Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do Estúdio Câmara ao vivo para você. Metade da semana, quarta-feira, dia 21 de janeiro de 2026. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. E o tema do nosso programa hoje dialoga diretamente com a saúde emocional de quem vive aquele dilema de um relacionamento em crise. Nós vamos falar sobre os sinais eh de que uma história chegou ao fim. aquela percepção de que a conexão se transformou em fardo e a rotina em um esforço exaustivo. E aí, quando é hora de partir para se preservar? Como que a gente faz para identificar o limite entre uma fase difícil e o chamado declínio terminal de uma relação? Sabe, você está assim? Você já passou por isso? Você tem dúvidas sobre isso? Participe com a gente, mande sua mensagem. Nosso WhatsApp está na tela. A nossa produção já está apostos para receber você no nosso WhatsApp 1997829377. Enquanto você manda sua mensagem, manda pra gente de repente a sua experiência, a sua dúvida. Os nossos convidados também já estão aqui. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Mas agora vamos algumas informações para você. Atenção, se você está acompanhando a gente, amanhã, quinta-feira, dia 22 de janeiro, a Câmara de Campinas, através da Elecampiro Branco sobre saúde mental. O tema é cuidar da mente e reescrever a vida. Acolhimento, tratamento e esperança. Olha, essa palestra será realizada das 2 da tarde às 5, no plenário da Câmara. O encontro é gratuito, aberto ao público e também com certificado. A conversa vai passar por avaliação qualificada, acompanhamento interdisciplinar, autocuidado no dia a dia e no trabalho também. Eh, vai passar por preconceitos, tá? sobre mediação com um espaço seguro de diálogo. Na programação participa então a jornalista Margarete Bruno dos Santos, a psiquiatra Isabela Brito e os psicólogos Daniel Salvador e Caterine Perez. Como se inscrever? Vamos lá pela página da Elecampinas na área de cursos e palestras, tá bom? Se você tiver alguma dúvida, mande o e-mail
[email protected]. lege.br e também tem o WhatsApp lá do pessoal da Telecamp, é o 193736 1860. Faça sua inscrição, tenho certeza que vai ser aí um curso muito bom para você iniciar, né, o seu 2026. Mais informação chegando. Você que tá acompanhando, a gente tem uma criança ou um adolescente em casa. Olha só que legal. O projeto musical Primeira Nota aqui de Campinas está com 250 vagas para este ano de 2026 em cursos gratuitos, né, para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. As aulas acontecem eh no semaneco, na Vila Marieta e são duas opções, musicalização e instrumentos e também canto. E olha que bacana, não precisa ter conhecimento prévio e os instrumentos são emprestados pela escola, o que ajuda muita gente a começar, né? Como é que funciona, gente? por idade. 6 a 10 anos entram em musicalização. 11 a 14 anos podem aprender canto e instrumentos, cordas, sopro e percussão. A partir de 10 anos tem opções como, olha só que legal, violino, viola, violoncelo, contrabaixo, saques, trompete, trombone, flauta, clarinete e percussão. O cadastro é online, fica aberto enquanto houver vagas, tá? Lembrando que parte das vagas já foram preenchidas e depois a equipe vai entrar em contato eh por e-mail para que seja realizada a matrícula. Para achar os formulários é só você procurar no portal da educação, tá? Por formulários primeira nota. Então vai lá no portal da educação, formulários primeira nota, faça a inscrição aí da sua criança, do seu adolescente. Nossa, que oportunidade legal. Bora pra previsão do tempo agora. Vamos lá, então. Tá saindo de casa agora? É, então espera um pouquinho, depois você sai. Assiste, assiste a gente primeiro. A gente tem uma conversa bem legal. Mas a previsão do tempo para hoje, olha, mima 20, eh, dia 21, né? É de sol com algumas nuvens. Não tem perspectiva de chuva, não, tá? A temperatura mínima de 16, a máxima de 24, tá bem fresquinho, né? Então, um ótimo dia para nós. Agora sim, nós vamos ao nosso tema central, a apresentação dos nossos convidados. A gente vai falar eh da mente humana, né, que muitas vezes isso percebe o fim antes do coração aceitar. Aí o problema começa quando a gente ignora os sinais do corpo e da mente pra gente manter uma estrutura que já não nos sustenta. E aí quando o relacionamento deixa de ser encontro, passa a ser apenas uma função, a gente entra no campo do esgotamento emocional. Então, a gente precisa entender, né, eh, saber compreender e lidar com esses sinais e o processo da separação que é bem doloroso. Então, para isso, a gente recebe hoje o psicólogo, filósofo e mestre em psicologia, André Torres. Seja muito bem-vindo. 2026 lindo para você e que bom poder receber você novamente aqui no programa. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Muito obrigado pelo convite e bom dia a todo mundo que tá assistindo a gente. Eu acho importante a gente pensar uma coisa que não é muito divertida de se falar, mas muito necessária. Com certeza. Exatamente. E olha, para completar aí a nossa dupla de hoje, a gente recebe eh via Zoom a psicóloga clínica, orientadora profissional, ela é especialista em traumas. Yunci Pinheiro, bom dia, seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia. Bom dia, André. Bom dia, Núbia. É um prazer falar com vocês, viu? Eh, falar sobre relacionamento é falar sobre como nós nos cuidamos ou deixamos de nos cuidar. Eh, é falar, na verdade, sobre a nossa saúde mental. Então é uma pauta muito necessária e muito importante. Eu agradeço. Nós que agradecemos a presença, né, dos nossos convidados e a sua presença. Você que tá aí do outro lado vai se identificar um pouquinho com o nosso bate-papo de hoje. Então vamos lá. Um estudo de 2025 publicado pelo Journal of Personality and Social Psicology analisou dados de 10.000 participantes e os pesquisadores identificaram que a satisfação no relacionamento