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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do estúdio Câmara. Hoje é sexta-feira e que beleza. Seestamos dia 17 de abril. Espero que você esteja bem por aqui. Tudo ótimo. E olha, o tema de hoje, gente, fala de um comportamento que muita gente já viu dentro de casa, mas que pouca gente reconhece como doença. Guardar coisas parece normal, né? Quem nunca? um potinho vazio, um papel antigo, um objeto, né, que pode servir um dia, aquela roupa que um dia você vai usar, mas quando esses itens passam a ocupar espaço demais, o problema deixa de ser a organização e passa a ser saúde. Os números acendem um alerta. O transtorno de acumulação afeta milhões de pessoas no mundo e muitas vezes aparece junto com ansiedade, depressão, isolamento social. E tem mais, não é só uma questão emocional. Casas com excesso de objetos aumentam o risco de incêndios, infestação de pragas, doenças respiratórias, ou seja, aquilo que começa como um apego pode terminar em risco real. E é sobre esse limite entre guardar e acumular que a gente conversa hoje. Nós já estamos com as nossas convidadas aqui, daqui a pouquinho vamos apresentá-las, mas antes a gente convida você para participar conosco. Você guarda coisas aí na sua casa? Hum. O que, por exemplo, você guarda? Conta pra gente. Vamos conversar sobre isso. WhatsApp tá na tela 1997829377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Daqui a pouquinho a gente vai então apresentar as nossas convidadas a você e você vai interagir com a gente, porque o tema de hoje é a questão da acumulação, tá bom? Vamos lá então, informando. A Câmara Municipal de Campinas realiza por iniciativa da vereadora Guida Calisto, hoje sexta-feira, às 7 da noite, no plenário José Maria Matozinho, um debate público com o tema A cultura Redpill e feminicídio. O que fazer? o combate à violência política, a violência política de gênero. Bom, a organização do evento é do Fórum Permanente contra a Violência Política de Gênero e o Feminicídio de Campinas, criado no contexto de enfrentamento às agressões e intimidações sofridas pela parlamentar atribuídas aí a grupos extremita extremistas de direita da cidade. Então, participam do debate, a advogada Regina Casice, a integrante do movimento negro unificado e a servidora da Unicamp, Flávia Luz, e também a professora e pesquisadora Anselma Sales. Você pode participar presencialmente no plenário ou então a através do nosso canal ah no YouTube, tá bom? Então, fique à vontade para participar, opinar e conversar também, porque no YouTube você pode mandar a sua mensagem. Agora vamos com mais informação, porque a Comissão de Educação e Esporte da Câmara de Campinas vai realizar na próxima quarta-feira, dia 22, às 11 da manhã, a primeira reunião extraordinária deste ano para analisar pareceres de seis projetos de lei. Entre eles está o projeto de lei 85/26 da vereadora Paula Miguel, que propõe transformar o dia 14 de julho, que é aniversário de Campinas, em feriado municipal. O parecer favorável é do vereador Benê Lima e atualmente a data é apenas comemorativa com o funcionamento normal do comércio e serviços. O feriado municipal ligado ao aniversário da cidade ocorre em 8 de dezembro, que é o dia da padroeira Nossa Senhora da Conceição. A proposta busca separar a celebração religiosa da civil, conforme a legislação federal. A reunião é aberta ao público, vai acontecer no plenário da Câmara e também terá transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e também pelo canal do YouTube. Lembrando que todas essas reuniões você pode participar presencialmente no plenário. É só chegar e ficar à vontade. Agora a previsão do tempo para este final de semana. E que final de semana, hein? Deve ser super prolongado aí porque segunda e terça é feriado. Tem muita gente que vai curtir, que vai viajar. E vamos lá então para saber como é que fica o final de semana. Olha só, hoje mínima 14, máxima 30º, né? Nós temos aí tempo nublado, mas sem chuva. Amanhã, sábado, 1829 também é um pouquinho de nuvens no céu, mas nem nenhuma possibilidade de chuva. E domingo um céu azul ensolarado, né? Céu azul de brigadeiro. Final de semana vai ser lindo. Mínima 18 e máxima 19º. Essa é a previsão do tempo paraa nossa metrópole para este final de semana. Vamos lá então. Seestamos e aproveita, olha só que legal. Aproveita que é final de semana que vai ter feriado prolongado. Presta atenção nesse programa e de repente é o momento de você fazer aquela faxina e dar fim nessas coisas que estão guardadas. E não serve para mais nada. Mas para isso a gente precisa entender porque que a gente guarda e qual que é o peso disso tudo. Então se antes guardar objetos era vistos era visto como organização ou até cuidado com o futuro, hoje a ciência tá mostrando que nem sempre é assim. O transtorno de acumulação vai muito além da bagunça, né? Ela acontece quando a pessoa eh não consegue descartar objetos mesmo sem utilidade. E o impacto, gente, não é só visual, não. Afeta a rotina, convivência familiar, saúde física e saúde mental. E tem um ponto bem importante, porque para quem está de fora, essa essa mania de guardar coisas parece exagero, mas para quem vive isso, descartar um objeto pode gerar um sofrimento real, uma ansiedade, uma angústia e até, olha só, pasmen, a sensação de perda física. E o mais preocupante, muitas pessoas passam anos sem diagnóstico. Então, a gente precisa entender quando buscar ajuda, o que que acontece quando a gente começa a guardar demais, né? Então, para isso, a gente convidou duas profissionais aqui, especialistas em saúde mental. Então, a gente dá as boas-vindas à nossa psicóloga clínica, a Dayane Silva. