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[música] Olá, seja muito bem-vindo você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o Estúdio Câmara nesta segunda-feira, dia 2 de fevereiro. E nós iniciamos a semana com um olhar atento e necessário sobre um tema que despertou profunda indignação e tristeza nos últimos dias. É o caso do cachorro Orelha, né? esse caso que aconteceu em Florianópolis, que acende um alerta vermelho sobre a saúde mental e a formação do caráter da juventude. E hoje o estúdio Câmara convida você para entender o que a ciência diz sobre crueldade contra animais e também como a gente pode identificar sinais precoces de transtornos graves, né? Hoje nós vamos conversar com dois especialistas da saúde mental. Já estão com a gente aqui no estúdio. Você pode participar conosco. Enquanto isso, vou atualizando algumas informações e daqui a pouquinho já volto então com o nosso tema central e a apresentação dos nossos convidados. A Câmara Municipal de Campinas realiza hoje a primeira reunião ordinária do ano de 2026, a partir das 6 da tarde no plenário José Maria Matozinho, com transmissão ao vivo pela TV Câmara Campinas e também pelo YouTube. Você pode participar tanto presencialmente no plenário quanto eh pelo YouTube e também intervir na reunião, né, mandar a sua mensagem, a sua dúvida, participar. Entre os principais trabalhos estão a votação do projeto executivo, que trata da reserva de vagas em concursos públicos da administração municipal. Também temos o projeto do executivo que estabelece normas gerais para a realização de concursos públicos, projetos de vereadores em regime de urgência que tratam da denominação de ruas e praças públicas e também projeto de decreto legislativo de autoria do vereador Luiz Rossini, que concede diploma de honra ao mérito. Então, hoje às 6 da tarde no plenário José Maria Matozinho, a primeira reunião ordinária do ano de 2026. Participe. A sua participação é muito importante. Bom, volta às aulas. Notamos que o trânsito já está bem diferente hoje, né? E está em funcionamento. A operação volta às aulas 2026, primeiro semestre. Essa operação é realizada pela INDEC aqui em Campinas. A ação acontece no entorno de escolas e universidades com monitoramento de instituições localizadas em vias de grande fluxo, especialmente nos horários de entrada e saída dos estudantes. O objetivo é orientar, fiscalizar e organizar o trânsito, garantindo mais segurança viária, reduzindo conflitos entre veículos e pedestres e também prevenindo acidentes neste período de retorno às aulas, né? Então, muita atenção no trânsito, atenção redobrada, nossas crianças, nossos jovens e adolescentes [música] no trânsito para iniciar então o ano letivo de 2026. Previsão do tempo para hoje, segunda-feira. Tempo eh fica daquele jeito, né? Sol com muitas nuvens, nublado agora de manhã. Então, à tarde nós vamos ter aí, de acordo com a previsão temporal, tá? Com rajadas de vento e à noite bastante chuva também aqui em Campinas. Mínima 21, máxima 25º. Vamos lá então, né, gente? Boa semana pra gente, um ótimo fevereiro para todos nós. E agora a gente entra no nosso caso central aqui eh do estúdio Câmara, né? O caso do cachorro orelha agredido a pauladas. Também tem o caso do cão abacate morto a tiros no Paraná. E esses casos reacasem o debate sobre a tríade de McDonald's, né? Um conceito da criminologia. que liga a crueldade animal, ao desenvolvimento de comportamentos violentos na vida adulta. Estudos da Organização Mundial de Saúde indicam que o transtorno de personalidade antisocial, conhecido popularmente como psicopatia, ele pode manifestar os seus primeiros sinais ainda na infância. A violência contra seres indefesos não é uma coisa de criança ou uma fase, mas um indicador clínico de ausência de empatia e a necessidade de controle. Bom, a gente precisa entender tudo isso. E para nos ajudar a entender esse cenário complexo, hoje nós recebemos aqui no estúdio Câmara dois profissionais da saúde mental. A gente dá o bom dia especial, a gente eh as boas-vindas, né, ao psicólogo e escritor especialista em ansiedade, síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia, Alexander Best. Seja muito bem-vindo. Obrigada pela sua participação e presença aqui no estúdio Câmara. Obrigado, Rubião. Um abraço a todos que nos vem. Ilustre convidado aqui do lado. Essa cidade tão gostosa Campinas, né? Eu eu gosto muito de Campinas. Tem, já tive bastantes amigos aqui, tem uma ligação bem, bem calorosa aí com essa cidade. Minha filha estudou aqui na São Paulo, Mandique, né, medicina ali. Enfim, então eh eu gosto muito daqui. Obrigado pela oportunidade de estar aqui e que a gente possa trazer aqui à luz de alguns conhecimentos para as pessoas entenderem como é que funciona o mecanismo psiquiátrico, né? Essa pauta é uma pauta de origem psiquiátrica e não psicológica. Maravilha. Muito bem. Com a gente também a psicóloga clínica. Ela é mestre em psicologia, coordenadora do serviço Escola de Psicologia eh da USF, Sani Pandovani, seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua participação e presença. Muito obrigada. Bom dia a todos. Um prazer tá aqui. Muito obrigada pelo convite. Espero poder colaborar com o tema hoje. Vamos, vamos trabalhar hoje nesse tema porque nós precisamos entender. O Alexander, ele defende que não existem maus tratos intencionais sem tratos psicopáticos. Bom, considerando que esses atos envolvem ausência total da empatia e busca por controle, como que a psiquiatria ela explica o prazer mental no sofrimento alheio? qual que é a visão que você traz pra gente de uma forma bem coloquial para que as pessoas que estão em casa possam entender eh essa abordagem que nós vamos dar sobre essa questão da psicopatia iniciada de repente lá na infância. Então eu eu escutei muita gente falando, vi muitos posts, culpa dos pais, culpas disso. É fácil colocar culpa nos pais, né? Muito fácil. Não é bem por aí. Neste caso, não é bem por aí. O que que acontece quando a gente fala em saúde mental? É importante a gente entender o seguinte: a mente humana, a ela é classificada apenas em três etapas, três esferas: neurose, psicose e perversão, tá? Só isso. Depois, claro que ambas tem abre uma chave e você tem milhões de, né, de nuances ali. Eh, esse caso, o que que acontece quando você parte para uma crueldade como esta, o você tá fazendo o quê? você tá mostrando aquilo que você é. Uhum. Né? E para você ter uma curiosidade dessa magnitude, o a classificação mental é a psicose. Não tenha sombra de dúvida nenhuma. Então, a psicose tem uma ligação muito extensa com a curiosidade de animais. Eh, os três primeiros indicativos de psicose é urinar na cama quando é criança, mas pode necessariamente acontecer. Segundo, curiosidade com animais. E terceiro, o prazer em ver o sofrimento não só dos animais, como pro adulto. Se você pegar todos os cereais killers do planeta, Joan Gace, que é o que eu estudo bastante, né, Ted Band, Gary R, eh, e