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Aula expositiva, lousa e caderno. Durante muito tempo, esse foi o modelo predominante nas escolas. Mas pesquisas científicas apontam que outras estratégias que colocam o aluno como participante ativo da aprendizagem podem melhorar o desempenho escolar. Projetos, jogos, debates e resolução de problemas são algumas das alternativas. Eu sempre busco planejar a aula atendendo um pouco da característica da turma. Então, tem turmas que são mais agitadas e eu sei que eu não vou ter atenção deles por um tempo longo. Então, eu tenho que pensar em coisas que atendam àquela necessidade por aquele tempo. Então, eu faço uso de aplicativos que geram quiz online para eles jogarem. Uso também, não só de instrumentos digitais. Então, sempre que possível, eu busco paródias de música para relacionar e sistematizar o conteúdo. Por exemplo, estamos trabalhando porcentagem E aí eles precisam treinar o cálculo Para não ficar só aqui e lá, calcule Bola um bingo, aí faça um bingo com eles de porcentagem Então às vezes caça o tesouro, algumas gincanas Então a gente tenta de tudo um pouco Para atender e fazer com que eles aprendam cada vez mais Hoje a gente tem a aula de pensamento computacional aqui na escola Que é separada de maker e separada de robótica também É como se fosse uma aula de informática atualizada para os dias de hoje. Então aqui no Colégio Crescer a gente usa o método, o meio de comunicação do Google Sala de Aula, que ele tem planilhas, o Word, como se fosse o Word, que é o documentos. A gente ensina isso no sexto ano, ensina a parte de desenvolvimento de parte artística no Canva, responsabilidades com o uso da internet, como pesquisar, onde entrar em site, qual se a gente entrar, por que entrar, e dentro disso, isso por sexto ano. Depois a gente vai ensinando um pouquinho de programação, um pouquinho de projetos envolvendo onde o aluno começa a criar mais autonomia, porque assim, a gente dá a base, depois vamos testar isso, né? O especialista em neurociência aplicada à educação do IBFE, Instituto de Formação de Educadores, fala sobre os desafios de capacitar professores que precisam ensinar uma geração cada vez mais conectada. Acho que o primeiro desafio é a gente compreender qual é essa realidade, é a gente compreender se essas pessoas estão realmente num papel ali de onde elas atuam, então a gente sabe que há diferenças de atuar no ensino público e no ensino particular, a gente sabe que há diferenças de você atuar no ensino médio, no ensino fundamental 2, no ensino fundamental 1 e assim por diante, E cada um desses desafios precisa ser integrado, ele precisa ser trabalhado num curso de formação de educadores. A mudança, no entanto, exige planejamento, formação e adaptação por parte dos professores. Afinal, inovar na educação não é apenas utilizar novas ferramentas, mas encontrar caminhos para despertar o interesse e tornar o aprendizado mais significativo. Incorporar novas tecnologias implica a gente compreender aquilo que está se passando no cotidiano Então se eu preciso ensinar as pessoas a lidar com um ambiente que é mais digitalizado Que ele é mais interativo Eu preciso trazer essas tecnologias para dentro de sala de aula sempre com responsabilidade Eu percebi isso vem acontecendo ao longo dos anos No começo, eles eram muito mais, vou falar assim, há 10 anos quando comecei, a atenção deles durava muito mais do que agora. Agora, se a gente consegue no máximo 15 minutos, já é para ficar feliz, porque eles estão acostumados com aplicativos, jogos e tal, que eles mudam tudo muito rápido. Então, a gente precisa, dentro desse tempo, extrair o principal e aos poucos a gente vai regando a sementinha para ir brotando esse conhecimento ao mesmo tempo. Os efeitos colaterais dos dispositivos digitais entraram definitivamente na pauta pedagógica. Segundo dados da pesquisa TIC Educação, atualmente oito em cada dez escolas brasileiras debatem o impacto do uso de telas na saúde mental dos estudantes. Se por um lado a tecnologia amplia as possibilidades de aprendizagem, por outro desafia os professores a manter a atenção dos alunos em meio a tantos estímulos digitais. Notificações, distrações e diferentes níveis de familiaridade com as ferramentas digitais fazem parte desse cenário Eu acho que o principal é o uso da tecnologia com responsabilidade Porque o que acontece, às vezes a gente está em uma sala com 30, 35 e eles estão com os dispositivos deles E a gente não consegue garantir 100% do tempo que eles estão juntos no exercício, estão juntos na atividade Então essa responsabilidade dos alunos entenderem o quão aquilo está sendo importante É um momento de diversão, sim, mas um momento de diversão relacionado com o aprendizado Não é uma diversão que ele faz em casa, que ele entra no game junto com o colega e vai brincar Não, eles estão brincando, mas o objetivo principal daquela brincadeira, vamos dizer assim, é o aprendizado Esse é o foco Quando a gente pensa no uso de ferramentas em si, o uso de ferramentas é maravilhoso Só que, é como eu sempre digo, você não vai utilizar uma chave de fenda para martelar um prego. É para isso que se fala martelar, você vai ter que usar um martelo. Então, a ferramenta tem um uso específico, ela tem um momento específico para ser utilizada. Então, é ter essa noção dentro do uso da ferramenta e eu volto para o educar. Então, a gente sempre mostrando como é que a ferramenta funciona, como é que é o ambiente digital e assim por diante, a gente consegue também dar um contexto maior e, a partir do contexto maior, a criança compreende, ou criança ou adolescente, compreende como aquilo lá também vai impactar a vida dele. Ser professor vai além de transmitir conhecimento. É aprender todos os dias, buscando novas formas de estimular e transformar a aprendizagem. Na verdade, essa reinvenção não deixa de existir, né? Ela tem que ser todo dia. Por quê? Todo dia tem um software novo, uma placa de circuito nova E o desafio, além de você ter que se reinventar para você conhecer essa nova tecnologia Essa forma nova de comunicação, vamos dizer assim É saber filtrar ela e passar ela para o aluno da melhor forma Porque tem uma grande diferença O que as pessoas usam no mercado de trabalho E como uma criança vai usar isso dentro de uma sala de aula Acho que o principal ponto é a gente trazer sempre, sempre, sempre a importância do professor. O professor não está ali para resolver tudo, para explicar absolutamente tudo, para saber de tudo, mas ele está ali para ensinar essas crianças a poderem buscar um conhecimento sozinhas, a poderem trabalhar de forma mais independente com aquele conhecimento, para explicar e apresentar muitas vezes um conteúdo. Senão, se a gente não sabe que existe, a gente não consegue ir atrás. Ao mesmo tempo, o professor está lá apresentando o conteúdo, ele está lá apresentando uma ferramenta, ele está lá educando, dando o seu esforço, dando o seu suor, sua vida, para que essas crianças possam aprender, para que elas possam se dedicar a esses estudos. E hoje a gente vive num mundo que está cada vez mais relegando, deixando de lado os estudos. E a partir desse momento, a gente precisa compreender que dar a devida importância aos estudos é o essencial. Então, a gente está impactando vidas. É trazer essa importância do professor num curso de especialização, num curso de pedagogia também, trazer essa importância para que essas pessoas trabalhem com autoestima elevada, porque o professor tem um papel essencial na vida de todos os estudantes. Legenda Adriana Zanotto