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Estúdio Câmara | Como transformar dor, luto e trauma em reconstrução
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Estúdio Câmara | Como transformar dor, luto e trauma em reconstrução

78 views Publicado 11/03/2026 HD · 1:00:49

Descrição do vídeo

💛 No Estúdio Câmara, o tema desta edição é a reconstrução emocional depois da dor. Inspirado na arte japonesa de reparar cerâmicas quebradas com ouro, o programa propõe uma reflexão sensível sobre perdas, traumas, decepções e recomeços, mostrando que as cicatrizes não são sinais de fracasso, mas marcas de uma história que resistiu e pode ganhar novo significado. ​ 🧠 Para conduzir essa conversa, o programa recebe a psicanalista Mayse Lenny Martins de Souza e a psicóloga Natália Aguilar, que ajudam o público a compreender o conceito de crescimento pós-traumático. Ao longo da entrevista, elas explicam a diferença entre apenas resistir à dor e realmente se transformar a partir dela, sem romantizar o sofrimento, mas reconhecendo que ele pode abrir espaço para autoconhecimento, autenticidade e novas narrativas de vida. ​ 🩹 A edição mostra que o processo de reconstrução não significa apagar a dor ou fingir que nada aconteceu. Pelo contrário: as convidadas destacam a importância de dar nome às feridas, integrar as experiências difíceis à própria história e aprender a caminhar com elas, em vez de tentar escondê-las. O programa reforça que honrar os próprios “cacos” é um ato de coragem e consciência. ​ 🌧️ Durante a conversa, o público é convidado a refletir sobre situações que marcam profundamente a trajetória humana, como luto, fim de relacionamento, demissão, diagnósticos difíceis e outras perdas significativas. As especialistas explicam que o luto não se limita à morte de alguém, mas pode surgir sempre que há ruptura de um vínculo importante ou de um projeto de vida que fazia parte do mundo presumido da pessoa. ​ 🫂 Outro ponto central do episódio é a importância da rede de apoio e do acolhimento. O programa discute como o julgamento, o silêncio e a dificuldade cultural de lidar com a dor podem aprofundar o sofrimento, enquanto relações seguras, escuta ativa, psicoterapia e espaços de validação emocional podem ajudar a reorganizar a vida depois de experiências traumáticas. ​ 🌱 A entrevista também aborda temas como autocompaixão, autorregulação emocional, sombra e identidade, mostrando que o sofrimento não precisa definir totalmente quem uma pessoa é. As convidadas explicam que é possível reparar a dor por meio de novas relações, novos sentidos e um olhar mais gentil para si mesmo, inclusive com apoio da psicologia, da psicanálise e da psicoeducação. ​ ✨ Com uma abordagem profunda, humana e acessível, o Estúdio Câmara oferece ao público uma conversa necessária sobre saúde mental, dor emocional e reconstrução. É um conteúdo que convida cada pessoa a olhar para a própria história com mais respeito, menos culpa e mais coragem para seguir em frente. ​ ▶️ Assista ao episódio completo do Estúdio Câmara e descubra como honrar seus cacos, ressignificar perdas e reconstruir sua história com mais consciência e acolhimento. ​ 💬 Comente qual reflexão do programa mais tocou você. 👍 Curta, compartilhe e inscreva-se no canal para acompanhar mais conversas sobre saúde mental, comportamento e qualidade de vida. ​ Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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e aí Olá muito bom dia para você que está aí acompanhando a programação da TV Câmara Campinas nós estamos chegando com o nosso estúdio Câmara hoje quarta-feira dia 11 já né E vamos falar então sobre algo que todos nós, em algum momento da vida, a gente enfrenta, né? O impacto de uma queda, seja uma perda, um diagnóstico ou uma decepção profunda, a sensação é a mesma, a de que a nossa vida se quebrou em mil pedaços. Inspirados na arte japonesa do Kintsugi, recuperar cerâmicas quebradas com ouro, A gente vai seguir nesse programa de hoje e tentar entender que as nossas cicatrizes, elas não são defeitos, elas são marca de uma estrutura que suportou a tempestade e se tornou ainda mais valiosa, assim como fazem nessa arte japonesa. Então, nós já estamos aqui com as nossas convidadas, daqui a pouquinho vamos apresentá-las, e é muito importante a sua companhia que está aí do outro lado acompanhando a programação da TV Câmara Campinas. Agora a gente vai com a previsão do tempo, vamos ver como é que fica a previsão neste meio de semana, quarta-feira, olha só, sol com muitas nuvens, hein? E nublado com chuva agora de manhã, à tarde, a previsão é de temporal e de noite chuvosa e a previsão diz aí que teremos dias mais frios, né? Mínima 19, máxima 25 graus. Uma ótima quarta-feira pra você. Vamos lá, então. O tema do programa de hoje é honrar os nossos cacos, né? Quantos cacos você tem guardado aí? O que você fez com eles? A nossa história, a nossa experiência. Em vez de tentar voltar a ser como era antes, vamos pensar em como podemos nos reconstruir de um jeito novo, mais verdadeiro e mais consciente de quem somos, né? A ideia é olhar para as rupturas da vida não como um fim de caminho, mas como pontos de virada que podem revelar novas possibilidades, novos sentimentos, novos vínculos. Hoje a gente vai conhecer um pouquinho sobre o conceito de crescimento pós-traumático e para nos ajudar sobre esse tema, juntar os nossos cargos com sabedoria, autocompaixão e seguir a nossa vida honrando todos eles, A gente recebe aqui no estúdio a psicanalista Maíse Martins, seja muito bem-vinda, obrigada pela sua participação Maíse, obrigada, bom dia. Obrigada pelo convite, é sempre um prazer estar aqui e democratizar o conhecimento, ele é muito bom, porque você levando conhecimento para as pessoas, o poder de transformação aumenta. É verdade, e a gente está tentando