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Olá, [música] [música] muito bom dia para você. Estamos chegando TV Câmara Campinas, estúdio Câmara no ar ao vivo nesta [música] quarta-feira, dia 29 de abril. E você como está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. O tema hoje, gente, é urgente, [música] é necessário e muitas vezes é invisível. É, hoje a gente fala da saúde [música] de quem cuida da nossa saúde. Vale lembrar que durante a pandemia médicos, enfermeiros e profissionais da linha de frente [música] foram chamados de heróis. Você lembra disso? Então, mas o que acontece quando essa capa [música] pesa demais? Dados mostram que até 86% dos profissionais [música] de saúde já enfrentaram sintomas de bornout. E o Brasil está entre os países com mais casos no mundo. [música] Além disso, ansiedade, depressão, exaustão emocional fazem parte da rotina de muitos desses trabalhadores. Ou seja, quem cuida também adoece, muitas vezes em silêncio. Então, conversa com a gente, vamos lá. De repente você é um profissional de saúde, conversa conosco, eh, traz pra gente a sua experiência ou até você tem um profissional de saúde aí na sua casa, né? Tem alguma pergunta, tem alguma dúvida, nós já estamos com as nossas profissionais de saúde mental aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las e elas podem responder vocês. Então, vamos interagir. O WhatsApp tá na tela. Nossa produção já apostos para receber a sua mensagem. Vamos lá. 1978293776 ou então aponta a câmera do seu celular para o QR code e entre em contato direto com a nossa produção. Estamos aguardando a sua participação e agora a gente atualiza algumas informações do legislativo. A Câmara Municipal de Campinas tem uma agenda movimentada hoje com eventos, reuniões de comissões e sessões ordinárias que abordam temas como inclusão, educação, infraestrutura urbana e desenvolvimento econômico. Vamos lá. Eh, 9:30 da manhã, a Escola do Legislativo de Campinas, a Elecampra Capacitismo e Quebra de Barreiras no plenário José Maria Matozinho. O encontro será conduzido por Rodrigo eh Giunge. Ele é especialista em desenvolvimento humano, neurociência e comunicação e vai tratar da superação de barreiras físicas e comunicacionais que dificultam a participação de pessoas com deficiência. O evento contará com certificado para participantes. [música] No período da tarde, às 3, a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Juventude realiza então a terceira reunião ordinária deste ano. O foco será a superdotação nas salas de aula e os seus impactos na qualidade do ensino. O debate que é presidido pelo vereador Gustavo Peta, vai contar com a participação de profissionais da educação e especialistas convidados. A reunião é aberta ao público, também será transmitida aqui pela TV Câmara Campinas e no canal da TV Câmara Campinas no YouTube. Às 4:30 ocorre a terceira reunião ordinária da Comissão de Administração Pública, que vai analisar pareceres de três projetos de lei. Entre eles está a proposta do vereador Eduardo Magoga, que prevé a instalação de bebedouros públicos em praças e áreas de lazer da cidade. O projeto estabelece que os equipamentos deverão ser acessíveis e instalados com base em estudos técnicos da demanda. A reunião acontece no plenarinho da Câmara, sempre também aberta ao público. Encerrando a programação de hoje, às 6 da tarde, será realizada a 24ª reunião ordinária no plenário. Entre os destaques da pauta está o projeto de lei complementar 38 de 2023, de autoria do vereador Luiz Rossini, que amplia a lista de itens proibidos no comércio de desmanche e sucatas, incluindo cabos de cobre, peças de equipamentos públicos e itens frequentemente associados a furcos. [música] Outro ponto relevante é o substitutivo ao projeto de lei que institui o programa afroempreendedor de autoria do vereador Roberto Alves. A proposta busca incentivar negócios geridos por afroempreendedores, prevendo ações como capacitação, acesso a crédito, criação de uma rede de apoio e implantação de um espaço dedicado ao empreendedorismo negro na cidade. [música] A sessão também inclui votação de projetos de decreto legislativo para a concessão de homenagens, além de propostas de denominação de espaços públicos. E a reunião também é aberta à população, vai ser transmitida pelo canal do YouTube e também aqui pela TV Câmara Campinas ao vivo para você. Muito bem, agora vamos com a previsão do tempo. Como é que fica a nossa quarta-feira? Estamos na metade da semana, estamos no outono brasileiro e hoje nós temos sol com algumas nuvens durante o dia, períodos de céu nublado, noite com muitas nuvens também sem chuva, tá? Mínima 20, máxima 30º. E agora sim, vamos ao nosso tema central do nosso estúdio Câmara, porque estamos ao vivo e a gente fala da saúde, dos nossos profissionais da saúde. Isso mesmo, a carga de trabalho excessível é um dos principais fatores dentro desse cenário. São plantões longos, noites mal dormidas, escalas imprevisíveis e hospitais lotados que fazem parte da rotina, né? E não é só o cansaço físico, é a pressão emocional de lidar com a dor, com a vida, com a morte todos os dias. Dormir mal, viver em estado de alerta constante e não conseguir desconectar do trabalho afeta diretamente a saúde mental e física. E quando esse profissional chega ao limite, quem sente o impacto? Pois é, a gente precisa entender esse colapso silencioso e para isso nós convidamos e elas já estão aqui com a gente, profissionais da saúde mental que vão eh orientar e falar pra gente quando é necessário que esse profissional pare-vindas a Elisa Maria Tamachira. Ela é psiquiatra. Doutora, seja bem-vinda. Muito bom dia. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia, viu? Muito obrigada pelo convite. Muito bem. E para completar aí a nossa dupla de hoje, nós recebemos a psicóloga Natália Amaral. Seja bem-vinda. Bom dia, Natália. Bom dia. Muito obrigada pelo convite. Olha só, gente, vamos abordar essa qualidade de vida dos profissionais de saúde, né? Você sabe que tem um estudo chamado Qualidade de Vida dos Médicos e ele traz dados de 2024 e 2025 que indicam que cerca de 40 a 45% dos médicos brasileiros sofreram burnout, ansiedade ou depressão com maior prevalência entre mulheres e jovens médicos. E mais alarmante do que isso é que muitos não procuram ajuda, seja por medo, estigma ou receio até de prejudicar a carreira, né? Existe ainda o chamado mito da invulnerabilidade, como se o profissional de saúde ele não pudesse adoecer, mas pode sim e precisa ser cuidado também. Então a gente começa com a Dra. Elisa perguntando como quebrar esse mito de invulnerabilidade sem que o profissional tenha medo do julgamento ou de represárias na carreira. Doutora, isso é muito comum porque o profissional ele precisa, principalmente o de saúde, precisa estar ali intacto, né? física e mentalmente para poder cuidar da saúde. Então ele acaba sendo um