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Olha [Música] o esporte aí. Eu sou Rafael Turat. O tema de hoje é uma modalidade paralímpica, o basquete em cadeira de rodas. Então, como sempre, a gente começa com algumas curiosidades. Vamos conferir. O basquete em cadeira de rodas atualmente é um dos esportes mais praticados dentro do movimento paralímpico. E somente no Brasil há aproximadamente mais de 100 clubes que oferecem essa modalidade praticada por pessoas com deficiências físicomotoras. E para falar mais sobre o basquete em cadeira de rodas, eu estou aqui com o Caio Lima. ele que é o treinador do time do GAB Camp e o grupo de amigos deficientes esportistas de Campinas. Ô Caio, inicialmente o basquete em cadeira de rodas nessa modalidade foi praticada pelos soldados que disputaram a Segunda Guerra Mundial lá nos Estados Unidos. É isso? É isso mesmo. E eles queriam ter uma forma, né, de ser reinseridos na sociedade, ele poderem praticar alguma atividade física. E através do basquete eles acharam essa forma de poder serem incluídos normalmente na sociedade, né? Através do esporte ali, esses veteranos de guerra que sofreram com algumas deficiências, tudo consequência da da Segunda Guerra Mundial. O basquete em cadeira de rodas veio pro Brasil 1950 por pelo Sérgio Del Grande e pelo Robson Sampaio. Eles conheceram essa modalidade Estados Unidos e trouxeram pro Brasil, né? É, eles passaram esse um período de reabilitação lá nos Estados Unidos justamente e então trouxeram esse esse esporte para cá. sendo que foi o primeiro esporte paralímpico que que chegou aqui no Brasil, né? E tá desenvolvimento desde então, né? Como que se pratica o basquete em cadeira de rodas? Quem pode participar? Como que é? Bom, basicamente não tem eh eh um uma dificuldade em relação a ser homem e mulher e em relação à idade também. Pode ser homem, mulher, qualquer idade. A questão é que a pessoa não pode basicamente correr e saltar, tem que ter algum tipo de deficiência para que ela possa ser elegível pro pro jogo de basquetebol em cadeira de rodas. No basquete em cadeira de rodas tem o sistema de classes, né, que explica um pouco mais pra gente. Basicamente é os cinco jogadores que estão na quadra, eles têm que somar 14 pontos somados. Então a gente tem um um sistema de que vai de 1 até 4 e5 de 1 e me 2 2 me dependendo de e da eficiência de cada atleta e sua capacidade funcional ali. Eles são classificados para cada categoria e o cinco tem que somar até 14 pontos. Quais são as deficiências mais comuns entre os atletas da do basquete em cadeira de rodas? A gente tem muito muitos mielos, né? Eh, muitos lesados medulares e amputados de perna, uma perna das duas até chega até ter um caso tão amputado de braço também. Então são as as lesões assim mais comuns no nos jogadores de basquete. Má formação também de de membros são as mais comuns. Falando da cadeira de roda, ela é um pouco diferente da cadeira de roda convencional que o pessoal tá acostumado, né? Ela tem umas adaptações, por exemplo, ela tem duas rodinhas atrás delas, são chamadas as antitipes, que permitem que o atleta consiga eh sentir seguro ali, desenvolver os seus movimentos sem que cai para trás, por exemplo, né? Então é uma uma cadeira que tem uma cambagem também, que é quando essa esse inclin essa a roda tá inclinada, né, esse essa cambagem ali que facilita com que eles consigam fazer a prática do esporte, sem que fiquem caindo assim. Se bem que a queda em si faz parte do esporte ali também, eles também caem, levantam todo momento no nos jogos ali, nos treinos. Cada atleta tem a sua cadeira específica, né, de acordo com a sua deficiência. E para que ele consiga ter um bom desempenho ali, é essencial que a cadeira esteja alinhada, assim, que ele esteja que esteja bem e com bom funcionamento, né, com suas partes ali para que o atleta consiga desenvolver o seu melhor basquete. E você falou que no começo são cinco para cada lado em cada time. É, as regras são iguais basicamente, né? A sua maioria são iguais do basquete convencional. Então são cinco atletas cada lado. É a quadra do mesmo tamanho, a sexta da mesma altura, inclusive tem um um detalhe, outro, uma régua, outra que muda, mas a maioria são iguais do basquete convencional de de andante. A bola também é a a mesma a mesma coisa também. Como que é a questão do toque, né? Tem um diferencial, né? O que muda um pouco, né? O jogador ele pode quicar a bola uma vez, dar dois toques na cadeira, como que é? Explica um pouco mais pra gente. É, essa é uma das diferenças que no basquete de andante a gente tem duas saídas, né? Gente, bate bola, segura, não pode bater bola de novo. Já no basquete e de cadeirantes, eh, a