fazer isso aqui, com a presença aí dos nossos profissionais em saúde mental, pelo Zoom. A gente recebe direto de São Paulo, Natália Aguilar, ela é psicóloga, seja bem-vinda, bom dia, Natália. Bom dia, bom dia a todos, muito obrigada pelo espaço para falar dessa temática que eu acho que é tão importante, e que a gente precisa validar, porque mesmo as histórias que não têm desfechos tão bons, elas precisam ser validadas, elas precisam ser faladas, porque elas fazem parte da vida de alguém. Exatamente. E quando a gente fala em cacos, talvez muitos que nos assistem agora estejam lembrando de situações, um luto, um fim de relacionamento, um diagnóstico difícil, uma demissão, e a proposta de hoje não é romantizar a dor, gente, mas entender o que a ciência clínica mostra sobre a possibilidade de crescimento depois de um trauma. Então, eu começo já perguntando para a Natália, a Natália muito se fala em resiliência, que é a capacidade de voltar ao estado original, mas esse crescimento pós-traumático, Qual que é a diferença entre apenas resistir e se transformar após de um trauma? Qual é a diferença da resistência e da transformação? Eu acho que é importante a gente compreender que hoje muito se fala nessa questão de resiliência, de uma maneira talvez até mais romantizada. Mas eu acho que pensar em resiliência é pensar na questão de você conseguir seguir com todos os atravessamentos que uma dor, que um trauma, que uma perda, ela vai te causar. Eu acho que resiliência, ela vai para além do resistir. Quando é colocado para mim Que uma pessoa precisa resistir à dor Ela precisa ser forte E quando é colocado que ela precisa ser resiliente Eu vejo que a diferença é que ela não tem que evitar a dor Ela vai precisar passar por esse processo De vivenciar a dor Para que ela possa atravessar isso e chegar aqui no momento em que ela consiga seguir apesar da dor, seguir com a dor. Tem até um autor que fala bastante, eu sou especialista em luto, e tem um autor que fala que no início de uma perda, nós somos o luto, nós somos a perda, nós estamos, isso está tão impregnado no nosso corpo, na nossa mente, que nós somos aquilo. Com o tempo, nós vamos aprendendo a caminhar com aquilo. Não é que a gente supere o luto, cure o luto, porque, na verdade, a gente acredita que quando existe uma relação significativa com qualquer pessoa, com qualquer relação, emprego, trabalho, amigos, enfim, Qualquer relação significativa, quando existe uma relação, a gente não cura aquilo quando a gente perde, mas a gente cuida. E à medida do momento que a gente vai conseguindo vivenciar com a dor e não mais ser a dor, é aí que eu acho que está esse poder de resiliência. Excelente, muito bem explicado. Obrigada, Natália, pelas suas palavras. Agora, Maíse, vamos lá. Como é que o ato de integrar a dor à nossa própria história, assim como muito bem pontuou a Natália, em vez de tentar apagá-la, essa ação nos torna pessoas psicologicamente mais profundas, né? De que maneira reconhecer essas feridas, dar nome a elas e incluir essas feridas na nossa narrativa pessoal? isso pode abrir espaço para mais autenticidade nas relações, em contato com quem realmente a gente é. A gente acaba tendo um autoconhecimento, a gente acaba se autodescobrindo a partir do momento em que a gente nos acolhe, a gente dá nome às dores e faz que essas dores integrem o nosso eu, o nosso ser. Excelente pergunta, Rúbia. Na verdade, o processo de dor, ele vem desde que a gente nasce. Quando nós nascemos, a gente tem que pensar que nós saímos daquele quentinho do útero e através da expulsão de uma dor profunda, nós vimos a vida. Nós ganhamos a vida fora do útero. Então, este processo, se nós já trabalhamos isso de uma forma integral, desde a educação, falando de emoções, falando de sentimentos, falando da responsabilidade que a gente tem, do nosso acolher, do nosso abraçar, de nos preservar, A gente começa a enxergar todo esse processo de dor como mais um degrau que nós estamos alcançando, mais uma conquista. A Natália falou muito bem de deixarmos de ser a dor para que nós possamos andar com ela. O andar com ela é, nós deixamos de ser uma muralha e nós pegamos aqueles tijolos da muralha e transformamos nos degraus de crescimento e de evolução. Então, este processo de acolhimento, de entendimento da dor, ele tem que ser um processo educativo. Por isso, mais uma vez, Rubia e toda a equipe, vocês estão de parabéns por trazer isso de uma forma tão democrática, para que a gente possa trazer o conhecimento para poder fazer essa transformação. Quando a gente fala em neurociência, a gente fala que o processo do sofrimento em si, a gente tem no cérebro, dentro do cérebro, a gente tem o sistema límbico, que é o sistema reptiliano, é o nosso cérebro reptiliano. E quando nós estamos vivendo a dor, estamos vivendo o momento de sofrimento, a gente está num processo de luta e de fuga. Então, nós temos todos os nossos hormônios de sobrevivência atuando. Se nós nos damos a oportunidade de conversar, pode ser conversar conosco mesmo, conversar com uma pessoa num set terapêutico, conversar para quem tem a questão religiosa, conversar com um líder religioso, com um familiar que você tenha confiança, mas que seja realmente de confiança para fazer essa transformação. Você deixa de viver no modo sobrevivência e começa a deslocar os tijolinhos, a fazer a analogia que a Rúbia fez de colar os cacos com um fio de ouro. Maravilhoso. É interessante a gente perceber que quando a gente acolhe a dor, a dor deixa de ser um buraco sem fundo e passa a ser um capítulo. Da nossa história e capítulo, não é história toda, é um capítulo. E faz parte da história. Sem capítulo não existe história. Então, pensando nisso, eu queria trazer um ponto que muitas pessoas acabam confundindo, Natália, o sintoma com a identidade. Como é que a gente separa, como é que