superherói que carrega uma capa muito pesada. Uhum. Eu acho que a primeira coisa que a gente precisa fazer é começar a falar mais sobre o assunto, né? Então, eh, quebrar o mito da saúde mental, falar psiquiatria, por exemplo, né? Ou saúde mental parece ser uma coisa eh errada, de uma frescura, bobagem. Então, o fato da gente estar falando cada vez mais sobre isso já vai ajudando muito. Sim. É, durante esses anos, né, que eu que eu trabalho, né, com saúde mental, eu fui percebendo já uma mudança geracional, assim, as novas gerações t aparecido mais, tem tido menos preconceito, mas ainda é muito grande. E eu percebo essa essa resistência muito dos mais velhos, né, dos profissionais mais velhos, dos chefes. Então, pensar num num chefe, né, da cirurgia, falar que o profissional que tá junto com ele tá precisando, né, ir um psicólogo, fazer terapia ou, né, tomar uma medicação, eh, é um tabu. E para quebrar esse tabu tem que ser conversado, tem que ser falado, tem que ser mostrado e mostrado que todos somos seres humanos, que todos nós somos vulneráveis, né? Então, acho que esse é o primeiro começo. Perfeito, doutora. Perfeito. Porque hoje, né, mais do que nunca, a gente precisa entender, e que bom que a gente tá entendendo que a saúde física e a saúde mental elas precisam caminhar lado a lado. Se você tem uma boa saúde física, mas a sua saúde mental não funciona, infelizmente você não vai conseguir eh seguir a sua vida com equilíbrio, né? E aí quando a gente fala de saúde mental do profissional de saúde, o emocional quando ele começa a se desgastar, o comportamento muda. E aí muitas vezes o paciente passa a ser visto como um número, como um prontuário e e dá esse problema todo que a gente vê e eh colapsando o sistema de saúde. Aí eu pergunto pra nossa psicóloga, isso é falta de empatia ou um mecanismo de defesa do cérebro diante do excesso? Quando esse profissional ele começa ver o paciente como um número, eu tenho que atender, eu tenho que atender, eu tenho uma meta, eu tenho que atender, então passa aqui, receito, tchau. Passo aqui, receito, tchau. Daí as pessoas começam a reclamar: "Poxa vida, mas não, conversei com o médico, ele olhou para mim, olhei para ele, ele me deu um remédio, mandou embora. O que que é isso? É, é falta de empatia mesmo? a gente pode falar que é um mecanismo de defesa do cérebro que já tá acostumado, que ele tá acostumado com excesso e ele só precisa seguir o plano. Esse é o fenômeno despersonalização, né, que é quando o profissional ele já não consegue mais ter aquele olhar ali pro paciente, né? Ele tá numa capa, numa defesa, cria uma barreira para ele conseguir lidar com aquela situação e não demonstrar a sua fraqueza. Porque pro profissional de saúde, principalmente os médicos, né, desde a graduação, eles são criados ali de uma ideia na mente deles de que ele não pode falhar, que ele tem que salvar, que ele tem que dar conta, que ele tem que tem que tem que tem que, mas a gente não tem que nada. Nós somos seres humanos e às vezes a gente não dá conta. E muitas vezes quando o profissional trata assim o paciente é porque por trás ele tá tentando segurar aquela carga, aquela demanda, a dificuldade no atendimento ali, muitas horas de plantão, muitas horas de atendimento, eh, aquele colapso que teve no sistema de saúde, alguma situação ali interna que dificultou, o que é o que eu tenho percebido, Rúbia, e eu vejo no meu consultório, os dois lados. Então eu atendo o paciente que foi pro sistema de saúde, ele vem e reclama que ele não foi bem atendido. E eu atendo o médico que vai lá pro atendimento e às vezes ele tá ali horas e horas e horas no atendimento, quando ele levanta para ir tomar uma água, ele cruza com um paciente na recepção e ele é acusado de que tá demorando muito porque ele não para dentro da sala. Então a gente tem os dois lados, né? E cada um no seu direito, cada um na sua verdade, na sua situação, porque o paciente vai buscar ajuda, porque ele não tá bem, ele precisa de um atendimento, ele tá na dor, ele quer resolver o seu problema. E o médico muitas vezes ele tá naquela intenção, mas ele tem outra situação ali dentro, né, que ele não dá conta e aí quando explode a gente vê colapsando aí, né, o sistema de saúde. Interessante você pontuar isso, porque sim, são os dois lados, né? Eh, e tem dados que mostram que o adoecimento ele está crescendo novamente após a pandemia, né, doutora? E e mais, eh, eh, tem sintomas, muitos sintomas, e tem pouco diagnóstico formal, né? Eh, quando a gente fala da das pessoas que trabalham no com a saúde, a dificuldade desse diagnóstico, a doutora trouxe aqui o ponto que é bem interessante, a gente precisa começar a falar. Então, a gente tem aqui o estúdio Câmara, que a gente sempre fala de saúde mental. Eu acho muito importante a gente desmistificar isso, quebrar esse tabu. Mas como quebrar esse tabu? Ah, dentro da comunidade que trabalha na área da saúde? Qual que é a dificuldade que a doutora eh avalia? Onde que a doutora pontua? O que é preciso fazer? Agora com a chegada da NR1, a gente pensa no corporativo, em uma empresa e tal, mas e no sistema de saúde? Olha só a complexidade disso. Uhum. Olha, eu acho que não tem como a gente eh não separar uma coisa, uma coisa tem de um lado os chefes, gestão, né? A chefia pressionando, como você falou antes, por números. Então eu preciso atender tanto os números de pacientes, quem e não é só o médico, né? profissional de saúde como um todo, ele tem eh eh recepcionista que tá ali na porta da da UBS, tem a enfermeira, tem psicólogo, enfim, eh todos eh com a pressão de números e a quantidade. Por um outro lado, tem o paciente e o paciente com seu direito de cobrar uma boa qualidade de atendimento. E no meio tá aqui o profissional de saúde sendo pressionado, achatado. Então, olhar para esses números, a conta não fecha. Não dá para atender um número de pacientes que se cobra, que se exige com uma boa qualidade em 15 minutos, em 10 minutos. Então, eh, começar a pensar como uma gestão boa de, eh, olhar e ver que que eu quero, eu quero números, eu quero qualidade, porque as duas coisas do jeito que tá sendo feito, a conta não fecha e aí o profissional tá sob pressão. E aí vem muito a questão do burnout, né, que a gente pode falar mais da síndrome, do esgotamento, mas quadros depressivos, quadros ansiosos, né? Então, para quebrar o tabu, eu acho que a gente também tem que falar com gestores, a gente tem que falar paraa estrutura, a gente tem que repensar o nosso modelo de saúde, seja privado, seja eh eh público, porque do jeito que tá na cobrança não dá. Quando você trouxe os dados inicialmente falando de recémformados, de jovens, são os que mais sofrem, porque eles ainda não têm a experiência para poder lidar rápido, para atender rápido. uma coisa é um profissional com anos de história, de, né, experiência, ele tem muito mais desenvoltura e ele consegue atender um pouco mais rápido, mas