Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Seja bem-vindo mais uma edição do nosso estúdio Câmara no ar ao vivo hoje, terça-feira, 30 de junho. E claro, muita gente ainda comentando, né, sobre a participação da seleção brasileira e todas as emoções que o futebol desperta em nós torcedores. Afinal, quando o assunto envolve paixão, opinião, é o que não falta, né? E olha, gente, falando em opinião, o tema do nosso programa hoje trata justamente de algo que que faz parte da nossa vida, né? É sobre opinião, mas a opinião alheia. Você, você por acaso já deixou de dizer o que realmente pensava por medo de ser criticado? Já mudou uma decisão porque alguém desaprovou a sua escolha ou sentiu necessidade de receber elogios para se sentir valorizado? A gente vai falar hoje dessa busca por validação, essa necessidade de ser validado por alguém. Buscar a aceitação é algo natural do ser humano. Todos nós queremos, claro, ser reconhecidos, respeitados e sentir que a gente pertence algum grupo. Mas quando a opinião dos outros ela passa a determinar as nossas escolhas, aí sim a gente precisa dar um pouquinho de atenção, né? Esse comportamento ele pode gerar sim um sofrimento emocional. Então hoje a gente vai tentar entender porque a aprovação tem tanto peso na vida de algumas pessoas, quais são os impactos disso na autoestima e também nos relacionamentos e como desenvolver mais segurança emocional para lidar com críticas, rejeições e divergências. Isso faz parte da nossa vida e a gente precisa aprender a lidar com isso. E é muito desafiador. Por isso que hoje nós temos as nossas convidadas aqui. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las, tá? Mas antes, olha, manda sua mensagem pra gente no WhatsApp, conta pra gente aí, você depende da aprovação do outro? Você já deixou de fazer alguma coisa ou então de falar algo por medo do que o outro vá pensar ou falar para você? Então, manda sua mensagem. WhatsApp tá na tela, 19979377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações, a previsão do tempo e já já vamos apresentar as nossas convidadas do programa de hoje. E atenção à empresa municipal de desenvolvimento de Campinas, a INDEC informa que o trecho da rua Hermertino Prado, no Jardim Carlos Lourenço, permanece interditado ao tráfego de veículos até às 5 horas de hoje, tá? A interdição ocorre no trecho entre as ruas Clodomiro, Vescov e Benjamim Maluf e foi necessária, em caráter emergencial para a realização de serviços de manutenção em um poço de visita sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Agentes de Mobilidade Urbana vão acompanhar aí a circulação, fazendo a circulação na região, tá? para orientar os motoristas e para garantir maior fluidez do trânsito. Mais informações você pode entrar no site eh é portal.endeendeec.com.br/faleconosco. E julho, né, gente? Amanhã já é julho. É, tá acabando tudo, tá acabando mesmo, tá? O ano está virando, né? Estamos entrando no mês 7 já. E julho é o mês de aniversário aqui da cidade de Campinas e a Metrópole celebra aí seus 252 anos com uma programação especial. São atividades culturais, esportivas, turísticas, educativas e de lazer. E olha que legal, como parte da programação da do mês de aniversário, a Orquestra Sinfônica vai realizar um concerto gratuito na próxima sexta-feira, dia 3, às 8 da noite, no Teatro de Arena Teresa Aguiar, no Centro de Convivência Cultural. A participação, aliás, a apresentação terá participação especial do cantor e compositor do Nobre e vai marcar a estreia do maestro Evandro Maté como diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de Campinas. Esse evento é promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, tem o apoio da Secretaria de Urbanismo e a entrada, gente, é gratuita e não é necessário retirar ingressos antecipadamente, tá? Então, se você gosta, né, eh eh de prestigiar a orquestra, é lindo demais, gente, a participação do Dudu Nobre. Então, vamos lá, vamos participar, ó, sexta-feira, dia 3, às 8 da noite, no Teatro de Arena Teresa Aguiar, no Centro de Convivência Cultural aqui de Campinas. Agora, a previsão do tempo para hoje. Previsão do tempo para hoje é: Brasil ganhou, Alemanha foi embora, né? Estamos nas oitavas e a mínima 14, máxima 26. Céu azul de brigadeiro, sol lindo brilhando lá fora e a gente pode sim fazer desse um dia maravilhoso. Agora vamos ao nosso tema central. A gente vive em uma época em que curtidas, comentários e compartilhamentos transformam aí eh se transformaram, aliás, em sinais de aprovação ou desaprovação. O desejo de ser aceito, como a gente disse no início, é natural. O problema surge quando a necessidade de agradar se torna mais importante do que ser quem realmente somos. Porque será que algumas pessoas dependem tanto da opinião dos dos outros? como lidar com as críticas e rejeições e como a gente faz para fortalecer a autoestima sem depender da validação externa. E aí você depende da avaliação, da aprovação do outro para falar sobre esse assunto, nós recebemos aqui no estúdio, vamos apresentar agora para você a médica psiquiatra Carmen Silvia Ribeiro. Seja muito bem-vinda, doutora. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia. Muito obrigada. Bom dia. E para completar o nosso time, a psicóloga, a Mariles Oliveira. Seja muito bem-vinda, Mariles. Obrigada. Bom dia. Obrigada, pelo convite. Maravilhosa, gente. Agora sim, então, vamos começar a entender como nós funcionamos e aí por até aonde, né? até onde vai essa necessidade de aprovação, quando isso causa um impacto negativo e quando isso é algo natural, né, de nós, seres humanos. Vamos lá, então, doutora, quando falamos em busca de aprovação, a gente tá falando de algo natural do ser humano. De onde que nasce essa necessidade? Se é algo natural nosso, então está em todos. Mas por que nós temos isso? Na verdade, isso tem a ver com o nosso desenvolvimento humano, né? Ao longo do nosso desenvolvimento, quando criança, nós já observamos referências, referências nos pais, nos cuidadores, e nós vamos adicionando através dessas experiências e referências valores e estruturas que vão consolidando o que a gente chama de ego, de autoestima. Então, conforme eu tenho reforço de estruturas, poxa, eu fui elogiado porque eu tive determinada atitude, eu fui presenteado porque eu tive um sucesso, isso vai moldando um determinado aspecto da nossa personalidade e nós vamos com eh criando aí toda uma estrutura de referências. Conforme a gente chega na vida adulta, a gente utiliza determinadas referências que foram criadas no passado e vai adicionando novas referências conforme a gente vai se relacionando com as pessoas, conforme a gente vai aprendendo sobre o mundo à nossa volta. Então, mais ou menos esse essa estrutura de valores, né, Maril? Tem interessante, porque eh isso vem com a gente e a