a gente entende o que é sintoma e o que é a minha identidade realmente, para que a gente não se confunda na hora de a gente contar ou então rever a nossa história? Primeiramente, para responder a sua pergunta Eu acho que é importante a gente contextualizar Que a gente vive numa cultura que nega a dor Que não acolhe a dor Que não suporta olhar para a dor Quando a gente tem uma pessoa Por exemplo, uma pessoa que acabou de vivenciar uma perda Quantas vezes nós não pegamos em falas Por exemplo, não fica assim Não fica chorando Porque senão o seu marido querido não vai descansar Quando é o caso de uma morte Não fica assim, ele não merece Então, isso vai revelando É claro que são falas bem intencionadas Mas isso vai revelando uma inabilidade da nossa sociedade, da nossa cultura em lidar e sustentar a dor. E aí, por que eu contextualizei isso antes de responder a sua pergunta? Porque quando a gente está vivenciando uma dor, muitas vezes a gente não vai se sentir autorizado a viver essa dor e a demonstrar. A gente vai se sentir inadequado muitas vezes, Porque está todo mundo dizendo que eu preciso seguir, mas eu não consigo seguir. Então, quando você traz essa questão de que, quando eu vivencio uma perda, quando eu vivencio um momento em que eu estou ali em cacos, no luto a gente fala muito que o luto é um processo de desconstrução do nosso mundo presumido. é como se, eu costumo dizer assim para os meus pacientes, para os meus alunos que é como se caísse uma bomba atômica num território que desorganiza tudo e a gente vai entrar numa função de precisar reorganizar esse território isso é claro que vai colocar a gente num processo de alerta tremendo esse processo de luta e fuga que foi falado e nós vamos ficar ali em alerta muitas vezes só esse processo da gente ficar em alerta buscando reconstruir esse mundo, muitas vezes vai fazer com que nós deixemos as nossas emoções de lado e juntamente com a questão da cultura Dessa cultura que nós temos de não validar o sofrimento E não validar, não sustentar a dor Essa pessoa muitas vezes vai se sentir inadequada Para vivenciar esse processo E aí ela vai levando isso Vai colocando essa dor para debaixo do tapete Muitas vezes pode se transformar em sintoma físico mesmo Mas o que é importante, eu acho Que diante de uma perda não significa que você, é claro que você cria, sim, uma nova identidade, mas que essa nova identidade, ela não é determinada unicamente pela dor. Porque a gente entende que se a pessoa está ali vivenciando essa dor, esse sofrimento, é porque ela teve um vínculo muito forte. E daí a ideia é que a gente possa ressignificar e construir novas narrativas, que é isso, de juntar os caquinhos com um fio de ouro e recontar uma história a partir de uma nova narrativa. É claro que com uma nova identidade, sim, mas que não necessariamente precisa ser uma identidade que seja só permeada pela dor. Excelente. Nossa, eu fico aqui prestando atenção nas falas de vocês. É maravilhoso, uma easy. A gente traz, né, para ilustrar o nosso programa de hoje, o Kintsugi. É uma emenda de ouro, né? Como eu falei no início, é uma técnica artística japonesa que repara cerâmicas quebradas, né? Então, na nossa vida emocional, muitas vezes a gente faz o contrário. Ao invés de reparar com fios de ouro as nossas partes, a gente tenta esconder as nossas feridas ou fingir que nada aconteceu. Então, como a psicanálise convida a gente para olhar essas rachaduras que nós temos com menos julgamento, com mais curiosidade, para saber o que eu aprendi com isso, por que isso fez parte da minha vida naquele momento, Por que foi necessário eu passar por isso? Fazer um autoacolhimento e, de repente, criar uma bagagem maravilhosa diante da dor que a gente passou. Como vocês ensinam a gente? Como que a gente deve fazer para a gente poder ter esse olhar, que é desafiador? Esse olhar é um tanto desafiador, mas a gente tem uma narrativa de Viktor Frankl que trata logoterapia. Victor Frankl é um psicanalista, psiquiatra, que fez a terceira escola da psicanálise de Viena e ele viveu nos campos de refugiados da Segunda Guerra Mundial. Ele era judeu e teve uma grande participação nessa visão de reconstrução, de olhar o sofrimento, de olhar o luto e olhar o momento de dificuldade de uma outra forma. ele faz uma leitura muito interessante, que é o processo de ensinamento da locoterapia, que é você falar, em vez de você pensar, por que eu estou passando por isso? É, o que isso vai me ensinar para que eu possa ser melhor para o mundo que eu vivo? então esse processo de reflexão é lógico que a Natália vem com uma sabedoria do luto e de perdas que não tem como a gente mensurar, porque cada um vive o seu momento porém, se nós conseguirmos ter esse autoconhecimento para que através do momento que nós estamos vivendo a gente vire uma chavezinha e não é de um dia para o outro, né, Natália? Não é do tipo, ah, eu fui demitido, ou eu perdi um ente querido, ou eu terminei um relacionamento. Essa chave não vai virar de um dia para o outro, mas é um processo de reconstrução. Quando a gente tem essa percepção de que a mudança está dentro de nós, inclusive os filósofos falavam do tipo, Se você for responsável, você vive dentro do estoicismo. E é aí que é o poder de transformação. E aí é o poder da gente escrever uma nova história com os nossos problemas e com os nossos capos. Porque se a gente for pensar, conforme a Natália falou, se a gente coloca esse sentimento e esse luto embaixo do tapete, a gente vai tropeçar no tapete constantemente, né? Então, vamos levantar esse tapete, vamos limpar, vamos limpar o nosso sentimento, entender o nosso momento, acolher e seguir a nossa jornada. Que delícia, muito bom. Agora, a gente fala em seguir a nossa jornada honrando os nossos cacos, né? Falando em estar inteiro, não dá para a gente fugir de um nome bem