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Estúdio Câmara | “Eu Dou Conta”: Quando Ser Independente Demais Vira Um Problema
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Estúdio Câmara | “Eu Dou Conta”: Quando Ser Independente Demais Vira Um Problema

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Resumo editorial

Programa debate a independência excessiva e seus impactos na saúde mental, explorando por que pedir ajuda é difícil e como a autocompaixão e terapia contribuem para o bem-estar. Questiona a cultura de resolver tudo sozinho e defende que autonomia não significa viver sem ninguém. Também noticia a votação de um projeto de lei sobre coleiras refletivas para animais comunitários castrados.

Descrição do vídeo

A neurocientista, pedagoga e psicanalista Valéria Nunes é a convidada do programa de entrevista e debate da TV Câmara para tratar da frase eu dou conta, ainda comum entre quem evita pedir ajuda mesmo exausto. Especialista em crianças, adolescentes e dependência química, ela discute o limite entre autonomia saudável e a dificuldade de confiar em outras pessoas, quando resolver tudo sozinho deixa de ser escolha e vira obrigação que cobra o preço no corpo e nas emoções.

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Time, olá, muito bom dia. E eu aqui, né? Bora que bora, time. Vamos simbora. Estamos ao vivo. TV Câmara Campinas, estúdio Câmara no ar hoje, quarta-feira, 16 de setembro. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Vamos conversar hoje sobre uma frase que muita gente conhece muito bem e a gente pergunta por que a gente ainda fala isso em pleno 2026. Eu dou conta. Dar conta do quê? do trabalho, da casa, da família, dos problemas e muitas vezes sem pedir ajuda para ninguém. Bom, vamos lá. Ser independente, gente, é uma qualidade, sim. Mas quando a pessoa sente que precisa resolver tudo sozinha, mesmo quando já está cansada ou sobrecarregada, essa independência pode deixar de ser saudável. E por que para algumas pessoas pedir ajuda parece tão difícil? Será que existe uma diferença entre ser autônomo e não conseguir contar com ninguém? Bom, para conversar sobre esse assunto, a gente tem aqui uma neurocientista, uma psicanalista e daqui a pouquinho nós vamos abordar isso com você aí de casa. Então, participe com a gente, mande a sua pergunta, o seu comentário, conte pra gente, você é do tipo que pede ajuda ou prefere resolver tudo sozinho? Não queremos saber. Vamos lá. 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações e daqui a pouquinho vamos apresentar a vocês as convidadas do programa de hoje. Olha só, a Câmara de Campinas vota hoje, quarta-feira, dia 16, durante a reunião ordinária número 51, o projeto de lei 90 eh de 2026, de autoria do vereador Herbert Ganém, que prevê o uso de coleiras refletivas para identificar animais comunitários. já castrados. pela proposta, as coleiras deverão ser resistentes, adequadas para o uso externo, ter material refletivo e indicar claramente que o animal foi castrado. A colocação ficará sob responsabilidade de quem realizar o procedimento, como as organizações da sociedade civil, clínicas veterinárias parceiras, instituições de ensino superior e participantes de programas e campanhas em parceria com o poder público. Segundo a justificativa do projeto, a identificação pode evitar recolhimento ou remoção equivocadas e facilitar o reconhecimento dos animais que já passaram pela castração. A reunião ordinária de número 51 começa hoje às 6 da tarde no plenário da Câmara com transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e pelo canal da emissora no YouTube e também no site da TV Câmara Campinas. Previsão do tempo para hoje. Vamos lá. Hoje eu posso falar céu azul de brigadeiro, gente, que delícia vindo trabalhar e ver aquele céu azul, né? Então a previsão diz pra gente que temos aí um dia de sol com algumas nuvens. À noite não teremos nuvens, isso indica, então, que os próximos dias teremos aí céu aberto. Que maravilha, que bom. Mínima 14, máxima 23º. Um pouco friozinho ainda, né? Mas céu azul de brigadeiro. Sim, vamos curtir o dia, aproveitar o dia, viver o aqui e o agora. E agora sim, voltamos ao tema central do programa de hoje, porque tem gente que aprendeu desde cedo que precisa ser forte, que não pode depender dos outros, que precisa resolver os próprios problemas e que demonstrar fragilidade não é uma opção. E essa postura, gente, eh pode até funcionar durante um tempo, sim. O problema aparece quando eu dou conta, deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação interna. A pessoa acumula tarefas, não delega, não fala quando está cansada e muitas vezes só percebe o que passou do limite quando o corpo ou as emoções começam a cobrar a conta, né? É, então hoje a nossa conversa é sobre esse limite. Quando a autonomia é saudável e quando a necessidade de dar conta de tudo pode estar escondendo dificuldade de confiar, de receber cuidado ou simplesmente de admitir que também precisamos de outras pessoas, né? Então, para isso, nós convidamos duas especialistas no assunto. A gente recebe Valéria Nunes, ela é neurocientista, pedagoga, pós-graduada em neurociência e psicopedagogia, psicanalista, especialista em crianças, adolescentes e dependentes químicos e professora de curso de psicanálise. Uau! Seja muito bem-vinda. Bom dia. Bom dia. Tudo bem? É um prazer estar aqui essa manhã com vocês hoje. Obrigada, Rúbia, né? Estúdio Câmera pelo convite. Vamos fazer esse bate-papo dessa manhã muito gostosa, maravilhosa. Obrigada pela sua participação. E para completar aí a nossa dupla de profissionais aqui do estúdio Câmara de hoje, recebemos e damos as boas-vindas à Patrícia Farrão. Ela é psicanalista clínica, tem atuação individual e em grupos, formação complementar em hipnose, práticas integrativas dedicada a processos de autoconhecimento e transformação de padrões e ciclos repetitivos. Seja muito bem-vinda. Obrigada. