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Estúdio Câmara | Ultraprocessados: riscos para a saúde e impactos no dia a dia
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Estúdio Câmara | Ultraprocessados: riscos para a saúde e impactos no dia a dia

83 views Publicado 20/04/2026 HD · 59:41
Resumo editorial

O Estúdio Câmara desta segunda-feira coloca em pauta um tema que afeta a saúde de praticamente todos os campineiros, o avanço dos alimentos ultraprocessados na dieta cotidiana brasileira. O programa recebe especialistas em nutrição para discutir como salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo, biscoitos recheados e outros produtos práticos passaram a representar mais de 20 por cento da alimentação dos brasileiros, dobrando em participação nas últimas décadas. Dados de pesquisas da Fiocruz e da USP relacionam esse consumo a doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2, problemas cardíacos e depressão, com revisão internacional estimando milhares de mortes anuais associadas no Brasil. A conversa aprofunda as estratégias da indústria para tornar esses produtos viciantes, com combinações precisas de açúcar, gordura, sal e aditivos que ativam circuitos cerebrais de recompensa, e orienta como reduzir gradualmente o consumo em famílias campineiras sem entrar em modos extremos de restrição alimentar.

Descrição do vídeo

No Estúdio Câmara, o tema de hoje é o consumo de alimentos ultraprocessados e seus impactos na saúde, no comportamento alimentar e na qualidade de vida. A conversa mostra por que produtos como salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo, biscoitos recheados e outros itens práticos e acessíveis podem esconder riscos importantes quando se tornam parte da rotina. A entrevista com a médica endocrinologista e metabologista Nathália Ferreira explica como os ultraprocessados afetam o organismo, alteram mecanismos de fome e saciedade, favorecem inflamações e contribuem para problemas como obesidade, diabetes, doenças cardíacas e até depressão. O programa também destaca o conceito de “fome oculta”, quando a pessoa consome calorias, mas não se nutre de verdade. O professor de nutrição Alexandre de Oliveira Camargo complementa o debate ao diferenciar alimentação de nutrição, explicar a importância de fibras, vitaminas, minerais e proteínas, e mostrar como o excesso de açúcar, gordura e aditivos químicos compromete a saúde ao longo do tempo. A conversa ainda aborda a influência dos ultraprocessados na alimentação infantil, na formação do paladar e na rotina das famílias. 🧠🥗 Ao longo do episódio, os convidados reforçam que pequenas mudanças fazem diferença, como planejar as refeições, cozinhar mais em casa, ler rótulos com atenção e reduzir, aos poucos, a base alimentar ultraprocessada. O programa também destaca o papel da educação, da indústria, do poder público e da conscientização individual na construção de hábitos mais saudáveis. Se você quer entender melhor como escolher alimentos com mais consciência e como proteger sua saúde e a da sua família, este episódio traz informação clara, prática e muito útil para o dia a dia. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https:/ 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o nosso estúdio Câmara para você hoje, segunda-feira, tá em casa, tá tranquilo, tá de boa, dia 20 de abril. Então, vamos conversar. O tema de hoje é sobre aquilo que está cada vez mais presente no nosso dia a dia, mas que muita gente ainda nem percebe o impacto. Nós vamos falar dos alimentos ultraprocessados. Sabe quais são? salgadinhos, refrigerante, macarrão instantâneo, biscoitos recheados, produtos práticos, acessíveis, mas que levantou um alerta importante para a saúde. Estudos mostram que quanto maior o consumo desses alimentos, maior risco de doenças, como obesidade, diabetes, problemas cardíacos e até depressão. E mais, por que é tão difícil parar de consumir esses produtos? Será que eles eh já foram feitos justamente para isso? Então você que tá em casa, chama todo mundo pra sala, aproveita que tá em casa, todo mundo reúne a galera e vamos conversar. As nossos entrevistados já estão conosco aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Hoje a gente fala dos alimentos ultraprocessados, né? Eh, o que que tem nesses alimentos que os torna tão palatáveis e cada vez mais consumidos, né? E você que tá aí, dá uma olhadinha na sua geladeira. Hum. O que temos aí para o almoço de hoje? Vai pensando. Previsão do tempo na sua tela. Vamos lá. Como é que fica o nosso dia hoje? Nossa segunda-feira. Semana preguiçosa começando, né? Hoje feriado, amanhã também. Saímos aí de um final de semana e a previsão do tempo indica um dia de sol com aumento de nuvens a partir da tarde, mas não chove. A mínima 17, máxima 27º. Bom, vamos ao nosso tema central. Então, a gente fala do consumo dos alimentos ultraprocessados que vem eh crescendo de forma acelerada no Brasil e no mundo. Olha, tem dados recentes que mostram que a participação desses produtos na alimentação dos brasileiros, mas que dobrou nas últimas décadas, passando de cerca de 10% para mais de 20% da dieta. Segundo estudos da Fiocruz e também da USP, o consumo desses alimentos está associado a doenças crônicas e também pode contribuir para milhares de mortes por anos no país. Tem uma revisão internacional com milhões de pessoas apontou uma ligação entre ultraprocessados e mais de 30 problemas de saúde, gente, incluindo o câncer, doenças cardiovasculares, transtornos mentais e o alerta vai além da nutrição. Esses produtos são formulados com combinações de açúcar, gordura e sal, além de aditivos químicos, né, que aumentam o sabor, mas também interferem nos mecanismos da fome e da saciedade. Ou seja, não é só falta de disciplina, existe também estímulo biológico e comportamental por trás desse consumo. Para entender melhor esse cenário e principalmente discutir os caminhos mais saudáveis, vamos conversar com os nossos profissionais. Damos as boas-vindas paraa Natália Ferreira, médica endocrinologista e metabologista. Doutora, seja muito bem-vinda. Bom dia. Muito obrigada pelo convite. Uma excelente oportunidade da gente falar sobre um assunto tão relevante. Exatamente. Olha só, nós estamos com a doutora endocrinologista e para completar a nossa dupla de hoje, a gente dá as boas-vindas ao nosso professor do curso de nutrição, é o professor Alexandre de Oliveira Camargo. Professor, seja bem-vindo. