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Olá, muito bom dia para você que está ligadinho na programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando, né, com o nosso estúdio Câmara. Hoje é dia 20 de novembro, hoje é quinta-feira. Hoje é dia da consciência negra, o dia que remete ao marco da morte do líder do quilombo dos palmares, um dos maiores lutadores contra a escravização [música] negra no país, né? É um momento, gente, pra gente refletir sobre o ar do caminho que ainda precisamos percorrer em direção a uma sociedade [música] mais justa e igualitária. Uma data que convida o Brasil inteiro a refletir sobre igualdade racial, [música] respeito, direitos e sobre a história de luta e resistência, [música] né, eh, do povo negro no nosso país. Mas a grande pergunta é: o que acontece depois que novembro acaba? Como transformar discurso em prática? Como fazer com que respeito, diversidade e dignidade sejam vividos o ano todo [música] na escola, no trabalho, na mídia, nas redes e dentro de casa. O programa de hoje é uma conversa profunda, humana e necessária. E eu te convido a ficar com a gente até o final e participar conosco também, tá? Nossas convidadas já estão no estúdio, daqui a pouquinho eu vou apresentá-las, mas agora tem uma informação legal para você e nós vamos convidar você hoje porque Campinas realiza a 25ª edição da marcha Zumbi dos Palmares em celebração ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, né? A concentração começa às 9 da manhã, daqui a pouquinho na Estação Cultura e o evento integra aí o mês da consciência negra aqui na cidade. Neste [música] ano, a marcha homenageia a segunda marcha nacional de mulheres negras sobre o tema por reparação e [música] pelo bem viver. O trajeto seguirá por vias do centro, entre elas a 3 de maio, Conceição, Barão de Jaguara, General Osório, além da Avenida Anchieta, Rua Tomás Alves e Avenida Francisco Glicério. A marcha Zumbi [música] dos Palmares é um espaço de afirmação da história, cultura e identidade negra, além de um ato de enfrentamento ao racismo. Durante toda a caminhada, o público acompanha apresentações culturais, batuques e expressões da religiosidade de matriz africana. O encerramento está previsto para 1 da tarde com o ato público no Largo do Rosário. A marcha realizada pela primeira vez no ano de 2000 faz parte do movimento nacional que colaborou para a criação da Lei 12519 de 2011 que instituiu oficialmente o Dia da Consciência Negra no país. Muito bem, agora vamos com a previsão do tempo antes da gente entrar na entrevista e de apresentar as nossas convidadas, né? Vamos lá dar uma olhadinha como é que fica o tempo hoje hoje aqui em Campinas. Sol com algumas nuvens, não chove, mínima de 15, máxima de 29º. Muito bom para você aproveitar os eventos, né, que vão se estender [limpando a garganta] ao longo do dia aqui na cidade. Agora vamos lá, gente. O mês da consciência negra costuma trazer debates, homenagens e campanhas, mas a consciência racial precisa ser diária, porque o racismo também é diário. Ele machuca emocionalmente, afeta oportunidades, gera desigualdades e pode impactar uma vida inteirinha. Hoje a gente fala das leis que protegem, sobre os direitos que garantem igualdade racial e sobre as construções emocionais eh envolvidas nesse contexto e também sobre o que cada pessoa pode fazer na família, no trabalho, na escola, na convivência [limpando a garganta] para transformar essa realidade. E para essa conversa tão importante, o Estúdio Câmara recebe duas convidadas que atuam diretamente na promoção da igualdade racial. Eh, eu quero dar as boas-vindas a terapeuta especialista em saúde emocional e impacto do racismo e comportamento, a Carla Alexandra. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Gratidão pela sua presença. Obrigada, Rúbia, mais uma vez. É uma alegria imensa a gente tá aqui para participar, voltar a essa casa. é sempre muito importante, porque quando a gente, principalmente numa data como essa, né, o mês de novembro ele vem trazendo essa significativa pra gente, é um mês pra gente discutir. Então, muito obrigada por ter essa oportunidade de estar aqui falar sobre saúde mental, porque querendo ou não, a saúde mental da população preta, ela é um pouco diferente da população branca. Exatamente. Para completar o nosso time de hoje, nós recebemos a Dra. Lúci Mara Ferreira, advogada especialista em direitos humanos e questões raciais. Dout. Luciara, seja bem-vinda. Gratidão pela sua presença. Muito importante contar contigo hoje no programa. Eu que agradeço. É muito importante quando espaços como esse abordam esse caso que dacera a sociedade. Não não conseguimos falar numa sociedade eh eh plural eh e igualitária, com o racismo permeando toda eh eh essa todo um movimento. Então eu que agradeço poder ter a oportunidade de falar um pouco com telespectadores, com vocês. Maravilha. Tá? Vamos lá. Então, para se ter uma ideia, cerca de uma a cada três pessoas negras no Brasil sofreu discriminação [roncando] ao tentar acessar produtos ou serviços no último ano. A pesquisa é do Instituto Acatu e o Instituto [limpando a garganta] da Tarraça, que foi divulgada segunda-feira, dia 10, durante o Fórum Brasil Diverso em São Paulo. Então, para começar, eu quero ouvir de vocês duas, né, a nossa advogada, Dra. da Lucimara e também da nossa terapeuta. Ai, vamos lá. Eh, por ainda é tão difícil, por que ainda é tão difícil viver o respeito o ano todo? O que que trava essa mudança de comportamento na prática? Então, vamos começar com a Dra. Lucima. Eh, eu acredito que o racismo ele é estrutural. Uhum. né? Ele permeia toda uma sociedade, ele está ligado ao campo eh social, o campo eh econômico, no campo político, no campo institucional [tosse] e até mesmo pessoas que não se consideram eh racista, ela passa despercebido porque está tão é tão invisível e é tão normalizado o racismo durante o ano todo. do Uhum. Ele não percebe, ele chega até uma empresa, ele uma empresa grande forte, ele quando ele adentra, ele vê pessoas negras eh em trabalhos eh inferiores, mas quando [tosse][limpando a garganta] ele chega na liderança não encontra nenhuma pessoa negra e para ele tá tudo normal. Uhum. E isso é uma manifestação do racismo. E aí nós em novembro nós vemos com essa discussão e tentamos esgotar toda essa pauta que não se esgota no mês de novembro, porque de fato o ano todo nós temos questões envolvendo a prática do racismo e que ninguém se dá conta que isso, [roncando] infelizmente é um é uma tragédia social. Sim. Pois é. é uma tragédia social que ela vai impactar muito na nossa saúde mental, né, Carla? Eh, a gente, infelizmente, não consegue manter eh esse nível de respeito e inclusão que a gente tem em novembro durante todo o ano. E o que isso traz eh referente à nossa saúde mental, né? Porque às vezes você cria um uma falsa aceitação durante o ano de novembro ou durante o mês de novembro, aliás, perdão, e o resto do ano vamos levando. Como eu sou especialista em mulher preta, então hoje 90% dos meus atendimentos são de mulheres negras e ao longo do ano a do sempre eu sofri racismo. Semana que vem vem de novo a mesma situação. E às vezes o