tantos outros, o que que acontece? Você vai ver que todos eles começaram o seu, a sua escola, né, a sua jornada, a sua esteira psicopática com a cruodidade com os animais. Então, o que que a gente precisa é entender que esse tipo de esses adolescentes fizeram uma associação psicopática ali, porque quando você não tem essa estrutura psicopática, você não participa, você não consegue. Quando você tem uma estrutura neurótica, você fica na neurose. A neurose não implica em violência física, nem contra animal, nem contra ninguém. Então, na psicose vai ter ali um prazer sádico, né? você tem a a a discriminação do prazer e você realmente tem a gratificação mental. É como um substituto sexual. Uhum. Né? Então, todo psicótico é impotente sexual, todo, sem exceção. Ele só consegue se citar realmente através da crueldade, né? Então, a psicose é uma manifestação psiquiátrica, morfológica, irreversível, que você pode ter nascido com ela e mesmo que você não tenha tido nenhum tipo de antecedente hereditário genético, se você se faltou segundo, um segundo no pato de oxigênio, você já faz a psicose ali instantânea. Ou ela pode ser dada via DNA com algum avô, com alguma, não importa quem, né? E uma outra questão, a personalidade se forma até os 8 anos de idade. Você tem as infâncias que são divididas de dois em do anos, o zero aos dois, tal. Qualquer trauma que você teve, quanto mais próximo de uma idade menor, um traumas, a criança caiu, não tinha nada, mas ela caiu, bateu aqui o lobbio frontal, acabou, você já faz a psicose ali. O importante é que a psicose ela é recheada de uma maldade muito grande. Você falou de alguém que abateu o cachorro a tiros. É muito diferente você matar um cachorro a tiro do que matar um cachorro paulada. No matar um cachorro ao tiro, você não tem a gratificação sexual, que é o que sejais killers têm quando praticam seus crimes edos, né? Então, por isso que nos Estados Unidos uma criança dessa é punida e punida com razão e tem que ser punida mesmo, né? Ao o máximo rigor da lei, que é o que falta no Brasil. É isso que os deputados eh federais, senadores precisam entender. Psicose é irreversível. Não tem cura, não adianta, não existe isso. Então a gente pretender que a gente tá falando aqui com gente que praticou uma uma monstruosidade muito grande com intenção, porque se algum deles não fosse psicopata, não estaria ali, sairia do grupo. E outra, você mata e vai paraa Disney. Um cachorrinho indefeso. O psicopata ele se fosse um cachorro sem merecer orelha, mas se fosse um dobmão, aquele outro o hotweiler eles não iam atacar. Porque pro psicopata o importante é infringir o sofrimento. Ele não vai, vê se algum psicopata ataca o Mike Tyson, não vai atacar. Então é destruir o outro. Essa transtorno de personalidade antisocial é a falta de empatia, é o prazer pela dor, é infligir a dor, né? Então assim, eh, é uma questão de você, você não tem aqui no na mente a ligação do do laço afetivo. É cortado. É como se você cortar um tendão, você não mexe mais o dedo. É mais ou menos isso. É impressionante, gente. É um é é na sua avaliação, então é um comportamento planejado, né, onde o agressor sabe o que está fazendo realmente. Sim. Eles tentaram matar um outro afogado. Então você veja, é o tipo de crueldade. E aí o que que acontece? Crueldade com o cachorro, todos os grandes cereais killers do planeta fizeram. Então esse esse que é o grande problema. São pessoas que não vão mudar. E hoje é o cachorro, amanhã é o ser humano. Um assunto muito delicado, mas que a gente precisa trazer à tona pra gente poder entender o que acontece, né? Sem julgamentos, né? Porque isso a gente deixa eh eh para a área jurídica, mas a gente precisa entender o que acontece na mente do ser humano, né, Sane? Ah, a psicopatia é um transtorno que não escolhe classe social, nível econômico, escolaridade, assim como o Alexander e eh pontuou, né? Por que que ainda a gente tem a tendência de achar que esse tipo de desvio ocorre só em ambientes de vulnerabilidade? Qual Qual que é a sua avaliação sobre e essa questão? esse caso que a gente tá trazendo hoje e principalmente essa tendência de achar que esse tipo de de situação acontece em ambientes ou pessoas que estão vulneráveis. E hoje a gente viu com toda essa situação, esse caso, né, que acendeu esse esse eh essa fala eh essa discussão que não é só em situação de vulnerabilidade. Uhum. Uhum. É, eu eu entendo assim, né? Acho que a primeira questão que eu quero colocar é essa essa esse compromisso um pouco, né, nosso aqui, né, de de do julgamento em relação a essas pessoas, né, porque a gente tem ali um compromisso ético até com essa questão do do de escutar a pessoa, de entender um pouco da história, de uma avaliação um pouco mais eh cuidada ali, né? Eh, eu vejo assim que eh eh essa questão das das psicopatias, você falou uma palavra interessante que é a vulnerabilidade, né? E eu fiquei na hora me perguntando assim, de qual vulnerabilidade a gente tá falando, né? Porque nós estamos falando de uma vulnerabilidade social ou nós estamos falando também de outras vulnerabilidades, então emocionais, né, familiares, porque uma psicopatia tem seus, né, como Alexander trouxe, tem seus suas suas origens eh genéticas, né? E aí a gente pode separar a psicopatia da sociopatia, né, todos no espectro do transtorno de personalidade antissocial. Mas eh também a gente tem um componente ali que é um componente ambiental, né, de fatores que são ambientais. Então aí entra essa questão que você traz da vulnerabilidade, né? Então eh como a minha experiência ficou voltada um tempo da minha vida ali aos adolescentes autores de ato infracional, a gente vai vendo que as vulnerabilidades elas estão em todas as os níveis socioeconômicos, culturais. Uhum. eh, e que ela tem a ver com essa escuta das necessidades dessa criança. Então, ela não se faz na adolescência, né? Uma personalidade vai se moldando ao longo da vida. Então, se a gente pensar na primeira infância ali, é quando mais você tem um cérebro funcionando, um cérebro impotencial aprendendo, né? E aprendendo não só com aquilo que é verbal, mas aprendendo principalmente com o que é não verbal também, né? Então esse ambiente familiar, esse ambiente social, o ambiente escolar, né? Então tudo isso vai trazendo influências paraa estruturação de personalidade dessa criança. Uhum. Então a o a gente olhar para que para pros pequenos sinais que vão acontecendo ao longo da infância é fundamental, né? Porque aí a gente vai olhando um pouco para como é que isso, como é que esses sinais vão apontando para nós esta vulnerabilidade, né? Então essa criança precisa ser escutada, precisa, né? Eu acredito que eh a escuta eh saber ouvir e fazer o direcionamento para a criança eh no momento certo, né? lá no início, se você viu alguma situação, acho que dá para conseguir equilibrar um pouco essa questão, mas o Alexander trouxe que quando a gente fala de psicopatia, o o Alexander aponta as causas que podem ser