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[música] [música] Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição [música] do nosso estúdio Câmara. Vamos embora. Hoje é sexta-feira. Ô, gente. É sexta-feira, dia 13, hein? 13 de fevereiro. E o tema de hoje é um sentimento que tem moldado comportamentos, decisões, relações sociais e [música] até o desenho das cidades também. A gente vai falar da cultura do medo, já que hoje é sexta-feira 13. Conta aí do que você tem medo. Você sente medo de sair à noite? [música] Você tem medo de passar pelo cemitério? Você tem medo de estacionar o carro na rua, de parar no farol vermelho ou então de ver uma moto se aproximando? [música] Gente, isso é muito sério. Eh, dados do Data da Folha divulgados em 2025 mostram que oito em cada 10 brasileiros tem medo de assalto [música] quando motos se aproximam. 64% dizem ter medo de sair de casa à noite. Segundo o Instituto Patrícia Galvão, em parceria com o Instituto Locomotiva, 80% das mulheres brasileiras declaram sentir medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. No estado de São Paulo, dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que em 2025 foram registrados 549.900 1973 furtos, uma média de 63 por hora, praticamente um caso por minuto. [música] Mas aí diante desses números, surge uma pergunta essencial. A gente tá vivendo uma realidade mais violenta ou a gente tá aprendendo a viver permanentemente em estado de alerta? Hoje a gente fala do medo. Então participe com a gente, conta aí do que você tem medo. Aproveitando que hoje é sexta-feira 13, tá com medo do quê? vai passar embaixo da escada. É, então vai adiar os planos porque hoje é sexta-feira 13, tem uma cultura do medo também neste dia, né? Então, daqui a pouquinho a gente conversa com você. O WhatsApp tá na tela, já vai mandando a sua mensagem. Nossos convidados [música] já estão no estúdio e já já a gente vai para o nosso tema central, mas agora a gente atualiza algumas informações do legislativo para você. A Câmara de Campinas aprovou em segunda votação, durante a reunião ordinária da noite de ontem, [música] dois projetos de lei que tratam de ações afirmativas e mobilidade urbana no município. O primeiro amplia a reserva de vagas para negros, indígenas e quilombolas em concursos públicos municipais. O projeto de lei complementar 133 de 2025 [música] estabelece que 30% das vagas passem a ser destinadas a ações afirmativas, sendo 25% para pessoas pretas ou pardas, 3% [música] para indígenas e 2% para quilombos. Já o segundo projeto aprovado na noite de ontem por unanimidade [música] autoriza o uso de faixas exclusivas para ônibus por veículos [música] que transportem pessoas com deficiência nas vias urbanas da cidade. [música] Com a aprovação a aprovação definitiva, os dois textos, ou seja, os dois [música] projetos seguem agora para a sanção do prefeito e posterior regulamentação antes de entrar [música] em vigua. E também na noite de ontem, a Câmara de Campinas oficializou durante a reunião ordinária a composição da Comissão Especial de Estudos, que vai analisar a implantação de uma fazenda de acolhimento municipal em Campinas. A iniciativa é de autoria do vereador Nelson Ori, que integra o o grupo ao lado dos vereadores Dr. Ianco, Vine Oliveira, Débora Palermo e Roberto Alves. A comissão vai avaliar a viabilidade de um espaço estruturado para concentrar em um único local diversos [música] serviços públicos voltados ao atendimento de pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social. [música] Mais detalhes sobre tudo que aconteceu na reunião ordinária da noite de ontem você confere no Câmara Notícia ao meio-dia com Gabriel [música] Castro. Agora a previsão do tempo para esse final de semana, feriado de carnaval. Vamos embora. Olha aí, ó. Hoje, sexta-feira, sexamos 3120, previsão [música] é de temperatura para hoje. E a previsão do tempo é sol com o aumento de nuvens, pancadas isoladas de chuva, tá gente? à tarde e à noite. Pro sábado, nós temos aí sol com muitas nuvens durante o dia, períodos de céu nublado, noite com nuvens também, mas a previsão diz que não chove sábado, tá? A mínima 20, máxima 32. E no domingo também temos aí uma previsão de sol entre nuvem, sem chuva, mínima 21, máxima [música] 32º. Essa é a previsão do tempo para o nosso final de semana. E agora a gente vai falar do medo. Vamos apresentar os nossos convidados. Queremos que você participe com a gente, porque o medo é uma das sete emoções universais, né? Ao lado da alegria, tristeza, nojo, surpresa, raiva e desprezo. Ele é essencial paraa sobrevivência. O problema é quando ele se torna desproporcional, irracional ou permanente, quando deixa de proteger e passa a paralisar. Então, para conversar com a gente sobre esse tema tão presente na nossa rotina, hoje a gente recebe dois especialistas. Quero dar as boas-vindas, né, ao Alexandre Campos, psicólogo clínico e organizacional, professor, né, gente? Olha só, seja muito bem-vindo. Obrigada pela sua presença. Bom dia. Obrigado. Obrigado pelo convite. É muito bom estar aqui com vocês hoje, a gente trabalhar com um tema que tá sempre na nossa sociedade, né? Isso é muito bom. Maravilha. Muito a prazer é todo nosso. E para completar a nossa dupla de hoje, que forma aí o nosso time do estúdio Câmara, a gente recebe com muita honra Vera Helena Castanho, psicóloga clínica organizacional. São 40 anos dedicados aí, mais de 40, né, ao desenvolvimento humano. Gente, que legal ter vocês com a gente. Muito bom dia, Vera. Bem-vinda. Muito obrigada, Rúbia. É um grande prazer estar aqui ao lado do professor Campos, colega de muito tempo, e principalmente sobre um tema tão atual e tão importante, né, que tá mobilizando tanto a população. Verdade. A gente precisa falar sobre ele, né? Tem gente que fala assim: "Ah, eu não tenho medo, gente. Medo faz parte, né, do que somos". Então, a gente já pergunta pro nosso professor Alexandre do ponto de vista psicológico, né? Afinal, o que que é o medo? Como é que a gente diferencia o medo que protege? né, esse medo nosso do dia a dia que