um jovem recémformado, ele demora mais, ele tem que escutar mais, ele para chegar no raciocínio e diagnóstico, ele demora mais e com a pressão de número e aí não dá conta e aí é por isso que ele adoece mais pressão de número e pressão de assertividade, né? Porque ele precisa ser assertivo, né? E aí a gente retrocede um pouco e eu pergunto para Natália a questão da pandemia, né? Os nossos heróis naquela época da pandemia, todo mundo falou muito, hoje já não se fala mais. Por que não se fala mais? Esses heróis, né, que passaram pela pandemia, que salvaram muitas vidas, que perderam vidas também. Olha só o peso que ficou na cabeça dessas pessoas que trabalharam na linha de frente. Bom, a pandemia passou, Natália. Essas pessoas que trabalharam na linha de frente, que foram considerados heróis, elas trouxeram o efeito pandemia. esse efeito pandemia para elas estão até hoje na mente, no cérebro, porque como passou a gente às vezes não se lembra e também não se atenta eh o impacto que a pandemia trouxe para esse profissional de saúde. Qual que é a sua avaliação? traz sim esse momento da pandemia foi muito traumático para muitos profissionais de saúde. Na época eu também fiz muitos atendimentos, né, mesmo eh online, porque a gente também estava em em isolamento. E a gente viu o sofrimento intenso de todos eles. E vejo que hoje ainda eles falam a respeito daquele momento, daquela dificuldade, daquela demanda difícil de lidar, muitas, muitos pacientes morrendo, a dificuldade de acesso dos familiares e eles trazem essa esse cansaço ainda hoje, né? A gente aumentou muito a demanda de saúde mental depois da pandemia. As pessoas ficaram em casa e começaram a perceber o quanto elas precisavam cuidar de si. na relação entre eles. E aí que que acontece? A procura por saúde mental na nos consultórios aumentou significativamente e não só da população geral, dos profissionais de saúde também. Sim, não todos, mas uma grande maioria. E aqueles que trabalharam na pandemia ainda falam muito dos traumas que eles viveram naquele momento. Então, sim, a eles trazem esse impacto ainda hoje. É, e é algo que prejudica também essa questão da ansiedade, do burnout. O trauma, ele, o que que a psiquiatria traz sobre o trauma, né? Pessoas que profissionais de saúde que a gente tá falando aqui hoje, que viveram esse trauma, né? E eh é uma coisa assim que não tem explicação. Acho que quem só quem viveu na linha de frente como profissional de saúde sabe entender e sabe explicar pra gente, mas a gente pode ter uma imaginação de que foi algo que frustrante demais, né? Então são muitas emoções e emoções fortes que são misturadas ali. Um dia você perde, um dia você consegue ganhar uma vida e são vidas que estão esvaindo pelos dedos. Eu acho que esse trauma é é algo que vai se perdurar por toda a vida, doutora. Como é que trabalha isso? Como é que se trata isso? Então, o trauma ele vem, né? a pessoa pode elaborar. E eu acho que muitos profissionais que procuraram ajuda, eu acho que isso ajudou muito a, né, passarem por esse trauma para poder eh eh eu falo, não é ultrapassar, não é passar, é simplesmente digerir e conseguir se resolver, né, e dar um sentido para tudo aquilo. Então isso eu acho que acontece. Algumas pessoas não conseguiram, algumas pessoas parece que ficou eh meio que parou ali, travou em algum de alguma forma. E aí essas pessoas são pessoas que precisam muito de ajuda ainda, tá? Agora, complementando um pouco o que a Natália falou, eu acho que a questão da da pandemia também ajudou a no burnout, no trauma, mas também aflorou depressões, ansiedades que já tavam ali no limite. Então, a pessoa que já tava no limite, veio a pandemia, foi a gota d'água e quadros que estão até hoje, então que a pessoa, né, só desencadeou, digamos assim, e que continuam até hoje. E aí a gente vai pensar ansiedade, depressão, né, que atingem outras áreas da vida, não é só o trabalho, acaba atingindo família, atingindo lazer, atingindo, né, a relação social, né? Sim. Sim. Até porque a gente não consegue separar, né? A gente tenta, mas somos uma pessoa só. Então, se você tá sentindo isso, você pode, de repente tentar disfarçar, mas não tem jeito, gente. E é esse ponto que chama atenção. Alguns profissionais de saúde, eles convivem com a ansiedade, né, mas eles não consideram, olha só, que a qualidade de vida seja ruim, como se esse sofrimento ele fizesse parte, né, da rotina, da profissão. E aí eu pergunto para você, Natália, como é que a psicologia pode ajudar a desconstruir essa ideia de que tá tudo bem eu ter ansiedade, tá tudo bem eu sentir uma tristeza, uma depressão, eu preciso continuar com o meu trabalho porque eu preciso ser forte e tá tudo certo. É, na verdade a gente precisa desmistificar esse mito de que a ansiedade eh não é uma coisa natural da vida, né? A gente sente ansiedade em muitos momentos. Eu preciso aprender a lidar com ela. Às vezes a ansiedade tá demais e aí eu preciso buscar ajuda. Mas não tá tudo bem se essa ansiedade passou do limite e me trava e eu não consigo trabalhar e eu não consigo ajudar as pessoas. Mas em algum momento eu vou sentir essa ansiedade. Eu acho que na verdade nós precisamos entender em qual momento tá normal e não tá normal, né, Elisa? A gente fala bastante isso pros nossos pacientes todos os dias. quando que a ansiedade passa do que é normal e quando eu preciso lidar com ela, não é? Sim. É quando, né, virou um transtorno de ansiedade. Então, ser ter ansiedade, ter eh tristeza, ter raiva, isso faz parte do ser humano, todo mundo tem. Agora existe um limite que é quando vira um transtorno. E aí que precisa de tratamento e aí que precisa de olhar, né? E aí a psicoterapia pode ajudar nesse processo de você olhar para dentro, entender o que tá acontecendo na sua vida como um todo e o que isso impacta no seu dia a dia. Mas aí é um olhar para dentro. Exatamente, né? É, é um caminho bem interessante e que a gente é é um autoconhecimento, né? E o autoconhecimento é algo que não para nunca, porque a gente tá em mudança o tempo todo, a gente tá em movimento, né? E a partir do momento que a gente eh eh busca esse caminho, é um caminho sem volta. E é muito bom porque você aprende a lidar com as situações da vida, com mais leveza, né? E aceitar de repente determinadas situações e não aceitar também, porque fala não é muito bom, faz parte da nossa vida. O autoconhecimento é muito importante. Agora, a gente fala de profissional de saúde, o que vem na nossa cabeça, né? os enfermeiros, os técnicos de enfermagem, né? O pessoal que trabalha muito, os médicos. Agora vocês, profissionais de saúde mental também estiveram na linha de frente, né? E aí a gente vê vocês muito equilibrados, né? Com propostas de cuidado assim muito assertivas e trabalhando com muitas histórias. E aí eu pergunto para vocês duas, eu começo com a Dra. Elisa, quem cuida de vocês? Quem cuida do profissional de saúde mental? Porque