gente, se a gente para para analisar, Mari, essa questão da aprovação, ela é fortalecida da necessidade, aliás, da aprovação, ela pode ser, me corrija se estiver errada, fortalecida na infância, né? Porque aí você eh a criança ela, ó, fica quieta, porque assim você eh todo mundo vai gostar de você. olha, não se comporta assim porque as pessoas não vão gostar. Então, a a criança ela vem já se desenvolvendo com uma necessidade de aprovação. Então, se eu fizer isso, eu tenho uma recompensa. E o nosso cérebro adora recompensa. Então, fala pra gente como que eh eh na parte da infância, né, como que essa questão da necessidade de aprovação, ela faz sentido na vida da criança. É, a gente vai moldando o nosso comportamento conforme o meio, né? Então, a gente vai observando como o meio, o ambiente funciona e a gente tenta moldar o nosso comportamento pra gente se sentir pertencente. Isso até adicionando um pouco do que a Carmen disse, quando a gente olha nos aspectos da psicologia evolutiva, muito lá atrás, mas bem lá atrás mesmo, a gente vivia em um ambiente muito hostil, né? E e a gente tinha uma necessidade muito real de eh pertencer a algum grupo, né? Então, a gente fala de estar dentro de uma comunidade, estar dentro de um grupo, era como se de fato aquilo preservava, né, ou a gente tinha mais chances eh de preservar realmente a nossa vida, né? Então, estar em grupo gerava uma segurança de que você corria mais risco. E a gente vê menos risco, na verdade, e a gente vê muito esse movimento nos mamíferos, nos animais. um viverando em alcateia, eh, uma manada, né? Então, em um cardume, ele garante a nossa sobrevivência enquanto espécie. Então, isso vem muito da psicologia evolutiva e tinha lá de fato uma necessidade realção da vida. Quando a gente desloca para hoje, o nosso contexto mudou radicalmente, né? E muitas vezes a gente continua com aquele funcionamento e com aquele comportamento de muitos e muitos anos atrás, né? Então tem um porqu a gente tem essa necessidade de agradar e de pertencer. Só que quando a gente fala lá atrás, a gente tá falando que eram 20 pessoas. Sim, né? Hoje a gente tem uma exposição de mídia muito grande, né? E a gente convive com muitas pessoas, com milhares de pessoas. Então a gente tem um fluxo de pessoas muito intenso. Então a gente já parte do pressuposto que agradar, né? A medida que eu quero agradar um, eu já desagrado o outro, né? E quando a gente pensa nesse aspecto da infância que você trouxe, Rúbia, é isso. O ambiente molda o nosso comportamento. Eh, a gente precisa agradar porque a gente precisa do adulto nos cuidando. Então, você quer fazer emitir mais comportamento daquilo que o seu pai, sua mãe ou seu responsável consideram adequados para você também continuar sobrevivendo dentro daquele meio. Então eu tento me adaptar, vou adaptando o meu comportamento, meu funcionamento, porque eu preciso daquele adulto que me cuide, né? Eu preciso crescer, eu preciso continuar evoluindo aqui. Então a gente vai fazendo essas adaptações até para que eu não quero deixar minha mãe chateada. Então, eh o o a criança desde muito pequenininha, ela vai moldando e aprendendo a viver em sociedade. Sim. E a gente precisa nos adaptar, né, mediante o meio em que a gente vive. Agora, quando esse desejo saudável, né, de de pertencimento, ele deixa de ser normal e começa a a se transformar em algo que acende um alerta, doutora, porque a necessidade de agradar é algo que todos temos, como vocês colocaram aqui. Mas se faz parte do meu dia a dia agradar a todos para que eu possa me sentir se sentir bem ou que eu possa eh ter aí aquela sensação, né, de pertencimento, de que acende um alerta aí que não é em todo momento que a gente precisa ou está disposto a agradar, né? Porque sobre seres humanos, com erros, com acertos e tem dia que você não tá legal e se você não vai agradar tá tudo bem. Mas quando a pessoa se sacrifica para agradar o outro, o que que a psiquiatria traz para a psiquiatria psiquiatria traz para a gente mediante a essa necessidade, essa importância exacerbada de agradar. É, a gente pensando no aspecto patológico, então, né, eh, a gente pode desenvolver uma dependência emocional do outro. Uhum. da validação do outro para eh reafirmar a minha estimativa de valores, ou seja, a minha autoestima, a minha autoconfiança fica dependente exclusivamente da validação externa. Então esse é um grande risco que pode incorrer em quadros de ansiedade, quadros depressivos, quando eu não atinjo o objetivo de aceitação que pressuposto, né? Então a grande questão é como é que a gente vai lidar com isso, né? Então, trabalhar profundamente na autopercepção, qual é de fato a minha ancoragem interna, né? A gente fala um conceito ancora, né? O que me ancora? Uhum. Qual é a minha estrutura de valores que de fato, né, como se fosse uma âncora ali, oquinho vai balançar, né, se a maré tá alta, tá baixa, mas ele tem uma consolidação naquele espaço de valores e ele não vai se abalar se por acaso ele receber uma desaprovação. Isso pode ser usado como modulador. Puxa, será que de fato eu preciso refletir sobre essa crítica? Preciso tomar alguma posição sobre isso? preciso me reavaliar ou não. Não, eu percebo que a pessoa tem opinião dela que diverge da minha, mas isso não me abala. Eu tô bem ancorada na minha estrutura de valores, né? Isso aos poucos, conforme eu vou trabalhando, né, nessa listagem de valores pessoais e vou reafirmando isso a cada dia, adicionando novas percepções positivas a meu respeito, isso me deixa menos dependente, que obviamente eu vou sofrer menos, eu vou me relacionar melhor com as pessoas e vou inclusive ampliar a minha compreensão sobre o outro. tem o direito de ter uma opinião divergente e muitas vezes até de me reprovar se as nossas premissas existenciais são muito antagônicas. Exato. Exato. E exige aí muito autoconhecimento, né? A gente sempre fala aqui que o autoconhecimento ele é constante, porque a gente tá em movimento e hoje você tá de um jeito, amanhã você tá de outro e tá tudo bem e aí você vai trabalhando o seu autoconhecimento. Agora, quando a gente fala eh de aprovação, acredito que nos tempos atuais essa questão de necessidade de aprovação anda muito exacerbada. Quer ver um exemplo? Redes sociais. Ô gente, pessoal vai pra rede social, todo mundo bonito, lindo, né? Ah, posta lá uma foto. Acabou de acordar assim, ó. Cabelo desse tamanho, cara inchada, todo mundo acorda desse jeito. Ninguém acorda lindo, não. Aí posta uma uma foto dessa na rede social. Não. Por quê, né? Porque você vai não vai ser validado. Você pode ser eh eh as pessoas podem colocar lá: "Nossa, mas que coragem, né, de você postar uma foto dessa e aí aquele comentário vai te trazer uma sensação ruim". Então, a Maril, as redes sociais, elas mudaram a forma como as pessoas buscam reconhecimento e