faz parte da natureza humana e aquele medo que paralisa, professor. Eh, na verdade, como você já havia comentado, né, o medo ele tá entre as a primeira emoção eh básica que nos mantém, na verdade, vivos. Então, ele é essencial paraa nossa sobrevivência. O problema é que quando isso começa a virar uma situação meio que patológica, ou seja, você começa a a ter momentos eh que não necessariamente era uma situação de medo, mas você começa a ter um excesso de proteção, hipervigilância e e isso tende a travar você no dia a dia, né? Isso começa a ser não ser mais eh funcional. Então, às vezes você vai eh por exemplo, vai dar uma aula ou você vai fazer uma atividade no seu serviço e você vê que você não tá conseguindo sair por causa disso. Então, aí começa uma situação complicada. É importante a gente falar dessa cultura do medo, né, professor Vera também, porque o medo ele é um conceito eh sociológico, se a gente for parar para analisar, mas como é que ele se manifesta, né, na subjetividade das pessoas? O medo ele deixa de ser reação natural e passa a estruturar a forma com que a gente vive se a gente deixar que ele nos domine. É como o professor trouxe, ele passa a fazer parte do nosso dia a dia de uma maneira tão eh agressiva que a gente pode ter consequências, né? Como é que a gente lida com tudo isso, Vera? Então, é bem interessante, eh, principalmente no dia de hoje, sexta-feira 13, né? [risadas] a gente já tem uma certa sensação de ameaça, né? E subjetivamente isso já está influenciando o nosso comportamento. A gente se comporta a partir de subjetividade, como você muito bem disse. E eu tenho certeza que se a gente for comparar sexta-feira 13 de anos atrás com a sexta-feira 13 de hoje, existe uma diferença imensa de índice, não temos a menor dúvida. E isso a gente vê não só eh no público, mas a gente começa a perceber a partir de nós mesmos, nossos amigos, nossa família e em clínica o quanto isso está invadindo a subjetividade. O que é a subjetividade do medo, né? É a tal da cultura do medo, né? o quanto que a gente entende que existe um estado mental, um estado de emoção que é incontrolável, que não depende do nosso raciocínio, não depende do nosso discernimento e nos invade, como o professor disse, na hipervigilância e isso começa a afetar os nossos pensamentos principalmente. E óbvio que isso tudo é somatizado, né? vai para a parte, o aspecto físico, biológico. A gente precisa da medicina juntamente para poder cuidar desse medo, dependendo do grau, né? E o quanto que este medo internalizado está atuando em nossas nos detalhes da nossa vida, sabe? Define a qualidade da nossa vida, né, professor? E como clínica, como trabalho em clínica psicológica, a gente percebe o quanto o medo está ocupando uma proporção eh muito além do previsível, do natural e do saudável, né, do que é necessário. Uhum. e afeta decisões, afeta eh os trabalhos, afeta os relacionamentos, afeta o sono. Não tem como não somatizarmos, né, e passarmos paraas nossas relações sociais também. Bem delicada a situação, né, professor, porque às vezes a gente fala: "Ah, é só um medo". É, mas eh vocês têm uma visão do medo ampliada e que me chama muita atenção, porque a gente precisa aprender a lidar com esse medo todo. Quando a gente fala de sexta-feira 13, daqui a pouquinho a gente vai falar do medo eh de viver em uma cidade de repente, né? Mas a gente falando de sexta-feira 13 hoje, que eu acho que é que é bem pertinente, né? A gente tem medo do que na sexta-feira 13? Porque se a gente para para analisar, há medo do azar. O que é o azar, né? É, é uma coisa que eu não sei. De repente cada um tem uma visão sobre o que é isso. Mas assim, medo do quê? O que que acontece que a gente acredita em algo que a gente não vê e nós temos uma reação psicológica diante de uma incerteza e que acaba paralisando, porque olha, a gente brinca aqui e tal, mas tem gente que tem um medo, mas é aquele medo mesmo que paralisa dessa questão de sexta-feira 13. Sim. Como é que o senhor explica isso pra gente, professor? É, então isso é muito cultural, né? Acontece muito isso e isso a gente normalmente traz de um convívio com a família, com os amigos, às vezes até no ambiente que você trabalha existe essa situação. E você fez uma colocação interessante, né? Medo do quê? Sim. Do quê? E essa é uma das primeiras perguntas que normalmente na psicoeducação dentro de uma clínica a gente, e não precisa ser só dentro de uma clínica, eh a pessoa pode fazer essa pergunta para si mesmo assim: "Mas eu tô com medo de quê? Parece ser uma situação assim até meio simplória, mas esse tempo de parada para ela pensar é o tempo que de repente dá para ela se posicionar frente a uma situação que não é perigosa. Uau! Porque ela demora para, ela vai ter que rebuscar para entender porque eu tô com medo? Aham. E ela fica meio que assim, cara, não sei, não sei te dizer especificamente o que é ótimo, porque isso quebra um pouco a estrutura que tá todo montada em cima de reforçar em cima da situação de um perigo. Que perigo é, dá tempo de fazer uma regulação, uma autorregulação, né? Até você pensar e entender o que que você tá com medo do quê, né? Mas não, né? Não tem medo. Igual tem gente que tem medo de andar ali no cemitério da saudade, principalmente agora o ano passado, que trocaram o muro eh eh pela pela eh como é que é aquelas cercas, né, e tal, e aí fica muito aparente. E tem gente que tem o medo lascado de cemitério, gente. É impressionante. Eu já vi gente que fala assim: "Não, faz uma volta muito grande para desviar do cemitério". Agora vem cá, você tá com medo do cemitério? Por quê, né? Do que você tem medo? O que que vai acontecer aí em contrapartida, né? Tem gente que o pessoal lá do kit assombra que vai fazer passeio no cemitério à noite. Então agora vem cá, me chamou atenção uma coisa, professor. E e aqui eh esse pessoal que vai pro cemitério à noite, a gente tá falando aqui sexta-feira 13 de medo, tá gente? Vamos descontar aí um pouquinho. Eles têm medo ou eles enfrentam medo? Porque assim, eu não tenho medo, mas dá um frio na