vocês também são profissionais de saúde. Como fica a questão do profissional de saúde mental? Quando que ele entende que ele precisa parar para cuidar da sua saúde? Porque conviver com histórias todos os dias, histórias diferentes e histórias que às vezes representam um peso. Vocês conseguem separar? Como é que é isso, doutora? Sabe que a gente tá dando risada porque eu tenho uma fala que eu falo assim: "Se nós somos as guardiãs da saúde mental, quem guardará a saúde do guardião?" Pois é, [risadas] mas assim, eh, eu acho que é um peso para todo profissional de saúde mental que às vezes ele não consegue reconhecer e é fundamental para ele olhar para que ele comece a perceber que tá adoecendo. Muitas vezes ele precisa estar em terapia também. ele precisa eh ter espaços de troca, de supervisão, de discussão de caso, onde as eh o adoecimento ou pelo menos ou alguma fragilidade que precisa ser olhada possa ser identificada e tratada. Então assim, quando a gente fala emutico, quando a gente fala em síndromes, né, eh, de adoecimento de profissionais de saúde, é diferente quando você fala de alguém que trabalha, por exemplo, no UTI e alguém que trabalha em saúde mental, porque são tipos de adoecimentos diferentes. Então, a carga emocional, a carga, né, o peso de ter ali o contato direto, o excesso até às vezes de empatia pode adoecer. Então, se a gente não tá atento, e aí é o profissional estar atento, né, em terapia, estar atento nessas discussões, eh, para poder fazer essa identificação, porque senão adoece e nem percebe. Pois é, né? Vocês estão ouvindo, né, todas as pessoas que vão em busca da terapia, do tratamento psiquiátrico, né, e vocês estão lidando com a dor do outro tempo todo. Sim. Como é que é, Natália? Como é que como é que você lida com esse sofrimento sem trazer esse sofrimento paraa sua vida pessoal? Como que você faz para cuidar da sua saúde mental? Ah, mas eu também faço a minha terapia aí, ó. Tá vendo? [risadas] Muito bom. Também tenho a minha terapeuta. A gente tem que se cuidar. E desde quando a gente começa a faculdade de psicologia, isso já é colocado na nossa mente. Você precisa cuidar de você para você cuidar do outro. Ótimo. Se eu não cuido da minha casa, como é que eu vou receber alguém? Então, a primeira coisa que a gente tem que fazer é olhar para dentro, cuidar de si. E aí eu vou estar disponível para acolher a dor do outro, porque é claro que a dor do outro eh também às vezes mexe com a gente. Eu preciso estar preparada para lidar com isso, porque eu tenho que receber aquela dor do outro e conseguir devolver para ele de uma maneira que ele consiga compreender o que tá acontecendo ali com ele. E se eu não cuido, eu não consigo fazer isso. A gente não funciona como um continente se eu não tô bem. Uhum. eu colapso também. Então, eu cuido da minha saúde mental e indico para todos os meus pacientes, inclusive quem é de saúde mental. E o que eu percebo, né, a gente tá falando aqui dos profissionais de saúde que t dificuldade de buscar ajuda. Profissionais de saúde mental tem mais dificuldade ainda. É mais difícil ainda, porque a gente também tem um mito de que a gente tem que tá bem, eu tenho que dar conta. E aí, se todos os outros médicos e enfermeiros têm que dar conta lá no centro de saúde, a gente que vai cuidar da mente também tem que tá com a mente boa. Mas será que a gente sempre para para pensar e a minha mente tá boa? Que momento que a minha ansiedade aqui também precisa de um cuidado? Então eu faço isso, indico para todo mundo, mas eu vejo sim que muito profissional de saúde não busca ajuda. Olha só, gente, que interessante, né? né? E a gente precisa aprender, né? Aprender que tá tudo bem, a gente não estar bem e buscar ajuda, principalmente eh vocês profissionais de saúde, que a gente conta tanto, que a gente na hora do desespero, você vai procurar quem? Você vai procurar um profissional de saúde. Vocês precisam estar bem para cuidar das pessoas que vão em busca do tratamento. Só que também está tudo bem vocês não estarem bem. O que não está legal é vocês não admitirem que não estão bem, porque são seres humanos, estão no esgotamento, estão lidando com a dor do outro e você precisa estar bem para que você possa gerir com destreza todo esse eh ter o manejo, né, de todo esse sistema que a gente sabe que é bem delicado. Agora, doutora, quais são os sinais? assim, o corpo começa a colapsar, a cabeça também. E quais são os sinais mais eh visíveis que a gente pode ter pro nosso corpo fala, né? Então, quando a gente fala do profissional de saúde, às vezes ele tá às vezes não, ele está acostumado a lidar com estress, está acostumado a lidar com ansiedade, aquele desespero, aquele coração batendo. Poxa, a vida, ele lida com a morte e com a vida o tempo todo, né? E e aí pode eh ter uma confusão de sinais aí muito, né? Quando a gente fala em síndrome de burnout, né, eu acho que é importante até entender assim, burnout vem do do inglês mesmo, que é de queimar, queimar e consumir aquela chama. Então, a imagem que eu sempre faço é de um fósforo sendo consumido. E o profissional ele se consome, começa a faltar energia. Então aquela exaustão em que para fazer a mesma atividade ele tem que gastar duas vezes mais energia para conseguir fazer aquilo, levantar da cama e pensar: "Eu tenho que trabalhar". Não consegue, eu vai a custo arrastado. Então uma exaustão física, uma exaustão emocional é um primeiro um primeiro sinal de alerta. A segundo que a Natália comentou que é dispersonalização, se eu não tenho energia, eu vou economizar em tudo, nas minhas relações sociais, eu vou economizar no contato com o paciente, porque ser empático gasta energia, eu preciso me colocar no lugar do outro, eu preciso pensar, né, como outro. E aí isso demanda uma energia que eu não tenho e aí eu me defendo, eu vou falar assim: "Olha, não tenho essa energia". Então eu começo a ser mais fria, mais irritada. Eu trato de uma forma assim mais técnica, sem com sem o o o contato mesmo emocional, evitativo, né? Né? Então eu evito a dispersização é uma um dos um sintoma, a sensação de que a minha profissão não tá valendo a pena. Então uma questão muito eh de sem perspectiva de falar assim: "Olha, não tá bom, não tenho realização pessoal". Uma pessoa que estudou anos, né? e que tá lá se dedicando, fala assim: "Olha, não estou me sentindo realizada, é um outro sintoma". E o corpo também fala: Uhum. Dores, dor de cabeça, dor nas costas, né? Eh, gastrite. Então, todos esses sintomas já vão mostrando que esgotou, né? O o palito queimou e a pessoa já tá adoecida, né? E como é que a psicologia, Natália, pode ajudar esse profissional? Primeiro ele tem que dar o primeiro passe. Primeiro passe, né? buscar ajuda. Uhum. Eh, entender que não é fraqueza buscar ajuda cuidadamente não é fraqueza, que a gente tem que ser forte para lidar com outras coisas, mas tem que ser forte para olhar para dentro, né? E e