validação. Esse ambiente digital, ele aumentou a necessidade de aprovação do ser humano? Aumentou, Rúbia. Aumentou, aumentou muito e tem um reflexo também muito importante na nos níveis de ansiedade, né? Muitas comparações. A gente vê muitas pessoas se comparando com o outro e usando sempre a régua do outro, uma régua externa, né? não é uma régua daquilo que eu dou conta, do que faz sentido para mim. A régua tá fora, né? Isso também é muito perigoso quando a gente fala de saúde mental, né? Porque quando você olha pro outro, como você mesma disse, né? As pessoas acabam postando lá no mundo recortes pequenos de momentos bons, momentos felizes, né? E que às vezes a pessoa nem tá se sentindo daquela forma e sem querer você tá usando uma régua que é uma régua que não é real, né? Para se medir. E isso gera muitos sentimentos, né? Inclusive esse, ah, eu não pertenço. Então você tem lá 1000 seguidores, tem dois viajando, três, quatro, cinco viajando e você não tá viajando. Você fala: "Tá todo mundo viajando, porque a maior parte das pessoas que estão postando estão viajando." Aí você fala: "Ai, mas eu não tenho, eu não consigo viajar". E aí você se sente mal por isso, né? E existe essa necessidade de se a pessoa não toma cuidado com as redes, ela corre o risco dela entrar nesse fluxo, sabe? ela apostar para aprovação. E as mulheres elas são mais suscetíveis a isso do que os homens, inclusive, porque existe uma tendência que os homens eles postam menos, eles se expõem menos do que as mulheres, né? E as mulheres já têm muito essa questão da autoimagem, né? Do corpo, aparência física é o maior ponto de vulnerabilidade para as mulheres. Então elas também acabam ficando muito expostas. E a gente também tem um risco hoje grande dos próprios adolescentes, né? Porque eles não tão com o cérebro ainda formado, né? O cérebro ali termina de ser formado entre 24 anos mais ou menos, né? O córtex préfrontal principalmente. Então tem um risco muito grande porque eles também não conseguem fazer esse freio do real versus não real, né? Então, sim, isso é muito, se a gente não tomar cuidado, é algo perigoso, é uma exposição que a gente tem que ter muito critério. E eu sei que é difícil porque você tá lá no meio, de repente você é engolido por aquilo, mas existe uma necessidade constante de pertencer, pertencer. E a gente tem que parar e falar por eu preciso postar essa foto. Eu vou postar essa foto porque eu quero postar essa foto, né? Ou fazer esse post ou reals, por exemplo, porque eu quero ou estou procurando um retorno com isso. Então, a gente trazer isso para um campo um pouco mais racional. O que que eu espero ao postar essa foto? Uhum. Né? Então, tô postando porque eu quero, independente se vai ter curtida ou não, ou eu tô postando realmente buscando esse reconhecimento, essa validação, esse like. já é uma forma da gente começar a diferenciar, porque tem gente que na hora que para e pensa e fala: "Não, eu não tô postando porque eu quero". Sim, eu tô postando porque eu quero que o outro reconheça e valide aí já poderia ser um freio importante, por exemplo, pra pessoa, sabe? Tô postando para mim ou para o outro. Então, esse negócio de postagem, essa essa coisa de viver no automático e aí viver nas redes sociais e postar, às vezes acaba sendo meio que inconsciente quando você vê já foi, né? E doutora, que que explica essa essa agilidade, né, de de postar? De repente você tá num lugar ali, você faz uma foto, mas não tem necessidade, mas de repente quando você vê você já postou ali. Então o o porquê o que que acontece com a nossa mente, com a nossa cabeça, pra gente agir dessa forma é realmente algo inconsciente? Porque a gente já acostumou e está fazendo sem se dar conta. E quando a gente fala dessa necessidade de aprovação, a gente já foi engolido por por esse turbilhão de de sei lá se é sentimento, o que que é isso que tem com as redes sociais que impacta, né, muita gente e que as pessoas elas acabam ficando ali horas e horas e horas sem ter noção do que tá fazendo. É interessante isso, né? E aí, reafirmando, né, o que a Mariles disse, né, existem os aspectos emocionais que a gente vem tratando aqui, eh, culturais e neurocomportamentais. Então, existem também estruturas fisiológicas, neurofisiológicas, que vão determinar comportamentos, né? A gente tem no nosso cérebro que a gente chama de via de recompensa, que é uma via que ativa sensações através, né, de mobilização de dopamina, que é uma substância que gera prazer e bem-estar. E essa via de recompensa, ela é ativada quando eu tenho sensações de prazer. Uhum. Quando eu posto e recebo curtidas e recebo elogios e comentários e me sinto validado, como a gente dizia, eu tenho esse reforço emocional, mas também eu vou est ativando essa via de recompensa. Por isso que tem essa agilidade que você colocou e essa ânsia, essa busca, né, incessante de de fazer, de postar várias coisas ao longo do dia. Eu tô lá comendo, já vou postar a comida que eu tô comendo. Eu tô no na no parque, já tô colocando lá, né? E aí a impulsividade tem a ver com isso, né? Existe uma falta de freio, porque as vias de recompensa levam a gente paraa impulsividade. São as mesmas vias que levam a gente a usar substâncias, o álcool, substâncias ilícitas, né? Então eu perco o juízo de regulação, né? O juízo crítico de regulação do comportamento, eu eu tenho comportamentos mais eh instintivos e mais impulsivos, né? E obviamente eu vou me reabastecendo dessa mobilidade toda, né, e vou buscando cada vez mais curtidas, mais aprovação e ao mesmo tempo mais dessa sensação de bem-estar. A grande questão, né, como foi colocado aqui, jovens, principalmente, né, por esse cérebro não estar maduro, nós estaremos eh eh, vamos dizer, fortalecendo o desenvolvimento da via de recompensa e eles têm mais chance de desenvolver, por exemplo, dependência da internet, por exemplo, dependências além das emocionais de validação, dependências biológicas, vamos dizer, do comportamento eh de utilização exagerada dos mecanismos aí das redes sociais. Muito bem. É um sistema de recompensa assim que trabalha freneticamente se a gente para para analisar, né? Mas gente, assim, ó, nem sempre a necessidade de aprovação ela aparece de forma evidente, né? Muitas vezes ela surgem em comportamentos cotidianos, como nós falamos agora, né? Nesse sistema de recompensa de eh aparecer para ser validado, para ter curtidas quando a gente fala em rede social. Mas também tem um ponto bem interessante aqui que é a dificuldade para dizer não, o medo, o medo de contrariar alguém ou então a culpa por tomar as próprias decisões. Aos poucos a gente deixa de fazer escolhas eh por convicção e passa a agir para evitar desagradar os outros. Vamos lá. Falar não, dizer não. Quando eu digo não para mim, eu estou dizendo sim para o outro, né? Na maioria das