não cai de repente. Existe um declínio terminal que começa anos antes da separação. Muitas vezes a gente diz que está apenas cansado daquele relacionamento, mas o sinal já está ali. Então, diante disso, eu já começo perguntando pro nosso professor André Torres, né? Hã, do ponto de vista da fenomenologia existencial, olha só que nome difícil. O que nos impede de admitir que um ciclo acabou? É o medo da inadequação perante a sociedade, né? Tipo assim, o que que eles vão falar de mim? A gente sempre pensando no outro. Ou é a dificuldade de a gente lidar com o próprio vazio que a gente já está sentindo ali. O que que acontece? Por que às vezes a gente sabe, mas a gente não entende? Pois é, pergunta muito interessante, Rúbia. Acho que assim, eh, uma coisa que acontece, você perguntou sobre a fenomenologia, é a temporalidade, né? Então, assim, a gente nem sempre tá atualizado com o que tá acontecendo na nossa própria vida. Então, por exemplo, você começou um relacionamento, eh, e você fica com aquela marca daquele momento, daquele encontro gostoso, feliz, né? E nem sempre você se atualiza com o decorrer do tempo. As pessoas mudam, as coisas mudam, né? Então, eu te conheço hoje, amanhã você já é outra pessoa. Mas isso é um tempo pequeno. Agora você imagina relacionamentos que tem meses, anos, décadas, né? Se você começa um relacionamento eh numa determinada época, 10 anos depois, já são duas outras pessoas completamente diferentes, com outros hábitos, com outros hobbies, com outros conhecimentos da vida, né? Então, eh isso é uma coisa que nos eh impede de se atualizar. Então, se a gente não faz de tempos em tempos esse olhar paraa gente mesmo, esse olhar para o outro, quem é essa pessoa hoje, né? Eh, então eu eu preciso sempre acompanhar essas mudanças do dia a dia. E sim, eh, quando se fala sobre a inadequação, sobre eh o incômodo social, como é que eu vou assumir perante a sociedade, perante meus amigos, minha família, que o meu relacionamento, entre aspas, não deu certo? Isso traz um peso muito grande, né? a gente acredita que que isso é uma falha pessoal, que isso é um problema, quando na verdade eh a gente precisa eh estar cuidando da gente mesmo, né? Acho que a fala da IC no começo eh disse a respeito disso. E a gente precisa ter essa esse termômetro entre o que eu busco, o que eu quero, o que eu gosto e o que eu mostro para a sociedade. Porque muitas vezes eu preciso mostrar também essa mudança. Eu posso ter mudado e posso estar agora em desharmonia com a pessoa com quem eu vivi harmonicamente até esse momento. Uau! Olha só que explicação maravilhosa, não é? a gente que já começa a desenrolar aí pegando o fio da meada dessa questão eh de entender quando é o fim do relacionamento. Agora a gente vai conversar com a Yunci, porque ela é especialista em traumas. Então, em um se esse estado de alerta constante, né, em um relacionamento ah, que não tá legal, que a gente sabe que já está, né, terminando, ele pode ser processado pelo cérebro como um microtrauma diário. Como é que o nosso cérebro trabalha? Como que a gente vê, como que ele processa eh esse fim que vem acontecendo? A gente já sabe que estamos no início do fim, mas a gente não quer dar o braço a torcer. É assim, o fim do relacionamento ele não eh raramente acontece com um grande barulho. Na maioria das vezes ele chega de forma silenciosa, né? E vai ocupando espaços. E a gente vai, a gente percebe que acabou quando nós se transforma em duas pessoas eh totalmente separadas, sem troca. Não que as pessoas tenham que fazer as mesmas coisas, mas num relacionamento não existe mais eh troca. Uhum. Então, um sinal claro é quando a vontade de dividir, ela desaparece e a presença do outro deixa de ser um porto seguro e passa a ser um peso eh paraa nossa pro nossos sentimentos. Então essa questão de dos traumas depende muito do que eu passei em cada relacionamento e principalmente da interpretação que como que eu senti tudo aquilo que eu estou passando. Perfeito, né? E eu gostaria de voltar numa fala do André que é a questão da atualização, né? Você sabe que hoje nós temos que se atualizar. Vamos lá. A gente compra um celular hoje, daqui 3 anos, coitado, a gente tem que se atualizar porque a tecnologia tá aí, né? O com carro automóvel é a mesma coisa, com nosso trabalho é a mesma coisa, com o relacionamento também. É, você tocou num ponto, André, que é muito interessante e vale para todos nós. Nós estamos em mudança constante, né? O autoconhecimento nos favorece essa visão, né? De mudança constante. Tem gente que para no tempo, fala: "Não, eu sou assim e não mudo". Mas é importante a gente saber que nós estamos em mudança constante e a pessoa que a gente relaciona também está. E é interessante quando o André diz que ã a gente daqui 10 anos não está se conhecendo mais. Então como é que a gente faz para se atualizar num relacionamento? Como que a gente se atualiza, né? Tipo assim, ó, você não é mais aquele que eu conheci e nem eu sou e agora. Exatamente, Rúel. Eu acho que você tocou num ponto inclusive dos produtos, né, do celular, do carro, etc. E e existe um perigo muito grande das pessoas entenderem os relacionamentos ou os parceiros de relacionamento da mesma maneira. Quer dizer, então daqui a cada 10 anos eu preciso trocar de parceiro, né? Não necessariamente pode acontecer, claro, mas os relacionamentos eles não têm vida própria, né? Eles dependem das pessoas que participam desse relacionamento e da atitude dessas pessoas dentro do relacionamento, né? O que elas fazem, né? Então, eh, se eu vejo a disposição da pessoa em a entender o outro, em acompanhar as atividades do outro, né, em conversar, para mim, acho que a palavra para relacionamento é diálogo sempre, né? Se você não tem coragem de contar coisas para sua parceria, né? Eh, se você não tem coragem de abrir o diálogo, acho que esse é um sinal muito importante