buscar uma psicoterapia ou uma consulta com o psiquiatra para cuidar da sua saúde mental. é você ser forte, porque você vai encarar as coisas que estão dentro de você e a partir daí você consegue se estabilizar e ajudar muito mais as outras pessoas. Então, dá o primeiro passo e ter coragem de olhar para dentro, não o contrário, porque o que eu vejo muito é: "Ah, se eu for procurar, eu vou mostrar que eu sou fraco, não, eu consigo dar conta, eu resolvo, não, isso aqui vai passar, tem que ser forte para cuidar de dentro, olhar paraas suas demandas, né?" Posso até fazer uma colocação dentro disso, né, que a gente fala do do tabu de procurar tudo, mas é muito comum o profissional de saúde se automedicar. Verdade. Muito comum assim, eu acho, nós atendemos muitos profissionais assim, né? médicos, é, a gente tem a parceria e assim todo mundo já chega automedicado. É verdade. Então eu acho que de entender que cuidar da sua saúde não dá certo, porque você precisa do olhar de fora para enxergar o todo. Se eu tô aqui perto, eu olho a minha mão, eu consigo ver a minha mão, mas eu não tô vendo as minhas costas, eu não tô vendo, eu não vejo todo. Eu preciso de alguém fora que consiga ver o todo, porque daí acerta mais, porque eu vejo muito assim de automedicações erradas em que a pessoa vai se medicando, vai se medicando e quando ela chega tá uma bagunça a prescrição dela assim, eu falo, acho que não deu muito certo e acha que a medicação não funciona, né? É, fal não tá funcionando, [risadas] mas é porque tá assim. E a consulta de corredor, né? Aquela questão que as pessoas, né? Olha, dá uma olhadinha aqui. Ai, a gente pode conversar ali no cantinho do café e que não tem aquele espaço de para esse local, este momento é meu e que eu vou me cuidar. Não, ela parece que não se dá o direito de ter um lugar, um espaço apropriado, momento apropriado para se cuidar. Isso é uma coisa que a gente vê muito, né? É, é verdade, né, Elis? aquela questão de eu vou pedir pro meu colega ali dar um jeitinho para el dar e aí eu desabafo também um pouquinho com aquela minha psicóloga que tá ali, que trabalha comigo ou com o psiquiatra que tá ali e acha que aquilo já é cuidado de saúde mental, não é? Na verdade tá só assim, tá transbordando, transbordando, transbordando e e é enxugar gelo, né, que é uma metáfora que você fala bastante. Terapia do café, né? Vai lá no cantinho do café, a gente conversa um pouquinho. Isso não é terapia, não. Tem que ter o espaço, tem que ter o seu momento, seus 50 minutos para você sair daquele ambiente, deitar no seu divã ou sentar na sua poltrona e falar, falar do trabalho, falar da vida, ter um momento seuum de autocuidado, né? E não é no cantinho do café, não. É, né? Pois é, esse cantinho do café, né? É igual eh nós, né, que somos eh de outra linha profissional, a gente às vezes também eh quer desabafar com a colega, com amigo que vai ouvir você e não é assim, né? Tem que ter a a especialização para poder realmente de repente precisar de um medicamento, né? Receitar o medicamento, no caso da psiquiatria, né? uma terapia com um olhar realmente para aquilo que você tá precisando no momento, porque a gente não consegue ter esse olhar para nós, né? Então é por isso que a gente precisa nada de terapia de cafezinho aí gente, terapia no cantinho do café não, né? Vamos cuidar com mais carinho, vamos nos olhar com mais cuidado, a gente precisa estar bem para cuidar do outro, né? Então a gente também tem que dar aquele atendimento especial para nós mesmos. E ainda quando a gente fala do profissional de saúde mental, que lida com o limite, né, que lida com a vida e da, aliás, o profissional de saúde, né, que lida com o limite, que lida com a vida e com a morte. E o profissional de saúde mental nem se fala, né, porque ele lida com quê? Ele lida com as nossas emoções. E as nossas emoções, o nosso equilíbrio, a gente precisa disso pra gente viver. Então, se você é profissional de saúde mental também você não precisa de ser ó, você não precisa de ter capa, isso pesa. Então, ó, coloca a capinha lá no guarda-roupa, abandona ela, se permita, se olhe com mais cuidado, com mais carinho, de repente, se olhe da mesma forma que você olha a pessoa que você cuida, né? ato cuidado, com tanto assim, eh eh carinho pessoa que você tá cuidando e querendo que dê certo, olhe para você dessa forma também. A gente precisa aprender. Agora 8:38 a gente eh tem algumas perguntas, pessoal da produção tá avisando aqui. Então vamos lá, vamos ver quem é que tá com a gente do outro lado. Ah, o que que você quer saber? De repente você quer compartilhar algo que aconteceu contigo? Se você é profissional de saúde, eh, de saúde ou de saúde mental, enfim, né? Você lida com outro ser humano aí e precisa entender que você precisa de cuidado também, tá? Pode colocar na tela pra gente, produção. Vamos lá. Quem cuida, né, desse pessoal que cuida da gente. Camila Rocha da Vilita Pura. Hoje vemos muitos conteúdos sobre saúde mental circulando nas redes sociais. Isso ajuda ou pode confundir ainda mais quem está tentando tentando entender o que sente? E também impacta o trabalho dos profissionais. Ah, Camila trouxe algo bem interessante, né, doutora? Por favor. Camila trouxe um ponto interessante, porque ela tem razão, ajuda e atrapalha. Eu acho que ajuda no sentido de popularizar, dar acesso ao conhecimento. Então, saúde mental, o acesso não é fácil. Não é tão fácil mesmo com planos de saúde, em convênios em que a pessoa eh não tem um acesso fácil, né? Então, o conteúdo nas na rede eh nas redes sociais ajudam, porque daí começa a divulgar para a pessoa se olhar, perceber, né, tirar os estigmas que a gente falou no início agora do programa, em que a gente fala mais para quebrar os tabus, mas por outro lado atrapalham, porque muitas vezes as pessoas já começam se autodiagnosticar. Então, é, eu tenho desatenção, aí eu tenho TDAH e que não, eu posso estar deprimida, eu posso estar cansada, ou posso estar ansioso, né? Então a gente assim eh eh isso atrapalha. Então como distinguir isso? Eu acho que serve de um alerta para as pessoas fal: "Opa, pera, será que eu tenho isso daí?" E aí essa busca por tentar entender de uma forma um pouco mais definada, com uma conversa, né? aí com um profissional de uma forma um pouquinho mais eh eh técnica mesmo. Exato. A gente precisa tomar cuidado com os conteúdos que a gente consome. Por quê? Porque esse negócio de internet é algo bem interessante, porque tem tem as pessoas que que são os influenciadores, eles têm muito poder de persuasão e nós até trouxemos num programa anterior eh que essas pessoas de repente elas elas têm não tem a a e eles não são não tem a formação, né? [risadas] o e não tem a formação também, elas têm ali o quê? Uma informação e o poder de persuasão. Então elas chegam, se apresentam e falam, mas você não está falando com um profissional da área, né? essa pessoa, ela não estudou, ela