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Estúdio Câmara | Vício em bets: saúde mental em risco!
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Estúdio Câmara | Vício em bets: saúde mental em risco!

30 views Publicado 25/03/2026 HD · 59:01
Resumo editorial

O Estúdio Câmara desta quarta-feira, 25 de março de 2026, aborda o vício em apostas online, as bets, e seu impacto crescente na saúde mental e financeira dos brasileiros. A reportagem percorre o histórico das apostas no Brasil, do período colonial ao jogo do bicho em 1892, era de ouro dos cassinos e a recente Lei 14.790 de 2023 que regulamentou as apostas online com regras como reconhecimento facial e mecanismos de proteção aos apostadores. O SUS passou a oferecer tele-atendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a apostas, serviço gratuito disponível para maiores de 18 anos e familiares, com acesso pelo aplicativo Meu SUS Digital e capacidade estimada em 600 atendimentos por mês em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Os convidados, um médico de família e psiquiatra e uma profissional de saúde mental especializada em compulsões, discutem o ciclo do vício, fatores neurobiológicos do comportamento de risco, endividamento que afeta milhões de campineiros e brasileiros, sinais de alerta para famílias, alternativas terapêuticas e como o setor público pode estruturar resposta sistêmica ao problema.

Descrição do vídeo

📢 No programa Estúdio Câmara da TV Câmara Campinas, exibido em 25 de março de 2026, abordamos o vício em apostas online (bets) e seus impactos na saúde mental e financeira dos brasileiros. Os convidados Rafael Cofiño de Sá, médico da família e psiquiatra, e Juliana Pintor Furlanetto, psicóloga, apresentam análises baseadas em dados científicos e prática clínica. ​ 📊 Dados Relevantes: Segundo o Levantamento Nacional de Álcool, Drogas e Drogadições (Lenad/UNIFESP), 10,9 milhões de brasileiros a partir de 14 anos (7,3% da população) exibem comportamentos de risco, com 1,4 milhão em nível clínico. Homens jovens de baixa renda e idosos (média de R$ 3.000/mês em apostas) são grupos vulneráveis. O setor gerou R$ 37 bilhões em 2025, mas prejuízos sociais somam R$ 38,8 bilhões anuais. O SUS atendeu 6.157 casos presenciais em 2025, quase o dobro de 2024. ​ 🧠 Mecanismo Neurobiológico: As apostas ativam o sistema de recompensa via dopamina, similar a dependências químicas, prejudicando o córtex pré-frontal (controle de impulsos). Resultados incluem ansiedade, depressão, endividamento e riscos graves como perda patrimonial. A Lei 14.790/2023 introduziu regulamentações, mas o acesso contínuo via apps agrava o problema. ​ 🩹 Opções de Tratamento: Teleatendimento SUS: Gratuito pelo app Meu SUS Digital (parceria Hospital Sírio Libanês, ~600 vagas/mês para maiores de 18 anos e familiares). Abordagem multidisciplinar: terapia cognitivo-comportamental, medicamentos, atividade física e bloqueio de apps. CVV 188: Suporte emocional inicial. ​ 🔍 Assista para identificar sinais de transtorno (ex.: compulsão apesar de perdas) e aprender a apoiar familiares. Compartilhe nos comentários suas dúvidas sobre saúde mental e apostas. Inscreva-se 🔔 para mais debates sobre Campinas e Brasil! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, [música] muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o nosso estúdio [música] Câmara hoje, quarta-feira, dia 25 de março. E você, como está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Tema do programa de hoje, gente, [música] é o vício em Bets. O impacto de apostas online na saúde mental e financeira. É um tema que cresce entre os brasileiros e que envolve história, legislação e saúde pública. Vale lembrar que as apostas [música] têm presença no Brasil desde o período colonial, né, passando pelo jogo do bicho em 1900, 1892 e pela era de ouro dos cassinos. até a lei A 14.790 de 2023, que regulamentou as apostas online [música] e estabelece regras como reconhecimento facial e mecanismos de proteção aos apostadores. Agora, o SUS passou a oferecer teleendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados à apostas. O serviço é gratuito e voltado a maior de 18 anos, disponível [música] também para os familiares dos apostadores com acesso pelo aplicativo Meu SUS Digital e a expectativa aí de cerca de 600 atendimentos por mês. [música] É uma parceria entre o SUS e o Hospital Sírio Libanês. Então hoje a gente conversa sobre o vício em Bets, né, uma crise de saúde pública no Brasil com números alarmantes de endividamento, impacto direto na saúde [música] mental da população. Agora você que tá aí em casa sabe que pode participar com a gente como sempre [música] os nossos entrevistados já estão presentes aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Enquanto [música] isso, você pega o seu celular, escaneia aí o QR code ou então manda sua mensagem. Nossa produção está te aguardando. Manda pra gente a sua mensagem. Você já apstou [música] nessas famosas bets? Qual a sensação que você teve? Você tem medo de apostar e não conseguir sair mais? [música] É uma brincadeirinha, entre aspas, né, que você começa com uma aposta mínima e é bem tranquila, não vai não vai fazer mal nenhum, mas de repente você se vê preso por esse jogo. Lembrando que ah aposta online todo o o design, né, do jogo, ele é já feito para despertar em você a vontade de estar nesse lugar sem pensar no momento que você vá sair. Então, entre aspas, já é preparado para que você tenha um vício. A gente precisa falar sobre isso. Já trouxemos informações sobre essa questão, mas agora com esse teleatendimento disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde em parceria com Hospital Círio Libanês, [música] a gente precisa também abordar a questão de que quando que a pessoa que está viciada, ela vai ter a coragem de ligar para esse tele falar: "Eu estou precisando de ajuda". Nossa, é um caminho bem longo a ser percorrido. É sobre isso que a gente fala hoje. Manda sua mensagem pra gente, compartilha conosco aí sua experiência, sua dúvida. os [música] nossos eh entrevistados vão responder você daqui a pouquinho e vão conversar com a gente sobre o tema de hoje, que é muito importante [música] pra gente conversar. Agora, a atualização de informações do legislativo. A Câmara Municipal de Campinas realiza hoje uma série de atividades com debates e votações de projetos do executivo e [música] do legislativo. Hoje, às 10:11 da manhã, acontecem duas audiências públicas sobre impacto urbanístico e transporte coletivo. É, o projeto de lei complementar 3 de 2026 trata de mudanças no estudo de