reagir, ele é tão subjetivo o racismo que às vezes no processo terapêutico a essa menina ela vai contando e ela se dá conta que ela sofreu racismo, né? Parece que é tão natural algumas coisas, essa naturalidade ao longo do ano e que quando ela se dá conta que aquele racismo subjetivo tá afetando a saúde emocional dela, abaixa estima, essa autoafirmação da pessoa enquanto ser humano, em primeiro lugar, não é nem se reconhecer enquanto pessoa preta, mas enquanto ser humano, essa autoestima dela é tão baixa que às vezes ela não percebe. Então isso, por que que é importante a gente discutir isso? Se eu não estiver emocionalmente bem, eu não tenho reconhecimento. Uhum. E a gente falando de mulheres, se [limpando a garganta] essa mulher ela não tá bem emocionalmente, a casa dela estrutura. Porque a gente tem outro dado que maior parte das mulheres são as arrimos de família. Então se essa mulher ela não tá emocionalmente bem, ela não consegue passar isso. E quando ela sofre racismo, ela ter que lidar com isso, ensinar pros filhos como lutar para com isso. Então assim, é um processo em cadeia. E aí algumas pessoas vão entrando em crises de ansiedade por não saber mais como lidar com isso. A gente tava numa reunião ontem com um monte de mulheres pretas e a gente falou: "A gente tem que andar com crachá quando a gente vai falar desse trabalho intelectual, porque somos intelectuais, temos algumas poucas de nós estão em altos escalões e quando a gente fala: "Ah, eu sou terapeuta, eu sou jornalista, eu sou advogada". As pessoas já olham assim: "Mas e você estudou onde?" Me fizeram essa [limpando a garganta] pergunta uma vez e isso dói muito. É, já fizeram também para mim e isso também doeu muito. Acho que eh quase todas as pessoas negras já passaram por algumas situações, né? Eh, eu eu sempre trago casos práticos que eu acho que fica muito mais fácil para esclarecer. Eu lembro que eu estava com uma colega e uma pessoa: "Ah, eu que que vocês trabalham, né? Num numa conversa". Essa daqui, no meu caso, é enfermeira, técnica de enfermagem, que também é [limpando a garganta] uma profissão com muita com muitas pessoas negras. Verdade. Perceb? E e você, eu não sei o que você é, ela é retinta. E aí ela se levantou bem e ela falou assim: "Para mim não sobrou nem nada, nenhuma condição". Sim. Então, essas são as manifestações, lógico, somos mulheres do enfrentamento, temos uma maior condição de não adoecer, mas qualquer outra pessoa [limpando a garganta] teria adoecido, porque o racismo ele fere, ele ele dói, né? Quando nós vemos as lágrimas do de do Vini Júnior e e as pessoas não conseguem se colocar naquele lugar que tá doendo, dói nele. As pessoas não conseguem entender que o racismo ele realmente ele é ele fere e é uma questão de subjetividade, certo? Subjetividade que fere de fato. E aí nós temos afastamentos, por exemplo, e em e em no trabalho. Sim, sim. Nós vemos vários casos de pessoas que sofrem racismo no meio do trabalho, no ambiente de trabalho. E aí a pessoa tem que se afastar, mas ela não fala [limpando a garganta] por conta do racismo, ela não fala que ela não ela não foi para um outro cargo melhor. Ela ela não foi promovida por conta que há um impeditivo. Sim. Como é que fala isso? Como é que que tem até até uma situação de inibição de contar? Eu fui vítima de racismo. Não estão não não consigo evoluir na minha empresa, na empresa em que eu presto serviço, porque tem uma questão ali que eu não tô entendendo. Sou capacitado, chegou gente mais nova que eu, já está num cargo, mas eu não consigo evoluir. É, a pessoa adoece. Sim, a gente precisa muito aprender [limpando a garganta] sobre racismo, mas muito mesmo, porque de cada 100 pessoas pretas, 84 relatam já ter sofrido discriminação racial. E a revelação faz parte de uma pesquisa apoiada pelo Ministério da Igualdade Racial, que foi divulgada em março deste ano e que acaba mostrando aí e eh diversas formas, né, de preconceito no cotidiano. Agora, Dra. no Simara, quando a gente, desculpa, gente, quando a gente fala de racismo estrutural, né, muita gente não entende o que que isso significa. Como é que a gente explica de uma forma simples o que que é essa estrutura, né, que atravessa o Brasil? É o racismo [tosse][limpando a garganta] Uhum. ele ele se manifesta de uma maneira eh sutil e também de forma violenta, violenta, como por exemplo uma abordagem policial. Uhum. né? Desproporcional a uma pessoa negra, eh, em detrimento a uma pessoa branca. Sim. Então, o o e e também nas relações, como eu falei no início, nas relações sociais, nas relações econômicas, nas relações institucionais, o racismo, o racismo, ele, ele vem de uma forma sorrateira e coloca uma situação de um benefício de um povo, beneficia um povo em detrimento ao outro. ele é camuflado e ele se estende em toda uma sociedade. Então aí as manifestações são diversas. [tosse] É vulnerabilidade de um povo, eh enfrentamento social desnecessário, sim, a impossibilidade de crescer. Esse é o de forma mais simples de falar o que é o racismo estrutural. Poxa vida, né? E e quando a gente entende, né? Quando a gente consegue entender e isso e percebe que não é sobre casos isolados, é sobre um sistema inteiro que precisa ser revisto. Os dados mostram que a população preta é mais vulnerável à discriminação, né? O atlas da violência revela que ser uma pessoa eh preta, uma pessoa negra no Brasil, é ter um risco 2,7 vezes maior de ser vítima de homicídio. Sim, gente, pera aí. O censo de 2022 de BGE mostra que pretos e pardos são 72,9% dos moradores de favelas. Carla, vamos lá, né? Diante de tantos números assim que são desequilibrados, discrepantes, qual que é o impacto do racismo na saúde mental? Quais os efeitos emocionais comuns, né, que a gente acaba eh sofrendo por conta do racismo, que para muita gente parece tão comum, parece natural, parece que ah, é algo da cultura até. Eu já ouvi isso. O racismo é cultural, a gente traz isso de de longa data. Tá [tosse] tudo bem. Bom, cada um tem uma forma de pensar. a gente tá aqui para levar a informação e e de repente para abrir a mente das pessoas que acreditam que isso é tão natural quanto a luz do dia, né? Então, quais quais são os efeitos mais comuns assim que acontece quando a gente eh sente na pele o racismo? Imagine uma mãe que ela tá criando seus filhos e todos os dias quando ela sai para uma loja para pra roupa Uhum. Essas crianças ficam: "Não toca, não pega, não [limpando a garganta] encosta, põe a mão para fora, não abre a bolsa". Você vai crescendo nesse ambiente, você vive em estado de alerta. E viver em estado de alerta, ele vai despertando no cérebro esses casos de ansiedade. Uhum. Então você vai para um shopping, você não consegue ir tranquilo com seus filhos, você tem que segurar na mão, segurar na outra. A mãe vive em estado de alerta. As crianças crescem nesse estado de alerta de est constantemente em risco. Isso pro cérebro é muito prejudicial. Uhum. Porque você não relaxa. Esse é um cérebro cansado. Quando essa criança ele vira adolescente, que aí começa principalmente de periferia, ele tem que andar na rua, ele não pode andar de capu, ele não pode correr, ele não pode se