não se especializou e é preciso tomar muito cuidado com os conteúdos que a gente consome. É por isso que aqui no programa a gente tem um cuidado assim minucioso em trazer os profissionais da área, porque tudo que está sendo dito aqui está sendo dito com embasamento, né, com pessoas que trabalham e são profissionais da área. Isso é interessante a gente falar, porque o conteúdo ele pode acabar influenciando, né? Claro, tem que filtrar muito o conteúdo que você vê. Às vezes uma uma notícia ou um meme ou algum post, você quer ler, faz sentido para você e aí vai fazendo sentido demais e você vai achando que aquilo se identifica com você e vai achando que é uma coisa quando na verdade não é nada daquilo. É o importante é procurar o profissional de saúde e ter uma avaliação mais real, né? Exatamente. Muito bem. E cuidado com os medicamentos também, tá? Porque tem gente na internet que fica receitando medicamento aí. Olha, olha, primeiro que medicamento sem o o a indicação do profissional de saúde não pode. Segundo que o que deu certo para você não dá certo para mim. Somos diferentes, né? E a gente precisa de ter um cuidado especial com a nossa vida, gente. Por favor, alto lá, ó. Vamos se cuidar. 8:42. Mais uma pergunta na tela pra gente, por favor, produção. Vamos lá para ver quem é que tá conosco. Bruno Teixeira de Barão Geraldo. Com tanta tanta procura por atendimento, vocês sentem que o tempo com cada paciente está menor? Isso impacta na qualidade do cuidado? É o tempo com o paciente em sala de atendimento, né? Impacta, doutora? E como é que tá isso aí? É assim mesmo? Olha, eh, eu tenho a não vou dizer a sorte porque eu acho que é um uma trajetória de chegar onde eu tô. Aham. Hoje eu posso fazer os meus horários, então eu tenho, né, eh destinado pro atendimento do paciente, né, uma hora, praticamente uma hora. Então, eu cheguei num num ponto da minha carreira em que eu consigo fazer isso e eu insisto em manter essa qualidade, né? Mas já trabalhei no serviço público, né? E eu sei que isso tem impactado em que cada vez mais os profissionais que estão, principalmente no serviço público, eles têm uma pressão por números de atendimento e a a quantidade de tempo é reduzido e isso com certeza impacta na qualidade do atendimento. Como eu falei antes, não dá, a conta não fecha, tem uma boa qualidade em 15 minutos conseguir escutar a história inteira de vida da pessoa, ainda ela é hipertensa, diabética, né? tem fibromela e dá uma resposta, né? Então assim, é muito pouco tempo para um atendimento de qualidade. Então essa balança é delicada e eu acho que é urgente essa discussão. E em psicoterapia é muito pior, porque a gente não passa nenhuma medicação, nós somos o remédio. Sim, verdade. E aí eu preciso de um tempo maior. Hoje também, né, com a minha trajetória, a gente trabalha juntas, eu também tenho um espaço em que eu posso ter um horário maior com o meu paciente. Também trabalhei na assistência. E assim, o que eu vejo maior dos meus colegas psicólogos é quem trabalha no convênio, que o tempo é bem reduzido e a dificuldade da gente poder ajudar muito mais o paciente, ouvir, trabalhar mais as demandas, o que ele tem para trazer, até ele conseguir ficar à vontade para depois a gente trabalhar. O tempo já escorreu em 20 minutos, meia hora. Então acho isso bem problemático. Mas, né? É, né? Mas assim, precisa haver esperança. Quem sabe, né? Quem sabe um dia isso possa mudar. Com certeza. um dia possa ter uma outra visão, né, da necessidade de um atendimento mais humanizado e de entender que é prevenção muitas vezes, né? a gente tá falando do tratamento já depois da pessoa adoecida, mas existe uma coisa preventiva, então no caso do profissional de saúde, quando uma infraestrutura adequada, com tempo de atendimento adequado, com, né, eh, valorização, eh, salarial, então tudo isso impacta na qualidade de vida do profissional e isso vai impactar no atendimento melhor, com melhor qualidade e as pessoas vão passar a adoecer menos. E aí esse ciclo que é vicioso passa a ser um ciclo eh virtuoso, né? Olha só que interessante, né? Uma coisa puxa outra, né? E que bom seria que se a gente pudesse ter aí essa visão que a doutora trouxe, né? Para todos os profissionais que trabalham na área da saúde e para os pacientes que vão em busca da saúde, né? Então a gente pode pensar assim, a esperança ela precisa estar presente nas nossas vidas, quem sabe, né? É bom a gente falar mais sobre, porque falar é importante, né? Colocar para fora, falar, falar, quem sabe assim de tanto falar alguma coisa possa acontecer. E a gente fica feliz que a gente pode falar aqui e trazer uma opinião, né? Trazer assim uma eh eh de repente o início de uma mudança. Legal. 8:46. Mais participação, produção? Pode mandar pra gente, por favor? Juliana Costa do Flamboian. É comum profissionais da área também precisarem de ajuda psicológica. Como eles como eles lidam com isso no dia a dia? Pois é, é comum, né, Notar? É muito comum. como nós estamos falando aqui, muitas vezes não lidam muito bem, não vão buscar ajuda, mas a gente tem uma parcela que já tem essa consciência e que busca ajuda. Muitos eh eu atendo muito estudante de medicina e médicos já formados e eles começam desde a graduação já procurando ajuda. Então acho que tem mudado um pouco essa consciência. as instituições tão valorizando um pouco mais esse autocuidado desde o processo ali de formação. Então assim, a gente tem uma parcela que busca e a parcela que não busca, né? Mas tem, eu sinto que tá tá tendo uma mudança aí, as pessoas estão conseguindo buscar ajuda sempre. Então, né, essa mudança, a doutora acredita que que tá tá meio que desmistificando essa questão de buscar ajuda psiquiátrica, de buscar uma ajuda psicológica, fazer uma terapia, porque a gente fala de nós, né, que que não trabalhamos na área da saúde. Agora para para analisar, uma pessoa que trabalha na área da saúde, sabe os riscos, conhece, né, conhece esse esse mundo de vocês, que é um mundo diferente do nosso, e aí mesmo assim ainda tem eh essa barreira em buscar ajuda quando a gente fala da saúde, do profissional que cuida da nossa saúde, né? Mas isso eh está tá caindo por terra assim, tanto pros profissionais quanto para nós, né? pessoas eh eh comuns, o pessoal tá buscando mais a questão da qualidade de vida da saúde mental? Eu acho que sim. Eu percebo muito assim nesses anos aí de trajetória, porque antes eh falar em saúde mental já falava assim, era fraqueza, depois passava falar falar em psiquiatria, então era coisa de louco, só louco que procura psiquiatra. Então eh e o profissional de saúde ainda tem resistências, né? Mas a gente percebe porque no no trabalho que a gente fazia na Unicamp, em que a gente atendia os alunos, né, no começo os alunos iam quase escondidos, a portinha tinha que ser separada, não podia se falar, as pessoas tinham, né, receio, até encontrava com a gente, fingia que não