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Estúdio Câmara | Cleptomania: doença, crime ou os dois?
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Estúdio Câmara | Cleptomania: doença, crime ou os dois?

132 views Publicado 05/02/2026 HD · 57:49

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🧠⚖️ É doença ou é crime? Onde termina a responsabilidade individual e começa o transtorno? O Estúdio Câmara desta quinta-feira, 5 de fevereiro, traz um debate necessário e ainda cercado de estigmas: a cleptomania. A cleptomania é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno do controle de impulsos, caracterizado pelo impulso recorrente e incontrolável de furtar objetos — muitas vezes sem valor financeiro ou utilidade pessoal. Apesar disso, o comportamento pode gerar consequências jurídicas, o que levanta uma discussão complexa entre saúde mental e Justiça. 🎙️ Para aprofundar o tema, o programa recebe dois especialistas: 👨‍⚕️ Dr. Pedro Neves – Psiquiatra, com experiência na Rede de Atenção Psicossocial 👨‍⚕️ Dr. Fábio Roque Ieiri – Psiquiatra, com mais de 20 anos de atuação e formação pela USP de Ribeirão Preto Durante a entrevista, eles explicam: ✔️ A diferença entre cleptomania e furto comum ✔️ Como o cérebro reage nos episódios de impulso ✔️ O ciclo emocional vivido por quem sofre com o transtorno: ansiedade, alívio momentâneo, culpa e vergonha ✔️ A relação com outros transtornos, como ansiedade e depressão ✔️ Por que o diagnóstico costuma ser tardio ✔️ As possibilidades de tratamento, incluindo psicoterapia e uso de medicação ✔️ Como laudos de saúde mental podem ser considerados em processos judiciais 🚨 O programa também faz um alerta sobre conteúdos nas redes sociais que banalizam pequenos furtos como “brincadeiras” ou “desafios”, reforçando a diferença entre comportamento deliberado e sofrimento psíquico real. 📢 Um conteúdo informativo, humano e sem julgamentos, que contribui para ampliar a compreensão sobre saúde mental e reduzir preconceitos. 📺 Assista, curta e compartilhe. O Estúdio Câmara é informação de interesse público, com diálogo e responsabilidade social.

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[música] [música] Olá, muito bom dia para você que tá aí ligadinho na programação da TV Câmara Campinas. Seja muito bem-vindo. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Manhã de quinta-feira, dia 5 de fevereiro. Estúdio Câmara começa agora trazendo um tema que transita entre saúde mental e [música] código penal, mas que acima de tudo exige um olhar humano e sem preconceitos. [música] Nós vamos falar hoje sobre a kleptomania, aquele impulso incontrolável de furtar objetos, muitas vezes sem valor financeiro ou utilidade para quem [música] os leva. É uma doença, é um crime ou são os dois? A gente vai entender como o cérebro funciona nesses momentos e como o sistema de saúde e a justiça lidam com isso. Então vem com a gente. O programa só está começando. Participe conosco. WhatsApp tá na tela. 19978293776. Você já viu um caso assim? Já presenciou algo assim ou já sentiu esse impulso, né? Então nós estamos aqui com convidados especiais, psiquiatras, especialistas e daqui a pouquinho vocês vão conversar com eles. Já já a gente apresenta os nossos convidados, porque agora vamos atualizar algumas informações. Vamos lá. Então, Campinas [música] será contemplada com 2.000 novas moradias por meio dos novos projetos, eh, novas centralidades do governo do estado de São Paulo. Esse projeto integra aí a habitação, mobilidade urbana e desenvolvimento econômico. O empreendimento será implantado na área do antigo Pátio Ferroviário, entre a vila industrial e o centro e estará ligado à futura estação do Trem Cidades eixo norte, com partida na Estação Cultura. Do total de unidades previstas, cerca de 75% serão destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos. A proposta é transformar a área em um bairro de uso misto, com moradias, serviços, atividades econômicas e integração ao transporte público, eliminando a separação física entre a vila industrial e o centro. O projeto também prevê a requalificação da Estação Cultura, novas plataformas para o trem intercidades e para o trem intermetropolitano, além da implantação de um hub de inovação no local, com a recuperação de galpões ferroviários históricos para abrigar empresas e startups. [música] O empreendimento será viabilizado por meio da parceria público-privada. O edital para a seleção das empresas [música] interessadas deve ser publicado ainda neste mês de fevereiro. Mais informação chegando. Defesa Civil de Campinas, gente, alerta a população para redobrar aí os cuidados devido às chuvas, tempestades e ventos fortes registrados nos últimos dias. A orientação principal é evitar áreas alagadas e seguir as sinalizações e painéis luminosos instalados em vias com riscos de alaramento. A região também eh tem aviso de perigo potencial para as chuvas intensas até sábado, dia 7, com possibilidade de volumes de até 50 mm por dia e ventos de 40 a 60 km/h. [música] A Defesa Civil orienta que a população evite margens de rios em costas e ruas com um histórico de alaramentos. [música] em áreas alagadas, não atravesse, seja a pé ou de carro. Seguir as orientações é fundamental para preservar vidas. É o que reforça [música] a equipe da Defesa Civil de Campinas, tá? Eh, lembrando que os alertas oficiais podem ser recebidos pelo [música] sistema CEL Broadcast automaticamente em celulares 4G e 5G ou [música] por SMS. Você pode enviar o CEP para o número 40199, que aí você vai receber os avisos de alerta de tempestade. Falando em previsão do tempo, né, de tempestade, vamos à previsão do tempo para hoje aqui na nossa metrópole. Segundo Cepagre, a previsão para a região metropolitana e para a cidade de Campinas indica tempo estável e chuva generalizada. Hoje e amanhã também tá com maior chance de chuva a partir de hoje à tarde. As temperaturas devem variar entre 20 e 28º. Muito bem, notas, informação, previsão do tempo. Agora vamos ao nosso tema central. Vamos apresentar os nossos convidados para você que tá aí do outro lado. A gente fala de kleptomania, que ainda é um dos transtornos mais envoltos em mistério e julgamento social. De acordo com o Brazilian Journal of Psiquiatry, eh, ela, a, a kleptomania atinge cerca de 0,6% da população, mas o sofrimento é imenso, porque o paciente demora décadas para admitir o problema por medo do estigma, por medo do julgamento. Então, para entender onde termina a responsabilidade individual e começa a patologia, hoje a gente recebe aqui dois especialistas, Dr. Pedro, psiquiatra com vasta experiência na rede de atenção psicossocial, muito bem-vindo. Bom dia, obrigado pela sua participação e presença. Bom dia, obrigado. Com a gente também para completar aí a nossa dupla de especialistas hoje aqui no estúdio Câmara, Dr. Fábio, ele é psiquiatra com mais de 20 anos de atuação, formação pela USP de Ribeirão Preto. Seja muito