espinha, entendeu? Então, assim, eh eh qual é a diferença de sentir o medo, de ter o medo e de enfrentar o medo? Quando a gente fala, no caso aqui, a gente tá eh ilustrando, né, com o passeio noturno no cemitério. Sim. Vamos lá, Vera. Vamos lá. Depois, professor, completa. O ser humano é de uma complexidade incrível, né, que a gente pode dizer até que é indescritível, mas não é. é completamente eh possível de ser estudado, de ser percebido, né, o quanto que eh isto é criado ou isto vem da resistência psicológica da pessoa, né? Ela pode ter uma energia psicológica, uma força psicológica que veio da sua educação, veio do ambiente que cresceu, do ambiente em que vive, né? E aí vai passear. É divertido, né? Passear no cemitério. Você concorda, né? Agora, eh, quando a gente começa a pensar em que isso não é muito natural, isso não é muito frequente, isso não é tão humano, né? Porque ninguém gosta da morte, você concorda? E aí a gente começa a transferir e começar a compreender qual é a razão dessa alegria, desse desejo, dessa satisfação ou deste medo que pode se tornar pânico, concorda? que pode se que pode adoecer a pessoa, né? Então é aí que a gente entra exatamente em tentar compreender que mundo de vida essa esse ser humano se formou, cresceu, que ambiente em que ele frequentava, quais eram os valores, quais eram os credos, né? Então isso tudo traz para nós um entendimento que o medo passa a ser compreendido objetivamente, sai daquela eh subjetividade, daquele pensamento de mal-estar e que só atrapalha vivendo no mundo corporativo, passando um pouco pro mundo que a gente vive tanto, né? eh, que a gente frequenta, eh, são medos invisíveis, são medos de nomes. Você tem medo de um determinado nome, dependendo da função que exerce, dependendo do das informações que guarda, o medo de perder o emprego por ações que para você são culturalmente normais, saudáveis, naturais. E numa determinada cultura corporativa é algo que pressiona, que te ameaça e que você não percebe. E quando você percebe tarde. Olha só, né? E aí o medo de perder emprego, aí vem o medo da segurança da família, da própria segurança psicológica, né? É, é, é um, um tema, eh, Rúbia, que é infindável, é infindável e é único, é completamente singular. Eh, veja, eh, que que nós estamos falando aqui. Nós estamos falando de um, de uma contemporaneidade que o Bman, se você me permite, a gente vai citar porque ele é muito contemporâneo. Ele faleceu há pouco tempo e ele é muito um polonês, um sociólogo, né, que ele trabalhou essa esse medo da coletividade, né, como que pode o medo ser tão líquido? Então, a a o conceito eh nominal dele chamava-se a modernidade líquida. Sim. Modernidade líquida, né? Então, e aí a gente passa pro amor líquido, ele tem outro outras obras com o amor líquido, o dinheiro líquido. E a gente pode dizer que o medo também faz parte da modernidade líquida, né? Então, a gente não percebe que nós estamos absorvendo e que esse medo vai se desfazendo eh na medida em que você vai preenchendo com outros medos, [risadas] né? É uma um uma um encadeamento de medos ou de ideias que nos apavoram, que é ininterrupta, é contínua, né? Então isso é muito interessante a gente entender por isto, por que quando eh nós éramos jovens, isso não existia nessa intensidade, né? Não existia o medo, existia o medo do leão na savana, por exemplo, né? Sim. E existia o medo do ladrão, existia guarda noturno, não sei se muitos que estão nos assistindo sabem o que significa, mas eram medos muito humanos, muito naturais, muito saudáveis, porque era o medo da preservação, não era esse medo ignorante, invisível. Mas é muito interessante a gente começar a abordar por esse medo nesse tempo atual, né? Nós vimos pelo elevador discutindo que política não se discute mais. Concorda? Por quê? Porque na contemporaneidade, e não é Campinas, não é Brasil, é Globo, é o mundo global, né? Veja qual foi a notícia de ontem à noite, a notícia de anteontem, aqui lá do outro lado do mundo, a gente tá em contato com hoje em dia o contato com o mundo do outro lado. Eu tenho um filho que mora no Paquistão. Aham. no Nepal, em Catandu. Então veja, existe medo lá? Óbvio que sim. Óbvio que sim, né? Mas o medo do quê? Um medo que faz parte da cultura completamente desconhecida para nós. Mas o medo é o mesmo, é humano. Somos todos humanos, né? Então isso é muito interessante da gente cuidar, porque a gente vai, quando precisa de um cuidado mais terapêutico, a gente vai na linguagem observando da onde vem este medo. A gente vai fazendo uma construção de um diálogo, de uma análise, digamos assim, que é o meu mundo, eh, completamente na nossa no nosso objetivo, mas que é estranho para o nosso paciente, né? Por que estranho? Por que que a Vera tá perguntando isso? Por que que o Alexandre tá falando sobre aquilo? E é um mundo muito extenso, muito complexo. E daí desaguam várias outras sutilezas patológicas, entendeu? Aí torna-se uma patologia que às vezes é necessário a gente encaminhar para uma medicação, para um psiquiatra, entendeu? Quantas pessoas estão se medicando, né? e se automedicando. Olha, eh, Vera, hoje eu tomei só um rivotril porque eu não tava me sentindo. [risadas] É assim, como se fosse um aperitivo. Exato.