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Bom dia, Rúbia. Obrigada. Um prazer estar aqui com vocês e tenho certeza que hoje vai ser um papo super esclarecedor e importante aqui. É, a gente precisa entender o que acontece conosco com essa mania de guardar guardar coisas sem julgamento. É mais entendimento, é conhecimento para você. Então, para completar o nosso time de hoje, a gente convidou e ela participa com a gente pelo Zoom direto de São Paulo, a psiquiatra é a Dra. Fabrícia Senhorelli. Seja muito bem-vinda, doutora. Bom dia e obrigada pela sua participação. Bom dia a todos. Eu que agradeço a oportunidade de falar realmente de um assunto tão sério e às vezes pouco divulgado e como você mesmo mencionou que traz um nível de sofrimento muito grande. Exatamente. Bom, é importante a gente entender que o transtorno de acumulação não é desorganização, gente. Existe uma dificuldade real em tomar decisões. O que guardar e o que descartar. E isso faz com que objetos simples ganhem um valor emocional enorme, mesmo quando já não tem nenhuma função. Então, a gente começa com você, Diane. Eh, todo mundo já guardou algo por garantia, né? Mas quando esse comportamento deixa de ser o comum e passa a ser um transtorno? Sim, sim, sim. É comum, né, como você bem começou introduzindo, a gente às vezes guardar alguma coisa. Ah, eu quero manter essa memória, eu não quero perder esse papel porque vai que eu vou utilizar. Mas quando isso começa a se transformar num transtorno, quando impossibilita e afeta, né, a vida da pessoa, a funcionalidade daquela casa. Ou seja, a partir do momento que eu tenho um cômodo, que aquele cômodo ele tá tomado de coisas que eu não consigo utilizar, é um quarto, é uma cozinha, e quando eu tento ou alguma outra pessoa tenta, né, me ajudar a desfazer de algum item, aquilo causa dor para mim. É uma dor, ã física, literalmente. É como se tivesse tirando um pedaço dessa pessoa. Então, não, não tira esse panfleto daqui, porque ele é importante para mim. Então esse momento de separação de não, esse item ele é importante, né? Eu consigo me desfazer super natural, não é? Eh, eh característico, não é como um transtorno. Agora, não, ele me causa dor, eu preciso, né? Realmente afeta psicologicamente, emocionalmente essa pessoa. Aí já é considerado um transtorno. Exatamente. Então, para completar a sua fala, eu pergunto pra nossa psiquiatra, né, Dra. da Fabrícia, esse sofrimento às vezes não é visível, né? Então, por que que descartar objetos pode causar tanta dor a ponto da pessoa evitar completamente esse processo, né, de descarte? O que que acontece na nossa mente, no nosso cérebro? Eh, eh, é um vazio? Qual que é a avaliação que a doutora faz sobre isso, doutora? Então, vários pontos fazem com que o indivíduo tenha realmente dificuldade em se fazer dos seus perques, né? Um ponto que que é realmente isso classifica o transtorno de acumulação, dificuldade de se desfazer de pertences. Uma boa questão que justifica é atribuir às vezes um valor afetivo desproporcional. Uhum. Eh, então, às vezes é algo que não tem uma importância, como foi mencionado, mas para aquele indivíduo de repente tem um valor desproporcional. Outra questão que é relevante é sempre o questionamento e se um dado um momento eu precisar disso, né? Vai que eu me desfaço disso agora e depois eu vou precisar disso? Então são várias questões que vão levando, né? Os estudos mostram que existem pessoas que são mais vulneráveis, pessoas que têm dificuldades de tomadas de decisão. Uhum. Né? Isso é uma característica que pode ser comum pessoas que têm uma vulnerabilidade ao transtorno de acumulação. Outra questão muitas vezes é o perfeccionismo, né? eh é é uma certa rigidez. Tanto que o transtorno de acumulação dentro da classificação, ele tá dentro dos transtornos obsessivos compulsivos, né? Então tem essa essa característica mais obsessiva, mais compulsiva. Então é isso, é o nível de sofrimento e esse questionamento e se eu precisasse disso depois, não, mas isso é importante, né? é atribuir um valor desproporcional ao que aquele pertence realmente tem na vida do indivíduo. Excelente. Tem gente que cria uma relação emocional com os objetos, né? Como se eles representassem memórias ou até parte da própria identidade. Como é que a psicologia explica isso, né? Eu eh eh de repente um sapato faz parte da minha identidade, faz parte da minha história, eu não vou descartá-lo. E aí tem três, 4 anos que eu nem olho para ele, mas se faz parte da minha história, eu tenho um apego emocional. Mas se eu tenho um apego emocional, por que que eu nem ligo para ele? Ele tá guardadinho lá no canto? Como que é uma é meio discrepante, né? Como é que a gente pode trazer isso paraas pessoas que estarem em casa, de repente entender isso como um sinal de alerta e observar e de repente tomar uma atitude e fazer um descarte. Sim, sim. Eh, às vezes é um uma necessidade ali de não é uma memória, né? Eu tenho um vínculo afetivo, foi um sapato que alguém me deu, né? Ou eu comprei numa situação X. Então, essa memória afetiva ligada a esse objeto às vezes faz com que essas pessoas retenham esses objetos. Uma das coisas que normalmente, né, a gente até orienta é: OK, você não usa mais esse objeto. Ele é um objeto que hoje ele só é afetivo, só é para guardar na memória. Pode tirar uma foto, às vezes tirar uma foto, você vai ter essa memória, você não vai esquecer aquele objeto, né? Mas ele não vai est ali ocupando aquele espaço, né? Que às vezes é desnecessário e acaba acumulando ou trazendo outras eh desvantagens ali pro ambiente. Hum. Exatamente. E isso explica muita coisa, porque para quem acumula não é só objeto, né? Como nós falamos aqui, é história, é segurança, memória. Mas o problema, gente, começa quando o espaço da casa ele deixa de ser funcional, né, como a Daane trouxe, e passa a ser tomado completamente por esses itens. Agora, doutora, eh quais são os principais riscos desse transtorno? Não são só emocionais e eh são físicos. Também tem a questão dentro de casa também, né? a convivência com a família também ela é afetada, não é? Sem dúvida, né? Vários pontos acontecem. Um dado momento, né? A pessoa cometida pelo transtorno, ela passa a ter um nível de de sofrimento, de culpa, né? Eh, se ela se desfaz, mas também ela sente que aquilo tá trazendo um impacto na dinâmica familiar, né? Porque a casa realmente fica desde um cômodo um quarto ou às vezes a casa inteira. Ela sente muitas vezes vergonha, né? Eu eu eu na minha prática clínica, as pessoas não recebem outras pessoas em casa porque o racional delas conseguem compreender que aquele ambiente não tá preparado para receber pessoas, né? Existe um acúmulo de objetos, né? Desde coisas de valor afetivo, como vocês mencionaram, um sapato até realmente objetos como caixas, né? Eh, embalagens, né? Guardar sacola de um presente que ganhou. E então são coisas que vão ocupando o espaço, né? E claro, aí começa a envolver uma série de questões, a limpeza, né, higiene local, acumulação de de sujeira, né, acabo acumulando sujeira porque muitas vezes é um número tão grande de coisas que são acumuladas que a pessoa não consegue realmente estar sempre organizando esses objetos e mantendo limpo, né? Isso então começa a cursar com riscos realmente paraa saúde, riscos de saúde física, porque isso pode levar a mofo, a riscos de de doenças respiratórias porque vai