já, né? Claro que tem alguns diálogos que são difíceis, sim. E para isso, justamente a gente tem essa parte afetiva, né, de confiança, de clicidade com o outro, né? Mas o relacionamento, quando a disposição das pessoas para se eh atualizar, para se renovar, eu vou conhecer isso através do diálogo, conversando, não só como foi o seu dia, mas eh como é que você está, o que você busca hoje da vida, quais são os seus planos, aproveitando que nós estamos em janeiro, né, o que nós vamos fazer esse ano, eh qual quais são suas buscas, né, quais são seus sonhos. Então, a gente dividir isso com a pessoa algo extremamente importante, que é uma abertura existencial, né? Não só eh ficar focado no tempo que tá junto, na formalidade do ou do casamento ou do namoro, né? Mas principalmente nos sentimentos, no sentido que aquela relação tem, se ela constrói ou se ela atrapalha as suas buscas. Excelente, André. Agora, mais um ponto que eu quero destacar aqui é quando a Ionci fala sobre eh o outro já não faz mais parte, né, eh do meu dia a dia, não faz mais parte de mim. Eh, me lembra aquela frase que a gente ouve muito, eu sou viúva de marido vivo, né, Yci? Sim. Então assim, o que o que o André falou sobre diálogo é fundamental. E aí assim, quando você fala dessa dessa dor, na verdade é uma dor, né? É uma ausência. Então a gente, eu costumo pensar num relacionamento como um jardim. Vamos pensar num jardim bonito, bem cuidado. E aí esse jardim ele começa a adoecer quando a gente para de cuidar, ou seja, quando a gente para de trocar, de dialogar, mas ele se torna insustentável quando a gente perde a crença de que algo ainda possa florescer nesse jardim. Então, quando a admiração e os respeitos dão lugar a total indiferença, quando já não há diálogo, quando, como o André falou, eh, e nem esforço para resolver conflito, é nesse momento que essa relação vai perdendo a sua sustentação, o seu sentido. Excelente. Quando a gente fala em diálogo, né, enquanto a gente tenta racionalizar a crise, o corpo ele reage fisicamente. Ó, tem uma pesquisa de 2018 que mostrou que interações negativas, mesmo sem as discussões abertas, ela gera um cansaço físico profundo em ambos os parceiros, né? O estresse emocional, ele drena a nossa energia vital. Chega um momento que você não tem coragem para nada e aí acende um grande alerta, né? Porque você vai vivendo nessa tristeza, nessa tristeza e tudo que a gente alimenta cresce. Não adianta. Se você tá triste hoje, tá triste amanhã, tá triste depois, pode acender o alerta aí, vai ter problema lá na frente, né? Isso tanto para ele quanto para ela, enfim, para todos nós. Agora, André, você trabalha com filosofia eh da não violência também, né? Então, eh, gostaria que você explicasse paraa gente, eh, permanecer em uma relação onde não tem mais essa admiração que vocês falaram, não tem respeito, não tem o diálogo que você disse, né? Não tem atualização, aquela aquela coisa de, ah, você não é mais o que você era, mas o que que você é agora, né? Vamos juntar tudo isso aí, vamos juntar e vamos ficar legal. Não tem mais o que aí um se trouxe, que é aquela questão de da preocupação com o outro, né? Eh, isso pode ser considerado uma forma de violência silenciosa? Com certeza. Se não uma violência dirigida ao outro, a gente tem também que pensar na autoviolência. Uhum. Né? Você tinha perguntado aí naadequação no começo. Eh, eu é muito comum que as pessoas se violentem para caber no papel social, para caber na expectativa do outro, para caber na expectativa da família, da sociedade. E isso vai criando uma tristeza. Às vezes a pessoa entra em depressão, ninguém entende porquê, né? Porque isso já tá sendo cultivado há muito tempo, né? Eh, então, eh, se a gente não tá atento a gente mesmo, a gente perde também a referência do outro, né? Eu gostei muito da imagem que a Yun se falou do jardim, porque não adianta eu ter plantas lindas, eu ter a melhor terra possível, eh eu ter água de qualidade, mas se eu não dou a manutenção naquilo, né? se eu não tô ali regando, cuidando, tirando os bichinhos, né, vendo qual é a melhor posição do sol, qual o melhor horário. Então essa disposição, essa atitude faz toda a diferença de eu ter um de eu ter um jardim lindo, bonito, cultivado, né, dentro do que eu consigo, lógico, dentro do possível, ou de ter um jardim com as plantas todas eh amareladas, secando, sem cuidado, né? Então, a nossa atitude presente faz diferença e as violências muitas vezes são sutis, como você colocou, né? Acho que tem uma questão básica que aí vale para qualquer relação, que é uma discivilidade, né? A gente conversar sem ofender, conversar eh ouvindo de fato o outro, isso é algo para qualquer relação eh dentro da da sociedade, né? Com familiares, com amigos. O que acontece? a gente é tão preocupado com a imagem que às vezes a gente acaba tratando melhor um desconhecido do que a pessoa que tá no dia a dia com você, por você se sente à vontade de eh ser mal educado e isso é muito ruim pra relação, né? Então, a gente precisa se policiar. De onde tá vindo essa minha atenção? De onde tá vindo eh esse esses atritos que estão surgindo no relacionamento? Pode ser algo pessoal meu, né? um estress, tô passando uma um trauma, uma dificuldade, como pode ser algo que eu não tô contente da outra pessoa? E aí de novo vem o diálogo, né? Então a gente precisa ter essa esse entendimento para buscar a fonte dessa dessa desse atrito que tá acontecendo e não desgastar essa relação, porque ela pode se reinventar de tempos em tempos, né? a gente pode chegar a um término de uma fase e às vezes o casal às vezes até separa, às vezes dá um tempo, mas não quer dizer que acabou para sempre. Eles podem retomar, podem refazer a relação, mas isso é uma outra fase. Tem uma escritora que diz isso, né? Dentro de uma relação, a gente passa por vários términos e recomeços, né? Exatamente, gente. Eh, é