezinho, vale de um filme, vale numa música, vale numa série. A gente tem que estar aberto para poder ouvir, para poder sentir tudo isso. Eh, tem assim, eu confesso que eu não assisto muitas séries porque eu tenho duas crianças pequenas, então eu tenho uma filha de cinco e uma filha de 3 anos. Então eu assisto desenhos. Desenhos vocês podem me perguntar sobre desenhos que eu assisto todos. Mas eh é curioso como hoje assistir um filme que tem uma relação pai e filho, mãe e filha para muito além do dos meus pais, mas hoje sendo mãe, o quanto isso toca em alguns pontos da da da nossa da nossa cabeça, do nosso cérebro e pra gente também, pera aí, isso aconteceu comigo, eu não quero que aconteça com a minha filha, como é que eu vou fazer diferente? Que passo que eu vou seguir para ser diferente com ela? Uhum. Então, de novo, é tá aberto para poder sentir tudo isso e projetar diferente. É, e isso é interessante, né? Porque depende também dessa abertura e de algo que a gente vai eh estimulando ao longo da nossa do nosso amadurecimento, que é o processo de autocrítica, né? Eh, a gente tem que desenvolver isso porque senão a gente fica paralisado, né? Senão nós sempre vamos eh responsabilizar o terceiro, né? É sempre a culpa do da outra pessoa. É o meu filho que fala comigo de uma maneira eh grossa, é meu marido que fala comigo de uma maneira assim. Falou: "Ih, e mas e eu?" Uhum. né? Então, eu acho que tem muitas séries, muitos filmes. Eu sou apaixonada por filme, por séries, né? Se eu puder, o meu final de semana inteira eu leio, eu vou buscar referências, né? Eh, e é engraçado porque eh quando eu eh eu tava para decidir a minha carreira, né, lá nos meus 16, 17 anos, eu queria fazer artes cênicas. Legal, que legal. E depois, né, naquela época ainda era muito mais difícil, há 30 anos atrás, né, eh, eu acabei a faculdade, a psicologia, eu fui fazer psicodrama. Humum. né, que é uma vertente da psicologia que nasce, né, do teatro, né, dessa construção, né, do que do impacto, né, eh, das cenas, dos personagens nas nossas emoções. E é utilizado isso em consultório, né? é utilizar os filmes, vocês utilizam, qual que a importância e eh dessa desse vínculo assim entre a o a vida eh real e eh os filmes, né, a afecção para um um tratamento assim dentro do do consultório. É, na na questão assim do psicodrama, né, ele é muito legal porque e ele tem várias ferramentas assim, né? O psicodrama inclusive para trabalhar com grupos é fascinante porque você coloca as pessoas para viverem o papel das outras e aí você estimula essa empatia, né, que você tava falando, que é fundamental pra gente, né, Jana? Eh, o psicodrama, eu eu tive acesso ao psicodrama como estratégia quando eu tava fazendo a minha pós em dor e a e era uma das estratégias para tratamento de dor, tratamento de dor crônica. Então, eh, imagina um hospital como o HC da USP, o volume de pacientes que tem, fazer abordagem psicológica, psicoterápica com cada um individualmente é muito complicado. E o psicodrama como estratégia de eh conseguir trazer várias pessoas para essas interpretações é excelente. É só complementando a respeito do que a Rúbia falou de trazer o eh esses cenários pro mundo real, eu atendo muito paciente com Alzheimer. Sim. E é muito difícil pros familiares de um paciente com Alzheimer entender o que passa na cabeça do paciente, porque ele não tá todo o momento do dia 100% lúcido do que tá acontecendo, 100% consciente do que tá acontecendo. Então ele tem momentos que ele fala eh uma frase completamente coerente com aquela realidade e outra que não tem nada a ver com o que tá acontecendo naquele dia. E tem um filme muito legal que chama Pai do Anthony Ropins, né? Fantástico. É um filme fantástico e que ele traz o cérebro do paciente com Alzheimer. Aquele tem hora que você não sabe o que que real, você não tem ideia. Então tem, claro, tem outros filmes, eh, que O Diário de uma Paixão, eh, e tantos outros que trazem o outro lado, lá tanto do cuidador. Uhum. Uhum. Mas não tanto o sofrimento do paciente com Alzheimer, pai. Eu acho que é um dos melhores filmes que trazem o sofrimento do paciente sobre o ponto de vista do paciente. É, então é é bem interessante, é é muito confuso pro o telespectador compreender eh qual é o momento, o que de fato tá acontecendo eh com aquele senhor, né? E também eh tem uma peça de teatro pai, é o mesmo texto para o mesmo texto não, né? O mesmo eh cenário, roteiro com o Fúvio Stefanini que eu fui assistir e que é fantástico também. Que legal, né? Eh, então assim, eh, e aí