É, agora é muito importante a gente entender porquê, né, da onde vem hoje, né, há 50 anos atrás ou há 30 ou há 20 anos atrás, não era intenso assim. Existem razões, existem a gente precisa estudar e não é só na psicologia, acho que é em todas as ciências humanas, né? Inclusive nas ciências exatas também tem muito tem muita relação, né? Porque a ciência tá evoluindo de uma forma avaçaladora, incrível, né? Muito interessante você acompanhar também. Eh, da onde está se originando esta pandemia do medo, podemos dizer isso? Verdade, verdade, né, professora? É, é, a gente vive com medo. Se a gente parar para analisar quantas vezes por dias que a gente, por dia a gente sente medo, não é? Sim, sim. Eh, até pegando um gancho no que você havia comentado e que a professora Vera descreveu muito bem, eh, das pessoas que como é que tem pessoas que vão lá no no passeio lá no cemitério, né? E e tem o a situação do medo da morte, medo do escuro, que é um medo que que é muito eh eh eh básico para nossa sobrevivência, né? Você tem medo normalmente até de animais eh peçonhentos, você já nasce com esse medos tem ali. Sim, sim. Mas a ideia de quando a pessoa vai, por exemplo, nesse exemplo que você deu, eh, até o cemitério, normalmente ele tá em comunidade. Isso. A mesma comunidade que às vezes gera o medo, tá lá junto, que gera o o apoio ali, né? O apoio e o que a gente chama eh na linha que eu trabalho de dessensibilização sistemática. O que que é isso? Na verdade, eu vou te colocando próximo de uma situação de perigo aos poucos e com pessoas junto. Então assim, aí você começa a perceber que nada aconteceu. Uhum. Especificamente. E isso tá dentro eh normalmente de uma uma imagem que a gente faz. Lógico, a morte é um é um é um ponto eh de interrogação para para todas para todas as sociedades, mas tem alguns alguns tipos de cultura que entendem muito bem isso. Sim. Quando você não tem um esse tipo de cultura com entendimento, eh, cada um faz um ritual de passagem, isso é interessante, mas a gente cria uma situação de o desconhecido. E o desconhecido muitas vezes nos traz essa insegurança. Uhum. Por isso que a ideia da do questionamento, né, de por que que eu tô com medo, sim, né, especificamente, mas agora eu tô com as pessoas juntas aqui comigo. Então você começa a aliviar o seu sistema. Olha isso, gente. Interessante demais e muito bem assertivo lá o pessoal do que tinha a sombra levar uma turma, então, né? [risadas] Porque assim, sozinho não, né? Então, sozinho não vou, mas de repente com uma turma vamos, estamos aí todos no mesmo objetivo. E professor, essa essa questão assim é de enfrentar, né? Porque vamos lá, vamos ser realista, dá um medinho. Mas qual que é a diferença do medinho e do medão e do medo mesmo? E enfrentamento? Ah, o que que acontece quando a gente tem o poder de enfrentamento e a gente enfrenta o medo? A gente volta a ter medo daquilo que a gente enfrentou daquela situação? ou é um passo à frente nessa questão quando a gente fala de medo? Olha, eh, pergunta interessante. Pode sim voltar a esse medo mesmo você enfrentando. Pode numa situação de repente extrema. Hã, mas eh algum alguns eh psicólogos e neurocientistas estudam essa situação com relação assim a você usando essa ideia de aos poucos ir próximo desse medo. Sim, você ficar mais forte e perceber que eh eh ele não é tão tão avaçalador como você imaginava. Por isso que é muito interessante, por exemplo, se alguém tá perto de você e sofre aí uma situação de pânico, há uma tendência das pessoas desvalorizarem o sentimento da outra, da pessoa que teve. Ou seja, não, fica tranquilo, não é nada. aquilo ajuda em nada. Fica calmo. Você usou essa palavra ficar calmo, você tá meio que desvalorizando o medo dele, porque é muito específico é para aquela pessoa. Então, o ideal seria você falar: "Olha, eu tô junto com você, né? O que você precisar de ajuda, eu tô aqui para te ajudar." Uhum. E aí é lógico, se for um um ataque de pânico pode ser que não aconteça mais, mas se tiver vários, isso pode transformar num transtorno. E aí assim, a psicoterapia junto, muitas vezes necessário com com psiquiatra também, com remédios também, mas não impede. Você não tem uma garantia, olha, nunca mais vai acontecer. Porque às vezes acontece uma situação eh que você não tem essa previsibilidade. Na verdade, a gente tem esse problema, né, no eh de tentando eh eh controlar tudo e a gente não consegue controlar. O controle é algo que tá na nossa cabeça, mas ele não existe, né? a gente conta algumas mentirinhas para nós mesmos para dizer e eu eu trocaria, na verdade o controle por eh confiança. Uhum. Você pode ter confiança eh eh eh em Deus. Sim. Ah, mas eu eu não tenho uma religião específica. Mas você confia numa energia, num ser supremo. Isso na própria psicologia já trabalha-se muito isso. Isso é muito interessante. E confiar em você, né? Isso te ajuda muito junto, lógico, com algumas técnicas que você pode aprender. Você tá fazendo eh eh psicoterapia eh junto lá com o psicólogo, ele pode te ajudar também. Então ele consegue perceber que olha, acho que vai dar, eu vou ter algum problema específico com o meu medo. E ele consegue tentar gerenciar isso, mas de novo, eu não consigo ter uma garantia nunca mais. essa palavra nunca eu acho meio complicado, existe tipo nunca, né? Eh, agora vamos lá para a gente falou lá do medo, né? Do do da da do passeio noturno cemitério e tal, do medo. Agora, esse medo que nos ã que é que convive com a gente no dia a dia quando a gente vive em uma cidade grande, né? A gente fala cidade grande por quê? Porque geralmente cidade é pequena, com poucos habitantes e tal, é mais tranquilo. As pessoas falam, né? mais sossegada, mais tranquila e uma cidade grande, a gente sabe que é natural, né, que tem sim os dados reais de violência. E aí eu pergunto pra professora, pra Vera, essa questão da gente eh ter medo de parar no sinal, da gente ter medo de sair à noite, eh a gente fica em hipervigilância constante porque você abre o portão da sua, quer dizer, nem dentro da sua casa você pode ficar tranquilo que você não sabe o que vai acontecer. Então, de repente eu tenho um cachorro, o cachorro late, pá, já tô hiper vigilante. O que que tá acontecendo, né? Porque eu tenho a sensação de medo. Mas medo do quê? Não sei. Alguma coisa pode acontecer, acender um alerto, cachorro latiu. Como é viver dessa forma 24 horas por dia? Porque a gente vive assim, né? E essa essa sensação de hipervigilância que nós temos, ela acarreta em quê? Na nossa saúde mental. A gente o que que pode acontecer, né? Qual que é o sistema? O que que acontece com nossa mente, com o nosso cérebro, as reações do nosso corpo quando a gente vive dessa forma? Então, a gente tá vivendo um tempo de um medo coletivo, né? É, eh, a gente pode entender que é esta consciência coletiva do medo é geral, eh, total, né? E isso não aconteceu em vão, né? Isso está acontecendo porque as informações estão