bem-vindo. Obrigada. Obrigado, Rubi. Bom dia. Bom dia todo mundo. Bom dia. Vamos lá então falar sobre cleptomania, né, Dr. Pedro? Pra gente começar de forma bem didática assim, o que define clinicamente a cleptomania e por que ela é diferente de um furto comum? A cleptomania é um transtorno do impulso. A gente considera na classificação da psiquiatria, ela fica dentro dos transtornos de impulso. A diferença da cleptomania por um furto comum é intencionalidade. O furto comum é um furto que ele sempre visa eh obtenção de de vantagem. Já a kleptomania não, os objetos geralmente eles não têm um valor específico, não tem uma utilidade para aquela pessoa e difere dessa intencionalidade. A pessoa que cometeu esse furto por conta da cleptomania, ela foi acometida pela por esse impulso que chegou no cérebro dela e partiu pra ação. E esse objeto não tem um valor financeiro pela pessoa e difere do crime comum por causa desse motivo. Então ele é um crime que não é um crime por necessidade, nem um crime por vantagem. Uau! Olha só, vale destacar, gente, que a kleptomania é classificada pela Organização Mundial de Saúde como transtorno de controle de impulsos, assim como o doutor acabou de trazer pra gente, diferente do furto premeditado, né? Não tem ganho material, não tem motivação principal e sim eh uma tensão crescente que só é aliviada pelo ato em si. No Congresso Nacional, eh, tem projetos de lei que buscam constantemente atualizar o Código Penal para que laudos periciais em saúde mental tenham mais peso em decisões judiciais mediante a situação da cleptomania. Agora, Dr. Fábio, você tem décadas de experiência. É verdade que muitas vezes eh o paciente ele chega a ele passa por essa situação de estress, de impulso, e aí ele ele furta o objeto e depois ele acaba jogando fora. Tem situações assim, tipo, ele só precisava daquele movimento em si mesmo e não do objeto. É assim mesmo isso, Rúbia. É essa a característica principal do do controle do impulso, como é o caso da kleptomania. A pessoa ela realiza o ato sem premeditação, ou seja, não é algo que ela vinha pensando em fazer, né, nesse furto. Na verdade são furtos, né, eh, pegar coisas das outras pessoas ou de outros lugares. Ela não planejava, né, ela não tinha aquela intenção naquele momento, mas ela é tomada por um um uma necessidade muito forte de fazer esse ato, seja, de roubar, de pegar, né, para si. ela acaba levando embora esse objeto, pode ser da casa de uma pessoa, de um um estabelecimento e ele não tem valor, né? Então, por exemplo, não tem um valor para aquela pessoa. Então, pode ser um lápis, uma caneta, eh, por exemplo, uma pessoa roubar um pacote de fraldas, sendo que ela nem tem criança em casa, né? Então, eh, não tem eh uma necessidade do uso, né? Eh, o impulso ele é ele acontece involuntariamente, né? rapidamente e o atro que a pessoa faz, ele ele é determinado momento pensado, mas muito rápido, né? Às vezes quando a pessoa tem a noção do que aconteceu, já aconteceu, né? E ela já tá saindo e ela acaba levando para casa o objeto e se desfazendo dele, né? E depois percebe que, tipo assim, porque eu não preciso disso, né? O que que acontece no nosso cérebro, Dr. Pedro? Assim, quais são os estímulos? É, é, tem algo que que que aqui a psiquiatria pode explicar pra gente poder entender um pouquinho mais? Tem, tem sim. O o o córtex pré-frontal, que é essa região frontal do nosso cérebro, ele é que regula, que é o faz o controle inibitório, ele é o super ego, ele é o freio, ele é a censura dos nossos atos. A pessoa que sofre de transtorno do impulso, ela tem uma certa hipoatividade no córtex pré-frontal. Então, nesse momento, ele vem o aquela ansiedade que gera um impulso de de furtar, de subtrair uma coisa e ela não consegue freiar. Esse impulso. É por isso que acontece diversas vezes e a pessoa entra naquele ciclo de ansiedade, eh, subtrai, aí vem alívio, depois vem tensão, vem culpa, vem vergonha, essa vergonha gera ansiedade de novo e esse ciclo recomeça. Gente, o que isso? É um ciclo vicioso, né? Eh, essa questão da culpa, Dr. Fábio, é deve ser uma culpa imensa, porque a pessoa só vai parar para analisar o que aconteceu depois do fato executado, né? E aí, como é que faz para lidar com essa culpa? Como a a pessoa que que tem a kleptomania, ela ela tem sofre de depressão, de ansiedade ou nem sempre é assim? Isso. Essa na verdade é um é quase uma regra, né? A maioria das pessoas que t um transtorno do controle de impulsos, eh, como a kleptomania, tem um outro transtorno associado, por exemplo, transtorno de ansiedade, um quadro depressivo e muitas vezes transtorno de personalidade associados, né? Eh, a pessoa às vezes, como você mesmo disse, né, Rúbia, eh, demora anos e décadas para descobrir que isso é um problema, né? E por conta da vergonha e do estigma da sociedade, por se tratar de um ato ilícito naquele momento que está sendo feito, eh, não procura ajuda, né? Eh, mas existe tratamento, né? Mas é, essa culpa existe e acaba criando outros transtornos mentais, né? Então, por exemplo, transtorno de ansiedade, transtornos depressivos, transtorno de uso de substância para tentar aplacar aquela culpa, aquele mal-estar, né? Como você disse, é um ciclo, né? Então, ele, Pedro também lembrou, eh, acontece uma vez, vai acontecendo várias vezes, acontece vários anos. A grande maioria das pessoas comete esse esses atos sem conhecimento da família, né? assim, ela consegue, digamos, esconder esse sintoma por muito tempo. Por isso que também é mais difícil de você eh diagnosticar e chegar esse paciente para você, porque como ninguém viu, ninguém percebeu, demorou para perceber, ele chega mais tarde no consultório, né, pro tratamento e pra ajuda. Exato. É, ninguém viu, a rede de apoio, não percebeu, a pessoa não falou por conta de todas essas questões que nós abordamos aqui, culpa, vergonha, frustração. E aí o diagnóstico chega muito tarde, né? Agora, Dr. Pedro, tem um perfil mais comum para esse transtorno, né? Em correlação com dados da saúde, diz que a proporção de mulheres para homens com cleptomania é de três para um. Isso tem uma explicação biológica, social, a questão de perfil tem eh na verdade esse perfil do sexo feminino ser ter essa proporção de três para um, a gente tem basicamente duas explicações. O primeiro é porque, como o Fábio comentou, o transtorno depressivo, o transtorno ansioso, ele tá em comorbidade com a kleptomania, com o transtorno do impulso. E esses transtornos psiquiátricos que eu citei, eles são mais prevalentes no sexo feminino. Então, automaticamente, o sexo feminino acaba tendo uma estatística um pouco maior, ao passo que a mulher procura mais o sistema de saúde, ela tem mais facilidade em procurar o cuidado, procurar o acolhimento em saúde mental e acaba tendo um maior número de diagnósticos. Então, é uma explicação eh social e biológica, neurobiológica e social. Perfeito. Deu para entender muito bem. É porque a mulher ela tem o hábito, né, de procurar