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[música] Olá, muito bom dia para você que está ligadinho acompanhando a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o nosso estúdio Câmara na manhã desta terça-feira, dia 2 dezembro. E hoje o estúdio Câmara abre espaço para um assunto [música] que não pode mais ser silenciado, um tema sensível, mas absolutamente necessário. A gente vai conversar sobre a violência, a violência conjugal. Você sabe que ela não começa com agressão física, ela começa nos [música] pequenos sinais, nas tensões veladas, nas ameaças que se escondem no cotidiano. E quanto [música] menos se percebe, a vítima já está presa em um ciclo que se repete, machuca e fragiliza profundamente. [música] E é sobre isso que a gente fala hoje, o ciclo da violência conjugal. Então, participe conosco, mande sua mensagem através do nosso WhatsApp que já está na sua tela, 19979377. você consegue reconhecer, né, esse ciclo da violência. [música] Hoje vamos falar sobre ele. Agora informações, daqui a pouquinho apresentação das nossas convidadas. Fica com a gente. Estúdio Câmara no ar para você. Vamos lá. A Câmara de Campinas entrega hoje o diploma Noel Rosa em homenagem ao dia do samba. A iniciativa é do presidente da Câmara, vereador Luiz Rossini, e dos vereadores Carmo Luiz, Eduardo Magoga, Marroncunha e Paola Miguel. [música] Criada em 2014, a honraria reconhece sambistas, grupos e agremiações se destacam na divulgação e no fortalecimento do samba na cidade. A solenidade acontece às 8 da noite no plenário da Câmara, com transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e também pelas redes sociais. Entre os homenageados estão músicos, grupos de samba, blocos carnavalescos [música] e casas que promovem a cultura do samba aqui em Campinas. Todos recebem o diploma por sua contribuição artística e pela preservação das tradições dessa expressão cultural tão representativa [música] no país. Agora nós vamos falar de oportunidade de [música] emprego. O último verão de emprego e oportunidades do ano exclusivo para pessoas com deficiência acontece nesta quarta-feira. É amanhã, [música] das 9 da manhã até às 4 da tarde no Palácio da Cidade. A ação é promovida pela Prefeitura de Campinas. [música] São 200 vagas para contratação imediata em parceria com oito empresas. O evento marca também o Dia Internacional [música] das Pessoas com Deficiência e encerra o calendário anual de feirões. Segundo a secretária de trabalho e renda, a iniciativa reforce o [música] compromisso com a inclusão e geração de oportunidades. O atendimento será por ordem de chegada com triagem [música] do CEPAT antes das entrevistas, tá? Nessa edição, o IMESC também fará emissão e validação de laudos [música] mediante cadastro prévio. Ah, os participantes devem levar documento com foto, currículo, [música] carteira de trabalho, carta de encaminhamento, se houver, tá? E laudo atualizado. [música] Oportunidade de trabalho para você. Previsão do tempo chegando. Atenção, à Defesa Civil Estadual emiti um alerta para possibilidade de chuvas fortes e tempestades severas entre hoje e amanhã aqui em Campinas, tá? A propagação de uma área de baixa pressão pelo estado de São Paulo deve mudar o tempo, favorecendo aí o retorno das chuvas e amenizando calor no decorrer desta semana. Segundo o Cepagre da Unicamp, áreas de instabilidade causadas pelo calor e umidade aumentam a [música] chance de chuva aqui na nossa região. A previsão hoje aqui pra cidade é de pancadas de chuva moderada forte, com possibilidade de raios e ventanias a partir da tarde, tá? Quando o calor deve [música] continuar e atingir aos 33º. Então, a mínima de [música] 22, a máxima de 20, de 33, perdão. E essa é a nossa previsão do tempo para hoje na metrópole. [música] Vamos lá, então, gente, falar sobre o ciclo da violência conjugal, que é um padrão que se repete silenciosamente na vida de milhares de mulheres brasileiras. Ao longo do programa, a gente vai explicar como esse ciclo se forma, como que a gente identifica os primeiros sinais, quais são as consequências psicológicas e quais medidas legais podem garantir proteção imediata à vítima. Também vamos entender como romper esse padrão e onde buscar a ajuda. Nosso papel hoje é esclarecer, orientar e ampliar o acesso à informação para mulheres, para que mais mulheres reconheçam as violências que sofrem e saibam que existe rede de proteção disponível. Então, vamos começar, vamos dar as boas-vindas para ela que participa pelo Zoom com a gente. Ela é psicóloga. Isabel Postigo, seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua presença. Bom dia. Bom dia a todos. Eu agradeço imensamente o convite para participar do programa hoje para falarmos de um assunto tão pertinente, tão necessário e tão urgente que é a violência doméstica. Muito bem. E para completar o nosso time de hoje, nós recebemos a advogada cível, família trabalhista. Ela é especialista em direito da mulher, né? Doutora Natália Zanela, seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Muito obrigada. Eu que agradeço a a o convite e a oportunidade de estar aqui com vocês hoje. Muito bem, gente. É o seguinte, olha, eu não poderia iniciar o programa de hoje sem falar sobre a violência desenfreada contra as mulheres. O Brasil já ultrapassou a marca de 1000 feminicídios. apenas este ano de 2025. E os casos mais recentes mostram uma vez que mais uma vez que a brutalidade, gente, e a urgência desse tema. A gente precisa debater, a gente precisa falar. Em três dias o país assistiu os crimes que chocaram o Brasil inteiro. Mais uma vez, no sábado, em São Paulo, Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por 1 km pelo homem com quem ela se relacionava. Ela teve as duas pernas amputadas. Segundo a polícia, ele não aceitava o fim do relacionamento. No mesmo dia, no Recife, Isabela Gomes de Macedo, de 40 anos, e seus quatro filhos de 1 a 7 anos, eles morreram queimados depois que o companheiro colocou fogo na própria casa. Ele estava preso por agressão, ele e minutos antes ele tinha saído, né? Ele foi liberado quando ele voltou, ele cometeu o crime. E ontem em São Paulo, uma cena brutal eh eh também foi registrada, [limpando a garganta] né? A Evelyn Souza Saraiva, de 31 anos, ela trabalhava em uma barraca de pastel. O ex-companheiro sacou duas armas e atirou a queima roupa. Ela levou cinco tiros e está internada em estado crítico. Os dados do Ministério da Justiça confirmam que esses episódios revelam as tentativas de feminicídio. Aumentaram, gente, 