bem interessante a gente pontuar, né, essa questão das fases, porque e aí você tá pronto para enfrentar, né, essa essa mudança? Você tá pronto para encerrar um ciclo e começar o outro, mas com a mesma pessoa? Porque tem aquela questão, tem a nós fizemos uma pesquisa sobre esse esse assunto, a revista Forbes, ela aponta que o alívio ao imaginar uma vida sem o parceiro é um sinal crucial. Você já parou para analisar isso? Por que a fantasia, fantasia de liberdade surge eh antes mesmo da pessoa ter a coragem e o entendimento de saber, coragem de terminar, aliás, e o entendimento, né, de saber que chegou ao fim. A pessoa começa se imaginar sem o parceiro e ela fica leve, suave. E quando o parceiro não tá em casa, tá uau, que beleza. O parceiro chega, parece que a energia fica mais densa. O que que acontece? Eh, eh, que que a pessoa tem essa sensação? Eh, assim, Núbia, a gente tem eh vários movimentos nesse sentido. É algo complexo, como André falou, nós precisamos também de períodos de pausa, micropausas, para que a gente possa se conectar conosco e reconhecer o que nós precisamos, porque às vezes tá tudo bem com relacionamento, mas eu tenho um eu ideal e eu coloco metas eh como se há um relacionamento perfeito, tem que ter isso, isso, isso, isso. Essas metas vão se tornando muito diferentes do meu relacionamento real. Então, às vezes a minha realidade é dura porque eu tenho um outro que não escuta, que não tem diálogo. Mas nesse sentido é importante eu procurar ajuda profissional se necessário, mas antes disso acolher, me acolher. E como que eu me acolho? Tendo momentos em que eu me cuido, mesmo vivendo com outro, eu faço micro pararadas para para me ouvir o que que eu quero, que faz sentido para mim. Micropausas, eh, para me acolher. E se nesse espaço, em analogia, se nesse jardim há muitas feridas, então aí é um sinal de alerta, é um sinal de que aquilo não tá mais se fazendo sentido. E aí, se a gente sente nesse relacionamento que tem que se calar para se adaptar excessivamente ao outro, o abrir mão de quem a gente é para manter a relação, isso indica necessidades essenciais importantes, que não estão sendo respeitadas. E aí é um processo que eu eh que a gente passa a se ver sozinho e que sozinho faz mais sentido naquele momento. E é importante ouvir essa voz e com respeito fazer a a ações que sejam propositivas e construtivas, tanto para mim quanto pro outro. Excelente, Yunce. E outro detalhe que eu queria pontuar com você é o seguinte, vocês dois, né, eh, falaram muito sobre diálogo, né, sobre conversa, mas a gente sabe que o casal quando vai dialogar, vai ter uma um DR, vai discutir a relação. Gente, eu queria entender o por isso acontece. Por que a conversa, na maioria das vezes, existem exceções, claro, né? Por que que a conversa sempre termina em briga? O que que acontece? Qual que é o problema? Onde está? Onde está o problema? Aí nas conversas, vamos discutir a relação, vamos pontuar aí o que é melhor para você, o que é melhor para mim, o que eu não gosto de que você faz, o que que você não gosta que eu faço. Vamos tentar se ajustar. Mas aí nessa tentativa a gente começa a brigar. O por isso acontece, se no seu ponto de vista, na sua avaliação, o que que a psicologia traz pra gente? Na verdade, isso acontece porque a gente tá eh do ponto de vista neuropsicológico, nós estamos com cérebro hiperativação. Então aquele estress constante eh faz com que essas, vamos dizer assim, tristezas, mágoas, ausências, expectativas não atendidas junto com o estress do dia a dia, trabalho, emprego, inseguranças, filhos, contas, tudo isso, né, não é uma coisa só, é um combo bem complexo, faz com que esse cérebro eh eh todas essas emoções negativas, elas fiquem eh a descargas de hormônios de estress, adrenalina, noradrenalina, cortisol. Aí então esse cérebro ele fica hiperativado e há então eh na descarga sanguínea eh a ansiedade e isso é sentida como coração acelerado, irritabilidade e às vezes de tanto ficar hiperativado, ele passa às vezes a ficar hipoativado. É como se tivesse uma descarga eh de força e energia que foi muito muito sobrecarregada e cai. E aí quando entra e hipoativação, eu tenho sentimentos de muito, muita tristeza, autoestima muito rebaixada, sentimento de desvalia. E aí quando essas esse hiper e hipo estão nesse sentido e às vezes os dois casal estão sobrecarregados e não há essas mitusas, não há períodos pequenos de descanso em que eu me escuto e vejo que faz sentido para mim, esse diálogo ele fica arenoso, ele fica difícil. E aí, às vezes o outro, nós temos a a tendência a falar assim: "Você nunca me escuta, você sempre faz isso". E aí essa generalização, quando há um conflito, eh, faz com que haja um afastamento e esse ouvir. É, então é importante nesse processo que os dois tenham micreriodos de pausa separados, espaços separados e espaços juntos que fazem sentido. Então, ao falar, quando eu tô muito nervoso, quando eu tô muito nervosa, eu não vou conseguir te ouvir, porque eu não tenho condição de te ouvir agora. E aí é importante falar: "Olha, nesse momento não não espera um pouco, daqui a pouco a gente conversa". E aí quando isso e conseguir ter essas micropausas e eh se ouvir, né? para que os dois tenham essa predisposição a se ouvir. E um erro nesse sentido é achar que a gente tem que fazer tudo junto e aí fica pesado. Não, o casal pode e deve ter períodos de, né, de desconexão em que cada um façam coisas que façam sentido, micro micropausas e que eh que tenha sim, né, no momento oportuno, processos em que haja diálogo, onde os dois possam estar inteiros nessa relação e ouvir com afeto, com carinho e principalmente com o André falou, com escuta. Excelente. Un André quer quer pontuar, quer completar pra gente, porque esse negócio de discutir relação realmente, olha, vamos falar a verdade, né? Não é fácil. Não é fácil. Aliás, discutir, conversar, dialogar, não