impacto de vizinhança, ampliando as regras para exigência em obras e amplificações. Já o projeto de lei complementar 24 de 2026 [música] prevê a prorrogação dos contratos do transporte público por até 3 anos para garantir a continuidade do serviço até a nova licitação. Às 3 da tarde, a Comissão de Administração Pública realiza uma reunião para discutir a nova licitação [música] do transporte coletivo com a participação do presidente da INDEC, o Vinícius Riverete. Também será analisado o parecer contrário a projeto que propõe critérios de proporcionalidade de gênero na compra de livros paradidáticos na rede municipal. E às 6 da tarde, na 15ª reunião ordinária, os vereadores votam em segunda discussão o projeto de lei complementar 141 de 2025, que cria gratificação para condutores com jornadas especiais com valores entre R$ 3.000 e R$ 8.100. das atividades serão abertas, são abertas, aliás, ao público. Tem transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e também pelo canal do YouTube. Você pode participar presencialmente no YouTube, você pode conversar. Pessoal lá está te respondendo sempre quando estamos [música] ao vivo e aqui pela TV Câmara Campinas, combinado? Previsão do tempo para hoje. Vamos saber o que que o outono nos eh vai proporcionar nesta quarta-feira, né? Olha aí, ó. Aumento de nuvens e pancadas de chuva à tarde. Agora de manhã o sol, o céu tá azul de brigadeiro, tá lindo demais. À noite [música] não chove. Então chuvas isoladas à tarde. Mínima 18, máxima 29º. O outono brasileiro, quarta-feira. Bom dia para você. Estamos ao vivo aqui direto da TV Câmara Campinas. [música] Esse é o estúdio Câmara e vamos falar sobre o vício em bets. Mesmo com a regulamentação, o vício em apostas online cresce rapidamente. Olha só os dados. Segundo o Len 3, o levantamento nacional de álcools, álcool e drogas, coordenado pela UNIFESP, cerca de 10,9 milhões de pessoas, a partir de 14 anos, apresentam comportamento de risco ou problemático, equivalendo aí a 7,3% da população com 1,4 milhão já em nível clínico. Isso é a nível Brasil. O público mais vulnerável inclui homens jovens, pessoas de menor renda, onde 53% jogam de forma problemática e idosos, gente, com 2 milhões acima de 60 anos, gastando em média 3.000 por mês em bets, superando muitas aposentadorias. A popularidade dos aplicativos obeds com promessas de ganhos rápidos alimentam um ciclo de compulsão, ativando o sistema de recompensa cerebral com dopamina similar a dependências químicas. O contraste entre lucros bilionários do setor, 37 bilhões é a receita bruta em 2025, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostos. E os prejuízos sociais é preocupante com danos à saúde estimados em 38,8 bilhões por ano pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde. Nossa, o vício em apostas não é apenas um problema individual, é uma questão de saúde pública que impacta famílias, a sociedade como um todo. E a gente vai conversar sobre isso. Nós estamos aqui recebendo o médico da família, ele também eh trabalha com psiquiatria, Dr. Rafael Cofino de Sá, seja muito bem-vindo, doutor. Bom dia. Obrigada pela sua presença. Bom dia. Eu que agradeço pelo convite. Muito bem. Para completar então o nosso time, olha só, recebemos a psicóloga, a Juliana Pintor Furlaneto. Seja muito bem-vinda, Juliana. Obrigada. Bom dia. Obrigada. Bom dia. Vamos lá, gente. Olha, [suspirando] já dei os dados aqui. É preocupante. A gente começa a parar para analisar, a gente entende que de repente perdeu a mão esse negócio de jogo em bets, né? O que temos hoje, a gente pode falar, é uma epidemia silenciosa. O cassino de bolso, que tá no celular, permite apostar 24 horas por dia. Você vai no banheiro, você faz uma aposta. Você você tá eh eh de repente esperando uma fila, você faz uma aposta. Isso amplia o risco de endividamento, ansiedade, depressão, né? 47% dos apostadores estão endividados, segundo o levantamento da data folha. Gente, psicologia e psiquiatria, papel crucial. A gente precisa reconhecer o vício, oferecer escuta qualificada, cuidado, né, e reduzir danos, integrando aí atenção primária, CAPS, hospitais, teleatendimento. Então, vamos lá, Juliana. Quais são os principais efeitos do vício em apostas na saúde mental e física também das pessoas? É um efeito, resumindo, bem, devastador. Uhum. Né? As pessoas estão, como você já mencionou, descontroladas. O esse é algo tão acessível que as pessoas estão ali eh o tempo todo e elas não reconhecem realmente o ponto, né? Então, qual é essa atividade cerebral, atividade do córtex pré-frontal, que é onde a gente tem as decisões, o discernimento? Então, eu vou lá, eu faço uma vez, OK, parei aqui, né? Então eu reconheço ali aonde eu posso eu devo parar e isso é muito difícil, muito. Então acaba afetando a família, a própria pessoa, se endividando, como você falou, os familiares, porque aí vai atingir tudo, trabalhos, né? Então, já conversei com pessoas que eh a pessoa era eh autônomo, tinha carros na empresa, perdeu os carros, a família tinha dois terrenos, perderam os terrenos, a esposa parou de trabalhar para poder ficar com o marido em casa, né, para poder controlar ali um pouco e mesmo assim não consegue controlar. Então, perde-se tudo financeiramente, né? a a família, o social, ah, tudo. E isso quando não perde a vida, porque a pessoa acaba entrando em desespero. Imagina, gente, eu não consigo nem imaginar esse desespero. E sim, nós temos, infelizmente, casos e casos de pessoas que tiraram a própria vida por conta desse desespero. Agora imagina, apostas compulsivas e dependência química compartilham de mecanismos cerebrais como ativação, sistema de recompensa. Doutor, ajuda a gente. O que que tá acontecendo, né? E e qual existe uma possibilidade de reversão disso? Porque tomou uma proporção tão grande? O doutor trabalha com a área da psiquiatria? O que que você tem visto? O que que você pode trazer pra gente para alertar realmente e falar pra gente também o que que acontece no nosso cérebro? Essa dopamina, esse negócio deve dar um curto circuito na nossa cabeça que a gente não consegue fazer uma voltar ao estado normal de atenção pro aqui e pro agora. É exatamente isso. Como a Dra. A Juliana comentou, né, o nosso Córtex pré-frontal, que é a região que a gente decide, né, a casa do certo e do errado, do julgamento, das decisões. Ela é extremamente impactada pelo mecanismo do jogo e de uma forma até [limpando a garganta] específica no caso do jogo, que é muito muito semelhante aos mecanismos dos das adições químicas. Inclusive o jogo patológico é a a única forma de de adição que não é química, que