extremamente aceleradas, a velocidade de toda e qualquer informação está completamente acelerado e nós viciados em tecnologia, né? Então, a gente não consegue ficar um minuto aqui sentadinho batendo papo, porque eu tenho que conferir. E nessas conferências, nessas nossas pesquisas de um de uma tecnologia, isso tudo está sendo absorvido muito mais do que a gente supõe, do que a gente tenha consciência da realidade. E quanto mais é repetida a informação, mais o medo se densifica, né? Então, eu contamino o outro com meu medo. Eu não tenho menor dúvida. E como lidar com isso, né? Como eu vou viver em Campinas, que é uma uma metrópole, ou como eu vou viver em São Paulo, que é uma grande capital, e eu preciso viver. Que vida é essa que nós vamos levar? Que qualidade de vida é essa? Uhum. O que eu penso que muito antes de uma psicoterapia, muito antes de uma medicação, a gente precisa ter uma uma vida de qualidade que dependa de nós mesmos, né? e que eu possa contagiar nas pessoas no meu entorno, porque isso é uma uma questão coletiva, eu repito, é uma questão geral, né, da população viver isso em família. Então, como fazer isto? Eu acho que o o as escolhas que a gente faz na vida, R, né, professor? Acho que fazemos escolhas para tudo. E as escolhas que temos que fazer hoje em dia e que são escolhas que precisam ser planejadas, não é mais uma escolha de ideal de vida, não. Nós precisamos pela nossa sobrevivência, pela para manter a qualidade da nossa família, da nossa rede social, do nosso trabalho. Nós precisamos ter o discernimento do que eu escolho assistir. Perfeito. do que eu escolho ingerir, porque o meu pensamento tá lá aberto pro que eu for ingerir, o que eu escolher assistir, né? Então, hã, esses programas de violência, esses programas que sangram, né? Esses essas fake news, meu Deus do céu, que diremos das fake news, né? E nós precisamos é estar completamente atentos e conscientes do que eu escolho assistir, do que eu escolho estudar, né? Tem gente que tá estudando aí o Dia das Bruxas. Uhum. Né? É, é uma escolha. Sim. Com mais riscos. É. Então nós temos assim muitas muitas alternativas saudáveis. Esporte, eu acho que esporte hoje em dia é melhor que qualquer medicamento, né? Eu sou corredora, sim. né? Maratonista, maravilhosa. É, não é, é paixão de vida e qualidade de vida, porque você contamina as pessoas na medida em que você está com essa energia, com esse positivismo. E não é ideal, não é apenas eh porque você gosta, não é necessidade, é um plano de vida. A gente tem que ter planos de ação de uma vida vivida hoje, né? Maravilha. Muito bem. Então eu acho que isso é fundamental o quanto a gente tá educando. A palavra chave é educação do pensamento, sabe? E é isso que a gente tá fazendo aqui hoje, né? vocês, dois professores, duas pessoas maravilhosas, com uma experiência, gente, é é tão gostoso tá aqui. Eu acho que você de casa tá sentindo isso, é tão bom conversar eh eh sobre situações que acontecem no nosso dia a dia. Hoje a gente tá aqui falando de medo e a Vera e o Alexandre trazendo pra gente exemplos, mostrando como é que a gente identifica. Isso é bom demais, principalmente agora que a gente tá aí. Hoje é sexta-feira 13. Analisa só o peso. Hoje é sexta-feira 13, sábado, domingo, feriado, feriado, depois quarta-feira de cinzas, aí veio quaresma, veio tudo isso. Então assim, eu acho que foi um dia muito pertinente que a gente e e nem foi combinado. A gente escolheu para falar do medo hoje, né? E aí eh tem toda essa questão da perda do controle. E o Alexandre trouxe pra gente que a gente nem tá so a gente não tá controlando nada, a gente acha que tá, né? Agora, quando a gente fala do controle e do medo, eh se a gente eh eh vir pro o mundo corporativo, como a Vera muito muito bem trouxe, Alexandre, essa questão de perder eh medo de perder emprego, medo de do financeiro, medo de não ter o dinheiro para pagar o aluguel, vamos lá, que eu agora medo de ah, de repente vou sofrer um acidente e daí vou fazer o quê, né? Eh, como é que eu vou sustentar minha família? esse medo que acaba, acho que faz parte do dia a dia de todos nós, né? Eh, aí eu paro e penso assim: "Esse é um medo que de repente a gente tem o medo de ter medo." Você consegue entender? Eu tenho medo de ter medo que eu possa sofrer um acidente. Eu tenho, o que que é isso? O medo de ter medo é porque normalmente isso, né, Rúbia? Eh, eh, você entra numa situação que você começa a perceber que já não tá ficando tão funcional a sua vida, confortável, né? Não tá mais confortável. Você não dorme bem. Aham. Hã, você normalmente, muitas pessoas, infelizmente, recorrem a bebida, olha isso, recorrem a droga ou é um orcaholic que trabalha muito sem parar, como um processo para fugir do medo de ter o medo, porque ele não tá conseguindo lá entender esse medo. Um dos exercícios que normalmente eu peço paraos meus pacientes, ele escrever um pouco. Uau, sozinho na casa dele, ele escrever, escrever caneta e papel na caneta e papel na mão. Isso mesmo. Caneta e papel. Exatamente. Porque o cérebro entende esse movimento mecânico da mão. Ele entende e você faz grandes reflexões com isso. Nossa, escrevi isso, né? E aí você começa a trazer uma identidade diferente. Você pode, de repente tá puxando isso para uma situação real. E às vezes até você vai chorar, fica, p, mas disso eu tô com medo. É disso daí, né? Eh, eu eu passei no mundo corporativo, hoje eu atendo empresas, mas eu eu passei em situações Uhum. que exatamente o exemplo que você falou, se eu for mandado embora, Sim. Que que vai ser de minha manhã? É, tinha acabado de casar, a empresa fechando e que que e aí que que vai virar? E aí você entra numa numa situação que a gente chama às vezes de catastrofização. Você pensa o pior cenário. Uhum. Né? E é interessante quando você pensa, entre aspas, esse pior cenário, ter uma ajuda para você saber, tá? Se acontecer isso, o que que eu posso fazer? Você começa a listar algumas alternativas. Isso parece ser meio mecânico, mas funciona muito. Sim, né? Porque põe de novo você a se questionar, mas será que eu vou ser mandado