vezes você não quer, mas você tá dizendo sim para não desagradar. E aí, como é que a gente faz com não, Mariles? Como é que a gente aprende a dizer não de uma forma assertiva, se é que existe isso? E o que a pessoa vai entender diante do meu não? Isso é de responsabilidade minha ou é de responsabilidade do outro? E até que ponto eu dizer não, ele eh não é considerado um egoísmo? Porque quando você, muitas vezes você fala não, a pessoa fala: "Nossa, é egoísta, você tá pensando nela, né? Isso já caiu por terra ou ainda existe?" Ou as pessoas estão aprendendo a lidar aí com essa negativa, com a reação de quem recebe o nome? É a nossa responsabilidade aqui, Rúbia, é como nós vamos dizer o não. Uhum. Né? Então essa é a nossa responsabilidade. Como o outro vai lidar com esse não? Se o outro vai ficar frustrado, se vai parar de falar com você por um tempo ou outros comportamentos. a gente não tem como controlar, né? A gente tem como controlar como a gente dá o contorno, como a gente coloca o limite, né? E a gente aprende limite eh de uma forma, muitas pessoas, na verdade, de formas ruins. Parece que a palavra limite já tem algo ruim, embutido, né? Então, por exemplo, muitas crianças aprendem limite na infância, isso é menos comum hoje, mas lá atrás, principalmente com os pais às vezes gritando com castigo, né? né? As crianças às vezes eh às vezes tinham a questão física também. Então a a própria palavra limite ela já gera por si só parece que um peso, né? Então as pessoas têm medo dessa palavra limite, mas é muito necessário que a gente dê, porque como você disse, cada sim que eu digo pro outro querendo dizer um não, é um não que eu digo para mim. E aí eu vou tendo esse papel de um agradador de pessoas nas relações, né? Porque eu faço pelo outro, eu agrado o outro para não frustrar o outro e muitas vezes para não perder o amor do outro, para não perder a admiração do outro. E eu vou alimentando um sistema, né? E um sistema que quanto mais eu alimento, mais fica difícil eu sair, porque eu vou levantando a régua pro outro, né? E quando eu quero dizer não, depois de tantos sins que eu que eu disse, gera um estranhamento também naquele outro, né? Então, o que eu percebo muito é quando a pessoa ela começa a fazer esse treino de colocar limite, de dizer não, de dar o contorno, eh, inicialmente ela fica ansiosa porque é algo novo para ela. Então, tá tudo bem você se sentir ansioso, né, porque você tá testando uma coisa que muitas vezes é diferente. E é muito comum que as pessoas tentam tentem dar justificativas muito extensas para aquele não. É verdade, né? Então isso vem muito embutido. Então, por exemplo, ah, uma pessoa te pede dinheiro, como que você pode dar o contorno e dizer não com esse pedido de dinheiro de uma forma objetiva e sucinta? Eu não, por exemplo, né, eu não tenho a política de emprestar dinheiro. Você deu contorno e não deu brecha. O que costuma acontecer é que as pessoas costumam dar uma justificativa muito grande. Dentro dessa justificativa gigantesca tem várias brechas. Exato. E que sem querer o outro acaba usando essa brecha. Então, ah, não posso ter dinheiro porque meu salário ainda não caiu, só cai dia 15. Aí o outro vai lá e fala: "Não, tudo bem, pode ser dia 15". Verdade. Então a gente também nesse treino de dar o contorno, de dar o limite, a gente precisa ser simples. Uhum. Sabe? Menos é mais aqui. Sim, né? Eh, então, fazendo esses pequenos treinos, a gente pode dizer de uma forma muito gentil, inclusive o contorno, limite, ele pode ser gentil, ele pode ser educado, né? Então, às vezes a pessoa acha que tem que ser pela dureza, né? Eh, e não não precisa ser pela dureza. E é um treino, né? Você faz, em geral, é muito comum eu diria que 99% dos pacientes quando começam a fazer esse avanço clínico, eles costumam falar: "Nossa, Mariles, eu senti um alívio tão grande", né? A palavra que vem é alívio. Às vezes vem uma pequena culpa ainda porque ele tá tentando, ah, mas o outro, se o outro vai ficar chateado. Mas às vezes o alívio ele é tão satisfatório, né? Porque a pessoa tem carregado a aquilo há tanto tempo que ela continua fazendo e ela começa a fazer mais avanços, mais avanços, dizer mais nãos, porque ela sabe o quanto que aquilo traz uma paz e um conforto interno. Olha só. Então assim, são pequenos treinos e e lembrar sempre de assim pequeno, não entrar numa justificativa extensa. Uhum. Ser breve, simples, sabe? Ah, eu não posso, né? Olha, esse final de semana eu não consigo. Olha, não ten a política de emprestar dinheiro. Uhum. Olha isso, gente, aprendendo a dizer não aqui, porque não também está dentro, né, eh, eh, desse contexto da busca por aprovação. Agora, imagina só uma pessoa que falou sim a vida toda para os outros e não para ela, deve tá por aqui cheio de não. E como é que a gente faz com esses noss temos dentro da gente, doutora? Isso vai impactar o quê na nossa saúde mental? Na verdade, isso vai trazendo um acúmulo, né? Eu vou me desagradando, me desassistindo, muitas vezes em necessidades essenciais, sejam emocionais, sejam até necessidades eh de de culturais, necessidades até mesmo financeiras, como a Maril disse, né? Eu empresto pro outro e deixo de me atender numa necessidade particular. Eh, isso pode gerar um estress longa duração, né? né? E o estress de longa duração pela privação de estímulos positivos e de eh atendimento as minhas necessidades, pode gerar sintomas ansiosos, sintomas depressivos, né? Ela falou aqui da nossa preservação, né? A preservação da espécie. Toda vez que eu me desatendo, que eu deixo de atender nesses estados essenciais, eu vou mandar uma mensagem pro meu cérebro, pra mídala cerebral, que é justamente esta unidade, né, que que observa riscos e ameaças e tá relacionado em sobrevivência. É como se eu dissesse: "Eu não vou conseguir sobreviver, eu não vou conseguir lutar até o fim, eu não vou conseguir resistir a tudo isso, né?" Então, por exemplo, né? Ela disse aqui da vulnerabilidade das mulheres, né? Então, pensando no quantas mulheres são vulneráveis a essa questão, seja pela autoimagem, seja pela aceitação e também o apego, né, o apego patológico muitas vezes em relações em que ela se sente extremamente vulnerável. E a mulher que tem uma autoestima muito baixa, uma autoconfiança muito baixa, ela é muito mais vulnerável, por exemplo, a relações abusivas, né? Relações onde ela é, né, violada de várias maneiras, seja emocionalmente, seja até muitas vezes fisicamente. E aí ela, nesse momento que precisaria dizer ou não, aprender a dizer esse não, ela não consegue porque ela se sente culpada. em geral, companheiros, né, ou pessoas com quem se relacionam, muito manipuladoras que usam essas culpas, usam essa eh baixa autoconfiança, né, a falta de estimativa de valores bem consolidada, justamente para eh derrubar a nossa defesa, né, essa