tá nesse capítulo da saúde mental, né, pelo pela semelhança do mecanismo. E e essa recompensa ela acaba acontecendo pela via dopaminérgica até antes da pessoa jogar, porque a ideia de que ela vá ganhar de novo, de que ela vá ter de novo um uma aposta eh eh positiva eh com sucesso, igual ela já teve antes, faz muitas vezes ela esquecer das inúmeras tentativas e com derrota, né, com perda no jogo. E isso faz o mecanismo ser ativado e faz a pessoa jogar acreditando que aquilo vai acontecer novamente, né? Eh, como você falou, essa região também tá muito associada com interações cerebrais ligadas à ansiedade, a depressão. Então, a pessoa costuma ficar mais ansiosa e ela tem uma falsa ideia de que a ansiedade vai melhorar com ela jogando, que é mais ou menos o mesmo mecanismo que faz uma pessoa procurar uma adição química, uma droga novamente. Então, ela vai acabar com aquela ansiedade usando o entorpescente. Então a pessoa vai pro jogo com essa facilidade. que eu vejo muito é assim, há um tempo atrás, alguns anos ou sei lá, alguma década ou duas décadas, esses mecanismos, esse esse problema era restrito a uma parte da sociedade que jogava em locais fechados, né, em cassinos, muitas vezes clandestinos e que a gente tem história de que famílias foram perderam patrimônios gigantescos, mas por essa limitação não era tanto um problema ainda de saúde pública num escalonamento como é Hoje, depois da chegada dos aplicativos e da socialização, né, da das apostas a um custo menor e principalmente com depois, acho que 2018, 2020, com a chegada das bets, né, a gente, [limpando a garganta] eu vejo que na minha prática mais do que triplicou a procura de de pacientes para essa finalidade. Como eu tava comentando ontem aqui no estúdio, o mês passado eu tive que realizar duas internações de paciente porque não tinha mais como conduzir o paciente solto na sociedade sem restringir realmente o acesso de uma forma terapêutica mais isolada. Então é muito triste o que tem acontecido, né? Tenho casos de pacientes que demoram, por exemplo, 10, 15 minutos para gastar todo o salário do mês, né? E e as contas ficam todas aí e o desespero bate, né, na família, no desespero bate depois. E aí aí vem aquele negócio assim, eu eu e a gente se a gente parar para analisar, a gente pode entender. A pessoa, ela tá lá, ela quer levantar um um dinheirinho. Vamos lá. Porque geralmente eh a a pessoa da classe ela mais baixa, ela ela pensa, ela entende que poxa vida, eu vou conseguir, eu vou investir aqui, vamos lá, R$ 200, mas eu posso ganhar 1000, né? E aí ela quer fazer isso, só que daí ela ganha e fica feliz e ela fala: "Como eu ganhei agora, eu vou continuar porque eu vou ganhar mais". E aí ela perde tudo que ela ganhou, perde o que ela investiu e ela continua jogando na intenção e na ideia de que ela vai conseguir sempre, né? E aí acaba perdendo tudo e aí quando ela para para analisar, ela realmente não tem saída. Aí bate o desespero e aí dá vontade de tentar de novo. Essa vontade permanente de ir buscando, buscando, buscando leva a pessoa numa estafa mental gigantesca, não é, G? Isso até como o tava explicando, é um mecanismo químico cerebral. Que coisa porque ele tem o o jogo é feito, né, de uma forma que ele recebe ali, ele ganha um pouquinho. Uhum. Ganha todo ganhar para você. Então, mas isso é o mecanismo de quem cria que sabe o mecanismo cerebral, né? Então ele ganha um pouquinho. É o que vai, né? Esse estímulo intermitente, porque eu não sei quando vem a próxima recompensa. Sim. Não sei quando vem a próxima recompensa. Então vamos tentar que é o que ele falou da em relação à ansiedade que dá aquela ilusão que ele vai conseguir. Então entra tudo isso nesse nesse pacote. Sim. E ele vai indo, vai indo e quando vê já o buraco ficou bem grande. É, gente, o negócio é bem sério. Olha, muitos t dificuldade de reconhecer que precisam ajuda, viu? Precisam de ajuda. A família precisa estar bem atenta, né? Eh, o SUS em 2025 registrou, tem dados aqui, 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas. Então, isso é quase o dobro do registrado em 2024. Mas a procura espontânea, ela ainda é limitada. Você imagina uma pessoa que tá sente que tá viciado nessas apostas, tá perdendo tudo, tá perdendo a linha da vida e aí vai ter uma vergonha, né? vai ter aquela aquela coisa assim, poxa vida, mas será que eu tô, né? Como é que você vai falar que você tá viciado em jogo, né? Principalmente em Bets, teleatendimento tá aí, né? Busca eh eh eh tipo assim, tem a ideia de facilitar o primeiro contato, né, do paciente com um profissional de saúde mental de forma reservada. E aí a gente pergunta: "Qual é o caminho, doutor? eh para que a pessoa que para como que a pessoa vai entender que ela realmente está viciada e esse caminho dela até a busca do atendimento, ele não é um caminho tão fácil assim, né? Eh, eh, existe uma resistência na procura do atendimento. Existe sim, muito grande. Inclusive, quando você vai, você falou dos números, né? Com certeza esse aumento é muito mais significativo, porque eu acho que essa é uma das áreas da saúde mental mais subnotificadas que tem pelo perfil do paciente. Você comentou no começo que, né, eh, ou idosos que estão com acesso ao celular ou os jovens, adultos, jovens e na maioria homens, né? E quando a gente vê isso no consultório, é o perfil de paciente que mais é resistente a procurar ajuda, né? Porque geralmente é o homem que é a ou a rimo familiar ou a renda importante em casa. Vem primeiro a vergonha de tá fazendo isso ou com o próprio orçamento ou com o orçamento familiar, mas já num paciente que tem um perfil mais difícil de buscar ajuda normalmente quando a gente fala de outros problemas da medicina, né? Isso é agravado no jogo pela sofrimento. Mas assim, geralmente a pessoa busca ajuda quando esse sofrimento tá impactando a vida dela de uma forma muito significativa, né? E ela não consegue mais sozinha lidar com o problema e aí vai buscar ajuda. Muito muito importante a terapia, né? A eficácia da terapia quando você vê os trabalhos, ela é gigante no auxílio, né? E que é difícil também o perfil do paciente procurar a terapia, né, doutora, né? A gente sabe disso, né? A maioria são mulheres. Muitos vão buscar. É, exatamente. E aí você tem muito homem jogando e às vezes o homem é imediatista, acha que vai tomar uma cartelinha de remédio, isso vai resolver, né? Mas hoje a gente tem eh possibilidades medicamentosas interessantes para ajudar a terapia nesse processo, né? para poder, como a gente tá conversando aqui, segurar um pouco esse mecanismo dopaminérgico da recompensa que o próprio jogo traz