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Olá, [música] começa agora mais uma edição do El Bicho e hoje vamos falar sobre as abelhas nativas. Estamos em um meliponário. Vamos conhecer as espécies, saber as diferenças, os comportamentos. Vamos falar também sobre a produção de mel e [música] falar sobre a meliponicultura. Ao meu lado está a bióloga Mesquita. Ela vai falar pra gente sobre essa esse novo, né, formato da meliponicultura que já está tornando um empreendimento. [música] É isso mesmo, Valquíria? Sim. É, hoje dá para falar que a meliponicultura é um empreendedorismo, né? quando nasceu na minha família, nasceu como um hobby, mas um hobby muito caro e acabou eh virando empresas. 5 meses atrás, ela alavancou e aí ela fez com que a gente tomasse eh várias atitudes, inclusive dava aula como professora de biologia, química e tive que sair do serviço para poder ajudar o meu marido no meliponário. Então, nasceu como esse hobby e foi crescendo. E hoje, eh, quando a gente fala em empreendedorismo, não dá para você focar apenas naquilo que é lucro. Eh, como professora de biologia, eu acho que o grande foco da [música] meliponicultura é a conservação da biodiversidade, tá? Hoje você vai conhecer aqui [música] em torno de 13 espécies de abelhas. Meu marido vai mostrar para vocês. Algumas vai dar para vocês filmarem, ver o comportamento delas e isso é uma contribuição pra nossa sociedade. [música] até o nome quando a gente pensou em mambuca, nós queríamos traçar um caminho diferente. Enquanto se vê falar muito na sociedade a ações antrópicas negativa, ou seja, tudo aquilo que o homem faz para destruir, nós queríamos abrir um caminho que fizesse o contrário, que fizesse a conservação das abelhas nativas no ambiente urbano. [música] E é isso que o Meliponário Mambuca tá fazendo hoje. Nós estamos situados em um espaço urbano, porém ele atende todas as necessidades das abelhas. A Melonicultura, além de fortalecer os aspectos sociais, econômicos e ambientais, é uma ferramenta fundamental para a educação nas escolas. Nós percebemos que muitas escolas estão procurando, procurando aqui para fazer eh o trabalho educativo ou até mesmo para comprar coméia para levar para fazer o trabalho educacional lá na escola dela. Porque quando ela vai falar eh sobre a polinização ou sobre o uso de agrotóxicos, que é algo que não dá pra gente deixar [música] de falar, porque o uso dos agrotóxicos é responsável pela morte de milhões de abelhas, sendo [música] que as espécies nativas elas são muito sensíveis ao agrotóxico, então elas vão morrer. Uma uma quantidade bem maior do que a abelha africana, que é a abelha com ferrão, tá? Então, a gente tem a parte [música] da preservação ou conservação, que o termo correto seria conservação. Nós temos a parte da educação ambiental e nós temos a parte do empreendedorismo. Por tudo isso das abelhas, [música] tudo é utilizado. Então, nós utilizamos materiais recicláveis para fazer isca. Então, já é uma sacada. Opa, eu tô retirando da natureza aquilo que não serve. Depois da isca, quando vai fazer a transferência, o mel, o samburá, a cera, é tudo reaproveitado. Então isso volta para quê? Paraas próprias abelhas. É como você falou, é um ciclo de conservação delas, tá? No Meliponário Mambuca vivem 13 espécies de abelhas nativas. A mais comum no Brasil é a jataí, facilmente encontrada em ambientes urbanos, construindo ninhos em locais variados, como muros e ocos de árvores. Quando a gente fala de abelhas sem ferrão, a que o pessoal mais conhece é a jataí. A jataí ela é mais popular até o mel, a mel de jataí. As outras abelhas, eh, a tubuna, mandaguari, eh, escaptrigonas que enrola no cabelo, todo mundo confunde com arapoá. Ah, era poá. Agora a jataí é a mais comum. Falando da Jataí, ela é a abelha que a gente