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Bom dia. Muito obrigado aí pela pela pelo convite e é sempre um prazer eh difundir mais conhecimento sobre alimentação e promoção à saúde. Vamos lá, gente. Promoção à saúde mesmo, né? Porque quando a gente fala de ah ultraprocessados, muita gente não entende exatamente o que isso significa. Então a doutora explica pra gente, doutora, por favor, na prática, o que define um alimento ultraprocessado? Olha, inicialmente o o processamento, né, esse eh esse advento que aconteceu com a civilização, né, então o processamento é a a modificação dos alimentos. Então, o professor vai falar melhor sobre isso, sobre as as classes, né, em termos de processamento. Então, nós temos alimentos em natura, que seria, por exemplo, um milho, que você vai lá e colhe do pé um alimento em natura. Quando você dá uma limpadinha no milho, coloca uma embalagem, é o minimamente processado. Quando você cozinha o milho ou então coloca numa conserva com uma água com sal ali é o alimento processado. Quando você faz o salgadinho de milho, aí já vira o alimento ultra processado, que na verdade do milho tem muito pouco. E aí ele já chega com muitas desvantagens do ponto de vista de saúde, né? Então, sobre isso que nós vamos falar hoje. Muito bem, doutora. Agora, professor Alexandre, por que que esses produtos eles são tão presentes na nossa rotina? Eles são práticos, baratos, acessíveis, mas ao mesmo tempo, como a doutora trouxe já pra gente de início, são pobres no ponto de vista nutricional. O que tem dentro desses alimentos que preocupa tantos especialistas? É, como a doutora comentou, eh, quanto maior o grau de processamento desses alimentos, pior ele fica, né? Então, quanto mais natural ou minimamente processado, menos desvantagens esse alimento tem eh comparado com o restante, né? Mas realmente quando a gente fala das classes processados e principalmente ultraprocessados, né, igual a doutora comentou, eles passam por diversos processamentos químicos que levam à perda de valor nutricional e muitas vezes acrescentam diversos produtos químicos, né, que vão aumentar o tempo de prateleira, eh, e vão muitas vezes, eh, eh, levar a cois a a a fatores aí que vão deixar de eles mais palatáveis, como você muito bem comentou, né? O excesso de sal, o excesso de açúcar, o excesso de gordura. Então essa essa essas três combinações, principalmente trazem bastante problemas associados à nossa saúde, desde o diabetes, hipertensão, obesidade e no ao mesmo tempo eles são muito palatáveis. Então, eles levam a gente dentro da rotina corrida nossa do dia a dia, né? Abrir um pouco mais de embalagens, abrir um pouco mais de latas e realmente cozinhar menos, picar menos e realmente consumir menos produtos eh naturais ou minimamente processados. É, o certo seria a gente eh desembalar menos e descascar mais, né? Agora tem uma discussão, doutora, eh, importante, eu acho que sobre o efeito desses alimentos no nosso cérebro, né? Principalmente na liberação da dopamina. Isso é real? Libera mesmo dopamina? Eh, a gente pode, com essa liberação da dopamina, essa sensação de bem-estar que essas coisa gostosa que traz um alimento ultraprocessado, a gente pode comparar ele como o vício. Ele ele ele tem o poder de viciar mesmo. É realmente isso que acontece. É, nós estamos nos tornando viciados em dopamina, né? Várias fontes de dopamina funcionam mais ou menos como um vício. E assim, a grande eh característica desses alimentos é que eles são hiperpalatáveis, por eles eh deixam ali pouquinho do alimento inicial e colocam muitos eh muitas coisas que vão eh melhorar, aumentar, deixar uma coisa meio extrema em questão de sabor. É delicioso. Então o sabor fica muito bom porque ou é bem salgadinho ou é bem doce, tem uma consistência, é crocante. Então o alimento é muito gostoso, muito gostoso. Isso faz com que a gente tenha uma tendência a consumir mais. Uhum. a gente consumindo mais de um alimento que é do ponto de vista nutricional muito desfavorável, porque normalmente é rico em sal, em açúcar, em gordura, gordura saturada, pode ter gordura trans e pobre nos nutrientes que são tão importantes para nós como proteínas e fibras. Uhum. Então você começa a consumir alimentos extremamente palatáveis, extremamente calóricos. Primeira coisa que vai acontecer um estímulo à obesidade, como nós estamos vendo, né? E um aumento de outras doenças também. E isso tudo, o prazer chega no cérebro como dopamina. E aí a dopamina você vai se tornando, você vai se acostumando com aquele estímulo. E aí daqui a pouco, se você não tiver aquele estímulo, você já fica sob sinal de alerta, porque você tá tá precisando daquele prazer, aquele prazer intenso, fácil, barato. E aí isso de certa forma mais vai realmente formando um círculo vicioso. Exato. Impressionante. E outro ponto que a gente pode ligar nesse ciclo vicioso e que eu eh falo com o professor, a gente esses alimentos, né, eh são palatáveis, então você vai comer, vai comer, vai comer. Só que é interessante a gente parar para analisar que come, come, come, mas continua com fome. Por que os ultraprocessados eles não sustentam como uma comida de verdade, professor? É, nós temos que pensar que, eh, principalmente o ultraprocessado, né, que é aquele que passa por mais processamento químico, mais perda de valor nutricional, né? Então, muitas vezes o que que o que que esse alimento acaba perdendo também, né? Ele acaba tendo muito pouca fibra e ele perdendo muita fibra durante o processamento, né? Então, geralmente essa falta de fibra na alimentação, principalmente ultraprocessada, é um dos motivos pelo qual não ocorre esse mecanismo de compensação de fome, né? Essa esse mecanismo entre fome e saciedade, ele é muito controlado pela presença de fibra na alimentação, né? por exemplo, a alimentação eh eh na em natura ou minimamente processado. Eh, quando a gente fala em alimentos de natura, né, frutas, verduras, legumes, cereais integrais, todos esses alimentos são riquíssimos em fibra. Então, a fibra ela ajuda um dos mecanismos que o nosso corpo tem, o nosso corpo ele tem diversos mecanismos, né? Eh, que eles vão gerar saciedade. Então, a gente come, come até um certo ponto, eu tenho esse retorno de tipo, não preciso comer mais, né? Eu estou saciado já com o uso desse produto, desses produtos ultraprocessados principalmente, né? eh de baixo valor nutricional e inclusive de baixíssima quantidade de fibra. Então, muitas vezes, junto com o excesso de eh de açúcar, principalmente açúcar simples, então isso acaba atrapalhando um pouco esse mecanismo de saciedade. Então, esse eixo gerado principalmente pela falta de fibra, é o o excesso de açúcar simples que a gente fala, e o excesso de gordura principalmente, né, igual a doutora