pro paciente de de forma antecipatória, essa vontade de jogar. Então, a gente consegue com alguns fármacos eh do mercado controlar um pouco e ajudar a o paciente junto com a terapia, tudo a ter um sucesso aí na na melhora desse desse padrão de vício, né? Nossa gente, Juliana, a busca, né, pelo pelo atendimento médico, pela terapia, ela é importante demais, mas é um caminho difícil de ser percorrido, né? É, é bastante difícil, porque primeiro envolve o reconhecimento que eu tô naquele momento difícil, isso, né? Então, hoje ainda bem que eh muitos tabus em relação à terapia, até preconceitos, né? Mas eu não tô louco, não é assim? né? Imagina por que eu vou fazer terapia hoje. Isso muito já se superou. Ainda bem, né? Eh, mas ainda temos bastante resistência, né? Dependendo do público. E é algo que ele tava falando que eu falo sempre, eh, sempre um conjunto de ações necessárias, nunca um isolado. Então, só a terapia vai resolver? Muitas vezes não. Dependendo da situação, a gente precisa entrar com a ação medicamentosa, porque é químico. Ele tá falando, é ação do paminica. Então, e e são questões ainda que nós temos muito presentes, por exemplo, em relação à ansiedade, à depressão. Não, mas isso aí é falta de um tanque para lavar roupa, é falta do que fazer. E não é é mais forte que a pessoa. Uhum. é químico, passou a ser químico, precisamos de tratamentos muitas vezes, né, com o os medicamentosos. temos alguns outros tratamentos, as, né, as terapias integrativas, enfim, mas é preciso adotar, então primeiro o reconhecimento, aí dar este passo e aí fazer o que precisa ser feito, né, e até prevenção. Por que que se entra nisso? É, então as as frustrações, né, as pessoas não se vem ali a a buscar o sentido. Então, puxa, o que é a minha vida? Que eu estou fazendo na minha vida? Que significado eu dou para o meu trabalho, para a minha família, percebe? Então é antes, são passos anteriores para poder, né, realmente fazer uma prevenção, um trabalho educativo. Chegou, aconteceu, então vamos aí reconhecer e buscar os tratamentos excelente. Agora, doutor, tem eh alguns sinais que que diferenciam o apostador recreativo de alguém [limpando a garganta] com transtorno no jogo. Esse negócio de apostador recreativo existe mesmo? Então, eh, você sabe que o apostador recreativo ocasional, ele existe sim, que é principalmente a gente vê isso com as apostas ligadas ao futebol hoje, muito popularizadas no Brasil, né? Mas assim, é muito nítido quando isso passa a ser um sofrimento e trazer prejuízo funcional na vida da pessoa, né? enquanto ele tá ali e gastando, sei lá, o dinheiro de uma pizza para se divertir, hora ganhando, hora perdendo, mas sabendo quando parar ou, né, não tendo aquela necessidade compulsiva de jogar e também não tendo nenhum outro comemorativo de saúde, de ansiedade, de depressão relacionado a isso, a pessoa tá conseguindo lidar com a situação, né? Humum. Mas esse momento ele pode se perder inclusive num outro momento de vida que a pessoa tenha uma fragilidade, uma necessidade, vá buscar a recompensa nesse nesse mecanismo. É um é um é perigoso, né, essa relação, uma relação perigosa, né? E e tem alguma as pessoas assim tem eh diferencia eh quem tem de repente uma tendência, quem já eh a de repente alguém que tem isso? Sim. Porque as pessoas, por exemplo, que tendências outras adições. Então, muitas vezes, por exemplo, um usuário do entorpecente, alguém que bebe compulsivamente ou alguém que tem compulsão, por exemplo, por doce, por, né, desconta na comida, ansiedade, todas essas pessoas têm uma propensão maior a também criar um mecanismo compulsivo quando vão jogar nas apostas, né? Porque o mecanismo eh cerebral, químico, é o mesmo, do mesmo local de de atuação, né? Nossa, gente, e essas abordagens psicológicas, eh, Juliana, eh, você tem trabalhado isso no consultório? Você tem visto isso assim como o doutor trouxe pra gente? Porque a gente fica do lado de cá e aí às vezes a gente pensa que, ah, nem tá acontecendo tanto, gente, mas os números eles são alarmantes, né? né? Eles são alarmantes e a tendência é que isso continue, porque se a gente para para analisar antes, né, cassino clandestinos, né, é crime, a gente sabe que não pode, mas as pessoas elas de repente faziam muito escondido isso. Hoje para para analisar que o jogo ele tá na sua mão, ele tá no seu bolso, ele tá em cima da sua mesa, você olha pro celular, poxa vida, eu vou fazer uma apostazinha aqui, né? Como que tem sido para você? eh eh trabalhar na questão da saúde mental, sabendo que eh é mais um desafio para vocês que trabalham nessa área e tem que ter um acolhimento, porque a pessoa já vem cheia de culpa, não pode ter um julgamento, tem que ter uma escutativa e tem que fazer com que a pessoa tenha um autoconhecimento. É delicado, hein? É, é bem desafiador, porque realmente a gente acaba trabalhando esse autoconhecimento, como você falou, então o que que levou, mas ao mesmo tempo nós precisamos trabalhar o que tá acontecendo naquele momento, né? E ter todo esse acolhimento, né? E lembrando que o acolher não é acatar, vamos assim. Exatamente. Isso é uma grande diferença, né? Então, acolher, sim, entendemos. Então, vamos lá, vamos analisar, né? Fazer uma análise, quais as consequências, o que que tá acontecendo. Bom, se a pessoa já tá ali no consultório, é ótimo, né? Para fazer a terapia já deu um grande passo. Muitas vezes a pessoa fala: "Ah, mas o reconhecer não faz nada, faz. faz porque você está reconhecendo, você deu essa abertura, este passo em buscar ajuda. Isso é fundamental, fundamental, essencial, né? E aí sim nós vamos, né, escolher as linhas, enfim, respeitar o ritmo de cada um, mas ao mesmo tempo trabalhar, né, na terapia a gente precisa fazer isso, respeita o ritmo, mas ao mesmo tempo trabalhando efetivamente, né, e reconhecer também quando é necessário buscar outros profissionais. Exato. Porque às vezes a gente tá ali, tentou uma abordagem aqui, tudo bem, algumas coisas funcionaram. Tenta outra abordagem ali. Humum. Bom, não tá dando certo. Vamos lá, vamos buscar, né, quem? Porque se a pessoa às vezes um pequeno estímulo, a pessoa já retoma. Sim. A recaída, ela consegue voltar. Uhum. Outros não. Então aí sim precisa buscar. E a recaída é algo que assim, eh, em relação à ansiedade, tudo a gente [limpando a garganta] fala, precisa tomar muito cuidado. Às vezes eu falo que é pior do que uma primeira crise. Uau! Sim. Não é sim. Por primeira crise era desconhecido. Sim. Então aí a pessoa, opa, é novo, né? Exato. Beleza. Aí a pessoa faz os tratamentos, ela vai se recuperando, tal. OK. Ela tá estável. Uhum. Hum. Então