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Bom dia, Valéria. Muito obrigada pela participação aqui. E esse assunto é um assunto muito pertinente, muito automático e eu tenho certeza que a gente vai poder de alguma forma ajudar a todo mundo aqui que tá participando. Ah, é muito bom contar com a presença de vocês nesta manhã, porque acredito que a gente tem muito para falar hoje, né, com a expertise, eh, com a orientação de vocês e com a formação de vocês. sempre dio que o estúdio Câmara traz eh informação, com formação e isso eh nos conforta, perdão, porque a gente sabe que estamos falando de algo que realmente vai fazer sentido na vida das pessoas, né? Então, a gente já começa com a Valéria. Valéria, quando a gente fala do "Eu dou conta, a gente fala necessariamente de uma pessoa independente, né? ou esse comportamento pode esconder outras questões. Eh, quando nós falamos do eu dou conta, nós podemos traçar dois tipos de perfis, né? O primeiro realmente dessa pessoa que ela é uma pessoa independente, uma pessoa autônoma, que isso é uma qualidade, porque quando ela precisa pedir ajuda, ela consegue. Agora, quando nós falamos de um perfil dessa autossuficiência, aí é onde a gente para para pensar que realmente aquilo está me prejudicando. Então, por detrás dessa autossuficiência pode estar escondido padrões que foi, né, e delegados lá na infância lá atrás e isso sim traz uma sobrecarga. Então, por diversas vezes vai estar assim escondido, né, eh, lá no inconsciente, né, como nós dizemos na na nossa profissão, essas questões do por que eu preciso dar conta de tudo, como que isso foi delegado, como que eu entendi lá na minha infância esse dar conta de tudo. Então, ele pode estar escondendo sim, né, questões eh que torna esse dar conta de tudo pesado. Muito bem. Agora, Patrícia, eh, o que pode fazer alguém sentir que pedir ajuda um sinal de fraqueza ou incompetência? Porque a partir do momento que você acha que você dá conta de tudo, às vezes você não tá aberto para pedir ajuda. Mas essa esse não estar aberto para pedir ajuda refletir em você que se você pedir ajuda, você é fraco e incompetente. Ã, por que esse sentimento? Esse sentimento, ele vem normalmente de algo inconsciente que a gente observou na nossa infância. Então, normalmente aquela pessoa que a gente admirou inconscientemente, como a gente teve como referência, então seja quem cuidou de você, se foi pai, mãe, avó, tio, tia, enfim. E essa pessoa, de alguma forma, ela precisou ser forte. E essa fortaleza, ela foi porque ela precisava ser forte ou porque de repente para dar conta de tudo, porque de repente ela não tinha com quem contar e aquilo foi seu exemplo, ou de repente ela precisava ser forte para obter o reconhecimento que ela queria. E aí isso serviu de modelo e introjetou na gente inconscientemente. E pronto, a partir daí eu começo a formar um modelo e eu levo pra minha vida como adulta. Olha só, gente, que interessante, né? Porque muitas vezes a pessoa é realmente competente, né, e consegue resolver muita coisa, mas a questão parece estar menos na capacidade e mais na dificuldade de dividir o peso. Não é questão de que a pessoa não é capaz, ela não quer dividir o peso e acha que ela pode carregar esse peso sozinha ou que ela deva carregar esse peso sozinha. Agora, Valéria, do ponto de vista do do funcionamento do cérebro, por que algumas pessoas podem se sentir mais seguras quando estão no controle de tudo ou acham que estão no controle, não é? E aí eu tô no controle, eu tô segura, eu dou conta de tudo e tá tudo sob controle. Essa sensação de ter o controle de tudo, eh, também aprisiona na questão de pedir ajuda. Sim, o cérebro eu falo que se nós soubermos usar ele da maneira adequada, nós temos um grande poder em nossas mãos. Uhum. Então, o cérebro ele é um músculo que ele é previsível, então ele tem a sensação de quanto mais no controle eu estou, mais aliviado ele fica, porque é a sensação desse autocontrole. Então, menos imprevisibilidade, né? Então, eu sei o que vai acontecer, qual é o meu próximo passo. Então, quando nós crescemos em um ambiente onde é um ambiente caótico, um ambiente onde as coisas acontecem de maneira atropelada, então o cérebro ele vai entrar no estado de alerta. Então, se eu estou em estado de alerta, eu estou o tempo todo ligado, o descansar para o cérebro, ele começa a ser culposo. Uhum. Então, o cérebro ele precisa de uma previsibilidade. Por isso a gente fala assim, eh, a importância de termos o dia planejado. Isso faz o cérebro dar uma relaxada, dar uma descansada. Por de manhã eu sei que eu tenho tal compromisso, eu preciso trabalhar aqui, preciso atender o paciente ali, agora eu preciso parar. Uhum. Mesmo sabendo que em algumas situações aquilo que foi planejado sai fora ali do controle, mas nós temos um planejamento do nosso dia, então faz com que o nosso cérebro ele saia do estado de alerta. Então por isso que algumas pessoas têm dificuldade com imprevistos, né? Planejei, por exemplo, estar aqui hoje às 7:30 da manhã, só que teve um acidente na rodovia e eu dei uma atrasada. Então, o fato daquilo sair do meu controle faz com que o meu cérebro entre em estado de alerta e eu posso desregular muito fácil no meu dia todo. Uau! Por isso é legal a criança ter a rotina. Exato. Por isso a importância da rotina. Muito bem. Então, e essa essa necessidade de controle pode começar na infância? pode começar na infância totalmente, porque justamente que ela completando, né, essa necessidade, essa na verdade não é nemuma, é uma necessidade neural, né, mas é uma necessidade para a criação da criança essa rotina. Então, horário para tudo, horário para comer, horário para sair, horário para dormir, horário para descansar, horário para brincar, porque daí o cérebro dá essa confiança e a criança ela cresce mais segura. Porque quando você não tem horário para nada, você faz do jeito que dá. O cérebro entra nesse sistema ativo de toda hora, opa, qualquer hora pode acontecer. Lembra da época do homem das cavernas? Qualquer momento o bicho ia atacar. Uhum. Então sempre alerta. Sempre alerta. Sempre alerta. Isso. Exato. E isso estressa demais, né? Olha só, gente, muito interessante, né? E e tem também a questão cultural, né? muito forte aí que a a criação hoje já não sei se é assim, mas a criação de alguns tempos atrás mostrava e dava a entender que nós precisaríamos ser fortes o tempo todo e passar, né, por