também tem o impacto muito da família, né? que ele tem uma filha e a filha fica completamente perdida naquele cenário. Exatamente. Gente, e essa questão aí do filme e da do filme da da das telas em si, né? Se a gente souber tirar proveito positivo de tudo que nós temos nas nossas mãos, eu acho que eh seria muito benéfico. Mas, infelizmente, hoje, né, nós temos aí essa questão eh eh do uso exacerbado de telas e e desses eh filmes curtos, né? É, a gente tá falando aqui eh de psicologia, de filme, eh eh de como os filmes eles regulam ou desregulam as nossas emoções. E eu quero dar uma pincelada sobre as telas nessa questão da da neuro eh eh neurologia, sobre essa esses filmes curtos que existem, né, nas telas, no Instagram, eh eh na nas redes sociais, o que isso faz eh na nossa mente? Eu eh nós tivemos um programa aqui que nós falamos de empodrecimento cerebral. Ô gente, isso é tão complexo e ao mesmo tempo chocante, né? Porque a gente anda consumindo ã filmes curtos e o nosso cérebro ele vai pedindo mais e mais e mais. Explica pra gente já que nós estamos falando de emoções ligadas a filmes, né? Então, é, é, são as telas mesmo e e os filmes curtinhos eh vem de uma forma que acaba viciando e a gente vai perdendo um pouco a noção do tempo. O que que acontece no nosso cérebro? Eu brinco sempre no consultório que tanto os aplicativos de compra vale para aplicativo de compra, compra para esses para esses vídeos curtinhos de 10, 15, 30 segundos, é a dopamina mais vagabunda, mais barata que a gente tem. Uhum. Então, eh, uma coisa é você experimentar uma droga e nunca mais entrar em contato com aquela droga. Você ainda assim fica com aquela memória fixada. Outra coisa é você consumir aquela droga todos os dias, todos os dias, todos os dias. Então você vai dependendo progressivamente mais daquela dopamina barata. Então, muitas vezes a estratégia para alguns pacientes e tem até um pediatra muito legal que eu gosto muito do trabalho dele, é: "Vamos dormir, então você vai pegar o celular, colocar no cofre, colocar longe, colocar no banheiro, fecha, tranca a porta do banheiro." Porque se você no meio da madrugada levantou, foi no banheiro, pegou o celular e dá aquela vou abrir o Instagram, fechar é o suficiente para você ligar o teu, para você inibir a tua melatonina. Então você vai interromper o teu sono, você vai de fato interromper. Você liga um sistema de alerta, então você vai ficar ligado, você interrompe a qualidade do teu sono e você não consegue conscientemente falando, eh, só vou ver só um. Não, não, né? De novo, é a dopamina barata, teu cérebro pede mais. Uau! É um sistema literalmente de recompensa, não é uma droga, uma dopamina barata. Então você fica naquilo. E quantas vezes, quantas vezes no dia a dia eu falo pros pacientes desliguem os seus aparelhos 2 horas antes de dormir é fácil? Não é não é não é então desliga e aí a gente vai fazer uma rotina de sono. Vamos fazer uma higiene do sono adequada e não vai pegar o celular de novo. É até acordar de manhã. Tem várias escolas, inclusive que tem orientado os pais para aquelas viagens de final de ano. Vamos pra escola, não levar o solar, câmera digital. Então agora tá tendo uma uma busca gigante para câmeras digitais. Leva a câmera digital, vai ter o celular do professor e aí os adolescentes levam a câmera digital ou aquelas aquelas outras, agora me fugiu o nome também, que são mais simples, que fazem a foto imediata. Sim. também leva aquilo. Se é para tirar foto, vamos, vamos tirar foto e vamos viver aquele momento. Sai do celular. Uhum. Então, claro, quando eu falo celular, eu tô falando de celular, eu tô falando de tablet, eu tô falando de tudo isso. Tem algumas pesquisas que sugerem que é muito mais interessante os nossos filhos voltarem a assistir um canal de televisão. Então, ele vai ter que ter a paciência de ter intervalo. Exato. Eu vou ter que esperar o intervalo. Se eu quiser fazer o xixi durante o programa, tem o intervalo. Vai lá e volta. Nós tivemos isso, sim. Os nossos filhos não têm mais isso. Então, ah, eu quero mudar de desenho. Hum, o próximo desenho vai demorar uma hora. E tem uma questão aí, né, eh, que nós da psicologia a gente conversa muito sobre isso, que essa informação das telas, né, do Instagram, Twitter, é o fast food da informação. Exato, né? Sim. Então, e dá aquela sensação de que em 15 segundos você tá super enfermo, você adquiriu o conhecimento. Verdade. E é um conhecimento extremamente superficial, né? Eh, é um conhecimento, né? eh, que nada mais é do que uma repetição de