26%. De janeiro a setembro deste ano, mais de 2,7.000 mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio, enquanto 175 morreram vítimas desse crime. E quando a gente fala do ciclo de violência, é fundamental a gente lembrar, a violência não começa com tapa. O início quase sempre é silencioso, cheio de perguntas, invasões que se confundem com ciúme, com cuidado, com atenção, mas que já apontam para um controle emocional, isolamento e corsão. A violência começa no medo, o medo de contrariar, de falar, de sair, de existir. E é por isso que a conversa de hoje é tão urgente, entender como esse ciclo se forma, porque tantas mulheres permanecem presas a ele e principalmente como romper esse padrão e buscar ajuda. Bom, vamos lá. Começamos com a nossa psicóloga Isabel, vai falar pra gente do ciclo de violência que se repete em três fases, né? Aumento de tensão, explosão e a famosa lua de mel. Isabel, como é que a vítima pode identificar esses primeiros sinais? eh da fase de aumento de tensão, que muitas vezes começa com controle e ameaças veladas e às vezes a gente confunde com um nos querer bem, um nos querer proteger. Por favor, excelente pergunta. A violência doméstica que acontece entre casais, ela não começa do dia a dia, ela se constrói de forma gradual. E quando a gente fala da violência psicológica patrimonial, nós estamos falando numa forma de abuso que não deixa marcas visíveis no corpo, mas ela deixa as marcas profunda no comportamento, nas emoções e na forma com que essa mulher ela passa a se perceber. E é interessante que quando nós eh quando o tema é violência doméstica, a maioria das pessoas passam a elas começam pensar primeiro em agressão física, mas na prática clínica o que nós vê a agressão física, ela quase sempre vai ser o último e os primeiros sinais ele não vai aparecer assim de forma explícita, né? Ela começa num jeito como a vítima pát se comportar dentro da relação. Então ela vai ter ali uma abança muito clara nas suas emoções. Então o primeiro impacto vai ser nas suas emoções. Ela começa a viver ali intenção, ela viva com medo de desagradar, o medo de ser. Ela começa sempre tentando adivinhar o humor do parceiro. A mulher, ela passa a monitorar cada gesto, cada palavra, tudo para evitar que é o famoso pisar em ovos. Quem nunca escutou essa frase, né? Viver pisando em ovos, né? E quando a relação começa a exigir esse nível de vigilância emocional, já é um alerta importante a ser levado em consideração. Outro aspecto a ser observado é quando a vítima começa a duvidar de si mesma, né? Ela tá ali tão num ambiente tão tóxico que ela começa a duar de si mesmo. E aqui nós entramos num mecanismo muito estudado na psicologia que é o Gasline. É quando o agressor ele distorce os fatos, ele inverte as situações, ele faz a vítima acreditar que ela está exagerando, que ela está interpretando de maneira errada. E aos poucos ela começa a perder a confiança no seu próprio julgamento e começa a perguntar: "Será que eu entendi errado? Será que é eu que estou exagerando?" E essa perda da referência interna é um dos sinais mais fortes de violência psicológica. Agora, essa autoestima da vítima também, ela vai ser afetada, né, frente a tanto a tanta coerão dentro desse ambiente, a vítima ela começa a acreditar que ela não faz nada certo e tudo que acontece dentro da casa é culpa dela. Ela passa a pedir desculpa o tempo todo, mesmo sem ter feito nada errada. Quando ela fica pedindo desculpa, ela acha que o problema é ela. Isso ele não vai surgir de repente. É um resultado de pequenas violências. São as pequenas violências que vão minando a confiança da vítima ao longo do ao longo do tempo, né? Ao longo do tempo, a confiança dela vai sendo minada. Outro ponto importante que nós temos que observar também é o isolamento. Ela começa a se afastar dos amigos, dos familiares. Ela começa ali se afastar dos compromissos, às vezes por vergonha, às vezes porque ela não tem energia emocional para se socializar. Ou até porque às vezes o parceiro ele começa a se dificultar, começa a colocar ali empecílios para que ela não entre em contato com as pessoas. E esse isolamento ele vai enfraquecer ainda mais emocionalmente a vida, deixando ela cada vez mais vulnerável. Excelente. Agora, na violência patrimonial, só concluindo agora violência patrimonial, né? O impacto psicológico ele vai aparecer de outro jeito. Uhum. Né? Quando a mulher ela pede o acesso ao dinheiro, aos aos documentos, quando ela precisa começar a pedir permissão ali para comprar uma roupa, para eu eh fazer uma unha, para ela poder sair de casa, isso vai gerar nela sensação muito forte de dependência e humilhação. ela se sente presa, ela começa, ela começa a ver se tem saída dentro desse relacionamento e essa sensação de aprisionamento é um dos sinais marcantes desse tipo de abuso, né? E outro indicador é a confusão mental. A confusão mental aquela começa a ter dificuldade de tomar decisões simples, corriqueiras do dia a dia, ela começa a ter essa dificuldade, ela começa a ter esquecimentos, uma insegurança constante. E isso acontece porque a vi a vítima, ela vive sob pressão emocional todos os dias. Então, quando a gente junta a atenção contínua, mais tímida, a dúvida sobre a sua própria percepção, o isolamento, o medo, a confusão e a sensação de dependência, a gente tem aqui um retrato muito claro da violência psicológica e patrimonial. Nossa, gente, é eh pesado, né? Mas importante, muito bem explicado, Isabel. Obrigada, viu? eh eh pela sua explicação, porque agora a gente vai eh pro lado jurídico, né, o lado do direito. Então, a gente pergunta paraa nossa doutora hoje quando eh tudo isso, né, que a Isabel falou, que a nossa psicóloga disse, quando a ameaça, o controle se manifestam, doutora, qual que é o primeiro passo legal que a vítima deve tomar para se proteger e como que funciona a solicitação de uma medida protetiva de urgência? Porque às vezes as pessoas, as mulheres ouvem falar sobre medida protetiva e elas acham assim: "Ah, eu vou lá, eu faço uma denúncia e já tem a medida protetiva." Gostaria que você explicasse. E e quando a gente identifica esses sinais, que foi muito bem eh pontuado pela psicóloga, né? Eh, o que a gente deve fazer? O que que o direito nos traz? Bom, a primeiro pontuar que a explicação da Dra. Isabel foi excelente, né? Com relação aí a essas etapas da percepção da violência. Eu acho que a primeira atitude que a mulher tem que tomar quando se vê neste momento, nessa situação de um ciclo de violência doméstica, é