acumulando poeira, né? Então não é só o sofrimento emocional que sim tem a culpa, tem a vergonha, né? o impacto na dinâmica familiar, porque é um ambiente que muitas vezes fica com um acúmulo muito grande em vários cômodos, de uma maneira que a casa não está preparada para receber pessoas de fora, mas também riscos, né? Imagine que muitas vezes esse acúmulo pode levar às vezes até uma questão eh de incêndio, dependendo do que a pessoa acumula, riscos de doenças respiratórias, como eu mencionei. Então, o impacto, obviamente, né, até por isso que é um transtorno psiquiátrico, é isso que é super importante perceber. Existe um nível de sofrimento funcional que faz com que ter um transtorno de acumulação realmente seja, a gente tá falando de saúde mental, a gente tá falando de um transtorno psiquiátrico, mas o impacto vai além do risco individual, emocional pro indivíduo, né? Como eu mencionei, todas essas outras questões estão envolvidas. Excelente. Agora nós falamos aqui é do afastamento, né, da família. Eh, a doutora mencionou a vergonha, de repente a culpa, a frustração, a pessoa sabe que aquele espaço não está preparado para receber outras pessoas, né? E acaba sentindo a culpa, a vergonha. E aí o que que acontece? A gente percebe que é um caminho que leva a um isolamento social muito grande. Agora, olha só o grande problema se formando aí, né? A pessoa ela está acumulando, aí daqui a pouco ela já não consegue mais receber pessoas na casa dela, ela começa a se isolar e além do isolamento ela tem a frustração, ela tem a culpa. Como é que fica essa cabeça daí? Sim, sim. E um ponto importante também, né? Porque as pessoas de fora podem ver essa sujeira, enxergam essa bagunça. Agora, quem tem o transtorno de acumulação, ele não vê aquilo como sujeira, como bagunça, porque tudo aquilo são itens de valor para ele, né? são itens, são ouro. Então, como assim você tá falando que isso aqui é é lixo, é bagunça? Então, além de, né, eh, impossibilitar e começar a se afastar, ter esse isolamento social, a pessoa começa a falar: "Pera, mas você tá criticando uma coisa que é importante para mim, né?" Então, ela começa a se afastar, né? além de não receber eh parentes, enfim, também não recebe às vezes até pessoas ali que podem e fazer manutenção da casa, vezes o eletricista e aí tudo vai se acumulando. Nossa, gente, é é algo bem delicado e importante de a gente se atentar porque isso pode iniciar com pequenas coisas, né? E sempre a gente inicia do mínimo, né? Do pequenininho, quando você vê ter um impacto muito grande na sua vida. Agora, eh, qual é a relação, doutora, por gentileza, com esse, desse transtorno, né, de acumulação com ansiedade, com depressão, porque isso vai vir à tona em algum momento ou a pessoa que acumula, ela já tem a ansiedade e a depressão? É, pode ser que comece com o transtorno de acumulação e isso leve ao desenvolvimento de outras comorbidades, justamente como foi mencionado pelo nível de sofrimento, né, o isolamento, justamente porque eh essa questão que foi mencionada, né, a família, por não compreender que é um transtorno, começa a entender que aquilo é só uma caixa, aquilo é só uma sacola, né? E e a pessoa com com o transtorno para ela, aquilo tem um valor, né? Então ela começa a se isolar. O isolamento é um fator de risco muito grande paraa depressão, né? E as próprias características da do transtorno de acumulação, o nível de sofrimento, como a gente vem pontuando desde o início da nossa conversa, isso causa, né, essa questão do do não conseguir se desfazer e angústia que isso gera. Isso é um fator de risco, sim, paraa instalação de transtornos de ansiedade, para quadros depressivos, né? E é super importante ter em mente, porque aí vai acontecendo uma sobreposição dos sintomas, né, do transtorno de acumulação junto com sintomas das comorbidades e funcionalmente a pessoa vai ficando cada vez mais comprometida, né? Então tudo isso vai agravando e muitas vezes não é a pessoa quando ela tem só o transtorno de acumulação que vai procurar a ajuda do psicólogo, pro do psiquiatra. Muitas vezes é um familiar, né? que que vai procurar e vai falar: "Olha, a minha mãe, né, minha irmã, né, o meu filho tem características que eu li alguma coisa, eu tive alguma informação, né, que pode ser um transtorno de acumulação, porque como foi mencionado paraa pessoa, aquilo faz sentido estar ali, aquele objeto estar guardado faz sentido estar ali, né? E quem tá vendo de fora não consegue ter essa clareza. Isso é super importante até no processo terapêutico, essa orientação parental, né? fam. Examente. Perfeito. Perfeito. Doutora, agora vem a grande questão, né? A dificuldade de aceitar ajuda, né? Porque como se a pessoa não vê aquilo como algo que esteja fora do contexto, né? Para ela não é uma caixa e sim algo que representa alguma coisa, por que que ela vai se desfazer daquilo? Aí vem alguém de fora e fala assim: "Olha, você precisa eh eh desfazer disso, né?" Ou então vamos fazer uma terapia, vamos para um para um psiquiatra, vamos para uma psicóloga, mas por que eu não preciso, né? Então eu gostaria de saber de você, Dayane, como que a psicologia eh a terapia cognitivo comportamental, né, ela ela aborda essa questão. E qual o primeiro passo para a gente poder fazer uma avaliação e iniciar um tratamento com uma pessoa que tem esse transtorno? Sim. Primeiro passo é já não criticar, né? tem que acolher essa pessoa. Então, reconhecer que ela tem um transtorno é um passo já importantíssimo. Então, a gente já não vai agressivamente falar: "Olha, você precisa, você tem, você". Não, a gente tem que trazer essa pessoa, essa pessoa pra realidade e falar: "Olha, isso tá trazendo riscos pra sua saúde física, né? Aqui pode trazer pragas, pode trazer, enfim, riscos de incêndio, como já foi mencionado aqui." Então, eu estou preocupado com a sua saúde, preocupada com a sua saúde física, fora todo o entorno emocional. você já não tem contato com outras pessoas, vamos procurar uma ajuda, né? Pode ser uma sessão ali para você experimentar, ver como é, sem forçar, né? Eu vamos num psiquiatra para bater um papo ali para ver o que ele fala, porque pode ser que você tenha uma visão e eu tenho outra, né? Pra pessoa entender que olha, não tem nada eh de errado com você. Eu não estou criticando, né, a forma como você está vivendo. Eu estou tentando entender e juntos aqui a gente vai buscar resolver isso da melhor forma possível. Nossa, gente, é um processo delicadíssimo. Doutora, um ponto importante, eh, o tratamento não é assim, simplesmente