algo que se ouviu. Então, você acaba eh não ã estimulando partes, né, do nosso cérebro, eh, de uma concentração eh mais exigida, eh, de uma linha de raciocínio mais profunda, eh de uma linha de raciocínio mais contínua. Então, o quanto isso não tá interferindo nos diagnósticos de TDH, o quanto isso não tá interferindo na questão de estudo, tempo de estudo, né, e fora que a gente tá perdendo, né, o interesse pelos aprofundamentos. Exatamente. E aí a gente pode trazer a questão dos filmes e das emoções, eh, interligando com o celular e essa rolagem rápida e essa dopamina rápida, né, e fútil, né, que que tá acontecendo com a gente, né, porque a gente fala dos jovens, dos adolescentes, mas se a gente for parar para pensar, a gente também tá assim, né? Nós adultos também estamos assim. E aí, qual que é a importância da gente voltar a assistir filme, da gente voltar de repente a a ao invés de ficar com o celular? Vamos lá, ah, vamos, a gente precisa cuidar com as telas, tudo bem, mas a gente tá falando aqui dos filmes que tem uma conexão com as nossas emoções, então a gente pode ter aí uma autorregulação das emoções também. Então, que tal a criança tá lá toda agitada, tá rolando o celular? E aí, vamos parar? Vamos assistir um filme agora, qual que é a indicação do filme para determinados momentos em que estamos vivendo, porque a gente pode errar também. Se a gente não tá muito legal, você vai assistir um filme de drama, eu não presto. Se eu não tô com a energia muito boa, vou assistir um filme de drama, ah, vou sair dali, pode levar pra psicóloga de SAMU, porque o bicho vai pegar. Então, a gente também tem que ter cuidado com a questão da escolha, né? Então, eu gostaria que você falasse pra gente eh, Jéssica, sobre esse cuidado na questão da escolha e dos momentos em que a gente vive pra gente poder eh ser mais assertivo na hora de de eh forme que a gente vai assistir. A escolha é, eu sempre falo que a escolha ela é pessoal. Uhum. Então, quando a gente vamos ler a sinopse, Sim. Vamos saber do que se trata. um um paralelo um tanto quanto complicado. Foi foi assistir o agente secreto sem ter a menor ideia do que era o filme. Olha aí. E aí, OK. Eu sabia que ele se passava antigamente. Eu não sabia nem que era na ditadura. Uhum. Hum. Então, fui completamente eh foi um rolê aleatório, como os jovens falam, rolê aleatório, mas eh poderia ter dado ruim, poderia não ter sido uma boa experiência, a depender do tipo de trauma que eu tenho relacionado ao ditadura, até veder da história que a minha família carrega. Uhum. Eh, o Wagner Moura falou, se eu não me engano, na entrega do Globo de Ouro, que a gente pode passar os nossos traumas adiante, mas a gente pode passar os nossos valores adiante. Então, eh, quando a gente escolhe um filme, essa escolha consciente em relação a um filme, tem é interessante a gente saber do o que tá se tratando ali, qual que é a cena, qual que é o cenário, será que fazer essa autoanálise, essa autocrítica, será que é o momento adequado para eu ver esse filme? Filme com cachorro. Quem é dono de pet não gosta muito de filme com cachorro porque tem sofrimento, os neurônios em espelho, a empatia, a conexão. Eu não não não tolero ver filme de cachorro porque eu sofro. Então não, desculpa. Então não, esse filme não é para mim. Uhum. É muito mais uma consciência. Porém, se eu estou no momento de sofrimento, vamos para uma água com açúcar, uma mãozinha com açúcar, uma comédia romântica. Uhum. Vamos evitar esse pensamento, esse esse looping de eu vou sentir, eu vou sofrer, eu vou sentir, eu vou sofrer. Não, eu não preciso disso. Vamos pro outro cenário. Eu tô vivendo um momento de muito estress, né? Não vou assistir um filme de suspense, né? Porque eu já tô, né? A gente libera vários neurotransmissores, especialmente em filmes de ação e de suspense. Uhum. que deixam a gente ainda mais estressados, ainda mais irritados. Então, de novo, é o cuidado. Tem um estudo muito interessante a respeito de eh foi foram feitas ressonâncias funcionais em homens e mulheres expostos, por exemplo, a filmes eróticos. Uhum. E como o cérebro do homem é as áreas são a mesma, mas a intensidade Uhum. daquele estímulo pro homem é completamente diferente da mulher. E isso prova que um mesmo filme pro homem e paraa mulher, independente de serótica ou não, ele tem reações, ele gera emoções diferentes. Mas depender do sexo, isso a gente pode expandir pra idade, por isso que tem também as classificações indicativas dos filmes, porque de novo, será que aquele filme que eu tô