mais recomenda para quem está iniciando ou como hobby ou quer iniciar na melipunicultura, porque ela é uma abelha dócil, ela produz um mel medicinal, um mel que é muito apreciado, né, na culinária, as pessoas [música] gostam muito do mel dela e ela pode ser criada em qualquer ambiente, ela se adapta muito bem no ambiente urbano. A jatí, ela tem um raio de forrage, que a gente chama, que é o pasto apícola dela, em torno de 300 a 500 m. Ah, pode ir mais longe, pode, só que quanto mais longe a abelha vai, mais energia ela gasta. Então, quando a gente fala em produção de mel, a escala pra produção de mel, hoje o que mais a gente conhece da apicultura tradicional da APS melífera, quando você coloca as comeias próximo das plantações, próximo onde tem o pasto, apícola, elas produzem muito mais, porque elas conseguem ir e voltar mais vezes. Quanto mais longe a abelha vai, menos viagem ela dá, menos ela produz por conta desse gasto [música] de energia. De gasto de energia. Exatamente. Mas a jataízinha é uma abelha que ah eu tenho no muro, a minha avó tinha na casa, então todo mundo tem uma história. O nome abelha sem ferrão é popularmente usado para o grupo de abelhas da tribo Meliponini. [música] Apesar de não terem ferrão para picar, elas podem se defender mordendo ou liberando substâncias ácidas. Todas as abelhas elas têm ferrão. Ah, é, são abelhas sem ferrão, só que elas têm o ferrão, só que é um ferrão atrofeado. Sim. E não é porque uma até já tá aí. Minha esposa e quando vai auxiliar, vai ajudar no manejo, né? Hoje ela tá fazendo sozinha, ela usa um EPI, porque a a JI ela vem, gruda nos cílios, ela acaba eh se defendendo. É uma [música] defesa, né? É, ela não vai entregar a comeia dela de, entendeu? Então ela vai eh se defender. Cada espécie possui necessidades e cuidados específicos. A Jataí, por exemplo, tem pessoas que querem Jataí no apartamento. Sim. E infelizmente é uma abelha pequenininha, o vento atrapalha ela. Então a gente não vende. Essa semana mesmo o cliente queria comprar para colocar na sacada do oitavo andar. a gente não pode vender, certo? Porque ela tem todo um cuidado também nessa questão, né, de onde elas podem viver. Eh, elas elas sobrevivem em um certo ambiente. Como que funciona essa parte? Então, cada abelha ela tem uma ela se adapta de uma forma. Sim. Vamos falar. A jataí, ela forrajeia pequenas plantas, ervas daninhas. Ah, nós temos uma abelha aqui que é mombcão. A mão bucão a gente costuma falar que é uma abelha de copa de árvore. Ela é uma abelha de grande porte, então ela não vai ficar forrageando eh ervas daninhas, gramas, essas coisas. Então ela vai em árvores grandes, abacateiro, eucalipto. Então se você não tem esse tipo de planta de pasto apícola próximo da onde você quer criar, a gente não recomenda. Tem abelhas que a gente precisa de alimentar ela em época de escassez de alimento, como é as melíponas, a mandasa saia, a bugia, né, que é o ursu amarela. Qual que é essa alimentação? O que que elas comem? Quando você fala de alimentação e tem a parte da energia também, como que é isso? Ah, nós temos dois tipos de alimentação. A alimentação energética, que é o mel das abelhas. O mel delas é o alimento energético. Quando nós não eh nós na alimentação, nós substituímos o melope. No nosso caso, a gente usa o açúcar VHP, mas pode usar um açúcar cristal, um demerara diluído em água. Metade água, metade açúcar. Em época que tem eh depende a época do ano, muita chuva ou tá muito seco, a gente aumenta a água ou diminui. Tá uma época de muita chuva, a gente faz um xarope mais grosso, coloca mais açúcar do que água. Em época de escassez de alimento, as melíponas, a mandaça a gente no manejo que a gente fala que é olhar se a cometa saudável, quando a gente vê que os potes estão abertos e vazio, é porque ela está