joga tudo fora, limpa a casa, você, né, tá guardando coisas que não precisa. Enfim, a gente percebe aqui que tem uma dor, é um processo gradual de entender o apego, reorganizar o pensamento, reconstruir a relação com os objetos, né? Eh, existe cura ou um controle? O que que a pessoa pode esperar, o que que a família pode esperar quando se dá início ao tratamento? Essa pergunta, realmente ela é extremamente importante, né? Porque eh primeiro ponto, como foi mencionado, é é como o processo de psicoterapia eh eh vai ser abordado com com o paciente, né? Como lidar com isso e pontuando para ele, né? Você para ele naquele primeiro momento que faz sentido, né? físicos, o impacto na saúde emocional e física, né? Mas do ponto de vista de orientação familiar, isso é super importante, né? Porque é um processo lento e gradual. Uhum. Né? De maneira nenhuma a ideia e muitas vezes a família acha que vai ser de uma vez, né? Da noite pro dia a pessoa vai se desfazer de tudo. Então é o processo, né? é primeiro a a compreensão da família que aquilo é um transtorno, o nível de sofrimento que aquilo acarreta e junto com o processo individual de psicoterapia, a orientação paraa família, né, do do sofrimento que que aquele familiar tem, né, pela necessidade de de acumular esses pertences é super importante. E uma questão que a gente sempre tem que levar em consideração é que um dado momento muitas vezes eh além do pilar fundamental, que é a terapia cognitiva comportamental, o tratamento medicamentoso, ele pode fazer parte do tratamento desses indivíduos, muitas vezes pro tratamento da comorbidade, né, como depressão e ansiedade, mas estudos mostram pra gente que o uso de medicações, como são usadas pro transtorno obsessivo ou compulsivo, né, eh, uma classe farmacológica de antidepressivos, pode trazer um ganho, sim, no melhor do nível de ansiedade, porque cada vez que que que o que o indivíduo com o transtorno de acumulação, ele se pega nesse questionamento do vou me desfazer, mas isso é importante, mas isso tem um valor afetivo, mas e se eu precisar depois? traz um nível de ansiedade muito grande e a medicação também junto com o processo de psicoterapia pode ajudar com que o indivíduo, né, no processo de gradualmente e mudando, né, o jeito de lidar com esses objetos e gradualmente se desfazendo, ele medicado, ele pode ter um nível de de ansiedade e sofrimento menor, né? Então a medicação muitas vezes ela é necessária tanto na comorbidade, como também pode ajudar no transtorno. Agora, a idade de início, os estudos mostram que muitas vezes podem começar na adolescência, tem uma tendência a ser um transtorno de curso crônico, mas em amostras clínicas a principal faixa etária que procura é dos 40, 50, 55, onde realmente isso já tá, já está num nível, né, de ocupar um espaço físico muito grande desse indivíduo já está isolado, né, e muitas vezes é a família que procura o profissional para trazer essas questões. Então, né, e procura já quando está num num nível já alterado, né, que aquele acúmulo já representa algo que a família acha que não tem mais o que fazer, então vai procurar, né, um psiquiatra, um psicólogo. É importante a gente entender e conhecer, né, igual a gente tá fazendo aqui, as nossas profissionais repassando informação para que a gente possa acender um alerta. Opa, pera aí, tem, olha, tô achando que tem alguma coisa errada. já vai, já procura ajuda para que isso eh não fique mais difícil de ser tratado. Agora eu pergunto para você, Dayane, nós estamos vivendo aqui ah uma sociedade do consumo. Hoje em dia tá tão fácil comprar coisa, né? Você compra coisa sem sair do lugar aqui. Se eu quiser comprar alguma coisa agora, é só pegar o celular aqui, dar um OK, faço um Pix, pronto, comprei. E daqui a pouquinho tá chegando na minha casa. Isso, isso tem colaborado, isso tem essas promoções, né? Isso alimenta esse ciclo vicioso eh paraa pessoa que já tem tendência a a ter essa essa questão da acumulação ou do transtorno? Sim, com certeza. Principalmente porque às vezes essa pessoa que está comprando, né, para preencher um vazio existencial, emocional, não tá interessada no que ele está comprando. Então, chegou o pacote, ele vai ali pro cantinho onde já tem mais outro pacote, né? E assim vai aumentando esse fluxo. Uma coisa que é importante, né, uma dica importante é que se a gente compra um item, OK, comprei um item novo, deixa eu tirar um item antigo, né? Eu tiro esse item antigo, às vezes não precisa nem descartar agora, mas eu coloco ali num outro espaço, falando: "Não, se ele ficar ali uma semana, né, e eu vê que eu não vou precisar, eu não vou utilizar, aí depois esse item eu vou e descarto, né?" É importante porque a pessoa que passa, né, que sofre com esse transtorno, ela tem que fazer essa administração, né? Se a família, se o familiar interfere, acaba quebrando ali o vínculo de confiança. Isso é muito prejudicial. Excelente. Agora, ô doutora, eh tem pessoas que têm, né, essa essa essa compulsão em comprar coisas, né? Tem gente que tem isso também é um transtorno e isso pode, de repente gerar eh desencadear a esse transtorno de acumulação compulsiva. Eh, você tocou num ponto realmente muito importante, né, a questão da do eh cai na no mesmo cenário, né? Qual é a diferença entre a bagunça e a desorganização e a acumulação? Uhum. A gente cai no cenário. Qual é a diferença entre consumismo e a compulsão por compras, né? Como a gente vê, né? Outro exemplo disso é a questão de uso de de internet, qual é o limite do uso excessivo ou quando isso já entra num transtorno de um uso abusivo, né? Então, todo o comportamento que tem essa característica mais obsessiva, mais de impulso, às vezes a linha ela é muito tênue entre o que, OK, está exagerado e isso já atravessou a linha e se tornou um transtorno. Claro que pra gente que trabalha com a saúde mental, psicólogos e psiquiatras, realmente é o nível de de prejuízo funcional que isso acarreta, né? Eh, a partir do momento que isso tá interferindo na vida financeira, né, na questão do do trabalho, na questão do nível de sofrimento, aí se torna um transtorno. A questão da compulsão, ela assume diferentes aspectos. Tem pessoas que compram e se desfazem, né? Eh, compram compulsivamente roupa e depois colocam para vender, dão. Tem pessoas que realmente compram e vão acumulando, né, sem nunca usar. Não é incomum a gente discute em pessoas que têm transtorno, eh, tem a questão de compação de compra. que fala: "Ó, no meu guarda-roupa tem roupa que tem etiqueta. Eu fui mexer outro dia, eu nem