interessante na psicologia, Carl Jung, ou Carl Jung, ou Jung, né? Eu estudando sobre isso, ele falava de ser, de a gente não ser certinho o tempo todo, mas de a gente ser inteiro. Ontem eu dei uma pincelada sobre alguns escritores, alguns autores da psicologia referente ao nosso bate-papo de hoje. Eu achei bem interessante o nosso tempo, a nossa vida, não dá para ser tudo certinho, a gente vai cair, a gente vai quebrar, a gente vai levantar, mas a gente precisa estar inteiro. Mas aí eu pergunto, como é que está inteiro se a gente caiu? E aí a gente precisa entender e reconhecer a nossa luz e a nossa sombra, aquilo que a gente prefere, de repente, não ver e guardar na caixinha e seguir em frente. Então, eu pergunto para a Natália, Natália, como é que essa repressão da nossa sombra, aquilo que a gente não quer admitir, aquilo que a gente não quer ver, aquilo que a gente passa por cima, ou aquilo que a gente guarda embaixo do tapete, como é que isso afeta a nossa saúde mental no dia a dia, no aqui e no agora? Quando a gente enfrenta um processo de perda, seja ela qual for, esse sistema límbico, esse sistema reptiliano que foi falado, ele se ativa e a gente entra nesse modo luto-fuga. Então, quando eu me deparo com o sofrimento, eu me deparo com uma ameaça, com uma ameaça muito grande. E na grande maioria das vezes, frequentemente, claro que não vamos generalizar aqui, porque tem pessoas que sim acessam o seu sofrimento, mas na grande maioria das vezes, quando a gente se depara com esse sofrimento, nós encaramos ele como uma grande ameaça. E aí, o que o nosso sistema de luta ou fuga faz? Ele faz a gente se defender. Então, ele vai construindo processos de defesa para proteger a gente daquilo que a gente acha extremamente perigoso para a nossa sobrevivência. Isso é uma questão, psiquicamente, isso é uma questão de sobrevivência. Quando eu considero algo perigoso, eu evito. É a mesma coisa que, por exemplo, eu estar andando na rua, numa rua deserta, e eu perceber que tem alguém me seguindo. Logo, eu vou acessar o meu sistema de luta e fuga para a minha sobrevivência. Então, psiquicamente, a gente também tem esse sistema de sobrevivência. E aí, como que isso afeta a saúde mental? Vamos pensar que uma pessoa ficar o tempo todo nesse modo... Porque, quando a gente vivencia uma perda, eu falo que o luto, a perda, é um processo de trabalho contínuo. A gente não percebe que ele vai acontecendo, mas ele está acontecendo aqui dentro da gente. Eu e colegas aqui, costumamos dizer que é como correr uma maratona. Ele cansa da mesma maneira. E aí, quando a gente tem uma pessoa que evita vivenciar tudo isso que está acontecendo, eu estou entendendo que essa pessoa está com esse sistema dela de luta e fuga muito ativado. Então, ela está num processo de alerta muito intenso. E aí, quando eu estou num processo de alerta muito intenso, todos os hormônios que colocam a gente nesse estado, eles estão trabalhando aí no nosso corpo. E eles vão começar a ser responsáveis também por sintomas físicos. Porque a gente já sabe que o excesso de cortisol no organismo, ele vai causar, por exemplo, sintomas de ansiedade. A própria depressão também vai ser causada por esses hormônios que vão sendo emitidos a maneira que a gente vai vivenciando essas defesas. Então, colocar essa dor para debaixo do tapete, ela pode sim ter consequências, inclusive físicas. Eu acho que é importante que a gente possa entender que viver uma perda, viver um processo de ressignificação de um luto, ele não envolve só a mente, ele envolve um todo, que é mente, corpo e o ambiente também que nós estamos inseridos, que vai influenciar e ser influenciado também a maneira que a gente for sendo acolhido ou não na nossa dor. Muito bem, a gente precisa aprender a nos acolher, e somos luz e somos sombra também, a gente precisa entender um pouquinho, né, Maísa, e de repente acolher a nossa sombra, sempre. Muito bom, muito bom, e aí eu pergunto para você, o pessoal que está assistindo a gente em casa agora, e quem sente que a sua vida está ali em uma colcha de retalhos e precisa começar a resgatar a sua própria essência. E ter um autoacolhimento com pequenos movimentos internos e externos também. Como é que a gente pode dar início a esse processo de se reconectar, ressignificar, mesmo em meio aos pedaços? É desafiador, às vezes a gente não vai querer, mas é só assim que a gente consegue seguir em frente, não é não? É só assim. Na verdade é assim, Rúbia, nós somos oito bilhões de seres humanos nesta terra. E oito bilhões de seres humanos que vivem desafios. Nós crescemos com os desafios, nós falamos muito da criança ferida, Então, que o nosso processo de educação, normalmente, ele é traumático, porque nós não temos voz para conversarmos com as pessoas sobre as nossas dificuldades. E quando a gente carrega isso desde a infância, nós vamos ser jovens feridos e adultos feridos e que ferem. Então, aí está o nosso processo de ressignificação. Que é, nós somos adultos, hoje nós somos adultos, nós vivemos numa sociedade, ao invés de nós nos protegermos e nós termos aquela estrutura de paredes à nossa frente que ninguém pode conhecer da nossa criança ferida, Se nós mudarmos essa estrutura para nos deixarmos mais abertos, nós podemos nos curar, nos tratar, ressignificar a nossa história, para nós ressignificarmos todo o nosso meio. Quando a gente começou a conversar aqui hoje, até antes das telas, a gente estava conversando justamente sobre isso. Se a gente conseguir tocar um coração, um ser humano, para que seja feita essa transformação e este ser humano tocar outro ser humano, outro coração, a gente leva a luz para todos os lugares. A gente leva a luz para dentro de nós, para a nossa casa, para a nossa sociedade e aí a gente muda a nossa realidade. Por que é tão importante a gente conversar num set terapêutico? É a