esconder. Se a polícia para, ele tem que estar sempre com o RG. A questão do RG, RG digital não funciona pra população negra. RG digital. Você que é um jovem aí, saia com CRG físico, porque até você provar que seu celular é seu, poxa, para abrir, o momento de você ir tirar o celular do bolso é somente prejudicial. Então é o RG na mão e a ansiedade dessa mãe que o filho sai para no cinema, sai para jogar bola e não sabe se volta. Então a gente tem esse risco. Então esse nível de ansiedade cognitivamente ele prejudica o desenvolvimento. Porque se essa criança ela sai para um cinema, por exemplo, ela vai absorver cultura, ela assistindo um filme e quando vai ao cinema, né, que a gente tem esse recorde assim desses acessos que ainda é difícil. E essa criança, ela não consegue ficar tranquila, porque ela tá ali sentada no escuro, sempre esperando que alguém possa vir para ocupar aquele lugar, que ela tem que se levantar às vezes para dar lugar pro outro, porque é assim que a gente é ensinado, né? A não causar confusão. Uhum. Lutar pelo direito ainda é difícil, porque a gente é orientada a não não não fala alto, fala baixo, baixa o olho, não encara as pessoas. Então essa criança ela vai crescendo nesse ambiente, na fase adulta, ela reproduz que é o que ela conhece. Uhum. Uhum. E quando ela chega no corporativo, nesse espaço, ah, tá tão minado ali que qualquer palavra que elaça, ela já toma ali como uma verdade própria. Às vezes fica até difícil lutar para acender. Então, às vezes a gente tem pessoas pretas que acendem. Aceitar isso é como se fosse um favor que alguém tivesse fazendo, né? O desmérito. Então, cognitivamente é prejuízo para essa criança de se desenvolver, porque ela nunca vai estar relaxada. Ela vai estar nesse estágio de alerta. esse estágo de alerta vai gerar ansiedade, que pode levar a depressão, que são doenças silenciosas. [limpando a garganta] Ninguém acorda um dia, fala assim: "Ah, eu tô depressiva". Pois é, são doenças silenciosas e o Sistema Único de Saúde, ele [roncando] traz qual benefício paraa população preta [roncando] para tratamento dessas doenças silenciosas, né? Dout. Luciana? Lucimara. Luciara, perdão. Ô, Carla, eh, em com relação a isso, a gente faz o, tem, quando a gente fala de racismo, a gente tem que fazer o recorte das mulheres negras, que são as que mais sofrem essas questões, são as que inclusive pagam mais impostos, tá, nesse país. A mulher negra, ela está abaixo dessa pirâmide social esmagadora. E aí nós falamos de políticas públicas, nós falamos de a questão da escola. Sim. creche. A mãe que corre atrás de vagas para creche, para filho, são mulheres negras. a mãe que busca eh vaga de trabalho, às vezes caixa de supermercado. E eu vi isso, vi isso na minha família. E a mulher negra, eu tenho um livro que eu acho que você deve conhecer, a mulher negra não precisaria mais ou menos isso, morrer exausta, porque é uma exaustão. A mulher negra, ela vive num estado de exaustão. E muitas vezes das as a mulher negra é a maioria mãe solo. Exato. Tá? São as que mais são abandonadas eh pelos seus companheiros. É. E aí você contando, a pessoa que nega o racismo, ela fala: "Ai, mas que conversa é essa?" Não, mas isso é uma realidade e isso também causa a a o cansaço mental e adoece essa mulher. E essa mulher que não tem condições, Sim. condições de fazer um tratamento. Exato. Por as políticas públicas nessa área, principalmente de psicologia, elas falham. Quando ela procura um posto de saúde ali perto da sua região, [roncando] ela consegue duas, três sessões, depois ela não consegue mais. E os CAPS, desculpa, mas os caps talvez não estejam sendo bem usados. Então ela não tem esse apoio psicológico. Ainda faz parte de um luxo. Olha que coisa. faz parte de um luxo que a mulher, a mulher negra, neste caso, esse recorde que eu estou fazendo, ela não pode se utilizar. Por quê? Porque falando de vulnerabilidade, que é o racismo estrutural, essa mulher está em estado constante de vulnerabilidade, por é onde o racismo a empurra. Essa mulher é subalternizada. essa mulher, ela vai não vai conseguir avançar porque existe toda uma estrutura que não a deixa caminhar. E e não vamos falar de meritocracia, não é isso, né? Quando a gente fala de cotas, fala assim, a gente tá falando de cotas, mas as pessoas recebem herança e cotas é só uma uma pontinha do iceberg. Sim. E é isso. Nossa, gente, eh é é uma e é é um assunto que ele precisa ser conversado, discutido, debatido, ensinado durante todo o tempo, durante toda a vida, né? A Lei 7716 de 1989 define a os crimes de racismo e pune práticas discriminatórias, né? O estatuto da igualdade Racial estabelece direitos e políticas públicas para a população negra. E é forte pensar que isso atravessa gerações. São marcas antigas que a sociedade ainda não curou, gente. Não curou, né? [roncando] Então, Dra. Luciara, na parte legal, eh, na parte legal, eh quais hoje são os principais caminhos aí pra gente, eh, lutar, né, contra o racismo e denunciar esse racismo? como que funciona, seja na escola, na empresa, em redes sociais. Quando a gente fala de rede social, [limpando a garganta] o pessoal se eh eh eh se esconde atrás de uma tela e acha que, né, pode falar o que quiser, o momento que bem entender e que as pessoas precisam engolir aquilo que é dito. Não é assim, a lei tá aí, mas no seu ponto de vista precisa melhorar, a gente tá conseguindo caminhar, como que tá a questão das leis, né, que que a gente pode se referir aí contra o racismo? Bom, a lei 7716, ela surgiu um ano após a Constituição Federal. No seu artigo 5º, ela nos fala de igualdade. Uhum. Recentemente nós tivemos a alteração da da injúria racial, a lei salvo engano 14.532, 2,2, que equiparou o caso de injúria racial ao racismo. E isso para nós que eh militamos nessa área foi algo que nós estávamos esperando, que não podia o o crime de injúria racial não poderia ficar apenas como um crime de honra, né? ela precisaria ter mais respaldo em matéria de leis, pensando que que um ano após a Constituição Federal nós já tivemos a eh a lei 7716 é eficaz. Uhum. Nós avançamos no meio jurídico com relação às leis, porém na aplicação dessas leis nós falhamos. Uhum. Eh, eh, eh, eh, recentemente nós estamos temos algum alguns casos de condenação, mas ainda é muito eh singelo com o grau de racismo que ocorre todos os dias, em todos os ambientes. É no direito do trabalho, no ambiente do trabalho, é no dia a dia, é a violência policial que necessária, nós temos que falar, é necessário falar. Então, nós temos leis eficaz, porém na aplicação elas estão falhando. E por que que estão falhando? Porque a lei são pessoas. Uhum. São pessoas eh delegados, são pessoas do mundo jurídico que tem ali questões também de de falhas. Sim. falhas que que aí voltamos. Isso não é apenas no mês de novembro que nós devemos falar sobre isso. Durante todo o ano. As pessoas têm conhecimento, as pessoas tem que entender. Negar o racismo é perpetuar que ele ocorra. Ele vai se perpetuando. Sim. E outra situação para quem sofre eh a esse crime são as questões cíveis. Podemos sim buscar reparação de dano moral. É, na área cível, danos materiais, as pessoas ficam apenas na na