Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o nosso estúdio Câmara ao vivo hoje, quarta-feira, dia 25 de fevereiro. E hoje a gente fala sobre amor, dinheiro, poder, escolha. Quando você se apaixona, o que realmente pesa para você? O sentimento ou a estabilidade? Durante séculos, o casamento foi um acordo financeiro. Famílias negociavam terras, patrimônio e sobrenomes. O romantismo veio depois. No século XIX, o Dot formalizava alianças econômicas. E recentemente o cinema também trouxe essa lógica de volta no filme Donzela, em que uma jovem é entregue em troca de riqueza. Parece ficção medieval, não é? Mas a pergunta é a seguinte: será que deixamos mesmo de atribuir valor financeiro às relações? Hoje os contratos não são declarados, mas renda, profissão, padrão de vida e status continuam influenciando nossas escolhas. Percebe? A gente tá falando de hipergamia e hipogamia. São termos técnicos que viralizaram nas redes sociais e reacenderam esse debate. O coração escolhe sozinho ou a conta bancária ainda participa da decisão? A gente quer você conosco. Nossos eh convidados já estão com a gente aqui também, então vamos interagindo. Nosso WhatsApp tá na tela. Mande sua mensagem, participe com a gente. Vamos lá. Num relacionamento, o que vem primeiro na sua análise? o status financeiro ou companheirismo. Responde essa pergunta pra gente ou então tem alguma dúvida sobre isso, pode mandar, pode interagir. Nossa produção já tá eh aguardando a sua participação. 199729377. Vamos algumas informações, a previsão do tempo. Daqui a pouquinho vamos apresentar os nossos convidados para nos explicar e falar sobre hipergamia e hipogamia, né? Já ouviu falar sobre isso? Vamos conversar então agora vamos à informação do legislativo. A Comissão de Constituição e Legalidade da Câmara Municipal de Campinas realiza hoje às 2 da tarde a primeira reunião ordinária de 2026 para analisar pareceres de sete projetos. Um dos destaques é o parecer favorável ao projeto de lei ordinária do vereador Ben Lima, que reserva no mínimo 30% das vagas em atividades de artes marciais promovidas ou subsidiadas pelo poder público para alunos matriculados na rede municipal de ensino. A pauta inclui ainda pareceres contrários e favoráveis a projetos que tratam de uso de nome social na administração pública, identificação de pacientes com alergia na rede municipal de saúde, instalação de válvulas eliminadoras de ar no sistema de abastecimento de água, política municipal de incentivo ao uso de câmeras de segurança, alteração no estatuto de proteção animal e também doação diária para a construção de asilo. A reunião é aberta ao público no plenário da Câmara com transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e também pelo YouTube. E falando em assuntos de legislativo, hoje é quarta-feira, então a Câmara de Campinas realiza às 6 da tarde a sétima reunião ordinária deste ano. São sete projetos em votação na ordem do dia. Entre os itens, está em segundo turno o substitutivo total ao projeto de lei 26/2025, que é de autoria do vereador Herbert Ganém. Esse projeto altera a lei 15.449 de 2017 e endurece as sanções administrativas para casos de maus tratos a animais. O texto prevê multas aí de 10000 a 1900 o fix, que é são as unidades fiscais de Campinas. Isso por animal, podendo ser dobradas ou triplicadas em situação como morte, lesão permanente ou reincidência. Também estão na pauta projetos de decreto legislativo para a concessão de diplomas de título de cidadão campineiro, além de propostas que denominem área pública e incluem evento no calendário oficial do município. A a reunião será realizada no plenário da Câmara com entrada pela Avenida Engenheiro Roberto Man 66, no bairro Ponte Preta. a sua participação é muito importante, tem também tem transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e pelo YouTube, OK? Informações do legislativo para você. Agora a gente eh vai com a previsão do tempo pra cidade de Campinas, né? Vamos ver como é que fica o tempo hoje aqui na nossa metrópole. Mínima 21, a máxima é de 27º. A previsão do tempo indica que nós temos sol entre nuvens agora de manhã, mas à tarde e à noite podemos ter pancadas de chuva, tá bom? Mínima 21, máxima 27º. Uma ótima quarta-feira para você. Estamos ao vivo com a Estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. E agora a gente vai falar do tema de hoje, hipogamia e hipergamia. Para entender esse momento, a gente precisa olhar aí as mudanças sociais, né? Recentemente, o Supremo Tribunal Federal decidiu que pessoas com mais de 70 anos, ela podem escolher livremente o regime de bens no casamento. Uma decisão que acaba reforçando a autonomia e enfraquece o antigo rótulo do, lembra? Golpe do baú. Ao mesmo tempo, cresce no Brasil um mercado de relacionamentos em que estabilidade financeira não é detalhe, é critério. E é aqui que entram os conceitos, né? hipergamia, que é a busca por um parceiro com maior nível socioeconômico ou estado, historicamente associado às mulheres, principalmente quando dependiam financeiramente do casamento. E hipogamia, que representa o movimento inverso, mulheres que alcançaram independência e sucesso profissional e passam a se relacionar com homens de menor renda, priorizando a parceria emocional. E há um dado importante nisso. As mulheres hoje são maioria nas universidades brasileiras. e ampliaram a presença no mercado de trabalho e também já chefiam grande parte dos lares do país. Isso muda o jogo, muda expectativas, muda a dinâmica de poder dentro dos relacionamentos. Então, a questão que conduz o programa de hoje é clara: A gente tá vivendo uma revolução afetiva ou apenas eh uma versão moderna dos antigos contratos sociais? Pronto, agora sim vamos apresentar a nossa dupla de hoje que vai analisar comportamento, economia, emoção. A gente recebe dois especialistas que vão nos ajudar a entender se amor e dinheiro competem ou convivem dentro das relações contemporâneas, né? Estudo de o estúdio Câmara de hoje só tá começando. Vamos tentar entender tudo isso aqui no estúdio comigo a psicóloga e sexóloga Júlia Medeiros, que entende tudo sobre a cabeça e o desejo dos casais modernos. Ela vai explicar pra gente sobre o tema de hoje. Bom dia, bem-vinda, Júlia. Obrigada, querida. É um prazer enorme estar aqui com vocês hoje. Maravilha. Prazer é todo nosso. E direto do Rio de