gente pode ter esse batida de bola, segurar, p a bola no colo, dar dois toques na cadeira, até no máximo dois, três já é uma violação e bater a bola de novo. Então, não tem essas duas saídas no basquete de cadeira de rodas. Cada jogador tem sua posição igual no basquete, convencional, pivô, ala, amador, como que é? Sim, depende muito da da classificação de cada um também, mas temos as pessoas que são responsáveis por levar essa bola, os armadores, temos as pessoas que são responsáveis por jogar mais dentro do garfonço pivôos e tem as pessoas do do chute também, da alas ali. Então é bem parecido nesse sentido também. E o que é permitido fazer, né? O que que não é permitido, que é considerado falta. É, é muito de acordo com a intensidade do da cadeira ali da da batida na cadeira, porque o contato é normal, mas por exemplo, bater atrás da cadeira é considerado falta. questão do cilindro imaginário que a gente tem no no basquete convencional também. Você não pode eh invadir esse cilindro com o braço ali, por exemplo, mas é, tem muito esse essa questão do contato, às vezes um contato mais forte com o bico da cadeira não é permitido, uma falta de ataque, por exemplo, falta de defesa. Então é muito dessa questão do contato e da intensidade do contato na cadeira. A gente pode ver que é um jogo bem dinâmico, né? Não, bastante. É um jogo muito dinâmico que muda constantemente ali em relação ao ritmo de jogo. Assim, é bem é bem intenso. Então os atletas têm que estar bem preparados ali para que consigam manter o desempenho durante um um longo período do jogo ali. Falando da pontuação, a pontuação também é alta como no basquete convencional, aqueles pontos, uma partida termina 80 70. É assim também aqui no basquete em cadeira de rodas é um pouco mais é incomum, mas há também partidas inclusive que tem time que faz mais de 100 pontos. É, não chega a ser uma NBA, né? Até por ter menos tempo ali, é tempo de igual o tempo da FIBA, né? São quatro quartos de 10 minutos, mas há pontuações altas também. Um jogo bem dinâmico. E eu tava vendo tem alguns movimentos que o pessoal tira uma roda do do chão, né, para fazer o arremesso. Como que é isso? eh, o chamado tilt, né, que alguns atletas, principalmente os pontos altos que tm maior controle de tronco, conseguem fazer. É um recurso para que ele consiga ficar mais alto. Então ele sobe em cima de uma roda para que ele consiga fazer o arremesso também sem sem ser bloqueado, nada de uma forma, principalmente dentro do garrafão lá, que normalmente tá congestionado e muita tem muita marcação. E Caio, e quais são os benefícios, né, do basquete de cadeira de rodas, né, para pro atleta que pratica assim, é principalmente a questão do basquete de cadeira de rodas é a inclusão, né? A gente tem aqui o projeto tanto da parte do alto rendimento, time de de competição mesmo, e também a parte mais social que a gente eh faz a inclusão dessas pessoas dessa oportunidade, né? Então oportunidade de melhorar a condição física, principalmente a condição social também, porque muitas dessas pessoas não têm oportunidades, tem sofrem com preconceito, com a discriminação. Então essa parte social é de suma importância também para dar essa oportunidade deles conviverem com outras pessoas que têm as mesmas deficiências, as mesmas dificuldades também, né? também melhor, eu acredito que a autonomia dessas pessoas, né? Com toda certeza. Tem pessoas que chegam aqui, não conseguem nem se transferir de uma cadeira para outra, da cadeira de passeio para cadeira de jogo. Isso é uma das coisas que é essencial. O pessoal que conseguir adquirir essa autonomia, seja aqui dentro ou para lá fora, pra vida como como um todo. Galera, agora tô aqui com o Alê Cândido, ele que é amador do time aqui do Gab e também é o fundador do Gab, o grupo de amigos deficientes esportistas de Campinas. Ô Alê, o Gadecamp existe há 25 anos. É isso mesmo? Isso mesmo. E eu tô no esporte já tem 33 anos. Eu comecei em 91 num projeto de educação física numa faculdade em Campinas. Eh, sempre amei o esporte e quando eu fiquei sabendo que tinha o esporte no Parado, eh, sempre tava na veia o basquete. Eu sou da época de Marcon Jordan, Shaquil Onil, Denis Rodman, né, os caras da pancada. E aí eu fiquei sabendo do esporte, fui para praticar. No final de 98, a faculdade falou que não ia mais manter o esporte. Eu já tinha jogado dois anos por uma outra equipe fora de Campinas. Eh, e aí para mim eu falei: "Não, não dá. Eu eu parar, eu não vou". Então eu falei pros meninos: "Ó, se junto comigo nós saírmos em oito, que dá para formar uma equipe, eu vou formar uma, senão eu vou jogar em outro lugar". E aí nós saímos em nove lá. Aí foi quando foi