no meio criminal, mas pode sim pedir dano moral e dano material. Isso também eu acredito que seja um meio. Uhum. Né? Eu acredito que isso talvez seja um pouquinho mais eficaz do que o criminal. Exatamente. Muitas pessoas acabam sofrendo caladas porque não sabem, né, que podem e devem, né, denunciar, fazer boletim de ocorrência. A gente tá aqui para repassar a informação para você, porque acredito que a informação protege e você precisa fazer valer os seus direitos, né? E a gente precisa lutar assim, políticas públicas, né? Escola, educação, eh eh eh saúde, isso é direito de todo cidadão, independente da classe correligão, né? Agora, a terapia, Carla, como é que ela ajuda as pessoas pretas a reconstruir autoestima? a a identidade, porque a gente tem essa questão da perda da identidade, né? Tem um processo de ressignificação emocional. esse processo ele ele leva um tempo, como que que é feito o trabalho eh referente a essa terapia para essa reconstrução da identidade, para eu poder eh eh ter meu autoconhecimento e ter ali eu sei quem sou, o que eu quero, para onde vou e eu tenho o meu direito garantido, reservado e protegido pela Constituição. Sim. É bem importante o que a Dra. Luciana falou do luxo, ainda terapia. Uhum. Então é isso, quando eu comecei a atender como terapeuta, eu entendi que as mulheres não vinam, as mulheres que eu queria alcançar não vinham. E a gente tinha que fazer um movimento de levar esse conhecimento pras periferias. Então, a gente começou fazer palestras primeiro, porque a terapia a gente ainda entende que é são para as outras pessoas, paraa população negra ainda, a gente não chegou nessa fase ainda de eu tenho um terapeuta, eu vou lá na na terapia, a gente não chegou essa discussão. Então, a discussão que a gente faz agora, eu achei extremamente importante, é fazer esse trabalho de levar essa informação. Uhum. Então, a gente faz um trabalho sobre autoconhecimento, quem é você? Então a gente junta um grupo de mulheres, uma instituição que abre espaço, a gente leva primeiro esse primeiro passo. Quem que é você? Porque não começou na gente. Nós somos resultado de todas essas coisas ao longo de dos do da construção do país, né? Então não começou em nós. Então como que a gente faz daqui pra frente? E essa identidade a gente [limpando a garganta] até brinca o chá de revelação, né? Quando a pessoa descobre que ela é preta. Olha só, é um chá de revelação, né? Porque fica tem essa dificuldade também de entender que ela é uma pessoa negra, que o que ela sofre não é consequência porque ela não estudou, porque ela não foi atrás, é consequência do racismo que a gente tem. Então a gente brinca do cha revelações, né? Se a gente se a gente não se entende enquanto primeiro pessoa preta Uhum. ou pessoa negra, que a gente vai ter os pardos, né? E e os mais retintos, os menos retintos, porque a gente tem a questão da colorimetria, que é um outro fator que é importante, né? Exatamente. A gente precisa falar sobre isso, [limpando a garganta] né? Tanto que eu tenho dois filhos que a eles têm pouca retinta, eles brincam porque eles são pretos sem retinta, porque são filhos de um homem branco, mas ele tem todos os fenótipos de preto e eles têm e é uma luta diária dele se reconhecerem quando eles dizem é assim, eu sou preto assim, mas olho primeiro pra pele, eles já estão ensinados que não é só uma questão de cor de pele, é isso mesmo. É uma questão de todo uma construção social que a gente tem. E então a gente leva essa identidade. Primeiro você saber que você é uma pessoa preta, que você sofre preconceito, sim, porque isso acontece. E o resgate da identidade é aceitar o cabelo. Sim, verdade. É a primeira primeira coisa assim pra mulher preta principalmente o homem não tem tanto que passa uma zero ali, passa uma dois, resolve. A mulher preta não, porque a gente cresceu ouvindo. Eu tô com 44 anos, eu tô cabelo ruim. É, seu cabelo é ruim, seu cabelo não presta, é difícil, dá trabalho. Então, a gente cresceu. Eu espero que as meninas que estão na vindo agora não ten essa dificuldade com o cabelo e de primeiro encer que meu cabelo ele não é ruim, começa por aí. O meu cabelo não é ruim, o meu corpo é diferente, as curvas do meu corpo ela é diferente porque eu sou de uma construção. Então quando essa mulher ela começa a aceitar o cabelo dela e se ela querer alisar, fazer progressivo, é dela, tem que ser porque ela quer, pela autoestima dela, não por conta de uma imposição. Acho [limpando a garganta] que pra mulher negra, eu acredito que essa foi uma a face do racismo mais cruel, é ter a nossa a nossa imagem eh de laacerada. eh rechaçada, o nosso cabelo tido como feio. Eh, eu fui fazer uma palestra recentemente na Ordem dos Advogados em Sumaré. Um abraço para todos. E aí a uma das doutoras disse: "Como é que você se sente poder usar trança?" Linda, maravilhosa. [risadas] Porque antigamente nós não podíamos, nós tínhamos que alisar os nossos cabelos por obrigação, porque olha que absurdo, porque isso era tido como feio. E agora eu vi a sua filha, eu vi que ela tem os cabelos blacks, a minha também tem. Isso é uma alegria e cada vez que nós avançamos, dá uma alegria de olhar para uma sociedade. Falei: "Puxa, a sociedade tá evoluindo politicamente, civilmente, isso e isso me tranquiliza." Lógico, temos muito que caminhar, principalmente quando se fala disso, da nossa imagem ainda ser questionada, o nosso nariz ser piada, o nosso cabelo. Eh, e ainda existe ainda casos, viu, de empresas. Isso. Aham. de de empresas impor que aquele cabelo não é o adequado, que aquela trança não é tão elegante. Eu acho que você fica melhor com o seu cabelo normal. É, vem com essa fala mais suave. Ai cacheado, não cresç cacheado. Ele tava mais com caixa, agora ele tá muito alto. Isso [limpando a garganta] é, isso é questionado. E eu acredito que isso é uma, é tão cruel pras mulheres. Isso é uma situação que adoece muito, né, Car? A relação com o espelho, ela é muito complicada. Porque assim, quando a gente fala da relação do espelho, não é a mulher se olhar, é o olhar do outro, não é o olhar dela sobre ela, é o olhar do outro. Quando a gente fala muito sobre imagem, posicionamento de imagem, a nossa preocupação é o que que a minha imagem está transmitindo. E aí você tá ali e o outro olha para você entra no mundo corporativo e fala assim: "A sua imagem não me agrada". Ela volta para quando ela se olha no esquelo, no espelho, ela fala: "Não, não gosto". A gente tem em casa na na infância, eu lembro que eu sempre tive o cabelo cresco, manhã sempre trançava porque não podia ficar solto. Eu tinha uma colega que é branca, loirinha, com cabelo tão cres volumoso quanto o meu. Ela podia ir pra escola com cabelo solto que tava tudo bem e eu não podia. Quer dizer, era era o cabelo muito parecido, porque ela também tinha a ascendência negra, mas a questão da da retinta, né? Questão da retinta na cor, né? Para ela cabia usar aquele cabelo, mas para mim não cabia. e era um cabelo muito parecido. Então essa relação dessa menina na ainda na infância de que eu preciso estar adequada ao ambiente e e essa adequação não é a questão comportamental de que depende do tipo de ambiente