assistindo, como que ele vai impactar naquela criança? Será que só o filme por si só não é o suficiente para gerar um trauma para aquela criança? Então, classificação indicativa serve para isso, inclusive. É. Nossa, gente, que interessante, né? E o nosso cérebro, ele só registra eh aquele padrão de ele tem distinção, aliás, entre a inspiração, a frustração, né? Ou ele só registra aquele padrão como um registro mesmo, algo, né? Eh, natural. E ele consegue distinguir o que ele tá registrando quando a gente capta aquela a a emoção que tá acontecendo ali no filme? consegue, ele consegue distinguir. Primeiro que a gente consegue, de novo, através do nosso estímulo visual, a gente consegue interpretar aquela emoção. Então, eu tô tendo uma cena de choro, de agressão ou de amor. Eu tenho de novo os neurônios em espelho que vão ter essa essa conexão com aquela cena, gente. Que incrível. O que vai ser fixado daquilo lá depende de vários fatores. Depende de como eu assisti, da hora que eu assisti, se eu dormir. Eh, tem uma, eu participei de um congresso ano passado que foi assim fantástico a e uma das salas falava sobre os sonhos e a importância dos sonhos. Em relação à importância dos sonhos, ele falava que por que que a gente sonha? E uma das das explicações é que o sonho ele torna a humanidade possível, porque a gente limpa, a gente fixa a memória que é importante ser fixada pra nossa convivência como ser humano. Uau! Então, de novo, aquele filme que eu assisti às vezes de manhã Uhum. bem desperta, ele tem uma capacidade de fixação diferente do que um filme que eu assisti no final do dia e eu fui dormir logo em seguida. Então, depende de um conjunto de informações. Uau, interessante. Interessante. É, e isso acho que traz pra gente assim uma uma questão, né, que eh eu sempre acho que a gente tem que fazer essas reflexões, né? Tudo é uma questão do que a gente consome, né? Eh, então assim, a a arte, né, os filmes, as séries, os desenhos, ele é um consumo, né, assim como, por exemplo, a música, a comida, né, de nós estarmos atentos ao que nós estamos consumindo, ao que nós estamos trazendo pro nosso mundo interno. Uhum. Né? o que que esse conteúdo que nós estamos eh trazendo pro nosso mundo interno vem a colaborar com o nosso autodesenvolvimento e o que pode também nos prejudicar e a também aos nossos filhos. Perfeito, né? Então assim, que música que eu tô apresentando pros meus filhos? Que tipo de filme que eu tô apresentando pros meus filhos, né? Eh, porque tudo isso vai impactar, né, nessa composição toda. Exato. Né, dessa personalidade que tá se formando, né? Então, é o que eu sempre falo assim pro pros meus pacientes, né? Eh, a gente tem que eh prestar muita atenção eh aquilo que a gente tá trazendo para dentro de casa, né? aonde nós estamos indo, né? A gente tem que ter essa responsabilidade, né? Qual é o alimento que a gente tá trazendo para dentro de casa? Uau, gente, olha só quanto eh pensamentos eh eh macro, né? A gente pensa micro, elas pensam macro e nos ensinam a a gente aprende todos os dias. Na questão de hoje, a gente tá falando de filmes, né? um simples filme, mas um filme que vai regular a sua emoção, né, tanto pro lado bom, quanto lado positivo, quanto pro lado negativo. Então, como muito bem colocou eh eh a Juliana, é o que nós estamos eh trazendo, né, permitindo eh para dentro das nossas casas o que os nossos filhos estão assistindo, né? Eu acho que fica uma dica legal, eh, pegar o celular, colocar na caixinha, chamar todo mundo paraa sala, assistir um filme, né? Assistir um filme, mas seja assertivo na escolha, né? Converse com os filhos, converse com as crianças, aquele momento, busque informações sobre isso, busque informação sobre e aí vem essa questão da da informação fast food. É, cuidado, né? Cuidado. Como nos aprofundar, ler mais, né? Buscar mais, buscar informações, né? Hum. Verdade. E o filme ele também faz parte, né, do nosso dia a dia. Eh, acho que é um momento de lazer, né, que a gente para, ah, vamos assistir um filme, vamos no cinema. É um momento de lazer, mas é um momento de lazer que às vezes a gente não tá nem percebendo, mas que está regulando lá, autorregulando as nossas emoções, tá mexendo com as nossas emoções. Você chega de repente para assistir um filme no cinema, né? Ai, vou vou dar uma um relax, vou assistir um filme no cinema. você sai de lá muito p da vida, bravo, estressado, nervoso, não sabe por quê? É o tipo de filme que você tá assistindo com o momento com o que você tá vivendo. Então, a gente precisa eh eh ter