ela já entendeu. Quando ela estabiliza, ela fala: "Opa, venci, tá ótimo, não vai acontecer mais comigo, não vai acontecer mais". Só que ela tem uma recaída. Percebe a gravidade? muito, porque aí vem junto com a recaída o sentimento de derrota, a culpa, porque eu não dei conta, né, de sustentar aquilo. Uhum. Então, percebe o a sustentação ela, então, a gente precisa, ó, vamos cuidar disso e considerar a possibilidade de uma recaída. E ó, estamos junto, estamos trabalhando. Você não está sozinho, você está com um profissional. Então, a recaída, ela realmente é necessário ter a conscientização que ela pode acontecer. Considerar essa possibilidade é muito importante e as pessoas acabam evitando isso, fugindo disso, né? Não, não, não, comigo não vai acontecer mais. É. E é aonde tá o perigo. Uau, gente, olha só, né? E aí a família, né, além do tratamento multidisciplinar, essa parceria, né, entre psiquiatria, entre psicologia, eh, e a família é muito importante. Tanto é que esse teleatendimento pelo aplicativo Meu SUS Digital, ele atende não só a pessoa, né, que que eh busca aí esse atendimento por conta do visto em Bets, mas também a família. E a expectativa é baixa ainda, 600 eh atendimentos mesmo em parceria com o Hospital Cío Libanês. Agora, doutor, eu gostaria da sua avaliação, né, o senhor que que trabalha presencialmente ali, né, que que faz aí esse atendimento, eh, qual que é a sua avaliação sobre esse teleatendimento que o SUS, né, lançou agora? ser novo, gente, acessa lá meu SUS digital, você vai ver, tem todos os passos para você seguir. Só que achei interessante que atende a família também, porque precisa, né, de um atendimento completo. Não adianta atender só a pessoa que tá eh eh passando por essa situação, né, doutor? Não, não adianta. Eu acho super válida essa essa iniciativa, né? A gente sabe que talvez 600 vagas seja um número muito pequeno, ainda perto da explosão que a gente tá tendo de casos agora. justo por tudo que a gente já comentou, mas o papel da família é crucial como médico e até o perfil do paciente que a gente traçou, homem que é mais difícil o acesso, na maioria das vezes, eu vejo que a família traz o paciente muitas vezes pro consultório, né? Eh, eu acho que dos últimos cinco atendimentos que eu fiz, acho que uns quatro, aconteceram dessa forma. Um primo levando o outro primo, o irmão preocupado com a evolução, né? E aí levando o caso, mas por outro lado também é um paciente que quando ele reconhece o problema, ele ele fideliza. E eu acho que essa iniciativa do teleum e possa flexibilizar e possa dar um acesso mais direto para pr para as pessoas que estão com problema ou até os familiares que vão querer conduzir um paciente para para esse atendimento, né? Eu acho ainda que, como a doutora falou, tem esse preconceito muito grande. Ah, eu vou procurar um médico de louco, né? Eu vou, ah, será que eu tô doido? Ah, esse médico eu não quero ir porque ele vai me internar, né? Até como médico de família, eu vejo que eh o perfil do atendimento pensando na família facilita muitas vezes esse acesso, porque eh a psiquiatria é uma é uma área ainda, por mais que melhorou, avançou muito, ainda é obscura, né, pelo passado que a gente teve. Eh, e e é, mas assim, o sofrimento desses pacientes é muito importante comparado até outros transtornos de saúde mental, né, pelo prejuízo que causa na vida. funcional e que se a pessoa não busca ajuda rápida, ela pode muito rapidamente se ver num beco sem saída. E aí é é muitas vezes onde a pessoa busca até alternativas como, né, suicídio, enfim, ou às vezes ela tem uma outra comorbidade psiquiátrica junto, transtorno bipolar, algum outro transtorno que facilita e o o vício em jogo vem e dá o gatilho para que uma coisa dessa aconteça, né? Então isso é muito sério. Eu acredito muito que esse ateleatendimento vá ajudar e eu acho que tendo tendo sucesso, acho que essas iniciativas vão ganhar escala para poder ajudar a população de forma mais assertiva, né? É verdade. É é um é uma porta de entrada, né? né? Se a gente para para analisar, porque de repente a pessoa ela não quer falar com a família, não quer buscar um médico, mas ela pode ligar, né, nesse teleendimento do SUS aí e e dar o primeiro passo, né, e a partir disso, de repente abrir as portas aí para uma cura. E é um processo de cura realmente essa questão do vício em Betes. E a gente falou hoje sobre eh tudo que traz, né, esse vício, o que alimenta esse vício. E é importante a gente salientar do tratamento, né? O tratamento faz parte e se você tá se reconhecendo nesse momento, busque ajuda, acesse lá meu SUS digital, né? Eh, eh, tente informação, gente, informação. Da mesma forma que você aprendeu a jogar, né, na na nas bets, aí você vai aprender também a entrar, né, no SUS Digital e a fazer seu cadastro e receber o primeiro atendimento. De repente, você conversando com uma pessoa que você nem sabe quem é, você vai se abrir. E esse é o primeiro passo, porque falar cura também, né, Juliana? Então o primeiro passo, você solta, né, tudo, todas aquelas amarras, o que tá te prendendo ali através do atendimento. Com certeza tem ali um um cadastro, né? E isso vai ser repassado porque o sistema de saúde eh eh a gente sabe que tem suas lacunas, mas é algo que eh a gente pode falar que funciona. Se a gente for comparar Brasil com outros países, né? A gente sabe que o nosso sistema de saúde ele é falho, mas ele tá aqui e a gente precisa de utilizar quando nós temos a abertura. E nessa questão do tele abertura louvável e que pode ser o primeiro passo, né, Julian? Sim. tudo o que é eh disponibilizado paraa saúde mental, né, que seja que seja esse teleendimento. Você falou até, né, às vezes o falar com quem não conhece pode ser uma abertura e tem pessoas que é justamente o oposto, fala: "Como que eu vou para uma pessoa que eu nem conheço e vou ficar falando da minha vida?" Então, se é esse o caso, conversa. Então, peça ajuda de uma pessoa da família. Exato. Pelo menos para um profissional que vai ter a escuta adequada ou que vai ter o tratamento adequado. Então, ou se é realmente esse, não, como não conheço, eu tenho vergonha, eu não consigo falar com ninguém da minha família, temos uma alternativa. Então é louvável, sim. Tudo o que é possível para nós tratarmos, para cuidarmos, é realmente importante, fundamental. Sim. É, é um exemplo desse teleatendimento que eu acho, acho interessante e eficaz também. Eh, a gente já eu já fiz matéria sobre que é o CVV, que é 188, né? e que ajuda muitas pessoas que de repente têm ali uma crise de ansiedade, tá com depressão, mas eh não se reconhece ainda