que eu estou, eu vou me comportar como, mas é um comportamento pra sociedade, para que as pessoas me respeitem, eu tenho que estar dentro daquele padrão. E aí a gente vem com as agressões, né, da imagem. Uhum. Eu não consigo gostar do que eu vejo, eu não vou conseguir gostar de nada que eu faço. A [limpando a garganta] minha autoestima ela é muito baixa e a gente vai viver de acordo com o que as pessoas acham. Essa mulher, ela não tem poder de decisão, ela não consegue tomar as decisões da vida dela. Se ela começa a empreender, a gente trabalha no movimento Rosalina com mulheres pretas empreendedoras, essa mulher ela não consegue precificar. ela não consegue precificar o produto dela. Quando ela, a gente fala assim, quando ela descobre que ela cobra muito mais abaixo do preço real, ela fala assim: "Ah, mas eu não consigo cobrar mais caro". Porque se ela não consegue se olhar no espelho e ver o valor dela enquanto uma mulher, o produto dela também não vai, porque tá muito relacionado isso. E a gente tem essa questão de preço do corpo preto, porque os nossos corpos eram vendidos. Simum é comci. E aí inconscientemente a gente vem muito, a gente fala muito dentro da psicologia, dessa memória que ela vai saindo de gerações e gerações, sei lá, a gente tem quatro gerações para trás, éramos escravizados no Brasil. Então essa questão do preço, quando eu coloco o preço no meu produto, é como se eu tivesse colocando preço no meu corpo. Então é um processo muito complexo e essas meninas têm essa dificuldade porque vem daí. Por que que eu não consigo colocar preço por conta dessa relação do preço que tem meu corpo? Quando a gente fala da vulnerabilidade dos corpos pretos, quando a gente tem na infância que a gente viu os comerciais, a mulher preta ela é mulata. Uhum. Ele é aquele corpo para ser desejado, para ser usufruído e para ser descartado. Sim. Né? Quando a gente fala da violência contra o corpo da mulher preta, a gente fala assim, a mulher ela sofre a violência sexual em todos os sentidos, mas a branca para ser assumida, para ser mostrada como um troféu e a preta para ser usada e descartada no nos becos, nos cantos, nas cozinhas. Seualização, a sexualização da mulher negra, a sexualização dos nossos corpos. Eu uso fruo, mas eu não quero para ter no dia a dia. Aí quando ela traz e diz o o no passado os nossos corpos eram comercializado e isso se perpetua com relação às mulheres negras para tem um tem uma poema que diz preta para casar. Você você conhece preta cas mulata para, né? Não sei se posso falar aqui. [risadas] É. E e tem um um poema mais ou menos que diz sobre isso. As pessoas pesquisem lá depois. Eh, porque a os nossos corpos foram sexualizados, porque um um corpo que estava ali para ser vendido. E olha como que isso vem, vem isso se perpetua [limpando a garganta] no tempo, porque não existe ações efetivas para que a gente possa extirpar isso. Eu acredito que tem que começar da base. Eu queria mais que você falasse o acolhimento. que eu posso acolhimento, porque eh o acesso a terapias é pouco para as mulheres, é pouco. Mas aí as mulheres negras se inventam, elas se inventam. Nós fundamos [limpando a garganta] o quilombo feminino, herança e futuro, né? E vocês da Rosalina, por quê? Nós queríamos que mulheres negras pudessem nos ajuntar em grupos, já que existe tanto essa deficiência social de políticas públicas, nós nos abraçamos. E aí esse processo de acolhimento das mulheres negras é muito importante. Eu gostaria que você falasse um pouco. Sim, é importante. A gente faz um trabalho de nas segundas-feiras a gente faz uma roda de conversa online. Não dá para fazer presencial porque cada um a gente abre e joga no Instagram. Quem tiver acesso entra. A gente já teve meninas do Pará, do Ceará, que entra no grupo e a gente discute isso, porque como a terapia ainda ainda é inacessível, eu tenho meninas que param terapia porque eu fiquei desempregada. E a gente tá falando de um valor social para mulher preta eu cobro um valor social, um valor abaixo de tabela, porque faz parte do meu propósito e não é minha principal fonte de renda. Então eu consigo fazer isso e aí essa menina mesmo assim ela não consegue seguir em frente. Então a gente faz as rodas de conversa, a gente acolhe essa menina, cada semana a gente traz um tema que são comum a todas nós e a gente faz esse acolhimento porque uma vai trocando experiência para outra. Então, extremamente importante porque quando a mulher preta, ela chega no serviço público de saúde e ela conversa com um profissional que não entende essas dores dela, vai falar: "É mimimi, é um exagero, não é bem assim, você está sendo radical". Então, são essas palavras que escuta. Eu tenho uma menina que ela vê, ela falou assim: "Olha, eu fiquei muito tempo sem fazer terapia. Ela ela tem condições financeiras para fazer terapia porque eu não consegui encontrar uma profissional preta que entendesse o que eu dizia." Quando eu falava pra menina branca, olha, eh, no meu trabalho tive um problema porque eu sou preta, não imagina. Vamos, vamos rever isso. Você tá espelhando o comportamento, você tá vendo no outro que tá vendo em você e não é que acontece. Então essa dificuldade também da identificação, porque se eu não sou acolhida num processo terapêutico, se eu não sou acolhida num centro de saúde, eu não volto. Não volto mesmo. E a dor vai só aumentando. Onde que eu descarrego essa dor toda? Descarrega na família, descarrega nos filhos que você tá nervosa, tá estressada, você não tem um lugar que te acolhe, você vai explodir em algum lugar. E geralmente se explode em casa, se explode com os filhos e os filhos vão explodir aonde? Vão explodir na escola. Uhum. E aí vai problemaando do comportamento, os filhos, os pretos dão trabalho na escola. Mas se a gente for fazer uma linha cronológica do que aconteceu para aquela criança explodir, você vai chegar lá atrás. Então é isso, esse acolhimento ele é muito importante. Então a gente tem as [limpando a garganta] rodas, qualquer movimento preto que você for, qualquer local do mundo, acredito no Brasil, quando a gente se aquilomba, a gente vê uma mulher preta aqui, a gente já junta, a gente vem outra aqui junta, porque a gente não se reconhece. Então, quando a gente chega nos ambientes, a gente faz um raio X assim para ver se tem outras pessoas pretas e a gente senta ali do lado. Ah, certinho. E o outro vem, você vê que tem mais e vai sentando e a gente acaba quando a doutora traz que a gente se encontra nas trincheiras, é porque a gente vai para as trincheiras e é isso, a gente vai puxando, porque eu preciso ter esse reconhecimento. Então o acolhimento ele é extremamente importante. Quando eu tenho um profissional, independente da área da atuação, que ele também é uma pessoa preta, ele sabe o que tá acontecendo, ele consegue identificar. Assim como tiveram outras que lutaram para que eu possa usar esse cabelo maravilhoso, nós estamos aqui na linha de frente também lutando também. É uma luta, né? E aí eu eu só quero mencionar o que você falou, Carla, da quando aquele jovem está tentando, estuda, trabalha, busca e ele diz: "Por que que eu não tô conseguindo? Por que que