gente ter essa conversa franca, é a gente resgatar da nossa criança ferida ou trazer o que está sendo ruim naquele momento, pode ser o luto da perda de uma pessoa importante ou de um trabalho, enfim, o que está realmente nos afligindo? Ter uma conversa franca e ser acolhido, porque nós vivemos num mundo de tanto julgamento, como que a gente vai ter uma conversa franca para buscar uma ressignificação se a pessoa ao nosso lado está nos julgando? Então, vamos procurar ajuda, vamos procurar essa pessoa que tenha uma conversa acolhedora para que a gente possa reescrever a nossa história a partir daí. Fica aí o meu convite. Ai, maravilhoso, gente. A terapia é sensacional, né? E esse momento que a gente faz aqui é um momento de conhecimento de como as coisas funcionam e é uma visão ampliada das nossas profissionais, de como elas veem o que para a gente, de repente, é algo de somente luta e fuga, e não, a gente consegue, e a gente precisa do apoio, sim, de profissionais da saúde mental, e é por isso que a gente faz esse exercício todos os dias aqui na TV Câmara Campinas, no Estúdio Câmara, porque a gente traz temas do cotidiano, do nosso dia a dia, mas que se você para para analisar com os olhos da psicologia, da psicoterapia, olhos de quem trabalha com a saúde mental, a gente vê que sim, a gente consegue, basta passar pelo processo, mas o processo é delicado, né? E uma coisa que chama atenção em tudo isso que a gente está falando aqui sobre essa questão de honrar os nossos cacos é que o caminho da reconstrução, ele não passa por se culpar mais, mas muitas vezes é para a gente aprender a se tratar com mais gentileza, e isso é tão importante que já é tema de estudos na neurociência, se tratar com mais gentileza, se tratar com autocompaixão. Ô Natália, a neurociência estuda a autobondade, ou seja, a capacidade de ser gentil consigo mesmo, especialmente em momentos de crise. Olha só que legal, ser gentil consigo mesmo, em vez de se criticar o tempo todo, né? Realmente, se a gente consegue chegar a esse ponto de ser gentil conosco, ao invés de estar nos criticando, isso realmente acalma o nosso sistema nervoso. O que já se sabe sobre isso em termos de cérebro, hormônio do estresse, e regulação emocional, como vocês sempre falam para a gente, que a gente precisa aprender a se autorregular. Sim, essa questão da gente conseguir ser gentil, mais gentil com a gente mesmo, é importantíssimo para essa questão da regulação, porque eu modifico a vibração, Primeiro eu modifico uma vibração do meu corpo, para aí o meu corpo começar a liberar mais hormônios que não me deixem tanto em um estado de alerta. O que eu estava falando antes, não dá para a gente levar em consideração só o que é emoção, só o que é emocional, a gente precisa levar em consideração o todo, porque corpo e mente vão funcionar juntos. E é importante, porque quando a gente aprende a ser gentil com a gente mesmo, e geralmente a gente vai aprender isso dentro de uma nova relação, uma nova relação reparadora, a gente pode aprender sozinho também, mas eu estou dizendo assim, mais reforçando aí o contexto de uma pessoa poder acolher mais, quando essa pessoa está em psicoterapia, o próprio psicoterapeuta poder ter esse papel de ser base segura e porto seguro para essa pessoa, para auxiliá-la nesse processo de autorregulação. A gente acredita que a gente não pode apagar um trauma Isso não é apagado Porque uma vez que a gente vivencia uma perda, um trauma Esse atravessamento está registrado na nossa vida Está registrado no nosso corpo, na nossa mente E ele fica como uma cicatriz No entanto, nós podemos ressignificar e contar novas histórias a partir de novas relações reparadoras desse trauma. Então, se eu tenho uma história muito traumática, mas, de repente, no decorrer da minha vida, eu consigo ter uma outra relação que me ajude nesse processo de autorregulação, que cuide de mim, que seja gentil comigo, que faça com que eu compreenda compreenda que eu sou merecedora de carinho, afeto, cuidado, eu tenho a possibilidade de reparar o trauma que foi vivenciado no passado. De novo, não é esquecer o trauma, mas é reparar aquele momento que foi traumático com uma nova relação que vem trazer essas novas sensações diante da vivência do cuidado. Então, eu acho que sempre tem jeito Sempre tem um jeito De a gente olhar para a experiência de uma outra forma Mas acho que as pessoas precisam entrar Nesse processo de se psicoeducar Com relação ao que é acolher a dor Para que a sociedade, num todo ela se sinta um pouco mais à vontade, menos inadequada de expressar os seus sentimentos. Para além do contexto terapêutico, é claro. Excelente. A sua leitura é ótima, Natália. E eu gostaria muito de complementar. Eu faço uma analogia. Vocês sabem que eu trabalho muito com imagem, né? Falo com as mãos. Mas no atendimento, eu tenho óculos coloridos. E quando a gente está num processo de sofrimento, a gente está com óculos, com lentes pretas. E tudo fica preto, tudo fica feio, tudo fica escuro. Você olha para a luz, você olha para o sol, ele está escuro. E aí, com a terapia e com este acolhimento, com essa psicoeducação, a gente começa a mudar as cores das lentes. A gente vai diminuindo, vai passando para um cinza, para um cinza mais claro. Vai dando oportunidade da pessoa enxergar com uma lente vermelha, amarela, azul, verde. E começar a entender este contexto com outros olhares. Isso eu acho que eu vejo de uma forma assim muito, muito clara para que as pessoas entendam, porque quando a gente continua sem a terapia, sem essa conversa franca de auto acolhimento, a gente vai continuar andando com a lente preta. Excelente, Maísa. Agora, essa questão de acolhimento é algo meio estrutural, é algo meio cultural, me corrija se eu estiver errada, porque é desafiador você se auto-acolher, é desafiador você ter auto-compaixão, né? Eu