cima de tudo, todos aguentar tudo, estar disponível e até não dizer não, né? Muita gente aprendeu isso na infância. Eu espero que os padrões estejam mudando, porque isso, eh, quando você se torna adulto, esse aprendizado, ele acaba trazendo pra gente uma sensação de você não pode dizer não e você dá conta de tudo. Então, isso resume o que vocês disseram pra gente. A infância faz todo sentido eh quando a gente fala desse padrão, dessa cultura do eu dou conta, né? Agora, a diferença entre uma pessoa que tem autonomia, Valéria, e uma que desenvolveu a autossuficiência, porque tem diferença disso. Eu eu eu tenho autonomia, mas eu sou autossuficiente. Explica pra gente. Eu acho meio confuso porque não entendo no no profundo, mas você pode nos orientar. Você é nossa profe. Sim. Eh, quando nós falamos de autonomia, ela vem do lado positivo, porque uma pessoa autônoma, ela vai conseguir pedir ajuda, ela consegue dizer o não, né? Que muitos de nós nós temos essa dificuldade, então ela consegue descansar. Já uma pessoa com autossuficiência, ela vive nesse estado de alerta, ela tem dificuldade de dizer o não, porque ela acha que ela tem que dar conta de tudo, certo? Então, eh, isso gera nela esse estado sempre de vigilante, tentar agradar a todos e a si mesmo. Então, a pessoa que ela é autossuficiente, ela tem muita dificuldade, por exemplo, de descansar, porque ela sente que ela está sendo inútil. Uhum. Né? É porque traz aquela sensação de eu sempre tenho algo a fazer. Então, se eu sento no sofá para assistir uma série, né? Eu vou citar os nossos exemplos. São entre mulheres aqui. Nossa, mas eu preciso pôr a roupa para bater. Sim. Aham. Nossa. Ah, não. Pera aí, deixa eu pausar que agora o o gatinho tem que comer. Nossa, eu preciso pensar na janta. Então, essa questão de dar conta de tudo e a dificuldade da autossuficiência é de delegar. Hum. Né? Então, se eu tenho o meu filho que já pode me ajudar dentro de casa, por que não falar para ele? vai lá e coloca a comida do gatinho se aquilo já for competente da idade. Então, a dificuldade de delegar também dessa pessoa autossuficiente, porque ela vai ter dificuldade em aceitar o jeito que o outro faz, porque a questão da imperfeição, então isso gera um peso muito grande. O trabalho só vai tá bem feito se eu fizer, porque eu sei fazer da melhor forma. Então é um peso muito grande. É aquela frase, né? Que é bem feito, faça você mesmo. Lembrei dessa frase agora. Tudo a ver com o que a gente tá falando e às vezes a pessoa fala: "Eu sou autossuficiente assim de boca cheia", sabe? Eu sou autossuficiente. Gente, a gente precisa ser autossuficiente o tempo todo, né? Né? Acho que não tem essa necessidade, né? Patrícia, vamos lá. Como que a gente percebe que o eu faço sozinho? Ele deixou de ser apenas uma preferência, né? Eu prefiro fazer tudo sozinho e tal, enfim. E começou a prejudicar a vida de quem faz tudo sozinho. Eu acho que a base a gente pode pensar assim: "Eu faço tudo sozinha ou eu preciso fazer tudo sozinha?" Boa. É o peso que a gente carrega. Uhum. nessa diferença, porque fazer sozinha você pode, é autonomia, você simplesmente você faz porque você dá conta, porque aquilo é você tem facilidade para fazer. Só que quando você precisa fazer sozinho, vem num peso, vem numa pressão, aí começa um problema, porque daí você não, provavelmente não consegue pedir ajuda. Uhum. E aí é onde entra o nosso estado de, como eu vou dizer, o nosso estado de preocupação aqui nós como, como psicanalistas, porque quando você não consegue pedir ajuda, você precisa parar e entender e se sentir por que que eu não consigo pedir ajuda? O que eu sinto quando eu penso em pedir ajuda? E aí começa a nossa investigação para ver aonde isso começou. E aí a gente eh a gente decifrar aí, né, tudo que aconteceu com você para você se tornar a pessoa que você quer se tornar e viver mais leve. Mas para isso você precisa querer se libertar disso e perceber que isso não tá fazendo bem para você. Nossa, que forte, profundo, porque se você não consegue pedir ajuda, não consegue delegar funções dentro de casa, por exemplo, né, de falar pro seu filho: "Olha, filho, hoje você vai junta o lixinho aqui para mim enquanto eu vou lavando a louça, você agora eh eh tira o café da mesa. Se você não consegue pedir ajuda nessas simples coisinhas, eh será que você vai conseguir pedir ajuda se você está se sentindo mal? Será que você consegue se perceber que você está num momento da sua vida em que você precisa de ajuda, de repente para cuidar da sua saúde mental, para cuidar da sua saúde física? A gente precisa de outras pessoas. Eh, é legal ser sozinho, não sei, a solitude, top, mas vai chegar o momento da vida que a gente vai precisar de algum, alguma ajuda de alguém. Imagina você se sentir preso com você mesmo sem conseguir pedir ajuda, né? Isso deve ser algo assim que corrói por dentro. E talvez o sinal de alerta não seja simplesmente eh fazer muita coisa sozinho ou eh curtir a sua solitude, enfim, pode ser ajustar eh eh ajustar, né, ter mais flexibilidade nessa hora de pedir ajuda quando essa ajuda for necessária, porque eh vamos analisar aqui, a pessoa ela não quer pedir ajuda porque ela dá conta de tudo. E se ela pedir ajuda, como ela tá acostumada a dar conta de tudo, ela pode se sentir culpada. Valéria, como que a gente faz para lidar com essa culpa, né? Imagina uma pessoa que foi forte a vida toda, que não pediu ajuda para ninguém a vida toda, que carregou peso a vida toda, ela tá cansada, vai chegar uma hora da vida que ela tá se arrastando e aí ela vai ter que pedir ajuda, mas ela não aprendeu. Então pode ser que alguém entenda o sinal e venha ajudar e ela deixe que a ajuda chegue. OK? Mas ela vai sentir um peso depois de ser ajudada. Como é que faz com essa culpa, essa carga da vida toda? E aí de repente, poxa, a vida inteira eu passei sem precisar da ajuda de ninguém. E agora eu me sinto inútil porque eu estou pedindo ajuda. Quem sou eu? O que que eu virei? Olha só como é complexo o nosso pensamento, gente do céu. E essa dificuldade ela se dá exatamente lá da infância, né, Patrícia? Patrícia, depois ela pode complementar um pouquinho. Eh, exatamente por quando a gente