fundado dia 12 de março de 99 o GDCAMP. treinávamos ali no ginásio do Taquaral na época. Eh, mas isso foi um marco porque o esporte ele marca todas as pessoas, né? Como a gente tava nos bastidores batendo papo sobre esporte e para nós e para atletas é a mesma coisa. Então faz uma diferença enorme na vida de todo mundo. E aí dessa fundação para cá, então hoje nós temos 25 anos de de fundação do Gadecamp e temos uma escolinha hoje no Paradorto com crianças, jovens, adolescentes. Temos até um senhor de 70 anos que ainda tá praticando para você ver como que é a inclusão, né, do esporte. Eh, e a equipe de alto rendimento, que é o a o profissional que estamos aqui hoje, seis fazer aí a matéria para mostrar um pouquinho. E a inclusão é fundamental, né? E o e o Gadecamp mostra isso, né, Alê? Sim, sim. É importantíssimo, né? Eh, a inclusão, ela tem que ser não só da pessoa com deficiência, mas no modo geral, tem que ser inclusa qualquer pessoa, seja negro, seja branco, seja o que for, ela tem que ser inserida na sociedade. E no esporte é a mesma coisa. Então se insere uma pessoa no esporte e no paradesporto, a mesma coisa. Então a gente aqui a gente consegue ajudar a ressocializar o cidadão. Então além do do esporte pra pessoa com deficiência a gente ressocializa o cidadão. Há 25 anos o Gadecamp vem mudando a vida das pessoas aqui em Campinas. Com certeza. Eh, tem muitas passagens por aqui, eh, pessoas que, eh, estiveram no basquete, que é a nossa modalidade, eh, mas a pessoa não leva o jeito, mas ela tem um jeito para outro esporte. Então, daqui saíram vários atletas hoje nacionais, estão ranqueados mundial aí, rugby, é o basquete, né, fora daqui também, eh, vôlei sentado. Então, são várias modalidades. Então aqui nós estamos formando atletas, galera. Agora tô aqui com o Serginho, ele que é o ala amador aqui do do Gab Camp. E há 27 anos ele joga o basquete em cadeira de rodas e a qu representa as cores do Gadecamp. Serginho, como que é para você poder participar desse time aqui de Campinas? Bom, para mim é uma satisfação muito grande, é uma equipe bem bem estruturada, tem os projetos muito bons, eh faz com que o atleta se sinta em casa como se fosse uma família. Então eu me dedico o máximo, me entrego o máximo aqui, eh, junto com todos nós aí para para conquistar nossos objetivos, que é o próximo agora, o brasileiro agora em agosto. E o basquete em cadeira de rodas mudou sua vida? Eh, qual que é a importância dessa modalidade na na sua vida, Serginho? Sim, totalmente mudou tanto e eh socialmente como financeiramente também. eh, fez com que eu vistasse a a vida com outro com outros olhares, né? Então, o esporte para mim mudou minha vida. Que que significa o basquete em rodas na sua vida? Ah, é minha vida, é tudo que eu que eu que eu conquistei, que eu vou conquistar ainda junto com a HD. É, fez tudo e vai fazer total diferença na minha vida. Não vive sem, não vivo sem mais. Galera, agora tô aqui com o Maon, ele que é a ala aqui do time do Gadecamp e ele participa do projeto do Gadecamp desde os 10 anos de idade. É isso mesmo, Mael? Como que você conheceu o grupo? Como que é para você participar e ao longo da sua vida desse time? É, eu conheci o basquete aqui no Gadecamp desde meus 10 anos, né? É, através de uma professora numa escola. De começo, né? Eu não queria vir, mas depois que eu conheci o esporte me apaixonei. Então, desde os meios 10 anos eu pratico o esporte. E aí, desde 2021 faz parte do auto rendimento. E você já teve a oportunidade de representar a seleção brasileira? Como que foi isso? Sim, é, ano passado eu tive na Colômbia com a seleção, foi a minha primeira convocação pra seleção principal, a gente ficou em terceira, na terceira colocação e agora esse esse é mês que vem a gente vai de novo, né, pra Colômbia disputar a Copa América visando o Mundial do ano que vem. Para você, como que é ter essa oportunidade de representar o seu país? É, é muito gratificante, né? Eu acho que é uma honra. Foi algo que eu sempre almejei desde que eu comecei no basquete, eu fui amadurecendo essa ideia na minha cabeça. Então, hoje eu me sinto realizado. Qual que é a importância do Gadecamp na sua vida, Michael? É, hoje o Gadecamp desde desde criança, né, me ajudou bastante. Acho que não só dentro de quadra, né, hoje eu tenho autonomia também fora de quadra, então é importante para mim dentro das dentro da quadra, mas também fora. Mudou sua vida, então? Mudou, mudou com certeza. Você recomenda para outras pessoas também virem participar aqui do Gadecamp? Recomendo sim. É, tem o projeto, né, de desenvolvimento e foi onde eu comecei. Então, se você quiser participar, pode vi. Olha [Música] o esporte aí. [Música] เฮ