Janeiro pelo Zoom, a gente recebe o filósofo, o escritor Renato Nogueira, autor de livros fundamentais sobre natureza do amor e das relações humanas. Renato, seja bem-vindo. Bom dia. Bom dia para todas as pessoas que estão nos ouvindo, Priscila, Júlia e toda a equipe que tá aqui conosco também trabalhando aqui, tornando esse programa possível. Muito obrigado pelo convite. Nós que agradecemos a disponibilidade de vocês, nossos convidados de hoje, essa nossa dupla que vai nos ajudar a entender ah sobre esses relacionamentos, né? A gente começa com você, Renato. Durante muito tempo, né? Os nossos avós ouviam uma frase: "É preciso casar bem". É preciso casar bem. Então, casar significava estabilidade financeira. Hoje, quando uma mulher ganha mais que o parceiro, ainda existem olhares atravessados, comentários velados, piadinhas em rodas de amigos, então nem se fala. Conta pra gente, por que que a hipogamia ainda provoca tanto desconforto cultural assim? Júlia, obrigado por essa questão, tá? Vou fazer um panorama muito rapidinho aqui, tá? De uns 60 segundos, mais ou menos. à vontade. Eh, quando fala hipogamia e hipergamia, nós estamos a falar de um sintoma do patriarcado, porque é relacionado aos casamentos, as relações heteroafetivas e a posição da mulher que determina esse conceito, essas categorias, ou seja, hipo, menos, gamia, casamento, união, significa que a mulher ela se relaciona com o homem com menos status simbólico, que pode ser renda, pode ser recurso, pode ser posição, né, naquela sociedade que eles estão. E a hipergamia, quando ela casa com um homem que tem mais status simbólico, pode incluir renda, né, patrimônio, algum tipo de, digamos assim, eh, de fama, de status em geral, ou seja, que tá em jogo. Por quê? Numa sociedade, uma cultura patriarcal, a gente tem um binômio, né? O homem provedor e a mulher que é dependente econômica. Isso é uma história de longa duração. A gente encontra isso no Engels, né, que foi, né, filósofo, socióloga com Carl Marx, que vai falar da origem, né, do trabalho, da propriedade privada. A gente encontra isso nos estudos feministas, encontra isso em estudos mais contemporâneos que vão apontando para isso no campo da antropologia das emoções, né, no campo da ética, no campo da filosofia, onde eu tenho atuado, pesquisado. Então, causa malestar, porque nosso imaginário, ele tá marcado, constituído para uma relação onde o homem tem que ser o provedor e a mulher é aquela que cuida do espaço doméstico. Então, patriarcado, sexismo, machismo, misogenia estão atrelados a isso e essas e são estruturais. Por essa razão causa espanto, porque há uma desigualdade estrutural de gênero. Excelente, Renato. Parece que a igualdade econômica ainda desafia imaginários muito antigos, né? Agora a gente vai e eh com a primeira pergunta pra Júlia. Jáará, muitas mulheres conquistam espaço, liderança, independência, né? Isso é muito bom. Mas aí dentro de casa elas sentem que precisam falar mais baixo, brilhar menos ou até esconder as conquistas para não ferir o parceiro. Que impacto emocional essa autocensura provoca na mulher? Eh, Rúbia, essa questão que você trouxe sobre o o o silenciamento, né, da mulher dentro de casa, o Renato trouxe a questão do do patriarcado. Se a gente for pensar, a mulher, mesmo ela alcançando o espaço dela na sociedade, alcançando a ascensão dela, o crescimento, a autonomia para est dentro dos espaços de trabalho, em casa, ela ainda acaba exercendo o lar, né? A função do lar, de tá ali cuidando principalmente, né? O o Renato trouxe a questão do do de como é formado esse sistema ao longo do tempo. Se a gente for pensar, desde a antiguidade a mulher assume o papel de cuidar. Uhum. Então assim, se a gente for pensar, mesmo ela assumindo o papel da ascensão financeira no lar, eh, sendo a que tá sendo a provedora pro homem, muitas das vezes, mesmo aceitando uma relação de hipogamia, lidar com esse cenário de ser dolar, principalmente, vamos pensar num homem, num relacionamento heteroafetivo, em que aquela aquele casal, o homem a além da questão financeira, ele no trabalho, a carga horária às vezes muda Porque às vezes a gente tem visto muito mulheres que t uma carga horária de trabalho muito maior do que aquele homem, né, além do financeiro. Então, lidar com esse cenário eh entra num papel de vulnerabilidade, parece, do homem de ser inferior. E a mulher e para meio que acolher essa dor, parece, né? Então, ela entra num cenário de igualdade, né? parece que eu preciso me igualar além das funções que ela acaba ainda continuando exercendo, mesmo tendo o cargo lá fora de uma sobrecarga maior. Então, parece que continua se assumindo até um papel de cuidado mesmo nessa questão emocional. É assim, não vou deixar ele abalado, um ego abalado, vamos pensar assim, né? Perfeito, perfeito. A mulher tem um um senso de cuidadora, algo que que é enraizado em nós mulheres, né? Mas a independência ela não deveria vir acompanhada de culpa, né? A gente não pode se culpar porque a gente lutou, luta pela independência. Aí a gente tem independência, a gente vai e eh ter essa independência acompanhada de culpa. Se por décadas, Renato, o homem foi educado para ser o provedor, como você disse, o forte, o responsável pela segurança material, aí o que acontece quando essa função deixa de ser exclusiva, né? a gente tá acompanhando muitas situações acontecendo que são eh alinhadas com essa eh quebra da exclusividade. Existe uma crise silenciosa de identidade masculina eh iniciando aí nesse momento na sua avaliação? Eu não estou te ouvindo, Renato. Você me ouve? né? Acho que o som do delay agora tá me ouvindo, né? Tá bom, vamos lá. Então, eu diria que a crise não é silenciosa, ela é gritante, é cotidiana, ou seja, eh, tem uma constituição, uma construção. Queria até fazer um um preâmbulo ligeiro para dizer que pensando com muitas autoras e autores, a Vera Conelli, psicanalista especializado paraentalidade, é uma formulação muito precisa que não existe instinto materno, como não tem instinto paterno, a gente é socializado de uma forma. Meninas brincam de boneca para desenvolver o quê? Maternagem. brincam de carrinho, de ferramentas para desenvolver capacidade operacional. A gente tem muitos estudos que apontam para isso. Então, a gente é constituído, né, culturalmente, socioculturalmente. O que acontece? Os homens, nós homens somos