lembrava que eu comprei, né? Eh, então tem várias características. Tem pessoas realmente que tem compulções para eu compro e acabo acumulando e tem outras que se desfazem, vão comprando e depois vão dando, né? Mas em muitos cenários, sim, acaba virando um fator a mais paraa acumulação. Excelente. Agora, quem tá assistindo a gente e desconfia que tá vivendo uma situação parecida com o que as nossas convidadas estão falando aqui. Qual seria o primeiro passo, da? A gente tem que ter um autor reconhecimento aí, a gente tem que se reconhecer. É importante. A gente vai eh enfrentar barreiras para de repente eh conseguir entender que aquele objeto que está guardado não faz mais parte da gente, que é legal a gente descartar ou então fazer uma doação. Tem tanto brechó por aí, de repente é um momento aí de juntar tudo que não serve mais, que não utiliza mais, né? E passar pra frente. Agora, como que a gente reconhece isso? que tá na hora de dar uma organizada. Sim, acho que o primeiro passo, Rub, é entender que todo excesso ele esconde uma falta. Ótimo, né? Então, o que que eu tô querendo esconder, preencher com aquele excesso de compra, né? Às vezes, até como a doutora comentou, de roupas que estão com etiquetas. Então, se eu tô começando a comprar e eu vejo que o meu guarda-roupa já não cabe mais coisa, fala: "Opa, que que eu tô colocando aqui dentro? O que que eu quero preencher?", né? para, observa, né? É difícil, né? Mas é importante a gente ter esse momento de pausa, de observar, tentar entender esse comportamento, fala: "Será que eu tô ansioso? Será que eu tô comprando para preencher alguma coisa? Será que o que que eu tô buscando com essa compra, né? E aí, se você não conseguir entender isso sozinho, pode ser o momento de buscar, né, ajuda psicológica, psiquiátrica, porque pode ter alguma coisa ali que está eh indo pro excesso e pode, né, se transformar aí numa compulsão, num transtorno. Muito bem. Agora, eh, doutora, pequenas mudanças, né, já fazem a diferença. É, é quando a gente fala em pequenas mudanças, o simples fato você de repente juntar as tampinhas do pote que não existe mais, né? E colocar numa sacolinha e se vamos descartar, isso já é um o início de um movimento ou para quem tem esse transtorno, isso é algo que dói muito? Isso é algo que dói muito e por isso o processo terapêutico ele tem que começar com pequenas mudanças, né? A proposta quando uma pessoa com transulação inicia um processo terapêutico, independente ou não do uso da medicação para minimizar o nível de ansiedade, as mudanças elas são lentas e graduais, né? Foi como o exemplo que foi dado. Esse sapato é importante, tem um valor afetivo, então vamos tirar uma foto dele, né? Então, a ideia é tudo muito gradual, né? Não é não não dá para propor pro paciente que ele se disfa de tudo, né? É entendendo eh eh realmente entendendo quais tipos de pertences tem mais valor, ele tem mais dificuldade de se desfazer, né? Então é todo um processo que você tem que ir compreendendo e fazendo propostas lentas e graduais. Agora a família ela entra como uma rede de apoio muito importante nesse processo, não é? E a gente precisa salientar aqui o peso do julgamento para essas pessoas que estão passando por esse sofrimento. Sim. Eh, sem sombra de dúvidas, né? A gente muitas vezes é a família que procura ajuda porque percebe que é uma situação que já fugiu do controle, né? E como foi mencionado, né? Eh, quando a família critica ou julga, né, o familiar, para ele, aquilo não faz sentido, porque aquele aquele pertence precisa estar ali porque tem um valor afetivo ou precisa estar ali porque um dado momento da vida aquilo vai ser necessário, né? E e quem tá vendo de fora tem uma tendência a julgar, né? Ou que é uma desorganização ou que tá tudo caótico, né? Ou que não consegue olhar de uma forma mais acional, que aquilo é só uma caixa, né? É, é só uma tampinha, né? Então o papel da família ele é fundamental e a família tem que estar instruída, que é um processo lento e não é da noite pro dia que que a pessoa vai conseguir se desfazer desses pertences. Muito bem. E quem tá assistindo a gente agora, de repente deu uma olhadinha assim em casa, falou: "Nossa, mas e agora? Será que eu estou desenvolvendo, né, esse transtorno eh eh de acumulação? Porque eu tenho dificuldade de me desapegar eh eh de repente de algo que tá lá guardado há a há um tempo que eu não toco a mais de um ano, mas tá lá guardado. E eu acho que um dia eu vou precisar daquilo. Como que a pessoa deve eh se olhar, né? Qual que é a visão que ela deve ter, doutora, diante eh desse momento que nós estamos falando e da do jeito que ela vive? Porque às vezes a gente pode acender um alerta em alguém que tá assistindo o programa. Então eu gostaria que a doutora explicasse paraas pessoas de casa, né, o o qual é o momento que de repente ela deve acender esse alerta e buscar ajuda. É justamente no momento que ela se dá conta do nível de sofrimento e de prejuízo funcional, né? Hora que ela se dá conta o quanto ela para para pensar em se desfazer de algo, ela se pega nesse questionamento, mas e se eu precisar? Mas isso tem um valor afetivo que, como eu mencionei, né, faz parte dos critérios de diagnóstico, às vezes um valor afetivo que é desproporcional ao valor que aquele objeto realmente representa na vida da pessoa, né? E ela se dando conta, olha, eh, como isso tá me levando a um isolamento, né? Como isso tem tomado um espaço muito grande da minha na minha vida, na minha funcionalidade, né? Eu não interajo mais. Eu eu me isolo em casa. Eh, eu tenho vergonha de receber pessoas em casas, né? A casa tá sempre muito desorganizada por conta da quantidade de coisas acumuladas, né? E novamente, né, o que acaba levando a riscos, né, de de doenças respiratórias, de incêndio, de uma série de questões de saúde física também, né? ela se dá conta, né, fazer essa análise de que funcionalmente a vida dela está prejudicada tanto no aspecto de saúde física como de de de saúde mental, de questões socioemocionais, né? Então, eu acho que que é o prejuízo funcional para tudo na saúde mental, né? O sinal de alerta é a a pessoa fazer a reflexão que aqueles sinais e sintomas, aqueles comportamentos estão trazendo um nível de sofrimento pra vida delas. Excelente. Muito bom. a gente precisa aprender, né, a a ter um visão. De repente é difícil, né, você olhar nessa questão do transtorno de acumulação. É difícil você olhar e ver que você realmente está passando por esse processo, né? Mas é importante, de repente acender um alerta aqui de que, opa, pera lá, eu preciso me desfazer, eu vou dar uma limpadinha aqui, vou dar uma organizada, porque a gente também não pode confundir, né, a desorganização com a acumulação, né, da Sim, sim, exatamente. E outro ponto também que é importante trazer aqui é as pessoas que colecionam às vezes, né, até fala: "Nossa, será que eu sou um acumulador eh compulsivo?", né? Não, se você coleciona itens, eles são organizados, limpo, aquilo não te traz nenhum sofrimento psíquico, né? Aquilo não te traz nenhum desgaste emocional, é só um hobby, não tem problema. E também tem o ponto das pessoas que às vezes têm ali a casa ou algum espaço mais desorganizado por escolha, né? Também aquilo se não prejudica a rotina familiar, não impede, né, psiquicamente que a pessoa desenvolva, atue na vida dela de forma ativa, não é um risco, não é um problema. Tá tudo bem, tá tudo bem, muito bom. A gente vai aprendendo agora. 