colocou, né, eh, as gorduras, as as gorduras saturadas principalmente, né, e as insaturadas e as e gorduras trans, na verdade, elas também acabam colaborando para que esse eixo fome saciedade, ele se ele não funcione da maneira como deveria, né? Então isso é um dos diversos mecanismos, inclusive que pode colaborar com o aparecimento da obesidade e do restante das doenças crônicas não transmissíveis. Então, quando a gente traz eh esse debate, é interessante a gente avaliar a questão da obesidade, por, né, você vê esses alimentos ultra processados, ricos em gorduras, açúcares, eh de fácil eh eh bem palatável, né, fácil você comer, ingerir ele. Ahã tão considerável assim, né? Então, eh, você tem aí, eh, o poder de compra desses alimentos, ele te faz eh te traz uma sensação de bem-estar, então você tá alimentando a sua dopamina, né, e ele não eh nutre seu corpo. Então, quer dizer que você sente fome depois de comer. Isso é um ciclo vicioso que gera um impacto nocivo pra nossa saúde, né, doutora? É pior do que parece que é é porque é o seguinte, ó. Esses alimentos eles são alimentos inflamatórios. Humum. No sentido de que eles vão chegar no nosso intestino e vão fazer com que bactérias ruins se proliferem mais do que as bactérias boas. Sim, essas bactérias ruins, elas têm parte da do do organismo delas ali, tem eh tem algumas partículas que são inflamatórias, se soltam das bactérias, vão para a corrente sanguínea e nós temos lá no cérebro um centro que é o centro regulador da fome da saciedade que é no hipotálamo. Essas substâncias inflamatórias chegam lá no hipotálamo e desregulam o hipotálamo. Então, a gente passa a ter mais fome do que a gente teria normalmente. Isso com o tempo vai fazendo uma coisa muito terrível com a gente. A gente tem eh uma como se fosse uma marcação no nosso hipotálamo do peso máximo que nós chegamos. Uhum. E o nosso o nosso corpo interpreta aquele peso como o peso saudável, independente do peso, tá? por causa das nossas dos nossos antepassados que viviam de caça. Então o nosso DNA interpreta que quanto mais reservas a gente tem, melhor. Então quando a gente chega num peso mais alto é difícil de perder. A gente não perde naturalmente. O nosso corpo vai sempre querer manter aquele peso mais alto as custas de fome. E o que que acontece? Os ultraprocessados vão lá e vão modificar essa nossa. é o que a gente chama de setup hipotalâmico, que é esse peso máximo marcado. Então, a gente vai ganhando peso, a gente vai ali através de saltos no peso, é um fim de semana, é uma viagem, é uma saída, a gente come uma coisa mais hiperpalatável, mais calórica, ou então a gente coloca esses alimentos na nossa base da alimentação e a gente vai marcando cada vez mais um setup hipotalâmico mais alto. E isso é trabalho para nós, pro resto da vida, porque quanto mais alto vai ficando essa marcação, mais a gente vai ter que fazer esforço para voltar no peso que a gente tinha antes. Então, realmente é um prejuízo muito grande que esses alimentos nos trazem. Olha só, interessantíssimo, né? Porque às vezes a pessoa fala assim: "Nossa, mas eu não tô perdendo peso, né? O que que tá acontecendo?" Olha aí a explicação, né, da doutora Natália, eh, sobre essa questão da alimentação. E é importante a gente diferenciar eh a nossa alimentação, assim, o que que é se alimentar? A gente tem que entender que nós precisamos nutrir o nosso corpo. Seria isso, ô professor, né? Qual que é a diferença de eu comer e de eu nutrir o meu corpo? Porque a gente precisa entender pra gente poder associar qual é a forma correta da gente fazer a nossa nutrição, né? Nosso corpo precisa ser nutrido todos os dias. É por isso que a gente sente fome, é por isso que a gente come. Mas o que nós devemos, como nós devemos fazer essa nutrição? Eh, exatamente isso, né? Eh, é importante a gente definir eh apenas alimentar de nutrir, né? Eh, nós temos um eh um termo bastante importante da gente entender o o funcionamento dele, que, infelizmente, hoje em dia tá cada vez mais eh eh cada tá acontecendo cada vez mais, vamos dizer assim, né? Esse é um termo que a gente não gostaria que tivesse em tanto destaque, que chama fome oculta, né? Então, ela vai bem eh de encontro a isso que a gente tá conversando, né? Então se alimentar é uma coisa, agora se nutrir de maneira adequada é outra, né? Então uma pessoa que ele que ela come só processados e principalmente ultraprocessados, né? Como a gente já bastante discutiu aqui até agora, né? Então tem nutrientes lá, tem, mas muitas vezes, principalmente as vitaminas, os minerais, as fibras, eles vão perdendo durante esse processamento do alimento, né? E geralmente esses alimentos também são pobres em vitaminas e minerais, né? Então, eh, a pessoa ela vai consumindo cada vez mais esses alimentos. E tudo isso que a doutora falou, ele é muito válido no ponto de vista de que eles muitas vezes, inclusive são muito calóricos, né? São hiperpalatáveis, hipercalóricos, então a pessoa vai ganhando peso. Então, ela está sendo nutrida? Está do ponto de vista calórico, né? Mas quando a gente vai pensar no restante do entorno da alimentação, né, não é só caloria que a gente precisa, né? A gente precisa de caloria advinda de um carboidrato, né? Que esse carboidrato que a gente fala e que seja mais de fontes integrais, principalmente cereais do ponto de vista integral e menos aquela farinha branca, vamos dizer, né? Então isso acaba contribuindo para uma para uma boa saúde de uma maneira geral. Nós precisamos de proteínas, principalmente boas fontes de proteína que são responsáveis aí eh por manter a nossa massa muscular, os nossos tecidos e diversos outros órgãos do nosso sistema, né? Então o que que a gente fala, né? Sempre na escolha da proteína, tentar escolher uma proteína um pouco mais magra, né? Eh, aquela proteína um pouco melhor, que tenha menor quantidade de gordura. E daí? Não, a gordura é o vilão da alimentação da pessoa, não é? Também, né? Desde que a gente saiba escolher alimentos que tenham uma boa fonte de gordura, né? E desde que no modo do preparo desses alimentos, eu não faça muitas frituras, eh, não utilize todo dia carnes gordas com aquela gordura aparente, então isso já melhora de bastante aí a saúde, né? Então, do ponto de vista, nós chamamos esses de macronutrientes. Então, desse ponto de vista, seria uma alimentação boa nesse nesse ponto de vista, né? Então, muitas vezes os ultraprocessados eles acabam tendo todos esses nutrientes, né? E eles pecam muito na parte dos micronutrientes, então principalmente vitaminas e minerais e a fibra que a gente colocou que também acaba perdendo