vinha, [risadas] porque tinha um receio de de ser estigmatizado como alguém que procurou ajuda. E com o decorrer dos anos, quando a gente até nossos últimos anos no no no camp, eh, isso foi mudando, em que você percebe que era mais fácil de encontrar as pessoas, olha, né, tudo bem, né, eh, de falar que tava procurando ajuda, de falar, olha quem eu vim porque meu amigo veio e também ele falou, tal. Então, isso tá mudando de chegar pra universidade já conhecendo o serviço, que existe um lugar para buscar ajuda. Então isso foi modificando, né? Isso, a gente percebeu essa mudança, assim, existem ainda preconceitos, mas no decorrer dos anos isso foi melhorando. Isso é bom, gente. Isso é bom porque assim, a gente vê, né, falar assim: "Ah, meu meu médico, minha nutre, né, minha endócrino, agora minha psiquiatra, o pessoal não fala muito o que, qual é o problema, significa que você tá com a saúde mental em dia, né? Isso precisa ser e dito com louvor, né? é minha psicóloga, minha psiquiátrica, psiquiatra, eu faço terapia, tô com a saúde em dia, saúde mental em dia, saúde física em dia, tô conseguindo funcionar em equilíbrio. E isso acho que é um ponto chave pra gente ter uma vida mais leve, né? Porque a gente vive numa vida tão corrida, é um dia a dia bem estressante. E como é que a gente faz para manter esse equilíbrio? É, procurando os profissionais de saúde mental. E aí voltamos lá no ponto dos profissionais de saúde que precisam ir em busca de cuidado, que esse é o tema do programa. Agora faltando 10 minutinhos para as 9, mais duas perguntas, a gente vai já daqui a pouquinho paraas considerações finais, pode ser? Então vamos embora. Vamos lá. Aline Barbosa do Chapadão. Muita gente começa a terapia, mas desiste nas primeiras sessões. Isso é normal? Como entender se é só dificuldade inicial ou se não deu certo com o profissional ou Aline? Interessante demais a sua pergunta, né? Sim, isso acontece com muita frequência. Pode ter os dois fenômenos, você pode não se identificar com o profissional. Isso é muito natural de acontecer, porque você tem que falar coisas muito importantes e e íntima sua. Você precisa estar com alguém que você se conecte e que você sinta confiança. Isso pode acontecer. Às vezes existem um outro fenômeno que são as nossas resistências. a gente não quer mexer onde dói. E aí quando eu começo a fazer algumas sessões, o profissional começa a cutucar naquele lugar que dói, que é onde precisa ser cutucado, a pessoa vai desistindo. E aí às vezes a gente como profissional de saúde consegue pontuar isso e vai mostrando pro paciente aquela resistência e ele vai entendendo e vai ficando. Mas algumas vezes não é o momento da pessoa. Eu também entendo que às vezes ela vai precisar esperar um pouquinho mais, mas ela volta. Ah, volta, volta, né? Volta. dá uma leveza, um quentinho no coração. Na psiquiatria também é assim, doutor, as pessoas eh eh vão e aí a a né, buscam o atendimento psiquiátrico, mas de repente tem a resistência e e e desiste e depois volta. Como é que é? Sim, porque tem ainda o preconceito, né? Então, em relação à procura da saúde mental, eu acho que isso tá melhorando, né? Mas a questão, por exemplo, de tomar medicação, não, mas eu não quero tomar medicação. Então eu acho que é como a Natália falou, tem o seu tempo. Eu acho que o profissional quando ele tem tempo para poder explicar, quando ele tem tempo de poder, né, colocar eh esses mitos vão diminuindo e vão caindo e a pessoa vai aceitando mais. Por isso que a dificuldade de fazer uma consulta rápida, você dá essa orientação e eh de conversar, de escutar e o paciente se sentir acolhido é fundamental para quebrar esses mitos. Acho que uma coisa que é importante que eu gostaria de dizer é que assim, às vezes as pessoas vão pra terapia e elas pensam assim: "Ai, que difícil, ah, eu não gostei do que eu ouvi, ah, mas eu não vou falar". E aí acha que comentar com o profissional, né, com o terapeuta, não, não me senti confortável. aquilo que você falou, mexeu comigo, vai fazer o profissional ficar chateado e aí não quer. E nós somos preparados, gente, para ouvir isso. Isso faz parte do processo. Então você dizer pro profissional: "Olha, eu não achei legal aquilo que você falou. Sai daqui incomodada, não gostei. Olha, mas você falou aquilo para mim, eu vamos conversar sobre isso?" Ou até a coisa do "Eu acho que não tá funcionando." Quantas vezes a pessoa fala: "Ah, eu acho que não tá funcionando". E eles fala: "Você já falou pro seu terapeuta que você acha que não tá funcionando?" Porque é nesse espaço, né, da terapia que você pode falar disso. Quando o paciente chega para mim e fala: "Tália, não tá funcionando, eu não tô me sentindo bem, vamos falar disso, por que que não tá funcionando? O que que aconteceu?" E aí a gente vai descobrindo que tem outras coisas por trás que a minha fala tocou e aí a gente se entende, faz parte, porque eu estou naquele momento ali para olhar pra pessoa, não é verdade? Então, gente, pode falar quando vocês não gostarem de alguma coisa. Nós, psicólogos e psiquiatras, a gente tá preparado para trabalhar isso, né? Ai, que lindo, gente. É muito bom e é interessante. E assim, quando a gente começa a fazer terapia, a gente eh eh começa a se encaminhar pro autoconhecimento. E é importante a gente ressaltar aqui que o autoconhecimento ele é dolorido, ele dói. Porque às vezes a gente enxerga na frente do espelho uma pessoa e quando a gente vai olhar para dentro, a gente se depara com outra. Sim. Né? E aí está de repente o Ai, será? Não gostei. A conhecimento é dolorido, né? Com certeza. Tem uma fala de um paciente, né, Elisa, que que disse para mim assim, Natália, eu acho que eu vou dar um tempinho na terapia, porque eu tenho percebido que quando eu saio da sessão, eu saio mais dolorido do que quando eu vou pra academia, né? [risadas] A gente pode conversar sobre isso, mas eu achei essa fala muito eh fiel ao que a gente sente quando a gente olha pras nossas dores, né? Exato. É isso mesmo. 