pede ajuda, muitas vezes dá sensação de fraqueza. Uhum. Né? E lá na infância nós somos, nós fomos, né, ensinados. Eu acredito que essa geração atual nem tanto, mas as gerações assim anteriores eh, precisava ser forte. Quantas vezes, né, eh, nós ouvimos para de chorar. engole o choro. Engole o choro, né? Os homens ouviram, homem não chora, né? Tanto que o índice de depressão no homem é muito maior, porque ele tem essa necessidade de ser forte, de ser firme o tempo todo. Uhum. Então vem essa sobrecarga. E é muito comum nós vermos isso em idosos. Idos que sim, né, diferentes que tem a necessidade de de aceitar a velice, porque na velice, por mais saudável, né, que nós vamos envelhecendo, chega uma hora que a gente precisa de um auxílio ali de um filho ou de um cuidador. E muitos idosos, eles não aceitam, tem ali a mente enrijecida. Eu sempre dei conta de tudo sozinha, porque agora eu preciso de alguém. Então isso vem lá da infância, desse ambiente em que nós fomos criados. Culpa dos nossos pais, não, né? Eles fizeram o melhor que podia ter sido feito para nós aquele momento, né? Então eu falo que o primeiro passo para essa pessoa começar a entender é ela aceitar. Uhum. Né? Ela quebrar um padrão, né? que nós costumamos dizer quebrar um padrão e eu não sou mais como eu era antes, eu posso mudar. Hoje eu estou dessa forma, né? A mesma forma de nós analisarmos a gente há 10 anos atrás. Nossa, olha como eu era. Não tem mais como, né, nós voltarmos há 10 anos atrás. Então, o primeiro passo é ter esse ganho de consciência. Hoje eu preciso de uma ajuda. Uhum. vai doer na pessoa. É difícil. É, vai, né? E é muito difícil a gente quebrar esse padrão, mas ele se faz necessário. Então, acho que o primeiro passo, né, que que a pessoa quando ela se identifica com tudo isso que nós estamos falando aqui hoje, com esse tema, é parar e pensar, será que realmente eu preciso dar conta de tudo? Porque a sociedade cobra isso de nós, né? Eu falo que é bonito ver aquelas pessoas falam assim: "Nossa, olha lá, ela acorda seis, ela vai pro serviço, ela dá conta dos filhos, ela olha que legal". Mas e o peso? Eu falo que a gente tem uma mochila aqui invisível e nós vamos enchendo ela de coisas que nem são nossas. Exatamente. E isso normalmente torna, traz doença pra gente psicossomática total. E aí quando não vem algumas coisas psíquicas mesmo, porque vai depender aí de como o corpo libera essa tensão. Sim. Porque tem pessoas que liberam realmente com problemas psíquicos e tem outras que vão pra pele, vão pro corpo, vão pros órgãos. E aí tudo que a gente tem de doença, mesmo que seja até uma simples dor de cabeça, uma simples enxaqueca, pera aí, eu não nasci com isso. Uhum. Da onde veio isso? Então a gente precisa parar, trabalhar mais o nosso estado de presença. A nossa vida tá assim, ó, tudo corrido, muita informação, a gente é metralhada com um monte de coisa e parece que a gente talvez tenha sentido a necessidade, nossa, eu preciso saber de tudo que acontece. Ah, você é inundada por aquele mundo de informação, por aquela por aquela pressão externa que você aceita e a hora que você vê você tá sobrecarregada e o seu corpo ele mostrou para você, ele deu sinais. Só que como a gente não tá trabalhando o nosso estado de presença, você não percebe. Você só percebe realmente quando você vai no médico e vem aí um laudo não muito legal para você. Então, trabalhar esse estado de presença, que é um simples, por exemplo, escovar os dentes. Uhum. Para e raciocina o quanto de pasta você vai pôr. Percebe o como você está escovando. Não vai no automático. Tô fazendo força, não tô, tá mais forte, não tá. Cuida de você melhor. Olha para você. Vai passar o creme, passa o creme. Não, se não faz assim. Cuida bem de você. Presta atenção na sua respiração. Como é que você tem respirado? Você acorda de manhã e faz o quê? Então, sempre para, olha para você, respira devagar, sente aquele ar entrar no seu pulmão. Se você é de fazer oração, faz oração. Senão, só agradece e já mentaliza que o seu dia vai ser bom. traz essas boas energias para você e segue o seu dia. Eu acho que a gente pode começar aí a mudar esses nossos padrões, esses nossos comportamentos, porque é algo sim que veio no nosso inconsciente, mas sim a gente pode quebrar e sim você pode ser a pessoa mais leve, porque afinal de contas para onde quer que a gente vá, a gente vai levar isso com a gente. Então, a gente precisa querer o nosso bem e o bem de quem tá ao nosso lado, porque afinal de contas a gente tá num mundo relacional, a gente não pode viver isolado, né? Até Buda mesmo, né? Ele saía, ele ia lá pro canto dele e depois ele voltava. Então, esse momento de estado de presença em que você vai ter o seu momento sozinha, pensar, refletir, evoluir e depois você volta pro mundo relacional para você aprender a lidar com as outras pessoas. Porque aí também e principalmente que a gente evolui, a gente aprende muito quando a gente se relaciona com o outro. Viver sozinho é muito mais fácil, porque agora as nossas os nossos embates aí, tá? Realmente aprender a lidar e aceitar e compreender o outro também. Uhum. E só para complementar o que a Patrícia trouxe, é exatamente isso. Quando nós estamos nesse aceleramento, nós influenciamos aquele que está junto conosco. Sim. Então, muitas vezes a gente fala assim: "Ah, essa criança é agitada". Mas como é a rotina da família dentro de casa, né? Então, ai, acorda em cima da hora, passa esse creme, vai, coloca o tênis, coloca o tênis. O cérebro da criança, ela não nasceu no estado de alerta. Nós que tornamos essa criança em estado de alerta, porque vai coloca o tênis, deixa que eu faço para você. E com isso você tira também a autonomia da criança, porque você quer que faz rápido e a criança ela tem um ritmo dela. Então na hora de comer vai come, vai pega. Então tudo muito rápido. Então lá na frente nós vamos ser uma criança o quê? Hiperativa, laudada, né? Ele fala assim: "Nossa, o momento dos laudos. Mas será que essa criança realmente nasceu ou ela se tornou uma criança hiperativa? Perfeito, né? Então assim, que ambiente que essa criança ela está vivendo desde lá da infância, desde a gestação, né? A gente fala