genéticas ou até intercorrências no nascimento também, como a privação de oxigênio. Você percebe como isso é importante a gente entender? é uma vez instalada na primeira infância, por que que essa condição ela é classificada como irreversível na questão aí da privação do oxigênio? Eh, acontece, não, não tem como reverter mesmo? O que que você traz pra gente sobre isso? Quando uma psicopatia ela é instalada, né? Eh, pode ter níveis, pode, eu falei um segundo, mas pode ser dois, pode ser três, pode ser quatro. Sim. Existe, já volto no tema, eh, a diferença daquele cara que abateu, o nome do outro cachorrinho é o abacate. Abacate. Teve o caramelo, teve. Quando um cara bate um cachorro desse a tiro, é pela maldade, é pela crueldade, sem ter o fator psicótico, sem ter a psicopatia, tá? Porque ali ele não vai ter a gratificação sexual. O psicopata, ele precisa da gratificação sexual. como ele tem um transtorno de de personalidade antissocial, o o há um rompimento n porque o cérebro ele é dividido em aparelho sentimental, emocional e psicológico, psiquiátrico e neuropsiquiátrico e neurológico também. Então o que que acontece quando você tem o rompimento do da esfera emocional, da esfera sentimental, você não você não tem mais ligação com o outro. É o seu mundo, é as suas regras, é o que você quer fazer. E geralmente todo psicopata, né, diferente daquele que abateu, porque aquele cara que atirou no cachorrinho lá no abacate, no caramelo, em tantos outros, né? Uma pena, porque a gente tá falando em criaturas dóceis, né? E tantas outras crianças também que são vítimas, tantos outros adultos que são vítimas de tantas e atitudes psicopáticas. Eh, ela falou muito legal, vabbinalidade, sim, porque pro psicopata interessa a vulnabinalidade do outro. Ele não consegue, ele ele é inteligente. O psicopata é muito inteligente. Ele não vai atacar um cara que sabe se defender. Ele não vai atacar um lutador, entende? Ele vai atacar um cara ou um animal que não consegue se defender, porque esse é o tipo de coisa que ele quer. Então você há um rompimento cerebral, né, ali, um trauma. Eles pode ser um trauma congênito, nascido, pode ser um trauma hereditário ou pode ser um trauma adquirido até a formação da personalidade, tá? Fechou a personalidade, acabou. Você pode ter outros traumas no futuro, mas você não vira mais psicopata, nem psicótico e nem sociopata. É que a diferença é muito tên entre uma e outra, né? são todas os transtornos de da do espectro psiquiátrico. E a partir do momento que é o rompimento, é como, por exemplo, se você lesionar a sua lombar, se você tiver uma herne ali, você vai perder o movimento da perna. Mais ou menos isso que acontece. Por que que é reversível? Porque é morfológico, faz parte da sua formação. Sua é como a torre de pisa. Nasceu ali, não vai voltar. Então, muita gente não entende isso. Quando as mulheres não são vítimas de feminicídio, ah, mas ele vai mudar, ele não não mudam. Aí amanhã, infelizmente essa mulher é mais uma estatística, né? Você falou do jurídico. Eh, eu tive a oportunidade de fazer duas faculdades no Estados Unidos, tá? E eu acompanhei muito bem essa questão lá. As leis americanas de punição a crimes psicopáticos são foram orientadas por toda a equipe de psiquiatria do FBI, FB e FBA para quem que falar em inglês, né? É por isso que as leis funcionam. É por isso que um cara com 13 e 14 anos vai pra prisão e vai ficar lá um bom tempo. É por isso que um cara em Londres outro dia com com 13 anos que matou não sei quem pegou perpétua porque ele vai sair e vai matar mais um. É, é isso. É uma estrutura que não se não se desfaz, né? Ela não se desfaz, mas ela tem eh você tem algumas possibilidades se identificado rapidamente, né? você tem algumas possibilidades de algum tipo de manejo, né, mas não de desestruturação da personalidade, né? Então ela se faz e ela ali tá posta, né? Então se a gente fala da psicopatia, da sociopatia, da psicose, por exemplo, são estruturas que não se desfazem, né? Então você não volta a ser neurótico, né? Você não passa pra neurose. É, não existe migração entre uma instância e a outra. Não existe ou neurótico, ou é psicótico, ou é perverso sexual. Poxa vida, é é uma situação delicadíssima. E agora a gente fala da questão da família, né? Qual que é a sua avaliação eh na questão familiar? No caso que a gente tá falando aqui, né, do a gente tá falando do caso do cachorro orelha, né, especificamente, mas a questão familiar, o que que você traz pra gente, S na questão da família? Porque para chegar a esse ponto tem toda uma história, tem todo um caminho, né? Qual que é a avaliação que você traz pra gente? É, eu entendo assim, né? Acho que primeiro fazer essa distinção pouco da psicopatia da da psicopatia com a sociopatia, porque as origens também elas variam um pouco, né? Então, na psicopatia você tem algo genético que é muito predominante. Na sociopatia você tem fatores que são ambientais, eh, que interferem eh também nessa constituição. É, então o que o que eu vejo hoje, né, essa questão da da família nesse contexto atual que a gente vive, nessa contemporaneidade, onde a gente teve uma família que se que se modificou muito ao longo do tempo na questão da estrutura familiar, na questão da dinâmica familiar, né? As mulheres entrando fortemente no mercado de trabalho, a maternidade ganhando um outro lugar, a paternidade ganhando um outro lugar. essa mudança de papéis que a gente tem visto acontecer. E mudança de papéis eu não tô colocando não não necessariamente num lugar eh num lugar eh negativo ou pejorativo, porque a mudança de papéis ela é muito bacana de acontecer. ela pode acontecer de uma maneira muito saudável entre as famílias, mas eh o o a própria as próprias tecnologias que vieram eh agregar para nós e trazer todos os aspectos positivos, né, da gente ter uma internet que você pode consultar tudo e aprender tudo na internet. Eh, então todo esse contexto, eu entendo que é um contexto social, é um contexto familiar, ele vai também eh trazendo uma mudança no exercício da maternidade, da paternidade, né? No exercício do cuidado a essa infância, né? Então, o que nós temos hoje, o que eu tenho visto bastante hoje no consultório, né? eh, pais, eh, responsáveis ali, pessoas, tutores que que t algumas dificuldades de olhar pro desenvolvimento infantil, né? Porque cuidar de uma criança, educar uma criança, dá dá trabalho. Muito, é muito trabalhoso fazer isso, né? É muito trabalhoso você olhar para uma situação que acontece, por exemplo, na escola e ficar atento a essa situação da escola e poder ir lá. Então, seu filho volta com uma queixa, seu filho volta com uma raiva de um coleguinha, né? Então, essas situações todas elas precisam ser olhadas pela família de uma maneira cuidadosa, porque elas são sinais. Sim, essas situações vão dando sinais de que alguma coisa não vai bem com aquela criança, de que alguma coisa ali pode estar mal colocada, mal compreendida, mal assimilada por aquela criança. E