8:42. Produção tá me avisando aqui que nós temos algumas perguntas. Então vamos lá, vamos ver quem é que tá com a gente e o que que os nossos telespectadores têm a dizer sobre essa questão aí do eh transtorno, né, de acumulação. Você você acumula coisas, você guarda coisas, né, tem coisas na sua casa que faz parte da sua vida e que você sente uma dor assim só de pensar em se desfazer. Então vamos lá, pode colocar na tela, produção, vamos ver quem é que tá conosco e o que que os nossos telespectadores falam sobre o nosso assunto de hoje. A Simone Batista do Jardim das Oliveiras. A pessoa pode saber que está exagerando e mesmo assim não conseguir mudar sozinha? Isso costuma gerar culpa no dia a dia ou o acumulador fica cego? É, Simone, nós estamos falando sobre isso aqui. Acho que a doutora pode eh reforçar para Simone, doutora, por gentileza, sobre esse questionamento que ela eh eh tem com a gente agora. Eu acho que existem os dois cenários, né? A gente vê muito isso na prática clínica. Eh, o paciente que sim, né, ele já começa a se dar conta que ele está fora de controle, mas ele não consegue sozinho mudar, né? Ele começa a se culpar dos questionamentos da família, ele começa a se culpar por estar isolado e as críticas, né, até por por falta de conhecimento dos familiares e da cobrança. E o cenário realmente que é eh de não ter essa clareza, de sempre justificar que aquilo é necessário, que aquilo um dado momento vai precisar ou que o valor afetivo daquilo é muito importante, não dá para se desfazer, né? Então existem as duas situações, pessoas que realmente sentem que aquilo fugi do controle e não consegue sozinho mudar e outros que vão justificar que aquilo é necessário. Muito bem, 8:44. Mais uma pergunta pra gente. Produção, pode colocar na tela, por favor. Vamos ver quem é que tá conosco. Estamos aqui falando, né, dessa questão de acumular. Você acumula coisas em casa? Esse programa é importante pra gente aprender e entender. O Fábio Moreira da Vila União. Tem gente que guarda objetos quebrados pensando em consertar um dia. Esse tipo de justificativa é comum em quem sofre com o acúmulo? Vamos lá, Dayane. É verdade, né? Guardar coisa quebrada. Ah, não. Vou deixar aqui na dispensa. Um dia eu conserto. Sim, sim. Quem nunca, né, participou, ouviu esse tipo de comportamento assim. E aí é interessante a gente trazer, né? Mas quando isso vira rotina, todos os itens quebrados eu vou guardar, né? Ou não, realmente eu vou guardar aqui essa jarra, depois eu vou consertar isso a uma coisa que eu vou fazer. Então, quando a gente começa a observar que não, eu só tô acumulando item quebrados que eu não vou eh arrumar, aí já acende um sinalzinho de alerta ali ou não. Realmente eu estou guardando esse item, eu vou semana que vem, enfim, dado momento, eu vou organizar, levar esse item para consertar. com comportamento normal, né? Mas quando esse excesso de guardar itens quebrados vira rotina, aí é um sinalzinho de alerta que ac. Olha só, né? Guarda um, guarda dois, guarda três. Quando você vê, já tem o espaço cheio de coisa quebrada fora do lugar lá na sua casa. Importante ah dar uma olhadinha, de repente buscar ajuda, conversar com alguém, né? e entender sobre o que tá acontecendo e buscar ajuda. Eu acho que faz parte do processo. A gente fala de saúde mental e a nossa saúde mental está aliada com a nossa saúde do nosso corpo físico, né? E às vezes buscar ajuda não só no momento em que você vê que saiu, né? e tudo entrou em descompasso, não? Eh, você pode buscar ajuda para você aprender a lidar com situações do seu dia a dia, porque aí quando algo sair, né, fora do contexto, você já tá preparado para saber como fazer as coisas voltarem aos trilhos. importante eh eh buscar ajuda sempre quando a gente fala de saúde mental, né, terapia, isso faz parte do processo da nossa vida e é maravilhoso. Agora 8:46, mais uma pergunta pra gente, produção, vamos ver quem é que tá conosco aí. A Viviane Nunes do centro. Existe alguma relação direta entre o transtorno de déficit de de atenção e acumulação? Quem tem TDH possui mais chances de desenvolver esse tipo de problema? Doutora, vamos lá. Essa pergunta ela é super importante, né? Quando a gente pensa no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ele é um transtorno que ao longo da vida ele tá associado. Por que que eu falei dele primeiro? Porque ele é um transtorno do neurodesenvolvimento. Então ele tem início na infância, né? Embora hoje a gente faça muito diagnóstico TDH de adultos, o TDH é um transtorno do neurodesenvolvimento que começa na infância e ao longo da vida todas as comorbidades psiquiátricas podem se instalando com o TDAH. outros transtornos no desenvolvimento, como autismo, transtornos de aprendizagem, depressão, ansiedade, o toque, a bipolaridade, transtorno de personalidade, transtorno de personalidade eh perfeccionista. Uma série de questões, elas podem se instalar em pessoas com TDH, né? Existem algumas características das pessoas com TDH, né? Que eh eh falha do controle de impulso, né? Às vezes a dificuldade de tomada de decisão, né? Eh, eh, a gente associa muito uma das disfunções executivas que podem estar presente no TDH, eh, a inflexibilidade, a rigidez cognitiva, né? Então, essas disfunções que fazem parte do TDH, elas deixam o indivíduo muitas vezes mais vulnerável. Claro que é um fator confundidor, né? Porque muitas vezes pro TDH a organização do ambiente é algo que pode ser muito caótico, né? Justamente por conta do TDAH, ele fala em funções executivas, né? E a vida pessoal, a organização do ambiente onde ele mora, às vezes realmente é muito muito