eu não tô avançando?" É necessário reconhecer que existe uma problemática do racismo. Eu não estou dizendo que tudo é o racismo, [limpando a garganta] viu? Não estou dizendo que é isso, mas é uma pessoa que luta, que batalha, que estuda, que encontra um propósito e ela ela não consegue avançar. A gente precisa considerar isso, que realmente existe essa situação do racismo que impede a pessoa de crescer, porque tudo é difícil. A pessoa mora longe, ela tem que pegar o ônibus, a pessoa ganha uma bolsa, mas a faculdade fica em uma outra região, é longe. Tudo é duas vezes mais. Tudo é mais desafiador. E eu falo isso pessoal, eu falo isso. Eu poderia contar minha história aqui e falar assim: "Olha, eh eh eu sou eu sou mulher única formada de uma família de várias gerações. Eu precisamos sim consegui [limpando a garganta] entrar em espaço. Sempre fui uma das primeiras a estar em espaço de poder. Foi mérito. Não, eu não posso falar isso porque eu sei o que quanto que me custou. Me custou inclusive saúde mental. [limpando a garganta] vou puxar, vou abrir espaço. Sim. Então é preciso considerar para quem tá nos ouvindo para que se acolhe mais, é para que se compreenda mais e durante o ano estude um pouco mais sobre o racismo, por favor, para que possa entender e se perdoar também. Uhum. É verdade. Conhecimento, né, gente? conhecimento liberta. E quando a gente fala de racismo, tem muito que ser estudado, tem muita história, né, que que você precisa entender para você pegar poder chegar nos dias de hoje e e compreender o porquê dessa luta, né? E aí, quem sabe você estudando, você entendendo, você comece a ter aí uma visão diferente sobre o racismo. Tem uma pesquisa nacional eh por amostra de domicílios que indica taxas de desempregos mais altas aí entre pros e pretos e pardos, né? Eh, dados do Ministério [limpando a garganta] do Trabalho mostram que apenas 30% dos cargos de liderança são ocupados aí por pessoas negras, pretas. E um estudo do Instituto ETOS revela que só 4,7% são mulheres negras em cargos executivos. É o que a gente tá falando aqui, né? Eu sou a primeira da minha família e é que vem aí de uma descendência e a a fazer faculdade, a me formar. Aí depois de mim, que bom que eu consegui quebrar esse ciclo, porque depois de mim vieram outras e outras e minha filha e sobrinhos e assim a gente fica feliz com isso. Mas do ponto de vista das instituições, Dra. Lucimara, eh, e das empresas, o racismo no ambiente de trabalho ainda impera. E eu gostaria que que a a doutora explicasse pra gente o que que falta para garantir ambientes realmente ã livres do racismo, né? E quando a gente fala de de de corporativismo, de empresas, até na questão eh eh da vaga, né? eh eh império um racismo velado. Você sabe que eu tava conversando com uma advogada também e ela me pontuou algo num outro quadro que nós temos que seu direito e nós trouxemos sobre o direito das pessoas pretas. A doutora me pontuou algo que eu acho muito interessante a gente falar aqui. E aí, Dra. Luciara e eh é completa essa pontuação que ela trouxe. Ela disse assim: "Olha, hoje nós temos aí eh vagas, né, em ambiente de trabalho que estão eh disponibilizadas para pessoas pretas, para pessoas negras, pardas, assim como você queira eh eh falar. Mas aí a pessoa ela ela ela é qualificada para essa vaga. E aí quando ela chega para fazer uma a entrevista pessoalmente, eh, é exigido dela eh a faculdade, OK, né? Eu consegui tenha faculdade, então, mas eu preciso que para essa vaga você seja bilíngue e você tenha especialidade nisso, naquilo, naquilo outro. E aí a pessoa que tem a faculdade, que se formou, que achou que ela ia ser contratada para aquela vaga, ela [limpando a garganta] começa se encolher, porque como a doutora pontuou, é tudo duas vezes mais difícil. Sim. E aí você já conseguiu fazer a faculdade, mas essa essa vaga que parecia ser sua, ela te exigiu que você seja bilíngu, ela te exigiu que você tenha especialização em tal coisa que você não conseguiu ainda? Isso é um racismo, doutor? É óbvio, é claro. Eh, não dá para exigir da população negra que questões e pautados em oportunidades extensas. Isso não é possível. Uhum. De fato, nós estamos mais atrasados. Uhum. Houve avanço, algo a partir de 2000, dos anos 2000, houve um avanço e nós temos eh muitas pessoas negras, a maioria mulheres negras eh eh nas faculdades. Nós tomamos contas das faculdades públicas, né? E isso é algo positivo. Isso aconteceu através de políticas públicas. Vamos falar a verdade, foi através das das cotas que isso ocorreu. Foi aquela oportunidadezinha que alguém tava esperando lá na região tão long do do do centro de da cidade de Campinas. Opa, vou pegar essa oportunidade e vou, mas eu [limpando a garganta] só vou com isso, só vou com a minha mochila, com com o lanchinho no bolso. E é só isso que eu vou não é possível exigir dessa pessoa. É por isso que as empresas elas precisam possuir primeiro um posicionamento do combate ao racismo, o acolhimento, mas é o acolhimento institucional. Sim, as empresas elas precisam ter políticas de inclusão racial com um olhar diferenciado. Perfeito. De que eu posso eh contratar essa pessoa que não tem tanta especificações, especializações, porém essa pessoa é capacitada, porque se ali está, se foi selecionada, então ela está com condições de estar dentro desse desse dessa vaga. E aí essa empresa que tem, viu? Tem empresa, muita empresa fazendo isso. Ela vai trabalhando isso, ela vai trabalhando com essa pessoa. Exato. Que essa pessoa pode se tornar um CEO, mas é é isso que as empresas precisa possuir. Primeiro, o posicionamento, né? O posicionamento efetivo do combate ao racismo e políticas de inclusão racial dentro das empresas. E ainda bem que isso já está acontecendo. E ainda bem que inclusive escritórios de advocacias, grandes escritórios de advocacia em São Paulo também já está eh eh realizando essa prática com aquele olhar, um olhar de saber que nós estamos no Brasil, sim, com o olhar não negacionista, de saber que efetivamente o racismo existe e ele é real. Nós temos que eh não conviver, mas combatê-lo. Combatê-lo, mas combatê-lo o quê? Com ideias e com práticas efetivas. E eu ainda bem acalmo o meu coração porque diz que tem empresa realizando isso. Sim, verdade. E para complementar, Dra. Luciana, é um culo, tem algumas empresas fazer o letramento que é geralmente importante, porque não adianta ser empresa, ela querer incluir se ela não prepara o seu corporativo, se ela não prepara os seus colaboradores para lidarem com as peculiaridades de uma pessoa preta, uma pessoa parda, porque sempre vai ter aquele colega, vai falar assim: "Esse seu cabelo você lava, como que você lava?" Verdade. Sempre vai ter essa. Então, se essa empresa ela não toma esse cuidado de que esse ambiente ele seje uniforme, que esse ambiente ele seja saudável, essa pessoa ela vai adoecer porque ela vai est, a empresa vai dar toda essa estrutura se ela não tivesse esse letramento, esse posicionamento firme de que aqui ações racistas são punidas, aqui nós aceitamos, aqui tem essas regras, são as políticas de boa convivência. Você não pode chegar no seu colega que sair colocando a mão no cabelo