socializados a partir de repertório de muita violência. As mulheres também, mas homens para afirmar masculinidade eles precisam provar que são homens. Uhum. E isso faz com que esse ego ferido, que foi trazer a Júlia colocou bem aqui, o ego ferido, o que acontece? Esse homem se sente ameaçado ao menor sinal que o seu território de comando, de controle, ele sofreu algum tipo de invasão. A própria metáfora de conquista amorosa, o homem conquistador, uma metáfora bélica, uma comparação de guerra, como se tivesse conquistar alguém, um território e dominá-lo e achar minha bandeira. Isso é muito violento. Então, tem um simbólico muito violento. E a gente vê os casos de feminicídio. Casos feminicídios cotidianos, eles são o quê? A prova de que a masculinidade precisa ser dissolvida, enfrentada. Os homens têm que ter um letramento de gênero, né? Eu tenho dito isso. Os homens precisam aprender a lidar com as suas emoções, né? Os meninos são dito que não podem chorar. Os garotos não brincam de boneca, não brincam de casinha. É muito mais raro que as famílias deem bonecas, bonecos para os garotos. Os meninos são incentivados a serem mais bélicos, a resolverem problemas de forma muito rápida, a serem assertivos, a não expressarem o que eles estão sentindo, a não serem fracos e frágeis. Nós precisamos de homens frágeis. de homens que possam encontrar sua fraqueza. Isso é fundamental. Do contrário, a sociedade tem como vítima as mulheres os próprios homens que se matam na esfera pública e que as mulheres que são mortas na esfera privada, né? Porque os homens matam outros homens que eles não conhecem no espaço público e não no seu ego ferido do patriarcado, do sexismo, no misogenia, atacam as suas companheiras. suas mulheres e suas filhas. Então, é muito grave se a gente não enfrentar isso e educar os meninos e as meninas, as pessoas em geral para um mundo onde a gente entenda que todo mundo cabe e que gênero não pode determinar relações de poder. Excelente. Quando o Renato traz essa questão de gênero, né, me vem à cabeça a situação que aconteceu no jogo, né, de de futebol e onde o jogador disse que a mulher, né, ela não deveria aptar e grandeza. Então, aí ele não disse a pessoa, né, a pessoa, mas ele disse a mulher é gênero. E é disso que o Renato fala, nós precisamos aprender e avançar eh com a tecnologia, né? tecnologia avança, tá tudo muito legal, tá tudo muito na velocidade da luz, mas às vezes o nosso pensamento ele ainda tá enraizado e a gente precisa de mudar esse pensamento, né, Julia? Tecnologia avança, tudo vai avançando, mas a gente se for ver pensando até nas mídias, algo tem retrocedido até um pouco no nas conquistas que muitas mulheres têm alcançado. Eh, tem o um fenômeno novo que tá vindo na internet, no TikTok, muita aquele trad, né? são as mulheres que querem assumir aquele papel da família tradicional antiga, da mulher cuidadora do lar, eh, que que assume aqueles papéis bem de filme, né, que a gente vê a da Dini Eugênio, do filme, né, do do que chega ali tudo pronto e traz tudo certinho pro marido a hora que ele chega do trabalho. Então, assim, ao mesmo tempo que tem essa ascensão da mulher, né, do espaço, tem essa questão da violência que é muito nítido e é silenciada. silenciada até a dos homens, como o próprio Renato trouxe, muitos dos homens sofrem de alexetimia, né, que é a dificuldade de falar sobre o próprio sentimento, né, porque eles não foram ensinado, como o próprio Renato trouxe. E a mulher nesse cenário assim de qual é o papel que eu tenho que assumir e assumem um papel ali que nem eu trouxe desse trad ascensão da hipogamia, né? Tô crescendo profissionalmente, mas no relacionamento e às vezes o crescimento não é só financeiro, né? Às vezes tem a diferença de cultural, status cultural e o quanto que essa vulnerabilidade que o Renato tá trazendo, que é difícil pro homem se colocar, se a gente for ver, a gente acaba meio que reforçando a própria palavra do homem se aceitar estar no estado de hipogamia, porque como se fosse um estado inferior financeiro ou de cultural, de formação, eh, fosse ser inferior com de capacidade da outra pessoa, como se o que você soma ao longo da sua vida financeiramente de formação acadêmica te tornasse uma pessoa melhor, né? Isso eu acho que é algo que a gente pensar o quanto que às vezes será que uma vulnerabilidade o homem que se coloca nesse papel ou será que seriam papéis diferentes de hierarquia, mas que ele não deixa de ser impotente, imperfeito, né? Porque se a gente for ver Hooks, Belooks não, perdão, a Bren Brown, ela fala: "Coragem de ser imperfeito, você precisa se colocar em vulnerabilidade." A Brena Bra traz muito isso. Para você ser se permitir a ser imperfeito, aceitar os seus erros, vocês têm que se colocar como vulnerável. Só que será que é um erro real mesmo você ter uma diferença financeira, uma diferença cultural, formação? Isso é um erro, uma vulnerabilidade? Acho que isso é algo de a gente se pensar também, me fez pensar aqui agora. É verdade. É algo para ser analisado, porque eh dados mostram avanço feminino, né, na renda, na chefia dos lares, mas na prática a gente ainda eh ouve homens dizerem que preferem mulheres menos complicadas, que as mulheres eh eh as mulheres que são bem-sucedidas, elas são complicadas, elas são difícis de lidar, mas isso seria medo, insegurança, falta de referência. né? A autonomia feminina ainda desafia aí modelos afetivos tradicionais. Agora, Renato, quando a gente fala em buscar alguém financeiramente estável, muita gente justifica dizendo que é instinto de sobrevivência, né? A busca por segurança financeira no parceiro é biologia ou é construção cultural? A gente continua mesmo com essa questão da cultura, quando a mulher ela busca por segurança no parceiro e não só a segurança física, mas a segurança financeira, a tranquilidade. E hoje, como a Júlia trouxe, existem mulheres que estão preferindo ir para esse lado da segurança através do parceiro, mas quando elas se expõem, elas são eh massacradas, principalmente na internet. como é que eu percebo, né? Então, tem essa essa tensão entre natureza e cultura, né, que é uma questão clássica. Eh, tem uma tem uma resposta muito simplificada, muito simplista. As perguntas complexas não podem ter respostas que são de frases bombásticas, de formulações simples, quase, digamos assim, poeris infantis, né, ou