e de ter o acesso a a ao médico e o homem já não. Então, quando a mulher vai frequentemente ao médico, o diagnóstico aparece e com mais frequência do que para o homem que acaba não, né, e eh tendo tanta frequência assim eh eh no no procurar em procurar o médico, né? É, a mulher ela procura mais, desculpa, F, a mulher procura mais o sistema de saúde e principalmente em saúde mental que existe muito estigma em buscar um psiquiatra, buscar um psicólogo, a isso, esse número, ele a mulher se distancia mais ainda do homem em termos de cuidado em saúde. Uhum. Quer completar? Eu acho que eh tem também um viés de observação e de diagnóstico, né, por parte do do médico, da equipe de saúde, né, como a gente estava conversando, que existem outras comorbidades que podem estar junto e alguns diagnósticos diferenciais, a gente pode conversar também da cleptomania. Então, por exemplo, eh, se a pessoa tem um transtorno de personalidade, né, que é um um transtorno, um problema no comportamento crônico dela, né, no jeito de ser dela, eh, você não diagnostica a cleptomania se aqueles episódios tiverem característica mais daquele comportamento impulsivo, eh, desviado das normas da sociedade, como o transtorno de personalidade costuma ter, né? Então, talvez o que acontece, as mulheres procuram mais ajuda, recebem mais diagnóstico de transtornos como órbitos, como a depressão, ansiedade e a cleptomonia, né? Um transtorno controle do impulso. E os homens talvez recebam mais diagnóstico de transtorno de personalidade quando faz atos parecidos e talvez sejam subdiagnosticados aqueles casos que não são transtornos de personalidade, mas é a kleptomania. Perfeito. Muito bem. É, mas é é um número que que faz a gente refletir, né, eh, sobre essas questões de busca, né, por um diagnóstico. É importante que você homem também, a gente eh teve um programa aqui que nós falamos sobre a saúde do homem e eu não sei o que que acontece com vocês, que vocês não vão ao médico, né? Só buscam atendimento quando é realmente não, eles estão aguentando mais e vocês precisam parar com isso. Vocês precisam entender que o médico é seu amigo, que ele tá ali para te ajudar. e que ele tá à sua disposição, vai ao médico, seja pelo sistema de saúde, seja o particular, você precisa cuidar de você. O homem tem uma mania de querer ser o provedor e cuidar de todo mundo, mas se você não cuidar de você, você não vai conseguir cuidar do outro. Então, por favor, meninos, vamos mais ao médico, tá bom? Agora, Dr. Fábio, tem uma nova tendência nas redes sociais que ligou o alerta, né, da polícia e também dos profissionais de saúde. Jovens estão usando hashtags para exibir pequenos furtos, como se fosse um estilo de vida ou então um desafio, né? Qual que é a sua avaliação sobre isso e como a gente diferencia esse comportamento exionista, né, do sofrimento real de quem tem a kleptomania? porque eh saiu várias matérias e tal, o pessoal vai nas lojas, furta ali pequenos produtos e depois exibe na rede como se isso fosse um troféu, né? Qual que é sua avaliação sobre isso? essa tendência e esse esse novo jogo online eu não tava conhecendo não. Mas eh como você disse, Rúbia, eh eu acho que essa característica de você organizar um ato eh ilícito, né, no caso um furto, você depois levar para casa, fazer um vídeo daquilo, fazer uma exposição daquilo e aparentemente não sentir culpa pelo que fez o remorço, já fala totalmente contra um ato da kleptomania, né? Contra a cleptomania, porque a kleptomania ela não é pensada, né? Ela acontece como impulso. A a característica da do impulso em psiquiatria é você faz sem pensar, né? Depois que você pensa não deveria ter feito, né? Eh, ou você fica pensando, acho que vai acontecer, tenho medo de acontecer, mas você não programa o ato em si. Se você programou o ato em si e isso teve depois um benefício próprio, no caso tá dizendo que essas pessoas que possam na rede estão fazendo em benefício próprio. Isso já contradiz o os critérios da cleptomania. Perfeito, perfeito. Agora, Dr. Pedro, é um contraste brutal, né? Entre a busca por likes, né, dessa galera que tá fazendo aí essa esse jogo na internet, né? E a dor de quem esconde o transtorno. Agora, eh, essa turminha que tá buscando likes e fazendo esses furtos em lojas e publicando nas redes, a gente acende um alerta aí de algum outro tipo de transtorno ou isso é mesmo coisa de buscar like e mais uma modinha na sua avaliação psiquiátrica? É, na minha avaliação, eu acho que isso eu também não conhecia, não tava sabendo dessa nova moda, mas acredito que seja mais um desses movimentos que as pessoas estão ali para aparecer na internet, o que não tira a gravidade tanto do ato de furtar, que isso é caracterizado como eh como um furto, como um crime, independente da motivação que ele tem por trás. Mas além disso, a complexidade dessa exposição da rede social, dessa questão de você tá online o tempo inteiro, o advento do da rede social no celular, que a gente tá com o celular ali o tempo todo, se expondo, isso molda o comportamento das pessoas hoje em dia e tem um aumento do número dos transtornos de personalidade que são caracterizados pela maneira com que esse comportamento foi se dando a partir da adolescência e da vida dos jovens adultos, que são as pessoas que são mais acometidas por esse esse essa dependência digital. Então é um é é é muito delicado quando a gente olha para um adolescente, para um jovem adulto que tá online 24 horas, que está se expondo dessa maneira e preocupado com o like, independente das consequências que aquilo vai ter. Exatamente, né? Enquanto a internet, né, na internet o furto é tratado como legal ou desafiador. Para quem eh eh tem a kleptomania, o ato gera um ciclo de vergonha que pode destruir uma vida social e profissional também, né? Então precisa e eh ter um pouquinho de noção essa turminha aí, se você tá compactuando com esse tipo de coisa, se você vê isso, né? Dá uma banida nisso aí, porque não é legal, pessoal. Eles vão às lojas e aí eh levam pequenas coisas, mas assim eh eh durante um dia eles passam aí a galera passa umas cinco, seis lojas, eles levam pequenas coisas, depois juntam tudo que foi furtado da loja e exibem na rede, como se isso fosse um troféu. E como a gente tá falando de kleptomania hoje, eh eh é importante a gente citar essa situação, porque isso influencia muitos jovens, né? E a gente precisa ter cuidado também eh com os nossos jovens. Então, pais, preste atenção, né, eh com quem seus falam, eh, prestem atenção nas redes e até porque também a gente precisa ver essa questão da rede social para jovens e adolescentes, que a gente sabe que não é permitido, né? Agora, a gente fala de química cerebral, existe uma tese de que a falta de serotonina e dopamina causa eh esse descontrole. É assim mesmo que acontece na cleptomania. Eh, como que funciona na prática esse comportamento, Dr. Fábio? Então, a gente tem algumas ideias do que possam ser a causa, né, de como o cérebro