defesa que nos faria sobreviver e até mesmo evitar relações de risco, né, em todos os sentidos. Então, não dizer não vai inevitavelmente levar uma estreia de longa duração e você pode desenvolver sim quadros depressivos, ansiosos e muitas vezes até riscos aí de, né, de suicídio, por exemplo, quadros muito graves. Olha só, gente, como é complexo, amplo, né, eh, esse nosso bate-papo. Nós estamos aqui com uma psicóloga, uma psiquiatra nos ensinando, gente, é bom demais aprender. Nós aprendemos todos os dias, estamos aí em constante mudança. E eu acredito que muita gente tem aprendido a dizer não, mas ainda sente culpa, ainda sente uma sensação estranha, porque a gente ainda pensa no que o outro está sentindo quando tem uma negativa, né? E aí e a Mariles disse pra gente que a gente não pode fazer nada com o que o outro sente. Agora, essa ação de não poder fazer nada com o que o outro sente, muitas vezes é reconhecida como egoísmo, né? Isso é egoísmo, Mar? Não, isso é muito diferente de egoísmo, né? Isso, na verdade, a gente tá falando de um autorpeito, né? Você está se considerando e se considerar, né? É muito diferente de ser egoísta. E a verdade é que também, Rúbia, muitas vezes a pessoa que vai dar o limite, que precisa dizer não, às vezes ela fica pensando que o outro vai ficar muito chateado, que o outro vai ficar é que vai gerar uma ruptura do vínculo. E em geral não gera ruptura do vínculo. A grande verdade é que não gera ruptura do vínculo. O grande medo é às vezes da ruptura do vínculo, né? E muitas vezes a a outra pessoa ela passa até a valorizar mais você. Olha isso. Te respeitar mais, né? Porque uma coisa é você ser bonzinho. Às vezes o bonzinho em geral às vezes nem ele nem é respeitado, né? Ele fica só sendo bonzinho. Então quando você consegue colocar o limite, dizer: "Olha, espera, eu consigo até aqui, a partir daqui não não dá mais, não é possível para mim". A a os outros em geral é muito comum que costumam te olhar com mais: "Nossa, aquela pessoa tá amadurecendo, nossa, como aquela pessoa tá diferente". Às vezes surge até um olhar em algumas situações de admiração e aquilo que às vezes a pessoa também pensa, né, com relação a essa questão, ah, a pessoa vai achar que eu sou egoísta, a pessoa vai achar que eu tô pensando eh só em mim, que ela poderia estar fazendo. Tem pessoas que podem pensar dessa forma e de fato a gente não vai controlar, mas às vezes a pessoa vai ficar com aquilo 3 segundos, aquele não que às vezes a gente disse. Às vezes a gente tá achando que a pessoa vai ficar super chateada, super magoada, mas ela lida com não, digere, pronto, e vai pro próximo. Nem sempre às vezes tem esse esse impacto tão grande no outro, porque o outro também às vezes tá com os outros problemas dele, com as outras questões da vida, com várias outras coisas na cabeça, né? Então, nem sempre tem um impacto que a gente acha que vai ter, né, no outro, mas pode ter em nós, né, a gente dizer sim, né, e para o outro dizendo não pra gente. De repente o não que o outro recebe não é tão impactante quanto o o quanto o não que a gente diz pra gente, né? Ex. É porque aí você vai fazendo um acúmulo, né? Um acúmulo de uma vida que você não vai vivendo mais a sua vida, né? você vai que você acha que os outros gostariam que você vivesse, né? E a gente vai perdendo a nossa autenticidade, então a gente se desloca, né? A gente não segue o caminho que a gente quer seguir. A gente acaba o tempo todo se adaptando, se adaptando e quando a gente olha para trás, a gente tá num caminho muito diferente, que é o do caminho que a gente gostaria pra gente mesmo na nossa vida, né? Então, às vezes você deixa de fazer outras coisas, priorizar outras coisas, viver uma vida com mais sentido, com mais prazer, com mais leveza, porque às vezes por esse medo de tá sendo egoísta, de dizer não para algo que de fato não é sua responsabilidade, né? Muitas vezes é responsabilidade do outro, né? Eh, e às vezes você vai criando uma dependência, porque isso também acontece muito nesse lugar desse agradador de pessoas, né? usando a questão do exemplo do dinheiro. Você dá, você dá, você dá, você dá, o outro vai se acomodando. Então, ao invés do outro buscar mecanismos de como ele resolve a vida dele, né, de como ele resolve aquele problema, de que ele tá às vezes gastando mais do que ele deveria ou de que tá entrando menos do que ele precisa, ao invés dele dele tentar resolver, você acaba sendo uma muleta pro outro. Então você sente que você tá ajudando, mas na verdade é como uma pessoa, vamos dizer, com vício e você tá ali oferecendo o tempo todo eh o veneno para ele. Uhum. Então você sente que você tá ajudando, mas muitas vezes você tá atrapalhando no próprio evolução do outro. Nossa, gente, que coisa, que aula, hein? Que aula. Isso serve para mim, para você, para todos nós, porque às vezes a gente age no impulso, a gente age sem analisar. E muitas vezes, ã, é só um não que a gente precisa fazer, né, sem ter a necessidade de agradar o outro. A gente precisa entender que a gente pode desagradar também, né? E tá tudo bem, tá tudo certo. Por quê? Se você tá dizendo sim para o outro e não para você, isso vai te acumular, isso vai te encher e muitas vezes isso vai transbordar. Quando isso transbordar, vem junto com o transbordo ansiedade, vem junto com o transbordo de uma depressão, uma tristeza, uma perda da identidade. Doutora, pode acontecer isso mesmo? A pessoa, tipo, ela não sabe quem ela é de tanto ela fazer coisas que os outros querem, querem que ela faça. Ela não faz o que ela quer, ela faz o que está para o outro, porque ela tem a necessidade de agradar. Então, desenvolveu uma dependência, virou um agradador nato, né? E aí vem, quando ela para, se olha no espelho e fala: "Quem eu sou, né? Para onde eu vou? Eu tô vivendo para quê? Para agradar os outros. Mas e eu? Onde é que eu entro? Quem sou eu? Na fila do pão. E aí quando cai essa ficha, doutora, como que a psiquiatria vai cuidar dessa pessoa? É, é medicamento? É terapia? Eh, existe pessoas que têm essa ficha, né, que que que liga esse alerta e que busca a ajuda? O desejável é que consiga, né, que eu consiga ter essa autopercepção e vá buscar ajuda, seja da psicologia, da psiquiatria, quando já existem, né, sintomas mais graves. Eh, a grande questão da perda da identidade, né, que é a referência do eu, é que eu vou criando máscaras sociais. Então eu sou tenho uma máscara no trabalho, eu tenho que ser perfeccionista, competente e muitas vezes ten dificuldade de lidar com críticas que poderiam até consolidar um avanço no meu desenvolvimento profissional. Eu fico magoado, eu fico ressentido, né? Eu me fecho. Muitas vezes tenho dificuldade nas relações profissionais por conta disso, nas relações afetivas, eu também por esperar muitas recompensas, muitas vezes, né? Eu tô me