frases de camiseta, muitas vezes. Então, o que acontece, né, eh, a gente tem uma leitura que é do patriarcado, que no paleolítico os homens eram caçadores, coletores e as mulheres cuidavam das crianças dentro das cavernas. Então, uma mulher que não tinha um homem provedor, ela tinha o risco desse homem ir paraa caça e não voltar. Se ele não volta, ela tem pouca chance de sobrevivência. Então, a taxa de sobrevivência de sucesso das mulheres e as crianças, né, passarem da infância, não morrerem, era ter um homem que fosse caçar e voltasse. Isso é simplificado, porque mulheres também coletavam pequenos animais, coletavam ervas, tem estudos que apontam para isso. Só que essa essa fotografia do patriarcado, ela faz com que a gente transponha esse elemento, essa leitura biológica frágil, essa teoria da essa simplificação, teoria da evolução pro seguinte: os homens que têm mais sucesso financeiro, mais recurso, né, mais dinheiro, que conseguiram então percorrer muita distância em pouco tempo, agora não com as suas pernas, mas com seus carros, com seus helicópteros ou aviões, o que seja, esse são de provedores e faz que essa possam sobreviver e os seus e as filhotes também. Só que a gente a tecnologia mudou, a gente não tá caçando, não tá no paleolítico mesmo paleolítico não era somente isso, tem um quadro muito mais complexo. Então esses recortes eles acabam o quê? sendo repetidos e vai entrando no imaginário e as pessoas fazem transposições que são muitas vezes sem critério científico, sem nenhum tipo de embasamento. Eu sou professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, eu sou pesquisador e eu sempre falo com meus com a minha equipe, né? Ordeno pesquisa uma pistada ética de amar atualmente eu falo, gente, a gente tem que verificar, tem que ter metodologia, método científico, como analisar, tem que fazer isso. Senão as pessoas fazem formulações simples, isso pode causar inúmeros estragos no circuito social. Como essa formulação? Esse não parece. A gente, o senhor pode se relacionar com os homens muito fortes, com ombros muito largos, os quadris estreitos, porque são bons corredores e as mulheres têm que ser boas paredeiras. Então, a a equação entre a cintura e o quadril tem que ser uma uma quantidade, um tamanho que denote parir bem. Vejam vocês, uma redução, né? da nossa condição humana muito complexa, elementos culturais, históricos, socialização, tá? Alguma coisa que nós não deixamos de ser e nós somos, somos animais, mas não somente, somos seres culturais. Então, percebe, eh, Priscila Júlia, como que as formulações criam problema, se não forem formulações bem feitas, né, bem basadas com metodologia. Então essa ideia a gente procuraria, as mulheres procurariam essas trend wifes, essas, né, expos troféus, esses homens provedores, elas estão se reportando a um quadro do paleolítico, a um fotógrafo paleolítico, onde os homens caçadores coletores que voltavam eram aqueles que elas deviam escolher e do contrário, elas iam não iam sobrever. E os homens, por sua vez, mulheres mais jovens com uma proporção cintura e quadril para poderem ser boas parideiras. essas crianças. Olha que redução, o risco disso. Nossa, o risco é isso, essas imagens fotografias que não tem formulação consistente. Muito adquirido. Exatamente, professor, né, Juliá? Nossa, que fala, né, que tem um peso muito grande. Isso me faz pensar dos aplicativos, né, a gente vir para aqui, para agora, Júlio, a gente tem aplicativos onde as regras são claras. companhia em troca de benefício, é tudo declarado, tudo combinado, o crescimento do mercado sugar, né, que é um retrocesso eh dos antigos contratos ou e aí, qual que é, será que é mesmo um retrocesso, né, dos antigos contratos, como a gente começou o programa, ou seria então uma forma honesta de alinhar as expectativas, né? O que antes era implícito, agora é assumido. Júlia, qual que é a sua avaliação? Porque tudo que a gente tá falando aqui, a gente pode dar conexão para esses aplicativos e é algo que que tem se falado bastante, né, principalmente nas redes. É, é, é, Rúbia, exatamente. Eu acho que assim, o aplicativo ele traz um uma deixa aberto aquilo que antes era muito privado e num valor moral, né? Antigamente era muito aquela situação que eh diante desde a antiguidade o DOT, né, de casar pelo Dot, todo esse cenário. E aí entra no questão, a hora que entra o amor romântico, a gente dá aquela de casa por amor. O Víor Dias traz muito um cenário do, é um psicodramatista o Víor Dias e ele traz muito a ideia do circo, né, que o circo, se a gente tiver o bico, você o o topo do bico, ele cai se ele cair a tampa. E ao lado a gente tem as arestas. Então é normal que num relacionamento a conveniência, a função psicológica, a questão do amor e do desejo, atração, façam parte de um relacionamento, esses tripés e a partir desses tripés se desmembram em outros. Eh, mas ele costuma dizer que assim, um deles é o bico. Uhum. Então, seria, por exemplo, às vezes no amor, no romântico, quando a gente vem essa questão do da possibilidade do divórcio, né? Porque antigamente era impossível o de se divorciar. Quando vem essa questão do amor romântico também vem a possibilidade, eu posso divorciar, né? O relacionamento eu não amo mais. Hoje eu não amo, hoje eu não desejo. Ainda é muito difícil no consultório chegar o paciente falar assim: "Eu não tenho mais desejo, eu não tenho mais atração e eu quero me divorciar". esse papel ainda é muito difícil, porque a tampa do circo ser essa, o topo ainda é difícil em alguns cenários, principalmente quando falamos de desejo, do amor já nem tanto. Agora, quando vai falar de conveniência financeira, já vai falar do interesse ou a questão do da história social, familiar, tudo que construíram ou a questão do da função psicológica do cuidar. Então isso vai variar e ele costuma dizer, caiu, quando cai a tampa é a hora que o relacionamento a gente quer desmembrar mesmo pro término. Se a gente for ver os aplicativos hoje, ele é um é deixar mais claro, né? Antigamente os aplicativos eram para encontros, você ia pros encontros, né? Hoje em dia você vai pro aplicativo para conhecer pessoas e deixa claro que nem um cardápio mesmo, tá? aqui todas as minhas especificações. Tem aplicativos como esses dos sugars, tem aplicativos até que envolvam a questão da infidelidade, que tem casais que preferem nesse