funciona e como que as doenças acontecem, né? Então assim, existe um sistema de regulação, né, que começa na base do cérebro aqui atrás e vai se vai alimentando as vias que estão mais pra frente e a principal delas é o córtex pré-frontal, que é o nosso que nos diferencia, né, dos outros seres vivos, é ter a capacidade de pensar e julgar o nosso próprio comportamento, né? Isso acontece no lóbulo pré-frontal e ele é regulado por essas substâncias, como por exemplo, dopamina, noradrenalina, serotonina, que são as principais neurotransmissores do cérebro, né? monaminas eh que funcionam como esse combustível, esse mensageiro dentro do cérebro. Eh, quando existe uma desregulação desse sistema, acontecem problemas de regulação dos impulsos, né? Eh, então, eh, mas também a gente não pode explicar simplesmente por uma coisa biológica, né? Por um por um fato biológico, sem tirar também a responsabilidade de de um ato que moral, né? Então a gente tem está numa sociedade, então a gente tem um código civil social para cumprir do tipo não pegue a coisa do outro, né? Não pegue os objetos dos outros, né? Então se a pessoa está nesse comportamento de tirar coisa dos outros, seja por uma doença ou por uma moda de internet, isso não vai dar certo na sociedade que a gente está, né? Não vai funcionar, né? E bem lembrado também, como você falou, Rúbia, eh, se a pessoa vai na rede e se expõe, eh, isso fica gravado, né? Então, vamos lembrar que futuramente a pessoa vai procurar um emprego, por exemplo, vai procurar uma universidade e tem lá no histórico dela, na internet, ela se expondo desta maneira, né? Então, vira uma situação bem complicada, né? para além só da questão do diagnóstico quem tem, eh, mas para quem tá cometendo um ato que seja parecido. Perfeito. Agora, sobre tratamento, eh, Dr. Pedro, eh, medicamentos, terapia, a gente sabe que eh vocês, né, disseram e e na busca para de informação pra gente poder conversar sobre o tema hoje, eh, a demora do diagnóstico pode chegar até 20 anos. Isso por quê? Porque nós já falamos aqui no início, Dr. Pedro e Dr. Fábio falaram com a gente que a pessoa ela tem vergonha, tem frustração, a rede de apoio, a família às vezes não acaba sabendo porque a pessoa não vai contar, né? E a pessoa também tem vergonha de ir ao médico. Então isso demora para chegar a um diagnóstico. Bom, vamos lá, conseguimos, chegamos ao diagnóstico. E agora, como é que funciona esse tratamento? E isso tem cura? É, é muito interessante a gente falar do tratamento da cleptomania, que ele é sustentado por dois pilares fundamentais, a psiquiatria, o uso da medicação e a psicoterapia. Uhum. A psicoterapia, de preferência da terapia cognitivo comportamental, que ela vai ajudar a pessoa a entender esse impulso e diferenciar do ato. Isso ela consegue eh evitar alguns tipos de situação em que ela se expõe, né? Do dentro dessa terapia também, ela vai aprender a lidar com os com os gatilhos, né, que o pessoal fala hoje em dia, com os disparadores desses impulsos. E o tratamento medicamentoso, ele não cura, não vai curar a cleptomonia, não vai curar o transtorno do impulso, mas ele ajuda naquilo que o Fábio tava comentando. Em relação aos neurotransmissores, a gente tem basicamente três tipos de medicação, os antidepressivos, os estabilizadores de humor e os antagonistas opioide, que cada um vai ter o seu funcionamento ali no cérebro diferente e você precisa procurar o psiquiatra para ele entender como é que tá surgindo esse estímulo, esse impulso, quais são as as raízes, não só biológicas, mas sociais para introduzir a medicação. Quando a pessoa tá com a medicação, fazendo o tratamento contínuo junto com uma psicoterapia, ela consegue ter uma melhor qualidade de vida, principalmente porque ela sabe que aquele ato é um ato errado. Não adianta a gente fazer um tratamento com um julgamento moral, falar pra pessoa que roubar é errado, que furtar é errado. E a partir do momento que a gente falou isso, a gente acha que ela vai conseguir compreender e parar, não é isso? A pessoa sabe que aquilo não é não é conivente com o nosso dia a dia, com o Código Civil da sociedade, mas ela não consegue freiar. esse impulso. Então, a gente precisa fazer com que esse impulso diminua e a gente aumente o tempo entre o impulso e o ato e a partir disso, a pessoa vai conseguindo se recuperar. Ela dentro desse tratamento, ela precisa ser muito bem acolhida, precisa ter um espaço de escuta em que ela possa falar e se sentir um pouco menos julgada do que ela mesmo já se julga no dia a dia, nesse ciclo de alívio, tensão, vergonha, culpa, isolamento e começa tudo de novo. Então a gente precisa de tratamento medicamentoso e psicoterapia, além de uma rede de apoio fortalecida para que a pessoa consiga falar sobre aquilo. Quanto mais ela fale sobre essa essa situação, sobre esse tema que ela tá envolvida no dia a dia, menos atos ela vai acabar cometendo. É importante falar e importante saber ouvir também, né, Dr. Fábio, porque quando a gente fala de rede de apoio, a gente precisa falar de uma rede de apoio sem julgamentos, principalmente nessa questão da cleptomania, porque a pessoa a pessoa ela precisa ser ouvida e não julgada, porque isso é um, é um transtorno, é uma patologia e precisa de tratamento. Então, eh, a pessoa vai falar, mas sem julgamento, né? Sim. E como eh, a questão principal, a característica principal da kleptomania é eh pegar, eh, objetos das outras pessoas, é, ou seja, furtar objetos, então tá muito envolvido com algo da esfera penal, né? E aí dá muita margem para criar preconceitos e estigmas em cima da do paciente, da pessoa que sofre desse transtorno, né? Acho que é interessante lembrar que assim a a doença, né, a cleptomania é uma doença, ela tem um código, né, na Organização Mundial de Saúde, ela tem um sid. Eh, na Associação Psiquiátrica Americana também tem os critérios diagnósticos da cleptomania como um transtorno da dificuldade de controlar um comportamento. Eh, mas o ato que e a consequência do ato da cleptomania, isso sim vai ser entendido realmente como um furto, um crime. E a pessoa vai ter que se explicar sobre isso, né? Inclusive, esta é a importância do tratamento da pessoa mostrar que ela entende que aquilo é um sofrimento que ela tem, um problema que ela tem, precisa ser tratado. Não dá também simplesmente para conhecer, diagnosticar o problema, a doença e a pessoa não seguir fazendo nada com isso, né? Não se tratar, né? Porque aí realmente a ajuda não acontece, né? O tratamento é difícil, é prolongado, mas existe controle, né? Eh, o controle que a gente tem com as medicações e a psicoterapia integrada é muito interessante, mas a pessoa precisa dar o primeiro passo. É sempre, né, o movimento, né, Dr. Fábio, Dr. Pedro, eh a questão eh do Código Civil, né, das leis, vocês que trabalham com a psiquiatria, eh alguma situação em que a pessoa tem esse é transtorno ou é uma doença? O que é é que a gente pode falar, cleptomania? É, é, a