embora mesmo? Será que vai acontecer isso? Lógico que você não vai ficar frente a uma situação de desemprego tão suave, tão calmo, mas você consegue trabalhar com numa situação onde você consegue tentar gerenciar pelo menos para não extrapolar, né? Porque o que que acontece? uma ansiedade eh fora do normal é um medo distorcido. O medo é muito real, né? A ansiedade você começa a criar cenários. Veja, a ansiedade é importante, é importante que nos move para você fazer determinadas coisas, mas você quando começa a distorcer muito, eh, você começa a ver medo onde não tem. Uhum. Olha só, gente, quanta quanta informação, né? E essa questão de ter medo do medo é interessante. Me chamou atenção quando o professor fala, né? Se eu perco o emprego, aí como é que eu vou dar continuidade na minha vida? E aí você pensa assim, eu não posso pensar em perder o emprego. Eu tenho medo de pensar no medo. E aí e é algo que a que que a gente precisa cuidar muito por conta da questão da ansiedade, né? E o medo ele pode se transformar em pânico, como o professor disse. Essa questão da da síndrome do pânico, né, do pânico em si, você pode explicar um pouquinho pra gente, Vera? Então, o pânico é o excesso de, a gente vai dizer um medo, não é simplesmente um susto, né? É um medo que já vem sendo estudado pela psicologia já há décadas, né? e que acho que o que se estudou não está mais suficiente. Olha isso, né? Porque nós estamos vivendo eh temporadas de vida completamente eh inusitadas, né, e amedrontadoras. E eu acho que é o pânico pode ser uma o pânico de uma barata simbolizado pelo medo de morrer, né? Então, a gente pode entender que eh o o o nosso cérebro, o nosso pensamento vai tratando de se cuidar da forma que consegue, né? E e esta forma é muito eh simbólica, né? Então, o que é cuidar do pânico? Cuidar do pânico é você cuidar de um medo que ele na realidade não existe. Ele na realidade não é um objeto, né? apenas algo subjetivo, algo eh do pensamento criado. O o cérebro humano é de uma criatividade que é eh eh exatamente, né? É uma criatividade que extrapola qualquer eh mundo possível criativo, né? Eh, bom, nem vamos falar da inteligência artificial aqui, né? Pelo amor de Deus, né? senão a gente não termina hoje, mas é uma criatividade que vai muito além do que qualquer outro ser humano, qualquer outro profissional da saúde possa supor, né? Então, a gente precisa é cuidar eh com a medicina também, não é apenas a psicologia, eu acho que é importante com a neurologia. Isso tem muito a ver também com com essa área que tá sendo muito muito cuidada, muito desenvolvida, né? A neurociência, que há pouco tempo atrás não se falava em neurociência na psicologia, eh não havia diálogo. Ex, exatamente, né? Não havia diálogo entre entre a medicina e a e o e o pensamento humano, porque era menos importante, um ou outro, tanto faz, né? Então, isso tudo tá sendo muito eh eh explorado, digamos assim, para a gente tentar conter esta dor que é uma dor profunda, inexplicável. Não tem como explicar, não tem como você contar, nem que seja pro melhor psicólogo do mundo, pro melhor médico ou psiquiatra do mundo, não tem como você explicar. Então, a gente tem que tratar, a gente tem que buscar, e eu falo com muita serenidade, a cura. Entendeu? Porque viver em pânico é viver para morte. E eu tô falando morte de vida. Uhum. Porque você começa a ter ações eh criativas para se proteger como como se fosse proteções e não é são completamente patológicas, né? E eu mesma percebo a minha ação, o meu comportamento. Eu preciso de outro que me eh que me balize, entende? Para que eu possa avançar numa cura. Então tinha, tratava-se de medo de elevador, medo do mundo social, né? Agorofobia, essas coisas de tudo. Hoje isso tudo persiste, né? Mas o medo do desconhecido, o medo do futuro, tá se tornando algo completamente doentinho. O ser humano está com a mente adoecida. Infelizmente o adoecimento é amplo e restrito. E eu não estou falando de novo, tô falando do globo terrestre, né? A gente convive com outras culturas e a gente vê são medos diferentes, medos que dependem da cultura, mas o pânico existe. O pânico existe, né? H, então tem um paciente que não passou num num exame de motorista no mundo lá da Suécia. Hum. Você imagine um brasileiro, né, que não se sentiu aprovado num exame simples para ele. Ele é um motoqueiro nato, né? Então, veja o que que isso traz como pessoa estrangeira, pessoa que precisa manter uma identidade que não é da cultura, que não participa e é o mundo real. Isso acontece aqui dentro. Você concorda, né? Nós somos um território absurdamente imenso, né? Então, as culturas também se diferenciam aqui. O que é o medo de quem vive, não vou entrar em política, mas de quem vive vizinho a Venezuela. Uhum. Você concorda, né? Convivendo com os venezuelanos, o que é o medo de quem viveu no Rio Grande do Sul, o que viveu lá e quem não viveu e que se que cuida também dessas pessoas ou que está lá por alguma razão ou que tem familiares lá. Então, este medo é completamente geográfico, mas um um mapa munde e daqui a pouco será um mapa eh universal. Olha, é algo bem interessante. Quando eh pensamos em trazer a cultura do medo, eu não imaginei que fosse algo tão assim, né, tão tão amplo, tão amplo. Se a gente for ficar falando medo aqui, a gente vai ficar até o que? Meio-dia, até 6 horas da tarde. Gente, como pode? E olha que interessante, é bom demais a gente conversar com pessoas que entendem, que vão ampliando a nossa visão. Eu sou apaixonada por isso aqui. Sou suspeita para falar, mas isso aqui é bom demais. Vamos lá. 8:45. Produção tá avisando. Pessoal de casa também quer saber do medo. Então vamos, vamos conversar com o pessoal que tá em casa. Vamos lá, produção. Pode colocar pra gente na tela, por favor. Eh, Ricardo Mendes Barão Geraldo. Meus filhos só brincam dentro de casa. Tenho medo de irem para a rua. Que adultos eles serão se crescerem achando que o mundo lá fora é um grande inimigo? Ô Ricardo, bom dia. Vamos lá, professor. Olha só a situação que o Ricardo expõe pra gente aqui. É uma pergunta muito