consumindo esse alimento dela, que é a reserva. A abelha não faz mel pra gente, viu? [risadas] É bem interessante isso, né? Bom explicar. Pesso é as pessoas acham que ah, abelha produz mel. O mel é a reserva que a abelha faz para ela em época de escassez de alimento. Por isso que a gente tem que ter esse cuidado. Mas quando nós oferecemos esse esse alimento energético, eh a gente supre essa falta, né? Principalmente ambiente urbano, eh a gente tem uma deficiência de árvores com produção de néctar. Sim. Ah, o outro alimento é o pollen, todo mundo conhece, só que a gente chama de samburá, que é o das abelhas sem ferrão. O que é o samburá? Samurá, ele é o pól fermentado. Eh, e ele, quem consome mais esse pól são as crias novas. Então, quando a abelha vai preparar uma célula de cria pra rainha colocar o ovinho lá, elas colocam o samburá, colocam um pouquinho de mel, elas fazem um alimento para que a rainha venha colocar o ovo ali, depois elas fecham e aí quando aquela larva vai desenvolvendo, ela vai comendo aquele alimento, ela vai consumindo. Olha que interessante. Então, o alimento proteico, ele serve para isso. E as abelhas novas elas consomem esse alimento eh na colmeia. [música] Então do da mesma forma que a gente, né, tanto a proteína como a o alimento energético são extremamente importantes para as abelhas. Tem abelhas que você não precisa alimentar. Uma borá, uma tuba, uma mandassa, uma mandaguari preta, já tá aí. Não precisa alimentar. Uma vez a coméia estabilizada, se você não tira o excesso de mel, o o mel dela, que é a reserva dela, você [música] não precisa de alimentar, é só manter ali. Só manter. O que que acontece? Nós desenvolvemos um padrão de caixa aqui, onde o ninho da da Jataí, por exemplo, ele é um módulo só. Então, a abelha consegue fazer o ninho e fazer a reserva de alimento em volta do ninho. Hum. E aí a gente coloca a melgueira. Por que que a gente fez isso? Pensando na abelha. Durante seu ciclo de vida, as abelhas passam por um processo de metamorfose com quatro diferentes fases: ovo, larva, pupa e adulta. Uma abelha, ela vive em média 50 dias. Hum. Pode viver um pouco mais, um pouco menos. Em época de inverno, onde algumas abelhas entram em diapausa, que a rainha para a postura porque falta alimento e as abelhas ficam dentro da colmeia porque tá muito frio, coisa parecida, as abelhas vivem um pouco mais porque elas não ficam trabalhando, não gastam energia. Mas uma média é 50 dias o ciclo de vida de uma abelha. Ela nasce até a uma idade, 20 dias, mais ou menos, vamos falar assim, ela faz trabalhos dentro da comeia. A abelha quando ela nasce ela não voa. Ah, ela não voa? Não, ela ela ela ela fica fazendo o trabalho dentro da comeia. E depois de quanto tempo que ela começa a fazer o trabalho externo? É, então a partir de de 20 dias aí ela já pode fazer eh o que a gente chama de campeiras. Ela começa a trabalhar tanto limpar a comeia, tirar a sujeira da comeia, porque as abelhas também elas fazem a faxina na comeia. Ela tira a sujeira e joga fora da comeia pra comeia ficar limpinha. Ela vai buscar recurso lá fora. Então ela tem esse esse trabalho. Aí depois que ela sai da colmeia, aí ela vai fazer o serviço de trazer recurso, tirar até morrer. Ela trabalha e elas eh trabalham à noite dentro da coméia e de dia buscando recurso. Então ela não para de trabalhar, ela não para nunca. Não. E todas as espécies fazem esse mesmo processo. Sim, sim. Todas a todas as abelhas passam por esse por essa fase. O que muda é a rainha. Ah, tá. A rainha ela que domina a comeia, né? Ela é a através do feromônio dela, ela que controla, certo? O equilíbrio da comeia. Porém, o que que acontece? Quando a a rainha vive mais, tá? A rainha vai viver é 1 ano, 2 anos, 3 anos. Aí uma rainha depende da saúde fértil dela. Hum. [música] Por