é fácil, né? Eh, a gente tem uma dificuldade muito grande de conversar. Acho que a IC destacou alguns pontos muito importantes nesse processo em que a gente tá com essa descarga de estress, com essa ansiedade a flor da pele, a nossa tendência é ficar na defensiva e acusar o outro. Então tudo na relação é culpa sua e eu não tenho responsabilidade sobre nada, né? Isso acontece em várias discussões, mas o relacionamento geralmente é algo muito importante pra pessoa. Então essa defensiva é muito forte, né? Então, a gente entende o diálogo como botar tudo para fora, né? Vou falar tudo que tá na minha cabeça. É exatamente isso que a gente não deve falar, né? Acho que e on se coloca essas micropausas assim, fala com amigo e descarrega na na terapia e fala com a parede, né? Põe tudo para fora. Depois que você já tá mais presente, mais calmo, né? já baixou essa ansiedade, aí sim é a hora de conversar abertamente. Eu acho muito difícil a gente conseguir chegar nesse momento, por isso que muitas discussões acabam não rendendo eh algo eh de fato concreto pro relacionamento, né? Porque as pessoas estão mais atentas a si mesmo nesse processo, né? Então, o diálogo é é algo a ser conseguido, é algo a ser conquistado. E um ponto importante que aí um se colocou também, que eu gostaria de acrescentar, eh, nos estudos de relacionamento fala-se sobre, eh, a unidade casal. Quer dizer, quando duas pessoas se encontram, elas criam uma unidade como se fosse uma única pessoa. Uhum. Né? E isso é muito perigoso, porque as pessoas continuam sendo subjetividade, né? Cada um tem sua personalidade, só que a gente tenta apagar isso. Então assim, nós temos os mesmos amigos, vamos aos mesmos lugares, se um vai, o outro vai. Fazemos as mesmas coisas, acordamos na mesma hora, tomamos o café juntos, almoçamos juntos, né, tudo junto, né? Então essa unidade casal, ela acaba eh derretendo a personalidade das pessoas, né? E aí quando termina o relacionamento, a pessoa fica completamente perdida, perde identidade, né? Exato. Quem sou eu? Do que que eu gosto, quem são meus amigos, eu já não sei mais. E a pessoa acha que voltar resolve tudo, mas voltar a uma relação, como a gente falou do tempo, não vai voltar no tempo, né? Vai ser daqui paraa frente. Então, eh, é esse o momento da atualização de si mesmo também, não só do outro, né? Exatamente, né? Olha, muito importante, necessário, preciso e delicado esse nosso bate-papo de hoje. A gente tá falando como identificar o fim de um relacionamento. Se você está passando por isso, né, manda pra gente a sua pergunta, de repente a sua experiência, se você já passou, né, e daqui a pouquinho a gente vai interagir com você que tá aí do outro lado, que os nossos convidados vão responder a sua pergunta, tá bom? Agora, quando a gente fala de amor, de relacionamento, e aí a gente vai pro lado eh eh do consumo, de experiências românticas, né? Porque quando o relacionamento tá no fim, eh tem muita gente que eh começa a querer viajar junto e fazer alguma coisa para poder de repente ver se engrena e se vai. Mas gente, pera aí, tem que tomar muito cuidado porque às vezes você vai viajar, mas você tá viajando com a mesma pessoa, com o mesmo pensamento, né? Você só tá mudando o lugar. E o problema ele vai com você, né? Você tem que aprender a administrar a situação agora, ah, não, vamos viajar, mas tá os dois brigando. Daí tá lá no avião, tão brigando. Chega lá no hotel, tão brigando. Daí vai na praia, estão brigando, volta, um quer olhar pra cara do outro. Então, a gente precisa tomar muito cuidado também, ah, porque a gente tá querendo jogar a sujeirinha por baixo do tapete, né? Então, presta atenção. E muitas vezes eh tem essa questão do consumo. Tem uma pesquisa do Instituto Locomotiva que revela que o brasileiro investe alto em experiências românticas, né? Mas será que a gente tá tratando a relação como mercadoria descartável, como o André falou lá no início, né? Então, André, esse conceito do amor consumo, né? O amor consumo. Vamos lá, então. A nossa relação não tá legal, vamos viajar. A nossa relação não tá legal, vamos no shopping, né? Tem o amor consumo, tem a modernidade líquida, né, de Balmon. Eh, isso também é bem delicado, né? Como que isso influencia na nossa paciência, na nossa paciência de resolver conflitos hoje em dia? Porque para resolver conflitos a gente tem que ter discernimento, paciência e saber quem somos, onde estamos eonde queremos chegar, né? Exatamente. Acho que eh a sociedade de consumo que a gente vive hoje, como a gente falou no começo dos produtos, né, ela preza muito pelo descartar, né? Então, ah, eu não dou conta disso, acabou, né? Vou embora. Então, eh, não que isso seja o mais comum, né? Mas, eh, nós precisamos aprender a ceder. Acho que a Yonc teve uma fala nesse sentido também, né? A gente precisa sim ceder em vários momentos para estar com outra pessoa, né? Se eu tô num lugar, eu não tô em todos os outros, né? Eh, mas até que ponto esse CD eh está me atendendo? Então, o diálogo não é só para eu ouvir o outro, mas também me colocar e saber me colocar, não exigir do outro coisas que eu quero, né? Não obrigar o outro a ser como eu quero, né? Aquela música, né? É verdade. É de muita violência isso, né? Então, eh, essa troca constante e esse não estar disposto a ceder, a dialogar, vai levando essa lógica de consumo, né? Essa liquidez, né? Como o Ban diz, que as coisas passam e devem passar, porque é mais lucrativo você ter eventos pontuais de extrema emoção, né? A gente acredita nisso. É igual assim, como que você vai viver a vida? Eu vou ganhar na loteria, né? Ou seja, é uma coisa que acontece que muda toda a minha vida. Então assim, eu vou jogar pétalas de rosa helicóptero, eu vou fazer aquela viagem romântica e resolve tudo. Mas você volta no dia a dia e tá tudo igual. Ou como você disse, até durante a viagem é um evento