doando tanto porque que o outro não percebe, né, essa minha doação? E eu vou criando uma mágoa e uma uma é como se o outro ficasse devedor de mim. E isso cria na relação uma instabilidade muito grande. E muitas, muitos casais passam por crises por conta disso, né? Eu não sou validada pelo meu companheiro ou pela minha companheira, mas na verdade acontece isso que a Mariles falou, né? Eu vou dizendo sim, eu vou negando necessidades essenciais minhas e esperando que o outro me atenda ou que o outro me valide. É como se eu tivesse comprando a aprovação, né? E aí quando isso não vem, muitas vezes isso gera dificuldades nas relações, né? E aí sim precisa para terapia, terapia de casal muitas vezes para lidar. E um outro aspecto também que até que você falou de culpa, né? A culpa em colocar limites, a culpa em dizer nãos. Isso acontece muito com os pais. A gente ouve muito isso, né, de ter dificuldade de dizer não para criança, ter dificuldade, né, de colocar limite, eu não vou te comprar esse tênis agora, não vai receber o telefone, celular, né, tem horário para usar o celular e tudo mais. Por que essa dificuldade de dizer não? Porque eu entendo que o sofrimento daquela criança é algo ruim que eu estou fazendo para ela, né? E uma coisa que a gente fala muito, né, pros nossos pacientes, é que você está ofertando eh uma capacitação para esta criança que tá se desenvolvendo, para esse jovem que tá se desenvolvendo, para ele lidar com frustrações, porque é o que ele vai encontrar na vida adulta depois. Então, na verdade, eu tô fazendo ali como uma massinha de modelagem, né? Eu tô criando um fortalecimento nessa estrutura de enfrentamento de adversidades num ambiente protegido, num ambiente controlado. É a família. Então, se essa criança chora, se essa criança entra em crise porque não foi atendida, ela tem um contorno ali de cuidado, né? e até mesmo de perceber porque de fato eu não precisaria ou não poderia ter acesso a isso que eu queria nesse momento. Então, eu acho que é importante deixar esse recado pros pais também, né? Não sintam culpa de colocar limites e de dar esses contornos, né? E dizer os não, os que são os necessários, porque isto vai fortalecer o desenvolvimento dos jovens. Eh, a questão da identidade do eu que você coloca, né? Quando eu perco essa referência, é porque eu não tenho essa ancoragem interna, né? Eu não fiz esse trabalho e sempre é tempo. Acho que o trabalho da terapia, né, do progresso no cuidado é justamente isso, é resgatar essa percepção de valores, quais o que faz sentido na minha vida, né? Quais os caminhos que eu quero seguir e não que o outro escolhe para mim ou que nessa máscara social eu vou tentando, né, criar aí uma uma aceitação e um contorno que o outro me traz e não aquilo que eu de fato gostaria de fazer. Excelente. Muito bom. Agora 8:47 a gente aprendendo aqui a conviver com os nãos, né? e também eh viver sem a necessidade da busca por aprovação constante. A gente pode errar, a gente pode não ser bem bem aceito, a gente pode não ser aprovado e tá tudo bem, vamos embora. A vida segue, né? E o que importa é como você está consigo mesmo. Então, autoconhecimento, né? Precisamos aprender como a gente funciona, né? E o que você quer, quem é você, esse negócio de quem é você, né? Aí você para e fala: "Ai, quem eu sou? Um agradador nato. Será que é isso que você tá fazendo?" Para e pensa quantas vezes você para agradar o outro teve que dizer não para você e sim para o outro? E a pessoa vem e ela fala: "Não, vamos não, mas eu não quero não, mas vamos. Insiste, insiste. Não, tá bom, tá bom, eu vou. Ponto para ele aí, um ponto a menos para você." E você vai acumulando os seus nãos e vai chegar um momento que isso vai sim transbordar. E aí é é a hora que você vai virar a chave e falar: "Poxa vida, por que eu não aprendi dizer não antes? Parece fácil, é desafiador. Eu tenho tentado também, confesso para vocês, né? Eu acho que todo mundo uma vez na vida vai tentar. Você vai levar um susto porque aí você vai lidar com a culpa, vai lidar com o que? O que que o outro tá pensando? Quando você fala não, o que vem na cabeça é nossa, o que ele está pensando? Mas se você vai trabalhando isso em você, vai chegar o momento você nem tá pensando que o outro tá pensando. Ih, como a Mariles muito bem colocou, explicou pra gente, isso não é egoísmo. Então, tira essa culpa de você. A gente vai aprendendo aos poucos, tá bom? Agora 8:49. Vamos lá, então. Produção tá falando que as pessoas estão participando com a gente, querem ouvir então as nossas doutoras aqui. Vamos falar, vamos ver quem é que tá buscando pela busca de aprovação aí. Ó, a Patrícia Almeida do Cambuí. Eu tenho uma colega que pede desculpa até quando não faz nada de errado. Isso pode estar ligado à necessidade de agradar o tempo todo? Verdade. Eu também conheço, conheço uma pessoa que toda hora, desculpa, desculpa, tipo assim, chega até incomoda de tanto que a pessoa pede desculpas. Não precisa pedir tanta desculpas. A gente vai aprender agora o porquê disso, ó, Marilos. Vamos lá. Tem tem muitas pessoas que, na verdade, às vezes pequenas situações assim corriqueiras do dia a dia, elas já colocam pedido de desculpa na sequência. E sim, pode estar ligado essa questão da autoestima, né? A será que eu fiz alguma coisa errada? Então já me antecipo, né? Para que o outro não fique chateado, eu crio a palavra, faça um pedido de desculpa já para apaziguar um possível consequência que eu acho que aquilo pode ter. Ah, então sim, tá ligado à questão às vezes dessa autoestima, desse medo do que que o outro vai pensar. Eh, e às vezes o outro já faz aquilo no automático. Ele tá tanto tempo funcionando daquele jeito que ele nem para pensar que ele tá fazendo, que ele tá funcionando daquele jeito. Então, é algo que provavelmente já está no automático quando ela diz, mas também uma precaução inconsciente do outro de se eu já pedir desculpa, eu já me responsabilizo por aquilo, então não foi o outro, fui eu. E eu já apazigo qualquer tipo de risco com relação à ruptura do vínculo, outro pensar alguma coisa ruim. É, só que tem um detalhe aí nesse pedido de desculpa, hein? Que que adianta pedir desculpa e não mudar a ação, né? Então vai ficar bem fácil porque aí vira um ciclo vicioso, né? Aí tá é tão fácil pedir desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, amanhã de novo, desculpa, desculpa, mas a ação foi a mesma, né, doutora? Tem que cuidar com isso também, né? Isso já entra no outro circuito que é o processo de manipulação das relações, né? Então eu magoo o outro e depois eu peço desculpa. Na verdade, a desculpa é um é também mais uma máscara, né, para que aquele aquela pessoa eh consiga reconsiderar a relação, dar continuidade à aquela relação e na verdade seguir adiante. A pessoa não tá se propondo a mudar comportamentos, né? Ela quer manipular o outro e muitas vezes até também projetando culpa no outro nas relações, por exemplo, que são abusivas. Exato. Uhum. quer que completar, marido? Não, acho que é exatamente isso. Tem esse contexto que realmente pode ser um contexto manipulatório, não, né? Então a pessoa diz, mas ela continua funcionando, ela não muda o comportamento, né? Então aí você tem que ficar mais no que a pessoa faz do que no que a pessoa fala. Exato. Né? Que as ações confirmem as palavras. Uau! Olha só, gente. Tá vendo? 