quê? Porque se a partir do momento que a rainha ela diminui a postura ou começa a enfraquecer, vamos dizer assim, hum, as operadas elas vão eleger uma nova princesa, que vai ser uma princesa dominante e vai virar uma nova rainha. A Borá é uma das abelhas que a gente mais gosta de criar pela qualidade do mel, pela produção. É uma comeia que tem muitas abelhas, né? Depois a gente fala a questão de números. Isso até perguntar quantas temante. Mas a a borá quando nós transferimos de um ninho isca provisório, depois a gente mostra também para uma caixa que vai ser a casa permanente. Uhum. a gente observa muito se ela está saindo com sujeira da casa, porque e nós vamos mexer muito na estrutura do ninho dela, vai danificar alguma coisa. Então, se ela está tirando sujeira, limpando a comeia, é um ponto positivo. Se ela está sa chegando com pólen, com néctra, é outro ponto positivo. Então, nós observamos tanto a saída de sujeira quanto a entrada de alimento, recurso. Acompanhamos o desenvolvimento da comeia. Já tá aí, por exemplo, se ela está fraca, ela começa a diminuir as campeiras, ela fecha o pito. Então, opa, tem alguma coisa errada com essa comeia. É um sinal. Isso que é perceptivo. Sinal, exatamente. Uma uma escaptrigona, que elas têm um pito também, elas fechou o pito, diminuiu o fluxo de abelha. Opa, tem alguma coisa errada. Cada colmeia tem uma quantidade de abelhas que varia bastante, dependendo da espécie. A manda saia é uma das que menos tem abelha. Vamos falar em média 400, 500 abelhas em uma comeia. Nossa, é bastante aí, né, é? Mas ela é uma abelha de grande porte. Ah, a jataí, que é que a gente tava falando, ela chega a 5.000 abelhas numa comeia. Olha, porém o que que acontece? Eh, a jataí ela solta muito enxame. Então, a comeia quando ela tá com muita abelha, né, e tá numa época favorável de alimento, geralmente elas fazem a chamações. Elas elegem uma princesa e saem à procura de um novo ninho. E é isso aonde a gente faz as capturas, né, que a gente arma as iscas e nós capturamos elas eh nessas enchameações. As escaptrigonas, Mandaguari preta, Tubuna, Benjoí, que é uma abelha que é uma das escaptrigonas bem dócil que a gente tem aqui, é em torno de 50.000 abelhas numa comeia. Nossa, aborar em torno de 50, 70.000 abelhas. Então são é uma média aproximada aí. Mé variando, né, de acordo com a espécie. De acordo com a espécie. Exatamente. E a que mais a gente conhece, que é a APS melífer aí em torno de 250.000 1 abelhas que tem uma comeia, dependendo aí, né, quantos ninhos você coloca, o tamanho da comeia. Então, tudo eh vai variar de acordo com a o tamanho da comeia. Sim. Ó, o que nós chamamos hoje de matrizes. Uhum. É essa daí que vai ter 70.000 abelhas, por exemplo, numa borá, 50.000 abelhas numa tubuna. Já é uma abelha com mais de um ano de transferência, já estabilizada, bem formada. um ninho isca, que é um uma captura nova, ela vai ter bem menos, né? Depois ela vai se desenvolvendo. [música] O mel de abelhas nativas sem ferrão é considerado um produto de alto valor no mercado devido ao seu sabor diferenciado e potencial medicinal, composto com aproximadamente 30% de água, conteor menor de açúcar e maior de proteínas e passa por um processo de fermentação natural. [música] O mel da abelha Borá é considerado mais cítrico. Depois vem o da jataí e da abelha tuba, o mais adocicado. Esse mel, ele vai fortalecer o sistema imunológico. E se ele fortalece o nosso sistema imunológico, eh, é claro que vai ser mais fácil você combater qualquer tipo de doença. Isso é uma interação social. Então, a gente tá promovendo a harmonia entre as diferentes espécies e é isso que o Meliponário Mambuca quer. Então vem você para cá e participar também, conhecer um pouquinho do nosso espaço, trocar ideia conosco. [música] [música] [música]