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OLHA O ESPORTE AÍ - GINÁSTICA ARTÍSTICA
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OLHA O ESPORTE AÍ - GINÁSTICA ARTÍSTICA

8 views Publicado 23/08/2024 HD · 15:38

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Olha o esporte aí, eu sou Rafael Turati e o tema de hoje, como a gente pode ver, é a ginástica artística. E como sempre, a gente começa com algumas curiosidades, vamos conferir. A ginasta Rebeca Andrade é a maior medalhista do Brasil na história das Olimpíadas, com seis pódios olímpicos. Com quatro medalhas nas Olimpíadas Paris 2024, sendo um bronze por equipes, uma prata no individual geral, uma prata no salto e um ouro no solo e mais duas medalhas, um ouro no salto e uma prata no individual geral conquistadas em Tóquio em 2020. A ginasta de 25 anos ultrapassa os velejadores Robert Scheidt e Torben Grael e se coloca no topo do ranking de medalhistas brasileiros. E para falar mais sobre esse esporte, estou aqui com a Giovana Eiroldi, professora de ginástica artística há mais de 30 anos. Giovana, a ginástica artística antigamente era praticada com objetivos de preparação militar, é isso mesmo? Isso, a ginástica surgiu na Alemanha e ela era feita ao ar livre, eram formas de prática militar mesmo para desenvolvimento físico, para preparação física das pessoas. E antigamente o nome não era ginástica artística? É, no Brasil a modalidade era chamada de ginástica olímpica, né? Então, para vocês entenderem, é o mesmo esporte, só mudou a nomenclatura. Por quê? A ginástica olímpica está no programa olímpico desde a primeira Olimpíada da Era Moderna. E depois, com o tempo, surgiu a ginástica rítmica no programa olímpico. E aí, como que a gente podia justificar uma ginástica sendo olímpica, sendo que agora existiam duas ginásticas no programa olímpico? Então, a partir do momento que a ginástica olímpica, a rítmica, foi inserida, a ginástica olímpica no Brasil começou a se atribuir o nome que é internacional, que é a ginástica artística. Então, ginástica artística e olímpica são a mesma modalidade. E para o pessoal que está em casa, o que é a ginástica artística? É uma prática corporal que envolve diversas habilidades motoras, diversos movimentos, né? Isso, a ginástica artística, ela envolve todo o corpo, né? Ela trabalha com capacidades e habilidades físicas, trabalha com força, flexibilidade, coordenação, agilidade e nos aparelhos de grande porte, que a gente chama, né? E você falando em aparelhos, a ginástica artística conta com diversos aparelhos? Como que é isso, Gi? Os aparelhos da ginástica artística, no feminino são quatro e no masculino são seis aparelhos. Em comum, os dois naipes, é o solo e o salto. O salto sobre a mesa. O solo é aquele que é praticado no tablado, oficialmente de 12 por 12, onde o ginasta tem que se manter dentro dessa área, porque senão ele perde o ponto. A gente até viu aí na final do solo, inclusive a Rebeca acabou ganhando uma vantagem em cima da Simone Biles, que saiu duas vezes do solo, que é uma dedução muito grande na nota. Então, o solo é feito nos dois naipes. A diferença, o feminino é acompanhado de música e exige das meninas uma coreografia que contemple a música que ela está utilizando. O masculino é uma série sem música. No salto, que também é comum aos dois, a diferença é a altura da mesa. No feminino é 1,25m do chão e no masculino 1,35m. Aí nas provas específicas, no feminino a gente tem a trave de equilíbrio, onde a Rebeca e a Júlia Soares foram finalistas, a trave de equilíbrio ela fica a 1,25m do chão, ela tem apenas 10cm de largura, então mal cabe um pé em cima da trave, e ela tem 5m de comprimento. Na trave, assim como no solo, as ginastas também têm que fazer, além de acrobacias, partes coreográficas para que ela não perca pontos. E, finalizando, feminino, as paralelas assimétricas. Por que assimétricas? Porque fica uma acima da outra. É o único aparelho de suspensão do feminino, onde elas trocam de barra e fazem acrobacias nesses aparelhos. Já no masculino tem, além do solo e salto As paralelas simétricas, que são as paralelas que ficam realmente paralelas Tem a argolas, que a gente teve o campeão olímpico Arthur Zanetti Que foi a primeira medalha, na verdade, da ginástica artística, foi masculina Temos o cavalo com alças, que é aquele que os meninos fazem um apoio Que só pode