desorganizado, muito caótico e ele não vai se desfazendo das coisas também. Depois eu penso, depois eu arrumo, depois eu faço isso, que é uma característica do TDH. Então, nesses indivíduos pode sim acontecer a a comorbidade, como todas as outras comorbidades psiquiátricas, podem acontecer em pessoas com PDH. Existem características como falha no controle inibitório, dificuldade de tomada de decisão, inflexibilidade cognitiva, que às vezes aumenta o risco desse transtorno, né, de acumulação, mas às vezes é difícil entender no TDH, né, eh, se aquilo é é é o é a é o caos, é ali a bagunça do TDH ou é o transtorno de acumulação. Mas claro, uma avaliação detalhada e cuidadosa vai entender que aquilo não não é uma bagunça de um TDH, porque manter tudo aquilo ali, a necessidade de aquilo estar ali, mesmo que desorganizado, é porque aquilo precisa estar ali. A pessoa não consegue se desfazer daquilo, porque se desfazer daquilo traz o nível de sofrimento. Nossa, delicado, né, Diane? delicado, mas eh importante a gente aprender para que a gente possa alinhar as coisas, né? A gente no Brasil eh tem alguns casos, mas a gente vê na TV, né? Claro, aqueles tem até programas, né, gente, que que mostra pessoas acumuladoras, mas assim, é um acúmulo ao extremo, né? São casas que não tem espaço para você caminhar. Só de assistir a gente já sente uma dor no coração, porque a pessoa ela mostra, né, que ela tudo aquilo para ela faz sentido e que tudo aquilo para ela tem um apego emocional e que arrancar alguma coisa de dentro ali da casa é como se tivesse arranc arrancando uma parte da pessoa. É um sofrimento muito grande. você no na na sua prática clínica tem casos assim eh eh às vezes a gente tá de fora, né, desse mundo da saúde mental assim onde vocês estão atuando e às vezes a gente acha assim: "Poxa vida, mas será, né? Será que tem perto da gente? Será que isso acontece? Acontece com mais frequência do que a gente imagina, Dayane?" Sim, Rúbia, sim. Acontece com muito mais frequência do que a gente imagina, né? Tanto é que são pessoas que elas guardam para si, né? Então fica ali dentro do espaço delas. Sim, né, no no ambiente delas e como são pessoas que normalmente às vezes não recebem eh outras pessoas ou tem uma interação ali mais limitada, então você às vezes nem imagina, né, que aquela pessoa passe por esse tipo de transtorno. E uma coisa interessante que você comentou sobre esses programas, que a maioria desses programas mostram exatamente o que a gente não deve fazer, né? Eles entram lá com aquelas patas, tira tudo da pessoa, joga fora, pronto. E o transtorno que isso vai causar, vai trazer o trauma que isso vai gerar na vida dessa pessoa, né? Porque tudo aquilo ali para ela é importante, né? como vem alguém e tira tudo isso dela. Então, embora pareça que pronto, resolviu seu problema externamente e internamente você só tá bagunçando mais ainda e trazendo à tona eh fatores críticos muito maiores. Olha só que interessante a fala da Dayane, doutora, porque a gente tocou no assunto dos programas, né, que mostram a limpeza das casas de pessoas que têm esse transtorno de de acúmulo compulsivo e a simples, entre aspas, retirada dos objetos. Isso pode causar uma desordem muito grande na pessoa que vive esse transtorno. Então, é, eu acho que na verdade você trocou num ponto que hoje, né, eh é uma das minhas maiores angústias, né, tanto de programas de de TV que às vezes t, né, eh, um apelo, né, assim como as mídias sociais, né, muitas vezes a forma que que os transtornos de saúde mental são abordados, eu não tenho dúvidas, né, que falar de autismo, falar de TVH, né, o transtorno de acumulação é menos falado e e ele é super importante. né? Porque a prevalência de apoio do DM5, que é o manual dos transtornos psiquiátricos, a gente fala de uma prevalência de 2 a 6% na população mundial. Então a gente tá falando de algo relevante, é um transtorno pouco falado, né? Eh, então as mídias sociais não trazem, né? Mas é o que você falou, esses programas de de TV eles mostram ali a rotina. Aí a pessoa que sofre do transtorno, ela mostra o nível de sofrimento. Só que foi que foi comentado. Aí a hora que eles vão resolver o problema, a maneira de abordar isso é tudo o contrário do que deve ser feito, né? Então eu acho que o que o fica aí um alerta, né, da da importância, até porque a população geral ela não sabe às vezes discernir o que é uma informação baseada em evidência científica. Sim, né? Tanto com relação à intervenções e com relação ao diagnóstico. Sim, né? É o público lego que tem acesso a um programa de TV, a a as redes sociais, né? O quão delicado esse momento que a gente tá vivenciando, né? Eu acho que esse exemplo do programa mostra isso, exatamente, né? O quão delicado é. A gente sente a a dor que a pessoa sente ao ver os objetos sendo retirados, ela é tão forte que ultrapassa a tela. você sente ali, né? Daí você às vezes você não entende, fala: "Nossa, mas por que tanto?" É o transtorno, né? É algo que precisa ser tratado, não eliminado. Não é assim. A gente precisa de um tratamento, né? É um caminho que precisa ser percorrido, porque você imagina o caminho que foi percorrido por essa pessoa em acumular tanta coisa que chegou a preencher todo o espaço da casa. Aí da noite pro dia você vai lá, pega um caminhão, joga tudo fora, leva embora e, ó, tá OK, resolvemos o seu problema. Não, né? Não é saúde mental, é cuidado e é um caminho que precisa ser percorrido de muito tratamento, cuidado e muito carinho sem julgar, né, Daana? Exatamente. Exatamente. Como você bem trouxe anos, né, de história, de objetos que aquela pessoa acredita que faz parte dela, que são ela, né? Aí vem alguém e retira isso dela. Então, o tratamento psicológico e psiquiátrico, ele vem aí realmente para trazer a luz para essa pessoa, né? Para entender os motivos por trás desse acúmulo, né? e entender junto com essa pessoa como ela pode lidar com isso, o que que tá, o que que ela tá escondendo, o que que ela quer preencher, o que que aquele objeto significa, né? Assim como o transtorno ele foi se desenvolvendo, a cura, né, o tratamento, ele também vai lentamente ali se desenvolvendo. Não é uma coisa que, ah, vou ali hoje no psiquiatra, amanhã já tô, né? Não, é um processo realmente e lento, né? Porque a gente vai entrar a fundo para entender o que que isso traz, porque senão a gente só vai estar fazendo igual esses caminhões, esses programas, tirar superficialmente, né, esse acúmulo todo, mas internamente essa pessoa ela ainda vai est totalmente afetada e muito afetada