cenário entrar. Então assim, hoje a gente vê todos os tipos de aplicativos e pro universo sugar é uma facilidade esse cenário para deixar claro a questão financeira, porque mesmo que se encontre numa balada, num evento social, um espaço aberto ou qualquer outros aplicativos, não necessariamente isso tá tão claro. Só que tem uma questão que se fale avaliar, porque eu falei tanto do outro do modelo que o Víor Dias traz, é que aquela pessoa tá buscando isso. Uhum. a pessoa tá interessada nesse cenário, de viver esse cenário, de ter alguém provendo ali. E normalmente essas pessoas são mais novos, né? Tá ali em torno dos 20, 26 anos, 28 anos, são muitas vezes universitários. O aplicativo meu eh meu patrocínio é um deles que mostra muito os dados que tão em torno entre 20 a 26 anos e universitários. O número de sugar são muito maiores de deres, de deres são muito maiores de deres e mames são muito maiores do que de sugars. Isso existe ainda o interesse de querer bancar. Isso foi um dado que apresentou. Às vezes vai mudando, tem mudado também o interesse de que de dos sugars também começar. Até porque se a gente for ver a questão financeira hoje muitas pessoas dessa faixa etária estão demorando para ter autonomia financeira e independência. Então, às vezes, associa esse modelo como uma forma. Então, eh, o, o que eu trago do modelo do Vitor Dias é algo que a gente entra num consultório quando o paciente tá naquele cenário, o que que eu faço, eu fico ou não fico? E aí percebe o que que tá se sustentando na relação, o que sustentava no começo, talvez não é o que sustenta hoje. Sim. E hoje, ao mesmo tempo, a gente vê no aplicativo a pessoa já indo de direto para esse objetivo e parece que volta lá atrás, né, quando eu quero o Dot, cadê o DOT, né? de outra forma mais moderna, né? Uau! E e quando esse acordo financeiro vem antes do sentimento, né, no caso aí da esposa Trofel, do Sugar, eh se na sua avaliação psicológica o o vínculo eh o afeto, ele pode nascer depois ou esse vínculo já é condicionado, já é tudo eh eh ó, é assim, é assim e pronto, relacionamento e e presentes, né, ou sei lá. É até estranho falar nesse modelo, mas é isso que a gente vê, né, gente? E esse esse vínculo, esse afeto, o afeto ele pode nascer. Que que que você avalia, Juliá? Ó, fazendo uma associação com uma frase que ficou muito famosa do Nelson Rodriguez, que é amor compra até dinheiro. Dinheiro compra até amor verdadeiro. O amor compra dinheiro, o dinheiro compra amor verdadeiro. E assim, o quanto que o dinheiro é uma frase bem eh enigmagem ali de provocativa, né? Eh, o dinheiro compra amor verdadeiro. Eh, será mesmo? Então, ao mesmo tempo, a gente percebe que muitos relacionamentos são formados, vamos pensar no inverso, não na questão do do bancar, do prover. a gente percebe muitas amizades que se começam e em algum momento vira uma relação de desejo, de amor e de vínculo. Sim. Assumindo uma função de cuidado, de carinho e que antes era uma amizade ou mesmo quando a gente tinha a atração, o desejo, que foi o que uniu aquele casal e ao mesmo tempo as funções de conveniência vão existir. Eh, a gente não pode também eximir a ideia que a conveniência não vai existir numa relação. O um cuida do outro. a gente fala daquela questão do relacionamento, é uma via de mão dupla, né? Eh, se um não cuida, o outro cuida, eh, vai se sentir em desvantagem. Então, as conveniências vão existir, a organização financeira vai existir dentro de um relacionamento, vai fazer parte, mesmo que a gente for pensar hoje, eh, com 70 anos, o a pessoa pode optar pelo regime que não seja separação total de bens, porque tem a opção do separação total de bens, mas não necessariamente com a questão da idade, né? porque antigamente era obrigatório. Então, eh, esse modelo ainda se faz parte, mesmo quando você assume a união estável, que você não vá num cartório eh protocolar o casamento e você já vive há 10, 20 anos como união estável, se a gente for ver, a gente tá falando ainda de financeiro, né? Sim. Então, vai sondar e não tem como, né? Exatamente. Olha só, agora, bom, nós falamos eh de um lado, agora a gente vai passar para a outra parte. Renato, durante muito tempo, mulheres foram ensinadas a olhar para cima para admirar, né? E quando essa lógica muda, né? O que que muda nessa estrutura? Igualdade exige revisão de referências emocionais. eh eh esse esse desejo agora que a gente vai falar da diferença de renda, né, realmente eh eh tem acontecido. Essas mulheres que ou homens, então, né, que que se despontam e preferem um parceiro eh com menor renda, ah, mais tranquilo, podemos dizer assim. Pode explicar pra gente esse outro lado? É, tem é tem bastante tem muitos lados, né? Quando a gente fala disso, eu acho que tem algo importante na história de longa duração. As mulheres eram validadas pelo casamento. Uhum. Né? Então, uma mulécia solteira era uma coisa, tentando lembrar aqui, lembrando de uma passagem que Barreto, uma personagem que ela morre porque o noivo desaparece, o noivo foge, o noivo não volta, né? Esmenia essa personagem. Acho que é isso. Então, a gente tem os médicos começam a crescer mais, realmente, ocupam mais espaço. Isso é importante. Os movimentos feministas, as ondas os feminismos estão aí. Mulheres conquistam espaço e elas não precisam ser mais validadas para estarem casadas. Uhum. Isso é muito importante. Isso cria também um deslocamento. As mulheres sempre foram capazes de admirar homens por conta do patriarcado. Agora, nem sempre os homens são capazes de admirar as mulheres por conta de uma socialização muito feia, muito ruim, que faz com que os homens, que nós homens sejamos educados para objetificar as mulheres, para pensar as mulheres só a partir eh de um tipo de capitalismo emocional, onde o corpo é um valor, né, de apresentação e um valor, digamos assim, de confirmação, né, né, do sucesso desse homem, uma mulher que tem que ter um tipo de corpo, um tipo de perfil, isso um deslocamento. As mulheres falam: "Também: "Quero estar com homens mais jovens ou mais bonitos, com abdômen chapados, com shape socialmente, esteticamente reconhecido como belo. Isso vai ter um deslojucamento. Eu acho importante uma sociedade mais saudável, que nós possamos saber o que nós sentimos, que a gente possa enfrentar a misogenia, enfrentar o patriarcado e a gente possa ter deixar isso à mesa, as cartas