muito durante o processamento, né? E o por que esse tema fome oculta acaba aparecendo cada vez mais? Porque esses produtos ultrapalatáveis levam a pessoa cada vez ter um peso cada vez maior e muitas vezes acabam faltando vitaminas e minerais que muitas vezes elas ficam silenciosas ali. Então quando a pessoa ela vai passa num médico, passa no nutricionista, faz um checkup, quer ver como que tá a saúde, né? E a gente vai conversando com com o paciente, você vai vendo que olha, eu tenho indícios que a sua alimentação não tá não tá não tá legal, né? Então muitas vezes a gente vai trabalhar com solicitação de exames laboratoriais. E dentro dessa solicitação de exames laboratoriais, muitas vezes essa pessoa que já come muito ultraprocessados e e industrializados de uma maneira geral e pouco minimamente eh processados em natura, a gente vai perceber que já tem eh várias carências nutricionais, principalmente do ponto de vista de micronutrientes, né? Então, o ferro já tá baixo, o ácido fólico ele já tá baixo, vitamina B12 tá lá no chão, vitamina D que tá muito correlacionado com a depressão que a gente conversou no no início do programa. Então tudo isso tem um motivo, né? Então a gente não precisa só nutrir com calorias, mas sim com nutrientes, né? E para que a gente tenha uma alimentação mais completa, é importante que a gente inclua todas essas classes de alimentos para compor uma alimentação saudável. Excelente. Muito bom. Agora, doutora, quando o professor traz, né, toda essa explicação sobre eh a nossa nutrição, sobre nutrir e a doutora trouxe também os impactos da alimentação de ultra processados, né, que os impactos que pode trazer paraa nossa saúde, me faz lembrar aquelas papinhas que tem de supermercado, né, quando o bebê eh tá pequenininho, a criancinha e aí vamos lá, vamos pro mercado, vamos comprar, porque é legal. né? Já vem prontinho, a gente coloca lá no microondas, a gente oferece, é gostoso, a criança come, porque às vezes a criança tá começando a ingerir eh eh alguma coisa mais pastosa e aí eh o alimento natural ele fica um pouquinho não é tão palatável quanto aquele que tá preparado. Então, se o o a pessoa que já entende, o adulto, enfim, ele já tem problemas, ele vai ter problemas ao longo, né, no decorrer da vida, se alimentando de ultraprocessados, eu gostaria que a doutora trouxesse pra gente o impacto na alimentação das nossas crianças, começando lá desde essa papinha bonitinha, né, até, vamos lá, um salgadinho, aquela bolacha que todas as crianças adoram, né, o salgadinho. também que são eh eh as crianças. Que que você vai levar de lanchinho? Ah, quero um salgadinho. Você pode dar uma olhada aí na sua casa, você vai encontrar um salgadinho aí, vai encontrar aquele eh eh ã, como é que eu posso falar? Um iogurtezinho lá pequenininho, né, dentro da sua geladeira, que as crianças adoram. E aí, como é que a gente faz para de repente mudar esse sistema, que é o sistema que vem sendo aplicado aí de longa data. Se a gente for parar para analisar, é, você sabe, vou trazer uma curiosidade. Você sabe que o termo ultraprocessado foi cunhado por um brasileiro, né? Olha isso. 2009 da USP, em que começava a a piratona, né, essa questão da obesidade crescendo e tal, e as pessoas responsabilizando muito as pessoas pelas escolhas. Nossa, mas como é que você come tanto? Por que que você não não tem força de vontade e tal? E ele começou a a questionar isso, mas pera aí, que que alimentos estão chegando para nós? Uhum. E começou a analisar a composição desses alimentos. Então assim, não é só uma responsabilidade da pessoa que está consumindo, especialmente da criança, né? Então nós temos a responsabilidade da indústria e nós temos a responsabilidade do governo também que precisa regulamentar essas coisas. Verdade. Então, quando você vai ver as propagandas, as propagandas vendem os alimentos como saudáveis, como bons, como, né, alimentos populares. E muitas vezes a pessoa não tem eh esclarecimento, ela não tem condições de comprar uma coisa que é mais cara. Uhum. Então assim, é preciso eh dividir essa responsabilidade, é preciso uma educação da população, mas também é importante a regulamentação da venda desses ultraprocessados. Excelente. E no caso das crianças, isso se torna muito mais dramático, né? Porque eh aí a gente vai falar também que os alimentos preparados em casa são extremamente mais saudáveis, porque com os alimentos preparados em casa, a gente vai usar os alimentos em natura ou minimamente processados. A gente vai temperar com temperos ali numa quantidade muito menor. A gente não vai colocar conservantes, emulsificantes, corantes, a gente não vai colocar. Então esse alimento vai ficar muito melhor. Só que você precisa ter tempo, você precisa ir lá escolher os ingredientes, saber a receita. Aí você chega lá no mercado, tem uma papinha lá pronta, né, cheia de conservantes, cheias daquilo tudo fácil que você vai fazer num instantinho. E aí o que que tá acontecendo? Uma explosão da obesidade infantil. Exato. Numa velocidade e e numa gravidade maior do que nos adultos. Então isso é uma coisa muito grave, porque assim, a saúde das crianças, a alimentação das crianças é responsabilidade dos pais. Então é muito importante que isso seja esclarecido. Isso é vendido como uma coisa saudável. Fala que é diet l. Não, então tá tudo bem, tô consumindo. Não, você tá consumindo uma coisa pobre, uma coisa inadequada e dando pro seu filho ainda, pior ainda, porque você vai também criando, acostumando ele com um paladar muito inadequado, que ele vai crescer querendo aquele tipo de alimento que é muito doce, muito salgado, muito crocante, muito gorduroso e e ele vai começando a querer isso. Olha só, gente, que interessante a fala da doutora e que possa virar chavinha aí na sua casa. A gente deixa bem claro que é sem julgamentos. Eu, né, tive a filha e aí cuidei da minha filha e cheguei a comprar sim esses produtos porque é o natural. De repente você não tem a informação ou às vezes você não tem o tempo de ler o rótulo, né? É importante a gente ler o rótulo, mas você não tem o tempo de ler o rótulo, você não tem o tempo de cozinhar, você precisa trabalhar, você precisa educar, você precisa ser mãe, você precisa cuidar da casa. Então a gente sabe de todas as funções, principalmente da mulher. Mas quando a doutora fala traz essa questão da regulamentação, isso é algo assim imprescindível, importante demais. gostaria que o professor eh pontuasse sobre essa questão da regulamentação desses alimentos, porque a gente sabe que a publicidade, né, eh ela tem uma interferência muito grande. E a