e faz a ligação e a partir da outra pessoa que tá do outro lado da linha, você nem sabe quem é, ela abre um entendimento para você e aí pode ser o primeiro passo para você ir buscar um atendimento presencial, né? De repente falar, ouvir outras pessoas falarem, porque tem gente que eh sabe aquele negócio santo de casa não faz milagre. em casa. Ah, eu tô falando, a pessoa tá conversando com, né, o parente ou a pessoa que mora junto, mas a pessoa não, ela não entende. Aí vem uma outra pessoa de fora e fala a mesma coisa que foi dito por alguém de dentro de casa, a pessoa lá recebe de uma outra forma, né? Então, pode ser que eh seja assim eficaz e tomara que funcione. A gente fica aqui na torcida, porque é realmente [limpando a garganta] um caso de saúde pública e eh tem tirado a vida de muitas pessoas e a gente fica triste com isso, né? E de saber ainda que o negócio é tão acessível que está na palma da sua mão, né? Dentro do seu bolso, no banco do seu carro, né? eh, na sua mesa ali de jantar, que você tá com a sua família, tá lá o negócio e você às vezes não consegue eh segurar aquela compulsividade e acaba se deixando levar. Eh, por isso, lembrando também que aqui é sem julgamento, nós estamos falando de uma doença, tá gente? é uma doença, isso é um vício. Então, nós estamos com especialistas que estão nos explicando eh como que a gente deve agir a partir do reconhecimento dessa situação. Agora, 8:47, a produção tá avisando, nós temos participações, tá? Então, vamos ver o que que o pessoal tá falando com a gente, quem é que tá conversando conosco e qual é a dúvida. Ou então de repente pode ser que venha até uma experiência aí, né? Vamos lá. Felipe Rodrigues do Parque Prado. É possível alguém desenvolver vício em apostas mesmo sem nunca ter tido outro tipo de dependência como álcool ou cigarro? Vamos lá, doutor. Sim, completamente. Tem vários casos de pacientes assim, né, que eh são desprovidos de outro vício, né, eh químico, como a gente comentou, e apenas [limpando a garganta] tem o problema do jogo patológico mesmo, né? Então é é comum isso aí, sim. Não necessariamente uma coisa puxa a outra. É partir da premissa de que todos estamos sob. Sim. Ótimo. Aham. Ninguém tá livre, né? Como o doutor falou antes, tem pessoas que têm maior propensão, tá? Essas pessoas, como ele falou, né? O álcool, né? O drogas, tal, tem uma maior, até ele falou do doce. Exatamente. A compulção, né? O mesmo área do cérebro. Sim. Então assim, essas pessoas têm maior propensão, mais facilidade, mas ah, e pessoas que não têm isso, não tem esses vícios, não tem, tá? Mas se ela ficar muito ali, ela perder o controle, é uma linha muito tênua, tênuei, né? Então assim, precisa eh todos estamos sob ou nem fazer isso aí é exatamente. Vale lembrar aqui também que o design, né, doutor, desses desses jogos, as cores, as músicas, tudo isso ativa uma parte cerebral nossa, não é? Totalmente. Inclusive, né? A gente até vê lá nos cassinos, por exemplo, né? Quando a pessoa perde, ela perde, só que as figurinhas elas se repetem e uma muda, uma corzinha, só que pro cérebro da pessoa, aquilo ali é um quase ganhei. Já tem um mecanismo de recompensa ativado mesmo na derrota, que faz ela buscar novamente, apertar o botão de novo para falar: "Não, agora só faltou uma. Eu quase ganhei". E não existe essa relação, né? uma figurinha mudando de cor é perder igual todas estarem diferentes, mas o cérebro da pessoa fala: "Nossa, quase", né? E aí faz jogar de novo. Então é muito complicado essa recompensa porque já existe um uma alteração química no cérebro mesmo no caso da derrota, né? Aham. Olha só, faltou uma figurinha para bater o negócio ali. Ah, na próxima eu consigo. E na próxima eu consigo. E aí você, infelizmente, né, vai para um caminho que o retorno é [limpando a garganta] possível, mas é delicado, né? Vamos lá. 850. Pode colocar mais uma pra gente? Vamos ver quem tá conosco. Fernanda Ribeiro do Jardim das Paineiras. Como conversar com alguém da família que aposta muito sem causar brigas ou fazer essa pessoa se fechar ainda mais? Ô Fernanda, delicado demais, Juliana. É delicado. Nossa, é verdade. Porque se você começa a falar, daí a pessoa não quer ouvir e aí se fecha. Exato. E aí fica pior ainda. Exato. Eh, eu falo que é aí é esta pessoa que tem a consciência, que está querendo, né, conversar, que está vendo, tá ali dentro da família, mas tá de fora, porque não é a que tá jogando, né? Sim. É importante que esta pessoa não desista. Uau! Então, é o famoso cuidar de quem cuida. Uhum. Humum. Então isso é fundamental também, que é ir aos poucos, não é no momento de crise que vai se resolver alguma coisa, não, mas não deixar de abordar o assunto quando estiver mais calmo, que aquela pessoa, né, que está com o vício, que está jogando, quando ela estiver em um outro momento, quando ela estiver mais calma, abordar novamente, buscar estratégias diferentes. Sabe o que acontece? A gente muitas vezes aborda da mesma forma. Uhum. Então, quando eu abordo da mesma forma, a pessoa já sabe o que vem. E aí é como ela fechar uma janelinha aqui, né? Ela apertar um botãozinho e ela põe uma barreira e ela não vai querer ouvir mais. Então, é buscar estratégias também diferentes, é sempre considerar que o benefício que você quer fazer, né, que você eh quer que essa pessoa busque ajuda, enfim, você tá ali para ela esse benefício, sempre considerar que isso é maior do que a sua expectativa de resolver aquilo naquele momento. Uhum. para não desistir. Então, esses eh isso é muito realmente é muito delicado. É porque daí o silêncio se instala e não tem mais comunicação. É. E aí esse aqui deixa de falar. Uhum. Né? Porque também não tá tendo sucesso. Esse aqui aí continua. Uhum. Então, eh, é esse não desistir e também se precisar buscar ajuda, buscar seu ouvido, buscar uma terapia, enfim, buscar alguma alternativa para não desistir. Nossa, gente, delicado demais. Ô doutor, eh, a pessoa que ela começa a desenvolver esse vício em Bedes, ela dá sinais, né, coisas assim os sinais que a a os familiares podem observar, né, nesse nesse momento tão delicado aí que é de repente o desenvolvimento do vício pelas beds? Então, como a gente comentou antes, né, eh muitas vezes essa pessoa começa a desenvolver um transtorno ansioso importante, então ansiedade aumenta, a pessoa vai dando sinais também muitas vezes, de depressão, então isolamento, aumento do uso das telas, né, e assim, é, e e rapidamente quando o problema é é grave, a família percebe na repercussão financeira mesmo em casa, né, com contas e tudo, mas paciente dá sinais de ansiedade, muitas vezes cursa com alteração