8:51. Mais uma pergunta pra gente na tela. Vamos ver quem é que tá conosco. Bom dia. Bom dia pro Eduardo Nascimento da Vila Industrial. Eu tenho medo de postar uma opinião, uma opinião e alguém me atacar. Esse medo constante de julgamento pode afetar a saúde mental, doutora? esse receio, né, e medo de colocar alguma coisa, principalmente na rede social, né, que todo mundo fala o que quer. Eu acho que as redes hoje são, né, ambientes em que a gente encontra de tudo. É um universo, né, em que a gente encontra de tudo. Existe muita perversidade nas redes, né? Tem pessoas que de fato fazem o cyber buling ou criam, né, machucam pessoas intencionalmente. Então a grande questão é voltar para aquela questionamento. Por que é que eu estou postando isto, né? Por exemplo, se você já tá com medo de colocar uma opinião, será que tá consistente para você a sua opinião? Será que ela faz sentido para você? Será que de fato é o que você tá pensando a respeito daquilo? Você tem necessidade de colocar por você quer aprofundar, quer saber como as pessoas entendem isso ou você simplesmente quer colocar a opinião para que alguém aplauda a sua opinião, ponha lá sua curtida e fale isso mesmo? Aí sim você vai ficar muito mais vulnerável ao posicionamento do outro. Então, então quando eu coloco algo na internet, eu tenho que ter essa percepção, né, de que eu tenho a minha identidade, eu tô ancorado nas minhas percepções de valores, eu tenho um sentido em colocar aquilo e para mim vai interessar que alguém contribua com aquela opinião, seja de modo crítico, construtivo ou não, para que eu me requalifique ou me eh perceba de uma maneira diferente, mas não que eu fique dependente necessariamente ente da aprovação do outro. Eu tenho que entender que eu posso sim correr o risco de levar uma bordoada, né? E o cyber bullying tá aí, a gente tem que saber se defender disso, né? Os haters estão aí, a gente tem que saber se defender e simplesmente desqualificar, né? Quem tá emitindo a sua opinião. Faz sentido para mim o que essa pessoa vive? O que, né? até ol lá, né, o perfil falar, essa pessoa de fato tem uma opinião diferente da minha, porque ela tem uma vida diferente, ela tem valores éticos, morais, espirituais, muito diferente dos meus. Então, ela vai ter uma opinião diferente e eu tenho que também, né, conseguir entender que essa faz parte da da livre manifestação da opinião das pessoas. Exatamente. A gente sabe que quando a gente coloca algo na internet vai ter o contraponto, né? Não adianta, a gente não vai conseguir agradar todo mundo. Então, cada um tem a sua opinião formada, tem a sua ancoragem, como a gente aprendeu hoje, né? E tá tudo bem, não precisa ser aceito por todos, né, Mariles? É isso, né? É, eu acho que uma reflexão importante aqui nessa questão de postar um comentário é se eu estivesse na frente dessa pessoa olhando olho no olho, eu diria isso. É ótimo, porque a tela ela tem uma um tipo de proteção. Uhum. Né? em que você não corre nenhum risco ali, vamos dizer também, né? Tem o do julgamento do outro, uma coisa que o outro vai escrever. Mas será que eu diria isso, né, pra pessoa, se ela tivesse aqui na minha frente, eu teria essa coragem, porque a as telas, as redes também deixam as pessoas muito corajosas em certo aspecto. Então, tem muita coisa ali que as pessoas dizem, colocam que ela não que elas no olho, no olho elas não conseguem dizer. Hum. Então, talvez fazer essa reflexão. É verdade. Super interessante, principalmente eh esses eh o pessoal vai pra internet e coloca opinião de tudo ali e aí de repente encontra a pessoa, fala: "Nossa, né? Você acha, você pensava assim: "Nossa, quando encontrar essa pessoa, meu Deus do céu, o que que vai ser, né?" Você encontra a pessoa toda franzina assim, quietinha, calada, você fala: "Poxa, mas era isso tudo, né? Por que isso?" é por conta dessa sensação de poder, né, que que a internet oferece. E quando a gente fala de aplicativo de de mensagem também tem que tomar muito cuidado. A gente tá falando aqui dos comentários, né, que veio do nosso telespectador, mas aplicativo de mensagem também tem que tomar muito cuidado aí a forma com que você coloca suas as suas opiniões em grupos, principalmente de WhatsApp, porque aí depois tem que aguentar as consequências. Se você tá bem ancorado, beleza, pode vir. Agora, se você não tá, isso pode desencadear também aquela tristeza, aquela ansiedade e aquela sensação de assim, nossa, vou ter que encontrar a pessoa, né? É, é, é mexe com as nossas emoções, né, doutora? Sim, sim. E os conflitos gerados, né? Você citou os grupos, né? Grupos de família, grupos de WhatsApp, grupos profissionais, grupos de condomínio, né? Depois eu vou encontrar aquele vizinho. Tenho que lembrar. É, é, isso é muito importante, né? Por que que eu muitas vezes não me posiciono, né? não me dirijo ao outro diretamente e utilizo, né, o mecanismo do grupo também pensando nesse pertencamento, num reforçador. Alguém vai concordar comigo nessa opinião. Quando eu coloquei no grupo, né, muitas vezes eu fico no silêncio ali e aí isso traz, né, uma angústia muito grande, pode gerar uma ansiedade muito grande, porque eu fico remoendo à noite. Bom, o que que essa pessoa vai pensar sobre mim? O que que o outro, os outros do grupo pensaram sobre isso? ou de fato se o grupo, né, se manifestou de forma contrária. E isso pode gerar, além dos conflitos nas relações, uma grande angústia, um grande sofrimento emocional para aquela pessoa que não estava devidamente ancorada nos seus valores, na sua estrutura de autoconfiança e por impulso colocou aí algum tipo de crítica ou comentário num grupo desses, né? Então a gente precisa de fato sempre fazer essa reflexão, porque eu estou tomando essa decisão, porque eu preciso falar isso e esta é a melhor maneira de manifestar esta minha essa minha opinião. Eu preciso, esse é o melhor canal, eu posso, né, por exemplo, se é um condomínio, puxa, será que não é melhor eu falar lá com o meu porteiro diretamente ou com zelador ou com síndica, ao invés de jogar no grupo uma queixa qualquer? Eh, toda ação tem uma reação, né? Então, a gente precisa cuidar também com a nossa ação, porque a reação ela vai vir e aí você tá ancorado suficiente para poder aguentar, né? Tem tudo isso também. 