interessante que que é uma preocupação dos pais porque tem uma uma ideia às vezes de super proteção. Uhum. E não deixa com que o o filho eh enfrente frustrações. Sim. Eu acho que o grande ponto aqui eh isso até porque eu trabalho com alunos de diferentes faixas etáas e a gente percebe que às vezes ele vem meio que embalado hermeticamente. Humum. Do tipo assim que como assim eu tirei uma nota que não é legal, eh, a empresa não me aceitou. Então esse eu vejo que por um lado ele tá tentando proteger o filho. Sim, né? que faz a parte dele como pai. Mas por outro lado, eu diria que é interessante fazer exposições dessa criança, não sei qual que é a idade, aos poucos, para ele interagir. Então você vai num restaurante lá com a criança, ô filho, pede pro garçom lá um um suco, fazendo quebrar um pouco a barreira dele perceber que as pessoas também estão ali para fazer uma troca. Sim. Então, às vezes você tá, você mora num, num condomínio, eh, colocar ele ali para conversar um pouco com o pessoal da recepção. Então, aos poucos eu vou colocando esse filho, essa esse ente querido, eh, junto à sociedade e para perceber que tem frustração, porque senão ele tá um adulto, acha que tá um adulto e ele começa a ter choques culturais. Parece que não estão na mesma cidade tudo, mas às vezes ele vai numa escola, gosta de uma menina, a menina não gosta dele, ele começa a meio que se eh eh ficar chateado e é justamente eh ele não tem, não consegue enfrentar uma frustração. Então eu diria que estar em casa, mas aos poucos também eh saindo com ele para o mundo, eh, e inserindo, né? Isso me lembra a questão que a gente falou do passeio do cemitério. É uma questão do passeio do cemitério. Se eu for sozinha, eu vou ficar com medo, mas se eu tenho o pessoal, né, junto, o medo vai diminuindo, diminuindo, diminuindo, né? Bem interessante. Obrigada, viu? Você que tá aí acompanhando a gente, mandando a sua pergunta. 8:47. Vamos lá, mais uma pergunta, por favor, produção. Bora que bora. O papo tá tão gostoso. O programa já tá quase acabando. Cláudia Ribeiro do Jardim Garcia. Vamos lá, Vera. Ó, antigamente a gente pedia açúcar pro vizinho. Verdade. Hoje nem abrimos a janela. O medo está matando a nossa capacidade de ser gentil com o outro. Nossa, Cláudia, olha isso. Perfeito, perfeito isso, né? A gente vê que as relações sociais hoje estão muito individualizadas e e essa seleção de com quem eu vou conviver precisa ser muito criteriosa, né? Porque ao mesmo tempo que eu não posso abrir a janela para todo mundo, porque eu não sei quem está do outro lado da janela, né? Hoje em dia eu posso estar do do outro lado, estar sendo vizinha de alguém que não vai contribuir favoravelmente para minha vida, para a vida da minha família, né? Então acho que esta este mundo humano está ficando muito menos relacionado, né? E se você for a um restaurante, se você for a a uma um ambiente de consultório, uma sala de espera, você vai ver que não tem ninguém nem cumprimentando o outro, né? Está todo mundo preocupado com a sua telinha, com o seu celular. Então é um ambiente muito voltado para si mesmo e com quem você se abre, com as pessoas que estão mais próximas, com as pessoas. E nem sempre você seleciona quem são as pessoas que você quer que esteja mais próxima. Então, acho que de novo volta a palavra educação, né? Como viver em condomínio? Viver em condomínio é uma forma de proteção, é um reduto. Ao mesmo tempo, você está impedindo que as crianças conheçam o mundo na realidade. Então, aonde é que está o meio? Aonde que está a educação, por exemplo, da pergunta anterior? Uhum. Tem muito a ver com isso mesmo. Se eu vou conviver com as crianças do meu condomínio, com os meus filhos vão viver com conviver com jovens do meu condomínio na escola. Então ele entra no carro, vai pra escola, volta, vai pro clube, volta, né? Vai pro shopping, volta. É tudo em redutos. E que não existe mais essa janela aberta como como a gente foi perguntado, eh, e que expande a nossa visão, expande a nossa coragem. a gente começa a ter muito mais consciência do que eu preciso ter medo e do que é um medo subjetivo trazido por essa contemporaneidade maravilhosa, né? Agora faltando 10 minutos para as 9. Acho que dá tempo de mais duas perguntas, produção. Daí 8:55 a gente vai para essas considerações finais, tá bom? Aí duas perguntinhas rapidinho. Vamos lá. Vamos lá atendendo você que tá aí participando com a gente. Felipe Silva, Jardim Olina. Crianças que crescem ouvindo que o mundo é um monstro. podem criar uma visão pessimista da vida. Como ensinar proteção sem formar adultos assustados com tudo? Eh, tem essa questão também, né, professor, de como a gente ensina as nossas crianças, né, as referências, tudo. Sim. Eh, você sabe que isso me remete a uma situação da minha infância, né? Olha aí. Eh, eu convivo com a minha mãe hoje, eu fico direto com ela. Ela tá super saudável, ela tem 101 anos. Ontem eu a levei na aula de teclado, só para você ter uma ideia. Ai, que maravilhosa. Aham. E uma das coisas que sempre eu ficava intrigado, uma vez a minha mãe me colocou dentro do ônibus, ponto final, falou com o motorista, falou: "Ó, ele vai ficar aí no ponto final, depois ele volta". Eu nunca entendia muito, desculpa, eh, essa situação. Depois ela veio me explicar, falou assim: "Ó, eu não sei como que você ia se adaptar. Veja, eu tenho 63 anos." Então, ela já me colocava numa situação de, entre aspas, enfrentamento. Uhum. Só que hoje eu não consigo fazer muito isso, né? Então, eu diria que o ponto é eh tentar mostrar que existe sim um lado perigoso, porque não dá para falar que não tem. Sim, claro, né? Então isso é uma psicoeducação dentro de casa, né? Você não precisa ter um psicólogo lá dentro. O pai nessa hora pode ser um elemento e deve ser um elemento que traga informação paraa criança e ao mesmo tempo que vá mostrando também situações positivas e negativas, trazendo a realidade próximo dele. É através de um filme eu posso ver, pode, mas às vezes é muito distorcido. É muito melhor você pegar e sair pela cidade e mostrar, né? porque senão você trava uma ideia de cidadania. Uhum. Então essa criança pode crescer com medo das pessoas e se e se fechar eh para o mundo, que não vai ser bom nem para as pessoas que estão próximo dela e nem para ela. Muito bom. Muito bom. A última pergunta, então. Bora que bora. Tem que correr. 