kleptomania, ela entra dentro do do grupo de transtorno do impulso. Transtorno, né? Então, a pessoa que tem esse transtorno do impulso, eh, se de repente vai agir pelo impulso ali, vai retirar algo, né? Vai furtar algo. E aí essa pessoa ela eh eh denunciada, faz, alguém faz um boletim de ocorrência, ela precisa se apresentar na delegacia. a psiquiatria, o médico de repente que está acompanhando essa pessoa, ele ele tem como intervir nessa situação? Como é que a justiça lida com isso? É a a pessoa que que comete esse furto, ela vai ser responsabilizada criminalmente. Uhum. E e é interessante que geralmente é quando acontecem esses prejuízos na esfera de trabalho, na esfera da família, é que as pessoas começam a procurar o tratamento. É sempre quando tem algum marco assim bem relevante que eles chegam ao sistema de saúde. Quando a pessoa ela tá eh inserida já num num contexto de tratamento, é possível, né, o ter algum tipo de atenuante, um relatório que a pessoa está em tratamento, que ela tem um sofrimento, que passa por um transtorno do impulso, isso é é é possível, mas ela não deixa de ser responsabilizada, certo? A a independente da da raiz ali do ato dela, a responsabilidade ela vai haver, certo? Então, eh eh é importante assim dentro dessa desses momentos trágicos em que a pessoa pode vir a ser responsabilizada, ter um prejuízo dentro do trabalho, um prejuízo familiar, é que nesse momento ela busque o eh eh ela chega ao tratamento de saúde, que é o mais difícil que você comentou antes, chega até demorar 20 anos na maioria das vezes. Geralmente são nesses momentos em que ela entra nesse processo de cuidado, de olhar para si, de entender o que que tá acontecendo e não só viver isolada por conta da vergonha, por conta da culpa. E é basicamente assim que que a gente entende a cleptomania dentro desse grupo dos transtornos do impulso, mas ela não deixa de ser responsabilizada. Exatamente. Importante a gente falar sobre a responsabilização, né? responsabilidade da pessoa. E é por isso que é importante você buscar um acompanhamento médico o mais rápido possível, né? E e e falar paraas pessoas que estão à sua volta que você sente esse impulso e as coisas podem ser ajustadas eh o mais rápido que você imagina, né? agora demorar 20 anos para poder ir ao médico quando as coisas estão ali já eh quase fora de controle, fica bem delicado. A gente precisa trabalhar de forma preventiva, de repente, para que não aconteça algo pior. Agora, quando a gente fala de cleptomania, né, eh essas impulsos que as crianças têm, olha só, vamos lá. Levei o lápis do meu amiguinho hoje. Mamãe falou: "Devolve, não pega o que não é seu, tá bom? Amanhã pego a borracha de outro". Daí não conto pra mamãe. E aí eu vou acumulando esses objetos, né? Já tem situações assim, tem gente que fala: "Ah, porque é criança". O outro, "Ah, mas ela não sabia que tava levando". Isso isso pode eh acender um alerta, Dr. Fábio, a gente ou então ou é algo assim que a gente pode dizer que é natural de criança. Sim. Então, a quando a criança desenvolve eh sua capacidade de discernir o que é certo ou errado em determinado momento da vida, aí ela já tem uma certa responsabilidade pelos atos dela, entendendo que ela seja uma criança, né? Eh, crianças muito pequenas não vão entender que você não pode pegar o objeto do colega, né, ou da casa da outra pessoa, mas tem uma determinada idade que ele determinada idade que a pessoa, a criança já aprende isso e a família vai educando, né? Eh, a partir de uma determinada idade, que a criança já está socializada, já tá na escola, já entende as regras sociais, quando esses comportamentos começam a repetir, é interessante o familiar, os pais observarem, porque pode estar acontecendo algum problema que é da ordem do transtorno de controle de impulso, mas que é um outro problema, né? A cleptomonia, digamos, é um diagnóstico para adultos, né? Porque ele já entendeu como funciona, como e como deve ser, né? para as crianças que têm eh transtornos da conduta eh ou eh socializadas dentro ou dentro de casa ou fora de casa, a gente tem uns outros transtornos. E legal que você perguntou também, né, e essa diferença entre transtorno e doença. Na verdade, a gente usa na na psiquiatria o as duas palavras intercambiavelmente, né, ou uma ou outra. Mas em medicina tem uma diferença, né, bem clara. Doença é quando existe uma patologia que tem um conjunto de sinais e sintomas, é explicada por uma determinada causa que é conhecida e existe um uma maneira de você investigar aquela doença, aquela patologia. Na psiquiatria, como a gente tem os sinais e sintomas, tem como investigar, mas a gente não sabe a causa da grande maioria das doenças, a gente tem hipóteses, então a gente não usa a palavra doença, a gente usa a palavra transtorno. Olha aí, muito bom. Transtorno seria basicamente doença, né? Eh, poucas doenças na poucos transtornos na psiquiatria, né? Poucas adoecimentos na psiquiatria tem uma causa conhecida, por exemplo, demência na doença de Parkson. Então, a gente conhece um Parkson, conhece a causa do Parkson e conhece porque a pessoa com Parkson desenvolve demência. Então, a gente pode chamar de, eh, doença de parkson, né? Agora, a esquizofrenia, a gente tem ideias do que são a esquizofrenia, por exemplo. Eh, causas muito bem explicadas, mas existe um lugar ali no cérebro que a gente vai e vê a lesão. Então, por isso que a gente fala que a esquizofrenia é um transtorno. Olha, e como é bom, né? Como é bom conversar com vocês. Vocês ensinam tanto a gente, sabe? Vocês ah, ampliam a nossa visão. Esse programa aqui é maravilhoso, é uma psicoeducação. Todas as manhãs e a gente fica muito feliz com isso. Agora 8:39. Produção, tem perguntas? Vamos lá, então. Vamos responder as perguntas dos nossos telespectadores. A gente tem muito mais que falar ainda com os nossos doutores aqui, mas pessoal de casa também quer falar. E a gente abre espaço para você que tá aí do outro lado mandando a sua mensagem pra gente, porque agora Dr. Pedro e Dr. Fábio, né, respondendo a sua pergunta sobre o tema de hoje. Vamos lá. Thiago Barros do Castelo. A pessoa consegue identificar o momento exato em que o impulso nasce e ele surge de forma inesperada? Quase sempre. Pera aí. A pessoa consegue identificar o momento exato em que o impulso nasce ou ele surge de forma inesperada, quase sempre como um apagão emocional. Vamos lá, Dr. Pedro. É interessante falar como apagão emocional, assim, é um é um jeito até um pouco romântico, né, da gente pensar assim, porque ela vai sentir, é, apaguei e peguei. Então assim, voltei, apaguei, peguei e voltei. É quase que desresponsabilizando ela, né? a pessoa ela sente o impulso, ela consegue identificar que aquilo veio. E aí o o tratamento cognitivo é exatamente isso, pra gente distanciar a hora que vem um impulso com o tempo do ato. E quanto mais a gente vai conseguindo, mais sensível ela vai ficando a esse tipo de tratamento. Uau! Olha só, distancial o