porque foi tirado dela algo que ela considera muito importante. Vamos lá, última pergunta do programa. Pode ser, produção? E a gente já vai pr as considerações finais. Aí tá chegando aí já já com informações atualizadas. Então vamos lá. O Marcos Vinícius do Taquaral. Quem cresceu em uma casa muito instável, com falta de dinheiro, pode ter mais dificuldade de desapegar na vida adulta, mesmo vivendo hoje em outra realidade? Olha só, um cenário interessante o Marcos colocou pra gente aqui, né, Dayane? Sim, sim. Isso é muito interessante, porque às vezes a essa escassez na infância, né, faz com que a gente depois de adulto fala: "Não, isso aqui é importante para mim, eu não tive na minha infância, então deixa eu reter". Aí de novo a gente eh nota, observa esse sinal de alerta. Eu estou guardando, OK? Não está afetando a minha rotina, a minha vida, né? ou não, eu estou acumulando, isso já tá começando a afetar os meus relacionamentos, as pessoas já estão começando a ficar incomodada, eu já estou me sentindo culpado, culpada com esse comportamento. Então, quando isso começa a eh surtir ali o passar do do excesso, né? Todo o excesso ele deve acender ali uma luzinha de alerta. É, todo o excesso esconde uma falta. Doutora, pra gente finalizar, então, eh, gostaria que a doutora deixasse uma mensagem pros nossos telespectadores. Queria agradecer sua participação. Acho que eh é é muito importante trazer, né, a visão de uma psiquiatra, a visão de uma psicóloga diante de algo tão importante e que às vezes a gente acaba julgando e não entendendo a complexidade que é esse transtorno. Então, por gentileza, deixa uma mensagem final para os nossos telespectadores e mais uma vez agradecendo a sua participação com a gente aqui. Bom, eu acho que para pra gente finalizar, o mais importante é a gente ter a clareza que o transtorno de acumulação, ele é um transtorno. E o que torna ele um transtorno, como a gente mencionou, é o nível de sofrimento, é o prejuízo funcional. É o prejuízo funcional na vida social desses indivíduos. muitas vezes o prejuízo social na vida financeira, porque muitas vezes ele para de trabalhar, porque ele desenvolveu comorbidades, como depressão, né? Eh, o afastamento muitas vezes do núcleo familiar, que também acaba sendo fator de risco para adoecimento, para piores de quadr, né? Então, é olhar para para essa questão não só como uma dificuldade de se desfazer, é uma dificuldade de se desfazer que vem com nível de sofrimento e um prejuízo funcional. Então, acumular nesta dimensão, a gente tá falando sim de um transtorno psiquiátrico e que merece sim um tratamento multidisciplinar, composto por terapia cognitiva comportamental, uma avaliação psiquiátrica para avaliar a presença de comorbidades que precisam ser tratadas farmacologicamente e também considerar a intervenção farmacológica para reduzir o nível de ansiedade para que o indivíduo consiga implementar as estratégias da terapia comportamental. Muito bem, D. Fabrícia Senorelli, ela é psiquiatra falando com a gente direto de São Paulo. Agradecemos demais a sua participação e a gente também agradece a nossa psicóloga, né, Dayane? obrigada pela sua participação, né, por trocar conhecimentos aqui com a doutora e nos orientar diante de um problema que, de repente começa em pequenas ações e com a fala de vocês a gente já consegue eh dar um passo atrás e falar: "Opa, pera aí, a gente precisa tomar um pouquinho mais de atenção nessa atitude, né? Muito obrigada, viu?" Sim, eu agradeço, Rúbia, agradeço a atenção, agradeço aqui a conversa que a gente teve que foi super fluída, super leve e aproveito para fazer um convite, né, pras pessoas, porque às vezes a gente tende a achar ou só procura ajuda quando o transtorno ou quando a saúde mental ela já está totalmente abalada, né? E assim como a gente vai ao médico por rotina, né, ou até para entender, nossa, deixa eu me precaver aqui para ver como tá a minha saúde física, a saúde mental ela pode ser e deve ser assim também. né? A gente não precisa procurar um especialista, procurar eh ajuda só quando a doença, né, já está tomando ali e prejudicando a nossa vida. Exatamente, né? Faz parte eh de um ensinamento diário para como a gente deve seguir esse nosso caminho e guardar faz parte da vida, né? Mas quando o objeto ocupa o lugar da pessoa, é sinal de que algo precisa de atenção, porque no fim das contas não são as coisas que a gente guarda, são as coisas que começam a nos prender, né, quando a gente começa a ficar refém de tudo aquilo que nós estamos guardando. Quero lembrar você que nós temos aí um feriado prolongado, muita gente vai ficar em casa, né? muita gente vai trabalhar. Enfim, se você tiver um tempinho, aproveita e faz esse exercício de rever as coisas que estão guardadas e o que você precisa, o que faz sentido, o que não faz sentido. De repente é um bom momento para você desapegar. E agradecendo então a participação das nossas convidadas, agradecendo você que esteve com a gente em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. A ÍRA tá chegando aí trazendo informações atualizadas, né, aqui da nossa metrópole, também informações do estado de São Paulo, Brasil e Mundo. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com informações atualizadas aqui da cidade de Campinas e também de tudo que acontece no legislativo. E na segunda-feira a gente traz aqui, deixa eu ver, hum, vamos falar dos alimentos ultraprocessados. É isso mesmo, cada vez mais presentes na nossa rotina, né? E o que está por trás desses alimentos ultraprocessados, né? O que são esses produtos? São aqueles produtos cheios de aditivos, conservantes. A gente vai entender, né, o que realmente eh são os alimentos ultra processados? Você sabe identificar o rótulo? A gente sabe ler rótulo, será? Ou a gente percebe que esses alimentos influenciam o nosso apetite e e nossos hábitos. Quanto mais você come, mais você quer comer, porque são palatáveis, são deliciosos, mas será que são saudáveis? Então, vamos conversar sobre os alimentos ultraprocessados na segunda-feira a partir das 8 da manhã, em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. E claro que a gente espera por você. Desejamos um ótimo final de semana, um bom feriado para quem vai curtir o feriado, para quem vai trabalhar, bom trabalho. E lembre-se, cuide-se e faça um bom dia para você, faça aquilo que realmente tenha sentido na sua vida, tá bom? Você é importante, lembre-se disso e a gente se encontra na segunda a partir das 8 da manhã. Valeu, pessoal. Bom fim de semana. Ciao. Ciao.