assim, por que que a importância da gestação ser uma gestação calma? Exatamente porque tudo passa pro feto. Desde que tá ali no feto, essa criança tá sentindo essa energia, né? Então, muitas vezes a gente precisa parar e pensar, tem a necessidade, né? Então, quando pergunta que nem, Patrícia, que que você jantou ontem? Às vezes ela não sabe responder porque jantou correndo. Uhum. Não parou para apreciar, por mais simples que seja, eu falo arroz, feijão e um ovo. Tem um sabor, teve um preparo. Então, a gente não para para prestar atenção nessas primeiras, nessas coisas pequenas. Uhum. E aí a gente tem dificuldade em celebrar tudo isso, né? A gente espera só para agradecer, para celebrar aquilo que é grande, mas as pequenas conquistas diárias passa batido, porque estamos em estado de alerta, estamos acelerados. É um ponto importante que eu acho falar para frisar, que você já comentou, é a gente não culpar os nossos cuidadores. Uhum. Então, o culpar o outro é muito mais fácil e apontar o dedo pro outro, lembra? Aponta aqui, vem três pra gente. Então, olha para você, você se libertar disso, compreender que o outro fez o que achava que devia fazer com a consciência dele, deixa ele como dele, vem você, olha para você e aprende você com o que você precisa aprender com isso. Porque algumas situações a gente atrai pra gente. Por que que eu atraí essa situação? Por que que eu senti isso? Por que que eu percebi isso? Por que que eu eu eu essa nossa entrevista aqui com certeza nós atraímos esse movimento. A Valéria não tá aqui comigo à toa. A gente com certeza já tem uma sintonia assim mesmo com a Rúbia. Isso é uma conexão que a gente faz com o nosso dia a dia, com o nosso pensamento, com as nossas ações e atitudes. Porque só também ficar no mundo do pensamento do ã vai dar certo, não vai rolar. A gente precisa transformar tudo de bom em ação. Então, queira o melhor para você, consequentemente vem pro outro e tudo ao seu redor começa a melhorar. E esse peso do eu dou conta vai saindo de você nos seus pensamentos e depois nas suas atitudes. Uau, meninas, que que foi isso, hein, gente? Que maravilha. É tão bom, né? a gente vocês falarem vai abrindo a nossa mente assim, você vai falando: "Uau, é aqui que eu preciso ah ter mais atenção, é por esse caminho que eu devo seguir." Obrigada pela presença, viu? Demais. Agora vamos falar de relacionamentos, porque uma pessoa que vive dentro de um relacionamento onde um de dos dois dá conta de tudo, resolve todos os problemas, tem autonomia, é autossuficiente, vai chegar uma hora que vai esgotar, não vai, Valéria? E Patrícia vai, né? É no relacionamento e seja ele qual tipo de relacionamento, sempre tem um que vai sobressair, que já é mais, né? Eu falo ligado no 350. Então é normal ter um em qualquer relacionamento, sempre tem aquele no serviço que já é mais proativo, que quando vê já tá ali fazendo reunião, já tá com material pronto dentro de casa sempre tem aquele que tem toma-se mais atitude. Isso se dá por conta dos padrões familiares que nós recebemos e também da pessoa até aquela pessoa que é mais proativa, né, que já vai já líder, né, de liderar, já cria esse grupo. Então, é uma junção de um perfil já pré-estabelecido e de um ambiente que essa pessoa foi inserida. Uhum. Então, junta tudo em uma pessoa só e aí nasce aquele serzinho que parece que tá ali o tempo todo ligado, resolvendo tudo. Só que essa pessoa, ela precisa aceitar a ajuda. Mesmo ela dando conta de tudo, é importante ela delegar ordens para ficar mais leve, porque uma hora assim o corpo ele vai gritar. E a outra pessoa também, ela se sente num num lugar é um pouco desconfortável, não é? Porque imagina você conviver com alguém que dá conta de tudo, que faz tudo, que resolve tudo, que vive correndo, correndo, correndo e você aqui no cantinho. E aí, quem sou eu? O que que eu posso fazer para ajudar? Não, ele não aceita ajuda ou ela não aceita ajuda. Então tá, eu continuo no meu cantinho, no meu mundinho. E a pessoa aqui, ó, e a pessoa que E aí a outra que não dá conta, que não faz nada e que fica só observando esse movimento. Patrícia, normalmente essa pessoa que tem esse estigma, né, de eu dou conta, ela acaba não se abrindo emocionalmente o suficiente ou até nada para outra pessoa. Então aquela outra pessoa acaba não conseg não com não tem a intimidade, porque a intimidade é você também conhecer por dentro o que que a pessoa sente, o que a pessoa entende, o que a pessoa compreende, o que que ela gosta. muitas vezes até o falar pelo olhar, aquela conexão bonita e isso vai do quando você realmente permite ter é esse tipo de intimidade. E essa intimidade é que ela faz o relacionamento fortalecer. Uhum. Só que para isso a pessoa precisa se permitir agora se o outro também não dá é os é o limite é não dá espaço, né? A pessoa limitou aqui e a outra não vem, não entra, porque aqui ela fez uma barreira de segurança, porque ela se sente sem confiança. Aí por n motivos aí que a gente já falou, provavelmente da infância, adolescência, algumas coisas aconteceram e a pessoa não teve segurança, então ela não se sente livre para colocar os sentimentos para fora, para ser frágil. Exato. E aí esse relacionamento com certeza não fica um relacionamento totalmente saudável, né? Uhum. É verdade. Às vezes é importante a gente mostrar a nossa vulnerabilidade, né? Claro, em situações distintas, mas a vulnerabilidade ela faz parte do ser humano e pode fazer parte do nosso dia a dia. E diga-se de passagem que ela pode fazer muito bem, eh, né? quando a gente se mostra vulnerável para alguma situação, porque depende da situação, essa vulnerabilidade, ela vai fazer sentido para você, para outra pessoa. Vai ser um momento, de repente de uma abertura, de da criação de um diálogo que fazia tempo, que você queria ter, mas você não tinha porque você tava fechado. A partir do momento que você se mostra vulnerável, de repente é um momento em que a outra pessoa tem a oportunidade de chegar até você, não é, Valé? É verdade. E isso é eh eu falo que paraa pessoa que tá ali próxima, ela quer ajudar, mas tem essa barreira. E até mesmo a pessoa que está ali nessa autossuficiência, ela anota o outro e ela