à mesa. O que eu quero para um relacionamento? Porque que eu preciso, para onde aponto o meu desejo? Quais são as minhas demandas? a gente não conversa sobre isso, a gente fica muito numa tentativa de agradar, de ter um traquejo social para agradar socialmente, para ser reconhecido e não para estar de bem com aquilo que nós estamos sentindo, mas para poder parecer, caramba, como fulana, como fulano, tá muito bem. Uhum. Porque conseguiu conquistar a melhor garota do baile, o cara mais bonito do rolê. O que importa é se essas pessoas estão bem. Isso. Mas se eu queiro só agradar as pessoas, eu posso estar desagradando a mim mesmo. Uhum. E isso ocorre com muita frequência, porque a gente quer validação social muitas vezes. E de alguma forma parece que esse capitalismo emocional, a Evailo, que é uma sociolog das emoções que tem trabalhado com isso com muita intensidade, ela fala do amor não era do capitalismo. Eh, como que isso também passa a ser algo que objetifica as pessoas? Que que eu acho importante? Que nem que ninguém objetifique uma pessoa que você diz amar. Uhum. No sentido de torná-la uma ferramenta, um instrumento, desumanizá-la. Então esse é um risco. Não, as pessoas têm direito a fazerem escolhas. Pessoas adultas devem fazer escolhas, mas a escolha não deve ser de opressão, de controle, de manipulação. Esse é um problema. Então, não vejo nenhum problema de uma pessoa, mulheres, homens, pessoas em geral. é estarem aqui que elas quiserem estar, né? Criarem, procurarem formatos interessantes pro relacionamento, mas a gente não pode escolher alguém somente com critérios, como se fosse uma prateleira, né? Uma prateleira que eu vou lá e pego quem eu quero, né? Então a Vanesca Zanelo fala isso muito bem, psicóloga clínica que trabalha com essa ideia da prateleira do dos amor, né? as mulheres tem uma prateleira, então você escolhe primeiro as mulheres que são magras, brancas, louras, jovens, os aplicativos. Então esse deslocamento, essa mudança de comportamento tem que ser uma oportunidade pra gente baixar a bola, respirar e dizer que que faz com que as relações sejam mais saudáveis, que a gente tá precisando realmente, eu preciso disso ou só quero validação social? essa validação de repente vai de encontro ao que eu tô sem ao que eu quero. Perfeito, professor. Muito bom. Agora, eh, eu gostaria que você eh eh Renato, eh, trouxesse pra gente eh uma fala sua que eu te acompanho na rede social, então uma fala sua que me chamou atenção. Eu acho interessante a gente explicar sobre quando a gente fala de relacionamento, né? Eh, você trouxe a questão da da do jogo de frescoball e não de tênis, né? Então, gostaria que você eh deixasse para os nossos telespectadores, né, essa fala, porque eu acho que ilustra bem como eh nós devemos nos comportar diante de relacionamentos hoje, relacionamentos esses que andam bem escassos se a gente for parar para pensar, porque as coisas eh eh precisam ser aprendidas. E que bom que a gente tá aprendendo, né? tá aprendendo e de repente com essa fala de vocês aqui do programa a gente vire a chave de algumas pessoas para poder entender um pouquinho mais sobre essa questão do relacionamento. Por favor, eh, agradecer pela pergunta. Então, eu tenho estudado muito relacionamento, minha principal pesquisa hoje, né, sobre tô entrevistando casais, sobre as formas de amar, amor romântico, amor confluente, monogamia, não monogamia. Eh, mas vamos lá. Nessa formulação, o Ruben Alves, ele tem uma formulação muito interessante para dizer que a gente tem basicamente duas formas de casamento. Ou um jogo de tênis e o jogo de tênis a gente tem que ter um vencedor ao final porque não tem jeito, tem duas pessoas competindo. Então é isso que acontece, quem tem o controle da relação, quem manda, que que diz para onde a gente aponta, né? minha carreira é mais importante que a sua. Você v me submeter ao que eu penso, ao que eu quero. Eu sempre escolho as viagens de férias. Eu escolho o que a gente para que de escola nossos filhos vão ou pet que a gente vai ter, qualquer coisa, ou a marca do carro, o bairro que a gente vai morar. E tem o frescoball. O frescoball é um tipo de jogo que não pode ter vencedor, que o importante é como eu devolvo a bola pro outro. Não tem quem vence, não tem quem perde. É um jogo onde as pessoas que estão envolvidas naquele relacionamento precisam ter uma capacidade entregar a sua fragilidade para que elas possam manter a bola em jogo para dizer: "Ninguém tem que perder, ninguém tem que ganhar". a gente preserva a nossa individualidade, mas a gente mantém aqui uma zona de conforto, onde as duas pessoas mantém a bola em jogo, porque quando tem a vitória, alguém tem que perder. Então, o modelo de relacionamento frescoball é um modelo onde as duas pessoas podem mostrar o que elas têm de mais bonito e o que elas t de mais feio. Porque essa capacidade é aquelas pessoas que conseguem ter silêncio na relação, o silêncio que não incomoda. Isso tem que ter maturidade emocional. Que eu recomendo terapia preventiva de casal. Faça, começou um relacionamento 8 a 12 sessões. Ajuda. Muito bom, professor. 8:49. E a Júlia, né, quando a gente fala de terapia aí, a Júlia entende muito bem sobre isso. E eu gostaria que você pontuasse, né, a a essa questão do relacionamento e a gente daqui a pouquinho temos algumas perguntas, a gente já vai então depois da pontuação da Júlia responder você que tá aí do outro lado, tá bom? É essa questão da frescobol e tênis aí. Acho que eh abre, amplia a nossa visão sobre relacionamentos, não é? Total, total. Essa metáfora do Ruben Alves é algo que ficou muito marcante, né? Eh, porque o relacionamento, o que nem o Renato fala assim, faça terapia antes de já começando um relacionamento. E realmente, às vezes os casais buscam a terapia de casal quando o relacionamento tá precisa, tá no extremo, né, que todo mundo já usou todas as ferramentas possíveis, já entrou num momento tipo vai ou não termina ou não fica, que que fazemos e vamos buscar ajuda para Mas o que eu costumo dizer que a terapia de casal, exatamente que o Renato trouxe de ser um espaço de aprendizado, porque ninguém aprendeu a amar, ninguém aprendeu a se relacionar, a gente aprendeu a sentir, desejar, a ter desejo, atração pela pessoa, a sentir que ama, mas ninguém ensinou a aprendeu a colocar esse amor em ação, em prática, que nem a