ela precisa de ajuda para manejar isso. Ela precisa de ajuda para conseguir encaminhar essa questão emocional, essa demanda que aquela relação interpessoal com outra criança ou com uma professora, ela precisa de ajuda. não consegue fazer isso sozinha. E hoje a gente tem muito esse entendimento de que as crianças estão super espertas. Elas estão muito espertas e elas resolvem sozinhas as coisas, elas encaminham bem, né? E elas não fazem isso. Elas precisam do adulto como referência. Então, todo esse contexto, eu vejo social, familiar, né, dessa modernidade, da vida moderna, da vida atual, ela traz desafios para esse, para essa escuta, para esse olhar em relação a algum sinal que essa criança tem dado e que a gente precisa escutar isso de uma maneira séria, né, e não dizer, tá tudo bem, ela já resolveu, passou, ela parou de chorar, ela não, ela ela está, provavelmente ela está em sofrimento, né? E se se os adultos que estão próximos ali não estão de olho nisso e não podem abrir uma escuta que, como eu disse, dá trabalho, né? Dá trabalho. Eu tenho que sair do meu trabalho para poder ir até a escola numa reunião de família. Não é fácil fazer isso para nós hoje, que temos uma pressão tão grande em relação a sermos produtivos, a sermos eh a termos sucesso, né? Então isso não é uma coisa que acontece com muita facilidade. Então eu vejo que a família ela tem uma e e a escola, eu coloco a escola nesse sentido, porque a escola talvez seja o primeiro ambiente, o primeiro contexto ali que consiga detectar alguma coisa que esteja acontecendo com as crianças, né? Então essa interação entre a escola, a família, ela precisa acontecer, né? Porque as famílias também estão em sofrimento. Em relação em sofrimento, elas estão culpadas porque elas também não conseguem dar conta de todas as demandas que a vida atual vai trazendo para nós. Muito bem. E você, Alexander, qual que é a sua? Concordo plenamente com ela, porque a escola é uma referência de vida, é uma é a sua segunda família, né? Sim. Então, quais são as famílias que você tem na sua vida? Família a a primordial, que é a família que você nasceu, né? A de origem, né? Sim, exato. Exato. Aí você tem a segunda família que é a escola. A escola que eu digo primário, prévio, embora, tudo, né? Até o colegial, faculdade. E aí que seria a segunda família e a família terciária é aquela que você escolheu para casar, né? Eh, na escola você tem muitas respostas ali que os professores mais atentos, né, podem pegar aquele comportamento, porque não não é tudo que é verbalizado. Sim. Agora você pode ter bullyings na escola que não vai fazer essa criança ficar psicótica, mas vai fazer essa criança ficar com raiva. A não ser que ela já tivesse uma estrutura psicótica lá atrás e precisaria de um estímulo externo para que essas psicose fosse desenvolvida. Tem psicopatas que conseguem conviver no dia a dia sem oferecer risco social. Agora tem outros como esse caso aqui, não dá, você entendeu? Então, a escola é fundamental para que você tenha uma formação boa e até não só aprender, é detectar. É muito importante também a gente entender a diferença entre educação e criação. Criação é aquilo que você teve na sua casa, é aquilo que vai te molda a sua personalidade, molda o seu caráter, né? E educação é vem na escola. É, a gente tá aqui no programa, eu esperar ela falar ou se a gente tivesse aqui um um pão com, adoro pão com manteiga, um pão com manteiga, a gente [risadas] saber comer o pão com manteiga sem fazer sujeira, né? Você falar um uma outra língua, um francês, um espanhol, não importa qual outra língua. Ou seja, você chegar ou numa padaria de esquina ou num ambiente de de alto nível e saber se importar. Isso é educação, né? Eh, é você saber um texto e compreender esse texto, entender como a pessoa tá falando em qualquer área. Criação não, não tem nada a ver com educação. Então, a educação é importante, só que ela não molda a personalidade, mas ela vai emitir ali ã dicas. Olha, eu tô achando que o seu filho tá estranho, tô achando que sua filha tá estranho, né? E é muito interessante que a psicopatia é predominantemente masculina e não feminina. é tão masculina que na literatura mundial, se você pegar a grande a literatura da da psicopatia, psiquiatria, você vai ver que não tem nenhum% de mulheres psicopatas. Tem, mas é muito pouco. É um é uma doença exatamente masculina, uma é uma, é uma psicopatologia psiquiátrica masculina, mas a escola é fundamental. Se você puder ter uma harmonia na escola, de repente, se você tem um trato mais voltado à psicopatia, talvez esse trato psicopático nunca seja e eh manifesto e fique num conteúdo ali mais sossegado, um conteúdo mais e enrustido, sem você ter exercido a psicopatia no mundo e sem ter feito uma curiade com o animal, por exemplo, né? é, ou detectar, né, antecipadamente e ter um manejo muito precoce, né? Então, por exemplo, uma criança que já pode trazer alguns sinais, alguns traços de sociopatia na na questão do do mal dos maus tratos aos animais ou de uma falta de empatia, né, que essa é uma característica fundamental, essencial ali da sociopatia e da psicopatia, ausência de empatia. Uhum. Então, é ausência da da a possibilidade de eu me tocar com o sofrimento do outro, né? Então, bem, como o Alexander disse, é um prazer próprio, tá ligado bastante ao egocentrismo, né? esse atendimento às minhas necessidades exclusivamente. Então, se eu tenho ali uma ausência de empatia com o outro, né, uma irritabilidade importante, uma agressividade importante, né, eh são sinais que a gente pode, eh, aos poucos ali cuidando e manejando de uma maneira precoce, né? E você pode ir eh fazendo com que essa criança eh vá eh se tocando com o outro, né? Tem uma um um contexto dentro da psicologia que a gente fala, né? Um conceito ali que é de eh culpa e reparação, né? Então a gente costuma dizer assim que uma criança sentir culpa numa medida sadia, Sim. é fundamental. Sim. Se ela não sente culpa por uma ação feita, por um prejuízo causado, por um sofrimento causado a alguém, ela não tem a possibilidade de reparação. Então, ela precisa se sentir culpada de alguma maneira. A culpa aí com as aspas todas, né? Porque ela precisa estar também numa medida saudável, né? A culpa em excesso também vai trazendo prejuízos psicológicos, emocionais muito grande para uma pessoa. Mas a criança que que sente culpa, que é colocada num lugar onde ela pode eh parar e pensar e ser colocada ali para pensar, uma mãe que diz: "Olha, não foi bom o que aconteceu. Veja só o que aconteceu com seu colega. Veja só o que você provocou aqui, né?" Então, uma mãe que vai colocando, um pai que vai colocando essa situação para uma criança, faz com que ela tenha a possibilidade de reparar o seu erro. E é isso que atira deste contexto da sociopatia. Então, eu crio empatia por alguém quando eu posso eh me colocar no lugar da pessoa e me sentir responsável por aquilo que eu fiz de alguma maneira. E assim eu consigo reparar, então eu