vai criticar: "Nossa, não faz nada, não me ajuda." Exato. Então assim, mas será que você chegou a pedir, que é uma frase óbvia que a gente costuma dizer, que o óbvio ele precisa ser dito. Então é verdade, porque é óbvio para você, mas não que nós precisamos passar um aspirador de pó na casa todos os dias, mas pro outro às vezes não tem essa necessidade. São visões diferentes, são visões diferentes, são criações diferentes. Então a gente precisa sim sinalizar, ó, será que você pode me ajudar? Sim, tô precisando de ajuda aqui. Isso não se torna eh pessoas fracas e sim pessoas fortes, fortalecidas, porque o ato de pedir ajuda também nos fortalece. Não, com certeza. Sabe que eu acho também assim, quando a gente também precisa ficar atento para quando a gente fala assim: "Ah, eu peço ajuda e a pessoa não faz. Vamos lá. Será que de repente eu habituei essa pessoa a não me ajudar? não me ajudar, não me ajudar, não me ajudar. E de repente eu resolvi pedir e a uma vez só, ó, já pedi, pedi uma vez e ela não fez. Pronto. Aí você fala: "Ó lá, tá vendo? Por isso que eu preciso dar conta de tudo, porque a pessoa não faz ou ela não faz certo. Ela às vezes você tem também uma rigidez que só você vai fazer certinho daquele". Não, não tem quem dar conta de tudo. Você não precisa dar conta de tudo. Você não precisa ser forte o tempo inteiro. Nós precisamos ser vulneráveis. Nós precisamos buscar o equilíbrio emocional, o equilíbrio de todas as nossas atitudes, porque afinal de contas nós somos seres que estamos desenvolvendo várias capacidades e uma delas é de nos compreender, de nos amar, compreender o outro e amar o outro. Então é um processo que a gente precisa se permitir. Equilíbrio, nada de ser muito aqui, nem muito ali. Esse é isso que a gente precisa observar em nós e compreender no outro. Se o outro é, é como o outro. Olhe para você. Se você se incomoda com alguma coisa do outro, para e pensa: "Por que isso me incomoda? O que isso me traz? Como eu me sinto? Quais as recordações que isso me traz? Tudo tem um motivo, porque quando aquilo não te atinge, é porque você tá bem. E a gente diz aí assim, vou usar uma palavra um pouco, né, perigosa, é a nossa cura. Quando a gente olha para determinada situação, fala: "Nossa, não senti mais aquela raiva, não tive mais aquele sentimento que me incomodou". Show, a situação aconteceu. Parabéns. Agora vamos pro próximo, meninas. É isso que dá, né? Patrícia jornalista. Patrícia jornalista, neurocientista, psicanalista, né? Valéria, professora, né? E psicanalista. Então, aí a gente percebe e a comunicação de vocês como que eh acaba entrando na nossa cabeça assim, fazendo todo sentido. Maravilhosas. Pessoal de casa tem algumas perguntas e vamos ver quem é que tá com a gente. Então, a produção já vai colocar na tela. A gente vai até 95 agora 8:49. Estamos ao vivo aqui falando da cultura do eu dou conta, né? Quem nunca já tentou dar conta de tudo? Já tentou delegar funções aí? Então faça isso que você vai ver como pode ser, pode fazer sentido na sua vida. Bruno Almeida do Bom Fim. Quando alguém oferece ajuda, respondo, não precisa. antes mesmo de pensar, olha o automático. Essa resposta pode virar um hábito. Como perceber isso na hora? Então, Valéria, e esse não precisa, eu já me peguei assim várias vezes também e a gente, a pessoa fala assim: "Não precisa". Aí depois você pensa: "Poxa, mas por que que eu falei: "Não precisa? Eu precisava tanto, mas sai sem querer." Sim, porque estamos no piloto automático. É a mesma coisa de Oi, tudo bem? Sim, tudo bem. E na verdade nem será que você tá bem? Então assim, por que não ser verdadeiro? Qual sua resposta? Uhum. Oi, precisa de ajuda? Acho que eu preciso porque alguém sempre pode nos ajudar. Sim, né? Então eu acho que primeiro é desacelerar e sair desse piloto automático. Aham. Porque o nosso cérebro, ele realmente está programado a dar umas respostas já ali prontas, porque sempre foi assim: "Preciso de ajuda, não, não preciso, mas lá no fundo você precisa". E qual é o peso desse falar eu preciso? É como que isso pesa dentro de você? Uhum. Então, colocar na balança, o que pesa mais, eu aceitar ou eu suportar essa figura perfeita do dou do conta de tudo. Gente, que impressionante. O Bruno falando assim, eh, a gente se vê muito. Acho que você em casa também eh, faz uma reflexão aí. Quantas vezes te ofereceram algum tipo de ajuda e no automático você falou: "Não preciso". Impressionante. Se você se percebeu um momento, falei: "Não, mas já veio aqui, mas eu preciso". Conserta. Aham. Conser preciso sim. Não, pera aí, pera aí, pera aí. Volta aqui que eu preciso sim. Vem me ajudar. Sua ajuda vai ser muito bem-vinda. A gente precisa entender e aceitar isso, né? E a gente vai mudando, né? Modificando os padrões. Muito bom. Eh, mais uma pergunta pra gente na tela, por favor. Produção, pode colocar agora 8:51. Sandra Oliveira do Ponte Preta, se eu consigo cumprir uma rotina num dia, já espero render igual a semana inteira. A nossa capacidade de realizar tarefas pode variar, mesmo sem haver algo errado. Então, eu consigo cumprir a tarefa hoje, né? E aí eu acho que nos outros dias eu vou conseguir também. Ah, não, não, né? A gente é um movimento e cada dia a gente tá diferente, não é? Não. Conta pra gente, Patrícia. a bendita da expectativa. Ah, é isso. Essa expectativa aí não vou falar uma palavra feia porque olha, a gente tem que tomar cuidado com ela. Essa ela pode nos causar essa ansiedade e aí pronto, você com certeza não vai um dia de cada vez. Uhum. é o trabalhar essa, essa paciência com a gente mesmo. Então, nossa, hoje eu fiz muito bem, o trabalho rendeu para caramba. Então, o gasto que você teve energético, ã, da parte do cérebro mesmo, foi de repente muito grande mesmo. Por facilidade que você tinha, por empolgação que você estava, por pressão, por motivos. É outro. Aí você dormiu, o cérebro fez todo o trabalho dele, alimentação, estress ou não, tudo que você passou, pronto, acordou, o seu corpo está de outra forma, de repente melhor performance, de repente nem tanto. Você dormiu bem, não dormiu tão bem, como foi sua alimentação? Como foi o estress? Como seu corpo lidou com aquilo? E aí, pronto, no