dele sem permissão. Você não pode chegar no ambiente e querer sair porque acontece que é o que eu o que traz na terapia. Uhum. É o que traz o que as meninas trazem. Nossa, eu tava lá passando no corredor, senti um puchão. Não fos nem querendo saber se meu cabelo era natural ou se não era. Uhum. esse [limpando a garganta] cuidar de chegar para saber é seu esse cabelo. Então a empresa ela precisa também ter esse processo porque essa pessoa ela acaba também adoecendo e ela vai quando ela pode paraa terapia e trazer essa dor. A empresa ela pode criar código de conduta. Ele precisa ter isso ela cria isso que é é completando esse código de conduta que precisa ser punido. Sim, mesmo no ambiente do trabalho, ela inibe quando quando essa pessoa, esse colega, ela proíbe, ela eh pune e isso também é uma maneira de melhorar a situação e o combate ao racismo. Quando a gente fala de respeito, né, quando a empresa ela que a gente respeita, quando você coloca a mão no cabelo de uma pessoa sem permissão, você tá desrespeitando. Essa pessoa tá falando de respeito, né? Então isso é extremamente importante a gente ver que não só no mundo corporativo, como nas escolas, começar lá na escola, você respeitar o corpo do outro na peculiaridade dele. Excelente, né? Então veja só, eh, doutora, quer pontuar, por favor? É, eu eu sobre Campinas, Campinas é é acredito que é sabido pra maioria das pessoas que foi a última cidade a acabar com com o processo de escravidão negra e e Campinas. Eu acredito que Campinas ela ela está à frente de muitas cidades. Nós temos um um uma militância negra eh que se levanta todos os dias assim no combate. Nós temos eh movimentos como Rosalina, como Quilombo, como outras pessoas que efetivamente trabalham no combate ao racismo. Fora isso, nós temos a CEPIR. Sim. Eh eh eh acredito que é o Marcelo Rezende que está lá. Nós temos o Conselho da Comunidade Negra, que é a Marcela Reis, nós temos eh o Centro de Referência, que que é tudo eh políticas públicas encabeçado por uma prefeitura que também ela se preocupa. Sim, verdade. Então, eh, diferentemente de outra cidade, né? Diferentemente de uma cidade que eu estava ontem, por exemplo, que é bem preocupante, mas Campinas ela de fato ela encara o problema. Uhum. Nós nós temos que e é necessário pontuar isso. Nós estamos numa cidade que não nega o racismo e que enfrenta e que as dificuldades existem, mas que enfrenta. Exatamente. Isso é é bem importante a gente trazer, porque eh quanto mais a gente eh se posicionar e quanto mais conhecimento tiver aliado com as políticas públicas, a gente tá aí num caminho da assertividade, né? né? Então a gente precisa sim de políticas públicas, entender o que diz a lei, entender os nossos direitos, né? E e seguir, não, a gente não pode parar, a gente não pode eh eh se permitir a falar: "Poxa vida, mas eu não posso entrar aqui por conta disso". Não, a gente precisa enfrentar. Olha, é desafiador, sim, isso vem sendo desafiador desde lá de trás, né? Mas a gente hoje tem a oportunidade de ir mudando essa situação. Veja bem, eu sou formada, consegui fazer uma faculdade, a doutora, olha só que beleza, nós temos aqui uma advogada, nós temos aqui, né, uma terapeuta com trabalho com psicologia, eu sou jornalista, então assim, eh, a pessoas que virão lá na frente, elas já estarão mais eh podemos dizer assim, tranquilas eh em relação a isso. Mas nós estamos aqui hoje porque pessoas que vieram lá atrás sofreram, pisaram no barro, amassaram muito barro, sofreram muito para que hoje a gente pudesse caminhar nesse asfalto. E a gente caminha no asfalto hoje para que quem vem lá na frente possa caminhar em um caminho mais florido, né? É, então assim, é toda uma construção, mas que depende da informação. depende da informação e depende eh da força e da coragem de denunciar, de cobrar e de buscar alternativas que possam melhorar cada vez mais esse ambiente que a gente vive, que é esse nosso Brasilzão, e que a gente precisa entender que o racismo, gente, não pode fazer parte, mas que ainda faz, mas que eu acredito que a gente vai conseguir trazer aí para o futuro, né, um pouco mais de tranquilidade, de saúde mental, quando a gente fala de racismo. Agora, a gente precisa eh também combater o racismo. De repente, pode, eu eu me me corrige, doutora, se eu tiver errada. Às vezes na fonte, né, quando a gente fala fonte, infelizmente a gente ainda tem famílias que t o racismo dentro de casa. Sim. E aí a gente precisa trabalhar na estrutura dessa família. Como é que a gente faz isso? muit muito diálogo. A gente tem, eu tenho um uma cliente e que por questões, ela é a única preta assim mais retinta da família, todo mundo é mais fado, mais tranquila, calhou de dela ser mais retinta. Então ela sempre foi dentro desse contexto familiar ver essa estrutura, né? A família sempre preocupada ali do comportamento dela ser mais assertivo. A pressão em cima dela sempre foi maior porque ela é mais retinta. a às vezes a punição que os irmãos dela não tinham, ela tinha essa punição por conta disso, para que ela tivesse um comportamento o mais irrepreensível possível, ela não podia tirar nota ruim. Então assim, isso é uma sobrecarga muito grande. Então essa saúde mental a gente precisa trabalhar que quando a gente tá falando de pessoas que nós não temos só as questões emocionais naturais do ser humano, né, que a gente já vê esses problemas todos que a gente tem que lidar só por fato de ser humano, vivendo no planeta, vivendo no Brasil com a política econômica, do jeito que anda, essas dificuldades que a gente já tem, a gente tem que lidar ainda com o fato de que todos os dias eu tenho que lidar com o racismo dentro da família. Então, a gente tem alguns dados de poucas famílias são exclusivamente de gente, pessoas pretas. As nossas famílias são muito plurais, né? Muito gente misturada. E a gente fala assim: "Ah, mas é da formação, isso é mimimi, porque todo mundo é igual". Não somos iguais. Quando a pessoa quanto mais retinta é a pessoa, mais ela tá embaixo da escala. E às vezes no seio familiar, por as outras pessoas não terem tanta retinta assim, não consegue entender que esse tratamento é diferente na escola, que esse tratamento é diferente no mercado. Por exemplo, eu o sonho de toda mulher preta retinta é ir no mercado fazer compra sem ter um segurança atrás dela. Ah, daí me fala é um sofrimento. Então, e às vezes você vai duas irmãs simp e aí eu tenho um caso de duas irmãs assim, uma mais clara, outra mais retinta e é diferente o tratamento delas duas. Então dentro da família é nítido isso. E algumas famílias, justamente por isso, eu via quando era criança, eu ouvia muito um termo, vamos embranquecer a família. Nossa, nós éramos orientadas quando crianças a não casar também com a pessoa preta. procura com mais branquinho e quando não ouvir assim, pode ser pretinho, deixa ser trabalhador, tenho condição. Você pode ter um homem preto, casar com um homem preto, desde que ele seja trabalhador. Quer dizer, pro homem branco não tem essa essa discussão. Então, as famílias ainda ainda hoje das pessoas que eu atendo, vem vem dessa formação de que pode ser preto desde que tem sempre um desde que