consigo ir lá e me desculpar, eu consigo ir lá e fazer alguma coisa para amenizar um pouco o sofrimento daquela pessoa. Então a culpa numa medida eh sadia ali, né, ela é fundamental para que a gente possa eh ter a chance de reparar. E reparar me faz então ter empatia pelo outro. ele não vai conseguir ter essa essa questão da culpa e da reparação. Não, não tem arrependimento, pelo contrário, ele vai ter mais prazer. Eu acho que uma dica importante também pr as pessoas entenderem, ah, o todos os psicopatas, a história de todos os serial killers, todos sem exceção, todos eles viviam em isolamento social, todos, porque aí tu consegue planejar Jeffre Dammer, por exemplo, né, que foi um dos mais notórios, ser nenhum ouve todos, engraçado, todos os serais killers queriam ser igual o Ted Band, todos, sem exceção. né? Então, eh eh o primeiro serial Kila que deu inclusive é o próprio Hitco que foi estudar para fazer o psicose. Sim, né? Que é o ser 1906 ele nasceu lá nos Estados Unidos, então em Viscon. Então o que que acontece? Você teve vários filmes, O Silêncio dos Inocentes foi feito basado nele, né? que tirava as peles, aquela coisa toda, para fazer o Edge. Edg nome dele foi o primeiro, o primeiro serial killer americano. Então assim, e todos os um todos queriam superá-lo. Quem conseguiu superá-lo foi o Ted Band, porque era charmoso, fazia faculdade de a linha de direitos e tal, mas todos eles tinham uma questão muito grande com isolamento social e uma questão muito grande com a pornografia. Todo Seral Killer tem uma questão com a muito íntima com a pornografia que acho que fica uma outra uma outra questão. Notícias que aparecem na TV sobre violência, um adolescente que tem essa tendência. Uhum. É o que ela falou aqui atrás, mesmo mediaticamente. Mediaticamente, porque é notícia na mídia, sim, ele não vai se incomodar, vai s, sabe? Não é? Então assim, uma pessoa que que tem uma estrutura de caráter neurótica, ela vai se importar. Porque o neurótico nunca vai partir pra violência. Ele pode chegar em casa e jogar o livro na parede, arremessar, ah, briguei com a namorada, jogar o celular na parede. Nunca ele vai atacar alguém. Ele vai se autoatacar, vai chorar, vai deitar na cama. Isso é anurose. É normal, desde que não leve alguns transtornos de pânico, aquela coisa toda. Mas você mas tem cura. Ele até pode, ele até pode atacar o outro, né? ofender agredir, mas ele tem uma ele tem uma ele volta para si, né? E ele tem esse contato com a realidade destruição. Exatamente. Não há o psicopata, o cachorrinho ali foi intenir. Eles precisavam disso para se alimentar. E ali é um compador muito serial porque já já era a segunda, né? O primeiro foi tentativa, não deu certo afogamento. Uhum. E os pais ali, claro que estavam tentando cobrir, né? Qual que é o prêmio? Ah, mata um cachorro, vai para Disney. Então, essa questão é chama muita atenção porque eh cadê a culpa? Cadê a preocupação da ação, né, do ato? Cadê onde tá? Eh, eu, eu, eu assim, eh, como eu disse aqui, sem julgamentos, a gente nós estamos aqui com dois profissionais, né, de saúde mental. Eu quero deixar bem claro isso, mas eh é um saio um pouco do meu entendimento essa questão, né? Eh eh eles são eh cometem essa situação, né? E aí consegue entrar no avião e ir pra Disney. Então assim, qual que é a avaliação que vocês profissionais de saúde mental podem e repassar pra gente aqui sobre essa situação? A família tem uma cobertura ali, né? Eles deram uma cobertura, não necessariamente que eles são psicopatas, alguma coisa assim, mas não consegue enxergar o problema dos filhos ou não querem enxergar ou tem uma negação, imitem uma negação ali, mas tem culpa total. Eu acompanhei um caso nos Estados Unidos que era uma família de assassinos, uma família de ali de criminosos, tal, e teve um cara que nasceu ali nessa família, São Caso Real Americano, tá? Eh, eu acompanhei quando eu tô fazendo minha especialização lá. E esse cara dstuava, ele não, ele, ele foi criado num ambiente eh de violência, foi criado num ambiente de delinquência, de de assassinatos, de contraversões lá na Califórnia, inclusive isso, lá em Ivine. A essa cidade que o cara foi, não vou falar o nome dele aqui. Uhum. Ah, e o que que aconteceu? Ele não se convertia ao crime. E aí isso a gente chama de personalidade soberana. Você nasce num ambiente, mas para ter personagem soberana, você não pode ter antecedente genético, nem hereditário, mas você nasce no ambiente ali eh com toda a promiscuidade social, com todos as a as delinquências que possíveis imaginárias, mas você não se mistura com seus próprios familiares. Esse cara que aconteceu, o próprio pai matou por ele não ter adotado o crime como uma escolha de vida, mas ele tinha uma personalidade soberana. Então, quando você tem uma personalidade soberana, ela também você descarta fatores sociais e familiares negativos, porque você tá blindado por você mesmo. Interessante. Isso tá muito em Freud, isso aí lá atrás. Então, na na realidade, ã, os pais têm muitos papéis importantes, mas eles não são necessariamente culpados da psicopatia que você teve. Uhum. Porque você pode ter alguma célulazinha ali da maldade, da E você pode ser mau sem ser psicopata, como o cara que bater o cachorro a tiro. Você pode ter o prazer no na na no outro ou você pode ser um psicopata ativo, você pode ser um psicopata passivo, passivo que apenas vê, né? você e você pode ser um psicopata ativo, que é aquele que que que executa, que executa. Exatamente. E você pode ser até mesmo um psicopata incentivador. Olha, vai lá e vamos fazer isso. É aí que os caras se uniram sem essa, se se todos eles não tivessem essa união, eh, eh, essa psicopatia, a união não seria feita. E claro que vai, aí você entra numa outra questão, eu preciso me juntar a este grupo, isso para me sentir reconhecido. Isso é, eu acho que tem um pouco do que estávamos falando antes aqui, né? O adolescência, ela tem um tanto dessa característica de ser eh de ações grupais. Uhum. Né? Então, se a gente for olhar dentro de uma escola, você vai ver pequenos grupos dentro da sala de aula. Você vai ver a turma do fundão, você vai ver a turma, né, das meninas X, você vai ver a turma dos meninos Y, você vai ver o pessoalzinho que estuda mais, vai se juntar. Então, é uma característica da adolescência essa questão dos dos grupos, das tribos. Exato. E a gente sabe o quanto a adolescência, o a o adolescente em grupo, ele ganha força, né? Então, provavelmente um adolescente sozinho se passasse por ali e visse um cachorro e tivesse ali a conversa com o cachorro, não sei. Eu tenho dúvida se se a ação seria tão imediata e tão forte como foi, né? Então eles em grupo ganham uma força maior. Então isso é uma coisa importante de se de se apontar aqui, né? Eh, você vai ver eh, quando eles aprontam mais dentro de qualquer contexto, é quando estão em grupo, né? Então, às vezes até um apelo do grupo para que que aquele adolescente aja daquela maneira, porque se ele não agir