se fortalecer emocionalmente e se preparar para uma uma separação. E aí vai depender de caso a caso qual seria esse primeiro passo. Primeiro, a mulher, ela precisa identificar se ela sente, ela se sente em risco, porque vamos lá, eh, a medida protetiva da da Lei Maria da Penha, né, que foi um mecanismo criado aí em 2006, após muita luta de, eh, dos direitos das mulheres, né, para a efetivação desses direitos que já estavam garantidos em diversos tratados de direitos humanos, mas ainda não existia um corpo jurídico adequado. Eh, esses mecanismos, eles prevêm o afastamento do agressor da vida da mulher. Então, assim, a interrupção da comunicação, eh, a proibição de contato tanto com a vítima quanto com seus parentes, testemunhas e por aí vai. E às vezes essa medida protetiva, ela se mostra eh até um pouco se ela se mostra necessária, obviamente quando a mulher se sente em risco, quando existem claros sinais de que aquela violência psicológica, né, aquele gaslighting, como a doutora mencionou, aquela aquela violência patrimonial, que é uma coisa mais sutil, quando existem eh indícios que isso vai evoluir para algo mais crítico, mais grave, né, uma violência física mesmo até um feminicídio, A vítima deve procurar uma delegacia eh especializada, né? Delegacia da mulher. Aqui no estado de São Paulo a gente chama ela de DDM, né? Delegacia da mulher. Em outras em outros estados tem nomes diferentes, né? Então tem deamos. Depende muito do estado. Vamos falar aqui no contexto do estado de São Paulo. Eh, ela deve procurar uma delegacia da mulher. Nem toda a cidade tem essa esse equipamento, né? Cidades menores não têm. Então, as mulheres devem procurar a delegacia normal do município, né, delegacia comum, ou as cidades menores ainda devem procurar as delegacias do municípios mais próximos eh para pedir para solicitar essa medida protetiva de urgência. Essas medidas elas elas podem ser solicitadas diretamente na delegacia. Existe também o serviço de delegacia online, no qual a mulher pode solicitar esse serviço também online. Novamente, isso é pro estado de São Paulo. Eu não estou, eu não tenho como dizer saindo aqui do estado de São Paulo, porque cada estado tem a sua Secretaria de Segurança Pública, né? Aqui no estado de São Paulo, a Polícia Civil ela tem, né, o no site da Polícia Civil existem ali a possibilidade de fazer vários tipos de boletim de ocorrência, entre eles por violência doméstica e solicitar uma medida protetiva de urgência. Esse esse pedido ele vai ser encaminhado pela delegacia com urgência para a para o juiz que vai aceitar ou não o pedido de eh de proteção, né, de instauração dessa medida protetiva. Aí o juiz vai determinar que tanto a vítima quanto o agressor sejam intimados dessa decisão. E a partir desse momento, o agressor não pode mais entrar em contato com a vítima, não pode mais se aproximar da vítima. Eh, se o agressor for eh tiver posse de arma, né, posse ou porte de arma, esse posse ou porte pode ser suspenso. E outras existem outras ali eh medidas também previstas, como a o afastamento do agressor do lar, né, quando existe aí uma coabitação e a vítima está em sério risco de vida, o juiz entende pelo afastamento desse homem do lar. Então, o oficial de justiça, ele vai lá [limpando a garganta] e avisa e intima o agressor a deixar o lar, né? Então ele acompanha esse agressor nessa retirada. A pessoa pode tirar seus documentos, pertences pessoais, mas deve ser retirar do lar. Uhum. E a partir desse momento, então, a vítima está protegida aí por essa determinação. É claro que, infelizmente, existem homens agressores que de tão violentos, eles acabam ah burlando essa medida e causando aí os mais diversos eh atrocidades, como a gente viu aqui no começo do programa, né? Eh, eu não tenho conhecimento se esses esses homens eles já tinham algum tipo de medida protetiva instaurado, mas é comum, infelizmente, quando existem esses casos mais graves já existirem essas medidas protetivas e aí o agressor acaba que ele não liga, né, para isso e e acaba cometendo esses crimes. Mas falando do grosso, assim, da grande maioria, existe sim uma tendência a se obedecer, né, essas essas determinações judiciais. Agora existe um outro lado, só para complementar, que é a questão da às vezes não existe a necessidade de você da vítima pedir uma medida protetiva, né? Eh, geralmente quando existe uma uma violência, né, psicológica, mas assim, o simples ato da vítima solicitar ali o início de uma separação, de um divórcio, quando existe casamento, eh, ou o fim da união estável, quando existe uma união estável, já é suficiente para encerrar aquele ciclo, né? E aí muitas vezes existem questões que o casal ainda precisa resolver, filhos, às vezes existe ali um negócio em comum, uma atividade comercial em comum. Então assim, a medida protetiva ela se mostra acaba até sendo inóqua no sentido de que assim aquele casal vai ter que continuar a se falar, não vai adiantar nada pedir medida protetiva, porque existem aí outras questões, né? Então, se a mulher não se sente em risco, eh, se ela acha que já é suficiente simplesmente encerrar o relacionamento, é hora de procurar uma assistência jurídica para dar início, então, ao divórcio, ver questões de partilha de bem, pensão para os filhos e outras coisas que venham ali dependendo de caso a caso. Muito bem, Dra. Natália, agora eh, no seu, eh, tempo de trabalho, né, e trabalhando, lidando com mulheres também, qual que é a avaliação eh eh jurídica que a doutora faz sobre a importância do conhecimento de nós mulheres referente a esse ciclo de violência? Qual que é a sua avaliação sobre isso? qual que é a importância de nós conhecermos e tomarmos de repente uma atitude no início, né? Eh, na primeira alteração de voz, ã, no primeiro, a primeira batida de porta de geladeira. Bom, eh, aí a gente tá num campo um pouco mais da área da psicologia, né, do campo da Dra. Isabel. Eh, é hora da vítima se questionar, da vítima, da mulher se questionar se aquele relacionamento deve ou não continuar, né? Eh, se existe aí a possibilidade de um diálogo com esse homem, porque vejam, todos nós somos, todos nós e todas e todos nós somos criados numa sociedade extremamente machista, né? Então, o homem ele se vê no direito de bater porta, falar mais alto, né? Aquela coisa, bateu a bateu a mão na mesa, né? Porque existe essa cultura. Às vezes existe a possibilidade de um diálogo, né, de tentar ir falar: "Olha, aqui não, aqui não, aqui a gente não vai permitir, eu não vou permitir eh homem