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[Música] Enfermidades transmitidas por mosquitos colocam a vida de bilhões de pessoas em risco em todo o mundo. No Brasil, o Eds Egipt é conhecido como o inimigo público número um do país. Ele transmite a dengue, o zicavírus, a chicungunha e também a febre amarela urbana. E o El Bicho de hoje mostra que com o avanço da tecnologia é possível reverter esse quadro e proteger vidas. Dados do Ministério da Saúde apontam que o número de mortes por dengue foi maior que o de COVID-19 em 2024 no Brasil. uma alta de 400% com 6.041 óbitos no país. Até a primeira semana de agosto de 2025, o Brasil já registrou mais de 1.600.000 casos de dengue com 1558 óbitos. São 120.474 casos de chicungunha, sendo 106 óbitos. Já a Zica acometeu 3700 pessoas. sem nenhum óbito. Em Campinas, no mesmo período, foram registrados mais de 42.600 casos de dengue e 21 óbitos. São 16 casos de chicungunha com um óbito e não há casos de zica este ano na cidade. Uma das tecnologias mais avançadas no controle da dengue e outras arboviroses é a Volbáquia, que começa a ser produzida em larga escala no Brasil. E há também o chamado EDS do Bem. Conheça agora a diferença entre eles e como cada um atua no controle dos vetores. Os EDS do bem, eles são mosquitos eds egipt, que a gente sabe que causam arboviroses, né? São dengue, zicar, chicongunha e febre amarela, mas ele foi geneticamente modificado. Então são apenas dois genes que foram alterados. Para que esse mosquito do bem, quando ele acasala com a fêmea, ele só tem descendentes machos. Isso é importante porque é a fêmea que e transmite as doenças. Então o S do Bem, ele consegue fazer o controle da população de fêmeas para que a gente controle a doença. A bioengenharia ou a engenharia genética é uma técnica que já é dominada há muitos anos. Aqui no Brasil, as modificações genéticas, elas eh completaram 25 anos de produtos no mercado. A grande maioria são produtos eh são alimentos, né, milho, soja, que já estão presentes na nossa alimentação. E ela consiste no uso de algumas ferramentas que foram isoladas da natureza para que você consiga e modificar pontualmente um gene. E foi isso que foi feito. No caso do Eds do Bem, é um gene que já estava presente ali no inseto e o que a gente fez foi modificar para que ele seja super expresso, eh, apenas na fêmea. Quando isso acontece, tem um desbalanço no metabolismo e a fêmea acaba morrendo. Então, é, não é nada novo, diferente, é uma modificação muito pontual e que faz com que a gente consiga controlar as fêmeas. Já e existem muitos estudos sobre o EDS do bem. Aqui no Brasil existe um órgão eh do governo federal chamado CTNBI, Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. E eles avaliam todos os eventos de modificação genética no país. Cada instituição de pesquisa ou empresa que faz uma modificação genética tem que informar para CTN bio. E antes de liberar no ambiente existe um dossiê que é entregue. Então, é um conjunto de todos os estudos demonstrando a segurança, eh, que não existe impacto no meio ambiente, não faz mal pros animais e nem pro homem. Então, o Eds do Bem, ele passou por esse processo e ele foi aprovado por unanimidade nessa comissão. Oeds do Bem e os mosquitos com Vobácia são as duas tecnologias eh mais avançadas pro controle do mosquito e das doenças que ele transmite. O EDS do bem, ele funciona especificamente para diminuir a população da praga. Então a gente fala que é um método de supressão, controle biológico de praga. Os mosquitos com vbáquia, eles são diferentes. Eles recebem essa bactéria chamada Volbáquia, que tá naturalmente presente em outros insetos. 60% dos insetos com os quais a gente convive tem essa bactéria, mas quando ela é transferida em laboratório pro EDS egipt, esse mosquito ele perde a capacidade de replicação viral. Então, se ele tiver infectado com um vírus da dengue, por exemplo, ele não consegue produzir partículas virais e se ele eventualmente picar uma pessoa, ele não transmite a doença. Então, um faz o controle do mosquito e outro faz o controle da doença. Normalmente a gente recomenda que a soltura do bem seja feita ao longo de toda a temporada de mosquito. Aqui em Campinas, por exemplo, isso acontece no início do tempo quente e chuvoso, que é em por volta de setembro, outubro, e se estende até abril, maio. Eh, se a gente começar a fazer a soltura, digamos, em setembro, depois de dois a três meses, a gente já começa a ver uma queda na população de mosquitos. E eh os estudos que a gente tem, inclusive publicados em revistas científicas foram feitos aqui na região em Indaiatuba, e demonstraram que depois de 11 meses de tratamento, a gente tem uma queda de mais de 90% da população de insetos. Em biologia a gente fala que a seleção, eh, nesse caso não foi natural, foi artificial. Por cada vez que a gente aplica um químico de controle, um inteticida, você acaba matando aqueles indivíduos que são mais tolerantes à aquele químico, mas existem alguns que são mais fortes, como quando a gente toma antibiótico. E aí a gente fala, tem que tomar o antibiótico até o final, porque senão a gente seleciona os resistentes. é a mesma coisa quando a gente aplica o insceticida por muitas vezes, e foi o que aconteceu no Brasil, né, a gente vem eh aplicando o controle químico ao longo dos últimos 30 anos. Então a gente acabou selecionando aqueles resistentes. E hoje no Brasil existe um estudo da Fiocruz que mostra que dos cinco