8:52. Tá tão gostoso esse bate-papo de hoje. Quanto ensinamento, quanto a troca, gente. Eu fico feliz demais. Fernando Silva do Jardim Magnólia. Mesmo em lugares calmos, o alerta continua ligado à nossa cabeça. Sim. É sim, Fernando, porque o sentimento de perigo não vai embora. Nem quando tudo parece estar bem, Vera, a gente tá com medo constante. Então, voltamos à hipervigilância. É, hipervigilância total, voltamos ao que estamos nos alimentando na relação da nossa autoproteção, da proteção da nossa família, dos nossos filhos, né? Então, eu acho que a base disto tudo está eh em que valores eu estou cuidando para o meu mundo mental, quais são as situações que eu devo estar atenta e preocupada ou não, né? Então, acho que enquanto a gente está eh isso tudo, como nós já conversamos aqui, é muito repetido e vai sendo internalizado. Então, como é que eu tô num ambiente agradável e eu estou com medo, eu estou atento ou eu estou desassossegada e nem sei o que é. E é um medo que está vigilante e que independe da minha vontade. É, né? Vem daquela forma sutil. Na medida em que eu tenho valores bem formados e eu leio, eu estou atento ao mundo, eu dialogo, eu acho que a linguagem é alguma coisa fundamental, para não dizer a leitura, né? A leitura correta do mundo, né? Uma leitura e não existe certo ou errado, mas a leitura que faz juos meus valores, né? aquilo que eu quero apoiar, aquilo que eu concordo ou o que não. Então, eu tenho esse discernimento. Eu dialogo comigo, eu dialogo com os meus amigos, eu dialogo com os meus colegas de trabalho. Então, eh isto tudo é o que vai possibilitar que eu esteja menos vigilante, entendeu? Eu tenho um pouco um pouco mais de saúde mesmo num ambiente em que tem, você vai ver que tá todo mundo atento a alguma coisa. tá tomando o seu chinho, tá comendo seu churrasco, tudo delicioso, muita risada e tudo, mas não, em segundos a coisa parece que vem à tona no nosso pensamento e dá aquela aquele frio na barriga que você não explica, você não sabe o que é, né? Isso é a nossa tendência se nós não cuidarmos disso. E é um cuidado primeiro pessoal, meu comigo mesma, de atenção, de discernimento. Muito bom, gente. Olha, a gente precisa encerrar. 8:55. Nossa, a gente fecha a semana com chave de ouro aqui no nosso estúdio Câmara, com essas duas pessoas maravilhosas aqui nos ensinando, né, como é que a gente deve lidar com esse medo. O medo ele é natural, né? eh, é humano, ele é necessário para que a gente sobreviva, mas quando ele passa a organizar a nossa vida, determinar as nossas rotas, impedir os nossos encontros, limitar as nossas escolhas, a gente precisa eh ficar atento com toda essa questão do medo e buscar ajuda, né? E buscar ajuda, como muito bem disse o professor, às vezes é é dentro da sua casa, se você conversa, fala, explica, né? eh falar cura e quando essa questão é do medo, o coletivo também ajuda para que esse medo seja eh mais eh seja minimizado, vamos dizer assim. Mas o medo faz parte da vida e ele também nos protege. A gente quer agradecer a participação de vocês, Vera maravilhosa. Obrigada pela sua presença. Prazer imenso conhecê-la, [música] estar aqui nessa experiência com professora Alexandre. Foi muito gratificante. [música] Obrigada. Nossa, nós que agradecemos, professora Alexandre. E quanto ensinamento, quanta troca. Fico muito feliz com a presença de vocês. Muito obrigada mesmo. Obrigado mais uma vez, Rúbio pelo convite. Precisando da gente. Estamos [música] apostos. É isso, gente. E olha só, hein? Falamos do medo. Então agora você já sabe que você pode controlar esse teu medo e se ele passar do controle, você também precisa buscar ajuda. Tá bom? Ô produção, traz para mim aí o programa de amanhã, por gentileza. Vamos lá. Amanhã não, gente, amanhã é sábado. O programa de segunda-feira. É segunda-feira a gente vai falar dos feriados prolongados. Ah, tá bom. E aí, né, a gente tá vivendo um ano eh que tem muitos feriados prolongados. E aí eu te pergunto, como é que a gente se prepara mentalmente, emocionalmente para esses dias de feriados prolongados que parecem sim um sinônimo de descanso, né, mas nem sempre são tão leves assim. Quando você não vai viajar, mas você acaba se comparando com quem foi, fica lá na internet rolando feed e vendo as pessoas passeando na praia, você fala: "Tá todo mundo na praia, eu não tô". Né? E a pressão de você deixar tudo organizado no trabalho por conta dessas pontes, sabe? Então, ó, tem feriado, né? São a gente vai esticar o feriado, aí eu tenho que deixar tudo arrumado no trabalho, tem que trabalhar o dobro, né? Então, gente, será que isso é descanso? É pausa ou é fonte de ansiedade? Então, segunda-feira a gente vai conversar sobre expectativas, comparação, produtividade e equilíbrio emocional nos feriados [música] prolongados. Combinado? A gente agradece a sua audiência, a sua companhia. Quero lembrar que a ÍRa tá chegando aí direto da Central Iá, trazendo informações atualizadas aqui de Campinas, do legislativo, do nosso estado de São Paulo, Brasil e mundo, inclusive cotação do dólar, euro e muito mais. ao meio-dia, Gabriel Castro no Câmara Notícia trazendo informações de tudo que aconteceu ontem na reunião ordinária e a nossa equipe, né, de jornalistas, aposto, sempre trabalhando, eh, trazendo informação para você da cidade de Campinas, do Legislativo e aqueles programas de entretenimento [música] pro seu final de semana que super vale a pena você estar ligado aqui na nossa programação da TV Câmara Campinas, tá bom? 8:58. Vamos entregando um grande abraço para você. Fique bem, se cuide, aproveite da forma que você achar pertinente o seu carnaval, né? Mas lembre-se, você precisa estar no aqui e no agora sempre, tá bom? Um grande beijo, fique bem e até a segunda. [música] [música] [música] [música] [música] [música]