8:58. Mais uma pergunta e a gente vai pras considerações finais. Vamos lá, então, ver quem é que tá com a gente. Manhã de terça-feira, sensação boa, a Alemanha foi embora, o Brasil ganhou, né? E hoje você vai acompanhar meio-dia com Gabriel Castro. também, né? Os comentários aí no Câmara na Copa. Vamos lá. Gustavo Pereira, Jardim Guanabara. Tem gente que concorda com tudo em grupo, só para não criar clima ruim. Como perceber que estamos abandonando nossa própria opinião? É mais um ponto interessante, a Mariles. É porque aqui tem essa pergunta, ela pode ter várias respostas possíveis, né? Porque às vezes tem gente que concorda no sentido de uma sabedoria de para que que eu vou me expor aqui se vai aquecer. Vai, então é melhor eu ficar no silêncio ou dar respostas curtas de não pegar para nenhum lado, porque se eu puxo para um lado de um, respondo pro lado de um, eu crio conflito com o outro. Então, às vezes pode ter uma sabedoria, né? Eh, e aí quando você fala: "Ah, mas como perceber que eu tô abandonando? Se a pessoa tá abandonando a própria opinião, né? Eh, a pessoa ela vai saber se ela tá abandonando no sentido se eu tô tentando me adaptar, se eu tô tentando dar uma resposta para não desagradar o grupo, né? Então, essa informação, às vezes a pessoa mesmo, ela fala: "Vou dar essa resposta por mim". Uhum. Ou eu vou dar essa resposta porque eu quero que tal pessoa tenha essa interpretação ou não ache. Então, eh, por quem eu tô fazendo isso? É por mim ou pelo outro? Mais uma vez, né? E quando ela falar, não, eu tô dando essa resposta e adaptando esse texto ou fazendo isso por conta das pessoas que vão ler, das pessoas que vão receber, pode ser que ela esteja abandonando coisas importantes dela. Olha aí, interessante, porque se a gente fala em grupo, olha só como ficou mais complexo quando a gente vai pra internet, né? Porque eu medo de desagradar uma pessoa que está aqui do meu lado, eu vou dizer o o não para mim e o sim para ela. Agora, em um grupo, em uma rede, eu tô falando eh não para várias pessoas. E aí vem uma culpa, um negócio muito grande, uma ansiedade muito grande e acaba que eu vou deixando de emitir a minha opinião por conta de que eu não quero ter tudo esse avalanche de comentários diante de mim. Isso é um movimento que pode acontecer e a gente vê esse movimento como, doutora pode ser, como a Mariles disse também uma grande sabedoria e uma autopreservação. Boa, né? Porque por que eu preciso o tempo todo responder e participar e tá inserido, né? Porque de fato a gente volta a questão do sentido, faz sentido para mim, né? Eu preciso, a gente gasta tanta energia com tantas coisas hoje, né? E a gente tem tantos movimentos que nos exigem, né? que a gente tem aí um funcionamento, um desenvolvimento, habilidades e uma agilidade. Aquilo pode me saturar muito mais. Muitas vezes, se eu deixar de responder naquele grupo ou me posicionar, se aquilo não tem, não faz sentido, não tô diretamente envolvido naquela questão, eu posso preservar, né, tanto me preservar emocionalmente como me preservar de forma a ter menos conflitos nas relações, né? A gente gasta muita energia psíquica, emocional, lidando com conflitos interrelacionais, né? Então, será que eu preciso desse conflito? Eu acho que tem a ver com essa sabedoria que ela colocou, né? É um sentido de autopreservação. Às vezes eu não preciso participar de tudo. Eu posso me preservar, eu posso preservar a minha identidade, eu posso preservar os meus valores, eu não preciso ficar contando para todo mundo o que eu penso, né, que o que eu tenho, né? Isso, principalmente esse recado pros jovens, né, que ficam postando tudo o tempo todo, se desnudando, né, numa rede que, como a gente falou aqui, que é perversa, em que há, né, de vários desvios e que podem influenciar negativamente a maneira como você se observa, a maneira como você se vê. Então, se preserve também. Nossa, quanta sabedoria em uma hora, hein, gente? Adorei. É isso. Olha aí. Buscar aceitação é algo nosso, é do ser humano. Mas nosso valor, ele não pode depender apenas da aprovação do outro, não. Desenvolver autoconhecimento, autoestima, segurança emocional é importante demais e fundamental para construir relações mais saudáveis e fazer escolhas com mais confiança, tá? Aprendemos muito juntos aqui por conta do aceite das nossas convidadas. Então, quero agradecer a nossa doutora psiquiatra Carmen. Obrigada doutora. É sempre muito bom ouvir vocês falarem porque vocês têm aquela visão ampliada e vocês ensinam muito a gente. Então, gratidão, viu? A gente que agradece. Foi muito importante, né? Um tema muito atual e a gente tá aí para contribuir. Maravilhosa. Amarilles, quanto conhecimento, quanta sabedoria compartilhada. Muito obrigada pela sua participação mais uma vez. Gratidão. Muito obrigada, Rúbia, pelo convite. Um tema realmente muito importante, que causa muito sofrimento em muitas pessoas. Então é sempre importante a gente estar revisitando e falando sobre ele. Então, obrigada. Ai, gente, adorei o programa de hoje. Mais um programa maravilhoso, com ensinamento, com conhecimento, com sabedoria que você pode compartilhar. Olha só, a TV Câmara Campinas tem um site, tá? Então você pode acessar lá. Se você não acessou ainda, acesse tvcamaracampinas.com.br. Todos os programas, os quadros, tudo, tudo, tudo que você assiste aqui na TV Câmara, você também pode assistir lá no site da TV Câmara Campinas, tá bom? No YouTube também tá tudo lá. Então, compartilhe os programas para as pessoas que você acha que vai fazer sentido, porque é muito importante a informação, né? a informação salva e de repente uma informação como essa do programa de hoje pode te despertar para que de repente a vida tenha um novo sentido para você, tá bom? Olha, ao meio-dia, ah, daqui a pouquinho, daqui a pouquinho aí está chegando, trazendo informações atualizadas para você, eh, do legislativo de Campinas, estado de São Paulo, Brasil e ao meio-dia tem Câmara Notícia com Gabriel Castro, tem o Câmara na Copa falando do jogo do Brasil e falando também das próximas etapas, né, que nós vamos passar ainda. E olha, gente, amanhã nós temos mais Estúdio Câmara e vamos trazer um tema que desperta curiosidade e fascínio por gerações, né? Vamos lá. Por que o desconhecido exerce tanto poder sobre nós? Nós vamos falar sobre mistérios, fenômenos sem explicação aparente, teorias que valorizam nas redes sociais e acontecimentos que desafiam a lógica. O que a ciência e a psicologia tem a dizer sobre essa atração do inexplicável? Porque o desconhecido exerce tanto poder sobre nós? Não perca, amanhã a gente vai falar de muita coisa interessante aqui no estúdio Câmara. Acompanhe. 8 horas a partir das 8 da manhã. É ao vivo, tá? 8 da manhã a gente espera por você, combinado? Um abraço grande, beijo, fique bem, ancore-se. Palavra que fica hoje é essa e até amanhã. Ciao เ