daquela maneira, ele tá fora, ele é motivo de chacota do grupo, né? Ele é aquele que deu para trás, que não, que é o o bobão do grupo, que não vai fazer. Então isso é muito comum nos grupos de adolescentes. Muitas vezes o adolescente nem tem aquela tendência, nem gostaria de tá naquele contexto, mas ele é levado pelo grupo porque ainda não está pronto do ponto de vista da sua estrutura eh cerebral, não está do do ponto de vista da sua do seu julgamento, da sua capacidade de julgar aquela aquela situação. Então ele, como eles dizem, vai no ele vai na onda, ele vai no embalo dos outros. esse cara que vai ter a culpa e a reparação, aquele que não tava pronto, não que não estivesse pronto, mas que não tinha aquela tendência, mas por uma questão de se firmar no meio, agora esse cara faz e vai embora e se arrepende. É aí que vai ser o divisor de águas, vai ser o quê? Diagnóstico, né? O psicodiagnóstico daquele que fez com consciência. E aí você tem aquela associação psicopática grupal, aí o cara vai e participa, mas ele é o primeiro a delatar, olha, eu fiz isso, mas eu me arrependi e tal, não sei o qu. Aí ele entra uma série de outras questões, tem que mudar de escola, tem que buscar proteção, sei lá, né? É. E e voltando para essa questão da família, né, Rúbia, que você traz ali, né? Então, assim, ah, eles foram pra Disney e tal. Eu acho que assim, eu eu vi eu acompanhei muitas famílias, né? Então, quando eu eu trabalhei com as medidas socioeducativas, meu trabalho era especificamente com famílias dos adolescentes atendidos ali na medida, né? Eh, então eu e uma assistente social fazíamos uma dupla psicossocial e trabalhávamos ali com essa com essa população. Eu vi muitas reações. Uhum. Eu vi reações de famílias que denunciaram seus filhos. Eu vi famílias que abriram mão do cuidado. Eu vi famílias que eh encontraram ali, né, 200 advogados para poder defender. Eu vi famílias que negaram, como o Alexander disse, a o o acontecido com o filho. Então, eu acho que assim, é como cada família consegue reagir à aquela situação para sair de sofrimento. Uhum. Né? com a com a ideia, com a tentativa ali de ou ela própria se livrar do sofrimento ou livrar seu filho daquele suposto sofrimento que ela acha ali que as consequências judiciais podem trazer para aquele adolescente. Exatamente. Ontem eu vi da do da dos delegados, né? Ouvi uma reportagem dos dos delegados que estão cuidando do caso e um deles inclusive já disse: "Olha, já temos indícios, já temos provas ali de que um deles não participou dos quatro apontados". Então também às vezes é uma pode ser uma manobra jurídica ali de não ser flagrante, enfim, né? Não não vou entrar nessa questão aí, mas eu acho que cada família, né? eh vai agir da maneira como ela entende que ela pode livrar o seu filho. E livrar seu filho não necessariamente é fazer o correto. Livrar seu filho não necessariamente é entregá-lo ali pra justiça e dizer: "Olha, errou, vai ter vai cumprir, vai assumir essa responsabilidade", né? Eu acho que tem muito uma, né? O Alexander fala dessa questão da punição e tudo mais. Eu acho que ela é importante, né? No ECA, né? A gente não fala na na culpabilização, a gente fala em responsabilização. Então, é óbvio que esses meninos precisam ser responsabilizados, né? Se se for apurado ali a culpa, né? A responsabilidade deles, precisam ser apurados. E as medidas socioeducativas elas elas estão aí justamente para isso, para fazer um acompanhamento psicosocial. Sim, né? Então eles vão ser olhados sobre todos os aspectos, não só de uma mente que pode ser uma mente criminosa. Uhum. né, mas também todo um contexto ali que pode eh trazer para nós a a primeira palavra importante ali que você trouxe, que é a questão da vulnerabilidade, né? Muito bem. É importante só salientar que eles ainda são suspeitos, né, de acordo com informações, ele e não não tem aquele o vídeo exato, né, da execução do do cachorro orelha. Então são tratados como suspeitos. E aí a gente tem essa bomba de de informação, tem fake news, tem informação de tudo quanto é jeito, de tudo quanto é lado. Todo mundo vira jornalista, todo mundo vira polícia, todo mundo vira investigador. Então a gente tem que tomar muito cuidado, né, com com a situação em si. Mas aqui nós estamos falando da da questão da saúde mental, da questão da da psiquiatria, da questão da psicologia. E aí o o nosso o o caso central é, infelizmente esse caso que aconteceu, né, do cachorro orelha, porque é algo que está em evidência hoje, mas tem muitas situações que não são mostradas na mídia, tem muita coisa que que a gente que acontece que a gente não sabe e que se viesse à tona, com certeza também chocaria. Sim, teria outras orelhas. Eh, você tem alguns testes, né? Você tem testes psicológicos, você tem testes psiquiátricos, você tem score de psicopatia que dá para detectar personalidades psicopáticas. Então a dúvida é muito fácil, é muito fácil tirar os exames no mentem. Teste projetivo, por exemplo, quando você faz um teste projetivo, não tem como você emitir. Você não engana o teste, não existe isso. Projetivo vem da mente, você projeta no papel, você tem exames de raio X, de ressonância magnética, tomografia que indica todos os cereais que eles têm anormalias. Por isso que quando você perguntou lá atrás, a psicopatia é totalmente detectável através de exames de imagem. Olha isso, gente. Totalmente detectável. Do mesmo jeito que você detecta um Parkinson, por exemplo, um Alzheimer, né? O Alzheimer aqui na frente, Paron atrás, enfim. Então você tem o o Parxon aqui no lobbio subital, aqui na no lobbio frontal, você vai ter ali a a demência, né, de Alzheimer, que são eh demências degenerativas primárias. Então tudo isso também é, não é o caso aqui, só tô exemplificando. Você tem ali pelos exames de imagem a comprovação científica de uma patologia. Inclusive no início da psicologia forense era esse o objeto de estudo, né? Então as os a psicometria ali fazendo um estudo, caracterizando os psicopatas eh por meio de instrumentos, né? Tô simplificando bastante, mas ela vem um pouco por aí, né? O início dos estudos foi pela medição, né? Óbvio que com um não era um objetivo de cuidado, era um objetivo de classificar e e e segregar essas pessoas de alguma maneira, né? Mas ele veio pela medição, pela pela pelo estudo deste cérebro, né, que era característico em todos os sociopatas e psicopatas. Muito bem. Olha, explicações excelentes de vocês. E agora eu queria falar desse efeito dominó que tá acontecendo. Por quê? Porque aconteceu essa situação, né, com com o animalzinho, com o cachorro orelha. Eles, os meninos foram viajar, voltaram e agora eh está uma comoção muito forte contra essas pessoas e que está gerando raiva. Muita gente na internet, nas redes, pregando ódio, raiva e aí a gente tem ali um efeito dominó, porque isso é perigoso demais. Eu gostaria da sua avaliação, né, sobre essa situação. Sim, porque o que que acontece? Eh, não é só uma raiva focalizada, isso é uma