usar os braços E a barra fixa, eu estava esquecendo da barra fixa que é uma barra só, diferente da paralela feminina, é uma barra só a 2,35 do chão. E cada aparelho exige uma habilidade diferente do ginasta? Como que é? É, no caso do feminino, a gente tem três aparelhos relativamente similares, né? Que é o solo, o salto e a trave, que você usa muito o impacto, o apoio das mãos, né? As acrobacias são muito próximas. E tem apenas um aparelho de suspensão, que é a paralela. No masculino, já é um pouco diferente. Eles têm três aparelhos de suspensão, que é a argola, a barra e as paralelas. Tem um de apoio, que é o cavalo, e o que é mais impacto, que é um pouco mais similar aos movimentos acrobáticos, que é o solo junto com o salto. E a Gi, como que são as provas? Tem uma sequência pré-determinada? Como que funciona isso? Tem uma sequência determinada, que a gente chama de ordem olímpica, né? Então é a melhor, digamos assim, a melhor ordem que você poderia competir, porque no caso do feminino, por exemplo, você vai descansando os grupos musculares, né? Então a ordem olímpica do feminino é salto, paralelas, trave e solo. Então a equipe que começa no salto, ela segue essa ordem normalmente. Quem começa na trave, vai para o solo, para o salto, para o paralelo. Então, segue esse, a gente chama de rodízio, né? A cada rotação é essa ordem que vai seguir. E hoje, e nas provas, os ginastas, eles devem executar uma série de movimentos livres e obrigatórios nos aparelhos? É, funciona assim. A série é composta de exercícios livres, né? Então, assim, só que cada aparelho tem as suas exigências. Então, por exemplo, a trave de equilíbrios, a ginasta é obrigada a fazer uma sequência de saltos, quer dizer, dois saltos seguidos, uma sequência acrobática, duas acrobacias seguidas. Então, dentro do livre, existem algumas coisas pré-determinadas que todas elas têm que fazer, só que cada uma faz aquilo que tem mais facilidade, né? E a cada prova, a atleta é avaliada de acordo com a dificuldade da série? Isso, é assim, nós temos duas notas, né? A nota de dificuldade e a nota de execução, tá? A nota de execução é a nota que parte de 10 e vai regredindo. Então, qualquer erro que a ginasta faça, tira dessa nota 10. Então, ela não esticou um braço, ela fez uma coisa com a perna dobrada, ela teve uma queda, ela teve um desequilíbrio, vai descontar desse 10. Então, fica ali guardadinha a nota de execução. Porque tem os árbitros que avaliam só isso, os árbitros de execução. E tem os árbitros de dificuldade. O que é a dificuldade? É ver o que ela fez. Ela fez um mortal, dois mortais, uma pirueta, duas piruetas. O que ela demonstrou? E daí, dentro daquilo, a gente tem o código de pontuação, que é o que rege a nossa modalidade. Então, dentro do código, a gente tem os movimentos de A até H. Então, A vale 0,10, B, 0,20, C, 0,30 e vai indo até H. Então, uma ginasta faz lá 4Ds, quer dizer, vale 0,4 cada um, vezes 4, 1,60. Ela faz mais alguns outros elementos, vai acrescentando essa nota D, fazendo uma dificuldade. Só que a gente não pode ir fazendo, fazendo, fazendo, fazendo. São avaliados, no máximo, 8 elementos por série, tá? Dessas dificuldades. Além dessas dificuldades, tem esses dois pontos de exigência do aparelho, que nem eu falei, dos requisitos específicos de cada aparelho e tem também as ligações. Por exemplo, ela faz dois mortais seguidos, aí pode ser que tenha uma ligação, que cada aparelho tenha a sua regra. Então, é bem complexo isso para formar a nota D, mas basicamente a nota E é o que tira o que fez de errado e a nota D dá pontos para que ela mostrou o que ela fez. Esporte muito complexo, né? É muito complexo, tanto para o treinador, quanto para os praticantes, quanto para os árbitros. Qual que é a roupa de um ginasta? Os ginastas usam colã, tanto no feminino quanto no masculino, usam colã. No caso do masculino é o colã com calça para alguns aparelhos e shorts para outros aparelhos. O que um ginasta perfeito precisa ter? O mental também é fundamental? É imprescindível, imprescindível, porque assim, é um esporte de precisão, né? Então assim, você pode fazer um milhão de séries no seu ginásio e chega na hora, se você não está preparado, você pode, um por um erro, você se comprometer, né? Se você não tiver aquela, se for muito centrada, ter aquela calma para realizar, ter consciência do que vai realizar, a parte