doutora trouxe pra gente aqui a questão da publicidade. Você olha, você entende que aquilo é bom e aí você fala: "Poxa, vou lá, vou comprar". Então, se é bom, se tem um valor bom para você, cabe no seu bolso e se contribui pra agilidade do seu dia, por que não inserir na alimentação, né? E quando a gente fala aqui da alimentação das crianças, isso acende um alerta. É importante, professor, essa regulamentação, né, do do desses alimentos, desse tipo de alimento. É, na verdade, eh, quando a gente fala em regulamentação de alimentos, principalmente industrializados, né, a gente fala que, inclusive que recentemente foi reformulado a legislação específica para rotulagem de alimentos, né? Então isso a gente já consegue perceber bastante que alguma coisa mudou quando a gente vai no supermercado fazer uma compra, né? Então vocês devem ter percebido hoje em dia que ao comprar um produto industrializado, hoje em dia tem umas tarjas brancas e pretas, muitas vezes tentando alertar, ó, alto em gorduras, alto em consumo de alto em açúcar simples, alto em gordura saturada, baixo e eh e tudo isso, o que que o que que isso significa, né? Isso é uma nova regulamentação para tentar alertar o público sobre a presença excessiva desse tipo de ingrediente dentro do produto ultraprocessado. Eu olho lá alto em sódio. Então assim, só que ao mesmo tempo o que que a gente vem vendo como retorno dentro do consultório no dia a dia, né? Eh, isso, isso eu eu como nutricionista eu acho que isso foi um passo muito importante eh no no quesito de que as pessoas elas têm essa informação um pouco mais eh de uma maneira um pouco mais explícita e um pouco mais acessível. Porém, é como a gente falou, né? Será que todo mundo sabe ler um rótulo de um alimento, né? Será que todo mundo olha ali e vê alto sódio? sabe o que que é o sódio? Que o sódio é o sal e que o excesso de sal vai trazer diversos problemas para nossa saúde, né? Então, nesse ponto de vista, isso foi um grande passo, né? Mas inclusive quando a gente eh fala sobre alimentação e fala sobre esses impactos do ultraprocessado eh dentro da nossa saúde, igual o que a gente tá fazendo agora, eu acho isso muito importante para que essa informação chegue a toda a população, tá? Eh, então são marcos importantes para que a gente fale um pouco mais sobre isso e realmente traga essas informações de tanto de prejuízo que a gente traz no aumento progressivo do consumo desse tipo de alimento, né, igual vocês falavam, né? Então, a gente aumenta cada vez mais o excesso de peso em crianças e na verdade assim, as nossas projeções são só piores, né? Então, até 2030, infelizmente, a gente tá com expectativas de que 50% das nossas crianças tenham excesso de peso, né? Então esse é um dado extremamente alarmante pra gente, né? Eh, como profissionais, né? E, eh, infelizmente a gente não vê um ponto aí de parada para tudo isso, né? Mas sim algumas regulamentações vem melhorando. Nós precisaríamos rever muitas legislações específicas. eh, nesse nesse quesito, né, e realmente a gente difundir um pouco mais dessas informações associadas ao consumo excessivo desses alimentos ultraprocessados e realmente todos os prejuízos à saúde que a gente tem a partir da ingestão eh excessiva desse tipo de alimentos, né? e realmente, né, eles são fáceis, eles são, né, mas muitas vezes eh um um produto muito interessante eh para pra gente pensar é o seguinte, eh tem um tem um guia chama guia alimentar da população brasileira, né? Então esse guia ele traz diversas recomendações promovendo a alimentação saudável, desde profissionais até pessoas leigas. E inclusive, ah, eh, eu tenho que planejar a minha alimentação do dia a dia. Não é fácil. Todo mundo trabalha, todo mundo trabalha de manhã até à noite, muitas vezes, né? Então o guia ele traz muitas informações de como que eu vou colocar esse esses alimentos em natura e cozinhar mais dentro da nossa rotina do dia a dia, desde que eu me planeje para fazer compras, desde que eu me planeja comprar os ingredientes adequados para ter em casa, desde que eu me planejo ao final de semana, que muitas vezes tem mais de uma pessoa em casa, onde você consegue planejar a sua aliment alimentação durante a semana, como eu emprego técnicas culinárias para facilitar o meu dia a dia dentro da cozinha e com técnicas mais adequadas eu consegui ter um planejamento melhor da minha alimentação durante o dia. Então são algumas coisas que a gente precisa pensar em como incorporar tudo isso dentro do dia a dia que a gente precisa fazer. a gente precisa, mas a gente precisa também de informações para que a gente consiga colocar isso dentro da prática do dia a dia, né? Perfeito. Excelente. E a gente consegue isso aqui com a presença de vocês que vão nos ensinando, né? eh nos ensinando e nos mostrando eh eh que realmente essa questão dos alimentos ultraprocessados, por mais fáceis que sejam, né, de de preparar e de consumir rapidamente, isso pode sim trazer um impacto muito grande paraa sua saúde. E quando a gente fala de criança, então nem se fala. Agora, na prática, doutora, é possível a gente reverter esse padrão alimentar? a gente consegue, o corpo ele responde quando a pessoa ela reduz esse consumo, ele responde de que maneira? De repente, se tá acostumado ali, vai ficar meio estressado, mas depois vai conseguir ou eh já responde imediato e a gente pode, né, eh fazer essa essa mudança de de padrão alimentar, precisa de um planejamento, como é que funciona? Olha, eu vou eh citar eh mais uma vez o guia alimentar pra população brasileira, citando novamente o pioneirismo do Brasil, que vem falando disso há muito tempo e vem se posicionando. Então, no guia alimentar, ele orienta evitar os ultraprocessados na base da alimentação. Olha aí. Então, não tem ultraprocessado saudável e a gente vai eh ficar cultivando doenças quando a gente consome esses alimentos. Então, quando a gente para de consumir os ultraaprocessados, é importante a gente falar que a gente não vai parar totalmente, a gente come uma coisa ou outra, sim. Mas que isso não seja uma rotina, isso não seja a base da nossa alimentação, isso não seja todos os dias. Então, de vez em quando você vai comer um chocolate, de vez em quando você vai tomar um sorvete, mas não dá para isso ser todos os dias. Sim. E aí quando você faz uma uma uma eh modificação importante na sua dieta, como o professor tá falando, através de planejamento, que que você vai começar a fazer? Você vai parar de cultivar aquelas doenças que você tava cultivando, tá? Então, se você estava consumindo um monte de gordura na sua alimentação, você vai parar de