um pouquinho de noção, né, sobre isso. Mas a gente não sabe isso no dia a dia. Ninguém fala isso pra gente, a gente imagina. Mas aí que bom que vocês vieram que estão esclarecendo que sim, que o cinema, que os filmes eles interferem nas nossas emoções. E falando em cinema e filme, né, a gente tem aí a corrida pro Oscar, tivemos o Globo de Ouro. Eh, essas eh essas premiações, né, elas também mexem com as nossas emoções, porque a gente assistiu o filme, aí a gente sabe que o nosso filme tá lá para ser premiado. E a gente percebe, eu digo que mexe com as emoções, porque o Oscar do ano passado foi eh um evento como se fosse uma Copa do Mundo, né? Algo assim que mexeu com a emoção de todo mundo. Isso também tem a ver com o o sentimento, com as nossas emoções, porque nós assistimos o filme, a gente quer que aquilo dê certo e a gente fica torcendo mesmo sem conhecer ninguém, sem saber de nada, de tipo assim, a pessoa é um personagem, atuou ali, mas a gente tá aqui torcendo. O que que acontece com a gente? senso de coletivo, senso de coletividade, então e também senso de eh pertencimento. Pertencimento. Então isso que faz a gente torcer por times de futebol. As nossas escolhas como um modo geral e tem muito a ver na psicologia. Você sabe falar isso infinitamente melhor do que eu. Esse senso de pertencimento faz, o brasileiro tem isso muito bem. Não são todos os países, não são todas as culturas que abraçam aquele esporte, aquela arte, que de fato aquilo é é de todo mundo. Então, Fernanda Torres quando ganha, todo mundo ganhou um pouquinho. Todo mundo fez, é parte daquilo ali. Sim. E uma coisa assim, para além de tudo isso, é a nossa cultura que tá lá fora, que tá sendo mostrada. Eh, cultura de momento que, de novo, nem sempre nós vivenciamos aquilo. Eu eu particularmente gosto muito de filme histórico e tanto história nossa quanto história Segunda Guerra Mundial, enfim, não é pelo tiroteio, não é isso, mas o que que as outras pessoas viveram que me trouxeram hoje de novo, que valores que elas me passaram que hoje faz parte de mim? Então, eh, em outros momentos da minha vida, eu já falei algumas abobrinhas, eh, e um dia um, um padrinho meu de casamento falou assim: "Você tem ideia do que foi a ditadura dentro do hospital, do HC, do hospital eh que eu fiz a minha residência?" Hum. Eu falei para ele, não tenho a menor ideia, ele vem cá, deixa eu te contar uma história. Como era você não poder dar o atendimento que você gostaria de dar, porque fulano era de um determinado ponto de vista político, ideológico. Então, a gente muda de novo. Se a gente tá aberto a mudar, a gente muda as nossas percepções. É, revê, revisita. Uhum. E é uma e há uma oportunidade, né, além dessa questão, né, que o brasileiro ele tem muito estimulado essa e essa percepção da do pertencer, né, e de ter uma um orgulho muito grande da cultura, né? Acho que essa é uma característica muito positiva do brasileiro, né? Mas acredito que, por exemplo, o o filme do ano passado da Fernanda Torres, né? Eu ainda estou aqui, o agora o agente secreto, ele traz também para nós que temos essa cultura tão empobrecida, né, eh, da a oportunidade, né, do brasileiro ele poder conhecer um pouco mais da própria história dele, né? Então assim, quantas eu fico pensando assim, eu eu sou uma pessoa, eu fui muito estimulada, né, a assistir filmes, séries, né? Eu me lembro, eu tenho recordações assim de infância, eh, a gente tinha aquele vídeocassete com fio da Sharp e nós íamos na eh alugar filme, né? E meu pai deixava, meu pai falava: "Cada um pode pegar um filme", né? Então eu tive essa essa oportunidade, né, esse privilégio de ter contato com filmes e ao cinema muito, né? Eu me lembro Memórias de Infância da gente indo ao cinema em família, né? Mas quantas pessoas não tiveram essa oportunidade, né? Então, e que é hoje, né? Eh, tá assistindo talvez pela primeira vez o filme brasileiro. Exilente. Exato. Né? E e aí abre oportunidade para essa arte brasileira aparecer, para essa história brasileira aparecer, independente de partido, de eh, né, de questão política, né, é assim, eh, o espaço da nossa cultura. Perfeito, né, da onde nós viemos, né? Eh, então assim, eu sempre falo, né, a arte ela tem que ser apreciada, né, porque ela é muito e a gente adquire muita cultura, né? Quem tem a oportunidade de viajar, né, eu sempre brinco assim, né, eh, que eh uma viagem muito bem feita, né, que você vai conhecer museus, que você vai entrar em contato com obra de arte, vale mais do que uma faculdade. Uhum. Né? Excelente, porque