inteticidas químicos recomendados pela OMS, Organização Mundial de Saúde, para controle do EDS Egipt, apenas três não funcionam mais, apenas dois estão funcionando e mesmo esses dois estão com uma eficácia menor, em torno de 50%. Indaiatuba adotou a tecnologia por 5 anos. Eh, e a gente teve um controle excelente na cidade, acima de 90% de supressão, com um impacto bem positivo, comunicado pelo prefeito, eh, de uma queda de 83% no número de casos de dengue nos bairros onde ele foi aplicado. Outras cidades da região também eh estão estudando adotar tecnologia. Eh, e a gente tá trabalhando para que isso aconteça. Não só as cidades adotam, mas também eh empresas. Então, aqui em Campinas a gente fez uma parceria com um hospital grande da cidade, eh, que adotou para todas as suas unidades e também fez uma doação para um bairro. E então, empresas também podem fazer essa parceria público-privada. O método está em uso no Brasil há mais de 10 anos e desde 2023 teve seu uso ampliado pelo Ministério da Saúde em áreas prioritárias, apresentando resultados positivos em diversos municípios. Atualmente, com o apoio da Fiocruz, o Ministério da Saúde expandiu o uso da Vobácia para 16 cidades prioritárias, incluindo Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Londrina, Natal e Brasília. No caso dos mosquitos com vobá, que é uma tecnologia que foi testada pela primeira vez na Austrália com bons resultados e então ela seguiu pra Ásia. Existem estudos bastante sólidos de eficácia na Indonésia, no Vietnã. Na Indonésia, por exemplo, elas os mosquitos com vobáquia conseguiram diminuir o número de casos de dengue em 70%. Eh, aqui no Brasil essa tecnologia já está presente de forma eh experimental ainda em pesquisa eh em algumas cidades, eh, cerca de 11 municípios. E a ideia é que a gente possa expandir isso agora que a gente tem dados sólidos de eficácia, de segurança, tornar isso realmente uma política pública e disponível para todo mundo. Todos os países eles têm eh comissões que analisam todos os eventos de modificação genética. São eles que sugerem que tipo de experimento a gente precisa fazer para demonstrar a segurança. Muitas vezes a gente precisa, por exemplo, ah, se um organismo geneticamente modificado é alimento para outro animal, a gente precisa fazer ensaios de alimentação, demonstrar que esse outro animal não vai ser prejudicado, que não é tóxico, que não é alergênico. Isso para animais que estão na cadeia alimentar e também pros humanos. Então, é feita toda uma análise de presença de alérgenos para demonstrar a segurança. E a gente tá vendo com as mudanças climáticas, cada vez mais o ambiente tá propício, exatamente pra infestação de mosquitos. Eles gostam muito do tempo quente, eles gostam muito de de umidade. Então, as enchentes que a gente viu, elas acabam ativando todo o banco de ovos que tá presente ali no ambiente urbano. E de uma vez a gente tem aquela revoada de mosquitos que vai causar a doença cada vez mais. Eh, especialmente no Brasil, que é o líder mundial de número de casos de dengue, a gente precisa adotar soluções inovadoras. No Brasil, a gente já tá há 30 anos com o mesmo protocolo de controle da do mosquito, que consiste na conscientização da população, cada um fazer a sua parte, que é muito importante. No caso, a casa, os agentes passando nas casas, identificando os criadouros e eliminando. e a aplicação de químicos. O que a gente precisa é incorporar as novas tecnologias nesse protocolo, Eds do Bem, Vobáquia e outras, para que a gente inove, porque o mosquito é esperto, ele se adapta ao ambiente urbano e a gente precisa de novas ferramentas para evitar que ele ganhe essa batalha. A população pode ajudar de inúmeras maneiras. Então, eh, primeira coisa, sim, fazer uma inspeção na sua casa. a cada 7 dias, 7 a 10 dias. Isso é muito importante porque o ciclo completo acontece em menos de 10 dias. Então, se a cada 7 dias a gente eliminar os criadouros, a gente não deixa o mosquito chegar na fase adulta. O segundo ponto é não jogar lixo fora da lixeira. Cada tampinha de garrafa, cada latinha ou mesmo uma folha que seja, pode armazenar um pouquinho de água e virar um criadouro. Então, cuidar com o descarte de lixo. O terceiro ponto é a população conhecer essas novas tecnologias, buscar conhecimento e pressionar o poder público para que essas novas tecnologias estejam disponíveis para todo mundo aqui no Brasil através do SUS. Isso é muito importante porque essas tecnologias existem, elas estão aqui no Brasil, nós temos capacidade de produção e a gente só precisa fazer chegar para todos os lugares. O interessante dessa tecnologia que a gente chama de autolimitante, que é a do bem pro controle da descendência, é que ela pode ser usada para qualquer inseto. Então, a gente tem insetos pragas agrícolas, por exemplo. Uma das pragas mais importantes de milho, que é a lagarta do cartucho do milho, a gente tem o que a gente chama de espodóptera do bem, que é uma lagarta que a gente coloca na lavoura e faz o controle biológico. Com isso, o produtor aplica inteticidas e o alimento fica de melhor qualidade pra gente. Isso a gente tá fazendo também com carrapato bovino, com outras pragas de milho, de soja. Então é uma tecnologia que tem um alcance imenso. Então fazer chegar a todos os lugares, fazer um bom controle, fazer a supressão onde tem grandes infestações, usar vbáquia para controlar a transmissão e com isso a gente não vai ter mais esse pesadelo da epidemia. [Música]