estressante, né? Então a gente acredita nesses milagres. Vou fazer uma coisa que vai mudar tudo e não é por aí. Eu tenho que ver o dia a dia, o arroz com feijão, os boletos, né? Então, as coisas que eh vão de fato construir a nossa o nosso momento presente. Vai ser bom ter uma lembrança legal, pode ajudar, com certeza, mas a gente não pode se apoiar só nisso. Exatamente. Agora, Ion, quando a gente fala nessa questão, né, eh eh da satisfação imediata, eh na sua experiência, você tem experiência com orientação de carreira, né, e jovens também. Então, como é que essa mentalidade da da satisfação imediata que muito se tem hoje afeta a construção de vínculos a partir de agora, né, a partir desse momento que a gente tá tá vivendo aí, porque é um momento novo em que as pessoas não têm mais paciência para nada, é tudo muito rápido e a gente às vezes nem tá presente no aqui, no agora mesmo, a gente tá lá no futuro ou então tem gente que tá ancorado lá no passado, né? como é que a gente vai fazer para poder eh ter relacionamentos que duram, porque ultimamente as coisas andam bem líquidas, né? Acaba muito rápido. Sim. Eh, isso que vocês falaram é muito presente e na verdade em todas as fases da vida, mas com os jovens um talvez um pouco mais. E aí assim o outro nesse sentido vira satisfação, né? um meio para satisfação. A relação ela vira uma espécie de serviço. O conflito que todo relacionamento tem conflito, mas vira um grande defeito. É percebido e sentido. E o fim vira uma um processo de substituição. O se não me satisfaz mais eu troco e aí eu troco e eu troco. Isso revela uma baixa tolerância à frustração de e revela também dificuldade de atravessarmos fases difíceis do vínculo. Eh, e e tudo isso vai acarretando feridas emocionais e não tem onde, porque eh feridas elas ocorrem, né? Eh, e na verdade o amadurecimento ele ocorre na medida em que eu entendo que é importante para mim e é importante pro outro, né? e não só pensar numa relação de troca que eu ganho com isso. Mas eh o que que faz sentido, né, nessa nesse reencontro, na transformação? Eh, então o amor ele vai adoecendo quando ele passa, na verdade, a funcionar como consumo, onde ele é rápido, ele é descartável, ele é centrado apenas na minha satisfação. e relacionamentos saudáveis, elas não existem só para nos entreter e sim para nos transformar em no dia a dia, que é um processo de amadurecimento natural e necessário para todas as pessoas. Então, quando a gente passa dessa desse local de consumismo, eh, a gente vai para um local, como o André falou, de escuta. E aí sentimentos como tristeza, como insegurança, como frustração são acolhidos. Tudo bem, eu me senti triste. Tristeza é um sentimento como alegria, como felicidade. À medida que eu aceito esse sentimentos, eu permito que eles façam sentido, eles se acomodem em mim e eles passem. E aí dá lugar para outras transformações, para processos de renovação, seja no casal ou seja individualmente. Então, eh entender que toda necessidade também eh necessita de apoio, de parceria, de reconhecimento. E quando eu acolho as minhas tristezas, que são naturais tristezas de todo ser humano tem, não só depressão, tristeza, eh tristeza, medo, frustração sentimentos normais. Quando eu acolho isso, eu abro espaço pro diálogo, eu abro espaço paraa parceria, eu abro espaço pro apoio e aí eu abro espaço para encontros que fazem sentido, né? Eh, não de seres perfeitos, mas de seres possíveis na minha rotina real, com acolhimento ao outro, com respeito ao outro e respeito a mim também. Excelente. Quanto aprendizado, quanto ensinamento, né? Todos os programas. Acho que a gente aprende muito com vocês. E aí quando a gente tá falando de relacionamento aqui hoje, né, nós estamos falando da identificação do fim do relacionamento. Mas paraa gente identificar o fim, claro que a gente viveu situações que elas vêm perdurando aí ao longo do tempo e que estão indicando o fim, né, desse dessa fase da sua vida. Só que é importante a gente lembrar também que a gente fala muito em burnout, né? Burnout, burnout, burnout. trabalho. Você fala burnout é aliado ao trabalho. Você sabia que tem burnout emocional do do relacionamento mesmo? É isso. Tem um estudo de 2023 que mostrou, né, e que falou sobre o burnout e diz que quando um dos parceiros, um dos parceiros, tá, assume sozinho o peso de manter a paz e a harmonia, a a exaustão física é inevitável. Aí vem o burnout do relacionamento. Você já parou para analisar isso? Tipo assim, ó, não tá legal, mas eu vou manter aqui, eu vou fazer dar certo, eu sou teimosa, vai dar certo sim, eu vou manter a paz. Você vai se desgastar, não adianta. Então, como que a gente diferencia eh uma crise, né, de um simples desgaste de rotina? como que a gente entende quando a gente tá num burnout do relacionamento ou é só um desgaste simples que aconteceu hoje e de repente amanhã, mas depois passou? Eh, acho que esse é um ponto importante porque assim, eh, eu tinha falado no começo sobre a relação, ela tá em em plena mudança, né, duas pessoas, né, então assim, não, ela não tem vida própria, né? Então depende da atitude de cada um. Se uma das pessoas coloca toda a responsabilidade do relacionamento na outra, isso acontece com frequência, infelizmente, e geralmente é sobre as mulheres, né, que essa responsabilidade é colocada, então quer dizer que a outra parte está seisando totalmente da sua responsabilidade. Isso gera o como tava no texto, né, o manter a paz entre aspas, que na verdade não é paz, é paz para um. É para um exatamente. Para outro não. Para outro é sobrecarga, para outro é tensão, é estress. Então pra gente identificar, eu acho que esse é um ponto importante, que esse relacionamento está precisa ser repensado. Assim, quando a gente tá no começo da relação, você vai sair com a pessoa, você tá conhecendo, né? Então o que que você faz? Você tem vontade, você