tem sempre essa preposição aí e pro branco não tem. Então, dentro da família esse conhecimento de entender a dor do outro. Uhum. Quando essa mãe, ela é uma mulher preta, ela consegue entender a dor dos filhos de forma separadas, por conta da quantidade de de retinta que eles têm. Mas quando essa mulher ela é uma mulher mais clara e ela tem filhos mais mais pretos, ela não consegue se colocar no lugar porque o que ela sofre de preconceito é diferente. Infelizmente a gente ainda tem esse recorte que quanto mais retinta é essa mulher, quanto mais retinta esse homem, vai ser um tratamento diferente. Isso acontece numa família de quatro, cinco pessoas. Nossa, então porque eu vi isso na minha família acontecer. Eu tenho a minha tia que é muito clara, a minha biz a minha uma das minhas tias avós, ela tem olho verde, é muito branca, enquanto que a minha avó já era preta, as duas irmãs er do mesmo pai e da mesma mãe e as duas famílias tiveram raiz diferente. Uhum. Enquanto a minha tia branca foi asendo, financeiramente, casou com homem branco, tal, a minha avó casou com outro homem preto que foi misturando, então assim, a raiz da família. Então, olha onde começou lá atrás os meus bisavós. Então, assim, e a gente tem esse colorismo dentro da família, então é muito diálogo essa mãe olhar para esses filhos, ver que o tratamento é diferente. E se eu não reconheço que dentro da sociedade nós somos tratados de formas diferente, a gente não avança. Eu não acredito que a gente somos devemos tratar todos iguais, não. Nós somos diferentes e cada um tem que ser de acordo, de acordo com aquilo que ele representa pra gente sofrer menos. Uhum. e que esse esse preconceito, esse racismo dentro da própria família, que ele seja extinguído, né, para que a gente comece na nossa base. Acredito que no ambiente familiar é bem mais delicado, mas eu ainda compreendo que pessoas precisam, nós precisamos de identificação. Uhum. Né? Nós viemos num país, uma cidade como Campines, que foi a última acabar com a com o processo de escravidão. Nós vamos o Brasil que foi o o último, né? eh eh no mundo. Então, eh eh falando de âmbito familiar, também é necessário que essas pessoas abram a TV e vê mais gente negras apresentando programas. É necessário que elas possam conversar com advogadas negras, que ela vá no hospital e tenha médicos advogados. Nós precisamos naturalizar o que é para ser. Sente. E aí, porque senão essas famílias também tem uma situação de que eu acredito que existe a educação para quem quer a educação e a lei para quem não quer educação, porque também não podemos acreditar que vivemos num mundo de maravilhosamente não. Então existe a lei, quando tem que caber a lei e existe a educação, existe a ignorância, existe uma situação de um povo que foi dilacerado, um povo que foi arrastado por durante anos com esse processo de escravização. Então nós temos que entender isso. E aí eu, gente, tudo se remete a políticas públicas. vocês entendem a responsabilidade de vereadores, de prefeitos, de pessoas de fato com vontade, com desejo, que tenham um olhar também progressista, que entenda que isso seja necessário. Nós, essas pessoas, essas famílias que quando elas percebem, quando elas verificam e essa identidade de outras pessoas em liderança, em espaço, em cargos, que importante, essas pessoas recuam. Você entende? Vocês entendem? Entendem assim? Sim, sim. É isso mesmo, gente. Olha quanto aprendizado, né? A gente precisa falar muito sobre. Agora a gente já quase chegando no final do programa, gente. Uma hora passou e nós temos assim muito que conversar, mas não faltará oportunidade. Hoje é um dia em que a gente trouxe, né, essas duas mulheres maravilhosas que nos ensinaram tanto. E eu fico tão feliz, eu fico tão feliz e que bom que a gente pode ter um espaço desse para trazer a informação, né? Mesmo que seja assim um pouquinho só, só foi uma hora, mas isso é é bom porque deixa você com um gostinho de quero mais. Você tá vendo quanto a gente tem ainda que aprender, né, sobre o racismo, sobre as pessoas pretas, sobre a história desse povo que faz e e desenvolve esse Brasil. Gente, eu fico muito emocionada até em falar, porque sou uma mulher preta, venho de uma descendência que teve muito racismo, porque a minha avó foi casada com um homem negro. A minha avó japonesa se casou com um homem negro e ela foi deserdada. E a gente traz isso eh eh na família, um racismo assim que machucou, que judiou, mas que hoje a gente vem quebrando padrões e é tão gostoso, sabe, saber que a gente pode, que a gente consegue e que a gente pode sim ser o que a gente quiser, que a gente pode estar, que a gente pode estudar, que a gente pode evoluir e que nós estamos aqui e que juntos e juntas nós vamos conseguir oferecer um futuro melhor para aqueles que estarão eh na na nossa frente, [limpando a garganta] né? Quando eu for vó, o meu neto vai ter um futuro melhor. E eu vou saber que isso vem de um trabalho, um trabalho dos nossos antepassados que sofreram, que sofreram e um e e um trabalho nosso, né? Exato. Isso chama-se resistência. Então assim, resistência para todos e para todas nós. Eu quero agradecer muito a sua participação, a sua presença e o seu ensinamento. Gratidão. Obrigado. Que agradeço, Rubert está aqui novamente. Recado, se olhe no espelho e se veja por você, não pelo olhar do outro. Maravilhosa, doutora. Gratidão. Muito obrigada. A gente acompanha seu trabalho também. Continue, continue sempre que a gente precisa dessa, desse empoderamento, né, que vocês, que nós trazemos pra gente poder seguir. Eu que agradeço [música] no mês de novembro, no mês que nos comemoramos aí, eh, eh, dandara e zumbi. Eu quero dizer que continuem firmes que depois de nós, a minha filha, [música] a sua filha, nós teremos um um mundo, um país mais igualitário, reitero, que não existe, não existe democracia sem [música] igualdade, nem sem liberdade e sem pluralidade. Exatamente. [música] Maravilhosa, gente. Consciência negra não é sobre um mês, tá? É sobre um país inteiro aprendendo a olhar paraa sua própria história. É sobre reparação, respeito, humanidade. É sobre garantir que as próximas gerações cresçam sabendo que dignidade não pode depender da cor da pele, tá bom? Então, um abraço para você, obrigada pela sua presença, pela sua companhia. Obrigada por estar conosco e a gente convida você a transformar novembro em uma prática diária, tá? atitude, o respeito precisa ser para [música] sempre, tá bom? E amanhã nós temos, claro, estúdio câmera ao vivo novamente. Amanhã a gente vai falar sobre um ambiente para todos, como transformar sua casa em um espaço agradável e seguro para todas as idades. Vamos te mostrar como é possível adaptar e organizar ambientes domésticos para garantir segurança, conforto, acolhimento, promovendo aí uma convivência harmoniosa entre crianças, adultos e idosos. É, amanhã a partir das 8 da manhã, mais uma edição do nosso estúdio [música] Câmara. Vamos encerrando por aqui, desejando a você um ótimo dia. Aproveite e respeito [música] sempre, tá bom, gente? Tudo de bom e até amanhã, se Deus quiser. Tchau. Tchau. Segurei sua mão. [música] [música] [música] [música] [música] [música]