dia seguinte é um outro dia. Então, cuidado com essa expectativa. Faça tudo melhor para você, o seu exercício físico, que tudo vai ajudar você a ter sempre uma melhor performance. Porém, cuidado com essa autocobrança excessiva. Literalmente, eu dou conta de um dia, eu vou dar conta do outro ou eu tenho que dar conta do outro. Então, tira esse tenho, tira essa esse peso de você, respira, faz o seu melhor para aquele dia. E aí você também não leva esse peso na consciência, né, de tipo, caramba, ontem eu dei o meu melhor, mas o meu melhor de hoje não foi um dia de cada vez. Nós somos seres voláteis, as emoções, tudo influencia no nosso o nosso meio. Onde você tava de repente no trabalho num dia, se você tava no escritório, o escritório de repente tava todo mundo tava legal e nossa alguma coisa me repente meu chefe me olhou estranho. Hum. E aí você não perfumou legal? Uhum. Por que será? Uhum. Porque o que a gente tava falando, nós vivemos num mundo relacional e se o outro não tá legal, pronto, você também de repente capta um pouco daquilo. E é assim que funciona o mundo. Muito bem. Eu acho que só complementando, por favor, eh, essa questão do errar é se permitir errar, a gente tem uma visão da constância e constância não é eh o seu 100% ali todos os dias. Tem dia, né? Eu costumo dizer no meu serviço que eh hoje eu vou fazer o meu máximo, o meu melhor e o meu máximo hoje é 1%. Esse 1% naquele dia é o meu 100%. Então, se permitir a não vestir todos os dias, né, a capa do superherói, tem dia que essa capa ela vai ter que ficar ali no canto e que tá tudo bem. Amanhã é um outro dia, né? Então essa constância, a gente precisa mudar um pouco a visão dessa do que ser constante na minha vida. Sim. Antes eu não malhava, hoje eu malho três vezes na semana, então isso já é um melhor. Uhum. Então é essa aceitação de que um dia eu tô bem e no outro dia nem tanto e tá tudo bem. Exatamente. A gente precisa, né, ter essa consciência do movimento, né, o movimento do do dia que um dia de um jeito, do dia de outro e tá tudo certo. 8:56, mais uma pergunta pra gente na tela, por favor, produção, a última. Eu acho que dá tempo para mais duas, mas vamos lá. Agradecendo você que tá aí do outro lado participando conosco. Renato Ferreira do Jardim Auréliia. Quando uma criança só recebe elogios por fazer tudo sem ajuda, ela pode entender que precisar de alguém é errado. O que mais os adultos deveriam valorizar? Ah, sim. Muito bem. E aí, Patrícia, quando a criança ela só eh recebe elogio Uhum. Opa, cadê o equilíbrio? Ela não leva a bronca. É, é isso que ele quis dizer. É isso. Então assim, por que que essa criança não tá levando bronca? Às vezes o pai deixa de dar bronca porque ele levou muita e não quer repetir no no filho e aí vem o peso. Ele fala: "Eu não quero isso pro meu filho". Então ele deixa de pedir ajuda pro filho. Ele deixa ele tem medo de traumatizar a criança. Ele faz totalmente o oposto e a criança ela fica com uma referência só. Só eu só eh eu eu só sei o que é certo, porque eu não levo bronca. Então quer dizer, mas espera aí o errado como é que fica quando ela de repente e bate num amiguinho, num divide, não dá um pouquinho do do lanchinho dela? Como é que faz isso? Quando ela não faz nada em casa, como será que essa criança vai crescer? Com certeza ela não vai ter essa referência. E aí ela vai ter baixa tolerância, frustração. Isso. Nada, tudo que acontecer com ela, ela vai sofrer demasiadamente. Por quê? Porque ela não, realmente, ela não teve essa parte da correção. Olha, filho, não é legal você fazer isso porque vai machucar o amiguinho. Se alguém fizer com você, você também não vai gostar. Então, como não teve esse equilíbrio, baixa a tolerância, a frustração e aí várias consequências se tem. Hum. Muito bem, mais uma pergunta pra gente fechar. Então, produção, bora que bora. A última do programa de hoje. Estamos aqui com a Patrícia, com a Valéria, falando sobre a cultura do Eu dou conta. É uma cultura, né, que a gente traz aí de longa data e que parece que as coisas têm ah manejado para uma melhoria e a gente fica muito feliz com isso. Fernanda Alves do Jardim Eulina. Fico chateada porque ninguém percebe que eu preciso de apoio, mas sempre digo que está tudo bem. Por que espero que os outros adivinhem o que eu não consigo falar? Valéria, olha só que interessante. Não é só você, Fernanda, sinta-se acolhida, né? Porque tem muita gente que passa por isso e às vezes a gente faz isso no inconsciente, não é? Não, Valéria? Exatamente. Porque imagina uma família vendo que você sempre deu conta de tudo. Então assim, ah, não vou nem oferecer porque às vezes que eu ofereci me ajudar, eu fui recusada. Ela falou que não precisava. Então, se ela precisar, ela me pede. Então, as pessoas também acostumam com o jeito dessa autossuficiência de uma pessoa que dá conta de tudo, como sempre deu, né, ou achou que tá dando conta de tudo. Então, a pessoa ela não nem oferece. Então é aquilo que nós falamos lá atrás, o óbvio ele precisa ser dito. Isso. A gente precisa eh trazer essas pessoas para perto de nós. Tem um vídeo na internet que é muito comum. A mulher ela pega um pote de palmito e ela consegue abrir, só que ela vê o marido sentado no sofá e ela fala: "Nossa, isso é a função do marido da ela vai e fecha e fala: "Você pode abrir para mim, por favor?" Aham. Então é muito isso, mesmo que você consiga realizar, mas é trazer o outro para dentro da sua convivência para ele também se sentir importante, sentir que ele a presença dele ali naquele meio é importante também, né? Então o primeiro passo é ela identificar, né? e a Fernanda identificar que ela precisa de ajuda e conseguir falar isso, colocar para fora. No começo vai ser difícil, vai ser complicado, aquilo vai soar estranho, mas com o passar eh do tempo, essa prática, estando ali ativa, isso vai se tornar automático, vai se tornar leve. E aí ela vai parar e pensar: "Por que eu não fiz isso antes? Por que que eu não pedi ajuda antes?" Então, eh, é trabalhar essa questão, é começar, é dar o primeiro passo no pedido de ajuda. Eu digo, Fernanda, peça ajuda e se você recebeu um não, não se frustre na na primeiro no primeiro não que você