raiva em relação a toda uma violência que a gente vive, porque um pai de família sai de casa, você não sabe se o cara vai votar ou não, né? Então é uma é uma raiva que existe contra, por exemplo, eu eu trabalho nos Estados Unidos, eu sou um escritor de uma editora de de uma editora americana, né? Eh, não vou ficar fazendo propaganda dos meus livros aqui, mas eu acabei de fazer, eu fiz dois livros agora lá que foram lançados sobre Covid, muito bacana. Foi primeiro e segundo livro de COVID no mundo e acabei de escrever agora um livro, meu livro de Covid foi o primeiro do mundo. Não tô aqui meindo, pelo amor de Deus, por favor, fique à vontade. Satisfação. Eu acabei de escrever um livro agora sobre o Puff Dery, que é o rapper americano. Uhum. Tá. É o primeiro livro do mundo sobre o cara. tá preso que cometeu os clas o Diri. Sim. É que eu chamo ele de proféri porque foi assim, eu era fã do cara. Aham. Tá. E eu fiz esse livro em 8 meses. Ele já assinei contrato, vai ser publicado pela minha editora nos Estados Unidos, que é Life Rich, o nome da minha editora. Ã, então quando você toda vez que eu vou para Estados Unidos e volto pro Brasil, como eu fico triste, né? Eu perdi meu pai no assalto. Poxa, então eu sei como é que o bandido funciona, né? Ah, e o cara falou: "Se o coroa morrer, todo mundo vai morrer". Meu pai teve um infante na sua morreu, não foi de tiro, mas morreu eh em decorrência disso. Então eu estudo a mente psicopática há muito tempo, né? Ehã a vida inteira para falar a verdade. Uhum. Então assim, a gente sabe como é que acontece e qual que o por que que a punição nos Estados Unidos por um menor de idade? Porque eles estão protegendo futuras vítimas que não vão acontecer. Então acho que o Brasil é falho nesse ponto. Primeiro que a maioridade penal no Brasil tinha que abaixar para 15, não é nem 16, porque o cara pode votar e não pode ser punido por um crime, ele estupra. Eu tive uma paciente no consultório que foi estuprada por um menor que fugiu de uma casa de detenção. Ele roubou um carro. Sabe o que ele falou para ela? Sorte sua que eu não tô afim de te matar, que eu tô muito casado, cansado. Tirou a roupa da mulher, estuprou a mulher, bateu nela, ainda tinha todo o dinheiro que ela tinha na bolsa e foi embora. deixou a mulher na marginal sem roupa nenhuma. Então assim, é esse o tipo de cara que muita gente defende. Então a punição é necessária para esse tipo de crime não ocorrer no futuro. Agora a raiva, se você for estudar esse objeto da raiva, é esse tipo de raiva que as pessoas têm. A lei não presta, a lei é fraca. É um Código Penal de 1940, não vai mudar. Psicopata não muda. Bandido não muda. Então ess é esse o efeito Dominox. A resposta acho que é essa. Não sei se ela pensa diferente, mas eh eu vejo assim e justamente por eu ter oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos, que eu vou para lá todo mês, porque minha editora é lá. Sim. Então assim, eu tenho livros aqui no Brasil também, mas hoje eu escrevo só pro mercado norte-americano. Os queos que vê aqui no Brasil já não escrevo mais. Então assim, alguns são lançados mundialmente, como da COVID, que tá lançando agora na Espanha, Itália, França, enfim. Eu eu escrevo para população. A minha leitura é voltada pro público feminino, basicamente, né? Eu acho que esse é o meu objeto de de estudo. Assim, eu escrevo para mulher, né? Então assim, é muito triste porque você volta pro seu país, você queria que aqui fosse um pouquinho melhor, você pudesse andar na rua, né? Não tô falando nada de rol só isso, mas andar na rua. Então acho que essa eu eu penso que a minha resposta para você e para todas as pessoas que nos vem essa essa raiva, esse efeito dominó é uma resposta às leis que são falhas e fracas e e não punem. O cara mata e sai dando risada pela frente, sei lá, sabe? É, eu eu, né, assim feito Alexander, mas penso um pouco diferente pela própria pela própria experiência minha, né, de dos trabalhos desenvolvidos até hoje, né, eu eu acho que a comoção social que esses casos trazem, eles vão despertar em nós todo tipo de injustiça. É por isso que a gente fica eh com a raiva, sim, né? Porque não é só este caso, né? Ele desperta em nós. É. outras lembranças de outras violências vividas também por nós, por familiares, por pessoas que a gente gosta, por outras situações sociais que a gente em algum momento discordou. Então eu vejo que um um caso como esse ele traz essa comoção, porque ele vai ele vai buscar lá na nossa memória emocional, na nossa memória afetiva, todas as outras injustiças. Uhum. Então eu vejo que assim é cuidar um pouco disso também, né? Então é como a gente disse, não se sabe como aconteceu, vamos olhar para nós na nossa situação diária, né? Então quando a gente diz assim, em alguma situação que estamos vivendo de conflito, a gente diz assim: "Você não sabe o que eu tô passando". Né? Então então é esse, é isso um pouco, né? Quem está dentro da situação é que sabe de alguma maneira um pouco do que tá passando. Quem tá fora tem uma ideia do que se tá do que se tá acontecendo ali, mas não vive na pele aquilo, não está vivendo aquela situação integralmente, né? Então a gente tem, a nossa sociedade, ela tem essa tendência ao julgamento alheio. A gente tem essa tendência, como você bem disse, né, Rúbia, a gente vira delegado, a gente vira juiz, a gente vira promotor, a gente vira, né, todo tipo de personagem que alivia um pouco esse nosso sofrimento eh em relação à injustiça sentida. Uhum. Mas o que eu entendo, né, então quando a gente fala da redução da maioridade penal, né, eu vejo assim, eh, talvez, o o processo seja anterior um pouco, seja de olhar para as políticas públicas o quanto elas estão integradas, o quanto elas estão conversando, dialogando uma com a outra, né? Então, a minha experiência diz assim: as políticas elas não se conversam muito. Então, a escola não fala com assistência social, que não fala com a saúde, que não fala com transporte, que não fala com a educação, eh, elas precisam conversar. Esse sujeito, essa sociedade, essas famílias precisam ser olhadas de uma maneira um pouco mais integral. E quem faz isso é é são as políticas públicas, né? Então, é a mesma coisa que a gente fala hoje da medicina. A medicina não olha mais para um braço ou para uma perna ou para um cérebro. A medicina olha para o todo ou pelo menos pretende ou tem feito um esforço muito grande para olhar para esse sujeito integral. Então não dá pra gente olhar, por exemplo, para uma família que tem lá uma situação de alcoolismo, né, sei lá, envolvida, sem olhar para um contexto todo. Então eu vi muitas famílias ali se virando um pouco com com aquilo que elas tinham na mão, né? E a gente e a sociedade tem uma tendência a colocá-las, como Alexander disse lá no começo, né, a num lugar ali de culpabilização, né, de eh quer dizer, a culpa é da família, a culpa é do adolescente, não é multifatorial. É multifatorial, a gente não pode colocar num só. Então eu vejo que essa