batendo na mesa, aumento de voz, né? Às vezes existe aí uma possibilidade de mudança de comportamento, mas nem sempre. Se mesmo com o diálogo a situação permanecer e e pior escalar é hora de encerrar esse relacionamento, né? E dependendo ali da reação desse desse desse homem, desse agressor, solicitar essas medidas protetivas para garantir que esse relacionamento de fato vai se encerrar ali. Excelente, doutora. Vamos lá, Isabel. Olha só, né? Eh, muito boa a explicação de vocês duas. Eu acho que eh é um pacote de informações que a gente deve levar paraa vida e repassar paraas nossas amigas, paraas mulheres da nossa família, porque é importante a gente conhecer esse ciclo da violência. A Isabel muito bem trouxe, né, eh eh sobre os estágios, os tipos de violência. E aí quando a gente fala de ciclo de violência, a gente, eu gostaria, Isabel, que você explicasse pra gente sobre essa questão aí da lua de mel, né? Porque eh tem momentos em que você tá numa situação de relacionamento e acontece uma explosão. E aí até eu já ouvi eh pessoas dizendo assim: "Ah, mas eh essas brigas elas apimentam o nosso relacionamento, né? Porque depois de uma briga, a gente faz uma viagem, a gente entra em lua de mel e tudo volta ser como antes. Gente, precisamos nos atentar essa falsa lua de mel. Isabel, explica pra gente, por favor. Então, quando nós falamos da fase da lua de mel, é importante entender que ela não é um momento de carinho ali da relação, um momento isolado da relação. Ela faz parte do comportamento, de um padrão de comportamento do abusador que a que vai manter a vítima dentro do ciclo. Depois da explosão, como você bem falou, né, que pode ser uma agressão, uma agressão verbal, uma humilhação, uma ameaça. O agressor ele muda competa completamente de postura, né, que é essa fase da manipulação. Ele pede desculpa, ele promete que nunca mais vai acontecer, ele mostra arrependimento. E para quem está de fora como nós, é bem fácil a gente entender. É óbvio que isso é uma manipulação, que é um relacionamento tóxico, mas paraa vítima esse momento tem um peso emocional enorme. E como que ela está fragilizada, vulnerável devido ao turbilhão de emoções, qualquer sinal de tranquilidade, qualquer bandeira branca que esse parceira levanta dentro da relação vai gerar um alívio enorme paraa vítima. E essa alternância entre o carinho e a agressão, a neurociência, ela vai dizer que vai criar um reforço emocional muito grande na vítima. E não é porque a mulher gosta da situação, ela quer ficar lá, ai você não tem vergonha na cara, você fica aí aguentando, não sai do relacionamento, não. Mas é porque o contraste entre a dor e o alívio, aquele alívio momentâneo, ele vai trazer assim, ele vai dar impressão pra vítima que ele é muito mais intenso do que realmente é esse carinho ali naquele momento. E isso vai criar uma ligação emocional confusa com a vítima que vai dificultar esse rompimento. E como a vítima, é como se a vítima dissesse assim: "Ah, agora sim ele entendeu, né? Porque ele pediu desculpa, ele falou que vai mudar, né? Ela quer acreditar que pode dar certo esse relacionamento, porque existe ali tudo uma história construída, uma expectativa, sentimento e os vínculos que ela não quer perder, né? E isso não é ingenuidade da vítima, né? Muitas vezes há uma influência da família, da cultura, da religião, de frases como tipo assim: "Ah, mas ele é bom para você". Você viu que vocês foram viajar, né? foram viajar, foi tão bom, ele não deixa faltar nada para você. E esse tipo de fala, ele acaba reforçando essa permanência da vítima no lugar. Então, a fase da lua de mel, ela também confunde, porque o agressor ele volta a se comportar como no início da relação que ele daí ele fica todo amoroso ali, é quando tudo parece saudável pra vítima. E é exatamente isso que mantém o ciclo funcionando dessa vítima. Excelente. É o ponto de partida, né, de um novo ciclo de violência, né? Então tudo começou, aí você terminou lá na lua de mel, aí da lua de mel, daqui a pouco tem a explosão e é um ciclo vicioso. E essa lua de melon eh quando a gente fala da questão jurídica, né, doutora? Porque eh quantos casos nós vemos de mulheres que acabam se arrependendo eh de pedir a medida protetiva e vão lá correndo e pedem para que a medida protetiva seja suspensa porque eles já se acertaram, porque o o eh o marido, enfim, né, a pessoa que está do lado dela ali, ã, já virou um anjinho novamente, né? Essa lua de melh eh do judiciário, doutora. Sim, infelizmente, né? E é uma coisa interessante de observar na evolução desde a criação da Alem Maria da Penha, da Promulgação em 2006, é que já houve uma evolução muito grande ali, no sentido de que no início existia a possibilidade da vítima, abre aspas, retirar a queixa, né, que é principalmente quando existe aí um crime de lesão corporal, eh porque é o que o Código Penal prevê, que é um um crime que você pode eh não dar continuidade ali na denúncia, né? Porém, já há alguns anos, a o entendimento de que quando uma lesão corporal, ela ocorre dentro de um contexto de violência doméstica, o processo vai continuar, independentemente da vítima ir lá e abre aspas retirar a queixa ou não, ou de dizer que quer dar continuidade a esse processo ou não. Da mesma forma, a as medidas protetivas antigamente elas tinham ali a obrigatoriedade de que a vítima, por exemplo, iniciasse um processo de divórcio para que a medida protetiva continuasse vigente. Nós sabemos que um processo de divórcio é algo muito complicado, né? começar aí a ver questões patrimoniais, principalmente, muitas vezes a vítima não dá conta de dar continuidade ao processo de divórcio, o que não quer dizer que o casal não esteja separado. O casal pode continuar junto, eh separado, mas separado de corpos, né, como nós dizemos no direito, mas o ainda existe o vínculo matrimonial, porém eh já há uma separação. Antigamente, né, há uns 10 anos atrás, a a lei exigia que existisse ali um processo de divórcio para que as medidas protetivas continuassem vigentes. Hoje em dia não é mais assim. hoje em dia, como está funcionando atualmente, a cada 6 meses, essa vítima é notificada para dizer se ela ainda se sente em risco e se deseja continuar ali a ser protegida, né, pela pelas medidas protetivas ou não, né? Então, a a as medidas protetivas elas não caem novamente, entre aspas, né, automaticamente elas continuam vigentes enquanto a vítima se disser que está em risco. Eh, é necessário entender também que são coisas separadas, né, a denúncia que a vítima faz com