se arruma, né? você arruma o cabelo, passa um perfume, combina o lugar, roupa nova, né? Tudo delícia, né? Mas depois de um tempo já não tem isso. E aí quando você pensa no relacionamento e você pensa assim: "Ai, vou encontrar aquela pessoa de novo, né? E e isso tá trazendo mais tensão, cara fechada, cansaço, a gente precisa urgentemente repensar essa relação, né? Uma crise geralmente é algo pontual, uma coisa que aconteceu, né? Então, sei lá, descobriu que estava conversando com outra pessoa, eh, tomou uma decisão sem avisar o outro, né? Então, uma coisa que fez ali uma cicatriz, né? Um machucado. OK, vamos falar disso e isso logo eh eh resolvido, né? Agora, esse burnout, esse cansaço tende a ser uma coisa mais crônica, né? que desgasta de fato. E aí, como disse aí um si, acho que você já não acredita que aquele jardim pode florescer de novo. Poxa vida, hein? Tá vendo só? Agora vamos falar com aunci sobre o seguinte. Olha, olha isso, gente. Tem uma situação também que acontece quando a gente tá no eh identificando o fim do relacionamento, que é o chicote mental. É isso, né? Sabe aquele vai e vem entre querer proximidade, querer distância, querer hoje, ah, tô me sentindo sozinho, daí você encontra a pessoa, ah, tá feliz demais, mas daí daqui a pouco, nossa, a companhia não tá legal e você quer ficar sozinho. Então você fica nessa, né, o chicote mental, vai e volta, vai e volta e um como que a gente lida com essa questão, né, dessa ambivalência sem a gente adoecer. E por que que acontece essa oscilação nessa situação aí de término de relacionamento? É ótima pergunta. Eh, isso acontece porque justamente o nosso cérebro ele fica naqueles dois estados que eu falei. Uhum. hiperativação, onde há um excesso de hormônios de adrenalina, noradrenalina, cortisol por n situações. E aí quando há uma supercada muito grande, ele fica hipoativado, sentimentos de desvalia, tristeza muito grande. Por isso que às vezes a ansiedade e a depressão, elas podem andar de mãozinhas dadas. Bem, como que eu faço de forma prática, né? Não só neuropsicológica. Eh, quando esses dois sistemas vão ocorrendo, eh, é sinal de que eu preciso ter aqueles processos de acolhimento, de entender que eu tô triste, tá tudo bem estar triste ou às vezes eu estou com raiva e aí eu preciso me cuidar, eu preciso me acolher, eu preciso ter instantes de autoacolhimento. Sabe aquela pausa? Sim. Pausas, micropausas. Respira. Respiração de ansiedade, aquela que todos conhecemos. Enche com mão de ar em quatro, segura em dois e solta para oxigenar o cérebro em seis ou em oito. E aí eu vou tomar um chá. Mesmo em casa, eu vou caminhar, eu vou fazer coisas que façam sentidos e que me acolh que eu lido que tem momento em que eu quero salvar e estar juntos. Mas tem momento que eu tenho muita raiva e eu quero ficar sozinha. O caminho é o diálogo. Então o diálogo é falar de uma forma respeitosa. Olha, agora eu preciso ficar um pouco sozinho. Agora eu preciso ficar um pouco sozinha porque eu vou cuidando desse jardim, mas de partezinhas, partezinhas minhas para depois eu tá completa, para depois eu conseguir ter um encontro eh que faça sentido. Então, assim, voltando a que o André falou, uma briga eh eh ocorre, conflitos ocorre, ã, um relacionamento perfeito não é ausência de conflitos, todos nós sabemos disso, mas a relação ela vai perdendo vitalidade aos poucos, quando há menos conversa, menos curiosidade pelo outro, menos troca emocional, eh, E esse desgaste muitas vezes vai dando lugar à indiferença, ao cansaço emocional, como é o caso de do esgotamento. E um critério para eh diferenciar, como Andé falou, é a vantagem de cuidar da relação e não apenas de evitar o conflito. Mas aí respondendo a sua pergunta, como que eu vou ter vontade de cuidar dessa relação se eu tô muito irritada, né? Na verdade é tendo micropausas para eu me distanciar um pouco, para eu me acolher, para eu me respeitar, para eu estar inteira cuidando de mim. Eh, e aí depois eu posso ter neste fôlego eh possibilidade de ter um encontro verdadeiro com o outro, de escutar ao outro. Excelente. Olha só, agora 8:51. Percebe? A gente passa tanto tempo, né? a gente a gente não vê o tempo passar, aliás, a gente vai conversando. E quando a gente fala de relacionamento, gente, ó, podemos ficar aqui até meio-dia conversando sobre isso e aprendendo muito, porque nós estamos em mudança constante e aprendizado constante. É tão bom quando a gente se abre pra gente poder aprender. Agora 8:51. Então vamos lá, produção, vamos colocar as perguntinhas na tela, né? A gente encerra 9 horas. Daqui a pouquinho a ÍRA chega direto da central de informações da TV Câmara Campinas, trazendo informação do legislativo Brasil e Mundo para você. Agora o Rafael Pacheco tá com a gente, ele é da Vila Industrial. Ele diz assim, ó, até que ponto insistir em salvar uma relação pode significar abrir mão de si mesmo e da própria saúde emocional, hein? Vamos lá. Olha, acho que esse é um ponto importante, não tem, obviamente, eh, informações objetivas sobre isso, né? Acho que vai muito de cada pessoa. Se aquela relação faz sentido, assim, se eu em algum momento isso precisa ser uma escolha, eu quero estar nessa relação, eu vou ceder mais, OK? Mas eu não posso deixar de colocar as minhas necessidades em jogo, né? Então assim, acho que essas essa referência que a IUN tá trazendo de dar uma micropausa, cuidar do meu espaço, ter o meu momento, isso também é uma necessidade. E é das necessidades não atendidas que vem a violência, que vem o o destratamento do outro, né? Então, assim, se eu não considerar a minha real necessidade, eu vou est colocando isso eh no na qualidade do relacionamento, né? Se eu não cuidar de mim, eu estrago o relacionamento. Então, essa pergunta do do Rafael coloca esse ponto. Até que ponto eu consigo estar nesta relação e ter a minha saúde mental preservada, ter o que faz sentido