a arte ela traz esse eh eh essa informação, esse conhecimento eh que nos impacta, né? Eu me lembro a primeira vez na durante a faculdade eu pude fazer uma viagem com as minhas amigas, um mochilão. Uhum. Né? Eu me lembro de um quadro do Salvador dali que chama A menina eh na janela. O quanto aquele quadro me impactou. né? E eu fui ver esse quadro 20 anos depois. Que legalum, né? Eu chorei na frente do quadro. Olha isso, né? Então é só a arte que causa isso na gente. Então essa coisa do apresentar uma música boa. Exato. De qualidade, né? Será que o pessoal sabe hoje o que que é uma música boa, um filme bom, né? A gente tava falando divertidamente, né? Sim. Maravilhoso, né? É, eu eu ganhei de uma paciente minha uma coisa fofa, os personagens divertidamente em crochê. Que lindo. É. E aí eu coloquei assim no meu consultório, um do lado do outro. Quantos pacientes meus entraram no consultório espontaneamente falam assim: "Eu sou ansiedade identificação. Olha isso, né?" Muito bom. Que ótimo isso, né? Sim. a gente acaba se identificando, né? Exatamente. Muito bom. Eu falando divertidamente, acho que foi uma aula aquele filme, né, para todos, né? E é realmente mais ou menos daquele jeito que acontece aqui na nossa cabecinha, né? É, aquilo é uma obra de arte, né? É fantástica, fantástic. Quem criou aquilo falo que é um gêmeo, né? Muito bom. A gente brinca em casa sempre. Olha, tá, tá a raiva brigando com ansiedade. Olha aqui. Vamos lá, gente. Respira para ninguém brigar com ninguém. Vamos lá. É uma forma didática, né, de de mostrar eh eh as nossas emoções, né, de ensinar a criança, aar nomear os sentimentos e tá tudo bem sentir, né? É humano, né? A a minha filha mais velha, ela sempre fala assim: "Eu sou uma pessoa muito emotiva". Ela olha assim: "Mamãe, você tá chorando por quê?" Uhum. Mamãe tá chorando de saudade. A mamãe tá chorando hoje de tristeza. Deixa a mamãe ficar quietinha. Importante a gente falar o porqu crianças. Eu eu considero que sim, porque as crianças precisam saber o porquê da emoção que ela tá sentindo. A gente precisa ensinar as nossas crianças o nome dos sentimentos para elas também saberem como expressar a hora que expressar e a consequência de expressar aquilo também. Então, faz parte do aprendizado da criança a nomeação dos sentimentos. É, e Rub assim, só para complementar, né? Não quero tanto assim, mas essa questão, né, de falar o que a gente tá sentindo é tão importante. Importante, né? Porque imagina você entrar em casa com seus dois filhos ali triste. Uhum. Né? As crianças elas observam os pais o tempo inteiro. Examente. E você vai pro seu quarto e fica lá quietinha, né? Os seus filhos vão ver você entrar diferente em casa e pro seu quarto se isolar. O seu filho vai aprender a entrar em casa na adolescência dele, na vida adulta dele, a se isolar. Isolar. Olha aí, né? Uhum. Então, você quando o seu filho crescer, sua filha crescer, eh, será que vai ter a liberdade daí de falar: "Filha, tá tudo bem? Você tá com a carinha diferente. Se você não falou com o seu filho sobre o que você tá sentindo, o seu filho vai virar para você, vai falar: "Tá tudo bem, mamãe, eu só vou pro meu quarto, tô cansada". Uau, quanto ensinamento e um programa só. Nossa, muito perfeito que vocês falaram. Acho que muita gente em casa se identificou com isso agora. Então, a gente precisa sentir, nomear as nossas emoções e, sim, de uma forma assertiva, eh, repassar paraas nossas crianças o que estamos sentindo e por estamos sentindo. Claro que você não vai falar explicitamente, né, o que está acontecendo e tal, né, mas a gente precisa sim eh eh conversar com os nossos filhos, porque a tendência é repetir os padrões, né? seentar porque somos espelho assim. E aí assim, né, o filme mexeu com seus sentimentos, você se emocionou, não tem que ter vergonha. Exato, né? Tá chorando, chora. Mamãe chora mesmo. E chora, né? E é interessante a gente falar assim: "Olha, a mamãe tá chorando porque olha, aquela criança me lembrou uma situação que eu vivi", né? E viu o filho chorando por uma cena, né? Eh, pode chorar, filha. A mamãeado, não é? Não é para dar risada. Ai, que besteira. Alguma coisa mexeu ali. Acolha aquilo, acolhe aquele sentimento. Maravilhosas vocês, gente. Quanto ensinamento, quanto entrega. Que legal o programa de hoje. Vamos lá, pessoal. Tá participando. 