relação à violência e a medida protetiva. A denúncia que a vítima faz com relação à violência, ela vai continuar a ser investigada, né? Como eu falei, antigamente ela tinha a possibilidade de tirar a queixo. Hoje em dia, essas essa investigação continua. O que vai ser questionado perante a vítima é se ela continua ou não se sentindo em risco. E sim, infelizmente, eh, acontece muito da vítima, né, nesse ciclo de lua de mel aí, de briga, lua de mel, ela tentar voltar atrás no processo, dependendo da situação, ela até tem um certo êxito, porque ela não vai mais comparecer ali, por exemplo, dar o seu depoimento, eh, mostrar provas, levar testemunhos, ela não dá continuidade àquele processo, aquela investigação policial, né? Porém, a investigação ela pode e deve continuar, mesmo sem a vítima dar continuidade aí nesse acompanhamento, né? é papel do estado, estar ali atento e ver o que está acontecendo, mesmo se a vítima fala: "Opa, eh, não, eu não me sinto mais em risco, mas o estado necessita continuar então a fazer essa investigação, né, tá ali, monitorando o que vai acontecer, porque é isso, existe o ciclo, todos nós sabemos, né, não é só da área da psicologia, no judiciário, a gente também tem esse conhecimento muito grande de que essas coisas elas se repetem, né, esses ciclos se repetem. Então, é papel do Estado monitorar essa vítima para ver ali se realmente eh não existe mais esse risco. Muito bem, doutora. Agora nós estamos falando aqui de agressor e de vítima. E a gente não pode esquecer que quando a gente fala de agressora e de vítima, né, muitas das vezes nós estamos falando aí de um casal e o casal pode ser que tenha aí filhos, né, família. Agora eu pergunto então pra nossa psicóloga, eh, qual o impacto psicológico, Isabel? do ciclo de violência nos filhos, né, que presenciam essas agressões e de repente vê a mãe e o pai eh de bem de novo e fazem parte desse ciclo vicioso. Eh, quando a criança ela cresce em um ambiente de tensão e agressões, mesmo sem ser o alvo direto ali da violência, o impacto psicológico na vida da criança é muito grande. E a psicologia ela mostra décas que criança que são exposta à violência vive em alerta constante. Aí nós vamos, elas percebem o tom da voz, o clima da casa, o olhar dos adultos e esse estado de hipervigilância na vida da criança faz o corpo dela funcionar como ela, se ela estivesse sempre se defendendo. E isso aparece na dificuldade do sono, na irritabilidade, na queda do regimento escolar, na ansiedade, até um um silêncio exagerado. É quando a criança se fecha. ela não fala mais nada. Então é um impacto ali da que ela está vivendo dentro daquele ambiente eh tóxico, né? Outro ponto é que a criança ela começa a interpretar toda essa demanda dentro do relacionamento dos pais, tudo como uma lógica infantil. E nessa lógica, a culpa sempre cai sobre ela. Sempre ela acha que ela é culpado porque o que que está acontecendo dentro desta casa. E essa é uma marca, é uma das marcas mais profundas desse ambiente. E no rompimento, o principal é garantir a segurança emocional para criança. Então nós precisamos garantir a a segurança emocional dessa criança. É importante que ela perceba que a mãe está sendo amparada e que alguém está cuidando dessa situação, que alguém tá cuidando ali da situação, cuidando da dessa mãe. E quando a mãe tem um suporte psicológico, familiar ou legal, a criança sente essa segurança e os efeitos emocionais eles começam a diminuir. Por isso a a pequenas ações, né, nesse momento conta muito, que é manter uma rotina simples a criança, é receber o apoio emocional para que a mãe esteja fortalecida, é nomear as emoções de forma clara paraa criança, dizendo para ela assim: "Ah, isso não é culpa sua, nós estamos cuidando de tudo, né, para acalmar o coração dessa criança. E quando a mãe está fortalecida, a criança fica ainda mais segura também. Muito bem, doutora. Eh, a justiça nos casos, né, eh, de violência, eh, e de medidas protetivas, eh, tem um apoio para essas crianças também, um apoio psicológico, como que funciona? Olha, existe quando existe uma violência contra a criança, e infelizmente isso é muito comum, quando existe uma violência contra a mãe, automaticamente a coisa vai se estender pra criança em algum momento. Às vezes, inclusive utilizando-se a criança como instrumento de vingança da mãe, né, chamada violência vicária. Então, o pai tem direito a visitas, enquanto está ali eh naquele momento de visita, ele vai agredir a criança, eh xingar ou até mesmo falar mal da mãe, colocar a culpa na criança pela situação ali da violência, né? Enfim. Eh, existem existe, o advogado vai saber como lidar com isso dentro de processo, dentro de cada caso concreto em si. Eu acho que a maior h evolução que nós tivemos nos últimos anos é a mudança que teve na legislação em 2023, eh, na legislação que na legislação da guarda compartilhada. Eh, a guarda compartilhada é uma eh uma realidade que existe aí no direito de família brasileiro desde 2012, né, que prevê ali que se ambos os pais estão aptos para exercer a guarda, ambos podem exercer, então tomar ali eh tomar decisões sobre a vida da criança. Porém, em 2023 eh abriu-se uma exceção para essa possibilidade de guarda compartilhada, que é a violência doméstica. Uhum. Em se existindo violência doméstica, [limpando a garganta] a o direito brasileiro, né, o Estado brasileiro entendeu que existindo violência doméstica, esse pai não vai estar apto para ser o guardião da criança. Claro, não ter a guarda não significa perder o contato, não é isso, né? Ter visitas interrompidas, não é isso. Eh, significa que ele não vai estar mais apto a tomar as decisões pela vida da criança. Essas decisões elas vão estar totalmente ali na nas mãos da mãe. Por quê? Porque se o pai está fazendo uma violência contra a mãe, eh, entende-se atualmente que essa violência ela estende-se contra a criança também, né? E dentro do caso concreto, então do dentro do caso de direito de família ou até mesmo do caso criminal, podem se abrir ali, então, denúncias por violência contra as crianças, né? Então se identifica que existe ali um durante as visitas eh agressões, xingamentos, maus tratos. A mãe pode pode e deve comunicar isso à equipe jurídica que lhe atende nesse divórcio, né? O advogado, advogada que lhe atende nesse divórcio e ser orientada para tomar as devidas as devidas os devidos encaminhamentos para que, por exemplo, essas visitas sejam suspensas, né? para que essa essa violência doméstica ela chegue até o conhecimento do juiz