alimentar aquela placa lá nas suas artérias do coração, mas a placa tá lá, tá? Então a gente não consegue muito, talvez reverter o que já aconteceu. A gente pode fazer com que essa placa pare de subir. O nosso peso na balança, eh, ele pode mudar, a gente pode conseguir perder peso, mas lembra que eu falei do setup hipotalâmico, você vai subindo o peso e o corpo passa a defender aquele peso. Então, a primeira coisa que a gente vai conseguir em termos de saúde é parar de piorar, porque todo dia que a gente tá consumindo alimentos ultraprocessados, a gente tá piorando, a gente tá cultivando doenças. E aí quando a gente consegue fazer uma modificação importante na alimentação, que é muito importante junto com outras medidas também, você colocando um exercício físico, você dormindo melhor, você manejando o strress, em muitas condições você vai precisar do uso de medicações. Aí com esse conjunto de coisas é mais provável que você consiga reverter condições, especialmente se houver uma perda de peso. Uhum. Mas realmente o primeiro passo, um passo importantíssimo, é a gente melhorar essa alimentação através da consciência, através do planejamento, colocar em ação essas mudanças. Excelente. Você sabe que ontem, eh, essa semana, aliás, nós falamos do mindful cooking, né, que é a você estar presente na cozinha, né, cozinhar com presença. E a partir do momento que você está cozinhando com presença, você tem aí o despertar sensorial, porque você tá eh eh tendo o tato, né, com a a o legume que você tá tá preparando. Aí você vai sentir o cheiro. Então aquilo vai despertar em você já uma saciedade e que quando você vai pra mesa, você também vai comer ali com você, na verdade você vai fazer uma nutrição, né? E isso é algo que exige o quê? Os nossos profissionais trouxeram que exige o quê? Para você fazer o mindful cooking? Planejamento, né? Então, planejamento para ir ao mercado, planejamento para se preparar, para poder fazer eh a a sua alimentação na sua cozinha, convidar as pessoas para estar com você, que isso também faz parte. Gostaria que o professor trouxesse a importância desse planejamento que a gente tanto fala e que às vezes a gente vive assim, a gente vive correndo, a gente sabe disso, mas a gente precisa de um tempo porque estamos falando de saúde, não é, professor? É exatamente isso, né? Então, eh, da mesma maneira que a gente se acostumou a fazer esse consumo de ultraprocessados no dia a dia, né? Então, isso muitas vezes ela eh isso acaba começando mesmo antes da criança nascer. Então, a gente comentou sobre a a criança na introdução da alimentação eh eh fora o leite materno, ele essa criança ela já consumia um produto ali eh processado, né, ou ultraprocessado, a depender do caso, né, mas eh a gente precisa entender que a gente precisa ir um pouco além desse conhecimento, né? Hoje em dia a gente fala de formação de hábito alimentar desde da préconcepção. Então, antes ou a partir do momento que o casal ele está planejando ter um filho, então a partir dali já começa a programação fetal que vai impactar nas escolhas alimentares dessa criança. Então, eh por isso que a gente fala sobre a importância dos 1 primeiros dias dessa criança, né? Então, desde o momento que ela tá na barriga da mãe, tudo o que a mãe ela consome, então se ela consome ultraprocessado demais, se ela tem uma alimentação adequada, se tem, se não tem, depois que nasceu, que tipo de parto essa criança nasceu, se ela foi amamentada de maneira exclusiva em leite materno até o sexto mês de vida. Isso a gente percebe nitidamente que tem um impacto muito forte, inclusive na prevenção da obesidade, né? E se esse aleitamento materno ele foi tido como complementar a partir do sexto mês de vida, onde daí sim começou a introdução alimentar nessa criança. Então todos esses passos eles fortalecem e eles evitam a formação de hábitos alimentares inadequados, né? Mas a gente precisa entender que isso é impactado desde o momento que a criança tá dentro da barriga da mãe. Então isso quer dizer, as escolhas alimentares dos pais dessa criança, elas impactam de maneira de maneira negativa a própria criança, mesmo antes dela fazer as próprias escolhas, né? E daí quando a gente fala lá de introdução alimentar, onde a criança ela começa a comer papinhas e assim por diante, eh que a gente precisa pensar também um pouco, né? A criança, ela não vai no mercado e não faz compra e fala: "Nossa, essa papinha eu devo adorar", né? Ela ela não tem formação de de de paladar ainda. Então isso quer dizer isso é 100% de responsabilidade dos pais e dos familiares dessa criança. Quais tipos de alimento elas vão introduzir e formar hábitos alimentares para essa criança. Igual a doutora falou, se nesse momento eu já coloco um produto ultraprocessado ou industrializado ali, eu já vou formando o paladar dessa criança pro excesso de açúcar. Uhum. Excesso de doce ou às vezes excesso de gordura. Então, mínima eh eh dificilmente eh isso vai criando um hábito não saudável para essa criança, que grande chance depois quando ela tiver na na adolescente e na idade adulta, ela levar esse tipo de padrão alimentar pra vida adulta e daí ver todos esses problemas que a gente vem ocasionando aí na saúde da população de maneira geral. Muito bem. Essa questão eh do paladar da criança é bem interessante, porque a gente precisa inserir, né? A criança ela não vai gostar de primeira, claro que não, né? Mas a gente precisa porque é o hábito, né, doutora, que vai fazer com que a criança entenda e sinta gosto, né, e e seja atraído por aquele aquilo que a gente tá levando para que ela se alimente. De repente, vamos lá, um beterraba, uma cenoura, não é a primeira vez que você vai levar, oferecer pra criança, que a criança ela vai gostar daquilo. a gente precisa incentivar essa criança a uma nutrição, né, de verdade, uma alimentação que venha a nutrir. E tem aí eh eh várias sugestões que a gente vê na internet. A gente pode utilizar a internet pro nosso bem, né? Preparar pratos coloridos, levar a criança pra cozinha. De repente, se é um bebê, ensina, mostra, brinca. A gente precisa criar mecanismos paraa gente poder eh inserir uma alimentação saudável paraos nossos filhos, não é? É, a gente precisa tomar um pouquinho de cuidado para não deixar as pessoas desesperadas, né? A gente chega aqui e fala: "Você tá fazendo tudo errado, não faz isso". Então assim, a gente sabe que existem as dificuldades, né? as pessoas que trabalham fora, mães que trabalham fora, que não conseguem cozinhar pros filhos e às vezes vai precisar ir no supermercado comprar determinadas coisas. Sim. Então assim, é