8:49. A gente precisa já tá vendo? Eu falo que passa rápido demais, a gente começa a conversar e a gente sai do roteiro mesmo, porque a conversa vai fluindo e é tão gostoso, né? Porque eh são as nossas emoções, né? A todo momento, em todo lugar, a gente eh eh nós somos feitos de emoções, né? Vamos lá. 8:50. Vamos embora, então. Quem é que tá com a gente? Pode colocar na tela, produção, por favor. Lucas Andrade do Nova Europa. Algum ah, trilhas sonoras. Algumas trilhas sonoras me arrepiam instantaneamente. Como a música e a imagem se juntam no cérebro para disparar emoção tão rápido. Gente, é rápido demais. Vamos lá. Aquilo que eu comentei lá no começo, vale tanto pra música quanto pro estímulo visual. Então, no estímulo visual a gente tem a via rápida e a via longa. Então, a via rápida que como eu reajo e a via longa como eu modulo, tá? A música também. Então, do mesmo jeito que eu tenho a a o estímulo, ele vem rápido. Então, se eu escuto um barulho de tiro, eu preciso reagir, eu preciso da ação rápida. Pera aí. O segundo momento é a via longa. Será que foi um tiro ou foi uma bombinha? Uau! Então isso vale, essa conexão acontece dessa forma. Então são, a gente tem essas vias de ação e a via de modulação. Por isso que algumas trilhas sonoras pegam a gente, alguns sons são mais eh impactantes para pra gente. E também de novo, eu vou vou voltar um pouquinho em relação aos neurônios em espelho. Então pera aí, eu ouvi esse barulho, ele me gerou algum sentimento? Em algum momento eu já ouvi esse som alguma outra vez? Qual foi a minha reação da outra vez? Uhum. Eu modulo isso. Pode ser que eu não saiba. Pode ser que eu saiba. Sim. Tem. E também a música, ela é muito interessante em relação a estímulos de memória. Tem uma situação recente que aconteceu que foi muito engraçada. A gente estava no rádio mandando de carro, escutando rádio. Não, Spotify, rádio. Aham. Muito bom. Escutando rádio. E tocou uma música e eu cantei essa música do começo ao fim. Meu marido olhou para mim assim: "De onde é que você conhece isso?" Eu não tenho a menor ideia. Exato. Aham. Só sei que eu conheço. Só sei que eu conheço. Muito bom. E ele falou assim, vamos procurar. E cantei e cantei emocionada assim, sabe? Quando você canta a plenos pulmões, ele vamos procurar. No fim eu descobri que essa música foi a trilha, uma das das trilhas sonoras de barriga de aluguel da novela. E eu era um pequenininha naquela época, mas a gente escutava rádio, era uma novela que pegou nossa muita gente. E a minha mãe era uma boa noveleira. Então assim, aquilo realmente tocou e aí eu volto. Então ela gerou uma emoção, ela resgatou uma memória. Uhum. E a gente trabalha isso. A música, inclusive ela é usada como estratégia terapêutica para pacientes com problemas cognitivos. Sim. Excelente. Muito bom. E esse RP que dá também faz parte do sistema. faz parte do sistema, porque de novo, depende da intensidade. E essa o sistema límbico, ele tá, um dos componentes do sistema límbico chama hipotálamo, que é quem faz a regulação nossa da cabeça com o rosto do corpo, com o resto do corpinho. Então, quando uma emoção aumenta a frequência cardíaca, quando aquela cena aumenta a frequência cardíaca, essas são essas conexões ao hipotálamo que fazem essa aumento da frequência cardíaca, aumento da pressão, o arrepio, a pupila aqui de lata. Então é é essa regiãozinha do cérebro que é o hipotálamo que faz essa ela explica de uma forma assim que a gente vai vendo, né? É maravilhoso. Tô adorando isso aqui. 8:53. Vamos lá, mais uma participação, por favor, produção, vamos sembora. Tá todo mundo antenado aqui nas explicações aqui das nossas convidadas. A Camila Souza do Cambuí. Quando eu dou risada de verdade num filme, parece que o meu dia fica mais leve. Rir com filmes pode funcionar como terapia do dia. Vamos lá, Ju. Ah, completamente, né? Eh, e é interessante, né? Porque assim, uma coisa é o é o que é terapêutico, outra coisa é o que é psicoterapia, né? São coisas diferentes. É, então, por exemplo, você gargalhar num filme, você eh se emocionar num filme é terapêutico, porque você tá absorvendo emoções que estão ali te relaxando, te dando sensações de prazer, né? fazendo você eh eh se distanciar de sentimentos ruins. Então isso vai aumentar a imunidade, isso vai, né, te trazer uma sensação de bem-estar muito grande, o que é diferente do que é psicoterapêutico, né, que o processo psicoterapêutico é um processo feito em clínica, né? Mas esse conteúdo que mexe com as nossas emoções, eles são terapêuticos. Olha, a gente libera dopamina, a gente libera serotonina, que traz essa sensação de bem-estar. Uau! Olha só que delícia, né? Agora 8:54. Vamos encerrar. Ah, então tá bom. Ué, vamos lá. A gente tá falando de emoção aqui. Estamos