para mim também preservado? O relacionamento não deve ser uma coisa que atenta contra a minha saúde mental, mas que faça parte dela, né? Eu, claro que eu tenho eh eh crises, momentos difíceis, mas eu preciso também que ela atenda as minhas necessidades. Perfeito. Muito bem. Mais uma eh pergunta na tela pra gente, pessoal. Vamos lá, produção. Eh, Lara Andrade do Swift, ã, por que sair de um relacionamento emocionalmente abusivo, mesmo sem agressões físicas, costuma ser tão difícil? Vamos lá, Yun. Si então aí, eh, depende. Isso é muito subjetivo. costuma às vezes ser difícil porque depende do que o nosso eu ideal ou do que o feridas emocionais às vezes que eu tenho na infância trazem uma podem trazer para mim um sentimento de que eu não sou merecedora, que eu não sou merecedor de ter eh um relacionamento baseado no respeito eh de que eu não sou capaz. Então, eh, quando nesse processo é difícil porque eu tenho que acolher a minha tristeza, eu tenho que ir ter coragem de entender que a minha própria paz vale a pena, que eu valena, né? E que não é um relacionamento que vai me salvar, vai me tirar da da minha angústia, nem da minha ansiedade. Sou eu mesma. Então, eh, ao observar e acolher as minhas feridas ou sozinho, ou num processo, né, eh, de ajuda, se eu não consigo sozinho, eh, mas esse processo exige que eu acolha a minha tristeza. E o que que é acolher essa tristeza? é aprender a ficar com ela para dar espaço para que ela passe, aprender a fazer coisas que façam sentido para mim e compreender que o luto, compreender que a angústia faz parte de um processo de reconstrução, em que eu olho de uma forma diferente para mim, em que eu busque coisas que façam sentido para minha vida, né? Não na minha vida ideal, mas na minha vida real. E o que que é fazer sentido? É acolher a tristeza, é acolher a ansiedade. Tudo bem sentir ansiedade? Tudo bem sentir tristeza. Na medida que eu acolho com afeto e com carinho, esses sentimentos eles não ficam represados. É como se fosse bola em piscina. Tudo que às vezes a gente não quer, a gente faz força e aquela bola na água vem com toda a força. Então, eh, é difícil às vezes porque eu não eh tenho dificuldade de colocar limites ao outro e esse limite é necessário e o processo de colocar limite às vezes vai ser dolorido. E é importante ou num processo profissional eh aprender, existem técnicas muito efetivas, com resultados comprovados para isso, acolher a minha tristeza, acolher a minha ansiedade, a minha angústia, as feridas que ocorreram, eh sarar essas feridas para ter novos começos, né? E aí, nesse sentido, a nossa vida, na verdade, ela é curta demais para ser vivida com um peso. Então, eh, relações saudáveis, eh, não p não pedem que a gente se perca, que a gente, né, se anule. Elas permitem que a gente se cuide com afeto, com carinho, com autocuidado. Quanta fala importante, quanta fala linda aqui no programa de hoje que a gente vai aprendendo, né? Aprendendo a lidar com a vida, aprendendo a viver de uma maneira mais leve, aprendendo que o autoconhecimento é importante, é diário e aprendendo também que assim como nós mudamos, o outro também muda. E a gente precisa entender, né, os dois lados. Mas isso a gente só consegue com o tal do autoconhecimento. E a gente pratica isso aqui todo dia. A gente vai aprendendo como a gente deve lidar com tudo que está envolto, né, na nossa vida. Agora 8:58 a gente já vai para as considerações finais. Então programa tá terminando. Eu quero agradecer muito a fala e a presença desses dois profissionais aqui. André, obrigada mais uma vez pela sua presença no programa, pela entrega. Gratidão. Foi maravilhoso. Obrigado. Eu que agradeço poder estar aqui e poder participar da vida dos nossos espectadores também, né? Lembrando, o amor é para libertar. Se o amor tá te restringindo, se o amor tá trazendo tensão, sofrimento, essa relação precisa seriamente ser repensada. Pense em você mesmo e resgata o seu querer viver. Uau, muito bom. A gente agradece também a presença da Yun. Muito obrigada pela sua participação, né? Você que tá aqui com a gente pelo Zoom, quanta entrega, quanta fala maravilhosa. Gratidão, viu? Obrigada. Obrigado, Núbia. Eu que agradeço, viu, pela oportunidade de falar sobre acolhimento, sobre saúde emocional, sobre eh sobre saúde mental. Eh, muito obrigada pela oportunidade. Até a próxima e um grande abraço a todos. Abraço para você também. Até a próxima. E você de casa, me conta que que você achou do programa de hoje. Lembrando que esse programa já está no YouTube, você pode compartilhar com quem você quiser e assistir novamente, né? Quem sabe virar a chave que você tá precisando, tá bom? E amanhã no estúdio Câmara a gente fala sobre fobias da era digital. Hum. Você sente angústia se ficar sem o celular? Você tem medo de atender ligações ou pânico de ser excluído das redes sociais? A gente amanhã vai tentar desvendar o que que é a monofobia, o fomo e a telefonofobia. Isso existe sim e é preciso a gente entender, entender como o uso excessivo das telas moldando nossos transtornos modernos e como a gente faz para buscar uma vida mais saudável, né? A gente precisa falar sobre isso, tá bom? Então, amanhã a gente se encontra a partir das 8 da manhã, pontualmente 9 horas. Estou entregando o nosso estúdio Câmara porque direto da central de informação eh IA, né? E a central IA de informação da TV Câmara Campinas está chegando ela toda linda. É a Íria, a nossa jornalista de inteligência artificial que atualiza informações aqui de Campinas, da Câmara, nosso legislativo, Brasil, mundo, cotação de dólar, euro e muito mais. Beijo grande para você. meio-dia. Não esqueça, tem Câmara Notícia também com informações do legislativo e de toda a nossa metrópole. E amanhã, a partir das 8 da manhã, mais uma edição do nosso estúdio Câmara ao vivo. Se Deus quiser, cuide de você, se acolha e um bom dia. Ciao