e que o juiz vai tomar ali as decisões de acordo com o que tá sendo apresentado ali na no processo. É isso, gente. O impacto, né, nas crianças é devastador, é silencioso e muitas vezes durador. Romper o ciclo não é apenas um ato de proteção da mulher, mas de toda a próxima geração. O medo é ainda o maior obstáculo, obstáculo. Por isso é essencial a gente reforçar onde essa vítima pode buscar ajuda imediata, né? Além das polícias, doutora, quais outras portas de entrada para denúncia e acolhimento do Brasil? Ministério Público, eh delegacias especializadas, centros de referência, CRAS, CREAS. Eh, essa mulher, ela ela tem o apoio eh para o primeiro passo que ela deve dar diante dessa violência, né? É bom. Você citou aí várias portas de entrada, né, para mulher que busca aí a proteção estatal. Então, nós temos o judiciário, a polícia, o Ministério Público também é uma porta de entrada. Aqui em Campinas nós temos um excelente serviço que é o SEAMO. Num, o é um centro de orientação a à mulher que se encontra ali numa situação de violência ou de vulnerabilidade social. E uma coisa muito importante que eu esqueci de mencionar, Rúbia, dentro da do contexto de violência doméstica é a necessidade de que exista um acompanhamento multidisciplinar. Então, nós eh estamos falando necessariamente de acompanhamento jurídico, acompanhamento psicológico e de assistência social, né? O SEAM ele oferece aí esse encaminhamento, eh, ele identifica se existe, por exemplo, necessidade de uma ida ao médico, né, caso exista ali uma tenha a ocorrido uma violência mais grave, uma violência física ou sexual que necessita ser avaliada por um profissional de saúde, né? Então, hã, em Campinas, especificamente, nós temos esse esse serviço. Muitas cidades oferecem, né, serviços semelhantes. Eh, existem também muitas ONGs que, né, estão se multiplicando, que fazem um atendimento dessas mulheres e orientações gratuitas, né? Então, eu destaco a iniciativa da Mulheres pela Justiça, que é uma ONG que que atende então gratuitamente essas pessoas, né? Então existem várias maneiras das mulheres eh buscarem ajuda, né? E assim, falando de maneira mais para população em geral, né? Eh, existia aquele ditado que em caso de violência, né? Eh, briga de homem e mulher não se mete a colher, né? É papel da gente também, de todos os cidadãos e cidadãs hoje em dia, eh entender que se existe uma violência e se aquilo está ultrapassando ali os limites, né, da do lar conjugal, então uma coisa que é visível para fora da relação, eh chegar nessa vítima e conversar, oferecer apoio, oferecer suporte, falar: "Olha, você não está sozinha, você tem o nosso apoio." Se você tá eh presenciando isso junto a sua, alguém da sua família, né? alguém eh próximo a você. Eh, então assim, você vai ter o meu apoio enquanto familiar ou o meu apoio enquanto amigo, enquanto amiga ou enquanto pessoa membro da comunidade religiosa, enfim, eh demonstrar para essa mulher que ela não está sozinha, né? Eh, também se informar acerca do que ela pode, do que esse essa pessoa, essa terceira pessoa pode fazer para ajudar essa mulher. Então, olha, vamos lá. Eu marquei uma consulta com uma advogada, eu marquei um horário para você no SEAM, eu pesquisei aqui, você pode fazer uma denúncia no site do Ministério da Justiça, no site da Polícia Civil. Eu vou com você na delegacia para te dar o apoio para pedir a protetiva, né? Então é algo que assim todos nós podemos eh e devemos fazer um pouquinho por essas vítimas, né? Eh para que ela não se sinta tão sozinha, não se sinta julgada, né? não se sinta eh tão isolada nesse momento tão difícil. Muito bom, doutora. Porque essa questão do apoio, né, da rede de apoio, porque a mulher que passa por essa situação, muitas vezes ela acaba perdendo as forças, né? Esse negócio de que a mulher é forte e tal, gente, não é bem assim. Ela pode representar uma força externa, mas para ela conseguir se levantar e ir buscar ajuda, de repente ela não tem essa força que ela representa. E aí vem a importância dessa rede de apoio, né, doutora, eu gostaria, Isabel, que você eh falasse pra gente um pouquinho, já estamos quase terminando o programa. Olha só o assunto tão importante, né? Já são 8:55. A gente tem ainda perguntas, acho que a gente consegue responder só duas perguntas, tá, produção? Mas eh eh Isabel, por favor, essa questão do medo, né? E essa questão eh de que a mulher ela representa uma fortaleza, mas se ela está passando por esse ciclo de violência, ela não está tão forte quanto parece. E tudo que a doutora pontuou paraa gente referente à busca eh eh de eh aliás a a oferecer o apoio para essa mulher, gostaria que você salientasse dessa importância dessa rede. É, então é importante a gente entender, entender, né, que quando a gente fala, né, da tudo isso que a que a doutora trouxe agora, para que a gente possa superar o ciclo da violência, é essencial deixar claro que esse processo ele não é linear, né? Ele vai ter as oscilações no meio do processo, né? Isso não significa fraqueza. Isso significa que a pessoa, ele está lidando ali com uma situação que desgasta emocionalmente, que envolve medo, que envolve uma dependência e é muita confusão interna. Não é tão fácil assim, tão óbvio como é para nós que estamos de fora. Sim. E antes de qualquer coisa, a mensagem que nós precisamos deixar para nossas nossas ouvintes é assim: Não se cobre perfeição. Uhum. É muito comum nesse nesse processo aí do rompimento, ela sair, voltar, sentir dúvida, se perguntar se é tão grave mesmo. Isso não é fraqueza, é um efeito psicológico do ambiente. Então nós precisamos ter bem claro isso. Daí a psicologia, ela já vai descrever aqui isso há décadas. Quanto mais a pessoa ela vive sobre esta tensão, mais difícil fica para ela tomar decisões rápidas, tá? Então, a saída ela não acontece num salto. Uhum. Ela começa de um passo de cada vez, um passo simples. E cada passo é importante, cada passo conta. Agora, se a nossa, nossos ouvintes, ela se identificarem, se reconhecer em tudo aquilo que foi abordado aqui hoje, ela precisa saber que ela não está sozinha, que ela tem realmente assim essa rede multidisciplinar toda, tem eh a questão legal, a questão psicológica, tudo que vai dar esse apoio e essa mudança é possível e ela não precisa fazer tudo sozinha. Porque ela busca ajuda, ela tem que buscar ajuda, buscar apoio, converse com uma pessoa de confiança, saiba que tem alguém por trás que vai dar esse apoio todo para que essa mudança aconteça. E a gente venha quebrar esse