momento que você sente o impulso do momento do ato. Então sentir segura a onda e não pega. Exatamente. É uma luta muito forte consigo mesmo. É uma luta, é muito difícil, igual o termo que você usou, é a psicoeducação. É aquilo repetidamente a pessoa consegue e ter um pouco mais de controle, estar sob domínio das suas próprias atitudes. Não é sempre podem haver os láps as recaídas, mas com o tempo ela vai conseguindo regular a sua emoção. É mais ou menos esse termo que a gente gosta de usar. Importância. a importância, né, é desse tratamento, eh, conectado, né, à psiquiatria, com a psicologia, né, com a terapia em si, porque a gente acaba aprendendo a a ter o autoconhecimento e controlar os nossos próprios impulsos. É interessante isso. 8:41. Vamos lá. Tem mais perguntas pra gente? Se tiver, pode mandar. Vamos ver quem tá conosco. A Patrícia Gonçalves do Campus Elísios. Depois de ser flagrada, a pessoa costuma piorar emocionalmente. Nossa, boa, Patrícia. A exposição e o julgamento social aumentam o risco da ansiedade, depressão. Dr. Fábio, olha só que pergunta, né? Pessoa flagrada, e aí faz o qu, né? Ela deve sofrer muito. Sim. É Patrícia, né? É Patrícia Gonçalves. Isso mesmo, Patrícia. Na verdade, quando a pessoa é pega no ato, né? ou depois, porque hoje em dia, vamos imaginar, todos os lugares tem câmeras, né? E e principalmente mercados ou lugares, lógico, tem muita pessoas a paisana também observando, a chance de ser pego é maior, né? Eh, isso cria uma atenção maior nas pessoas no momento de realizar o ato e uma culpa maior também. Eh, então, quando a pessoa é flagrada, ela com certeza vai passar muita vergonha porque ela sabe que aquilo não está certo. É isso que diferencia a kleptomania de outros transtornos. a pessoa sabe que aquele ato não é correto, mas mesmo assim ela não consegue deixar de fazer. É, isso pode agravar e levando a quadros de ansiedade ou quadros depressivos, né? Então, eh, a gente diz que é como se fosse, na verdade, um uma situação, uma faca de dois gomes, porque ser flagrado é muito ruim pra pessoa que está sofrendo aquilo, mas talvez seja o início de começar a pensar em se tratar, né? Porque se quando a pessoa comete esses atos e ela não é pega e também ninguém descobre, eh, o ato vai continuando, né? A pessoa tem dificuldade em conseguir parar. Às vezes, esse momento em que ela foi parada, eh, e flagrada, é o momento que vai cair a ficha para ela começar um tratamento. É, pois é, às vezes é preciso esse choque, né, para poder iniciar um tratamento, a busca aí de um psiquiatra e de um psicólogo, psicot psicoterapeuta, enfim. 8:43. Pode colocar mais uma pergunta pra gente, produção? Bora que bora. Tô sabendo que tem bastante pergunta aí, hein? Vamos lá. Mônica Peixoto do Parque Prado. O impulso aparece mais quando a pessoa está sozinha ou independe da companhia, ambiente ou contexto social? Dro Pedro? E aí é verdade, né? Quando a pessoa tá sozinha e quando ela tá com com outras pessoas, como é que esse impulso acontece? É isso em relação a ela tá sozinha ou tá acompanhada, não tem muita relação. O que tem relação de fato é o ambiente. O ambiente que igual a gente falou anteriormente, é o gatilho. De repente ela tá num shopping, tá num lugar com muito estímulo, com muita eh muitas coisas interessantes que que são, né, o marketing hoje em dia deixa a gente aguçado, os nossos sentidos. Exato. Então assim, são os ambientes que eles favorecem a a ao ato impulsivo, mas não necessariamente estar sozinho ou estar acompanhado. É uma coisa que não tem uma relevância em termos estatísticos. Olha aí, interessante isso, né? Porque quando eu eh li a pergunta, eu pensei aqui rapidinho comigo, ah, então acho que a pessoa quando tá sozinha, ela tem mais chance de praticar o ato. E que interessante vocês trazerem pra gente que não, né? Então, a questão do impulso independ, se você não está com alguém, o impulso vai vir e a pessoa vai praticar o ato por conta, é, de tudo que ocorre no cérebro dela naquele momento, dos estímulos, né? Muito bem. 8:45. Pode mandar mais, pode mandar, produção. Vamos lá. Eliane Monteiro da Vila Teixeira. É comum o cleptomaníaco criar rotinas rígidas e evitar certos lugares? desculpa, para se proteger de situações que possam despertar o impulso. Olha essa pergunta inteligentíssima, né? Vou evitar ir em lugares que de repente me aguçam para que eu não tenha eh eh que executar lá o ato. Como é que é isso, Dr. Fábio? Sim, Rúbia. A partir do momento que a pessoa identifica que ela tem aquele problema, estando em tratamento ou não, ela vai evitar determinadas situações que é eliciam aquele comportamento de de furtar. Então isso acontece, mas mesmo tentando se segurar e muitas vezes a pessoa não consegue bloquear o ato, ele acaba acontecendo. Uhum. H, na verdade também eh, ir em determinados eh lugares com determinadas pessoas durante o tratamento vira uma maneira de lidar, uma estratégia de tratamento, né? Então, se eu tenho se o paciente tem aquela dificuldade, por exemplo, a ir em mercado, né? No mercado acontece os atos de furto, na padaria, outras situações, não. Por exemplo, talvez seja interessante quando ir no mercado ir com uma pessoa junto, né? eh ou evitar os o os momentos que tá muito cheio. Então, eh, chegar no horário que tem menos gente, que a pessoa, né, tá mais vigiada, ela sente mais controlada, pedir ajuda, por exemplo, hoje em dia, né, a gente pode chegar no supermercado e fazer a lista, né, eh, entregar e a pessoa leva para você no caixa. Então, isso são estratégias, inclusive para lidar com esse sofrimento durante o começo do atento que ainda tá muito difícil em controlar o impulso, né? Então, pedir ajuda de terceiros, eh, evitar determinados lugares. Então, hoje em dia a gente pode até pedir pela internet, né, ou pelo aplicativo, né, não indo determinados lugares. Então, se tá muito difícil nesse momento pra pessoa conseguir controlar o impulso dela, existem outras estratégias. Muito bem. Temos mais algumas perguntas, então a gente responde mais uma para cada um, pode ser? E aí a gente já começa indo pras considerações finais. você e você que tá em casa participando, obrigada, viu, pela sua participação, pela sua audiência e que legal a gente poder conversar com você sobre um assunto que ainda é um tabu, né? A gente precisa quebrar isso e falar mais do que falar cura. Tá bom, gente? Leandro Costa Ponte Preta, a pessoa percebe que perdeu o controle. Ah, tá. a pessoa percebe que perdeu o controle, ponto de interrogação, ou costuma minimizar o problema dizendo que é só um deslize que as consequências comecem a aparecer. Qual que é a sua avaliação sobre essa pergunta, Dr. Pedro? A pessoa percebe, a pessoa percebe que perdeu o controle. Ela ela ela tem o discernimento, mas mesmo assim tende a minimizar justamente para não procurar o tratamento em saúde por conta do ciclo culpa e vergonha. Uhum. Mas ela não deixa de saber que aquilo é um ato ilícito. Olha isso, né? Que luta