do sono, né? Eh, eh, deixa de comer, deixa de tomar banho, parecido com o uso dos do da das drogas mesmo, né? Isso mesmo. E uma desorganização, né, socioeconômica importante que a família reconhece, né, que é muitas vezes o que faz inclusive procurar ajuda nesse caso. Excelente. Eu perguntei isso porque li um um uma matéria dizendo que a pessoa ela começou a se trancar. né, no quarto e aí já não comia mais, eh, não fazia suas higienes, higiene pessoal, não saia mais de casa e ficava ali o tempo todo, o tempo todo, né? Por quê? Porque tava perdendo e achava que ia ganhar. Então, enquanto ela não ganhasse, ela não queria sair daquele ciclo. E aí passou aí quatro, c dias até que a família se atentou, né, e foi conversar para ver o que que tava acontecendo, entendeu? E aí nesses qu c dias a pessoa já havia perdido o salário, mas a reserva que tinha no banco e já tava em desespero profundo e prestes a tirar a própria vida. Mas foi salvo pela família que se atentou a essa, tipo assim, mas por que que tá tão, né, não foi trabalhar, não tomou banho, não tá comendo, não tá dormindo e só tá no celular, o que que tá acontecendo, né? É grave demais. É grave demais, gente. E que bom que a gente pode falar sobre isso com o psiquiatra, né? um médico da família que trabalha também eh eh com a questão da psiquiatria, uma psicóloga, que nos orientam, né, de de que forma a gente pode observar esses sinais. E lembrando que a família precisa sim ter muita força nesse momento, né? Ah, é fácil falar, ah, não, eu, olha, eu vou falar um negócio para vocês, não é fácil falar, não. Sabe por quê? Porque dói no coração a gente saber que em pleno 2026, com a tecnologia que nós temos, eh, essa tecnologia sendo usada, né, para ceifar famílias, se a gente pode falar assim, porque, infelizmente, o jogo ele é desenvolvido para que a pessoa tenha compulsão, né? Então, é delicado, tem os prós e os contras, né, dessa tecnologia toda. 855 pode colocar mais. Então são mais duas, eu acho que dá duas ou três, né? Então vamos lá. Lucas Carvalho de Barão Geraldo. Quem está tentando parar de apostar pode ter sintomas parecidos com ansiedade ou irritação no dia a dia. Irritação, né? Isso é ansiedade é uma coisa, irritação é outra. E isso também pode levar a consequências mais drásticas também, né? Eh, Juliana. Sim, com certeza, porque ele tá é a eh a crise de abstinência, né? Isso. Abstinência. Aham. Eh, a irritação, você tava perguntando dos sinais, é um dos sinais. É verdade. Porque a pessoa ela se frustra. Aham. E aí é frustração, frustração, frustração. E aí ela se irrita, né? e fica muito intolerante a qualquer desconforto. Olha isso. Então, o tratamento eh passa por isso, por isso não pode estar sozinho. O tratamento é composto de todos esses profissionais, né? Então, que seja a terapia, que seja a a psiquiatria, né, o medicamento, a gente, infelizmente tem muito a questão da automedicação. Sim. E não só para a tomar a medicação, mas também para tirar a medicação sem nossa, verdade. Sem o é a orientação médica. Quantas orientações eu preciso dar? Porque a pessoa chega e fala: "Não, já melhorei um pouquinho". Aí eu parei de tomar uma não. Volta, volta para o médico, conta o que está acontecendo e siga a orientação. Uhum. Hum. Não faça isso, porque vai atrapalhar todo o tratamento. O tratamento ele realmente ele é longo. Sim. Não é assim, ah, tá bom, resolveu, não. Precisamos. Você estava falando uma coisa, nós com a questão da saúde mental, ansiedade, tudo, tem uma questão que eu falo muito, é assim, as pessoas estão em tratamento e aí elas falam assim: "Ah, eu parei de tomar medicação porque eu melhorei, eu não quero ficar viciada no no remédio". Uhum. Então, como que faz o cardíaco? O cardíaco é aceito, então ele pode é ficar viciado no remédio. Não tem essa de viciado no remédio para questão da saúde mental, a questão da química cerebral. Uhum. O diabético, ele não pode parar de tomar medicação. Exatamente. A pessoa tem um problema de pressão, ela não pode parar de tomar medicação. Ou ela vai fazer outros tratamentos, ela tem que fazer algum tipo de tratamento. Uhum. Então, por que esta questão de ansiedade ou de, né, e mesmo a pessoa não, eu parei porque uma coisa tá levando a outra, né? Então, voltando à questão dele, vai ter, né, irritação, tudo? Não, você não está sozinho. Se precisa ter essa orientação de que é que a gente tava falando antes da da recaída. Sim. Então, ó, faz parte do tratamento. Isso vai acontecer, esses sintomas vão acontecer, vamos acompanhando e aí vai voltando. Aí a pessoa vai passa por isso, ela vai ter uma, né, um reequilíbrio, vai entrar num processo homeostático, né, de equilíbrio. E aí sempre atenção. Nossa, importante, né, doutor, esse ponto que a Juliana tocou, porque medicamento, né, principalmente saúde mental, eh, tem um tempo determinado, o médico vai determinar e as pessoas costumam essa questão. Ah, tô viciada no remédio. Gente, pera aí. O remédio é um tratamento, né? Tem que tomar muito cuidado com isso, né, doutor? Muito. É, voltando no que a gente já falou, eu acho que isso é muito relacionado ainda também ao preconceito da área, né? Aham. Então, como ela falou, o paciente que tem uma hipertensão, por exemplo, tá lá com 18 por 10, né, de pressão, que toma o remédio, melhora, fala: "Oi, que legal, o remédio melhorou minha pressão, tudo, tô tomando remédio agora, tá controlado". Mas aí quando ela tá sofrendo de ansiedade ou tem um hábito compulsivo, toma o remédio, estabiliza, rapidamente ela já quer saber quando ela vai parar de tomar. Ou o que é pior por conta, ela fala: "Melhorei, vou parar de tomar". Parece que a relação com os remédios para essa área é um pouco que nem um antibiótico. Assim, eu tô com uma infecção, tomei o antibiótico, sarou a infecção, eu não preciso mais do antibiótico. As pessoas tentam levar isso pra área porque ai pra cabeça, eu não sou doido, eu não preciso de remédio. Sendo que muitas vezes, como a doutora falou, é muito importante um tratamento mais a longo prazo, né? Eh, na verdade, a gente vê pouquíssimos casos de sucesso quando o tratamento é muito de curtinho, né? a gente não consisou pelo menos controlar, modular de uma forma eficaz, né? Qual que é o impacto, doutor? Eh, a pessoa tá tomando um medicamento, né, para um tratamento, seja e dessa compulsão, ou seja, depressão, ansiedade, enfim, e aí ela decide parar do dia paraa noite. Qual que é o impacto? O tem que retomar novamente lá no início. O que que acontece? O cérebro ele deve levar um susto. É, sim. O impacto, né, quando a gente faz a parada abrupta, né, repentina desses medicamentos, é