acho que a gente precisa de um autoconhecimento para a gente poder entender que nós somos merecedores do próprio acolhimento, né? E se a gente para para analisar, fazer uma analogia da história, fazer uma linha do tempo, isso é meio que novo para a gente poder entender a importância e aprender a ter essa autocompaixão, porque isso tem que vir de dentro para fora. Não é tão simples assim a gente falar, ah, eu tenho autocompaixão, eu me acolho. Será mesmo? Vamos pensar no processo de educação? Vamos lá. Quando nós vamos educar uma criança, a gente educa mostrando para ela os talentos que ela tem, os pontos fortes que ela apresenta ou só as falhas. Aí começa o processo de desregulação. Por quê? Porque se eu sou treinada para ver só os meus defeitos, desde o processo de educação, desde engatinhar, não pegue isso, não faça isso, ao invés de dizer assim, vai lá, tenta, fica tranquilo que eu estou supervisionando, eu estou aqui te amparando. Quando nós somos adolescentes, nós deixamos de ser aquelas crianças doces, bonitinhas, que obedecem, que sentam, e passamos a ser aqueles aborrecentes, incontroláveis. Nós vivemos o nosso primeiro luto, concorda? O primeiro luto da nossa vida é a saída da infância para a adolescência. Nós não somos nem crianças e nem adolescentes. Quem vai amparar aquele novo ser humano que está nascendo, que está deixando de ser criança? Mais uma vez, nós acolhemos os nossos adolescentes ou nós só buscamos penalizá-los? Como que nós vamos regular o turbilhão de emoções que estão aflorando dentro do homem, a avalanche de testosterona, a mulher, a loucura que é o processo de ovulação? Como que nós vamos acolher essas emoções que estão nascendo e que não tem justificativa? Não é o mundo lá fora que está acontecendo, está acontecendo aqui dentro. E junto com o mundo lá fora, porque vamos concordar que o mundo para o adolescente é muito penoso. Aí ele passa pelo processo já com a criança ferida, concorda? Vai se tornar um jovem já no mercado de trabalho. Vai tentar ganhar a vida. Com que emoção que ele aprendeu? Buscamos lá recursos na adolescência, na infância, zero recursos. Encontramos o nosso parceiro ideal para sermos pais ou mães. Como nós vamos criar as nossas crianças? Sem subsídio, nós não fomos educados emocionalmente, nós não fomos educados para nos acolher e acolher a todos. Vocês entendem que esse processo, ele é transgeracional? Porque quando a gente fala desta transformação e de autoacolhimento, uma luz acendendo outra luz que acende outra luz, é uma quebra sistêmica. Então, eu tenho um processo de autodescoberta, de autotransformação, e eu vou mexer com todo o meu círculo e vou quebrar os traumas anteriores. Então, aqui está um convite, não é a gente colocar embaixo do tapete. Este acolhimento é começar a entender, e a gente faz isso muito no consultório, é o que você tem de bom? Quais são os seus talentos naturais? O que você transforma dentro do meio que você vive? E aí você vai começar a se acolher e acolher a todos que estão à sua volta com uma lente diferente. Maravilhoso, muito bom. Agora, eu pergunto para a Natália, qual a observação que você faz, Natália, da rede de apoio? Porque a Maisie trouxe muito bem uma história para a gente nessa questão da auto-compaixão. Mas a rede de apoio, qual é a importância disso? Amigos, família, comunidade, os grupos, qual é a importância dessa rede de apoio para que ela possa, de repente, dar um suporte para que a gente entenda os nossos processos de luto e os nossos processos de reconstrução. E eu gostaria que você trouxesse para a gente, você trouxe o luto aqui para o programa para explicar para as pessoas de casa que luto, às vezes, as pessoas pensam assim, luto, mas é só uma perda de um ente querido. Não. Luto são perdas que nós temos no decorrer da vida. Então, eu gostaria que você trouxesse essa explicação e depois trouxesse para a gente também a importância da rede de apoio nesses processos de luto e de reconstrução dos nossos cargos. Sim. Então, assim, o luto é compreendido como toda e qualquer perda que a gente vivencie de uma relação que foi significativa para a gente. essa relação pode ser com uma pessoa ela pode ser com um animal ela pode ser com um objeto ela pode ser uma relação mesmo um relacionamento um emprego então com qualquer coisa a gente fala que assim o luto ele é tudo aquilo que rompe com o meu mundo presumido, que é isso que eu falei que a gente vai precisar reconstruir aquilo que a gente estava idealizando Por exemplo, eu sempre dou esse exemplo para os meus alunos, meus pacientes, eu sempre falo, por exemplo, eu acordo cedo e eu tenho uma rotina. Então, a minha rotina qual é? Acordar, eu tomo banho, eu vou pegar meu jornal, meu celular, vou tomar café, vou ler as notícias e vou para o trabalho. Todo dia eu tenho essa rotina. De repente, num dia, eu estou tomando banho, eu escorrego e quebro o pé. Eu tenho dor no pé e aí eu vou precisar romper com esse mundo presumido, com esse mundo que foi idealizado. Eu vou precisar sair, vou precisar ir no médico, se eu quebrei o pé, eu vou precisar engessar, eu vou precisar entrar em licença, eu vou precisar fazer processos de reabilitação a depender da gravidade do ferimento. Então, eu vivencio perdas nesse processo? vivenciou, porque eu tinha lá um trabalho que eu tinha que entregar naquele dia e aí eu não pude entregar, porque aquele trabalho ia fazer uma diferença tremenda no meu processo de carreira. Eu tinha que buscar meus filhos na escola, precisei acionar a rede de apoio para... Enfim, N perdas que fazem parte do mundo presumido, daquilo que a gente presume para a nossa realidade, que nós vivenciamos como perda, sim. E, à medida que a gente vivencia perdas, nós vivenciamos lutos. Então, luto não é só por morte, é também, é claro, porque é uma ruptura, acho que é a ruptura, talvez