constante. É impressionante falar sobre esse tema e é algo assim que ainda é um tabu, né, doutor Fábio. As pessoas não falam justamente, eu acho por conta da frustração, por conta da vergonha. Mas a gente precisa falar mais sobre isso, não é? Sim. E complementando o que o Pedro falou, esse é um critério diagnóstico e diferencial da cleptomania para outros transtornos, como por exemplo transtornos de personalidade antissocial. Eh, a pessoa sabe que o ato que ela tá fazendo não é correto, ela não gostaria de ter feito. As pessoas que não têm esse insight, né, essa percepção que a gente fala, eh, em não, e dizem: "Ah, não, mas eu fui lá e isso não é tão grave, né? É o que eu fiz, talvez esteja, estejamos tratando de um outro caso, né, que não é a kleptomania. Na kleptomania a pessoa pode alguns momentos não ter tanto essa crítica, mas ela tem a crítica, né, de que aquilo estava errado, né? Ela não perdeu o juízo da realidade, né? E ela entende que aquele ato machuca as outras pessoas, causam mal aos outros e a si mesmo, obviamente, mas não consegue controlar nesse primeiro momento, né? as pessoas que simplesmente furtam por prazer ou para causar mal-estar nas outras pessoas, aí estamos tratando de outros transtornos na psiquiatria. Muito bem. Agora, eh, Dr. Pedro, a pessoa que tem esse esse transtorno, né, a cleptomania, eh, a incidência de furtos, eh, são pequenos objetos ou chega ao ápice de de de levar e eh produtos, objetos de de grande valor, não? eh dentro da cleptomania é caracterizado por serem objetos sem uma sem uma relevância, sem uma importância, sem uma usabilidade no dia a dia daquela pessoa. Eh, uma pessoa cleptomaníaca que tem esse transtorno do impulso, dificilmente ela vai entrar numa joalia, tentar pegar um colar de pérolas, uma coisa de alto valor, não são coisas pequenas mesmo. É, como o Fábio falou anteriormente, é um lápis, é um tomate, coisas assim irrelevantes que ela poderia comprar, não é aquele aquele crime por necessidade ou por oportunidade. É aquele furto de coisas que ela poderia comprar, mas que por conta do impulso ela acaba subtraindo. E esse impulso, ele eh vem com o disparo de um gatilho paraa violência ou isso não acontece no momento do do ato, né? Eh, a gente fala, quando a gente fala em furto, quando a gente fala em roubo, a gente sabe que eh vem junto com isso a violência também, né? E e para quem é tem a kleptomania, esse esse gatilho da violência, ele é disparado ou não? Não, nesse caso não. A gente não tá falando de violência, a gente tá falando daquela pessoa que ela quer passar despercebida. Ah, perfeito. Então, a violência ela não entra em questão. Uhum. Uhum. Passar despercebido, né? eh fazer algo eh tipo assim, subtrair algo da forma que ninguém perceba para poder de repente alimentar aquilo que está dentro dela que entrou em erupção. Acho interessante a gente falar também, Rúbia, a gente a não comentou esse ponto durante o programa, mas a gente falou muito do sofrimento psíquico e do da tensão e do malestar que a pessoa tem antes de realizar o ato, né? Eh, existe também uma vertente do da kleptomania que no momento que a pessoa está para realizar o ato que é impulsivo, né, ela é tomada de grande prazer pelo que vai acontecer. Então, até pros telespectadores eh entenderem que não é só sentir-se mal. Algumas pessoas podem inclusive sentir muito bem, um prazer muito imediato, imediato um pouco antes do ato, durante o ato ou logo depois. Só que esse prazer logo se transforma em culpa e remorço e ansiedade, né? Mas existe a algumas situações, alguns pacientes que pode, ao invés de uma tensão muito forte e um alívio muito forte, sentir um prazer e um alívio muito forte, né? Mas sempre com as mesmas características. São as recompensas, né, do nosso cérebro, né? O nosso cérebro vive de recompensas, né? Sim. E essa essa questão e eu acho que é importante a gente falar sobre sobre isso, a recompensa que o cérebro tá exigindo mediante aquela coisa toda fervorosa que a pessoa tá sentindo, aquela ansiedade e aí colocou a mão naquilo que ela e almeja retirar do lugar, já sente uma recompensa, de repente um alívio, né? Só que depois daí vem a culpa, a frustração. Olha, gente, se você traçar aí um panorama, fazer um mapinha sobre tudo isso, uma linha do tempo, sobre tudo isso que a gente falou hoje, quanto sofrimento tem essa pessoa que é cometida por esse transtorno, né, Dr. Pedro? Com certeza. E é importante a gente falar que o a punição, a responsabilidade, ela não pode vir separada do tratamento. Uhum. Porque apenas a punição ela não previne a recaída, novos episódios. Então, sempre é importante a gente lembrar não fazer o julgamento moral, oferecer o tratamento pra pessoa para que ela consiga ter uma vida com um pouco mais de estabilidade, porque o impulso traz essa instabilidade pra pessoa e isso traz o sofrimento. Poxa, a vida. E a família, como fica nessa situação, Dr. Fábio? A importância, né, da família, eh, a partir do momento que a pessoa ela se dispõe a buscar ajuda? Sim. eh o característica do transtorno de controle de impulso, como eles não têm eh uma necessidade óbvia, né, eh pro grupo social, paraa família, ele ele não tem uma utilidade, um motivo. Então, por exemplo, por que que a pessoa entrou no lugar e roubou um lápis, né, ou roubou um pacote de bolachas que ela nem vai comer ou que ela poderia arcar, né, com aquele custo, né? a família às vezes não entende, né, o que que tá por trás daquele sintoma, né, porque a pessoa cometeu aquele ato e porque que ela não conseguiu se controlar, né? Se todo mundo consegue se controlar, por que que a pessoa não conseguiu? Eh, mas isso caracteriza uma pessoa que tá em sofrimento psíquico, né? Ela não funciona igual todo mundo funciona ou como a gente gostaria que ela estivesse funcionando. Ela está com um problema que precisa ser ajudado, né? Então, a importância da família é primeiramente observar o comportamento e procurar ajuda junto, eh, juntamente com o paciente e depois ajudar no tratamento, evitando, eh, culpabilizar a pessoa, né, mais do que ela se sente culpada e ajudar a pessoa nas estratégias para lidar com o problema. É importante demais a gente falar sobre isso, porque a família, né, a família é uma rede de apoio, um um espaço de conforto e que pode ajudar aí bastante nessa questão do tratamento, né? Porque falar é importante, né, Dr. Pedro? Falar, colocar para fora. De repente, naquele momento que a pessoa sente esse impulso, que sente tudo em ebulição lá dentro, pedir um socorro, falar, olha, tô me sentindo assim, salva, né? Falar é é cura. Salva, cura. falar é muito importante, principalmente porque quando a gente fala, a gente se ouve e a gente consegue colocar as coisas um pouco mais concretos, assim, traz mais para perto e a gente consegue enxergar com mais clareza aquilo que a gente tá sofrendo e encontrar um caminho de alívio, um caminho um pouco mais estável. Excelente, né? Tem mais uma pergunta ainda pra gente poder