Bel Hooks que eu tinha começado a falar no começo, que eu troquei pela Bren Brown, que ela fala assim: "A gente precisa pôr em ação esse amor, você não basta sentir que eu amo essa pessoa, não basta, tem que pôr em ação." E eu costumo falar que o desejo é a mesma coisa. Não basta desejar e esperar que porque a relação não tá acontecendo. Principalmente quando fala assim: "Ah, não tá tendo a relação, a frequência diminuiu o sexual". Aí começa a associar o desejo, não para lá, vamos demonstrar esse erotismo no cotidiano, nem tudo precisa terminar em sexo. Então assim, ninguém aprendeu a tudo isso. E a terapia de casal pode ser um espaço para desenvolver esse essa construção, porque realmente quando tá numa briga, o casal ele vai no tênis. É instintivo. É instintivo. Ele vai naquela, veio, recebeu uma atacada ruim, a outra pessoa vai e rebate muito mais forte, que é a metáfora do Ruben Alves. O ideal não é vamos te acolher, vamos eh recebeu aquela bola para lá, deixa eu desafio muito grande receber aquela bola que veio de mau jeito e acolher ela e não rebater ela porque se para tornarse o jogo do frescoball, porque senão o jogo vai acabar. Então esse jogo para se continuar e ser o frescobol é ter essa consciência, saber lidar com o silêncio, que nem o Renato trouxe da maturidade, às vezes precisa sair quando for necessário, porque aquela vontade de falar tudo que a gente pensa bem, né? E e fazendo só retrospectiva pra gente fechar, para eu fechar minha fala por eh na questão da hipergamia, hipogamia, se a gente for pensar naquelas relações financeiras que estão regidas, muitas das vezes é aí que entra a violência. Eu tô bancando sem você. Você não é nada. Muitas agressões do da dificuldade de lidar com a raiva, com aquela emoção e a briga se explode. Muitas das vezes é nessa hora que a violência dá envolvendo questão emocional, financeira. Eh, sem você você não é nada. Se não fosse eu, você não seria nada. E o inverso também, eh, pensando na questão do seja da hipergamia, hipogamia, porque a gente tá falando muitas vezes num num modelo heteronormativo, se a gente for pensar de fala. Sim, mas e numa relação homoafetiva, exato. Que tá envolvendo um homem mais velho, um outro homem mais novo, racial, quando envolve questão racial. Então, nessa hora, as brigas são violentíssimas e às vezes envolve, às vezes não é só pontual, às vezes envolve manipulações financeiras. Eu vejo às vezes casos de questão, seja porque conheceu em aplicativos, não é? eh uma um às vezes tem uma idealização, umusamento, mas às vezes não. Às vezes essa questão financeira se usa como uma forma de manipulação e essa manipulação a pessoa pelo corpo, então é envolve a objeticação que nem o Renato trouxe do corpo daquela pessoa que muitas das vezes é o que ela tá oferecendo. Às vezes a gente associa só o cuidado, mas às vezes tem muito essa questão do corpo também. E aí a o outro cenário, então eu não tenho corpo, mas eu tenho dinheiro. Uhum. Então isso também é uma questão que se pega muito, que a gente às vezes acaba silenciando da violência e que é é ponto muito de terapia e difícil de se sair. Muitas vezes a pessoa tem dificuldade de sair. Terapia, né, gente? Terapia é algo que nos ensina, né? Então a terapia ela deve iniciar antes de a bomba estourar, né? Então vamos lá, vamos pra terapia, vamos aprender. O que a gente faz aqui é uma psicoeducação e a gente fica muito feliz em ter, né, eh eh a contribuição de vocês para poder a eh eh nos ensinar. Agora 8:54, a gente tem que entregar o programa até 9:5. Tem algumas perguntas, então vamos com uma pergunta para cada um, pra gente poder atender nosso telespectador que tá aí do outro lado. Produção, pode colocar na tela, por favor, por gentileza. Vamos lá, vamos às perguntas. Estamos ao vivo aqui com o Renato, também com a Júlia. Estamos falando de pergamia, hipogamia. Vamos lá. A Larissa Gomes da Vila Industrial. Em relações com grande diferença de renda, é comum um lado controlar decisões. Quais sinais de que isso está virando abuso financeiro e não parceria? Olha só, professor, que pergunta, hein? Essa é para mim ou é para ela? Para mim é para essa. É para mim. Pra Júlia. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Eu acho que é pra Júlia, né? Né, Júlia? Vamos lá. J tava falando sobre isso. É, então vai. Continua, Júlia. E a próxima vai, professora. Então, vai lá, Juliana. Tem problemas. Eh, o que eu costumo dizer é o que tá incomodando. O próprio Renato trouxe, aquilo faz sentido para aquele casal porque não existe uma regra, não existe uma norma. Se a questão financeira é o que tá regindo ali a manutenção daquele relacionamento, se tá funcional para aquela pessoa, se ela não está desconfortável, eu costumo falar assim: "É incômodo". Eu costumo dizer: "Eu só vou tratar aquilo que é incômodo, né? Se não é incômodo, não sou eu, porque eu faria diferente, eu lhe daria de outra forma que eu vou intervir. Então assim, se aquela pessoa tá sofrendo, tá se sentindo desconfortável, tá se sentindo manipulada, eh, controlada, coagida, então aí é um cenário de pera lá, vamos ajustar isso e e principalmente trabalhar a autonomia daquela pessoa, porque isso é muito desafiador. Eu vejo muito nos divórcios, é, mesmo que a gente veja as pessoas e tem a questão legal, né, do finan da questão financeira, caso tenha o a pessoa com renda eh inferior à outra, né? Questão do divórcio, existe essa questão para auxiliar. Eh, tem muitas pessoas que às vezes eh acabam lidando, vamos auxiliar até que a pessoa cria uma autonomia, uma independência financeira, mas não são todas as pessoas que são assim. E independente dessa questão burocrática, tem uma questão que eu costumo dizer, é trabalhar a independência financeira, não necessariamente para ter um um padrão de vida maior ou melhor, mas assim, para que é necessária essa independência para caso não eh de segura, de conforto. Claro que não deve ser uma forma de prevenir a violência, mas é necessário paraa confiança ali daquele momento de conseguir sair, se for necessário da relação, porque às vezes não tem coragem, porque o que que eu vou fazer? Se eu não sem aquela pessoa. Exato, né? Um estudo, uma independência financeira, fazer um curso, isso é é bom que alimenta, né, você e e de repente, se você precisar você pode contar consigo mesmo, né? É isso. Vamos lá. Última pergunta do programa 