é significativo pro pro paciente, principalmente essas medicações que agem especificamente nessa área, né, porque vão, o paciente vai cursar com abstinência da medicação, vai ter os sintomas eh exacerbados de retirada, né, e o paciente fica mal mesmo. muitas vezes é é o que faz procurar ajuda de novo, uma tentativa, né, de ah, agora eu tô bem, tudo, para de tomar o remédio rápido e aí tem os efeitos colaterais disso e procura ajuda novamente, né? Outro problema que eu vejo também é que muitas vezes o acesso, o primeiro acesso é feito até por isso que eu fui me capacitar mais nessa área de saúde mental, porque o primeiro acesso às vezes é feito para um profissional que não tem a expertise para manejar esse problema, porque não é qualquer antidepressivo, qualquer medicação que vai agir especificamente nessa área da compulsão. E muitas vezes o o profissional que que recebe esse paciente acaba tratando uma ansiedade de uma forma mais genérica e o medicamento de escolha não age muito certeiramente nesse nesse mecanismo de recompensa. Aí às vezes a gente perde um pouco de tempo do tratamento eficaz, né? Eu vejo isso também na prática, né? asente desde o começo bloquear esses ajudar a terapia, atividade física, né? Tudo que esse paciente possa fazer para para ajudar a atividade física é excelente para para esses tratamentos também, né? Para junto com a terapia e com com a parte medicamente. Porque ele pode melhorar, né? Ele pode melhorar, claro, e aí não ter mais a necessidade do medicamento, mas como será feita a manutenção? Sim. É, então a atividade física não deixa de ser um tratamento. Que a gente mais vê hoje são os médicos todos indicando realmente a atividade física. Uma terapia é possível. Então como eu vou fazer esta manutenção? Isso é fundamental também. Além de bloquear no goov, né, os mecanismos que existem hoje. Hoje a pessoa que tem esse problema já consegue, né, colocar o CPF dela lá e ter uns bloqueios sistêmicos, né? Por mais que a gente sabe que os aplicativos vão criando novos cassinos, novas formas, o paciente também consegue mudar algumas coisas na rotina para ajudar ele a ficar longe dessa vontade compulsiva aí. Nossa, muito obrigada, viu, por vocês trabalharem nessa linha de saúde mental. Eu falo que corpo e mente, né, eles estão alinhados, eles precisam estar alinhados. Se você não tem saúde mental, a sua saúde física, ela vai gritar em algum momento e vice-versa. Então a gente precisa de todo esse alinhamento. Eu preciso encerrar o programa, mas por mim ficava falando aqui mais porque informação, gente, informação salva, sabe? E é tão bom eh conversar com quem entende, porque a gente vê que tem sim caminhos, né? A gente precisa de informação. É isso. Quero agradecer Dr. Rafael, Juliana, obrigada pelos esclarecimentos, né? Você aí de casa também que acompanhou. Juliana, considerações finais, por favor. Bom, eh, agradecer, parabenizar vocês por esse espaço, né? Ainda bem que temos essa essa possibilidade e realmente quanto mais falarmos, por mais que seja desconfortável, eh é o caminho para o tratamento. A conscientização ela é o caminho, né? Então isso é realmente muito importante e eu agradeço, né, por ter recebido o convite, por estar aqui, por essa oportunidade e parabéns. Obrigada. Obrigada. Obrigada. sinta-se convidada para mais vezes, viu, doutor? Muito obrigada pela sua participação, pelo seu compartilhamento, pela troca de informações. Acho que é muito válido, né? Porque a informação compartilhada ela ela ela vai passando, né? E e isso é importante. De repente a gente acende um alerta, vira a chave de alguém que tá em casa já super valeu. Então, gratidão pela sua participação, viu? Eu que agradeço o momento, né, de poder falar um pouquinho paraas pessoas diante de um tema tão sensível. Eh, eu acho que assim, de consideração importante, eh, essa é um problema que urge o acesso rápido. Então, quem tem um familiar, um conhecido, ajuda, leva essa pessoa para pro atendimento, porque eh muitas vezes poucos dias fazem uma diferença muito grande na no desastre que a vida dessa pessoa pode pode receber, né, com com a ausência do tratamento. Então tem que ajudar mesmo o próximo, tem que procurar se tratar porque tem saída, tem caminho para resolver esse problema. É, isso é importante, né? Você não tá sozinho e tem saída. Então bora buscar esse caminho, né? Lembramos que o SUS, gente, oferece o teleendimento gratuito para pessoas com dependência em apostas, tá? Então você vai lá, você acessa o meu SUS digital, segue as orientações do mini aplicativo, problema com jogos de apostas, tá? Então o cuidado é integral e acessível a todos e é um passo importante para de repente você enfrentar esse problema, combinado? Então meu SUS digital, procura lá, busca no Google, vai busca informação, tem saída, tá certo? E de repente esse é o primeiro passo, lembrando que a nossa vida é movimento e se você já dá um passo, você já está se movimentando, tá bom? E as coisas podem acontecer ao seu favor, tá certo? Um abraço grande. Eh, quero lembrar que nós temos o Estúdio Câmara amanhã e nós vamos trazer um tema bem interessante, né? [música] A gente vai falar sobre o envelhecimento saudável. Eh, mais do que viver um pouco mais, a gente vai discutir como viver melhor. A gente vai conversar sobre estratégias para manter a memória [música] fiada, manter o equilíbrio emocional na terceira idade e mais do que isso, vamos quebrar os tabus e falar sobre sexualidade [música] e intimidade também nessa fase da vida, mostrando que autonomia e prazer podem caminhar juntos com o passar dos anos. Você que tá amadurecendo, isso é uma coisa que acontece com todo mundo, né? Eu estou, você está e o tempo vai passando e a gente eh precisa aprender a viver de uma forma melhor e aceitar as fases da vida. E a gente pode, amanhã a gente descobre e quero que você juntinho conosco [música] para conversar sobre um envelhecimento mais livre e saudável, tá certo? a partir das 8 da manhã ao vivo aqui na TV Câmara Campinas. Mais uma edição do estúdio Câmara agora 98. Vamos entregando daqui a pouquinho. Aí tá chegando com informações atualizadas aqui de Campinas, Brasil e Mundo. Nós temos várias reuniões eh na Câmara de Campinas hoje. Então você confere aqui na TV Câmara Campinas, no YouTube da TV Câmara Campinas também pode participar presencialmente [música] lá no plenário. À noite temos reunião ordinária e ao meio-dia nós temos o Câmara Notícia com informações [música] do legislativo e da nossa metrópole. Grande abraço para você. Fique [música] bem, se cuide. 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