ouvir, porque uma coisa que a gente tem certeza é um não. O não é certo. Exatamente. É isso aí, né? Então assim, peça e continue esse seu processo consciente de se libertar desse peso que você tá carregando. Agora, eh, Patrícia, ela diz ali: "Por que espero que os outros adivinhem o que eu não consigo falar?" Qual essa espera, eh, essa expectativa de, eh, de repente que a pessoa veja através de algum algum movimento meu que eu estou precisando de ajuda, porque eu não consigo falar, porque eu tô na cultura do de eu faço tudo. Por que essa espera? Porque justamente a gente sempre quer que o outro, como eu sempre deu, eu sempre dei conta de tudo e de repente eu fico com aquela expectativa que o outro olhe em mim algo que de repente eu nunca deixei ele observar, porque eu nunca dei brecha para ele. Uhum. Também vamos lá, tem a visão de a pessoa ela foi criada de uma forma em que ela é menos sensível. Ela, as outras pessoas sempre fizeram por ela, então de repente ela não tem esse olhar, ela ele não tem essa visão de perceber que o outro precisa de ajuda. Então, cada ser é o único. Eu falo que cada pessoa é uma digital. Então, se o você, se o outro não percebe, ele tem a história dele. Então, ele na caixinha dele e você na sua caixinha. Não se frustre, preste atenção, porque ele tem a história dele. Então, apenas faça sua parte e não fique esperando, porque o tempo passa, a vida passa e a gente fica aqui, ó, só tricotando e não evolui. É muito bem. E aprender a sinalizar também, né? Oi, tudo bem? Tô precisando de você. De repente você eh eh esse estou precisando de você pode me ajudar? Pode soar de uma forma pro outro que ele fala: "Nossa, que bom, né? Eu estou aqui". Eu estava esperando você me dizer isso. Então, às vezes quebrar esse padrão, né, romper esse essa barreira seja muito importante. Agora 93, a gente precisa encerrar o programa. Feliz demais por receber vocês duas aqui. Muito obrigada pela participação. Então, Valéria, deixa uma mensagem pros nossos telespectadores, pessoal que participou, quero agradecer demais a sua presença, ah, a sua contribuição conosco hoje. Perfeito, maravilhoso. Gratidão. Obrigada. Mais uma vez, obrigado todos vocês que estão aqui nos assistindo ao estúdio por ter aberto essa oportunidade para nós estarmos aqui. E um uma mensagem que eu deixo é: peça ajuda, sinalize, busque por ajuda. Então, um dos primeiros passos é se importar com a saúde mental. Então, busque uma ajuda profissional, busque eh uma terapia, um qualquer coisa que faça com que você tenha o seu momento, né? A gente precisa desse momento, dessa válvula de escape. Muitas vezes é junto com um profissional que nós temos essa ajuda, esse momento. Então, busque por ajuda. Você não está sendo fraco por pedir ajuda. Então, essa é a minha mensagem hoje. Muito obrigado. Boa semana. Nossa! Nós que agradecemos a presença de vocês, Patrícia. Obrigada pela sua participação, presença, contribuição e e tanta coisa boa que vocês falaram no programa de hoje. Acredito que você aí de casa possa até compartilhar esse programa que já tá disponível lá no YouTube. Então, fica à vontade, compartilha com quem faz sentido para você, porque é importante a gente aprender. Esse programa é um aprendizado diário, graças à presença de vocês. Então, Patrícia, gratidão. Deixa uma mensagem pros nossos telespectadores pra gente encerrar. Obrigada, Rúbia. Obrigada, Valéria Estúdio Câmara. Obrigado por essa oportunidade de poder ser mais uma vez instrumento de auxílio para vocês e vocês que hoje de acordo com o tema eu dou conta, a minha orientação é vocês também, completando aqui, precisam aceitar a ajuda de uma terapia. E a terapia, vocês precisam tirar um pouco isso da cabeça, algumas algumas pessoas que tente para quem tá louco, é para quem realmente tá num estado. Não, terapia é algo rotineiro, é algo que faz você se sentir melhor, é aquela pessoa que você tem de confiança para desabafar e poder ser realmente quem você é, para te dar uma estabilidade, para te dar pequenas orientações, pequenos exercícios que vão fazer você se sentir melhor e tirar esse peso que você tem. poder se compreender, conhecer você, o autoconhecimento e sair desses ciclos, desses padrões que vocês carregam e não sabem da onde vem. Nós somos formadas para isso, nós somos, nós estudamos para isso e somos usadas como um instrumento para ser parte do seu caminho, para ser parte da sua evolução. Uau! Que dizer depois disso tudo, gente, é isso. Talvez uma das maiores provas de independência seja justamente perceber que não precisamos fazer tudo sozinhos. Ter autonomia não significa viver sem ninguém, significa poder escolher, inclusive quando é hora de dividir a sua carga, porque pedir ajuda também é uma forma de cuidado. Então, eh, a gente precisa, de repente se olhar com mais carinho, tá? com mais autocompaixão. A gente vai encerrando o nosso estúdio Câmara de hoje, agradecendo a sua audiência, a sua companhia, lembrando que ao meio-dia temos Câmara Notícia, depois hoje às 18 horas, hoje é quarta-feira, então tem reunião ordinária, né, no plenário da Câmara, você pode participar ao vivo eh presencialmente lá ou então acompanhar a nossa transmissão aqui na TV Câmara Campinas, nos canais da emissora no YouTube, também no site da TV Câmara Campinas, tá? E vamos, amanhã no estúdio Câmara vamos conversar sobre, hum, vamos falar sobre nossa sensibilidade. Então, por você já parou porque um comentar eh parou para pensar, aliás, porque um simples comentário costuma soar como um ataque pessoal. Aí a pessoa fala assim: "Nossa, tá sensível demais". Então, a gente vai entender amanhã a relação entre autoestima, tolerância à frustração e como lidar com as críticas no dia a dia. O tema de amanhã é: estamos mais sensíveis ou o limite se perdeu? Como é que tá aí a sua tolerância? Vamos falar sobre isso amanhã, a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Agradecemos você mais uma vez pela sua companhia, as nossas convidadas pela presença e ensinamentos e amanhã a gente volta com mais psicoeducação aqui na telinha da TV Câmara Campinas. Um grande abraço, fique bem e até lá. Ciao
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