comoção, esse efeito dominó que você fala é muito em função desses, desse despertar de experiências anteriores que a gente teve e o desejo que a gente tem de se livrar do sofrimento. O ser humano não quer sofrimento. Nenhum de nós, né? A gente tem uma uma coisa que na psicologia a gente chama de pulsão de vida, né? A gente a gente quer viver, a gente quer ser feliz, a gente não quer estar num lugar de sofrimento, né? Então tudo que nos coloca nesse lugar, a gente tem uma tendência a rechaçar, né? A gente tem uma tendência a tirar de perto de nós, né? E e muitas vezes colocar no outro, né? Então acho que fazer essa distinção um pouco do que que é meu, o que que por que mexeu tanto comigo isso, né? Eu acho que é uma coisa que a gente deveria fazer um exercício. Quanto mais humano uma pessoa é, mais ela vai se sentir injustiçada pelas injustiças que acontecem. E aí você realmente se sente magoado, triste, você se coloca no lugar do outro, você se permite colocar do lugar daquela mulher que foi estuprada, daquele cara que foi assassinado. Você se permite isso, você fica triste, você é realmente chocado, porque você tem o quê? Humanidade. Empatia, que é empatia. Exatamente. Exatamente. Isso. O psicopata não tem. Então, o sofrimento só vai vir eh, das pessoas neuróticas. Geralmente o neurótico ele não vai partir para atitudes destrutivas, ele vai partir para ele vai para partir para mecanismos de compensação, tá? Que aí é o quê? Aí é o vício. Ele pula para isso. É muito mais comum você pegar um neurótico que ele aí ele vai ele pode, eu não, existe 1000 vícios, né? Então não precisa ficar citando aqui, mas até um víço lícito, como chocolate, por exemplo, que é a primeira droga que a gente põe na para dentro, porque o chocolate tem tiramina. E ele já desperta os padrões cerebrais de viciantes, né, de gratificação. Agora, o psicótico, ele não vai ter sofrimento com nada e nem com ninguém, nem com ele mesmo. O psicopata, é, desculpa, o psicopata é não vai o neurótico, sim, mas o psicopata psicótico, você tem psicopata e e você tem o psicótico e o psicopata são graduações. Psicopata seria a graduação máxima da do que você pode fazer de maldade, né? Então é isso, qual a diferença, né, de que psicótico não tem contato com a realidade, o psicopata tem, né? Exato. Isso. Então é que eu não gosto de falar muito de psicologia, né? Mas então é isso é isso que acontece. Então a gente precisa o quê? Viver em paz, harmonia. Esses caras não deixam as pessoas viverem em paz e harmonia, né? E a gente vê muito isso. Então foi isso. Eu acho que explico muito essas questões ali e aí você tem a perversão sexual, que que eu falo muito no meu livro do Pfideri. Uhum. Hum. Eh, que tem acho que 300 páginas, alguma coisa assim. Então, para as pessoas entenderem, porque às vezes não é porque o cara tem fama, grana, status social. Tanto é que o título do meu livro é esse, aceita sexual de puffidery, fama, poder e dinheiro. Hum. Né? E o cara é uma dono de uma fortuna de 1.5 bi de dólar. É dinheiro que a gente nem se ganha na loto toda semana no Ravil você vai ter. E o cara fez o que fez, né? transporte de eh facilitação prostituição, tráfico de mulheres, enfim, estupros, um monte de coisa. Então, não é o dinheiro, a posição e a fama que vai te proteger de alguma coisa. Ele vai te dar elementos para você ter uma vida mais confortável, mas não vai te dar caráter, se fosse assim, não teria médicos que que perdem o CRM, você não teria tantos advogados corruptos. Quer dizer, eh, eu que eu disse, a educação é diferente da criação. Excelente, gente. Olha só, nós conversamos hoje sobre eh o caso do cachorro orelha, mas trouxemos aqui dois especialistas que abrilhantaram o programa de hoje, trazendo a visão macro, né, tanto da psiquiatria quanto da psicologia. Eu só tenho agradecer vocês dois. Eu acho que esse bate-papo foi muito importante e acredito que a gente ouvindo vocês falarem, a gente começa a entender um pouquinho da situação, né? Começa a entender porque são muitos porquês. Você pergunta: "Pas por quê? Por quê?" E aí ouvindo vocês falarem, a gente consegue juntar, fazer uma conexão e começar a entender um possível porquê, né? É, o entendimento, não sei se tá todo esclarecido, mas um iniciozinho ali a gente já consegue por conta da [música] expertise, do profissionalismo e de tudo que vocês trouxeram pra gente. Então, [música] Sane, muito obrigada pela sua participação, pela sua presença. um assunto delicado para uma segunda-feira, mas eu acredito que a gente precisa falar, a gente precisa falar de saúde mental, a gente precisa quebrar esse tabu e a gente precisa aprender como funciona a saúde do ser humano nesse lugarzinho aqui que é o centro, né, da nossa vida, que é a nossa mente. Então, muito obrigada. Eu que agradeço, Rúb, agradeço a companhia do Alexander aqui [música] e acho que vou só deixar um um último recado, que é as pessoas poderem contar com os profissionais, né? Então, numa situação, acho que os profissionais da saúde mental são aqueles que podem ajudar a compreender de uma maneira um pouco mais multiprofissional aí a as situações. Então, agradeço muito o convite, espero ter colaborado. [música] Super maravilhosa. Alexander, obrigada pela sua participação. Satisfação receber você aqui com convidada aqui, mandou muito bem. Obrigado. Deixa um abraço aí a todos. Eu acho que é observação, né? sempre observe o outro, o seu parente, a sua parente, não só em relação à psicopatia, mas de repente em relação a uma depressão, alguma atitude. Acho que ela falou foi muito bom, tem profissionais muito bons. Procure-os, né? Não, cuidado com charlatões, mas procure os os bons, porque tem muita gente boa. Então, um abraço todo o pessoal do Estúdio Câmara, ao povo de Campinas, obrigado pela oportunidade. Nós que agradecemos a presença de vocês, a sua presença aí de casa. Obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Hoje, a partir das 18 horas, primeira reunião ordinária do ano de 2026, você é convidado todo especial para participar presencialmente no plenário e também aqui pela TV Câmara Campinas e pelo YouTube, no canal YouTube TV Câmara Campinas. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia na apresentação de Mirna Abreu. Amanhã Estúdio Câmara a partir das 8 da manhã ao vivo e a gente vai falar sobre os preços da nossa comida, né? Pois é. Você olhou os preços e pensou: "Comer bem está caro demais, mas será que é isso mesmo? Ou será que o problema tá no que a gente coloca no carrinho sem perceber? Aquele refrigerante, bolacha, salgadinho, a promoção que vale a pena, né? E aí a gente pensa, será que é tudo isso mesmo? As frutas, verduras, legumes, comida de verdade, você sabe quanto custa? Comer bem custa caro? A gente vai descobrir amanhã a partir das 8 da manhã em mais uma edição do nosso estúdio Câmara ao vivo. Contamos com a sua participação e com a sua audiência. Beijo grande, uma semana linda para você, para nós e até amanhã. Ciao. Ciao. [música] [música]