falando de filmes, estamos falando de cinema. Eh, é tudo junto e misturado, né? Isso mexe com o nosso cérebro, né? Emoção, expectativa, frustração, inspiração, terapia, terapêutico, né? E até ócar nós falamos hoje. Então, fica claro que aquilo que a gente assiste não passa eh em branco dentro da gente, não. Filmes e séries podem confrontar, podem ensinar, alertar, curar, mas também eh eh podem pressionar e frustrar. O segredo talvez seja a gente assistir com consciência, né, com senso crítico, com autoconhecimento, porque quando a gente entende o que a gente sente, a história deixa de nos controlar e passa a nos ensinar. Então, a gente precisa ter um autoconhecimento e uma assertividade no momento que a gente vai escolher aquilo que a gente vai consumir e que o filme seja o motivo para você viver com leveza e com alegria. Eu quero agradecer as nossas convidadas. Muito obrigada, Jéssica. Nossa, quanta explicação maravilhosa, que desenho lindo que você fez pra gente. Vou levar isso para mim. O ser humano, nosso cérebro, nosso corpo é fantástico. Obrigada pela sua presença, viu? Eu que agradeço. Foi muito gostoso conversar com vocês. Muito obrigada. Eh, eu sou uma apaixonada pelo cérebro, ah, desde literalmente do dia um da faculdade. É, é uma paixão. E uma coisa que eu busco para mim é a gente, toda vez que a gente pensa em sistema nervoso, a gente pensa numa coisa extremamente complexa. E é, mas é trazer isso pro palatável, pro pera aí, se eu tô tratando um paciente, vamos fazer ele entender porque que ele tá sendo tratado e como que essa medicação vai agir. Fica mais fácil para ele aderir ao tratamento, fica mais fácil para eu poder ajudar ele. Ai que então esse bate-papo aqui é o bate-papo do consultório também, é um bate-papo do dia a dia. Ai que legal. Muito obrigada. Ai a gente fica muito feliz. Obrigada. E você maravilhosa Ju. Obrigada pela presença, pela sua participação, pela sua entrega, né? pelo seu ensinamento, você tá compartilhando conhecimentos com a gente. E é tão importante isso, porque às vezes as pessoas que estão em casa eh não viraram a chave ainda da necessidade, da importância, né? Eh eh eh de estar fazendo uma terapia, de estar próximo de um psicólogo ou até de conversar sobre situações que precisam ser faladas. E algo tão simples que nós falamos aqui que é de filme e emoção, mas que rendeu o programa de uma hora e e olha, eu acredito que a gente podia ficar falando aqui o resto do dia porque vocês têm muita coisa boa para entregar. Então, gratidão pela sua presença. J. Aí eu que agradeço, Rúbia. Inclusive é um tema que eu amo, né? E mas eu eu assim eh como um toque final, né, que eu gostaria de deixar eh esse recadinho, né? eh da das pessoas começarem a prestar um pouquinho mais de atenção no que que elas estão consumindo. Uhum. Né? Eh, o que que elas estão trazendo pra vida delas, o que que elas estão trazendo para dentro de casa, quais são esses conteúdos, quais são essas letras de música, quais são os, né, os temas dos filmes, né? Eh, a gente tem que tomar muito cuidado, né? Porque a nossa a nossa vida ela é muito preciosa, né? As nossas relações são muito preciosas, né? Maravilhosas. Obrigada mais uma vez. Ai, que gostoso. Gente, a gente encerra o nosso programa de hoje convidando você para compartilhar esse programa também. Já tá disponível no YouTube, tá? A gente agradece a sua audiência, a sua companhia. Lembrando que ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com informação do legislativo e também da nossa metrópole. A programação da TV Câmara Campinas sempre feita com muito carinho, especialmente da nossa equipe do grupo Mais para você que tá em casa. E amanhã, sexta-feira, já seestamos mais uma vez, ó, tá rapidinho, 2026. Amanhã a gente traz mais um tema bem profundo e bem necessário. A gente vai falar de gratidão. Que que é gratidão para você? Mas a gente vai falar de gratidão em uma situação um pouco mais diferenciada, né? A gratidão ela é sempre um sentimento muito bonito, mas quando a gente fala e na relação entre pais e filhos, essa gratidão ela pode se tornar um pouquinho mais complexa. Até que ponto a gratidão é amor e até que ponto essa gratidão vira uma cobrança emocional? Onde termina o cuidado e começa a dívida afetiva? É sobre isso que a gente conversa amanhã aqui no estúdio Câmara. Vamos falar sobre a gratidão entre pais e filhos. Nós esperamos por você. É ao vivo, é a partir das 8 da manhã e aqui na TV Câmara Campinas. Um grande abraço para você, fique bem, uma ótima quinta-feira e até lá.