importante a gente ir trazendo essa informação e trazendo um convite para dar um passo, né? Qual que é o próximo passo que eu posso dar? Aí eu posso eh oferecer mais coisas saudáveis. Eu ainda não consigo tirar todos os ultraprocessados, mas eu vou oferecer mais frutas. frutas. Eu vou ampliar mais a quantidade, a variedade de alimentos que eu tô oferecendo. Eu vou fazer um prato bonito. Então, por mais que ali talvez vai escapar uma batata frita, mas vai ter legumes ali, né? Que essa batata frita não seja todos os dias, né? Assim, fazer os outros alimentos atraentes também, né? E assim, se você tá comendo somente somente ultraprocessado, calma, calma. a gente vai aos poucos mexendo um pouquinho, escolhendo ultraprocessados menos horríveis, porque tem diferença, né? Tem. Uhum. Assim das das quantidades dos aditivos, né? Inclusive, uma dica importante, interessante pra gente saber se um alimento é ultra processado ou não, é a gente olhar lá o rótulo e ver a quantidade de ingredientes. Normalmente um alimento é ultra processado, se ele tem mais de cinco ingredientes, né? E quanto mais eh nomes estranhos, pior, né? Corantes, emulsificantes, eh todo todos aqueles aquelas substâncias que são estranhas ao nosso corpo, né? A gente não digere essas essas substâncias que existem hipóteses que podem causar câncer. Então assim, se a gente conseguir, você não tem jeito de fugir dos ultraprocessados, a gente vai tentar inicialmente escolher os menos ruins e ir colocando mais coisas saudáveis pra gente ir melhorando ali essa composição alimentar. Então isso é uma coisa bem importante. É interessante e tudo uma questão de costume, né? né? A gente a gente se acostuma da mesma forma que nós nos acostumamos a de repente trazer esses ultraprocessados pra nossa alimentação, a gente também vai se acostumar a melhorar a qualidade da nossa alimentação, né, professor? Porque é isso mesmo, a gente se acostuma. O negócio é começar, né? dar o primeiro passo e a gente tá em movimento. Então, um movimento que você faz já, ó, tá de bom tamanho, não é, professor? É, e exatamente, exatamente isso. A gente precisa começar. Uhum. Né? E a gente não deve se desesperar, mas ao mesmo tempo é um alerta de que se isso acontece dentro do dia a dia, a gente precisa começar a se movimentar, né? Eh, a alimentação saudável, ela é possível, ela é possível desde que a gente coloca em prática tudo isso que a gente tá conversando até agora, né? E sim, eh eh toda pessoa come produto industrializado ou às vezes até ultraprocessados, né? Ah, não é médico, é nutricionista, ai não comem porque eles sabem muito o que faz mal, a gente sabe, mas é bom, é gostoso, né? Então, o que que a gente, o que que nós colocamos dentro do nosso dia a dia é o que a gente orienta muito os nossos pacientes em consultório, né? Então, por exemplo, ah, comer uma pizza, OK, não é o final do mundo comer uma pizza, né, ou comer um hambúrguer ou algum outro tipo de produto industrializado ou com alto teor de gordura, açúcar simples ou assim por diante, né? Agora, o que não dá para acontecer, né, que o que aconteceu na sexta-feira acontece no sábado, acontece no domingo, puxa para segunda, terça, quarta, daí na quinta a gente começa a ficar um pouco desesperado, a gente puxa um pouco o freio e daí na quinta já tá e daí na sexta começa tudo de novo. Então isso quer dizer, a gente precisa tomar cuidado que a exceção do produto ultraprocessado eh eh ele ocorra ali de uma maneira que não impacte muito na na nossa saúde. Então, se eu consumo é uma, duas, no máximo vezes na saúde, no na semana, né? A semana ela tem 7 dias, né? Só que o duas vezes não pode virar daqui a pouco três, daqui a pouco quatro e assim por diante, né? Então, a gente precisa tomar cuidado que a exceção ela continue sendo caracterizada como exceção, não como regra, né? Então tudo isso é possível de ser consumido. Tudo que eh é cabe no nosso dia, cabe nutrição e equilíbrio, né? Só que a gente precisa tomar cuidado pro desequilíbrio não pender pra ausência de saúde ou paraa doença, vamos dizer assim. Muito bem. Olha só, gente, quanto ensinamento hoje, né? E a Dra. A Natália é endocrinologista e metabologista. Como é que é? Isso é o nome da especialidade. É endocrinologia e metabologia. É. E o que é a metabologia? Como o que que traz pra gente assim para para falar de saúde? É que assim são assuntos que estão muito ligados, né? Então, se na endocrinologia a gente trata de glândulas e hormônios, no metabolismo, a gente vai fazer esse acompanhamento do metabolismo, que é um conjunto de substâncias, um conjunto de reações que acontecem com várias substâncias no nosso corpo que vão determinar velocidade de crescimento celular, de renovação, eh funcionamento intestinal, batimento cardíaco, se é mais fácil emagrecer, se é mais fácil engordar. Então esse estudo próximo do metabolismo que acaba tendo muito a ver com o desenvolvimento da obesidade, né? Olha só que interessante. Aí a gente alia e com a nutrição e a gente faz um combo, né, de de ensinamento e de positividade pra gente poder melhorar a nossa qualidade de vida. Professor Alexandre é professor eh do curso de nutrição. Como é que tem sido, professor, a busca, né, eh eh por esse curso, por essa especialização, porque eh creio eu que as pessoas elas estão sim preocupadas com a qualidade eh de vida e a saúde alimentar, né? Então, as coisas têm t mudado, não muito, mas tem a gente já vê um avanço, a gente pode dizer assim, é exatamente isso, né? Então, eh, não só junto à docência, né, mas eu acabo sendo coordenador do curso de nutrição em Daatub, em Jaguariúa, na Unimax e na Unifage, né, e a gente percebe o seguinte, né, que sim, cada vez mais eh, as pessoas elas buscam qualificação profissional para prestar esse tipo de a assistência a pessoas que procuram promoção de saúde, né? E a gente vê, na verdade, a movimentação dos dois lados, né? As pessoas cada vez mais querendo se qualificar no ponto de vista, eh, principalmente para ser um um profissional de saúde. E do outro lado, a gente já percebe também que as pessoas elas cada vez mais vêm buscando promover e manter a saúde, né? Porque eh que que acaba acontecendo, né? Na verdade, a tá bastante nítido no nosso dia a dia que a obesidade não é uma coisa que ai vai acontecer, ela já está acontecendo e a gente, infelizmente já tem eh uma visão clara de todos os problemas associados que ela vem trazendo. Então isso quer dizer, isso acaba levando as pessoas a se interessar mais do ponto de vista técnico, a se qualificar em cursos de saúde para promover e para manter essa saúde. e do outro lado, pessoas que