ciclo. Exatamente, né? Que a gente venha quebrar este ciclo e que a gente não venha mais noticiar, né? Eh, eh, informações que acho que mexem, né, com todas nós mulheres e que dói profundamente na alma. a gente eh noticiar e ler e ver coisas que acontecem com uma naturalidade horrorosa, né? Como nós vimos no sábado, uma mulher sendo arrastada debaixo de um carro por quilômetros. Eh, lamentável. Vamos lá. 8:59. Nós temos algumas perguntas. Então, seguinte, gente. Ah, vamos duas perguntas. Eu acho que a gente consegue, né? até acho que 9:10. Então vamos lá. Eh, produção, pode colocar na tela pra gente, por favor, a Dra. Natália e a Isabel. Então, vão responder as perguntas dos nossos telespectadores. A Sara Nunes da Vila Teixeira diz assim: "Olha só, muitos parceiros exigem senhas do celular ou monitoram redes sociais. Em que momento esse comportamento deixa de ser insegurança e se torna violência?" Hum. Vamos lá, então, doutora. Eh, mas a senhora ou a psicóloga, que agora eu fiquei confusa, porque em que momento, né, eh, essa questão de exigir senha de celular, monitorar a rede se torna violência? Vamos lá. Eu primeiro. Vai lá, por [risadas] favor. Olha, eh, o exige senha de celular é uma coisa, eu considero grave, né? Você falar assim: "Eu exijo que você me dá a senha". Eh, sim, de é uma é uma forma de violência. eh, psicológica, até patrimonial, né? Eu já tive casos de companheiros que exigiam a senha do celular para monitorar a conta do banco. Uhum. Então, assim, grave, né? Eh, por quê? Porque para ver onde a mulher tá gastando. Eh, enfim, para fazer fazer esse fazer esse monitoramento completo, né? É uma violência de uma uma forma de violência psicológica, sim, né? Agora, os efeitos jurídicos que isso vai ter, eh, é uma coisa que vai depender muito do caso a caso, né? Se a mulher deve fazer ou não uma uma denúncia pra polícia, né? De qualquer forma, é um sinal assim vermelho, um alerta, não é nem vermelho, é um alerta roxo de que sai fora dessa relação, porque isso é grave, né? Monitoramento de redes sociais, a pessoa fica lá o dia inteiro vendo quem quem deu like, quem, né? Quem que curtiu, comentou. eh, enfim, também, né, monitorando através da também da senha quem que tá interagindo ali com a mulher. Eh, é, sem dúvida nenhuma, uma forma de de violência psicológica bem complicada, bem grave, que se agrava muito, né, com a realidade da das redes sociais, das redes virtuais, né? O que que é um like, né? O que que é um curtir? Eh, a pessoa pode interpretar aquilo como algo absolutamente banal, eh, mas pode interpretar aquilo como uma traição e aí dar início a uma discussão, a uma briga que pode culminar numa violência mais grave. Então, eh, bom, é isso, é um alerta muito importante, né, paraa mulher eh, se perceber dentro de um contexto de violência. E se isso tiver desdobramentos, por exemplo, eles aproveitou a senha do celular para eh pegar fotos íntimas, distribuir aí para outras pessoas, para usar a sua conta de banco para fazer compras, para fazer dívidas, né? Isso vai ter complicações jurídicas mais sérias e a mulher pode deve procurar ajuda judicial. Pois é, né? É algo assim que até deu uma parada assim porque quando chegar a ponto de parceiro exigir a sua senha de celular para te monitorar é bem delicado. Sem julgamento, gente, mas eh nós precisamos estar atentos, né? Eh a que ponto a gente chega nessa questão do ciclo eh da violência contra a mulher, né? Vamos lá. 92. Nossa, dá entala, sabe? Fica aqui assim, porque o negócio é pesado. E eu vou falar um negócio para vocês. Eh, o que a gente tá falando aqui é algo que acontece. Eu já passei por ciclos de violência e você sabe que quando eu passei por essa situação, eu não imaginava, eu não tinha noção que isso era um ciclo de violência e demorou para que eu entendesse que isso estava acontecendo comigo. Então, por isso que eu digo aqui, sem julgamentos. Às vezes a mulher está nessa situação, mas ela não consegue reconhecer. Então é por isso que a gente tá aqui passando a informação para você, que hoje você possa virar uma chave, dar o primeiro passo, ah, mas eu não vou sair de casa. Não, não é sobre isso, é sobre reconhecer. Você precisa aprender a reconhecer os ciclos e a partir desse momento você ir trabalhando isso com você para que você possa num momento oportuno começar a tomar atitudes, pequenas atitudes diárias, pequenos movimentos diários que vão eh trazer para você uma, de repente uma libertação, mas isso demora a acontecer. Então, sem julgamentos, tá bom? Gente, esse ciclo de violência pode acontecer comigo, com você, com todas nós. O importante é que a gente reconheça e comece a processar essas informações, tá bom? 94. Vamos lá, mais uma pergunta agora para Isabel e a gente já encerra. Vamosora, produção. Programa um pouco delicado hoje, mas a gente precisa falar sobre isso. É muito importante. André Santos do Parque Prado, quando alguém começa a se afastar da família e dos amigos por causa do relacionamento, isso já pode ser um sinal de violência emocional? Vamos lá, Isabel. Sim, né? Esses são sinais claros, como eu já disse anteriormente no começo, que o ela já começa a se afastar da família, dos amigos, dos compromissos, muitas vezes porque ela não tem mais emoção, ela não tem assim, ela está emocionalmente doente, ela não quer mais também se relacionar com as outras pessoas, até para que as pessoas não percebam que ela está vivendo. É, é. E da e também o agressor ele começa a colocar essa dificuldade ali. Daí como ela acha que o problema está nela, que essa é a forma de amor que ela aprendeu durante toda a vida dela, é a referência que ela tem de amor e ela acha que o parceiro está querendo proteger, ela acaba cedendo e mas isso se configura sempre como uma violência. Muito bem, gente. Olha, eh, tá na hora de encerrar, produção. Deixa eu ver. 9. Dá tempo para mais duas ou mais uma? Vamos lá. Vamos lá. Vamos atender aí os nossos telespectadores. Pode colocar mais uma, por favor, pra gente ver quem é que tá conosco. Qual que é a dúvida? Estamos falando aqui sobre ciclos de violência com uma psicóloga e também uma advogada. Importante a gente conhecer sobre eh esse esse processo, né, que pode acontecer. Sim. A Patrícia Medeiros do Nova Campinas. Como alguém pode montar um plano de saída seguro quando vive com medo do que o agressor pode fazer se descobrir que ela quer terminar? Olha só que pergunta da Patrícia, doutora. Complexa essa pergunta. Pois é. Eh, bom, novamente, inicialmente, um plano de saída seguro envolve necessariamente