857. Já já, direção, já a gente entrega. Vamos lá. Felipe Azevedo, Parque Prado. Alguns homens, agora sim, professora, alguns homens dizem que só são respeitados se ganharem mais. Como reconstruir a ideia de masculinidade para além do papel da carteira e provedor? É, isso é fundamental. Essa pergunta é fundamental. Eu tenho tretado com red bills da vida, com maches, porque a gente precisa encontrar nossa fragilidade, nós homens. Uhum. Precisa encontrar a capacidade de romper com essa alexitemia, né? Como a Júlia falou, né? que essa não lidar com sentimento. Até o Hul, se você mencionou bem, Júlia, ela tem foculações muito interessantes, a precisa enfrentar essa masculinidade hegemônica que nos atravessa. Então, é muito importante que as pessoas encontrem seus caminhos. Não tem uma receita, mas pode ser momentos para estar com sigo, que é desde terapia, análise, é fazer uma atividade que a gente goste, é não performar o tempo inteiro essa capacidade de ter o machão, o grande homem, é ter a capacidade de encontrar a relação com a dificuldade. algumas culturas africanas, os homens para das relações heteroafetivas para poder se com uma mulher, o povo da Gara, por exemplo, a Sou Gonfus diz que um homem quando vai casar com uma mulher, em uma cultura onde as pessoas casam com pessoas, homens podem casar com homens, mulheres podem casar com bledes, o povo da Gara, eh, ele precisa fazer um ritual para viver como se fosse uma mulher e aprender a expressar o que ele sente também com choro. Então é muito importante como possa ter esse encontro. Então a gente tem hoje grupo de reflexão masculina, a gente tem hoje muitos textos falando sobre isso. Eu recomendo que procure material sobre o assunto. E quero aproveitar também fazer um convite n redes sociais é o @nogueiraandernoficial. Eu tô começando uma pesquisa nova agora, já tá em andamento. A gente vai receber casais, casais. E aí intraracial, interracial, hetteroafetivo, homoafetivo, pessoas com defíci entre casais, pessoas estão juntas há pelo menos um ano, morando juntas ou não, uma pesquisa a nível nacional para compreender a dinâmica das relações de poder. Tô falando aqui, primeira mão no programa, tá? Então, Prila, muito obrigado. Primeira mão no programa. Essa pesquisa a nível nacional vai entrevistar muitos casais. Tô com uma equipe maravilhosa, tá comigo aí, né, lutando para fazer pesquisa no Brasil, que não é fácil, mas a gente vai tentar entender a dinâmica. E a pesquisa fala de gênero, raça e classe. Como as questões de gênero, questões raciais, questões de classe atravessam os relacionamentos e elas podem e muitas vezes atrapalhar muitas coisas quando não tem letramento amoroso. Porque a nossa hipótese é que a gente precisa aprender. A gente não é ensinado a amar de uma forma em que o poder não seja uma forma de opressão, mas seja potência. Então fiquem à vontade. Tem lá o o meu e-mail. Meu e-mail é contatonogueira
[email protected]. A pessoa bota lá: "Quero participar da pesquisa". Aau. E a gente vai mandar um um um documento para vocês entenderem a pesquisa para poder responder. E aí vai ter uma triagem e as pessoas que fizerem encaixar vai ser uma alegria. As pessoas amarem melhor. Amar violência. Maravilhoso, maravilhoso, Renato. Gente, que conversa necessária entender que o mundo mudou, que o poder está sendo dividido, que o homem pode chorar e que tá tudo bem. É o primeiro passo, né, pra gente se relacionar. O amor não é uma escada, o amor é um encontro e muitas vezes um encontro consigo mesmo, né? Primeiro para depois você ter um encontro com o próximo. Quero agradecer então a Júlia. Obrigada, Júlia, pela sua participação, pela sua entrega magnífica. Gratidão. Muito obrigada, Rúbia, muito obrigada pelo convite. Foi uma delícia tá aqui. Obrigada, Renato, pela parceria aqui nas trocas. Ah, enriquecedora. E é o que eu trago assim de palavra final, é o relacionamento seja como ele for, que seja acordado. Sim. Consentido entre todos, né? principalmente isso, com sentido, com pessoas que estão com condição para decidir aquela relação eh conscientemente. Isso é o que importa. E caso tenha os desajustes e os problemas, a são as redes, as terapias são formas de ajudar. Maravilhosa. Gratidão. Muito obrigada. A gente agradece também o professor, né, professor Renato Nogueira, essa aula que nós tivemos aqui de educação eh eh psicológica, gente. Eh, professor, foi maravilhoso. Gratidão. Obrigada por participar conosco, viu? Muito obrigada. Muito obrigado. E reforço aí para quem quiser participar da pesquisa, o meu e-mail é contato Nogueira,
[email protected]. a pessoa manda, quero participar da pesquisa ética de amar e aí a gente vai ali responder, manda um formulário e ver se a pessoa se encaixa. A gente entrevistar muitas do Brasil para entender como as pessoas estão amando. É, como amando, precisa entender, será que realmente estamos amando, né? Vamos participar então da pesquisa pra gente poder entender um pouquinho mais também. Olha, agradecendo então a participação de vocês, nossos convidados. você aí de casa, muito obrigada pela sua participação também. Lembrando que nós temos hoje reunião ordinária a partir das 6 da tarde no plenário da Câmara. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia trazendo informações do legislativo atualizadas para você. A Íria tá chegando aí direto da Central de Inteligência Artificial da Câmara Campinas, porque nós temos a ÍRa que atualiza as informações. Então já já você fica atualizado sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo. E amanhã nós temos estúdio Câmara a partir das 8 da manhã ao vivo e a gente entra em um assunto que toca o coração e a nossa alma. Amanhã a gente fala sobre promessas que moldam vidas no tempo da quaresma. O que acontece no nosso cérebro quando a gente faz uma promessa, hein? É fé, é medo, é necessidade de organizar a vida? O que que é? A gente vai tentar entender essa força de quem cumpre e a angústia de quem falha nas promessas. Qual promessa você fez? Seja agora na quaresma, seja no início do ano ou alguma promessa? Você tem fé na sua promessa? Você já eh foi agraciado, né, a partir de uma promessa? Amanhã a gente vai falar sobre isso aqui no Estúdio Câmara a partir das 8 da manhã. Esperamos por você. Um grande abraço. Fique bem. Compartilhe o programa já tá no YouTube. Beijo e até amanhã. Ciao. Ciao.