a maior ruptura significativa que a gente tenha, mas não é só por morte. E aí, respondendo a sua pergunta sobre rede de apoio, Eu acho que a rede de apoio é bem importante quando ela é efetiva, quando ela tem essa capacidade reflexiva, essa habilidade reflexiva de poder acolher e refletir junto com a pessoa de que, às vezes, está tudo bem não estar bem. Por que eu falo a rede de apoio efetiva? Porque, às vezes, a gente tem redes de apoio que, por mais que elas tenham intenções boas, elas acabam sendo mais detratoras do que efetivas. Elas acabam colocando a pessoa dentro de um sofrimento maior do que auxiliando. Então, que redes são essas? São essas redes que vão incentivar a gente a sacudir a poeira e dar a volta por cima. são essas redes que vão falar para a gente não chorar, porque chorar vai fazer mal para a gente, vai fazer mal para o nosso processo, são essas redes que não sustentam o sofrimento junto com a gente. A gente tem uma tendência em que a gente precisa ter resposta para tudo. E, muitas vezes, em um processo de perda, A gente não tem resposta, a gente não tem o que dizer para acolher aquela pessoa. E, às vezes, a gente só precisa ser espaço e sustentar aquela dor, sustentar aquele momento, sustentar aquele choro, muitas vezes em silêncio. Só dar espaço para a pessoa poder expressar aquilo que ela está sentindo. Então, a rede de apoio efetiva é essa rede que dá esse suporte no sentido de ser espaço. Às vezes, é o ficar em silêncio, é o você chorar junto, é o você ser companhia na dor. A gente fala que não tem nada mais difícil do que atravessar um processo de perda, mas mais difícil ainda é a gente atravessar esse processo de perda sozinho, se sentindo sozinho. E não precisa ser assim. Então, por isso que eu acho que, para além do consultório, a gente precisa de uma psicoeducação da sociedade, da cultura, de poder validar as perdas, de poder validar o sofrimento para que as pessoas não se sintam inadequadas. E tudo isso, eu acho que começa na educação, como a Maísa falou. como a gente aprende, se eu posso chorar, se eu não posso, se eu posso expressar o que eu estou sentindo, se eu não posso. E acho que esse é um espaço muito bom para que a gente possa levar um pouquinho dessa consciência para as pessoas aí que estão nos assistindo. Ah, vocês são maravilhosas, né? Vocês funcionam como ouro. O ouro que ajudou a gente a colar os nossos cacos para seguir em frente. As pessoas são como o ouro, mas como muito bem colocou a Natália, às vezes a pessoa não sabe ouvir, tem a escuta ativa, às vezes você precisa... Que isso tem a ver com o processo de educação dela, como a Maísa falou, da transgeracionalidade, que tem a ver com o processo de educação dela. Não é que ela faz por mal, mas ela faz porque ela aprendeu desse jeito. Exatamente. Está vendo só a questão da educação que está em todo o processo, envolvida em todo esse processo, né? E a gente precisa... Nós temos a cultura dos julgamentos também, a gente tem que quebrar paradigmas, a gente precisa quebrar esses padrões, esses estereótipos, a cultura do julgamento. E tem muita gente que esconde a sua história por conta da cultura do julgamento. Tem algumas pessoas que não tiveram uma história boa, Eles tiveram uma história ruim, mas se reconstruíram, se reinventaram e seguiram um novo caminho. Mas aí vem a cultura do julgamento e no momento em que, de repente, essa pessoa queria ser ouvida, ela é julgada. E é por isso que, muitas vezes, pessoas não honram o seu caminho, não honram a sua história. E a gente precisa de mais fios de ouro para poder ajudar a gente a sustentar os nossos cacos, né? Essa questão do julgamento é bem interessante quando a gente fala do nosso tema de hoje, né, Maísa? A questão do julgamento é algo muito relevante para a gente conversar, porque o julgamento nos cala e o nos calar é muito sério. Nos adoece, nos enfraquece e nos torna vulneráveis. Vamos pensar nós, mulheres, na condição de vítimas do que está acontecendo hoje na nossa sociedade. Por que nós nos vemos tão vulneráveis? Porque nós nos calamos com medo de sermos julgados. E dentro deste processo de nos calarmos, nós somos vítimas. Vítimas de uma realidade que vai além da nossa capacidade de resolvermos sozinhas Mas vocês entendem que quando nós estamos aqui falando para um público tão abrangente A gente começa a dar voz nesse poder e começa a alinhavar essa rede de apoio De uma forma mais sustentável Então eu já sei que eu não preciso guardar a minha história porque, como eu disse mais uma vez, nós somos 8 bilhões de seres humanos em processo de desenvolvimento, em processo de erros, acertos, erros, acertos e assim a gente vai caminhar até a nossa morte. Quando nós entendemos isso e nós estamos num processo de fragilidade e nós sabemos que nós temos uma rede de apoio com quem contar, seja ela num sete terapêutico pago ou num gratuito, ou numa instituição religiosa, ou num grupo de apoio, nós temos grupos de apoios comunitários, Nós nos fortalecemos, nós sabemos que nós não estamos sozinhos O que nos enfraquece e que nos dá vergonha de não contarmos que nós estamos dilacerados por dentro É imaginar que nós estamos sozinhos, que só nós estamos passando por isso Não, não sou só eu, não é só você Nós todos passamos por isso, é assim que nós nos construímos ou nos destruímos, tá? Isto está na nossa decisão, na nossa decisão de agir e mudar ou na nossa decisão de permanecer, adoecer e morrer. Porque um sistema que não se vê mais útil na sociedade, ele é eliminado, você já pensou sobre isso? Então, por isso que está, que é tão importante a gente conversar sobre rede de apoio, sobre não sentir vergonha num julgamento. Se eu não me julgo, pode vir um julgamento que for, porque nós somos os nossos piores vilões. A gente se julga muito mais e a gente se esconde muito mais do que qualquer pessoa à