encerrar? Vamos lá, produção. Então, vamos para a última pergunta e aí a gente já vai pras considerações finais. Daqui a pouquinho a Íria tá chegando. Aía que vem direto da nossa central IA é a nossa central de informações e ela atualiza informações aqui de Campinas, Brasil, mundo, cotação do dólar e muito mais já para você. Vamos lá. Roberto Nascimento do Jardim Eulina. Quem sofre com esse impulso costuma levar uma vida normal em outras áreas, como trabalho e família, ou transtorno acaba afetando tudo aos poucos? Vamos lá, Dr. Fábio e Dr. Pedro primeiro, Dr. Fábio, vamos. Eh, a pessoa consegue, inclusive, por como a gente conversou, eh, por demorar a a procurar ajuda e o diagnóstico, a levar uma vida aparentemente normal, com grande sofrimento, né, interno, um grande sofrimento psicológico interno, eh, mas consegue levar uma vida normal, principalmente se ela não for pega, né? Eh, mas ela pode começar a desenvolver em algum momento quadros depressivos de ansiedade e esse sim, esses quadros sim que vão impactando a vida da pessoa. como quando a pessoa se expõe, né, ao risco ou ao ato de furtar e ela é pega, aí sim começam a aparecer os problemas, porque você começa a ter problemas de ordem judicial, de ordem penal, e aí isso vai criando um círculo vicioso, porque a pessoa às vezes não consegue se controlar, já está com problema na justiça, começa a ter mais problema e aí a vida que estava normal vai ficando cada vez mais difícil. Exato. Agora, Dr. Pedro, eh, a questão do trabalho é bem delicado, né? Imagina, a pessoa com cleptomania trabalha em um escritório onde tem bastante itens, né, ali e ela precisa se controlar. Eu acredito que deve ser muito difícil se ela não estiver em tratamento. É muito difícil e é muito importante a sensibilidade das pessoas que contratam dos RHs das empresas de entender e de repente quando a pessoa for pega isso, será que isso deve implicar numa justa causa? Será que isso deve implicar num numa escuta, num apoio, num estímulo de tratamento? Então, a gente precisa tomar cuidado e lembrar que não necessariamente aquilo se traduz numa num malatismo, numa ganância, mas numa numa doença, num transtorno, num sofrimento que a pessoa precisa de ajuda e que com o passar do tratamento ela consegue ter uma vida de qualidade mais estável. Muito bem. Vamos lá então. 8:58 a gente já vai paraas considerações finais. Quero agradecer demais a presença de vocês dois, né, Dr. Pedro, Dr. Fábio, por trazerem luz a um tema tão complexo que muitas vezes é silenciado pela vergonha, né? A saúde mental ela não pode ser um tabu, gente, especialmente quando ela interfere na liberdade e na dignidade das pessoas. E quando a gente fala de cleptomania, a liberdade e a dignidade tá muito em cheque. E a gente só tem mais a é que agradecer mesmo vocês. Obrigada pela participação e presença. Dr. Pedro, Dr. Fábio, por favor, deixa uma mensagem para as pessoas que estão assistindo o programa, que vão assistir depois, fica no YouTube, né? E que se estiverem passando por uma situação dessa, eh, o que elas devem fazer? Qual que é o primeiro passo? Porque o primeiro passo é importante, porque a vida é movimento e se a gente dá o primeiro passo, a gente já tá se movimentando, né, Dr. Fábio? Sim. Eh, primeiramente gostaria de agradecer o convite e a oportunidade de estar aqui com você e com Pedro. Eh, agradecer também a presença do pessoal que tá assistindo a gente eh ao vivo e depois vai assistir no canal. Eh, e como você disse, né, o primeiro passo é o mais difícil, né, porque é o primeiro, né, é, é a decisão de mudança, mas talvez eu acho que é o mais importante, né, porque a pessoa tem consciência de que vai precisar de ajuda. E se você conhece alguém que tá passando por esse problema ou você tem um problema parecido, eh, procure ajuda de um profissional, procure alguém para conversar, para entender o que tá acontecendo com você. É, é difícil se abrir num primeiro momento, mas depois vai ficando fácil e aí ajuda, o mais importante é que a ajuda vem, né? Que bom saber disso. Tá vendo só? É difícil, né? desafiador, mas com a ajuda de profissionais, assim como Dr. Fábio e Dr. Pedro, vocês, né, nós, né, conseguimos eh entender como a gente funciona e aí a gente consegue mais tranquilidade para seguir a nossa estrada, né, Dr. Pedro, obrigada pela sua participação, pela sua presença, por compartilhar conhecimentos tão preciosos e tão importantes com a gente quando a gente fala de uma um transtorno que é um tabu e que olha, eu fiquei de boca aberta de saber que a pessoa que tem esse transtorno geralmente demora aí uns 20 anos para buscar ajuda. Eh, obrigado, eu agradeço. Acho que esse tempo é muito longo, mas de repente esse programa já tá abrindo a possibilidade das pessoas ouvirem, se sensibilizarem e a gente levar um pouco aí do do que é saúde mental pra população, que isso é tão importante. Maravilha. Vocês muito obrigada pela participação, pela presença, pela contribuição, né? Importante a gente falar, tá vendo só? Às vezes são coisas que acontecem, né, no seu dia a dia e que você nem imaginava que poderia ser um transtorno e que agora você sabe e tá tudo bem, né? Agora vamos dar mais um passo, vamos buscar ajuda, porque a gente consegue, a gente pode, basta querer buscar ajuda, se fortalecer, que tudo vai dar certo, tá bom? E no programa de amanhã a gente fala sobre maturidade. Então, quantos anos você tem? E você se sente adulto [música] ou você é uma criança grande? Quando é que a gente se torna adulto de verdade? Bom, legalmente aos 18 anos, né? Mas a ciência mostra que o cérebro pode levar até os 30 anos para se desenvolver completamente. Mas e quando a conta não fecha? Por que que a gente vê tanta gente na casa dos 40, mas com comportamento ainda imaturo? Sabe aquela síndrome de Peterpan? Já ouviu falar sobre isso? Então, isso é uma escolha, um traço de [música] personalidade ou pode ser uma patologia. Amanhã a gente vai conversar sobre essa transição das décadas e as novas responsabilidades da vida adulta. Você se considera uma pessoa madura, né? Uma pessoa adulta mesmo. Quantos anos você tem? E daí quando você olha no espelho, quantos anos você dá para você? É sobre isso que a gente vai falar amanhã, tá bom? Contamos com a sua participação, com a sua audiência e aqui a gente vai encerrando mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Lembrando que a ÍRa tá chegando aí com informações direto da Central IA. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com informações do legislativo e de toda a nossa metrópole. E para falar para você também que a programação da TV Câmara Campinas é feita com muita dedicação, [música] muita responsabilidade, especialmente para você que tá aí do outro lado. Então não perde não, fique ligadinhos com a gente e amanhã nós voltamos a partir das 8 da manhã ao vivo com mais uma edição do Estúdio [música] Câmara. Fique bem, se cuide e até lá. 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