um preparo emocional. Uhum. porque recaídas vão acontecer, eh, dependendo aí da situação, né, filhos, questões financeiras, elas vão surgir, né, essas questões elas vão surgir. Então, é muito importante um apoio, buscar um apoio emocional, eh, se possível um um apoio de uma de um psicólogo, de uma psicóloga e também fortalecimento junto a sua comunidade, junto a sua a sua rede de apoio. Agora, se existe um medo tão grande, né, de que a o parceiro descobrir que ela tá tentando terminar, é hora de pensar em pedir uma uma medida protetiva de urgência. Sim, exato, né? Porque se já existe, veja, eh, a medida protetiva, ela existe quando a mulher se sente em risco. Se a mulher já tá com medo do que vai acontecer, se esse parceiro eh, se, né, do que pode acontecer quando ele descobrir, quando ele tiver esse esse esse conhecimento, é porque ela já está em risco. Então, se possível, busque ajuda jurídica, busque uma um aconselhamento jurídico e se não houver possibilidade, né, por conta de questões financeiras, eh busque uma ou um SEAM, um centro de atendimento, né, para conversar e um encaminhamento para a delegacia da mulher para pedir uma uma medida protetiva de urgência. Eh, eu prestei muita atenção eh nas palavras, né, eh, que foram usadas nessa nessa pergunta, porque ela tá tentando eh eh um plano de fuga, né? E se você tá tentando um plano de fuga, é porque você está ali querendo fugir de algo que não está te fazendo bem, mas ela está com medo. Então, olha só a que ponto, né, chega a situação que envolve o ciclo de violência. Poxa vida, gente. Isabel, você tá aí com a gente eh sobre essa última pergunta, né? Eh, qual que é a avaliação que você faz da questão psicológica de uma pessoa que tenta um plano de fuga e teme o medo da reação do agressor quando ele descobrir que ela está querendo encerrar esse ciclo? Ah, é. Eu acho que você mutou seu microfone, Isabel. A gente não te ouve. [risadas] Ah, desculpa. Muito bem. Então, aqui é uma uma pergunta muito importante, porque agora aqui nessa situação, a vítima ela já conseguiu identificar que o ambiente que ela está eh vivendo é um ambiente tóxico. Uhum. E ela tem ali um parceiro que é abusador. Esse relacionamento ele está disfuncional, como nós falamos na terapia. Então assim, então ela já reconheceu que é o primeiro o primeiro passo, que ela já saiu dessa bolha quando ela acreditava que aquilo ali era amor, ela cuidado, ela já conseguiu tirar essa venda. Bom, o o próximo passo ela procurar uma pessoa de confiança. Uhum. Para, né, pra pessoa saber o que realmente está acontecendo dentro dessa casa, dentro deste relacionamento, porque muitas vezes essas pessoas elas sofrem sozinha, né? até é silencioso esse sofrimento, esse relacionamento. Então, ela tem que buscar primeiro alguém de confiança para que ela possa ter forças para conseguir romper esse ciclo da do abuso e depois, como a doutora bem disse, buscar esse, né, esse apoio o o da do advogado, as medidas protetivas, tudo aquilo que a lei oferece, que a lei vai ali ancorar essa vítima para que ela consiga romper esse ciclo e sair de todo esse sofrimento. Programa de hoje falando sobre ciclos da violência, né, doméstica para você, mulher que assistiu, importante a gente compartilhar as informações, assim como as nossas entrevistadas fizeram, né, a Dra. eh, Natália trazendo pra gente informações eh do campo jurídico, a Isabel trazendo pra gente uma conversa tão esclarecedora e tão necessária do campo psicológico. Então, a gente agradece, né, essas duas convidadas que nos ajudaram a levar informação e proteção para quem precisa. E, e importante a gente compartilhar essa informação referente ao ciclo da violência. Eu quero agradecer demais você que tá aí do outro lado, você que acompanhou o estúdio Câmara de hoje. Quero agradecer eh a Isabel. Obrigada, Isabel, pela sua participação, viu? Gratidão eh eh por trazer pra gente tanto conteúdo preciso e muita informação. Obrigada mesmo. Eu que agradeço, né, pelo convite. Parabenizo toda a equipe do programa pelo excelente trabalho matinal. Muito obrigada, doutora. Obrigada pela sua disponibilidade. A gente sabe que tem aí um dia muito corrido, mas se disponibilizou com a gente aqui nessa uma hora para trazer informações tão precisas, né, para nós e também para as nossas telespectadoras. Gratidão. Obrigada pela sua participação. Que isso, agradeço demais o convite. Podem contar comigo quando precisarem. Esse esse diálogo é extremamente importante. Eh, nó olha quanto tempo nós já estamos conversando sobre lei, sobre violência doméstica e, infelizmente, essas atrocidades continuam acontecendo sinal que a gente precisa continuar conversando. Então, parabéns à equipe por toda por trazer esse esse debate, esse diálogo e obrigada pelo convite. Nós que agradecemos, né, um diálogo, um conteúdo tão importante que já está disponível no YouTube, você pode repassar para as mulheres, né, que que fazem parte da sua vida e da sua rede de apoio também. E se você que está assistindo, [música] está vivendo algo parecido, procure ajuda. Você não está sozinha, [música] tá bom, gente? É isso. Amanhã nós temos Estúdio Câmara a partir das 8 da manhã novamente ao vivo e amanhã a gente mergulha em um dos dilemas mais comuns [música] do final de ano, né? Vamos falar das dietas de verão e a grande pergunta é: ainda dá tempo de emagrecer para o verão? Tá aí já dia 22, né? Então, amanhã a gente tenta desmistificar essas dietas radicais que prometem milagre, mas colocam a nossa saúde em risco. A gente fala de nutrição, nutrição sustentável, objetivos reais e também da diferença entre perder peso e perder saúde, tá bom? Então, não perca Estúdio Câmara amanhã falando sobre corpo de verão com saúde para o ano todo. É a partir das 8 ao vivo nós esperamos por você. E agradecemos mais uma vez as nossas convidadas, a nossa equipe sempre, né, eh, acertando e trazendo temas muito importantes, convidadas que trazem informações impecáveis pra gente. A você que tá aí do outro lado e daqui a pouquinho a Iria tá chegando direto da central IA de informações, trazendo informação aí atualizada, né, do legislativo aqui de Campinas e também de São Paulo, do Brasil e do mundo. Ao meio-dia, nós temos Câmara Notícia com Gabriel Castro, atualizando as informações do legislativo também. E a nossa programação está impecável, especialmente para você [música] que acompanha a TV Câmara Campinas. Grande abraço, fique bem, se cuide e até amanhã, [música] se Deus quiser. [música] [música] [música] [música] [música]