nossa volta. Então, aí está o nosso primeiro passo a ser dado. E a partir daí, nós nos fortalecemos, porque se eu me acolho, você entende que eu vou acolher com mais generosidade as outras pessoas? Se eu me julgo, eu vou julgar todo mundo. Agora, se eu me acolho, eu vou acolher com mais generosidade. Vale a reflexão. Uau, super vale! não é Natália, é completar a fala da Maísa e por gentileza e a gente já já vai entrando aí para as considerações finais, por favor é, eu acho que é isso, né, completando a fala da Maísa, é aquela coisa né, quando eu me cuido né, quando aquela velha história, né, que a gente fala no avião, né a gente coloca a máscara primeiro na gente para depois colocar a máscara no outro porque se eu não ponho primeiro em mim eu não consigo nem ajudar a mim nem ajudar o outro. Então, eu preciso fazer esse movimento de olhar para mim primeiro, de olhar para os meus processos, de buscar essa flexibilidade, essa generosidade com relação aos meus sentimentos e buscar novas formas de olhar. Talvez a forma que eu aprendi, tudo bem, foi a forma que eu aprendi, mas não significa que ela precisa ser determinante. para o resto da minha vida. E aí, como eu falei, a gente consegue reparar muito as formas como a gente vai lidar com os nossos atravessamentos da vida, principalmente com as relações que a gente vai construindo. Então, fica essa reflexão de a gente poder ser, sim, mais generoso e poder aprender também com as novas relações. Excelente. A gente está falando aqui sobre honrar a nossa história, né? Honrar os nossos cacos. Por que você trouxe cacos para o programa? Porque nem sempre a história é perfeita. Eu acho que não existe uma história perfeita. Então, nós temos, sim, os nossos cacos. E por que não pegar esses cacos, juntá-los com fios de ouro e seguir a nossa vida? A gente pode, a gente consegue e a gente percebeu aqui que sim, que é possível. Eu quero agradecer a participação das nossas duas convidadas, começando por você, Maíse, prazer imenso sempre ter você aqui, sempre nos ensina, assim, com uma expertise maravilhosa, só gratidão, gratidão mesmo, viu? Mais uma vez. Eu que agradeço, Rubi, agradeço todo o time, agradeço a oportunidade, e mais uma vez eu agradeço você, telespectador, que está aí assistindo, pronto para transformar a sua casa aqui dentro, a sua casa e a sua sociedade. Vamos ser luz. Vamos ser luz. Vamos ser luz. Maravilhosa. Ô, Natália, obrigada a você também pela sua contribuição com a gente aqui no programa. Da próxima vez quero você ao vivo com a gente aqui. Mulher, quanto conhecimento, gratidão. Claro, vamos marcar. Eu que agradeço, Rúbia, também a oportunidade, o espaço. A gente sabe que falar sobre perdas, falar sobre essas coisas doloridas que nos atravessam, não é todo lugar que nos dá espaço para isso. Então, eu agradeço muito, porque é um tema necessário. E eu espero muito que você, telespectador, que esteja assistindo, que tudo isso tenha feito sentido para você e que te ajude de alguma forma a começar a contar uma nova história. Muito bem, gente. É isso. A gente está chegando ao fim de mais uma edição do nosso Estúdio Câmara. E a gente aprendeu hoje que honrar os cacos acima de tudo é um ato de coragem. Que a gente possa recomeçar, que a gente possa seguir, que a gente possa ressignificar. Que a gente possa colar os nossos cacos, dar uma olhadinha para trás e começar a juntar todos com muito carinho, com muito amor. E reconstrua, né? Cole ele com fios de ouro e siga a sua vida. E se alguém te perguntar um dia sobre a sua história, dê uma ênfase no momento em que você for falar dos seus cacos, porque foi através dele que você conseguiu chegar aonde você está, tá bom? Tenha orgulho da sua história, combinado? E amanhã tem mais Estúdio Câmara, amanhã a gente fala de algo que desperta muitas dúvidas. Quem somos nós além do trabalho? Gente, que conversa! Que história a gente conta de nós mesmos para além da nossa rotina profissional? Eu sou a Rúbia, jornalista, adoro jornalismo e tal. E depois, quando chega em casa, quem sou eu? Como encontrar força para fazer algo diferente em vez apenas de se jogar lá no sofá e hibernar tipo urso, sabe? Como é que a gente faz para cultivar hobbies sem sentir aquele peso de estar gastando dinheiro à toa ou então o tempo à toa, porque a gente tem que trabalhar, trabalhar, produzir, performar. A gente é incentivado a estudar, trabalhar, construir um caminho próprio. Só que existe um desvio silencioso aí, quando o trabalho deixa de ser só um lugar para onde você vai todos os dias e passa a ser o local da sua identidade, né? Você se vê em uma imagem desde... Você se vê, aliás, em uma viagem de descanso. Ou a sua cabeça só está aí, metas, pratos, entregas e tal? Então, quem você é além do seu trabalho? Já parou para pensar nisso? Para para pensar nisso. Amanhã a gente vai conversar sobre isso. Tenho certeza que você vai se surpreender com as informações que serão repassadas aqui no programa. Quem somos nós além do trabalho? Amanhã eu preciso aprender de novo. Como todos os dias a gente faz aqui no Estúdio Câmara. Agradecemos a sua audiência, a sua companhia Lembrando que a Iria está chegando aí direto da Central IA Trazendo informações do Legislativo Brasil e Mundo, todas atualizadas Ao meio dia nós temos Câmara Notícia Com informações também ao vivo Com o Gabriel Castro, Mirna Abreu E toda a nossa equipe de jornalistas Apostos, trazendo pra você Informação de qualidade E claro que amanhã A partir das oito da manhã a gente volta Com mais uma edição do Estúdio Câmara As nossas convidadas mais uma vez Muito obrigada a você de casa Gratidão e não esqueça Juntar os seus cacos com fios De ouro, é maravilhoso Tá bom? Um beijo grande, fique bem E até amanhã, tchau, tchau Legenda Adriana Zanotto Legenda Adriana Zanotto
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