psicológica é fundamental para o desenvolvimento da atleta. E a gente está falando bastante da Rebeca Andrade, a gente também falou do Arthur Zanetti, o Brasil sempre teve bons nomes na ginástica artística, né? Isso, a gente vem de gerações muito boas, desde mais ou menos os anos 2000, despontando no cenário internacional, antes também tivemos dentro dos recursos que a gente tinha, mas é a partir do ano 2000, mais ou menos, que o recurso financeiro de governo, de COB, destinado, patrocínios aparecem, e isso foi fortalecendo a ginástica para chegar no nível que chegou. Então, assim, tivemos pioneiras lá atrás, então não é um trabalho assim, ah, em quatro anos não se cria um atleta em quatro anos, se cria um atleta em décadas, porque às vezes não é aquele atleta, é uma estrutura que outros pioneiros já vieram trazendo e o atleta atual está se beneficiando do que foi feito anteriormente. Um dos principais nomes do passado é a Daiane dos Santos, né? Isso, a Daiane é porque ela foi uma das primeiras a ter medalha internacionalmente Ela foi um fenômeno também Que talvez se ela estivesse hoje, atualmente, se ela estivesse na era de hoje Já com toda a estrutura que foi crescendo Talvez ela teria resultados tão bons quanto a Rebeca E um negócio legal da Daiane é que ela tem dois movimentos que tem o nome dela, né? Como que é isso? Isso, é assim, não só a Daiane, tá? A Júlia Soares também, que foi finalista de trave, tem coisa com o nome dela, uma entrada na trave com o nome dela. A Rebeca Andrade apresentou um salto também, que leva o nome dela. Então, como que funciona isso? A ginasta, que nem eu falei lá no começo, a ginasta não tem fim. Então, chegou ali, poxa, eu posso inventar um movimento novo, eu posso ter uma coisa nova. Eu tenho que fazer aquele movimento, só que eu tenho que apresentar esse movimento. Então, eu vou apresentar esse movimento aonde? Numa Olimpíada ou num campeonato mundial. Não basta eu apresentar, eu tenho que apresentar acertando, eu não posso apresentar caindo, senão ele não vai para o código de pontuação. Então, a partir do momento que eu apresento e esse movimento foi feito com poucos descontos, com uma plasticidade boa, ele leva o sobrenome da atleta. Então, por isso que a gente tem nomes estranhos na ginástica, porque são vários sobrenomes, né? Igual a gente falou, a ginástica é um esporte fantástico, muito plástico, muito bonito Isso, a ginástica é encantadora, eu acho que envolve, porque é sempre um desafio A ginástica não para, é desafiante E ela é uma modalidade que, por mais que a gente compita em equipe, a ginástica é competida em equipe Mas é um desafio pessoal, porque na hora de eu fazer a trave, na hora de eu fazer o solo, a paralelo, uma argola, um cavalo, eu estou sozinho lá, eu estou me desafiando, eu estou indo no meu limite. Então é um esporte individual que desafia o próprio atleta a se superar. Se eu me superar, consequentemente eu supero o meu adversário também. Pessoal, estou aqui com a Júlia que tem 11 anos e desde os 5 pratica ginástica artística Júlia, como foi que você começou a praticar ginástica artística? Eu vi na TV, eu gostei de fazer e falei para minha mãe que eu ia entrar na ginástica artística Você gostou? Como que foi? Eu amei fazer ginástica Por que você amou? Os movimentos, a flexibilidade E agora estou aqui com a Giovana, de 9 anos, que trocou o balé pela ginástica artística Como que foi isso, Gi? Porque eu acho que eu nasci para ser ginasta e o balé não é muito minha vibe Eu prefiro a ginástica, eu já competi muito e já decidi que esse é o meu esporte E por que você preferiu a ginástica do que o balé? O que a ginástica tem de diferencial que fez você gostar mais? Eu acho que o balé, ele é mais dança, mais lento. E eu sou mais, tipo, de correr, de fazer essas coisas, assim, da ginástica. E o que é mais difícil de fazer na ginástica? Ah, eu acho que é os exercícios com mais força, assim, com mais... Que precisa treinar mais, assim, porque todos eles são bem difíceis. Então, para você conseguir fazer, você precisa treinar muito. Você está treinando bastante? Você falou que quer ser ginasta no futuro. Está treinando bastante? Como está sendo? Sim, estou treinando muito e o meu objetivo é chegar que nem a Rebeca. Olha o esporte aí! Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
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