querem manter essa saúde, realmente procurando profissionais cada vez mais qualificados aí para ajudar a como colocar isso dentro do dia a dia, né? Como você muito bem colocou, eh quando a gente fala sobre alimentação, quando a gente fala sobre qualidade de vida, principalmente para controle de obesidade, a gente fala nitidamente em alguns profissionais ali essenciais, né? O médico é um profissional essencial, o endocrinologista, o nutrólogo, o o nutricionista também ele é essencial, o educador físico também ele é essencialíssimo ali junto com a alimentação, a atividade física, elas ajudam bastante. E a depender do caso, né, ou na verdade talvez em quase todos os casos de obesidade, de repente um psicólogo também é um profissional que vai ajudar ali a manter, porque o nosso comportamento alimentar ele é muito mais do que só fome e saciedade, né? É aquilo que a gente fala, eu estou triste, que que você vai fazer? Muitas vezes você vai comer. Eu tô eh eh eu tô feliz, pô. Passei numa prova, fiz, consegui um emprego novo, que que eu vou fazer? Vou lá e vou comer. Vamos comemorar isso, vou lá e vou comer. Então, essa questão do se alimentar é muito mais do que só alimentação, é comportamento alimentar. E isso tá muito eh correlacionado com essa parte psicológica também. Excelente, né? A gente tem que cuidar para não comer as nossas emoções, né, doutora? É verdade. Exatamente. E assim, eh, só pra gente fechar esse assunto dos dos ultraprocessados, a gente falou bastante de saúde, né? A gente falou de cérebro, a gente falou do intestino, mas existem outros aspectos também bem importantes, como, por exemplo, o aspecto cultural. Uhum. Então, quando eu começo a consumir ultraprocessados, eu tô deixando de comer aquelas comidas típicas da família, da região. Então, há uma perda significativa, né? existe uma perda social, porque eu não tô aqui eh eh preparando o alimento. Eu normalmente não vou sentar junto com as outras pessoas para comer. Vou comer sozinha, vou comer rápido, vou comer vendo uma televisão, fazendo uma coisa, tirando a atenção ali, né? E existe também um aspecto ambiental, porque para a produção desses alimentos ultraprocessados são estimulados eh as monoculturas, né? Então assim, eh, lavouras que eram diversificadas passam a ser de um alimento só, de um uma qualidade só. Então, eh, essa consciência também desses outros aspectos é muito importante também para nós. Excelente, né? Muito importante, sim. E a gente falou aqui hoje sobre os alimentos ultraprocessados, como eles afetam a nossa saúde. E o legal é que a gente fala sem julgamentos, né? Porque eu como também. Você acha que eu não gosto de uma batata frita? Você acha que eu não gosto de um hambúrguer? uma pizza no final de semana, então é maravilhoso, mas o ponto chave de tudo na vida é a gente manter o equilíbrio. E a gente não pode esquecer que a gente se acostuma, então da mesma forma que acostumamos a consumir os ultraprocessados, a gente também vai se acostumar a se nutrir de forma mais saudável, né? É, a gente precisa dar o primeiro passo e isso pode estar aí no fundo da sua casa. De repente você vai lá, faz uma hortinha, já começa por um um cheiro verde, né? uma salsinha, uma cebolinha, você já coloca um verdezinho se vê que fica mais bonitinho. Aí vai lá, planta uma cenoura, um alface, colher em casa produto natural, tirado da terra ali no seu quintal, né? Então de repente é um passo que falta. Chama família, vai pra feira, chama família, vai na no supermercado quando tem oferta lá no Hort Fru, é maravilhoso, é muita coisa, é muito é muita cor, é muito cheiro, sabe? Então, aproveita esses momentos. A gente sabe que é corrido para todo mundo, mas a gente precisa dar o primeiro passo, porque isso tem muito a ver com a nossa qualidade de vida, o nosso envelhecimento saudável e também, ó, a saúde do nosso coração, que a doutora muito bem pontuou aqui referente a esses alimentos ultraprocessados. Tá bom? Quero agradecer então a participação da Dra. Natália, muito obrigada pelo seu ensinamento, pela sua troca maravilhosa. Obrigada mesmo, viu? Eu que agradeço pelo convite. E que dica, doutora. Deixa, então, para quem tá aí em casa pensando, falando assim: "Nossa, eu acho que eu vou dar uma olhada agora na minha dispensa, na minha geladeira e vou começar, nem que seja devagar. Faça uma pequena revolução. Comece devagar e ultraprocessados, evite. Muito bem. Agora a gente agradece então o nosso professor. Muito obrigada pela sua participação, pela sua presença e pelos seus ensinamentos, que eu tenho certeza que se a gente pegar um pouquinho daqui, um pouquinho dali, a gente vai levar pra vida e a gente vai ter mais consciência na hora que a gente for nutrir o nosso corpo. A gente precisa ter autocompaixão, né, professor? Eh, exatamente. Eh, agradeço novamente aí o convite. É sempre um prazer difundir a importância da alimentação na promoção da saúde. E realmente, eh, eu acho que o que eu gostaria de deixar eh como um ponto aí é é isso que a gente tava conversando. O se alimentar melhor, ele é um ponto de partida que ele não deve ser deixado para amanhã, ele deve ter ser começado agora, né? Então, diminui o número de ultraprocessados dentro da sua mesa, começa a aparecer mais produtos eh em natura e minimamente processados e com certeza sua saúde vai agradecer. A, e a gente fica feliz em poder contribuir com você que tá aí do outro lado, com tanta informação boa que pode ser repassada adiante. Lembrando, o programa fica no YouTube, então você pode compartilhar. É só ir lá eh TV Câmara Campinas, né, no YouTube. Você digita lá Estúdio Câmara, você vai ver o nosso programa e você compartilha pra sua família. Que tal a gente dar um primeiro passo, né? O avanço dos alimentos ultraprocessados, gente, revela muito sobre o nosso estilo de vida atual, que é mais pressa, menos tempo, mais conveniência, né? E também revela os riscos silenciosos. A alimentação, ela vai muito além de matar a fome. Ela constrói saúde, como a gente viu aqui, comportamento e qualidade de vida. E talvez o grande desafio seja justamente esse, né? retomar o equilíbrio entre praticidade e consciência, tá? E não esqueça, você pode. Agradeço mais uma vez, então, aos nossos profissionais, a Dra. Natália, professor Alexandre, agradecendo você também que tá aí do outro lado. Muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Aproveita que você está num feriadão prolongado e de repente quem sabe você quebra este ciclo dos ultraprocessados. Beijo grande, fique bem, bom feriado e a gente se vê. Ciao. Ciao.
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