8:54, a última pergunta de hoje. Nós estamos aqui no estúdio Câmara, a gente ao vivo conversando sobre a saúde do profissional que cuida da nossa saúde, né? A importância desse profissional buscar ajuda. E aí a gente tá trazendo aqui a importância também da saúde mental desses profissionais. Precisam estar em equilíbrio, precisam estar bem para poder oferecer aí o cuidado pro paciente. O Carlos Mendes do Cambuí. Quando alguém da família precisa de ajuda, mas recusa tratamento, existe alguma forma de incentivar sem causar conflito? Olha aí, pessoal tá tá aproveitando que nós temos aqui uma psiquiatra e uma psicóloga [risadas] e tão e estão fazendo perguntas e é isso mesmo. Muito bem. Vamos lá, doutora. Sim, né? Na verdade, e a gente pode trazer isso até pro nosso tema assim, porque é o que a gente tá falando, quanto é difícil de um profissional de saúde aceitar. Então, também é uma forma de incentivar. Eu acho que a primeira coisa é lembrar que não é mandar, não é falar assim: "Vai lá, vai procurar terapia, olha, você tá doido, ah, você tá enfimo, você tal". E as pessoas mandam pro tratamento. Não, eu acho que é a gente lembrar de conversar, de falar: "Escuta, eu tô percebendo que tem algo que não tá bacana, que que tá acontecendo", né? E escutar e muitas vezes nesse escutar falar assim: "Você não acha que talvez um profissional possa te ajudar?" sugerir, eh, eh, aconselhar é muito diferente de ordenar, de, né, eh mandar. E eu acho que todo mundo tem resistência se eu falo assim: "Olha, você tem que fazer tal coisa". Agora eu também não vou. Outra coisa, falar assim: "Olha, vamos pensar juntos". Isso é muito da motivação. Como é que a gente faz técnicas motivacionais? primeiro a pessoa poder olhar para si, falar um pouquinho dela, poder mostrar o que que tá doendo e aí você consegue motivá-la para falar assim: "Então isso daqui será que a gente não pode melhorar?" Sim, acho que esse é o caminho. E às vezes quando você percebe que alguém precisa muito, mas essa pessoa tá com muita resistência, às vezes dizer: "Eu vou com você". Uhum. "Eu vou até lá". Não para entrar junto, mas vai até a recepção, vai até o espaço, vai até o consultório, fala: "Vamos junto." Isso pode ser um incentivador, né? Então, eh, ninguém faz terapia, obrigado, porque a pessoa vai chegar lá, não vai falar nada. Mas, eh, a solidariedade de dizer: "Eu vou contigo, você não tá legal, olha só, você não percebe, né? Eu acho que uma avaliação de repente pode ser nada, mas uma avaliação não custa, né?" Enfim. E aí, pessoal? Muito bem. Agora pra gente fechar vocês falando, né, e e sobre essa pergunta do nosso telespectador, veio aqui para mim a a questão do profissional de saúde e o impacto disso tudo que a gente falou aqui, eh, de repente da falta de cuidado com ele mesmo na família, o impacto em casa, na família, na questão social, isso impacta e muito quando esse profissional ele sente que ele precisa, mas ele acha que ele é herói, que ele não vai buscar ajuda, né, doutora? Isso é muito comum. Então, aquela despersonalização, aquela frieza, isso também começa a se ampliar no seus vínculos sociais e aí o relacionamento familiar também começa, né, a degringolar também. Então, eh eh se serve como motivador, às vezes o motivador pode ser a família, pode pensar que vou melhorar a qualidade de vida da minha família, pode ser o relacionamento que já não tá legal, ou a família ou outros lugares ali onde a pessoa convive, o meio dela todo começa a colapsar e aí tudo transborda, né? Vai ladeira abaixo. É, exatamente. Precisamos de cuidado. Precisamos cuidar da nossa saúde e precisamos que vocês que cuidam da saúde da gente estejam bem, né? E a gente fica aqui feliz de saber que as coisas estão mudando, que vocês estão buscando. Continuem, continuem buscando, porque é isso, a vida da gente é movimento, é uma busca constante e a gente precisa se olhar com mais carinho. Agora 8:58 a gente agradece, né, as nossas profissionais de hoje. E lembrando que cuidar de quem cuida não é um detalhe, é uma necessidade, né? sem profissionais saudáveis, não existe o atendimento humanizado que a gente sempre precisa e busca. E sem saúde mental também não existe a saúde completa, né? E a gente precisa estar completo por inteiro e equilibrados. Ah, que bom isso. Quero agradecer, Natália, sua participação, ah, você compartilhando seu conhecimento, trocando com a gente e nos ensinando também, né? Muito obrigada. Eu que agradeço a oportunidade. Deixa uma dica então para os nossos profissionais de saúde aí que eles precisam de um cuidado especial. Sim, gente, vai buscar ajuda, né? Busque um profissional que você se identifica, faça várias eh entrevistas com alguém até achar aquele profissional que você fala: "Confio aqui, eu me sinto bem". Mas vão, vai fazer muito bem. Exatamente isso mesmo, doutora. Obrigada pela sua participação, por compartilhar com a gente, por trazer, né, um um alerta para os profissionais de saúde e que eles precisam sim de muito cuidado e que essa capa pode ser guardada no armário, né? Sim. Muito obrigada, viu? Deixa pra gente então uma dica aí para esse pessoal que tá assistindo e que de repente é profissional de saúde ou tem um profissional de saúde em casa que de repente até às vezes viu um sinal que chamou atenção, né, para de repente um incentivo para que essa pessoa possa buscar ajuda. Olha, agradeço, né, o convite. Eu acho que três dicas seria uma, os profissionais precisam se unir, inclusive para cobrarem melhores condições de trabalho, né, uma condição adequada. A segunda é de eh não se automedicarem, não se autotratarem, terem a humildade de pedir ajuda e de, né, ter outro profissional cuidando de si, tirar a capa e deixar de ser o superherói. E o terceiro é lembrar de um cuidado integral. Então, a saúde física também, né, e a saúde mental junto com a física, junto com o lazer. Muito bem. mente são, corpo são e as coisas fluindo em equilíbrio. Tá vendo só que legal? A gente vai encerrando o nosso programa de hoje. Então, agradecendo a sua audiência, a sua companhia. Eh, lembrando que nós temos uma agenda bem recheada hoje lá na Câmara de Campinas. Você é convidado para participar tanto ao vivo no plenário quanto pelo YouTube e também para assistir aqui na nossa TV Câmara Campinas. Tá tudo ao vivo, direto do plenário José Maria Matozinho para você. E amanhã nós temos também temos ao vivo o nosso estúdio Câmara mais uma vez a partir das 8 da manhã. E olha só, tem um tema que está dominando as redes e levantando um alerta, a novela das frutas. Você já viu aquilo? Virou uma febre na internet, né? São personagens coloridos, histórias que parecem inofensivas, mas por trás disso tem conteúdos com violência, linguagem de duplo sentido e até discursos problemáticos sem classificação indicativa. Esses vídeos eles chegam direto a crianças e adolescentes. E aí, por que que isso viraliza tão rápido? E o que isso revela sobre comportamento de quem está consumindo esse conteúdo? Amanhã a gente aprofunda, né, esse debate das novelas das frutas, né, que tem sido destaque aí nas redes sociais e [música] que tem muita criança e adolescente assistindo. Lembrando que nós temos aí um ECA digital que é recente e que tem responsabilidades a cumprir. Mães e pais, precisamos cuidar do do conteúdo que os nossos filhos consomem, tá bom? Então, amanhã a gente fala um pouco mais aí sobre eh a novela das frutas aqui no estúdio Câmara ao vivo e a gente conta com a sua participação. Um grande abraço, fique bem. Ao meio-dia tem Câmara Notícia com Gabriel Castro e lembrando que a Íria tá chegando aí direto da central de informações, trazendo informações atualizadas aqui de Campinas, do estado, Brasil e para você. Grande abraço. A gente se vê amanhã ao vivo aqui no estúdio Câmara. Até lá. Ciao ciao [música] [música] [música] [música] [música] [música]